quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sebastianismo europeu

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Trouxe aqui o tema na altura própria quando, no comício de Munique, no passado domingo, acabada de chegar de duas cimeiras internacionais – da NATO e do G7 – Merkel, surpreendentemente vestida a preceito de uma verdadeira linguagem europeia, disse que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, nem no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino.


Volto a ele quando disso se quer fazer um  grito do Ipiranga à europeia, e quando se percebe que andam por aí numa roda-viva a espalhar a boa nova:”habemus líder”! 


Que Angela Merkel tem mandado na Europa, ninguém tem dúvidas. Mas, mandar é uma coisa, liderar é outra. O que está está farto de estar provado é que, para Merkel, os interesses da Europa são os da Alemanha.


Não se percebe o sebastianismo!


 


 


 


 


 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Com a cabeça a andar à roda

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À medida que se vão confirmando as boas notícias da economia portuguesa, como hoje o INE a oficializar o crescimento de 2,8% no primeiro trimestre, ou Álvaro Santos Pereira, o revogado pelo irrevogável, a garantir que a OCDE vai rever em alta as perspectivas de crescimento económico em Portugal, mais voltas o eixo PAM (Passos - Albuquerque - Montenegro) dá.


De tantas voltas, já têm a cabeça a andar à roda. Já não dizem coisa com coisa. Vejam bem que, depois de andarem a dizer que nada daquilo ia dar certo, que estava tudo errado, que era uma impossibilidade aritmética, que eram histórias para meninos, e de rirem na cara de Centeno como se ele fosse o palhaço lá da turma vêm, agora que lhes entra pelos olhos dentro que está a correr bem, dizer que... foi por eles que correu bem. Que aquilo que não podia correr bem, porque era tudo ao contrário do que eles tinham feito, correu bem, porque eles tinham feito o contrário do que foi feito, e que está a correr bem...


Já estão também com a cabeça a andar à roda, não estão? Pois...


 

Diálogos curtos

 - "Portugal não precisa de um banco mau".


- Pois não. Já tem tantos...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

100 anos. Parabéns!

 


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Para "aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando", a morte tem destas coisas. Não só não mata, como conserva.


John Fitzgerald Kenedy está, aos 100 ans, muito bem conservado.

domingo, 28 de maio de 2017

Fazer História e contar com a História

 


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É dito e repetido que faltam líderes à Europa. Que os grandes problemas no actual processo europeu são exactamente fruto da falta de rasgo, de visão, de dimensão e de estatura da actual geração de políticos europeus.


Todos sabemos que assim é. E que Angela Merkel é certamente o maior expoente  dessa geração. Que, por ser alemã, se chegou à frente, e quem tem na realidade liderado a Europa. Mas nunca os europeus lhe reconheceram qualidades para encarnar o líder por que a Europa necessita. Pelo contrário, sempre inspirou mais medo que esperança.


Mas tem que se reconhecer que, nos últimos dois anos, a senhora fez alguma coisa por mudar essa imagem. Começou com o problema dos refugiados, e teve um forte empurrão com o espectro da marcha da extrema direita por esta Europa fora. Sim, a ameaça de um pesadelo extremista fez muito do trabalho de "fotoshop" que tem beneficiado a imagem de Merkel nestes últimos tempos.


Ontem, regressada da cimeira do G7 e da Cimeira da NATO, num comício em Munique, fez um daqueles discursos que podem encher a página de viragem na Europa. Quando Merkel diz com todas as letras que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, e no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino, está a escrever História.


Falta agora saber se ela própria consegue estar ao nível da História que está a escrever. E essa é uma dúvida que, mais que Merkel, é a Alemanha, e a sua História, que têm dificuldade em esclarecer.


 


  

Hoje temos tetra com dobradinha

 


Benfica conquista Taça de Portugal


 


Aí está a dobradinha, a décima primeira, a abrihantar o tetra. Depois do 36, aí está a 26!


A final da Taça foi a festa do costume. Nem a chuva a estragou, porque não há festa como esta, chova ou faça sol.


A chuva, que caiu copiosamente durante a maior parte do jogo, não estragou a festa. Mas não ajudou nada no jogo. Foi notório, em especial na primeira parte, que precisava de ajuda para se tornar mais interessante e  mais agradável de ver. Pela chuva, certamente, mas também por outras razões, a primeira parte foi assim para o fracote. Com muitas interrupções, muitas faltas, empurrado pelos  jogadores do Vitória para uma dimensão muito física.


A lesão de Fejsa, obrigando-o a abandonar o relvado logo aos vinte minutos, foi a primeira consequência desse caminho que o jogo tomou. Receou-se que pudesse marcar o resto de jogo, e pelo menos acabou por  marcar o resto da primeira parte. Onde o Benfica teve mais bola e  produziu mais jogo, mas não deixava uma ideia de grande superioridade.


A segunda parte foi bem diferente. O jogo subiu de qualidade, muito por efeito da chegada de Jonas ao jogo. Com uma entrada forte, e com Jonas a fazer o que faz como mais ninguém - não merecia que a trave lhe roubasse aquele golo - , o Benfica virou o jogo do avesso. Fez o primeiro golo logo aos dois minutos, e o segundo aos sete. Aos dois golos em cinco minutos, sucedeu-se mais uma série de oportunidades nos seguintes. O Benfica tinha o domínio e o controlo do jogo, e já só faltava acrescentar golos ao resultado. Mas a bola teimava em não voltar a entrar, mesmo quando já a víamos dentro da baliza. O espectro da goleada do jogo do tetra pairou no Jamor, mas o  2-0 manteve-se, teimoso. E mentiroso.


Mais mentiroso ficou quando, a uma dúzia de minutos do fim, num canto, o Vitória marcou. Nos doze - mais os quatro de compensação - que se seguiram, oportunidades de golo, só para o Benfica. Mais três, ainda, fazendo com que o resultado tenha acabado por ser  ainda mais mentiroso que o video árbitro. 


O problema não está no vídeo, esse funciona. O problema está - e lá continua - no árbitro. O video mostrou dois penaltis, mas o árbitro não os viu. Então aquele aos 55 minutos.... O  árbitro (Hugo Miguel), depois de estar em comunicação com o video árbitro, mandou seguir o jogo.


Parece que a verdade desportiva pode esperar. O corporativismo é que não. E sabe-se que Portugal tem fortes tradições corporativas.


Mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que, mesmo assim, o Benfica fechou a época em beleza. Tetra com dobradinha, sabe ainda melhor. E o grande capitão já igualou o mais titulado jogador do Benfica. Ninguém ganhou mais que Luisão e Nené: 19 títulos. É obra!


 


 


 


 


 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

É preciso outras respostas

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O terror voltou, pouco tempo depois. Agora foi em Manchester, e o alvo foram jovens adolescentes, que se limitavam ao prazer da música num concerto à sua medida.


Bastou um, apenas um. Jovem também, para, de bomba à cintura, espalhar a morte a partir de si próprio.


Já estava referenciado. Acabamos sempre a saber que estava, todos os outros estavam também referenciados. Não tem servido de muito. Não serviu para nada a nenhuma das vítimas. 


Começa também a não servir para nada dizer que eles não ganham. Que não cedemos em nada, que não abdicamos de nada daquilo de que é feita a maneira como vivemos. Nem é verdade nem faz já muito sentido. É preciso começar a encontrar respostas. Outras respostas, que estas já não servem.


Eles estão a ganhar. E assim continuarão,  se deixarem que assim continue. 


 

Diálogos curtos

 


Schauble: "Centeno é o Ronaldo do ECOFIN"!


Marcelo: "Por uma vez diz alguma coisa de jeito"...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Sir Roger Moore

 


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Morreu ontem, na Suiça, um dos  rostos do mais famoso agente secreto ao serviço de Sua Majestade.


Levou com ele uma boa parte das minhas memórias de menino, onde Simon Templar ganha, e por muitos, a James Bond.


Até porque Simon Templar, o icónico "Santo", só há um - Roger Moore e mais nenhum.  007 há muitos, mesmo que nenhum tão "british"  e tão "gentleman"...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A decência pode esperar

 


 


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O anúncio da saída de Portugal do "Procedimento de défice excessivo", o famoso PDE, foi oportunidade para Pedro Passos Coelho, que em véspera de eleições enganava os portugueses com simuladores que reduziam a zero a sobretaxa de IRS, reclamar menos calculismo eleitoral. E para Maria Luís, a sua partenaire nesse e noutros números, deixar cair esta pérola: "A autossatisfação com alguns resultados alcançados, ignorando o que os permitiu e desprezando o que devia ser feito para os manter, é a receita infalível para voltarmos, mais dia menos dia, aos problemas do passado.”  


A decência pode esperar... Mas não se deve abusar!

domingo, 21 de maio de 2017

Regressos

 


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Surpreendentemente, em Espanha, Pedro Sanchez reconquistou a liderança do  PSOE. Ou talvez não. Talvez não tenha sido assim tão surpreendente, se nos lembramos como foi afastado. Num golpe do baronato do partido, com forte apoio mediático.


Ao recolocar Pedro Sanchez aos comandos dos socialistas espanhóis, as bases do partido disseram aos barões, com Felipe Gonzalez à cabeça, que a afirmação, e a própria sobrevivência, do PSOE não passa pela colagem à direita. Mostraram que sabem bem que, para fazer as mesmas coisas que a direita, a esquerda não é necessária. Que o original é sempre melhor que a cópia.


Coisa que muita gente não quer que se perceba. Lá, como cá!

Contas feitas

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Jogaram-se os últimos jogos do campeonato, e fizeram-se as últimas contas, soberanas como sempre, que ditaram as últimas decisões. Com as contas do título arrumadas há uma semana, bem como as da primeira despromoção, e as do último apurado para a Liga Europa, fechadas no sábado, já só restava saber quem acompanharia o Nacional, da Madeira, na viagem para a segunda Liga.


As contas faziam-se entre o Moreirense e o Tondela. Ambos fizeram pela vida, ganhando os seus jogos, e claramente. O Tondela ao Braga, e o Moreirense ao Porto. Por isso acabou por cair o Arouca (quem diria, Lito Vidigal?), que perdeu no Estoril.


Mas é a vitória do Moreirense que tem História. Marcou o primeiro golo ainda bem cedo, à pasagem do minuto 16. Vinte minutos antes da passagem de um drone, com o número 36 do minuto 36 quando, das bancadas, já com as gargantas bem aquecidas com aquela coisa que gostam de chamar a certas mães, se ouvia um cântico qualquer com um desejo qualquer. "Quem me dera"...Subitamente interrompido pelo segundo golo do Moreirense. 


Isso mesmo. Um golo calou, o que, pelos vistos, ninguém se preocupa em calar. Como se percebeu na Sport TV... 


Mas o resultado não ficou por aqui. O Benfica tinha empatado a dois golos, na festa, no Porto. À entrada para a última jornada, Benfica e Porto tinham exactamente o mesmo número de golos marcados e sofridos. Estavam empatados nas contas do melhor ataque, com 70 golos marcados, e da melhor defesa, com 16 golos sofridos. Quer dizer, o resultado perfeito era mesmo 3-1. 


O Moreirense não se limitou a ganhar para assegurar a permanência. O Moreirense, de Petit, calou um cântico vergonhoso que mais ninguém cala. E só parou no resultado perfeito. Sim, porque o que é perfeito, é, no fim, quando se fazem as contas, o campeão ficar com o melhor ataque e com a melhor defesa


 


 

sábado, 20 de maio de 2017

Festa, saber e raça

 


Boavista fala em uso desadequado de bilhetes destinados aos seus adeptos


 


 O Benfica levou a festa do tetra ao Porto, que também a merece. O pretexto foi a disputa do último jogo do campeonato, com o Boavista.


Que seria sempre um jogo de festa, mas também um jogo cheio de pontos de interesse. Desde logo porque Rui Vitória, e muito bem, porque é assim que se gerem recursos humanos, e é assim que se constrói a coesão da equipa, quis que todos os jogadores do plantel se sentissem campeões. Mais do que fazê-los campeões, Rui Vitória quis que se sentissem campeões. 


Por isso apresentou um onze que não repetia nenhum dos titulares dos últimos jogos, promovendo logo de início a estreia de três dos quatro jogadores que ainda não tinham participado no campeonato - os júniores Kalaica e Pedro Pereira, central e lateral direito, e Hermes. Paulo Lopes ficava no banco, para entrar com a mística debaixo do braço, lá mais para a frente, quando fosse necessário. Claro que a qualidade de jogo da equipa teria de se ressentir. As rotinas não estavam lá, e a equipa não podia apresentar o entrosamento que normalmente exibe. Mesmo assim, na segunda parte já nem se deu muito por isso e, com a troca de Hermes por Rafa, logo ao intervalo, a qualidade de jogo subiu e a superioridade do Benfica passou a ser notória. E evidente.


O próprio desenrolar do jogo viria a acrescentar novos pontos de interesse. Vários. A começar pelo golo do Boavista, logo no final do primeiro quarto de hora, na primeira oportunidade de golo do jogo. Como nunca, ao logo de todo o campeonato, o Benfica tinha virado um resultado, nunca ganhara qualquer jogo em que tivesse sofrido o primeiro golo, ficava lançada a expectativa de, no último jogo, quebrar esse enguiço. Depois, num campeonato de evidente superioridade competitiva, o Benfica não conseguira ganhar a nenhum dos adversários que tinham empatado na Luz. E o Boavista era um desses três adversários (os outros tinham sido o Setúbal e o Porto), naquele escandaloso empate a três.  


Por aí, ficamos conversados. Esses são dois enguiços que ficam a marcar este campeonato do tetra.


Havia mais dois pontos de interesse, também paralelos, como aqueles dois. O jogo teria de dizer alguma coisa sobre André Horta e Zivkovic, desaparecidos na bancada parte final da época. E o jogo foi claro, a esse respeito. Tão claro que começou por explicar que não são assim tão paralelos, quando se viu André Horta pegar logo no jogo. Tão claro que ficou claro que, mesmo sendo o melhor há, mais para a frente, Rafa. E, mais para trás, Pizzi. Por muito que gostemos - e gostamos - daquele que é um de nós lá dentro... 


Também foi claro na resposta que nos deu sobre Zivkovic: a jogar assim, está explicado. O que o jogo não pôde explicar é do domínio metafísico, é a questão do ovo e da galinha, uma velha inquietação da humanidade. Zivkovic passou a ir para a bancada porque está assim? Ou está assim porque passou a ir para a bancada?


Mas este jogo do Bessa que fechou o campeonato não se limitou a responder as estes pontos de interesse. Mostrou muito mais, e teve muitos outros pontos de interesse. Mostrou um Boavista interessante e a jogar bem à bola, coisa que nem faz parte dos hábitos da casa. Com jogadores interessantes, um deles muito interessante mesmo. Não é da casa, mas está lá, e deu cabo da cabeça à inovada defesa do Benfica. Que o digam Eliseu e Lizandro. Hoje pintou a manta, mas já na Luz o Iuri Medeiros tinha feito das suas. E já no ano passado, no Moreirense.  


E mostrou a raça do campeão. O Boavista, que marcara na primeira oportunidade que criara, voltaria a marcar na segunda, aos 7 minutos da segunda parte, precisamente quando o Benfica tinha tomado conta do jogo. Quando já só se defendia como podia. 


Mesmo sentindo o golo, e percebeu-se como os jogadores o sentiram, o Benfica reagiu. Chegaria ao golo vinte minutos depois, já com Jimenez em campo, no lugar de Fillpe Augusto, numa jogada típica do Rafa, que levou a bola até a entregar a Mitroglou para, já dentro da área, rematar cruzado para a baliza. Logo a seguir, a terceira substituição, para ganhar o jogo: entrou Paulo Lopes, para o lugar do Júlio César, que sofrera dois golos, sem ter feito uma únca defesa.


Levou a mística lá para dentro, para que, à beirinha do minuto 90, um miúdo que já não engana ninguém, o novo Lindelof que se chama Kalaica, ainda júnior, na estreia, fazer o empate. E a festa. Grande. E merecida. No fim, do fim do campeonato deste incrível tetra!


 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Excessos*

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Ainda estamos todos ressacados dos excessos dos últimos dias. Aquilo é que foi, não faltou nada. Foi até deitar fora. Foi o Papa, foi o Benfica, foi o Salvador … Foi a economia a crescer para além do imaginável … Foi os juros negativos, mais negativos que nunca, como se fossemos a Alemanha…


Uma bebedeira, é o que é. “Tá” tudo bêbado! Até Marcelo – olha quem? - já veio pedir juizinho. Por acaso não reparei se a língua se lhe enrolava, mas que é mesmo conversa de bêbados, lá isso é!


Andávamos nós nesta vida boémia quando o Correio da Manhã se lembrou de avisar que os excessos são perigosos, e às vezes correm mal. Para ilustrar a coisa, nada melhor que um ambiente de queima das fitas. Melhor ainda, um autocarro especialmente fretado para – já se vê – combater excessos.  De álcool, mas apenas ao volante.


Fê-lo à “Correio da Manhã”. Porque não sabe fazer de outra maneira. E porque lhe continuam a permitir que o faça dessa maneira. A divulgação de um vídeo de uma alegada violação de uma rapariga num autocarro da cidade do Porto, durante a Queima das Fitas, não é jornalismo. É falsa informação, é a receita manhosa para maximizar audiências que choca, frontal e violentamente, com a ética e a deontologia do jornalismo. É nojento. É repugnante.


Há jornais assim em todo o mundo. É verdade que sim, com mais ou menos exageros. Não há é gente que estivesse tão encantada, tão lá em cima, como nós estávamos…


Até parece um murro no estômago. Para quem ainda o tenha, evidentemente!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM


 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Falta aqui alguém...

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Com o país em euforia desmedida, numa excitação sem fim, a ganhar tudo o que há para ganhar, a crescer como já ninguém se lembrava e, imagine-e, até com gente a pagar para nos emprestar dinheiro, sente-se a falta de Passos Coelho. 


Não é que, em bom rigor, alguém sinta a falta dele. Mas sempre gostaríamos de saber se continua mal disposto, com ar de poucos amigos, zangado com tudo e com todos... Mas ninguém o vê. Deve estar bem certamente. De férias, quem sabe?.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Notícia

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Dado que, do rival Trump, a única notícia que agora se aguarda é a do impeachement, Bruno de Carvalho volta hoje ao topo da notícia. Anunciou no facebook - e isso, como se sabe, é notícia -  que vai abandonar ... o facebook. Não que se tenha transferido para o tweeter de Trump - nem isso nunca poderia ser, o Bruno não é gajo que se satisfaça com 150 caracteres - mas porque, concluiu, aquela é uma casa mal frequentada. Insuportável para uma pessoa de bem, como ele!


E agora? Onde é que a criatura vai poder despejar, todos os dias, os disparates que produz como mais ninguém (o Trump continua no tweeter)?


Não sei. Mas desconfio que alguma coisa vai entupir...


 


 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Deprimentes. Até a matar o diabo...

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À medida que são anuncados novos e mais resultados positivos da  economia portuguesa, aumenta a depressão da nossa direita radical, com reacções cada vez mais deprimentes.


Primeiro, o diabo estava em todo o lado. Depois passaria a estar no défice, essa coisa sagrada em nome da qual tudo teria de ser sacrificado. Não estava no défice, ou, se lá esteve, foi tão rapidamente escorraçado que nem se deu por ele. Tinha-se passado para o crescimento, só podia.... Tem que estar no crescimento, daí não dá para escapar!


Afinal, também não. Também não está aí. Se calhar não há mesmo diabo...


Ah... esperem aí. Não há diabo mas ainda há por onde pegar nisto: o crescimento não vale. Existe, está aí à vista, mas é a derrota da política da geringonça, não tem nada a ver com o modelo económico que nos venderam. O modelo apostava no consumo interno, e este crescimento vem das exportações. Exactamente! As exportações que ganhariam competitividade com a redução dos custos do trabalho, a tal reforma estrutural que Passos lamentou não ter concluído. 


Mesmo assim, lembra Maria Luís, mesmo sem ter concluído essa patriótica tarefa, e nuclear reforma, de deixar os custos do trabalho em Portugal ao nível dos do Vietnam, os resultados estão à vista. Este crescimento é nosso, sem a nossa missão visionária, a economia portuguesa continuaria a passo de caracol. 


Deprimentes. Até a matar o diabo...


No meio disto tudo apanho com o Salvador Sobral, num daqueles seus apartes, em pleno corredor do triunfo, no "off" a que agora perdeu direito, a dar-lhe com esta: "... ganhamos o europeu, ganhamos a eurovisão, temos um governo de jeito..." Pois é!

domingo, 14 de maio de 2017

Coisas extraordinárias

                                                     Capa do Jornal NegóciosCapa do Jornal Negócios


 


Se não se visse, não se acreditava...


Na manchete da sua última edição, à esquerda - edição de fim de semana, para que não restem dúvidas - o Jornal de Negócios diz-nos que a economia da geringonça já deu o que tinha a dar. "Não dá mais"!


Na seguinte, na edição de hoje, no mesmo Jornal de Negócios, no mesmo espaço de manchete, diz-nos que a "Economia acelera para máximo de sete anos".


O que um fim de semana faz!


Todos sabemos que este foi o fim de semana de 13 de Maio. Como foi extraordinário e provavelmente irrepetível. Mas ninguém imaginaria que tivesse virado do avesso as perspectivas da economia portuguesa. Mas é para isso que temos jornais como o Jornal de Negócios: é para nos mostrar com tanta clareza aquilo que nem nos passa pela imaginação.


E se agora vos disser que a manchete de hoje não tem nada a ver com o fim de semana? Que tem apenas e só a ver com o que o INE vai hoje anunciar, que o crescimento económico do primeiro trimestre é o maior dos últimos sete anos? 


Desconfio que me dirão que é ainda mais extraordinário que o extraordinário fim de semana que acabamos de viver...

sábado, 13 de maio de 2017

TETRA. Fez-se História!

"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. pela primeira vez.


Benfica vs Vitoria de Guimaraes


 


"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. Pela primeira vez.


E fez-se História, a 13 de Maio, na Catedral da Luz... pouco depois de o Papa Francisco ter abandonado solo português. Com o 36, o TETRA! E fez-se festa. Faz-se a festa. E vai continuar a fazer-se festa, pela noite fora, no Marquês. E durante toda a semana, pelo país fora.


Mas primeiro foi preciso jogar. Com o Vitória Sport Club, uma das melhores equipas do campeonato, no seu melhor momento da época. A quarta. A segunda mesmo, no campeonato dos jogos fora, só atrás do Benfica. E ganhar, mas ganhar com tudo: com golos, cinco que bem poderiam ter sido o dobro; e com a melhor exibição da época.


Guardado estava o bocado... E o Benfica tinha mesmo guardado o melhor bocado da época para este momento único da conquista do TETRA. Para que na memória de todos se não apaguem as imagens do futebol brilhante que selam esta conquista histórica. Se alguém viu melhor futebol esta época em Portugal, que se levante e fale. Se não, que se cale para sempre... No que respeita à justiça deste título, evidentemente!


Quando não podia falhar, o Benfica não falhou. Mas fez mais e melhor: foi categórico e brilhante. Absolutamente brilhante!


A primeira parte foi um autêntico hino ao futebol. Aos 11 minutos; à segunda oportunidade, o primeiro golo. De Cervi, numa recarga a uma excelente defesa, do também excelente Douglas, ao remate de Jonas, que culminara mais uma grande jogada de futebol. Cinco minutos depois, numa sensacional assistência de Ederson (a jogada faz parte do cardápio de soluções do Benfica, mas "estava escrito" que hoje é que era o dia de resultar), Jimenez fez o segundo. 20 minutos mais tarde, depois de Jonas, por duas vezes ter permitido que o guarda-redes adversário lhe roubasse o golo, Pizzi, na mesma posição e numa jogada fotocopiada das outras duas, mostrou como se fazia. E foi o terceiro. E logo a seguir Jonas redimiu-se dos golos falhados e marcou, de forma portentosa, num chapéu fantástico, o quarto. Sempre com os jogadores do Vitória perdidos, sem saberem onde se haviam de encontrar no meio daquele turbilhão de futebol em que se viram metidos.


Na segunda parte o jogo não foi muito diferente, pesem as alterações que o treinador Pedro Martins promoveu na equipa. Não havia muito a fazer. Pouco mais que proteger-se como pudesse do temporal de futebol que assolou hoje a Luz. 


Só deu mais um golo, é certo. De Jonas, de novo, e agora de penalti. Mas isso foi apenas porque o acaso, o poste, o guarda-redes e os defesas do Vitória não permitiram que as sucessivas oportunidades de golo fossem bem-sucedidas.


E agora vamos para o Marquês, que se faz tarde.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Que coisa!*

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Bem sei que o Papa Francisco está a chegar, que os pastorinhos estão a passar a santinhos, e que o dia é de fé e comoção. Bem sei que nunca é bonito falar de merda, e que é bem possível que hoje seja o pior dia para falar disso.


Mas a actualidade é o que é – podia dizer de maneira diferente, mas tento ser comedido – e também não podemos todos estar a falar do Papa, dos pastorinhos, ou da aparição, que afinal, 100 anos depois, já não precisa de ser aparição e se aguenta com o estatuto de visão. 


E a actualidade que não passa por Fátima, passa por Caracas, onde a revolta merda – perdão: medra - a olhos vistos.


A Guarda Nacional venezuelana não se tem poupado a esforços para garantir a tranquilidade de Maduro, para que o homem possa dançar e beber uns copos sem ser incomodado. Carrega com tudo, ferindo e matando sem dó nem piedade, numa luta sempre desigual, com tanques, metralhadoras, jactos de água e bastões de um lado, e apenas pedras do outro.


Os manifestantes, maioritariamente jovens, como é normal, e fartos de levar porrada, acharam que tinham que queimar etapas, e saltar rapidamente da idade da pedra - literalmente - para a actualidade.


Encheram frascos de merda, chamaram-lhe "poopootov", e desataram a mandá-los para cima dos polícias. O sucesso foi ainda maior que o do Salvador Sobral na Eurovisão.


Mas durou pouco. Rapidamente o regime de Maduro acusou os manifestantes de batota. Essa é uma arma proibida!


O "poopootov", sentenciou a Inspetora Geral dos Tribunais da Venezuela, é uma arma biológica. E o uso de armas bioquímicas é um crime severamente punido!


Que merda!


 


PS: a imagem não deixa dúvidas sobre a sofisticação da arma, nem sobre a exigência dos procedimentos de artilharia.


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Assim é que é!

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O governo apresentou o projecto para duas novas estações no Metro de Lisboa: Estrela e Santos. Foi acusado de eleitoralismo, de estar a favorecer a campanha de Fernando Medina.


Assunção Cristas, uma mãos largas, não faz a coisa por menos de vinte novas estações. E chama-lhe "rasgo e ambição"... 


Grande Assunção. Assim é que é!

terça-feira, 9 de maio de 2017

Fronteiras

 


 


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Enquanto por cá se fecham umas fronteiras, lá longe, no lado de lá da Europa, abrem-se outras... De música. Ou... ganha-se de Eurovisão o que se perde de Schengen. Querem ver que o Salvador ainda ganha ao Papa?


 

"Efeitos extremamente perniciosos"...

 


 Imagem relacionadaImagem relacionada


 


O Tribunal da Relação decidiu autorizar o levantamento do sigilo bancário, requerido no âmbito da comissão de inquérito parlamentar à recapitalização da Caixa, decisão de que a  Caixa Geral de Depósitos, a CMVM e o Banco de Portugal viriam a recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça. Recurso que a Relação viria a chumbar por ter sido feito fora de prazo, polémica jurídica ainda por resolver.


Não é essa polémica que agora me interessa. Se o recurso foi apresentado dentro ou fora do prazo é um pormenor, pese toda a relevância  processoal que evidentemente tem. Já o recurso em si, o acto de recorrer da decisão que levaria à divulgação de "quem foi quem" no desastre do mal parado da Caixa, é outra coisa. Bem diferente, e de enorme gravidade.


Da Caixa desapareceram largos  milhares de milhões de euros em crédito mal parado. Agora mal parado, porque antes mal aprovado, ao que se diz sem garantias de nenhuma espécie. O mínimo a que a decência obrigaria era que os portugueses, que agora são chamados a pagar, e que sabem que não conseguem um euro de crédito da Caixa sem lhe entregar uma hipoteca de valor bem superior, ficassem a saber quem aprovou o crédito, por que razão e quem o usou. Num patamar mais compatível com um Estado sério, com a responsabilidade e com a transparência, os portugueses, que vão agora pagar, teriam ainda o direito de saber mais algumas coisas. Por exemplo: 



  • Que relações - pessoais, políticas, económicas, profissionais, etc. - existem entre quem aprovou e quem usufruiu do crédito, agora incobrável;

  • Quais as iniciativas tomadas para reaver o crédito agora incobrável;

  • Se o devedor tem património para responder pela dívida;

  • Ou, no caso de não o ter, o que é lhe sucedeu. Que voltas levou esse património? 


Não se pode aceitar que um banco peça dinheiro - muito dinheiro - aos accionistas, e por maioria de razão aos contribuintes, sem lhes explicar para quê. O que aconteceu. Mas o que ultrapassa todos os limites da compreensão, para cair no domínio do escândalo e do absurdo, é que, nessa atitude de recusa de informar, o banco esteja acompanhado pelos reguladores.do sector.


Que o Banco de Portugal e a CMVM se juntem ao banco público para negar a simples informação de "quem é quem" é de todo inaceitável. Que digam que a divulgação dos maiores devedores da Caixa "tem efeitos extremamente perniciosos" é, mais uma vez, a clara confirmação que não existem para regular e supervisionar o sector, mas para nele se confundirem e misturarem. Para tapar, em vez de mostrar. Para esconder os conluios. E para deles ser parte!


Poderá ser mau saber o que se passou, mas pior é o que se passou. Agora com a "extremamente perniciosa" conivência do Banco de Portugal. E da CMVM, por sinal agora tão "perniciosamente"de acordo!


 


 


 


 


domingo, 7 de maio de 2017

Macron, pois claro!

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Não surpreende, a vitória de Macron. Era esperada, agora que, passado não se sabe bem o quê, voltamos a confiar nas sondagens. Os números, a expressão dessa vitória - mais de 66% - também não. 


Poderá não surpreender os 90% de Paris, mas é um resultado notável. É verdade, em Paris Le Pen não passou dos 10%. E isso é uma excelente notícia. 


Poderá também haver quem não se surpreenda com os 12% de bancos e nulos. Mas é um resultado eleitoral relevantíssimo, que dá conta da expressão do eleitorado que resiste ao voto útil. Que não vota pelo que não quer, mas apenas e tão só no que quer. Se calhar porque sabe que outros o farão por si. Quem sabe?

Claro que acreditamos!

Raúl Jiménez celebra o golo em Vila do Conde


 


Este jogo de hoje em Vila do Conde seria sempre fundamental para o título. Para o 36. Para o tetra..


Seria sempre um jogo de elevado grau de dificuldade, porque o Rio Ave é uma das poucas boas equipas do campeonato. Já o era com Capucho, passou a sê-lo ainda mais com Luís Castro. Que ainda não tinha perdido em casa, e que vem praticando do melhor futebol que se tem visto na Liga. Mas também porque era o jogo em que os adversários do Benfica apostavam todas as fichas. 


O empate do Porto na Madeira, na véspera, abria uma oportunidade que o Benfica não podia desperdiçar. Não podia permitir-se a falhar, como o rival tinha falhado quando delas dispôs. Por três vezes. E essa era uma pressão acrescida para este jogo.


O Benfica entrou com duas alterações em relação à equipa normalmente mais utilizada nos últimos jogos. No lugar de Salvio surgia Rafa, e Jimenez no de Mitroglou. Rui Vitória justificou-as com razões de ordem estratégica, que se prendiam com o perfil do adversário. Não podia - não devia - ter dito outra coisa, mas todos sabemos como Salvio e Mitroglou têm estado em sub-rendimento nos últimos jogos. Salvio por alguma inconsistência, mas acima de tudo por não ter condição física para 90 minutos, e Mitroglou porque nem a bola lhe chegava, nem ele a procurava.


Na primeira parte o jogo foi muito dividido, mesmo que não tenha sido muito aberto. Mesmo assim, num jogo dividido e fechado, o Benfica construiu três boas oportunidades para marcar, ao contrário do Rio Ave, que não construiu nehuma. É certo que desfrutou de uma ocasião em que poderia ter marcado, logo no início do jogo. Mas essa foi construída pelo vento.


Ao contrário do que há muito vinha sucedendo, o Benfica entrou muito bem na segunda parte. Nos primeiros três minutos, aqueles que em alguns jogos foram desastrados, o guarda-redes evitou, de forma espectacular, o golo que já se gritava e o árbitro, João Pinheiro, como já fizera em Setúbal, não assinalou um penalti claríssimo, desta vez sobre o Nelson Semedo. O primeiro quarto de hora foi de autênctico sufoco, com o Rio Ave encostado à sua baliza, e o Benfica em vagas sucessivas de ataque.


A partir daí - é verdade que o treinador do Rio Ave "mexeu" bem na equipa - o sufoco foi desaparecendo, e mesmo com evidente supremacia no campo, o Benfica deixou de criar oportunidades para marcar. E à medida que o último quarto de hora se aproximava o Rio Ave começava a aparecer mais vezes junto da baliza de Ederson. Numa dessas vezes, à terceira oportunidade que esse adiantamento permitiu, saiu o contra-ataque perfeito. Vale a pena descrever: corte de cabeça de Lindelof, recolha de Cervi (que grande jogo fez o miúdo) e bola de imediato para Jonas, passe soberbo, de primeira, a desmarcar Salvio (substituira Rafa, cerca de 10 minutos antes), que em corrida desenfreada ia olhando para Jemenez, até lhe entregar a bola. No momento certo, para o sítio certo, para que nada faltasse para lhe dar o destino certo. E deu, como já fizera no ano passado. Num jogo tão importante como este!


A alegria, vestida de vermelho, explodia em Vila do Conde. 


Agora, com cinco pontos de vantagem, dá para acreditar que é possível fazer a festa na Luz. A 13 de Maio... Porque é lá, na Catedral, no altar sagrado do benfiquismo, que é o seu lugar.


Claro que acreditamos. Acreditar não é pecado!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Desta vez, já passou...*

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Regresso hoje às eleições presidenciais francesas, a dois dias da decisão final. Na primeira volta tudo aconteceu como previsto… pelas sondagens. Já não era sem tempo…


E os franceses vão agora decidir entre Macron e Marine Le Pen.


Parecia uma escolha fácil, como já fora no passado. Saindo da primeira volta à frente da candidata da extrema-direita racista e xenófoba, Macron terá também pensado assim. Que seria fácil ir buscar os votos que lhe faltavam para chegar à maioria.Talvez por isso tenha negligenciado os primeiros dias que se seguiram à votação de há duas semanas. Primeiro festejou - inapropriadamente, no tempo e no espaço  - e, depois, meteu férias...


Le Pen, experiente e sabida, não perdeu um segundo. Não só não abandonou o terreno, como pegou em tudo o que mexesse, desmultiplicando-se em acções e em espectacularidade.


Manteve o discurso simples, populista e binário, sem se preocupar em articular uma só ideia. Sem substância e sem conseguir sequer sustentar os factores críticos das palavras-chave do seu discurso. Usou de plágio, para captar os votos de François Fillon. E dos piores truques e manhas da política, como se viu no único, mas longo, debate televisivo desta segunda fase da campanha, há dois dias atrás. Onde Macron, goste-se ou não das ideias que defende, fez toda a diferença: na seriedade, na capacidade intelectual, e na competência política.


Marine Le Pen, mesmo beneficiando do debate da primeira volta, quando - estranhamente - dando por assegurada a sua passagem à segunda volta, todos os candidatos fizeram de Macron o adversário principal, aumentado o grau de dificuldade das piruetas que agora se exigem para o apoio que obrigatoriamente lhe terão de dar, não será eleita.


Desta vez, já passou. Esperemos que não volte a estar lá tão perto!           


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Continuando a falar de plágio

 


 


 


 



 


Depois do plágio da Senhora Le Pen, o plágio da Senhora Joana Vasconcelos, que os tempos estão para isso... 


Até dá vontade de procurar mais traços de comparação entre a candidata presidencial francesa anti-regime e a artista plástica portuguesa do regime. Ambas nasceram em França, ambas são "pesadotas" e ambas acham que não há mal nenhum...


Para Marine não há mal nenhum, foi só "piscar o olho".  Para a Joana não há escândalo nehum, porque não há comparação entre o seu terço gigante, toda ele feito em plástico, e florescente, e o outro terço igualmente gigante, mas feito em esferovite e pendurado entre duas palmeiras. A sua até está pendurada entre duas colunas, no "altar do mundo", e acende-se à noite...


 


 

Até "plágio" é eufemismo

 


 


 


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Marine Le Pen plagiou um discurso de Fillon, de há duas semanas apenas. Plágio é plágio. Não é copiar, é roubar. Copiar é "citar", é subscrever.


A candiata da extrema direita racista, para conquistar os votos da direita ali ao lado, os 20% de Fillon da primeira volta, tem todo o direito de repescar ideias do derrotado candidato da direita francesa (e da portuguesa, como por aqui se tem visto). Não pode é pegar no seu discurso e repeti-lo, palavra por palavra, como sendo seu. Quentinho, acabadinho de sair.


Plágio é isso, é roubar para enganar. É dois em um. Depois ... sorrir e dizer que é apenas um piscar de olho é ... não ter vergonha na cara.


Não é a primeira vez que a extrema direita é apanhada com a boca n(est)a botija. Ainda temos bem fresca na memória a imagem da Srª Trump, durante a campanha paras as últimas presidenciais americanas, a repetir um discurso de Michelle Obama, palavra por palavra.


A extrema direita é mesmo muito pobre: sem ideias e sem criatividade. E muito reles: sem vegonha!


Aqui, até "plágio" é eufemismo.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Parabéns à Síria? Esta não lembrava ao diabo...


 


No meio da esquizofrenia que tomou conta do mundo vamos encontrar uma carta do secretário-geral da ONU - sim, sim ... António Guterres - para Bashar al Assad, felicitando-o por mais um aniversário da independência, no passado dia 18 de Abril.


Na carta, António Guterres “exprime nesta ocasião as mais calorosas congratulações ao povo da Síria e ao seu governo”. Acrescenta depois que “conta com o envolvimento da Síria para construir uma ONU mais forte”. Valha-nos isso!


Valha-nos isso, valha-nos esse acrescento,  porque é isso que nos permite perceber que, sendo grave, a esquizofrenia tem mais contornos. Tem nouances


Já tínhamos percebido que, se a ONU conta para pouco, o seu chefe máximo, o secretário-geral, conta ainda para menos. Na verdade, para o mundo, esquizofrénico como está, não conta mesmo nada. E como não conta nada, não vale a pena fazer nada. Coisa nenhuma. O que se calhar nem é coisa que desagrade assim tanto a António Guterres...


O que não tínhamos ainda confirmado, embora já todos tivessemos desconfiado, é que lá dentro, bem dentro das suas quatro paredes, também não conta para nada. Daí que ache que, também aí, dentro de casa, o melhor é deixar passar o tempo sem grandes incómodos, às ordens da soberana burocracia e ao serviço do seu reino incontestável.


Só assim se percebe que uma fonte oficial do seu gabinete venha esclarecer o que a tal nouance, do tal acrescento, deixara perceber. Que aquela é uma carta genérica, destinada a celebrar os dias nacionais de todos os países espalhados pelo mundo. E que António Guterres, no meio de toda esta esquizofrenia, não se tenha ao menos lembrado de lembrar à máquina burocrata que há muitos países a que se não pode dar parabéns. Sob pena de se tornar obsceno para as pessoas decentes que ainda há por este mundo fora. E de acabar por destruir as pequenas gotas de prestígio que ainda possam restar numa função que já não tem mais nada...


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...