
Está tudo decidido neste 110º Tour de France. A penúltima etapa, corrida na Alsácia pelas montanhas dos Vosges, entre Belfort e Le Markstein Fellering, com 133,5 km de montanha, que só não era completamente decisiva porque o mais importante tinha fica arrumado na última quarta-feira no Col de la Loze, decidiu o que faltava decidir. Se amanhã não houver quedas que provoquem desistências - pelo que se tem visto, isso não é garantido; hoje houve mais quedas, uma delas envolveu directamente Carlos Rodriguez, da Ineos (levando-o a perder o quarto lugar para Simon Yates) e Kuss, da Jumbo, o braço direito de Vinguegard (que caiu do oitavo lugar para fora do top 10) - está tudo decidido!
Era montanha atrás de montanha, e tinha duas coisas por garantidas. Por um lado era certa a constituição de uma fuga bem cedo. Porque é sempre assim, e porque havia pontos de montanha para Giccone amealhar bem cedo e garantir a camisola das bolinhas. E, por outro, era certo que, no seu último Tour, o alsaciano Pinot queria brilhar e, se possível, ganhar na sua região.
E acabaram ser estes dois dos pontos altos da etapa. Giccone garantiu o título na antepenúltima montanha, e deixou-se cair do grupo da frente. Ao contrário, e em simultâneo, Pinot saltou do grupo para a frente, onde andou até ao início da última subida. Foi aclamado ao longo de alguns quilómetros e muitos minutos, ganhou o prémio da combatividade, mas não resistiu e acabou no sétimo lugar na meta.
O terceiro, sendo um clássico deste Tour, não deixa de ser um ponto alto da etapa. O ataque de Pogacar na última subida, e a resposta imediata de Vinguegaard, é um clássico. Mas, depois das derrotas no contra-relógio e no Col de la Loze, poucos esperariam que Pogacar tivesse força mental para qualquer espécie de ataque.
É só por isso um ponto alto da etapa. Mas também porque acabou porque arrumou o que faltava arrumar no top 10.
Pogacar atacou e Vinguegaard respondeu. Acabaram os dois a medir-se reciprocamente, e a pôr até em causa a vantagem entretanto conquistada sobre todos os outros. Um clássico deste Tour. Foi assim que Carlos Rodriguez ganhou no Monte Branco, faz hoje uma semana.
Valeu-lhes que o primeiro que se lhes juntou foi o austríaco Felix Gall, que ainda pagou a despesa durante uns bons minutos. Até deixar de estar interessado em rebocar tão importantes penduras, e Pogacar passar a estar interessado na chegada ao grupo dos manos Yates, que entretanto tinham deixado Carlos Rodriguez nas covas, entregue às suas mazelas.
Contava que Adam, o seu colega na Emirates, o conduzisse e lançasse na recta da meta. E assim aconteceu. Vinguegaard sabia que iria ser assim, e ainda se lançou no sprint para tentar ganhar a etapa, mas Pogacar não lhe deu hipótese.
Foi bonito ver na penúltima etapa mais um duelo entre os dois. Não se pensava que Pogacar tivesse ainda disponibilidade mental para estes desafios. Nem bonito, nem feio - mas apenas o que foi - foi que, sempre que ao longo de todo o Tour Pogacar atacou teve resposta à altura de Vinguegaard. Na única vez que foi por ele atacado, não conseguiu responder-lhe. Nisto, nestes duelos, as diferenças andaram pelos segundos. No contra-relógio de terça-feira, cada um por si, um sem o outro, Vinguegaard desferiu o o golpe que deixou Pogacar a cambalear. No dia seguinte não precisou de fazer muito, foi só deixá-lo cair!
Mérito indiscutível nesta segunda vitória consecutiva de Vinguegaard. Quando o segundo fica a 7 minutos e meio, e o terceiro a onze, não sobra nada para discussão!
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