
Que venha por bem!
O Benfica despediu-se esta noite, em Setúbal, da Taça da Liga e do ano. Do ano do tetra, mas também, porque as últimas imagens são sempre as mais vivas, do desencanto. Que este jogo de despedida confirma, em toda a linha.
Quando se conheceu a constituição da equipa que Rui Vitória escalou para esta despedida ficou imediatamente claro que dificilmente este jogo fugiria à decepção e à desilusão que vem marcando este último terço do ano, e primeiro da época. O jogo já não decidia nada - o Vitória, de Setúbal, tinha o primeiro lugar do grupo assegurado - mas continuava a ser importante para o Benfica. Porque a equipa precisa de estabilidade e de confiança, e isso só as vitórias e as boas exibições garantem. E porque vem já aí o decisivo jogo com o Sporting. Por isso, porque não tem havido competição, e porque sobram muitos dias de descanso até ao dérbi, era difícil de aceitar um onze que não desse garantias de ser capaz de tirar do jogo o que dele havia para obter.
Mais difícil se tornava aceitar um onze constituído por jogadores dados por descartáveis em Janeiro. Três na defesa (Douglas, Lizandro e Eliseu), dois no meio campo (João Carvalho e Filipe Augusto), e dois (e podiam ser todos) na frente (Rafa e Zivkovic). Sete!
Se lhe juntarmos o guarda-redes Svilar, claramente desestabilizado, Samaris, em clara instabilidade emocional, e Seferovic, há meses desaparecido, soma dez. O décimo primeiro era o miúdo Rúben Dias, a regressar à equipa depois da intervenção cirúrgica a que foi sujeito!
Estranho, nao é? Mais estranho, e mais preocupante ainda, é tentar perceber o que vai na cabeça de Rui Vitória quando lança para o jogo sete jogadores que são cartas fora do baralho.
Para lhes dar minutos? Para quê, se não vão continuar?
Para lhes dar mais uma oportunidade? Para quê, se o seu destino já está traçado?
Não faz sentido, e o jogo confirmou isso mesmo. E confirmou mais, confirmou que Rui Vitória é parte do problema, e não parte da solução. Porque mostrou que a equipa só consegue ter posse a jogar para trás; jogar para a frente só em pontapé, à toa. Ou com cada um a jogar por si e para si. Porque mostrou que a equipa não sabe defender, com estes ou com outros jogadores. E porque mostrou, no meio disto tudo, que alguns daqueles jogadores têm muito mais qualidade do que aquela que Rui Vitória consegue extrair.
Alguém pode ter dúvidas da qualidade de Zivkovic? E de Rafa? E de João Carvalho? Aquilo que fez no primeiro golo - que é todo dele, o Sferovic foi simplesmente instrumental - não engana, é de um grande jogador.
Na realidade, este último jogo do ano não deu se não para enterrar, ainda mais, Rui Vitória. Que, como vem sendo costume, viu outro jogo. E como viu outro jogo, não vê que, se isto não é da responsabilidade do treinador, é responsabilidade de quem?

Ao contrário do que pretendiam, ficou a saber-se que os partidos da nossa democracia, que raramente se entendem para o quer que seja do interesse nacional, se entenderam às mil maravilhas para produzir uma lei que lhes facilitasse ainda mais a vida nestas coisas do “guito”. De uma penada os partidos puseram fim a qualquer limitação no acesso a fundos privados, e colocaram-se integralmente de fora do IVA.
Isto é, os partidos legislaram em causa própria, para que pudessem passar a receber todo dinheiro que aparecesse, viesse donde viesse. E, já que já beneficiavam de isenção de IMT, de IMI, de imposto de selo, de imposto sobre doações e sucessões, de imposto automóvel e até taxas de justiça e de custas judiciais, decidiram estender a isenção de IVA de que já gozavam à totalidade das transacções que efectuassem, deixando de entregar o IVA que cobrassem e sendo reembolsados de todo o que tivessem pago.
Para completar o ramalhete, os partidos levaram a lei a uma incursão pelo património imobiliário, colocando a hipótese de se servirem gratuitamente dos imóveis do Estado, sejam eles da administração central, das autarquias locais, do sector empresarial ou da economia social.
Tudo isto sem que ninguém soubesse de nada. Tudo isto sem actas ou qualquer outro registo. Tudo isto sem que se pudesse sequer saber quem propôs o quê, para que todos soubéssemos que sabiam bem o que estavam a fazer.
Em causa não estão apenas largos milhões de euros, o que não seria pouco. Nem a imoralidade com que usam a faca e o (nosso) queijo que seguram na mão. Em causa está a forma como se estão a escancarar as portas à corrupção porque, não haja dúvidas, exemplos de “interesseirismo”- perdoe-se-me o neologismo - e opacidade como os que estes deputados deram, são convites com passadeira vermelha para o crime e o jogo sujo.
O CDS pôs-se de fora. Votou contra, mas só soltou toda a sua indignação quando a bomba rebentou e incendiou a opinião pública. Antes disso, nada! Só então Assunção Cristas achou que era tempo de cavalgar a onda, como só ela sabe. Até aí, o partido que deu a conhecer Jacinto Leite Capelo Rego ao país, achou que não tinha nada a dizer.
Se juntarmos a este episódio os milhões de euros que o PSD recuperou de quotas em atraso, que a imprensa tem vindo a divulgar sem o mínimo sentido crítico, temos o dramático retrato do quadro partidário da nossa democracia.
Não. Os milhões de euros de quotas que no último mês entraram nos cofres do partido não vêm de militantes que de repente passaram a ter dinheiro e motivação para pagar anos de quotas em atraso. Segundo uma notícia do Público, em meados de Novembro apenas 28.739 dos mais de 210 mil militantes tinham as suas quotas regularizadas. Só na concelhia de Lousada do PSD, no espaço de um fim-de-semana, os militantes com direito de voto passaram de 60 para 670.
Sabe-se há muito, com a complacência de todas as instituições, que dezenas de militantes estão registados com a mesma morada, ou que avultadas somas de dinheiro, provenientes sabe-se lá de onde, que surgem do nada, regularizam de uma assentada o pagamento de quotas a milhares de militantes, muitos deles sem sequer se lembrassem que o eram.
É assim que os partidos escolhem aqueles que, depois, nos dão a escolher para governar o país.
É este o estado da nossa partidocracia!
* A minha crónica de hoje na Cister FM
O Presidente da República foi internado de urgência. Nada de grave, ao que parece. Trata-se de uma intervenção a uma hérnia inguinal que estava prevista para os primeiros dias de Janeiro, mas que os médicos acharam por bem antecipar.
Rápida recuperação, é o que se deseja. Pela sua saúde e ... pela nossa. É que está por lá uma lei à espera do seu veto, e não ficamos a saber se ele já tinha lido...
Um dos bloqueios ao nosso desenvolvimento, porventura a mãe de todos os bloqueios, é o funcionamento, e em especial o financiamento, dos partidos. O Natal dos partidos, como tão bem lhe chamou o Alexandre Homem Cristo, cai como sopa no mel na mensagem de Natal do primeiro-ministro!

Não se percebe muito bem para que servem as "mensagens de Natal" do primeiro-ministro, mas elas lá se sucedem, ano após ano.
A deste ano, a de ontem à noite, com um dia de Natal todo ele cheio de Presidente da República, se calhar até se percebe... E nisto de mensagens sabe-se que António Costa sabe-a toda: começou pelos incêndios, como desta vez não podia deixar de ser, e só depois passou para o ano saboroso, a que sabe ainda dar mais sabor, como convén no Natal.
Como convém nesta coisa da mensagem política, em especial na das figuras do topo da pirâmide, há sempre uma ideia mais forte, que sobressai para se tornar na ideia-chave. Às vezes, o que até nem é raro, cada analista escolhe a sua. Por mim fico-me na frase mais emblemática: "Chegou o tempo de vencer os bloqueios ao nosso desenvolvimento"!
Grande ideia, grande desafio. À António Costa, sem dúvida. O problema é que o António Costa desta declaração é o mesmo António Costa da maioria desses bloqueios. Como o saboroso ano de 2017 se fartou de confirmar!
O que por aí se vai vendo sobre os resultados eleitorais na Catalunha é verdadeiramente extraordinário. Os portugueses alinhados com a soberania catalã, exultam com a vitória inequívoca das forças independentistas e com o desaparecimento do PP de Rajoy do mapa político da Catalunha. Já os portugueses entregues de alma e coração ao espanholismo cantam a vitória clara dos constitucionalistas, e ignoram os resultados do primeiro-ministro espanhol, porque o que conta é o Ciudadanos.
Poderão estar neste momento a pensar que é sempre assim. Que já estamos habituados a que todos ganhem e ninguém perca. É verdade. Mas só é verdade por cá, deste lado da fronteira. Lá, em Espanha, não se passa nada disso. Os espanhóis, os interessados directos, não têm dúvidas nenhumas sobre os resultados das eleições. E muito menos sobre as complicações que eles trazem agarrados...
Os jornais, as televisões - a TVE foi pouco menos que escandalosa - e os comentadores espanhóis, que na campanha eleitoral foram tudo menos plurais, conhecidos os resultados, meteram a viola no saco. Por cá, isso é sempre mais difícil. Mesmo quando as coisas não nos dizem assim tanto respeito...
Francamente: não sei se esta estranha relação com os resultados eleitorais é uma idiossincrasia portuguesa, ou se é apenas o estado de futebolização a que o país chegou!
No âmbito de um processo judicial de contestação a uma contra-ordenação do Banco de Portugal, no valor de 4 milhões de euros, ainda em resultado da sua actividade bancária, Ricardo Salgado alegou em Tribunal, quiçá como argumento central, não dispor de meios para o respectivo pagamento.
Argumentou não ter praticamente reforma, depois da sua pensão de 39 mil euros mensais ter sido, por penhora, reduzida a dois salários mínimos nacionais. E que as despesas da família, cujo montante desconhece, são pagas pela filha, que vive e trabalha na Suíça.
Do ponto de vista individual – que não numa perspectiva de relação com a comunidade - é legítimo que qualquer cidadão utilize todos os meios legais de defesa para minorar, ou mesmo evitar, o pagamento de impostos, multas, do que quer que seja… Ricardo Salgado tem o direito de se defender. Não terá é o direito de se defender dessa maneira!
Não tem o direito de se colocar no papel de vítima, quando vítimas, e vítimas dele próprio, são praticamente todos os seus concidadãos, os que enganou directamente e os que, não tendo sido enganados, não deixaram de ser chamados a contribuir para pagar os seus desmandos e abusos. Vitimizar-se não é direito, é falta de vergonha. E de dignidade!
Independentemente de vir ou não a ser condenado por tudo de que é acusado, o simples conhecimento público da gigantesca rede de off-shores de que dispõe, e do uso que delas fez, deveria servir para delimitar a fronteira de vergonha que Ricardo Salgado não devia transpor.
* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Depois da Europa, depois da Taça, chegou a vez da Taça da Liga. Uma a uma, o Benfica abandona todas as competições. Jogo a jogo, o Benfica teima em negar qualquer tipo de recuperação. Insiste em não desistir da crise, e persiste agarrado à imagem de um interruptor.
Não tem explicação!
Depois do empate em casa com o Braga, na primeira jornada há já não sei quantos meses, hoje, na segunda jornada, com o Portimonense, em casa, na Luz, o Benfica tinha que dar sequência à excelente exibição de Tondela, no domingo passado, tinha que ganhar e tinha que ganhar por muitos, para se ir protegendo da concorrência do Braga.
Pensou-se que assim iria acontecer. Aos 40 segundos já o Benfica concluía em golo - de Jonas, evidentemente - uma espectacular jogada de futebol. O adversário apresentava-se sem oito dos seus titulares. Pelo menos sem oito do onze inicial que apresentara em Alvalade, também no domingo. E o Benfica, ao contrário, mantinha oito dos onze de domingo passado.
Com tudo para correr bem, aconteceu o que sempre tem acontecido. A equipa desligou e foi-se afundando. Desta vez, e ao contrário do que vem sendo hábito, os deuses não foram impiedosos com os jogadores do Benfica, e deram-lhes uma segunda oportunidade. À meia hora de jogo, quando o Portimonense era já dono e senhor do jogo, Lizandro fez o segundo golo, na sequência de um canto.
Os jogadores do Benfica não ligaram muito a essa segunda oportunidade. Não perceberam que aquilo era uma dádiva divina a agarrar com ambas as mãos. E o jogo foi para intervalo com o Portimonense com mais cantos, mais remates e com a mesma posse de bola do Benfica.
Logo no arranque da segunda parte, o Benfica teve o que merecia. Mais um livre lateral e ... golo. Rui Vitória mexeu na equipa, e mexeu mal. Já tinha estado mal nas três caras novas que introduzira de ínício - Svilar, Samaris e Zivkovic, por sinal os piores de todos - e foi por aí que teve que começar, retirando o destrambelhado grego e o jovém sérvio, acabado na jogada inicial, substituídos pelos miúdos Keaton e Diogo Gonçalves. Que só não foram piores ainda porque ... era impossível. Pior ainda era, e foi possível, com a última, com a entrada de Sferovic (quando já não se acredita em nada, acredita-se em millagres) para o lugar de Pizzi.
E como os deuses, ao contrário dos jogadores do Benfica, não dormem, quando faltavam 6 minutos para o final, um canto palerma deu no golo do empate. E no adeus à Taça da Liga, aquela que dantes era ... certinha. Favas contadas, noutros tempos.
O que está a acontecer ao Benfica resolvia-se mandando embora dez ou onze jogadores. Como se sabe, no futebol nunca acontece assim. Como não é possível mandar embora tantos jogadores, e alguém tem que sair...
A "estória" do "The Shed at Dulwich", o restaurante londrino que nunca existiu e chegou ao topo da lista do TripAdvisor, tende a ser apresentada como o mais flagrante exemplo da facilidade em manipular a informação nas plataformas digitais e em particular nas redes sociais.
Mal, erradamente, do meu ponto de vista. Por duas razões fundamentais: a primeira é porque se trata de uma burla. e as burlas existiram no passado, continuam a existir na actualidade, e seguramente que continuarão a existir no futuro. Existem na rua, nos mais sofisticados escritórios, ou nos melhores hotéis. Mas uma burla bem feita, mesmo que não tenha tido por fim lesar objectivamente ninguém para obter qualquer vantagem. Uma burla boa, e ainda por cima bem feita. O que leva à segunda: não é fácil. Não é nada fácil fazer isso bem. Exige muito e múltiplo talento, como uma boa burla sempre exigiu.
Diferente, mas também burla, e burla a sério para prejudicar uns e beneficiar outros, são as "fake news", que nem sequer são um exclusivo - nem de perto, nem de longe - das paltaformas digitais e das redes sociais. Outra ainda, e essa sim toda a débito das redes sociais, são as notícias que não são notícia. Mas essas são normalmente tão mal feitas que não têm grande futuro, mesmo quando transformadas em bola de neve, que tudo leva à frente.
Parecia ser grande a expectativa à volta da audiência parlamentar de ontem. Mas não deu em nada...
O ministro Vieira da Silva não acrescentou coisa nenhuma: não sabia nada, não beneficiou nada, nem foi em nada beneficiado. E tem a consciência tranquíla, como já se sabia... Já a oposição acrescentou bastante: acrescentou dois deputados que ninguém conhecia, mesmo que um traga nome bem conhecido.
E foi isso. Nada mais que isso. O ministro não viu nada, como em tantas outras vezes. E o PSD e o CDS não tinham ninguém que não tivesse nada a ver com aquilo. E por causa dos rabos de palha lá ficamos a conhecer o deputado António Carlos Monteiro, do CDS. E a saber que Marques Mendes já tem a dinastia assegurada.
Porque a porta giratória do regime não pára, nem para entradas e saídas. Está sempre em movimento!
Também a Fitch, mesmo no finalzinho da semana, retirou Portugal do lixo, saltando directamente dois degraus na escada da classificação de rating. Foi provavelmente a última grande notícia do ano, o tal que Costa designou de "saboroso", gerando mais uma onda de indignação e obrigando-o a voltar a falar de contexto. Ou de fora dele...
Não deixa de ser extraordinário que um governo tido por politicamente forte - é essa a marca de António Costa - e economicamente vulnerável, sobreviva hoje politicamente à custa do seu desempenho económico. Não deixa de ser extraordinário que, contra todas as expectativas, o governo tenha ganho na economia o que lhe permite cobrir tudo o que perde na política, onde não param de se suceder situações embaraçosas. Como a que hoje leva o peso-pesado Vieira da Silva ao Parlamento!
Nem deixa de ser extraordinário que seja Máro Centeno, que ninguém quis levar a sério e que toda a gente escolheu para bombo da festa, o abono de família do governo do súper António Costa!
Verdadeiramente estonteante, este Benfica.
A deslocação a Tondela não se previa fácil. O adversário é aguerrido e está moralizado por uma campanha que lhe está a correr bem, longe dos últimos lugares que sempre ocupou ao logo das suas épocas no primeiro escalão do futebol nacional. E o Benfica vinha de onde vem, de uma época terrível.
O anúncio da constituição da equipa mais não fez que agravar as previsíveis dificuldades. Porque, à excepção do lesionado Luisão, era a mesma da última quarta-feira. O que queria dizer que Rui Vitória apostava nos mesmos jogadores que tinham sido sujeitos a um grande desgaste físico e emocional, numa derrota que afastara a equipa de mais uma competição, num jogo de enorme intensidade, com um prolongamento jogado com 10 unidades. Mas também que mantinha na equipa os jogadores que vêm sendo mais constestados, como Pizzi, Salvio ou Cervi.
O início do jogo não desmentiu os receios dos adeptos. O Tondela entrou bem, e à medida que a bola ia correndo começou a ver-se aquilo que é habitual ver nos adversários do Benfica: duas linhas bem recuadas e muito juntas, a impedir qualquer tipo de penetração. Depois, grande pressão sobre a bola.
Cedo se começou no entanto a perceber que, ao contrário de tantas outras vezes, o Benfica tinha solução para o problema. Dos pés de Krovinovic começaram a sair passes a rasgar para as costas da defesa tondelense, que rapidamente percebeu que a lição que trazia estudada já não servia para coisa nenhuma.
O Benfica passou a mostrar um futebol de grande qualidade e com alto poder de sedução. E já não era só Kroovinovic a brilhar, eram todos. Pizzi incluído, com dois golos.
A equipa já tinha mostrado este grande futebol na primeira parte do jogo da passada quarta-feira, em Vila do Conde. Só que não teve, nem de perto nem de longe, a mesma eficácia de hoje. E aí esteve a diferença para este Benfica estonteante. É que, com 3-0 ao intervalo, não havia por onde passar qualquer tipo de dúvida na cabeça dos jogadores. Não havia por onde tremer, nem por onde abanar.
É verdade que voltou a acontecer um erro. E não há volta a dar, os astros não perdoam um erro ao Benfica. No único erro, com o resultado já em 4-0, o Tondela marcou. Na única ocasião de que desfrutou, no único erro cometido. Para agravar a injustiça da penalização, num erro do melhor jogador em campo. Krovinovic não merecia que aquele passe para Jardel fosse parar a um jogador do Tondela, que ficou isolado à frente do Varela. Que também não merceia que, depois de defender o remate do jogador isolado, a bola fosse direitinha aos pés do outro.
Foi um incidente do jogo, nada mais que isso. E a equipa tratou-o como uma qualquer mosca incomodativa, enxutou-a para longe e continuou a jogar o seu futebol estonteante. Só deu mais um golo, só deu para fechar o resultado em 5-1.
Poderá não ser ainda desta que o Benfica arranque definitivamente para os patamares exibicionais que se lhe exigem. Mas, depois daquela primeria parte com o Rio Ave, e deste jogo de hoje, não há razão nenhuma para que não seja desta que se dê a volta a isto. Por muito que os problemas da preparação desta época lá continuem. Estonteantes, como este futebol!
O tema é, evidentemente, incontornável. Não sei se já tudo foi dito, mas sei que há sempre mais qualquer coisa a dizer sobre os escândalos ligados à Raríssima, que a jornalista Ana Leal, da TVI, revelou ao país no passado fim-de-semana.
Entretanto vimos como numa deprimente entrevista à mesma jornalista, um Secretário de Estado revelou toda a sua miséria moral. E ficamos a conhecer os nomes ligados aos diferentes órgãos, consultivos ou directivos, daquela IPSS. Por exemplo, o Conselho Consultivo de Reflexão Estratégica, que numa instituição sem fins lucrativos não deixa de ser estranho, é presidido por Leonor Beleza e integra o consultor de comunicação António Cunha Vaz, Fernando Ulrich (presidente não executivo do BPI), Isabel Mota (antiga deputada do PSD, ex-secretária de Estado e actual presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian), Graça Carvalho (ex-Ministra da Ciência e do Ensino Superior nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes), Maria de Belém (ex-ministra da Saúde em governos socialistas e ex-candidata presidencial), e Roberto Carneiro (ex-ministro dos governos de Cavaco Silva), entre outros. Pela assembleia-geral passaram o ministro Vieira da Silva, obviamente envolvido até às orelhas, e a antiga deputada do CDS, Teresa Caeiro.
Maria Cavaco Silva, antes de ter sido feita madrinha dos portugueses por Marcelo - também ele por lá tido e achado - foi a madrinha da Raríssimas nos anos em que o marido ocupou a Presidência da República.
Na Raríssimas não estava apenas todo um regime. Todo o arco da governação, como se diz. Estava o regime e todos os seus vícios.
Por isso, o Instituto da Segurança Social nunca soube de nada. Por isso o Ministro Vieira da Silva não soube de nada. Por isso o Presidente da República também não soube de nada. De concreto e de objectivo, acrescentou. Por isso ninguém recebeu carta nenhuma. Por isso desapareceram as cartas registadas e com AR enviadas à Segurança Social...
E por isso somos invadidos por uma imensa angústia de más sensações. Pela sensação que não é raro o caso da Rarríssimas. Que não é excepção, mas regra. Pela sensação que o país é na verdade governado a partir do submundo. E pela sensação que, se mais trabalho de investigação jornalística deste nível fosse feito, o país desapareceria engolido pelo pântano em que se transformou.
E no fim, com todas estas sensações à flor da pele, vem o primeiro-ministro António Costa pousar leve, levemente, a cereja no topo do bolo, afirmando em Bruxelas que “o ano de 2017 foi particularmente saboroso para Portugal”!
Provocação não é certamente. E a insensibilidade não bate assim…
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
Tudo acontece a este Benfica. Mas tem de dizer-se que se põe a jeito para que todo o mal lhe bata à porta.
Entrou bem no jogo, e dominou toda a primeira parte. Mas só fez um golo. Pôs-se a jeito...
Logo no arranque da segunda parte, ao segundo minuto, Cervi escorrega à entrada da sua área e deixa a bola à mercê de um jogador do Rio Ave. E golo do empate, no primeiro remate à baliza.
O Benfica sentiu o golo, mas veio para a frente. Um quarto de hora depois o Rio Ave ganha uma bola na sua defesa, em falta sobre Pizzi, e sai para o contra-ataque. A jogada acaba com o Guedes a fazer gato sapato de André Almeida e Luisão, e um grande golo. Mesmo que facilitado. Na segunda vez que chegou à baliza do Benfica.
O Benfica partiu de novo para cima do Rio Ave. E apareceu Cássio, um velho conhecido da casa. Rui Vitória foi acrescentando avançados à equipa, e mesmo sem jogar bem ia criando e desperdiçando oportunidades de golo. Até um penalti Jonas falhou.
Então, e por último, entrou Seferovic e saiu Grimaldo, ficando a equipa em completo desiquilíbrio. Luisão fez o empate, faltavam perto de 10 minutos (com o tempo de compensação dado pelo árbitro) para o jogo acabar. Com a equipa desiquilibrada como estava, esse tempo tinha de ser todo aproveitado para chegar ao golo da vitória e evitar o prolongamento, como o capitão tinha deixado claro, sem perder tempo em festejos, a correr com a bola para o centro do terreno.
Pois... nesses 10 minutos a equipa não chegou uma vez à baliza do Rio Ave. Pôs-se a jeito...
Se as coisas não estavam fáceis para o prolongamento, pior ficaram com a lesão (muscular) de Luisão. Remendada e com dez, a equipa do Benfica só podia esperar o pior do prolongamento. Para encurtar a espera, que isto não está para grandes expectativas, o Rio Ave marcou logo no arranque, de novo na primeira vez que lá foi abaixo. Numa carambola, num ressalto e com Zivkovic, completamente desalinhado da linha defensiva, a colocar em jogo o jogador do Rio Ave que fez o golo.
Depois a equipa fez das tripas coração, e mesmo só com coração criou oportunidades para, na lógica de se pôr a jeito, levar o desempate para os penaltis. Mas Cássio chegou e sobrou para as encomendas.
E pronto, depois da Europa também já o Jamor lá vai... Se calhar era bom que alguém pusesse mão nisto. Mas parece que o presidente anda pela China... Também ele a pôr-se a jeito!
Dificilmente assistiremos a alguma coisa mais deprimente, a maior demonstração de indignidade, do que aquilo que ontem pudemos ver na entrevista da Ana Leal ao (então) Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado.
Quem já teve Sócrates como primeiro-ministro, julgaria que já tinha expiado todos os seus pecados, e que não mereceria mais castigo. Nunca sabemos até onde nos leva esta nossa condição de portugueses no que a governantes diz respeito, mas este Sr Manuel Delgado é mau de mais para ser verdade!
Infelizmente é esta a verdade da mentira em que vivemos!
Edmundo Martinho aproveitou a tomada de posse como Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, faz amanhã uma semana, para praticamente confirmar a entrada da Instituição no capital do Montepio.
Estranhamente, não é notícia. Ninguém diz o que quer que seja sobre a entrada da Santa Casa no mundo da banca, obviamente fora do radar daquilo que é o objecto da sua intervenção.
Santana Lopes tinha-se declarado avesso a aventuras, o que poderá não querer dizer que, com ele, o Montepio por ali não se safava. Edmundo Martinho tratou logo de dizer que não se tratava de aventureirismo, mas de pioneirismo.Que é pioneiro, não há dúvida nenhuma. Que não seja aventureiro, há muitas!
O argumento do pioneirismo pode certamente ajudar a chutar para canto questões incómodas sobre a motivação para a entrada da Santa Casa no sistema financeiro, uma área completamente nova, para que nunca esteve vocacionada, e que é tudo menos um mar de águas calmas. Mas há muita dificuldade em disfarçar o aventureirismo de tomar 10% do capital de um banco em dificuldades, com os restantes 90% estão concentrados num único accionista. E muito mais dificuldade ainda em justificar os 200 milhões de euros desse investimento... É que, para que as contas batam certo, o Montepio terá que valer 2 mil milhões de euros. Isto é, pouco menos que o BCP, e mais que o BPI. E isto - toda a gente vê - não faz sentido. Nem numa grande aventura!

A líder do Bloco de Esquerda disse numa entrevista que o "PS é permeável aos grandes interesses económicos" e caiu o "Carmo e Trindade". Não sei se Francisco Assis é o Carmo ou a Trindade. Sei é que nunca o Carmo e a Trindade estiveram tão distantes. E que, se Francisco Assis teria de ser o primeiro "a saltar", de vestes bem rasgadas, Manuel Alegre só deve ter pretendido fazer prova de vida.
Quantas vezes não terá já dito já o mesmo?

Não há muito a dizer sobre o jogo desta noite, na Luz, que opôs o Benfica ao último classificado, o Estoril. Foi muito igual a tantos outros que o antecederam nestes quatro meses que a época já leva, o que quer dizer que o Benfica continua sem atingir os mínimos aceitáveis.
Basta dizer que hoje, contra o último, em casa, o melhor jogador do Benfica voltou a ser o guarda-redes Varela.
Quer isto dizer que o Benfica não "jogou porra nenhuma", e que não mereceu ganhar o jogo?
Não! Quer dizer apenas que o Benfica continua sem saber o que tem a fazer, e que continua com muitos jogadores bem longe do que fizeram no passado recente.
Pouco passava do primeiro quarto de hora e já o Benfica ganhava por dois a zero. Quer dizer, já o Benfica tinha atingido um resultado confortável, daqueles que desinibem as equipas e as projectam para exibições sólidas. Com dois golos nascidos das próprias condições do jogo, nem sequer de mero acaso, ou simplesmente circunstanciais. Com o Estoril subido, a saber encurtar o campo, o Benfica só tinha que saber aproveitar as costas dos defesas adversários, e isso faz-se lançando para lá, primeiro, a bola e, logo a seguir, os jogadores para a captar.
O Benfica fez isso bem por quatro ou cnco vezes, e não se percebe por que não o fez, ou não o procurou fazer, de forma sistemática ao longo de todo o jogo. Como não o fez, permitiu que o Estoril permanecesse confortável na lição que trazia estudada. E que fosse equilibrando o jogo.
No último quarto de hora da primeira parte já o Estoril discutia o jogo sem grandes dificuldades. Varela ainda evitou, com a sua primeira grande defesa, o golo do Estoril. Que chegaria mesmo no último suspiro da primeira parte, com o Luisão a virar as costas à bola e o Jardel desparecido em parte incerta.
Com os jogadores do Estoril a recolherem aos balneários ainda a festejar o golo, que voltava a deixar o resultado em aberto, aumentava a expectativa para a segunda metade do jogo. Com uma grande oportunidade logo de entrada, e mais uma grande defesa de Varela, ficou tudo esclarecido.
Por não mais que duas ou três vezes, o Benfica voltaria a conseguir tirar do jogo o que dele sabia que poderia tirar. Fez com isso mais um golo, que acabou por dar uma expressão ao resultado que não condiz com o que ele foi.
E assim continuamos. Sem grandes esperanças, sem ver Rafa aproveitar mais uma oportunidade, sem ver Pizzi justificar a presença que tem na equipa e sem perceber como é que alguém se safa com uma defesa destas...



Cada um escolhe o seu "maior". Nem numa circunstância destas, nem quando o futebol português se torna recordista absoluto de bolas de ouro, têm um pingo de vergonha que lhes altere as prioridades.
Belo exemplo!
A Unesco acaba de declarar os bonecos de Estremoz património imaterial da humanidade. Juntam-se ao fado e ao cante alentejano. E vieram juntos com a piza.
Não. Não foi o rapaz da pizza que trouxe os bonecos de Estremoz. A pizza é que foi também declarada património imaterial da humanidade. Mas não é pizza do rapaz da mota, não é uma pizza qualquer. Se não também o pastel de nata lá chegaria um dia destes. Ou - quem sabe? - o cozido à portuguesa.
É a pizza napolitana. É a arte do pizzaiolo napolitano, a arte napolitana de fazer pizas, em que o segredo já não está só na massa. Esta nas habilidades trapézicas da massa, nas canções e até nos sorrisos. Está no espectáculo da pizza!
Ora aí está. Pouca gente no mundo conhece os bonecos de Estremoz, mas quando se diz que são património imaterial da humanidade, não é preciso dizer mais nada. Não haverá ninguém no mundo que não conheça a piza, mas quando se diz que é património imaterial da humanidade... Tem que se explicar. E no fim não será muito mais conhecida que os nossos bonecos!
E não me digam que esta não seria uma boa sugestão para alargar colecção dos bonecos de Estremoz...
Com o anúncio da transferência da embaixada de Telaviv para Jerusalém, Trump materializa toda a sua incompetência, ignorância e irresponsabilidade numa das mais perigosas decisões que algum presidente americano alguma vez tomou.
Era uma promessa eleitoral, não se deve esquecer... Quer dizer, ninguém pode dizer que não estava avisado!
Como já se sabia - só o Presidente Marcelo é que não sabia, mas isso é lá com ele... - Mário Centeno foi eleito por ... - não; isso de votos é que não se sabe - não interessa quantos votos, à segunda volta, presidente do eurogrupo. Mas que já se sabia, sabia. E não é por aqui termos dado previamente conta, ontem de manhã; nem pelo lapsus linguae do outrora irascível mas agora simpático Sr Dijsselbloem (ainda bem que vamos poder deixar de escrever este nome, espero...), quando à hora de almoço disse que sairia no dia 12 de Janeiro e que o Mário Centeno entraria a 13. De nada lhe valeu pedir para não o citarem...
Claro que hoje estamos todos contentes porque é prestigiante para ele próprio (e nós somos mauzinhos uns para os outros, mas gostamos que haja portugueses a mostrar aos outros "como é que é") e para o país e, se calhar e acima de tudo, porque é uma tareia do caraças naquela malta que, depois de nos esmifrar até à humilhação, passou a profeta do diabo que, por tabela, também mete o rabinho entre as pernas. Mas sabemos bem que quem manda nisto tudo é a Srª Merkel e o Sr Macron. E também sabemos bem quem manda neles, mas isso, agora, não vem para o caso.
Por isso é que, a partir do momento em que se soube que aqueles dois "se tinham deixado conquistar", se sabia que nada mais havia para decidir. Isto até o Marques Mendes (obrigado pelo título!) sabia, veja-se bem o artista em que Marcelo se transformou... Agora fala-se num enorme trabalho diplomático e numa esgotante correria de António Costa, em Abidjan, à volta de Merkel mas, na realidade, quem manda no euro dificilmente encontraria melhor que Centeno. E, melhor que o actual ministro das finanças do governo de Portugal, não encontraria de todo. Nisso tem Marcelo razão, mesmo que não fosse nisso que estivesse a pensar naquela recomendação mal amanhada (que Centeno não esquecesse que primeiro tinha sido ministro das finanças de Portugal) com cheiro a azia.
Esta primeira página do Expresso de 1 Abril, onde Marques Mendes mais uma vez se estampou, há oito meses já era clara: Centeno era sondado, era sujeito passivo. Os elogios de Schauble - veja-se bem as voltas que estas coisas dão -, chamando-lhe Cristiano Ronaldo do ecofin, não queriam evidentemente dizer outra coisa.
Porque agora é que Portugal serve realmente de bom aluno. Fez sempre bem tudo o que lhe mandaram fazer: fez bem quando fez ainda mais do que lhe mandaram, e fez ainda melhor quando passou a fazer diferente. E ter à frente do eurogrupo o ministro das finanças do governo português que fez diferente, é garantir os limites da diferença. É assegurar, por exemplo, que as absurdas ideias sobre a reestruturação da dívida nunca passarão disso. De absurdas!
Estará por horas, tudo o leva a crer, a eleição de Mário Centreno para Presidente do Eurogrupo. Mais do que estranho, é extraordinário que, em dois anos, Mário Centeno tenha passado do mais óbvio alvo do fanatismo do Eurogrupo, do patinho feio do Ecofin, do ministro das finanças hostilizado pelo Sr Schauble, que gostava de exibir a subserviência da sua antecessora, sempre sorridente e de cócoras, a figura maior desse espaço e estrela dessa companhia.
Mais extraordinária só a forma como a direita em Portugal foi evoluindo durante esse extraordinário processo, começando na rejeição absoluta da hipótese, colocando-a no domínio do absurdo, passando-a depois para o domínio do fait divers, depois ainda para o da hipótese remota para, com a realidade a entrar-lhe pelos olhos dentro, passar à sua completa desvalorização.
E aqui cabem todos. Desde Assunção Cristas, que declarou não reconhecer qualquer mérito a Mário Centeno para tal distinção, ao Presidente Marcelo, que se aventurou numa sucessão de declarações verdadeiramente patéticas. Cada uma mais pateta que a outra, fosse pondo em dúvida as possibilidades da candidatura, ou as alusões ao futebol, fosse indo buscar a situação das finanças públicas nacionais, ou fosse essa insondável recomendação para que Centeno se não esquecesse que "começou por ser ministro das finanças. Esta, então, vale mesmo a pena transcrever: "Tem de olhar para a Europa e na Europa estar atento ao que é fundamental para a Europa, mas não se deve esquecer que começou por ser ministro das Finanças e só lá [ao Eurogrupo] chega por isso, não caiu do céu".
Que coisas extraordinárias diz também Marcelo...

O Benfica entrou no clássico, no Dragão, personalizado, tranquílo e confiante. De tal forma que os primeiros cinco minutos foram praticamente jogados na grande área portista. Veio de resto daí a única oportunidade de golo da primeira parte, num remate de cabeça de Jonas, desviado atabalhoadamente pelo guarda-redes do Porto.
O Porto lançou mão do seu plano B, também conhecido por plano Champions, recolhendo-se lá atrás, para depois sair em contra-ataque, lançando os seus dois panzers - Marega e Aboubakar. Quando se vê o Sérgio Oliveira na equipa percebe-se logo que é esse o programa. A primeira meia hora foi assim, com o Benfica a dominar o jogo e o Porto a tentar sair, mas sem sucesso.
Nos últimos dez minutos o Porto passou a disputar o jogo no campo todo, e ganhou algum ascendente com isso, mesmo que não tivesse tirado daí grande coisa. O melhor que teve foi um remate de Herrera, muito bem defendido pelo Varela, mas já depois do lance estar invalidado, por um fora de jogo anterior.
Na segunda parte a história do jogo é outra. O Benfica até voltou a entrar melhor, mas foi sol de pouca dura. O Porto consolidou a alteração do plano de jogo - curiosamente é a substituição do Sérgio Oliveira pelo Octávio que dá expressão a essa alteração - e passou a disputar a bola sempre com grande pressão e intensidade. Foi meia hora de claro domínio portista, com o Benfica a ceder fisicamente e a perder quase todos os duelos.
As substituições de Pizzi, por Samaris, e de Cervi - também poderia ter sido Salvio - por Zivkovic foram eficazes, vieram foi tarde de mais. À entrada do último quarto de hora parecia que o Benfica tinha virado o jogo. Houve ali um período, logo a seguir à entrada de Zivkovic, em que voltou a ter bola, a dividir o jogo e a incomodar a defesa portista. Só que pouco depois, a 10 minutos dos 90, o árbitro Jorge de Sousa expulsou o sérvio, cinco mkinutos depois de ter entrado, e acabou com a reacção do Benfica.
A expulsão, com dois amarelos em dois ou três minutos - o primeiro por se colocar à frente da bola na cobrança de um livre, e o segundo por agarrar um adversário, o quesilento Octávio -, pode até aceitar-se, o que não se aceita é a dualidade de critérios. Felipe, o central do Porto que deve estar abrangido por um protocolo qualquer que o torna impune, aos 10 minutos já não deveria estar em campo. Primeiro, uma entrada violenta por trás sobre Jonas ... e nada. Logo a seguir agarrou o mesmo Jonas, que lhe fugia para o ataque. E nada, de novo!
Com 10 (mais 4 de compensação) minutos pela frente, e a jogar com dez, o Benfica foi encostado lá atrás. Foi então tempo de sofrer, e de ter alguma sorte nas duas perdidas flagrantes do Marega. É claro que um jogador de outra não falharia aquelas duas bolas, mas não se pode ter tudo. Se tivesse a capacidade técnica para marcar aquelas bolas, com a força e a velocidade que tem, era um jogador de nível mundial. E toda a gente vê que não é.
Para além da dualidade de critérios em matéria disciplinar, a arbitragem de Jorge de Sousa teve outra falha: assinalou, mal, um fora de jogo ao Porto. Daí resultou uma grande defesa do Varela - que fantástica exibição! - já com o jogo parado. E depois dessa defesa, uma recarga que levou a bola para a baliza. O Porto fala em golo anulado. E em penaltis. Mas isso não é novidade, é o costume ...
A aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano, no início desta semana, ficou marcada pela acusação ao governo de deslealdade e de quebra de palavra, por parte de um dos partidos que lhe garante suporte parlamentar.
Qualquer acordo, seja ele qual for, pressupõe compromisso. E o compromisso, lealdade aos seus princípios e honra à palavra dada. Quebra de lealdade e falta ao cumprimento da palavra são razões de sobra para romper com qualquer acordo. O que assegura a actual solução governativa não é excepção!
O governo, e o partido que o integra, tinham acordado com o Bloco de Esquerda a criação de uma contribuição extraordinária para os produtores de energias renováveis – leia-se EDP – que correspondia a uma parte da renda que recebem do Estado e permitiria poupar aos consumidores qualquer coisa como 40 euros por ano na factura de electricidade. Na votação na especialidade, no final da última semana, essa medida tinha sido aprovada. Antes da votação final do Orçamento, logo na segunda-feira, o partido do governo volta a submetê-la a votação e vota contra. Foi isto!
E isto é o sinal que o governo tinha para dar nesta altura, em que as coisas nem lhe estão a correr particularmente bem. Um sinal que, quanto a interesses instalados, estamos conversados: este governo comporta-se como todos os outros. Nada muda!
Quem tiver dificuldade em perceber como é que o político A ou B, que não sabe coisa nenhuma do negócio x ou y, é contratado e milionariamente pago para a administração da empresa C ou D, percebe que é por isto. Que é porque os accionistas não estão nada preocupados com o que eles percebam do negócio – para isso têm lá outra gente. E às vezes nem é preciso que tenham… Querem é ter lá gente que, na eventualidade de alguma coisa má passar pela cabeça de algum governante, corra a convencê-lo que… não pode ser!
Por sinal, um grande sinal do governo. Um sinal de uma enorme falta de vergonha. Tanta que nem sequer reagiu à acusação de aldrabão. Nem uma palavra sobre a falta de palavra, como se não tivéssemos todos ouvido, com todas as letras, que “o governo não honrou a palavra dada”. Mas também tanta que não se importa nada de deixar claro que, tendo que decidir – não, não é entre os interesses dos poderosos e dos mais frágeis, isso foi chão que já deu uvas! – mas tendo tão somente que decidir entre os interesses instalados do regime e a sua própria solução governativa, a solução de governo que tem para o país, decide-se pelos interesses instalados.
Claro que agora não vão faltar primeiras páginas dos jornais a dizer que dezenas de investidores, cheios de milhares de milhões de euros, loucos para os investir por cá, já inverteram a marcha e voltaram para trás. Nem especialistas, nos jornais e nas televisões, a dizer-nos que tinha de ser assim, que isto é que é sensato. Que se a medida tivesse ido para a frente iria levantar uma onda de litigância de que só haveria que esperar o pior. O diabo, certamente…Curiosamente – ou talvez não – não há ninguém que venha dizer que o Ministério Público está há meses a investigar esses contratos, e que, por exemplo, António Mexia, presidente da EDP, e Manso Neto, o da EDP Renováveis, são suspeitos de corrupção e estão constituídos arguidos.
Pois… eles existem para isto mesmo. E sabem fazer bem o seu papel!
É também por isto que não posso terminar sem uma homenagem a Belmiro de Azevedo, que sempre denunciou este estado de coisas. E que mostrou que é possível ser o maior empresário do país sem prostituir o poder, ignorando-o. Desprezando-o mesmo. E que é possível enriquecer sendo sério e honesto!
* A minha crónica de hoje na Cister FM
Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...