sábado, 25 de julho de 2026

Tour de France - V

 




Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour!

Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Oliveira - o recordista da grandes voltas, sem nunca ter desistido - a atacar a corrida logo que foi dada a partida. Sem sucesso. A etapa abriria com Croix de Fers, uma subida de 24 quilómetros, de categoria especial, e com a fuga iniciada por Juan Ayuso (uma das decepções deste Tour), levando consigo o equatoriano Carapaz e o francês Valentin Paret-Peintre, interessados no prémio da montanha. Lá estavam também, entre outros, kuss, Jay Hindlay, e Ben Healy, juntando-se, logo a seguir, Mads Pedersen, na tentativa de assegurar, o que conseguiu, desde logo a camisola verde, dos pontos. ´

Na montanha Carapz começava aqui a desenhar a vitória, passando em primeiro. Seguiu-se, e repetiu-se, no Telegraphe, deixando Valentin Paret-Peintre de dar luta. Apenas o Galibier, no tecto do Tour, a 2.642 metros de altitude, faria reduzir o grupo em fuga. Na frente restavam Carapaz, Kuss, Hindley, Ricitello e Ayuso, com este já a descolar. De novo a passar na frente, equatoriano confirmava que era o rei da montanha. O pelotão estava a 5 minutos, o que deixava Ayuso próximo do pódio.

Nesta altura, a mais de 60 quilómetros da meta, fiel à palavra dada, Pogaçar não abandonava o seu companheiro de equipa, Isaac del Toro. Já sem colegas de equipa, a não ser o mexicano, pegou na corrida, numa imagem inédita em grandes voltas. Mas depressa teve que moderar o ritmo, demasiado para o seu colega.

No início da subida ao Col de la Sarenne, a terceira categoria especial da etapa, Ayuso não resistiu. Na frente apenas Kuss, Carapaz e Hindley, que atacavam e conta-atacavam, até este último ceder. Lá atrás, no grupo do camisola amarela, Paul Seixas, já com Hindley e mais dois colegas de equipa - era o único que, naquela fase da corrida, tinha tamanho apoio -, dá indicações para atacarem, e sufocarem del Toro. 

Foi um erro grave de Seixas, e a grande desilusão, apesar dos seus 19 anos, a deixar a dúvida se não será produto do sebastianismo francês, que procura desesperadamente o sucessor de Hinault. Acabou a equipa, acabou ele próprio, e só não perdeu o quarto lugar para Lenny Martinez, mais uma vez às costas de Pogaçar, por escassos segundos. 

Na frente, quando seguia com uma vantagem que já não perderia, Kuss caiu. Por duas vezes, na descida, a provar descer não é a sua especialidade. E Carapaz ganhou a sua segunda etapa. 

Pogaçar não abandonava del Toro, e Evenepoel aproveitou para ir embora. Foi segundo na etapa, passando ainda o infeliz Kuss. Pagaçar e Isaac del Toro chegaram logo atrás, fraternalmente abraçados, com dois minutos de vantagem sobre Seixas. E o terceiro lugar do pódio garantido. Porque o prometido é devido. E porque assim são os heróis de carne e osso!



Há 10 anos

 


A saga das sanções continua. Esgotado todo o material de propaganda, sem mais nada à mão - não que tudo corra às mil maravilhas, apenas porque, apesar de tudo e de todos os esforços em contrário a geringonça lá vai andando, saltando obstáculos e cumprindo metas - a entourage pafista agarra-se às sanções da Europa. Já nem lhes importa que já toda a gente saiba que o incumprimento a sancionar é todo seu. Do seu Passos Coelho, da sua Maria Luís, do seu Paulo Portas, e da sua saída limpa. Nem lhes importa que venham as próprias instituições europeias desmenti-los...


No fim de semana que deixamos para trás, a notícia era o congelamento dos fundos europeus. Nada mais que 16, como se vê na primeira página do Público, de ontem. 


E como se viu em praticamente toda a imprensa. E na televisão. A Europa desmentiu, disse que era tudo mentira. Mas ninguém lhe deu muita atenção. E, no Público, nem sequer foi notícia. Foi olimpicamente ignorada!


Não sei se o presidente Marcelo não deveria chamar hoje mais gente a Belém. Se o objectivo é pôr alguma ordem na casa, não sei ... não!


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tour de France - IV

 


O Tour chegou ao Alpes, com a chegada ao Alpe D´Huez. Amanhã, na etapa Rainha, há nova passagem por lá.

Na terça-feira, após o segundo dia de descanso, correu-se o contra-relógio (pouco mais de 26 quilómetros) em Évien-les-Bains, conhecida pelas suas águas minerais, nas margens do Lago Lemano, na Alta Saboia. Evenpoel foi o mais rápido, alcançando a sua vitória na presente edição do Tour, e provavelmente a última. Mas por pouco, com a escassa vantagem de 28 segundos sobre Pogaçar. Os restantes seis, dos 8 primeiros, ficaram entre 1 e 2 minutos, sendo que Skjelmose, Seixas e Isaac del Toro, terceiro, quarto, e quinto, ficaram separados por 17 segundos, numa etapa marcada pela queda, e desistência, de Lipowitz, o quinto da geral, com o mesmo tempo de Paul Seixas, e a fazer também um excelente contra-relógio, à altura do acidente.

Seguiu-se uma das poucas etapas de roladores, conquistada pelo belga Philipsen, até às etapas finais de montanha. Ontem o equatoriano Carapaz, ele que vinha sendo um dos grandes animadores da prova, depois de tanto porfiar, venceu merecidamente.

Que as coisas não estavam a correr muito bem à UAE, percebia-se. Ontem tinha abandonado Brandon McNulty. Falava-se à boca pequena num vírus que, a atingir a equipa, afectaria inevitavelmente Pogaçãr. Não se notou nada.

Na frente, na fuga, vinha um numeroso grupo de corredores, muitas primeiras figuras de proa. Entre elas Lenny Martnez, o mais bem classificado, e "malandro" da fuga, o que haveria de seguir sempre na roda que mais lhe conviesse. Também Carapz, de novo, Kuss, os resistentes, e Pidcock, Ben Healey, Ben O` Connor e Valentin Paret-Peintre, à procura de pontos para a montanha, ele que era o portador da respectiva camisola, "emprestada" por Pogaçar. 

A vantagem chegou a quase 4 minutos e meio. Parecia impossível de anular, mas para Pogaçar não há impossíveis.

Na frente ficaram Carapaz, Kuss e Martinez, sempre na roda. A 13 quilómetros da meta Pogaçar atacou, e foi galgando diferenças. Na frente Carapaz ficou sozinho, porque Martinez, sabendo que Pogaçar lá vinha, preferiu esperar por, para depois o levar à frente. Assim foi!

Quando Pogaçar alcançou o francês, levou-o de boleia até Carapaz. Foi já dentro do quilómetro que desferiu o golpe final. Ninguém o conseguiu acompanhar, e Pogaçar chegou à quinta vitória nesta edição, e à 26ª no Tour, aproximando-se de Hinault (28), Merckx (34) e Cavendish (35).


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Os amigos de Cavaco resolveram homenageá-lo, num almoço. No dia em que se comemoraram os 40 anos do primeiro governo constitucional. Com... Mário Soares...


Um simples almoço, pouca coisa para quem se tem em tanto. Mas a gente sabe por que foi... Os amigos, mesmo que poucos, são para as ocasiões.  E ficou o aviso, pela voz - uma das poucas do cavaquismo ainda em estado de uso - de Leonor Beleza: a coisa à séria, à grande, vem aí!


Já não digo nada: há gente capaz de tudo... 


Por hoje, o homem só disse que foi "presidente no tempo certo". E, com a presunção  que se lhe conhece, que não havia ninguém com melhores condições para isso. Presunção - diz o povo - é como a água benta... Ou será como o pão de ló?


Ficamos agora à espera que, na próxima, possa explicar aquela coisa das escutas. Porque as outras ele não vai explicar nunca...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas (1956-2026)



E as casas abriram as janelas só para te ouvir cantar ...


  

Há 10 anos

 

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Os dois grandes acontecimentos que dominaram o final da semana passada voltaram a evidenciar os sinais preocupantes que marcam o jornalismo e a indústria da comunicação em geral.


As redes sociais minaram o jornalismo, e o jornalismo deixou-se minar por elas, mandando às malvas os valores, os critérios, e os princípios que constituíam a deontologia com que se faziam e davam notícias.


Quando a CMTV – o mais flagrante dos exemplos disso mesmo – transmitiu imagens vivas da agonia e da morte em Nice, não estava a noticiar coisa nenhuma. Quando um “jornalista” – que nunca pode ser digno dessa designação – da TF2, de microfone em riste e câmara apontada pergunta, a um homem junto ao cadáver da mulher, o que sente, não está a relatar um facto. E muito menos a fazer notícia.


Quando as televisões, na noite de sexta-feira, cobrindo as incidências do suposto golpe de estado na Turquia, noticiavam, tudo numa mesma e única hora, que Erdogan tinha pedido asilo político à Alemanha, que a Alemanha o recusara, e que estava a aterrar em Teerão, depois do Irão ter aceite conceder-lhe asilo político, não estavam nada preocupadas com factos. Nem com rigor. E nem sequer com o mínimo sentido crítico, ou com o mais elementar bom senso, que desde logo denunciava a impossibilidade factual do que estavam a noticiar.


A informação rigorosa e objectiva é tudo o que o mundo hoje mais precisa. Mas é precisamente quando é mais desprezada e negligenciada, para dar lugar ao voyeurismo e á exploração emocional dos sentimentos mais básicos das pessoas, impedindo-lhes ou limitando-lhes seriamente qualquer a capacidade da reflexão serena sobre os factos.


Isto mata a nossa civilização. Isto só ajuda os inimigos da nossa forma de vida. Isto ajuda terrorismo. E o terrorismo conta com esta ajuda. Porque isto orienta reacções xenófobas e de descriminação étnica, que acabam por entregar o poder a radicais racistas e nacionalistas. Que, depois, pressionam, perseguem e isolam minorias, quaisquer que sejam, atirando-as para para a marginalidade, para o pântano social, numa espiral de radicalização que alimentam, para dela se alimentarem...


terça-feira, 21 de julho de 2026

Os campeões do século

 


Vi e ouvi várias vezes a referência à fúria espanhola. A imprensa era useira e vezeira nesta referência. Tudo servia de contra-ponto à fúria espanhola, e no entanto ela não existe há de vinte anos.

Há muito que não faz parte do futebol espanhol, que a substituiu pelo "tiki-taka", nas suas diferentes formulações. O futebol espanhol criou uma identidade, mais universal que a célebre fúria, assente no desenvolvimento da capacidade técnica, na recepção e passe e na ocupação dos espaços. E, para isso, quando a discussão se fazia à volta da fisicalidade do jogo, dispensou a capacidade física dos jogadores, para privilegiar a sua capacidade técnica e a sua inteligência.

E, com essas valências, a Espanha criou um modelo de jogo. Com altos e baixos - muitos mais altos que baixos - não abdicou dele, comum a todas as selecções, desde os escalões mais baixos. E foi-lhe fiel, treinador atrás de treinador. De Luís Aragonés, Vicente del Bosque, e Luís Enrique, até Luís de la Fuente, com as breves, e menos conseguidas, passagens de Julen Lupetegui e Fernando Hierro, este interinamente, durante o mundial da Rússia. 

Os resultados estão à vista: em 20 anos dois campeonatos do mundo, e três da Europa, e tornou-se na grande potência deste século. Por muito que até pareça, não possui, como nunca teve, as grandes vedetas do futebol mundial. O Real Madrid, das grandes vedetas internacionais, não tinha um único jogador entre os convocados. Nenhum dos campeões do mundo é figura incontornável de qualquer grande clube europeu. Nem Rodri o é no Manchester City. Nem Cucurella, no Chelsea. Nem Merino, um suplente, no Arsenal. Tem os principais guarda redes Liga Inglesa, mas o dono da baliza joga na Real Sociedad.

Mas tem uma grande equipa. A melhor. "Só" porque têm uma ideia. E a preserva!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Depois de nos primeiros dois ou três dias que se seguiram ao "golpe de estado" ter metido na prisão, ou afastado das suas funções, dezenas de milhares de pessoas, entre os quais milhares de professores, centenas de reitores e dezenas de juízes, Erdogan declarou o estado de emergência na Turquia. Para já, para as primeiras impressões, por três meses. A seguir vem a pena de morte.


A perseguição e a arbitrariedade, essas já aí estão. A encenação é como a pescada: antes de o ser já o era. 


É curioso como a História se repete com tanta frequência. Está cheia de episódios destes, sempre com os mais trágicos destinos. 

Kevin Keegan (1951-2026)

 


Como jogador - grande, dos melhores da sua geração - nada teve a ver com o estereotipo do inglês.

Baixo, rápido, fantasista. Internacional inglês entre 1972 e 1982. Bola de ouro em 1978 e 1979. Campeão inglês pelo Liverpool, em 1973, 1976 e 1977. E alemão, pelo Hamburgo, em 1979. Campeão Europeu em 1977; e vencedor da Taça UEFA, em 1973 e 1976.

Como treinador foi um romântico. Treinou o Newcastle, de 1992 a 1997. O Fulham, em 1998 e 1999, seguindo-se a selecção inglesa. Seria o último treinador do Manchester City, entre 2001 e 2005, do antigo. Antes de ser rico.

Mundial das Américas - XVIII

 


A Espanha é campeã do mundo. Outra vez!

Num jogo de futebol cheio de "americanices", com longos minutos de espetáculo de trazer por casa, antes, durante - com um intervalo gigantesco, cheio de generalidades -, e depois, com Trump na tribuna como um imperador romano, a Espanha controlou  a bola e o ritmo do tango. Foi melhor - muito melhor - e foi um justo vencedor.

Foi melhor na primeira parte, com pouca qualidade e emoção, e muito melhor à medida que o jogo avançava. Na segunda parte, e no prolongamento.

A  Argentina foi o que já tinha sido no jogo das meias finais. Remetida ao seu meio campo, só a defender e sem expressão atacante, com Messi distante do jogo e da bola. E com muita quezília, confusão, malandrice e mesmo violência, que aumentava proporcionalmente com o tempo de jogo. Se no início de jogo ainda o foi conseguindo discutir com argumentos futebolísticos, à medida que o jogo avançava ia perdendo esses argumentos e ganhando outros.

Depois, quando sofreu o golo de Ferran Torres, como na meia final com a Inglaterra, começou a jogar à bola, e a equipa deu conta que tinha Messi. Só que foi bem mais tarde que no outro jogo, já na segunda parte do prolongamento, e a equipa já tinha perdido Enzo Fernandez, e jogava com dez. Como de resto poderia ter perdido alguns mais - Paredes, entrado ao intervalo, não se sabe se para dar ligação à equipa, se para lhe aumentar a (má) agressividade, poderia (e deveria) ter sido igualmente expulso -, tal foi a atitude provocadora da equipa.

A  Argentina não rematou, até sofrer o golo. A Espanha fê-lo por vinte vezes. Rematou por duas vezes, depois. Com perigo, em ambas. Se bem que desenquadradas com  a baliza. A Espanha teve dez remates enquadrados, muitos deles com grandes defesas de Emiliano Martinez.

É incompreensível esta maneira de a selecção argentina de se diminuir. É um autêntico haraquiri. Quem tem Messi - e alguns outros grandes jogadores - não pode fazer isto, porque isso é eliminá-los do jogo. Só não é entregar o ouro ao bandido, porque os bandidos, os maus da fita, são eles próprios.

A Espanha arrecadou a grande maioria dos prémios individuais do campeonato do mundo: melhor jogador (Rodri), melhor jovem, Cubarsi, melhor guarda-redes (Unai Simon). Só lhe faltou o de melhor marcador, porque nesse não há lugar a subjectividade - golos marcados. E esses são os 10 de Mbappé.

Tenho alguma dificuldade em compreender que um guarda-redes que, em todo o campeonato do mundo, só tem que defender 10 remates, os únicos que em oito jogos fizeram à baliza espanhola, seja considerado o melhor. Mas se o critério for o do guarda-redes menos batido (1 golo sofrido), não me posso queixar de subjectividade ...






Há 10 anos




Para que haja acordos de cavalheiros tem que haver cavalheiros. Na vida política já não há disso. Não é de agora, já vem de há muito.


O que há muito vinha a funcionar, criando a ilusão de que ainda havia cavalheiros, eram apenas os superiores interesses do centrão. Quebrado o centrão, rompeu-se o cimento dos interesses.


Correia de Campos foi ingénuo ao não perceber isso. E transformou-se no primeiro achincalho da casa de má fama, e mal frequentada, que se instalou em S. Bento com o pomposo nome de Assembleia da República. 

domingo, 19 de julho de 2026

Tour de France 2026 - III

 


A etapa de hoje do Tour, véspera do último dia de descanso, a 15ª, entre Champagnole e o desafiante Plateau de Soloaison, toda ela de alta montanha, fica a marcar esta edição do Tour. Não pelas incidências, que foram muitas, mas pela queda, e abandono, de Vingegaard.

Foi a primeira vez que Vingegaard abandou uma grande corrida, em toda a carreira. Era segundo à geral, e já estava provado que não seria desta que fazia sombra a Pogaçar, que já tinha vencido quatro etapas nesta edição. A última das quais ontem mesmo, depois de mais uma demonstração de categoria ímpar. Mas Vingegaard era o melhor dos outros, era garantia de competitividade, e preparava uma surpresa qualquer para hoje. Não sabemos qual, nem se resultava. Mas que preparava uma surpresa qualquer percebia-se do envolvimento da equipa na corrida. Foi sempre a Visma a trazer a corrida, a endurecê-la, e esperava-se qualquer coisa na abordagem á última subida do dia, a terrível escalada ao Plateau de Soloaison.

A poucos quilómetros do início da subida, a cerca de cinco, num entroncamento, mas feito ao contrário, em sentido inverso, o próprio Vingegaard toca no lancil e provoca a sua queda, e a de mais uns tantos corredores, da frente do pelotão, entre os quais Isaac del Toro. 

O pelotão começava a encurtar a distância para a fuga, de 24 ciclistas, definida por volta do quilómetro 100 da etapa. Os da frente abrandaram - onde se incluía Pogaçar, o primeiro a escapar à queda - à espera do dinamarquês, mas logo se percebeu que a queda obrigava ao abandono, com a chegada da ambulância que o recolhia, com a clavícula fracturada.

Pogaçar indagou do estado dos colegas de equipa atingidos e, depois de concluir que o mexicano se aguentava, reiniciou a perseguição à fuga, donde tinha saído toda a equipa da Visma. Nessa perseguição, encabeçada por Pogaçar, Isaac del Toro e Evenepoel, que não parava de ganhar tempo, rapidamente as principais figuras da classificação geral ficavam para trás, distribuindo-se por vários grupos.

O trio foi escalando a montanha, e engolindo fugitivos, com Pogaçar a não querer atacar, e a manter um ritmo que o colega de equipa aguentasse. Queria claramente dar a vitória a del Toro, como tinha feito na segunda etapa. Pela primeira vez - creio que, se não é caso único, é muito raro - um camisola amarela rebocava um grupo.

Evenepoel, a fazer uma corrida extraordinária, que não se julgava ao seu alcance naquele terreno, não descolava dos dois da Emirates. Na recta da meta Pogaçar disse a del Toro para atacar. Por duas vezes. E o mexicano atacou. Mas, ou não tinha forças para tanto, ou estava limitado pela queda. 

Esgotadas as tentativas, Evenepoel atacou e deixou Isaac del Toro apeado. E foi para a meta. Creio - é essa a minha leitura - que Pogaçar, depois de ver o colega batido,  respondeu ao belga, mas não sprintou. Para não estragar o que tinha feito, e humilhar o seu colega. Pogaçar sabe que tem mais etapas para ganhar!

Porque tem. É inantigível!

Agora, Evenpoel subiu ao segundo lugar da classificação, lugar que certamente reforçará no contra-relógio de terça-feira. E Isaac del Toro é terceiro. Mas com Paul Seixas a 25 segundos. E Lipowitz a 50. E Ayuso a apenas mais 12.


Há 10 anos

 

Candidato republicano Donald Trump apresenta sua mulher, a modelo eslovena naturalizada Melania (Foto: Carlo Allegri / Reuters)


 


Arrancou a convenção do Partido Republicano, em Cleveland, que irá formalizar a candiatura oficial de Donald Trump á presidência americana. Para começar, nada melhor que a própria mulher de Trump, a actual, a enésima, que ele apresentou como a futura primeira dama americana, repetir o discurso de Michelle Obama na convenção do Partido Democrático de 2008, na antecâmara da vitória eleitoral de Novembro seguinte.


Poderia ter sido por crença: "se correu bem com a outra"... E a verdade é que antiga modelo de origem balcânica - imigrante, pois claro - não esteve nada mal a dizer aquilo tudo ... Bem ensaiado, como não poderia deixar de ser. E que foi a a segunda maior novidade do primeiro dia da convenção, lá isso foi. 


A primeira foi um Trump todo contente a ouvir uma imigrante a repetir um discurso de uma negra. Três em um!

sábado, 18 de julho de 2026

Mundial das Américas - XVII

 


O jogo que ninguém queria jogar, dito da consolação - mas eventualmente mal, deveria ser o do desconsolo, pois junta as duas equipas que perderam os jogos das meias finais -, foi de exibição, em vez de competição. Servia para atribuir o terceiro lugar do campeonato do mundo, o único lugar medalhado. O lugar mais baixo do pódio. Mas na verdade não foi encarada essa competição, foi como se não contasse para nada. Lá está, como um jogo exibição.

França e Inglaterra resolveram dar a este jogo este cariz. Pelo meio Mbappé tentava sagrar-se o melhor marcador do campeonato do mundo, o que marcou o jogo.

Neste jogo-exibição a Inglaterra exibiu-se na primeira parte. Chegou ao intervalo com um escandaloso 4-0 no marcador, e com uma exibição de grande nível, com golos de Rice, Konsa e um bis de Saka. E a França na eminência de sofrer uma verdadeira humilhação.

Emendou na segunda parte, com quatro substituições ao intervalo. Se Deschamps - no último o jogo pela selecção francesa, antes de passar o testemunho a Zidane - pudesse, teria feito onze. 

A selecção francesa regressou outra dos balneários. Tomou conta do jogo, como se então fosse a sua vez de dar espectáculo. E foi!

Mbappé tinha de conseguir ser o melhor marcador, e tudo indica que o conseguiu, com os seus dois golos, os que tem de vantagem sobre Messi. Barcolá marcaria o terceiro, e Olise falharia dois golos cantados. À paragem para hidratação, na verdade um desconto de tempo, já os franceses tinham o resultado na diferença mínima, 4-3, e justificavam o empate.

Mas Tuchel desta vez tardou, mas mexeu bem na equipa. Até porque tinha iniciado o jogo com muitos dos jogadores menos utilizados. Depois de Olise, infeliz, ter falhado mais uma oportunidade, num contra-ataque, Spence escapa-se e é derrubado na área por Malo Gusto. Saka converte o pênalti, completa o "hat-trick", e dá novo fôlego a Inglaterra. 

Com a partida frenética, Dembélé ainda fez o 5-4, com um grande golo, perto do fim. Mas Bellingham, que entrou e tirou a Inglaterra daquele pesadelo, acabou com o jogo, no final da compensação, ao fazer o seu sétimo golo. O melhor registo de um jogador inglês num Mundial, ultrapassando Kane, que ficara no banco.

O jogo que ninguém quer jogar teve 10 golos. É obra. E é bonito!




Há 10 anos



Ficamos a saber através de Marques Mendes - uns, logo na trasmissão em directo da sua homilia dominical na SIC, outros pelas onde de choque que provoca em todo o sistema mediático nacional - que a obcessão pelo plano B também atinge a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.


Disse-nos este alcoviteiro dos domingos que o BCE enviou uma carta ao governo português, já há mais de um mês, a exigir um plano alternativo de recapitalização, para a eventualidade do plano apresentado - de capitalização pelo Estado, accionista único do banco público - não vir a ser aprovado pelas instâncias europeias. Curiosamente, o alcoviteiro que também é membro do Conselho de Estado, o que não deixa de ser outra curiosidade, passou por cima desta revelação a grande velocidade, como se estivesse a pisar uma braseira, para passar ás recomendações sobre a constituição da administração, da mesma referida carta. Que 19 é muito, quinze chegam bem. E que saibam do negócio, que tenham experiência em banca.


Não se percebe por que estas recomendações prenderam tanto a atenção de Marques Mendes: já toda a gente tinha dito que 19 administradores são administradores a mais; e que para administrar o maior banco português seja requerida experiência na banca é também do mais elementar bom senso. Para adminsitrar os maiores bancos mundiais é que não é preciso nada disso, como acaba de se ver com Durão Barroso...


O que se percebe, mesmo que o comentador e conselheiro de estado não queira que se perceba, é que o plano alternativo que o BCE reclama é a privatização da Caixa. A alternativa ao capital do estado é o capital privado. Este plano B é exactamente isso, é a alternativa que não deixa alternativa. Como, de resto, tudo o que é plano B que os exilados  não páram de exigir aos usurpadores do governo.


Não importa que não haja capital para isso. Não há cá mas há noutro lado qualquer. E com tudo o que se tem vindo a fazer à Caixa para a desvalorizar, quaisquer que sejam os valores da recapitalização são suficientes para garantir uma posição maioritária de capital.


Isto anda tudo ligado - como diz o outro... 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Benfica terminou a pré-época

 


Nunca uma pré-época do Benfica me deixou uma sensação como esta. São as novas contratações, que não entusiasmam - para ser benevolente -, e é aposta nos miúdos, que é uma miragem.

Poderia perceber-se a política de contratações, mas não se percebe. Poderia perceber-se uma estratégia, mas não se percebe. Olhamos para as contratações feitas, e não as percebemos. 

Se não há contratações, há a formação. Sempre foi assim. Quem não tem cão, caça com gato. Quem não tem dinheiro, não tem vícios. Nestas alturas vai-se à formação. Que nos dizem ter gente com potencial. Acresce que na formação do Benfica há, pelo menos, uma maioria de jogadores que são campeões da Europa, e do Mundo. Há de valer a pena apostar neles. Em dois, três ... Em um ou outro, pronto!

Vi os dois jogos desta pré-época que foram à porta aberta. Não gostei nada do jogo com o Flamengo, mas há desculpas. Os brasileiros fizeram do jogo uma batalha - acabaram, assim, com a experiência de Jaden Umeh, que bem poderia confirmar-se como aposta na formação - e deixaram poucas condições de o disputar. Nem gostei do de hoje, com o Villareal, um jogo entre terceiros classificados das duas ligas ibéricas. Apesar da vitória (2-0)!

Foi este jogo, e principalmente a primeira hora da partida, que me deixou aquela sensação. A equipa que começou a partida é, indiscutivelmente, muito próxima - se não exactamente a mesma - da que vai a jogo no primeiro confronto oficial, já a menos de uma semana, para a Liga Europa. Pode mudar o guarda-redes, Trubin em Vez de Samuel.

De resto lá teremos Bah, António Silva - diz-se que já está transferido Bournemouth, o que me parece surreal -, Lenglet (primeira contratação), Dahl, Barreiro, Barrenechea, Sudakov, kaminski (segunda contratação), Rafa e Pavlidis.

Lenglet jogou até ao intervalo, quando entrou Manu, uma adaptação a defesa central. E, pelo que se viu, a adaptação funcionou muito melhor. A primeira contratação foi a primeira substituição!

O primeiro golo, que conjuntamente com a mudança dos dez jogadores de campo da equipa espanhola, mudou o jogo, foi marcado por Rafa. Obra da sua classe, e do passe de Pavilidis. 

Aos 69 minutos - apenas - Marco Silva trocou Sudakov, que não aproveita uma oportunidade, por muitas que tenha, e kaminski, que não mostrou a mínima classe, nem por onde ela possa passar, por Tiago Gouveia e Prestianni. Que, suspenso por três jogos, não pode jogar qualquer dos dois jogos St. Gallen. E que virou o jogo. Como no passe para o segundo golo - também excelente - de Pavlidis, seis minutos depois de estar em campo.

Rafa passou da direita para o centro, atrás de Pavlidis.

Aos 81 minutos, a nove do fim, entraram Miguel Figueiredo, Rui Silva, João Rego e Ivanovic, para substituírem Rafa, Barrenechea, Barreiro e Pavlidis, com Manu a passar para o meio campo.

Três minutos depois, a seis do fim, entram Banjagui e José Neto, para o lugar dos laterais, Bah e Dahl, e Gabriel Índio para o de  António Silva.

Que quer isto dizer?

Quer dizer que os miúdos só entraram quando o resultado, e o jogo, estavam decididos. Que nenhum deles é opção, porque se o fossem, não entravam todos de uma vez. Toda a gente sabe que, apostar na formação, é fazê-los entrar, sim, mas misturados com a indispensável experiência no onze. Meter seis miúdos, mais de meia equipa, a poucos minutos do fim, não é apostar na formação. É outra coisa.

E, francamente, para ter Barrenechea, a jogar num raio de acção de um metro, para o lado e  para trás, este kaminski, que não faz um passe, e não passa por ninguém, e este Lenglet, que se viu hoje, a passo de caracol, não me parece haver muitas dúvidas que mais vale apostar nos jovens da formação. 

Há 10 anos




18 anos depois, Portugal conquistou o campeonato europeu de hóquei em patins, derrotando na final a Itália, a campeã em título. Por 6-2, depois de estar a perder por 0-2 ao intervalo, com os dois golos a serem sofridos logo no início do jogo, sem que os jogadores portugueses conseguissem perceber o que lhes estava a acontecer.

Depois de bolas e bolas nos ferros, e defesas impossíveis do guarda-redes italiano, na segunda parte soltou-se o ketchup. Numa exibição soberba, e verdadeiramente espectacular.

Como soberba foi a prestação portuguesa, que goleou em todos os jogos. As goleadas menos expressivas acabaram por ser estes 6-2 aos italianos e os 6-1 aos espanhóis. Mas sempre goleadas, como nunca se tinha visto... 

Parece mentira, mas é verdade; foram 18 anos de jejum. Este Julho está a ser verdadeiramente épico. Não sei se o presidente Marcelo vai ter medalhas para tanto...


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Há 10 anos

 


 Foi um acto falhado, o golpe de estado na Turquia. As forças insurrectas da segunda potência militar da NATO, num estranho amadorismo, acabaram superadas pelas forças leais ao regime de Erdogan, muitas mortes e poucas horas depois. Nas maiores forças armadas da Aliança Atlântica, a seguir às americanas...


Quando ontem aqui se deu conta do golpe militar na Turquia, e do derrube de Erdogan, classificou-se o afastamento do presidente turco como uma boa notícia. Que o pior que tinha , na altura, era poder ser ainda francamente exagerada. 


Queria naturalmente dizer-se que, aqui, nada daquelas notícias  era dado por definitivo, ao contrário das televisões que, na mesma hora, davam notícias do pedido de asilo de Erdogan á Alemanha, da recusa alemã a esse pedido, e até do desembarque do presidente turco em Teerão, com asilo político concedido pelo Irão. Merece alguma reflexão...


Tanta quanto o próprio golpe. Que só serviu a Erdogan, para lhe permitir finalmente encontrar novos caminhos institucionais para perpeptuar o seu poder pessoal. Depois de esgotados todos os mais convencionais, como também aqui ontem se fazia notar.


Mais uma vez: para além do que são, as coisas também são o que parecem!  

Há 10 anos

 


A notícia do derrube de Erdogan é uma boa notícia. Sem dúvida nenhuma. Tinha feito da Turquia tudo o que uma democracia não pode ser. Acelerou por caminhos teocráticos, promovendo a crescente islamização do país, porventura por encontrar por aí a melhor forma de perpetuar o seu poder pessoal, esgotados que foram todas os caminhos institucionais antes tentados.

Para já, o pior que esta notícia pode ter é... ser francamente exagerada. Depois, logo se vê. Já não estamos habituados a golpes militares por estes lados, mas lembramo-nos bem que sabemos sempre como começam. Como acabam é que já é mais difícil saber... 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mundial das Américas - XVI

 


A  Argentina é a outra finalista do campeonato do Mundo, depois de vencer a Inglaterra na meia final de hoje. Não num jogo, mas em dois! 

O primeiro dos dois jogos não foi digno de um campeonato do mundo, quanto mais de uma meia final. Foi um jogo amarrado e quezilento, jogado por gladiadores em vez de jogadores de futebol. 

Dir-se-ia mais ao jeito da Argentina, mais habituada a esse tipo de jogo. Mas erradamente. Foi mais ao jeito da Inglaterra. Ou do seu treinador. Excepção a dois ou três apontamentos de kane e Bellinghamm, foi tudo muito pobre. E enfadonho. 

Aos 10 minutos da segunda parte aconteceu o momento de viragem. Começou o outro jogo!

Kane, o ponta de lança inglês - o melhor deste mundial, mas também o melhor lançador da equipa - lá atrás, lançou um contra-ataque. A bola veio de Pickford, e chegou a Kane que, de imediato e com uma abertura de uma precisão sensacional, lançou Rogers na esquerda, que cruzou para a direita, onde apareceu Gordon a ganhar a frente a Tagliafico, e a empurrar para a baliza.

Estava feito o primeiro golo. E mudado o jogo!

A Argentina acordou e lembrou-se que sabe jogar à bola. E que tem, ainda, o melhor a mexer na bola. O selecçionador inglês, o alemão Tuchel, não acordou. Achou-se a ganhar sem muito ter feito por isso, esqueceu-se que tem jogadores que sabem jogar à bola, e remeteu-se à defesa. Meteu defesas centrais, uns atrás dos outros. Quatro, numa linha de cinco defesas. E logo outra á frente, mais outros cinco. Foi cobarde, não há outra maneira de dizer.

E só selecção Argentina existiu. Não foi feliz, teve bolas nos postes (duas), bolas a rasá-los,   e Pickford a defender tudo, como se fosse de borracha. Messi pegava na bola, ora colada ao pé, ora teleguiada para a cabeça dos colegas, ora em tabelas a romper por entre a cerrada defesa inglesa.

Finalmente, aos 85 minutos, logo depois da segunda bola no poste, Enzo Fernandes empatou. A Argentina continuou a forçar, e cinco minutos depois, no início do período de compensação, Lautaro confirmava a reviravolta. De cabeça, espectacular. Assistido, como Enzo, por Messi. Aos 39 anos, ainda o melhor do mundo!

De elos mais fortes, a mais fracos!

 



O governo que amanhã vai debater o Estado da Nação está mais fragilizado que nunca, estando mais uma crise política á distância da ... saturação de eleições. 

Ás velhas questões somaram-se novas. As viagens de Montenegro à América, para os jogos de futebol, enquanto o pais ardia, e os exames rebentavam nas mãos do ministro da educação, que só não foram mais porque a selecção nacional não foi competente, e regressou cedo a casa. O seu seguidismo a Cristiano Ronaldo, assegurando a sua continuidade na selecção, como se fosse treinador ou membro do corpo técnico. A sua colagem à equipa nacional, e em particular às "flash interviews" da propaganda. O papel de Sebastião Bugalho, uma espécie de "roteveiller" do governo, que esquece que é deputado europeu. E, como se tudo isto não bastasse, a desgraça em que caíram os dois mais populares e competentes ministros do governo. 

Fernando Alexandre, o ministro que desde o início do governo mantinha a auréola de competência, perdido na teia de improvisos e experimentalismos da digitalização dos exames. Luís Neves, o Ministro da Administração Interna em que finalmente o governo acertara, com imagem de competente e assertivo, nas teias do escrutínio. E da transparência!

Num ápice, de elos mais fortes, a mais fracos!


Há 10 anos

 

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Os dados já conhecidos não apontam assim tão claramente para um ataque terrorista formal - deixem passar a expressão - do género dos que têm vindo a suceder-se em França, na Bélgica ou na Turquia. Não tanto, mas também, por não ter sido ainda reivindicado por nenhuma das organizações terroristas islâmicas. Nem, mas também, por divergir no modus operandi: para tudo há uma primeira vez, e o método nem foge muito do utilizado  pela Al Qaeda, em particular, em território árabe.

Sabe-se que o autor de tão ignóbil acto de morte e terror é cidadão francês, de origem tunisina, com cadastro criminal, de roubo e violência.

O terrorismo não se limita a recrutar, treinar e preparar operacionais para levar a cabo a sua estratégia de terror. Vai muito para além disso, fazendo de cada uma das suas acções bem sucedidas uma semente lançada no campo fértil da marginalidade e do crime. Milhares de jovens desestruturados, socialmente marginalizados e sem esperança nem futuro, depois de  arrastados para o mundo do crime, facilmente se deixam seduzir pela violência terrorista. E rapidamente se transformam em terroristas por conta própria, que encontram no terror forma de vida. E de morte, que também é forma de dar a volta à vida!

Se já era difícil vencer o terrorismo, a partir de agora, rompida esta fronteira ténue com a marginalidade e o crime, a missão torna-se ainda mais difícil. Esta sim, é a fronteira que nunca deveria ter sido aberta.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Mundial das Américas - XV



Não desiludiu, esta final antecipada do mundial, que era a meia final entre a Espanha e a França. Quem desiludiu foi a selecção gaulesa. Mas, como uma equipa joga o que a outra deixa ...  o jogo não desiludiu.

O jogo teve o seu momento. E esse foi ao minuto 22, quando a França foi traída por Digne, e este traído pela experiência. E, como não foi salvo por nenhum companheiro de equipa - ou a Espanha não lhe deu hipótese de salvação  - esse momento ficará, para sempre, a marcar a sua carreira.

Até aí as duas equipas até souberam lidar bem com os pontos fortes de cada uma. A Espanha, com o ataque francês e a sua verticalidade, no ataque à profundidade. A França, com a organização e o meio campo espanhol. A partir daquele momento, a selecção francesa deixou de se entender com os espanhóis.

Em vantagem no marcador os espanhóis, exponenciaram nos seus argumentos - precisamente posse e a circulação da bola - para dominar completamente o jogo, e banalizar a selecção francesa. Retirando-lhe a bola e, com isso, a profundidade e a explosão. 

Enquanto a selecção espanhola acumulou oportunidades de golo, em excelentes jogadas de futebol, a francesa teve o seu primeiro remate à baliza espanhola já no quarto de hora final. Para trás os espanhóis deixavam dois golos, um terceiro anulado por fora de jogo - que só se aceita por serem dados como infalíveis -, e outras tantas oportunidades claras.



Há 10 anos

 


A besta voltou a sair à rua, para espalhar o terror e a morte. De novo em França e desta vez em Nice. no coração do turismo francês, no seu dia nacional. Não foi num aeroporto, foi numa praça onde uma multidão assistia ao fogo de artifício, nas comemorações do 14 de Julho, da tomada da Bastilha. Não chegaram de taxi, com bombas à cintura e armas aos ombros. Vieram de camião, e lançaram-no sobre a multidão.

Apenas o resultado é o mesmo:  dezenas de mortos - o número começa em 30,  mas sabe-se como sobe à medida que as horas passam - e centenas de feridos. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Há 10 anos

 


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Perante a impossibilidade de continuarem a fazer de conta que as sanções, que desejam e de que precisam para a sua sobrevivência política, se não devem à sua governação, falhada em toda a linha, as eminências do anterior governo dizem, agora, a culpa é do actual governo.

 Não porque seja responsável por elas, mas porque não se soube defender delas, conforme concluíram a Maria Luís e a Assunção. O que, para a secretária do Sr Schauble, era até muito fácil.

 "Tecnicamente" muito fácil nas palavras desse génio das finanças. Tão fácil quanto mandar palpites. Coisa para que a competência  técnica, a ética e o sentido de Estado de Maria Luís chegam. Não dão é para mais!

A competência prova-se. Não se insinua por trás do fracasso...

domingo, 12 de julho de 2026

Mundial das Américas - XIV

 



Aí estão os quatro magníficos. Estão encontrados os quatro semi-finalistas do campeonato do mundo!

Do lado mau do escalonamento do sorteio surgem a França e a Espanha, numa final antecipada. Se os finalistas fossem encontrados por outro critério qualquer, que privilegiasse as melhoras equipas, seriam estes os finalistas.

São claramente os melhores: a França tem os melhores jogadores, e os mais disruptivos; mas a Espanha tem a classe e a mecanização.

A Espanha chega às meias finais depois de eliminar a Bélgica. Por 2-1, com o segundo golo a surgir já no mesmo no final, de novo por Merino, acabado de entrar no jogo. A França depois de eliminar Marrocos, por 2-0, mas com o segundo golo a surgir com o adversário descompensado à procura do empate, seguramente o adversário que mais dificuldades seria capaz de lhe colocar.

O outro lado do alinhamento do sorteio acabou por ditar um misto ente o politicamente correcto, o conveniente, a História, e a capacidade das equipas. Ambos os jogos acabaram em prolongamento.

A Inglaterra eliminou a Noruega, por 2-1. No jogo de Jude Bellingham, mas que podia ter sido de Schjeldrup - que golo fabuloso -, e que, antes de chegar ao prolongamento, poderia ter caído para qualquer dos lados. Não teria sido escândalo nenhum se fosse ao contrário.

A Argentina já tinha chegado aos quartos de final com bastante polémica, pela forma como eliminou o Egipto, em particular pela anulação do que seria o terceiro golo egípcio, quando a Argentina, a um quarto de hora do fim, se encontrava a perder por 2-0. Não foi tão polémica a arbitragem de João Pinheiro, mas foi infeliz. Expulsou o suíço Embolo - tinha mostrado o cartão amarelo a Paredes, por falta sobe o suíço, quando foi alertado pelo VAR que tinha sido simulação, e teve de lhe mostrar o amarelo, que era o segundo - aos 70 minutos, e mudou o jogo. 

Ganhou por 3-1 à Suíça. Marcou o  segundo - um grande golo de Alvarez, fabuloso, como o de Schjeldrup - na segunda parte do prolongamento. O terceiro, já no tempo extra, decorre exclusivamente da procura, com menos um, do golo do empate. Com a Suíça totalmente descompensada na frente.

Mas a verdadeira final será o França - Espanha!

Há 10 anos

 


Acabadas as emoções, arrumado o futebol, os cachecóis e as bandeiras, e com o ECOFIN, por fim, não a pôr fim, mas a pôr zero nas sanções, poderemos agora ir de férias?

Não vamos descansados, que as coisas não estão para tanto, mas ... vá lá, deixem-nos ir de férias... Mesmo que em  sobressalto permanente, sem saber bem como vamos acordar de cada sesta... Mas vamos com este sabor a campeão, com os éteres da bebedeira ainda a baralharem-nos a cabeça. E sempre são mais uns dias em que não pensamos como os alemães, coitados, se preocupam connosco. Nem quanto é que nos vai calhar dos 150 mil milhões de euros que o maior banco deles precisa.

O quê? Ah!

Estão aqui a dizer-me que não é o Deutsche Bank que precisa desse dinheiro para evitar a falência. Diz que os outros todos é que precisam... Claro que, depois... também é gente. Banco. Pois... Bem me parecia!

sábado, 11 de julho de 2026

Há 10 anos

 


A selecção nacional de futebol conquistou finalmente, pela primeira vez, uma grande competição internacional. Depois de algumas tentativas de chegar à final, que por isto ou por aquilo, e pela França e pela Espanha, sempre falhara. E depois do grande caldeirão de água gelada que foi aquela derrota na final do Euro 2004, em pleno Estádio da Luz. 

Depois de muitas gerações de grandes jogadores de futebol, que fizeram boas selecções. Que jogavam benzinho, aquele futebol bonito, bem português: o "Brasil da Europa", mesmo quando lhe faltavam os tais trinta metros de que já Pedroto falava há quarenta anos. Que ganhava sempre, sem que nunca ganhasse nada. Era o tempo das vitórias morais. Era o nosso fado, o destino. Com a sorte sempre a voltar-nos as costas. Que dá sempre muito trabalho, coisa a que nem sempre nos dedicamos da forma mais competente... 

Foi apenas há duas ou três semanas que percebemos que isto mudou tudo. Que o fado, hoje, continuando fado, é já outro. Como os fadistas... Que, se tem destino, também diz que o podemos mudar. Que não há fatalidades absolutas, e que se o "destino marca a hora", podemos sempre trocar-lhe as voltas. Ou mudar a hora. 

Percebemos tudo isto quando, na fase de grupos, logo no início do campeonato, a equipa rematava como mais nenhuma, mas não marcava. Quando os postes e as traves das balizas se atravessavam à frente das bolas, impedindo-as de entrar. Quando o Cristiano Ronaldo falhava o penálti, e até os remates. E quando, de repente, tudo o que parecia adversidade se transformou em motivação, na crença absoluta que o destino estava ali para ser agarrado.

Percebemos que em vez do futebol bonitinho, mas fatalista, havia agora um futebol rigoroso, feito de concentração e de espírito colectivo. Aquilo de que se fazem as grandes equipas, um misto do rigor táctico italiano com a força mental alemã. Assistimos incrédulos a esta reviravolta, e tivemos até muita dificuldade em aceitá-la. Irónico é que, da mesma forma que o jogo de ontem foi decidido pelo mais improvável dos jogadores, esta revolução tenha sido feita pelo mais improvável dos treinadores. 

Dir-se-ia que no panorama do futebol português só haveria um nome capaz de tanto. Mas não. Não foi Mourinho. O revolucionário está-lhe nas antípodas. É low profile, dizem até que pé frio, e tido por perdedor pela maior parte dos adeptos portugueses dos três maiores clubes que, caso que creio único, já treinou. Um conservador, a quem facilmente poderiam chamar bota de elástico. Um homem de fé, de culto ao sobrenatural, fora de moda, a quem ninguém entregaria tamanha encomenda. 

É por isso que a primeira grande conquista da selecção nacional de futebol tem que ter um nome: Fernando Santos!

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Há 10 anos

 



Sentia-se. Sentia-se que desta é que era... Cheirava a campeão. Percebia-se que aquela era a fórmula do sucesso. Que aquela crença enorme que Fernando Santos injectou na equipa acabaria desta forma.

Chegara a vez de fazer história. Com tudo para ser mais uma epopeia lusa, digna da História desta nação velha de quase um milénio. Uma história de encantar, que começa com o drama de Cristiano Ronaldo e no seu estoicismo, na sua vontade indómita de voltar ao campo, de resistir à dor e ao sofrimento, de fintar a incapacidade. Que Rui Patrício prolonga, defendendo tudo o que havia para defender, tornando possível o impossível. E que atinge a dimensão mágica com Éder, o patinho feio que se transforma no mais esplendoroso cisne. O herói impossível desta história que nos encanta e não nos deixa ir dormir nesta noite longa. Que não se sabe quando vai acabar! 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Tour de France 2026 - II

 


Com a passagem pelo Tourmalet, desta feita na única vez nos Pirineus, a volta a França atingiu o seu primeiro grande momento desta edição. Foi a etapa 6, entre Pau, no sopé dos Pirineus, e Gavarnie-Gedre, com passagem pelo Cole D´Aspin e pelo mítico Tourmalet.

Não que as 4 etapas, entre a primeira e esta, tenham sido desprovidas de interesse. Logo nas primeiras etapas Pogaçar disse ao que vinha. Na segunda deu-se até ao luxo de abdicar da vitória - que entregou sobre a linha de meta ao seu companheiro Isaac del Toro, o mexicano que é um sério candidato ao pódio - e da camisola amarela. Na terceira ganhou-a mesmo, e alcançou a liderança. Que perderia no dia seguinte, numa fuga bem sucedida - com mais de 12 minutos de vantagem - de gente que não incomoda quem manda no pelotão. E no dia seguinte foi finalmente a vez dos sprinters, com uma chegada em pelotão.

A fuga de anteontem é daquelas que surpreendem, e muitas vezes tornam-se incómodas para muita gente. Quem não se lembra de Afonso Eulálio no Giro?

Torstein vestiu a amarela, com cerca de 8 minutos de vantagem sobre as principais figuras do pelotão, e prometia guardá-la por muito tempo. Afinal perdeu-a logo que a montanha apareceu. Já a tinha virtualmente perdido quando teve a infelicidade de cair - distraiu-se e tocou na roda de um seu companheiro, que o ajudava -, que agravou a longa perda de tempo.

Hoje foi mais um recital de Pogaçar, a demonstrar aquilo que já sabíamos, que não tem rival á altura. Nem mesmo Vingegaard. E que a UAE traz igualmente o colectivo mais forte para o Tour.

Como demonstrou ao longo da etapa, se é que havia dúvidas. Pogaçar atacou a 43 quilómetros da meta, e a cerca de seis da montanha de primeira categoria, no Tourmalet, Primeiro na companhia de Isaac de Toro. Poucos metros depois a solo, foi-se embora.

Começou Vingegaard por resistir bem. Encontrou o seu ritmo, passou pelo mexicano, e durante alguns quilómetros pareceu controlar os danos. Depois ... afundou-se. No cume do Tourmalet Pogaçar já registava mais de 30 segundos, que lhe valeriam a longa descida isolado. Aí aumentaria a vantagem, mas seria na subida final que cavaria o fosso de 2 minutos e 38 segundos. 

Logo atrás de Vingegaard chegariam,  29 segundos depois, del Toro, Evenepoel, Paul Seixas, o jovem prodígio, de descendência portuguesa, Lipowitz e Ayuso. 

Se o vencedor do Tour está prematuramente encontrado, com Pogaçar a juntar-se aos restrito grupo dos penta vencedores do Tour, o pódio está aqui. Neste grupo!

A NATO de Trump

 



Trump deslocou-se à Turquia, à cimeira da NATO, para manifestar o seu desprezo pela organização, reafirmar o seu interesse em anexar a Gronelândia, e agredir a Espanha, sob a reverência, a bajulação e a êxtase do Secretário Geral Mark Rutte.

O holandês, que assume o papel de mordomo, reforçado com com o de bobo da corte, só percebeu a parte infantil de Trump. Não percebeu que, por muito que goste da bajulação, despreza cada vez mais quem se curva de mais. Até mostrar o dito cujo. Que, pelo contrário, aprecia quem dá sinais força. 

E que, por isso, aprecia Erdogan. E até já manifesta outro respeito por Zelensky. Mas não é só Mark Rutte a não perceber isto. Ele é só o mais exuberante na ignorância!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O caos nos exames

 


O caos na correcção digital das provas de exame nacionais é apenas mais um exemplo, demasiado flagrante, de como as coisas funcionam no país. De uma forma muito própria - a forma "tuga" - de tratar das coisas.

O problema, evidentemente, não está na correcção digital. Não faz sentido outra coisa, na era da digitalização. Mas começa aí!

O Estado tem sempre dificuldades com as novas tecnologias. É uma área em que não dispõe de recursos humanos. Eles são disputados com o sector privado e, como se sabe, o Estado não dispõe de condições competitivas. Por isso recorre ao "outsourcing", o que por si não tinha nada de mal, não fossem, de novo, as limitações do Estado. 

Nessa subcontratação normalmente falha. Ou é enganado, que é a mesma coisa. Falha no planeamento, na concepção e nas redundâncias. E fica sem um plano B, quando tudo falha. Em vez de assumir as falhas, insiste até ao intolerável em negá-las.  

Fernando Alexandre, um ministro tido por sério e competente, foi mais uma vítima desta maneira "tuga" da fazer as coisas. Também ele foi "tuga" e surgiu ao país como um político sem norte, perdido no labirinto. Penoso que decidisse como se confiasse, sem estar certo que aquilo em que confiava merecia confiança... Penosas as trapalhadas em que se meteu ...

Claro que governo, à boa maneira "tuga", apostava tudo em manter esta polémica bem tapada pelo futebol. Montenegro foi à América não sei quantas vezes, e contava com a exaltação dos portugueses, agarrados à bandeira, ao hino, a Cristiano Ronaldo. E aos golos que não fazia, do lado de lá do Atlântico. 

Mal fomos mandados para casa pela Espanha demos conta do drama de milhares de alunos, professores, famílias. E do ministro da educação!


Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...