sexta-feira, 31 de julho de 2026

A invasão de Ceuta

 



O que aconteceu em Ceuta não é um movimento criado espontaneamente por marroquinos, ávidos de chegar a Espanha, e á Europa. Ceuta é em África. É um enclave espanhol, uma cidade de cerca de 80 mil habitantes.

Este fluxo excepcional de marroquinos - 50 ou 60 mil, que tiveram de sair de Marrocos, o que não possível sem a conivência das respectivas autoridades - põe seriamente em causa as suas as condições de vida e de salubridade. Foram enganados nas redes socias. Perceberam isso mesmo, e a grande maioria já regressou a Marrocos. 

Marrocos tem uma forte ligação com os EUA. E com Israel, sendo um dos principais esteios do Estado Israelita. Espanha é um país sob mira de ambos estados. Melhor: de ambos os governos. Esta é acção exclusivamente dirigida ao Estado Espanhol. 

O resto, o alarme social, o cancelamento do espaço Schengen, é por uma lado, o medo das opiniões públicas na Europa; e, por outro, o aproveitamento dos governos mais radicais da Europa. Os marroquinos estão - estavam - em Ceuta, e seria impossível que chegassem a ao continente espanhol.

É isto. Outra coisa é que os desgraçados continuam a ser enganados. E muitos a morrer. Está já confirmada a morte de 57 pessoas.


Franco Baresi (1960-2026)

 


Talvez o último grande líbero, e mestre do desarme. Era um defesa completo, que combinava elegância, força, ritmo, tenacidade, concentração e resistência. E símbolo do Milan, camisola de toda a vida. 



quinta-feira, 30 de julho de 2026

Benfica 5 - St Gallen 0

 


Quando uma equipa marca individualmente no campo todo, se do outro lado estiver um adversário com um mínimo de classe, competente na recepção e no passe, sai invariavelmente goleada. Se o adversário não tiver essas competências, se do outro lado não houver um mínimo de classe, em vez da goleada perde-se o jogo, como há uma semana, na Suíça, ou passam-se por momentos tenebrosos, como aconteceu nos primeiros dez minutos do jogo de hoje. 

Benfica e St Gallen comprovaram isso, mais uma vez, hoje no Estádio da Luz. Ao marcar no campo todo, "homem a homem", o St Gallen fez o campo grande, tornando mais fácil a tarefa das equipas tecnicamente mais apetrechadas. Há mais espaço para jogar. Depois, é preciso sabê-lo explorar. Porque, caso contrário, se houver passes e recepções falhados, quando há espaços, a marcação individual mantém-se. Mas já sem espaço.

Na primeira parte aconteceu de tudo. Até 10 minutos assustadores. O Benfica tentou aproveitar o campo grande, mas nem sempre conseguiu. Consegui-o no primeiro golo, de Pavlidis, logo aos 11 minutos. E mais umas duas ou três vezes, não mais.

Com 74% de posse de bola na primeira parte, o Benfica teve apenas 2 remates enquadrados na baliza, de um total de 10. Não muito diferente da equipa suíça: os mesmos remates enquadrados, de um total de sete. É o espelho o que se disse acima.

Na segunda parte, em que o St Gallen voltou a tentar entrar mais intenso na sua marcação individual, o Benfica já se aproximou das expectativas dos quase 60 mil que se deslocaram à Luz. O segundo golo, de Pavlidis novamente, acabou com essa tentativa, logo aos 10 minutos. Que acabou, de todo, com a expulsão, logo a seguir - segundo amarelo - de Stanic, que agarrou Pavlidis, que se esgueirava à entrada do meio campo, em mais um aproveitamento do espaço que o campo (grande) dava. 

Mais dez minutos e novo golo de Pavlidis, a colocar ponto final na eliminatória. Um golo onde se viu que o árbitro alemão - Florien Bastdubner, por sinal muito fraquinho - tinha auxílio de VAR. Em dois penáltis anteriores nunca se dera por ele, mas viu-se neste golo, inicialmente anulado, quando a bola tinha voltado a Bah devolvida por um adversário.

Antes de sair Pavlidis (John Duran) ainda faria o "poker", de penálti, culminando uma exibição muito bem conseguida. Como a António Silva, em jogo de despedida, e a deitar mais uma achas para a fogueira que vai consumindo Rui Costa. António Silva, a jogar assim (como se percebe que Marco Silva o deixa jogar, como já deixara Roger Schmidt), não podia ter chegado a este ponto.

Rios, Shcjeldrup, Lukebakio e Dedic também entraram, e o Benfica poderia ter marcado mais uns quantos golos. Marcaria apenas mais um, de excelente recorte, diga-se, por Langelet, fechando a goleada em 5-0. Num jogo com 78% de posse de bola, 25 remates, com 10 enquadrados, e com mais seis grandes oportunidades, claras, de golo.






As explicações

 


Afinal a táctica do costume: deixa-se arder, até encontrar o melhor momento para falar. Depois dão-se explicações, que não explicam nada. E diz-se que ficou tudo explicado. Que só não ficou esclarecido quem não quer.

Parece que resulta!

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Os palermas ... fazem palermices






Ainda sou do tempo a que a uns palermas chamávamos simplesmente palermas. Agora chamam-se outras coisas. Influencers, por exemplo. 

E dão-lhe importância. Netanyahu dá-lhe tanta importância que, enquanto nega o acesso a jornalistas à faixa de Gaza, convida influencers a visitá-la. Diz até que são uma "da armas mais importantes". De armas percebe ele, mas só se for nesta especialidade que tenhamos armamento de primeira categoria.

À chegada presenteou-os com o bombardeamento de uma família de seis pessoas. Foi ao som de uma banda americana, e com o sinal de vitória de Cristiano Ronaldo, que uma delas pousou para as redes sociais, num dos locais mais sangrentos do território. Outra fotografou-se em túneis, aproveitando para uma tatuagem. 

O embaixador em Lisboa diz, como se não soubéssemos, que é para combater a imagem negativa que diz passar na comunicação social. Os palermas ... fazem palermices!

Por que será?

 



Por que será que as conversas escutadas a Pedro Proença não merecem mais que uma nota envergonhada na primeira página dos diários desportivos?

E em "O Jogo" nem isso?

Será para não brincar com ele, c*#*#*o? 

Ou para não se meterem com ele, c*#*#*o

Ou será apenas para não o verem virado do avesso?

terça-feira, 28 de julho de 2026

Os espectáculos de André Ventura




Com o anunciado assalto ao seu gabinete na Assembleia da República o Chega abre o espectáculo deste Verão.

Vamos dar por "bom" o assalto. Vamos fazer de conta que ele existiu. 

Sim, vamos fazer de conta. Quem, sempre com as televisões atrás, é capaz de simular uma hospitalização, simular um incêndio para parecer que combate o fogo, ou simular uma entrega de água ás populações atingidas pela tempestade, mais facilmente é capaz de simular um assalto. Até com um crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima convenientemente expostos nos despojos.

Vamos pois fazer de conta que nada disto foi encenado, e montar o espectáculo deste Verão. André Ventura diz terem roubado do gabinete - que estranhamente deixa aberto, para facilitar a vida aos larápios - documentos importantes para a acusação a Luís Neves, lançando a suspeição sobre o próprio, sobre Montenegro e, em última análise, sobre todo o regime.

André Ventura está, agora, impossibilitado de apresentar todas as acusações que impendem  sobre Luís Neves, no exercício das suas funções da Polícia Judiciária.

Agora, pergunta-se: alguém acredita que, de provas deste teor, só exista um documento?

Só existe uma cópia? 

Parece-me que a resposta é óbvia e clara. E não deixam dúvidas sobre "o rabo sempre fica de fora" na montagem destes espectáculos de André Ventura.



Há 10 anos

 

Resultado de imagem para terrorismo mimetismo


 


Assistimos a uma escalada de terror, com o medo a invadir os cidadãos europeus onde quer que estejam, numa das mais sérias ameaças de destruição da Europa. Já não bastava o processo de autodestruição em que se lançara…


O jihadismo islâmico conseguiu o que provavelmente nunca ninguém imaginou que pudesse atingir: instalar o medo no mundo ocidental sem ter que mexer uma palha, limitando-se a, algures, a partir de um qualquer servidor, emitir comunicados a reivindicar ou a saudar massacres terroristas.


Esta espécie de franchising de terrorismo internacional, lançado há uns anos pela Al-Qaeda, atingiu agora uma outra dimensão com o Daesh. Que, quanto menos poder operacional tem, maior capacidade de destruição atinge.


Não que não destrua e mate mais, directamente, no seu terreno e com a sua operação, militar e terrorista. Os atentados no Iraque, na Síria, e até na Turquia, têm destruído muito mais vidas que os dos terroristas por conta própria na Europa. Mas estes têm muito mais impacto nos objectivos globais do terrorismo islâmico.


O que tem acontecido depois de NIce, a um ritmo alucinante em França e na Alemanha, é o tecto do medo enquanto objectivo central dos terroristas.


Os europeus começam a ter medo de sair à rua, de ir a um concerto, de entrar num shoping, num restaurante, e até numa igreja. E a ter medo de toda a gente. Qualquer distúrbio, qualquer desequilíbrio mental ou psíquico, transforma um pacato e insuspeito cidadão num terrorista por conta própria.


Este terrível fenómeno de mimetismo que esta semana explodiu no mundo civilizado – a que nem o Japão escapou – tem o seu epicentro em NIce. Quando Hollande – o mais desastrado dos líderes europeus – contra todas as evidências, a mais elementar prudência e o mínimo de inteligência, se apressou a atribuir o atentado de Nice ao Daesh, abriu esta porta. Muito difícil de fechar…


segunda-feira, 27 de julho de 2026

Tour de France - VI

 


Terminou a Volta a França, em Paris, com a vitória épica de Mathieu van der Poel nos Campos Elíseos, depois de se isolar, com Pogaçar - por duas vezes, nas duas últimas voltas, na subida de Montmartre - a fazer, como no ano passado, então à chuva, uma corrida de loucos. 

Foram ambos apanhados pelo pelotão em cima da linha de meta, quando o neerlandês, resistindo, cortou a meta com 1/10 de roda de vantagem sobre o seu companheiro de equipa, o belga Jasper Philipsen, e o dinamarquês Mads Pedersen. 

Terminou a Volta a França, talvez uma das melhores de sempre, com Pogaçar a atingir o olimpo dos pentavencedores. Alcançou a quinta vitória no Tour, igualando Jacques Anquetil, Eddy Merkx, Bernard Hinault e Miguel Indurain.

O francês (da Normandia) Anquetil foi primeiro a conseguir ganhar 5 vezes o Tour - em 1957, 1961, 1962, 1963 e 1964. Aos 30 anos, e com apenas 55 segundos de vantagem sobre Poulidor, o eterno segundo.

Seguiu-se um belga, Merkx, até aqui apontado como o melhor ciclista de sempre. Ganhou, como o francês, na primeira edição em que participou, em 1969. E nas três seguintes em que participou, já que optou pelo Giro e pela Vuelta, em 1973, deixando o Tour para o espanhol Luís Ocãna, que lhe tinha dado luta em 71. Fechou o ciclo em 1974, com 29 anos. Ainda participou no Tour de 1975 onde, com uma quebra súbita em Pra-Loup, e com um murro de um espectador no Puy de Dôme, seria segundo em Paris, atrás de Thevenet. Teria a sua última participação em 1977, com um sexto lugar.

Mais um francês, agora o bretão Hinault. Venceu também o seu primeiro Tour, em 1978, com 24 anos. O segundo, em 1979. A sua hegemonia foi interrompida por culpa do seu joelho direito, que o levou a abandonar em 1980. Recuperou o trono em 1981 e, em 1982, juntou o Tour ao Giro. Falhou o de 1983, de novo às voltas com o joelho direito. Perdeu o de 1984, para Laurent Fignon, e fechou o penta em 1985. O seu último Tour seria em 1986, aos 31 anos, quando talvez se tenha arrependido de ajudar o seu colega, e estrela em ascensão, Greg Lemond. Porque, se calhar, poderia ter atingido a sexta vitória no Tour.

Já Miguel Indurain por lá andava. Disputou seu primeiro Tour no ano em Hinault fechou o seu penta. Seis anos, ao contrário dos outros, foi quanto levou a ganhar o primeiro. Antes, esteve ao serviço do compatriota Pedro Delgado. Mas depois foram todos seguidos. O único a ganhar consecutivamente por cinco vezes: 1991,92,92,94 e 95. Tinha 27 anos, quando se estreou a ganhar. Tinha uma particularidade: ganhava os contra-relógios e, depois, subia com os melhores. Foi sempre assim!

Em 1996 tentou o sexto Tour. Perdeu para Bjarne Riis, que mais tarde declarou ter vencido com doping.

Com 27 anos, Pogaçar é o mais novo a atingir o penta. Por enquanto não se vê quem lhe faça frente. Será certamente o primeiro a atingir a sexta vitória no Tour. Mas nem será preciso isso para ser já o melhor de sempre. Bastou vê-lo a levar Isaac del Toro ao pódio. E basta ver como se relaciona com os rivais.

Para Vingegaard, o segundo melhor desta geração, os desejos de rápida recuperação. Que volte depressa!


Há 10 anos

 


 


Afinal não houve sanções, o que deixou muita gente desiludida. Com o que é que esta gente haverá agora de se entreter? 


Não havia jormal, nem comentador que não fizesse a sua aposta nos milhões que haveria que entregar a Bruxelas. E quando se começava a reparar que por cá não se falava noutra coisa, em contraste com Espanha, onde o tema nem era assunto, lá apareceu ontem o El País também nas apostas, e a deixar muita gente feliz. Ao que pareceu...


Quem está inconsolável é o Sr Dijsselbloem. Nem o Sr Schauble o consegue consolar...


Há 10 anos

 


Depois de, na véspera, os partidos políticos terem dito em Belém que não havia crise política, foi a vez das confederações patronais dizerem o contrário.


Quando se esperaria que os parceiros sociais se mostrassem preocupados com todas as crises que estrangulam o país, para o que nem precisavam sequer de grande imaginação, ficamos a saber que os representantes dos patrões estão afinal preocupados é com o quadro político. 


Vasco de Melo, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, receia que a nova maioria possa pôr em causa "os consensos adquiridos nestes últimos anos". Não são menores, bem antes pelo contrário, as preocupações de António Saraiva, o presidente da CIP, com atual quadro político. Podia ter-se ficado pela oposição declarada a qualquer reversibilidade na legislação laboral que o anterior governo e a troika lhe entregaram. Percebia-se... Mas diabolizar publicamente o Bloco de Esquerda é que já é do diabo. Declarar-se atacado por um partido "que tem sobre a iniciativa privada e os empresários uma leitura de diabolização" é mesmo coisa do diabo. E de política baixa, que não pode ser para levar a sério... Deveria esperava-se mais qualquer coisinha. Assim é poucochinho...

domingo, 26 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Ouvidas as declarações das delegações partidárias que ontem se deslocaram a Belém, ficamos a perceber que esta ronda para que Marcelo convocou os partidos serviu para mostrar ao país a sua própria tese: não há crise política. "As próximas eleições são as regionais dos Açores e, depois, as autárquicas do próximo ano". 


Clarinho, como água: os partidos que fazem a geringonça andar garantem que não há crise ... política. Os da direita dizem que só não há crise política. 


Se assim é...

sábado, 25 de julho de 2026

Há 10 anos




Lembro-me como mandava naquela ala direita, num vai-vem diabólico. Como dava tudo em campo, como poucos. Como ninguém mais, naquela raça inesgotável, na entrega que punha na defesa da gloriosa camisola vermelha. Era um símbolo. Era a mística encarnada num  corpo franzino que chegava para tudo.


Num certo dia, corria o Verão quente de 1977, alguém entendeu que tudo aquilo era pouco. Sentiu-se empurrado para fora do seu clube de nascença, e partiu. Para o rival, porque é sempre assim...


Lembro-me como me doeu. E como me doeu mais a ingratidão do meu clube que propriamente a sua saída para o rival. Não havia nada para lhe perdoar e havia tudo para não perdoar aos que o empurraram para fora da sua casa de sempre. Aos 27 anos, no apogeu!


A vida caprichou em desalinhar dos sentimentos dos benfiquistas, como que não quisesse perdoar-lhe o que todos nós perdoávamos. E cedo lhe começou a trocar as voltas, não mais o deixando em paz. Até hoje. Aos 66 anos.


O Benfica, sempre muito maior que as pessoas e as conjunturas, por muito grandes que alguns se achem, ou tenham achado, pediu-lhe desculpa. Envergonhadamente...

 

Tour de France - V

 




Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour!

Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Oliveira - o recordista da grandes voltas, sem nunca ter desistido - a atacar a corrida logo que foi dada a partida. Sem sucesso. A etapa abriria com Croix de Fers, uma subida de 24 quilómetros, de categoria especial, e com a fuga iniciada por Juan Ayuso (uma das decepções deste Tour), levando consigo o equatoriano Carapaz e o francês Valentin Paret-Peintre, interessados no prémio da montanha. Lá estavam também, entre outros, kuss, Jay Hindlay, e Ben Healy, juntando-se, logo a seguir, Mads Pedersen, na tentativa de assegurar, o que conseguiu, desde logo a camisola verde, dos pontos. ´

Na montanha Carapz começava aqui a desenhar a vitória, passando em primeiro. Seguiu-se, e repetiu-se, no Telegraphe, deixando Valentin Paret-Peintre de dar luta. Apenas o Galibier, no tecto do Tour, a 2.642 metros de altitude, faria reduzir o grupo em fuga. Na frente restavam Carapaz, Kuss, Hindley, Ricitello e Ayuso, com este já a descolar. De novo a passar na frente, equatoriano confirmava que era o rei da montanha. O pelotão estava a 5 minutos, o que deixava Ayuso próximo do pódio.

Nesta altura, a mais de 60 quilómetros da meta, fiel à palavra dada, Pogaçar não abandonava o seu companheiro de equipa, Isaac del Toro. Já sem colegas de equipa, a não ser o mexicano, pegou na corrida, numa imagem inédita em grandes voltas. Mas depressa teve que moderar o ritmo, demasiado para o seu colega.

No início da subida ao Col de la Sarenne, a terceira categoria especial da etapa, Ayuso não resistiu. Na frente apenas Kuss, Carapaz e Hindley, que atacavam e conta-atacavam, até este último ceder. Lá atrás, no grupo do camisola amarela, Paul Seixas, já com Hindley e mais dois colegas de equipa - era o único que, naquela fase da corrida, tinha tamanho apoio -, dá indicações para atacarem, e sufocarem del Toro. 

Foi um erro grave de Seixas, e a grande desilusão, apesar dos seus 19 anos, a deixar a dúvida se não será produto do sebastianismo francês, que procura desesperadamente o sucessor de Hinault. Acabou a equipa, acabou ele próprio, e só não perdeu o quarto lugar para Lenny Martinez, mais uma vez às costas de Pogaçar, por escassos segundos. 

Na frente, quando seguia com uma vantagem que já não perderia, Kuss caiu. Por duas vezes, na descida, a provar descer não é a sua especialidade. E Carapaz ganhou a sua segunda etapa. 

Pogaçar não abandonava del Toro, e Evenepoel aproveitou para ir embora. Foi segundo na etapa, passando ainda o infeliz Kuss. Pagaçar e Isaac del Toro chegaram logo atrás, fraternalmente abraçados, com dois minutos de vantagem sobre Seixas. E o terceiro lugar do pódio garantido. Porque o prometido é devido. E porque assim são os heróis de carne e osso!



Há 10 anos

 


A saga das sanções continua. Esgotado todo o material de propaganda, sem mais nada à mão - não que tudo corra às mil maravilhas, apenas porque, apesar de tudo e de todos os esforços em contrário a geringonça lá vai andando, saltando obstáculos e cumprindo metas - a entourage pafista agarra-se às sanções da Europa. Já nem lhes importa que já toda a gente saiba que o incumprimento a sancionar é todo seu. Do seu Passos Coelho, da sua Maria Luís, do seu Paulo Portas, e da sua saída limpa. Nem lhes importa que venham as próprias instituições europeias desmenti-los...


No fim de semana que deixamos para trás, a notícia era o congelamento dos fundos europeus. Nada mais que 16, como se vê na primeira página do Público, de ontem. 


E como se viu em praticamente toda a imprensa. E na televisão. A Europa desmentiu, disse que era tudo mentira. Mas ninguém lhe deu muita atenção. E, no Público, nem sequer foi notícia. Foi olimpicamente ignorada!


Não sei se o presidente Marcelo não deveria chamar hoje mais gente a Belém. Se o objectivo é pôr alguma ordem na casa, não sei ... não!


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tour de France - IV

 


O Tour chegou ao Alpes, com a chegada ao Alpe D´Huez. Amanhã, na etapa Rainha, há nova passagem por lá.

Na terça-feira, após o segundo dia de descanso, correu-se o contra-relógio (pouco mais de 26 quilómetros) em Évien-les-Bains, conhecida pelas suas águas minerais, nas margens do Lago Lemano, na Alta Saboia. Evenpoel foi o mais rápido, alcançando a sua vitória na presente edição do Tour, e provavelmente a última. Mas por pouco, com a escassa vantagem de 28 segundos sobre Pogaçar. Os restantes seis, dos 8 primeiros, ficaram entre 1 e 2 minutos, sendo que Skjelmose, Seixas e Isaac del Toro, terceiro, quarto, e quinto, ficaram separados por 17 segundos, numa etapa marcada pela queda, e desistência, de Lipowitz, o quinto da geral, com o mesmo tempo de Paul Seixas, e a fazer também um excelente contra-relógio, à altura do acidente.

Seguiu-se uma das poucas etapas de roladores, conquistada pelo belga Philipsen, até às etapas finais de montanha. Ontem o equatoriano Carapaz, ele que vinha sendo um dos grandes animadores da prova, depois de tanto porfiar, venceu merecidamente.

Que as coisas não estavam a correr muito bem à UAE, percebia-se. Ontem tinha abandonado Brandon McNulty. Falava-se à boca pequena num vírus que, a atingir a equipa, afectaria inevitavelmente Pogaçãr. Não se notou nada.

Na frente, na fuga, vinha um numeroso grupo de corredores, muitas primeiras figuras de proa. Entre elas Lenny Martnez, o mais bem classificado, e "malandro" da fuga, o que haveria de seguir sempre na roda que mais lhe conviesse. Também Carapz, de novo, Kuss, os resistentes, e Pidcock, Ben Healey, Ben O` Connor e Valentin Paret-Peintre, à procura de pontos para a montanha, ele que era o portador da respectiva camisola, "emprestada" por Pogaçar. 

A vantagem chegou a quase 4 minutos e meio. Parecia impossível de anular, mas para Pogaçar não há impossíveis.

Na frente ficaram Carapaz, Kuss e Martinez, sempre na roda. A 13 quilómetros da meta Pogaçar atacou, e foi galgando diferenças. Na frente Carapaz ficou sozinho, porque Martinez, sabendo que Pogaçar lá vinha, preferiu esperar por, para depois o levar à frente. Assim foi!

Quando Pogaçar alcançou o francês, levou-o de boleia até Carapaz. Foi já dentro do quilómetro que desferiu o golpe final. Ninguém o conseguiu acompanhar, e Pogaçar chegou à quinta vitória nesta edição, e à 26ª no Tour, aproximando-se de Hinault (28), Merckx (34) e Cavendish (35).


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Os amigos de Cavaco resolveram homenageá-lo, num almoço. No dia em que se comemoraram os 40 anos do primeiro governo constitucional. Com... Mário Soares...


Um simples almoço, pouca coisa para quem se tem em tanto. Mas a gente sabe por que foi... Os amigos, mesmo que poucos, são para as ocasiões.  E ficou o aviso, pela voz - uma das poucas do cavaquismo ainda em estado de uso - de Leonor Beleza: a coisa à séria, à grande, vem aí!


Já não digo nada: há gente capaz de tudo... 


Por hoje, o homem só disse que foi "presidente no tempo certo". E, com a presunção  que se lhe conhece, que não havia ninguém com melhores condições para isso. Presunção - diz o povo - é como a água benta... Ou será como o pão de ló?


Ficamos agora à espera que, na próxima, possa explicar aquela coisa das escutas. Porque as outras ele não vai explicar nunca...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas (1956-2026)



E as casas abriram as janelas só para te ouvir cantar ...


  

Há 10 anos

 

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Os dois grandes acontecimentos que dominaram o final da semana passada voltaram a evidenciar os sinais preocupantes que marcam o jornalismo e a indústria da comunicação em geral.


As redes sociais minaram o jornalismo, e o jornalismo deixou-se minar por elas, mandando às malvas os valores, os critérios, e os princípios que constituíam a deontologia com que se faziam e davam notícias.


Quando a CMTV – o mais flagrante dos exemplos disso mesmo – transmitiu imagens vivas da agonia e da morte em Nice, não estava a noticiar coisa nenhuma. Quando um “jornalista” – que nunca pode ser digno dessa designação – da TF2, de microfone em riste e câmara apontada pergunta, a um homem junto ao cadáver da mulher, o que sente, não está a relatar um facto. E muito menos a fazer notícia.


Quando as televisões, na noite de sexta-feira, cobrindo as incidências do suposto golpe de estado na Turquia, noticiavam, tudo numa mesma e única hora, que Erdogan tinha pedido asilo político à Alemanha, que a Alemanha o recusara, e que estava a aterrar em Teerão, depois do Irão ter aceite conceder-lhe asilo político, não estavam nada preocupadas com factos. Nem com rigor. E nem sequer com o mínimo sentido crítico, ou com o mais elementar bom senso, que desde logo denunciava a impossibilidade factual do que estavam a noticiar.


A informação rigorosa e objectiva é tudo o que o mundo hoje mais precisa. Mas é precisamente quando é mais desprezada e negligenciada, para dar lugar ao voyeurismo e á exploração emocional dos sentimentos mais básicos das pessoas, impedindo-lhes ou limitando-lhes seriamente qualquer a capacidade da reflexão serena sobre os factos.


Isto mata a nossa civilização. Isto só ajuda os inimigos da nossa forma de vida. Isto ajuda terrorismo. E o terrorismo conta com esta ajuda. Porque isto orienta reacções xenófobas e de descriminação étnica, que acabam por entregar o poder a radicais racistas e nacionalistas. Que, depois, pressionam, perseguem e isolam minorias, quaisquer que sejam, atirando-as para para a marginalidade, para o pântano social, numa espiral de radicalização que alimentam, para dela se alimentarem...


terça-feira, 21 de julho de 2026

Os campeões do século

 


Vi e ouvi várias vezes a referência à fúria espanhola. A imprensa era useira e vezeira nesta referência. Tudo servia de contra-ponto à fúria espanhola, e no entanto ela não existe há de vinte anos.

Há muito que não faz parte do futebol espanhol, que a substituiu pelo "tiki-taka", nas suas diferentes formulações. O futebol espanhol criou uma identidade, mais universal que a célebre fúria, assente no desenvolvimento da capacidade técnica, na recepção e passe e na ocupação dos espaços. E, para isso, quando a discussão se fazia à volta da fisicalidade do jogo, dispensou a capacidade física dos jogadores, para privilegiar a sua capacidade técnica e a sua inteligência.

E, com essas valências, a Espanha criou um modelo de jogo. Com altos e baixos - muitos mais altos que baixos - não abdicou dele, comum a todas as selecções, desde os escalões mais baixos. E foi-lhe fiel, treinador atrás de treinador. De Luís Aragonés, Vicente del Bosque, e Luís Enrique, até Luís de la Fuente, com as breves, e menos conseguidas, passagens de Julen Lupetegui e Fernando Hierro, este interinamente, durante o mundial da Rússia. 

Os resultados estão à vista: em 20 anos dois campeonatos do mundo, e três da Europa, e tornou-se na grande potência deste século. Por muito que até pareça, não possui, como nunca teve, as grandes vedetas do futebol mundial. O Real Madrid, das grandes vedetas internacionais, não tinha um único jogador entre os convocados. Nenhum dos campeões do mundo é figura incontornável de qualquer grande clube europeu. Nem Rodri o é no Manchester City. Nem Cucurella, no Chelsea. Nem Merino, um suplente, no Arsenal. Tem os principais guarda redes Liga Inglesa, mas o dono da baliza joga na Real Sociedad.

Mas tem uma grande equipa. A melhor. "Só" porque têm uma ideia. E a preserva!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Depois de nos primeiros dois ou três dias que se seguiram ao "golpe de estado" ter metido na prisão, ou afastado das suas funções, dezenas de milhares de pessoas, entre os quais milhares de professores, centenas de reitores e dezenas de juízes, Erdogan declarou o estado de emergência na Turquia. Para já, para as primeiras impressões, por três meses. A seguir vem a pena de morte.


A perseguição e a arbitrariedade, essas já aí estão. A encenação é como a pescada: antes de o ser já o era. 


É curioso como a História se repete com tanta frequência. Está cheia de episódios destes, sempre com os mais trágicos destinos. 

Kevin Keegan (1951-2026)

 


Como jogador - grande, dos melhores da sua geração - nada teve a ver com o estereotipo do inglês.

Baixo, rápido, fantasista. Internacional inglês entre 1972 e 1982. Bola de ouro em 1978 e 1979. Campeão inglês pelo Liverpool, em 1973, 1976 e 1977. E alemão, pelo Hamburgo, em 1979. Campeão Europeu em 1977; e vencedor da Taça UEFA, em 1973 e 1976.

Como treinador foi um romântico. Treinou o Newcastle, de 1992 a 1997. O Fulham, em 1998 e 1999, seguindo-se a selecção inglesa. Seria o último treinador do Manchester City, entre 2001 e 2005, do antigo. Antes de ser rico.

Mundial das Américas - XVIII

 


A Espanha é campeã do mundo. Outra vez!

Num jogo de futebol cheio de "americanices", com longos minutos de espetáculo de trazer por casa, antes, durante - com um intervalo gigantesco, cheio de generalidades -, e depois, com Trump na tribuna como um imperador romano, a Espanha controlou  a bola e o ritmo do tango. Foi melhor - muito melhor - e foi um justo vencedor.

Foi melhor na primeira parte, com pouca qualidade e emoção, e muito melhor à medida que o jogo avançava. Na segunda parte, e no prolongamento.

A  Argentina foi o que já tinha sido no jogo das meias finais. Remetida ao seu meio campo, só a defender e sem expressão atacante, com Messi distante do jogo e da bola. E com muita quezília, confusão, malandrice e mesmo violência, que aumentava proporcionalmente com o tempo de jogo. Se no início de jogo ainda o foi conseguindo discutir com argumentos futebolísticos, à medida que o jogo avançava ia perdendo esses argumentos e ganhando outros.

Depois, quando sofreu o golo de Ferran Torres, como na meia final com a Inglaterra, começou a jogar à bola, e a equipa deu conta que tinha Messi. Só que foi bem mais tarde que no outro jogo, já na segunda parte do prolongamento, e a equipa já tinha perdido Enzo Fernandez, e jogava com dez. Como de resto poderia ter perdido alguns mais - Paredes, entrado ao intervalo, não se sabe se para dar ligação à equipa, se para lhe aumentar a (má) agressividade, poderia (e deveria) ter sido igualmente expulso -, tal foi a atitude provocadora da equipa.

A  Argentina não rematou, até sofrer o golo. A Espanha fê-lo por vinte vezes. Rematou por duas vezes, depois. Com perigo, em ambas. Se bem que desenquadradas com  a baliza. A Espanha teve dez remates enquadrados, muitos deles com grandes defesas de Emiliano Martinez.

É incompreensível esta maneira de a selecção argentina de se diminuir. É um autêntico haraquiri. Quem tem Messi - e alguns outros grandes jogadores - não pode fazer isto, porque isso é eliminá-los do jogo. Só não é entregar o ouro ao bandido, porque os bandidos, os maus da fita, são eles próprios.

A Espanha arrecadou a grande maioria dos prémios individuais do campeonato do mundo: melhor jogador (Rodri), melhor jovem, Cubarsi, melhor guarda-redes (Unai Simon). Só lhe faltou o de melhor marcador, porque nesse não há lugar a subjectividade - golos marcados. E esses são os 10 de Mbappé.

Tenho alguma dificuldade em compreender que um guarda-redes que, em todo o campeonato do mundo, só tem que defender 10 remates, os únicos que em oito jogos fizeram à baliza espanhola, seja considerado o melhor. Mas se o critério for o do guarda-redes menos batido (1 golo sofrido), não me posso queixar de subjectividade ...






Há 10 anos




Para que haja acordos de cavalheiros tem que haver cavalheiros. Na vida política já não há disso. Não é de agora, já vem de há muito.


O que há muito vinha a funcionar, criando a ilusão de que ainda havia cavalheiros, eram apenas os superiores interesses do centrão. Quebrado o centrão, rompeu-se o cimento dos interesses.


Correia de Campos foi ingénuo ao não perceber isso. E transformou-se no primeiro achincalho da casa de má fama, e mal frequentada, que se instalou em S. Bento com o pomposo nome de Assembleia da República. 

domingo, 19 de julho de 2026

Tour de France 2026 - III

 


A etapa de hoje do Tour, véspera do último dia de descanso, a 15ª, entre Champagnole e o desafiante Plateau de Soloaison, toda ela de alta montanha, fica a marcar esta edição do Tour. Não pelas incidências, que foram muitas, mas pela queda, e abandono, de Vingegaard.

Foi a primeira vez que Vingegaard abandou uma grande corrida, em toda a carreira. Era segundo à geral, e já estava provado que não seria desta que fazia sombra a Pogaçar, que já tinha vencido quatro etapas nesta edição. A última das quais ontem mesmo, depois de mais uma demonstração de categoria ímpar. Mas Vingegaard era o melhor dos outros, era garantia de competitividade, e preparava uma surpresa qualquer para hoje. Não sabemos qual, nem se resultava. Mas que preparava uma surpresa qualquer percebia-se do envolvimento da equipa na corrida. Foi sempre a Visma a trazer a corrida, a endurecê-la, e esperava-se qualquer coisa na abordagem á última subida do dia, a terrível escalada ao Plateau de Soloaison.

A poucos quilómetros do início da subida, a cerca de cinco, num entroncamento, mas feito ao contrário, em sentido inverso, o próprio Vingegaard toca no lancil e provoca a sua queda, e a de mais uns tantos corredores, da frente do pelotão, entre os quais Isaac del Toro. 

O pelotão começava a encurtar a distância para a fuga, de 24 ciclistas, definida por volta do quilómetro 100 da etapa. Os da frente abrandaram - onde se incluía Pogaçar, o primeiro a escapar à queda - à espera do dinamarquês, mas logo se percebeu que a queda obrigava ao abandono, com a chegada da ambulância que o recolhia, com a clavícula fracturada.

Pogaçar indagou do estado dos colegas de equipa atingidos e, depois de concluir que o mexicano se aguentava, reiniciou a perseguição à fuga, donde tinha saído toda a equipa da Visma. Nessa perseguição, encabeçada por Pogaçar, Isaac del Toro e Evenepoel, que não parava de ganhar tempo, rapidamente as principais figuras da classificação geral ficavam para trás, distribuindo-se por vários grupos.

O trio foi escalando a montanha, e engolindo fugitivos, com Pogaçar a não querer atacar, e a manter um ritmo que o colega de equipa aguentasse. Queria claramente dar a vitória a del Toro, como tinha feito na segunda etapa. Pela primeira vez - creio que, se não é caso único, é muito raro - um camisola amarela rebocava um grupo.

Evenepoel, a fazer uma corrida extraordinária, que não se julgava ao seu alcance naquele terreno, não descolava dos dois da Emirates. Na recta da meta Pogaçar disse a del Toro para atacar. Por duas vezes. E o mexicano atacou. Mas, ou não tinha forças para tanto, ou estava limitado pela queda. 

Esgotadas as tentativas, Evenepoel atacou e deixou Isaac del Toro apeado. E foi para a meta. Creio - é essa a minha leitura - que Pogaçar, depois de ver o colega batido,  respondeu ao belga, mas não sprintou. Para não estragar o que tinha feito, e humilhar o seu colega. Pogaçar sabe que tem mais etapas para ganhar!

Porque tem. É inantigível!

Agora, Evenpoel subiu ao segundo lugar da classificação, lugar que certamente reforçará no contra-relógio de terça-feira. E Isaac del Toro é terceiro. Mas com Paul Seixas a 25 segundos. E Lipowitz a 50. E Ayuso a apenas mais 12.


Há 10 anos

 

Candidato republicano Donald Trump apresenta sua mulher, a modelo eslovena naturalizada Melania (Foto: Carlo Allegri / Reuters)


 


Arrancou a convenção do Partido Republicano, em Cleveland, que irá formalizar a candiatura oficial de Donald Trump á presidência americana. Para começar, nada melhor que a própria mulher de Trump, a actual, a enésima, que ele apresentou como a futura primeira dama americana, repetir o discurso de Michelle Obama na convenção do Partido Democrático de 2008, na antecâmara da vitória eleitoral de Novembro seguinte.


Poderia ter sido por crença: "se correu bem com a outra"... E a verdade é que antiga modelo de origem balcânica - imigrante, pois claro - não esteve nada mal a dizer aquilo tudo ... Bem ensaiado, como não poderia deixar de ser. E que foi a a segunda maior novidade do primeiro dia da convenção, lá isso foi. 


A primeira foi um Trump todo contente a ouvir uma imigrante a repetir um discurso de uma negra. Três em um!

sábado, 18 de julho de 2026

Mundial das Américas - XVII

 


O jogo que ninguém queria jogar, dito da consolação - mas eventualmente mal, deveria ser o do desconsolo, pois junta as duas equipas que perderam os jogos das meias finais -, foi de exibição, em vez de competição. Servia para atribuir o terceiro lugar do campeonato do mundo, o único lugar medalhado. O lugar mais baixo do pódio. Mas na verdade não foi encarada essa competição, foi como se não contasse para nada. Lá está, como um jogo exibição.

França e Inglaterra resolveram dar a este jogo este cariz. Pelo meio Mbappé tentava sagrar-se o melhor marcador do campeonato do mundo, o que marcou o jogo.

Neste jogo-exibição a Inglaterra exibiu-se na primeira parte. Chegou ao intervalo com um escandaloso 4-0 no marcador, e com uma exibição de grande nível, com golos de Rice, Konsa e um bis de Saka. E a França na eminência de sofrer uma verdadeira humilhação.

Emendou na segunda parte, com quatro substituições ao intervalo. Se Deschamps - no último o jogo pela selecção francesa, antes de passar o testemunho a Zidane - pudesse, teria feito onze. 

A selecção francesa regressou outra dos balneários. Tomou conta do jogo, como se então fosse a sua vez de dar espectáculo. E foi!

Mbappé tinha de conseguir ser o melhor marcador, e tudo indica que o conseguiu, com os seus dois golos, os que tem de vantagem sobre Messi. Barcolá marcaria o terceiro, e Olise falharia dois golos cantados. À paragem para hidratação, na verdade um desconto de tempo, já os franceses tinham o resultado na diferença mínima, 4-3, e justificavam o empate.

Mas Tuchel desta vez tardou, mas mexeu bem na equipa. Até porque tinha iniciado o jogo com muitos dos jogadores menos utilizados. Depois de Olise, infeliz, ter falhado mais uma oportunidade, num contra-ataque, Spence escapa-se e é derrubado na área por Malo Gusto. Saka converte o pênalti, completa o "hat-trick", e dá novo fôlego a Inglaterra. 

Com a partida frenética, Dembélé ainda fez o 5-4, com um grande golo, perto do fim. Mas Bellingham, que entrou e tirou a Inglaterra daquele pesadelo, acabou com o jogo, no final da compensação, ao fazer o seu sétimo golo. O melhor registo de um jogador inglês num Mundial, ultrapassando Kane, que ficara no banco.

O jogo que ninguém quer jogar teve 10 golos. É obra. E é bonito!




Há 10 anos



Ficamos a saber através de Marques Mendes - uns, logo na trasmissão em directo da sua homilia dominical na SIC, outros pelas onde de choque que provoca em todo o sistema mediático nacional - que a obcessão pelo plano B também atinge a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.


Disse-nos este alcoviteiro dos domingos que o BCE enviou uma carta ao governo português, já há mais de um mês, a exigir um plano alternativo de recapitalização, para a eventualidade do plano apresentado - de capitalização pelo Estado, accionista único do banco público - não vir a ser aprovado pelas instâncias europeias. Curiosamente, o alcoviteiro que também é membro do Conselho de Estado, o que não deixa de ser outra curiosidade, passou por cima desta revelação a grande velocidade, como se estivesse a pisar uma braseira, para passar ás recomendações sobre a constituição da administração, da mesma referida carta. Que 19 é muito, quinze chegam bem. E que saibam do negócio, que tenham experiência em banca.


Não se percebe por que estas recomendações prenderam tanto a atenção de Marques Mendes: já toda a gente tinha dito que 19 administradores são administradores a mais; e que para administrar o maior banco português seja requerida experiência na banca é também do mais elementar bom senso. Para adminsitrar os maiores bancos mundiais é que não é preciso nada disso, como acaba de se ver com Durão Barroso...


O que se percebe, mesmo que o comentador e conselheiro de estado não queira que se perceba, é que o plano alternativo que o BCE reclama é a privatização da Caixa. A alternativa ao capital do estado é o capital privado. Este plano B é exactamente isso, é a alternativa que não deixa alternativa. Como, de resto, tudo o que é plano B que os exilados  não páram de exigir aos usurpadores do governo.


Não importa que não haja capital para isso. Não há cá mas há noutro lado qualquer. E com tudo o que se tem vindo a fazer à Caixa para a desvalorizar, quaisquer que sejam os valores da recapitalização são suficientes para garantir uma posição maioritária de capital.


Isto anda tudo ligado - como diz o outro... 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Benfica terminou a pré-época

 


Nunca uma pré-época do Benfica me deixou uma sensação como esta. São as novas contratações, que não entusiasmam - para ser benevolente -, e é aposta nos miúdos, que é uma miragem.

Poderia perceber-se a política de contratações, mas não se percebe. Poderia perceber-se uma estratégia, mas não se percebe. Olhamos para as contratações feitas, e não as percebemos. 

Se não há contratações, há a formação. Sempre foi assim. Quem não tem cão, caça com gato. Quem não tem dinheiro, não tem vícios. Nestas alturas vai-se à formação. Que nos dizem ter gente com potencial. Acresce que na formação do Benfica há, pelo menos, uma maioria de jogadores que são campeões da Europa, e do Mundo. Há de valer a pena apostar neles. Em dois, três ... Em um ou outro, pronto!

Vi os dois jogos desta pré-época que foram à porta aberta. Não gostei nada do jogo com o Flamengo, mas há desculpas. Os brasileiros fizeram do jogo uma batalha - acabaram, assim, com a experiência de Jaden Umeh, que bem poderia confirmar-se como aposta na formação - e deixaram poucas condições de o disputar. Nem gostei do de hoje, com o Villareal, um jogo entre terceiros classificados das duas ligas ibéricas. Apesar da vitória (2-0)!

Foi este jogo, e principalmente a primeira hora da partida, que me deixou aquela sensação. A equipa que começou a partida é, indiscutivelmente, muito próxima - se não exactamente a mesma - da que vai a jogo no primeiro confronto oficial, já a menos de uma semana, para a Liga Europa. Pode mudar o guarda-redes, Trubin em Vez de Samuel.

De resto lá teremos Bah, António Silva - diz-se que já está transferido Bournemouth, o que me parece surreal -, Lenglet (primeira contratação), Dahl, Barreiro, Barrenechea, Sudakov, kaminski (segunda contratação), Rafa e Pavlidis.

Lenglet jogou até ao intervalo, quando entrou Manu, uma adaptação a defesa central. E, pelo que se viu, a adaptação funcionou muito melhor. A primeira contratação foi a primeira substituição!

O primeiro golo, que conjuntamente com a mudança dos dez jogadores de campo da equipa espanhola, mudou o jogo, foi marcado por Rafa. Obra da sua classe, e do passe de Pavilidis. 

Aos 69 minutos - apenas - Marco Silva trocou Sudakov, que não aproveita uma oportunidade, por muitas que tenha, e kaminski, que não mostrou a mínima classe, nem por onde ela possa passar, por Tiago Gouveia e Prestianni. Que, suspenso por três jogos, não pode jogar qualquer dos dois jogos St. Gallen. E que virou o jogo. Como no passe para o segundo golo - também excelente - de Pavlidis, seis minutos depois de estar em campo.

Rafa passou da direita para o centro, atrás de Pavlidis.

Aos 81 minutos, a nove do fim, entraram Miguel Figueiredo, Rui Silva, João Rego e Ivanovic, para substituírem Rafa, Barrenechea, Barreiro e Pavlidis, com Manu a passar para o meio campo.

Três minutos depois, a seis do fim, entram Banjagui e José Neto, para o lugar dos laterais, Bah e Dahl, e Gabriel Índio para o de  António Silva.

Que quer isto dizer?

Quer dizer que os miúdos só entraram quando o resultado, e o jogo, estavam decididos. Que nenhum deles é opção, porque se o fossem, não entravam todos de uma vez. Toda a gente sabe que, apostar na formação, é fazê-los entrar, sim, mas misturados com a indispensável experiência no onze. Meter seis miúdos, mais de meia equipa, a poucos minutos do fim, não é apostar na formação. É outra coisa.

E, francamente, para ter Barrenechea, a jogar num raio de acção de um metro, para o lado e  para trás, este kaminski, que não faz um passe, e não passa por ninguém, e este Lenglet, que se viu hoje, a passo de caracol, não me parece haver muitas dúvidas que mais vale apostar nos jovens da formação. 

Há 10 anos




18 anos depois, Portugal conquistou o campeonato europeu de hóquei em patins, derrotando na final a Itália, a campeã em título. Por 6-2, depois de estar a perder por 0-2 ao intervalo, com os dois golos a serem sofridos logo no início do jogo, sem que os jogadores portugueses conseguissem perceber o que lhes estava a acontecer.

Depois de bolas e bolas nos ferros, e defesas impossíveis do guarda-redes italiano, na segunda parte soltou-se o ketchup. Numa exibição soberba, e verdadeiramente espectacular.

Como soberba foi a prestação portuguesa, que goleou em todos os jogos. As goleadas menos expressivas acabaram por ser estes 6-2 aos italianos e os 6-1 aos espanhóis. Mas sempre goleadas, como nunca se tinha visto... 

Parece mentira, mas é verdade; foram 18 anos de jejum. Este Julho está a ser verdadeiramente épico. Não sei se o presidente Marcelo vai ter medalhas para tanto...


quinta-feira, 16 de julho de 2026

Há 10 anos

 


 Foi um acto falhado, o golpe de estado na Turquia. As forças insurrectas da segunda potência militar da NATO, num estranho amadorismo, acabaram superadas pelas forças leais ao regime de Erdogan, muitas mortes e poucas horas depois. Nas maiores forças armadas da Aliança Atlântica, a seguir às americanas...


Quando ontem aqui se deu conta do golpe militar na Turquia, e do derrube de Erdogan, classificou-se o afastamento do presidente turco como uma boa notícia. Que o pior que tinha , na altura, era poder ser ainda francamente exagerada. 


Queria naturalmente dizer-se que, aqui, nada daquelas notícias  era dado por definitivo, ao contrário das televisões que, na mesma hora, davam notícias do pedido de asilo de Erdogan á Alemanha, da recusa alemã a esse pedido, e até do desembarque do presidente turco em Teerão, com asilo político concedido pelo Irão. Merece alguma reflexão...


Tanta quanto o próprio golpe. Que só serviu a Erdogan, para lhe permitir finalmente encontrar novos caminhos institucionais para perpeptuar o seu poder pessoal. Depois de esgotados todos os mais convencionais, como também aqui ontem se fazia notar.


Mais uma vez: para além do que são, as coisas também são o que parecem!  

Há 10 anos

 


A notícia do derrube de Erdogan é uma boa notícia. Sem dúvida nenhuma. Tinha feito da Turquia tudo o que uma democracia não pode ser. Acelerou por caminhos teocráticos, promovendo a crescente islamização do país, porventura por encontrar por aí a melhor forma de perpetuar o seu poder pessoal, esgotados que foram todas os caminhos institucionais antes tentados.

Para já, o pior que esta notícia pode ter é... ser francamente exagerada. Depois, logo se vê. Já não estamos habituados a golpes militares por estes lados, mas lembramo-nos bem que sabemos sempre como começam. Como acabam é que já é mais difícil saber... 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Mundial das Américas - XVI

 


A  Argentina é a outra finalista do campeonato do Mundo, depois de vencer a Inglaterra na meia final de hoje. Não num jogo, mas em dois! 

O primeiro dos dois jogos não foi digno de um campeonato do mundo, quanto mais de uma meia final. Foi um jogo amarrado e quezilento, jogado por gladiadores em vez de jogadores de futebol. 

Dir-se-ia mais ao jeito da Argentina, mais habituada a esse tipo de jogo. Mas erradamente. Foi mais ao jeito da Inglaterra. Ou do seu treinador. Excepção a dois ou três apontamentos de kane e Bellinghamm, foi tudo muito pobre. E enfadonho. 

Aos 10 minutos da segunda parte aconteceu o momento de viragem. Começou o outro jogo!

Kane, o ponta de lança inglês - o melhor deste mundial, mas também o melhor lançador da equipa - lá atrás, lançou um contra-ataque. A bola veio de Pickford, e chegou a Kane que, de imediato e com uma abertura de uma precisão sensacional, lançou Rogers na esquerda, que cruzou para a direita, onde apareceu Gordon a ganhar a frente a Tagliafico, e a empurrar para a baliza.

Estava feito o primeiro golo. E mudado o jogo!

A Argentina acordou e lembrou-se que sabe jogar à bola. E que tem, ainda, o melhor a mexer na bola. O selecçionador inglês, o alemão Tuchel, não acordou. Achou-se a ganhar sem muito ter feito por isso, esqueceu-se que tem jogadores que sabem jogar à bola, e remeteu-se à defesa. Meteu defesas centrais, uns atrás dos outros. Quatro, numa linha de cinco defesas. E logo outra á frente, mais outros cinco. Foi cobarde, não há outra maneira de dizer.

E só selecção Argentina existiu. Não foi feliz, teve bolas nos postes (duas), bolas a rasá-los,   e Pickford a defender tudo, como se fosse de borracha. Messi pegava na bola, ora colada ao pé, ora teleguiada para a cabeça dos colegas, ora em tabelas a romper por entre a cerrada defesa inglesa.

Finalmente, aos 85 minutos, logo depois da segunda bola no poste, Enzo Fernandes empatou. A Argentina continuou a forçar, e cinco minutos depois, no início do período de compensação, Lautaro confirmava a reviravolta. De cabeça, espectacular. Assistido, como Enzo, por Messi. Aos 39 anos, ainda o melhor do mundo!

Há 10 anos

   Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e f...