quinta-feira, 31 de março de 2016

Bonito. Apetece aplaudir...


 


A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 


O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.


O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 


Como se não bastasse este caldo que chumbou o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.


Bonito. Apetece aplaudir... 

Adiantado estado de isolamento

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Depois de há poucas semanas ter garantido a renovação da liderança do partido por números norte-coreanos, Pedro Passos Coelho chega às vésperas do Congresso em adiantado estado de isolamento, cada vez mais entregue a si próprio. Aquele aplauso espontâneo e demorado do restrito núcleo dos apoiantes/dependentes feito deputados, ontem, no Parlamento, é prova disso mesmo. De decadência, de que o fim da linha está próximo, a lembrar Marcelo Caetano em Alvalade, a poucos dias do 25 de Abril, faz hoje precisamente 42 anos.


Não é apenas Paulo Rangel, que pode não ter princípios, mas não é estúpido, a perceber isso. Nem Rui Rio, que também não. Nem estúpido, nem modesto: "Se eu lá fosse, ainda me arriscava a ser um elemento central do congresso ...eu não quero perturbar"!


 


 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banif (1)

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As declarações prestadas ontem por Jorge Tomé - repito o que aqui já afirmei: um homem profundamente sério e um profissional altamente competente - na  Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banif não podem cair em saco roto. Têm que ter consequências. Não sei quais, mas sei que não são simples declarações de oportunidade numa entrevista qualquer: são declarações numa Comissão Parlamentar de Inquérito, que tem de servir para muito mais que aquilo que outras têm servido: responsabilizar, desresponsabilizando.


A notícia da TVI, que deu a machadada final na liquidez do banco, (in)directamente ligada ao Santander, accionistas da também espanhola Prisa, dona da Media Capital, não pode ser deixada em paz. A alegada campanha do Santander na ilhas para que desviar depósitos do Banif, alegando o encerramento do banco, associada às conhecidas imposições da UE, serve para confirmar que, no Banif, há Santander a mais. Como, e ao contrário do que se quer fazer crer, há também governo (de Passos) a mais. Há governo a mais quando Jorge Tomé afirma que o Banco de Portugal tirou o tapete ao Banif logo a seguir às eleições de 4 de Outubro. Mas há muito governo a mais em tudo o que quis que parecesse governo a menos... 


 


 

terça-feira, 29 de março de 2016

Mais que um jogo


 ÁLVARO ISIDORO / GLOBAL IMAGENS


 


O futebol é isto mesmo - diz-se em futebolês. E a selecção nacional é ainda mais isso mesmo. Depois de uma derrota que envergonha, com a sexagésima não sei quantos selecção do ranking da FIFA, uma vitória clara e prestigiante frente à primeira desse mesmo ranking. Não é fácil perceber por quê - o que não põe em causa imensa qualidade desta geração de ouro do futebol belga, o que está em causa são os critérios, que  inguém conhece - mas é a selecção da Bélgica que ocupa esse lugar...


O que é fácil de perceber é que a Bélgica tem muitos jogadores de muito bom nível, mas não dispôs hoje da maioria deles. Foi uma selecção belga muito desfalcada, esta a que a selecção nacional hoje ganhou e vulgarizou durante boa parte da primeira metade do jogo. Mas disso ninguém se vai lembrar, como ninguém se irá lembrar das oportunidades de golo falhadas no jogo com a Bulgária.


Para a História o que sempre fica são os resultados. Mesmo que a História deste jogo se faça de muito mais que do resultado. Mas isso é porque também este jogo de hoje, que se deveria ter disputado em Bruxelas mas acabou por se realizar em Leiria, foi mais que um jogo. Como sabemos!


  

Notícias de cá. E de lá!


(Foto Rui Ochoa)


 


Hoje, piratas do ar ainda por identificar apossaram-se de um avião da Egyptair, desviando-o dos céus egípcios para terra cipriota. Ao que consta estão a libertar os passageiros, o que é uma boa notícia.


Ontem, a Justiça do regime angolano condenou Luaty Beirão (cinco anos e meio) e os seus restantes (16) colegas a penas entre os dois e os oito anos de prisão, esta para Domingos Cruz. Por escrever o livro que, em último recurso, acabou por justificar todas as condenações: a um porque o escreveu, e aos outros porque o leram. Todos porque, juntos, formam um bando de malfeitores. Coisa que nem sequer constava acusação. E ainda há quem não se envergonhe desta Justiça...


Vergonha tem o BCP, da cotação das suas acções (4 cêntimos, pouco mais), e por isso propõe-se a fundi-las, a juntar 193 acções numa só. Já dá nalguma coisa de mais respeitável para contrapor a outras talvez menos respeitáveis. Porque isto anda tudo ligado, como alguém diz. 


Ontem, também ontem, o presidente Marcelo promolgou o Orçamento, como já se sabia. E falou ao país, como antes falava com o país. Sem tirar nem pôr: não fosse a presença da bandeira nacional a compôr o cenário e podería parecer Marcelo de regresso ao comentário político. Disse de sua justiça - não tem nada a ver com a angolana - e explicou porque só tinha que promulgar. Com uma bicada: não havia nada de inconstitucional no Orçamento. E mais outra, ao chamar a atenção para a sua execução, para que não fossem necessários orçamentos rectificativos, como sempre aconteceu nos últimos anos...


Um Presidente em claro desvio da rota anterior. Mas sem piratas do ar... As notícias são, por hoje, bem melhores por cá que lá por fora!

segunda-feira, 28 de março de 2016

"Lisbon South Bay"


 


Recuperar e reclassificar áreas industriais e parques empresariais praticamente abandonados como a Margueira (Almada), a Siderurgia (Seixal) ou a Quimiparque (Barreiro), é certamente uma boa ideia.


Sem capital - em Portugal não há dinheiro para mandar cantar um cego (que me perdoem os mais sensíveis a estas coisas, mas não encontro melhor expressão para a realidade da nossa economia que esta que a velha ordem popular institucionalizou) - vender a margem sul é mesmo a única saída para essa requalificação. E quando se trata de vender, o Marketing é quem mais ordena. Quase sempre com razões que a razão desconhece. Às vezes nem isso, nem razões há...


Lisbon South Bay lembra Allgarve, vem na mesma linha. Estranha-se, e não se entranha, que o road show arranque em português. Que tudo vá começar por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro... Talvez o Cristo Rei tenha alguma coisa a ver com isso.

domingo, 27 de março de 2016

É lá longe. É com outra gente. Não é nada connosco!


 


Mais 65 pessoas morreram em mais um acto terrorista. Dos mesmos, da mesma maneira. Perto de 300 feridos... Mas foi em Lahore, no longínquo Paquistão. Não é no Ocidente, nem os mortos e feridos são ocidentais. Ou pelo menos ninguém faz ideia que possam ser... Não há directos das televisões, nem é notícia para abrir os telejornais... Ninguém é paquistanês... Nem ninguém conhece as cores da bandeira paquistanesa...


 

sábado, 26 de março de 2016

É hora de mudar a hora

Tantas semelhanças...

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Não sei bem por quê, mas sei que cada vez vejo mais semelhanças entre as mortes de dezenas de emigrantes portugueses nas estradas de França e Espanha e as de centenas de migrantes no Mediterrâneo. Tudo parece tão igual... Estradas tão iguais a mar, carrinhas superlotadas tão iguais a barcos de borracha superlotados... E, por trás, máfias se calhar tão pouco diferentes... E a miséria de que se alimentam. Miséria humana. Miséria que arrasta mais miséria...


Pelo que se vê por esta tragédia que ensombrou a Páscoa de dezenas de famílias portuguesas, por cá acha-se que o mal está nas estradas. As televisões não pouparam em enviados especiais e não nos poupam a reportagens no local. Mas nada vêm para além da estrada. E chamam-lhe da morte. Invariavelmente! 


 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Bulgaridades


 


Não. Não é o guarda redes búlgaro o responsável por tanta bulgaridade. Nem sequer é daqueles jogos que se possa dizer que a bola não quis entrar... Que Ronaldo e Cª bem poderiam lá passar o resto da noite que nunca conseguiriam meter a bola dentro da baliza. Com aquela incompetência, é que não. 


Nem o guarda-redes búlgaro fez uma exibição como se diz, nem nas dezenas de remates da equipa portuguesa terá havido mais que dois ou três com qualidade suficiente para resultarem em golo. Nem de penalti! O que se passou foi simples de entender: nos primeiros dez minutos, com um remate a cada minuto e quatro oportunidades de golo, os jogadores convenceram-se que aquilo seria fácil. Mas não era. Como nunca nada é fácil para uma selecção desiquilibrada e sempre dependente de Cristiano Ronaldo. E, francamente, muito vulgar. Cheia de bulgaridades...

quinta-feira, 24 de março de 2016

Morreu o mestre

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25/04/1947-24/03/2016


 


Morreu Johan Cruyff!


Mais que uma lenda do futebol, foi quem provavelmente mais contribui para o que é hoje este grande espectáculo, que não do negócio, do qual - curiosamente - se demarcou como poucos. Primeiro, como jogador único, dos poucos com lugar reservado no Olimpo. Do restrito número dos três ou quatro que poderão ser apontados como os melhores de sempre. Depois, como mestre do futebol. Cruiff não foi um treinador, embora tenha sido como treinador que inventou o actual Barcelona. O seu Barcelona. Foi um mestre que pintou futebol e que espalhou a sua arte pelo mundo!


Mas foi ainImagem relacionadada um mestre que, mais que saber, acrescentou mundo ao futebol, rompendo com todos os estereotipos que o apequenavam. Sempre irreverente. Sempre altivo. Sempre vertical, a nada se dobrando. 


E nisto não há quatro, nem três, nem dois que se lhe equiparem. Nisto, Cruyff foi único. É único!


Recusou-se a jogar o Mundial de 1978, na Argentina, para denunciar a sanguinária e terrorista ditadura militar, e dizer bem alto não à farsa da FIFA ao serviço da propaganda dos generais da Junta Militar, como sempre se recusou a curvar perante os interesses. Fossem eles quais fossem!

Condenado à irrelevância


 


A ideia que fica é que o presidente Marcelo, ao contrário do seu antecessor e sem grande surpresa, não fará nada para evitar expor a irrelevância política de Passos Coelho. Ao subscrever a intervenção do primeiro-ministro com vista a garantir alguns equilíbrios no capital estrangeiro do sistema financeiro nacional, Marcelo disse ao país que Passos não sabe do que fala. Ao acrescentar que o desejável seria mesmo que essa intervenção fosse consensual, o presidente não está apenas a puxar as orelhas ao primeiro-ministro no exílio. Está a condená-lo à irrelevância!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Cá por casa...

  


Há já uns dias que ando para dar conta desta novidade mas... tem ficado para trás. Trata-se de uma nova funcionalidade que a equipa do Sapo criou e que o Quinta Emenda adoptou, que permite ao leitor receber no seu e-mail, uma vez por dia, um resumo dos posts publicados.


Basta-lhe subscrever essa opção, mesmo aqui ao lado, entre o "Pesquisar" e os "Posts recentes" para passar a receber no e-mail - que será mantido secreto - um excerto do post. Para a leitura completa é só dar uma espreitadela ao seu Quinta Emenda...

Nada justifica que não se pergunte


 


Nada, nunca e em circunstância alguma, desculpa e muito menos justifica a barbárie. Não há desculpa possível, e muito menos perdão, para quem rapta, viola, estropia, destrói e mata. Selvaticamente, ao arrepio da decência, em choque frontal com o progresso e no brutal atropelo dos direitos e da diginidade humana.


É exactamente por isso que nada explicará Bruxelas, como nada explicou Paris, Madrid e Londres, como nada explica Ancara ou todos os outros actos terroristas ainda mais sangrentos mas que, por mais distantes, nem sequer as mais remotas explicações nos reclamam. 


Mas é também exactamente por isso que nestas ocasiões não nos podemos limitar, mais ou menos resignados, ao "je suis...", a acender velas e às palavras de circunstância. É também por isso que devemos questionar sem medos tudo o que há a questionar, desde uma simples declaração falhada do mais elementar bom senso - como, por exemplo e segundo consta, a do responsável pelo interrogatório ao terrorista detido na passada sexta-feira, que referia estar tudo a correr bem, com o inquirido a colaborar - à imunidade do topo da pirâmide que dirige toda a organização criminosa que suporta o terrorismo islâmico.


Não adianta muito, agora, "bater" em Bush, Blair, Asnar e Barroso, por muito que se lhes deva lembrar que não fazem parte dos comuns mortais que têm direito a dormir tranquílos. Mas há que perguntar por que, conhecendo-as, se não age sobre as fontes de financiamento do terrorismo. Sobre quem lhes compra petróleo - e tantas outras coisas mais - e lhes vende armas. E quem os financia directamente, com dinheiro feito nas principais praças financeiras por gente que pisa passadeiras vermelhas estendidas pelo Ocidente. 


 


 


 


 


 

terça-feira, 22 de março de 2016

"Inevitável"

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Pode dizer-se que era inevitável, embora "inevitável" seja precisamente o menos adequado dos adjectivos. Era inevitável que o terrorismo islâmico fizesse com mais morte - 23 mortos, por enquanto - esta prova de vida que acaba de fazer em Bruxelas, com sucessivas explosões no aeroporto e em duas estações de metro. No coração da capital da Europa, nas barbas do centro do poder europeu...


Não que fosse inevitável em razão da retaliação terrorista pela captura, há apenas quatro dias, justamente em Bruxelas, do dito cérebro dos ataques de 13 de Novembro, em Paris. De resto, nessa lógica, ouviu-se já hoje, em diversas circunstâncias, que "as autoridades estavam a contar " com este acontecimento. Quando se diz que "as autoridades estavam a contar " está a querer dizer-se que era inevitável que acontecesse. Mas a verdade é que, dizer-se que "as autoridades estavam a contar" que acontecesse, deveria ter por consequência evitar justamente que acontecesse. Estar a contar que aconteça, e deixar acontecer, é que não. É inacção!


Pode até acontecer que os ataques terroristas de hoje em Bruxelas não tenham nada a ver com uma Europa paralizada, encurralada num beco sem saída, sem capacidade de resposta para coisa nenhuma. Podem até ter apenas a ver com a realidade belga, com múltiplas fronteiras, bairros de emigrantes muito fechados, guetizados, de onde saem muitos jovens para as fileiras do daesh - a Bélgica é, percentualmente, o país com mais cidadãos nacionais alistados no autodenominado Estado Islâmico - e um débil sistema policial e de contra-terrorismo, que como sistema simpelsmente não funciona. Mas a imagem que fica dos ataques terroristas de hoje é a de um império que já nem a sua capital consegue defender.


 





 


 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Histórico? Ou simbólico?


 


Está a fazer-se História em Cuba, com a visita de Obama - diz-se. Poderá ser que sim, mas também poderá ser que não. Depende de muitos "ses", como sempre aconteceu com a História destes dois tão desiguais vizinhos. Se não tivesse sido o embargo americano... Se a estratégia não tivesse sido sempre a do golpe a seguir a cada golpe... Se não fosse a guerra fria... Se kennedy .... Se kissinger... E se tudo isto não tivesse afinal servido para reforçar e fechar ainda mais o regime cubano.


Esta é mais uma marca de Obama. Mas poderá não ser muito mais que exactamente isso: um símbolo, como muitos outros que deixou. Mas que se arriscam a nem como símbolos ficarem na História.

domingo, 20 de março de 2016

Circunstâncias e remendos

Boavista-Benfica, 0-1 (crónica)


 


Se há jogos que valem um campeonato, este de hoje, no Bessa, poderá ter sido um desses. O Benfica procurou o golo desde o primeiro minuto, mas a verdade é que só o encontrou ao nonagésimo segundo dos 95 minutos que o jogo teve. Até por isso, pelo minuto 92, fica a ideia que este há-de ser um jogo para a História deste campeonato.


Não foi bem jogado, mas foi muito disputado e muito marcado pelas circunstâncias. De um lado um Boavista moralizado, que vinha de um excelente resultado (3-0 ao Marítimo, no Funchal) que lhe permitira fugir dos lugares de despromoção, a jogar forte e feio, correndo como se não houvesse amanhã, o que lhe permitia multiplicar os jogadores em campo. Não diria que o Boavista jogava com o dobro dos jogadores do Benfica, mas lá que parecia que jogava com 15 ou 16, parecia. No ataque, o Benfica jogava sempre em um para três: cada jogador do Benfica tinha sempre três do Boavista em cima, se o primeiro não ficava com a bola os outros dois tratavam do assunto, fosse lá de que maneira fosse...


Do outro, um Benfica cheio de remendos. E desta vez bem à vista, nada disfarçados. Eram muitos os buracos a remendar, mais que de costume, mas os remendos também não eram dos melhores. Se o Samaris já nos mostrou que se safa muito bem a central, a verdade é que ocupa o lugar do miúdo,  e obriga a duas mexidas: substitui o Lindelof e este é que acaba por substituir o Jardel. Depois, o Nelson Semedo ocupou o lugar do Andé Almeida que, por sua vez, ocupou o do Fejsa. E vão quatro... 


Mas o pior foi mesmo na frente. Para remendar o buraco Gaitan, Rui Vitória socorreu-se do Pizzi, tirando-o da direita para lá colocar o Salvio, que não quis deixar de fora. Não correu bem: Salvio ainda está longe (será que ainda lá chegará?) do que pode valer, e Pizzi, na esquerda, desaparece. E os dois pontas de lança nunca se entenderam, fugindo ambos da área e fugindo a maior parte das vezes para o mesmo sítio. Quer isto dizer que, na frente, para dois buracos - Gaitan e Mitroglou (espero que leve uma boa multa, para não se voltar a esquecer que não pode despir a camisola) - Rui Vitória apresentou três remendos ... Que só não valeram por quatro, porque o Jonas fez aquele golo na única oportunidade que teve. E lá se redimiu... 


Nestas circunstâncias - sete ou oito remendos, porque o miúdo na baliza é já outra coisa - o jogo teria de ser, como foi, muito difícil. E a vitória, estes três pontos que seguraram a liderança que já todos víamos a fugir entre os dedos, muito importantes. Até porque fiquei convencido que se o Boavista jogar sempre assim, como fez hoje, não tem problema nenhum com a despromoção! 


 

Velho, resmungão e teimoso

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Não é inédito, é mesmo muito frequente: alguém a chegar, a querer entrar, mas com o lugar ocupado por alguém instalado, que não quer sair e se recusa a ceder o lugar. Aí temos a nossa bela prima comum, a Primavera, às ordens do calendário, a querer entrar mas a esbarrar no velho e resmungão Inverno. Que não se vai embora por nada...


Nada que equinócio não acabe por resolver: mesmo com todo este cinzento, e com esta chuva toda, aí está ele no dia que é igual à noite. Daqui para a frente é vê-los crescer, aos dias, para correr de vez com o velho Inverno e deixar instalar a Prima. A Vera.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Salvaguardando as distâncias

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Observadores e analistas dão conta da protagonismo dos media no momento crítico que o Brasil atravessa. Que vão muito para além da influência, mais ou menos natural, para se transformarem em parte do conflito. E como tomam parte...


Não pode deixar de arrepiar que se fale da Globo lado a lado com forças armadas. E no entanto assim é, nesta crise a Globo aparece-nos como um player...


Salvaguardadas as distâncias, também por cá percebemos isso quando vemos, por exemplo, as notícias que dão o Orçamento de Estado como uma manta de retalhos, em vez de, por exemplo, darem notícia que é, para muitos e relevantes observadores, o melhor orçamento dos últimos anos. Ou quando as notícias se focam em centenas de alterações, metidas a martelo no orçamento, e ignoram o processo negocial de que resultaram... E as vantagens para a democracia da negociação e da procura de consensos na construção de um instrumento de governação tão importante como o orçamento. Ou na forma jocosa como certa imprensa adoptou a geringonça, usando e abusando da expressão para continuar a minar a legitimidade da governação e a diminuir o executivo.


E não deixa de ser curioso reparar como a Globo foi sempre o modelo da SIC. Salvaguardadas as distâncias, bem entendido...


 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Matar o futuro

Brasil


(Foto roubada daqui)


 


As escutas telefónicas entre Dilma e Lula, hoje reveladas, são o golpe final na sua credibilidade política, o golpe final no regime e, muito provavelmente, o golpe final na democracia no Brasil, que não irá conseguir resistir à mistura explosiva de uma crise económica sem precedentes com a maior crise institucional e de representação dos últimos 70 ou 80 anos.


Nunca o Brasil enfrentou um quadro político e económico de dimensão tão catastrófica. Nunca o Brasil sonhara  tão alto, para depois cair tão fundo, numa real tão dramática. Lula tirou o Brasil da miséria e acrescentou-lhe futuro, o futuro que parecia estar ali à mão mas que sempre fugia, cada vez mais inalcansável. Prometido, mas também sempre adiado. E agora negado...


Admitíamos que em dez anos Lula tivesse mudado o Brasil. Percebemos hoje que dez anos não chegaram para mudar o Brasil, mas que chegaram para mudar Lula. E é esse hoje o drama do Brasil, um país que não muda, mas que muda quem o quer mudar. Que mata a mudança pela raiz, para que a velha agenda nunca desapareça, e esteja sempre pronta a regressar às primeira filas...


 

quarta-feira, 16 de março de 2016

Coisas parvas


 


O  ministro Caldeira Cabral veio agora desculpar-se da recomendação que deixara aos portugueses para que que se abstivessem de abastecer combustível em Espanha. Não percebe a indignação - diz ele - porque não acusou ninguém de falta de patriotismo, de menos amor à pátria ou de menor fervor nacionalista. 


Mas o que afinal não percebe, e o que é grave que não perceba, é que a única coisa que indignou os portugueses foi mesmo a parvoíce da coisa. E que, com esta emenda, deixou o soneto ainda mais parvo!

terça-feira, 15 de março de 2016

Quem vive assim, quer morrer assim!

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A imagem que fica de Nicolau Breynar é a de um hino á vida. De um homem que viveu muito, que viveu tudo e que viveu como quis: Feliz e Contente!


Para viver tanto, terá provavelmente abdicado de muito do que o seu talento enorme lhe prometia. Ter-nos-á privado - a nós - de muito do seu talento para se não se privar - a ele - de tudo o que queria da vida. E isso não está ao alcance de todos. São poucos os que são capazes de fazer essa escolha, e são menos ainda os que, depois de a fazerem, têm ainda tanto para nos deixar...


O Nicolau Breyner viveu como quis. Não sei, mas fico com a ideia que também morreu como quis. Quem vive assim, quer morrer assim!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Um jogo cheio de contrariedades

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Sabia-se que este jogo com o Tondela seria complicado. Era um jogo contra o último, sempre a sugerir alguma descompressão, mais a mais logo depois de dois jogos de altíssimo desgaste.


A tudo isto acresceria, como se veria logo que o árbitro Luís Ferreira - apostado em mostrar urbi et orbi que não é benfiquista, ou que, se o é, é-o à maneira do Pedro Proença - apitou para o início do jogo, que os jogadores do Tondela estavam ali para correr muito ... e bater ainda mais. E ainda por cima carregados com aquelas pilhas que duram, duram, duram... 


O jogo foi marcado por todas estas coisas, e raramente bem jogado. Em boa parte dele foi mesmo difícil jogar futebol, com os jogadores do Tondela a mais parecerem carraças agarradas aos do Benfica. Basta dizer que a primeira parte não teve mais que uma ou duas jogadas de verdadeira qualidade, embora se tenha que reconhecer que a que deu no segundo golo do Benfica é de verdadeira enciclopédia. Valeu por si só o bilhete. Verdadeiramente espectacular, toda ao primeiro toque. E que toques, cada um melhor que o outro.


A segunda parte não foi muito diferente, embora o jogo tivesse sido mais aberto e dado a muito mais oportunidades de golo. O Benfica chegou aos quatro golos e, ao contrário da primeira parte, onde o aproveitamento fora de 100%,  podia ter feito muitos mais. E no último lance do desafio, num contra ataque nascido de uma falta sobre o Pizzi em cima da grande área adversária, naquele que seria o último erro grosseiro do árbitro, o Tondela fez o golo que acrescentou ao jogo a sua última contrariedade.


Sim, um jogo destes teria sempre de trazer algumas contrariedades. Mas eram bem evitadas. Era bem evitado que o Jardel tivesse uma branca, que depois teve que remediar com uma falta que lhe valeu o quinto amarelo - as dos rapazes do Tondela nunca davam amarelo, é verdade! - que o afasta do próximo jogo, no Bessa, voltando o Benfica a ter que se apresentar com um único central. Mais que evitável, verdadeiramente inaceitável é o também quinto amarelo a Mitroglou, por ter despido a camisola a festejar o seu golo. O quarto, o quatro a zero. Difícil de aceitar num profissional.


Imagine-se o que seria se o grego andasse entretido a disputar golos com o Cristiano Ronaldo, o Suarez, o Higuain ou o Ibrahimovic?


 


 

E pronto...

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... Chegou a vez do PI. Hoje é o dia do PI, daquele número que nunca mais acaba a que, para facilitar, arranjamos  um diminutivo. Nada de Pizinho, e muito menos Pilinho (masculino, e não o feminino que é sinal de masculino) : simplesmente 3,14!


Hoje podia ser o dia em que os combustíveis voltam a subir. Mas não é, até porque é já a terceira vez que sobem em apenas um mês. Ou o dia em que os portugueses se riem da anedota do ministro Caldeira Cabral, e correm para a fronteira a atestar o depósito, deixando por lá mais um milhão de euros em impostos. Mas também não é, porque isso acontece todos os dias. Todos os dias os portugueses vão a Espanha buscar gasolina - e gasóleo - e lá deixar um mihão de euros em impostos, que estranhamente parece preocupar mais o ministro da economia que o das finanças.


Mas não é. Hoje ó dia do PI. E a verdade é que sem ele - sem o PI, que não o dia, que esse não faz falta para coisa nenhuma - não conseguiríamos calcular a área do círculo. Nem a dimensão de muitos buracos. Pelo menos dos redondos...

domingo, 13 de março de 2016

Render da guarda

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Lavado em lágrimas, bem à sua maneira, Portas lá entregou o CDS a Assunção Cristas, também ela à vontada no desfile nas feiras, também ela de lavoura fácil. Portas e a sua sombra pairaram sobre o Congresso no sábado. Hoje foi Cristas a tomar conta dele, a enchê-lo com a família todae e ainda o gato e o piriquito, a deixar claro que, agora, é ela quem manda na tasca. Até que Portas regresse de novo... Um dia destes, se os submarinos o permitirem...

sexta-feira, 11 de março de 2016

As voltas da História

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Não sei é a História que é injusta com certos homens, se são certos homens que são injustos com a História ...

Destrunfo

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São os Moscovici, os Dijsselbloem, os Juncker e os Schauble deste mundo que obrigam Draghi a gastar os trunfos todos. Está aqui, está teso... Daqui a pouco não há mais trunfos. Mas também já não há mais jogo...


Há quem destrunfe para ganhar. Mas também há quem o faça por mero desepero, já quando o jogo está perdido. Às vezes é só mesmo arrear os trunfos.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Olha... Rachou.

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Afinal a voz grossa de Moscovici rachou... Depois de tanta fanfarronice, o francês que é comissário europeu, parece que meteu a viola no saco. E já não mete as mãos pelos pés com "ses" e "quandos". Nem mais medidas, nem menos medidas. Nem plano B, nem plano C...


Fantoches, é o que são. Fantochada, é no que dá...

Mau perder

 


Ombro amigo


 


"Não sou benfiquista. Sou portista. Apesar de ser português, não me interessa até onde o Benfica pode chegar na Liga dos Campeões".


Pois... A mim é que não me interessa nada até onde pode chegar André Villas Boas. Parece-me que não chega longe, mas isso é problema dele... E para que não acabe num beco sem saída o melhor mesmo é ir gritando o seu portismo, mas sempre a negar o regresso... De sucesso profissional é que já começa a ficar pouco de mais para contar... E se calhar de profissionalismo também!

quarta-feira, 9 de março de 2016

CA-TE-GO-RIA!!!

Zenit-Benfica


(foto daqui)


 


Foi com enorme categoria que o Benfica afastou hoje os milionários russos comandados por André Villas Boas, onde pontificam alguns que souberam - e continuam a saber - honrar o manto sagrado que um dia vestiram, nos oitavos de final da Champions. Segue o Benfica, este sensacional Benfica, para os quartos de final da maior competição de futebol do mundo, incluído no restrito grupo dos oito melhores.


E fez isto tudo afastando precisamente o único representante do país que está em confronto directo com Portugal nas contas do ranking europeu, reforçando ainda mais esse quinto lugar, logo a seguir às crónicas superpotências do futebol europeu.


Mas vamos ao jogo, que arrancou como é costume: a entregar-se todo ao Benfica. Foi assim durante toda a primeira parte, sempre com o Benfica bem por cima, e sem que ninguém conseguisse perceber que a defesa tinha sido mais uma vez enxertada. Apenas nos últimos dez minutos o Zenit começou a ser capaz de equilibrar as coisas, tendo para isso que partir o jogo. Benfica reagiu com muita classe e quando o árbitro apitou para o fim da primeira parte, já tinha de novo o jogo sob controlo. Mas ficava uma dívida de golos, pelo menos um, por pagar...


A segunda parte foi lançada em bases diferentes. O Benfica recuou linhas, e o Zenit, ao contrário, subiu-as. E passou a pressionar bem alto.


O jogo pedia Raul Gimenez, e Rui Vitória fez-lhe a vontade. Só que, logo a seguir, um jogador russo - desta vez era mesmo russo: Zhirkov - abalroou o Nelson Semedo e foi por ali fora, com o lateral do Benfica inanimado no chão e toda a gente à espera do apito do árbitro. Só se percebeu que o árbitro húngaro Viktor Kassai, fizera mesmo vista grossa a uma falta do tamanho da Gazprom quando Hulk - tinha de ser - metia a bola dentro da baliza do fantástico Ederson.


Faltavam 20 minutos para os 90, e o golpe poderia ter sido fatal. Mas não foi, porque este Benfica tem muita categoria, mas também tem muita alma. E logo a seguir está muito perto do golo, que o guarda redes russo, quase por milagre, negou a Lindelof. 


Foi necessário esperar - e sofrer - mais 10 minutos para a explosão de alegrial, com o golo do empate de Gaitan. E mais outros tantos, já com os 5 de compensação, para a apoteose final do golo de Talisca, acabadinho de entrar, certamente a pensar que já nem tocaria na bola.

terça-feira, 8 de março de 2016

Com todo o afecto: boa sorte, Presidente Marcelo!

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As boas vindas, Presidente Marcelo. Seja feliz... e tenha muita sorte. Precisamos que tenha muita sorte... Se,  como nos vem dizendo, conseguir levar isto com afectos já será muito bom. Porque a gente precisa disso. O senhor que acaba de sair deixou-nos muito carentes...

Passe bem. Vá pela sombra...

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Chegou a hora, Sr Professor Cavaco Silva. Fora de horas, mas chegou. Chegou muitas vezes a pensar-se que nunca mais chegaria, mas chegou. Porque, por muito que se atrase, acaba sempre por chegar.


Passe bem. Não se preocupe connosco... Nós ficamos bem... Certamente muito melhor sem o senhor por perto... Vá gozar a sua reforma, se para tanto derem as suas pensões... E desfrute do seu estatuto de pior Presidente da democracia portuguesa.

segunda-feira, 7 de março de 2016

A falar grosso. De novo!

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O comissário europeu dos assuntos económicos decidiu vir avisar publicamente os portugueses de novas medidas de austeridade. Admito que muitos dos destinatários do aviso já nem sequer se tenham sentido incomodados. Afinal os deputados da defunta PAF não têm feito mais nada no Parlamento que perguntar por elas - é mesmo a única questão que, em uníssono, têm para colocar ao primeiro-ministro ou ao ministro das finanças. Os portugueses já estavam por isso mais que preparados para levar esse aviso a sério. E como há muito que perderam a capacidade de se indignar com o que quer que seja, não se terão incomodado muito com tão insólita quanto abusiva atitude deste membro da comissão europeia. Por acaso, francês. Por acaso, socialista.


Já não é a primeira vez que o senhor Pierre Moscovici mostra as garras de falcão, a confirmar que esta ortodoxia que se instalou em Bruxelas para acabar de vez com o projecto europeu é transversal ao que resiste das velhas famílias politicas europeias. Na pele de comisário, ninguém distingue um socialista francês ou holandês de um "verdadeiro finlandês"...


Por isso ninguém estranha muito que tenha sido este socialista francês a dar o pontapé de saída na primeira ofensiva da UE, depois do Orçamento, com vista a pôr em causa a solução de governo em Portugal. Logo a seguir vieram os outros todos, onde não podia evidentemente faltar Schauble,  mandando às ortigas este que era o tempo de respeitar o que ficou estabelecido para o Orçamento. 


Moscovici vem a Lisboa já depois de amanhã, para informar pessoalmente Mário Centeno daquilo que já avisou os portugueses. E faz até questão de dizer que vem falar grosso ... O senhor 95% deve estar a gostar disto.


 


 

Não há dúvida: a culpa é do árbitro.

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Ainda não me tinha debruçado bem sobre o assunto, mas agora que lhe dediquei alguns segundos, estou a chegar à conclusão que os portistas têm razão: o Porto perde sempre por culpa do árbitro!


Não há já dúvidas nenhumas: perdia, mudou de treinador... e continuou a perder. Logo, a culpa não está no treinador. Como não pode estar no Papa - o dogma da infalibiliade papal não o permite - só pode estar nos árbitros. Bem visto!


Continuem. Estão carregadíssimos de razão...


 

sábado, 5 de março de 2016

Enguiço quebrado


FRANCISCO LEONG/GETTY


 


Enguiço quebrado no derbi. Na última oportunidade, a vitória que faltava e que não podia mesmo ficar a faltar. Hoje o Benfica não podia falhar e não falhou. E não falhou porque contou com a sorte que nos outros clássicos sempre lhe faltou.


As coisas até não começaram lá muito bem no que a sorte diz respeito, com a lesão do Júlio César, a fazer que o Benfica estreasse em Alvalade um miúdo de 19 anos na baliza. Depois de todas as voltas que Rui Vitória teve que dar com as sucessivas lesões, calhou-lhe agora dar mais uma volta por cima com mais um miúdo. Agora na baliza...


E foi assim, com um miúdo na baliza, outro no centro da defesa e ainda outro no centro do campo, que o Benfica entrou em campo. E sem perder tempo desatou a jogar à bola, sob o comando do mestre Jonas (não marca nos jogos grandes, não é?). Na primeira meia hora o Benfica jogou à bola, e o Sportig limitou-se a ver jogar. Simplesmente o Sporting não existiu na primeira meia hora. O que fez foi interromper com faltas sucessivas as saídas do Benfica para o ataque, sempre com a complacência do melhor árbitro português.


Na segunda parte as coisas foram diferentes. Até porque começou logo com um amarelo a Jonas por fazer o mesmo. E o Sporting teve alguns momentos - não muitos, é certo - de bom futebol. E teve duas grandes oportunidades de golo, uma delas num falhanço incrível do Bryan. E foi assim porque o Benfica deixou que fosse assim, optando por abdicar do ataque durante quase toda a segunda parte.


E pronto, aí está o Benfica isolado no primeiro lugar pela primeira vez nesta temporada. Inimaginável há dois ou três meses atrás. Nada está ganho, mas é melhor estar à frente. E é nesta altura que as coisas se começam a decidir. 


 


PS Uma correcção: O guarda redes Ederson Moraes, sobrinho do Artur Moraes, tem 22 anos e não 19. Não é sequer o mais novo guarda redes a defender a baliza do Benfica num derbi em Alvalade. Antes já o tinham feito Moreira, com 20 anos, e Oblak, com 21. É esta a verdade, que não altera significativamente nada do ficou escrito, mas que requer o nosso pedido de  desculpas.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Vale tudo!

 


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Maria Luís no seu melhor. Igual a si própria, no vale tudo... Nada a limita, nada a impede de nada


Não é só uma deputada, que pretende continuar a ser. Não é só uma ministra que deixou o governo há três ou quatro meses, que vai trabalhar para uma multinacional do sector que tutelou, com quem no governo se relacionou, e com fortíssimos - e muitas vezes opacos - interesses no país. É mais uma alta figura do anterior governo que não faz ideia do que seja a ética. E a vergonha...


Só assim se entende o absurdo comunicado em que foi advogada e juíza. Em causa própria... Argumentou e sentenciou: not guilty!  


Está enganada. E não nos engana... É inaceitáve! Não se pode aceitar!

Diz que é um livro

 


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Não sei se o Henrique Raposo está a ser alvo da fúria das redes sociais. Também não sei se essa tem sido mais campanha publicitária, de promoção do livro, que qualquer outra coisa. Mas sei que este é mais um episódio da luta ideológica que divide o país ao meio. Sei que que facilmente se extremam posições, que facilmente se alinham exércitos, se criam trincheiras, e se salta para a barricada. Sei que tudo serve para reacender todas as fogueiras de um país a arder. E sempre à mão de incendiários...


E sei que é nestas alturas que faz bem ler o Ferreira Fernandes... Porque, como se percebe, o livro do rapaz é já o que menos interessa.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Coincidência engraçada

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Há uns cinco meses, impressionado com o que acabava de ver na SIC Notícias, desabafei aqui. O apreço, a consideração e o respeito que tinha pela jornalista Ana Lourenço levaram-me a omitir então o seu nome. Mas era a ela que me referia, como provavelmente a maioria dos leitores percebeu.


Pouco depois a jornalista foi afastada do ecrã e, depois, da própria empresa. Especulei então que, ou a Ana Lourenço não teria sido suficientemente convincente, ou teria chegado demasiado tarde, ou se teria sentido ela própria desconfortável no papel de agradar aos novos superiores interesses da SIC.


Não sei se, em tese, haverá mais hipóteses. Sei é que no dia em que a Ana Lourenço foi anunciada na RTP - onde irá reencontrar o João Adelino Faria, mesmo que não dê para reeditar o dueto de há uns anos atrás - a SIC brindou-nos com um longo e inaudito monólogo de Pedro Passos Coelho disfarçado de entrevista.


Achei graça à coincidência. Só isso ...

terça-feira, 1 de março de 2016

Indignidade

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Foi altamente louvável que, na arquitectura deste governo, a Cultura regressasse a um Ministério próprio. Esteve longe de ser consensual, e perto de reprovável, que a pasta tivesse sido entregue a João Soares... 


Se isto precisasse de explicação, ela teria sido dada ontem. Mais que lamentável, o comportamento de João Soares foi indigno da Cultura que tutela. E indigno de um ministro do que quer que seja, quanto mais da Cultura... João Soares não se limitou ao enxovalho gratuito de uma figura da cultura como António Lamas. Enxovalhou-o publicamente para dar um tacho a um amigalhaço e a um correligionário maçon, tanto quanto se diz incompetente, que faz da vida uma carreira de nomeações.


Creio que é esta a primeira vez que João Soares está ministro. Mais que ser a última, deveria ter sido curta. Hoje já lá não deveria estar!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...