sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Benfica terminou a pré-época

 


Nunca uma pré-época do Benfica me deixou uma sensação como esta. São as novas contratações, que não entusiasmam - para ser benevolente -, e é aposta nos miúdos, que é uma miragem.

Poderia perceber-se a política de contratações, mas não se percebe. Poderia perceber-se uma estratégia, mas não se percebe. Olhamos para as contratações feitas, e não as percebemos. 

Se não há contratações, há a formação. Sempre foi assim. Quem não tem cão, caça com gato. Quem não tem dinheiro, não tem vícios. Nestas alturas vai-se à formação. Que nos dizem ter gente com potencial. Acresce que na formação do Benfica há, pelo menos, uma maioria de jogadores que são campeões da Europa, e do Mundo. Há de valer a pena apostar neles. Em dois, três ... Em um ou outro, pronto!

Vi os dois jogos desta pré-época que foram à porta aberta. Não gostei nada do jogo com o Flamengo, mas há desculpas. Os brasileiros fizeram do jogo uma batalha - acabaram, assim, com a experiência de Jaden Umeh, que bem poderia confirmar-se como aposta na formação - e deixaram poucas condições de o disputar. Nem gostei do de hoje, com o Villareal, um jogo entre terceiros classificados das duas ligas ibéricas. Apesar da vitória (2-0)!

Foi este jogo, e principalmente a primeira hora da partida, que me deixou aquela sensação. A equipa que começou a partida é, indiscutivelmente, muito próxima - se não exactamente a mesma - da que vai a jogo no primeiro confronto oficial, já a menos de uma semana, para a Liga Europa. Pode mudar o guarda-redes, Trubin em Vez de Samuel.

De resto lá teremos Bah, António Silva - diz-se que já está transferido Bournemouth, o que me parece surreal -, Lenglet (primeira contratação), Dahl, Barreiro, Barrenechea, Sudakov, kaminski (segunda contratação), Rafa e Pavlidis.

Lenglet jogou até ao intervalo, quando entrou Manu, uma adaptação a defesa central. E, pelo que se viu, a adaptação funcionou muito melhor. A primeira contratação foi a primeira substituição!

O primeiro golo, que conjuntamente com a mudança dos dez jogadores de campo da equipa espanhola, mudou o jogo, foi marcado por Rafa. Obra da sua classe, e do passe de Pavilidis. 

Aos 69 minutos - apenas - Marco Silva trocou Sudakov, que não aproveita uma oportunidade, por muitas que tenha, e kaminski, que não mostrou a mínima classe, nem por onde ela possa passar, por Tiago Gouveia e Prestianni. Que, suspenso por três jogos, não pode jogar qualquer dos dois jogos St. Gallen. E que virou o jogo. Como no passe para o segundo golo - também excelente - de Pavlidis, seis minutos depois de estar em campo.

Rafa passou da direita para o centro, atrás de Pavlidis.

Aos 81 minutos, a nove do fim, entraram Miguel Figueiredo, Rui Silva, João Rego e Ivanovic, para substituírem Rafa, Barrenechea, Barreiro e Pavlidis, com Manu a passar para o meio campo.

Três minutos depois, a seis do fim, entram Banjagui e José Neto, para o lugar dos laterais, Bah e Dahl, e Gabriel Índio para o de  António Silva.

Que quer isto dizer?

Quer dizer que os miúdos só entraram quando o resultado, e o jogo, estavam decididos. Que nenhum deles é opção, porque se o fossem, não entravam todos de uma vez. Toda a gente sabe que, apostar na formação, é fazê-los entrar, sim, mas misturados com a indispensável experiência no onze. Meter seis miúdos, mais de meia equipa, a poucos minutos do fim, não é apostar na formação. É outra coisa.

E, francamente, para ter Barrenechea, a jogar num raio de acção de um metro, para o lado e  para trás, este kaminski, que não faz um passe, e não passa por ninguém, e este Lenglet, que se viu hoje, a passo de caracol, não me parece haver muitas dúvidas que mais vale apostar nos jovens da formação. 

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