segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Impressionante

Por Eduardo Louro


 


Mais do que o fim dos dinossauros, e a derrota expressiva dos seus mais mediáticos representantes. Mais do que a derrota de Menezes e a vitória de Rui Moreira, no Porto, mais que a vitória do PSD (de Rui Rio, Miguel Veiga ou Paulo Rangel) sobre o PSD de Passos Coelho e da sua turma. Mais que a derrota dos aparelhos partidários, em Sintra, em Matosinhos ou em Braga. Mais que a derrota da política do vale tudo, em Gaia. Mais do que a vitória da CDU e a restauração do poder autárquico comunista. Mais do que a vitória do PS, comemorada por Seguro em ambiente pouco menos que fúnebre. Mais que a vitória de António Costa, que é mais que a vitória em Lisboa, e mais que a expectativa do que irá fazer com ela. Mais que a derrota do Bloco, incapaz de sobreviver à geração que lhe deu vida. Mais que a derrota de Jardim, e a confirmação do fim do dinossáurio jardinismo na Madeira…


Mais que tudo isso, impressiona que a vitória eleitoral para uma Câmara, e logo num município que está no topo dos índices de desenvolvimento humano no nosso país, tenha sido comemorada à porta de um estabelecimento prisional. Não menos do que tudo isso impressiona que, com tudo isto a fervilhar nas televisões, as audiências fossem lideradas pela estreia de mais uma casa dos segredos


 

domingo, 29 de setembro de 2013

Que se lixem as eleições - parte II

Por Eduardo Louro


 


 


Pedro Passos Coelho reconheceu que o partido que lidera - e que juntamente com o país conduz para o abismo - sofreu uma das piores derrotas da sua história.


Recusou, no entanto, qualquer leitura nacional dos resultados destas autárquicas e reafirmou o caminho que tem vindo a seguir. Se não for de todo compreensível - se calhar é este o verdadeiro significado do célebre "que se lixem as eleições"- é pelo menos aceitável que o faça. Nem todos têm capacidade de perceber o pântano!


O que não é de todo aceitável é que Passos Coelho diga, como disse, que os resultados eleitorais de hoje também têm a ver com a aposta do PSD em “candidaturas que não cederam ao populismo, e com os pés assentes na terra”. Poderia não deixar de passar de anedota, da anedota desta noite eleitoral. Mas dei por mim a chamar-lhe aldrabão... E a lembrar-me de Sócrates: está a ficar igualzinho!


 

Um domingo de ouro

Por Eduardo Louro


 


 


A culminar uma época brilhante Rui Costa sagrou-se hoje campeão mundial de estrada, em ciclismo, competição realizada na região italiana da Toscana, com chegada a Florença. O pódio completou-se com Joaquim Rodriguez, que o ciclista português venceu sobre a meta, e Alejandro Valverde, até aqui colega de Rui Costa na Movistar.


Portugal tem, pela primeira vez, um campeão do mundo de ciclismo!


Ao contrário do que é habitual nas provas do campeonato do mundo de estrada, provas habitualmente desenhadas para roladores, esta era uma corrida destinada a seleccionar os melhores – como o próprio pódio confirma - com muita e variada montanha nos seus mais de 200 quilómetros. Um aprova para fazer jus ao título de campeão do mundo!


Foi, para Rui Costa, a cereja no topo do bolo, depois da vitória na Volta à Suíça e da brilhante Volta à França, com vitória em duas etapas, que fazem deste o ano de ouro do ciclismo português. Também Rodriguez e Valverde confirmaram, com a sua presença no pódio, a excelente época que fizeram.


Como se esperava o alemão Tony Martin venceu ontem a prova de contra-relógio, revalidando o seu título de campeão mundial da especialidade pela terceira vez consecutiva. Nos restantes lugares do pódio ficaram o brtânico Bradley Wiggins) e o suíço Fabian Cancellara. 


Depois do tenista João Sousa se ter hoje tornado hoje no primeiro português a vencer um troféu do ATP, ganhando o torneio de Kuala Lumpur, bem se pode dizer que este foi um domingo de ouro para o desporto nacional!

sábado, 28 de setembro de 2013

A coisa ... e tanta coisa

Por Eduardo Louro


 


É certo que voltou a haver erros de arbitragem. Que, no golo do Belenenses, um jogador em fora de jogo posicional interveio (para Jorge Jesus interviu) no desenrolar da jogada, movimentou-se no sentido de disputar a bola. Que o Cardozo voltou a ser agarrado dentro da área, e impedido de disputar uma bola com o guarda-redes, e que isso é penalti. Tão certo como tudo isso é que nem o Artur defenderia a bola se o jogador do Belenenses lá não estivesse à sua frente, nem o Cardozo chegaria alguma vez à bola que foi impedido de disputar. Mas isso não muda nada!


É verdade que é quando as equipas não estão a jogar nada – como acontece com o Benfica e com o Porto – que os erros de arbitragem são mais decisivos. A jogar de acordo com o potencial que tem, o Benfica tem a obrigação de ganhar mesmo se prejudicado pela arbitragem. Enquanto lá não chegar tudo conta, e a verdade é que o Benfica hoje não ganhou um jogo que, sem esses erros, ganharia. Como o Porto ontem ganhou um jogo que, sem o erro que existiu, não ganharia.


É verdade que a coisa existe. Anda aí, está tão viva quanto sempre esteve ao longo das três últimas décadas!


Dito isto há no entanto que dizer que, do melhor plantel dos últimos 30 anos, o Benfica não consegue fazer uma equipa que jogue futebol. Jorge Jesus apenas se cruzou com o êxito no primeiro destes quatro anos que já leva de Benfica, mas em todos os outros conseguiu que a equipa apresentasse bom futebol. Muito bom, do melhor que por cá se tinha visto, no primeiro ano, mas também muito bom em boa parte das duas épocas seguintes. Isto é unanimemente reconhecido: não deu grandes resultados – é certo – mas percebia-se porquê. Por deficiente gestão do plantel - pela utilização com pouco critério dos jogadores, deixando que se esgotassem até ficarem nas lonas – e por óbvias limitações na gestão motivacional da equipa. Claro que a coisa, sempre que necessário, também fez das suas!


Falar do futebol do Benfica de Jorge Jesus, era falar de transições rápidas, de avalanche ofensiva, de rolo compressor, tão frenético que muitas vezes provocava tantos desequilíbrios na própria equipa quanto na adversária. Era a tal nota artística, a expressão que ele próprio introduziu no léxico do futebolês!


Neste quarto ano tudo isso desapareceu, e hoje a equipa não consegue acertar três passes seguidos, não engata uma transição, não ganha um duelo e não consegue partir para cima do adversário. Jogadores de grande classe parecem que não sabem jogar à bola. O Markovic, que começou por encantar, que rasgava pelo centro do campo e só parava na baliza adversária, acabou por desaprecer,agarrado à linha. O Matic, o 8 que Jesus reclama ter transformado num dos melhores 6 do mundo, já não é nem 8 nem 6. Até o Enzo, que da linha veio para o meio, para agora regressar à linha, e mesmo aí carregar a equipa às costas, acabou por desistir…


Tudo isto era previsível. Tudo isto estava à frente do olhos… Sabia-se o que tinha falhado, conheciam-se os pontos fortes e os fracos. Tinha dado para perceber que aqueles pontos fortes não eram suficientes para ganhar. E que, quando já nada há para subir, só resta descer. Não era o fundo, aquilo que em Maio se viu no Jamor. Ali penas se via que já não havia nada para subir...


O que antes era difícil é, agora, depois de Guimarães - que não é a causa de coisa nenhuma, mas a consequência de muita coisa -, impossível de esconder. E não adianta continuar a procurar tapar o sol com a peneira!


 


 

...Cantam as nossas almas...

Por Eduardo Louro


 


Até há bem pouco tempo o FC Porto tinha sido fundado em 2 de Agosto de 1906, por José Monteiro da Costa. De acordo com a História oficial do clube de décadas e décadas, teria agora a bonita idade de 107 anos!


Entretanto, em 1988, acrescentaram-lhe 13 anos e uma estória. A estória de um cavalheiro apaixonado pelo beautiful game e, admite-se, por uma beautiful lady, que teria fundado um clube em 1893, justamente no dia 28 de Setembro, dia do 30º aniversário de El Rei D. Carlos. Porém, António Nicolau de Almeida - assim se chamava o dito cavalheiro e assim narra a estória – se bem o fundou melhor o abandonou, e rapidamente partiu para Inglaterra atrás das suas duas paixões que, ao que se conta, não eram lá muito compatíveis. Abandonado, consta que o clube morreu sem que mais alguém dele se lembrasse!


Até que, já depois da proeza de Madjer em Viena, em pleno reinado de glória de Pinto da Costa, alguém se lembrou de o ressuscitar para acrescentar mais 13 anos, e mais estórias, ao FCP. Nome que, diz-se para melhor temperar a estória, foi sugerido, lá de Inglaterra, pelo próprio António Nicolau de Almeida ao estudante José Monteiro da Costa, que de lá vinha.


Não importa se são 107 ou 120 anos, se a data a festejar seria 2 de Agosto ou 28 de Setembro. Até acho que 2 de Agosto não tem jeito nenhum, está tudo de férias – tenho uma filha que nasceu por esses dias e bem me lembro do que isso a irritava, nunca tinha os amigos para festejar – e que o 28 de Setembro é outra coisa. É uma data com um lugarzinho na História de Portugal - não é particularmente brilhante, mas está lá – e até já é tempo de campeonato a aquecer.


Por isso hoje é dia de festa, e há almas que cantam… A festa começou ontem, e bem. Para que nada falhasse lá estava o convidado especial para todas as festas - aquele que nunca falha, que nunca vira costas, que nunca diz que não - com a inevitável e preciosa prenda!


Sabia-se que assim seria. A coisa não está para brincadeiras e os trunfos são para se jogar quando é preciso!


Entretanto estão lançados mais uns episódios de suspense. Se o país já aguardava com grande expectativa pela tal participação à UEFA, agora a expectativa aumenta a aguardar que o Paulo Fonseca veja o lance da prenda de Pedro Proença. Ou que alguém explique o que é que aconteceu a uns jogadores do Guimarães que ainda no domingo jogaram com o Benfica...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Justiça e Justiça, Polícia e Polícia, Cidadãos e Cidadãos...

Por Eduardo Louro


 


É notícia que a Polícia não tem conseguido notificar Oliveira e Costa para ser ouvido em Tribunal, no processo – não, não é sobre o BPN, ninguém faz ideia de quando a Justiça trate disso – que envolve seu amigo e colega (de partido, de parlamento, de governo e de actividades criminosas e vigarice) Duarte Lima.


Foi também notícia esta semana a notificação de Jorge Jesus, o treinador do Benfica que no final da tarde de domingo, no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, passou por aquilo que é público e do conhecimento geral.


Era fácil encontrar e notificar o treinador do Benfica: poderia estar em casa, poderia estar a trabalhar, no Estádio da Luz ou no Seixal, ou poderia estar de folga, ainda em casa ou noutro sítio qualquer. Era fácil, mas ainda assim poderia ter de ser procurado em vários locais diferentes: menos de 48 horas depois estava notificado!


Se era, como foi, fácil encontrar e notificar Jorge Jesus - que, mesmo assim, se declarou enganado pela Polícia, que a Polícia lhe passou uma rasteira - mais fácil seria encontrar e notificar Oliveira e Costa. Deveria estar na prisão, mas não está. Estando em casa, deveria ter o dispositivo de pulseira electrónica, mas não tem. Está apenas sujeito a termo de residência e de identidade, e bem podia já ter fugido para onde bem lhe apetecesse, como de resto se receava.


Mas não. Não fugiu, estava em casa. Mas não era notificado e foi preciso que a notícia andasse pelos jornais para que surgissem os seus advogados a falar de mal entendidos, e a disponibilizarem-se para contactarem com o tribunal para facilitar o agendamento do depoimento.


Há notificações e notificações, há Justiça e Justiça e há Polícia e Polícia. O que faz com que haja cidadãos e cidadãos…


Até nos lembramos de, há uns tempos, uma Polícia ter notificado o cidadão presidente do FC Porto para passar uma certa noite em Vigo. E valeu a pena, como se sabe!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Fora de rota

Por Eduardo Louro


 


 


Um barão é isto. O barão nasceu e cresceu no regaço do cavaquismo e reproduziu-se no aconchego do bloco central dos interesses, no centrão, no núcleo do regime.


O barão tem um percurso natural: do governo para a vida. Parte do governo – onde a prepara - para chegar à vida, ao conforto de uma vida institucional e empresarial cheia e preenchida. É um percurso de um só sentido, sem retorno: uma vez lá chegados, não mais regressam…


A escolha de Rui Machete para o governo foi um dos grandes absurdos de Passos Coelho. Por todas as razões, mas também por esta - pelo regresso contra-natura, fora de rota!


Por isso nunca mais saiu das primeiras páginas dos jornais. Por isso nunca mais de lá sairá, na espiral de “incorrecções factuais” e “erros involuntários” que fazem “a podridão dos hábitos políticos”!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Negro, como o preconceito!

Por Eduardo Louro


 


Está a decorrer em Angola o campeonato do mundo de hóquei em patins. Os jogos da selecção nacional, que procura recuperar o título há muito perdido, estão a ser transmitidos no canal 2 da RTP.


Há muito que, também para mim, esta modalidade perdeu o encanto e o interesse. E digo também para mim porque a verdade é que é cada vez menor o interesse que desperta, mesmo nas poucas regiões do mundo onde ainda tem expressão. As pessoas e as instituições que têm por dever preocupar-se com isso vão lhe introduzindo regras novas, com o objectivo, de melhorar o espectáculo e a competição e, assim, reverter o clima de perda em que o hóquei em patins há muito entrou. E novas configurações que tornem a modalidade telegénica, capaz de captar os interesses das televisões, que hoje sustentam todas as grandes competições desportivas.


Estes têm sido objectivos sucessivamente falhados, deve dizer-se. Não há muito a fazer quando uma modalidade não tem expressão global, e o hóquei em patins passou ao lado da globalização. Perdeu a beleza estética que os portugueses lhe emprestaram, em particular nas décadas de 60 e 70 do século passado e, com isso, a dimensão de espectáculo capaz de agradar aos olhos do espectador. E perdeu dimensão competitiva, se é que se possa falar de competitividade numa modalidade que em toda a sua história tem cinco campeões do mundo, três dos quais, pode dizer-se, contingenciais: a Inglaterra, que apenas ganhou os dois primeiros, nos longínquos anos de 1936 e 39, e a Itália (1953,86,88 e 97) e a Argentina (1978,84,95 e 97) por quatro vezes cada. Espanha e Portugal - que já não ganha há 10 anos e que neste século apenas ganhou por uma vez (2003, em Oliveira de Azeméis) – com 15 campeonatos do mundo cada, somam 30: praticamente 80% dos títulos!


Também por isso não é modalidade olímpica, embora já lá tivesse passado como modalidade de exibição, em 1992 – Barcelona, como não podia deixar de ser, e onde Portugal ficou fora das medalhas (Argentina, Espanha e Itália). E por isso um campeonato do mundo de hóquei em patins não tem, nem de perto nem de longe, nada que ver com uma qualquer grande competição mundial. E que, evidentemente, está a nos luz do futebol onde um Campeonato do Mundo, como do Brasil do próximo ano, é um acontecimento mundial que mobiliza milhões de pessoas por toda a parte.


Mas não foi para falar de hoquei em patins, nem de campeonatos do mundo, que iniciei este texto. Isso acabou por vir a talho de foice, porque, dizia eu, os jogos da selecção nacional estão a ser transmitidos na RTP2. Que ontem jogava precisamente com a selecção anftriã, num jogo que prometia  - em causa estava justamente o apuramento da selecção angolana para os quartos de final - e que me obrigou a uma irresistível espreitadela. O relato estava a cargo do Paulo Catarro, agora correspondente em Angola da estação pública de televisão, que, como se a transmissão não fosse a cores, entendeu dar-nos os pormenores dos equipamentos das duas selecções: "a selecção nacional apresenta-se com o seu equipamento alternativo, de meias e calções azuis e camisola branca" (cores recuperadas das décadas douradas de 60 e 70) e "a selecção angolana com o seu equipamento habitual de camisola vermelha e calção negro".


Nunca na minha vida, tratando-se de equipamentos, tinha ouvido falar de calções negros. Sempre ouvi falar de calções pretos e, para mim, os calções se são pretos, são pretos, não são negros. As calças, se são pretas, são pretas. Não são negras.


Fiquei a saber que, para este correspondente da RTP em Angola, os calções são negros. Como o preconceito...


Ah! A selecção nacional ganhou por 5-1 e a de Angola ficou fora do seu mundial!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A máquina e os pormenores

Por Eduardo Louro


 


Ninguém tem dúvidas da capacidade da máquina portista. Está sempre de motores aquecidos, em alto regime, prontos a arrancar a alta rotação em qualquer emergência. Estamos habituados a vê-la responder com a eficácia de um potente motor de alta cilindrada e maior potência e binário!


Mas está a perder qualidades. Provavelmente, de tanto ganhar, relaxou!


Percebeu-se isso logo no descuido do Paulo Fonseca. Descuidou-se e a coisa saiu mal, como sucede com aqueles carros que aceleram, aceleram, roncando imponência por todas as saídas de escape e depois, logo que cai o verde, oops…Engasgam. Sai pífia!


Ainda meio surpreendida meio envergonhada por esta pífia, a máquina logo quis remediar o fracasso e dar novo sinal de pujança e imponência. Num ápice uniu numa só voz todos os comentadores espalhados pelos quatro cantos do mundo do espectáculo da bola falada: o tal tipo da Associação de Futebol de Lisboa (AFL) é um energúmeno racista, como se provava pela sua página do facebook, logo disponível, on line, nos seus telemóveis!


A coisa até que poderia ter pernas para andar. Sem mais, sem outros pormenores, aqueles telemóveis apontados às câmaras, até poderiam ser capazes de levar as pessoas a crer naquilo que eles queriam que fosse visto. É aí que o motor engasga outra vez: levado pelo excesso de entusiasmo – há sempre um pouco de Jesus por trás do mais frio maquinista – um deles consegue dizer que, no festejo de punho cerrado do golo estorilista, o homem da AFL enfiou um caseiro no olho do Adelino Caldeira, sentado na fila de trás.


E pronto. Estragou tudo… Naquele momento toda a gente percebeu que era mais fácil forjar uma página de facebook do que transformar um punho cerrado de comemoração de um golo num gancho (in)directo de mais de 180 graus!


Depois disto, tudo o resto são meros pormenores. É um pormenor que estes súbitos paladinos do fair play, da moral e da ética protegessem da denúncia pública, durante mais de dois anos, um energúmeno e um racista destes. É um pormenor que estivessem à espera de mais este episódio para, de repente, se lembrarem que há uma queixa para apresentar à UEFA. Onde, consta, a sua fama já vem de longe!


 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A comédia da bola

Por Eduardo Louro


 


Perdidos os primeiros pontos na primeira dificuldade de um calendário que mais pareceu escolhido a dedo do que por bolinhas da sorte, perdido o conforto da sucessão de vitórias que um calendário à medida prometia garantir, fosse lá como fosse, como se vira em Setúbal e em Felgueiras, Paulo Fonseca apressou-se vir a palco desempenhar o papel que lhe tinha sido distribuído. 


Percebeu-se que ninguém contava que fosse tão cedo chamado àquele papel. O desempenho em palco acabou por deixar à vista que os ensaios estavam atrasados, que nem o texto estava ainda bem estudado. A interpretação ressentiu-se e a mensagem passou mal, com grande dificuldade.


Valeu-lhe a ajuda da comunicação social, que não se limitou a emitir uma boa crítica. Encarregou-se ela própria de fazer passar a mensagem. Direitinha, fluente, sem hesitações nem tempos mortos…


Mesmo que não esclarecesse a atabalhoada confusão com os três campos. O primeiro e o segundo tinham ficado claros: Alvalade, onde o Sporting se deixou superiorizar pelo Rio Ave, não teve oportunidade de marcar em fora de jogo e viu o árbitro negar-lhe um penalti. E Amoreira, onde o Porto continuou a jogar pouco, viu uma mão de Otamendi - que já não devia estar em campo desde o início do jogo, por ter derrubado um jogador do Estoril que seguia isolado para a baliza de Helton -,  fora da área, transformada num penalti. Mas, e o terceiro?


Em Guimarães não era certamente, porque aí voltou a ser mais do mesmo: um penalti daqueles universais – e não é por ser do tamanho do mundo, é por sê-lo em qualquer parte do universo onde se jogue à bola -, outro daqueles que, se a favor da sua equipa ou contra a do autor das preces, são sempre marcados, e dois foras de jogo mal assinalados, com Enzo Peres na cara do guarda-redes da casa. Em Arouca também não: aí prosseguiu a série de penaltis que os árbitros vêm perdoando ao Braga. Que pé ante pé, penalti aqui penalti ali, já está no segundo lugar, a um único pontinho…


Pois é Paulo, a mensagem passou, mas não ficou bem na fotografia. Não saiu bem e não foi bonito de ver. E já que lhe exigem esse papel, o melhor mesmo é acelerar os ensaios…


Mesmo assim, com horas extras nos ensaios, veja lá se consegue arranjar um bocadinho para visitar na prisão um colega de profissão que, ao que diz, lhe ensinou alguma coisa.


É que já não há dúvida nenhuma, o Jesus vai preso. Só não ficou logo preso porque a polícia teve medo!


Talvez se encontre lá com o Caldeira. Com o Pinto da Costa é que não... aproveitaria logo para o contratar!


Uma comédia, estas coisas da bola cá do burgo!

Era hoje. Precisamente hoje!

Por Eduardo Louro


 


Era hoje. Era para hoje, 23 de Setembro de 2013, que Vítor Gaspar tinha agendado o regresso aos mercados.


O processo de ajustamento, um ano antes do fim do programa da troika, estaria concluído e Portugal regressaria hoje aos mercados… A certeza era tanta que até dava para fixar um dia. Exactamente, com toda a precisão!


Não sei se tinha alguma coisa a ver com as eleições na Alemanha. Se seria a homenagem que Vítor Gaspar quereria prestar à senhora Merkel. Sei – sabemos – que este 23 de Setembro dá para Merkel festejar. Os alemães adoram-na, deram-lhe 41,5% dos votos, mesmo que lhe tenham deixado nas mãos a batata quente de formar governo sem a sua habitual bengala, os liberais do FDP. E que, por cá, em vez de regresso aos mercados, se fala de novo resgate. E que lá por fora Portugal não é mais o bom aluno, mas o problema maior do euro

domingo, 22 de setembro de 2013

Ganhar em três campos é caso de polícia

Por Eduardo Louro


 


Do jogo que o Benfica ganhou hoje, em Guimarães, ficarão os 3 pontos da vitória, a aproximação aos rivais,  e o comportamento do Jorge Jesus no final do jogo.


Mas deveria ficar mais!


Do jogo jogado deveria ficar uma partida extraordinariamente disputada, de uma rara intensidade competitiva. Raríssima mesmo, noutros jogos que não os do Benfica!


E fica um jogo sofrido e pouco bem jogado. Se o Benfica vinha de uma série de jogos em que as boas exibições individuais não tinham correspondência no desempenho colectivo, geralmente fraco, desta vez salvou-se o trabalho, que não a qualidade, do colectivo. As individualidades não apareceram, muito por força da tal intensidade que levou o jogo para uma dimensão física que, percebeu-se, não é a praia das individualidades benfiquistas.


Como fica mais um penalti claríssimo por assinalar, que certamente não fará qualquer primeira página dos jornais de amanhã. E o golo da vitória, que muita gente parece não ter gostado que tivesse sido marcado pelo Cardozo. Foi auto-golo, dizem… Ou chouriço, disse o Rui Vitória…


Depois - e depois do jogo - não se percebe, e foi essa a ideia com que fiquei, por que é que os jogadores deixaram camisolas na relva em vez de as atirarem, como é comum, aos adeptos. Para as bancadas. Alguns dos adeptos foram lá buscá-las – foram buscar as camisolas e não comemorar o que quer que fosse, é essa, repito, a ideia com que fiquei – e não o podiam fazer. Aos stewards e à polícia cabia impedi-los, como seria de esperar. O que não seria de esperar era a reacção de Jorge Jesus em defesa de um deles, capturado. Embora se possa perceber!


O que já não percebe é o que disseram os repórteres e comentadores da Antena 1, que viram o treinador do Benfica a agredir polícias e logo previram as correspondentes fortes sanções, estabelecendo logo ali um paralelo com o que se passara no túnel da Luz, há quatro anos atrás.


O que o treinador do Benfica fez é caricato e ridículo, só mesmo daquela personagem. Percebe-se por ser quem é, alguém que perde a cabeça com facilidade, mas também pela necessidade de (re)conquistar o coração dos adeptos, mas não o dignifica. Nem a ele nem ao Benfica!


Mas já não se percebe que não se tenha defendido – deve ter guardado a defesa para o Tribunal onde, ao que aprece, o assunto vai parar - que não tenha lavado a imagem, quando questionado sobre o incidente na conferência de imprensa. Não se percebe que não tenha percebido, nem ele nem ninguém do Benfica, que era bem melhor explicar-se que dizer aos jornalistas que não estavam ali para falar disso. E menos se percebe ainda que tenha achado boa a arbitragem. Que, depois de na antevisão do jogo ter referido - e bem – que os adversários andavam a ser ajudados e omitido – mal – que o Benfica andava a ser prejudicado, tenha achado boa uma arbitragem que lhe negara um penalti escandaloso, é sinal de completa desorientação. Se calhar a mesma que o levou a fazer mais aquela figura…


Logo numa jornada em que o Sporting - dos golos em fora de jogo e dos penaltis perdoados - tinha o primeiro prejuízo (penalti por assinalar) nas primeiras páginas dos jornais e o Porto – que ia ganhando sem jogar nada – continuando sem nada jogar, empatava no Estoril, prejudicado, ao contrário do que sempre sucede, com um penalti mal assinalado. Mas com Otamendi, que deveria ter sido expulso logo no arranque do jogo!


Mas pronto, quando o Benfica ganha em três campos dá logo em caso de polícia!

Notas e vistas do campo (IX) - Perigosos comunistas

Convidado: Luís Fialho de Almeida




Esclareço que, nas minhas relações pessoais, tenho a grata simpatia por alguns comunistas que o são de espirito, vivência e entrega ao serviço da comunidade que integram. Quando no exercício de cargos públicos a dedicação é total, com desapego de privilégios e mordomias. Poderia citar nomes, particularmente no poder autárquico.


O título é uma evocação do passado, para perceber melhor o presente. É recuar aos anos da ditadura do Estado Novo, quando se vivia o clima de repulsa doentia pelo comunismo. Este era o terror dos terrores, a principal ameaça à estabilidade política, social e religiosa da altura.


Das minhas memórias e notas de campo, recordo o período do meado do século passado, quando crescia num meio rural desprovido de infraestruturas públicas. Qualquer benefício para a comunidade local era mendigado junto das autoridades concelhias, que apenas libertavam escassas migalhas, normalmente em géneros ou serviços e nunca em dinheiro. Na falta da estrada, como meio necessário à circulação de pessoas e bens, da escola e da igreja, como símbolos da pátria e meios necessários na instrução e educação moral da população, era esta que se mobilizava porque nada lhes era oferecido. Uns davam a mão-de-obra, outros colaboravam na obtenção dos materiais e, por fim, a Câmara Municipal enviava alguns meios complementares.


Recordo, também, o dia que minha mãe - na sequência de diligências a favor da comunidade da aldeia - chegou a casa perturbada depois de uma conversa com padre da freguesia, que lhe chamou “perigosa comunista”, dadas as iniciativas por ela tomadas e pelo seu poder de mobilizar as pessoas. O seu comportamento abalava a estabilidade do caciquismo local, mais feroz que o caciquismo do poder central, o que não a impediu de escrever a Salazar e ao Cardeal Patriarca Cerejeira, os quais, através das respectivas hierarquias, enviaram, respectivamente, materiais para obras e um projecto para uma igreja.


Esta lembrança vem a propósito de mais uma frenética campanha eleitoral para as autárquicas, em tempo bem diverso de outrora, em que se promete muito e se faz pouco, contando sempre com acesso fácil à mesa do orçamento e com a gestão criativa dos recursos públicos de forma irresponsável ou mesmo dolosa.


Como o acesso ao dinheiro fácil amolece virtudes, alguns autarcas - viciados em obras de fachada e sem capacidade de iniciativa para outras realizações, mesmo de natureza imaterial, cultural e formativa - ficam-se pelas reparações de estradas ou pelo arranjo de pequenos espaços ajardinados. Cuidam, antes, da outra estética do poder, materializada em outdoors com candidatos de sorriso renovado, sem gravata, e mangas arregaçadas, preparados para a laboriosa e nobre tarefa de serviço público. Um dos candidatos à presidência do meu município e actual deputado da Assembleia da Republica, arregaçou as mangas mas cruzou os braços - louvo a franqueza. A estética do poder não é indiferente ao eleitorado. Veja-se na Alemanha, a atenção prestada às mãos de Merkel e ao dedo de Peer Steinbruk.


No actual quadro de austeridade com autarquias exauridas de recursos financeiros, mas não de dívidas e corrupção, melhor seria que houvesse os “perigosos comunistas” com a capacidade de agitar as comunidades locais, mobilizando pessoas, vontades, competências e recursos para benefício público.


 


 





O menino bonito da imprensa

Por Eduardo Louro


                             Record   Correio da Manhã  Diário de Notícias  A Bola


 


Já aqui tinha referido que os media andam com o Sporting ao colo, não querem que lhe falte nada. Tem sido assim esta época, e nada teria de mal se, paralelamente, não se esforçassem para afundar outros. Mas enfim, também já aqui estranhei que ninguém dissesse que o Porto não anda a jogar nada...


Repare-se que enquanto o Sporting andou a marcar golos em fora de jogo que lhe renderam pelo menos 3 dos seus 11 pontos (quase 30%) não se passou nada. Quando ao Sporting foram perdoados penaltis estava tudo bem… Mas ontem, quando o próprio Leonardo Jardim disse achar hipocrisia falar da arbitragem e achou o resultado justo – e bem percebemos que não estava convencido disso, ou não tivesse o Nuno Espírito Santo recordado o seu critério de avaliação, quando disse que a única variável estatística em que o Sporting superou o Rio Ave foi nas faltas cometidas – toda a imprensa traz para a primeira página um penalti por assinalar a favor do Sporting.


Não há dúvida, o Sporting é o novo menino bonito!


 

sábado, 21 de setembro de 2013

Alguém deu pela partida do Verão?

Por Eduardo Louro


 


 


O calendário deu hoje ordem de retirada ao Verão, que não obedeceu e fez questão de se deixar ficar. Olhou para o equinócio, virou-se para o outro lado, aconchegou-se ainda melhor e esboçou um sorriso trocista ... Troçava de todos os que ainda há bem pouco tempo o negaram que nem  Pedro a negar Cristo!


Então este não havia Verão, não era?


 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Em contra-mão

Por Eduardo Louro


 


Enquanto o PSD anda a correr à volta da mesa a tentar agarrar o próprio rabo, com o tipo que saiu do governo para ir para o partido às turras, por causa do FMI, com o tipo que saiu do partido para ir para o governo – quer dizer, o PSD do governo a não se entende muito bem com o PSD das autárquicas - o CDS fala a uma só voz: a de Portas. Nem que seja para, em pleno comício eleitoral das autárquicas, dizer que já saímos do fundo, que já só falta saber a que velocidade se está a fazer a descolagem.


Percebe-se que há um PSD para governar e outro para disputar as autárquicas. E que só há um CDS - não chega para tudo - que, mesmo assim, só quer falar de governação. 


Pois: Quem só tem um cavalo não pode apostar em dois. Tem que apostar no que tem, mesmo que vá em contra-mão!


 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dá para acreditar num país assim?

Por Eduardo Louro


 


Não sei se já repararam como tudo mudou depois das férias. Não sei se já repararam como "acabou o Verão e voltamos à realidade".


Antes era a economia que tinha crescido no segundo trimestre, era a economia a dar completamente a volta. Era o novo ciclo. Era Passos, pelo segundo ano consecutivo, na festa do Pontal, a decretar a vitória final sobre a crise, seguro (seguro - estão a ver!) do êxito da sua brilhante governação. Mal compreendida, mas inequivocamente eficaz...  Até o desemprego já estava a cair, e Passos já roçava a arrogância a anunciar tantos sucessos!


Era Pires de Lima na pele ministro da economia maravilha, o novo IRC de Lobo Xavier que fazia milagres e Portas a falar grosso com a troika...


Bastou uma semana para tudo isto desaparecer, bastou uma semana para parecer que mudamos de país. Numa única semana, nesta, que nem sequer ainda chegou ao fim, a Standard & Poor´s ameaça de corte o rating, que já classificara em lixo, e fala da iminência de um segundo resgate, o país está às voltas com a troika - a quem Cavaco pede bom senso - para rever a meta do défice,  e até Ramalho Eanes diz que o país está sem saída. As más notícias sucedem-se, umas atrás das outras. O FMI diz-nos que fomos cobaias e que a experiência correu mal, que correu mal o que Passos ainda há duas semanas se vangloriava de ter corrido bem.


Tudo isto apesar do barulho ensurdecedor da campanha eleitoral. Agora imagine-se no que aí virá depois do fim do mês...


Será que dá para entender este país? 


Não dá, mas não é esta resposta que me preocupa. Preocupa-me é a resposta se mudarmos a pergunta: Será que dá para acreditar num país assim?

Como de experiências com ratos...

Por Eduardo Louro


 


Como de experiências com ratos... Como também diz o genial Ferreira Fernandes!


E pronto, lá tenho eu que me lembrar outra vez de Rui Machete...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

GENTE EXTRAORDINÁRIA XL

Por Eduardo Louro


 


 


Acabo de tomar conhecimento da reacção do ministro dos negócios estrangeiros ao relatório do FMI que recomendava calma na austeridade, aqui referido, e fiquei maravilhado. Eu, convencido que eles estavam a gozar connosco…


Disse ele, Rui Machete:



  • "Não esperar alterações muito significativas na discussão das medidas concretas a serem adoptadas";

  • Que "a situação tem uma dinâmica interessante, mas que ainda não se traduziram no terreno as considerações 'filosóficas' veiculadas pelos organismos superiores do FMI";

  • "O que é uma situação normal. Os organismos levam algum tempo a mudar e, portanto, nós esperamos acabar o período de vigência do memorando de entendimento antes que essa discussão termine, senão levaria muito mais tempo a ser realidade".


Afinal, pensei eu, Rui Machete estava a vingar-nos e a gozar com eles, sem dó nem piedade.


Inquietei-me logo a seguir: não estaria, também ele, a gozar connosco?


E tranquilizei-me, imediatamente depois: nada disso, coitado. É da idade!


 

Como eles gozam com a gente...

Por Eduardo Louro


 


Não há dúvida. Esta gente gosta mesmo de brincar connosco!


De vez em quando saem-se com umas destas, mas tudo fica sempre na mesma. Porque tudo está a correr pelo melhor, como diz Herr Schauble, que fala disto como de experiências com ratos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Abertas as portas da Champions

Por Eduardo Louro


 Benfica da Champions tem mais encanto


 


O Estádio da Luz abriu hoje as portas da Champions - que só fechará em Maio do próximo ano, quando o pano cair - para que o Benfica recebesse o Anderlecht, no primeiro jogo da fase inicial da competição.


Na Champions é sempre importante ganhar, mas ganhar o primeiro jogo é-o ainda mais. Era por isso muito importante que o Benfica ganhasse este primeiro jogo, mas era-o ainda mais por ser em casa e frente ao adversário que, nas contas da UEFA –, porque saíra do pote 4 - seria o mais fraco do grupo. Se a tudo isto juntarmos o estado de saúde da equipa nesta fase inicial da época ficará tudo dito: o Benfica tinha obrigatoriamente de ganhar este jogo!


E ganhou, com dois golos na primeira parte: um logo no início, corria o minuto quatro, a deixar a ideia que tudo iria correr bem, e outro a meio, numa bela execução do Luizão, que de tosco não tem nada, como há muito se sabe e como ainda no sábado confirmara, com aquele calcanhar a tirar a bola da baliza e a negar o golo ao Paços de Ferreira.


Mas foi isso: ganhou. O que, sendo fundamental, não é tudo!


Se a primeira parte, com aquele ritmo e aquela pressão que deixou a equipa belga – que vinha de peito cheio, a perceber por algumas declarações à imprensa – atordoada, provavelmente o que de melhor o Benfica fez até aqui, já a segunda deixa motivos para alguma apreensão. Especialmente porque deixou à vista a dificuldade da equipa em controlar o jogo. Sem bola não é possível mandar no jogo - sem mandar no jogo não se consegue controlá-lo -, e o Benfica não consegue ter bola. Viu-se com o Paços de Ferreira, que dividiu a posse (50%) de bola, e voltou a ver-se hoje: o Anderlecht teve mais bola porque o Benfica perdia-a com facilidade. Por falta da confiança que só os resultados trazem, e que afinal também este irá ajudar a trazer!


Às boas exibições individuais que se vão já vendo – é curioso que, numa avaliação individual, todos os jogadores estiveram hoje a bom nível, e alguns a muito bom nível, como Fejsa, por exemplo – falta entrosamento e faltam os equilíbrios colectivos. E há ainda, para além da reconhecida capacidade dos jogadores deste plantel, outros indicadores positivos. A equipa que hoje entrou em campo era muito diferente da que entrara no último jogo do campeonato, o que significa rotação de jogadores e, isso sim, gestão do plantel. A utilização dos mesmos jogadores em funções diferentes, como sucedeu com o Enzo, o Matic e o Maxi, é outra boa notícia. Mesmo quando não resultou em pleno, como foi o caso do Maxi quando entrou pouco depois da hora de jogo… 


E pela primeira vez a equipa não sofreu golos. Espera-se agora que, abertas as portas da Champions, se abram as das boas exibições. E se fechem - às sete trancas - as da baliza de Artur!

A teimosia dos factos

Por Eduardo Louro


 


 


Quando parecia que a tempestade dos swaps teria já passado e que Maria Luís Albuquerque - mais trapalhada menos trapalhada, mais mentira menos mentira, mais omissão menos omissão – poderia agora dormir um bocadinho melhor, surge Almerindo Marques na comissão parlamentar de inquérito a garantir que a Estradas de Portugal, antes de fazer o seu swap, pediu  parecer ao Instituto de Gestão do Crédito Público. E que esse parecer não só foi positivo como vinha justamente assinado por Maria Luís Albuquerque.


Já todos há muito sabíamos que a ministra das finanças estava metida nesta estória dos swaps até às orelhas. Que mentira descaradamente no Parlamento e que, para a proteger, o governo a nomeara juíz em causa própria. Que até arquivos foram destruídos...


O que não imaginávamos era que os factos resistissem tanto. E que teimassem em não deixar esquecer aquilo que toda a gente quer que se esqueça!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Regime de convergência de pensões

Por Eduardo Louro


 


O governo especilaizou-se em eufemismos. Na semana passada lançou mais um corte nas pensões dos reformados da função pública, cortando a eito tudo o que vá para lá dos seiscentos euros, e chamou-lhe regime de convergência de pensões. 


Há expressões que, mesmo não passando de autênticas fraudes, acabam por se entranhar, e esta é uma delas. Trata-se de um corte abusivo, imoral e inaceitável nas pensões da Caixa Geral de Aposentações, e não de nenhum regime de convergência nenhuma, como o próprio Marcelo Rebelo de Sousa reconhecia ontem, no seu habitual comentário televisivo dos domingos.


Dizia ele que se “a ideia é aproximar os trabalhadores públicos dos privados” então “não me convence porque ninguém me explica porquê”. Mas que havia uma explicação que o poderia convencer: é que, nos cofres da Caixa Geral de Aposentações, entram 4 mil milhões de euros por ano e saem 9 mil milhões. E concluía que, assim, não sendo o sistema sustentável, o governo teria que deixar de falar em convergência.


Nem mais: não há aqui nenhuma questão convergência dos sistemas de pensões no sector público com o do privado – essa é a estafada fórmula do governo de pôr portugueses contra portugueses – mas sim uma questão de sustentabilidade.


Mas há mais. Não basta deixar de lado este eufemismo mentiroso, é preciso explicar este problema de sustentabilidade, e isso Marcelo não quis fazer. É que a Caixa Geral de Aposentações foi obrigada a incorporar os fundos de pensões - com que todos os últimos governos, incluindo o actual, mascararam os défices, logo desde Manuela Ferreira Leite, no governo de Durão Barroso – dos CTT, da PT e da Banca.


Pois, da Caixa Geral de Aposentações saem todas estas pensões. E por conta delas não entra nada: entrou como receita extraordinária para as contas dos governos de Barroso, Santana Lopes, Sócrates e Passos. Entrou e desapareceu, para tapar défices, com a devida autorização da UE… como irá ter de voltar a acontecer!


Já não há é mais fundos de pensões…


É por isso que, sendo um corte abusivo, é imoral e inaceitável. E uma fraude chamar-lhe regime de convergência!

sábado, 14 de setembro de 2013

Vuelta 2013

Por Eduardo Louro


 


 


Acabou a Vuelta 2013, agora é só chegar a Madrid. As três últimas etapas por terras – altos e baixos – asturianas apenas confirmaram a espectacularidade da Vuelta!


Tinha aqui dito à chegada do último dia de descanso, depois do Pirenéus, que as coisas se decidiriam entre os quatro - Nibali, Horner, Valverde e Rodriguez. Um deles seria o vencedor; um deles ficaria fora do pódio!


Fora do pódio ficou Joaquim Rodriguez - El Purito - não conseguindo no seu país repetir o que acabara de fazer em França. A confirmar a enorme dificuldade de estar no topo em duas - nas três é impossível - das grandes comeptições de três semanas. No último lugar do pódio ficou Valverde, que não lograra em França, apesar de excelente desempenho no Tour. A confirmar também o menor favoritismo que aqui lhes atribuíra, justamente pelo Tour que lhes pesava nas pernas.


A decisão da vitória ficou - e bem - entregue a Nibali e a Horner. E foi simplesmente espectacular!


Nibali foi resistindo ao longo das montanhas mas sempre em perda. O que ganhara no contra-relógio deu-lhe para gerir a liderança. Até certo ponto, até anteontem!


A primeira das três últimas e decisivas etapas, na chegada a Peña Cabarga, reduziu-lhe a vantagem para apenas 3 segundos. No dia seguinte, na chegada ao Alto Naranco, onde José Mendes chegou a dar a ideia de poder ganhar, chegando isolado ao último quilómetro, Horner atacou e ganhou 6 segundos, revertendo para si exactamente a mesma vantagem.


Ontem, na última, na mítica chegada ao Angliru, Nibali atacou, como não podia deixar de ser. Por duas vezes esteve na condição de virtual vencedor, por duas vezes o velho (42 anos e careca de sexagenário) Horner, cujo director desportivo é o nosso José Azevedo, respondeu. Foram os dois por ali acima, deixando para trás os dois espanhóis com que sempre conviveram na frente, e, quando parecia que a Nibali, com melhor ponta final, bastariam as bonificações na meta para ganhar, o americano quis deixar bem claro o que toda a gente já percebra: que era o melhor desta Vuelta!


Foi embora e ganhou. Espectacular!


Brilhantes os dois portugueses nesta terceira semana, sempre na frente naquelas subidas de arrepiar.

Um jogo de regressos

Por Eduardo Louro


 Benfica da eficácia deixa Paços sem pontos


 


Regressou o campeonato, e com ele regressou o Benfica à Luz para, desta vez, defrontar o Paços de Ferreira, também de regresso … ao boné. Aquele boné que mesmo sem publicidade já dera sinal de vida no último jogo, em Felgueiras. Agora regressou completo, já com publicidade!


Já que o boné foi enfiado e me levou ao último jogo do Paços, tenho de começar por dizer que o Paços dividiu o jogo, como se diz em futebolês. E que o Gregory foi rijo como compete a um central, a confirmar a excelente capacidade física que já denotara justamente nesse jogo, quando resistiu facilmente ao empurrão do Jackson, firme e hirto, sem cair. O avançado do Porto, depois do empurrão, ficou livre para cabecear para o golo que valeu os três pontos, mas a verdade é que não conseguiu derrubar o defesa pacense. Que, orgulhoso da sua resistência, nem sequer reclamou do empurrão!


O Benfica não defrontava apenas uma equipa que ainda não tinha conquistado qualquer ponto. O Paços não tinha ainda sequer marcado um golo, o que trazia logo mais um aliciante para a partida, porque o Benfica ainda não conseguira passar um jogo sem que a bola lhe beijasse as redes. Um dos dois teria que interromper a série, negativa, evidentemente.


Foi o Benfica, claro… e perceberam-se bem os efeitos da doença que por ali tem andado. Meia dúzia de jogadas de verdadeira classe, entre elas as dos três golos, já deram para fazer a festa. Magnífica a do primeiro, logo na madrugada do jogo, que bem ajudou. Notável o canto do terceiro, a responder de imediato ao golo do Paços – um buraco enorme e inadmissível no centro da defesa - que reabria o jogo,  e digna de um compêndio a do segundo, a merecerem festa em dobrado: pela beleza e pelo brilho, mas pelo regresso das jogadas estudadas ou de laboratório, que faziam parte da marca registada de Jesus. Há muito que a equipa não tirava nada das dezenas de livres e cantos de cada jogo!


Mas também as duas estreias na equipa deram para animar. Siqueira, que se estreou logo como titular – porque, e apenas porque, como Jesus garantiu no final, Cortez está lesionado – deixou muito boas indicações. Saiu lesionado – são lesões a mais – como ainda bem cedo saíra Ruben Amorim, permitindo a estreia de Fejsa, que correu igualmente bem.


E sabe-se como é importante que as estreias corram bem: é que não há segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão!


Percebeu-se que a equipa está em convalescença e percebeu-se que os adeptos percebem isso, e que tudo fazem para evitar a recaída. As lesões são preocupantes, e afastam da equipa gente importante. Mas o plantel tem soluções para contornar essas dificuldades: hoje as alas foram entregues a Enzo Perez - um regresso, melhor, dois regressos: ao lugar e às boas exibições - e a Markovic - o novo mago da Luz - quando ambos disputam aquela posição atrás dos pontas de lança, bem no centro. 


Um jogo de regressos. Até do regresso de Cardozo à titularidade. E da confiança, esperemos...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Porquê?

Por Eduardo Louro


 


Um conjunto de figuras públicas, complementado – de forma que me não parece inocente - por uns jovens desconhecidos começou a surgir-nos nos ecrãs de televisão a avisarem-nos que “querem matar uma instituição com mais de dois séculos de História”. Depois interrogam-se (interrogam-nos): porquê?


A “instituição com mais de dois séculos de História” é o Colégio Militar. E a ameaça de morte é a admissão de meninas. Das meninas de Odivelas, exactamente!


Com a extinção do Instituto de Odivelas, igualmente uma escola do exército, mas feminina, as alunas foram transferidas – a ver vamos se integradas – para o Colégio Militar, coisa que levou o pavor à nobre, fidalga e marialva associação de ex-alunos daquela instituição centenária. E que me trouxe a mim enormes surpresas.


Desde logo a de alguém ver um mal naquilo que é um bem. Eu, que ainda sou do tempo da rígida separação de turmas masculinas e femininas, fico parvo de surpresa ao saber que, hoje, nestes dias que todos vivemos, uma escola masculina morre por se abrir a raparigas. Como é que aquilo que para mim seria uma bênção dos deuses é para esta gente um instrumento de morte?


Depois, a surpresa de ainda me não ter apercebido de nenhuma reacção feminista. Activistas que todos conhecemos, e em particular na blogosfera, estão surpreendentemente caladas. Reacções institucionais, que eu saiba, nada…


Bom, não conheço aqueles rapazes que aparecem a disfarçar aquele quadro de figuras públicas. Admito que sejam dos mais puros marialvas. Também não conheço o Luís Esparteiro se não das telenovelas que não vejo - o que não me impede de saber que é o que faz na vida - mas reconheço-lhe até um certo ar de marialva… Também não são os generais que por lá passam a surpreederem-me.


Mas se o marialva Adriano Moreira me surpreende, para o marialva José Fanha não encontro palavras. Dizer que me surpreende é pouco. E que me intriga não chega!


Porquê?

Acabou o Verão. Voltemos à realidade!

Por Eduardo Louro


 


Admito que já nem todos se lembrem, mas o grande objectivo do governo e a bandeira de Vítor Gaspar, o regresso aos mercados, estava marcado para 23 de Setembro. Bem sei que não é na próxima segunda feira, é na outra!


Falta uma semana, e em vez de vermos os mercados a fervilhar de expectativa à nossa espera, ansiosos por nos receberem de braços abertos, vemo-los de costas viradas, lá muito longe, afastados como há muito não víamos. É exactamente isso que quer dizer a taxa de juro já bem acima dos 7% nos mercados secundários, ao nível do pior de 2011, quando o resgate era inevitável!


Quer isto dizer que, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela máquina de propaganda ao serviço do governo, o país não recuperou confiança nenhuma. Os credores não acreditam que Portugal possa alguma vez pagar o que deve, e não há regresso nenhum aos mercados. Nem na data marcada por Passos e Gaspar nem em qualquer outra!


Porque, como sempre se disse, o programa da troika não batia certo e, no que batia, não foi executado. Veja-se a paradigmática reforma do Estado: absolutamente indispensável (reforma administrativa, reforma da justiça, desburocratização, eliminação de serviços duplicados e triplicados, reforma da administração local, reforma do sistema eleitoral, etc.) foi transformada numa mal amanhada junção de umas freguesias e no corte cego funcionários públicos.


E, por isso, como Vítor Gaspar enunciou sem rodeios na sua carta de demissão que quis tornar pública, tudo falhou.


Os objectivos de controlo do défice falharam sucessivamente, como irão continuar a falhar. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque andaram toda a semana, em Bruxelas e em Washington, a tentar convencer a troika a mais uma flexibilização (de 4 para 4,5%). Sem êxito, ao que parece, mas também sem convicção, com a ministra das finanças já hoje a garantir que a meta estabelecida é para cumprir, que não há pedido nenhum de flexibilização, em conformidade com o seu chefe natural e em confrontação aberta com o chefe que lhe foi imposto. Bonito!


A dívida, que a máquina de propaganda do governo diz ser para pagar e estar a ser paga, não parou de subir e já passa dos 130% do PIB. Impagável, como toda a gente sabe. Se antes se falava da renegociação da dívida como condição sine qua non para o sucesso da recuperação económica e financeira do país, hoje já não há economista sério que não tenha que dizer que sem perdão de dívida, sem hair cut, não há recuperação possível.


É por isto que ninguém já acredita no chamado programa de ajustamento.  Mas, para Maria Luís Albuquerque, não é por nada disto. 


É pelo Tribunal Constitucional. Exactamente em conformidade com o seu chefe natural e, mais uma vez, em confrontação com o chefe imposto!


Dramático. Por cá ninguém põe ordem nisto: não há oposição, Seguro é cada vez mais uma anedota e Cavaco auto mutilou-se. E a União Europeia continua congelada pelo frio do norte, imobilizada, como se nada percebesse do que se está a passar, como se voltou a ver hoje na reunião do eurogrupo. Ou irresponsavelmente na lua, na pessoa do seu suposto responsável máximo...


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...