quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A "coragem" de Jorge Jesus

 



Terá chegado ao fim a história de Cristiano Ronaldo na seleccão nacional. Um final inglório, como há muito se perspectivava. Não exactamente por esta razão mas, em última instância, também por esta razão.

Cristiano Ronaldo merecia outra saída. A história de Ronaldo na selecção nacional merecia outro fim. Mas era difícil que fosse outro.

Essa história tem tantos momentos de genialidade, como de poder pornográfico. Talvez mais, ainda. Atropelou Carlos Queiroz, já lá vão quase duas dezenas de anos, e passou guia de marcha a Paulo Bento. Fernando Santos, um autêntico pai, quando há já mais de quatro anos o deixou pela primeira vez no banco, por já haver melhores alternativas na selecção, assinou o despedimento. E abriu a contratação a um treinador medíocre, contratado para lhe prestar vassalagem absoluta, e fazer dele o selecçionador, de facto. 

À beira de completar 42 anos Cristiano, que há muito perdera praticamente todas as faculdades que fizeram dele um grande jogador de futebol, tinha o objectivo de chegar ao golo mil. Era a selecção nacional ao serviço do último desígnio de Ronaldo. 

Tudo apontava para que Jorge Jesus fosse contratado para isso. Tinha sido o seu treinador de clube, na Arábia Saudita, para onde se transferira há quatro anos, para continuar a alargar o seu poder. E estava condenado a esse papel.

Quando tomou posse do cargo Jorge Jesus não cortou com nada. Não concordo que fosse corajoso a enfrentar Ronaldo. Jorge Jesus tem um ego que, não sendo equiparável ao de Ronaldo, é de um tamanho muito considerável. Muito acima de média. E depois tem o coração muito perto da boca, incapaz de diplomacias. Entusiasma-se com o seu ego, e  perde o tento na língua. Nunca teve controlo de linguagem, não é de hoje. Entusiasmado é "uma camioneta sem travões"!

Foi isto que provocou o conflito entre Ronaldo e Jesus. Não foram os "tomates" de Jesus!

Agora, que a bomba estoirou nas mãos de Pedro Proença - merece como ninguém que lhe rebente nas mãos -, com o abandono de Ronaldo do estágio em Copenhaga, é o ego de Jesus que o obriga a ter "tomates".

 



Há 10 anos

 


Apanhei a notícia de raspão, e fiquei por isso com a ideia de que tenha sido dada mesmo assim: de raspão, como se a notícia fugisse da notícia. Fui ver.


E vi que a notícia de um homem preso a uma cadeira de rodas, há 43 anos, que de repente se levantou e começou a andar, era isso mesmo: uma notícia.


Mais: uma notícia bem dada. Rufino Borrego, um alentejano do Alandroal, de 61 anos, estivera durante a maior parte da sua vida agarrado a uma cadeira de rodas por um erro de diagnóstico médico há umas décadas atrás. Em 2010 alguém levantou dúvidas sobre o diagnóstico velho de quatro décadas. Prescreveu exames, um estudo genético e … voilá: o novo diagnóstico iria dar a uma doença com sintomas muito parecidos com os da anteriormente diagnosticada mas, ao contrário dessa, curável. Facilmente curável, com um medicamento corriqueiro para quem tem asma ou outros problemas respiratórios: o Ventilan.


Há uns anos, se calhar nem tantos quantos o Sr Rufino passou na cadeira de rodas, a notícia bem poderia ter sido diferente. Há uns anos, quiçá numa outra zona do país, em vez de ouvirmos falar em Ventilan bem poderíamos ouvir falar de uma voz, eventualmente distante, a sussurrar: “levanta-te e anda”…


terça-feira, 29 de setembro de 2026

A bem da Nação

 


Três anos depois de o caso vir a público, o Ministério Público indiciou como arguidos, pelos crimes de prevaricação e  abuso de poder, Nuno Rebelo de Sousa, António Lacerda Sales e Luís Pinheiro.

Como já passaram três anos, algumas pessoas poderão não se lembrar do que aconteceu. Relembro rapidamente: 

- O "doutor" Nuno enviou um mail ao pai, o então Presidente Marcelo, a meter uma cunha para um casal amigo, brasileiro, para uma consulta no Hospital de Santa Maria com o objectivo de obterem, gratuitamente, um medicamento que custava 4 milhões de euros para as suas filhas gémeas;

- O então Presidente Marcelo reencaminhou o dito mail para a consultora da Casa Civil, com uma nota - "veja o que se pode fazer" (Nota: disto o presidente Marcelo tinha-se esquecido, só se lembrou uns meses depois);

- Por sua vez a consultora da Casa Civil reencaminhou o mail do presidente, para conhecimento, para o - à época - Secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales;

- Que finalmente o fez chegar ao então Director Clínico do Hospital Santa Maria, Luís Pinheiro.

Está explicado o envolvimento dos três arguidos!

Mas mal. Muito mal. Havia outros: o Presidente Marcelo e Maria João Ruella, da Casa Civil do Presidente.

Marcelo, se tivesse respondido ao filho - e só tinha uma resposta a dar-lhe, como é óbvio - tinha matado à nascença todo o caso. O Presidente Marcelo, que ao fazer seguir o tal mail até ao Hospital de Santa Maria, abusou de poder. Cobardemente, juntando ao crime uma grave questão de ética.

O crime de prevaricação e abuso de poder é aplicado apenas a titulares de cargos públicos, sejam políticos, sejam funcionários. O que, à partida, deixa logo de fora o "doutor" Nuno. Sobram os outros dois, que foram "coagidos". 

Marcelo nada tem a ver com nada disto. Até já veio dizer que "cumpra-se a lei". "Não há ninguém acima da Constituição, nem da Lei". Mas devia ter vergonha!


Há 10 anos

 


O processo designação - chamemos-lhe assim - do próximo secretário geral da ONU mostra bem o estado de completa falência a que chegou a União Europeia. É incrível como tudo serve para tornar evidente que o projecto europeu ruiu de vez...


Com a Alemanha - sempre a Alemanha - no centro do furacão. E sempre com a direita europeia agrupada no PPE... Sempre tudo muito cristalino... E sempre com um português no meio... Do PSD, e ligado a Durão Barroso, de preferência. 


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


Que dizer?


Que há dias - noites - assim? Que o futebol tem destas coisas?


É verdade que há noites assim, como esta de Nápoles, em que (quase) tudo corre mal. E também é verdade que o futebol tem destas coisas, uma equipa entra personalizada, está por cima, cria oportunidades, mas não marca. E de repente sofre um golo. De bola parada, mais uma vez, daqueles que deixam toda a gente a perguntar: como é possível? Depois, quando reentra, volta a mostrar-se confiante, troca a bola com à vontade e com segurança. E de novo de repente, em pouco mais de 5 minutos sofre três golos: um desastre!


Mas é capaz de ser curto. É bem capaz de haver outras coisas para dizer. 


Rui Vitória não operou uma revolução, mas fez alterações para este jogo do S. Paolo, que não correram bem. À parte a rotação dos guarda-redes, com a alteração, aqui já prevista, do critério de alternância, introduziu Carrillo e André Almeida, retirando Salvio e Gonçalo Guedes. E com essa alteração deixou Mitroglou sozinho na frente, que não correu bem. Como Carrillo não correu bem. E começa a ser preocupante... Como as coisas não correram bem a Júlio César, nem a alternância correu bem.


Valha que correram bem as substituições. Sálvio e Gonçalo Guedes marcaram e o resultado acabou por ser  um bocadinho amenizado, e não acabou tão desastroso quanto ameaçou. Pelo menos não deixará sequelas tão pesadas quanto se chegou a temer. 


Com tudo a correr mal, acabou por ser o resultado do outro jogo a única coisa a correr bem. O empate entre o Besiktas e o Dínamo Kiev foi a única boa notícia para o Benfica nesta quarta feira europeia. A noite da primeira derrota da época... 


domingo, 27 de setembro de 2026

Campeão do Mundo

 



... Campeão do mundo de triatlo. Vasco Vilaça, do Benfica, é campeão do mundo. O título, o primeiro da História, foi hoje conquistado em Pontevedra. Depois de Vanessa Fernandes ter conquistado o título feminino, em 2007.

Ricardo Batista, também brilhante, obteve a medalha de bronze.


Há 10 anos

 

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 Uns servem a causa. Outros servem-se da causa...


Shimon Peres pertenceu aos primeiros. E desses, foi um dos maiores. Dos mais nobres e dignos...  

sábado, 26 de setembro de 2026

Há 10 anos



Sem grandes novidades, o primeiro debate televisivo entre os candidatos às eleições presidenciais americanas de Novembro: Hillary Clinton - formal, institucional e conhecedora; Trump - mentiroso, arruaceiro e ignorante.


Nenhuma surpresa. A não ser que continuam empatados... Essa é que é essa! 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


Qualquer pessoa de cabeça aberta, e de sapato desimpedido de pedras, percebe que o tema do imposto sobre o património imobiliário que Passos Coelho anunciou, criou e não cobrou, se transformou numa certa trapalhada quando este governo lhe tocou. Fosse porque foi a Mariana Mortágua a mandar-se de cabeça, fosse porque não estava consistemente estruturado para vir ao mundo, ou fosse até para ser mesmo assim, para ver no que dava, a verdade é que não correu lá muito bem. 


Disso aproveitou o exército da opinião publicada ao serviço dos interesses e da ideia dita neo-liberal para ir bem mais longe e virar tudo de pernas para o ar. 


Marques Mendes disse ontem do seu púlpito na SIC - e sabe-se como é importante o que diz, dito sempre sem qualquer obstáculo contraditório - que este caso está para António Costa como a TSU esteve para Pedro Passos Coelho, há precisamente quatro anos. Não está, nem pode estar, por muitas e variadas razões. A primeira das quais é que os interesses atingidos são diametralmente opostos...


Não sendo verdade é, no entanto, a cereja no topo do bolo do argumentário da barreira que foi erguida para impedir este novo (velho) imposto. Comparar a reactivação deste imposto sobre o património, que incide sobre uns poucos milhares dos cidadãos mais abastados, com a transferência da contribuição para a TSU da entidade patronal para os trabalhadores, que atingia todos os trabalhadores por conta de outrem,  é o toque final na campanha de manipulação da opinião pública montada para o matar à nascença. Subtil, em nome da eficácia! 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


 


Afigurava-se muito difícil este jogo que opunha, em Chaves, as únicas duas equipas ainda invictas na prova.


A primeira parte confirmou em absoluto essas dificuldades, e mostrou um jogo com muito Benfica (dois terços de posse de bola) mas pouco bem, e pouco Chaves, mas muito bem. Que não precisava de ter muita bola para jogar bem e, em dois ou três passes, colocar jogadores na cara do guarda-redes Ederson, regressado à baliza nos jogos do campeonato (a sugerir que Rui Vitória vai provocar a alternância com Júlio César em jogos, que não em competições).


Muito bem posicionada e com um meio campo muito pressionante, a equipa do Chaves recuperava a bola em zonas adiantadas do campo, e por isso não precisava de muito para a colocar em zona de remate. O Benfica revelava dificuldades de posicionamento em André Horta, e até em Fejsa, sistematicamente abafados pela pressão dos jogadores adversários.


Deste jogo resultaram dois golos anulados por fora de jogo – bem, o anulado ao Chaves, mal – erradamente – o anulado ao Benfica, e duas grandes oportunidades de golo – uma para cada lado. Falta de sorte para o Chaves, com a bola a bater duas vezes no poste e, à terceira, a sair ao lado. Grande defesa do guarda-redes flaviense, na grande oportunidade do Benfica.


Na segunda parte o jogo foi outro. Porque o Benfica, mantendo embora os mesmos jogadores, rectificou posições (especialmente André Horta, que subiu mais). Mas também porque o jogo que o Chaves fizera precisa muito de pernas e de pulmão. E a equipa já não tinha nem pernas nem pulmão para tanto. Nem havia vídeo motivacional que os trouxesse de volta... 


E começou a perceber-se que o Benfica iria ganhar o jogo, mesmo que Rui Vitória continuasse a insistir no sub-rendimento de Salvio. Que penaliza duplamente a equipa: pelo seu próprio défice de rendimento e porque obriga a atirar Pizzi – jogador fundamental neste futebol do campeão – para a esquerda, onde rende também menos. E a verdade é que o primeiro golo só chegou (Mitroglu, aos 69 minutos) depois de Salvio ter deixado o campo, aos sessenta.


Antes, ainda mais um golo anulado ao grego. Desta vez bem.


Com vinte minutos para jogar, com o jogo da primeira parte ainda fresco na memória, e com a propensão da equipa para sofrer sempre o seu golito, ansiava-se pelo segundo, para matar o jogo. Que chegou, por Pizzi, um quarto de hora depois. E mais duas ou três oportunidades para aumentar o score…


Sempre sem que o Chaves sequer assustasse.


No fim, vitória clara e mais fácil do que as dificuldades da primeira parte fariam supor. Num jogo com duas partes distintas - como se diz em futebolês - onde, ao contrário do que é normal por este país fora, o Benfica não jogou em casa. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Há 10 anos

 

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De repente, um livro – desculpem-me se exagero na designação – que teria pela frente todo um longo caminho comercial até chegar a best seller, alarga o passo e, de uma só vez, sem investir um tostão em marketing e publicidade, salta para as estantes com uma campanha promocional nunca vista, com as portas das vendas completamente escancaradas.

Mérito do editor, profundo conhecedor dos segredos do negócio?

Mérito do autor, ilustre escritor, distinto Nobel, ou emérito investigador e pensador?

Nada disso. O editor é de primeira linha, mas sem investimento não faz milagres. E o autor … Bom, já lá vai o tempo em que garantia que um dia haveria de chegar a Nobel… 

O mérito é todo – todinho – de Pedro Passos Coelho. Aceitou o convite para apresentar uma coisa que toda a gente tinha por verdadeiramente pornográfica. Intelectualmente pornográfica. E ao que se diz – porque não a li, nem tenciono fazê-lo porque tenho mais que fazer – também de facto muito próxima da pornografia. E ao aceitar fazê-lo acendeu nas redes sociais, e na comunicação social em geral, uma gigantesca campanha que não mais se apagou, com reacções que, se não chegaram para rasgar vestes, deram pelo menos para rasgar cartões do partido.

Três dias depois de reafirmar a sua intenção de assegurar essa apresentação, porque admirava o autor e não era homem de voltar com a palavra atrás, deu o dito por não dito. E pediu ao autor que o desobrigasse do compromisso…

Não lhe vale de muito, esta inflexão. Não lhe acrescenta nada, antes pelo contrário. Mas vale muito, e acrescenta ainda mais, à campanha que generosamente ofereceu à obra do seu amigo… Que já nem de apresentação precisa. O livro, a coisa, está já à venda. A todo o vapor, como seria inevitável num país como o este…  

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Uma inauguração

 


A imagem poderia ter 60 anos, e as personagens serem Cerejeira, Salazar e Américo Tomás. Mas são de ontem, e lá estão o Cardeal Patriarca de Lisboa, o Presidente da República, que se julgava desaparecido, o primeiro-ministro e o ministro da Educação. A inaugurar uma Escola!

Uma inauguração, uma das especialidades deste governo.

A Escola, a Secundária de Cascais, um investimento de 32 milhões de Euros, financiado pelo PRR. Mas ninguém diria. A inauguração, o evento, custou cerca de 200 mil euros. Que polígrafo corrige para 175 mil.

Uma inauguração, uma ilustração de sinónimos de deprimente. É só escolher, poderíamos até fazer um jogo:
- É mais deprimente o gesto de Seguro?
- Não, é mais lúgubre o de Fernando Alexandre!
- Não, não, o de Luís Montenegro é mais sabujo!
- Indecoroso é gastar tanto dinheiro só para cortar as fitas!
- Calhorda é o Presidente da Câmara de Cascais ser tão pífio a benzer-se, e tão safardana nos croquetes!


Jorge Palma (1950-2026)

 


Percebia-se FRÁGIL no alto dos seus 76 anos, bem vividos. Como não passou de UM HOMEM NORMAL talvez fosse SÓ genial.

Por cá A GENTE VAI CONTINUAR ... Mas já com muita saudade ...

Há 10 anos

 

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Durão Barroso referiu-se pela primeira vez, por viva voz e em francês, à reacção da Comissão Europeia à sua contratação pelo Goldman Sachs. E disse, em bom francês que eu bem ouvi, que não tinha feito nada de irregular, e que não compreendia tanto barulho à volta do seu nome, quando Mario Draghi, que foi vice-presidente executivo do mesmo Goldman Sachs, preside ao Banco Central Europeu sem qualquer problema.


Sempre habilidoso, este Durão Barroso... Veja-se bem a destreza com que maneja a ventoinha ...


 


 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A batota

 


Anda para aí um jogo em que as pessoas aparecem nas redes sociais à anos 80. O clássico de ontem também teve roupagens desse tempo. 

Sabia-se que muita coisa iria acontecer neste Porto - Benfica. A diferença entre o futebol praticado pelas duas equipas é gritante, e nunca se vira uma equipa portista a recear tanto o Benfica. Desconfiava-se do que poderia acontecer, não era difícil de prever. 

Conhecia-se o ambiente, de guerra, onde tudo o que conta é o resultado, independentemente de como lá se chega. Presumia-se que pudesse começar pelo Prestianni. Que, depois de tanta "porrada" ele explodisse, e viesse para a rua. Ou que fosse a própria "porrada" a pô-lo fora do jogo.

Reconheço que seja muito difícil antecipar tudo o que possa ser a batota que germina naquelas cabeças. E muito mais, seguramente, contrariar toda aquele ambiente de guerrilha que sabem preparar. É praticamente impossível responder a todas as ciladas.

Reconheço, ainda, que não temos na estrutura do Benfica gente preparada para para responder á letra a tanta provocação. Mas não entendo como não temos ninguém antecipar as ciladas da arbitragem.

Luís Ferreira é um árbitro da A F Braga. Iniciou a carreira em 2002, chegou à primeira categoria em 2012, e nunca foi internacional. Foi o árbitro de um célebre Boavista - Benfica, em Janeiro de 2017, que aos 20 minutos o Boavista vencia por 3-0, com três golos ilegais. Da arbitragem passou para o VAR, o que mais pontos tira ao Benfica, onde tem aparecido sempre em momentos demasiado sensíveis, para serem simples coincidência. É advogado, conhecido por defender um colega no "apito dourado".

No Porto - Benfica da época passada, para a Taça de Portugal, esteve no VAR. Ficaram dois lances por sancionar a favor do Benfica. Um sobre Leandro Barreiro, por falta de Rodrigo Mora, na área portista. Outro por mão na bola, após remate de Lopes Cabral.

No Benfica - Porto, também da última época, que muito decidia sobre o título, voltou a estar no VAR. E voltou a não assinalar um pênalti de Diogo Costa sobre Pavlidis, a que João Pinheiro fizera vista grossa.

Com Luís Ferreira no VAR o Benfica fora, na época passada, eliminado da Taça, afastado da luta pelo campeonato e, posteriormente, afastado do segundo lugar, e da Champions. Sim, porque a estes dois jogos com o Porto, juntaram-se o Estrela - Benfica, o Benfica - Arouca, e o Benfica - Braga, da machadada final na Champions.

Cinco vezes, na época passada. Como se não houvesse mais VAR. Como se houvesse coincidências. 

Miguel Nogueira é um árbitro de 32 anos, da A F Lisboa. Militar, mas medroso e vulnerável. Tinha ficado "borrado" com o Porto na época passada, depois de não ter assinalado um pênalti que, treinador e estrutura do Porto, pretendiam fosse marcado, por um ligeiro puxar de camisola de António Silva. Tinha sido claramente condicionado por esse lance, que o Porto fez questão de avivar até à exaustão.

Foi aqui, nestas nomeações que passaram ao lado da estrutura do Benfica, que começaram o pisão de Gabri Veiga sobre Bah, logo aos 5 minutos. As faltas de Alberto Costa, sobre Palhinha e Prestianni, a deixar o argentino a sangrar. A simulação de André Silva, a pôr Langelet na rua. As faltas de William Gomes sobre Prestianni, e o empurrão de Kiwior a Bah. E o pênalti deste sobre Rafa. A provocação de Samu a Bah. A bola na mão, dentro da área, de Borja Sainz.

Que não são apenas as ocasiões de queixa do Benfica. São a consequência de tanta gente impune.



Há 10 anos

 


Três dias depois de garantir "que não era pessoa de voltar com a palavra atrás em de dar o dito por não dito", Passos Coelho desdiz-se mais uma vez e diz que não vai, afinal, apresentar aquela coisa do Saraiva. Que, generoso mas surpreendido. compreende e acaba mesmo por suspender a apresentação.


Esta inflexão do antigo primeiro-ministro não lhe vale de muito. Nem lhe acrescenta nada que não o grau de todos os defeitos que fazem dele um dos mais rascas subprodutos da política portuguesa. Com a absurda leviandade de, preso a uma fidelidade canina, ter aceitado associar-se a um livro deplorável, Passos confirmou ausência de princípios, em especial dos da ética e da responsabilidade, que têm de nortear quem já foi, e aspira voltar a ser, primeiro-ministro. 


Não precisava disto para negar a sua categórica afirmação de três dias antes. Quando a proferiu já ninguém tinha dúvidas da sua facilidade em dar o dito por não dito. Não, não é este um caso de "preso por ter cão e preso por não ter cão". Aqui não há cão. Nem gato... Nem vergonha. Nem nada...


domingo, 20 de setembro de 2026

Porto 3 - Benfica 1



Foi um jogo até aos 30 minutos. O Benfica não foi melhor, foi muito melhor. Corajoso, personalizado e afirmativo. Futebol corrido, associativo, e duas oportunidades claras de jogo. Por três vezes, Pavlidis, Prestianni e Bah tiveram o golo à vista. Numa delas, de Bah, Rosário tira o golo certo.

Ao Porto restava o pontapé para a frente. A busca da profundidade, como se diz. À meia hora, num desses lances, à primeira oportunidade, como é costume, e num lance em que Samuel Soares poderia ter feito muito melhor, o Porto marcou. 

Logo a seguir, quase acto contínuo, Langelet, que já tinha um amarelo, por não ter experiência nesta liga da treta, descurou que estava a jogar no Dragão. Não lhe devem ter dito o que ali se passa, sempre. Tocou ao de leve em André Silva, o suficiente para ele se mandar para o chão, a rebolar. O árbitro Miguel Nogueira, que à altura já tinha mostrado ao que vinha, decidiu mostrar-lhe o segundo amarelo. Esperar que o VAR, o dragão  Luís Ferreira, dissesse o que se passou na realidade, era uma impossibilidade. O Benfica, à meia hora, ficava a jogar com dez. 

É esta liga que se quer vender. Não se premeia o futebol, premeia-se a batota. Mente-se todo o jogo. Dirigentes, arbitragens, jogadores, treinadores e ... transmissões televisivas. Vale tudo. Ambientes intimidatórios. No campo e fora. Expulsam-se jogadores. Punem-se uns jogadores, não se punem outros. Uns têm liberdade para fazer tudo. Outros são penalizados por dá cá aquela palha. Prestianni foi advertido com um amarelo por ter mostrado a cara cheia de sangue. Escondem-se da transmissão lances de pênalti. Escondem-se da transmissão agressões.

O jogo acabou ali, à meia hora. O que se seguiu foi uma demonstração de coragem do Benfica. Marco Silva retirou Sudakov - o mais surpreendente dos quatro que repetiram a titularidade de Milão, os outros foram Tomás Araújo, Palhinha e Aursnes - para repor o quarteto defensivo, com a entrada de Circati. Que, acabadinho de entrar, criou a segunda oportunidade ao Porto.

A abrir a segunda parte o Benfica ainda empatou. Prestiani, apesar de massacrado, assiste magistralmente para, com uma desmarcação soberba, Bah marcar de cabeça. Mas nem deu para o Porto tremer. Em cinco minutos, quatro depois, Froholdt e o coreano In-Beom - que Farioli fez entrar para o lugar de Gabi Veiga, que marcara o primeiro golo, e tinha amarelo, que por acaso deveria ter sido vermelho (num lance com Bah, logo aos 5 minutos), assim que Langelet foi expulso - marcaram dois golos bastante consentidos.

O Porto pôde continuar a jogar a bola de Bernarek para Kiwior, antes de, a espaços, a chutarem para a frente. E o árbitro pôde continuar a fazer o que quis, a usar impunemente de toda a dualidade de critérios disciplinares. Samu, regressado à competição, Kiwior, Bernarek, provocaram, agrediram e fizeram trinta por uma linha. Impunemente, os do Benfica lá estavam, para Miguel Nogueira mostrar que tinha trazido cartões.

No fim desta farsa, temos que aplaudir Marco Silva. Pelo que fez, e pelo que disse. Já Rui Costa, se não sabe falar, que esteja calado. Calado seria um poeta!

Há 10 anos

 


Numa altura em que em Portugal parece que anda tudo doido, não é mau ouvir o discurso de Obama, ontem nas Nações Unidas: "Um mundo em que um por cento da economia controla os outros 99 por cento nunca será um mundo estável..."


Só para lembrar. Às vezes quer-se distrair as pessoas. E as pessoas querem ser distraídas...

sábado, 19 de setembro de 2026

São as intercalares, estúpido.

 


Anunciou um acordo com a Dinamarca sobre a Gronelândia, que o confirmou.

Baniu a CNN, MS NOW e POLITICO da Casa Branca. 

Que têm em comum estes dois anúncios de Donald Trump?

- As eleições de Novembro, as intercalares!

Ao anunciar um acordo que não se conhece, confirmado pela Dinamarca nos mesmos (desconhecidos) termos, Trump protege-se das bazófias inconsequentes. Ao afastar da Casa Branca órgãos de comunicação social que não cantam hosanas ao "trumpismo", Trump garante sessões intermináveis de propaganda. 

Quando isto passar - o acordo sobre a Gronelândia, que mais não será que o que está em vigor; e a anulação da excomunhão destes media pelos tribunais -, terão também já passado as eleições.


Há 10 anos

 

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Foi o anúncio do dito imposto sobre o património. Depois, os aplausos dos socialistas em Coimbra... No meio disto tudo uma pessoa entusiasma-se... Mariana Mortágua entusiasmou-se e agora aí está, exposta, na rua, a levar pancada sem dó nem piedade.


A jovem deputada que tanta gente tem entusiasmado é agora vítima do seu entusiasmo. E do entusiasmo de tantos que entusiasmou.


Dizer que "do ponto de vista prático, a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro", é uma coisa. Soa um bocado a venezuelano, que não é neste momento o melhor dos atributos, mas ...enfim, ainda passa. Lançar ao PS o desafio de "constituir uma alternativa global ao sistema capitalista" é que não. Isso é desaforo. Só por cima do cadáver do Sérgio Sousa Pinto...  

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Há 10 anos



Não foi fácil, como já se sabia, este jogo que levou o Benfica ao topo da classifcação. Foi antes de mais um grande jogo, entre duas excelentes equipas de futebol, com uma primeira parte ao nível do melhor que por cá se pode ver. 


Foi então um jogo aberto, intenso e muito bem jogado por ambas as equipas, com sucessivas jogadas de golo, que ambos os guarda-redes iam negando: Júlio César por três vezes, e Marafona por quatro ou cinco. O intervalo chegaria com a vantagem do Benfica, ditada pelo golo de Mitroglou - a importância de ter um ponta de lança de volta - ia essa primeira parte a meio.


Foi diferente, a segunda metade do jogo. O Braga passou a dividir ainda mais o jogo, aqui e ali um pouco mais arrastado, e sem que o Benfica o tivesse exactamente controlado. Estávamos nisto quando apareceu o segundo golo, convertido por Pizzi, em posição de fora de jogo. Mas só a posição lá estava, o impedimento não: a bola vinha de um adversário, condição que, como se sabe, coloca em jogo o jogador que a receba.


Com esse golo os jogadores do Braga perderam a concentração, fosse porque o tivessem sentido em demasia, fosse por não terem imediatamente percebido a sua legalidade. E então sim, o Benfica passou não só a dominar mas também a controlar o jogo em absoluto, chegando ao terceiro e deixando mais uns tantos por marcar, sempre por força da exibição de Marafona.


Estávamos nisto - um outro isto - com o jogo controlado, os minutos a passar, belas jogadas de futebol a sucederem-se no rectângulo, e todos à espera do golo do miúdo (José Gomes) quando, não se sabe como - ninguém percebeu como foi possível - o inevitável aconteceu. O inevitável não era o golo do Braga que, sejamos justos, até o merecia. Inevitável é o Benfica sofrer um golo. Pelo menos está a sê-lo, e é mau que seja assim. Vá lá rapazes: é tempo de fazer um intervalo. Agora que já lá estamos em cima, façam lá um esforçozinho para manter a baliza inviolável. Pelo menos num jogo!


Até porque, como bem diz o treinador, não há campeões à quinta jornada. Por enquanto é bom estar lá em cima. Óptimo seria de lá não sair mais...


Não foi fácil, como já se sabia, este jogo que levou o Benfica ao topo da classificação. Foi antes de mais um grande jogo, entre duas excelentes equipas de futebol, com uma primeira parte ao nível do melhor que por cá se pode ver. 


Foi então um jogo aberto, intenso e muito bem jogado por ambas as equipas, com sucessivas jogadas de golo, que ambos os guarda-redes iam negando: Júlio César por três vezes, e Marafona por quatro ou cinco. O intervalo chegaria com a vantagem do Benfica, ditada pelo golo de Mitroglou - a importância de ter um ponta de lança de volta - ia essa primeira parte a meio.


Foi diferente, a segunda metade do jogo. O Braga passou a dividir ainda mais o jogo, aqui e ali um pouco mais arrastado, e sem que o Benfica o tivesse exactamente controlado. Estávamos nisto quando apareceu o segundo golo, convertido por Pizzi, em posição de fora de jogo. Mas só a posição lá estava, o impedimento não: a bola vinha de um adversário, condição que, como se sabe, coloca em jogo o jogador que a receba.


Com esse golo os jogadores do Braga perderam a concentração, fosse porque o tivessem sentido em demasia, fosse por não terem imediatamente percebido a sua legalidade. E então sim, o Benfica passou não só a dominar mas também a controlar o jogo em absoluto, chegando ao terceiro e deixando mais uns tantos por marcar, sempre por força da exibição de Marafona.


Estávamos nisto - um outro isto - com o jogo controlado, os minutos a passar, belas jogadas de futebol a sucederem-se no rectângulo, e todos à espera do golo do miúdo (José Gomes) quando, não se sabe como - ninguém percebeu como foi possível - o inevitável aconteceu. O inevitável não era o golo do Braga que, sejamos justos, até o merecia. Inevitável é o Benfica sofrer um golo. Pelo menos está a sê-lo, e é mau que seja assim. Vá lá rapazes: é tempo de fazer um intervalo. Agora que já lá estamos em cima, façam lá um esforçozinho para manter a baliza inviolável. Pelo menos num jogo!


Até porque, como bem diz o treinador, não há campeões à quinta jornada. Por enquanto é bom estar lá em cima. Óptimo seria de lá não sair mais...


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Vai ... e não voltes

 



Carlos Moedas diz que o programa Volta tem provocado "um drama social" na capital. Este drama social nunca visto, na versão sempre nos limites do alarmante do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, deu origem a uma petição pública. Pedia Carlos Moedas que o programa fosse removido, urgentemente; ao que o governo, por interposta ministra do Ambiente, já deu o nega, a crer no que publica hoje o Correio da Manhã.

Refere-se o estridente presidente da Câmara Municipal de Lisboa à busca nos contentores à procura de latas e garrafas com os 10 cêntimos de volta. Parece que antes não havia voltas ao lixo, à procura, não de 10 cêntimos, mas de coisas mais indignas de humanidade.

Antes não havia sem abrigo, nem miséria na cidade. Não havia drama. Havia lixo espalhado pelas ruas, mas não se viam miseráveis enfiados dentro do contentor. 

A pobreza quere se distante, para não apoquentar a consciência. Acabe-se com o Volta, que já não se vê. Nem se sente. Nem importa!


Há 10 anos

 

 



Acho extraordinária a surpresa, que não a indignação, da generalidade dos "supporters" de Passos Coelho por se ter prestado a apresentar um livro que, ao que se diz, não passa de umas miseráveis folhas de papel envergonhadas pelo que nelas está escrito. 


Compreendo a indignação de todos eles, gente que escreve e se faz ouvir todos os dias em hosanas que não se cansam de cantar a seriedade, a integridade e os princípios do ex-primeiro-mimistro. Acham esta atitude de Passos Coelho um acto de traição insuportável.


Não compreendo a surpresa, e muito menos a desculpabilização que muitos estão a montar em cima de expressões como amadorismo, simplicidade e ingenuidade. Há até quem ache que foi uma casca de banana de que Passos Coelho se não conseguiu desviar.


Não há razão para nenhuma surpresa em ver Passos Coelho associar-se à publicação de um livro que toda a gente diz ser miserável, ao nível do esgoto.


Desde logo porque, se o autor o convida, é porque encontra nele um conjunto de afinidades que faz as coisas baterem certo. E é correspondido: um dos argumentos que o líder do PSD utiliza para justificar a sua conivência é a "admiração pessoal pelo autor". De resto, o único em que podemos acreditar. O outro, de que "não é homem para voltar com a palavra atrás", é de falsidade mais que provada.


Mas para além da afinidade pessoal outras há que matam qualquer surpresa que pudesse haver na ligação do ex-primeiro ministro a esta coisa que todos vivamente repudiam. A primeira, e a mãe de todas, está no vazio. No vazio de ideias que hoje caracteriza o PSD à imagem e semelhança de Passos Coelho e da sua entourage. E no vazio de valores, sem qualquer respeito pela coerência, pela verdade e pela dignidade, que só pode abrir uma via verde para a decadência.


A leviandade de quem diz uma coisa e o seu contrário, as inutilidades que se ouvem nas chamadas Universidades de Verão, ou o voyeurismo de um líder da jota num dos mais decadentes reality shows da tv portuguesa, são apenas evidentes pontos de contacto entre as obras de Saraiva e de Passos.


Percebo que os spin doctors não gostem muito que estas evidências venham ao de cima. Mas não venham com surpresas. É que é possível esconder muita coisa durante muito tempo, mas não é possível esconder tudo, sempre. Nalgum momento a realidade vem espreitar ... e mostra-se!

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Milan 0 - Benfica 2



O Benfica foi a Milão defrontar o Milan (que homenageou Rui Costa, a provar que não esquecem a velha camisola 10)  no arranque da fase de grupos da Liga Europa, com uma equipa alternativa aos habituais titulares. Destes, jogaram dois - Tomás Araújo e Palhinha. 

Por isso vale a pena conhecer os restantes nove. Trubin, com a titularidade recentemente perdida, regressou à baliza. Sem traumas, não teve um erro. Banjaqui estará provavelmente no lançamento para a titularidade, o que diz tudo. Circati jogou no lado direito, foi o Tomás que se deslocou para a esquerda. E estiveram perfeitos. Do lado esquerdo jogou El Karouani, o menos entrosado, ainda assim muito influente, com uma assistência. 

No meio campo estiveram dois titulares. Mas a verdade é que Aursnes foi titular pela primeira vez esta época. O outro era Palhinha. Depois, Lukebákio, Sudakov e Kaminski, e Duran na frente. 

Sudakov perdeu também a titularidade recentemente. Teve uma bola ao poste, quando tanto precisava que ele entrasse. Falta-lhe o golo. E faz-lhe muita falta. Acabou por confirmar o que se lhe conhece. Ao contrário de Kaminski, que se revelou um outro jogador. Jogou muito e bem, assistiu para o primeiro e marcou um  grande golo, o segundo. Não é jogador - isso vê-se - para ataque continuado, com pouco espaço. Mas, para este jogos, provou que é uma alternativa válida.

Na frente, Duran jogou muito. Não fez golos, mas foi muito importante. Lukebákio foi quem menos surpreendeu. Nem no primeiro golo, que alguma vez haveria de resultar.

Marco Silva ganhou jogadores, e assim se faz uma equipa. Uma equipa que fez um jogo muito competente.

Na primeira parte, com o domínio claro do jogo. Sem permitir nada ao Milan. Nada - nem remates, quanto mais oportunidades. O Benfica poderia ter então resolvido o jogo, tal foi a superioridade. E não foi apenas no tal remate de Sudakov, ao poste, já depois de Lukebákio ter inaugurado o marcador, logo aos 16 minutos.

O Milan também tinha deixado de fora alguns jogadores importantes. Rabiot, Pulisic e Modric (não entrou, sequer) eram pesos pesados que tinham ficado de fora. Entraram na segunda parte. Pulisic e Gila, logo ao intervalo. Diogo Moreira, o jogador formado no Benfica, e Saelemaekers, logo depois do segundo golo. E Rabiot mais tarde, nos últimos 20 minutos.

Logo no início da segunda parte, aí pelos 8 minutos, o Benfica chega ao segundo golo. Um bom lance pela esquerda, com um belo remate de primeira, de kaminski. Só a partir daí, e com as aquelas entradas, o Milan ganhou algum ascendente. 

Mas nunca um ascendente prolongado e evidente. E com uma única ocasião de golo, num remate que nem acertou na baliza, depois de dois atropelamentos, em falta clara que, se desse golo, certamente o VAR não deixaria passar.

Temos razões para estar confiantes. Marco Silva gere a equipa, e ela responde. Com bom futebol, organização e resultados. Provavelmente dirão que este é o pior Milan dos últimos 50 anos. Ou talvez não, porque este Milan é o de Rúben Amorim.

No Dragão regressarão os habituais titulares. Como regressarão as provocações que são habituais por aquelas bandas. Não se sabe é de que forma vêm!

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Há 10 anos

 

Resultado de imagem para boina dos comandos portugueses


A morte de dois jovens militares em exercícios de treino dos Comandos não gerou apenas ondas de consternação pelo país fora. Lançou também uma vaga de discussão, mais uma, à volta das tropas especiais, e dos comandos em particular.


E já se sabe como é: a esquerda tem umas contas velhas a ajustar com os comandos, e não perde uma oportunidade para sacar do lápis e do papel; a direita … pelo contrário. E já se sabe que não gosta nada de nada que mexa com os equilíbrios da estrutura militar. O conservadorismo é também isso…


Como é fácil de perceber, rapidamente o debate passou a dividir-se entre os que defendiam a simples erradicação das tropas especiais e os que as entendem intocáveis e indispensáveis ao país. As causas que estão na origem da disparatada e inaceitável perda de vidas jovens, em circunstâncias que dificilmente poderão ser consideradas acidentais, é que não geraram discussão.


Não sei se o país precisa de forças especiais, ou de elite, nas forças armadas e em particular no exército. Não tenho dúvidas que são imprescindíveis na Polícia ou na GNR, mas, no exacto contexto da Defesa em Portugal, não tenho idêntica certeza no que se refere ao exército. Tenho porém uma convicção: é que se o debate se justificar, terá que se justificar por outras razões que não a morte destes dois jovens.


O debate que estas mortes têm de suscitar é em torno das condições de treino que são impostas aos jovens que têm por opção, e diria até por sonho, virem a ser comandos. Para prevenir que mais jovens voltem a perder a vida nestas condições, talvez o debate deva ter por objectivo evitar que instruendos obcecados por uma boina, sem respeito pelos seus próprios limites, se cruzem com instrutores obcecados em negar limites, que tudo o que respeitam é uma boina.   


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


Depois de andar ás voltas com o IMI, com séria exposição ao ridículo, o governo volta à propiedade imobiliária à cata de mais dinheiro.


Não bastaram o sol e as vistas rasgadas. É preciso vistas curtas... Vistas curtas para atacar com impostos o sector que a crise mais destruiu e que é, ao mesmo tempo, o mais central da economia portuguesa.

domingo, 13 de setembro de 2026

Benfica 3 - Gil Vicente 1

 



Casa cheia na Luz. Outra vez, todas as vezes. Perto de 65 mil para assistir a mais um jogo sofrido, mas memorável.

Um jogo com remate consentido, e um golo sofrido. Mais uma vez. É a sina do Benfica. O Gil, que vinha de um jogo (Académico de Viseu) em que, em 31 remates, não fez um golo, aqui fazia-o no primeiro remate. Com dois remates em todo o jogo.

Foi isto a primeira parte. O Benfica a jogar, mas não tão bem como o habitual. Com Barreiro e Rafa abaixo do habitual, e sem Palhinha. Com Enzo de regresso ao onze. Depois, quando as coisas não começam a correr bem, os jogadores perdem a confiança e o que sai bem, deixa de sair. O passe fica curto. Ou comprido. A bola ressalta num pé. Ou numa perna. E a fluidez vai-se ...

O árbitro - João Gonçalves - ia complicando. Enervando as bancadas e os jogadores. Cartão amarelo para Enzo. Nenhum para os do Gil, com faltas mais greves. Vista grossa a faltas. Cantos por marcar. Lançamentos ao contrário. Tiago Martins estava no VAR.

Mesmo assim até ao intervalo o Benfica jogou o suficiente para estar na frente do marcador. Nove remates, outros tantos cantos. Sucessivamente a dar em nada. 

O Gil Vicente marcou logo aos 7 minutos. No tal único remate. O Benfica empatou, por Pavlidis, já perto do intervalo.

Veio a segunda parte e ... tudo na mesma. Um remate do Gil, para a bancada. E uma oportunidade, depois da reviravolta. O árbitro João Gonçalves na mesma. Cartão a Palhinha, dois minutos depois de estar em campo. Nada para os jogadores do Gil.

Bem, não foi bem tudo na mesma. As alterações mudaram alguma coisa. Palhinha e Aursnes substituíram com vantagem Barreiro e Enzo. Mais tarde, Cláudio Echeverri, em estreia, e Lukebákio, a 20 minutos do fim, trocaram com Schjelderup e Rafa. E ficava a ala esquerda só para Prestianni, onde ele faz maravilhas. Nove minutos depois, a meter "a carne toda no assador", entrou Duran e saiu Banjaqui.

Não foi bem toda, porque Aursnes faz o lugar. Como se sabe. Nos últimos quinze ou vinte minutos o Benfica teve mais alma. Mais velocidade e asfixiou mais. E as oportunidades de golo aceleraram-se. Duas bolas no ferro, a última a quatro minutos dos 90, num remate com marca de Prestianni, já ele jogava só na esquerda. Diagonal para dentro, e remate indefensável. A bola não entrava!

Logo a seguir penâlti sobre Aursnes. E a bola entrou. Pavlidis pôs a bola lá dentro, perante a loucura nas bancadas. À entrada dos 6 minutos de compensação o Gil tem o seu segundo lance de ataque: combinação perfeita, com a defesa do Benfica aos papéis, e jogador na cara de Samu. Nas bancadas lembrava-se o primeiro jogo do campeonato, com o Académico de Viseu. Depois de, a tanto custo, ter chegado à vitória, o Benfica deitava tudo a perder. Samuel Soares não é dos guarda-redes que dá pontos, vira-se no primeiro golo.

Não. Samuel deu pontos. E lançou a bola para Prestianni correr com ela, e fazer o que já é costume. Passar por toda a gente, diagonal para a direita, sempre a deixar adversários batidos, e remate para dentro da baliza.

Grande golo!

Não foi uma grande exibição do Benfica. Dos dezanove remates, contra dois, apenas 5 foram enquadrados com a baliza. Mas dois foram ao poste, e à trave. Os 14 cantos foram sempre para os defesas do Gil. Das 9 oportunidades de golo, o Benfica concretizou três. Não foi tão perdulário como de outras vezes. Mas foi uma exibição épica!



Vuelta 2026 (IV)

 


Termina hoje, em Granada, a edição deste ano da Vuelta, marcada pela queda de Pogaçar, que tudo dominava e controlava.

Enric Mas, a eterna promessa adiado do ciclismo espanhol é o vencedor, quando nada contava isso, e quando uma vitória numa grande volta não passava de uma quimera. No pódio estarão Roglic, provavelmente no segundo, e Felix Gal, separados por 29 segundos. Com o austríaco sempre melhor que o esloveno, à excepção do contra-relógio, especialidade onde ganhou a vantagem que lhe garante ainda o segundo lugar.

No resto a Vuelta, sem Pogaçar, foi como se esperava: mais aberta, mas sem espectacularidade.

Woot van Aert ganhou por pontos (camisola verde), e  ameaçou ganhar a montanha, ganga pelo colombiano Santiago Biutrago. A camisola juventude ficou com Oscar Onley. Mas foi Mattew Breennan, em estreia numa grande competição, vencedor de 5 etapas, e papa-etapas  da Vuelta, na ausência de Pogaçar.

Por equipa ganhou a  Decathlon.

Ivo Oliveira e João Almeida tiveram uma passagem discreta, pelos lugares 90 da tabela classificativa. Bons contra-relógios, bom trabalho de equipa no caso do primeiro, e pouco mais, mantendo-se as interrogações sobre o futuro de João Almeida.



Há 10 anos




 Suspenda-se ou expulse-se a Hungria da União Europeia. Faça-se qualquer coisa, assim é que não pode continuar - são mais ou menos estas as palavras do ministro dos negócios estrangeiros do Luxemburgo, Jean Asselborn.


Finalmente alguém convoca a União Europeia para os mínimos da decência. 

sábado, 12 de setembro de 2026

Há 10 anos

 


“Ao assumir o emprego, o Sr. Barroso será recebido na Comissão não como um antigo presidente mas como um representante (dos interesses do banco) e será submetido às mesmas regras de outros representantes”.


Foram estas as palavras que o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, escolheu para responder às reservas levantadas pela Provedora de Justiça da UE, Emily O'Reilly, sobre o emprego de Durão Barros no Goldman Sachs. Podem ser ineficazes, e não valer de nada. Por falta de valor intrínseco ou até porque Juncker não seja a pessoa mais indicada para lhe acrescentar valor facial. Mas são a humilhação pública de Durão Barroso!


Maior ainda que o número de assinaturas já recolhidas na petição pública, lançada por trabalhadores da União Europeia, que exige a devolução da generosa pensão de reforma, acusando-o de comportamento "irresponsável" e "moralmente repreensível".


quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Há 10 anos

  


Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e financeira do país estariam a abrir as portas a um novo resgate, foi peremptória a demarcar-se da resposta armadilhada: "não colocaria a questão nesses termos".   


Em entrevista á CNBC, questionado directamente sobre a hipótese de um novo resgate, Mário Centeno respondeu "fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgaste". E para que não restassem dúvidas, completou assertivamente: "É a minha principal tarefa" ...


Mais que a  ingenuidade política de Mário Centeno, que explica por que é que Costa lhe dá tão pouca importãncia e não raras vezes o deixa mesmo em situações embaraçosas, o que salta à vista é a pressão á volta do Orçamento de Estado para opróximo ano.


Sabe-se que era aí, no Orçamento, que todos apostavam. Passados que foram os primeiros meses do governo, ultrapassado o fogo do Orçamento (tardio, como sabemos) para este ano, logos as baterias apontaram para o do próximo ano. No próximo é que seria. A geringonça não resistiria aos contornos incontornáveis do próximo orçamento. Em Setembro ou Outubro a coisa sucumbiria de morte natural. E se não fosse assim lá estaria a Europa pronta a deitar tudo a baixo, o que iria dar no mesmo.


Setembro ainda nem a meio vai, mas as indicações que vai dando não apontam para nada disso. A geringonça, mesmo revelando aqui e ali a eventual falta de uma pontinha de óleo, vai-se aguentando bem. Da Europa já se dá conta até de convergência, e aquela reunião dos países do Sul, no final da passada semana, altera por completo o cenário da ameaça europeia.


Perante tudo isso é preciso inventar novos fantasmas, e nada melhor que o fantasma de um novo resgate. Daí a pressa em trazer o tema para a actualidade. E daí razões acrescidas para António Costa ficar zangado com Centeno. Mas zangado a sério, mesmo que - e bem - não o mostre!

Há 10 anos

  A criança ontem desaparecida numa aldeia de Ourém, o Martim, de dois anos, já apareceu. Felizmente! Perdeu-se, apenas . E ficou perdido du...