segunda-feira, 31 de julho de 2023

Há 10 anos

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O Ministério da Finanças vai ter de mudar o nome para Mi(ni)stério dos Swaps.


A ministra agora já diz que o secretário de estado do governo anterior, que antes não tinha dito nem passado nada, afinal não lhe apresentou foi solução nenhuma. E o novo secretário de estado - Joaquim Pais Jorge, que justamente a substituiu quando ela subiu a ministra - afinal ainda quis impingir mais uns swaps marados ao governo anterior, para esconder umas coisas...


Vamos ver se percebo. Quando rebentou esta estória o governo correu com os secretários de estado que tinham responsabilidades na coisa. Todos, menos esta senhora, que ensinou Economia a Passos, na Lusíada e a quem é entregue a responsabilidade pelo inquérito à coisa. A senhora, enterrada até às orelhas na coisa, é promovida a ministra e ... quem é que convida para o lugar que vai deixar vago?


Um vendedor de swaps, pois claro!


Assim vão as coisas no Mi(ni)stério dos Swaps...

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O governo levou hoje ao Parlamento a moção de confiança que o Presidente lhe ordenou que apresentasse. Que, mais que uma moção, foi um abuso. Um abuso de confiança, e um abuso da nossa paciência!


Um abuso que começou em Cavaco que, ao impor-lha, abusou dos partidos da coligação. Mas também da nossa paciência, no meio de tudo isto o que menos tínhamos era paciência para voltar a ouvir tudo, de uma ponta à outra, o que há pouco mais de uma semana tinha sido dito na discussão da moção de censura.


E que continuou no Parlamento – governo, maioria e oposição – incapaz de dar ao debate o caminho que as circunstâncias exigiam. Abusaram, todos. De tudo e da nossa paciência!


Ao governo competia justificar a moção de confiança, tinha a obrigação de lhe dar substância em vez de a esgotar na forma – tanta mais obrigação quanto se sabia resultar de uma intromissão excessiva do Presidente – e isso teria de ser centrado no anunciado novo ciclo. Competia-lhe transformar a moção de confiança na aprovação do guião político do novo ciclo. Só que o novo ciclo esgota-se no IRC, não tem nem mais uma alínea. E percebemos que tem essa alínea porque a comissão liderada por Lobo Xavier lhe deu vida política na semana passada, logo a seguir à tomada de posse. Não fosse isso e o novo ciclo era um livro completamente em branco.


Era por isso impossível ao governo concretizá-lo em objectivos, políticas e compromissos que se transformassem em objecto de aprovação, que credibilizassem a moção de confiança. Restou à maioria, a quem caberia aprovar o guião do novo ciclo, abusar do ridículo de todas as maiorias, esgotando-se nas mais estúpidas e descabidas questões laudatórias. Que, evidentemente, não questionam coisa nenhuma. Bajulam miseravelmente. E à oposição abusar dos jogos florais da retórica, saltando de (não) assunto para (não) assunto e deixando em paz o novo ciclo!

domingo, 30 de julho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Dois temas atravessam hoje o país. Da mesa do café – ainda há disso? – aos blogues e redes sociais, passando pelos jornais e pelos fóruns radiofónicos, o país fala de Rui Rio e de Maria Luís Albuquerque, de que também ele falou. E de que maneira!


A bem da verdade - coisa que, como quase todos sabem (e os outros tentam que se esqueça), é o problema da senhora – há meses que o tema da agora ministra das finanças não deixa o país. Nem ela deixa que o deixe, como ainda ontem voltou a deixar claro.


É essa, de resto, a única coisa que ela vem deixando clara. Tudo o resto é um imbróglio, que criou, onde se enfiou e se deixou enterrar, já sem salvação possível.


Ontem apenas fez mais do mesmo: continuou a enterrar-se. Mesmo que hoje ainda parte da opinião arregimentada – uma parte cada vez mais pequena, até aí há cada vez menos resistentes – queira dar o assunto por definitivamente esclarecido e encerrado.


Rui Rio, na entrevista de ontem à RTP em que não poupou ninguém, jogou claramente ao ataque, na ideia de que há um vazio para ocupar. E que está à espera que o empurrem para lá.


E, claro, hoje a conversa é entre os que se não poupam a esforços para o atropelar e deitar abaixo, e os que ganham posição para o empurrão bem sucedido.


Aos situacionistas, da(s) máquina(s) de Meneses e Passos, para o bloquear, falta-lhe em argumentos o que lhes sobra em desespero. Aos outros, à esperança messiânica da salvação do partido, ou do que dele ainda reste, soma-se um sebastianismo de valor acrescentado. Por António José Seguro, obviamente!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A Janela vai fechar-se. A janela por onde, todos os dias, Pedro Rolo Duarte olhava o universo dos blogues e das redes sociais, vai fechar-se já amanhã!


As despedidas iniciaram-se hoje e concluem-se, evidentemente, amanhã. É certo que nada é eterno, nem nada podemos dar por adquirido, mas fica já a saudade e um sentimento de perda.


Ao fechar esta Janela a Antena 1 deita borda fora uma boa fatia de serviço público. Estava no ar há seis anos e meio, acompanhando e divulgando a realidade nova da blogosfera e das redes sociais, este novo e fantástico espaço de produção de opinião, com o brilho e o savoir faire que o Pedro sempre coloca naquilo que faz. Era a janela por onde ele espreitava com o seu olhar único, mas também por onde nós nos olhávamos uns aos outros, sempre na expectativa que, de lá, nos pudessemos ver também a nós próprios. E todos, naturalmente, gostávamos de nos ver (de) lá!


Eu gostava. E desfrutei desse prazer em muitas e muitas ocasiões. Maioritariamente aqui, no Quinta Emenda, mas também no 2711 e no Dia de Clássico. Tive até a felicidade de - mal eu o imaginava, ontem - fazer parte da última edição - regular, já que as últimas duas são de despedida - da Janela Indiscreta…


O universo dos blogues e das redes sociais fica a dever muito ao Pedro Rolo Duarte. Pela minha parte: obrigado, Pedro! 

O vendedor com mais para vender

Benfica perde em Roterdão no último teste antes da Supertaça


Se perder não é bom, perder duas vezes consecutivas é mesmo mau. Pior ainda é que, se na primeira derrota houve ares de coisa circunstancial, daqueles jogos que acontece perder, na segunda, hoje em Roterdão, com o Feyonoord, já não foi nada disso.


O Benfica perdeu (1-2) um jogo em que a única coisa positiva foi a expressão do marcador. O Feyenoord foi sempre muito mais competitivo, mais forte e melhor em todos os momentos do jogo.


Até pode haver quem não tenha ficado com esta ideia. Pode haver quem se limite a ver que o campeão dos Países Baixos marcou o primeiro golo muito cedo, numa falha de Aursenes que, a não ter acontecido, não teria marcado. E que o (excelente) golo do mexicano Santiago Gimenez do 2-0, ainda na primeira parte, em fora de jogo que a arbitragem (caseira, caseiríssima) deixou passar, não deveria ter sido validado.


Tudo isso é verdade, mas o jogo não se limitou a isso. O Feyenoord foi sempre táctica e fisicamente superior ao Benfica. Que nunca conseguiu responder aos dados que o adversário lançou para o jogo, nem nunca conseguiu impor os que teria para jogar.


É crónica - e por isso mais preocupante ainda - a dificuldade do Benfica responder à agressividade e à intensidade sempre que os adversários fazem disso a sua principal arma de jogo. E sabe-se como a agressividade nos duelos, e a intensidade colocada no jogo, são o alfa e ómega do futebol actual.


Roger Schemidt voltou a apresentar duas equipas. Do onze inicial, apenas Vlachodimos jogou os 90 minutos. Todos os jogadores de campo mudaram só, que, desta vez, não mudaram logo ao intervalo. 


A onze inicial voltou a ser os dos prioritários, desta vez já com Otamendi. Ninguém esteve individualmente a nível aceitável, e o colectivo ainda menos. Talvez isso evidencie mais o problema central do Benfica nesta altura: Aursenes e Kökçü (homenageado e ovacionado na "Banheira de Roterdão"), por muito que seja a química entre ambos, não conseguem dar estabilidade ao meio campo nestes jogos de duelos e de alta pressão. Podem jogar juntos, a qualidade de cada um é indiscutível, mas não podem formar o par de meio campo. Terão que estar incluídos num trio que conte com um recuperador de bolas nato. Porque Kökçü, por muito que se queira, não é Enzo Fernandez.


Há, claramente, com Kökçü e Aursenes, um equívoco no meio campo do Benfica. Sendo ambos indiscutíveis!


A prova disso é como a equipa funcionou com Florentino e João Neves, não sendo qualquer deles indiscutível. 


Ao contrário de todos os jogos anteriores Roger Schemidt não mudou o onze ao intervalo. E, face ao desacerto colectivo, se calhar até seria neste jogo que isso mais se justificasse. Mas não, fez então as substituições que mais claramente se percebiam como necessárias, tirando do jogo João Mário e Jurasék - os mais menos - para lançar Neres e Ristic (o que é preciso ainda para perceber que é (está) melhor que o checo?) e Otamendi - era o primeiro jogo - para lançar Morato, també, ele em condições de reclamar a titularidade.


O resto das substituições foram ocorrendo ao longo da segunda parte e, a confirmar o fraco rendimento dos titulares, praticamente todos estiveram a melhor nível. Também porque as substituições do adversário funcionaram  ao contrário.


Destas - daquelas, das do Benfica - a surpresa maior foi Tiago Gouveia. Porque não tinha praticamente sido ainda utilizado, e tinha até sido dado como emprestado ao Cadiz, com opção de compra de 10 milhões de euros, e já não contava. E pelo que demonstrou, sendo dele até a assistência para o golo de Musa, que amenizou a derrota.


Não faço ideia do que se tenha passado neste volte-face mas, até pelo que é a realidade na lateral direita, Tiago Gouveia é um jogador a manter no plantel. E a acarinhar. Fosse pelo que fosse, foi bom emendar a mão.


Não foi boa a imagem que o Benfica deixou em Roterdão. De tal forma que, neste encontro entre fornecedor e cliente, ficou a ideia que o vendedor ainda tinha mais para vender, e o comprador mais para comprar.

sábado, 29 de julho de 2023

Há 10 anos

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Primeiro veio o dinamarquês Poul Thomsen, louro e de olhos azuis. Seguiu-se o escurinho Selassie, que também já vai. Para chegar o indiano, também escurinho, Subir Lall.


Quererá isto dizer que o FMI não se entende por cá?


Ou que isto por aqui é tão bom que toda a gente cá quer vir dar uma voltinha? Que lá por Washington fazem fila por um lugarzinho aqui na praia?


Acho que é isso. E que é por isso que o FMI, por mais que ameace e por mais que lhe gritem fora daqui, não arreda pé. Agarrado a isto que nem uma lapa. E há muito…Há tanto tempo que já cá tem lugar cativo. Já não sabem viver sem nós. Nem nós sem eles!

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Há 10 anos

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No Chipre, já está… Os depositantes vão passar a banqueiros. O Banco Central já decidiu que 47,5% dos depósitos no Banco do Chipre - acima dos 100 mil euros - voam directamente para o capital deste que é o maior banco privado cipriota!


Não sei se essa será uma participação qualificada. A participação do banco nos depósitos, essa é qualificada. Garante-lhe até maioria…


Seria bom que alguém se lembrasse que o resto da Europa não é o Chipre. Que isto não é replicável noutro lado, sob pena do estoiro ser total… De não restar pedra sobre pedra!

Tanto futuro sem futuro

Historiando: Salazar morreu há 50 anos


Passam hoje 53 anos sobre a morte de Salazar. Olhamos à volta e é inacreditável como ainda hoje o país continua salazarento


É inacreditável como 53 anos não conseguiram apagar os quase outros tantos em que moldou um país à sua imagem e semelhança ... Medíocre e tacanho. Com tanto futuro sem futuro.

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Há 10 anos

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A viagem do Papa Francisco ao Brasil, no âmbito da  28.ª Jornada Mundial da Juventude, que hoje termina, confirma a popularidade ímpar deste a quem chamam já o Papa do Povo. E reforça-a, tornando-o já, ainda em início de mandato, no mais fascinante de todos os Bispos de Roma.


Há frases que dizem mais do que aquilo que dizem. Quando ditas pelo Papa dizem ainda mais. Quando ditas pelo Papa, e em português…


- “Gostaria de bater a cada porta, beber um copo de água, tomar um cafezinho … mas não um copo de cachaça…” – dita na favela da Varginha, pelo Papa, diz bem mais do que dizem as palavras que a compõem. Diz proximidade, em vez distanciamento. Calor, em vez de frio. Afecto, em vez de indiferença!



Dizer a jovens que “nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança” e que “não fiquem na parte de trás da fila, cheguem-se para a frente … porque são vocês os agentes da construção do futuro” poderia não passar de palavras de circunstância. Ditas pelo Papa Francisco dizem mobilização. Mobilização para a mudança, em vez de conformismo e alheamento!


Este é um papa diferente. Parece-me a mim, que sou laico, um papa que faz falta neste mundo actual, à solta, desregulado e desenfreado!


Curioso é que a próxima Jornada Mundial da Juventude esteja já marcada para Cracóvia, na Polónia. A Cracóvia natal de João Paulo II, outro campeão de popularidade. Mas diferente…

Siga a dança

BCE reúne-se hoje e é esperada nova subida das taxas de juro - SIC Notícias


O Banco Central Europeu anunciou hoje uma nova subida das três taxas de juro directoras em 25 pontos base. 


É a nona subida consecutiva, e fixa as novas taxas nos 4,25%, para as operações de refinanciamento, 4,50% para a cedência de liquidez, e nos 3,75% para os depósitos.


A nova taxa directora de refinanciamento é a mais alta em 15 anos. A de depósitos, a mais alta em 22 anos. A primeira, diz o BCE, para continuar a controlar a inflação. A segunda, não o diz, mas é para responder ao FED, que na véspera voltara a subir as taxas de juro - deixando-as mais de 1 ponto acima, com uma inflação mais de 2 pontos abaixo -, e evitar que o dinheiro passe para o lado de lá do Atlântico.  


Coisa que, por cá, não preocupa muito os bancos, que passam a receber ainda mais pelo dinheiro, por pouco que seja, que captam de borla aos depositantes. Nem os portugueses, sem dinheiro para pagar as prestações dos créditos em que se encharcaram, a pensar que a vida dos empréstimos que contraíram era, toda ela, feita de taxas de juro negativas, quanto mais para aplicar em depósitos.

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Há 10 anos

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Prodígio em Saragoza, onde jogava emprestado, chegou num dos negócios com o Atlético de Madrid em que o Benfica é pródigo. A preço de prodígio – 8,5 milhões – que afinal não era.


Não sendo prodígio logo foi pródigo – o filho pródigo de regresso a Saragoza. Num negócio de prodígio, explicado em 8,6 milhões!


Voltou a filho pródigo - o bom filho que a casa torna - e ei-lo de volta ao Atlético de Madrid. De passagem, com caminho certo para Atenas, para que volte a regressar. A filho pródigo, de mais negócios de prodígio. Porque afinal o negócio de prodígio que o fez pródigo pela primeira vez, era ainda mais que um prodígio de negócio. Tanto que o Benfica ficara ainda com uma parte do passe, decisiva agora em mais um negócio em que são pródigos: não fora isso e outro galo cantaria no negócio de Pizzi. Provavelmente mais um prodígio de negócio!


Quem diria que a história de Roberto se ficaria por umas dúzias de frangos?

Sinéad O'Connor (1966-2023)

Recorde os maiores êxitos de Sinead O'Connor - Cultura - Correio da Manhã


Partiu um génio. Umas vezes incompreendida, outras incompreensível. Mas sempre irreverente. Nothing Compares 2 ... her. Herself!

terça-feira, 25 de julho de 2023

Há 10 anos

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Vai bem a moção de confiança que o governo vai apresentar no Parlamento, para dar o pontapé de saída no novo ciclo.


Divide-se em duas partes. Na primeira faz o elogio do passado, destes dois anos em que tudo correu às mil maravilhas. Sem eles nunca poderíamos ter chegado a este momento único de felicidade e optimismo que abre o país ao novo ciclo. Na segunda fala justamente do novo ciclo, do ciclo de progresso, crescimento e desenvolvimento que o novo governo, desnecessariamente remodelado e revigorado – não se percebe porquê, nem para quê, mexer num governo-maravilha, que tudo o que fez foi bem feito - nos vai trazer nesta segunda parte do seu mandato.


Posso garantir que está aqui “uma certa podridão de hábitos políticos”! E eu não minto

Não é bom perder, mas ...

Benfica derrotado pelo Burnley em Lisboa


E ao quinto jogo (de preparação) o Benfica perdeu. Com o Burnley, da Premiere League, no Restelo. E, também pela primeira vez, não marcou.


Nunca é bom perder, mais a mais quando na época passada se sucederam jogos e meses sem perder. Mas, se perder nunca deveria ser um drama - mas é! -, perder nestes jogos de preparação dá sempre para relativizar. 


Roger Schemidt seguiu à risca as normas que determinou para esta pré-época: um onze na primeira parte, e outro, completamente novo, na segunda. E regressou à norma do da primeira parte ser constituído pelos prioritários, desta vez já com Aursenes e Kökçü, e o da segunda pelos outros.


Só que desta vez a diferença de desempenho do primeiro para o segundo foi bem mais evidente. Tanto que aquela ideia de um plantel profundo, com duas opções de idêntica valia para a maioria das posições, ficou um pouco abalada. Do onze da segunda parte, hoje, não mais que três ou quatro jogadores mostraram poder aspirar a ser opção, e nem sequer regular, para o onze titular. E, à excepção de Ristic, nem esses - Neres, João Neves (a experiência a lateral direito não correu nada bem) e Florentino - estiveram propriamente à altura.


Mas pode ser que tenha sido só um jogo menos conseguido para a maioria dos jogadores escalados para a segunda parte.


Claro que o adversário também conta, e este Burnley, de Vincent Kompany, a antiga estrela belga do Manchester City, mostrou ser uma equipa forte e muito competitiva, como é próprio da Premiere League.


Mas o que nos interessa é o Benfica, e a verdade é que tem equipa mais que suficiente para ganhar a este Burnley. E que poderia perfeitamente ter ganhado. Jogou e criou oportunidades suficientes para isso mas, porque as desperdiçou todas, e porque o (excelente) guarda-redes Muric defendeu tudo, muitas vezes em modo milagre.


A equipa da primeira parte, com os prioritários, lidou bem com a pressão no campo todo da equipa inglesa - a lembrar o que aí vem, já dentro de poucos dias - e conseguiu, com muitos momentos de magia, anular essa pressão e construir belos lances de futebol, e suficientes oportunidades de golo para sair para o intervalo com vantagem de dois ou três golos.


 A da segunda parte até nem lhe ficou atrás no que respeita a criação de oportunidades de golo. No resto sim, ficou bem atrás. Especialmente nas que consentiu, e que acabaram em golo. Nos dois com que os ingleses ganharam o jogo, ambos resultantes de erros graves. O primeiro de erros de muita gente, mas também de processo. O segundo, por um erro inaceitável de Samuel Soares.


Não é bom perder. É mesmo muito mau. Mas se der para tirar conclusões que venham a ser úteis no futuro próximo, dá para relativizar.

Pantominices

Miguel Pinto Luz


Os resultados das eleições gerais em Espanha, com o partido mais votado impossibilitado de formar governo, ao contrário (por maiores que sejam as dificuldades) do segundo em votos, voltaram a agitar (más) consciências em Portugal. 


Toda a gente sabe que numa democracia parlamentar poderá não bastar ser o mais votado para governar. Que, para governar, é preciso uma maioria parlamentar de suporte à solução governativa, seja ela de um partido só, ou de vários.


Admitamos no entanto que nem toda a gente saiba isso. Que há quem ande distraído e entenda que baste um voto a mais que à concorrência para a legitimação democrática de governar.


Admitindo isso, poderíamos aceitar que seria por simples distracção que grande parte da actual cúpula dirigente do PSD vem, agora, reclamar a legitimidade de Feijóo para constituir governo em Espanha. Da mesma forma que há oito anos considerara uma traição à democracia que António Costa tivesse formado governo em Portugal.


Só que, entretanto, e já lá vão três anos, o mesmo PSD formou governo (regional) nos Açores nas mesmíssimas condições - não tendo sido o partido mais votado. O PS obteve então mais de 39% dos votos, e o PSD menos de 34. E cai pela base a tese da distracção.


Os dirigentes do PSD, com o vice-presidente Miguel Pinto Luz à cabeça, não andam distraídos. Fazem-se de distraídos. E isso tem nome - chama-se aldrabice, pantominice e má-fé!


Não são distraídos, mesmo que se façam de distraídos quando se lhes lembra que até a linha vermelha do Chega pisaram quando a janela se lhes abriu. São impostores, pantomineiros e trapaceiros, entre outras adjectivações que os qualificam para o exercício da actividade política em Portugal.

Há 10 anos

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Ainda há pouco pôs o governo debaixo de fogo, com a moda dos currículos selectivos, sempre que em causa esteja o BPN - não se sabe se  Rui Machete, muito a jeito para, também ele, permanecer debaixo de fogo, pagou direitos de autor a Franquelim Alves, é dele que se fala -, e já está de saída. Não havia necessidade!


Ainda ontem entrou aquela gente toda no governo, e já hoje há gente de saída. Não havia necessidade: Pires de Lima, o novo ministro que anunciam como milagreiro, bem podia ter evitado isto, tanto foi o tempo em que foi ministro em stand by... Podia tê-lo logo mandado com o Álvaro, que tanto, mas também tão cinicamente, elogiou à saída da tomada de posse. 


Onde também a Ministra das Finanças teve o seu momento, garantindo nunca ter tido divergências com Paulo Portas. Ela que, entretanto, lá continua a ser frita no lume brando dos swaps. A cada dia a chama aumenta mais um bocadinho: hoje vêm a lume os mails do anterior Director Geral do Tesouro. À cause…


À falta de melhor, a ministra vai dizendo que não mente. Mas já ninguém acredita muito nisso!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O novo governo, na sua primeira reunião em conselho de ministros, tomou a primeira decisão. Claro que a primeira decisão de um novo governo, em novo ciclo, que vai dar a volta a isto, é de alto valor simbólico. E exemplar, porque o governo sabe bem que não há uma segunda oportunidade para criar uma boa primeira impressão!


Vai daí e, a primeira decisão do novo governo, é ... a privatização dos CTT. Impressionante. Surpreendente!


Perguntarão os mais cépticos: e foi só isso? Não fizeram mais nada no primeiro conselho de ministros de Portas?


Respondo: fizeram. Decidiram ainda o texto da moção de confiança...


 

Ganharam todos, mas não está ali um bom negócio.

Por que conservador Partido Popular venceu as eleições na Espanha, mas  ainda é incerto se governará - BBC News Brasil


Nas eleições gerais em Espanha ganharam todos, mesmo que ninguém tivesse  ganhado. 


Bem ... todos, não. O Vox não ganhou, o que foi uma chatice para André Ventura, que foi a correr para Madrid para a festa que saiu furada. Queria aparecer mais uma vez abraçado ao gajo para quem a Espanha inclui Portugal - o que é de patriota, está bem de ver - mas teve de meter a viola no saco.


O PP, agora de Feijóo e daqui a pouco de Isabel Ayuso, ganhou porque foi o mais votado. Foi o mais votado porque esvaziou o Vox, e porque o Ciudadanos se esvaziou a si próprio. Mas não tem como formar governo e, sem chegar ao governo, perdeu.


O PSOE, ganhou porque, sem ter ganhado, se vender a alma ao diabo, poderá  formar governo. E sabe-se como Pedro Sánchez é especialista em negócios que metam alma e diabo. O problema agora poderá ser o diabo, nunca a alma.


E o diabo ficou à solta na Catalunha.


Se o negócio é bom quando ganham todos, estas eleições teriam tido tudo para ser um bom negócio. Mas não foi nada disso. Foi um negócio falhado!


 

domingo, 23 de julho de 2023

Há 10 anos

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À falta de outras políticas, o governo especializou-se na política selectiva de currículos. Pena é que o BPN não desapareça das nossas vidas tão facilmente como desaparece dos currículos!


Não deixa de ser curioso que o governo seja tão determinado em apagar o BPN da nossa memória colectiva como em pagar tudo o que dele reste. Apaga-o dos currículos, mas não das facturas que nos apresenta todos os dias!


Fora isso, ninguém percebe o que é que Rui Machete faz no governo. Menos ainda no Ministério dos Negócios Estrangeiros…


 

Tour 2023 - FIM

Terminou o Tour2023 e agora é mesmo oficial: Vingegaard sagra-se bicampeão ao conquistar 110.ª edição


E pronto, desceu o pano sobre o 110º Tour. Nos Campos Elísios, como habitualmente. Mas como não será para o ano, com Paris por conta dos Jogos Olímpicos.


Na meta, Meeus fechou uns milímetros à frente do compatriota Philipsen, o rei dos sprints, e camisola verde, e do neerlandês Dylan Groenewegen, em terceiro. 


Com o prémio da montanha ontem arrumado, todas as classificações estavam já todas fechadas. No pódio, com Vinguegaard de amarelo, e Pogacar de branco (juventude) ficou Adam Yates. Por lá passaram ainda Philipsen, com a camisola verde (dos pontos) e Giccone, com a das bolinhas vermelhas (da montanha). E todos os colegas de Vingegaard na Jumbo, que ganhou por equipas.


Todos, não. Faltou Van Aert, o mais espectacular deste Tour. São muitas as imagens que dele ficam, porque ele esteve em todo o lado. Uma, no entanto, ficará gravada na memória de todos os que viram. Conta-se rapidamente: subiam-se as montanhas do Monte Branco e Van Aert terminava o seu trabalho na frente. Ficou para trás, e chegou mesmo a parar em cima da bicicleta, acabando amparado por um espectador, e desapareceu das câmaras. Para a frente do grupo passou Raphal Majca, o companheiro de Pogacar para impor o ritmo que colocasse Vingegaard em dificuldades. De repente, vindo não se sabe de onde, Van Aert estava ao seu lado, a voltar a pegar na corrida e a acabar (literalmente) com Majca, deixando Pogacar sem qualquer ajuda.


Faltou Van Aert porque há três dias foi embora, para assistir ao nascimento do seu segundo filho. Como tinha avisado desde o início. 


Espectacular, até nisto!


Espectacular não foi o desempenho dos corredores portugueses. Pelo contrário, foi bem discreto. Rúben Guerreiro foi o que mais deu nas vistas, mas acabou fora da corrida, vítima daquela queda colectiva na 14ª etapa, que provocou a neutralização de meia hora. Nelson Oliveira (53º, a 3 horas e 8 minutos de Vinguegaard) e Rui Costa (67º, com mais 30 minutos) ainda chegaram a integrar uma fuga, mas sempre sem qualquer impacto. Na realidade, só hoje, nas últimas voltas (de 7 quilómetros) aos Campos Elísios, se conseguiu ver o Nelson naquela fuga a três que acabou fracassada já na última volta, à beira do último quilómetro.

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Passos comunicou ao ministro da Economia que não contava com ele para o governo. O Álvaro nem queria acreditar. Nunca tal coisa lhe passara pela cabeça...

sábado, 22 de julho de 2023

Tour 2023 - VI

Tour 2023: Pogacar vence 20ª etapa; Vingegaard a um dia do bi - Bikemagazine


Está tudo decidido neste 110º Tour de France. A penúltima etapa, corrida na Alsácia pelas montanhas dos Vosges, entre Belfort e Le Markstein Fellering, com 133,5 km de montanha, que só não era completamente decisiva porque o mais importante tinha fica arrumado na última quarta-feira no Col de la Loze, decidiu o que faltava decidir. Se amanhã não houver quedas que provoquem desistências - pelo que se tem visto, isso não é garantido; hoje houve mais quedas, uma delas envolveu directamente Carlos Rodriguez, da Ineos (levando-o a perder o quarto lugar para Simon Yates) e Kuss, da Jumbo, o braço direito de Vinguegard (que caiu do oitavo lugar para fora do top 10) - está tudo decidido!


Era montanha atrás de montanha, e tinha duas coisas por garantidas. Por um lado era certa a constituição de uma fuga bem cedo. Porque é sempre assim, e porque havia pontos de montanha para Giccone amealhar bem cedo e garantir a camisola das bolinhas. E, por outro, era certo que, no seu último Tour, o alsaciano Pinot queria brilhar e, se possível, ganhar na sua região.


E acabaram ser estes dois dos pontos altos da etapa. Giccone garantiu o título na antepenúltima montanha, e deixou-se cair do grupo da frente. Ao contrário, e em simultâneo, Pinot saltou do grupo para a frente, onde andou até ao início da última subida. Foi aclamado ao longo de alguns quilómetros e muitos minutos, ganhou o prémio da combatividade, mas não resistiu e acabou no sétimo lugar na meta.


O terceiro, sendo um clássico deste Tour, não deixa de ser um ponto alto da etapa. O ataque de Pogacar na última subida, e a resposta imediata de Vinguegaard, é um clássico. Mas, depois das derrotas no contra-relógio e no Col de la Loze, poucos esperariam que Pogacar tivesse força mental para qualquer espécie de ataque. 


É só por isso um ponto alto da etapa. Mas também porque acabou porque arrumou o que faltava arrumar no top 10. 


Pogacar atacou e Vinguegaard respondeu. Acabaram os dois a medir-se reciprocamente, e a pôr até em causa a vantagem entretanto conquistada sobre todos os outros. Um clássico deste Tour. Foi assim que Carlos Rodriguez ganhou no Monte Branco, faz hoje uma semana.


Valeu-lhes que o primeiro que se lhes juntou foi o austríaco Felix Gall, que ainda pagou a despesa durante uns bons minutos. Até deixar de estar interessado em rebocar tão importantes penduras, e Pogacar passar a estar interessado na chegada ao grupo dos manos Yates, que entretanto tinham deixado Carlos Rodriguez nas covas, entregue às suas mazelas.


Contava que Adam, o seu colega na Emirates, o conduzisse e lançasse na recta da meta. E assim aconteceu. Vinguegaard sabia que iria ser assim, e ainda se lançou no sprint para tentar ganhar a etapa, mas Pogacar não lhe deu hipótese. 


Foi bonito ver na penúltima etapa mais um duelo entre os dois. Não se pensava que Pogacar tivesse ainda disponibilidade mental para estes desafios. Nem bonito, nem feio - mas apenas o que foi - foi que, sempre que ao longo de todo o Tour Pogacar atacou teve resposta à altura de Vinguegaard. Na única vez que foi por ele atacado, não conseguiu responder-lhe. Nisto, nestes duelos, as diferenças andaram pelos segundos. No contra-relógio de terça-feira, cada um por si, um sem o outro, Vinguegaard desferiu o o golpe que deixou Pogacar a cambalear. No dia seguinte não precisou de fazer muito, foi só deixá-lo cair!


Mérito indiscutível nesta segunda vitória consecutiva de Vinguegaard. Quando o segundo fica a 7 minutos e meio, e o terceiro a onze, não sobra nada para discussão!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O mundo, todo o mundo, acabava de ser informado do nascimento do novo príncipe, o filho - varão - de Kate e William.


Enquanto isso éramos também informados, da mesma forma e pela mesma via que, à porta do hospital, se encontrava o carro da rainha que haveria de transportar o mensageiro real de volta ao palácio com o comunicado oficial do nascimento do bebé. Que seria entregue à rainha, que depois informaria o príncipe Carlos, o avô, que depois informaria …


Pode ser que isto faça algum sentido. Bom, fará com toda a certeza, porque a repórter da SIC presente no local, e que nos contou estas coisas todas, acabou de dizer que era assim porque a Kate quis que, no parto, tudo fosse natural…


Então está bem!

Teste perfeito


No segundo e último jogo do Torneio do Algarve - que se iniciou com o minuto de silêncio pela morte de Jacinto, talvez o mais esquecido daquela fantástica equipa dos anos 60 do século passado -, e quarto de preparação para a nova época, com o Celta, de Vigo e agora de Rafa Benitez, que sucedeu a Carlos Carvalhal, Roger Schemidt optou por alterar o que vinha sendo a lógica de constituição dos onzes nos jogos anteriores.


Nesses tinha apresentado na primeira parte uma equipa com os que aqui chamei jogadores prioritários e, na segunda, outra com os outros ... que contam. Ontem, no segundo jogo em dois dias, também mudou a equipa por completo ao intervalo, mas já uma e outra foram mistos das opções anteriores. 


Na primeira parte, Samuel Soares foi o guarda-redes. Na segunda, Vlachodimos. Os laterais foram os prioritários, Bah e Jurásek, com João Vítor (de novo a deixar boa impressão e uma inovação táctica na transição defensiva) e Ristic na segunda parte. As duplas de centrais foram nova, com Tomás Araújo e Morato, ficando Lucas Veríssimo e António Silva, com a novidade de o miúdo jogar na esquerda, para a segunda parte. No meio campo a mistura foi completa, com João Neves, Aursenes, Chiquinho e João Mário e, na frente, Rafa e Gonçalo Ramos, na primeira parte. E, na segunda, com Florentino, Kokçu, Neres e Di Maria, no meio campo, e Musa e Tengstedt na frente.


O adversário constituiu um bom teste. Rafa Benitez nunca consegue apresentar um futebol entusiasmante, nem mesmo quando dispõe de grandes equipas (e daí o seu no Real Madrid), mas é um autêntico mestre a montar as suas equipas. É a partir daí que tem atingido o sucesso, e isso é mais valia clara em equipas da classe média


O Celta que, teoricamente, na Liga Portuguesa estaria pelo nível do Braga, e na disputa de lugares entre o terceiro e o quinto da classificação, confirmou isso. E foi, como dizia, um bom teste, num jogo muito disputado e com poucos espaços.


O Benfica foi sempre melhor, e nunca permitiu ao adversário oportunidades, nem grandes nem pequenas, de ameaça. Mas, na verdade, na primeira parte não construiu mais que uma oportunidade para marcar, num cruzamento de Bah que Gonçalo Ramos não conseguiu desviar para a baliza, aos 27 minutos. Dominou, foi melhor, mas a estratégia de Benitez foi sempre suficiente para anular as melhores intenções dos encarnados, e em especial de Rafa e Gonçalo Ramos.


Na segunda parte foi diferente, mesmo que, nos minutos iniciais, a exemplo do que sucedera na primeira, o Celta tenha entrado a pressionar ainda mais o portador da bola, e a fase de construção do Benfica. Com Di Maria a continuar a brilhar, num reportório inesgotável, a equipa foi tomando conta do jogo e somando oportunidades de golo.


Umas quatro ou cinco, ainda antes do remate de Lucas Veríssimo à trave, já á entrada dos últimos 10 minutos. O primeiro golo surgiria apenas já em cima do minuto 90, num penálti cobrado (com a habitual classe) por Di Maria, a penalizar uma falta sobre Tengstedt, três minutos antes, que o árbitro tinha deixado passar (até nisso, no por(maior) da arbitragem, foi um bom teste), mas o VAR não.


E o segundo logo na reposição de bola em jogo, com Musa a intrometer-se, a ganhar a bola, a correr para a baliza, a suportar a carga do adversário (teria sido - ou não! - novo penálti se se tem deixado cair) e a concluir com classe. Tudo perfeito!


Até a expressão dada ao resultado, assim bem mais próxima do que se passara no campo!

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Terminou em Paris a centésima edição do Tour, com a etapa da consagração a ser ganha – após discutidíssimo sprint, por meia roda – pelo alemão Marcel Kittel, que atingiu a quarta vitória em etapas e se tornou no mais ganhador da competição, seguido de Froome, com três, e de Rui Costa e Cavendish, com duas. Este, vencedor em Paris nos últimos quatro anos e até aqui incontestável rei dos sprints, ficou desta vez em terceiro, e entregou decididamente o trono ao alemão. Outro alemão – Greipel – fez segundo num sprint que juntou os três melhores especialistas da actualidade, qualquer deles ainda uns furos acima do eslovaco Peter Sagan.


A classificação final tinha ficado arrumada na véspera, nas últimas montanhas – desta vez houve alta montanha mesmo até ao último dia, quase até Paris. Em mais uma etapa de grande espectáculo que faria, como aqui se previra, Alberto Contador saltar para fora do pódio, caindo de segundo para quarto na classificação geral. O miúdo colombiano, Quintana, ganhou a etapa – a terceira para a Movistar, depois das duas de Rui Costa – à frente de Joaquim Rodriguez e de Froome, que pela segunda vez se viu batido por estes dois. Se bem que, agora, tenha ficado a ideia de um Froome entre o solidário e o magnânimo, a deixar no ar que entendia que aqueles dois, os únicos que realmente puderam competir com ele, tinham o direito de discutir a vitória naquela última etapa.


Se em Paris os três primeiros lugares foram para os três melhores sprinters, em Annecy Semnoz, na contagem de montanha de categoria especial, no final da mais pequena mas também das mais duras etapas em linha, os três primeiros foram os três melhores trepadores. Com Nairo Quintana a ascender ao segundo lugar da geral, a confirmar naturalmente a sua camisola branca e a conquistar, in extremis, o primeiro lugar do prémio da montanha, que o pobre Pierre Rolland tanto perseguiu.


Mas, nesta edição, com a pontuação a dobrar sempre que a meta coincidia com o final de etapa, o prémio da montanha era realmente para grandes trepadores, e não para sprinters de metas de montanha de segunda, terceira e quarta categorias.


Christopher Froome foi, como se previra, o grande vencedor. Incontestável, o melhor em qualquer terreno, sempre muito bem auxiliado por Richie Port. Eventualmente, se a Sky mantiver o que parece ser uma rotação de liderança, grande favorito para o próximo ano.


Nairo Quintana foi a grande revelação deste Tour. Com 23 anos, chegar ali e fazer tudo o que fez, é fabuloso. Só o alemão Ulrich, em 1996 - que na altura faria esgotar os adjectivos – fez parecido, faltando-lhe contudo o título da montanha!


Joaquim Rodriguez confirmou na última semana o estatuto que trazia, e que fazia com que aqui tivesse sido considerado um dos candidatos ao triunfo final. O traçado da competição era à sua medida, e foi justo que chegasse ao terceiro lugar e ao pódio no último dia, batendo, também ele, Alberto Contador.


Que nada fez para justificar melhor que o quarto lugar, que o seu colega de equipa, o checo Krueziger, bem mais fez por merecer. Subiram ambos ao pódio, tal como o Sérgio Paulinho (nunca saiu da penumbra, apesar do bom contra-relógio de montanha), em Paris porque a sua equipa, a Saxo Thinkov, ganhou colectivamente. Mas tudo indica que o Alberto Contador dificilmente voltará ao que já foi.


Valverde fez o seu melhor Tour de sempre, ficando a ideia, que a simples aritmética confirma, que teria alcançado um lugar no pódio não fosse aquela avaria na maldita etapa treze. Que acabaria por não penalizar tanto a equipa porque, não fosse esse incidente, e nem Quintana – que bem pode agradecer por ter sido o único a escapar ao sacrifício colectivo imposto, nessa ocasião, pela direcção da equipa - nem Rui Costa teriam brilhado como brilharam.


Quando no início aqui apontei os favoritos –  Froome, à frente de todos e, depois, Contador e Rodriguez,- referi ainda Cadel Evans. A grande, a maior decepção, que continua uma sombra do vencedor de há apenas dois anos. Também ele já era!


De Rui Costa já quase tudo foi dito. Irá provavelmente deixar a Movistar para assumir uma posição de primeira figura numa outra equipa de topo. O que fez neste Tour sustenta-lhe a ambição!


Para o ano há mais…

Há 10 anos

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Como aqui escrevi imediatamente a seguir à comunicação do Presidente da República que lançou o desafio do compromisso de salvação nacional, aquilo não podia dar em nada porque nada daquilo funcionava. Era só para a fotografia, até porque popularidade era coisa que não faltava naquele discurso. E populismo, acrescento!


Lançar um desafio a três partidos para, numa semana, estabelecerem um compromisso de médio prazo sobre o controlo da dívida e do défice, a reforma do Estado, e as retomas do crescimento e do emprego – ou seja, para numa semana fazerem o que não foi feito em décadas – é surreal. Acrescentar que isso é tecnicamente muito fácil de executar é menos que sério e irresponsável: é brincadeira de mau gosto!


Admitir que, cortar um ano de mandato a um governo de coligação, já desfeito, é abrir caminho para que os partidos da coligação consensualizem um compromisso, seja ele qual for, é inverosímil. Esperar que os dois partidos que no regime disputam e dividem o poder há quatro décadas, numa altura destas, aceitem seriamente qualquer compromisso de médio prazo a um ano de eleições, é de quem não faz a mínima ideia do que está a fazer. Pensar que António José Seguro seria líder para estas andanças, é ignorância profunda.


Não havia uma única razão que emprestasse o mínimo de consistência ao seu desafio para a salvação nacional!


Quer isto dizer que Cavaco, o mais antigo político em funções, o de maior experiência política e de exercício do poder, que esteve em todos os rompimentos de todas – repito, de todas, porque até na última ele interveio, com a tal estória da lei de Gresham (a má moeda expulsa a boa) - as coligações ensaiadas pelo regime, indiscutivelmente o mais calculista de todos os políticos que o país conhece e conheceu, pode ser menosprezado ao ponto de lhe atribuir tantos e tão grosseiros erros numa única iniciativa?


Não. Claro que não!


Cavaco sabia bem que o que estava a fazer. Sabia que estava a lançar mais achas para a fogueira da crise, e a acentuar as dificuldades do país. Sabia que aquilo não ia dar em nada. Não era atrás da salvação nacional que corria, ele corria atrás da sua própria salvação!


Depois de um longo período em hibernação política, tinha-se deixado aprisionar pelo governo. Há muito que era refém de Passos e Gaspar. A demissão de Vítor Gaspar abriu-lhe a porta da cela e a revogada irrevogável decisão de Portas deixou-lhe a porta aberta, mas agora sem carcereiro por perto.


Abandonado o cárcere, Cavaco precisava de reunir as tropas, desmobilizadas por tanto tempo de hibernação e de sequestro. E esta era sem dúvida não "a solução que melhor serve o interesse nacional", como hoje referiu, mas a melhor solução para voltar a montar a sua máquina. Daí que logo na altura eu lhe tenha chamado prova de vida, a fazer lembrar as aparições de Cristo aos apóstolos, depois da ressurreição.


E foi ver como a estratégia foi eficaz e certeira. A máquina cavaquista ergueu-se rapidamente, deu resposta pronta e, em poucos dias, estava reabilitado um presidente que, dias antes, não passava de uma múmia. O país estava suspenso de negociações em que inguém negociava nada, e toda a gente fazia que dialogava sobre qualquer coisa. Que ninguém sabia o quê!


Correu tudo bem, tudo como previsto, ou melhor ainda... De todo o lado surgiam apoios e até a esquerda dava uma ajuda. Soares, então...


Não podia correr melhor … Deu até para uma escapadinha às Selvagens, a rir de tudo e de todos, e para, aí, voltar às suas deprimentes preciosidades. Desta vez as cagarras, depois das anonas, das vaquinhas e dos milagres de Fátima …


E agora, que tudo fica na mesma como se nada se tivesse passado, “o governo continua em funções com garantias reforçadas de coesão e solidez”, valendo-se da moção de censura da passada quinta-feira. E da esperada moção de confiança que o governo vai agora apresentar mas que foi ele próprio a anunciar.


Maior cinismo é impossível!


Não tenho qualquer dúvida que, no meio deste pantanal de hipocrisia, as eleições antecipadas eram a pior coisa que podia acontecer ao país. À excepção de todas as outras, como diria Churchil…

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Hino da alegria


Hoje, no Estádio do Algarve, o Benfica realizou o terceiro jogo da pré-época, contra a equipa de Ronaldo, a contar para o Torneio do Algarve, que junta ainda o Celta de Vigo. Que no primeiro jogo, no início da semana, goleou o Al Nassr (5-0), e defrontará amanhã o Benfica.


E ao terceiro jogo, a magia do futebol encarnado continua a encantar-nos. A divertir-nos, e a divertir os jogadores. Felizes, e também eles encantados com o futebol que produzem.


Di Maria é o dínamo da alegria com que jogam estes jogadores às ordens de Roger Schemidt. Apostaria que nunca se terá sentido tão feliz a jogar futebol, como se estivesse a jogar à bola com os outros miúdos lá no bairro pobre de Rosário. Foi o chefe da orquestra no "hino da alegria"que foi a primeira parte. 


Marcou o primeiro, a meio da primeira parte, quando o Benfica já tinha desperdiçado quatro boas oportunidades para marcar. A primeira, no entanto, até coube à equipa dos petrodólares, e da ditadura saudita, logo nos primeiros segundos, num remate que João Neves desviou, quase acabando a trair Odysseas. Ficou-se por aí a equipa de Ronaldo. Por aí e por uma agressividade que chegou a passar das marcas. Cristiano Ronaldo acabou por ser notado pela maldade que Di Maria lhe fez, pela falta com reagiu, e pela vontade de marcar o seu primeiro golo ao Benfica. Nem que fosse de penálti. É pena, mas foi por aí que mais se notou.


Do recital da primeira parte ficaram três golos - o de Di Maria, e mais dois de Gonçalo Ramos - em 10 oportunidades claras. E o golo da equipa saudita, num aproveitamento do deslumbramento dos jogadores do Benfica, ditado por um excelente passe de Talisca, ainda um dos poucos jogadores da milionária equipa a merecer algum destaque. O outro foi Marcelo Brozović, recém-chegado do Inter, mais pela dureza com que entrou sobre Rafa e Di Maria, mas também pelo que, aqui e ali, conseguiu produzir. 


Para a segunda parte Roger Schemidt mudou de novo toda a equipa. Desta vez foi todo um onze novo. Até Odysseas deu o lugar a Samuel Soares.


Neste onze, dos prioritários para Schemidt, apenas Aursenes (novamente), João Mário e Florentino. A "música" não foi a mesma, mas nem por isso as ideias foram outras. O mesmo futebol, bonito de ver, apenas um bocadinho menos empolgante. Até o mesmo desperdício.


Não fora isso, e o resultado não se teria ficado por apenas mais um golo, de Schjelderup, o miúdo que começa a aparecer. Até porque também nesta equipa da segunda parte não houve elos mais fracos. Ristic confirmou o que tem prometido, e João Vítor até já parece lateral direito. Lucas Veríssimo parece a caminho do regresso e Tomás Araújo confirma-se a cada jogo. 


E é isto. O Benfica joga que se farta, cada vez mais bonito, e o plantel dá garantias. A dinâmica está lançada. Se ainda for possível melhorar, óptimo. Se não, só é preciso não estragar!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Terminou, na mesma forma desastrada e lamentável com que começou, a absurda e irresponsável iniciativa que o Presidente da República lançou e a que chamou compromisso de salvação nacional.


O presidente anunciou esta sua lamentável iniciativa - recorde-se - através de uma indecifrável comunicação ao país, depois de uma semana de reuniões com os partidos políticos. Não é sequer nessa forma rebuscada, obscura e ambígua de comunicar, que está o mal maior. O mal maior foi justamente não ter sequer manifestado a sua intenção nesses contactos com os partidos. Foi apanhá-los de surpresa, quando lhes devia ter previamente apalpado o pulso. Foi faltar-lhes ao respeito – mesmo por pouco que seja o respeito que merecem – e foi prescindir da oportunidade de, atempadamente, avaliar as probabilidades de sucesso da iniciativa que preparava.


O líder do PS, entalado e apertado por todos os lados, como facilmente se percebia desde o primeiro momento, sentiu-se tão aliviado com o rompimento das negociações que não resistiu a correr a comunicá-la ao país, em vez de a comunicar ao presidente, a quem, evidentemente, caberia tal incumbência. Teria de ser o presidente a dizer ao país que os partidos não chegaram a qualquer acordo e que a sua iniciativa falhara. E teria de ser Cavaco a interpretar esse desfecho à luz da comunicação que fizera quando a lançara!


Estes não são aspectos meramente formais. São institucionais e políticos!


E, claro, agora tudo está bem pior, como desde sempre se sabia que iria ficar. Mas a isso voltarei mais tarde...

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Tour 2023 - V

Tadej Pogacar: ″Era como se nada chegasse às minhas pernas, tudo ficava no  estômago...″


Se ontem matou, hoje Vinguegard esfolou. Era a 17ª etapa, entre  Saint-Gervais Mont-Blanc e Courchevel, não chegava aos 166 quilómetros mas tinha cinco contagens de montanha. Cinco contagens porque se calhar não dava para contar mais, porque as subidas eram bem mais. A própria meta final estava no fim de uma tremenda subida, e já não contava nada para a classificação da montanha. Seis quilómetros antes, no Col de la Loze, atingia-se o ponto mais alto deste Tour, a mais de 2300 metros de altitude, com pendentes acima dos 20% nos últimos quatro quilómetros.


Era a etapa rainha deste 110º Tour de France, tida por decisiva. E foi certamente a mais decisiva, não apenas da edição deste ano, mas dos últimos largos anos.


Foi corrida como o são as etapas de alta montanha. Uma fuga numerosa, a formar-se bem cedo, e cheia de gente que sabe subir, para, depois, as equipas dos principais corredores agarrarem a corrida até a entregarem aos que fazem a diferença. 


Pogacar sofreu uma queda, e ficou com os membros superiores e inferiores esquerdos algo esfarrapados. Era um contratempo, talvez um mau pronúncio, mas nunca ficou a ideia que tivesse mais consequências. Vingegaard e a sua equipa não quiseram aproveitar o incidente para atacar - e só lhes ficou bem! - e Pogacar regressou ao pelotão, para por lá se manter sem grandes sinais de inferioridade.


Faltavam 6 quilómetros para o alto do Col de la Loze e o grupo do camisola amarela, onde seguiam os primeiros classificados, era puxado pela Ineos, com os olhos postos no último lugar do pódio, que Carlos Rodriguez tinha para atacar, e Pogacar cedeu. Não conseguiu acompanhar o ritmo e começou a ficar para trás. 


Adam Yates, com o terceiro lugar da geral para defender, continuou no grupo - a Emirates, e o próprio Pogacar perceberam que nada havia a fazer - e foi o espanhol Marco Soler a "cair" da fuga (onde vinha há muitos quilómetros preso por elásticos) para fazer o que podia pelo líder. Não podia muito. Ainda assim, o pouco que podia era muito para o que podia Pogacar. 


Rapidamente, e sem que Vingegaard mexesse uma palha, limitando-se a seguir o ritmo dos da frente, Pogacar perdeu bem mais de um minuto. Quando, a 4 quilómetros do alto o camisola amarela resolveu atacar a corrida, e tentar ainda ganhar a etapa, a diferença para Pogacar começou a ganhar contornos de escândalo.


Vingegaard fez então uma notável demonstração de poder, ultrapassando sucessivamente dezenas dos ciclistas da fuga. Não lhe valeu para melhor que o quarto lugar na meta (atrás de Felix Gall, Simon Yates e Pedro Bilbao, que já tinha ultrapassado, mas que recuperou em cima da dificílima linha de meta), mas valeu-lhe quase 6 minutos para Pogacar, que Soler levou penosamente até à meta, onde seria 22º, a 7 minutos e 37 segundos de Gall. 


E o que era um Tour discutido nos segundos das bonificações, de repente acabou na maior das diferenças dos últimos largos anos. No ano passado Vingegaard venceu sem que conseguisse convencer. Pogacar tinha sido negligente com a alimentação, e acabou traído pelo excesso de confiança. Vingegaard, tinha apenas sido mais humilde. E dizia-se, teve sorte. 


Ontem, Vingegaard mostrou estar muito melhor que o esloveno. Hoje, mostrou estar muitíssimo melhor. Pogacar é, tudo o indica, melhor ciclista. Mas nunca conseguiu melhor. O descalabro de hoje deve-se provavelmente muito mais à clara derrota no contra-relógio de ontem que a qualquer outro factor. Incluído o da queda de hoje.


O vencedor do Tour está encontrado. O pódio, provavelmente também. Adam Yates hoje ganhou claramente a Carlos Rodriguez. A não ser que os problemas de Pogacar se agravem, e o descalabro continue nos próximos dias. Ou que nem sequer encontre condições para continuar...


O que, pelas manifestações de apoio e carinho dos colegas de equipa, hoje na meta, seria verdadeiramente inaceitável!

Há 10 anos

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Não tinha a mínima intenção de regressar ao Tour já hoje, depois da etapa de ontem do Alpe d`Huez. Pensava juntar a etapa de hoje -  que ligou Bourg d'Oisans a Le Grand Bornand - com a de amanhã, ambas no pacote das duas últimas grandes e decisivas etapas deste Tour número 100.


O Rui Costa obrigou-me a voltar aqui hoje, a abordar separadamente esta 19ª etapa, com mais de 200 quilómetros e, de todas, a que mais montanhas somava.


Porque voltou a ganhar - a décima terceira de ciclistas portugueses, e a terceira de Rui Costa, a igualar Acácio da Silva e a duas de Agostinho - apenas dois dias depois. Porque voltou a ganhar categoricamente, agora na alta montanha. Porque agora, com mais vitórias que ele neste Tour, apenas o sprinter Kittel e o rei Froome. Porque, com esta segunda vitória, repetiu e fez-nos lembrar Agostinho, logo na estreia, em 1969. Porque confirmou que é  um ciclista de eleição, inequivocamente no top ten mundial. Não tem nada que ver com Agostinho - disso já há muito que não há, se é que alguma vez houve -, está mesmo nas antípodas dessa inultrapassável figura do ciclismo nacional. Não tem, nem de perto nem de longe a mesma força, mas tem uma enorme inteligência competitiva capaz de o levar ao topo do ciclismo mundial.


E foi isso que hoje confirmou. Depois da vitória de terça-feira, hoje, dois dias depois, em terreno completamente diferente, a mesma receita: a fuga certa, bem numerosa, e o ataque infalível, na hora certa, não dando a mínima hipótese a quem quer que fosse. Pelo meio, nesses dois dias, uma lição - mesmo para quem, como eu, tendo percebido não tenha gostado - de gestão de esforço em competição: primeiro no contra-relógio, que já não lhe aquecia nem arrefecia, e depois, ontem: ainda experimentou entrar num grupo em fuga, mas rapidamente abdicou quando percebeu que aquilo não iria dar certo, nada preocupado em deixar-se ficar para trás.


 males que vêm por bem, diz a sabedoria popular. O Rui Costa tinha deixado a ideia que poderia fazer um grande Tour, dizendo que tudo dependeria de como corresse a primeira semana, sempre recheada de incidentes, num pelotão imenso e difícil de entender e gerir. Correu-lhe bem, e parecia que tínhamos homem, até chegar aquela maldita etapa 13. O mal que veio por bem: atirou-o para fora da disputa da classificação geral, mas libertou-o para estes feitos. Que, feitas as contas, são bem maiores que os que conseguiria no outro tabuleiro, condicionado ou não pela sombra de Valverde!


É uma grande vitória, esta de hoje do Rui Costa. Começou por integrar uma fuga madrugadora de 44 ciclistas, que foi gradualmente mingando. Para a frente saíram dois ciclistas, um dos quais o francês Rolland, que persegue a camisola das bolas vermelhas - da montanha, que durante muito tempo vestiu – e grande ganhador dos pontos em disputa nas cinco das seis montanhas. Pouco depois do início da última do dia, quando uma forte trovoada se abatia sobre a corrida, iniciaram-se no grupo os primeiros ataques. Quando o Rui Costa entendeu atacou ele, e deixou logo ali toda a concorrência. Se rapidamente alcançou Rolland, rapidamente o deixou para trás, montanha acima, sempre debaixo de chuva e com a diferença para os perseguidores a crescer. Chegado lá acima ficava a faltar a descida até à meta. Treze quilómetros, sempre a descer e sempre debaixo de chuva.


De cortar a respiração. Até à meta e à festa!


Dez minutos depois chegava o grupo dos primeiros da classificação geral, com todos juntinhos.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Os deputados do PSD e do CDS estão de pé em aplausos exuberantes pelo chumbo da moção de censura. Não devem ter reparado que o ministro Álvaro Santos Pereira abandonou a bancada do governo quando Paulo Portas começou o seu discurso de encerramento. E que regressou mal ele terminou, para que não ficassem dúvidas…


Uns riam, outros sorriam, mas ninguém escondia ar de felicidade e boa disposição. Não seria certamente pela rápida e apressada debandada dos deputados socialistas. Nem todos, alguns tinham mais pressa e saíram até mais cedo, ainda antes da votação. Aquela pressa toda era para se despacharem para a negociação da salvação nacional…


Deveria ser pelo discurso do ex-ex-ministro dos negócios estrangeiros, que não se cansou de falar em estabilidade política… Do que Seguro disse é que não riam. De certeza!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Hoje foi o dia da chegada ao alto do Alpe d`Huez (na foto). O dia da mais mítica das etapas do Tour, que todos gostariam de ganhar um dia. Mas que poucos conseguem…


Foi o caso do francês Riblon – primeira vitória francesa neste Tour – que foi hoje o primeiro na etapa que, desta vez, subiu por duas vezes o Alpe d`Huez, depois de uma longa fuga, cheia de peripécias, que terminou com a ultrapassagem ao americano Van Garderen – seu companheiro de peripécias – já à entrada do último quilómetro. O suficiente para lhe ganhar ainda um minuto!


E hoje foi o dia em que finalmente Froome foi derrotado. Até aqui tinha ganho sempre, incluindo o contra-relógio de ontem, em montanha, onde ganhou a toda a gente. Aumentando distâncias para todos, incluindo para Contador, que foi segundo – com o mesmo tempo de Rodriguez – e para o checo Kreuziger, o colega de equipa e abono de família de Contador, que foi quarto, passando ambos a ocupar os restantes dois lugares do pódio. De onde saiu o holandês Mollemba, em quebra acelerada nesta última semana...


Só que, mesmo derrotado, hoje Froome voltou a reforçar a sua liderança. Porque foi derrotado pelo jovem colombiano Quintana - que subiu ao terceiro lugar - e pelo espanhol Rodriguez, finalmente a mostrar por que integrava o lote dos favoritos e já às portas do pódio.


Esperava-se que Alberto Contador, que ontem fizera um excelente contra-relógio, atacasse hoje. Ainda simulou fazê-lo quando, na descida que se seguiu à primeira passagem pelo cimo do Alpe d`Huez, saiu do grupo de Froome, na companhia de Kreuziger, o seu fiel e leal escudeiro. A ideia parecia boa: aproveitar a sua superior capacidade técnica para arriscar na descida - perigosa e exigente, onde Froome, com mais dificuldades técnicas e menos necessidade de correr riscos, não deveria responder – e chegar à entrada da segunda passagem pela montanha já fora do alcance do camisola amarela. Já se tinha percebido que Contador é, hoje, mais um jogador de póquer do que um corredor de bicicleta. Hoje confirmou-se: Contador tem passado este Tour a fazer bluf. Que voltou a fazer hoje, desistindo logo que a descida terminou, bem antes do reinício da subida foi, mais uma vez, bluf!


Na subida final voltou a não conseguir reagir ao ataque de Froome – mais uma vez foi ele, o líder, a tomar a iniciativa – e só conseguiu manter o seu segundo lugar na geral através, mais uma vez, do sacrifício do seu colega Kreuziger, que acabou por perder o terceiro lugar que ocupava. Dispõe daquela que é a melhor equipa deste Tour – tem a vitória colectiva praticamente assegurada – mas tudo aponta para que, nem assim, consiga segurar o seu segundo lugar, agora à mercê de Quintana e de Rodriguez. Que bem, e especialmente o colombiano, têm feito para o merecer!


Dos portugueses pouco há a dizer. No contra-relógio de ontem, Rui Costa, com honras de televisão, pela notoriedade da véspera, foi dos piores. Poderá perceber-se, mas não é bonito de ver: ficou a mais de seis minutos de Froome, em apenas 30 quilómetros… E hoje, simplesmente não se deu por ele!


O Sérgio Paulinho viu-se finalmente. Deu-se por ele. Porque fez um bom contra-relógio, por volta do vigésimo lugar, com muito boa companhia como, por exemplo, Richie Porte – que hoje voltou a confirmar a sua imensa categoria na ajuda a Froome. E porque hoje teve, também ele, honras de televisão. Foi vedeta de televisão, em virtude de uma fuga cujo único objectivo só poderá ter sido esse mesmo!

Tour 2023 - IV


NãoVingegaard e Pogacar não fizeram o mesmo tempo no contra-relógio de hoje, desta 16ª etapa. Nem nada que se parecesse. Para surpresa geral, e até do próprio, Vingegaard deu uma verdadeira coça a Pogacar. E, apesar da etapa de amanhã, tida como a mais difícil da prova, com quatro subidas em alta montanha e de longa quilometragem, e da penúltima, no sábado ser também de alta montanha, deverá ter garantido a segunda vitória consecutiva no Tour, à custa de Pogacar.


Os Pirinéus e os Alpes mostraram que, em corrida, eles não se largam. Por eles, porque são, de longe, os dois melhores, e pelas respectivas equipas, também elas as melhores. Se assim foi, mais táctica menos táctica, mais estratégia menos estratégia, não é previsível que assim deixe de ser nessas duas etapas.


Por isso, o minuto e trinta e oito que Vingegaard hoje ganhou, a somar aos 10 segundos que trazia de vantagem, são mais que suficientes para lhe garantir desde já a vitória em Paris, no domingo. É que seriam necessários muitos, dos poucos segundos que têm feito a diferença entre eles, para anular o 1´48´´ que agora os separa.


Não era um contra-relógio qualquer, este de hoje. Eram pouco mais de 22 quilómetros, mas terríveis. Logo à partida a subida do Côte des Soudans, com 1,3 quilómetros com uma pendente média de 8,8%. Depois da descida, seguida por um curto traçado plano, a subida ao Côte de Domancy, mais longa (2,5 km) e mais íngreme (9,4% de média), com muitos espaços com inclinações superiores a 11%. Para terminar, mais 3,5 quilómetros para subir até à meta, em Combloux, com uma inclinação média de 5%.


Alguns (poucos) ciclistas optaram por trocar a bicicleta de contra-relógio pela normal, de corrida, no início da segunda subida, a do Côte de Domancy. Pogacar tinha anunciado ser essa a sua estratégia.


Dado que os tempos de subida contavam para a pontuação da montanha, perceber-se-ia que isso servisse aos mais interessados nessa classificação, como era o caso de Gicone. Percebeu-se, pelos poucos que ao longo do contra-relógio trocaram de bicicleta, que a operação não se fazia em menos de 10 segundos, que facilmente passariam a 30 contando o tempo para recuperar o ritmo.


Quando Pogacar fez a troca - e foi o único dos 10 primeiros a fazê-lo - já trazia uma desvantagem próxima de 1 minuto para Vinguegard. No fim, perderia 1:38. Sabe-se que continuou a perder, e que, objectivamente, não ganhou nada com isso. Mas não se sabe é se ainda teria perdido mais se não o tivesse feito.


Chegou à meta colado ao jovem espanhol Joaquim Rodriguez, o terceiro da geral que tinha partido 2 minutos antes, e batendo em quase 1 minuto o melhor tempo até então, os 35´27´´do sensacional Wout van Aert, provavelmente o corredor mais espectacular deste Tour. Mas quase à vista de um Vinguegard "de outro mundo".


Nas contas do pódio Adam Yates trocou com Carlos Rodriguez, e é agora terceiro, já quase a 9 minutos do líder. Mas com escassos 5 segundos de vantagem sobre o jovem espanhol da Ineos que, face ao trabalho que o espera na ajuda a Pogacar, terá dificuldade em segurar.


 


 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


À medida que se replicam as reuniões entre os três partidos do arco da governação cresce a excitação em todo o país. Visitam-se uns aos outros a um ritmo diário, e isso é suficiente para que a nação acredite na coisa.


Sucedem-se as figuras do Estado a manifestar a sua fé no sucesso da corajosa e ousada iniciativa presidencial, enquanto exibem – também eles - fatias de soberania nacional que guardam nas mãos. Muitas delas nem fazíamos ideia que existissem… As da sociedade civil, daquela que se confunde e mistura com o Estado, não lhe ficam atrás. E rapidamente passaram das manifestações de fé à exigência!


Já não lhes basta declararem-se crentes da coisa. Exigem a coisa, e depressa. Viram costas e, em subliminar tom ameaçador, deixam cair: “Vá lá, entendam-se para aí que a gente espera aqui um bocadinho…”


- “Mas não demorem muito. As Selvagens são já aqui, e o presidente só dorme lá uma noite”!


E pronto, amanhã já haverá acordo para a coisa. Mesmo que ninguém saiba o que é a coisa, nem o que fazer com ela…

domingo, 16 de julho de 2023

Tour 2023 - III

Gesto fair play na Tour. Pogačar spadl, Vingegaard na něj počkal a ...


A segunda semana do 110º Tour de France, fechada com as três etapas dos Alpes, foi mesmo a semana alpina. Três etapas que, tidas por decisivas, não decidiram muita coisa. Na frente, na luta pela vitória final, não decidiu mesmo nada.


Se à entrada nos Alpes Vingegaard e Pogacar estavam separados por 17 segundos, à saída estão separados por 10. Mas isso não quer dizer que os Alpes não decidiram muita coisa e, menos ainda, que não tenham mostrado grandes momentos de ciclismo.


Na sexta-feira, a abrir, na chegada ao Grand Colombier, não faltou espectáculo nem emoção. Como não faltaria nas outras. Aproveitando - e resistindo - uma fuga madrugadora e numerosa, como é timbre destas etapas, Kwiatowski foi o primeiro, lá no alto. Mas o espectáculo, está bom de ver, estava reservado para os dois da frente da classificação geral.


A equipa dos Emirates chegou-se à frente e, num enorme investimento,  comandou toda a perseguição à fuga, quase a anulando. Na parte final Pogacar fez o resto, e voltou a atacar fortemente Vingegaard. Parecia que iria resultar, com o dinamarquês a ceder. Mas não, Vingegaard respondeu no seu ritmo e, no fim, todo o esforço da Emirates, e do próprio Pogacar, acabou por resultar numa vantagem de apenas 4 segundos. Que seriam oito, pela bonificação de outros quatro, correspondentes ao terceiro lugar na etapa. E o esloveno reduzia a desvantagem dos 17 segundos para nove.


Mas estava dado o mote. Pogacar conseguia explodir, mas Vingegaard tinha sempre resposta.


No sábado, ainda ali às voltas do Monte Branco, na chegada a Morzine les Portes du Soleil, nada seria de muito diferente. Mesmo com uma história muito diferente. Desde logo porque uma queda colectiva, logo aos 5 quilómetros da etapa, deixou fora da corrida muita gente, obrigando a uma interrupção de meia hora para que fosse prestada assistência aos ciclistas acidentados. Entre os que foram obrigados a desistir estavam ciclistas do top 10, como o sul-africano Louis Meintjes, o espanhol Antonio Pedrero (Movistar) e o colombiano Esteban Chaves (EF Education-EasyPost). Mas também Ruben Guerreiro. Dos primeiros, o australiano Jai Hindley (BORA-hansgrohe), terceiro classificado da geral, e o britânico Thomas Pidcock (INEOS), oitavo, também  estiveram envolvidos, mas continuaram em prova.


Desta vez foi a Jumbo Visla, de Vingegaard, a fazer o investimento principal na etapa. Mas foi Pogacar a atacar, novamente. Desta vez até ganhou rapidamente alguma vantagem, mas depressa a perdeu, e depressa Vingegaard se lhe juntou na frente da corrida.


Pogacar percebeu que não se veria livre do rival e decidiu apostar na meta da montanha, que dava bonificação de 5 segundos. Que, juntamente com a da meta final, no fim da longa descida que se seguia, lhe daria para anular a desvantagem. Deu-se então o golpe de teatro: quando Pogacar ia atacar para ser primeiro na montanha, no carreirinho aberto entre os espectadores, é tapado por uma mota de um repórter fotográfico, e é Vingegaard que aproveita para ser primeiro, e ficar com a bonificação.


Como um mal nunca vem só, enquanto eles estavam entretidos nesta disputa, o miúdo Carlos Rodriguez (22 anos), que tinham deixado para trás uns quilómetros antes, aproximou-se e, já na descida, deixou-os para trás. E acabou por ser primeiro na meta, com 5 segundos de vantagem sobre os dois. Pogacar ainda tentou tudo, esperou até pelo colega Adam Yates para uma ajuda. Mas nem assim. Vingegaard seguiu sempre colado à sua roda. Nem no sprint final, a largou, perdendo apenas os 4 segundos da diferença de bonificação entre o segundo e o terceiro. Perdendo estes 4 segundos, mas tendo ganho os 5 lá em cima, os 9 de vantagem passaram a 10.


Hoje, na despedida dos Alpes, a inevitável fuga numerosa ditou os primeiros 15 classificados da etapa, não deixando nada de bonificações com que os dois da frente se vão gladiando. Mais uma queda deixou Bardet, à porta do top 10, de fora.


Pogacar voltou a estar mais bem preparado - quer dizer com mais equipa - para atacar, novamente com a preciosa colaboração de Adam Yates, decididamente a fazer uma grande corrida. E atacou, com o mesmo resultado: Vingegaard sempre na sua roda, sempre a responder. E a deixá-lo definitivamente em sentido. Chegaram os dois juntinhos à meta em Saint-Gervais Mont-Blanc le Bettex, em 16º e 17º, a mais de 6 minutos de Wout Poels.


E, como eles não se largam, será o contra-relógio de depois de amanhã (amanhã será o segundo e último dia de descanso) a decidir isto. Só faltava, também aí, fazerem o mesmo tempo ...

"E isso nos envaidece..."

Benfica vence Basileia sem problemas no segundo teste da pré época. Di María, Jurasék e Gonçalo Ramos marcaram


E ao segundo jogo (de preparação) o regresso de Di Maria... A sério, com a bola nos pés, de camisola 11 vestida. E como assenta que nem uma luva nesta equipa, e neste futebol do Benfica, acrescentando-lhe magia e classe. Classe pura!


Em Basileia, no St. Jakob-Park vestido de vermelho e completamente mergulhado na onda benfiquista, o Benfica 2023/2024 mostrou-se pela segunda vez. E como gostamos do que vimos!


Na primeira parte, com um onze próximo do que serão as opções prioritárias de Roger Schemidt, vimos um Benfica já bem próximo do esperado. De muito bom nível, a deixar crescer água na boca. Se é assim ao segundo ensaio, como será a estreia?


A expectativa é grande, mas ... é preciso que até lá não saia ninguém daquela gente. 


Dos que vêm da equipa que foi campeã há dois meses - e eram 8 daqueles 11- nada de novo. Todos ao seu nível. Faltava Otamendi, mas lá estava Morato. E como esteve, impecável e imperial. Faltavam Aursenes e Neres, reservados para a segunda parte. Lá estavam todos os outros - Vlachodimos, Bah, António Silva e João Mário como se não tivessem tido férias; Gonçalo Ramos, agora de 9 nas costas, como se nada se esteja a passar, e Rafa como se não tivesse sido metido na telenovela deste Verão.


Depois lá estava Jurásek, que nem parecia em estreia. E a estrear-se com um golo. E que golo, aquele terceiro!


Kokcu já se tinha mostrado, e foi o primeiro logo a tentar o golo. Aquele futebol geométrico não engana. E logo que a máquina estiver ainda mais oleada, aquele jogo de primeiro toque irá ser uma delícia para a vista.


E Di Maria? É talento puro, a elevar o futebol da equipa para outra dimensão. Quem se lembra dele há 13 anos não o reconhece. É outro jogador, de classe pura. Marcou o primeiro golo, esteve nos dois restantes, encheu o campo e espalhou magia.


Com 3-0 ao intervalo, para a segunda veio outro onze, com outros 10, porque Odysseas manteve-se na baliza. E esta outra equipa nova mostrou que Roger Schemidt tem agora mais soluções no plantel, e deixa-nos a perspectiva de poder agora deixar de ser tão conservador nas suas opções. Ristic mostrou que pode alternar com Jurásek e, ambos, podem fazer esquecer Grimaldo. O teste não foi muito exigente - é verdade - mas os centrais (Lucas Veríssimo e Tomás Araújo) confirmaram a sua elevada qualidade. Aursenes e Neres, já são conhecidos e entram naturalmente nos prioritários. E até Schjelderup e Tengstedt, os nórdicos que tinham chegado em Janeiro, mostraram que não estão ali para fazer número.


O jogo não teve a qualidade da primeira parte, mas isso deveu-se mais à falta de eficácia, especialmente de Neres e dos dois jovens nórdicos - que, de resto foi o único ponto negativo desta segunda apresentação da equipa - e às quebras no ritmo de jogo provocadas pelas substituições na equipa do Basileia (ficou-me a ideia que nunca se jogaram mais de 5 minutos sem interrupções para substituições) que propriamente à qualidade exibicional deste onze do Benfica.


Por isso, pela falta de eficácia, e pela quebra do ritmo de jogo, podendo marcar mais 3 ou 4 golos, o Benfica não voltou a marcar. E acabou por sofrer um golo, já perto do final, no único remate do Basileia à baliza de Vlachodimos na segunda parte. E creio mesmo que do jogo!


São muitos e bons, os jogadores à disposição de Schemidt. Já sabemos do que é capaz de fazer com eles, "e isso nos envaidece"!


 

Há 10 anos

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Rui Costa ganhou, na chegada a Gap, a etapa de hoje do Tour, a 16ª. Integrou a fuga do dia, num grupo de perto de vinte corredores e, na altura certa, lançou o ataque certo. E certeiro!


Depois do acidente de sexta-feira, e do descalabro de domingo, Rui Costa teria de mudar rapidamente a agulha. Sem aspirações na classificação geral, uma vitória numa etapa - numa equipa que ainda não vencera nenhuma - passava a ser o objectivo. E já não havia muito tempo, nem sobravam oportunidades para isso. Era hoje, numa etapa que, não sendo de alta montanha, era de montanha. Uma montanha que teve espectacularidade no ataque de Rui Costa, mas também nos ataques de Contador, qua atacava ali o segundo lugar, se bem que tivesse sido Froome, de novo sozinho, a responder. De tal forma que viriam ambos a cair, já na descida para a meta, e a terem de cooperar ambos para recolar ao grupo dos primeiros da geral, que chegaria doze minutos depois do Rui Costa.


Tinha de ser hoje. E foi. E não certamente por ter sido ali, também em Gap, que o outro português do pelotão - o Sérgio Paulinho de quem nunca se ouve falar - ganhou em 2010. Mas pode bem ter sido por ontem, no dia de descanso, ter sido dado como o ciclista mais popular do pelotão. Popularidade - disse-se - medida pelo número de cartas de incentivo que recebe. Estranha - ou talvez não - esta forma de medir a popularidade.

Há 10 anos

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E lá andam eles às voltas com o compromisso de salvação nacional. Ou a fazer de conta…porque aquilo é a quadratura do círculo!


O PC, através do outro braço parlamentar de que dispõe – é pouco democrática, e altamente contestável, esta estratégia do PC que assegura um grupo parlamentar a um partido que nunca foi a votos e, com isso, apresenta-se no parlamento com dois grupos parlamentares – lançou a casca de banana ao PS, com a moção de censura dos ditos Verdes. E o PS escorregou… e estatelou-se ao comprido, ficando a negociar o compromisso ao mesmo tempo que vota a moção de censura.


Carlos Zorrinho ainda veio mandar areia para os olhos. Que o PS estava a censurar o governo e a negociar com os partidos do governo. Que o governo é uma coisa, os partidos que o suportam, outra!


Os partidos da coligação resmungaram. O PSD acusou mesmo o PS de estar a fazer de conta. Podiam ter ficado por aí. Mas não, mandaram logo para a reunião apenas gente do governo: Motas Soares, Carlos Moedas, Poiares Maduro e Moreira da Silva. Jorge Moreira da Silva que também é do governo, daquele que está à espera que Cavaco lhe dê posse. Todos os outros são membros do governo que Cavaco deixou ficar. E Carlos Moedas e Poiares Maduro são apenas da área política do PSD, gente da confiança de Passos Coelho, que nem sequer está filiada no partido.


Pois! Continuem a divertir-se…

sábado, 15 de julho de 2023

Há 10 anos

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O BIC adquirira o BPN por 40 milhões de euros. À nossa conta tinham já ficado muitos milhares de milhões de euros – não se sabe, nem nunca se saberá, bem quantos: cinco, seis, sete, sabe-se lá...


O que se sabe é que, depois disso, o Estado – nós – já lhes devolveu 22 milhões. E que reclamam agora mais 100 milhões. Quer dizer, a conta já vai em 122 milhões, mais do triplo do que o banco luso-angolano pagara pela compra do filet mignon do BPN!


Tenho, por dever de ofício, a obrigação de esclarecer que é normal que, neste tipo de operações, o comprador acautele os chamados riscos contingenciais. Situações que, não tendo ocorrido à data da operação, podem previsivelmente vir a emergir no futuro. Mas, também pelo mesmo dever, tenho a obrigação de garantir que há soluções técnicas para as reflectir nas contas à data de referência do negócio. Que, depois, é isso mesmo – um negócio. Com riscos, como todos!


Todos, não. Em Portugal, quem negoceia com o Estado nunca corre riscos. Os governos de Portugal tomam sempre para o Estado todos os riscos. É sempre assim. É assim nas PPP, é assim nas privatizações... Que, vejam bem, são invariavelmente justificadas pelo simples facto de o Estado ser mau gestor. Mau negociador!


Porque eles – sim, aí o Estado já não somos nós, são eles - são maus gestores, vendem aos privados, bons gestores evidentemente. Tão bons que se aproveitam, logo ali, dos maus, dos incompetentes!


No escândalo BPN, este é apenas mais um. Depois de ter permitido a mega fraude, nacionalizou-lhe o passivo (BPN), deixando de fora os activos (SLN), nas mãos dos mesmos. Um passivo que rapidamente se multiplicou porque, lá está, o Estado é mau gestor. Por isso, depois vendeu, mas só o que interessava: uma rede de distribuição, a funcionar. Não se dando por satisfeito, o Estado – eles - deixa-lhes a possibilidade de dela fazerem o que quiserem, como e quando quiserem porque o Estado – nós – paga. Por enquanto, mais do triplo do que recebeu!


Ah! E alguém por aí sabe do Oliveira Costa, do Dias Loureiro e de mais uns tantos?


Quem souber faça o favor de dizer alguma coisa...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...