Do chamado "acordo sobre as interconexões", também chamado "corredor verde" - provavelmente por ser potencialmente mais bonito - que agitou a política da caserna nestes últimos dias, não percebo nada. E creio que não estarei sozinho nesta ignorância, até porque, dele, nada se sabe.
Como nada se sabia do anterior, o tal que, ao contrário deste, que prevê essa "interconexão" por mar, a previa pelos Pirenéus. Sabia-se apenas que fora assinado entre o governo de Passos - e talvez por isso tão defendido pelo PSD - e o de François Hollande. E que nunca chegou a existir, porque Macron sempre se lhe opôs.
É aqui, neste preciso ponto, que passamos a perceber o essencial deste novo acordo para levar energia para a Europa através do Mediterrâneo. Pela simples razão que somos levados a perceber que os interesses franceses, que Macron põe acima de quaisquer outros, terão a ver muito coisa, menos com a forma como lá chega o gás. E depois o hidrogénio, que ainda se não sabe quando, nem como, se começará a produzir. Por terra, ou por mar não muda muito. Pode custar mais ou menos dinheiro (e isso é com a Europa, já se sabe), mas chega lá à mesma, para atravessar o país, na mesma. É ao percebermos isso que percebemos por que nada se sabe de um acordo que não existe, e que, remetendo tudo para as calendas, dificilmente existirá. E que se resume à simpática fórmula encontrada por Macron para deixar tudo na mesma, fazendo parecer que alguma coisa mudou.
Pelo meio, e aqui entra a Espanha, fica a saber-se que, se e quando vier a existir, este acordo privilegia os portos espanhóis e deixa de fora o porto de Sines.
Perguntar-se-á: então por que é que António Costa faz disto uma festa?
Creio que só há uma resposta: porque ele é mesmo assim. Gosta de festas!
E a política da caserna também!
O "privilegiar portos espanhóis", é devido à localização, com o pequeno pormenor (ignorado por Paulo Rangel) que só o porto de Barcelona pode receber cargueiros de gás. Em Espanha existem 4 portos com capacidade de receber gás, 3 são na zona norte e o de Barcelona. É por isso que 26% do território espanhol até é abastecido, de gasóleo e gasolina, do porto de Sines (mais de metade vinha de Matosinhos, que chegava a receber 6 petroleiros para produzir para Espanha, por cada um que era para Portugal). Navios provenientes da América do Sul não querem entrar no Mediterrâneo, pois é preciso pagar direitos de passagem a Espanha, Inglaterra e, provavelmente, França, para descarregar em Barcelona. Daí usarem o oceano fora da ZEE de Portugal (no espaço internacional entre o continente e os Açores) para seguirem para o norte de Espanha e países do centro da Europa.
ResponderEliminarAcerca das 3 ligações de electricidade, o governo português, de que Paulo Rangel foi secretário de estado, antes de voar para Bruxelas/Estrasburgo, assinou um acordo com Espanha e França, em 2013. Só que os espanhóis nunca quiseram esse acordo. Os franceses assinaram, para dar boa imagem e poderem vender mais 17000kwh, das novas centrais nucleares. Foi devido a isso, que o acordo andou a pé, pelas conferências entre os países e que já estava rasgado em 2019.
A França e Espanha aceitaram uma ligação energética, porque a França irá construir mais 9 a 22 reactores nucleares, até 2030, graças aquela grande medida que o PPE (o grupo parlamentar de Paulo Rangel, apesar dele ter votado contra) avançou no Parlamento Europeu, que incluiu a energia nuclear nos investimentos de energias renováveis. França possuía 11000 milhões de euros para as renováveis, com essa medida, os 11000 milhões vão para novos reactores nucleares e melhorar antigos.
O hidrogénio verde, poderá chegar lá para 2030-2035. Será para substituir o GPL, principalmente a nível empresarial.
Bem complementado, Manuel Rocha.
ResponderEliminar