quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Não consegui resistir a esta expressão do futebolês. Confesso que, neste tempo em que o nosso legítimo direito à indignação é substituído por não menos legítimos sentimentos de revolta, não encontrei melhor expressão para trazer aqui a esta rubrica semanal!


Até porque nestas circunstâncias confesso que, eu que tanto gosto de falar das coisas do futebol e de brincar com expressões, tiques e até com a fauna desse mundo, hoje não me apetece mesmo falar de futebol. Acho que há alturas em que não podemos passar ao lado jogo (outra expressão de futebolês) e deixar que o futebol possa servir para aquilo que tantas vezes é acusado: ópio do povo!


Pendurar as botas significa em futebolês terminar a carreira. Chegada uma certa idade, variável de caso para caso mas mais frequentemente entre os 30 e os 40 anos, quando as condições físicas e mesmo as psicológicas – motivação, em particular – deixam de estar adequadas às exigências da competição, o jogador de futebol decide colocar ponto final na sua carreira.


Claro está que, sendo as botas o único elemento da indumentária exclusivamente usado no campo de jogo – vê-se muita gente na rua, e até no supermercado, com os calções e a camisola de jogo, mas não se vê ninguém com as botas de futebol, aquelas mesmo a sério, de pitons – quando deixam de fazer falta arrumam-se. Em Portugal penduram-se as botas. No Brasil arrumam-se as chuteiras!


É geralmente reconhecido que a decisão de pendurar as botas é das mais difíceis de tomar. Nem sempre é tomada na melhor altura. Alguns (poucos) tomam-na prematuramente, quando é visível que têm ainda muito para dar. Outros tomam-na tarde de mais, arrastando-se pelos campos a esbanjar honra e prestígio. Mas também há os que as sabem pendurar na altura certa, em plena posse de todas as suas faculdades, algumas mesmo refinadas pela experiência que só os anos trazem. Deixam saudades e o seu perfume permanece no ar durante muitos anos. Tantos quantos os que formos capazes de guardar na memória! Diz-se que saem pela porta grande: afinal aquela por onde sempre entraram!


Não é o caso do nosso primeiro-ministro. Seguramente que não!


Entrou de facto pela porta grande, mas já foi há tanto tempo e entrou num labirinto tal que nunca mais encontrou a saída. Perdeu-se num labirinto que construiu como uma teia, onde se enredou e onde nos capturou a todos, como se fossemos simples moscas incapazes de fugir de um destino que não traçamos.


Nem todos conseguem construir as condições para sair pela porta grande. São mesmo muito poucos os que têm esse privilégio. Mas muitos conseguem sair a tempo, conseguem evitar a deprimente exposição pública da sua decadência. Podem não deixar saudades, mas também não deixam no ar aquele fedor de um prazo de validade largamente ultrapassado!


O nosso primeiro-ministro arrasta-se pelos campos do poder há tempo de mais. Há muito que perdeu a validade. Há muito que perdeu o direito à respeitabilidade. Há muito que exibe a sua deprimente decadência!


Perdeu há muito as suas faculdades e limita-se a enganar-nos a torto e a direito. A ludibriar-nos permanentemente, sem ponta de respeito por quem paga tão alto preço para o manter em actividade. Mesmo que ficcionada e virtual!


Ultrapassou todos os limites, senhor primeiro-ministro! Pendure as botas e deixe-nos ver se ainda conseguimos encontrar alguma saída para isto!

O debate que não o é

Em debate confuso, Trump e Biden trocam acusações pessoais e expõem  discordâncias | Eleições nos EUA 2020 | G1


 


«Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sempre sujo e, segundo, porque o porco gosta.» Este conhecido pensamento de Bernard Shaw foi certamente passado muitas vezes a Joe Biden pelos seus múltiplos assessores, na preparação do debate desta madrugada, o primeiro de três previstos até ao final do mês que começa amanhã, e que antecede as eleições presidenciais americanas. Mas que provavelmente será apenas o único, já que não terá ficado grande apetência pelos dois que faltariam.


Joe Biden tinha já exteriorizado este pensamento de Shaw  quando afirmara: «Só espero não morder o isco de entrar numa rixa com este tipo, porque é só aí que ele se sente confortável». Sabia, como sabíamos todos, o que o esperava.


Mesmo assim não resistiu. Não seria fácil - nunca é fácil - resistir ao registo de bullying robotizado de Trump. Por isso, o mais acertado será mesmo seguir à letra o ensinamento de Shaw, e não lutar com o porco. Mesmo que o pretexto seja o baixo nível, mais que deprimente, do que foi este debate. Que não o foi. 


 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

O modelo

The New York Times” revela declarações fiscais de Trump, que não pagou  impostos em dez dos últimos 15 anos | EUA | PÚBLICO


 


Até há bem pouco tempo, há apenas alguns anos, uma revelação como a que fez o New Yok Times - Trump não pagou impostos em dez dos últimos quinze anos antes de chegar à Casa Branca, e no ano em que foi eleito, bem como no do primeiro ano ano de mandato, pagou 750 dólares - em tempo de contenda eleitoral na América, era fatal.


Nenhum candidato resistiria a uma revelação destas. Em sociedades desenvolvidas não é muito apreciado que um homem de negócios de sucesso não pague impostos. Na América é ainda menos apreciado que um tipo que se anuncia homem de negócios de sucesso seja um charlatão. Não o rei Midas que se anunciava, mas simplesmente um empresário de projectos falidos, com centenas de milhões de dólares de prejuízos acumulados financiados por dívidas impagáveis. 


Já não é assim. Quatro anos da realidade virtual de Trump alteraram isso. O presidente americano não se preocupou rigorosamente nada com a divulgação. E despachou o assunto com resposta chave: fake news!


Aí está. Com fake news constrói a sua realidade virtual, mentira em cima de mentira. Com fake news, com "é mentira", institucionaliza a mentira. Porque, como dizia Dan Coates, um dos vários responsáveis pelos serviços de informação da Casa Branca que Trump despachou ao longo do mandato, “para ele, uma mentira não é uma mentira. É simplesmente o que ele pensa. Não consegue distinguir entre a verdade e a mentira”.


Trump tem estado a tentar construir uma América à sua imagem, que não consiga ela própria distinguir a verdade da mentira. As eleições que aí estão a um mês de distância ditarão a medida do sucesso desse seu modelo.


Para já parece bem maior que nos negócios.


 


 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


O presidente acabou de falar com os partidos. E ouviu toda a oposição dizer-lhe que mais impostos é que não! Do partido do governo deve ter ouvido o contrário: impostos é que é!


O Sr Angel Gurria já deve ter tomado o avião de volta. Já cá não está, já fez o seu número!


O Benfica já está a jogar. É aí que grande parte dos portugueses têm a sua atenção concentrada.Tudo em ordem, portanto.


O governo já nos pode vir mostrar o tamanho do dedo que nos vai meter naquele sítio que todos sabem!


Pois bem. Aí vêm elas!


Ah! O Sr Angel Urria, o secretário-geral da OCDE veio cá dizer que nós, todos os que achamos que isto não vai lá com impostos, que o que é preciso é gastar menos, somos todos burros. Que não é nada disso: isto vai lá é com mais impostos!


Houve logo muita gente que achou que a visita do Sr Urria tinha sido encomendado pelo governo. Era a resposta às consultas do PR!


Até pode ser que sim. Mas convém recordar que esta gente da OCDE, do FMI e de outros que tais só vê mesmo aumento de impostos. Desconfio que seja porque de cortes na despesa estejam eles fartos! É que uma coisa são promessas (vamos cortar, prometemos que vamos mesmo!) e outra são os impostos, logo a cair.


Mas isso mata a economia! E o que é que isso os preocupa?


 


PS: O dedo é grande. E grosso!
A coisa vai doer a sério...
Seriedade é que continua a faltar. Ainda anteontem o TGV ia a todo o vapor! E mais uma medida de grande criatividade: lançar mão do fundo de pensões da PT.
Cortes de 4,2 milhões de euros provenientes principalmente da redução de 5% dos salários na esfera pública. Mas também uns pozinhos vêm do SNS: ADSE e meios auxiliares de diagnóstico. Alguma coisa de mudança estrutural? Nada, apenas aquelas coisas tão fáceis como aumentar impostos!
Com o aumento da taxa normal de IVA de 21 para 23 entrar-se-á naquela zona onde "o crime compensa": a economia paralela dará novo salto e os valores arrecadados pelo Estado não irão reflectir esse aumento. Mas fica bem, como bem fica o anúncio de um imposto sobre as operações financeiras, que ninguém sabe o que será. Mas fica bem!

Pimenta is back!

Fernando Pimenta conquista medalha de bronze nos Mundiais de canoagem - ZAP


 


Fernando Pimenta, o senhor canoagem. O papa medalhas. Na Taça do Mundo disputada este fim-de-semana em Szeged, na Hungria, conquistou mais três: duas de ouro, em K1 1.000 metros e K1 5.000, e uma de prata, em K1 500. E chegou às 100 medalhas conquistadas!


Joana Vasconcelos (prata em 200 VL2 e bronze em VL2 500) e Norberto Mourão (prata em 200 VL2 e  bronze em VL2 500 em para-canoagem) completaram o medalheiro nacional nesta Taça do Mundo. Mas, claro, o feito do canoista do Benfica é uma coisa do outro mundo. 


Bom ... e aquele "Pimenta is back" é perfeito!

domingo, 27 de setembro de 2020

A surpresa de Simeone

Atlético Madrid: Diego Simeone testa positivo à covid-19 | MAISFUTEBOL


 


Quando ouvimos falar de surpresas no futebol pensamos sempre em resultados inesperados como, por exemplo, a derrota de hoje do super Bayern com o Hoffenheim, por 4-1, ou a do Manchester City, em casa, com o Leicester, por 5-2. Mas essas são surpresas que nem são muito surpreendentes, já que, acontecendo por todo o lado, acabam por acontecer com alguma frequência.


Mas há outro tipo de surpresas, bem mais surpreendentes. E muito mais agradáveis. Hoje foi possível assitir a uma dessas, uma das maiores com que o futebol acaba de nos brindar. Refiro-me ao futebol que o Atlético de Madrid apresentou neste arranque da La Liga, que ninguém daria por possível sob o comando de Diego Simeone.


À equipa de Simeone nunca faltou capacidade competitiva, mas faltou sempre futebol espectáculo, bem jogado, daquele que enche olhos e corações. Ganhou algumas coisas, e nunca deixou de ser um adversário temível. Mas não ganhou muito, e não ganhou nunca a admiração dos amantes do futebol. 


O clube ia adquirindo grandes jogadores, mas o seu futebol não mudava. Muita gente interrogava-se mesmo para que quereria jogadores de primeira água, se para aquela maneira de interpretar o jogo bastavam uma grande capacidade física e muita vontade de disputar cada bola. Quando jogadores de fino corte técnico assinavam pelos colchoneros já se  sabia que estavam condenados ao fracasso. Assim aconteceu com Gaitan, com Falcão, com Gelson... para falar daqueles que conhecemos melhor. Assim parecia acontecer com João Félix, que ninguém percebeu porque, por aquele dinheiro todo, interessava à equipa de Simeone. Nem porque aceitava ele um destino de condenação. 


A época passada, a primeira, confirmou todas essas dúvidas. Pouca utilização mas, pior, sempre em condições que lhe limitavam todo o enorme potencial que lhe é reconhecido.


Pois hoje pudemos ver, no jogo inicial da época, uma equipa irreconhecível. Com um futebol de ataque, arrasador - está na moda - com uma fantástica dinâmica colectiva a tirar agora partido dos jogadores de grande classe de que dispõe na frente de ataque. Repare-se apenas nestes quatro nomes, para dois lugares: João Félix, Diego Costa, Luiz Suarez e Marcos Llorente. Os titulares foram os dois primeiros. Saíram com um golo cada com o resultado em 3-0, substituídos pelos dois últimos a cerca de meia hora do fim. Que fizeram outros três, com o ex-Barcelona a marcar por duas vezes na estreia.


Seis golos (resultado com o Granada ficou em 6-1), coisa nunca vista com Diego Simeone!


Uma enorme surpresa. Das maiores do futebol. E das mais agradáveis. O que é que terá passado pela cabeça do argentino? 


 


 


 

sábado, 26 de setembro de 2020

Adeus capitão. Adeus fantasma!


 


O Benfica não está a jogar o triplo, está a jogar bem mais. Se a base for o que jogou na segunda metade da época anterior o multiplicador não é três, é capaz de ser o infinito - está a jogar infinitamente mais!


Tivesse concretizado metade, ou até um terço, das oportunidades de golo criadas hoje, no jogo com uma das bestas negras da Luz das últimas temporadas, e estaríamos a falar de uma exibição esplendorosa. 


Este jogo com o Moreirense seria sempre especial. Porque era o primeiro jogo oficial da época na Luz, e o último de Rúben Dias. E porque era um jogo cheio de fantasmas: há duas épocas que o Moreirense alimenta um fantasma na Catedral.


Percebeu-se logo a confirmação não confirmada da notícia do dia, que apontava a saída de Rúben Dias para o Manchester City. Mesmo que a transmissão da Benfica TV a tivesse querido ignorar olimpicamente, acabando mal na fotografia com as declarações do próprio Rúben na flash-interview no final do jogo. Era evidente que o último dos titulares da equipa proveniente do Seixal, e o único titular da selecção nacional que representava o Benfica, era o preço a pagar pela eliminação da Champions. A braçadeira de capitão, quando na equipa estavam André Almeida e Pizzi, os dois a quem sucedia nessa hierarquia, dizia-nos isso mesmo.


E pronto, de praticamente meia equipa com origem na formação, num ápice o Benfica passa a uma equipa sem jogadores da casa. Morto e enterrado o famoso projecto do Seixal, seja porque o treinador, como há muito se sabe, não está para aí virado; seja porque, na hora de fazer dinheiro, Luís Filipe Vieira e Jorge Mendes não conheçam outra fórmula. Agora acabou!


Mas...voltando ao jogo de hoje. Foi uma exibição a que faltou meia dúzia de golos. No jogo anterior, em Famalicão, a equipa jogou muito bem e fez cinco golos. Em 14 remates. Hoje a equipa jogou muito melhor, mas em mais do dobro dos remates fez apenas dois golos. Dos 29 remates, 10 foram enquadrados com a baliza, sete dos quais salvos por seis grandes defesas do Pasinato, guarda-redes do Moreirense, a maioria delas sem que ainda saiba como, e um por um defesa que não se sabe donde apareceu para em, cima da linha de golo evitar o golo gritado de Waldschmidt que, servido de bandeja por Darwin (grande exibição!), depois de passar pelo guarda-redes, rematou para a baliza deserta. Um, de André Almeida, foi ao poste. E na maioria dos restantes 18 Pasinato estava batido mas a bola acabou ligeiramente por cima ou ao lado.


O primeiro golo chegou bem atrasado, pela forma como o Benfica entrou no jogo, sem deixar o adversário respirar, e retirando-lhe completamente a bola. Tinha de ser assim, porque no pouco tempo em que o Moreirense então a teve percebeu-se que sabia bem o que fazer com ela. Chegou aos vinte minutos, e pensou-se que, pela avalanche atacante do Benfica, outros se seguiriam. Não foi assim. Chegou apenas mesmo no final da primeira parte, em mais uma bonita jogada de futebol e numa finalização perfeita de Darwin (e como merecia o golo!). Mas acabaria anulado, por fora de jogo do uruguaio.


E com o segundo, que não foi, terminou a primeira parte, cheia de grande futebol. Na qual o Moreirense ainda ensaiou com propósito duas ou três saídas para o contra-ataque, concluindo uma única, com um remate que bateu em Grimaldo e obrigou Vlachodimos à sua única defesa em todo o jogo. E que defesa!


O resultado magro ao intervalo, mas principalmente a inusitada quantidade de oportunidades não concretizadas, começava a engordar o fantasma que as bancadas despidas escondiam.


À medida que o relógio ia avançando pela segunda parte fora, e os remates continuavam a sair ao lado, ou por cima, a bater no ferro, ou a ser defendidos, o fantasma engordava ainda mais, e parecia já passear no campo. O Moreirense não fazia nada que assustasse, e não assustava mesmo. Mas os fantasmas assustam. Sempre.


E na realidade só desapareceu aos 80 minutos, quando Seferovic - que havia entrado a substituir o Waldschmidt sem que se percebesse muito bem por quê -, com mais um serviço de bandeja do Darwin, chutou para o segundo golo. Finalmente!


Curioso é que, num jogo em que a única complicação foi mesmo marcar golos, tenham sido dois jogadores que estão de saída a fazê-lo. Um no último jogo pelo Benfica, e outro ... se calhar também.


Foi um jogo de adeus. Até de adeus ao fantasma. Mas também de uma grande exibição colectiva, com nota alta para todos os jogadores, mas altíssima para Darwin, Rafa, Everton, Rúben Dias (claro) e Gabriel, para já muito bem na sua nova posição. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


futebolês é muito virado para as coisas da cultura. Tem a leituracomo já vimos , mas tem também um conceito mais vasto: a cultura de jogo!


Como qualquer cultura, ou se tem ou não se tem. Aqui a diferença está na adjectivação: no futebolês, ao contrário da linguagem comum, quem tem cultura de jogo não é necessariamente culto!


Um jogador – e esta é outra particularidade, apenas ao jogador é atribuída essa cultura, ninguém mais no mundo da bola é digno dessa bênção – com cultura de jogo é aquele que dispõe de um conjunto de condições que lhe permitem interpretar o jogo e tomar as melhores decisões em função da leitura que fez. O que equivale a dizer que o futebolês coloca as coisas nos seus devidos lugares: a cultura vem da leitura!


Sem saber ler o jogo não há cultura de jogo. Sem ler o jogo nada feito: não há interpretação que valha nem decisões que resultem.


Um jogador com cultura de jogo é naturalmente um jogador completo – ele junta às suas funções de jogador ainda as de treinador dentro do campo, a de um treinador ali à mão dos colegas. É a extensão da liderança do treinador. Ele percebe quando o jogo deve ser acelerado ou quando se impõe baixar-lhe o ritmo.


É deste tipo de jogadores que sai o patrão da equipa e, muitas vezes, futuros bons treinadores.


Outra coisa bem diferente de cultura de jogo é a cultura desportiva. E essa não abunda por aí!


Enquanto que a cultura de jogo se manifesta exclusivamente no rectângulo de jogo a cultura desportiva vive fora do terreno de jogo. Embora acabe sempre por ter repercussões lá dentro!


A cultura desportiva não obriga a ter grandes conhecimentos sobre desporto. Ter cultura desportiva não significa ser nenhuma enciclopédia desportiva, nem sequer ter os conhecimentos do Luís de Freitas Lobo.


A cultura desportiva traduz-se exuberantemente na expressão inglesa que toda a gente usa e a que alguns chamam treta: fair play!


fair play não se esgota na sua utilização em campo, no tal sítio onde ás vezes é mesmo uma treta. Não se limita ao cavalheirismo exigido aos jogadores em campo. Extravasa o campo de jogo e é mesmo tão mais importante quanto mais afastado desse recinto.


Não será falta de cultura desportiva vir criticar o presidente da comissão de arbitragem por se ter prestado a esclarecer os lances da arbitragem do Guimarães-Benfica?


Creio que sim. Quando o dirigente máximo da arbitragem, onde sempre vimos imperar um corporativismo especializado em atirar areia para os olhos, vem explicar esses lances de forma clara, como, afinal, toda gente tivera oportunidade de ver, está a contribuir para o fair play. Está não só a contribuir para um aumento da cultura desportiva mas, e muito mais importante, está a dizer aos senhores árbitros que têm de ter atenção, porque toda a gente está a ver. Daí que os mínimos aceitáveis em cultura desportiva, mesmo um dez nas novas oportunidades, obrigue a aplaudir a iniciativa de Vítor Pereira.


Mas não foi o que fizeram o presidente do Guimarães e o treinador do Porto. No primeiro não se pode falar de falta de cultura desportiva porque, pelo que se viu e ouviu, é falta de cultura. Ponto!


Já no treinador do Porto é clara falta de cultura desportiva, de fair play e até de elegância! Deve ser daqueles ares. Quando até podia ser magnânimo e, do alto da sua cadeira, a de sonho, e dos seus nove pontos de avanço (!), aplaudir a atitude do sr Vítor Pereira. Mesmo que não fosse por nobre cultura desportiva, bastaria que fosse por mero reconhecimento. Por ele não ter esmiuçado nenhum dos muitos erros que têm favorecido o Porto ao longo destas primeiras cinco jornadas que, somados com os outros, dão nos tais inacreditáveis nove pontos.


É mesmo daqueles ares! Também o recém-chegado João Moutinho, interrogado pelas facilidades no jogo da Madeira, com o Nacional, respondeu que eram eles que tornavam os jogos fáceis. Fantástico! Quando acabávamos de assistir a um jogo que julgávamos facilitado logo aos 20 minutos com um auto-golo e, logo no minuto seguinte, voltamos a julgar facilitado pelo árbitro quando não assinalou a mão de Rolando e o respectivo penalti que poderia voltar a deixar o jogo empatado! Claro que nos lembramos logo da maneira como tinham sido tornados fáceis três dos restantes quatro jogos. Porque o do Dragão com o Braga foi bem difícil. Mas também, apesar de o não ter visto, mas pelo que li e ouvi e pela minha cultura desportiva, bem jogado e bem ganho!

Medos*

Os 10 medos mais comuns da humanidade


 


Começa a ficar consensual que entramos na temida segunda vaga da epidemia. Os números, de infecções e de óbitos, mesmo que mais os primeiros, voltaram a disparar e confirmam que o que se está a passar já é diferente do que aconteceu entre o primeiro e o segundo trimestre do ano.


Em Espanha, em França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha ou em Portugal, com maior gravidade, como em Espanha, ou menor, como na Alemanha, o vírus não dá tréguas. É justamente um virologista alemão, cientista de referência e assessor do governo para a covid-19, que adverte que a verdadeira pandemia está agora a chegar.


A isto acresce a chegada da gripe sazonal, aí à porta por força do calendário. Mas acresce sobretudo a realidade nas suas múltiplas dimensões. Não é mais possível responder com a resposta dada há seis meses. Não é económica nem socialmente possível voltar ao confinamento de então. As economias não o suportam. E as pessoas já nem sequer suportam medidas restritivas, como se vê por estes dias em Espanha e em França. Pelo contrário, reclamam mais abertura, Nem é garantido que dispúnhamos de melhores condições de saúde, como em Portugal garantem as entidades oficiais. Antes pelo contrário, provavelmente.


É certo que há hoje maior conhecimento do vírus, e mais algumas certezas médicas. Mas a resposta dos profissionais de saúde, que por todas as latitudes emocionou o mundo, não é uma experiência repetível. E em Portugal, por múltiplas e diversas razões, que vão dos bloqueios nas estruturas organizacionais dos serviços de saúde, à falta de reconhecimento dos profissionais, não o é. De todo!


Quando os registos da epidemia já contam com um milhão de mortos e 32 milhões de infectados, é verdadeiramente dramático nestas condições admitir que a verdadeira pandemia possa estar agora a chegar.


Há uma boa notícia no meio de tudo isto. Nas eleições locais e regionais em Itália, no início da semana, a extrema-direita xenófoba sofreu um forte revés. Dizem os estudiosos da matéria porque, justamente, as pessoas perceberam que é aqui que está a razão para ter medo. E que o que os extremistas agitam são falsos medos com que querem apenas espalhar o ódio.   


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Encerrada que está a disparatada, absurda e achincalhante trapalhada em que o Sr Gilberto Madaíl meteu o nome de Portugal, do futebol português e até de Mourinho (se bem que aí a música seja outra e haja muito por contar) aí está uma nova trapalhada: Paulo Bento!


Quero desde já dizer que nada tenho contra o treinador Paulo Bento. Tenho, no entanto, tudo contra mais esta trapalhada, na sequência directa da trapalhada anterior: ninguém percebe por que é que o Sr Madaíl não tratou discretamente do disparate Mourinho – podia ter almoçado, comido umas tapas ou apenas tomado um chá sem o anunciar aos sete ventos, preservando, como o mais elementar bom senso aconselharia, uma reserva que só faria sentido quebrar em função do sucesso (de todo improvável) de tão disparatada iniciativa – como ninguém poderá perceber a sucessiva exposição do nome de Paulo Bento e os sucessivos avisos (que mais pareciam ameaças) do anúncio de um futuro  contacto. Alguém entende que se avise, dias a fio, que se vai efectuar um contacto?


É para mim claro que é trapalhada atrás de trapalhada. Outra coisa seria difícil de esperar nesta altura do Sr Madaíl.


Trapalhadas à parte, em que Paulo Bento não tem qualquer responsabilidade, convém tentar perceber se esta opção, que parece estar a gerar unanimidade no meio mediático e desportivo, encaixa na actual realidade da selecção nacional.


Vítor Serpa, no Editorial de domingo de A Bola, apontava alguns traços do perfil do novo seleccionador: “mais forte do ponto de vista psicológico do que táctico, mais alegre do que triste, mais extrovertido do que intimista, mais amigável que conflituoso, mais comunicativo do que embezerrado, com mais amigos que inimigos”.


Eu acrescentaria: experiente, com forte capacidade mobilizadora, fortemente de empático, de discurso fácil, simples e directo, de espírito aberto, liberto de dogmas tácticos e … com tranquilidade!


Parece-me que, à excepção da famosa tranquilidade – imagem exclusiva de um discurso amplificado pelos Gato Fedorento e não exactamente uma imagem de marca – não encontramos aqui muitos pontos de contacto com o perfil de Paulo Bento. O que não faz dele um mau treinador nem sequer impede que seja seleccionador nacional! Apenas não encaixa na actual selecção nacional: uma equipa sobre brasas, sem margem de erro, descrente, sem chama e sem público!


Pode ser que corra bem, mas é daquelas soluções que, com toda a tranquilidade, tem tudo para não dar certo. Gostaria de estar redondamente enganado!

As coisas são assim mesmo

Escolhas | Blum Vivant


 


Quando o Novo Banco, o Banco de Portugal e tutti quanti impediam a divulgação do Relatório da Auditoria da Deloitte - nem aos deputados seria disponibilizado -, toda a gente gritou que não podia ser, que os portugueses não podem servir apenas para pagar, têm pelo menos o direito de saber o que pagam. 


Quando digo toda a gente, é mesmo toda a gente. Líder do governo e líderes da oposição. Não era de forma alguma admissível que as circunstâncias que concorreram para o maior escândalo financeiro da História, que tanto tem custado, e irá continuar a custar ao país, não possam ser publicamente conhecidas. Dava-se de barato que os nomes dos devedores estivessem ocultados, tratando-os de forma desigual, já que há uns que toda a gente sabe quem são, e outros que nunca ninguém ficará a conhecer. Mas enfim, nunca se pode ter tudo.


Entretanto, e em consequência deste protesto generalizado, o Relatório chegou aos deputados que, na sua posse, passaram a ser eles a decidir sobre a sua divulgação pública. A decidir o que todos, incluindo eles próprios e os seus líderes, tinham antes reclamado.


E decidiram que ... não. Que afinal o que se sabe que aconteceu no BES e no Novo Banco não é para se saber. Assim decidiram os deputados do  PS e do PSD, com a abstenção conivente do CDS e da Iniciativa Liberal (o deputado do chaga nem  para votar as suas próprias propostas aparece), como se antes, para a fotografia, não tivessem estado do outro lado.


As coisas são assim mesmo. Ou ... o que tem de ser tem sempre muita força ...

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Há nove anos também tivemos orçamento. Cheirava muito a queijo mas tinha vida. Havia vida para além do orçamento e nem se ouvia falar de défice, quanto mais de vida para além dele. Também não se falava de dívida e, de mercados, só fosse do peixe, do Bulhão ou da Ribeira!


E no entanto, de repente, quando ninguém esperava, chegou o pântano! O pantanal veio por aí fora, mais rápido e surpreendente que um tsunami, e transformou tudo num imenso e pelos vistos insuportável lamaçal!


O governo fugiu, e o país, nas palavras de alguém que também haveria de fugir pouco depois, viria a ficar de tanga!


Hoje, nove anos passados, o país secou, secou e … de pântano transformou-se num inferno. A arder por todo o lado. Insuportável!


Ontem terá sido o dia D. Um vento mais forte de um quadrante qualquer fez alastrar as chamas a uma velocidade maior que a do tsunami. E o governo volta a fugir!


Vai fugir como fugiu o de Guterres mas até a tanga já nos leva. Agora deixa-nos nos nus e descompostos! Espero que fiquemos também envergonhados!


Há apenas quatro meses o governo e o então novo líder do PSD estavam de acordo. Era preciso aprovar um PEC – que logo se percebeu que apenas tinha E (de embuste), sem P (seja de plano seja de programa) nem C (de crescimento) – para acalmar os mercados e lá se dançou o tango.


É hoje claro que para o primeiro-ministro aquilo não passou de baile. Não era para levar a sério, era para continuar a fazer de conta. O seu parceiro de tango é que, como agora se vê, parece que levou aquilo um pouco mais a sério!


Entretanto o primeiro-ministro lá ia deixando correr o marfim. Num país virtual, ora tecnológico ora de novas oportunidades, em second life.


Percebia-se que o par dançava cada vez mais afastado, num tango já sem ponta de sensualidade. Nem um ligeiro encosto, um leve sarrafar!


Até que chegamos à beirinha do orçamento. O Presidente da República quer um orçamento negociado entre os dois para garantir a sua vidinha sem chatices: é música para os ouvidos de Sócrates! Que, porém, nada faz para se aproximar do par, que até parece cheirar mal dos sovacos, a precisar de patcholi.


Passa a dançar a solo, substituindo a música: agora é o Estado Social, tocado até à exaustão. Até o disco ficar riscado!


Claro que sabíamos no que ia dar a conversa do Estado Social. Simples: aumentar impostos mas nunca cortar na despesa! Subliminar: não reduzimos a despesa do Estado para não pôr em causa o Estado Social e para combater o défice temos que aumentar impostos. Outra vez!


Já ninguém se lembra que há quatro meses se havia acordado aumentos de impostos mas também redução de despesa! E que todos garantiam a pés juntos que não haveria mais aumentos de impostos!


E pronto! O ministro das finanças, como se acabasse de ser apanhado por uma enorme surpresa, a mesma surpresa do disparo do défice nos últimos dias do ano passado, lança o grito de desespero: digam-me como é que eu consigo reduzir o défice em 4,5 mil milhões sem aumentar impostos


Logo a seguir é Pedro Silva Pereira: se não aprovam o nosso orçamento com os impostos que quisermos vamos embora. Já hoje, e desde Nova Iorque, é o primeiro-ministro que o confirma.


Está visto: esta gente, para reduzir o défice, só conhece um instrumento e uma única maneira de lhe mexer: aumentar impostos, ir-nos ao bolso!


Eu, por mim deixava-os ir embora. De vez e para bem longe. Pena que não fiquem a arder nas chamas do inferno que aqui criaram!

Banha da cobra

Escola do século XXI, ou a banha da cobra educativa | Escola Portuguesa


Ficamos hoje a saber que nos Estado Unidos, e nos restantes países mais desenvolvidos, esta crise epidemiológica deverá chegar ao fim no terceiro ou no quarto trimestre do próximo ano, mas que é possível que regressemos à normalidade já no primeiro ou no segundo trimestre.


E quem é que nos vem dizer estas coisas, a apontar para a luz no fim do túnel?


Um grupo de cientistas de um conglomerado de universidades mundiais? A OMS? Um departamento especializado de uma estrutura europeia ou americana de que nunca tínhamos ouvido falar?


Não. Nada disso. Quem nos diz isto é uma consultora americana de negócios: a McKinsey!


Que explica - não fossemos nós duvidar - que, depois de desenvolvida a vacina, e da sua aplicação a parte suficiente da população, bastam seis meses para ser criada a imunidade de grupo. E que todos estes passos cabem no seu calendário se a produção da vacina permitir rapidamente a disponibilidade de milhões de doses, se as cadeias de distribuição forem eficazes e se milhões de pessoas se disponibilizarem para ser vacinadas logo na primeira metade de 2021.


Uma empresa de consultoria empresarial poderá intervir na capacidade de produção e na gestão da eficácia da distribuição. É aí que está o seu negócio. Já a descoberta e os testes da vacina, e o processo de vacinação, que é o que verdadeiramente está em causa, são tudo coisas que não lhe dizem respeito, e que extravasam completamente o seu campo de intervenção.


Mas isso não interessa nada, como diria a outra. O que interessa é que a mensagem passe e chegue onde terá de chegar. Nem que para isso se tenha de descer ao nível da banha da cobra. 


E depois não querem que os consultores tenham má fama...


 


 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Acabei de regressar do Brasil, onde voltei precisamente dez anos depois. Por mera coincidência, de novo em tempo de campanha eleitoral!


Voltei pois a encontrar um país em campanha eleitoral. Encontrei um país com algumas diferenças mas uma campanha eleitoral bem diferente.


Sempre um Brasil de dupla face – sinais de desenvolvimento próprios de uma potência mundial convivem, lado a lado, com os mais evidentes sinais de terceiro-mundismo –, mas agora um país que todo o mundo cobiça. Qual garota de Ipanema, filha adoptiva do talento de Vinícius (…olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…) que todos querem para namoradinha!


Nunca antes o mundo olhou para o Brasil deste jeito!


Um país que todos os dias atinge novos máximos nos mais diversos índices, a fazer lembrar aquelas semanas loucas das bolsas. Batem-se sucessivos recordes e cria-se a ideia que o limite é o céu. Depois cai tudo, mas isso é outra estória! Esperemos que seja!


Foi este país que vim encontrar, mas … em campanha eleitoral.


A primeira sensação foi que não tinha chegado a sair de Portugal. Sucesso atrás de sucesso, cada indicador melhor que o outro. Os milagres do Estado Social… Estava ali tudo, não faltava nada: aquilo era o discurso que eu ainda levava nos ouvidos. E, no entanto, estava do outro lado do oceano! O país era outro mas o discurso era o mesmo. Fantástico! Nunca antes tinha visto uma coisa assim!


Depois do choque inicial comecei então a perceber as nuances do discurso. Comecei por perceber que os dados e os indicadores que sustentavam o discurso faziam sentido. São produzidos pelo INE lá do sítio – o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – variam a sério, não em cagésimos, são lidos correctamente e impressionam mesmo!


Mas era um discurso cheio de “nunca antes”. Nunca antes de Lula, claro!


Todos aqueles dados e indicadores impressionantes têm uma única referência: o Presidente Lula. O mérito por tudo o que de bom se passa hoje no país é dele. E só dele! Há já quem diga que se eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar a Lula o mérito do descobrimento do Brasil!


É este o registo de uma campanha eleitoral onde o presidente se sobrepõe ao candidato. Destinada a assegurar uma continuidade dinástica, bem mais própria da velha linha latino-americana que das democracias modernas do mundo que hoje namora o Brasil, e onde o presidente não se comporta de forma condizente com o seu prestígio pessoal. Bem maior no exterior do que internamente!


É preocupante, e bastante questionado em sectores insuspeitos da sociedade brasileira, este envolvimento e esta personalização meio chavista da campanha. Tão mais preocupante quanto se sabe que nunca foi desmantelada a rede de corrupção com epicentro na sua Casa Civil. Que todos os dias faz prova de vida.


Parece-me que nem o Brasil nem a senhora Dilma Roussef mereciam isto. Nem, acima de tudo, Lula!

Respostas mal amanhadas

Visitas a casa de amigos ou familiares duplicaram entre março e maio


 


Não passou despercebida a presença da bastonária da Ordem dos Enfermeiros na convenção do chaga. Não passaria, sabe ela, e sabemos todos. E por isso alguma justificação teria de dar: “Não sou apoiante do Chega, nem tenho de apoiar as propostas do Chega ou fazer parte de alguma comissão de apoio para ir cumprimentar um amigo” - foi a resposta que deu à inevitável pergunta.


Não diz quem é o amigo, mas não é difícil de adivinhar. E é mesmo possível supor que por lá tivesse muitos... Tenho para mim que as visitas aos amigos pertencem à esfera de privacidade de cada um. Quando acontecem no espaço público é outra coisa. E a deslocação a um evento público para cumprimentar um amigo não é nem uma visita, nem um cumprimento. É uma forma de expressão pública de apoio. Se o evento é de natureza política, isso é expressão - legítima, não é isso que está em causa - de público apoio político.  


Daí que o melhor que se pode dizer da explicação da bastonária é que está mal amanhada. "Não sou apoiante"... mas venho apoiar!


Não havia necessidade, mas é o sinal dos tempos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Chaga

Política, a competição das virtudes e o marketing vazio – Comunidade  Cultura e Arte


 


Esse partido de que não se pode dizer o nome, por causa do algoritmo, reuniu este fim de semana em Convenção Nacional. Onde o seu líder, cujo nome é, pelas mesmas razões impronunciável, acabado de eleger com mais de 99% dos votos, mas com grandes dificuldades em fazer aprovar a sua direcção e estratégia, garantiu transformar a agremiação na terceira força política do país e disputar pessoalmente a segunda volta das presidenciais    


A coisa foi agitada, e não foi só por ter sido preciso esperar pela terceira votação para conseguir aprovar a  direcção. A GNR teve mesmo de por lá aparecer para pôr alguma ordem naquilo, porque aquela gente faz questão de insistir que a pandemia não passa de uma questão ideológica, e que distâncias e máscaras, como bem ensinam Bolsonaro e Trump, não é coisa para eles.


Mas não foi esta agitação que mais me chamou a atenção nesta reunião. Interessava-me mais, num partido em que apenas o líder se conhecia, e que crescia nas sondagens pela mobilização dos desiludidos da democracia, os que vêm engrossando a enorme legião de abstencionistas, perceber quem começava a chegar-se atrás do cheiro a lugares de deputados, presidentes de câmara, vereadores ou até de juntas de freguesia. Ver esses nomes e as suas manobras de bastidores. 


E viu-se uma coisa interessante. Viu-se, por exemplo, que um ou outro nome vinha do PNR. Mais uns tantos vinham da Aliança, do Pedro Santana Lopes que por aí vai andando, e que grande parte vem mesmo directamente do PSD. Se juntarmos a malta da Aliança, que também de lá chegou há pouco tempo, percebemos que este partido de fora do sistema, que se alimenta de desiludidos do regime, é constituído por gente que fez todo o seu percurso político no PSD. Que fez o regime, com tudo o que de certo, e de errado, ele tem.


Não consigo perceber é se isto diz mais sobre o PSD se sobre este partido que não pode dizer o nome. Há quem lhe chame "chaga". Parece-me bem: vou adoptar!

domingo, 20 de setembro de 2020

Tour de France 2020 VI

Tour de France: feu d'artifice slovène sur les Champs-Elysées - Libération


 


Terminou o 107º Tour de France. "Aux Champs Elysées", como dizia uma canção, "comme d`habitude", como dizia outra, na etapa 21.


Em Paris ganhou o irlandês Sam Bennett, da Quick Step, e confirmou a camisola verde que há muito vestia, mas que o eterno vencedor da classificação por pontos, o eslovaco Peter Sagan, da Bora, ainda poderia discutir. 


E começaria por aqui o capítulo das desilusões deste sensacional Tour 2020. Sagan, o mais bem pago ciclista do mundo, não ganhou hoje - foi terceiro na etapa - como não ganhou nunca a qualquer dos sprinters com que teve de competir. E para quem foi durante sete anos consecutivos o vencedor da classificação por pontos, a quem se não conhecia outra camisola que a verde, foi pouco. Tudo tem um fim, e este poderá ter sido o fim de um longo reinado no mundo dos sprints.


A decepção maior vai indiscutivelmente para Ergan Bernal. De super favorito a super derrotado vai um fosso muito grande todo ele cheio de decepção. E logo a seguir para o seu compatriota Nairo Quinta, o 17º classificado a mais de uma hora dos três primeiros.


Também a corrida do nosso Nelson Oliveira nos desiludiu. E nem foi pelo 55º lugar na classificação, a mais de 3 horas dos primeiros, foi mesmo pela corrida que fez. Por exemplo, no lugar a cima, a pouco mais de 5 minutos, classificou-se um dos maiores - se não mesmo o maior - animadores da corrida, o suíço Marc Hirschi. Ganhou uma etapa, foi segundo e terceiro noutras duas, e foi considerado o super-combativo deste Tour.


Colectivamente foi a Ineos, a sucessora da espectacular Sky, a grande desilusão da prova. Tudo lhe correu mal, a começar logo na constituição da equipa, sem Chris Froome e sem Geraint Thomas. Falhou a aposta em Bernal, acabando por penalizar Carapaz, e o seu melhor corredor não conseguiu melhor que o 13º lugar na geral, atrás - mas a mais de 8 minutos - do veteraníssimo Valverde.


A Jumbo (segunda classificada) chegou a parecer, mas só isso, a parecer a herdeira da Sky na forma como controlou toda a corrida. Controlou tudo, só não controlou o que não podia controlar - o contra relógio. Aí, com os corredores entregues a si próprios, não pôde fazer nada por Roglic. O que valoriza ainda mais a vitória de Pogacar, com uma equipa - a Emirates, também de Rui Costa, incomparavelmente  mais fraca e nos últimos lugares (9º) na classificação, que a Movistar voltou a ganhar.


No fim fica uma competição espectacular e a revelação de uma mão cheia de jovens ciclistas de grande qualidade futuro - a começar evidentemente no sensacional Pojacar - que garantem a espectacularidade  do Tour, e da modalidade, para os próximos anos.




 



 

sábado, 19 de setembro de 2020

Tour de France 2020 V


 


Golpe de teatro no Tour. Contra todas as expectativas Pogacar chegou ao contra-relógio de hoje, na penúltima etapa, destroçou toda a concorrência, e ultrapassou o seu compatriota Roglic, dado por toda a gente como o vencedor antecipado.


Aos 21 anos - o mais jovem de sempre do Tour, se não tivesse havido, em 1904, um rapaz de 19 anos a fazer o mesmo - na sua primeira participação Tadej Pogacar ganhou o Tour. Para gravar o feito a letras de ouro, foi o primeiro na classificação da montanha (há dois dias, na despedida dos Alpes, dava aqui por garantida esta classificação pelo equatoriano Carapaz, desconhecendo - mea culpa - que o contra-relógio de hoje, que acabava em montanha, ainda contaria para essas contas), foi naturalmente o primeiro na juventude (camisola branca), e ganhou três etapas. Tudo isto depois de ter sido uma das vítimas do vento, naquela sétima etapa, onde perdera minuto e meio. Ninguém ganhou tanto!


No contra-relógio de 36 quilómetros Pogacar foi simplesmente espectacular, ganhando 1:21 ao holandês Tom Dumoulin, campeão do mundo da especialidade, e ao australiano Richie Porte - os dois grandes candidatos à vitória na etapa - 1:31 ao alemão Van Aert (uma surpresa) e 1:56 a Roglic, que partira com a vantagem, dada por segura, de 57 segundos. 


O esperado excelente resultado de Richie Porte valeu-lhe o pódio. Admitia-se que pudesse de lá apear Miguel Angel Lopez, o que não se esperava era que o contra-relógio atirasse o jovem colombiano por ali abaixo. Caiu para sexto, ultrapassado ainda pelos dois espanhóis do top ten, que até acabou por dar top five: Mikel Landa e Eric Mas.


Ainda não tinha falado do português Nelson Oliveira, porque não havia nada (de bom) para dizer. Esperava pelo contra-relógio de hoje, a sua especialidade, para falar dele, na expectativa de um bom desempenho, que seria sempre entre os dez melhores. Foi 27º, com mais 4:42 que Pogacar. E 56º na geral, num Tour em que foi demasiado discreto. 

Arrasar de luto

O resumo do Famalicão-Benfica em 5 minutos - I Liga - SAPO Desporto


 


Foi um Benfica de luto que abriu o campeonato, em Famalicão. Todo de preto, a razão de terça-feira não era para menos. De luto mas não pesaroso e carpideiro. Pelo contrário, de feridas lambidas e disposto a vida nova.


Não sei bem o que é arrasar. Se é jogar bem, marcar muitos golos, impedir que Zlobin se transformasse em Zivkovic, ignorar árbitros e VAR´s e ridicularizar manobras de bastidores, como por exemplo, um win-win entre vendedor e comprador, a atrasar uma contratação fechada para utilizar um jogador (tido por bom, se não não o contratavam) neste jogo; se é isso tudo, o Benfica arrasou. 


Jogou bem, marcou cinco bonitos golos (o do Famalicão também não é nada de deitar fora, mesmo que não lhe tenha achado graça nenhuma), e deixou por marcar outros tantos. Não deixou espaço para que a arbitragem desse um ar da sua graça, e um tal Toni Martinez acabou por ter de sair com o rabinho entre as pernas.


Para além de ter então arrasado, também o treinador do Benfica esteve bem. Muito bem, até. Bem ao substituir no onze inicial quatro dos jogadores que não tinham estado bem na segunda parte de Salonica. Se só podem jogar onze de cada vez, que joguem os melhores onze de cada vez!


E muito bem ao incluí-los nos substitutos. Dos quatro que saíram da equipa apenas o Pedrinho não entrou, e mesmo esse por uma causa maior: a opção de utilizar o Diogo Gonçalves  em Famalicão. Diogo Gonçalves que - já se percebeu - irá ser trabalhado para lateral direito, e isso é uma excelente notícia. A Pizzi, Vinícius e Weigl o jogo e o treinador disseram que não entraram de início porque outros estavam melhor, mas que noutros jogos poderão ser eles a estarem melhor. Mesmo que para Vinícius e Weigl a coisa não esteja fácil.


Saliento estes aspectos porque estas não eram virtudes atribuídas a Jesus. Pelo contrário, os seus  maiores defeitos prendiam-se todos com a falta de sensibilidade para estes "pormaiores" da gestão de recursos humanos. 


Depois, claro, a estreia de Waldschmidt, que já tardava, foi fantástica. Dois golos (o primeiro e o último, pelo meio Everton, Grimaldo e Rafa) que lhe vincaram a classe, e uma exibição de campo cheio. A confirmação que Everton é mesmo craque, e a surpresa de uma integração perfeita neste futebol que obriga a correr muito, e nem sempre é para a frente. Gabriel a 6, muito bem e muito, mas muito acima de Weigl. E Taarabt, um transportador como não há outro, mas sempre a precisar de gelo na cabeça. Até ontem, num jogo arrasado, ferveu em pouca água. 


O luto da eliminação da Champions parece que está feito. E como os adeptos não têm que olhar para as contas bancárias...


 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Grito de desespero

O grito de desespero mais perturbador que alguma vez deve ter sido ouvido: 


Regresso às aulas*

Regresso às aulas: Vai ser complicado garantir que as regras são cumpridas  - Portugal - SÁBADO


 


Talvez nenhum sentimento se cole tanto ao regresso às aulas como a ansiedade. É certo que também lá cabem alegria, expectativa, sonhos e ilusões. Mas nada bate a ansiedade dos que entram pela primeira vez no mundo desconhecido da escola. E a dos pais que os deixam pela primeira vez à porta desse mundo novo.


É sempre assim a cada ano que passa. Primeiro é  a excitação das compras do material para a escola, do que é imprescindível e do que pouca ou nenhuma falta virá a fazer, porque há muito que o mercado potencia sem limites a oportunidade que aqui descobriu. Mas depois vem a angústia do fim das férias, a adaptação a novos ritmos, o adeus a zonas de conforto. E vêm as expectativas, as dúvidas e as inseguranças. De pais e de filhos…   


Este regresso às aulas, que teve no dia de ontem o seu ponto alto, e a data limite para que as escolas abrissem as portas aos seus alunos, tem tudo isso. Mas tem muito mais, com muita mais ansiedade.


As escolas abrem na fase da maior actividade da pandemia, aos níveis de Abril, mas num período de maior complexidade e de mais incerteza, com a (grande) probabilidade de terem de voltar a fechar transformada numa espada sobre a cabeça de todos nós. Mesmo dos que, não tendo filhos em idade escolar, acham que não têm a nada a ver com o assunto.


Têm. Temos todos. Os pais, que tiveram que lidar todos estes meses com os filhos em casa, com a vida virada do avesso, não vão conseguir passar por outra igual. E isso toca-nos a todos. As escolas fechadas aprofundam desigualdades e, a cada vez que a desigualdade cria mais desigualdade, nasce uma espiral de crescimento exponencial do número dos que ficam definitivamente para trás. 


E isso toca-nos ainda mais a todos…


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Tour de France 2020 IV


A três dias de terminar em Paris, concluídas as etapas dos Alpes, as principais classificações da Volta a França estão definidas. É certo que o contra-relógio de sábado, na véspera da chegada aos Campos Elíseos, ainda poderá provocar alguns ajustes. Mas não mais do que isso: os 57 segundos de  vantagem que Roglic tem sobre o seu compatriota Pogacar serão suficientes para ganhar o Tour deste ano.


Para trás ficaram três etapas decisivas, e todas elas espectaculares, onde os dois eslovenos continuaram a demonstrar que são os que estão mais fortes. A etapa de terça feira, depois do descanso,  deu o mote para esta sequência demolidora nos Alpes. 


O equatoriano Richard Carapaz, da Ineos, já liberto da ajuda a Bernal, que deu o berro justamente nesta etapa, e também já muito atrasado na geral, atacou a etapa numa fuga bem sucedida e que ganhou muito tempo ao grupo dos primeiros da classificação. O grupo em fuga foi-se diluindo, e o próprio equatoriano acabou por não resistir ao alemão Lennard Kamna, da Bora, que  chegou isolado a Villard-de-Lans, pouco menos de minuto  e meio antes de Carapaz, o segundo, mas com mais de 15 minutos de vantagem sobre os principais corredores do pelotão.


O vencedor do ano passado, que há muito vinha dando sinais de não poder responder à condição de super favorito com que chegou, acabou aqui, sem honra nem glória. Terminou a etapa, mas não resistiu nem ao fracasso nem o trambolhão que levou na tabela classificativa. Acabou por sair pela porta mais pequena que um ciclista conhece: a desistência pelo peso da derrota.


Seguiu-se a etapa mais dura desta edição, a 17ª, entre Méribel e La Roche-Sur-Foron, em altitudes superiores aos dois mil metros, chegando mesmo aos 2400 no Col de la Loze, com rampas com mais de 20% de inclinação. Era a etapa dos colombianos. E foi, mas não a dos de maior nomeada. Foi a etapa de Miguel Angel Lopez (Astana), mais um jovem, que foi o mais rápido a acelerar do grupo dos favoritos não só para obter a vitória, mas também para chegar a terceiro na classificação geral. E foi a etapa da confirmação dos dois eslovenos, com Roglic a superiorizar-se a Pogacar - que acabaria por conquistar a camisola das bolas vermelhas, de melhor trepador - na disputa do segundo lugar na etapa, e a ganhar-lhe, com a bonificação, mais 15 segundos, fixando a diferença actual nos já referidos 57 segundos.


Hoje, na despedida dos Alpes, mais uma etapa com grande animação, num percurso de constante “sobe e desce”. Vingou uma fuga de 32 ciclistas, mas no fim só dois lograram sucesso: Kwiatkowski, e Carapaz, companheiros na Ineos, que cortaram a meta abraçados, com equatoriano a abdicar da vitória  que perseguia há três dias para a oferecer ao seu colega polaco a sua primeira vitória no Tour. Roglic foi quarto, logo seguido de ... Pogacar, que acabou por perder para Carapaz a liderança já definitiva da montanha. E tem a vitória à distância dos 35 quilómetros do contra-relógio de sábado.  


O pódio também parece definido, com Roglic, Pogacar e Miguel Angel Lopez. Muito embora não seja de descartar a hipótese de, no contra-relógio, o australiano Richie Porte ganhar ao colombiano os quase dois minutos que o separam do terceiro lugar.


 

Notícias do dia

Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia


Duas notícias do dia de ontem: a abrir o dia, o discurso da presidente da Comissão Europeia; a fechá-lo, a remodelação no governo. 


Grande discurso, o de Ursula von der Leyen, sobre o Estado da União. Há muito que não ouvíamos do mais alto responsável da União Europeia um discurso tão afirmativo, mobilizador e inspirador. Mas também há muito que a União não tinha um alto responsável que merecesse sequer ser ouvido. Ursula von der Leyen está a construir o carisma que faltava na liderança europeia. O desafio é agora utilizá-lo para levar o discurso à prática.


Por cá, a remodelação do governo. Que mais parece um quebra-gelo que António Costa decidiu levar hoje para Belém. Com a tomada de posse dos novos Secretários de Estado a anteceder a reunião semanal entre o Presidente e o Primeiro-Ministro, o puxão de orelhas  poderá ser menos puxado. Pode não ser nada disto. Mas parece!


 


 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


futebolês é uma linguagem com virtudes inimagináveis. Entre elas uma capacidade extraordinária de adaptação aos mais rebuscados conceitos e uma enorme facilidade de transmitir as mais subliminares mensagens. O falso ponta de lança tem um pouco de tudo isso!


Há o ponta de lança – matador –, que já por aqui passou, mas também o falso ponta de lança. Que, ao contrário do falso médico (ou de qualquer outro falsificador), não anda por aí a armar-se no que não é. O falso ponta de lança não é aquele tipo que chega ao aeroporto todos os Verões (e todos os Janeiros, também Verão lá na terra deles) a proclamar aos setes ventos que faz muitos golos, que remata bem com os dois pés e que é muito bom de cabeça mas que, depois … nada. Nem um só desses atributos! Esse, embora pudesse parecer, não é o falso ponta de lança. Esse é o barrete!


falso ponta de lança não é um impostor. Fazem dele um impostor, não o é ele próprio. É o treinador que cria esse embuste!


Ou porque não tem mesmo um ponta de lança na equipa – às vezes só tem um ou outro desses barretes – e, já diz o povo, quem não tem cão caça com gato; ou porque, mesmo tendo-o, não o utiliza porque tem medinho do adversário. Não é capaz de o enfrentar cara a cara. De disputar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos com o adversário. Arma a equipa em bases ultra defensivas e, não lhe sobrando ninguém para servir o ponta de lança – ou assistir, como vimos na assistência –, opta por destinar as tarefas atacantes a um só jogador, normalmente franzino e rápido e de boa relação com a bola.


Aí está o falso ponta de lança!


Que nem sequer é bem uma falsidade. Comparada com as falsidades que por aí andam…


São as falsas partidas do Benfica e da selecção, a colocarem em sérios riscos os respectivos objectivos logo de início. São as falsas soluções e até mesmo os verdadeiros problemas confundidos com falsas questões!


Na selecção, como de resto se esperaria, tudo se resolveu com o despedimento de Queiroz. É falso que Madaíl tivesse algo a ver com o problema, ou mesmo que não seja ele o próprio problema. Basta olhar para a desorientação e o desespero verdadeiramente humilhante da tão disparatada quanto ridícula ideia de ir suplicar a José Mourinho (e ao Real Madrid) que venha treinar a selecção nos dois próximos jogos. Nunca visto!


No Benfica as coisas estão a correr como a partir de certa altura (o tema tem aqui sido abordado desde a 36ª edição) era previsível que corressem.


É visível que não há só falsos pontas de lança. Também há falsos resultados, falseados por arbitragens que, muitas vezes, custam a perceber como meramente infelizes. Objectivamente o Benfica vem sendo duplamente prejudicado: penalizado por decisões erradas nos seus próprios jogos e por decisões erradas que têm beneficiado os seus adversários directos. E os órgãos sociais do Benfica reagiram. Com razão. Mas mal, a meu ver! Mal porque dispararam em todas as direcções, e muito mal quando apelam à desmobilização da sua massa associativa – a sua maior força. Uma força capaz de levar a equipa ao colo – joga praticamente em casa em 27 ou 28 dos 30 jogos do campeonato – como ainda há pouco se via. Apelar aos adeptos para não comparecerem nos campos dos adversários é deitar fora uma das principais vantagens comparativas. Mas é também um espinho na relação de boa vizinhança com a grande maioria dos concorrentes: os pequenos clubes que vêm na visita do Benfica o seu euromilhões!


Não é assim que se mobilizam as tropas!


Ah! E Olegário Benquerença?


Bom, não está em causa a sua seriedade, para mim absolutamente intocável. Mas começa a ser demasiado evidente que não é feliz nos jogos com o Benfica. E como faz infelizes todos os benfiquistas (menos um, que eu conheço e ele também)!


Tudo começou aqui há uns anos, na Luz, com aquele remate do Petit que o Vítor Baía defendeu para além de uma linha que, mais que uma linha de golo, é uma linha que separa benfiquistas e anti benfiquistas. A partir daí é uma história de jogos complicados que, à luz dos dois últimos – o do Dragão do final da época passada e agora este de Guimarães – o melhor mesmo é pôr-lhe ponto final. E que a recente homenagem da A. F. Porto (já quase ninguém se lembrava da sua histórica e tumultuosa relação com a arbitragem) em nada ajudou. É que não é a mesma coisa da homenagem da A.F. Leiria, em que com muito gosto (a convite do tal benfiquista único  que acima referi) participei, na véspera da partida para a África do Sul!


E domingo há derbi. Que parece estar já a aquecer, depois de uma longa semana europeia em que apenas o Braga deu passo em falso!

Um problema de carteiras

António Ramalho no Parlamento. Acompanhe em direto a audição do presidente  do Novo Banco – O Jornal Económico


 


António Ramalho voltou a referir, agora na Assembleia da República, que nada de anormal há quer nas vendas do imobiliário - uma carteira "má, velha e ilegal", referiu - do Novo Banco, quer nas carteiras de crédito constituídas. E que o Fundo de Resolução assinou sempre por baixo.


Mais que isso faz já o novo governador do Banco de Portugal. Mário Centeno já veio dizer que o Novo Banco só fez boas vendas. E que pode António Ramalho - que prometeu no Parlamento demitir-se no caso de se vir a saber que a Lone Star, ou alguém relacionado, tinha sido o destino último dessas vendas - estar descansado porque nada o impedia de fazer negócios com o seu patrão.


E pronto, é assim que as coisas funcionam, com ninguém a querer perceber os problemas que essas carteiras trazem às dos portugueses. E depois admiram-se que se fale deles. De muita gente achar que eles só se preocupam com a carteira deles. Toda feita de lata. De uma grande lata! E dar ouvidos aos tipos que por aí aparecem a chamar-lhes carteiristas...

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Tragédia grega em quatro problemas



Foto de A Bola


Não se imaginaria que o Benfica pudesse ser afastado da Champions logo à primeira. Era uma eliminatória de um só jogo - e sabe-se que num jogo de futebol tudo pode acontecer -, no campo do adversário. Mas contra o PAOK, um adversário bem mais fraco, com um plantel avaliado em menos de um terço do do Benfica. E com quem tinha uma história de vitórias.


Mas aconteceu, e o Benfica falha a presença na Champions, com pesadíssimas consequências financeiras e desportivas, depois do all in que marcou a estratégia para esta época. Financeiramente o Benfica não perdeu apenas os 50 ou 60 milhões que a simples presença na fase de grupos da Champions garantiria, e com o que a tal estratégia contava para uma insaciável política de contratações. Perdeu também os outros tantos 60 milhões com que contava em vendas, particularmente de Vinícius, que saiu de Salonica simplesmente invendável. Nem em saldos|


Para realizar metade dessa verba apontada para Vinícius o Benfica precisa agora de vender três ou quatro jogadores nos saldos. Com esta eliminação o Benfica vê-se obrigado a abrir a época de saldos.


Como é que aconteceu? Como é que o Benfica não ganhou um jogo que tinha de ganhar? E que tinha a obrigação de ganhar...


O Benfica dominou por completo o jogo e o adversário durante toda a primeira parte, em que apresentou um futebol agradável, com boas jogadas e com três ou quatro boas oportunidades de golo, entre as quais uma bola na trave, de Pizzi. Teve dois problemas, este domínio.


O primeiro foi que Seferovic, o ponta de lança que Jesus lançou para o jogo, a mais discutível das suas opções na constituição do onze, foi o que já é há muito. Fraco. O segundo foi o de convencer os jogadores que aquilo estava ganho. Com aquela superioridade toda, não havia como não ganhar aquele jogo.


A estes dois juntar-se-ia o problema da segunda parte. Toda ela um problema!


Provavelmente a estratégia do Abel Ferreira, o treinador da equipa grega, passava por contar com a sorte de passar incólume a primeira parte, e contar depois com a acomodação dos jogadores do Benfica. Fazer da primeira parte o engodo. O isco que os jogadores encarnados haveriam de morder.


E morderam. Quando o PAOK passou para outro registo o Benfica ficou surpreendido, e não conseguiu reagir. E foi vê-los a invadir o seu meio campo ofensivo em saídas rápidas para o ataque. Logo à primeira, pouco depois do primeiro quarto de hora, chegou ao golo. Ainda por cima um auto-golo, de Vertonghen.


De imediato o Abel fez entrar Zivckovic, acabado de sair da Luz pela porta pequena. Percebeu-se a ideia e resultou em cheio: o ex-jogador do Benfica não perdeu uma única bola, ao contrário de Vinícius, que entraria pouco depois, que as perdeu todas. De uma delas, a segunda consecutiva em dois displicentes passes de calcanhar, saiu o contra-ataque que daria o segundo golo da equipa grega. Por Zivckovic, dez minutos depois de ter entrado. E tudo ficou decidido logo ali.


Antes do golo de Rafa, a 1 minuto do fim, o Benfica poderia ter marcado. Teve duas boas oportunidades para isso, mas o PAOK tem dois "Zivckovics". Tinha outro na baliza, que resolveu tudo o que teve para resolver. Também ele enganador. Parecia que não tinha grandes aptidões para a função, mas era mentira.


Zivckovic foi também nome de problema. O quarto deste jogo!


O problema maior é que, com tantos milhões gastos, e a gastar em massa salarial, está criado um problema em cima dos problemas que havia. E que não estão resolvidos!


 

O desafio de fugir ao destino

Para que serve o plano de Costa Silva?


 


É hoje apresentada a versão final da Estratégia para o Plano de Recuperação Económica de Portugal para os próximos dez anos, de António Costa Silva e entretanto submetido a discussão pública, de onde saiu enriquecido com 1500 novas propostas. 


É agora tempo de desmentir aquela ideia feita que somos muito bons a fazer bons planos para deixar na gaveta... Vamos lá a ver se somos capazes!


Daqui a um mês o governo vai entregar um esboço do Plano de Recuperação e Resiliência, à luz dos milhões de Bruxelas. Logo a seguir conheceremos as Grandes Opções do Plano 2021-2027. Talvez aí se comece a perceber se o plano de Costa Silva consegue fintar o destino...


 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Sem honra nem glória

Costa debaixo de fogo por integrar comissão de honra de Luís Filipe Vieira


 


Soube-se no sábado que o primeiro-ministro, António Costa, e Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, integravam a comissão de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica. E ficou notícia, como não poderia deixar de ser.


É mais, bem mais, que apenas mais um caso de promiscuidade entre política e futebol.  Percebe-se que os dois juntos fazem um pacote, mas são obviamente diferentes as responsabilidades de cada um. Desde logo porque são diferentes as responsabilidades políticas de cada um.  Mas também porque, se é frequente ver os autarcas envolvidos com os clubes dos respectivos municípios, e encontrar até aí o paradigma daquela promiscuidade, como acontece no Porto com Rui Moreira, é raríssimo um envolvimento como este de um chefe de governo. Não me ocorre sequer  qualquer um.


Evidentemente que a esfarrapada desculpa de que estes são actos da esfera pessoal de cada um, que nada têm a ver com o exercício dos respectivos cargos públicos, não colhe. Desde logo porque é o exercício  desses cargos que lhes dá a notoriedade que lhes confere peso e a notabilidade que lhes dá a honra para uma comissão de honra.


Acresce a tudo isto Luís Filipe Vieira e as suas circunstâncias, suficientemente conhecidas para me dispensar de as enumerar. Enquanto não for condenado por coisa alguma, Vieira é inocente de tudo o que é suspeito e/ou acusado. Mas as suas circunstâncias vão hoje muito para além do quadro criminal, como também se sabe. E aí não há julgamentos, há factos. Que não abonam a honorabilidade de ninguém e objectos de forte condenação moral.


Só uma total falta de apurado sentido político justificaria esta decisão de António Costa se empenhar desta forma na candidatura de Luís Filipe Vieira. Não é por falta de faro político que António Costa é conhecido. É reconhecidamente o mais astuto dos políticos na praça, e não é fácil cair em lapsos comprometedores. 


Resta então outra hipótese: sensação de impunidade. António Costa terá entendido que a forma como joga o jogo político lhe deu um estatuto que o coloca acima de tudo e de todos. E não é a primeira vez que se lhe nota essa soberba. Começa até a ser recorrente...


Diz-se que que o Presidente Marcelo quer que o primeiro-ministro lhe explique. Poderia começar assim: "Ó  António explique-me lá, como se eu fosse muito burro, como é que se meteu nesta alhada"!


 


 


 

domingo, 13 de setembro de 2020

Ferrari mil

F1PT – F1 em Português


A Ferrari comemorou hoje o seu milésimo grande prémio na História da fórmula 1, justamente no Grande Prémio da Toscana, na sua própria pista.


O número é bonito, como bonita foi a festa com, entre outros acontecimentos, uma volta de exibição do filho de Michael Schumacher no bonito Ferrari com que o seu pai correu em 2004. A lendária equipa do cavalino rampante decidiu assinalar este marco histórico com o regresso à cor do carro que iniciou esta História, o Ferrari 125 com que disputou o Grande Prémio do Mónaco de 1950 - o vermelho escuro.


Um vermelho morto que, quando comparado com o seu marcante vermelho vivo, faz jus à realidade actual da equipa, bem escura e sem vida, como hoje ficou mais uma vez demonstrado, com os seus dois carros a serem os autênticos bombos da festa.


O velório Ferrari na sua festa foi uma das mais acidentadas corridas da História, com duas bandeiras vermelhas. Logo no arranque - em que Bottas, na segunda posição da grelha, ganhou a partida a Hamilton, o Red Bull de Verstappen, depois de um bom arranque, falhou logo a seguir e fez com que uma série de carros lhe batessem e batessem entre si.


E logo na primeira volta o safety car foi chamado à pista. Quando saiu, Bottas, na frente, numa daquelas manobras para enganar o perseguidor (Hamilton), tardou no arranque. Lá para trás não contavam com isso, carregaram no acelerador e... nova carambola, com mais uma série de carros a espatifarem-se uns contra os outros. Safety car de regresso e ...bandeira vermelha.


Nova partida. Desta vez era Hamilton o segundo, e foi ele o melhor a arrancar. Sem corrida, nove voltas estavam entretanto consumidas. A partir daí foi o costume, domínio completo dos Mercedes, que deu até para Hamilton trocar de pneus e regressar à pista na liderança.


Faltavam 15 voltas para o fim quando Lance Stroll (pneu rebentado) saiu de pista e destruiu o seu Racing Point. E nova bandeira vermelha. E nova partida. Desta vez com Hamilton a manter o primeiro lugar no arranque e a conquistar o seu 90º grande prémio. Com Bottas a garantir a dobradinha para a Mercedes, e Alexander Albon (Red Bull) a fechar o pódio.


 

Tour de France 2020 III

Tadej Pogacar vence nona etapa e Roglic veste camisola amarela


 


Bem lá no alto das montanhas do Jura, onde o Tour nunca tinha chegado, a provar que nem só de Pirinéus e Alpes se fazem as grandes montanhas da Volta a França, conclui-se hoje com a 15ª etapa, entre Lyon e o Grand Colombier.


Foi uma segunda semana intensa, e com muita histórias, que fará a História do Tour deste ano.Foram seis etapas, onde apenas as duas primeiras foram decididas ao sprint, e ganhas por dois dos melhores desta edição: Sam Bennet, na primeira, a décima, e Cabel Ewan na seguinte. No resto foram fugas bem sucedidas, com vitória dos suíços Mark Hirschi (12ª) e Kragh Andersen (ontem, que se adiantou já muito próximo da meta); ou montanha, anteontem (13ª, ganha pelo colombiano Daniel Martinez) e hoje, provavelmente a etapa-rainha da prova, que deixou muita coisa para contar.


A etapa 13, anteontem, entre Châtel-Guyon e Puy Mary Cantal, já mexeu bem na tabela classificativa, com o miúdo Pogacar, o esloveno da Emirates, a subir do 7º lugar que trouxera dos Pirinéus para segundo. E com Romain Bardet, que era quarto, a sair dos 10 primeiros. Saber-se-ia depois que o francês fora mais uma vítima das incontornáveis quedas, sendo-lhe diagnosticada uma comoção cerebral já depois de concluir a etapa, pelo que já não alinhou à partida para a de ontem. Mais uma grande baixa no Tour.


A etapa de hoje, de grande dureza, foi de confirmação das suspeitas que andavam no ar. Suspeitava-se que os dois eslovenos, Pogacar, da Emirates, e Roglic, da Jumbo, eram os corredores mais fortes do pelotão. Que o colombiano Bernal estava longe de capaz de capaz de igualar os grandes feitos do ano passado, e que o também colombiano Quintana não estava muito melhor do que nos últimos anos, e longe, portanto, de poder recuperar tudo o que prometera em meados da última década.


Pogacar voltou a ganhar, seguido do seu compatriota Roglic, como há precisamente uma semana, na despedida dos Pirinéus. E Bernal "estoirou", e caiu pela classificação abaixo com grande estrondo. É agora 14º, a oito minutos e meio de Roglic. Quintana, dos corredores em prova a vítima maior das quedas, com pensos e ligaduras por todo o lado, também cedeu. Mas bem menos que o seu jovem compatriota, e é agora 9º, a cinco minutos do esloveno que vai de amarelo.


Vamos entrar da última semana, com os Alpes e o contra-relógio (também com uma subida acentuada), e ninguém aposta as fichas noutros que não os dois eslovenos. Roglic tem a seu favor o facto de estar num grande momento de forma. O problema é que esses momentos passam - por isso se lhes chamam momentos - e este já se prolonga há algum tempo.


E isso pode jogar a favor do miúdo de 20 anos. Inacreditável!

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Segunda vaga

Covid-19: Segunda vaga pode levar taxa de desemprego para os 17,6%


 


Poderemos não estar na segunda vaga da epidemia, mas já estamos numa segunda vaga do confinamento. É uma espécie de confinamento 2.0, o que o governo acabou de anunciar, com as medidas que entrarão em vigor a partir do próximo dia 15, já no início da próxima semana.


A ideia que fica é que, não fossem os imperativos económicos e orçamentais, e teríamos o regresso do confinamento puro e duro da primeira versão. Simplesmente o país não aguenta uma segunda vaga de confinamento.


O governo está mesmo assustado, e fica também a ideia que, desta vez, está mais assustado que as pessoas. Que parece que já não querem saber...


Essa é que talvez seja a segunda vaga. Porque, dizem os entendidos, que o vírus se está a comportar exactamente como os cientistas previram que se comportasse... Mas o tempo da ciência nunca corre ao lado do tempo da política


 


 

11 de Setembro

 


13 imagens e fatos impactantes para relembrar a tragédia de 11 de Setembro  - Mega Curioso


Foi há 19 anos!


 


Chuviscos...: Chile - 11 de Setembro de 1973


Foi há 47 anos!


 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A má notícia que é boa

Covid-19: Vacina só será disponibilizada depois de assegurada segurança e  eficácia


 


A notícia da suspensão dos testes na vacina contra a covid-19, de que a Europa tinha já encomendado 400 milhões de unidades, ontem tornada pública pela farmacêutica AstraZeneca, que a desenvolve  em parceria com a Universidade de Oxford, desencadeou duas reacções absolutamente opostas que nos devem merecer alguma reflexão.


Enquanto o primeiro-ministro, António Costa, a classificava de péssima notícia, os especialistas davam a suspensão como normal e até desejável. É um passo normal no processo científico, garantem!


Isto quer dizer que uma péssima notícia para a política é uma notícia desejável para a ciência, o que é preocupante. Que a política tem um tempo e a ciência outro. Por isso temos visto políticos a anunciar vacinas como banha da cobra, para já. Putin, já anunciou a sua. Trump quer anunciá-la em Outubro, antes das eleições, pois claro. E mesmo sem recorrer a estes dois exemplos extremos, vimos por todo o lado a política a garantir que a vacina estaria disponível já no final do ano, ou o mais tardar no primeiro semestre do próximo. No entanto, da ciência sempre ouvimos falar em dois a três anos como a melhor das hipóteses para o desenvolvimento da vacina.


Os cientistas não dizem que esta suspensão é uma boa notícia por atrasar a vacina. É uma boa notícia porque significa que o processo científico não se deixou contaminar pelo político. Aconteceu um problema, como tantos acontecem nestes processos, e a decisão científica não pode ser outra: pára tudo até que tudo se esclareça. Mau, era mesmo se a pressão política se sobrepusesse, e tudo seguisse em frente como se nada se tivesse passado.


Neste caso foi assim. Em Inglaterra, com a Universidade de Oxford, e com a AstraZeneca, o tempo da ciência prevalece sobre o da política. Nada nos garante, antes pelo contrário, tudo nos leva a desconfiar, que assim seja na Rússia de Putin. Ou na América de Trump. Ainda mais de Trump a precisar de tudo para ser reeleito.


Talvez a esta hora António Costa já tenha percebido que a notícia não era assim tão má...


 


 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


As cláusulas de rescisão entraram recentemente no dicionário de futebolês. Entraram tarde mas em força!


O que vem então a ser isto das cláusulas de rescisão?


Bom, o conceito é simples e claro: estabelecido um contrato entre as partes – o jogador, mas também já o treinador, e a entidade patronal – uma cláusula desse contrato prevê uma das condições em que esse mesmo contrato possa ser rescindido. Precisamente a que fixa o valor que obriga a entidade patronal a ceder os respectivos direitos desportivos.


Contrata-se um profissional e diz-se logo: por menos deste valor (o da cláusula de rescisão) ninguém o leva! A partir desse momento, e em teoria, o mercado fica a saber que não vale a pena falar noutros números. E o profissional fica a saber, mais, aceita expressamente que, se ninguém aparecer a bater esse valor, não vale a pena inventar problemas de adaptação, de saudades da família ou do que quer que seja, porque a entidade patronal não cede. Nem está obrigada a ceder!


Claro que isto é a teoria. A realidade é outra: na maioria das vezes a cláusula de rescisão não serve para nada. Ou porque não tem qualquer aderência à valia desportiva do jogador, ou porque é o próprio jogador que invoca tudo e mais umas botas para a mandar às ortigas e assegurar a transferência que lhe garante o contrato da sua vida.


Quando, no final da época o presidente, aflito por vender os melhores para realizar uns cobres que tem de ir entregar ao banco, diz que não sai ninguém, a não ser que seja batida a cláusula de rescisão, isso não é mais que conversa para adepto ouvir. Claro que vende tudo o que lhe queiram comprar. Depois o culpado será sempre o jogador: “o jogador é que quis sair e não podemos manter um jogador contrariado”, é a inevitável justificação.


É isto que vemos em todos os nossos clubes!


Na selecção nacional, na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), não é bem a mesma coisa. Aí temos um imbróglio, que é uma das maiores vergonhas nacionais para, ao que se diz, fugir a uma cláusula de rescisão que, afinal, ninguém sabe se existe.


A verdade é que, com ou sem cláusula de rescisão, pôr Carlos Queiroz a andar, sem indemnização, tem sido o grande quebra-cabeças da direcção da FPF. Ao ponto de toda a gente ter perdido a cabeça e já não restar alternativa que não passe pela porta de saída: toda a gente para a rua, antes que acabem por matar definitivamente uma selecção nacional (tão sintomática quanto os resultados - um único ponto em dois jogos tornam já difícil o apuramento para o europeu - é a assistência de Guimarães, claro indício de que o apoio à selecção faz parte do passado) que tem prestigiado o país e enchido os cofres da FPF.


Todos têm sido indignos do esforço e da categoria dos jogadores mas, para mim, a maior decepção é mesmo o seleccionador Carlos Queiroz. Que não pode agora vir dizer que está em causa a defesa da sua honra e do seu prestígio. Não está porque não se defende o que já se perdeu!


Há dois anos Queiroz chegava à FPF em ombros. Não tinha ganho nada, mas fazia o pleno nacional. Era o homem certo no lugar certo!


Em dois anos, o homem que todos aclamamos por lhe reconhecermos competência, prestígio, mundo, elegância e cosmopolitismo transforma-se em grosseiramente incompetente, capaz do mais ordinário vernáculo e da mais reles rixa de taberna, emocional e intelectualmente desequilibrado, sem norte e perdido em labirintos de dúvidas e de suspeições.

O paradoxo

Suécia 0-2 Portugal | À lei de CR101, o insaciável - ZAP


 


A selecção nacional de futebol ganhou na Suécia, e lidera o grupo à frente da França, mesmo que ambas  com o pleno da pontuação no fim da segunda jornada. Com os mesmos adversários, e nas mesmas circunstâncias, a selecção nacional sofreu menos um golo no jogo em casa, com a Croácia (4-1, contra 4-2, ontem, dos franceses) e tem mais um golo marcado no jogo fora, com a Suécia (2-0, contra 1-0 dos gauleses no passado sábado).


Ganhar fora numa competição tão apertada como esta, é sempre um bom resultado. Ganhar na Suécia por 2-0 é por isso um bom resultado. Ganhar claramente, sem deixar espaço para dúvidas na justeza do resultado, é mesmo muito bom. No entanto a qualidade da exibição da selecção nacional não teve nada a ver com o que tinha acontecido no sábado passado, frente à Croácia.


A selecção jogou bem menos. E bem menos bem, expondo o paradoxo da presença de Cristiano Ronaldo na equipa. Fernando Santos manteve 10 jogadores que tinham iniciado o jogo com a Croácia. Não mudou mais nada, acrescentou-lhes apenas "o melhor do mundo".


Cristiano Ronaldo respondeu, e fez o que se lhe pedia: golos. E dos bons. Dois golaços, o primeiro num espectacular livre directo, e o segundo, mais espectacular ainda, numa execução soberba a finalizar uma das poucas bem sucedidas jogadas de futebol corrido da equipa. Teve mais uma noite de glória, chegou aos 100 golos pela selecção. E passou aos 101, a oito de um tal iraquiano de que ninguém sabe o nome (não vale ir cabular ao Google) que, com 109, é quem mais golos marcou por uma selecção. E no entanto a equipa não jogou bem...


A pergunta já é se será possível encaixar uma grande exibição de Cristiano Ronaldo numa grande exibição da selecção nacional. Estranhamente a resposta parece que é - não! E é por isso que Fernando Santos repete até à exaustão que "com o melhor do mundo qualquer equipa é mais forte".


As equipas que jogam melhor nem sempre são as mais fortes, é verdade. Mas as que jogam melhor estão sempre mais perto de ser as mais fortes. 


Nada disto pretende pôr em causa a presença de Cristiano Ronaldo na selecção. Nem quer dizer que a selecção nacional deveria descartá-lo, impedindo-o de bater o último recorde que tem pela frente. Mas apenas que a incompatibilidade entre a qualidade de Cristiano Ronaldo e a do colectivo da selecção é o grande paradoxo desta selecção.


Não sei como se resolve. Mas não tenho dúvidas que não se resolve com a espécie de "regime de vassalagem ao melhor do mundo" que Fernando Santos lançou.


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...