quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Há 10 anos

  


Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e financeira do país estariam a abrir as portas a um novo resgate, foi peremptória a demarcar-se da resposta armadilhada: "não colocaria a questão nesses termos".   


Em entrevista á CNBC, questionado directamente sobre a hipótese de um novo resgate, Mário Centeno respondeu "fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgaste". E para que não restassem dúvidas, completou assertivamente: "É a minha principal tarefa" ...


Mais que a  ingenuidade política de Mário Centeno, que explica por que é que Costa lhe dá tão pouca importãncia e não raras vezes o deixa mesmo em situações embaraçosas, o que salta à vista é a pressão á volta do Orçamento de Estado para opróximo ano.


Sabe-se que era aí, no Orçamento, que todos apostavam. Passados que foram os primeiros meses do governo, ultrapassado o fogo do Orçamento (tardio, como sabemos) para este ano, logos as baterias apontaram para o do próximo ano. No próximo é que seria. A geringonça não resistiria aos contornos incontornáveis do próximo orçamento. Em Setembro ou Outubro a coisa sucumbiria de morte natural. E se não fosse assim lá estaria a Europa pronta a deitar tudo a baixo, o que iria dar no mesmo.


Setembro ainda nem a meio vai, mas as indicações que vai dando não apontam para nada disso. A geringonça, mesmo revelando aqui e ali a eventual falta de uma pontinha de óleo, vai-se aguentando bem. Da Europa já se dá conta até de convergência, e aquela reunião dos países do Sul, no final da passada semana, altera por completo o cenário da ameaça europeia.


Perante tudo isso é preciso inventar novos fantasmas, e nada melhor que o fantasma de um novo resgate. Daí a pressa em trazer o tema para a actualidade. E daí razões acrescidas para António Costa ficar zangado com Centeno. Mas zangado a sério, mesmo que - e bem - não o mostre!

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Moreirense 0 - Benfica 4



Foi com uma novidade, e meia, que sem surpresa, o Benfica se apresentou em Moreira de Cónegos para disputar o jogo da terceira do campeonato. Adiado face á participação na fase de acesso à Liga Europa, a que o Benfica foi sujeito.

Uma novidade foi Banjaqui. Não foi surpresa, face à lesão de Bah, no passado sábado, nos Barreiros. Tem que aparecer, e é esta a altura. 

A meia novidade foi a ausência de Sudakov no onze inicial. Meia porque, sendo novidade a ausência de Sudakov, não o foi totalmente a presença de Schjelderup, no seu lugar. Também não foi surpresa, porque a diferença no desempenho de um, e  de outro, vinha sendo gritante. Se era compreensível a aposta no jogador ucraniano para não o deixar cair, não é surpreendente que saia do onze inicial nesta altura. Porque agora isso já não é perder o jogador. E porque a partir de agora as coisas apertam, e tem que jogar (mais) os que têm melhor desempenho.

Com novidade e meia, e com mais um relvado impróprio para jogar futebol. E um Estádio cheio de benfiquistas. E de benfiquismo!

O Benfica fez mais um jogo na linha dos outros que tem feito. Sufocou o Moreirense, como tem sufocado os outros adversários. Desperdiçou oportunidades em séria, como tem acontecido nos restantes jogos. Como tenho dito, isto de marcar ao primeiro remate, à primeira oportunidade, é para os rivais. Antes de marcar, o Benfica tem que passar por remates aos ferros, por grandes defesas dos guarda redes adversários, por remates contra os defesas adversários, que são todos, e por remates a milímetros do alvo.

Antes de marcar, o Benfica tem ainda que passar pela adversidade das arbitragens.

Hoje voltou a ser assim. Antes de marcar, teve de passar por cinco grandes oportunidades de golo. E pela uma arbitragem deplorável de Fábio Veríssimo, e de Rui Costa, no VAR. Antes de marcar teve oportunidades incríveis logo no início, de Rafa e de Schjelderup. Aos 34 minutos, novamente de Rafa e Tomás Araújo, e aos 42 de novo de Schjelderup. Cinco!

Antes de marcar, aos 45 +4, por Pavlidis, num um pênalti claro sobre Lengelet ocorrido 5 minutos antes, que Fábio Veríssimo não quis ver no campo. Que, depois de Rui Costa (o VAR) ser obrigado a chamá-lo a ver as imagens, demorou uma eternidade a confirmar. Antes de marcar esse pênalti, a arbitragem quis reforçar que tudo vai fazer para evitar que o Benfica seja campeão. Não foi só o pênalti sobre Pavlidis que ficou por marcar. Foram faltas. E foram amarelos, que ficaram por mostrar.

Na segunda parte o Benfica avolumou então o resultado. Não que a exibição tenha sido melhor. Melhor foi o índice de aproveitamento. 

Não me pareceu, ao contrário do que se queixou o treinador, que o Moreirense tivesse caído fisicamente. Aconteceu que o Benfica não pode ter sempre o diabo atrás da porta. As exibições de Prestianni e de Schjelderup não podem deixar de produzir resultados. E caiu pelo acumular dos golos. De Schjelderup, numa jogada colectiva sensacional, aos 55 minutos. De Prestianni, em mais uma jogada individual fantástica, à medida da dos Barreiros, quatro minutos depois. E do capitão Aursenes, regressado com as substituições, em mais outra grande jogada colectiva, aos 72.

Mais uma grande exibição. Nada, nem relvados impróprios, nem arbitragens hostis, param este fantástico Benfica!





Há 10 anos

 


Era grande a curiosidade sobre a equipa que Rui Vitória escalonaria para este jogo com o Arouca. Em primeiríssima análise pela forma como constituiria a dupla mais avançada, por força de se encontrarem lesionados todos os quatro pontas de lança do plantel principal. Mas também, e exactamente ao contrário, com os quatro centrais pela primeira vez disponíveis, para saber quais os titulares e, mais, qual deles nem no banco teria lugar. Calhou ao Lindelof, surpreendentemente.


A expectativa criada em torno da dupla acabaria por marcar o jogo. Pela enormidade que Gonçalo Guedes e Rafa jogaram, a parecer que jogavam juntos há muito tempo. Porque o último recruta do Benfica, para além de confirmar todo o seu talento, parecia um tri-campeão; ninguém diria que tinha chegado à equipa de véspera. Porque foi obrigado a sair, lesionado – mais um –, aos 60 minutos, e o jogo não foi mais o mesmo. Mas também porque isso, a ausência dos pontas de lança do Benfica, terá levado o Lito Vidigal a montar uma estratégia que, perante a qualidade dos jogadores do Benfica, e em particular da dupla que Rui Vitória lançou, se viria a revelar suicidária.


O treinador do Arouca, perante um adversário sem pontas de lança, estacionou a equipa à entrada da sua área, no pressuposto que, sem jogadores de área, o Benfica não saberia o que fazer quando lá chegasse. Para, depois, sair em lançamentos longos para o contra ataque, abdicando do jogo no meio campo e do tratamento da bola. A coisa não podia ter corrido pior, e o jogo só não ficou resolvido na primeira meia hora porque o Benfica se ficou pelo golo do Nelson, desperdiçando sucessivas oportunidades, ao ritmo de quase uma por minuto. Tanto desperdício, e meia dúzia de grandes intervenções do seu guarda-redes, evitaram o KO de um Arouca que nunca saiu das cordas. E assim chegou ao intervalo com um resultado que deixava aberto um jogo que deveria estar mais que fechado.


Percebeu-se logo no reinício que o Lito Vidigal emendara a mão. Que o meio campo já entrava na estratégia para a segunda parte. Só que para o Benfica ia dar no mesmo. Continuava a jogar bem e sem dar hipóteses. O segundo golo chegou cedo, mesmo assim antes e depois de mais uma série de novas oportunidades, e o jogo parecia finalmente arrumado. Estávamos nisto quando o árbitro não assinala o penalti sobre o Rafa, e na sequência o Arouca chega lá abaixo e marca. No mesmo minuto o resultado passa de um possível 3-0 para 2-1. E dois ou três minutos depois, Rafa, que mantinha a defesa adversária em estado de pânico permanente, saiu lesionado. E o Arouca galvanizou-se.


Mas só isso. Nada mais do que empertigado, e nem mesmo nos poucos minutos, até à entrada de Samaris, em que o Benfica deixou que o jogo partisse, o Arouca não criou qualquer oportunidade para marcar. Ao contrário, o Benfica prosseguia a sua série de desperdício.


E volto ao princípio: à expectativa sobre a dupla de pontas de lança. Que envolvia mais um miúdo: José Gomes. Pois, entrou já nos descontos e estreou-se, aos 17 anos, na equipa principal do Benfica. E foi dele a penúltima oportunidade de golo do jogo. Ficou a menos de cinco centímetros do golo apoteótico. Como Rafa, por quatro vezes!

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Grande dia no Parlamento



Foi um dia agitado no Parlamento. 

De manhã foi a vez de Luís Neves prestar contas ao Parlamento. Teve inúmeras oportunidades de "dizer o seguinte", mas o "seguinte" não convencia. Luís Neves, a "dizer o seguinte" sem dizer nada, foi igual aos deputados do Chega a dizer lugares-comuns, e falsidades. Com a diferença de serem ditas com a arrogância, e com a impreparação, habituais nestas lides.

Da parte da tarde foi a vez da "moção de censura" do Chega, bem mais agitada. Mas, aí, ninguém se livrou da má figura ...  Excepto o governo, esse fez um figurão, com mais um bónus nas pensões e uma redução no IRS. La mais para a frente. Porque as sondagens assim o exigem!

Grande dia no Parlamento!


Há 10 anos

 


Há pouco mais de um quarto de século a Europa festejou o derrube do muro que chamava da vergonha. Pensava-se então que caíra o último muro que a dividia e com ele o medo. O medo das perseguições, o medo de fugir, o medo da guerra sempre eminente… O medo de novos muros…


Sabemos hoje que, com o muro, caíram muitas coisas. Mas que também se levantaram muitas outras, algumas delas tão ou mais assustadoras do que as que caíram. Estaríamos porém longe de admitir que, depois de caírem fronteiras, seria possível voltar a levantar muros.


Mas eles aí estão, grandes e altos. Intransponíveis. E para ficar…


Primeiro foi a Hungria a anunciar a construção do seu muro, tapando-a da Sérvia. Não ligamos muito, era apenas mais uma extravagância de Viktor Orban, o xenófobo fascista a quem a Europa tudo admite e tudo tolera.


Mas a Áustria, em processo de crescente radicalização extremista onde a xenofobia medra todos os dias, não quis ficar atrás. E anunciou também o seu muro, precisamente na fronteira com a Hungria, de Orban.


Agora é o Reino Unido, que depois de se decidir pelo abandono da União Europeia, acaba de anunciar a construção do seu muro, a fechar a sua única porta de entrada e de saída para o continente, em Calais. A "Grande Muralha de Calais", como já lhe chama a comunicação social britânica vai começar a ser construído ainda este mês e visa impedir o acesso pelo Canal da Mancha.


Depois de se levantarem muros onde antes se derrubaram fronteiras, talvez fizesse mais sentido fecharem o túnel da Mancha. Mas não faz: os ingleses não querem fechar as portas aos seus camiões para a Europa. Querem apenas fechá-las è emigração. E isso faz-se com muros como, do outro lado do Atlântico, proclama Donald Trump, outro produto dos ventos dominantes no tempo que faz. Que faz deste um mundo perdido. Completamente perdido. Por muros. No meio de muros...


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Desportivismo á moda do Porto

 


O Benfica goleou o Porto, recém chegado à competição maior do futebol feminino, na supertaça feminina, a quem tinha também ganhado a Taça de Portugal. Mas a notícia não é essa!

O Benfica é quem mais títulos conquistou na modalidade, 19. Tem um palmarés invejável, com 1 de campeão da II divisão, onde esteve um ano, como o Porto. Cinco Taças da Liga, consecutivas. Quatro Supertaças. Três Taças de Portugal. E seis Campeonatos Nacionais. Consecutivos. Só falhou um e é o hexacampeão.

A notícia é que, enquanto o Benfica se perfilou, em guarda de honra às atletas do Porto, quando foram receber as medalhas, o Porto recusou-se a fazer o mesmo às atletas do Benfica quando se dirigiam ao palanque serem coroadas vencedoras. Afastou-se e seguiu à distância.

Umas meninas que chegaram agora à primeira divisão. Não há sequer história!

A lufada da ar fresco de Villas Boas nunca foi fresca. Foi, antes, um bafo podre e mal cheiroso. Pior, muito pior, que o do velhinho Pinto da Costa!

Há 10 anos

 



O antigo assessor de Belém, Fernando Lima, para sempre imortalizado no famoso episódio das escutas, decidiu lavar roupa suja em forma de livro. O resultado não podia ser outro: quando o cavaquismo nos mostra o cavaquismo, o cavaquismo é ainda mais deprimente. E cheio de fantasmas!

Na Alemanha

 


A  Alternativa para a Alemanha (AfD) ganhou as eleições regionais na Saxónia-Anhalt com 43,8% dos votos, quase o triplo da votação na União Democrata-Cristã (CDU), o segundo partido mais votado, no poder desde 2002, com menos de metade dos 37% obtido há cinco anos.

É a primeira vitória eleitoral da extrema direita na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial, e o soar do alarme na Alemanha. As condições para o sucesso da extrema direita na Alemanha não são diferentes das nos restantes países: custos da transição energética, perda populacional, desconfiança em relação às elites. Os eleitores também não: jovens, trabalhadores ultrapassados pelas novas dinâmicas económicas, e baixa escolaridade.

A geração que viveu o drama nazi desapareceu. E a memória, mesmo a da História, tende a desvanecer-se. Nem que Ulrich Siegmund, o jovem líder da extrema-direita na Saxónia, de 35 anos, considerado pela "Der Spiegel" o homem mais perigoso da Alemanha, aviva essa memória! 

Curiosamente a vitória da AfD ocorreu na mesma região onde os nazis participaram pela primeira vez num governo regional, em 1930.


domingo, 6 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


O Éder é todo ele uma história bonita. A gratidão é um sentimento também bonito. A estrelinha de Fernando Santos pode não se ter apagado, mas não brilhou. Se calhar isto até ajuda a explicar a primeira derrota do seleccionador nacional. 


A equipa nacional até entrou bem, e durante a primeira metade da primeira parte até mostrou que era a campeã europeia que ali estava. E foi justamente nesse período que se notou que uma história bonita, e um sentimento bonito, são apenas coisas bonitas.


Depois, os jogadores, provavelmente deslumbrados com a superioridade exibida, esqueceram-se daquilo que deles tinha feito campeões da Europa. E lá voltou a habitual e fatal desconcentração. E de repente a Suíça apanhou-se a ganhar por dois a zero...


E já não houve volta a dar. Nem ao resultado nem ao jogo. Os remates - vinte e sete (contra oito) - eram só para a estatística. Como os cantos: 11 contra 1. Mas a estatística nunca ganha jogos.


Não é o fim do mundo. Nem sequer do apuramento para o mundial da Rússia. Mas podia e devia ter sido melhor, até porque a Suíça é o principal adversário neste percurso que vai levar a selecção ao Campeonato do Mundo de 2018. Para já, está em vantagem. E com uma boa vantagem!

sábado, 5 de setembro de 2026

Benfica 3 - Marítimo 0

 


Depois de um interregno de três anos o Benfica voltou aos Barreiros, para uma boa vitória, num jogo difícil e num relvado impróprio.

Numa primeira parte avassaladora, na primeira meia hora, e de controlo nos últimos quinze a vinte minutos, o Benfica desperdiçou, mais uma vez, a oportunidade de resolver o desafio. No melhor período da primeira parte o Benfica marcou, aos sete minutos por Barreiro, na recarga a mais um remate com a chancela de Prestianni, teve mais um remate de Pavlidis no poste, e mais três oportunidades de golo, num total de cinco, em oito remates à baliza. E um panâlti por marcar.

O Marítimo foi acima de tudo muito físico, a roçar a violência, limite muitas vezes ultrapassado. Bah foi uma das vítimas, logo no arranque do jogo, substituído por kaminski, que perdeu mais uma oportunidade de deixar uma boa impressão. Um relvado impróprio para a competição profissional, com risco para os jogadores, juntava-se ao condimentos para um jogo arriscado. E, a espaços, mal jogado. Muito mal, especialmente na parte final da primeira parte, e na inicial da segunda.

Foi uma segunda parte simétrica da primeira. Até o árbitro, um tal Sérgio Guelho, piorou. Até aos 20 minutos, menos tempo que o de domínio avassalador da primeira parte, o Marítimo mandou no jogo. Conseguiu aproveitar aquele futebol de choques, de repelões, com muita bola pelo ar, para, sem qualquer oportunidade, mandar esterilmente na partida.

Logo que o Benfica estancou essa onda de mau futebol, e passou a impor o seu jogo, passou pelos Barreiros o melhor futebol que por ali pode passar. Pelo menos enquanto mantiverem aquele relvado. Para isso muito contribuiu a substituição de Sidakov, que continua sem se afirmar, por Schjelderup. Ou tudo!

É certo que que, em simultâneo, também saiu Rafa, para entrar Circati. Para defesa direito, que não é o seu lugar, mas era kaminski quem lá estava. Mas nem entrou bem, também ele, nem foi por aí que a equipa melhorou. Foi mesmo com Schjelderup na ala esquerda, e com Prestianni no lugar onde estava antes Sudakov.

A equipa mudou. Pavlidis marcou, estava fora de jogo, mas foi o sinal evidente que a equipa tinha acabado com aquele jogo de lotaria do Marítimo. Depois vieram as triangulações de verdadeira classe entre Pestianni e Schjelderup. E o segundo golo, novamente de Barreiros, assistido por Pavlidis. O terceiro é uma obra de arte do miúdo argentino: intercepta a bola de um lançamento lateral, no meio do campo, vai por ali fora, passa por quem se lhe atravessa, e conclui com um remate sensacional.

Foi eleito o homem do jogo. Agarrou nele e entregou-o a Barreiro. Para ele o homem do jogo. Também isto diz o que vai naquela equipa! 

Há 10 anos

 


As subvenções vitalícias dadas aos titulares de cargos políticos, a que até Sócrates teve recentemente de recorrer, quando descobriu que afinal era pobre, indignam toda a gente. E quando se fala em indignados não se pode deixar de fora a malta do PC. Que, como não podia deixar de ser, é frontalmente contra esta mordomia com que os políticos se auto-presentearam.


Por isso, quando se soube que o Jerónimo de Sousa é um dos 75 políticos que passou a receber essa pensão antes dos 50 anos, o PC veio logo esclarecer que não era bem assim. E explicou muito direitinho que em 1993, "quando deixou funções de deputado na Assembleia da República, tendo direito à subvenção, passou a decidir do destino dessa verba". 


Jerónimo de Sousa não passou a receber a subvenção. Passou simplesmente a decidir do destino a dar-lhe. Exactamente o mesmo do dos vencimentos do Parlamento nacional ou do europeu, o destino colectivo do partido.


Por isso têm legitimidade para contestar a subvenção, que não recebem. Dão-lhe apenas destino. Por isso não fazem parte dessa malandragem...


O segredo está no destino!

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Há 10 anos

 Resultado de imagem para rigor científico

 


Dois investigadores da minha escola, Tiago Cardão-Pito e Diogo Baptista, analisaram o desempenho do sector bancário português desde a adesão ao Euro e chegaram àquelas conclusões que nos parece que os estudos académicos sempre chegam: ao óbvio. Àquilo que todos tínhamos percepcionado, assumido e integrado no nosso paper de ideias feitas. 


É sempre assim, os estudos servem muito mais vezes para sustentar aquilo que empiricamente estava instalado no senso comum do que para fazer grandes revelações. Por isso se discute tanto a sua importância, se bem que, também por isso, sejam pouco discutíveis.


A revelação que porventura mais salientada será no Estudo é ela própria a que melhor ilustra o que acabo de escrever: a da "proximidade" entre o sector e os políticos que o tutelam. E que deveriam supervisionar. O corropio de vai e vem entre a banca e os governos, entre reguladores e regulados, fazem da independência e da efectiva supervisão uma simples figura de retórica.


Estamos, todos, tão conscientes dessa "proximidade" que até lhe chamamos promiscuidade. Nem o exemplo que o estudo toma por mais flagrante dessa entropia deixa de ser o que mais escandalizou o país. E pelos vistos também os próprios funcionários da Comissão Europeia: Durão Barroso, evidentemente. 


Nada de novo, na realidade. Mas é sempre bom saber que tudo isto tem já sustentação científica. Nada como chamar os bois pelos nomes com rigor científico.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O jogo da aldrabice

 



O Chega apresenta uma moção de censura ao governo. Que visa derrubar o governo. O Chega quer que ela não passe, tanto quanto o governo. Que chumbe na Assembleia da República, que o governo não caia. E já vai na quarta!

Isto, é o que quer realmente. Outra coisa, é outra coisa.

A isto chamam jogo. Jogo político. Não chamam aldrabice.

Mas devia chamar-se jogo da aldrabice. Nunca jogo político.

Ao jogador, chamam astuto. Não chamam aldrabão. 

E assim se vai fazendo carreira. Saindo sempre por cima. Impondo a agenda, com todo o espaço mediático a seus pés. 

Enganem-me, que eu gosto!


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O bom polícia



Luís Neves possivelmente era um bom polícia. De qualquer Polícia. Acredito que sim, pelo que conheço das séries da televisão. Só por isso, é essa a minha referência. Ele encaixa nos protagonistas dessas séries da especialidade. Duro, ar de quem leva tudo à frente, métodos simples e directos, desenrascado, e ardiloso. Um tipo que gosta de "fazer as coisas à sua maneira".

Se isso é suficiente para ser um bom polícia, e para o senso comum é, Luís Neves seria certamente um bom polícia. 

Nunca seria um bom ministro. Não para o senso comum, mas para o senso político. 

Salta à vista que ele aspirava a esse título. De ministro. Por ventura por vaidade. A vaidade cabe sempre no perfil do bom polícia. Lá chegado não se sujeitaria a protocolos. Deixaria de lado as formalidades, e tenderia "a fazer as coisas à sua maneira". 

Ele é um polícia. Não é um político. Pensa, e age, como um polícia.

Montenegro não percebeu isto. Por ventura terá agora percebido por que não se pode passar de director da Polícia Judiciária a Ministro da Administração Interna. Agora, que Luís Neves perdeu as estribeiras, fazendo de actos públicos sessões de própria defesa, e dinamitando a ambiguidade política do governo, tanto do gosto de Montenegro, encostou-o inexoravelmente à parede.

"Nada me impedirá de governar, nada me vai afastar daquilo para que aceitei este cargo". Quem o disse foi o polícia, que manda o primeiro ministro às urtigas. Não foi o ministro, cujo cargo está nas mãos do chefe do governo! 



terça-feira, 1 de setembro de 2026

Há 10 anos

 

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Assistimos nos últimos dias a uma onda de violência e morte envolvendo jovens muito novos, entre os 14 e os 17 anos.


A série iniciou-se em Ponte de Sor, o primeiro mas também o mais mediático desta trágica sequência de acontecimentos, pelo envolvimento de dois filhos do embaixador iraquiano em Portugal, de 17 anos, numa selvática agressão que deixou outro miúdo, de 15 anos, em coma, de que felizmente acaba agora de sair. E com acesa discussão pública à volta da imunidade diplomática. E da impunidade. E da desigualdade de tratamento e de acesso à comunicação.


Prosseguiu poucos dias depois, em Gondomar, com um rapaz de 16 anos a deixar outro, de 14, às portas da morte, que infelizmente se abriram pouco depois, no Hospital. Logo de seguida, e curiosamente ainda em Gondomar, outro miúdo, também de 16 anos, foi igualmente morto. Desta vez pelas balas da polícia, na sequência de um assalto, seguido de abalroamento da viatura policial.


As circunstâncias variam em cada um dos casos. Mas, à excepção do último, que resulta directamente da prática de um crime, já à partida em modo de delinquência, as diferentes circunstâncias decorrem de evidentes comportamentos impróprios para as suas idades – a hora dos acontecimentos, madrugada alta, o consumo de álcool, e outros porventura mais discutíveis – a suscitarem questões de enquadramento social, distúrbios funcionais, ambientes familiares desestruturados, e ausência de regras e valores no processo educativo.


São problemas transversais a praticamente todas as sociedades actuais, que não são naturalmente fáceis de resolver, e que inevitavelmente produzem ocorrências desta gravidade. O que têm de raro – e felizmente que o é – é a concentração temporal. É terem-se sucedido em tão poucos dias. E o que têm de ainda mais perigoso é, por essa sucessão e pelo impacto mediático, poderem desencadear fenómenos de mimetismo. É poderem funcionar como detonador de novas ocorrências de violência extrema e descontrolada. Campo fértil para isso é o que não falta quando a delinquência se cruza com a juventude com demasiada facilidade.


Há 10 anos

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