quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Dias interessantes

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Puigdemont não apareceu, nem na mala de um automóvel, e o Parlamento da Catalunha não empossou governo nenhum, deixando tudo na mesma. Trump fez o seu primeiro discurso do Estado da União, e parece que conseguiu não chocar ninguém,  parecendo até cordial. A investigação judiciária entra por todas as portas dentro, até pela própria, como sugere o próprio nome escolhido: "operação lex". E atinge dois juízes desembargadores, marido e mulher, ao que se diz. E ainda ao que se diz, o presidente do Benfica. O que talvez finalmente explique por que é que o clube tem sido deixado ao abandono na defesa do seu bom e glorioso nome.


E já que fomos dar à bola, passamos pela saga Centeno, agora com a pouca vergonha a saltar fronteiras - o PPE quer levar o assunto a discussão ao plenário de Extrasburgo. E até por um guarda-redes, o do Moreirense, que no fim do jogo, que empatou, foi à "flash interview" convencido que tinha perdido. 


Ora digam lá se não há uns dias mais interessantes que outros?

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Rombos e fitas


 


No primeiro jogo sem Krovinovic o Benfica regressou a tempos bem recentes, que se julgavam ultrapassados. Ao tempo de uma equipa sem sorte, mas também sem muito fazer por ela. De jogadores sem chama, e de um treinador sem rasgo e sem capacidade de revolta.


Desde cedo se percebeu que iria ser assim. E durante todo o jogo se foi percebendo que as coisas iriam correr como acabaram por correr. Foi, nesse aspecto, um jogo previsível. Mesmo que com muita história. E com muito vento, como é frequente no Restelo.


Era um dérbi, e os dérbis têm sempre alguma coisa de especial, mesmo este, que o Benfica ganhava consecutivamente há 10 anos. Logo de início o Belenenses mostrou ao que vinha, e que as palavras do seu novo treinador antes do jogo não eram só basófia. Muita agressividade, muita pressão sobre a bola, quando não a tinha, e jogadores muito juntos para a poder trocar quando a recuperava. Com isto, ganhava todos os ressaltos e todas as segundas bolas, e colocava o jogo a seu jeito. 


Na primeira parte, só depois dos 10 minutos, e durante perto de um quarto de hora, o Benfica pareceu capaz de impôr o seu futebol, aquele que tem vindo a mostrar. Depois, voltou ao eclipse.


Na segunda parte foi diferente. Mesmo sem nunca atingir - nem perto disso - a qualidade e o caudal ofensivo dos últimos jogos, o Benfica criou oportunidades mais que suficientes para ganhar. Mas as coisas não correram bem. Um ou dois penaltis por marcar e quando, ao terceiro, foi finalmente assinalado, Jonas desperdiçou. É certo que o "fiteiro" guarda-redes de Belém saiu da linha de baliza muito antes de a bola partir, e que o penalti deveria ter sido repetido. Mas também é certo que, pela forma como Jonas partiu para a bola, se percebeu logo que a coisa não ia correr bem.


Seguiram-se ainda mais três oportunidades flagrantes (é curioso, e revelador, que as estatísticas da Sport TV tenham dado duas oportunidades e um golo para cada lado). Todas falhadas, a apelar àquela velha máxima do futebol: "quem não marca, sofre". E assim foi, mas vale a pena contar como foi.


Quando o Benfica saía em mais uma vaga de ataque, o - mais uma vez - fiteiro guarda-redes do Belenenses deitou-se no chão. Quando a bola já ia a caminho da sua baliza, o árbitro parou o jogo. Claro que o jogo não pode continuar com o giuarda-redes no chão, mas não é comum ver, do nada e sem nada, como se confirmou, um guarda-redes deitar-se no chão quando o adversário vai para a sua baliza. Depois de largos minutos de "fita" o jogo recomeçou, com bola ao solo, naturalmente. Que os rapazes de azul, com todo o fair play, e ao contrário do que os do Benfica sempre tinham feito (entregaram a bola ao guarda-redes, ao "fiteiro") mandaram-na pela a linha lateral, lá muito à frente, ali bem à beirinha da grande área do Varela. E pronto - lançamento, defesa encarnada a dormir, e golo. Ao minuto 86!


No último minuto e no último lance, numa notável cobrança de um livre, Jonas marcou o golo do empate. Qua salvou a equipa da derrota, mas que não deve ter dado para muito mais. Aquilo que era a forte convição benfiquista no penta levou hoje um forte rombo.


Pelo resultado e por tudo. Até pela falta de resposta à ausência de Krovinovic!


 


 

"Anda tudo doido"!

Capa do Correio da Manhã


 


Ora aí está. Não se faz a coisa por menos: Mário Centeno prá rua. Nem mais, nem menos - Mário Centeno vai ser constituído arguído e, para o Correio da Manha (sem til) o assunto até já foi discutido, tratado e arrumado com o primeiro-ministro, logo que isso aconteça, apresenta a demissão.


Se o ridículo matasse, estávamos livres destes apontamentos de loucura da nossa imprensa. Como não mata, pelo contrário, em Portugal até dá vida, lá temos nós de andar a levar com estas coisas. O homem pediu um bilhete para ele e outro para o filho para ir à bola... Mas o que é isto?


O esquizofrénico submundo da bola passou a exportar doideira para todo o lado. Anda tudo doido!


 


 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Coisas da ciência*

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Não foi notícia de abertura de telejornais, nem capa de jornal. Mas foi notícia, num destes últimos dias, mesmo que possa ter passado despercebida à grande maioria das pessoas.


O título dificilmente poderia ser mais bombástico, ao dizer que “os homens vão acabar”. Logo a seguir, um subtítulo mais esclarecedor: “o sexo masculino tem os dias contados”.


Ninguém resistiria a isto. Tinha mesmo de se ler tudo. Falava de um estudo de investigadores da Universidade de Kent, no Reino Unido. Novo, novinho em folha, que conclui que está a ocorrer de forma notória uma crescente falta do cromossoma y. Que, como se sabe, é o que contém a genética masculina.


Não ficavam dúvidas a estes cientistas: se o cromossoma está a desaparecer, e se é dele que se fazem homens, os homens vão desaparecer. Até aqui, percebia-se. Não se percebia bem era como é que, desaparecendo os homens, não desapareceriam também as mulheres.


Era preciso chegar mesmo ao fim da notícia. No fim, bem no fim, lá estava a explicação que faltava: o estudo revelava que é um processo que vai demorar 4 milhões e meio de anos!


Notável!


Estes cientistas são fantásticos, as conclusões a que são capazes de chegar. Daqui a 4 milhões e meio de anos, não há mais cromossomas y. Por isso é que eles nem se preocuparam com as mulheres. Nem com ninguém que os possa desmentir!


Têm cada uma, estes cientistas…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

"Muito culpado"

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No Brasil, o Tribunal da Relação Federal, em segunda instância, confirmou a culpa de Lula da Silva e reforçou ainda a condenação dada em primeira instância. No recurso, a pena passou dos nove anos e meio de prisão para 12 anos e um mês.


Não sei se Lula é ou não culpado na acusação de corrupção. Sei que as opiniões se dividem conforme o posicionamento político de quem as emite, mesmo que umas pareçam mais fundamentadas que outras. E nesse aspecto confesso que me sinto bem mais convencido pela argumentação da defesa do que da acusação.


Talvez isso, a maior solidez da argumentação, me faça inclinar para a tese do golpe. Mas nunca me conseguirei esquecer da deprimência das declarações dos deputados que ditaram o impeachement de Dilma, do que foi a tomada do poder de Michel Temer, e da forma como o tem exercido. Nem do insólito das declarações dos mais variados juízes, incluindo um dos que, ontem, fez parte da unânime decisão de agravar a pena, que esqueceu a dicotomia básica do "culpado" ou "não culpado" para passar à graduação da culpa. Para esse juiz, Lula é "muito culpado"!


Talvez por tudo isso eu tenha ficado muito convencido que é a consumação de um golpe. Que de nada valerão recursos superiores - e ainda tem mais quatro instâncias de recurso - e que Lula será mesmo preso antes ainda de apresentar o próximo recurso, para que seja definitivamente afastado do processo das eleições de Outubro.


Ah... a fotografia? Pois...


 


 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Uma imagem vale mais que mil palavras


 


António Costa lá se reuniu ontem à noite, em Davos, com o presidente angolano, João Lourenço. No fim, em declarações à imprensa, disse - como também  o Presidente Marcelo, mesmo sem lá estar e antes desse encontro, havia dito - que as relações entre Portugal e Angola são excelentes, do melhor que há. E que isso mesmo ficara provado na forma calorosa como o presidente angolano tinha recebido a delegação portuguesa.


Está tudo bem, garante o primeiro-ministro. Para ele há apenas uma questão jurídica, que passa completamente ao lado das autoridades políticas dos dois países. E que impede visitas oficiais aos dois países, mas só isso. Não tem importância nenhuma...


De João Lourenço, nem uma palavra. E quando nem uma palavra é acrescentada às últimas que foram ditas, só essas ficam... Como as fotografias!


É bem capaz de ter razão quem garante que uma imagem vale mais que mil palavras...


 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Obescenidades

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Os mais poderosos do mundo estão reunidos em Davos, a pequena localidade perdida nos Alpes suíços que todos os anos vira capital económica do mundo. Não sei se por lá chegarão notícias do relatório da Oxfam, que dá conta que, em 2017, 1% da população ficou com 80% da riqueza produzida. Mas desconfio que não esteja lá ninguém muito preocupado com isso!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Surpresa

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Arranca hoje o julgamento da Operação Fizz, que envolve o ex-vice presidente angolano e "ex-patrão" da Sonagol, Manuel Vicente. Que está provocar um terramoto nas relações entre Portugal e Angola e, por causa disso, um forte mau estar entre o poder político e o judicial em Portugal.


As razões que assistem às partes são conhecidas. O poder político em Portugal quer naturalmente evitar clivagens com o poder político em Angola, porque são muitos e fortes os interesses económicos envolvidos. Angola argumenta com o acordo judiciário assinado entre os dois Estados no âmbito da CPLP, e a Justiça Portuguesa com a desconfiança na Justiça angolana: teme que, com a trasferência do processo de Manuel Vicente para Angola, se não faça justiça.


Trata-se de um processo de corrupção envolvendo um cidadão estrangeiro, por acaso figura de topo do regime do seu país. E vem-me à memória outro caso de corrupção envolvendo cidadãos nacionais, por acaso também do topo do regime, e estrangeiros. Teve a ver com umas compras de uns submarinos. No estrangeiro foram identificados, julgados e condenados os corruptores. Em Portugal, a Justiça portuguesa não encontrou corrompidos. Arquivou tudo. Como arquivou tudo o que tinha a ver com umas fraudes com uns fundos comunitários, provadas e reclamadas pela União Europeia, que também tinham a ver com figuras gradas do regime.


Há aqui certamente alguns problemas de legitimidade. Mas há, acima de tudo, surpresa. E grande!


Surpreende que a Justiça Portuguesa não desconfie de si própria...


 

Força Krovi!

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Duas semanas depois o Benfica regressou à Luz para, nesta segunda jornada da segunda volta, defrontar o Chaves, mais um adversário disposto a facilitar-lhe a vida, que lhe estendeu a passadeira para que pudesse continuar a perseguir os seus dois adversários no topo da classificação. De tal forma que cedo ofereceu ao Benfica o golo que lhe daria a vitória, quando um dos seus centrais entregou a bola a Jonas, ali ao lado, sozinho, só com o guarda-redes pela frente.


Agora a sério, até porque Luís Castro, um excelente treinador e um homem sério, não se escondeu atrás de nada, nem avocou aos seus jogadores erros provocados e não provocados, menos concentração ou falta de agressividade e disse apenas a verdade que toda a gente viu: "um Benfica demasiado forte para as possibilidades do Desportivo de Chaves". Porque, ao contrário de outros, não se quer meter onde não tem que se meter. Se quisesse, poderia ter dito que é um Benfica demasiado forte para as possibilidades de qualquer adversário, como ficara demonstrado na última vez que se jogara na Luz.


O Benfica regressou a casa, de novo cheia que nem um ovo, duas semanas depois da memorável exibição com o Sporting, durante as quais espalhou pelo Minho a magia do futebol que vem praticando nos último jogos, claramente o que de melhor se pode ver nos relvados portugueses. Regressou no seu melhor porque, não haja dúvidas, só uma grande equipa, com um grande futebol, consegue fazer gato-sapato de uma boa equipa, como é esta de Luís Castro.


A primeira parte foi verdadeiramente espectacular, com o carrossel do Benfica a funcionar em pleno, impulsionado pelo fantástico Fejsa, como que o dínamo da equipa, e alimentado por Grimaldo, Cervi, Krovinovic, Salvio e Jonas, qual deles o mais brilhante. Cheirava a golo, sentia-se na bancada um forte cheiro a golo quando, aos 13 minutos, Jonas fez o primeiro. E que golo!


Seis minutos depois, Jonas, que no seu cardápio de golos tinha a página do Chaves em branco, bisou. Ainda a primeira parte não ia a meio. O resto foi um prazer para a vista, mesmo sem mais golos.


A segunda parte começou no mesmo tom, e logo a abrir Pizzi fez o terceiro. O jogo não acabou, até porque havia ainda muita coisa para mostrar. Por exemplo, que, com a equipa a jogar este futebol, até o Douglas - que jogou no lugar do castigado André Almeida - joga à bola. Quem julgaria possível ver o que se viu Douglas fazer naquela segunda parte?


Independentemente dos erros cometidos na preparação da época, e dos que se lhe acumularam na maior parte da primeira metade da temorada, o Benfica não tem sido uma equipa com sorte. Mesmo nos pontos já perdidos, há muito dessa coisa da (de falta de) sorte. Que a equipa nem sempre fez por merecer, como aqui muitas vezes se disse. As coisas estavam agora a correr bem. Demasiado bem para assim poderem continuar. A três minutos do fim, num movimento para evitar que a bola saísse pela linha lateral, Krovinovic fez uma rotura de ligamentos e vai falhar o resto da competição. E o próprio campeonato do mundo, na Rússia! 


Quando atravessa uma fase de grande brilhantismo, com os adverários a sentirem-lhe o bafo, o Benfica perde o mais influente jogador da equipa. Aquele que personifica a viragem da equipa, na sua nova dimensão táctica. Dificilmente podia ser pior! 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Desumanidades*

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A notícia que nos chegou no início da semana, de um casal americano que mantinha os seus 13 filhos em cativeiro, dentro de casa, é um dos mais atrozes exemplos da desumanidade dos nossos dias.


Na Califórnia, não muito longe da capital do glamour e do mundo cor-de-rosa – Los Angeles, mesmo que agora com algumas assombrações e vestidos pretos, continua feita de cor-de-rosa sobre passadeiras vermelhas – uma menina de 17 anos conseguiu saltar por uma janela e fugir da casa que, em vez de lar, lhe servia de prisão. A ela e aos seus 12 irmãos, sete adultos – cinco raparigas e dois rapazes – e outras cinco crianças, a mais nova com 2 anos. Subnutridas, que vegetavam acorrentadas num ambiente pérfido sem sol, nem luz, nem sequer ar…


Não há maior exemplo de desumanidade que estes pais, capazes de manter nestas condições inumanas os seus próprios filhos. Que condição humana, que sentimentos, ou que dignidade podem ter este homem e esta mulher que, ao longo de uma vida, geraram e colocaram no mundo seres humanos para lhe negarem essa condição?


Não é porém menos significativa a “desumanidade social” revelada nesta trágica notícia. Que humanismo pode haver numa comunidade que não se apercebe de uma realidade destas?


De que forma nos socializamos? Que relações de vizinhança criamos quando, por mais nauseabundo que seja, nem “cheiramos” o que se passa ao nosso lado?


Quando parece que mais comunicamos, menos nos relacionamos. Quanto mais fácil é comunicar, parece que mais difícil é estabelecer relações. E a fragilização dos laços sociais é um sério obstáculo à construção da dignidade humana!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 


 

Hoje*

Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


*Publicado todos os anos, neste dia. Hoje!

Más notícias dadas por boas

Capa do A BolaCapa do Record


 


Há quem veja na capa de hoje dos dois prinicpais jornais desportivos uma boa notícia. Não é o meu caso, nestas capas vejo a notícia que o Benfica deixou de pertencer à élite dos grandes clubes do futebol mundial, que é como quem diz, do futebol europeu.


Isto é como os países: há os países altamente desenvolvidos, que vendem produtos de grande valor acrescentado, os desenvolvidos, que vendem produtos competitivos, mesmo que nem sempre na alta roda do design e da marca, e os subdesenvolvidos, que vendem matérias primas, tornando-se cada vez mais pobres. Porque nada lhe acrescentam, ficando cada vez com menos que vender.


É isto que esta notícia nos diz que se está a passar no Benfica. Ninguém vê os grandes clubes europeus vender miúdos de 16 anos de elevado potencial. Vendem futebol, e quando vendem jogadores, é na sua fase de maturidade, no topo do seu valor de mercado. 


E são dirigentes com esta missão que falam em ganhar a Champions...

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Nunca nada se aprende...

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Num caminho com destino (in)certo, o Montepio está a copiar o BES/GES, vendendo aos seus balcões produtos para financiar a Associação Mutualista, como está a ser amplamente anunciado. O produto, anunciado como "capital certo", sugere a garantia integral do capital, depois desmentida nas letras pequeninas. O Banco de Portugal proíbe a sua venda, mas de nada vale. Porque, em Portugal, o cumprimento da lei é coisa a que apenas gente comum está obrigada.


Entretanto, o ministro Vieira da Silva vai hoje ao Parlamento explicar não se sabe bem o quê. Entretanto, a entrada da Santa Casa no capital do Banco continua no ar, de pedra e cal em cima de cada vez mais absurdos...


Em Portugal tudo se esquece muito depressa. E nunca nada se aprende...


 


 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Coisas do diabo

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A vitória de Rui Rio começou de imediato a produzir efeitos. Ou, talvez melhor, declarações.


Primeiro foi Manuela Ferreira Leite, a quem muita esquerda começara a afeiçoar-se, a dizer que o "PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua". Nem sei o que mais impressiona - se o balde de água gelada que despejou em cima dos seus mais recentes camaradas, se a dificuldade de o PSD se libertar do diabo. Se, chamado por Passos, não veio, pode ser que venha agora para lhe ficar com a alma. Comprando, é claro...      


Depois, logo a seguir, veio Assunção Cristas  dizer que “mais importante do que saber quem fica em primeiro lugar nas eleições, o que é importante é saber que partidos é que é que conseguem ter uma maioria parlamentar de, no mínimo, 116 deputados”. Aqui sei bem o que mais impressiona. Mais que o reconhecimento da legitimidade do actual governo, e o abandono de Passos, deixando-o sozinho na tese da usurpação do poder, mais que mais um negócio de alma com o diabo, impressiona que esta declaraçao não tenha impressionado a generalidade da comunicação social.


Mais que desviarem-se desta declaração como quem se desvia de qualquer coisa sem importância, abandonada na beira da estrada, fugiram dela como o diabo foge da cruz!


 


 


 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Dramático

 


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As eleiçõs no PSD já lá vão, Rui Rio é o novo patrão, e agora o tema é a liderança parlamentar. A questão é se deve ser Hugo Soares, a incrível escolha de Passos já em agonia, a demitir-se ou se isso deverá ser tarefa de Rui Rio e, como já se viu, há opções para todos os gostos.


Mas nisto de eleições nos principais partidos a minha preocupação é outra, como por aqui tenho vinda a manifestar. Mais que a batota descarada que sempre domina estes acontecimentos, preocupa-me a naturalidade com que a olham, quando a olham. 


As escolhas nos dois principais partidos do regime, agora feitas por via eleitoral convencional, são mais que simples eleições partidárias. São as primárias das eleições legislativas. É nelas que se decide quem os portugueses irão depois sufragar, ratificar, para governar o país. Por isso, e já que não podem ser abrangidas pelo volto universal, que sejam ao menos justas, isentas e livres. Sem batota!


Não são. Nunca são, e isso não preocupa ninguém. 


Sabe-se que no último dia foram pagas quotas de 20 mil militantes. Sabe-se, contou-o o Expresso (vale a pena ler), que em Ovar, cuja câmara municipal é presidida pelo director de campanha de Rui Rio, a batota atingiu formas verdadeiramente escandalosas como, entre outras, a casa com 17 militantes do partido, onde apenas viivem oito pessoas, de nomes completamente diferentes, e que nem sequer sabiam destas eleições; ou a casa que não existe, mas que é residência de outros oito votantes.


Dir-se-á que não bate certo com a imagem de Rio. Que está em contra mão com o rigor, a ética e a seriedade que apregoa. É verdade, mas só prova que nada ninguém na política portuguesa está acima da batota. E isso é dramático!


 


 


 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Contas furadas


 


Foram pagas as quotas de 50 mil militantes do PSD, para que tivessem a possibilidade de votar. Há poucos dias havia 20 mil militantes com capacidade eleitoral. Fechados os cadernos, havia 70 mil militantes em condições de votar.


Votaram pouco mais de 40 mil. Se bem sei fazer contas, a alguém saíram as contas furadas. Pagar quotas de 30 mil militantes e não ganhar nada com isso, é mau negócio. Mas é bem feito! 

Agora é a sério!


 


O Benfica arrancou para a segunda metade do campeonato da mesma forma afirmativa que com que concluíra a primeira volta, numa espécie de dobradinha minhota.


Hoje, em Braga, o Benfica passou por cima das dificuldades com grande à vontade, alardeando uma enormíssima superioridade técnica e táctica sobre o Braga. Tão flagrante quanto inesperada, deve dizer-se.


O Benfica simplesmente não deixou o adversário jogar, e dispôs do jogo como entendeu. Pressão alta, sempre a impedir o Braga de construir jogo, e sempre a recuperar a bola já muito perto da baliza adversária. A primeira parte foi assim, o golo chegou cedo, aos 11 minutos, e a equipa apresentava um futebol vistoso e de grande qualidade, a que só faltavam golos.


O Braga só não existiu porque logrou duas boas oportunidades para concluir, falhando os seus avançados o encontro com a bola. Só que ambas em fora de jogo, o que quer dizer que, se tivessem sido concretizadas, seriam anuladas pelo VAR. E daí nunca se sabe... 


O início da segunda parte nem deu tempo aos jogadores da casa para arrumarem as ideias que eventualmente o seu treinador lhes tenha metido na cabeça. Bola ao centro, canto, bola de Jardel no poste, e penalti sobre Jonas. Que, lá está, o VAR não viu e Soares Dias não quis ver. Já não há dúvidas que o VAR dexiou cair a sílaba do meio da verdade. É uma verdade desportiva de duas sílabas apenas.


Nada no entanto que rompesse com o que estava a ser o jogo. E o segundo golo surgiu com naturalidade, de Jonas. Naturalmente, e na sequência de mais uma bela jogada de futebol, pouco depois de o segundo quarto de hora ter chegado à segunda parte do jogo. 


Até que surgiu o momento que Bruno Varela não merecia, 10 minutos depois. Errou numa bola fácil - ficou a meio caminho na saída a um cruzamento - e o Braga reduziu. Com a força do golo, e com o público braguista a acreditar, a equipa da casa cresceu, e o Benfica já não tinha Jonas em campo - Jonas é insubstituível neste jogo do Benfica, mas também não é humano pedir-lhe que dure os 90 minutos a fazer tudo aquilo que faz, como mais ninguém - e tinha Pizzi, que já lá não devia ter. 


Na verdade, os último 20 minutos - o último quarto de  hora, mais os 5 minutos de tempo extra - foram outro jogo. Mas até nesse, o Benfica, noutro registo, foi muito superior. Marcou mais um golo - e que golo (por Raul, que minutos antes falhara escandalosamente, isolado na cara do guarda-redes) e que jogada! - e criou mais uma ou duas oportunidades para dar outra expressão ao resultado. Nesse período o Braga limitou-se a permitir que Varela se redimisse, com uma boa intervenção. Nada mais, e isso fazia falta!


O Benfica está transfigurado. E agora já todos acreditamos que é a sério|

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A importância das coisas*

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Bem sei que a questão mais importante da semana é a de um segundo mandato da Procuradora Geral da República, que nunca houve e que poucos sabiam que pudesse haver, lá mais para o fim do ano. É realmente espantosa a capacidade que esta gente tem para reduzir a agenda mediática à simples espuma dos dias!


Por isso ninguém ligou muito às notícias que foram chegando sobre o emprego, com a divulgação dos dados do INE relativos a Novembro. Notícias que dão conta da mais baixa taxa de desemprego desde Novembro 2004, em 14 anos, portanto. No último ano a população empregada aumentou em perto de 160 mil pessoas!


São boas notícias?


Sim e não!


Sim, porque a diminuição do desemprego nunca pode deixar de ser uma boa notícia. Sim, porque resulta do crescimento económico, e a economia a crescer tem que ser sempre uma boa notícia.


E não. Porque o desemprego jovem continua a crescer, e em Portugal foi mesmo onde, na União Europeia, mais cresceu. Em Setembro era de 24,6 %, e em Outubro já ia em 25,6%: num mês, mais um em cada 100 jovens era desempregado.


E isto quer dizer muitas coisas. Quer dizer que continuamos a desperdiçar recursos, a deitar dinheiro fora, na educação por evidente desadequação entre a formação dada aos jovens e as necessidades das empresas. O drama é que isto não quer obrigatoriamente dizer que essa formação seja desadequada, quer dizer é que a retoma do emprego acontece em sectores que não valorizam as qualificações dos jovens mais preparados.


Por isso o desemprego jovem tem um comportamento simétrico ao do desemprego geral. Por isso há cada vez mais jovens sem trabalho ao mesmo tempo que, ao que dizem, faltam 70 mil trabalhadores na construção, 40 mil na restauração e outros tantos no calçado, no têxtil e na metalurgia.


Quer isto dizer – e pior notícia não pode haver - que na nossa economia nada mudou, que tudo continua na mesma. E toda a gente sabe que as mesmas coisas, nas mesmas circunstâncias, produzem sempre os mesmos resultados.


Mas parece que isto não tem importância nenhuma…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

O aparelho

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De repente -  já lá vão uns meses, é certo, mas foi de repente, logo que se começaram a perfilar para disputar a sucessão -, Santana Lopes e Rui Rio passaram de ferozes críticos a fervorosos apoiantes de Passos Coelho.


Quem os ouve agora nem percebe por que se estão a candidatar para o substituir. Se, como dizem, Passos Coelho fez tudo tão bem, por que é que não continua?


No entanto, como ainda ontem, no debate na TVI, fizeram ambos gala de nos voltar a lembrar, com citações e recortes de jornais, que qualquer deles andou a desancar em Passos Coelho durante todo o consulado da sua liderança. Não lhe pouparam nenhuma!


É curioso que Santana Lopes - que, como se sabe, é tipo de grande à vontade e de pequena vergonha, coisa a que vulgarmente chamamos lata -, quando o seu adversário concluiu (das poucas vezes em que o deixou concluir o que quer que fosse) um rol de recortes de jornais com provas das acusações que fizera ao ainda líder do partido, lhe tenha perguntado quando é que isso ocorrera. E que tenha ficado sem resposta, metendo a viola no saco, quando Rui Rio, voltando aos recortes, enunciou 2009, 2010, 2011, 2013, 2015...  


Não sabemos, se calhar nunca saberemos se, quando durante todos estes anos criticaram tão asperamente Passos Coelho, como agora fazem questão de lembrar um ao outro, qualquer deles, ou ambos, estavam em frontal oposição às suas opções políticas ou simplesmente a colocar-se no sítio que consideravam certo para lhe disputar o lugar. O que sabemos é que as coisas lhes saíram furadas. Passos auto-destruiu-se, mas o seu poder no partido, que tanto trabalho lhe dera a construir, manteve-se intacto. É ele que continua a dominar o aparelho de um partido que cada vez mais se parece com os clubes de futebol, até nas lógicas de poder.


É por isso que Santana Lopes e Rui Rio, nas tintas para a honestidade intelectual, estão hoje tão de acordo na exaltação de Passos Coelho. E é também por isso que, ganhe qual deles ganhar, será sempre um líder de curto prazo. Que fará as malas lá para finais de Outubro do próximo ano. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Coisas extraordinárias

Capa do i


Hoje podia escrever sobre o tema do dia, em todas as primeiras páginas dos jornais, para dizer o óbvio: que a Ministra da Justiça caiu na esparrela e, partindo do entendimento generalizado no Ministério Público - donde ela vem - que o mandato do PGR é "longo e único", criou um problema ao governo e a António Costa, que teve de a desautorizar. Ou para dizer algo maquiavélico - de que a direita não desdenha - e mais rebuscado que, pelo contrário, António Costa mandou a Ministra da Justiça lançar o barro à parede, a ver no que dava. E ao ver no que deu correu logo a corrigir o tiro. Porque, no fundo, esta PGR não fez muito mais que incomodar o PS. Ou até para dizer que Joana Marques Vidal, a "Procuradora que enfrentou os poderosos", deixou passar em branco o caso Tecnoforma, depois de Bruxelas ter dito com todas as letras que tinha havido fraude; e nunca revelou qualquer preocupação em encontrar por cá, no "processo dos submarinos", a outra face da corrupção condenada na Alemanha.


Mas não escrevo. Vou escrever sobre outra coisa extraordinária que também aconteceu no debate quinzenal, quando António Costa acusou a EDP de se comportar de forma diferente com esta maioria, para não dizer com este governo. Não se sabe se haverá outras razões, ou se o primeiro-ministro retirava esta conclusão exclusivamente pelo facto de a empresa do Estado chinês, dirigida por António Mexia, com pagens espalhados pelos baronatos dos três partidos do arco da governação (com o PS a ser agora reforçado, com Luís Amado a tomar o lugar de Catroga) ter anunciado que iria deixar de pagar a taxa de contribuição extraordinária do sector energético. Tem que se admitir que haja outras razões, quer porque há muito que também a GALP deixou de a pagar, quer pelo próprio tom de vitimização que António Costa colocou na declaração. E essas serão certamente injustas, como ainda há pouco se viu quando, à última hora da aprovação do Orçamento de Estado, António Costa voltou atrás no corte nas rendas excessivas, traindo o acordo com os seus parceiros do Bloco... 


Esperemos agora que o assunto siga o seu curso normal para os Tribunais. A não ser que se repita o que aconteceu com a Brisa com os 125 milhões de euros, que disse que não pagava e ... pronto. Não se passou nada...


Mas passa-se!

Entretanto, na Alemanha...

 


 


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É verdade! Na Alemanha - quem diria? - continuam à espera de um governo. As eleições foram em Setembro, para quem ainda se lembra...


Parece que, agora, é que é. Ou é esta semana ou já não vai ser, e lá terão que ir a eleições de novo. Se assim for, este ano não vai ficar atrás do último, já com eleições em Itália, República Checa e Hungria. E na Rússia, que não é bem a mesma coisa...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A factura

Capa do Jornal Negócios


 


O Jornal de Negócios noticia hoje que o Fundo de Resolução tem um buraco de 4,8 mil milhões de euros, já reconhecido nas contas. Olhamos para trás e vemos que é o valor que, em Agosto de 2014, o Fundo injectou no então novo Novo Banco. Que não custava nada aos contribuintes, diziam-nos então.


Esta imparidade reconhecida no Fundo de Resolução é anterior à venda do Novo Banco, porque, como se vê na primeira página da mesma edição acima reproduzida, em entrevista, Vítor Bento, por sinal nas mãos de quem Carlos Costa fez rebentar a bomba da resolução, garante que a "brincadeira" que não tinha custos para o contribuinte vai custar 10 mil milhões de euros. Tanto quanto, só Mário Centeno, só este governo, assim meio pela calada, já meteu nos bancos. 


Os 10 mil milhões que já foram, mais os 10 mil milhões que estão a ir, somam 20 mil milhões. É esta a factura bancária que Passos Coelho e Maria Luís deixaram ao país!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Responsabilidade sem pressão

 Festejos


 


O Benfica passou com distinção a primeira das duas provas consecutivas no Minho, confirmando o rendimento dos últimos jogos nesta Liga. Como se sabe o calendário determinava que o Benfica fechasse a primeira volta no campo do Moreirense e abrisse a segunda em Braga, numa dupla dupla jornada minhota de enorme importância para o futuro da equipa na única competição em que, agora, está envolvida.


Sabe-se que nas actuais circunstâncias a equipa do Benfica está sob enorme pressão. Não pode falhar, a mínima falha é a morte do artista. A ponte para o sucesso passa por transformar essa pressão em responsabilidade. Pode parecer treta, mas não é. A responsabilidade de ganhar é diferente da pressão de ter de ganhar, é mentalmente bastante diferente.


A equipa entrou em campo com a responsabildiade de ganhar, sem nunca dar a ideia de uma equipa pressionada para ganhar. Nunca jogou sobre brasas!


Tomou conta do jogo, e nunca deu grandes hipóteses ao adversário. E nem com um grande problema de eficácia, com o desperdício de sucessivas ocasiões de golo, a equipa mostrou ansiedade. O mesmo não se poderá dizer dos adeptos, escaldados que estão com situações destas, em que a factura do desperdício tem acabado sempre por aparecer.


O 1-0 ao intervalo (golo de Pizzi, a meio da primeira parte, na conclusão de mais uma grande jogada de futebol, com uma assistência fabulosa de Jonas) era muito curto para o que o Benfica tinha jogado. E deixava no ar fantasmas antigos, mesmo que a aquela estranha e insondável quebra da equipa a seguir à marcação de cada golo já faça parte do passado.


A segunda parte começou com o desperdício de mais uma flagrante oprtunidade de golo para, pouco depois, se começar a ver a transfiguração da estratégia do Moreirense, para passar a apostar num futebol directo, no pontapé longo à procura de ganhar as segundas bolas já mais perto da área do Benfica. A estratégia vingou durante perto de 10 minutos, um pouco menos, e chegou a assustar. Pizzi e Salvio foram ao fundo, e Rui Vitória, que ao intervalo tinha sido obrigado a substituir o massacrado (muita porrada deram os jogadores do Moreirense) Samaris (por Keaton)  tardou a reagir. 


Só à entrada do último quarto de hora, já o pior tinha passado e já o Benfica voltara a criar e desperdiçar flagrantíssimas oportunidades de golo, tirou Salvio, para entrar João Carvalho. Uma substituição que há muito se impunha e que viria acabar de resolver o jogo. Logo depois de ter entrado, depois de pressionar a saída do adversário, o miúdo ganhou a bola e assistiu Jonas, que daquela vez não falhou, e fechou o resultado. De um jogo bem ganho e que, tirando aqueles tais 10 minutos de alguma instabilidade, o Benfica dominou por completo, com mais meia dúzia de oportunidades flagrantes de golo desperdiçadas. 


Falando de oportunidades de golo, tem de se falar de Jonas, hoje exasperante. Mas também de Varela que, com duas defesas enormes, anulou as únicas duas oportunidades que o Moreirense criou. Ambas defesas daquelas que dão pontos. E muita confiança à defesa, também agora com o seu eixo central establizado, com Jardel e Rúben Dias. 


E pronto, a primeira volta já ficou para trás. Não deixa saudades, e a segunda tem de ser melhor. Sem pressão, mas com sentido de responsabilidade!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O jeito que dá...*

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O ano novo, acabadinho de chegar, traz-nos – já sabíamos – algum alívio fiscal. Bem necessário e, acima de tudo, bem merecido, especialmente depois do saque que Vítor Gaspar nos impôs, e a que ficamos sujeitos durante anos. Por causa da troika e do défice, diziam eles. Para pagar os bancos, sabemos nós, agora que sabemos que já lá pusemos 15 mil milhões de euros!


O ano velho levou definitivamente a sobretaxa de IRS, que teimosamente resistiu ainda mais de dois anos àquele logro eleitoral da Maria Luís Albuquerque, com simulador, relógio e tudo. Para este, para o novo, ficava agora uma redução no próprio IRS, por via da reposição – curioso como reposição rima com reinvenção, agora na moda – dos respectivos escalões, que as novas tabelas de retenção, garantia o Secretário de Estado na apresentação do orçamento, reflectiriam integralmente.


Pois, tornadas públicas ontem, parece que não é bem assim. De acordo com contas feitas por quem sabe fazê-las, aquelas tabelas de retenção – que definem aquilo que a entidade patronal retira ao salário para entregar ao Estado – obrigam a entregar à administração fiscal mais dinheiro de IRS do que o efectivamente devido em função da respectiva taxa.


A situação não é nova. O fisco gosta de receber primeiro para pagar depois, e daí os todos os anos aguardados reembolsos de IRS, que às vezes tanto jeito dão. Mas desta vez parece que é de mais, para que grande parte do IRS que iremos pagar a menos nos chegue ao bolso apenas em 2019.


Ora, aí está. Porque os reembolsos dão mesmo jeito. E quanto maiores, mais jeito dão. E em ano de eleições, mais ainda…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM


 


 

"Incêndios"

 


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A palavra do ano de 2017 é... "incêndios"!


Na votação, promovida como sempre pela Porto Editora, "incêndios" recolheu 37% dos votos. A seguir, com 20%, surge "afectos". Que, se me não engano, tem a ver com o Presidente da República, por causa dos incêndios. Em terceiro lugar, com 14% dos votos, ficou "floresta", De que só se falou ... exactamente pela mesma razão...


Não aparecem "reversão", "eurogrupo", "rating", "lixo", "emprego"...  E "crescimento" é apenas a quinta, lado a lado com "cativação", depois de "vencedor", que rima com Salvador. Também nesta "guerra" de palavras, o lado negro do ano saiu a ganhar!


Já agora, aqui ficam as anteriores: "esmiuçar" (2009), "vuvuzela" (2010), "austeridade" (2011), "entroikado" (2012), "bombeiro" (2013), "corrupção" (2014), "refugiado" (2015) e "gerigonça" (2016). Também não são as melhores. Nem nos trazem as melhores recordações!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Grande derbi. Grande Benfica!

Jonas empatou dérbi electrizante na Luz, em cima dos 90


 


Foi um grande jogo, o derbi de hoje. Com um grande Benfica, e com um Sporting com muita sorte e ... muito VAR!


Só isso, a sorte e a verdade desportiva do VAR, evitaram que o Benfica ganhasse um jogo que quis ganhar, e em que fez tudo para ganhar. 


Mesmo sem que se possa dizer que tenha entrado muito bem, o primeiro quarto de hora do jogo foi do Benfica. Estávamos nisto quando o Sporting fez o golo, na primeira vez que chegou à baliza do Benfica, num ressalto que sobrou para a cabeça do Gelson, numa jogada iniciada em fora de jogo. Que... lá está - a verdade desportiva é inquivocamente verde!


A partir daí, e faltava pouco menos de meia hora para o intervalo, e toda a segunda parte, o Benfica não fez mais nada que procurar o golo, imprimindo à partida, especialmente na segunda parte, um ritmo fortíssimo e uma intensidade pouco vista por cá.


Criou nove oportunidades de golo, teve mais do triplo dos ataques e dos remates do Sporting e teve muito mais bola. Mas a bola não entrava. Batia na barra e batia nas pernas e nas mãos dos jogadores do Sporting, sempre metidos dentro da sua área. 


À medida que o tempo se ia esgotando, Rui Vitória arrisacava cada vez mais. Tirou Pizzi, para entrar Raúl. Logo depois, retirou Fejsa, para entrar Rafa, e a seguir tirou mesmo o central Rúben Dias, para entrar o miúdo João Carvalho. E foram todos protagonistas!


Rafa mexeu com o jogo, e esteve finalmente à altura da sua qualidade. Raúl nem tanto, não esteve bem no remate. Mas podia ter marcado o golo da vitória, numa espectacular bicicleta que saiu a razar a trave, sem defesa. Tal como o João Carvalho, num espectacular chapéu, de fora da área.


O empate acabou por chegar já ao minuto 88. Num penalti. Finalmente, depois de tantos outros. Que Jonas transformou, com classe, marcando pela primeira vez no dérbi. Ainda sobrou tempo para mais duas claras oportunidades de golo, uma delas na tal bicicleta do Raúl.


No fim fica um empate altamente penalizador. Mas fica também aquela mensagem de crença no 37 que saiu das esgotadas bancadas da Luz. Os adeptos são assim... E fica o VAR, sempre bem pintado de verde!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Mais Estado e menos Estado

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Não deixa de ser curioso que, quando o Presidente Marcelo fala da falta do Estado, e praticamente avisa que vai monitorizar o seu desempenho, ambos os candidatos à liderança do PSD - que podem distinguir-se na forma, mas que estão a revelar muito semelhantes na substância - falem de menos Estado.


Daria a ideia que se trata de pensamento diferente, se não mesmo oposto, quando têm todos o mesmo alinhamento político e ideológico, pertencem à mesma família política e até ao mesmo partido. Quando, especialmente Santana Lopes, se está ostensivamente a colar ao presidente para, evidentemente, colher dividendos da sua popularidade.


Se, com o mesmo posicionamento ideológico, e o mesmo alinhamento político, dizem o oposto sobre o Estado, só podem estar a falar de coisas diferentes. Só podem estar a falar de "Estados diferentes". 


Na verdade assim é. Na verdade estão a falar de diferentes funções do Estado. O presidente Marcelo - mesmo que à saída do hospital tenha exaltado o Serviço Nacional de Saúde - fala das funções de soberania do Estado. E quer mais. Os candidatos à liderança do PSD referem-se às funções sociais e às funções reguladoras do Estado. E querem menos!


É esta a matriz ideológica da direita: pouco, ou se possível nenhum, Estado a regular (só atrapalha, não deixa fazer); pouco Estado social (vai trabalhar, malandro), mas muito Estado na segurança pública!


Não há nada para inventar. Muito menos a reinventar!

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Do Natal ao Ano Novo vão apenas oito dias

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O Presidente da República inicou a sua mensagem - ou será discurso? - de Ano Novo por onde o primeiro ministro, oito dias antes, havia terminado a sua, ou o seu, de Natal. António Costa sabia que não tinha opção - tinha mesmo de começar pelo parte amarga do ano, e só depois se poderia virar para a saborosa. Marcelo podia começar por onde quisesse, e começou mesmo pelo cor-de-rosa. Só depois chegou ao negro e, na sequência disso, ao único ponto - e que ponto! - que verdadeiramente distingue o seu discurso do de António Costa: o Estado. Para que serve, e ao serviço de quem deve estar!


E disse que o Estado existe para nos servir os cidadãos, assegurando-lhes os direitos fundamentais. É isso, e apenas isso, que justifica a sua existência, e não a satisfação de interesses particulares, corporativos, sindicais ou partidários. 


Bem dito, sem dúvida. A sugerir que vem aí o veto à escabrosa lei do financiamento dos partidos. Ou a lembrar-nos que, horas antes, à saída do hospital, identificara o Serviço Nacional de Saúde como a grande conquista da democracia. O mesmo Serviço Nacional de Saúde que não quis, ao votar em 1979, então deputado do PPD, contra a respectiva lei de bases.


O discurso (dos) político(s) é também isto!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...