
Vai já no terceiro dia este Mundial do Catar, sobre o qual muito já foi dito, mas muito mais estará ainda por dizer.
Enquanto nos relvados dos Estádios onde, à custa do equivalente ao PIB de Portugal, e de milhares de vidas de pessoas em regime próximo do da escravatura - para realizar estas dezenas de jogos, e depois ficarem às moscas - a bola vai rolando, à sua volta nascem e morrem diversas manifestações de protesto.
Nasceram e morreram todas as que a FIFA, no seu poder ilimitado e incontrolável, pode calar. Não pode calar o calado, e por isso se manifestaram calados os jogadores da selecção do Irão, comandados por Carlos Queiroz. Que, com os jogadores calados, resolveu falar, perdendo mais uma vez - e já são tantas! - uma excelente oportunidade para estar calado.
Os jogadores iranianos, que não têm calado a revolta sobre a situação no seu país - com destaque para o nosso conhecido Taremi, e para Sardar Azmoun, fortemente aplaudido na bancada quando entrou em campo, a meio da segunda parte - ficaram calados, e não cantaram o hino. E, calados, disseram tudo. Tanto que se viram lágrimas nas bancadas!
Queiroz atirou-se aos adeptos, acusando-os de falta de apoio. Eles que choraram na bancada, e que irromperam em aplausos à entrada de Sardar Azmoun. Acusando-os de misturarem o futebol com a situação que se vive no país, como se não fosse exactamente essa situação a mobilizar os corajosos protestos dos jogadores. Bem audíveis em Taremi e Sardar Azmoun, e melhor percebidos no silêncio de todos na hora de cantar o hino.
É o Queiroz, muitas vezes a roçar o troglodita, que bem conhecemos!
Na bola que até agora correu, o jogo inaugural (Catar 0-Equador 2) confirmou que a selecção da casa é a mais fraquinha de todas. O mesmo resultado para o outro jogo do grupo A, decidido pelos guarda-redes. Sendo um deles Mendy, do Chelsea, o estranho é que tenha sido ele a enterrar a selecção do Senegal e, do outro lado, o desconhecido Noppert a salvar os holandeses.
No grupo B, empate (1-1) no Estados Unidos - País de Gales, num jogo sem história. E confirmação do potencial da selecção inglesa, num jogo com oito golos (6-2 ao Irão) e com muitas histórias para contar.
No grupo C, a grande surpresa, com a derrota da Argentina, frente à Arábia Saudita, já hoje. Uma derrota sem atenuantes (os três golos anulados pela tecnologia do fora de jogo à equipa de Messi ... e de Otamendi e Enzo Fernandez, não são atenuantes) mas com agravantes. Com a agravante de a equipa das Pampas ter praticamente entrado a ganhar, e com um penálti mais que discutível. E dos sauditas terem dado a volta ao marcador, e fixado o resultado final, em apenas 4 minutos, logo no início da segunda parte, com mais de 40 minutos de jogo pela frente.
As perdas só não são maiores para a Argentina porque o outro jogo do grupo acabou sem golos. Um jogo sem golos com Lewandowsky em campo é estranho. Mais estranho é que nem de penálti tenha marcado, na única oportunidade da Polónia, bem defendido pelo eterno Ochoa, na baliza do México. Que mostrou mais futebol que os polacos.
O primeiro jogo sem golos acontecera antes, entre a Dinamarca - que não confirmou o excelente desempenho no Europeu, há ano e meio - e a Tunísia, para o grupo D. Que fechou a primeira jornada com a goleada (4-1) da França - a confirmar que, apesar das baixas, é forte candidato a revalidar o título mundial - à Austrália. Sem surpresa.
Surpresa só houve enquanto o jogo esteve verde, com a selecção das antípodas a adiantar-se no marcador, e a criar mais duas óptimas ocasiões para voltar a marcar, incluindo uma bola no poste. Depois, o jogo foi ficando maduro e os franceses foram somando oportunidades e golos. Ficou nos quatro, mas foram muitos os que ficou a dever à exibição, numa inequívoca demonstração de poder.
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