terça-feira, 30 de abril de 2019

Tudo ao contrário

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Um cartoon de António, onde Trump, cego, é conduzido por um cão-guia com rosto de Netanyahu, que também é Benjamim mas conhecido por Bibi, que bem podia ser nome de cão, foi publicado, sem sua autorização e sem sequer disso ter sido informado, pelo New York Times.


Até aqui a única anormalidade é um jornal desta dimensão publicar um trabalho de um autor à sua completa revelia. Mas nenhum problema, a não ser que Trump use quipá, e que na extremidade da coleira esteja a estrela de David. Aí... alto lá!


Aí, o jornal foi acusado de anti-semitismo, e imediatamente tratou de retirar o cartoon, pedir desculpas e lamentar a falta.


Ao autor?


Não, ao lóbi "trumpojudaico"!


 


 

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Como é que se diz geringonça em castelhano?

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Espanha foi a votos e nada ficou como estava. Não houve qualquer revolução sociológica a determinar o novo mapa político da(s) Espanha(s): direita e esquerda mantiveram os seus votos. Só que os da direita, distribuídos por três forças políticas - o PP, que praticamente implodiu, o Ciudadanos, que quase chegou a segundo partido, e o Vox, da extrema direita (sim, Nuno Melo - extrema direita), mesmo sem se confirmar o tsunami anunciado -  valeram menos 22 deputados. Mesmo assim, menos que os 29 perdidos pelo Podemos, vítima dos seus próprios erros, mas também da radicalização eleitoral que potenciou o voto útil nos socialistas.


No meio disto tudo o PSOE ganhou e Pedro Sanchez dá agora voltas à cabeça para encontrar uma geringonça que lhe permita governar. A tentação de um bloco central com o Ciudadanos está fora de causa. Nem eles eles próprios, nem os eleitores socialistas, o querem. Logo que os resultados ficaram conhecidos, ao mesmo tempo que celebravam a vitória, as bases socialistas gritavam "Rivera, no". E não bastam os deputados do Podemos, tal foi hecatombe eleitoral. É preciso envolver ainda os partidos nacionalistas da Catalunha (Esquerda Republicana da Catalunha,  com 15 deputados, já que também o partido de Puidgemont foi "castigado") ou do País Basco (Partido Nacional Basco,  6 deputados) ...


Ah... a resposta é artilugio!


 


 

domingo, 28 de abril de 2019

"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"


 


Há um velho jargão do futebol que diz que uma "equipa joga aquilo que a outra deixa". Esta quarta final que o Benfica hoje disputou em Braga ilustra na perfeição esta dialéctica, muitas vezes difícil de perceber.


Na primeira parte o Benfica fez um jogo fraquinho. Jogou aquilo que o adversário deixou, e a verdade é que o Braga não o deixou jogar mais, pressionando alto e lutando pela bola com mais vontade, com os seus jogadores a anteciparem-se sempre aos do Benfica. 


Mais que fazer uma grande exibição, mais que exercer um claro domínio sobre o adversário, o Braga dominou o jogo não deixando o Benfica o jogar. Porque na verdade os protocandidatos ao título não criaram uma única oportunidade de golo. O que marcaram foi de penalti, claramente o mais oferecido dos três que o jogo teve. Fransérgio veio por ali fora - e não o deviam ter deixado vir, estenderam-lhe a passadeira - à espera do menor pretexto para o penalti. Foi o Rúben Dias que resolveu oferecer-lhe esse pretexto, quando só tinha que aguentar ao lado dele e fazer-lhe guarda de honra até à linha final. 


Mas - lá está - o Braga jogou assim porque também o Benfica deixou que jogasse assim. A perder ao intervalo, o Benfica não poderia deixar que o Braga continuasse a jogar assim na segunda parte. Teria que obrigar o adversário a deixá-lo jogar o seu futebol.


E assim fez. Fosse porque o Braga já não pudesse, fosse porque não lhe permitiu mais que pudesse, o Benfica entrou para a segunda parte a dizer: "pronto, acabou-se. Agora mandamos nós"!


Pegou no jogo, foi para cima do adversário, e as oportunidades de golo começaram a surgir. Foram onze oportunidades claras de golo, nas estatísticas finais do jogo, e o guarda-redes do Braga acabou com uma grande exibição.


Nunca mais o jogo teve nada a ver com o da primeira parte, e à medida que os minutos passavam e que a equipa bracarense ia caindo - lá está a dialéctica, outra vez - a exibição do Benfica atingia o brilhantismo.


"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"? Sim, mas também aquilo que sabe. E este Benfica sabe jogar muito, e foi a jogar muito que foi destroçando o adversário, limitando-lhe a ambição ao anseio pelo apito final do árbitro.


A reviravolta no resultado começou com dois penaltis, incontestados e incontestáveis. Coisa nunca vista antes, dois penaltis a favor do Benfica... Tão estranho que não se estranha que os comunicadores do costume tenham algo a comunicar.


E assim, mais uma vez de forma categórica, o Benfica passou, com distinção e nova goleada, mais uma final. Faltam agora três!


 


P.S. Não sei se fui apenas eu a reparar na azia dos senhores da Sport TV. Se calhar, fui!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O cravo vermelho*

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Comemoramos ontem os 45 anos do 25 de Abril. Como sempre, com festas populares por todo o país, com desfiles nas principais cidades, e com a sessão solene na Assembleia da República. Que, em vez de uma oportunidade solene para os poderes democráticos instituídos comemorarem e dignificarem a democracia e o 25 de Abril, é normalmente oportunidade para todas as polémicas, e para exponenciar as divisões políticas, sejam elas estruturais, e quase insanáveis, ou meramente conjunturais, esgotadas no tacticismo oportunista da luta política.


O discurso de Presidente da República, sempre o ponto alto da sessão, raramente consegue fugir a estas divisões, sendo mesmo frequente que as acentue. O anterior titular foi disso flagrante exemplo.


As divisões passam invariavelmente pelo cravo vermelho e pelo posicionamento face o discurso do mais alto magistrado da nação.


O cravo vermelho é símbolo dessa divisão que mais salta à vista. Não os bonitos cravos vermelhos que invariavelmente engalanam a casa da democracia para a ocasião, mas os que integram a indumentária dos intervenientes. 


Dividem-se sempre em dois grupos: os que usam e os que não usam cravo ao peito. O cravo não é assim o símbolo da liberdade e da democracia, mas o carimbo que uns ostentam orgulhosamente e outros, porventura não menos orgulhosamente, fazem questão de publicamente recusar. Nos últimos largos anos com o Presidente da República à cabeça!


Ontem, a grande maioria dos intervenientes apresentou-se de cravo ao peito. A excepção do representante de uma das bancadas não surpreenderia, e fez apenas tornar mais notada a atitude do mais alto magistrado da nação, que repetiu exactamente o gesto do ano passado, entrando timidamente de cravo vermelho na mão, que pousou na bancada logo que iniciou o discurso.


O que não impediu que, pela primeira vez, todas as bancadas o tenham aplaudido. Nunca antes um discurso presidencial, no 25 de Abril, tinha convocado um aplauso unânime e inequívoco. Terá certamente sido pelo seu conteúdo abrangente e oportuno, afastado das intrigas que enchem a espuma dos dias do discurso político, a que tantas vezes não consegue resistir. Mas também pela consciência que os tempos não vão fáceis para a democracia, e que a sua comemoração não se pode perder em minudências.


Categoria em que me recuso a incluir o cravo vermelho. Por isso gostaria de um dia o ver no peito de todos os que estivessem a festejar o 25 de Abril. E por maioria de razão no do Presidente da República. Porque o cravo vermelho, como o 25 de Abril, não tem dono. E porque a democracia é feita de símbolos!   


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Foi há 45 anos

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Cansados de uma guerra injusta, e desiludidos com um país sem futuro, os capitães organizaram-se em movimento. Chamaram-lhe Movimento das Forças Armadas, e ouvimos falar dele pela primeira vez nesta madrugada de 25 de Abril, há 45 anos: "Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas..." 


Começava assim, numa voz grave e bem colocada, cada notícia que nos chegava da revolução na rua, que se enchia de cravos vermelhos, naquela manhã limpa e clara, prenhe de esperança. E aos poucos fomos percebendo que a libertação do país era irreversível, que a velha e tenebrosa ditadura de quase 50 anos caía de podre, e que aquele era um dos dias mais importantes da História de Portugal.


Foi há 45 anos, e muita gente não tem já memória do que era então o país. E do que era um regime totalitário que tudo nos negava. Tudo, é tudo mesmo. Quando se rouba a dignidade a um homem ou a uma mulher rouba-se-lhe tudo.


Hoje, 45 anos depois, faz sentido lembrar isso a quem disso não tem memória. Porque a democracia, a liberdade e o Estado de Direito são factores inegociáveis da dignidade humana.


E não são hoje tão irreversíveis quanto se possa pensar... Antes pelo contrário, como por aí vemos todos os dias!


 


 

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Coisas com graça


 


Dois apontamentos picantes a quebrar a monotonia destes chatos dias invernosos de Abril. O primeiro foi a intervenção de dois jovens que interromperam a festa de aniversário do Partido Socialista, um disputando o púlpito e o microfone com António Costa, e outro, por acaso outra, de pé na plateia, imitando a sinalização da aterragem. Antes, já outros dez companheiros se tinham divertido a fazer aterrar no palco aviõezinhos de papel. Pertencem a um novo movimento do activismo ambiental, que se dá pelo nome de Extintion Rebellion, que se manifesta contra o aeroporto no Montijo, e as correlativas negociatas, e trouxeram um toque divertido à festa socialista. Mesmo que a coisa tenha acabado sem grande graça para o pobre rapaz que, ao que diz, e apesar de  tão bem ter estado a contracenar com o Secretário-Geral do partido, não se livrou de alguns maus tratos. 


O outro chega-nos directamente do famoso Sérgio Moro, o juiz que prendeu o ex-presidente Lula e se passou para ministro da Justiça de Bolsonaro que, chegado a Portugal, não perdeu tempo a comentar a Justiça portuguesa, com o ferro todo ele direitinho a José Sócrates. Que não se teve e acusou-o de "activista político disfarçado de juiz", ao que o ministro brasileiro respondeu que "não debato com criminosos".


Se ao deixar a Justiça para passar ao governo, àquele governo, Sérgio Mora deixara de facto a ideia de "activista político disfarçado de juiz", ao comportar-se desta maneira em Portugal, reforça a ideia de um arruaceiro disfarçado de ministro. Um ministro modelo de Bolsonaro.


Uma coisa é a percepção da opinião pública, que até pode ser coincidente com o que ministro brasileiro verbalizou. Outra é o primado do Estado de Direito na democracia portuguesa, que até ao trânsito em julgado presume a inocência. Que os cidadãos anónimos até poderão ignorar mas, um juiz e ministro, não. E outra ainda é a graça que tem este ministro do governo  de um país que, entre 180 países, ocupa a posição 105ª no Índice de Percepção da Corrupção de 2019, a falar da corrupção do e no país que, na mesma tabela, ocupa a 30ª posição.


 


 

terça-feira, 23 de abril de 2019

O que se vai sabendo do Sri Lanka

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O número de vítimas mortais da matança da Páscoa no Sri Lanka já vai nos 310 e, com 500 feridos, não parará por aqui. Começamos por saber que entre as vitimas havia um jovem português, recém casado em lua de mel, estilhaçado ali à frente da mulher, à mesa do pequeno almoço. E três dos quatro filhos de uma família dinamarquesa...


E ficou a saber-se que, a 9 de Abril, os serviços de informação locais enviaram um memorando ao Conselho de Segurança Nacional, alertando para a possibilidade de estarem a ser preparados ataques a templos católicos na Páscoa. E que essa informação não chegou ao governo, marginalizado pelo presidente da República, e que não tem assento naquele órgão.


E ficamos a saber que estes atentados, e estas centenas de mortos, não resultaram apenas de incompetência. Que neste país longínquo, com tanto Portugal lá dentro - o cristianismo é apenas uma das heranças portuguesas - a omissão do presidente da República, em guerra aberta com o governo (em funções depois de demitido pelo presidente mas reconduzido pelo Supremo Tribunal), tornou-o cúmplice e responsável por este acto hediondo. No mínimo tão responsável como quem o preparou, ou como cada bombista que se fez explodir para matar.


 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

De pé no fundo


 


A quinta final, na Luz com o Marítimo, já ficou para trás. Foi vencida, e com distinção: grande exibição e 6-0!. Depois da eliminação da Europa, e nas condições em que aconteceu, e antes da deslocação a Braga, dificilmente se poderia esperar melhor. 


O Benfica entrou - voltou a entrar - muito bem, a chegar ao golo logo aos dois minutos, num canto de laboratório, só possível por lá estar esse fantástico cientista que é João Félix. Chegou logo ao golo, sem qualquer penalti e sem nenhum jogador do Marítimo expulso. Nem de início, nem em nenhum outro momento, quando tantos tanto por isso fizeram.


Não se pode no entanto dizer que o Benfica tenha aproveitado esse golo para partir de imediato para uma grande exibição. Não. Descansou até um pouco em cima do golo e permitiu que o jogo fosse demasiado tranquílo durante alguns períodos da primeira parte. Com Seferovic infeliz como nunca se vira na finalização, o resultado chegou ao intervalo com esse golo único.


O Benfica entrou para a segunda parte de pé no fundo. E marcou o segundo logo ao quarto minuto (Pizzi). A partir daí os jogadores não mais levantaram o pé, e a equipa partiu à procura da perfeição. Encontrou-a e não mais a largou até ao fim do jogo. E foi uma delícia de ver!


E os golos foram aparecendo. Acabou na meia dúzia, mas o Marítimo bem podia ter repetido o 10-0 do seu rival do Funchal. Basta reparar que Seferovic, infeliz como nunca - hoje poderia lá estar a noite inteira a rematar, de toda a maneira e feitio, que a bola não entraria - ficou em branco e desperdiçou seis oportunidades claríssimas de golo. E que também Jonas ficou em branco, pese duas três oportunidades, daquelas que não costuma desperdiçar.


Uma goleada de meia dúzia - bis de João Félix e de Cervi, um de Pizzi e outro de Salvio -, sem golos do melhor marcador do campeonato, e sem golos de Jonas, parece estranho. Mas não é. É apenas o resultado do grande futebol que Bruno Lage trouxe para a equipa. 


Faltam agora quatro finais. E muitas peripécias, certamente... Este jogo de hoje voltou a deixar muita gente assustada.


 

Dia da Terra

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Comemora-se hoje o dia mundial da Terra. É assim, neste dia, que desde 1970 se chama a atenção dos povos, e dos poderes que sobre eles pairam, para a degradação do nosso planeta e da vida que sustenta. E que lhe dá sustentabilidade.


Não tem valido grandemente a pena... Mas vale sempre a pena continuar. Desistir será sempre pior!


É que continua a ser o único planeta que, por enquanto, temos para habitar...

domingo, 21 de abril de 2019

É lá longe, mas não dói menos!

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Autêntica matança da Páscoa, no Sril Lanka. Duas centenas de mortos às mãos do mais ignóbil que poderá haver em seres ditos humanos. Não creio que sejam!


É lá longe, mas não dói menos.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Fim inglório

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Acabou ingloriamente em Frankfurt a viagem do Benfica que tinha Baku por destino. 


Ingloriamente porque o Benfica é melhor, significativamente melhor, que o Eintracht, e não podia ter saído desta maneira destes quartos de final da Liga Europa.


Perdeu porque foi traído pelo árbitro, que validou o primeiro golo da equipa alemã, aos 36 minutos da primeira parte, em claríssimo fora de jogo. Mas, acima de tudo, perdeu porque se demitiu de ganhar, dando quase a ideia que não queria mesmo ganhar.


A primeira parte do Benfica foi simplesmente expectante, com a equipa a abdicar da sua identidade e convencida que o jogo estava controlado. E isto custa tanto mais a aceitar quanto o adversário nem sequer foi nada do que poderia esperar. Tinha aqui dito, quando há uma semana o Benfica se ficou pelo 4-2, que, com o seu tremendo poder físico, se a equipa alemã impusesse uma grande intensidade ao jogo, este jogo seria muito difícil. Mas não foi nada disso que aconteceu, e o poder físico da equipa de Frankfurt foi apenas utilizado nos despiques individuais, nas bolas divididas e nas segundas bolas, sempre com os jogadores do Benfica muito encolhidos e muitas vezes mal posicionados.


Claro que o jogo poderia ter sido outra coisa, se não fosse aquele erro determinante do árbitro, agravado com a expulsão de Bruno Lage do banco. Mas tinha seguramente sido outro se as opções do fantástico treinador do Benfica tivessem sido outras, no plano estratégico e na própria constituição da equipa, onde Fejsa, mas também Jardel, já não cabem. 


Na segunda parte o Benfica entrou a inidiciar que as coisas iriam ser diferentes. É verdade que poderia ter marcado por duas vezes, mas não marcou. E, pior que isso, interrompeu esse melhor arranque com um inacreditável falhanço colectivo, mas mais uma vez com muito Fejsa, logo aos 12 minutos, que deu o segundo golo que garantia o apuramento ao adversário. 


Faltava mais de meia hora para o fim, mas ficou-se logo ali com a ideia que a equipa já não conseguiria dar a volta à sua dormência e voltar a passar para cima da eliminatória. E nem sequer criou grandes oportunidades para marcar o golo que garantiria o apuramento, ficando-se praticamente pelo remate de Salvio ao poste, que em boa verdade dificilmente poderia dar em golo. A mais flagrante oportunidade de golo acabaria mesmo por pertencer aos alemães, numa enorme defesa de Odysseas, depois de a bola ter saído por duas vezes pela linha final, sem que da arbitragem ninguém tivesse dado qualquer importância ao assunto.


E pronto. Já só há mesmo o campeonato para ganhar. É bom que ninguém se esqueça!

O negociador

Capa Público


 


Os jornais de hoje saíram para as bancas traídos pela realidade. Todos optaram por encher a primeira página - dividida com o grave acidente na Madeira - com a greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas ... Que já acabou.


Olhar para as capas dos jornais com os piores cenários de qualquer coisa que já não existe soa a estranho. E não prestigia nada a imprensa, que deixa a ideia de dar tudo por uma má notícia. Por uma certa ânsia do quanto pior, melhor.


Não fosse isso e talvez tivessem levado em conta que quando o governo saca Pedro Nuno Santos da manga para negociar não há nada que não se resolva. E depressa!

quarta-feira, 17 de abril de 2019

O país numa selfie

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Dificilmente encontraremos melhores fotografias do país que somos que estas que desde ontem podemos captar nas imediações dos postos de abastecimento de combustíveis. Se olharmos com atenção, no caos que se instalou nas bombas de gasolina estão lá as imagens do país que vivemos.


Uma greve convocada por um sindicato com três ou quatro meses de vida, com um universo de 800 associados, na leva de um novo sindicalismo que passa ao lado das velhas estruturas, ou a imagem que mostra com toda a nitidez que, para garantir paz social, hoje, ao governo, já não basta ter o PCP no bolso. Sim, há profissões com 800 profissionais que contam. Que podem parar o país, e ninguém sabia disso.


Profissionais com salários de 650 euros mensais. Que chegam aos 1.400 ou 1.500 líquidos, dizem os respectivos patrões. O triplo do vencimento base, por força dos subsídios de refeição, dois por dia, porque a tanto o obrigam as horas que se esticam pela jornada de trabalho, dos subsídios de risco, e todo o tipo de ajudas de custo geridas à medida de cada um, na imagem de um país "uberizado".


A imagem de um governo de calças na mão, à beira de eleições, a perguntar pelo que mais lhe irá acontecer...


E finalmente a imagem do velho espírito tuga, captado no seu melhor num dos infinitos directos das televisões: "já estive ontem na fila e atestei, mas como ontem ainda acabei por gastar uns 20 euros, hoje venho atestar outra vez"...  


 


 


 

terça-feira, 16 de abril de 2019

Se não chega, basta!

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Não chega que que nos indignemos porque dois líderes sindicais da Polícia - o presidente do Sindicato Unificado da Polícia e  o da Federação Nacional dos Sindicatos da Polícia - integram a rocambolesca lista de candidatos de André Ventura ao Parlamento Europeu. Nem basta que não percebamos por que é dois líderes sindicais da Polícia, sem qualquer aspiração a serem eleitos, se perfilam deliberadamente e sem reservas ao lado da cara da extrema direita xenófoba. 


Não bastou que chegasse, mas chega agora que baste! 


 


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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Perdeu-se História, faça-se História

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A Notre-Dame que Victor Hugo resgatou há quase 180 anos para símbolo de Paris, de França, da Europa e de toda uma civilização sucumbiu às chamas, mais de sete décadas depois de Hitler o não ter conseguido fazer. Vai renascer das cinzas, e acredito que a própria França possa renascer com ela. 


Ou até mesmo Macron, quem sabe?


 

Coisas para entreter

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De repente, um estudo financiado e divulgado por uma entidade privada - a  Fundação Francisco Manuel dos Santos, da Jerónimo Martins, de um dos prinicpais grupos económicos nacionais, mesmo que com sede na Holanda, para dar a volta aos impostos - diz que a idade da reforma deve passar para os 69 anos de idade, e lá se volta a falar da sustentabilidade da Segurança Social. 


E lá volta toda a gente a lembrar-se que a longevidade continua a subir e a taxa de natalidade a descer, o que dá em diminuição da população activa e num processo acelerado de envelhecimento. Que quer dizer cada vez menos gente para pagar as reformas de cada vez mais gente.


E sempre que alguém pensa nisto encontra a solução: aumenta-se a idade da reforma. A Fundação Francisco Manuel dos Santos não fez melhor. Não inventou nada, não diz nada que ninguém não diga sempre. Falou em aumentar para 69 anos de idade para atingir a reforma, como toda a gente tem feito até chegar aos sessenta e seis e tal que vigoram actualmente. E daqui a um ano falar-se-á em 70. E depois em 75, oitenta, e por aí adiante...


Numa altura em que se fala de economia digital e de robotização, em que está em curso um acelerado processo de substituição da mão de obra por máquinas, muito mais eficientes, percebe-se  que se tem que pensar em reduzir, e não aumentar, o tempo de trabalho humano. E que tem que pensar-se é na transformação do paradigma social em economias cada vez mais dinâmicas e produtivas. E percebe-se que a propagandeada proposta da Fundação Francisco Manuel dos Santos não só não faz sentido como não resolve nada. Mas compreende-se!


Compreende-se que quem não esteja muito interessado na transformação do paradigma insista em nada resolver. E lance coisas para entreter.

domingo, 14 de abril de 2019

E faltam cinco

Benfica mantém liderança com recital de Rafa e João Félix


 


A sexta final desta contagem decrescente já está. Foi com o Vitória de Setúbal, esta noite, na Luz.


O jogo começou com um golo. Rafa marcou praticamente na jogada entrada, sem que os jogadores de Setúbal tivessem tocado na bola, mais ou menos como naquela super goleada com o Nacional. Só que isso não fez o jogo fácil, nada disso. Foi mesmo um jogo difícil, que o Vitória, entre outros - mas já lá vamos - complicou bastante.


O Benfica não teve apenas uma boa entrada, teve uma primeira meia hora de muito boa qualidade, do melhor que se tem visto, com quatro ou cinco oportunidades claras para marcar. À meia hora, depois do VAR, apenas pela segunda vez, e pelos vistos sem grande vontade de repetir, o ter chamado para ver no televisor a mão de Rúben Micael que toda a gente tinha visto a olho nu, o árbitro Rui Costa assinalou o penalti que Pizzi falhou, os dados do jogo mudaram.


Os jogadores do Vitória acreditaram que aquele lance poderia ter mesmo esse efeito. E pelas bancadas da Luz devem ter passado memórias de outras ocasiões em que, nesta época, as coisas não correram bem quando isso aconteceu. Logo na primeira  jornada, com o outro Vitória, o Ferreyra falhou um penalti quando o Benfica ganhava por 3-0, e o jogo acabou sofrido e em 3-2. No jogo com o Belenenses, na primeira volta, com o resultado em 0-0, foi Salvio a falhar o penalti. E o Benfica acabou por perder o jogo, e iniciar aí o primeiro ciclo de crise.


Estou com isto a tentar encontrar justificação para os injustificáveis assobios que se passaram a ouvir na Luz. Mas, por definição, o injustificável não tem justificação. Ainda na passada quinta-feira, depois de uma exibição fantástica, na parte final do jogo, com o golo dos alemães, surgiram assobios das bancadas.


Por isso aqui dizia há uma semana que era uma pena o Benfica ter mais jogos em casa que fora. Não há dúvida que os benfiquistas que acompanham os jogos fora ajudam a equipa. Muitos dos que vão à Luz, à mínima oportunidade, desajudam.


Aos 36 minutos Rafa bisou, e pensou-se que aquele golo abafava o penalti falhado. Só que três minutos depois, como sempre acontece com o Benfica, na primeira oportunidade, o adversário marcou. Os jogadores do Benfica sentiram o golo, mas sentiram muito mais o estúpido coro de assobios. A melhor coisa que podia acontecer era mesmo o intervalo.


No regresso, a entrada na segunda parte não dizia bem do intervalo. A equipa dava muito espaço, alongava o campo, com os sectores muito distantes entre si, que um Vitória com qualidade de jogo, com um futebol que não tem nada a ver com o do tempo de Lito Vidigal, soube aproveitar. E durante alguns minutos o Benfica perdeu mesmo o controlo do jogo.


Foram 10 minutos que só acabaram com aquele corte fantástico do Florentino a deixar a bola em Pizzi, que cruzou para um grande golo, a coroar mais uma grande exibição do João Félix. O 3-1, aos 56 minutos, voltou a mudar o jogo, e colocou definitivamente o Benfica no comando absoluto da partida.


Voltaram a suceder-se as oportunidades. Mesmo que só desse para mais um golo, numa grande execução de Seferovic. E voltaram, árbitro e VAR, ao registo habitual nos jogos do Benfica. Um penalti sobre Rafa - outra enorme exibição - foi transformado num livre contra o Benfica e num cartão amarelo que o afasta do próximo jogo. Sem que o VAR desse sinal de vida. Ao contrário do que, meia hora mais tarde, sucedeu num corte normal de Rúben Dias, num lance aéreo, que na queda acabou por tocar com a mão no adversário a quem ganhara a disputa da bola. Aí viu razão para o penalti que fixou o resultado final, repetindo-se o 4-2 do último jogo.


E faltam cinco! E não assobiem mais, pode ser?


 

sábado, 13 de abril de 2019

Farsa em Portimão

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Subiu hoje à cena, em Portimão, uma das maiores farsas do futebol nacional. O Portimonense, a namoradinha do Porto que já lhe serve de barriga de aluguer, recebia o namorado, com quem tinha agora mais um forte laço de comunhão de interesses. Em Janeiro, o Portimonense cedeu os direitos desportivos do Manafá  num contrato que, ao que consta sem que tenha sido desmentido, prevê um bónus extra de 1 milhão de euros no caso do Porto vir a ser campeão. Daí que se desse a estranha situação de dois adversários se estarem a defrontar com um mesmo e comum interesse. Ao Porto, que disputa o título ombro a ombro com o Benfica, só interessava ganhar o jogo. Ao Portimonense, que se o adversário não o ganhasse perdia 1 milhão de euros - que não será muito menos de metade do seu orçamento anual - interessava exactamente o mesmo.


A  encenação foi perfeita, nada lhe faltou. No pré-match, Sérgio Conceição cantou as dificuldades do jogo, e António Folha avisava o Porto do mau bocado que tinha para passar em Portimão, como tinha acontecido ao Sporting e ao Benfica, que de lá tinham saído derrotados, e ao Braga, que melhor não conseguira que o empate. 


A farsa iniciou-se como se nada se passasse. O Portimonense discutia o jogo, e era quase sempre melhor que o Porto. Só que, aos 14 minutos, na primeira vez que o Porto chegou à área algarvia, um defesa da equipa da casa falha um corte e a bola sai direitinha para os pés de Brahimi. Remata à baliza, e o outro defesa adversário abre as pernas, por onde a bola passa para o golo.


Aos 14 minutos, por causa das dúvidas. A farsa continuou, com o Portimonense a jogar à bola e o Porto a ver, até chegar ao intervalo. Na segunda parte já nem houve jogo, apenas farsa. E mais dois golos, como meros incidentes da farsa.


No fim o Porto ganhou por um claro 3-0. "Vitória justa, indiscutível, mas demasiado pesada para o Portimonense" - dizem uns. "A jogar assim, o Portimonense não cai na segunda divisão" - dizem outros. E ninguém tem mais nada a dizer...

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Notícia do género*

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De repente, e sem nada que o fizesse esperar, o futebol cá do concelho saltou esta semana para as primeiras páginas dos jornais. Perdoem-me se exagero um bocadinho, se não foi exactamente para as primeiras páginas… Mas que saltou para as páginas dos jornais, saltou. Se não foi nas primeiras também não andou lá muito longe.


Não que algum dos nossos principais emblemas tenha cometido qualquer façanha, nem nada que tenha a ver com o seu desempenho desportivo, bem modesto por sinal. Ambos no primeiro escalão do futebol distrital, onde as coisas não ocorrem nada de feição.


Correm mesmo mal ao nosso Beneditense, que atravessa o pior registo da História, já não ganha há nove jogos – o nosso Ginásio também não se pode rir, não vai muito melhor – e, a cinco jornadas do fim, tem praticamente o destino da despromoção traçado. Quando assim é, sabe-se o que acontece no futebol, seja lá onde for: vai o treinador embora e vem outro!


A notícia é que não veio outro. Veio outra. Exactamente, o comando técnico da equipa foi entregue a Catarina Lopes, uma mocinha de 24 anos que, liderando uma equipa com mais três mocinhas, se propõe pôr aqueles matulões a jogar à bola e ao milagre de salvar o Beneditense da descida de divisão.


Não sei se é a primeira mulher com a responsabilidade máxima no comando técnico de uma equipa de futebol, como o estamos habituados a ver. Poderá nem ser, mas que é notícia para pôr o futebol do concelho nos jornais do país, é!


Já agora convém dizer que a Catarina Lopes, do alto dos seus 24 anos, tem uma vida dedicada ao futebol. Começou a jogar aos seis anos, e chegou internacional nas selecções jovens. Foi campeã nacional e venceu uma Taça de Portugal. E é licenciada em Treino Desportivo, com o mestrado em Educação Física, atributos que certamente justificam a oportunidade que lhe foi dada.


Que o presidente do clube seja o pai, não tem importância nenhuma. Deixemos essas coisas familiares lá para o governo…


Por mim, fico a torcer pela Catarina. E hei-de ver se num destes domingos à tarde consigo passar lá pelo campo de jogos da Benedita …


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 11 de abril de 2019

E ao hattrick o miúdo chorou...

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Foi um jogo de sentimentos mistos, este que o Benfica hoje disputou com a equipa que veio da capital financeira da Europa, que trazia consigo uma série de recordes da Liga Europa.


À excepção dos primeiros dez minutos, em que a equipa pareceu surpreendida com a força e a intensidade com que os jogadores da equipa alemã entraram no jogo, o Benfica foi sempre claramente superior a este adversário que lhe coube em sorte nos quartos de final da Liga Europa. Houve mesmo períodos do jogo em que a qualidade técnica da equipa do  Benfica banalizou esta equipa alemã, que não tem nada de banal.


O Benfica chegou ao golo ainda antes da primeira parte chegar a meio, aos 21 minutos, já à terceira vez que entrava na área adversária, quando um defesa alemão derrubou por trás Gedson Fernandes, magistralmente isolado pelo fantástico João Félix. Penalti, convertido pelo miúdo, e expulsão do jogador alemão.


A partir daí, e não sei se se poderá dizer que a jogar com mais um, porque pareceu-me que Fejsa tratou de equilibrar as contas, o Benfica pôs a cabeça dos jogadores do Eintracht em água, sem saberem para onde se haviam de virar. Estávamos nisto quando Fejsa - se calhar era mesmo melhor se lá não estivesse - teve uma paragem e ofereceu o golo ao adversário, já em cima do intervalo. E, sem perceber como,  a equipa alemã, que já vira o árbitro perdoar-lhe mais um penalti, via o empate cair-lhe do céu.


Logo a seguir, na resposta, João Félix fez o segudo. O seu segundo e o segundo da equipa, devolvendo-lhe a vantagem no marcador, que não colocando-lhe justiça.


Logo no arranque da segunda parte chegou o terceiro, desta vez por Rúben Dias, assistido por... João Félix. A equipa jogava bem,  e as oportunidades iam-se sucedendo. Cinco minutos depois o miúdo chegava ao terceiro. Ao hattrick, e chorou. Percebeu que tinha acabado de fazer História. E tinha. É o quarto português a fazê-lo nas competições europeias, e o mais novo de sempre!


Depois, o quinto e o sexto simplesmente não quiseram aparecer. Não foi por falta de oportunidades, nem por falta de qualidade de jogo. Foi porque o futebol é assim. 


E, como é assim, num canto, o nosso conhecido Gonçalo Paciência, numa falha de Jardel, fez o segundo golo para a equipa alemã, e fixou o resultado num inacreditável 4-2 que deixa a eliminatória completamente em aberto. 


Ou perigosamente em aberto, se pensarmos no que poderá ser esta equipa alemã se conseguir levar o jogo para os níveis de intensidade que a extraordinária dimensão física dos seus jogadores potencia.


E daí os mixed feelings com que saímos deste jogo. Tudo poderia ter ficado resolvido nesta noite de gala de João Félix. Na noite em que chorou de hattrick. Mas não ficou! 


 


 

E ao hattrick o miúdo chorou...

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Foi um jogo de sentimentos mistos, este que o Benfica hoje disputou com a equipa que veio da capital financeira da Europa, que trazia consigo uma série de recordes da Liga Europa.


À excepção dos primeiros dez minutos, em que a equipa pareceu surpreendida com a força e a intensidade com que os jogadores da equipa alemã entraram no jogo, o Benfica foi sempre claramente superior a este adversário que lhe coube em sorte nos quartos de final da Liga Europa. Houve mesmo períodos do jogo em que a qualidade técnica do  Benfica banalizou esta equipa alemã, que não tem nada de banal.


O Benfica chegou ao golo ainda antes da primeira parte chegar a meio, aos 21 minutos, já à terceira vez que entrava na área adversária, quando um defesa alemão derrubou por trás Gedson Fernandes, magistralmente isolado pelo fantástico João Félix. Penalti, convertido pelo miúdo, e expulsão do jogador alemão.


A partir daí, e não sei se se poderá dizer que a jogar com mais um, porque pareceu-me que Fejsa tratou de equilibrar as contas, o Benfica pôs a cabeça dos jogadores do Eintracht em água, sem saberem para onde se haviam de virar. Estávamos nisto quando Fejsa - se calhar era mesmo melhor se lá não estivesse - teve uma paragem e ofereceu o golo ao adversário, já em cima do intervalo. E, sem perceber como,  a equipa alemã, que já vira o árbitro perdoar-lhe mais um penalti, via o empate cair-lhe do céu.


Logo a seguir, na resposta, João Félix fez o segudo. O seu segundo e o segundo da equipa, devolvendo-lhe a vantagem no marcador, que não colocando-lhe justiça.


Logo no arranque da segunda parte chegou o terceiro, desta vez por Rúben Dias, assistido por... João Félix. A equipa jogava bem, e as oportunidades iam-se sucedendo. Cinco minutos depois o miúdo chegava ao terceiro. Ao hattrick, e chorou. Percebeu que tinha acabado de fazer História. E tinha. É o quarto português a fazê-lo nas competições europeias, e o mais novo de sempre!


Depois, o quinto e o sexto simplesmente não quiseram aparecer. Não foi por falta de oportunidades, nem por falta de qualidade de jogo. Foi porque o futebol é assim. 


E, como é assim, num canto, o nosso conhecido Gonçalo Paciência, numa falha de Jardel, fez o segundo golo para a equipa alemã, e fixou o resultado num inacreditável 4-2 que deixa a eliminatória completamente em aberto. Ou perigosamente em aberto, se pensarmos no que poderá ser esta equipa alemã se conseguir levar o jogo para os níveis de intensidade que a extraordinária dimensão física dos seus jogadores potencia.


E daí os mixed feelings com que saímos deste jogo. Tudo poderia ter ficado resolvido nesta noite de gala de João Félix. Na noite em que chorou de hattrick. Mas não ficou! 


 


 

Olha o passarinho

                                         Capa PúblicoCapa Diário de Notícias


 


Não se fala de outra coisa. Ninguém sabe muito bem o que é, mas não importa. Fica nos confins do infinito, a 55 milhões de anos-luz da Terra,  é um misterioso objecto cósmico com uma massa que também pertence ao domínio do infinito, 6500 milhões de vezes superior à do Sol, seja lá isso o que for, e - imaginem - deixou-se fotografar.


Chamam-lhe buraco negro, e dizem que é lá que tudo começa. Einstein já tinha falado nele, e desse acredito que soubesse do que estava a falar... 


A coisa só se complica ainda mais quando se diz que a fotografia é apenas a da sua sombra, e quando ouvimos um cientista dizer que não prova nada, e que apenas permite "reunir evidências para confirmarmos a hipótese da sua existência”. 


Mas não se fala noutra coisa, e dá boas capas de jornais...


 


 


 


 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Salários: uns e os outros!

Capa Jornal de Notícias


 


A notícia já é de ontem, como o jornal. Mas não é nova, nem perdeu actualidade, e vem-se repetindo todos os anos, por esta altura.


Por esta altura começam a ser publicadas as contas das empresas, começa-se a olhar para os números e, invariavelmente, chega-se a conclusões como esta na capa do JN de ontem. Em 2014 o multiplicador era 33: em 2014 os gestores ganhavam 33 vezes mais que os seus "colegas" trabalhadores . Em quatro anos esse multiplicador subiu para 52, cresceu perto de 60%!


Não está reflectido na capa do jornal, mas é outra conclusão que se retira, da mesma forma, das contas das principais empresas: nesse período, desde 2014, não houve aumentos salariais para os trabalhadores. Mas os salários dos gestores foram continuando a aumentar pelo que o multiplicador da desigualdade se tem multiplicado.


Poderia sempre dizer-se que ... é o mercado. É o mercado de trabalho que faz isso. O talento é raro, e paga-se caro. Pois... mas nem de perto nem de longe justifica as 52 vezes mais, que não se verificam em mais nenhum país europeu.


Não, não é o mercado a funcionar. Até porque na sua imensa maioria esses salários são decididos em ca(u)sa própria. É mesmo o agravamento da injustiça social na sociedade desigual que somos e continuamos a querer ser. É mesmo o exemplo vivo da sociedade mais desigual da Europa, que acha que é ao Estado que cabe tratar da desigualdade social. Mas apenas através de mecanismos assistencialistas, nada de confusões... Que, nisto, o Estado não tem nada que se meter...


 Pelos vistos, tem. E muito. Até porque a pobreza já atinge quem trabalha, e isso é inadmissível numa sociedade que se queira decente. E porque, se calhar, estão aqui as maiores raízes do eterno problema da produtividade do país. Que, por serem raízes e estarem escondidas debaixo da terra, nenhum FMI nem nenhuma OCDE vêm.  


 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Israel: uma escolha sem escolha!

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Hoje há eleições em Israel, uma democracia que ... tem dias. E de que nunca se espera mais que eleições, de quatro em quatro anos. De que nunca se espera grande coisa...


Hoje voltará a ser assim. Os israelitas voltarão a votar, mas da sua votação não pode resultar nada de novo. Limitar-se-ão simplesmente a escolher entre assegurar o quinto mandato a Benjamin Netanyahu, apoiado externamente por Bosonaro e Trump, mas também por Putin e, internamente, pela extrema-direita ultra-ortodoxa, com promessas de anexar territórios da Cisjordânia; ou eleger Benny Gantz, um general de extrema-direita que por falta de espaço tenta passar por moderado, enquanto se vai gabando do número de palestinianos que matou na Faixa de Gaza.


Muito provavelmente a única diferença é que, um, ao fim de quatro mandatos, já está acusado de corrupção. O outro, ainda não!


 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Não. Não é necessário!

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Não é novidade, já toda a gente o sabe, que a extrema-direita populista, xenófoba e racista utiliza como ninguém as redes sociais para dolosamente veicular notícias falsas, de que criminosamente pretende tirar proveito. Aconteceu assim em Inglaterra, nos Estados Unidos e no Brasil. E acontece assim por toda a União Europeia.


Em Portugal, essa extrema-direita, mesmo que continue - felizmente - sem conseguir passar da mínima expressão, sabe que é isso que se faz. Mas são tão grunhos que nem isso sabem fazer. Nem sabem apertar a máscara, que acaba por cair de imediato. Sem noção do ridículo... 


O PNR criou perfis falsos de inventados militantes negros do Bloco de Esquerda para tentar justificar a sua utilidade política. Não se quis dar a grande trabalho, e utilizou a fotografia que tinha mais à mão, que por acaso era do cantor angolano C4 Pedro. E acabou por não conseguir mais que demonstrar a sua inutilidade, já que a sua falta de inteligência, essa, há muito que está provada. 


Não, não é necessário!


 


 

domingo, 7 de abril de 2019

Há coisas que não fazem sentido. E não, não é este meio campo!


 


O jogo que levava o número 7 na contagem decrescente do campeonato, a primeira das finais que agora eram sete, estava aprontado para Vila da Feira, com o Benfica a defrontar o último classificado, e recordista de jogos sem ganhar na História do campeonato nacional.


Ninguém admitia que essas duas circunstâncias negativas que marcam a situação do Feirense se traduzissem em facilidades. Até porque ainda há bem pouco tempo, há menos de um mês, por lá tinha passado o Porto e, neste inevitável jogo de espelhos, vimos o que lá se passou, e como foi sofrida, discutida e discutível a tangencial (2-1) vitória portista. Esta era mesmo mais uma final, e não há finais fáceis.


Sem Gabriel, Bruno Lage tinha sérios problemas no meio campo para resolver. No plantel não há outro jogador com aquelas características de dínamo da equipa. Quem recupere bolas, e pense e distribua o jogo, em tão pouco espaço de tempo. E, sem Rafa, o Benfica perdia o seu principal desequilibrador, e o mais explosivo dos seus alas. A primeira curiosidade para o jogo era mesmo a de perceber como resolveria o treinador do Benfica essa contrariedade.


Entendeu montar o seu 4x4x2 com quatro centro-campistas puros - Pizzi, Florentino, Samaris e ... Taarabt - pois claro -, e sem alas. Com um plantel inflacionado de extremos, Bruno Lage apresentava uma equipa sem ninguém especializado na exploração das faixas laterais.    


 Com esta opção o Benfica ocupava, na mesma, o campo em toda a sua largura e nem se pode dizer que se limitava a procurar jogo interior mas, faltando velocidade e variedade ao jogo exterior, o seu futebol começou a ficar demasiado previsível e rapidamente o Feirense começou a sentir-se confortável a defender, e passou a ser mais agressivo na disputa da bola e mais ousado a sair para o contra-ataque. 


Na primeira vez que chegou à baliza de Odysseas, passavam apenas 10 minutos de jogo, o Feirense marcou, como tantas vezes tem acontecido, quase sempre com maus resultados. O Benfica partiu atrás do prejuízo, mas nem tudo saía bem. Antes pelo contrário, e aos 20 minutos a bola voltava a entrar na baliza do Benfica, num lance que também não é propriamente novidade, a partir de um livre lateral.


Valeu a posição do árbitro assistente, e a confirmação do fora de jogo pelo VAR. A partir deste lance o Benfica percebeu que tinha de pôr mais intensidade no jogo, acelerou mais e as oportunidades começaram a surgir. Até que, aos 36 minutos, quando parecia que estaríamos perante mais um penalti que ficaria por assinalar a favor do Benfica, na circunstância sobre Pizzi, o VAR interveio e alertou o árbitro João Pinheiro para ir visualizar as imagens, e ver claramente o que toda a gente tinha visto. Creio que é a primeira vez que o VAR vale ao Benfica, dando a oportunidade de Pizzi empatar o jogo.


A equipa continuou a confirmar o crescendo da sua exibição. Pouco depois do golo do empate João Félix introduziu a bola na baliza do Feirense, na sequência de uma vistosa jogada de transição ofensiva. Anulado, também bem, mesmo que este fosse mais fácil de escrutinar. E virou o resultado ainda antes do intervalo, com o segundo golo, por André Almeida, a surgir mesmo em cima do apito para o descanso, deixando a reacção do Feirense para a segunda parte.


Que no entanto arrancou praticamente com o terceiro golo do Benfica, numa excelente execução de Seferovic, pouco afectado por não ter tido direito a noite de núpcias (parabéns, e felicidades para o casamento), a aproveitar um problema de comunicação na defesa do Feirense. A partir daí percebeu-se que o jogo pouco mais teria para dar que mais golos do Benfica.


A equipa passou a gerir o jogo e só por um curto período de tempo, durante cinco a dez minutos por volta do meio da segunda parte, depois de desperdiçadas algumas oportunidades para dilatar o resultado, deixou de ser verdadeiramente dominadora no controlo do jogo. 


Sem alas - Cervi entraria apenas aos 81 minutos, para substituir o milagre Taarabt - a faixa esquerda foi toda de Grimaldo, que só à sua conta criou três ou quatro situações de golo feito. Na última, ao minuto 89, colocou na cabeça de Seferovic o bis, e o quarto, que fixaria mais uma goleada.


Faltam agora seis finais. Parece-me que é caso para dizer que é pena que, dessas seis, apenas duas sejam fora. É que parece claro que a equipa se sente melhor fora que na Luz. O que se calhar não admira, porque também parece que o apoio do público é bem mais vibrante por esses campos, por este país fora, que na Catedral. 


E isso não faz sentido nenhum!


 

sábado, 6 de abril de 2019

Ventos de Norte*

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Quando pensamos em direitos, liberdades e garantias, educação cívica ou boas práticas sociais, lembramo-nos do norte da Europa, e em particular da Escandinávia. É de lá que há muito nos habituamos a receber boas notícias, basta lembrar que a Suécia foi o primeiro país a dizer ao mundo, na década de 70 do século passado, que bater não é educar. Nem na escola, nem em casa. E para que isso ficasse claro, as palmadas ficaram desde então criminalizadas no seu Código Penal.


Desta vez a novidade vem da Dinamarca, com um pacote legislativo que acabou de entrar em vigor, mais precisamente no passado dia 1 de Abril, que integra no complexo processual do divórcio um curso de “cooperação após o divórcio”. Que cada elemento do casal, com filhos até aos 18 anos de idade, fica obrigado a frequentar, presumo que com aproveitamento.


O curso aborda a vida em separado, mas foca-se em especial nas situações de maior potencial de frustração, para as crianças, e de conflitualidade, para os pais. Como a organização das férias, dos aniversários ou até dos passeios escolares...    


Dado que a separação dos pais não é um exclusivo de casais casados, também os pais não casados podem aceder gratuitamente ao programa. Só que, nesse caso, já não há como obriga-los. Terão que ser os próprios a solicitá-lo.


Por cá, ainda com a violência familiar na ordem do dia, dificilmente sentimos a saudável brisa destes ventos frescos do norte.


 


* A minha crónica de ontem na Cister FM

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A "sorte" de António Costa

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Há a ideia que António Costa é um político experimentado, calejado, talentoso e dotado de grande sagacidade política. A tudo isto muita gente acrescentava ainda que era um político com sorte.


Não contesto nenhum dos atributos que lhe são creditados, e que lhe conferem inegável habilidade para a política. Não me parece é que seja um tipo com sorte, embora me pareça que se julga um tipo com sorte.


E é aí que as coisas se complicam porque, em vez de estar alerta para os azares que podem sempre estar à espreita, relaxa. Torna-se quase negligente mesmo.


Ou, então, sorte, é mesmo coisa que não lhe assiste.


Bem nos lembramos como tudo lhe corria tão bem há dois anos, e como andava eufórico com a diminuição do desemprego, o crescimento, a visita do Papa Francisco, e até a eurofestivaleira vitória do Salvador Sobral. De repente, vem Junho, tudo desata a arder e tudo lhe desaba em cima... Nem quis acreditar, não estava preparado para uma coisa daquelas. Ficou surpreendido, e isso só lhe aumentou os danos. Até porque, três meses depois, tudo voltou a arder. E como um mal nunca vem só, aconteceu ainda Tancos. 


Dois anos depois, já com as eleições à porta, tudo voltava a correr bem. Bons resultados económicos, mesmo apesar da desaceleração, desemprego em mínimos, e... défice em quase zero. Já ninguém se lembrava dos incêndios, nem de Tancos, e as sondagens animavam. Não apontariam para a maioria absoluta, mas davam para ganhar por muitos.


De repente, à falta de melhor, Paulo Rangel lembra-se de uma coisa que ainda não tinha lembrado a ninguém - que no governo, empossado por Cavaco Silva lá vão quase quatro anos, uma ministra é mulher de um ministro, e outra é filha de outro.


António Costa sentiu vontade de rir. O caso não seria para menos: "mas quem é que pega numa coisas destas" - pensou. Não está toda a gente farta de saber que são marido e mulher e pai e filha? 


Não teve sorte. E não tinha estado alerta!


Realmente o tema não tinha por onde se pegar, mas estava aí. E para que não saísse daí, nada melhor que pôr Carlos César a falar dele. Cavaco, quem menos autoridade tinha para isso, deu-lhe gás, mesmo enterrando-se até ao pescoço. E os jornalistas, sabendo que dali não saía nada, mas que era por ali, foram procurar onde realmente havia que procurar - nos inesgotáveis tachos preparados para alimentar a rapaziada que se espalham pelos gabinetes e assessorias de S.Bento ao Terreiro do Paço.


Aí, encontraram uma verdadeira mina. Tem sido um fartote, com tudo em família... E António Costa, sem fazer ideia de como travar a avalanche que lhe está a cair em cima, vê a vida a andar para trás. É que, agora, nada importa que todos os governos anteriores, tenham feito igual. Ou que Cavaco tenha até feito pior.


Talvez agora se convença que não tem sorte. Mas convém que não se esqueça que a sorte dá sempre trabalho. Raramente cai do céu.


 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Carimbos para o Jamor


 


Um Benfica muito na linha do que vem sendo nos últimos jogos, perdulário na finalização, menos incisivo na pressão, e menos eficaz no passe, entregou a final da Taça ao Sporting.


Não creio que se possa dizer que o Benfica tenha jogado para o 0-0, mesmo que a certa altura tenha parecido que sim. Aconteceu apenas que o Benfica já não está no nível de forma, frescura e confiança que alardeou nos dois primeiros  meses do ano ... e de Bruno Lage. E que, portanto, as coisas não saem da mesma maneira.


A entrada no jogo foi francamente má. Aqueles cinco minutos inicais foram preocupantes mas, depois, o Benfica passou a mandar no jogo, e foi sempre melhor em toda a primeira parte. Mesmo que sempre longe daquele padrão de qualidade a que, pelos vistos, vamos ter que nos desabituar, o que a primeira parte teve de pior foi, para além daqueles cinco minutos de entrada, a lesão (que parece grave) de Gabriel. Que, para além da falta que irá fazer nos próximos jogos, fez muita falta neste. O meio campo do Benfica ressentiu-se muito da sua ausência, mesmo que o Gedson, que o substituiu, até não tenha jogado mal. Só que as dinâmicas são outras, e Gedson, mesmo sem jogar mal, não entra nelas.


Na segunda parte, à medida que o tempo ia correndo, percebeu-se que, tendo chegado ali vivo, o Sporting acreditou que, mesmo não sendo melhor, podia chegar ao golo que valesse o Jamor. E acabou por chegar, num bom golo de Bruno Fernandes (quem mais?) mas todo ele cheio de ofertas dos jogadores do Benfica. E tantas foram. E tantos  foram!


Já ninguém se lembra do jogo da primeira mão, o que não admira. Já lá vão dois meses. Mas acabou por ser o resultado mentiroso desse jogo, nos bons velhos tempos, com aquele golo no livre do Bruno Fernandes no fim, a ditar o apuramento do Sporting.


Valha que este carimbo para o Jamor vai limpo. Não é como o do outro finalista, no auge da pouca vergonha em se tornou o futebol em  Portugal. Seja em que competição for, com que árbitro for, e quem quer que esteja no VAR, a cada jogo os escândalos crescem em progressão geométrica. Ontem, quando o Paulinho fez o golo do Braga, aos 41 minutos, já o árbitro e o VAR tinham tinham impedido os bracarenses de virar a eliminatória, deixando por assinalar dois penaltis contra o Porto, aos 10 minutos (Militão) e aos 38 (Manafá), e anulando (o VAR) um golo limpo do Braga aos 14 minutos. 

Ignorância e alarvidade

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Depois da visita a Trump, Bolsonaro foi a Israel espalhar ignorância, botar alarvidade e dar uma mão a Netanyahu na campanha eleitoral, à medida dos favores que lhe quis pagar. O último foi dizer que não tem dúvidas o nazismo foi um movimento de esquerda: “Não há dúvida. Partido Socialista… Como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha”.


Teria sido mais um grande jeito a Netanyahu, que já não tinha como articular o horror do holocausto com os horrores da sua governação. A partir de agora, e graças a esse grande vulto da civilização mundial chamado Jair Bolsonaro, Netanyahu não teria por onde sentir qualquer constrangimento...


Teria sido... Mas não é!

terça-feira, 2 de abril de 2019

Dialéctica eleitoralista


 


A entrada em vigor dos novos passes sociais, uma medida que colhe unanimidade e que só faz roer de inveja quem não a tomou  - daí tanta gente a chegar-se à frente para assumir a sua paternidade - , pode até não ter sido uma medida eleitoralista, mas tem muita dificuldade em disfarçar. Do  que ninguém tem dúvidas é que resulta. E quase como o eucalipto, secando tudo à volta.


De tal forma que permitiu até a António Costa associar ao passe único um roteiro gastronómico, e  dizer que não vai baixar os impostos. O que levou logo Rui Rio a dizer que não os iria subir, elevando a dialéctica eleitoralista à lógica da batata. 


 

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Dia das mentiras - da "peta" ao deplorável!

Capa Jornal de Notícias


 


É tradição que os media, no dia das mentiras, preguem a sua petazita. Sempre foi assim, e ainda se não falava em fake news. Eram brincadeiras de 1º de Abril, inócuas, topavam-se à distância, e no dia seguinte eram desmentidas, sem terem feito mal nenhum a ninguém.


Voltaram hoje a ver-se nas páginas dos jornais. Mas não é o caso da capa do JN de hoje... Deplorável!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...