segunda-feira, 13 de junho de 2011

CONTAS AO GOVERNO

Por Eduardo Louro


 


Enquanto não é saciada a enorme fome de notícias sobre o novo governo – tiro o chapéu à malta do PSD e do CDS que, nesse aspecto, têm sabido o que andam a fazer: nada de bufos - o país anda, incansável, a fazer contas ao governo.


Fazem-se contas aos ministros ou, mais do que isso, fazem-se apostas sobre nomes e lançam-se nomes como se fossem dados. Mas também se fazem contas aos ministros, estritamente no sentido literal. Aos ministros ou aos ministérios, porque percebeu-se que essa coisa de reduzir os ministérios seria uma enorme trapalhada de que ninguém se veria livre nos próximos seis meses.


Aquela ideia simpática - e popular – de dez ministérios implodiu. Ninguém se tinha lembrado das implicações que isso tinha ao nível do ordenamento orgânico do Estado: o governo estaria obrigado a passar os primeiros seis meses a olhar para o umbigo, o que contrariaria radicalmente os conselhos avisados do novamente sensato quase ex-ministro das finanças. Vão-se os anéis fiquem os dedos – creio que já começamos a duvidar que ainda tenhamos dedos – e, se não podem ser dez ministérios, serão dez ministros. Ou onze! Ou doze… Pronto Paulo Portas, 13 não - que dá azar - mas fiquemos pelos 14 e não se fala mais nisso. E lá estamos nós a fazer contas ao governo!


Seria importante que o governo tomasse posse até ao próximo dia 23: data do próximo almoço em Bruxelas, onde Pedro Passos Coelho já deveria estar sentado à mesa. Mais contas ao governo, a contar os dias a ver se dá. Parece que vai dar: já se fala na indigitação oficial do primeiro-ministro lá para quarta-feira, sinal de que ninguém espera problemas com os boletins de voto que chegam desses quatro cantos do mundo onde há portugueses, e que votam! E que estas contas ficam mais fáceis de fazer.


E, no meio de tantas contas ao governo, até o governo quer que lhe façam as contas. Parece que não acredita nas contas que se têm vindo a fazer – e nisso tem toda a razão, e nem está sozinho, ninguém mesmo acredita – e quer criar um novo organismo para fazer contas: as contas do governo!


Fazendo as contas, parece-me bem que é por isso que se quer poupar no número de ministros: para se poder pagar aos tipos dessas contas!


 

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