quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Dia de injustiças

Polonia x Argentina


Fecharam-se hoje mais dois grupos. No grupo D a França já tinha o apuramento garantido, com altíssima probabilidade de assegurar o primeiro lugar. Tão alta que até mesmo perdendo o jogo o garantiu.


Perdeu com a Tunísia, e perdeu bem. Porque a selecção do Norte de África confirmou ser a melhor do grupo, logo a seguir à França, mesmo que hoje tenha demonstrado ser melhor que a melhor. Pelo seu valor intrínseco, mas também porque nem mesmo a França consegue formar duas equipas com o mesmo nível.


Entrou no jogo com nove alterações na equipa base, praticamente um onze todo novo. E isso notou-se. 


De pouco valeu à Tunísia ganhar o jogo - o golo anulado a Griezmann, no último minuto, como tinha sido anulado outro aos tunisinos no início da partida, apenas evitou a injustiça que seria não o ganhar - já que, no outro jogo, a Austrália ganhou surpreendentemente à Dinamarca.


Foi o jogo das decepções. Mesmo que, nisso, a Dinamarca tenho sido como a pescada - antes de o ser, já o era. Já era uma grande decepção, à luz da excelente prestação no Europeu, e mesmo da fase de apuramento para este Mundial, e voltou a sê-lo hoje.


Fez o jogo todo ao ataque, e nem uma oportunidade de golo conseguiu construir. A Austrália defendeu o jogo todo e, no único contra-ataque que conseguiu, e na única vez que chegou à baliza de Schemeichel, marcou o golito com que ganhou o jogo e somou 6 pontos. Tantos quantos os da França, deixando a decepcionante Dinamarca no último lugar. E tornando-se, mais que na maior surpresa da prova, no brinde do bolo rei dos oitavos.


No grupo C houve emoção até ao fim, mais uma decepção, e mais uma prova que no futebol não há justiça. 


A Argentina ganhou à Polónia - outra equipa decepcionante - e acabou por vencer o grupo, frustrando as expectativas de um França - Argentina nos oitavos. E, nas antípodas desse esperado duelo, ficou com o brinde.


A selecção de Messi - também ele decepcionante, e não foi apenas por não ter concretizado o penálti, ao permitir a defesa de Szczesny, ainda na primeira parte -, com o nosso Enzo Fernandez finalmente titular, a ser decisivo, dominou o jogo por completo. 


A Polónia, onde dá pena ver Lewandoswky, só defendeu. Defendeu o 0-0 que lhe garantia o apuramento, e em primeiro lugar, até ao intervalo. A Argentina marcou logo no primeiro minuto da segunda parte, e os polacos passaram a defender o 0-1. Marcou o segundo - grande assistência de Enzo Fernandez para um grande golo do amigo Alvarez, o outro miúdo maravilha - vinte minutos depois, e a selecção polaca passou a defender o 0-2.


Tudo isto porque, no outro jogo, o México ganhava por 2-0 à Arábia Saudita, resultado que servia aos polacos por, com tudo empatado entre eles (diferença de golos, golos marcados e sofridos - tudo igual) desempatava a seu favor por ... terem menos cartões amarelos.


Faltava meia hora para jogar nas duas partidas e a Polónia defendia, agarrada a uma vantagem nos amarelos. Faltavam 10 minutos, depois 5 ... e a Polónia queimava tempo ...agarrada aos amarelos.


Nos últimos minutos da compensação do México - Arábia Saudita, já com o jogo no 974 dos contentores terminado, e com os mexicanos em desespero à procura do terceiro golo, os sauditas marcaram. 


E os polacos, agarrados aos telemóveis, fizeram a festa do apuramento.


Fica-lhes mal - o apuramento e a festa!


Não há justiça no futebol. Se houvesse, hoje teria sido um dia negro!

Governo finalmente coordenado

Remodelação Governamental - DN


Afinal António Costa não vai ao Catar. Mas não deixa a selecção sem governo neste terceiro jogo, com a Coreia do Sul. Vai lá estar Ana Catarina Mendes, a irmã do seu novo "mais que tudo" nas sucessivamente falhadas tarefas de coordenação do seu descoordenado governo.


Vamos lá ver se, agora, depois da exoneração de um secretário de Estado que contrariava tudo o que o respectivo ministro afirmava, e de, só não pode dizer mais um, porque é uma, secretária de Estado que, para além de fazer o mesmo, ainda tinha também uns problemazitos com a Justiça, a coisa se coordena mais um bocadinho.


Se o problema é coordenação, pelo menos foi dado um bom sinal. É que, mesmo sem lá ir, Costa coordenou tudo muito bem com o que se passava no Catar... Tudo foi tratado enquanto a selecção ganhava, ficava apurada, e ocupava sozinha o espaço mediático.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Já se previa! Era inevitável que fosse explicado - bem explicadinho - aquela de Portas ser a terceira figura do governo.


Está explicado. Passos Coelho veio explicar, mas enquanto se preparava para dar a explicação corrigiu e reviu em baixa a posição do actual MNE. Terceira, não… E contou em voz alta: Vítor Gaspar, Relvas, eu próprio e … Portas. Quarta! O Dr Paulo Portas é a quarta figura do governo!


E explicou ainda melhor, acrescentando até que a nova estrutura hierárquica do governo passou, a partir da quinta avaliação da troika, a constar do memorando de entendimento: a primeira, o chefe máximo, é Vítor Gaspar, o mentor disto tudo, o tipo que traz no bolso o mandato da troika, e o único que é tu cá tu lá com o chefe Schauble; a segunda é quem manda no maior partido da coligação, na comunicação social, na RTP e em tudo o que seja verdadeiramente importante neste país, Miguel Relvas, claro; a terceira, e aí está a novidade, é então Passos Coelho, que garante já ter explicado ao seu parceiro de coligação que não podia deixar de ser assim - se fora ela a ganhar as eleições e se é ele que aparece para as entrevistas, não poderia deixar de ser o terceiro! E aí está Paulo Portas no seu devido lugar. O quarto, depois de mais uma revisão em baixa!


Consta ainda que, nas explicações que lhe terá dado, Passos Coelho terá segredado a Portas qualquer coisa como:"sabes bem que, tal qual eu, não tens poder nenhum. Chegaste a ter o poder de mandar o governo abaixo, mas até esse já perdeste"! 

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Contas fechadas nos grupos A e B

Pulisic decide e Estados Unidos eliminam Irã na Copa do Catar | Agência  Brasil


Abriu a terceira ronda da fase de grupos, para a começar a fechar. Às três selecções já apuradas, as únicas que não deixaram para o fim as contas do apuramento, juntaram-se hoje as das contas fechadas dos grupos A e B. 


No primeiro a Holanda voltou a ganhar, e pelo mesmo resultado (2-0) que já ganhara, na primeira jornada. Desta vez à fraquinha selecção da casa. E mesmo assim sem voltar a convencer ninguém. 


Acabou por ganhar o grupo - o mais fácil de todos - mas nem por isso deixa de constituir uma das maiores decepções deste mundial, aquela em que é maior o gap entre a expectativa à partida e a capacidade demonstrada.


Equador e Senegal discutiram entre si o segundo lugar na classificação, que haviam iniciado com resultados simétricos. Ganhou a selecção africana (2-1), cujo desempenho justificava a primeira posição no grupo. Foi a melhor, mesmo desfalcada de Sadio Mané, um dos melhores do mundo. Só não ganhou à Holanda, a quem havia sido bem superior, e não vai ser, nos oitavos de final, osso fácil de roer para a Inglaterra. 


Que, ganhando (3-0) a Gales, foi naturalmente a primeira do grupo B. Um grupo também sem grande dificuldade, onde só não ganhou aos Estados Unidos. Também apurados, depois da vitória (1-0) sobre o Irão, no que foi apenas um jogo de futebol. Com história, mas apenas a história do jogo.


A selecção americana, com um punhado de jogadores de muito boa qualidade, foi claramente superior ao Irão, com Taremi (que, em desespero ainda fez o seu número, no último dos 9 minutos de tempo extra), e pouco mais.


Os jogadores iraquianos voltaram a cantar o hino, neste jogo da despedida. Nem todos, é certo. E entre os que o cantaram, nem todos com o semblante de sentimento de outros tempos. Mas essa é a história que não agrada a Carlos Queiroz...


Os americanos mostraram como uma equipa pode ser agressiva sem ter que violar as regras do jogo e, acima de tudo, do desportivismo. Ou como um jogo de futebol nunca tem que ser uma guerra. E tiveram ainda tempo para desenhar umas quantas jogadas do melhor futebol que se pôde ver. A do golo - de Pulisic, o melhor da mão cheia de grandes jogadores de que dispõe, que se lesionou no lance, depois de chocar com o guarda redes já com a bola dentro da baliza - é de compêndio. A do golo anulado a Wheah, filho do antigo "melhor do mundo" que hoje é Presidente da República do seu país, a Libéria, onde o filho nunca poderia jogar um mundial, como ele não pôde, foi outra.


A Holanda não vai ter tarefa fácil. E se deixar de ter o rabo virado para a lua é bem possível que volte para casa já a seguir.


A Inglaterra, do meio campo para a frente, dispõe de um plantel extraordinário. O problema pode ser lá atrás. A ver vamos, e se calhar podemos já ver com o Senegal. Tem em Rice um jogador pendular nos equilíbrios. E em Kane um avançado de enorme categoria. Não marcou um único golo, e a equipa já leva nove, mas tem sido um playmaker assombroso. O resto é um naipe de desequilibradores onde o difícil é escolher entre Rashford (com 3 golos, hoje fez dois, está entre os melhores marcadores), Folden, Grealish, Bellingham, Saka, Sterling, Mount ou Phillips.


  


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Longe dos esclarecimentos requeridos, antes pelo contrário, com tudo cada vez mais escuro, a administração da RTP já escolheu o novo Director de Informação: Paulo Ferreira, até aqui editor de economia, de quem aqui já se falou.


Não sei bem porquê, mas esta decisão não me surpreendeu. Pronto, sei!


Sei e sabem todos os que venham acompanhando o seu discurso na Antena 1, numa espécie de programa de economia – mal amanhado – todos os dias pelas oito e picos da manhã!


É uma peça do Lego em que a RTP está transformada. Encaixa!

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Quando tudo errado acaba a bater certo


No último dia da segunda ronda do mundial quebrou-se a regra, e os vencedores da primeira ronda repetiram a vitória. E garantiram desde logo o apuramento para os oitavos, o que só a França tinha feito, na tal excepção que confirma a regra.


No grupo G foi o Brasil a conseguir isso, numa vitória difícil, apenas 1-0, mas merecida sobre a Suíça. O que faltou de golos neste jogo sobrou no outro. Foram seis, e dos bons, no empate a três entre os Camarões e a Sérvia. A selecção africana, porque vai no último jogo defrontar o Brasil e, por isso, com poucas probabilidades de ganhar, está muito próxima de ser eliminada. Deixando a questão do apuramento em coisa a decidir entre a Suíça e Sérvia que, para lá chegar, terá obrigatoriamente de ganhar. O empate serve aos helvéticos.


No grupo H o Gana ganhou à Coreia do Sul, num jogo electrizante. O Gana chegou ao 2-0, ainda na primeira parte. Os sul-coreanos, ainda no primeiro quarto de  hora da segunda parte, com dois golos de rajada, de Cho Gue-Sung, em apenas 3 minutos, empataram. Kudus, o avançado do Ajax que já é craque, não lhe quis ficar atrás, marcou pouco depois o seu segundo golo e, perante os desespero dos asiáticos - e do português Paulo Bento, que acabou expulso -  garantiu a vitória à selecção africana. Que, não lhe garantindo ainda nada - qualquer das três equipas pode ainda conseguir o apuramento - é a única que, matematicamente, pode sonhar com o primeiro lugar do grupo. Que, no entanto, dificilmente fugirá à selecção de Portugal, depois da vitória desta noite frente ao Uruguai.


Voltou a não fazer um jogo aceitável, e minimamente compatível com a valia dos jogadores portugueses. E voltou a ser bafejada pela sorte. Fernando Santos não consegue pôr estes jogadores a jogar um futebol empolgante, nem sequer decente. Mas consegue os favores dos deuses. Ou será de Nossa Senhora?


Sem Otávio e Danilo, lesionados, Fernando Santos optou por William Carvalho e Pepe. Nuno Mendes, recuperado - ou talvez não - foi a terceira alteração relativamente ao jogo com o Gana. De resto, tudo na mesma. E com tudo na mesma, tudo fica na mesma. E muito fraquinho.


Nunca a selecção portuguesa mandou no jogo, e andou mais tempo atrás dele que a controlá-lo. Só o controlou verdadeiramente, só nos últimos 10 minutos.


Entrou no jogo na habitual posição de espera, sem iniciativa, enquanto equipa uruguaia entrava para amedrontar. Não por força da qualidade do seu futebol, mas pela intimidação do confronto físico, e pela intensidade na disputa  de todos os lances. No último quarto de hora da primeira parte era já o Uruguai que estava por cima do jogo, e só não marcou naquela jogada em que o Betencur fez gato sapato da defesa portuguesa porque Diogo Costa voltou a mostrar que, apesar de tudo, aquela baliza lhe pertence por direito próprio.


Entretanto Nuno Mendes mostrava que, afinal, não estaria recuperado, e teve que ser substituído por Raphael Guerreiro, já perto do intervalo. Com uma substituição e uma das três oportunidades para o efeito queimadas, e com Rúben Neves em sub-rendimento, esperava-se que o seleccionador aproveitasse o intervalo para, pelo menos, o substituir e compensar o momento perdido pela substituição a que já tinha sido obrigado.


Não o fez, e começou aí o primeiro erro nas substituições.


A segunda parte começou na linha do que tinha sido a primeira meia hora. A primeira nota foi mesmo a invasão do campo por alguém com uma T shirt alusiva aos direitos das mulheres no Irão para lá deixar a bandeira arco-iris LGBT, que a FIFA não tinha autorizado nas braçadeiras dos capitães que a isso se tinham proposto, na altura em que Rúben Neves estava a ser assistido, e a fazer ressaltar, a cores tão vivas como as da bandeira no relvado, a asneira de não ter sido substituído ao intervalo. 


Não se imaginaria que, três minutos depois, e ainda antes de se esgotarem os primeiros 10 minutos, do céu voltaria a cair um golo salvador. Bruno Fernandes cruzou para a área, Cristiano Ronaldo saltou, mas só isso, o guarda-redes uruguaio foi enganado, e a bola acabou dentro da baliza. Num golo estranho. Tão estranho que era o golo de Bruno Fernandes com que CR 7 igualaria Eusébio!


A perder, os jogadores uruguaios mandaram-se aos portugueses como gatos a bofes. O treinador tirou um dos cinco defesas - velho Godin - e Vecino,  praticamente o sexto, e um dos mestres da intimidação, e lançou dois rapazes que jogam à bola - Arrascaeta, do Flamengo, e Pellistri, o miúdo do Manchester United, que deu cabo da cabeça a Raphael Guerreiro. E não só.


 E as coisas começaram a correr mal a sério. 


A resposta de Fernando Santos não podia ser pior - tirou finalmente Rúben Neves para fazer entrar Rafael Leão. Tudo errado: utilizou o segundo momento para fazer uma única substituição; quando a equipa estava sujeita a uma pressão enorme, como nunca lhe tinha acontecido, trocava um jogador de meio campo por um avançado; e quando em campo estavam avançados esgotados (João Félix) e/ou a que só viam a bola à distância (Ronaldo).


Claro que tudo se agravou. O seleccionador uruguaio continuou a carregar, e mandou lá para dentro Luís Suárez e Maxi Gomez. Que só não marcou na primeira vez que tocou na bola porque a bola foi ao poste direito de Diogo Costa.


Foi um quarto de hora de sufoco!


Mas Fernando Santos é homem de fé. E de sorte. Tanto que teve tempo de chegar às substituições. Aos 83 minutos.Três de uma vez, porque já não tinha mais nenhuma vez. Tarde de mais, mas ainda a tempo.


Às saídas de João Félix e Ronaldo juntou a de William. A entrada de Palhinha deu capacidade de combate ao meio campo. Matheus Nunes foi a companhia de que precisavam Bruno Fernandes e Bernardo Silva. E Gonçalo Ramos introduziu frescura e movimento no ataque.


Faltavam 7 minutos para os 90, e a selecção passou finalmente a ter controlo sobre o jogo. A ser claramente superior, e a justificar, em 10 minutos de jogo útil, a vitória. Tanto que deu para Bruno Fernandes marcar o segundo golo, de penálti (do VAR, o segundo em dois jogos), rematar ao poste, para que os uruguaios nem do seu se possam queixar, e ser eleito o melhor em campo. Que hoje até foi o Bernardo. No jogo com o Gana é que tinha sido ele o melhor, não o Ronaldo. Mas isto anda sempre tudo trocado!


Tão trocado que, fazer tudo errado, acaba a bater certo!

E no entanto move-se ...

China diz que repórter da BBC preso ″não se identificou como jornalista″


Afinal, na China, a terra também gira. Pouco mais de um mês depois de Xi Jinping quase ter demonstrado que na China a terra não se move, eis que ela se movimenta.


Sendo provável que Jinping ainda tenha força para a fazer parar, mais provável é que ela teime em continuar a mover-se.

O número 2 que quer ser 1

Santos Silva realça pontos positivos do Catar e tranquiliza portugueses


Depois de Marcelo, o nº1, no primeiro jogo da selecção, é a vez do nº2 na hierarquia do Estado chegar ao Catar.


Depois das voltas que deu ao assunto, Marcelo jurou ir lá falar de direitos humanos. Não falou propriamente, mas balbucionou qualquer coisa a que ninguém deu importância nenhuma. Pronto, fez de conta e assunto arrumado.  


Augusto Santos Silva não jurou coisa nenhuma. Foi lá apenas mostrar aos jogadores "o apoio de todo o povo português", e deixar "uma palavra de apoio, de estímulo e de confiança". Nada mais, até porque, sobre direitos humanos, "todos nós temos que avançar muito nessa e noutras matérias, temos muito que melhorar. Isso aplica-se a todos os países, incluindo a Portugal"


É também um artista, este nº2 que quer chegar a nº1!

domingo, 27 de novembro de 2022

A provável Alemanha e a improvável Bélgica

Marrocos derruba favoritismo da Bélgica e assume ponta do Grupo F | Agência  Brasil


Ao segundo dia da segunda jornada a regra é "quem ganhou o primeiro, não ganha o segundo". Por isso, hoje, nos grupos C e D, ninguém assegurou já a passagem aos oitavos de final. A excepção - a França - apenas confirma mesmo a regra que, como se sabe, tem sempre uma excepção.


As surpresas, essas continuam. No grupo C, a surpresa foi a vitória, clara (2-0) de Marrocos sobre Bélgica. Mesmo que, depois do que se vira no primeiro jogo, em que fora inferior ao Canadá, a derrota de hoje, que obriga os belgas a vencer a Croácia para evitar o afastamento, não tenha sido assim tão surpreendente. Marrocos e Croácia, que melhorou muito e acabou com as aspirações do Canadá, de Eustáquio e Steven Vitória, com uma vitória clara por 4-1, depois de ter entrado a perder (o primeiro golo de uma selecção do Canadá num Mundial, de Davies, aconteceu logo à passagem do primeiro minuto, gozam agora de claro favoritismo para o apuramento. Maior ainda para Marrocos, que conformou hoje as boas opiniões que recolhia.


No grupo D a surpresa foi a derrota do Japão, depois de ter surpreendido com a vitória sobre a Alemanha, frente à Costa Rica (dos 7-0) da Espanha, que entregou as chaves da qualificação aos germânicos. Que, num grande jogo de futebol, daqueles que são mesmo de Mundial, empatou (1-1) com a Espanha.


Dentro do que é provável, só a improvável vitória do Japão sobre a Espanha impedirá o apuramento dos alemães. Mesmo que a probabilidade de acontecer o mais provável não esteja assim tão alta.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Orçamento do Estado (OE) para 2013 está finalmente aprovado pelo Parlamento e pronto a chegar a Belém, onde nada de mal lhe sucederá. Aprovado pela maioria, com a excepção do deputado madeirense do CDS que se apresta a ser queimado vivo, mas com declarações de voto. E declarações patéticas. E reprovado por toda a oposição, mas sem qualquer consequência!


No PSD, 18 deputados, com Miguel Frasquilho à cabeça, haviam anunciado ontem a subscrição de uma declaração de voto. Quer dizer, 18 deputados do PSD que iriam votar favoravelmente o OE quiseram dizer que o iriam fazer obedecendo à disciplina partidária que o deputado do CDS contrariou, mas desobedecendo à sua consciência. De repente, e como que por magia, o PSD anuncia uma declaração de voto do seu grupo parlamentar em peso. Em vez de 18 eram os todos os 108 deputados a apresentar declaração de voto.


Extraordinário? Nem por isso, coisa normal quando por ali anda a mão de Relvas. É por essas e tantas outras que é importante, imprescindível. De repente, o que era um documento crítico do OE e da estratégia do governo, passou a ser coisa nenhuma. De repente, Miguel Frasquilho e os seus 17 colegas deixaram de se rever na declaração que tinham assinado para se passarem a identificar com uma outra entretanto elaborada para comprometer todo o grupo parlamentar. De repente “ o grupo parlamentar do PSD está absolutamente coeso e solidário com os princípios, as orientações, os parâmetros da proposta de Orçamento do Estado", nas palavras de Luís Montenegro aos jornalistas no Parlamento.


No CDS, já a braços com o rebelde deputado madeirense, foi Telmo Correia a contribuir para o anedotário quando anunciou que o partido tem a consciência de que “este orçamento é questionável” mas que “é inquestionável que seria pior não termos orçamento”, como se a alternativa a um OE questionável fosse nenhum OE, e não um OE inquestionável para quem tem a obrigação de o aprovar. Patético!


E foi esta maioria que aprovou o orçamento: um PSD de cambalhotas às mãos de Relvas e Montenegro e um CDS de um pé dentro e outro fora, sem força nem coragem para coisa nenhuma.


Do lado da oposição, o PS de Seguro votou contra o OE. Um voto contra que de nada conta, sem quaisquer consequências. O voto consequente obrigava-o, a seguir, a suscitar a fiscalização da constitucionalidade. A juntar-se aos restantes partidos da oposição que, votando contra, seguem agora para o Tribunal Constitucional…


Mas nisso, perante o risco de o governo cair, Seguro não se mostra interessado!


Mas a aprovação do OE não ficaria completa sem o discurso de encerramento. Não, não foi de Passos Coelho, foi de Vítor Gaspar. Um discurso eminentemente político de um político que já não se esconde.


Com as voltas que isto está a levar não me admira nada que esteja ali o próximo primeiro-ministro. Formalmente empossado porque, de facto, há muito que está em funções…

sábado, 26 de novembro de 2022

A picareta de Grimaldo


O Benfica voltou a jogar. E bem. Foi na Luz, com 45 mil nas bancadas!


Jogou para a segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga, com o Penafiel. Que surgiu com a lição de defender bem estudada. 


O Benfica entrou forte, a não deixar o adversário respirar, e a deixar a ideia que o golo era assunto para resolver depressa. Mas não foi bem assim. À medida que os minutos foram passando a pressão sobre a área do Penafiel foi mudando de figura, até se transformar num simples cerco.


O Benfica montou um cerco à área adversária, mas isso não incomodou muito os jogadores do Penafiel. Ficaram cercados, mas confortáveis. Os jogadores do Benfica pareciam satisfeitos com os adversários lá atrás, e convencidos que não seria preciso fazer muita coisa até eles começarem a mostrar lenços brancos.


A bola circulava entre os jogadores (80% de posse de bola), mas era ali à volta. Era o carrossel, mas não passava disso. A bola circulava, mas os jogadores circulavam pouco. Movimentava-se o que tinha a bola, os outros esperavam "sentados" por ela. Assim não havia movimentos de rotura, não havia remates, nem grandes oportunidades de golo.


Foi assim, a atacar muito mas rematar pouco, até derrubar o muro penafidelense, já a segunda parte ia com 10 minutos. Da única maneira possível e - já agora - coerente com a forma como vinha jogando. Se só o jogador que tinha a bola se movimentava, teria de ser alguém a entrar pela área dentro com a bola até ao golo. Foi o que Grimaldo fez. Só não fez o golo porque, ainda assim, havia sempre mais um pé ... e o guarda-redes, que defendia tudo. Menos a recarga do Gilberto, mesmo essa ainda a encontrar uma perna pela frente, que quase desviava a bola por cima da baliza.


Chegado finalmente ao golo, o mais difícil ficava feito. Não era apenas o golo, era também o derrube do muro defensivo do Penafiel, e o surgimento de espaços que até aí não estavam abertos. O resultado foi logo o segundo, apenas dois minutos depois e, ainda assim e de novo, numa recarga, desta vez de Neres, a mais uma defesa do guarda-redes penafidelense.


A partir daí, sim. Com mais espaço, a circulação da bola e dos jogadores ficou então mais próxima da perfeição, o futebol da equipa mais próximo do patamar habitual, e os remates e as oportunidades de golo passaram a suceder-se. Só não surgiram mais golos porque os jogadores do Penafiel continuaram a ser competentes a defender, mesmo sem o autocarro. E porque não era a noite de Rafa. Nem de Henrique Araújo, entretanto entrado na partida, com o Rodrigo Pinho para quem o problema não é só uma noite.


No fim, para além de mais uma vitória para a série, e do apuramento para a final four  de Leiria ficar mais perto, e porque as últimas imagens são as que prevalecem, fica uma exibição bem aceitável, ao nível dos padrões de exigência a que a equipa habituou os adeptos.


Mas também o alerta. Porque jogos destes podem acabar por correr mal. Como poderia ter acontecido com aquela coisa esquisita do João Vítor - a segunda, pelo segundo jogo consecutivo - que, ainda com o resultado em branco, só não deu auto-golo porque não calhou. 

O resgate da Argentina

Obras de arte de Messi e Enzo mantém Argentina viva no Mundial


Ao segundo dia da segunda jornada a França tornou-se na primeira selecção apurada para seguir em frente. Frente à Dinamarca, a sua "bête noir", que limpou a pálida imagem do jogo inicial com a Tunísia, num grande jogo de futebol, foi melhor. Mas, acima de tudo, mais feliz. 


Porque o jogo foi bem dividido, e basta isso para confirmar os dinamarqueses como a grande selecção que mostrara ser no último europeu. Só uma grande equipa, com bons processos e bem assimilados, consegue dividir um jogo com uma selecção cheia de grandes jogadores, como é a francesa. 


Ambas as equipas quiseram ganhar. Fizeram tudo para isso e, quando assim acontece entre duas grandes equipas, só pode resultar num grande jogo de futebol. 


A França marcou primeiro, por Mbapé, a concluir uma excelente jogado de futebol, aos 61 minutos. A Dinamarca empatou sete minutos depois, e desfrutou de oportunidades para ganhar a vantagem. Não o conseguiu e, já em cima dos 90 minutos, quando o seu treinador assumiu o velho princípio da bola - se não dá para ganhar o melhor é garantir o empate - foi traída. Mais que por esse princípio, pela felicidade de Mbapé que, no limite do fora de jogo, e em cima do poste direito de Schemeichel, conseguiu desviar a bola com o joelho para dentro da baliza.


Um lance feliz, a garantir uma vitória feliz. Mas que em nada diminui o favoritismo dos franceses!


O outro jogo deste grupo D não teve nada a ver com este. Como as equipas não têm nada a ver com estas. Não teve história, a Austrália ganhou (1-0) à Tunísia e, para já, complica as contas da Dinamarca. Que as simplificará se repetir nesse jogo entre ambas o que hoje fez contra a França.


No grupo C nada está definido.


A Polónia, com muitas semelhanças com aquilo que se passa na selecção portuguesa - tem bons jogadores, alguns, como Lewandowsky e Milik, do que há de melhor, mas sem futebol que se apresente - ganhou (2-0) à Arábia Saudita. Que jogou bem mais, e melhor, mas não conseguiu marcar. Nem de penálti. Pelo contrário, a Polónia marcou dois golos ... em dois remates. O último já perto do fim do jogo, e o primeiro de Lewandowsky num campeonato do mundo, numa oferta de um defesa saudita.


Como a Argentina ganhou ao México, num mau jogo, pelo mesmo resultado, está tudo em aberto. Para todos, mesmo que as coisas estejam muito complicadas para o México, que hoje muito pouco, e apenas para o empate. 


Com muitas faltas - e os jogadores procuraram simular ainda muitas mais -  acabou por ser um jogo feio ... com golos bonitos. O primeiro de Messi, à entrada do segundo quarto de hora da segunda parte, que aproveitou o espaço que os defesas mexicanos já começavam a dar-lhe para um bom remate, de bem longe. E o segundo, já perto dos 90 minutos, uma obra de arte do nosso Enzo. Que entrou no início da segunda parte para resgatar a Argentina, e levar ao jogo o futebol que até aí não tinha tido. Se Lionel Scaloni ainda não estiver convencido que Enzo Fernandez é indiscutível naquele meio campo, é problema dele. 


O nosso é outro, já se vê.


 

Maria de Lurdes Resende (1927-2022)

FC 1967: Maria de Lurdes Resende - "Eu Não Quero O Mundo" - YouTube


Foi uma senhora da canção portuguesa. A voz que cantou Alcobaça, que tantas vozes teve para a cantarem... Mas só esta a cantou!

Fernando Gomes (1956-2022)

Morreu Fernando Gomes, bibota de ouro - Renascença


Morreu, cedo de mais, o que foi um extraordinário jogador de futebol, que fez ofício da arte de marcar golos. Bi-bota de ouro, mas também um homem respeitado, e inexoravelmente respeitável!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O nosso Vítor Gaspar, ao contrário do que muitos de nós possamos pensar, tem amigos. Poderá não ter muitos por cá, um ou outro banqueiro, talvez o António Borges, e pouco mais, mas lá por Bruxelas tem alguns. Terá obrigatoriamente de ter alguns por lá, de outro modo não seria ministro das finanças. Todos sabemos que em Portugal se governa para os amigos, portanto ele tem que ter amigos e só podem estar por lá…


E até já ouvimos o senhor Schauble – o ministro das finanças alemão, com quem  partilha grande cumplicidade – dizer que, mais que seu amigo, é um verdadeiro admirador. A senhora Merkl, embora bem mais efusiva com Passos Coelho, também não esconde que o tem em boa conta.


Que um senhor belga chamado Paul de Grauwe, economista de renome e conselheiro de Durão Barroso, seja mais um dos seus amigos de Bruxelas não pode surpreender por aí além. É ele próprio a fazer questão de o salientar!


O que é de admirar é que este seu até agora desconhecido amigo lhe venha publicamente aconselhar calma. Calma nesta sua azáfama austeritária que está a destruir isto tudo! O que mais surpreende é que lhe venha chamar burro, com todas as letras e para todos nós ouvirmos. Diz-lhe claramente: meu caro amigo Vìtor, não leves a mal, mas só os burros insistem no mesmo erro. Se já viste no que isto dá, insistir é burrice!


Já tínhamos ouvido isto a toda a gente. Mas dos amigos do Dr Vítor Gaspar é que não esperávamos ouvir coisas destas. Pelo menos para já!


E já agora, alguém acredita que este amigo deste nosso inimigo, venha para cá dizer coisas destas (vale a pena ouvir tudo) sem que as tenha já dito na Comissão Europeia e ao Presidente, o nosso Durão Barroso, de que é conselheiro?


Pois é! Não se percebe nada disto, pois não?


Como diria o outro: ai percebe-se, percebe-se… Percebe-se que nada funciona, que a União Europeia já morreu, que os seus órgãos entraram em falência completa. Que só a Alemanha vive, não percebendo que também está já bem doente…

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Obrigatório cantar

Incentivar com tristeza', o paradoxo dos torcedores iranianos na Copa


Jogou-se hoje a segunda jornada dos grupos A e B, sem que nada ficasse decidido, a não ser o fim de linha para a selecção da casa. Ninguém repetiu a vitória da primeira jornada, e por isso ninguém garantiu matematicamente o apuramento.


No grupo A apenas o último lugar do Catar é definitivo, depois de voltar a perder, desta vez por 3-1, com o Senegal. Mesmo que a Holanda, ou os Países Baixos, como eles querem, tenha praticamente o apuramento garantido. 


Com muita sorte, mas tem. São certamente os campeões da sorte neste Mundial. Começou logo no sorteio, quando do pote 1 lhe saiu o brinde Catar. Que lá estava, não por mérito - evidentemente - mas pelos caprichos da FIFA, que lá coloca o país organizador. Continuou no primeiro jogo, com o Senegal, a quem nunca foi superior. Antes pelo contrário, ganhou (e logo por 2-0), mas a selecção africana (sem Mané que, lesionado, ficou de fora) foi melhor, construiu muitas mais oportunidades para ganhar, e acabou traída pelo seu (excelente) guarda-redes - Mendy.


Hoje voltou a ter sorte, e da grande, no empate a um golo com o Equador. Os sul-americanos, que praticamente entraram a perder, foram sempre melhores e só não ganharam porque o futebol é um o jogo. E no jogo entram sempre as coisas da sorte e do azar - a bola que vai à barra e ao poste, e não entra; ou os centímetros que fazem com que um golo bem construído acabe por não contar.


Equatorianos e senegaleses foram melhores que os neerlandeses, mas vão agora, na última jornada, decidir entre si quem segue em frente. Com a selecção laranja a rir, frente ao Catar.


No grupo B, nada estando definido, é praticamente impossível que a Inglaterra deixe se ser apurada, com o País de Gales - seu adversário na última jornada - com grande dificuldade em fugir do último lugar no grupo. Até porque é mesmo a equipa mais fraca do grupo. Empatou com os Estados Unidos, a zero - o quinto 0-0 até agora - que mereciam mais. Os americanos fizeram uma grande partida, mas não tiveram a sorte do jogo. Os ingleses deixaram empalidecer a imagem que tinham deixado no primeiro jogo, e não confirmaram a candidatura então anunciada.


Se este foi um bom jogo, mais por responsabilidade dos americanos que dos ingleses, o outro, foi emocionante. Impróprio para cardíacos, como dantes se dizia.


O Irão, de Carlos Queirós, foi sempre superior ao País de Gales. Mas a bola não queria entrar. Os iranianos - que desta vez terão sido obrigados a cantar o hino, sabe-se lá com que ameaças - acabaram apenas por resolver o jogo nos minutos finais dos descontos, aproveitando a superioridade numérica por expulsão do guarda-redes galês, por intervenção do VAR, a menos de 10 minutos dos 90. Com um golo no último dos 8 minutos de compensação, e outro ao décimo. Por mais dois minutos em compensação das celebrações com que se fez a festa iraniana, com Carlos Queiroz no centro.


Para seguir em frente a selecção de Taremi e Queiroz não poderá perder com os Estados Unidos. Um jogo entre o Irão e os Estados Unidos já tem pimenta suficiente. Com um apuramento em jogo ... o hino vai mesmo voltar a ser cantado!


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Vettel assegurou hoje em Interlagos o seu terceiro título mundial. Entrou para uma elite muito restrita, é o mais jovem tricampeão mundial e tem já lugar reservado no Olimpo dos pilotos de fórmula 1.


 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Apresentações feitas

Mundial 2022: Ronaldo eleito o melhor em campo no Portugal-Gana |  MAISFUTEBOL


Com Marcelo a ver - e a cumprir a promessa de "partir a loiça toda", em privado, num encontro com o Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, sobre educação, numa iniciativa da fundação Education For All, em conjunto com as Nações Unidas, transmitida na Internet - a selecção portuguesa estreou-se neste último dia da primeira jornada do Mundial, num estádio feito de contentores e com nome de indicativo de número de telefone (974 - o indicativo internacional do Catar, o 351 deles).


Nos contentores da selecção não havia carga, apenas emoção, percebeu-se logo pela humidade nos olhos de Cristiano Ronaldo quando se iniciou o hino. O indicativo também facilitou a comunicação. A equipa não comunicou, e não foi só para Rúben Dias, no primeiro golo do Gana. Nem para Cancelo, no segundo. Nem ainda para Diogo Costa, no último segundo do jogo, no que esteve perto de ser o hara-kiri final desta selecção.


Na verdade pouco ou nada funcionou na selecção. Funcionou sim - isso nunca falha - o futebol pobrezinho de Fernando Santos. Sempre pobrezinho, e sempre mais pobrezinho ainda com Cristiano Ronaldo na equipa, como está mais que demonstrado. Como demonstrado está que Fernando Santos é mesmo capaz de transformar jogadores de classe mundial em meros jogadores banais.


Já não há paciência para o que dizem ser o futebol de paciência da selecção. Nem para o resto!


Por exemplo, Fernando Santos escolheu jogar com a Nigéria para preparar este jogo. O argumento é que seria a equipa mais parecida com a do Gana, para quem perdera a qualificação. Se era para isso, quem é que compreende que a equipa que hoje subiu ao relvado, quase nada tivesse a ver com a que passou, com distinção, no teste. E, sim, na boa exibição com a Nigéria não jogou Cristiano Ronaldo.


A sofrida vitória sobre a 61ª selecção do ranking da FIFA - sim é equipa menos qualificada que está no Catar - acabou por ser a única coisa positiva da estreia da selecção. E, se não caiu do céu, não faltou muito.


Na primeira parte foi o tal jogo de paciência, para que já não há paciência. A equipa portuguesa nunca mandou no jogo a sue bel-prazer. Nunca sufocou o adversário, nem nada de perto. Mas, na verdade, também nunca deixou que o Gana mostrasse qualquer tipo de ameaça.


Na segunda foi pior. Não dominou o adversário, nem sequer nunca controlou o jogo. E permitiu que o adversário ameaçasse.


Ameaçava já quando, já mais de metade da segunda parte se tinha esgotado, do céu, caiu um penálti. Que Cristiano Ronaldo converteu em golo, estabelecendo mais um recorde - o primeiro jogador a marcar em cinco campeonatos do mundo. E sabe-se como isso é o que mais importa.


Nem com um golo caído do céu a equipa serenou, e permitiu o empate poucos minutos depois, na primeira falha da defesa portuguesa. Falhou Rúben Dias, e  falhou, em acto contínuo, Danilo. 


A equipa do Gana mandou-se para cima da selecção portuguesa, com todos estes nomes. E foi isso, essa desenfreada busca pelo golo da vitória, que permitiu, em contra-ataque, que a equipa de Fernando Santos chegasse ao 3-1, com dois golos em dois minutos. 


Mas, nem ainda assim, e a 10 minutos do fim do jogo, tivemos equipa. João Cancelo, transformado num jogador banal, foi isso mesmo. E o Gana voltou a marcar, transformado os inacreditáveis 9 minutos de compensação num pesadelo. Que só não tenebroso porque, no último minuto, o IñaKi Wiliams, saído de dentro da baliza portuguesa, e nas costas de Digo Costa, escorregou quando lhe roubou a bola que ele tinha no chão, à sua frente, para fazer passar os últimos segundos.


Fechada a primeira jornada, com os jogos dos grupos G e H, estão apresentadas as equipas. E deixadas as primeiras impressões daquilo que podem ser as suas ambições.


O empate a zero - mais um - no Coreia do Sul - Uruguai, num jogo muito dividido, em que o futebol da selecção orientada por Paulo Bento foi mais interessante, acabou por ser um resultado interessante para a selecção portuguesa. O pior é o resto...


O grupo G, onde a Suíça ganhou aos Camarões (1-0), teve no Brasil - Sérvia (2-0) um dos melhores jogos desta primeira jornada. Começou por ser um grande jogo, e acabou num enorme jogo do Brasil, com aquele fabuloso golo - segundo dos dois do Richarlison - a ser, desde já, muito provavelmente o melhor deste Mundial. E um dos melhores de sempre. Melhor, será difícil!


Não se sabe o que aí virá, mas que os candidatos já estão apresentados, lá isso estão. O que esta primeira jornada disse é que, na primeira linha, estão o Brasil, a França e a Espanha. Por esta ordem, mesmo.


Depois, a Inglaterra e a Alemanha. Falar de Portugal, só por graça!


 


 


 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Boca calada

Com a mão na boca, seleção alemã protesta contra Fifa


Ao quarto dia parece que agitação começa a ceder lugar à bola Mundial do Catar. A não ser que Marcelo, que já lá está, dê um safanão naquilo tudo. Afinal, depois do "esqueçamos isso", e do dizer que não disse, que sempre diz quando lhe saltam em cima, o Presidente avisou que iria lá para partir a loiça toda.


No entanto, antes de tombar com o safanão do Japão, ainda a selecção da Alemanha deu mais um safanão na FIFA, com os jogadores pousados para a fotografia com a mão a tapar-lhe a boca. Calados, também.Talvez por isso o árbitro não tivesse dado início ao jogo sem, antes, ir confirmar se a braçadeira de capitão de Neuer estava nos conformes, se não era subversiva, igual à da ministra do interior, Nancy Faeser, na bancada (uma boa sugestão para Marcelo!).


Sabe-se lá se o que aconteceu depois não foi por vingança dos deuses da FIFA.


Pois é. Depois da surpresa da véspera, com a Argentina, foi a vez da Alemanha. Perdeu com o Japão, pelos mesmos números, e ainda com a coincidência de também ter marcado primeiro, e de penálti. Naquele que foi o melhor jogo até ao momento.


Teve de tudo o que faz de um jogo de futebol um espectáculo único. Foi rico em futebol, com aquele futebol geométrico e cerebral da equipa alemã, teve génio individual, teve emoção ... e teve a lição de estratégia do seleccionador japonês. Que, depois de mais de uma hora de completa subjugação ao superior futebol alemão, tendo sobrevivido ao resultado pela manifesta infelicidade alemã na concretização, resolveu lançar na equipa a criatividade dos jogadores que tinha no banco para dar a volta ao jogo, e ganhá-lo. Contra todas as expectativas.


Percebeu-se que essa era a estratégia. Às vezes não corre bem. Desta correu. E contribuiu para que, mais ainda que para a surpresa, para fazer deste um grande jogo de futebol.


É arriscado dizer que este foi o melhor quando, no outro jogo deste grupo E, a Espanha faz uma exibição de luxo do seu tiki-taka, premiada com uma goleada histórica de 7-0. Mas não é, na minha maneira de o ver, uma grande exibição de uma das equipas, com eficácia total e muitos golos, que fazem o melhor jogo. Faltou adversário. A Costa Rica conseguiu ser ainda pior equipa que a selecção da casa tida, depois do jogo de abertura, como a equipa mais fraca da competição. Nem Keylor Navas se salvou. Até ele, um dos maiores guarda-redes das últimas décadas, foi penoso. 


Se o golo é o sal do jogo, este foi apenas salgado. Faltou-lhe grande parte dos condimentos.


Aos restantes dois jogos do dia, do grupo F, faltou ainda mais. Ao Croácia- Marrocos faltou tudo, incluindo golos. Mais um 0-0, e pouco futebol, com responsabilidades repartidas. A selecção de Marrocos chegava com o rótulo de surpresa, de equipa sensação. A da Croácia com o de vice-campeã do Mundo. Nem uma, nem outra, fez jus ao estatuto.


Ao Bélgica-Canadá (1-0) faltou Bélgica. Faltou arbitragem. E faltaram as vedetas principais. As (várias) da Bélgica, e a (única) do Canadá.


Teve mais Canadá (de Steven Vitória e Eustáquio), que merecia outro resultado. Que não conseguiu porque a pior arbitragem até ao momento - um árbitro, Janny Sikazwe, da Zâmbia, que tem cadastro, e com um VAR da Venezuela, onde a tecnologia não existe - lhe negou dois penáltis. Porque a estrela da equipa, Davies, do Bayern, para além do fraco rendimento em todo o jogo, esteve desastrado na marcação do único penálti que o VAR conseguiu ver, logo no início do jogo. O árbitro nem esse vira. Porque faltou engenho e arte aos seus jogadores para acertar na baliza nos vinte e dois remates efectuados, para concretizar, uma que fosse, das muitas oportunidades de golo que a equipa criou. E, finalmente, porque Steven Vitória falhou a intercepção que permitiu o golo de Batshuayi, num dos dois três remates belgas à baliza. Tantos como, afinal, os que os canadianos enquadraram nas vinte e duas vezes que remataram.


No final, ao saber que tinha sido eleito o melhor em campo, Kevin de Bruyne, não se manifestou apenas surpreendido. Disse mesmo que isso se devia apenas ao nome que tem. E disse tudo! 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O nosso ministro das finanças, Vítor Gaspar, ficou classificado em décimo lugar no ranking dos titulares da pasta em 19 países da União Europeia elaborado pelo Financial Times. A abrir a segunda metade da tabela encabeçada pelo alemão Schauble, que tanto o elogia!


A classificação decorre de três critérios: o político, o económico e o da credibilidade. Para se classificar neste modesto décimo lugar, o nosso Gaspar teve de arrasar no critério político – ficando em terceiro lugar, só atrás do sueco Anders Borg e do seu amigo Wolfgang Schauble, respectivamente o anterior e o actual primeiro classificado – porque nos critérios económico e credibilidade foi mesmo dos piores: 16º e 18º lugar, respectivamente. E no critério da credibilidade não entram as previsões económicas. Se entrassem…


Ficamos portanto a saber que o nosso menino-prodígio afinal se distingue pela sua capacidade política. É a pele de político que lhe assenta bem!


Bem desconfiava disso… Mas eu não lhe compraria um carro em segunda mão!


 

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Gostava de ter escrito isto

Como escrever bem: 39 dicas que você não pode ignorar!


 


Nas 24 Horas de Le Mans que cumpriu durante o fim-de-semana, tentando a ubiquidade para acudir ao povo socialista nos vários congressos e encontros federativos de norte a sul do país, António Costa deixou passar que as trapalhadas e trafulhices em que os seus ministros e secretários de Estado foram apanhados é a oposição que não se conforma com a maioria absoluta do PS. E isto dá o prefácio para um lindo funeral.


José Simões - Der Terrorist

No Catar, mais que futebol. Evidentemente!

Iranianos em silêncio no hino, ingleses ajoelhados, bancadas em protesto. O  início do Inglaterra-Irão foi mais do que futebol – Observador


Vai já no terceiro dia este Mundial do Catar, sobre o qual muito já foi dito, mas muito mais estará ainda por dizer.


Enquanto nos relvados dos Estádios onde, à custa do equivalente ao PIB de Portugal, e de milhares de vidas de pessoas em regime próximo do da escravatura - para realizar estas dezenas de jogos, e depois ficarem às moscas - a bola vai rolando, à sua volta nascem e morrem diversas manifestações de protesto. 


Nasceram e morreram todas as que a FIFA, no seu poder ilimitado e incontrolável, pode calar. Não pode calar o calado, e por isso se manifestaram calados os jogadores da selecção do Irão, comandados por Carlos Queiroz. Que, com os jogadores calados, resolveu falar, perdendo mais uma vez - e já são tantas! - uma excelente oportunidade para estar calado.


Os jogadores iranianos, que não têm calado a revolta sobre a situação no seu país - com destaque para o nosso conhecido Taremi, e para Sardar Azmoun, fortemente aplaudido na bancada quando entrou em campo, a meio da segunda parte - ficaram calados, e não cantaram o hino. E, calados, disseram tudo. Tanto que se viram lágrimas nas bancadas!


Queiroz atirou-se aos adeptos, acusando-os de falta de apoio. Eles que choraram na bancada, e que irromperam em aplausos à entrada de Sardar Azmoun. Acusando-os de misturarem o futebol com a situação que se vive no país, como se não fosse exactamente essa situação a mobilizar os corajosos protestos dos jogadores. Bem audíveis em Taremi e Sardar Azmoun, e melhor percebidos no silêncio de todos na hora de cantar o hino.


É o Queiroz, muitas vezes a roçar o troglodita, que bem conhecemos!


 Na bola que até agora correu, o jogo inaugural (Catar 0-Equador 2) confirmou que a selecção da casa é a mais fraquinha de todas. O mesmo resultado para o outro jogo do grupo A, decidido pelos guarda-redes. Sendo um deles Mendy, do Chelsea, o estranho é que tenha sido ele a enterrar a selecção do Senegal e, do outro lado, o desconhecido Noppert a salvar os holandeses. 


No grupo B, empate (1-1) no Estados Unidos - País de Gales, num jogo sem história. E confirmação do potencial da selecção inglesa, num jogo com oito golos (6-2 ao Irão) e com muitas histórias para contar.


No grupo C, a grande surpresa, com a derrota da Argentina, frente à Arábia Saudita, já hoje. Uma derrota sem atenuantes (os três golos anulados pela tecnologia do fora de jogo à equipa de Messi ... e de Otamendi e Enzo Fernandez, não são atenuantes) mas com agravantes. Com a agravante de a equipa das Pampas ter praticamente entrado a ganhar, e com um penálti mais que discutível. E dos sauditas terem dado a volta ao marcador, e fixado o resultado final, em apenas 4 minutos, logo no início da segunda parte, com mais de 40 minutos de jogo pela frente.


As perdas só não são maiores para a Argentina porque o outro jogo do grupo acabou sem golos. Um jogo sem golos com Lewandowsky em campo é estranho. Mais estranho é que nem de penálti tenha marcado, na única oportunidade da Polónia, bem defendido pelo eterno Ochoa, na baliza do México. Que mostrou mais futebol que os polacos. 


O primeiro jogo sem golos acontecera antes, entre a Dinamarca - que não confirmou o excelente desempenho no Europeu, há ano e meio - e a Tunísia, para o grupo D. Que fechou a primeira jornada com a goleada (4-1) da França - a confirmar que, apesar das baixas, é forte candidato a revalidar o título mundial - à Austrália. Sem surpresa.


Surpresa só houve enquanto o jogo esteve verde, com a selecção das antípodas a adiantar-se no marcador, e a criar mais duas óptimas ocasiões para voltar a marcar, incluindo uma bola no poste. Depois, o jogo foi ficando maduro e os franceses foram somando oportunidades e golos. Ficou nos quatro, mas foram muitos os que ficou a dever à exibição, numa inequívoca demonstração de poder.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A unanimemente apoiada acção da polícia na passada semana já merecia alguns esclarecimentos. Agora, com esta história da RTP, não sobra qualquer dúvida: são necessários esclarecimentos!


E já que estamos em maré de esclarecimentos seria de aproveitar para também esclarecer o que se passou exactamente na RTP. É que está tudo muito confuso, e já não se percebe onde começa a mão do ministro Miguel Macedo e acaba a de Miguel Relvas. Que lá estão ambas é a parte menos confusa da estória!

Pablo Milanés (1943-2022)

Morreu o cantor cubano Pablo Milanés


 


Calou-se mais uma voz com sentido!

domingo, 20 de novembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor



Portugal é um brilhante exemplo para toda a zona Euro, diz Schauble o ministro das finanças alemão, que manda nisto tudo. E o nosso Vítor Gaspar curva-se e agradece. Provavelmente convencido que é verdade!


Gente extraordinária, esta!


 

Desempenho individual pior que o colectivo?


Há mundial, mas o Benfica continua a jogar. Agora na Taça da Liga. E a ganhar, para não perder o hábito. 


Há hábitos que dão muito trabalho. Ganhar é dos que dão mais. Jogar o "qb" para ganhar, como hoje fez esta equipa do Benfica, em Leiria, casa emprestada do Estrela da Amadora, pode não bastar. O quanto baste nem sempre basta, e hoje poderia mesmo não ter bastado.


Com seis jogadores no Catar, esperava-se uma equipa cheia de caras novas. Mesmo que velhas, porque as novas, dos novos, estão na selecção de "sub 21". E também indisponíveis. 


Não foi assim, e Roger Schemidt apresentou um "onze" cheio de caras conhecidas. Apenas nos lugares de António Silva e Otamendi, estiveram caras menos habituais - João Vítor e Brooks (que nem foram lá muito bonitas de ver!). No resto, Gilberto, Chiquinho, Diogo Gonçalves e Musa, que são caras habituais, nas suas caras habituais. Excepto Chiquinho, a quem Schemidt quis dar a de Enzo.


Com estas caras, o Benfica quis ter a mesma cara de jogo. Essa é inegociável, e muito bem. Mas há diferenças. As caras fazem a diferença. E grande!


Por isso o habitual futebol do Benfica só apareceu em salpicos. Apareceu de vez em quando e, quando conseguiu aparecer, fez a diferença. Só que, quando fez a diferença, não a aproveitou. Por imperícia na finalização, numa série de vezes, pela tal coisa da sorte e do azar, noutras, ou pela competência defensiva da equipa da Amadora, onde se inclui o guarda-redes. Que à sua conta negou dois ou três golos. Tantos quantos os seus colegas, às vezes em cima da linha de golo (numa delas com quatro jogadores dentro da baliza).


Tivesse o Benfica aproveitado metade das oportunidades de golo que criou nos momentos em que conseguiu atingir o seu habitual futebol e o  "qb" que jogou teria sido mesmo suficiente para passar pelo jogo sem qualquer tipo de sobressalto, e acabá-lo com um resultado que não destoaria dos melhores dos últimos tempos.


O golo inicial, de Musa, logo aos 13 minutos, resultou de um dos salpicos desse futebol de excelência, um 'tiki-taka' multi-combinado com Rafa. Tudo apontava para que fosse para continuar, mas não. Nove minutos depois, na primeira vez que os rijos e experientes jogadores da equipa da Amadora - grande parte deles velhas caras conhecidas do futebol cá do burgo - chegaram lá à frente, na cobrança de um livre lateral chegaram ao empate. 


As luzes de aviso acenderam-se, e os jogadores do Benfica correram à procura do golo. Que nem demorou muito, apenas sete minutos. À beira da meia hora, depois de um penálti inevitável sobre o Rafa, o Chiquinho fez de João Mário, e marcou. E voltou a ficar-se por aí, acabando com nova ameaça, já em cima do intervalo. O João Vítor tratou de fazer asneira, com uma falta tão desnecessária quanto indesculpável e, o livre - na mesma zona do terreno do que acabara no golo do empate - só não acabou em novo golo porque o Odysseas fez duas grandes defesas. Consecutivas.


O Benfica passou toda a segunda parte no registo "qb", sempre perto do 3-1. Sempre com o domínio do jogo mas sem fechar o resultado. Faltavam velocidade, agressividade e intensidade. Era tudo muito macio. E assim há duelos que não ganham, e bolas e golos que se perdem, deixando o resultado em aberto, à mercê de qualquer contingência do jogo.


Que acabaria mesmo por surgir, e só não foi decisiva porque Draxler - que entrara ao intervalo para substituir o apagado e "amarelado" Diogo Gonçalves (juntamente com Morato, para o lugar de João Vítor) - , em cima do minuto 90, apareceu finalmente no jogo, e marcou o (terceiro) golo da tranquilidade.


O tal incidente de jogo, a que o Benfica esteve sempre sujeito, acabou por surgir de um passe desastrado de Morato - que pareceu não querer sair com folha limpa - que ofereceu o 3-2 ao Estrela da Amadora, no último dos 5 minutos de compensação. 


É mais uma vitória. Numa exibição que, não entusiasmando do ponto de vista colectivo, e por absurdo que pareça, acabou por ser decepcionante ao nível do desempenho individual de muitos jogadores. Muitos mesmo. Salvaram-se Odysseas, Florentino e Rafa (o capitão. Quem diria?) Mais ninguém.


E esta não é uma boa notícia. É mesmo má!


 


 


 


 


 

Para o ano há mais, mas não há Vettel...

Adeus Sebastian Vettel: Estas são suas melhores lembranças na Fórmula 1 -  GPblog


A poucas horas de, ali ao lado, começar o Mundial (da vergonha) de Futebol, terminou o Mundial de Fórmula 1 desta época, com o Grande Prémio de Abu Dhabi que, pouco tendo para decidir, tinha uma despedida para fazer.


A de Sebastien Vettel, um grande piloto - quatro vezes campeão do mundo, consecutivamente, entre 2010 e 2013, e três vezes vice-campeão - mas também, ao que me parece, um cidadão de corpo inteiro que, aos 35 anos, decidiu retirar-se.  


Verstappen voltou a ganhar, estabelecendo novos recordes - três vitórias consecutivas neste GP, e 15 vitórias num só campeonato. E onde a Mercedes não pôde confirmar as expectativas criadas com a última vitória, no Brasil, superada na qualificação pela Red Bull (primeira linha da grelha de partida, com pole de Verstappen) e pela Ferrari (segunda linha), e na corrida, agravada com o abandono de Hamilton, na penúltima volta.


No pouco que havia para decidir, ganhou a Ferrari. Com o segundo e o quarto lugares na corrida, garantiu a segunda posição no mundial de construtores, ainda em disputa com a Mercedes. E, Leclerc, com o segundo lugar, à frente de Perez, no terceiro - com quem estava empatado - acabou por decidir a seu favor a segunda posição do mundial de pilotos.


Para o ano há mais. Veremos se ... mais do mesmo!

sábado, 19 de novembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Benfica adiou para a última jornada a confirmação da sentença há muito traçada - pelo menos desde há cerca de um mês, quando perdeu aquele jogo em Moscovo, abordado de forma verdadeiramente inacreditável – ao ganhar (2-1) esta noite ao Celtic, a mais fraca das quatro equipas do grupo de apuramento mas a mais do que provável companhia do Barcelona no apuramento para os oitavos de final da Champions.


Com esta vitória de hoje, apenas a segunda desta fase de apuramento, o Benfica, como se diz na gíria do futebolês, depende apenas de si próprio para seguir em frente na Champions, e evitar aquilo que, repito, há muito está escrito nas estrelas. Só que depender de si próprio quando lhe resta pela frente um jogo com este Barcelona em Camp Nou, não passa de figura de estilo. É o local mais impróprio para optimismos!


Mas pronto, há sempre a esperança que o Spartak de Moscovo – que conta apenas com os 3 pontos da referida vitória de Moscovo sobre o Benfica, nada mais – ganhe em Glasgow. Que seja possível ganhar à mais fraca equipa do grupo, é. Que um Spartak desmotivado, e já sem nada para ganhar, possa ganhar no ambiente fanático de Glasgow a um Celtic que sabe que se ganhar tem fortes probabilidades de lograr o apuramento, é que é muito pouco provável. Tão improvável quanto o Benfica ganhar em Barcelona!


Pouco a ver com estas contas teve o jogo de hoje. Um grande jogo do Benfica, especialmente na segunda parte, ao nível do melhor que os melhores podem fazer. E no entanto o jogo até nem correu bem: as condições climatéricas empurraram-no para uma dimensão mais física, favorável à equipa escocesa, o árbitro – o nosso bem conhecido Kassai – a enervar os jogadores e a criar grande instabilidade na equipa (inacreditável a cena com Enzo Perez, largos minutos junto à linha, impedido de regressar ao campo, depois de assistido a ferimentos na boca em consequência de uma agressão que ficara impune), o golo do empate do Celtic, num canto em que o Artur, passarinho, foi bloqueado por um jogador escocês, porventura em falta, e a lesão de Matic – enorme, gigante - que obrigou a uma série de mexidas na equipa.


Mesmo assim, e passe embora o período que mediou entre o golo inaugural e o do empate dos escoceses – aqueles vinte e cinco minutos da primeira parte – onde a síndrome da gestão do resultado voltou a aparecer, ajudado pela instabilidade introduzida pelo árbitro, o Benfica praticou futebol de muito bom nível e criou oportunidades de golo (31 remates) suficientes para, para além de fazer brilhar o gigante guarda-redes inglês do Celtic, construir um resultado bem dilatado.


Ficou claro que é o Benfica, a seguir ao Barcelona, a melhor equipa do grupo. Fica claramente a dever a si própria o apuramento!


O Braga, que ainda há pouco tempo parecia em melhores condições para o apuramento que o Benfica, já está de fora das competições europeias. Depois de duas boas exibições contra o Manchester que não deram em nada, voltou a perder com a equipa romena do Cluj cheia de portugueses, a fazer lembrar a equipa cipriota que o ano passado chutou o Porto para fora da Champions. Perder todos os pontos em disputa com o Manchester United é uma coisa. Perdê-los com a equipa mais fraca do grupo, que não pontuou com mais ninguém, é outra!


Por mim espero que não venha por aí a síndrome Peseiro. Creio que não, até porque não chegou sequer à praia!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No início era troika que dava as notícias das avaliações que fazia à execução do programa dito de ajustamento. Emitia um comunicado e os seus responsáveis compareciam numa conferência de imprensa, como se vê pela fotografia.


Os resultados da avaliação eram bons, como, pelos vistos, bons continuam a ser. E eram eles próprios - a troika itself – a dizer-nos isso. A partir da quinta avaliação, em Agosto, deixou de ser assim!


Os resultados da avaliação continuam positivos, mas é o ministro das finanças que o diz. Em longas conferências de imprensa onde invariavelmente tira uns coelhos da cartola – não, não é piada fácil -, altera as últimas previsões e proclama o sucesso da aplicação do programa de ajustamento. Só dias, ou mesmo algumas semanas mais tarde, é que começamos a perceber que, afinal, a troika não tem exactamente essa opinião. Que a avaliação não foi assim tão positiva, apesar de continuarmos a ouvi-los dizer à mesma que tudo vai bem, que Portugal está no bom caminho… E pelo caminho lá deixam mais uma imposição, mais uma ou outra ordem!


A sexta avaliação, de que acabamos de tomar conhecimento, segue rigorosamente o guião. Com uma ligeira nuance: é que desta vez já a Chanceler Merkl se tinha adiantado. Já na semana passada, quando cá esteve, tinha dito – ela que não tem, nem quer ter, nada a ver com a troika – que Portugal tinha passado neste exame. Mas da troika, tudo na mesma: nada!


O ministro das finanças voltou a proclamar o sucesso do processo de ajustamento da economia nacional, um ajustamento já feito em qualquer coisa como 85%, voltou a alterar as últimas previsões e, mais do que isso, alterou o próprio orçamento que está em discussão em sede de especialidade, voltando a confirmar que este orçamento que por aí anda apenas existe porque era necessário que existisse, como há muito por aqui se diz. Dentro de dias teremos então as verdadeiras notícias da avaliação da troika.


Esperemos por elas… E pelo dia em que seja a realidade a ajustar-se à sapiência do Dr Vítor Gaspar. Ou pelo menos às suas folhas de Excel!

Coisas que não se percebem

Capa Diário de Notícias


Às manchetes dos jornais requer-se imaginação. Em nome da criatividade e da imaginação pode perdoar-se algum deslise na sua construção, de léxico ou até de gramática.


Não é o caso desta do DN de hoje: "Mais médicos do SNS pediram, até Setembro, a reforma que em 2021".


Sem nada a dever à imaginação, nem à criatividade, não há perdão para coisa tão mal parida.


Mas é disto que se fazem os jornais que vamos tendo. Sem respeito pelo leitor. Nem pela sua própria História!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Fim-de-semana trágico em Macau!


Na quinta-feira, na sessão de treinos para o Grande Prémio de Motociclismo, na chamada curva dos Pescadores, morreu o piloto português Luís Carreira, de 35 anos. No dia seguinte morreria o piloto de Hong Kong, Philip Yau Wing-choi, durante a prova de qualificação para a Taça Turismo CTM, na chamada curva Mandarin.


Ontem seria a vez das boas notícias: a promessa, e grande esperança portuguesa para a categoria máxima do desporto automóvel, o jovem António Felix da Costa, venceu a prova maior de Macau: o Grande Prémio de Fórmula 3!


Mas a tragédia espreita sempre, mesmo fora das pistas: não deixou de ser trágico o que se passou na cerimónia do pódio. Num território que ainda há uma dúzia de anos estava sobre administração portuguesa, num circuito onde uma trágica curva se chama dos Pescadores, não se respeita um português campeão, não se respeitam os portugueses e não se respeita o seu símbolo maior dos portugueses: o   hino nacional … É trágico!


Vale a pena ver e ouvir....

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor



Hamilton ganhou o Grande Prémio dos Estados Unidos, à frente de Vettel e Alonso, ficando a decisão do título adiada para a última corrida da época, no Brasil.


Vettel, que se ganhasse garantiria o tri, com o segundo lugar reforçou a liderança, aumentando a diferença para o espanhol que hoje o acompanhou no lugar mais baixo do pódio, mercê de mais uma lamentável manobra anti-desportiva da Ferrari, mesmo que legal. Que, para que Alonso subisse um lugar na grelha de partida penalizou, mais uma vez, Felipe Massa, que tinha ficado à frente do seu colega de equipa.


É batota. Mas infelizmente não é novidade!

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Disparar de costas

Carlos Costa insiste em acusar António Costa de "tentativa de intromissão"  - Portugal - SÁBADO


Carlos Costa, o anterior governador do Banco de Portugal, que não deixou boas memórias, quis agora que lhas escrevessem.


Não é raro que as "memórias" de quem não deixou boa memória reescreva a História, escrevendo "estórias". Não estou a dizer que tenha sido o caso, mas apenas que não se pode estranhar se o for. Até porque nestas "memórias" diz mal de toda a gente menos de si próprio


Costa, o Carlos, acusa Costa, o António, de intromissão política. Acusa-o de se ter intrometido na sua decisão de afastar Isabel dos Santos da estrutura accionista do BPI.


Acusa ainda de outras coisas, o primeiro-ministro e tantas outras pessoas, mas foi esta que apimentou e agitou a semana política.


António Costa negou, disse que era mentira. E anunciou uma acção judicial contra o antigo governador do Banco de Portugal. Ou seja, estamos perante a palavra de um contra a palavra de outro, seja qual for o valor que se dê á palavra de cada um. Nem um, nem outro, tem como a provar, sendo que é na do acusador que mais pesa o ónus da prova. 


Os factos, no entanto, e sem me deter neles porque também não é esse o (meu) ponto, são bem capazes de estarem mais a favor do Costa - António - que do Costa - Carlos.


O que me traz aqui é Luís Montenegro que, sobre o tema, teve hoje esta tirada:


"O senhor primeiro-ministro limitou-se a negar essa intromissão e a remeter para processo judicial o dirimir desse diferendo. Uma coisa é o que o primeiro-ministro tem para dirimir com o ex-governador -- isso podem fazer nos tribunais --, mas há a questão política que não temos de esperar pelos tribunais. Em primeiro lugar é preciso saber se houve ou não intromissão".


É Luís Montenegro em todo o seu esplendor. "Limitou-se a negar" - então o que é poderia fazer mais? E como é que se resolve a "questão política" para se "saber se houve ou não intromissão"?


É Luís Montenegro a disparar, de costas, sobre tudo o que mexe sem sequer apontar. Não acerta em nada. Só espalha a caça!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Benfica (também o Braga) está apurado para os oitavos de final da Taça, depois de eliminar o Moreirense – que eliminara o Sporting na última ronda – em Moreira de Cónegos. Ganhou o jogo por dois a zero, com o segundo – belíssima jogada iniciada em Ola John, abrilhantada por Gaitan e concluída por Cardozo – a coincidir com o último lance do jogo, depois de 60 minutos em muito bom nível com domínio completo e avassalador do jogo.


No entanto, tal como no passado domingo em Vila do Conde, há um mas!


Sabemos que, em tudo, são as últimas imagens que prevalecem. O Benfica está a permitir que as últimas imagens de cada jogo apaguem o que de bom faz durante a maior parte do jogo, deixando em muitos a ideia – errada – de que os jogos são uma coisa diferente do que na realidade são. No último jogo do campeonato, com o Rio Ave, acabou por ficar a ideia de que o resultado justo seria outro que não a vitória do Benfica. Apenas porque os últimos 10 minutos foram penosos!


Em Moreira de Cónegos correu-se o mesmo risco, apenas atenuado com o segundo golo e com o apagão – está a tornar-se um clássico das deslocações do Benfica ao Minho – que interrompeu o jogo por mais de meia hora.


Começa a ser preocupante a facilidade com que o Benfica perde o controlo dos jogos quando os adversários chegam ao último quarto de hora com um resultado desconfortável mas em aberto. Parece que equipa apenas consegue dominar e controlar os jogos em regime de ataque continuado e permanente, quando a sua proactividade atacante se casa com a passividade defensiva do adversário, agarrado a um resultado confortável. Logo que o resultado se torna desconfortável o adversário reage e a equipa treme: os passes que até aí saíam certinhos passam a ser falhados; as recepções que se não falhavam em pressão ofensiva passam a falhar-se, com ou sem pressão, em qualquer zona do campo; os adversários passam a chegar primeiro a todas as bolas e a ganhar todos os ressaltos.


A equipa – e os adeptos - não merecem passar por isto. Está a praticar um futebol de boa qualidade, ainda não chegou ao brilhantismo atingido nas épocas anteriores – nos momentos em que tudo corria bem – mas parece consolidar as alterações forçadas, reagir bem à adversidade de uma série de lesões e até já tem o capitão de volta. É um problema a resolver rapidamente: antes que dê maus resultados!


Mas deste jogo fica também a incrível actuação de Duarte Gomes: dois penaltis por assinalar (um do guarda-redes sobre o Lima e outro sobre o Luisinho), uma falta em cima da linha de grande área sobre o Bruno César transformada em cartão amarelo para o jogador do Benfica, mão leve para amarelos para os jogadores de encarnado (ridículo o amarelo a Matic) enquanto os do Moreirense tudo era permitido.


Se nos lembrarmos que isto não é novidade, nem exclusivo de Duarte Gomes, e que os quatro pontos perdidos no campeonato, que impedem o pleno e a liderança isolada, resultam do golo anulado a Cardozo na primeira jornada, com o Braga – que, curiosamente, não perde com o Benfica porque o árbitro anulou um golo limpo, e perde com o Sporting pela mesmíssima razão – e dos dois penaltis inventados em Coimbra, começa a haver sérias razões para preocupação. Não sei se mesmo maior que a dos últimos minutos destes últimos jogos!

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Copo de água às portas do apocalipse

Biden diz que é “improvável” que míssil que atingiu Polónia sido disparado  da Rússia | Ucrânia | PÚBLICO


Os restos dos mísseis que ontem caíram em território polaco, junto à fronteira com a Ucrânia, matando duas pessoas, quase abriam as portas do apocalipse. 


Os falcões da guerra salivaram, e no extremo leste da NATO gritou-se em uníssono pelo artigo 5º. Biden puxou de imediato de um copo de água, que serviu de imediato ao Sr Jens (falcão) Stoltenberg. 


Se o copo de água serviu para lhe limpar a saliva, ou para meter lá dentro a tempestade, é a dúvida que sobra.


Para Zelensky é que a água não coube no copo. Foi de mais e ficou sem pé. Saltou para fora de pé, contra o mundo, mesmo que não se saiba exactamente se contra as evidências, e arrisca afogar-se.


Um copo de água pode estar meio cheio. Ou meio vazio. Mas também pode partir-se.


No copo meio cheio, podemos ver sinais de esgotamento. São já nove meses meses de duro e exigente teste à sua resistência física e mental. No copo meio vazio podemos ver simplesmente um sinal de deslumbramento. Mais preocupante é que o copo se tenha partido e entornado toda a água se, no fim de contas, ele tiver razão, e o míssil seja mesmo russo!


 

Fuga para a frente

Donald Trump anuncia nova candidatura à Casa Branca em 2024 | Euronews


Como tinha avisado, e apesar de tudo lhe ter corrido mal nas midterms, Trump anunciou a candidatura às presidenciais de daqui a dois anos.


Perdeu todos os apoios institucionais, dos financeiros aos mediáticos, e até o da própria filha - Ivanka. Tem concorrência forte dentro do próprio partido. Mas nada disso importa. O que lhe importa é que, para travar todos os processos judiciais em que está envolvido, a candidatura é o melhor, se não o único, instrumento que tem à mão.


Não é uma candidatura, o que Trump anunciou. É uma fuga para a frente!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Começaram por ser 131. Depois, vistas as coisas com um pouco mais de atenção, o número duplicou e eram já 233 os assessores e adjuntos – boys, em linguagem comum – que, ao contrário de todo o funcionalismo público, receberam o subsídio de férias. Afinal soube-se hoje que o número é dez vezes superior: quase 1500 boys, com tudo a que têm direito!

terça-feira, 15 de novembro de 2022

8 mil milhões

População mundial atinge hoje oito mil milhões de pessoas


A população mundial atinge hoje os 8 mil milhões de seres humanos, num crescimento que tem sido exponencial. 


No ano 1000 a população mundial era de 330 milhões de pessoas. Há 11 anos tinha-se atingido os sete mil milhões de humanos no planeta. Os seis mil milhões tinham sido atingidos doze anos antes. 


No ano 1 da nossa era, a população do planeta era de 170 milhões de pessoas. Mil anos depois, era de 330 milhões. Não duplicou sequer. Só no ano 1800, já a Humanidade contava com 200 mil anos de existência, atingiu os mil milhões. Os primeiros mil milhões de população mundial demoraram 200 mil anos a atingir. Para os segundos, atingidos em 1927, foram precisos 127 anos. Os terceiros foram alcançados em apenas 33 anos, em1960. Os quartos, em 14 anos, em 1974. Os quintos, em 13 anos, em 1987. Os sextos, em 12 anos, em 1999, como os sétimos em 2011. E, os agora 8.000 milhões, em 11 anos apenas.


Se a este ritmo de crescimento da população mundial acrescermos um ritmo idêntico, se não superior, do crescimento das suas necessidades de consumo, ficaremos com a ideia do que foi exigido ao planeta para responder a tamanha evolução. E da exaustão a que chegou até à emergência climática, há tantos anos no topo da agenda mundial. Mas sempre sem resposta, como se viu agora na COP 27. E em todas as anteriores 26!


Acresce, no entanto, que é um crescimento profundamente desequilibrado, paradoxal mesmo. Cresce nas regiões mais pobres do planeta, e minga drasticamente nas mais ricas. 


Para resolver este desequilíbrio, e garantir a sobrevivência do mundo mais rico, não há outra alternativa que a imigração. E, no entanto, a moda por esse mundo rico fora é exactamente impedi-la. Um paradoxo, de que parece muita gente não dar conta.


Sobraria outra via - promover o desenvolvimento dos territórios mais pobres e, através dele,  a desaceleração do crescimento da sua população. Mas nisso também não há quem esteja muito interessado!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Os incidentes de ontem em Lisboa, que finalmente dão a imagem que temos andado a esconder – Portugal está igual à Grécia, apenas com uma pequena décalage temporal -, têm naturalmente leituras diferentes conforme a perspectiva de quem os olha. É sempre assim!


A malta da direita - coincidente discurso oficial - diz que a polícia apenas desatou a bater depois de mais de uma hora de enxovalhos e pedradas e de um pré-aviso de cinco minutos. Quem levou – mesmo assim não vão tão longe quanto Mário Crespo, não escondem que a polícia bateu mesmo, e a sério – só apanhou porque decidiu ficar. Pôs-se a jeito. E a polícia não poderia perguntar primeiro e bater depois…


A da esquerda diz que a polícia teve tempo suficiente para actuar sobre as poucas dezenas de provocadores encapuçados que atiravam pedras e garrafas e provocavam todo o tipo de desacatos, bem distintos dos manifestantes pacíficos. Para os perseguir, deter e identificar. Mas que não o fez, que preferiu antes utilizar as suas acções provocadoras para justificar a carga brutal e indiscriminada sobre todos os manifestantes. E para lançar perseguições por grande parte da cidade, estendendo a violência a zonas já bem distantes de S.Bento: há testemunhos de repressão policial no Cais do Sodré ou na Boa Hora.


O que pôde ver e ler da visão da malta da esquerda é sustentado por testemunhos pessoais. A da direita não tem, naturalmente – é malta que não se mete nessas coisas - qualquer sustentação testemunhal.


Sou, mais por isso que por outro motivo qualquer, levado a atribuir mais crédito àquilo que a malta da esquerda apresenta como versão dos factos. Depois, começo a perceber que as peças encaixam: o ministro anunciou um aumento de 10,8% para a polícia, quer dizer, o governo tratou, primeiro, de comprar a polícia. Para garantir que não haveria abraços e beijinhos para ninguém. O primeiro-ministro, como de resto o Presidente da República – que, como sabemos, não fez greve, trabalhou todo o dia com o seu homólogo colombiano – não tinham conhecimento de nada do que se passara. Também ele ao lado do presidente colombiano – a quem tinha estado informar do sucesso do nosso processo de ajustamento, dizendo que neste ano e meio Portugal tinha atingido todos os objectivos do programa – dizia que apenas sabia que “houve um problema no Parlamento”.


Mas, já hoje, ninguém poupa elogios à actuação da polícia. Passos Coelho garante que foi necessária “para desincentivar quaisquer abusos no futuro”. Ora aí está: dois coelhos numa só cajadada. Com esta acção da polícia – se o Mário Crespo estivesse deste lado já estaria a dizer que os provocadores, encapuçados ou não, eram da polícia – preveniu-se a participação em futuras acções de protesto: uma coisa é ver-se uma linda moça abraçada a um polícia outra, bem diferente e dissuasora, é ver a mesma polícia a distribuir bastão sem dó nem piedade. E calou-se o êxito da greve geral: televisões e jornais não falaram de outra coisa. Da greve já ninguém se lembra!


Pontos de vista…

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...