quinta-feira, 30 de junho de 2011

MALDITAS PROMESSAS!

 Por Eduardo Louro


 


E a primeira medida do governo que não iria aumentar impostos foi … aumentar impostos. O IRS, o mais fácil a seguir ao IVA. Pois, e o IVA virá a seguir, também já sabemos!


Claro que todos sabíamos que não poderíamos continuar a viver sem aumento de impostos. Estávamos preparados. Tão preparados que este anúncio foi recebido exactamente como foi comunicado: sem dor! Porque o governo que não iria nunca desculpar-se com a pesada herança do anterior tem que atalhar medidas: o governo anterior - que garantia que a execução orçamental estava a correr bem - deixou o défice do primeiro trimestre em 7,7%, bem longe dos 5,9 exigidos pela troika.


E, no entanto, não é fácil saber que nos vão ao bolso buscar metade do subsídio de Natal (como é que isso irá ser feito? E a constituição, não conta para nada?) precisamente no dia a seguir a ficarmos a saber que a privatização da RTP fica na gaveta. Porque há uns senhores que não gostam da ideia… Um porque acha que isso baixaria a qualidade da televisão e outro porque acha que concorrência sim, mas não é preciso exagerar…


 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

PRIVATIZAÇÃO DA RTP

Por Eduardo Louro


 


O Programa de Governo hoje dado a conhecer empurra a privatização da RTP lá mais para a frente. Para segundas núpcias!


Ouvimos o presidente não executivo da TVI – o regressado Pais do Amaral – dizer que não. Que não se pode privatizar a RTP porque – pasme-se – isso iria fazer baixar a qualidade das televisões. E ouvimos, logo a seguir, Pinto Balsemão dizer esta coisa fantástica: “… a defesa da concorrência em excesso prejudica a concorrência…” Isto porque, justificava,” …nos últimos 10 anos a publicidade baixou muito em Portugal e não haverá mercado para mais um player nesta área da televisão aberta…”


Ora bem, não é de agora que todos sabemos que os empresários em Portugal substituem muito facilmente os princípios da liberdade económica e da livre concorrência pelos seus muito particulares interesses. O que não ficamos a saber – e é mau – é em que medida é que estas veementes posições dos dois players são causa ou consequência da decisão do governo. Porque, evidentemente, é muito difícil de aceitar que esta tenha sido uma mera vitória de Paulo Portas, opositor declarado – vá lá perceber-se porquê – da inabalável decisão de Passos Coelho sufragada pelo eleitorado.


É bom que se perceba que a RTP é a empresa pública que mais dinheiro – entre dotações de capital, subsídios, indemnizações compensatórias e a taxa do audiovisual que toda a gente é obrigada a pagar na factura da electricidade - tem levado aos contribuintes.


É bom que se perceba que, quando o actual Presidente do Conselho de Administração vem – também ele, pudera – dizer que agora é que se não justifica privatizá-la porque deu, pela primeira vez, lucro, que esse facto não altera em nada o seu estatuto do mais pesado fardo do sector público empresarial que o contribuinte carrega. Até aqui, e apesar de tudo o que os contribuintes para lá carregavam, ainda conseguia acumular prejuízos que exigiam mais e mais dotações de capital.


É bom que se perceba que a RTP tem sido sempre usada como instrumento de propaganda dos poderes instituídos – de todos – e objecto de permanentes estratégias de controlo e de nomeações de comissários políticos, fazendo dela um dos principais covis de boys.


É bom que se perceba que o que os contribuintes financiam na RTP não é o serviço público de televisão – o verdadeiro serviço público poderia facilmente ser negociado e contratualizado com os operadores privados no âmbito do contrato de concessão – mas sim um enorme e desajustado quadro de recursos humanos com cerca de duas mil pessoas, muitas delas boys e outros instalados principescamente pagos.


É que, percebendo-se isto, não se percebe de que é que se está à espera para privatizar a RTP. A não ser que seja para fazer a vontade ao Dr Pinto Balsemão! E ao Dr Pais do Amaral!


 

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ministro da Economia

Por Eduardo Louro


 


O governo acaba agora de ser concluído, com a tomada de posse os 35 secretários de Estado. Ainda está novo: novinho em folha!


E no entanto já começaram a ser visíveis os ataques. Ainda não estava completo e já se começava a perceber por onde iria começar a ser alvejado: pelo ministro da economia, parece-me evidente!


Porque é muito académico. Porque não tem experiência política. Porque é um super ministério e ele muito longe de ser um super ministro. Porque não vivia no país. Porque veio dizer que era Álvaro, que isso do professor doutor não faz parte do nome. Enfim, porque já toda a gente já começa a achar que ele não percebe nada disto…


Mas agora vêm os secretários de estado e eis que surge um Secretário de Estado do Empreendedorismo. E já se começam a ouvir as vozes da maledicência: o que é que faz um secretário de estado do empreededorismo? O tipo é mesmo um desajeitado teórico e um académico desligado da realidade…  


Bom, a secretaria de estado chama-se do empreendedorismo, competitividade e inovação. Coisas em que, não é demais referi-lo, somos altamente deficitários. E sem o que, como já toda a gente percebeu, não vale a pena pensar em crescimento. Nem em aumento das exportações!


O Secretário de Estado – o jovem Carlos Nuno Oliveira – pode ser pouco conhecido. Mas não pode ser acusado de não ter dado provas de empreededorismo, de competitividade e de capacidade de inovação: começou por criar a MobiComp (aplicações para smartphones e telemóveis) que depois vendeu à Microsoft por uma pipa de massa, tendo-se mantido ligado ao maior investimento deste gigante da nova economia no nosso país até há bem pouco tempo. Paralelamente foi-se mantendo ligado a projectos inovadores na área das tecnologias de informação e é director do Centro de Excelência em Desmaterialização de Transacções (CEDT), uma espécie de rede de competências de empresas e de entidades científicas e tecnológicas empenhada em desenvolver a desmaterialização de transacções.


Pois é! Se escolheram o Ministro da Economia para elo mais fraco e começar por aí a minar o governo tudo bem. É a vida, como diria o outro! Mas haja juízo: pegar por esta secretaria de estado é gato escondido com rabo de fora. E bem à vista!


Se não há dúvida que esta secretaria de estado se justifica – o empreendedorismo poderá não se ensinar e ser atributo exclusivo da sociedade civil, mas o governo pode e deve criar as melhores condições para o seu desenvolvimento – também poucas haverá que a pasta está bem entregue…


Outra coisa bem diferente é um ministro da economia a dizer aos investidores onde devem investir. Ou mesmo a ideia de um Portugal à imagem da Florida…


 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Futebolês #81 SISTEMA

Eduardo Louro


 


O prometido é devido e, antes que se faça tarde, vamos ao sistema. Como já avisei não é nada fácil de definir: desde logo porque muitos dizem que o sistema não existe! Para se perceber bem a dificuldade basta dizer que enquanto uns negam a sua existência – e ninguém consegue definir uma coisa que nem sequer existe – outros, os que garantem que existe, que está vivo e bem vivo e que até sabem bem o que é, quando chega a hora de o identificar – que é como quem diz, de o definir – nada! É o sistema, é o sistema mas não saem dali!


Quem foi mais longe nesta difícil tarefa de definir o sistema foi Dias da Cunha, o antepenúltimo presidente do Sporting (antepenúltimo porque o actual é o actual, não é o último presidente do Sporting). Mesmo com esse mérito não conseguiu mais que apresentar duas caras: as caras do sistema, disse com todas as letras, “são Pinto da Costa e Valentim Loureiro”!


Repare-se: ele não disse que o sistema era Pinto da Costa e Valentim Loureiro, disse que estes eram os rostos do sistema. Podem portanto tirar o cavalinho da chuva: também não irei ser eu a defini-lo!


Se ninguém o conseguiu por que haveria de ser eu a fazê-lo? A modéstia é como o cuidado e os caldos de galinha: não faz mal a ninguém!


Mas há aqueles dois nomes que Dias da Cunha mandou para esta fogueira. O que é lhes haveremos de fazer?


Claro que deles ouvimos muitas estórias. Umas contadas por aqui e por ali, outras escutadas mesmo. E que acabamos todos por ouvir: uns - onde me incluo – por não resistirem à chamada espreitadela pelo buraco da fechadura (expressão que usam, para tentar tapar o sol com a peneira, aqueles que gostariam que fossemos todos iguaizinhos aos que absolvem tudo e todos e aos que programam uns fins-de-semana fora, ali mesmo na Galiza,), outros porque foram as escutas que se lhes atravessaram à frente. Dizem eles, que não são nem coscuvilheiros nem de intrigas!


Fosse o Octávio Machado e diria: “vocês sabem do que é que (de quem) estou a falar”!


Da mesma forma que não há fumo sem fogo também, havendo as caras do sistema, não pode deixar de haver sistema. Seja lá o que for: seja impor os titulares dos órgãos que decidem, nomeiam ou influenciam, seja ocupar lugares e funções estratégicos, seja mandar na arbitragem ou tão simplesmente tratar bem os homens do apito, com fruta ou com viagens. Ou dispor de um exército de jogadores e distribuí-los pelas mais variadas equipas que disputam a mesma competição. Ou assinalar treinadores e colocá-los em equipas amigas, como naquelas mesas de restaurante com a sinalética de reservada!


Seja ou não uma combinação de habilidades e espertices com algumas (muitas) pulhices, umas toleradas pelo chico-espertismo nacional e outras protegidas pela negligência e pela corrupção.


Se o sistema é isto as caras do sistema já não são o que eram: Valentim Loureiro praticamente desapareceu de cena, obrigado a abandonar a Liga, e com o Boavista, já depois da sucessão dinástica que havia promovido, atirado para fora dos escalões do futebol profissional. Já Pinto da Costa, ressuscitado por uma Justiça suspeita que não aceitou provas que toda a gente percebeu que provavam tudo, regressa ao seu melhor nível, como se viu no arranque da época passada e como se confirmou esta semana, a provar que, para além de cara do sistema é o melhor gestor do futebol em Portugal.


Não sei se foi ou não apanhado de surpresa ou enganado pelo André Villas-Boas. O que sei é que convenceu toda a gente do contrário, que a troca do Porto pelo Chelsea pelo treinador tão portista quanto ele era coisa que previa já há um mês. E que por isso já tinha tudo tratado com o anterior adjunto, a ponto de o confirmar como treinador principal logo que do banco lhe confirmaram os 15 milhões da cláusula de rescisão. Pode não ter sido assim, mas convenceu toda a gente que foi assim!


E transformou uma ameaça – todos os comentadores eram unânimes em declarar um Pinto da Costa de calças na mão – numa oportunidade. Na oportunidade de reafirmar a sua capacidade de gestão e de marcar a diferença para a concorrência. Surpreendeu ao apostar no treinador adjunto, coisa que em Portugal e em particular nos grandes não é comum e, com isso, resolveu de imediato o problema como se há muito estivesse previsto.


Não faço ideia se o ex-adjunto Vítor Pereira é treinador para o Porto: não o conheço de lado nenhum! Mas Pinto da Costa conhece-o: já o conhecia de uma anterior passagem pelos juniores, ao ponto de o fazer incluir na equipa de Villas-Boas, e acompanhou o seu trabalho no último ano. Reconhece-lhe certamente competência, que é o essencial. O resto é com ele! E com o sistema


Para já, sem o treinador maravilha e sem os dois ou três jogadores que o homem que abandonou a cadeira de sonho vai levar, fica com os cofres a abarrotar!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MUDANÇA

Por Eduardo Louro


 


Pedro Passos Coelho vai partir para Bruxelas - no que constituirá o seu primeiro acto externo como primeiro-ministro - para a reunião do conselho europeu: a tal que era importante não falhar e à qual, porventura, deveremos grande parte da celeridade e da eficácia em todo o processo de constituição do governo!


A comitiva governamental liderada por Passos Coelho não se irá deslocar no Falcon. Nem sequer voará em executiva: vai mesmo voar em económica!


Isto não é demagogia. Nem populismo. Isto também é mudança!


São também estas coisas que ajudam a melhorar a qualidade do ar que se vai respirando em Portugal nas últimas duas semanas!


 


 


 

ASSUNÇÃO ESTEVES

Por Eduardo Louro


 


Sobre a eleição de Assunção Esteves para presidente da Assembleia da República já tudo foi dito. Tudo ficou de resto dito com o clima de aclamação que rodeou a sua eleição: da direita à esquerda do hemiciclo não houve quem lhe regateasse elogios. Na opinião publicada fez o pleno!


A mim resta-me apenas dizer que foi o corolário da vitória de Pedro Passos Coelho no dossiê Fernando Nobre que, depois de haver cometido suicídio, foi ontem a enterrar. Um enterro político em plena Assembleia da República!


Foi, para Passos Coelho, a cereja no topo do bolo: depois de tratar de Fernando Nobre teve ainda tempo de tratar dos baronatos insulares. Sem sequer ninguém espernear!


 

UMA BOA IDEIA, MAS...

Por Eduardo Louro


 


Manifestei-me aqui, já há muito tempo, contra a forma pouco democrática como em Portugal se chega a primeiro-ministro. Dito assim - sem mais nem menos – isto parece uma inaceitável blasfémia.


Mas não é! Tudo tem a ver com a forma como são eleitos os líderes partidários – do PS e PSD, os únicos que continuam a candidatar primeiros-ministros, por muito que isso custe a Paulo Portas! Como então dizia são umas escassas dezenas de pessoas que decidem quem é o líder de cada um desses partidos e, automaticamente, candidatos a primeiro-ministro. Depois, em eleições legislativas, a democracia limita-se a sufragar o nome escolhido por pouco mais de uma dúzia de pessoas.


É assim para todos os órgãos de poder democraticamente eleitos: deputados da nação ou autarcas.


Sempre me pareceu que isto representava um condicionalismo muito sério das democracias europeias e em particular da nossa. É que, afinal, e salvaguardando todas as distâncias e todas as restantes variáveis da democracia, pouca diferença há entre ir buscar um professor a Coimbra para tomar conta do país ou esperar que outro vá fazer a rodagem a um carro a um sítio qualquer onde se decida quem vai tomar conta desse mesmo país. A diferença é que um ficou por 40 anos, sem nunca mais perguntar nada a ninguém e, o outro, ficando por pouco menos tempo, sempre foi perguntando se o queríamos manter por lá. Bom, mas agora já não é assim: já não basta ir dar um passeio de fim-de-semana! Agora há, no PS e no PSD, eleições directas!


É aqui que quero chegar: não há diferença nenhuma! As eleições directas nestes partidos são decididas pelas mesmas escassas dezenas ou centenas de pessoas. Se na eleição em congresso ainda havia lugar a alguma espontaneidade, a alguma mudança de sentido de voto provocada por algum discurso mais arrabatado, em eleições directas ganha-as quem dominar a máquina do partido. Qualquer que ele seja!


Foi assim com Passos Coelho, há pouco mais de um ano. E é assim, agora no PS, com António José Seguro!


Por isso sou levado a aplaudir, de pé e com ambas as mãos, a proposta de Francisco Assis de introduzir no PS a escolha dos candidatos a primeiro-ministro, deputados e autarcas através de eleições primárias abertas a todos os cidadãos que o pretendam, independentemente das suas opções partidárias. Seria como as primárias que conhecemos do sistema americano: muito mais democrático, sem dúvida!


Claro que tenho dúvidas – mas apenas isso – sobre a eficácia do sistema no nosso país. Num país com os níveis de abstenção e de participação cívica que conhecemos dificilmente teríamos um nível de participação que nos afastasse todas as dúvidas de legitimação democrática. Quem sabe mesmo se não promoveria outros tipos de caciquismo… Mas lá que é um risco que vale a pena correr, disso não tenho dúvidas!


Tenho algumas é que se fosse Assis, e não Seguro, a dominar o aparelho, ele defenderia esta proposta: nada me legitima esta dúvida, mas…


 


 

terça-feira, 21 de junho de 2011

UM (FALSO) SUSPIRO DE ALÍVIO

Por Eduardo Louro


 


O parlamento grego acabou de aprovar a moção de confiança que o remodelado governo de George Papandreou decidiu apresentar como forma de entreter a dramática crise que assola o país e ameaça a Europa. Especialmente a do Sul e, ainda mais especialmente, nós portugueses!


O governo grego dispõe de uma maioria parlamentar assegurada pelo Partido Socialista (PASOK) do primeiro-ministro Papandreou, não está dependente de qualquer coligação instável.


Poderemos tentar descortinar algumas vantagens desta moção de censura, mas não vai ser fácil encontrá-las. Não refrescou qualquer legitimidade parlamentar – até porque toda a oposição votou contra – porque a aprovação resultou da óbvia disciplina partidária. Teria por objectivo levar uma mensagem – essa sim de legitimação - para a agitada rua grega, na antecâmara de mais um programa de austeridade - o quinto - a lembrar-nos os nossos PECs, que se sucederam ao mesmo ritmo. Só que serviu também para vermos essa mesma rua - 200 mil pessoas – a cercar o parlamento. Se o destino era a rua ficou demonstrado que não foi eficaz!


A ansiedade que se quis fazer passar, o suspense, ou mesmo o medo, que se pretendeu criar em torno da dúvida sobre a aprovação da moção de confiança era falso: não tinha razão se ser. O medo e a ansiedade justificam-se sim porque a rua não vai dar tréguas e os problemas gregos não se resolvem com moções de confiança. Daí o que suspiro de alívio com que recebemos a notícia da aprovação da moção soe a falso!


 


 

SOLSTÍCIO DE VERÃO

Por Eduardo Louro


 


O Verão acaba de chegar, mesmo a horas: às 18 e 16 minutos! Hoje é o maior dia do ano, o que quer dizer que, a partir de hoje, começam a diminuir… Até chegar o mais pequeno, no solstício de Inverno, daqui por seis meses!


Por agora, viva o Verão, do sol, da praia, dos refrescos, da sangria, da imperial, das sardinhas… Como diz a cantiga dos Fúria do Açúcar: quando "os dias ficam maiores e as roupas menores"!


Como eles, eu gosto é do Verão!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

EXPLOSÃO CONTROLADA

Por Eduardo Louro


 


A bomba armadilhada – a imagem que há dias aqui trouxe para caracterizar o sarilho em que Pedro Passos Coelho se meteu com aquele convite a Fernando Nobre – acabou por explodir em ambiente de explosão controlada às mãos da nova Assembleia da República, para o efeito transformada numa espécie de brigada de minas e armadilhas.


Chamo-lhe explosão porque a bomba existia, estava lá, e explodiu mesmo. Não há dúvida que o que parece é – esta é uma velha verdade da política – e a humilhação – as coisas têm de ser chamadas pelos nomes – a que Fernando Nobre se sujeitou, com duas tentativas derrotadas de eleição, é uma derrota política de Pedro Passos Coelho, mais do que do PSD que, como ficou demonstrado, não estava absoluta e totalmente entusiasmado com o compromisso público do seu líder. Mas esta era uma explosão anunciada que, como todas as explosões anunciadas, permite limitar os danos: a derrota, afinal, existe pelas simples razão de parecer que existe!


Na realidade não há sequer derrota nenhuma de Pedros Passos Coelho. Neste episódio, apesar da opinião contrária de todos os analistas oficiais e comentadores do regime, Passos ganhou em toda a linha. Porque, conforme já aqui perspectivava na semana passada, teve oportunidade de aparecer aos olhos dos portugueses como um homem sério e cumpridor. Em quem se pode confiar porque não trai os seus compromissos. Mas também mostrou que não é oportunista, nem daqueles que não olham a meios para atingir fins.


E isto sempre foi muito valorizado no processo de avaliação política. Mas hoje é-o mais ainda: nesta altura, em que acabamos de chegar de um trajecto de seis anos com um primeiro-ministro que lidou muito mal com todos estes fundamentais traços de carácter, e em que a credibilidade e a confiança nos políticos bateu no fundo, os portugueses valorizam-no ainda mais.


Tudo isto credibiliza ainda aquela ideia de mudança que Pedro Passos Coelho quer associar a si próprio. A mudança em que os portugueses têm de acreditar para poderem estar com o governo nestes, pelo menos, dois anos dramáticos que aí vêm. Mas também a mudança na forma de fazer política, de comunicar e de se relacionar com os eleitores.


Ora o que é isto se não uma vitória?


Mas poderemos ainda, embora já claramente no domínio especulativo, admitir que Passos Coelho estava, neste processo, refém da sua palavra e claramente consciente do sarilho em que, fosse por que razão fosse, bem cedo se meteu. Que tinha já nítida a noção que o exercício da presidência do parlamento poderia tornar Fernando Nobre em alguém, a prazo, muito incómodo para si, para o partido e até mesmo para o país.


Fernando Nobre, ao recusar abrir uma escapatória para Passos e insistir em levar a sua odisseia até ao fim, cometeu suicídio político. Ora, à luz daquela tese, isto é não ou não é uma vitória?


Quando as coisas correm bem correm mesmo bem. E esta foi uma explosão que correu bem!


O estado de graça – que os analistas encartados dizem que este governo não irá ter – faz-se também deste tipo de coisas…


 

UMA CADEIRA CARA

Por Eduardo Louro


 


Diz-se que o Chelsea de Abramovich convenceu o André Villas-Boas a seguir as pisadas de Mourinho. Parece que terá bastado oferecer-lhe um salário anual de 5 milhões de euros para ele se dispusesse a levar a cadeira de sonho do Dragão para Stamford Bridge. Sem dela se levantar...


Pinto da Costa é que garante que a cadeira vale 15 milhões: em euros, bem menos em libras!


O Porto de Pinto da Costa agora até já em cadeiras faz milhões.


Mas nem sempre tudo lhe corre bem: agora tem 15 milhões mas não tem treinador.


Desta vez errou quando não acreditou suficientemente em Domingos! Houve ali um tempito, quando o calendário vira e se começa a ser tempo de mexer nas pedras que vão fazer a nova época, em que as coisas não lhe estavam a correr muito bem. Pinto da Costa deixou-o então cair – o Braga até desinvestiu na sua equipa cedendo um conjunto de jogadores – e convenceu o seu amigo Salvador que o Leonardo Jardim é que era.


Recordo o que aqui escrevi em Fevereiro passado, a propósito da demissão de Leonardo Jardim do Beira-Mar:


No final da passada semana começaram a surgir notícias que davam conta do envolvimento do FC Porto. Que Pinto da Costa, bem à sua maneira, classificava de imbecilidades.


Dizia-se que, também bem à sua maneira, o teria contratado já para a eventualidade do André Vilas Boas sair. Para a hipótese de chegar uma proposta do estrangeiro que o levasse da sua tal cadeira de sonho. Com um plano B, bem à Pinto da Costa: se o rapaz não fosse levado a deixar a sua cadeira de sonho, o destino temporário do madeirense seria Braga.


Uma viagem de Aveiro ao Porto com escala em Braga!”


Ao abandonar Domingos Paciência enganou-se - ele também se engana, não as acerta todas – e mandou-o para os braços do Sporting. Dois meses depois, em Abril, como aqui também então dei nota, já o tinha percebido.


Agora Pinto da Costa vai ter que chatear o António Salvador, sem que se livre de lhe ter de entregar umas migalhitas do que vai receber do Chelsea. A contragosto, porque não era isso que estava no guião! No guião, o madeirense faria o tirocínio em Braga e chegaria ao Dragão já sem cueiros, porque a massa não é a mesma do Villas-Boas!


Aqui há uns cinco anos aconteceu qualquer coisa de semelhante com o Boavista e um tal de Jesualdo Ferreira, que este mesmo António Salvador tinha despachado de Braga. No meio de tudo isto quem tem mesmo azar é Domingos. Ai se ele pudesse voltar atrás…

domingo, 19 de junho de 2011

EXPERIÊNCIA POLÍTICA

Por Eduardo Louro


 


Os comentadores oficiais do regime falam frequentemente de renovação política. Da necessidade de renovar a classe política, de refrescar o ambiente político, da abertura à sociedade civil e até da crise de vocações para a política que, por sua vez, faz pouco para cativar gente nova.


No entanto, sempre que alguém chega a vida política vindo directamente da chamada sociedade civil e respondendo afirmativamente ao apelo da cidadania, a coisa muda de figura. São normalmente mal recebidos, mesmo com alguma hostilidade. E quanto mais fugirem aos estereótipos instituídos mais hostilizados são.


Recordo-me da forma como, por exemplo, esta classe altamente influente, recebeu a candidatura de Fernando Nobre à presidência da República. É certo que, como eu próprio oportunamente aqui reconheci, a realidade viria mais tarde a dar-lhes alguma razão: a campanha de Fernando Nobre viria a confirmar a sua inaptidão política mas, mais importante que isso, viria a revelar grande falta de substância e a provocar o desapontamento de muitos cidadãos. Mas a verdade é que os comentadores oficiais chumbaram-no muito antes de prestar provas: por fugir ao estereotipo ou por preconceito!


Está a acontecer o mesmo com o novo governo: aí estão eles - que vivem paredes meias com a classe política que tem segurado o poder nas últimas décadas (mais parece, muitas vezes, viverem dela para ela) – a acusar a maioria dos novos ministros de falta de experiencia política. Não lhes importa muito se é gente que tem uma carreira e uma profissão, se é gente tecnicamente competente e profissionalmente capaz. Não lhes importa muito se é gente com condições para fazer a renovação de uma classe política desacreditada, uma lufada de ar fresco numa cena política bafienta. Não, o que para esta gente importa é a sua falta de experiência política!


Ainda bem que lhes falta experiência, porque dos que têm muita experiência estamos todos fartos. Menos os comentadores do regime, a maioria deles com muita experiência política! De mais!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Futebolês #80 MÍSTICA

Eduardo Louro


 


Mística – que aqui veio à baila no último número - é, talvez a par de sistema – que por aqui aparecerá numa das próximas edições - um dos conceitos do futebolês mais difícil de definir. Mas comecemos por tentar!


E comecemos por esclarecer que é uma palavra do género feminino: nada a ver, portanto, com místico. Não tem nada a ver com o sobrenatural, com qualquer aproximação a Deus. Embora tenha tudo a ver com aproximação, talvez o primeiro ponto de partida para perceber a mística. Também nada tem a ver com o sentido de fusão da alma com Deus, bem caro ao misticismo. Embora também tenha tudo a ver com fusão. Também e ainda nada tem a ver com a comunhão, esse ritual católico também envolto de misticismo. Embora também tenha tudo a ver com comunhão!


A mística é pois aproximação: aproximação a um ideal e a uma representação. E fusão: fusão de vontades e sentimentos. E comunhão de interesses, de objectivos, de sonhos e de ideais. É uma chama que alimenta paixões e se transforma numa força colectiva capaz de vencer dificuldades e barreiras. É um dínamo que carrega vontades e liberta sinergias capazes de fazer das fraquezas forças! A mística é a força que vem não se sabe bem de onde mas que enfrenta a adversidade com tal determinação que tudo supera. É uma cultura e uma crença, ou se calhar uma cultura de crença!


A mística amamenta vitórias - e por isso é tão reclamada – mas também se alimenta delas. Sem vitórias morre!


Foi o que aconteceu no Benfica (salvou-se o nome, aproveitado para uma linda revista) - a casa onde nasceu e que fez sua durante décadas – e pluribuns unum – desapareceu! Não que tenha morrido, mas vegeta em estado de coma há longos anos! Alguns dizem que desde aquela fatídica e longínqua assembleia-geral que pôs fim ao exclusivo lusitano na equipa.


Todos percebemos hoje que aquela decisão de abrir a equipa a estrangeiros seria incontornável. Naquela altura ou alguns (poucos) anos depois, mas ainda bem antes da chamada lei Bosman dos anos noventa. Mas lembrarmo-nos hoje que o primeiro estrangeiro do Benfica, logo a seguir a essa assembleia-geral, foi um tal Jorge Gomes – um brasileiro que jogava no Boavista – ajuda-nos a perceber a realidade actual do Benfica, que apresenta, com cada vez mais frequência, equipas sem um único português. E, logicamente, sem um único representante na selecção nacional!


A mística cultiva-se e passa de geração em geração, pela mão dos mais velhos e dos mais carismáticos, como o facho olímpico. No Benfica teima-se em não preservar gente para transportar a mística, para a levar, como o facho olímpico, até à mão seguinte como numa estafeta. Sem jogadores portugueses não há quem a transporte. Com as dezenas de jogadores estrangeiros que todos os anos chegam ao Benfica não há sequer quem a receba!


É neste quadro que assistimos a este degradante episódio do Nuno Gomes: o jogador que ainda segurava um facho - já com pouca chama, é certo – um dos poucos portugueses, com 12 anos de casa e o último jogador símbolo do Benfica. Que entende que tem condições para, aos 35 anos, jogar mais uma época, o que gostaria de fazer na equipa do clube da sua vida. E que - números são números – nas escassas oportunidades que Jorge Jesus lhe deu na época passada foi o mais produtivo jogador da equipa!


É grave que o treinador do Benfica não faça ideia do que é isso da mística e que, por essa ignorância, nem se farte de trazer dezenas de sul-americanos e espanhóis nem se incomode em expulsar Nuno Gomes do Benfica. Mais grave é que o deixem fazer isso, que alinhem nessa loucura de alimentar as filas de chegadas ao aeroporto (agora alguns até ficam detidos no SEF) e que, já que não o possam obrigar a incluir Nuno Gomes no plantel, não saibam tratar do assunto com a dignidade e o profissionalismo exigíveis. A gestão do Benfica não só não soube contrariar a insensata decisão do seu treinador como não soube geri-la. E, com isso, deu o último golpe na moribunda mística benfiquista. A mensagem que ficou para todos os jogadores foi clara: vejam o exemplo do Nuno, o capitão com 12 anos a viver, a sentir e a comungar e partilhar os sonhos e os ideais do Benfica, vejam o que lhe fizemos. É isso que vos está reservado!


Depois admiram-se de haver jogadores que preferem outro destino. E fecham os olhos e tapam os ouvidos quando jogadores que saíram desse outro e outrora destino falam da mística que por lá reina!


Mas isso da mística não interessa nada. O que importa é Artur Morais, Daniel Wass, Leo Kanu, Enzo Perez, Nemanja Matic, Bruno César, Nuno Coelho, Nolito, Rodrigo Mora, Tiago Terroso, André Almeida, Urretavizcaya, Miguel Rosa, Nelson Oliveira, David Simão, Rodrigo, Garay, Dedé, Ansaldi, Lorenzo Melgarejo (o tal que ficou retido no SEF, porque pensava que vinha de férias, e que diz que vem substituir Cardoso, que não sabe que vai embora), Danilo... Ufa!


É isto que, pelos vistos, faz a felicidade de Jesus. Espero que o fantasma de Nuno Gomes não o persiga toda a época… Se der para tanto!

O NOVO GOVERNO

Por Eduardo Louro


 


                                               


    


 


Aí está o novo governo! Um novo governo que também é um governo novo (de gente nova) e com algumas, ou mesmo muitas, surpresas. Escolhi quatro – e não sei se lhes chame surpresas se polémicas: estas quatro!


Começo pelas senhoras – primeiro as senhoras, que são apenas duas – e por Assunção Cristas. Não que seja exactamente uma surpresa, porque sabendo-se que faz parte do núcleo duro de Paulo Portas seria de esperar que o líder a requisitasse para o governo. Também o facto de ser claramente uma estrela em ascensão, com reconhecidos méritos patenteados particularmente no Parlamento, diluirá o factor surpresa. Mas surpresa mesmo é a pasta que lhe calhou em sorte: uma pasta de mixed feelings que leva a agricultura à cabeça (terá sido a fórmula encontrada para satisfazer a reivindicação de Paulo Portas) que acaba por congregar todos os sectores mais desprotegidos da nossa actividade económica.


Passando aos cavalheiros surge Paulo Macedo: um nome de que se vinha falando pelo que, também aqui, a surpresa/polémica vem agarrada à pasta. Ninguém se lembraria do quadro do BCP (agora administrador) que teve uma passagem marcante pela Direcção Geral dos Impostos para o Ministério da Saúde, mas são mesmos os resultados aí obtidos que acabam por justificar esta escolha de Passos Coelho. Está fora dos lóbis que se movimentam nesta área e tem um rótulo de reformador, e só isso já basta para esbater a eventual polémica.


Álvaro Santos Pereira é mesmo uma surpresa: uma surpresa no mega Ministério da Economia que poderá vir a ser polémica. É o segundo mais jovem, depois de Assunção Cristas, e um académico – muito prestigiado e, sem dúvida, um dos grandes talentos do país - fora, como tantos outros (vem de Vancouver, no Canadá) que tem dado a cara por opções económicas altamente polémicas. Por ele, por exemplo, a tal major reduction da Taxa Social Única que tanta polémica levantou na campanha eleitoral e que a tudo se prestou, é mesmo substancial: 10 ou 15 pontos! Há mais, muitas mais opções polémicas: basta esperar para ver!


Por último, Vítor Gaspar, talvez o menos conhecido de todos para o grande público, mas também de méritos indiscutíveis. Chega com dois handicaps que, curiosamente, abordei aqui em dois dos últimos textos sobre a constituição do governo: o primeiro terá a ver com o facto de não ter sido primeira escolha (Vítor Bento, o nome que aqui se adiantara, não aceitou), e o segundo com a falta de peso político, o tal factor que também aqui apresentei como determinante. Nada que, a meu ver, seja agora relevante. Para além de inquestionável competência Vítor Gaspar goza de grande prestígio pessoal e profissional em Bruxelas: na Comissão Europeia e no Banco Central Europeu. E conhece como poucos aqueles corredores. Nas actuais circunstâncias do país e da governação esta é uma mais valia que ultrapassa, em muito, o handicap da sua leveza política.


Para além das suas características individuais, e do brilhantismo de cada um, estas são também caras que acentuam o lado liberal deste governo. Para o bem e para o mal, goste-se ou não!


 

"COPIANÇO"

Por Eduardo Louro


 


Foi a notícia dos últimos dois dias e talvez a notícia da semana, batendo aos pontos a da saga do próximo governo. Ontem tomou conta do espaço mediático: jornais, rádios, televisões, blogosfera e redes sociais pouco mais fizeram que dar eco da indignação geral e das ondas de choque que a notícia provocou.


Também eu fiquei chocado com as notícias do copianço geral dos 137 alunos do CEJ. Mas, confesso desde já, com as notícias! Por isso, ontem não me pronunciei e optei por deixar passar algum tempo para que a poeira assentasse. De facto este episódio e as suas sucessivas narrativas são um bom exemplo de como se faz comunicação e opinião neste nosso país.


Num teste de Investigação Criminal e Gestão de Inquérito (ICGI), os alunos do Centro de Estudo Judiciários (CEJ), teriam copiado. A notícia começou a circular em moldes inequívocos: até as respostas erradas eram exactamente iguais, o que teria levado a directora do curso, porque já não haveria tempo para repetir a prova, a correr toda a gente com 10, numa escala de 0 a 20.


O resto já toda a gente conhece: desde a reacção do Bastonário da Ordem dos Advogados, à dos sindicatos das magistraturas, dos mais diversos agentes às das próprias estruturas do CEJ e até de ex-Presidentes da República. Multiplicaram-se por toda a parte as acusações de fraude e de desonestidade daqueles que, dentro de pouco tempo, serão responsáveis pela aplicação da justiça e as conclusões de que este seria o paradigma da Justiça: incompetência, desonestidade e, the last not the least, perante a incapacidade crónica de encontrar os culpados, lavar as mãos como Pilatos atribuindo nota 10 a todos os alunos, tenham ou não copiado.


Dentre as páginas de jornais, as horas de rádio e de televisão, os inúmeros posts na blogosfera e as centenas de comentários saliento aqui uma entrevista de Mário Crespo ao sociólogo Boaventura Sousa Santos na SIC Notícias. Confesso que, pese o respeito que aquele jornalista me merece, não sou grande apreciador do seu estilo desgraçadista e exuberantemente opinativo sempre misturado com um assinalável espírito reverencial pouco compaginável com a sua exuberância. Adianto ainda que, tanto quanto sei, o sociólogo Boaventura Sousa Santos, por razões que se poderão muito bem justificar mas que eu não entendo bem, tem responsabilidades pedagógicas no SEJ: conhecedor privilegiado, portanto, do que por lá se passa.


Nesse espaço informativo, enquanto o sociólogo não descolava da vox populi sobre a matéria, e acentuava a necessidade de todo o processo de selecção e formação daqueles futuros magistrados escolher os melhores entre os melhores, sempre com a cumplicidade bem expressa do jornalista, que dissertava sobre as passagens administrativas dos tempos do PREC, acentuando o carácter baldista da formação dos magistrados e enfatizando a nota 10 como forma de assegurar a passagem toda aquela gente incompetente e impreparada.


Ora bem, o que acontece é que aqueles137 alunos do CEJ – ou a sua grande maioria, porque há uma pequena quota para pessoas já profissionalizadas – chegaram ali depois de passarem por sucessivas e exigentes provas de avaliação que deixaram pelo caminho largas centenas de candidatos. O que acontece é que aqueles são mesmo os melhores de entre todos os que um dia ambicionaram fazer uma carreira na magistratura e que ali discutem, palmo a palmo, a melhor nota. A nota que os acompanhará ao longo da carreira e que marcará o seu futuro, para quem, como é evidente, um 10 é uma penalização severa: ali, eles disputam os 16 e os 17, e só não disputam os 18 e os 19 porque essas são, ali, notas proibidas. E, isto, embora devesse, poderá Mário Crespo não saber. Mas Boaventura Sousa Santos sabe-o!


E o que ainda acontece é que o teste em causa era do tipo americano (de resposta múltipla, assinalada por cruzinhas) onde, como é evidente, não é sério dizer que as respostas erradas eram todas iguais. Porque as respostas estão lá, todas iguais: certas e erradas. Como, mais uma vez, Mário Crespo, embora devesse, poderia não saber e Boaventura Sousa Santos bem saberia.


Não estou, obviamente, a fazer a apologia do copianço. Muito menos a sancionar a decisão da direcção do SEJ de resolver o problema com um 10 colectivo. Não é a solução desse problema que me preocupa. O que me preocupa é a forma ligeira e irresponsável como os media tratam as coisas, a maneira fácil, irresponsável e populista de fazer informação. E, nisto, a Justiça tem sido sempre um alvo fácil. É também por isto que a Justiça está no estado em que está!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

CLIVAGENS

Por Eduardo Louro


 


“Se eu fosse deputado votaria no candidato que o partido mais votado apresentasse para candidato à presidência da Assembleia da República” – referiu António Costa no Quadratura do Círculo, da SIC Notícias!


E disse mais. Disse que essa é a tradição da democracia portuguesa que deverá ser respeitada. E que o anúncio prévio da escolha do PSD - antes das eleições - é razão para reforçar essa tradição e nunca para a trair!


António Costa costuma dizer coisas relevantes, mesmo que pela negativa, como ainda agora se viu com a negação da sua candidatura à liderança do PS. E é relevante que o tenha dito pouco depois de a Comissão Política do PS anunciar que votaria contra a candidatura de Fernando Nobre. E quando o CDS à margem – melhor, na margem – do Acordo Político e Programático reafirmou igualmente a sua oposição à candidatura apresentada pelo PSD.


 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ECLIPSES

Por Eduardo Louro


 


Pedro Passos Coelho foi visto às onze da noite com Vítor Bento: estavam juntos a observar o eclipse lunar que eclipsou Eduardo Catroga!

SINAIS

Por Eduardo Louro


 


Pedro Passos Coelho não levanta o véu sobre a constituição do governo – volto a tirar-lhe o chapéu pela forma como soube conduzir todo este processo, e levanto-o tão mais alto quanto sei que também lá está Paulo Portas – mas vai-se preocupando em deixar alguns sinais.


São sinais essencialmente destinados ao exterior, o que se compreende. Privilegiou um jornal de referência - o Financial Times – concentrando a comunicação em duas notícias, ambas centradas na questão financeira e, dentro dela, na independência. O objectivo era, claramente, passar uma mensagem de empenhamento no rigor e na independência do controlo das contas públicas, que é como quem diz na implementação das medidas do memorando da troika. E as duas notícias são (i) que o ministro das finanças é um independente e (ii) que vai criar a tal entidade de controlo e monitorização das contas constituída por independentes, incluindo dois estrangeiros!


Sobre a primeira tenho algumas dúvidas que um ministro das finanças independente seja, apenas e só por isso, uma grande notícia. Mais importante que ser independente é que tenha grande peso político, para além, evidentemente, de competência específica. O ministro das finanças tem que ser uma voz respeitada e incontestada, e isso só está ao alcance de pessoas com, mais que grande prestígio, grande peso político específico. Que, normalmente, não se encontra por aí em independentes. Provavelmente olhamos à volta e apenas encontramos Eduardo Catroga, que não é tão independente quanto isso!


Acredito que a segunda seja uma boa notícia para o exterior, e que a integração de personalidades estrangeiras lhes tenha soado a música. A mim, como de resto já aqui manifestei, parece-me uma coisa meia disparatada. Porque torna-se difícil entender que, quando é necessário reduzir o Estado, extinguir institutos e organismos públicos, a primeira notícia seja a criação de mais um organismo. Mas também porque é difícil de entender que um governo que se prepara para tomar posse esteja logo à partida a deixar a mensagem que, em contas, é de tanta confiança como o anterior. Que esteja a desconfiar dele próprio não é seguramente o melhor dos sinais. E, finalmente, porque também não se entende a necessidade de uma entidade de controlo e monitorização das contas – com estrangeiros e tudo – quando a própria troika o fará. E cá estará a fazê-lo trimestralmente. A não ser que se esteja a destinar a esse órgão o papel de interlocutor da troika: o que seria a todos os títulos lamentável, porque isso terá que ser função inalienável do ministério das finanças!


Podem ter sido sinais importantes, do ponto de vista de comunicação, em particular para o exterior. Mas para nós, que nos preocupamos com o que é e não com o que parece que é, não são sinais positivos.


Já é um sinal positivo perceber, como hoje já percebemos, a solução do problema chamado Fernando Nobre, ontem aqui trazido. A solução de insistir na sua candidatura à presidência da Assembleia, mesmo contra o parceiro de coligação, é um sinal de que Pedro Passos Coelho é cumpridor. Que é homem de palavra, o que é sempre um sinal positivo, tão mais positivo quanto maiores forem os riscos que corre. E se são grandes os riscos que vai correr… Mas Fernando Nobre, como referi no texto anterior, não lhe deixou escapatória!


E é mais um sinal positivo que seja já hoje claro que está completamente fora de causa a solução manhosa de o integrar no governo.


 


 

 

terça-feira, 14 de junho de 2011

BOMBA ARMADILHADA

Por Eduardo Louro


 


Percebeu-se desde logo que o convite de Pedros Passos Coelho a Fernando Nobre iria dar num grande sarilho. Foi logo à partida considerado como o primeiro dos tiros no pé do quase primeiro-ministro – muitos nem foram tiros nem atingiram nenhum pé – e foi, à medida que a campanha ia avançando, perdendo gás.


A própria evolução da campanha, acompanhando o processo afirmativo de Passos Coelho, encarregou-se de diluir o problema. Dobrado o 5 de Junho, e posto em marcha o processo negocial da formação de governo, o nome de Fernando Nobre volta à ribalta, ao centro da discussão política.


Porque o CDS sempre afirmou que não apoiaria a sua candidatura à presidência da Assembleia da República e porque essa eleição se faz por voto secreto. Insistir em respeitar o compromisso em má hora estabelecido com Fernando Nobre iria directamente chocar com os equilíbrios que há que estabelecer com o parceiro de coligação. Levar até ao fim este compromisso poderia corresponder a um bem perigoso braço de ferro, com grandes riscos de uma grande trapalhada logo no arranque da legislatura, pois nada garante que, com voto secreto e no PSD – onde, como se sabe, tudo pode sempre acontecer – a maior bancada do parlamento não se viesse a dividir e a colocar em causa o sucesso da eleição. Uma legislatura que terá de ser tratada com pinças, que não pode correr riscos e que tem tudo incluindo a história, contra si, não pode arrancar no meio de tamanha turbulência!


Como se vê, muito facilmente Fernando Nobre se transformou numa bomba política de grande capacidade de devastação. Aqui está uma bomba armadilhada que vai exigir mil cuidados para não rebentar nas mãos de ninguém.


Como se sabe hoje mesmo terá sido comunicado ao Presidente da República que os acordos políticos que suportam a constituição do governo estão alcançados. Faltam meras formalidades - como a aprovação pelas estruturas dos dois partidos – pelo que será de supor que a solução está encontrada. Resta saber se a bomba está efectivamente desmantelada. É que o único mecanismo eficaz e seguro de assegurar o êxito dessa operação está nas mãos do próprio Fernando Nobre e, tanto quanto se sabe, ele não se fez à tarefa. Cabia-lhe, penso eu, perceber tudo isto e, aos ouvidos de Passos Coelho ou através de comunicação pública, dizer que, por razões pessoais, blá blá blá, blá, não se candidata à presidência do parlamento. Não o fez e, mesmo que o faça agora, já vem tarde!


Não sei se Fernando Nobre dará ou não um bom ministro. Admito até que tenha condições para ser um grande ministro da área social, eventualmente mesmo um trunfo para essa área. E acharia lamentável que fosse uma opção queimada à partida: que, caso esteja nas cogitações para integrar o governo, fique marcado por um estigma que, mais tarde ou mais cedo, lhe irá barrar a carreira! Como lamentável seria ver Passos Coelho acusado de o pôr no governo apenas para resolver o problema que criou…


 

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CONTAS AO GOVERNO

Por Eduardo Louro


 


Enquanto não é saciada a enorme fome de notícias sobre o novo governo – tiro o chapéu à malta do PSD e do CDS que, nesse aspecto, têm sabido o que andam a fazer: nada de bufos - o país anda, incansável, a fazer contas ao governo.


Fazem-se contas aos ministros ou, mais do que isso, fazem-se apostas sobre nomes e lançam-se nomes como se fossem dados. Mas também se fazem contas aos ministros, estritamente no sentido literal. Aos ministros ou aos ministérios, porque percebeu-se que essa coisa de reduzir os ministérios seria uma enorme trapalhada de que ninguém se veria livre nos próximos seis meses.


Aquela ideia simpática - e popular – de dez ministérios implodiu. Ninguém se tinha lembrado das implicações que isso tinha ao nível do ordenamento orgânico do Estado: o governo estaria obrigado a passar os primeiros seis meses a olhar para o umbigo, o que contrariaria radicalmente os conselhos avisados do novamente sensato quase ex-ministro das finanças. Vão-se os anéis fiquem os dedos – creio que já começamos a duvidar que ainda tenhamos dedos – e, se não podem ser dez ministérios, serão dez ministros. Ou onze! Ou doze… Pronto Paulo Portas, 13 não - que dá azar - mas fiquemos pelos 14 e não se fala mais nisso. E lá estamos nós a fazer contas ao governo!


Seria importante que o governo tomasse posse até ao próximo dia 23: data do próximo almoço em Bruxelas, onde Pedro Passos Coelho já deveria estar sentado à mesa. Mais contas ao governo, a contar os dias a ver se dá. Parece que vai dar: já se fala na indigitação oficial do primeiro-ministro lá para quarta-feira, sinal de que ninguém espera problemas com os boletins de voto que chegam desses quatro cantos do mundo onde há portugueses, e que votam! E que estas contas ficam mais fáceis de fazer.


E, no meio de tantas contas ao governo, até o governo quer que lhe façam as contas. Parece que não acredita nas contas que se têm vindo a fazer – e nisso tem toda a razão, e nem está sozinho, ninguém mesmo acredita – e quer criar um novo organismo para fazer contas: as contas do governo!


Fazendo as contas, parece-me bem que é por isso que se quer poupar no número de ministros: para se poder pagar aos tipos dessas contas!


 

PARABÉNS PESSOA!

Por Eduardo Louro


 


123º Aniversário de Fernando PessoaFaz hoje 123 anos!


Está um jovem, este poeta fingidor em que tudo vale a pena:


O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela”.


 

sábado, 11 de junho de 2011

Futebolês #79 CONTRATAÇÕES

Eduardo Louro


Hoje o futebolês vai partir à procura das contratações: a palavra mágica que tudo agita - mercados, media e adeptos. É uma bandeira que, bem agitada, faz verdadeiros milagres: vende jornais que não se vendiam, promove cambalhotas em disputas de poder e transforma derrotas em vitórias.


A sua força é tal que o futebolês decidiu apropriar-se dela em regime de exclusividade. Não ouvimos praticamente falar de contratações fora do futebolês. No mundo dos negócios – dos outros negócios – fazem-se contratos e contratualiza-se, não se fazem contratações. Até os sinónimos são completamente diferentes. Repare-se: no futebolês, o sinónimo de contratações é transferências. Lá fora é recrutamento que nada tem a ver com transferências!


Mas há mais demonstrações claras da importância das contratações: só se podem efectuar em duas alturas do ano: no defeso de Verão e em Janeiro. Em férias: nas grandes e nas de Natal! E não se fazem sem um empresário, essa entidade misteriosa que se enche de dinheiro e que vai e vem como as ondas do mar. Como no surf - já que a conversa foi à água - uns aguentam-se mais tempo que outros na crista da onda e nunca mais do que um em simultâneo. Aí a onda já se parece mais com um poleiro: só lá cabe um galo de cada vez. Foi o Manuel Barbosa, o José Veiga … Agora é o Jorge Mendes, vamos lá ver até quando…


Mas quem está sempre na crista da onda das contratações é o Benfica. Os jornais não querem outra coisa: todos os dias vêm charters de jogadores para o Benfica. Porque vende, é certo! Mas também porque há por lá gente que alimenta essas coisas!


É por isso que o Benfica é sempre o glosado (bem dito seria mesmo “gozado”) campeão da pré-época. E ultimamente gozado mesmo, quando, no fim de contas, as anunciadas contratações acabam por ir direitinhas lá mais para norte. E, como um mal nunca vem só, acabamos depois por, mais que vê-los brilhar por lá, vê-los cintilar transformados em raras estrelas cintilantes.


Este ano, porém e apesar de a procissão ainda estar no adro – estamos ainda a mais de três meses do fecho do mercado e já lá estão 40 jogadores – o Benfica apostou no lado da venda para realizar a sua quota de disparates. Falo, evidentemente, do caso Coentrão: um flagrante case study (pela negativa) de gestão desportiva. Servirá para ensinar nas escolas de gestão a melhor maneira de estragar um bom negócio: desvalorizar estupidamente o produto que quer vender!


Como se isso não fosse suficientemente grave e danoso, decidiram matar dois coelhos com uma única cajadada: matar o produto e o mercado!


Evidentemente que o Fábio Coentrão não tem culpa nenhuma disto. É apenas mais uma das muitas vítimas da incompetência da gestão do Benfica. E Mourinho e Cristiano Ronaldo apenas ajudaram: limitaram-se a valorizar o produto que o Benfica tinha para vender, e não têm culpa nenhuma que ninguém tenha sabido aproveitar isso. A uma gestão competente competia, à medida que a época se aproximava do fim -  sendo evidente o seu interesse na venda, e óbvias quer a pressão que os eventuais compradores iriam exercer quer a vulnerabilidade do Fábio Coentrão (evidente no episódio do apoio a Sócrates na recente campanha eleitoral), um acompanhamento cuidado e profissional do jogador, e não, como sucedeu, abandoná-lo, entregue a si próprio. Falhada essa oportunidade preventiva, o jogador lançou alertas e deu todos os sinais do que se estaria a passar. Dir-se-ia que pediu ajuda! Mas em vez de ir a correr blindar o jogador preferiram a negligência de nada fazer para evitar o pior. Aconteceu então o que era de esperar: a fatal entrevista a um jornal desportivo espanhol.


No fim de tanta asneira, o mínimo que se exigia agora era chamar o jogador e o empresário – Jorge Mendes, já cá faltava esta figura – e, a três, montar uma estratégia para remediar todo o mal que estava feito. Mas não. Ainda não estava esgotado o rol de incompetências: era preciso passar da gestão incompetente à danosa! É aí que cabe o inquérito disciplinar ao jogador. E atiram-lhe para cima com toda a lama que tinham à mão e destroem o que mais deveriam proteger: a ligação afectiva dos jogadores ao clube e a preservação, intacta, dos seus ídolos, a extensão natural do clube. Para que não subsista uma única hipótese de recuperar o jogador, de longe o melhor da equipa. E para que não subsista outra hipótese que não seja vender, agora, ao preço que o Real Madrid quiser pagar.


Um autêntico mimo de gestão. Como o do caso Nuno Gomes! Como foi possível?


A resposta é simples: pela mesma incompetência de gestão, que não faz ideia do que sejam as variáveis intangíveis que determinam o sucesso de um clube. Ouviram falar em mística, mas não fazem ideia do que seja, pensam que se resume ao nome da bonita revista que lá se edita. Aqui o problema não é saber que o responsável é o Jorge Jesus. O problema é mesmo que continue soberano em matérias para que, claramente, não está qualificado. E que a sua esfera de decisão não esteja reduzida às suas limitadas competências.


Péssimas notícias para a época que aí vem!


 


 


 

EM FESTA


 


 


 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO

Por Eduardo Louro 


 


O Quinta Emenda completa hoje o primeiro aniversário. Foi assim que começou, há precisamente um ano. QUANDO UNS SE CALAM, era este o título:


 


A quinta emenda à constituição dos Estado Unidos da América reconhece aos americanos um direito fundamental: o de ficarem calados! E esse não é um direito menor, não senhor! É um dos mais importantes direitos de cidadania. Que o digam os que passaram por Guantânamo, que não eram cidadãos americanos…



A mim, que felizmente não passei por lá, não me apetece ficar calado. E por isso aqui estou!


Apareci por aqui através do Vila Forte (1), um blogue onde eu andava feliz e contente quando, mesmo não sendo americano, decidiu invocar o direito que a quinta emenda lhe confere: calar-se! Como a mim não me apetecia ficar calado… aqui estou. A solo, por enquanto!


Não é fácil nem difícil manter sozinho um blogue com um mínimo de interesse. É impossível! Por isso o Quinta Emenda só pode não ter o mínimo de interesse, apesar dos meus esforços. Não me obrigo a ter coisas novas todos os dias, mas tentarei que todos os dias se note que o autor passou por aqui. Nem que seja um simples gesto de picar o ponto, como a gente vê em algum funcionalismo público. E irei dar sequência a uma rubrica que vinha mantendo no Vila Forte: o Futebolês (2).


O Quinta Emenda nasce hoje!


Porquê hoje?


Porque é o day after do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, do dia em que soubemos, pela mais alta voz regime, que o país não é sustentável? Porque é o dia de arranque do Campeonato Mundial de Futebol, o primeiro em África e o das intoleráveis vuvuzelas? Porque é um dia capicua, e eu gosto de capicuas como de pão com manteiga dos dois lados?


Por tudo isto e por nada disto. Porque hoje perdi um familiar que muito amo. Porque hoje se calou para sempre uma das vozes da minha vida…


 


(1) Tudo se mantém. Com uma excepção: deixei de fumar. Fiz bem! 


(2) Estão publicadas 30 edições disponíveis através de link aqui ao lado disponível dentro de dias. 


LIFTING

Por Eduardo Louro


 


O Quinta Emenda está a completar o seu primeiro ano de vida: assinala amanhã o seu primeiro aniversário!


Um ano é, para algumas coisas, muito tempo. Para outras pouco ou muito pouco! Para o Quinta Emenda não é muito nem pouco. É apenas tempo!


E tempo de refrescar a imagem, de um lifting… Com a preocupação de manter a mesma sobriedade, mas também a mesma identidade, um certo ar panfletário que não renega. Antes, desse ar panfletário, sobressaía o Speakers Corner do Hyde Park como o must do espaço intervenção pública, um espaço romântico e romantizado de fazer opinião. Agora sobressai uma imagem da Nova Iorque dos anos 20 do século passado, onde já os mercados financeiros faziam das suas… e o protesto se mobilizava!


Antes, o mote do Quinta Emenda – “tenho o direito de ficar calado, mas não fico” – estava meio escondido, não por vergonha mas apenas porque era pequenino. Agora já se vê bem, entra pelos olhos dentro. Pudera, já tem um ano!


 

FORA DE TEMPO

Por Eduardo Louro


 

O Presidente da República, Cavaco Silva, escreve hoje no Expresso que “a agricultura deve ser o sector fundamental para assegurar a sustentabilidade futura do país” e apela ao apoio aos jovens agricultores.


É pena que há 20 anos não pensasse assim! É pena que, quando teve todas as oportunidades e todo o tempo para defender a agricultura e as pescas nacionais, tivesse trocado tudo por uns patacos para fazer auto-estradas que agora nem conseguimos manter!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

VOTAMOS. E AGORA?

Por Clarisse Louro *


 O país votou e votou pela mudança. Esperemos agora que mude mesmo, que a mudança venha por aí.


O PSD ganhou as eleições, ganhou bem e por números que as sondagens não deixavam antever. O CDS cresceu, não cresceu tão bem quanto tão bem ganhou o que sabe vir a ser o seu parceiro de coligação, mas cresceu. Pela primeira vez cresceu em simultâneo com o PSD, quebrando-se uma regra do nosso sistema político: com o PSD em crescimento o CDS cai, e vice-versa!


A quebra desta regra é a primeira responsável por outra grande novidade, esta sim, bem relevante: uma maioria de direita (chamemos-lhe assim, porque é assim o entendimento geral) a coincidir com um presidente de direita. É um velho sonho da direita portuguesa, enunciado há mais de 30 anos por Sá Carneiro e perseguido durante décadas: uma maioria, um governo e um presidente!


Rompeu-se o dogma de que a esquerda é maioritária na sociedade portuguesa e, mais relevante do que isso, mas também talvez mais surpreendente, reforçou-se o peso dos partidos do regime ou, como Paulo Portas institucionalizou, dos partidos do arco do governo.


Estas são as principais conclusões que os resultados eleitorais projectam, e que gravitam à volta dos vencedores – em eleições há sempre vencedores e perdedores, embora muitas vezes até pareça que não, que ninguém perde – o PSD em primeiríssimo lugar e o CDS num lugar, apesar de tudo, mais modesto do que esperaria e que as sondagens lhe prometiam. Mas há, pelo menos, mais uma conclusão relevante e que gravita em torno de um outro vencedor - que não disputou estas eleições mas que ganhou mais do que todos os que as disputaram: o presidente Cavaco Silva. A mudança que os resultados eleitorais provocaram veio legitimar a sua decisão de dissolver a Assembleia da República. A não ter sido assim sobreviria uma autêntica montanha de problemas que, em cima dos que já temos que enfrentar, tornariam a nossa vida num inferno bem maior do que este que está já aqui à nossa espera.


Então e agora?


Agora vão começar as nossas dificuldades a sério. Agora, que acabou esta festa que já dura há dois meses durante a qual ninguém esteve interessado em falar dos problemas, vamos todos cair na real, como dizem os nossos irmãos brasileiros. O novo governo quando, mais três meses depois da demissão de Sócrates (!!!), acabar de tomar posse, não vai ter mais que, como dizia o libertado ministro Teixeira dos Santos em Nova Iorque, três prioridades: cumprir o programa da ajuda externa, cumprir o programa da ajuda externa e cumprir o programa da ajuda externa. Nem, voltando a referir o enigmático ministro das finanças ainda a partir do lado de lá do Atlântico, terá tempo para se sentar!


Por ironia do destino poderá estar nesta obsessão pelo cumprimento deste programa – obsessão incontornável porque, trimestralmente, eles estão aí para conferir - a chave do ciclo de mudança que se abriu com estas eleições. É que se os resultados permitem a constituição de um governo coerente e com suficiente base parlamentar de apoio, também promoveram um novo ciclo no partido que suportava o governo, com o abandono do líder que, como era óbvio para toda a gente, era um factor de estrangulamento. Fazia parte do problema sem que pudesse ser parte da solução.


Quero acreditar que entramos num ciclo de mudança: a começar com um governo que, não tendo tempo para outra coisa que governar, possa mesmo governar. Mesmo que com um programa imposto de fora mas que, por muito estranho que possa parecer, encontrou eco em 80% dos portugueses que votaram. E este amplo consenso representado na nova Assembleia da República tem, agora sem Sócrates, melhores condições de se materializar.


E esperemos que estejamos conversados de boys! Já chega, e o país já não chega para mais!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

A SUCESSÃO DE SÓCRATES

 


Por Eduardo Louro


 


António Costa disse que não. E a gente percebe. O que não percebemos é o argumento que apresentou: ser secretário-geral do PS é incompatível com a responsabilidade de  ser presidente da câmara de Lisboa…


Esta é que não lembraria ao diabo! Para António Costa e para o PS governar uma câmara é mais exigente que governar o país: a Câmara de Lisboa exige dedicação exclusiva, e como o PS também, nada feito. Já o governo do país não! Não coloca as mesmas exigências e é perfeitamente conciliável com o governo do partido, como de resto está mais que provado ao longo de toda a história da democracia portuguesa: todos os primeiros-ministros acumularam com a liderança partidária.


O próprio Pedro Passos Coelho apenas vai confirmar essa regra: nem mesmo as circunstâncias de extraordinária exigência governativa, que o partido de António Costa e o governo do seu amigo Sócrates lhe deixaram em herança, se podem comparar com a da governação da câmara de Lisboa.


O que vale ao PS é a sua fraca representação autárquica. Tivesse mais presidentes de câmara e não encontraria sucessor para Sócrates!


Valeu que Francisco Assis não ganhou a câmara do Porto e que o António José Seguro andava tão escondido atrás dos arbustos que ninguém se lembrou dele para a câmara das Caldas da Rainha (em Braga reina o Mesquita Machado).


E aí estão eles, prontos para a travessia do deserto. E se Assis utilizou métodos convencionais para anunciar a candidatura, já Seguro (e não formoso) utilizou mecanismos modernos: começou num elevador (para marcar atabalhoadamente terreno) e acabou à pressa no facebook para, pelo menos desta vez, se antecipar ao adversário.


 

PRIVATIZAR A CGD? EXPLIQUE MELHOR, DR CADILHE!

Por Eduardo Louro


Acabo de ouvir Miguel Cadilhe dizer que há que privatizar na totalidade a Caixa Geral de Depósitos. Já!


Miguel Cadilhe é um economista respeitável e respeitado que, não sei bem porquê, até é frequentemente apontado como o melhor ministro das finanças do país depois do 25 de Abril. Tenho – e teremos todos – imensas dificuldades em sustentar afirmações deste tipo: não faz sentido nenhum comparar desempenhos de ministros das finanças, mas passa a ser absurdo compará-los em diferentes momentos históricos, com diferentes circunstâncias políticas e diferentes conjunturas económicas e sociais, nacional e internacionalmente.


Mas não é apenas por achar a qualificação disparatada que não entendo onde é que poderão ir sustentar essa ideia, que sei que anda por aí e que fez o seu percurso. É que não consigo mesmo lembrar-me de nada que lhe possa justificar um lugar de relevo entre os não sei quantos ministros das finanças que o país conheceu nestas últimas quase quatro décadas. Se pedir a alguém que recorde um ou dois momentos que tenham marcado a passagem de Cadilhe pelo governo tenho a certeza que poucos se lembrarão da reforma fiscal dos impostos sobre o rendimento (é o pai do IRS e o IRC – que unificaram os impostos sobre o rendimento). Que ninguém se lembrará de qualquer outra iniciativa marcante e que, aí sim, muitos se lembrarão, teve de se demitir por uma acusação de fuga à SISA na aquisição do famoso apartamento das Amoreiras (para quem se não lembrar a SISA era o imposto municipal sobre as transmissões de imóveis – hoje IMT –, de fuga generalizada, que se transformaria nas décadas de 80 e 90 numa espécie de vírus que perseguia os políticos).


Mas pronto. Se não o tenho por um ministro das finanças por aí além continuo a achar que é um economista respeitado. E com sorte, que é coisa que nunca se pode negligenciar! Reparem na sorte que teve quando o governo de Sócrates - o outro mas na mesma com Teixeira dos Santos como responsável pelas finanças – lhe negou os 600 milhões de euros com que ele, então presidente do BPN, garantia resolver o problema do banco, para a seguir o nacionalizar!


Agora, quando se pede ao Estado que entre no aumento de capital dos bancos para resolver os seus desequilíbrios financeiros, quando do próprio programa de ajuda externa vêm 12 mil milhões direitinhos para a banca, vem dizer que a solução é privatizar a Caixa.


Qual será a substância técnica de uma ideia destas: privatizar o banco de sempre do Estado e pedir ao mesmo Estado para nacionalizar pedacinhos da banca privada?


E qual será a brilhante estratégia para privatizar a Caixa quando ninguém quer comprar bancos, nem de jardim?


Quando em Portugal não há dinheiro nem para mandar cantar um cego (peço perdão pela expressão, é apenas popular e não tem que ser discriminatória para os invisuais) e quando os bancos não valem patavina, privatizar a Caixa é oferecê-la de borla ao estrangeiro!


Olhe Dr Cadilhe, primeiro tire-se o Estado – privatize-se – de toda a banca privada, do BES e do BCP em particular. Retirem-se de lá - e dos seus accionistas - todos os apoios, empréstimos e participações que foram buscar à própria Caixa. Devolvam isso tudo. E olhe Dr Cadilhe, nós agradecíamos a sua contribuição era para ajudar a vender o BPN – sim, esse fardo que o Dr Teixeira dos Santos lhe tirou das costas para descarregar nas nossas – porque ainda não temos governo e estamos obrigados a privatizá-lo até ao fim do mês que vem!


Depois disso tudo, então sim. Venha explicar-nos melhor essa ideia de privatizar a Caixa!


 


 


 

terça-feira, 7 de junho de 2011

OS VENCEDORES

Por Eduardo Louro


Tinha prometido que falaria dos vencedores destas eleições começando precisamente por este dado esmagador: 80% dos eleitores portugueses que votaram fizeram-no nos partidos que se comprometeram com o memorando da troika internacional.


Este é, para mim, um dos resultados mais relevantes destas eleições. Pelo significado político que já tem e pelo que poderá vir a ter ao longo do desgastante e difícil ciclo que se aproxima e quando a rua pretender falar mais alto que o parlamento. E porque, quando tanto se fala de esgotamento do regime e mesmo no descrédito da classe política, o eleitorado votou maciçamente … no regime.


Este dado, conjugado com a consistente e coerente maioria resultante das eleições - afinal o mais relevante de todos –, faz do Presidente da República também vencedor destas eleições. A decisão de, perante o pedido de demissão do primeiro-ministro, dissolver a Assembleia da República e convocar eleições tinha os seus fantasmas. Bem agitados de resto durante toda a campanha, com aquela incompreensível persistência na teoria do empate técnico das sondagens.


Sem que neste momento discuta quem - nem como – a verdade é que logo que arrancou a pré-campanha se começou a querer fazer esquecer que o país vivia em crise política latente desde as eleições de 2009, suspenso de uma antecipação de eleições que tinha tanto de inevitável quanto de arma de ameaça política, que o governo - bem se percebeu - nunca descurou. Uma crise que há muito o país ansiava por resolver precisamente através de eleições. Por isso o Presidente é também um ganhador destas eleições: contra quem apostou em fazer crer que as eleições nada mudariam!


O CDS e Paulo Portas são também vencedores. Só por brincadeira é que, por ficar ligeiramente aquém dos objectivos que, naquela ânsia de crescer – ou de inchar, como aqui referi –, foram sendo lançados (a pouco mais de 1 ponto dos 14% dos votos e, com o mesmo número de deputados que o Bloco e o PC juntos, bem perto do objectivo de os superar), ou por aquela coisa disparatada de se autoproclamar candidato a primeiro-ministro (ainda por cima com a péssima encenação da Teresa Caeiro), alguém poderá dizer o contrário. Mas estas eram umas eleições de que o CDS  só poseria sair a ganhar, como bem claro ficou desde sempre. Para Paulo Portas a campanha serviu apenas para tentar maximizar os proveitos!


E - os últimos são os primeiros – o PSD e em especial Pedro Passos Coelho! Que tem muito mérito numa vitória em toda a linha e que não era tão fácil quanto se quis fazer crer. Basta notar que nunca antes um primeiro-ministro eleito havia perdido eleições e que esta foi a vitória que, pela primeira vez, concretiza o velho (de mais de 30 anos) sonho de Francisco Sá Carneiro e talvez o sonho da sua vida: uma maioria, um governo e um presidente. Que tinha ajudado Mário Soares a criar o mito de que os portugueses não gostavam de pôr os ovos todos no mesmo cesto!


O PSD mudou de estratégia e mudou de discurso. E Pedro Passos Coelho fez o resto, com uma imagem de seriedade e de transparência mostrou-se-nos como um de nós: um homem normal, com uma vida normal, sem sofismas nem sofisticações, afável e educado. Sem nada na manga!


Na sua vitória houve hino nacional e no seu discurso há uma frase que não vamos esquecer: “… o meu compromisso com Portugal é de transparência total…”!


Quero acreditar que Portugal também saiu vencedor destas eleições. Não só porque permitiram ao país livrar-se de uma personalidade que se tinha já tornado num dos seus principais problemas, mas porque estão criadas condições para a estabilidade governativa, assim os dois partidos tenham a inteligência de se concentrarem no essencial. O que nem sequer é exigir de mais, porque o memorando da troika (se calhar teremos de lhe passar a chamar triunvirato, como Portas gosta mais) favorece entendimentos: está lá tudo o que estamos obrigados a fazer, não há muito para discutir.


Claro que o governo irá ser impopular - não é possível outra coisa - e que a rua se vai agitar. Umas vezes a propósito, justificadamente, e outras a completo despropósito. Mas há condições para que tenha a força política requerida para estas alturas, com um apoio largamente maioritário no parlamento e com uma oposição - a que se espera agora da nova liderança do PS que aí vier – comprometida com a missão patriótica a que este governo está obrigado.


Abre-se agora o processo negocial entre PSD e CDS. Seria bom começar por lhes recordar que não temos grandes tradições de sucesso nas coligações. Nunca em Portugal uma coligação cumpriu a legislatura. Mas também nunca um primeiro-ministro em exercício tinha perdido eleições! Acreditemos que estamos em tempos de mudança!


 


 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

OS PERDEORES

Por Eduardo Louro


 


O país votou e, mais uma vez, uma boa parte não votou: não está para isso, não acha que valha de alguma coisa, não quer saber ou acha que eles são todos iguais.


São cerca de 40%, muita coisa, dizem os números. Tenho dúvidas! Esta abstenção parte de uma base eleitoral de cerca de 9,6 milhões de portugueses: acho portugueses a mais! Porque, se assim for, temos apenas um milhão de portugueses com menos de 18 anos. Não me parece! Por isso acharia interessante que se desse uma volta aos cadernos eleitorais e que, em tempo de simplex, de empresas na hora e do Magalhães se resolvesse um tão pequenino e tão simples problema quanto este: um interface entre as Conservatórias do Registo Civil e as bases de dados eleitorais do Ministério da Administração Interna. Asseguro que não é nada de complicado. Bom, e quando vemos que qualquer cidadão eleitor pode aceder a essas bases de dados através de um IPad e ficar a saber exactamente onde vota, rapidamente percebemos que é muito mais fácil descarregar lá uma certidão de óbito entregue no Registo Civil.


Porque isto de andarmos sempre a dizer que a abstenção é esta ou aquela começa a cheirar ao mesmo do empate técnico das sondagens. Todos nós percebíamos que os resultados do PS anunciados pelas sondagens não batiam certo. Era fácil: no meu círculo do dia-a-dia só encontrava gente que se queria ver livre de Sócrates. Saía de fora do meu círculo para entrar no de outros e o resultado era o mesmo! Não dava para perceber: ou as pessoas mentiam para as sondagens ou mentiam para mim!


As eleições permitiram-me perceber que a dicotomia era outra: ou as pessoas mentiam para as sondagens ou as sondagens mentiam para nós?


Porque, evidentemente, a malta queria mesmo era ver-se livre de Sócrates. Quanto mais não fosse para lhe ouvir um discurso a soar a música aos ouvidos da maior parte de nós: um discurso aplaudido por toda a gente como uma das boas coisas da noite eleitoral, mesmo que sem um mea-culpa, sem um erro, nem sequer um equívoco. E, como não somos de rancores, ficamos contentes de saber que ele vai agora ser feliz, mesmo sabendo que nos deixou a nossa felicidade bem adiada!


E, como rei morto rei posto, logo surgiu António José Seguro. Saído de trás do arbusto onde tem andado escondido – agora bem disfarçado de elevador do Altis – lá veio ele dizer que existia, que a máquina bem sabia onde ele andava e do que era capaz e que, claro, não podia deixar ali aquela nesga de terreno por marcar. Nem que para isso tivesse que lançar mão de uns truques da politiquice: mandar avisar os jornalistas para, depois, lhes dizer que eles é que estavam ali, quais paparazi, à sua espera! Começa bem, sim senhor!


Mais perdedor que o PS de Sócrates foi o Bloco de Louçã. Que nem se foi embora nem deu grande sinais de autocrítica, mas deixou muita gente em reflexão. A sensação que fica é que há uma elite dirigente, que vem da fundação do partido, que não tem condições de perceber a oportunidade e o espaço que se abria ao partido. Que não consegue perceber que há um espaço para os valores da esquerda – da tal esquerda moderna – do lado de dentro do regime, que se não esgota no protesto e nas ditas questões fracturantes. Que não consegue perceber que a política também se faz de pragmatismo, de escolhas perante alternativas concretas, fora de espartilhos ideológicos. É confrangedor que esta direcção do Bloco nunca tenha percebido que cresceu porque o eleitorado o tinha por diferente do PCP. Que para fazer o mesmo já lá está o PCP, que o faz melhor e com outra implantação no terreno: o original é sempre melhor que a cópia!


Não posso dizer que o PCP tenha perdido. Por duas razões: em primeiro lugar porque nunca perde - é o único partido que não perde eleições, encontra sempre uma saída para a vitória – e, em segundo, porque em relação às eleições de 2009, até ganhou um deputado. Não por ter mais votos mas porque lhe calhou o deputado que Faro ganhou, o que não impediu nem limitou a festa. E no entanto o PC não ganhou coisa nenhuma. Porque nunca poderá ganhar quando os seus adversários políticos ganham em toda a linha: a propalada troika interna que apoiara a troika externa representa 80% dos votos dos portugueses!


É por aqui que começarei o texto de amanhã, quando falar dos vencedores. Por hoje fiquemo-nos pelos perdedores: a abstenção, as sondagens, o PS – Sócrates, mas também António José Seguro –, o Bloco de Esquerda (Louçã, Luís Fazenda e Migue Portas) e o PCP, com a ressalva apresentada. Os pequenos partidos também foram perdedores, resta saber se vítimas do sistema ou de si próprios.


E perdemos todos nós com estas leis que obrigam a arrastar estes períodos de vazio político: Sócrates apresentou a demissão em 23 de Março! Três meses depois ainda  estaremos sem governo!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...