terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Bom Ano de 2020

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Fecha-se um ano e uma década. Uma década que teve de tudo um pouco. Teve troika, e muitos sacrifícios. Teve incêndios. Teve BES. Teve Sócrates. Teve revolta, muita revolta, ainda assim menos revolta do que se justificaria. Mas também teve momentos de euforia e de exaltação colectiva, alguns únicos e irrepetíveis. 


E teve Quinta Emenda, que deseja a todos os leitores e visitantes um bom Ano de 2020!


 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Coisas extraordinárias


 


"Jesus conseguiu uma projecção semelhante ao Infante D. Henrique" - quem diria?


Não diga mais nada, Senhor Presidente. É que se não disser mais nada até que as doze badaladas soem no Corvo, fecha com chave de ouro este último ano da década. Não estrague (mais)!

Que chatice!

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Com tudo pacatamente à espera que as horas passem até que cheguem as últimas doze badaladas do ano, e com o Presidente a despachar a comenda do Jorge Jesus para fazer as malas de partida para o Corvo, não se passa nada. É uma chatice... Não fosse o "sempre em pé" Augusto Santos Silva ter dito umas coisas, que não deixam de ser verdade mesmo que as não devesse ter dito - logo ele, pouco senhor da verdade -, e não se passava mesmo nada. 


É verdade que não se passa nada, na mesma. Mas fala-se. E fala muita gente. E levou troco: "as afirmações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros só podem ser entendidas por terem sido ditas por alguém que, vivendo fechado em ambientes palacianos, há muito que não sai à rua para ver como o mundo lá fora gira e avança". O que também não deixa de ser verdade!


A verdade também é uma chatice!

domingo, 29 de dezembro de 2019

Que lobos!

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Que grande equipa construiu Nuno Espírito Santo em Woverhampton!


Com seis portugueses - quatro jovens da nova fornada do futebol português (Diogo J, Rúben Neves, Rúben Vinagre e Pedro Neto), mais um jovem veterano de 33 anos (João Moutinho), e ainda Rui Patrício - no espaço de dois dias a equipa de NES recebeu e venceu o Manchester City, de Guardiola e campeão em título, com uma exibição espectacular e uma não menos notável reviravolta no marcador (0-2 para 3-2), e deslocou-se a Anfield Road para discutir, como nenhuma outra equipa ainda fizera, o jogo com o campeão europeu e do mundo, e indiscutivelmente a melhor equipa mundial da actualidade.


Só uma grande equipa e superiormente orientada consegue fazer aquilo que os Wolves hoje fizeram a este grande Liverpool de Klopp, que alcançou hoje a 18ª vitória nos 19 jogos disputados nesta edição da Premier League (numa série inédita de 18 vitórias e um empate), num jogo em que o resultado foi determinado por duas decisões muito discutíveis do VAR, validando o golo da vitória dos reds, que o árbitro havia considerado irregular, e anulando o golo do empate, que o árbitro havia validado.


No golo do Liverpool, o árbitro viu que a assistência de Lalana para Mané foi feita com o braço. O VAR viu que foi com o ombro. No do Wolverhampton o árbitro não viu qualquer irregularidade, mas o VAR descobriu um fora de jogo daqueles que nem as linhas esclarecem, no início da jogada, quase um minuto antes de Pedro Neto rematar para a baliza.


Mas não é apenas por estas incidências arbitrais que a derrota é de todo injusta para a exibição da equipa de NES. É que, depois de sofrer o golo, aos 42 minutos, reagiu de imediato (o golo foi-lhe anulado três minutos depois) e foi sempre superior de toda a segunda parte: Rui Patrício foi apenas mais um espectador do jogo!  


Dá gosto ver jogar esta equipa. E é excitante ver estes miúdos da "armada portuguesa" a jogar à bola. Como excitante é Traoré, um miúdo que carrega talento, velocidade e repentismo em cima de uma invulgar massa muscular. Em Barcelona deve haver muita gente incrédula com este lobo!

sábado, 28 de dezembro de 2019

A história que se repete

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António Costa bem quis convencer o pessoal que não houve cheias nenhumas, ou que o que aconteceu não teve a menor importância. Sobrara apenas um pequeno dano colateral, quando o ministro do Ambiente meteu os pés pelas mãos, e até aconselhou as vítimas a mudarem-se para outro lado, mas nada de grave.


O problema, mais uma vez, foi o Presidente. Marcelo hoje meteu-se a caminho, foi até lá e, literalmente, agitou as águas. As cheias do Baixo Mondego são afinal um problema. E nacional. E elogiou "a resistência" das populações com que o ministro (que ouviu das boas) tinha brincado. Ou, no mínimo, tratado com pouco respeito.


Afinal a história repete-se a cada tragédia...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Intrujices

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No dia a seguir ao Natal as notícias costumam ficar-se pelo rescaldo das festividades e pelos números – sempre dramáticos - da operação da brigada de trânsito da GNR. Desta vez poderiam passar ainda pela mensagem natalícia do primeiro-ministro, exclusivamente dedicada à Saúde, até porque as cheias já aconteceram há muito tempo, e são assunto arrumado pelo ministro do Ambiente, e entrar directamente na intrujice.


Mas como intrujice é coisa que por cá não falta, a notícia do dia foi outra. É revelada por um jornal diário e diz que um banco pagava 2 mil euros por mês à mulher do seu presidente, que não era funcionária nem prestava qualquer serviço ao banco.


O rumor correu muito tempo pelos corredores do banco, e acabou por chegar ao Banco de Portugal. O banqueiro, que primeiro se achava apenas vítima de perseguição e de calúnia anónima, viria a confirmar tal situação numa carta, justificando que esse era o preço a pagar à mulher pela estabilidade emocional que lhe garantia, indispensável ao seu bom desempenho. Que a mulher era o seu fator de equilíbrio, que era professora e abandonara a profissão para se dedicar em exclusivo à tarefa de velar pelo seu equilíbrio emocional, e que tinha colocado essa condição quando tinha aceitado a presidência do banco.


No que toca a remuneração de banqueiros já nada nos surpreende. Estamos habituados a tudo, de remunerações milionárias a pensões pornográficas. E normalmente perdoamos-lhe tudo, mesmo quando acabamos por perceber que afinal somos nós sempre a pagar isso tudo.


Só que a “estória” não acaba aqui. O homem terminou o seu mandato, bem-sucedido certamente, e foi no mês passado reeleito para um segundo. A circunstância motivou uma entrevista a uma estação de rádio e a um jornal durante a qual, questionado sobre a subvenção da mulher, negou tudo. Negou o que afirmara por escrito e até que o tivesse feito,  e garantiu mesmo que a mulher era professora e que nada tinha a ver com o banco. 


Apanhado, não deu mais respostas. E foi então fonte oficial do banco a vir a público garantir que o seu presidente se referira apenas à situação no seu atual mandato.


É isto. São estas as elites que temos… e é nesta intrujice que vamos vivendo. E parece que já nem se pode dizer que a falta de vergonha desta gente é uma vergonha. Mas é mesmo!


 


 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Bons exemplos

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É porque há notícias destas que temos que acreditar que nem tudo está perdido. No futebol, como é o caso, como na vida. Nas nossas vidas ...


A notícia anda aí, e corre depressa: num jogo de futebol a contar para o campeonato distrital de juvenis de Castelo Branco, entre os miúdos do Vila Velha de Ródão e do Sporting da Covilhã, a equipa da casa, por razões diversas, que vão  da dificuldade de recrutamento a lesões e gripes, apenas conseguiu apresentar-se com oito jogadores. Então o treinador dos leões da Serra decidiu que a sua equipa alinharia igualmente com oito jogadores.


Tem 27 anos, e acha que mais importante que ganhar é dar bons exemplos. É bom que haja quem pense assim. E é fantástico que haja gente que pensa assim a trabalhar com miúdos, e logo naquilo que eles mais gostam de fazer!


Dantes chamavam-lhe "bons exemplos". Agora já não há. Hoje fala-se de "boas práticas", que não é bem a mesma coisa. Nem pouco mais ou menos! 


 


 

sábado, 21 de dezembro de 2019

É Natal

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Em cima da passadeira da caixa do supermercado duas garrafas de óleo alimentar, um garrafão de água e dois sacos de pão. No chão ficara o cesto, com mais dois sacos de pão. 


Ao ver que a operadora registara já tudo o que estava à boca da caixa, o cliente que a seguia na fila chamou-lhe a atenção: olhe que ainda está isto no cesto. Segurando na mão um cartão multibanco e uma fita de papel donde não desviava o olhar, a mulher respondeu com um simples "deixe estar, é para ficar". 


Três euros e noventa e seis - ouviu-se da operadora da caixa. A mulher voltou a olhar para a fita de papel: "então tire este saco de pão". Contrariada a funcionária retirou o saco, teclou, e de novo, nom mesmo tom de voz: "três euros e cinquenta e cinco".


A fila, que não parava de crescer, começava a dar sinais de impaciência. Já sem necessidade de voltar a olhar para a tira de papel de poucas linhas, ouve-se: "só pode ser três euros e trinta e três". E de seguida pede à operadora para retirar uma carcaça, ou duas, se fosse preciso, do último dos quatro sacos de pão que havia recolhido para o seu cesto de compras.


A operadora fechou por fim a conta, e a mulher passou o cartão na máquina, introduziu-lhe o código e recolheu as suas compras, enquanto a funcionária explodia: já viu o pão que se estragou por sua causa?


Terceiro da fila, senti uma raiva irreprimível a subir-me pelo corpo acima. Uma raiva  que se tornou insuportável quando me dei conta que acabara  de assistir a tudo aquilo sem sair da fila, e sem me chegar à frente e pedir à funcionária que repusesse todo o pão retirado.


É Natal, dizem... Sim, já senti raiva neste Natal!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Jornalismos*

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A polémica à volta da Direcção Informação da RTP culminou esta semana na demissão da directora e da respectiva equipa. Tudo começou com a emissão de uma reportagem da equipa do “Sexta às Nove” sobre a exploração de lítio em Montalegre que, pronta desde o início do Verão, apenas acabaria no ar depois das eleições. Para se agravar com uma investigação a supostas irregularidades no Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM) e acabar num confronto entre Maria Flor Pedroso, a directora de Informação, e a jornalista Sandra Felgueiras. Que reabriria a velha "guerra" entre o chamado jornalismo de referência e o sensacionalista, ou de tablóide.


Confesso que me surpreendeu a oportunidade da abertura desta “guerra” – que existe e é saudável -, que começou com perto de centena e meia de jornalistas, maioritariamente pesos-pesados, a subscreverem uma declaração de apoio à até aqui directora de informação da RTP, que alegara neste processo questões de honra. Em resposta surgiram os defensores da jornalista, e das teses do Conselho de Redacção da RTP, que alegavam questões de facto.


E aqui está a razão da minha surpresa: princípios jornalísticos, ética e deontologia, debatem-se. E é todo um debate que faz sentido nesta dialéctica entre duas formas quase antagónicas de fazer jornalismo. Questões de honra, em oposição a questões de facto, é que não.


Abriu-se assim um debate enviesado que rapidamente se deslocou do eixo jornalismo de referência/jornalismo sensacionalista para um outro, que opõe jornalistas institucionais, instalados, de sorriso fácil para o poder, a jornalistas incómodos, capazes até de fazer cair banqueiros e ministros.


E, deste debate, sabemos bem quem sai a ganhar.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

O regresso da lengalenga

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As contas para a aprovação do Orçamento estão há muito feitas. Depois de, por soberba ou por sobranceria, ter descartado a geringonça, o PS passou a olhar à volta à espera de sinais de abertura ao cortejo, e logo o PSD Madeira se apressou a piscar o olho. 


O dote exigido já não era pequeno, mas tudo aponta agora para que a parada suba. Ontem Mário Centeno foi ao Funchal, certamente com a ideia de acertar detalhes. Só que chegou tão atrasado que o Albuquerque mandou-o dar uma volta, e o flirt virou problema latente.  E lá volta o PS à lengalenga de que ninguém compreenderia que os partidos de esquerda não viabilizassem o Orçamento. Uma lengalenga que, da boca de Carlos César, sai a cheirar ainda mais a chantagem. 


O PS não quis assumir responsabilidades em acordos, mas quer impô-las aos outros como se tivessem sido acordadas. É um bocado como aqueles - ou aquelas - mais dados a aventuras extra-conjugais que, quando as coisas correm mal, lá voltam a casa à espera que tudo esteja no lugar.


 


 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Apuramento natural num jogo complicado

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Este jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, na Luz, com o Braga, estava cheio de expectativas mentirosas. Os últimos resultados, e as últimas exibições, das duas equipas podiam levar a perspectivar um jogo fácil para o Benfica. 


Não era apenas a prudência a aconselhar que não se levasse isso em conta. É que o Braga não tem só um bom plantel, tem o plantel mais equilibrado do nosso futebol. Não será certamente o melhor, mas é aquele onde a valia individual dos jogadores é mais homogénea, onde as diferentes posições são desempenhadas por diferentes jogadores de valor muito idêntico, como Sá Pinto tem demonstrado. Até na baliza, onde, em cinco meses de comeptições, já utilizou com regularidade os três guarda-redes.


Acresce ainda que, e também já mais que demonstrado, o Braga sente-se muito mais confortável, e revela outros argumentos, quando é obrigado a defender-se, a juntar-se próximo da sua área, com os olhos postos no espaço livre no meio campo contrário. E pode juntar-se ainda algum tipo de superstição: faz hoje precisamente cinco anos, também nos oitavos de final da Taça, e também quando o Benfica estava muito por cima, o Braga ganhou por 2-1; e com o mesmo árbitro: Soares Dias, um verdadeiro artista.


O jogo confirmaria tudo isto. Bruno Lage só não repetiu o onze que tão boa conta de si vem dando porque fez jogar o russo Zlobin na baliza. Manteve os dez de campo, enquanto Sá Pinto rodou seis jogadores, o que lhe garantiu desde logo uma equipa mais fresca, como se viria a notar lá mais para o fim do jogo, particularmente nos últimos vinte minutos.


O Benfica entrou com o seu ritmo de jogo habitual nas últimas semanas, e tomou conta do jogo. Nem sempre teve o fulgor dos últimos jogos, e alguns jogadores estiveram um pouco abaixo do que têm feito (Cervi foi o caso mais notório, mas não foi único) mas sem nunca sair de níveis de qualidade muito aceitáveis. Nem a infelicidade do auto-golo de Ferro, ainda na fase inicial do jogo, fez a equipa oscilar. E cinco minutos depois Pizzi - pois claro - repôs a igualdade. 


Oportunidades não faltaram para concluir a reviravolta. Entre elas o remate de Chiquinho ao poste, aos 40 minutos, e o resultado, sem nada a ver com o que se tinha passado, manter-se-ia até ao intervalo.


O Benfica voltou a entrar bem. Quando pouco depois do primeiro quarto de hora Vinícius, com alguma ajuda do Tiago Sá, o jovem guarda-redes bracarense agora titular, fez o golo que seria o da vitória, já a equipa tinha desperdiçado duas boas oportunidades para marcar. 


O golo não alterou nada do que estava a ser o jogo. Dez minutos depois, sim. O jogo alterou-se, o Braga cresceu um bocadinho, chegou a marcar, mas com o marcador Paulinho em fora de jogo, e dispôs de outra boa oportunidade, pelo mesmo jogador. Só que, ao subir no terreno, deixou espaço ao Benfica que, mesmo em evidentes dificuldades físicas, criou variadas e claras oportunidades para chegar ao terceiro. E já dentro dos cinco minutos de compensação foi o Benfica que dispôs das duas mais claras oportunidades de golo de todo o jogo - de baliza aberta.


O Benfica ganhou bem e segue com toda a naturalidade para os quartos de final da Taça (querem ver que vem aí o Canelas?). Mas o jogo foi complicado, e mais complicado ainda pelo inevitável Soares Dias. Um artista, sempre!

Patxi Andion (1947-2019)

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Num acidente de automóvel, estúpido como todos os acidentes, morreu hoje Patxi Andion, o músico espanhol que mais deu à música portuguesa. E certamente também o que dela mais recebeu!


Fica-nos a sua música e a suas palabras. Únicas!

A fina ironia

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.


 


"Não depende só do Sérgio Conceição e dos jogadores".


Pois não. Já só depende do Bruno Lage e dos jogadores!


É mais ou menos como a fina ironia e a ironia fina...

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Coisas do Orçamento

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O Orçamento de Estado foi, como previsto, ontem entregue com a habitual pompa e circunstância ao Presidente da Assembleia da República, aos últimos minutos do dia, como é já um clássico. E está hoje, agora, a ser explicado por Mário Centeno em conferência de imprensa, muito embora o que se tenha ido  ouvindo esteja mais próximo de propaganda de vendedor de banha da cobra que de explicação.


Espera-se sempre do Orçamento uma medida emblemática que vá ao encontro das prioridades do país. Não é que as coisas tenham de ser assim, é porque as coisas são assim. O Orçamento não tem que ser um cardápio de medidas, tem apenas que traduzir em números o que resulta da execução anual de uma estratégia, essa sim cheia de objectivos e medidas que respondam integradamente às prioridades do país. 


A natalidade é provavelmente a maior dessas prioridades, e um dos melhores exemplos de como é fácil confundir as coisas. O governo anunciou um estímulo à natalidade através do IRS - que, depois, nem sequer tem qualquer concretização no Orçamento, mas apenas uma referência que a ridiculariza - como se alguém corra a fazer filhos para baixar a conta do IRS a pagar ao Estado.


Procriar ainda é uma vocação natural dos humanos, creio eu. É óbvio que, com as conquistas das mulheres nas sociedades actuais, a maternidade e a educação das crianças tem hoje contornos que não tinha há sessenta ou setenta anos. Responder aos desafios populacionais que ameaçam inclusivamente a sobrevivência do país, e que vão até para lá das questões da natalidade, é pôr em perspectiva todos esses problemas e encontrar uma estratégia integrada de resposta.


Sem uma rede pública de creches, com as mensalidades das creches e jardins de infância sempre acima dos 300 ou 400 euros, com salários baixos e habitação cara e, ainda em muitos casos com situações laborais precárias, falar em baixar o IRS para fomentar a natalidade é ridículo. Ou dramaticamente irresponsável.


A apresentação do Orçamento serve também para nos lembrar destas coisas... Mais ainda  com a forte ventania liberal que por aí anda.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O orçamento que dá lucro

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Aí está o Orçamento, a chegar a Assembleia da República. Este ano mais tarde que o costume, por razões conhecidas mas não exactamente óbvias. E não sei se, por isso, com menor espectacularidade.


E no entanto este é o mais espectacular de todos os orçamentos que pisaram a passadeira vermelha de S. Bento, apresentasse-se ele na simplicidade de um pen, na descrição de uma disquete, ou na elegância barroca de umas resmas de papel. Este é o orçamento que não tem a última linha a vermelho. Dá lucro!


Há muito tempo que não havia um orçamento assim. Em democracia nunca tinha acontecido, a ordem tem sido sempre para o Estado gastar mais do que recebe. A última vez  que tinha acontecido, já lá vão quase 50 anos, era ministro das finanças João Dias Rosas e primeiro-ministro, então chamado presidente do conselho, Marcelo Caetano.


Não é muito, mas diz-se que é de 0,2%. O famigerado e ultimamente mal afamado déficit foi-se embora e, em vez dele, está aí agora o superavit. Poderia ser maior, mas ... há os bancos. Há o insaciável Novo Banco, e há crédito fiscal para os outros todos, com contas as ajustar nos tais activos por impostos diferidos, de que já aqui se falou  por algumas vezes.


Mas é o que é. E no fim é bem possível que seja ainda um bocadinho maior... No fim de contas as cativações do Centeno ajudam sempre as ... contas. O resto é que nem tanto!

sábado, 14 de dezembro de 2019

Na melhor relva cai o melhor o futebol

Missão cumprida. Benfica goleia Famalicão e acaba o ano na liderança da I Liga  


Foto da Lusa


O jogo de hoje, na Luz, com o Famalicão - terceiro classificado - começou com a entrega dos prémios aos melhores jogadores da Liga de Outubro e Novembro: o melhor defesa, Rúben Dias; o melhor médio, Pizzi; e o melhor avançado, Vinícius. Os árbitros andam doidos, é colinho de mais!


Ah...não são os árbitros que fazem estas escolhas. São os treinadores da Liga...


Pois é. Que chatice!


Entregues os prémios aos melhores, a bola começou a rolar. E começou um grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola e interessadas em demonstrá-lo. Logo que o árbitro apitou para o início da partida o Famalicão não esteve com meias medidas e partiu para a área benfiquista.


Estava dado o mote. Depois começou o festival do Benfica, mesmo numa primeira parte bem dividida, e com algum equilíbrio durante algum tempo. Tempo que ia passando sem que o marcador se mexesse. Dizem as teorias do futebol que, quando assim acontece, a equipa favorita enerva-se, o adversário cresce em motivação e crença, e o jogo complica-se.


Pois, isso é a teoria. Na prática nunca se passou nada disso. Este jogo não era para essas teorias. Quando se joga bem as coisas fucionam de outra maneira, e apenas se espera que o golo chegue. Há-de chegar, se não foi agora, será a seguir.


E chegou, pelo pé direito de Vinícius, embrulhado numa grande jogada de futebol, ao minuto 39. O 1-0 ao intervalo era curto para o que se passara no novo e impecável relvado da Luz, responsável - na opinião incontestável de Bruno Lage - pelo regresso do (seu) futebol do (seu) Benfica. Mas nunca "um resultado perigoso".


Até porque a segunda parte abriu como a primeira. Só que, como desta vez a saída de bola naturalmente se inverteu, coube ao Benfica partir de imediato para a baliza do Famalicão. E ao segundo minuto, o segundo golo saía fulminante do pé esquerdo de Pizzi.


A qualidade do jogo mantinha-se alta, e ia ainda refinando-se cada vez mais. Dava gosto ver. O Famalicão, mesmo com mais dificuldades, continuava ligado ao jogo e apenas interessado em jogar. Não dava abébias, como vimos dar noutro jogo, não perdia bolas à saída da sua área, mas disputava o jogo e apenas o jogo. Um jogo com 14 faltas, sete para cada lado. Como se vê nos grandes campeonatos, e raramente se vê por cá.


Depois veio o terceiro, o bis de Pizzi, numa enorme execução, pouco depois da hora de jogo. Faltava ainda meia hora, e esperava-se nova goleada.


As oportunidades de golo sucediam-se, e o nível individual das exibições dos jogadores do Benfica atingia padrões de requinte. Todos, mas claro, com Pizzi superlativo.


Acabou por dar apenas para mais um golo, o primeiro do suplente Caio, já ao minuto 89. O suficiente para dar uma moldura ao resultado condizente com a excelência da exibição, em mais uma noite de festa na Luz.


 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Paradoxos*

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Laurent Simons é um menino-prodígio, filho de pai belga e mãe holandesa, que entrou na escola primária aos quatro e, cinco anos depois, estava na faculdade. Com apenas nove anos estava a estudar engenharia electrónica na Universidade de Tecnologia de Eindhoven.


O pai da criança fez questão que o filho concluísse a licenciatura ainda neste mês de Dezembro, para que se formasse aos nove anos de idade, já que o seu décimo aniversário ocorrerá no próximo dia 26.


O que não significaria apenas que, aos nove anos, o Laurent concluiria em dez meses um curso de três anos. Implicaria toda uma bateria de exames que simplesmente não seria possível realizar a tempo, e foi esse o óbice apresentado pela Universidade. O problema não era a criança fazer os exames, era o tempo para os fazer, pelo que propôs um calendário se estenderia pelo primeiro semestre de 2020.


O pai não gostou, não aceitou o programa e resolveu suspender os estudos do filho.


Não sei o que mais choca nesta história. Mas sei que não lhe faltam motivos de choque.


Choca a obsessão do pai por um desempenho do filho, eventualmente recordista. Os prodígios escasseiam, mas pais a hiperbolizar as capacidades dos filhos, não. São a banalidade dos nossos dias sempre, evidentemente, à espera de eles próprios lucrarem muito com isso


Choca que crianças sobredotadas não possam ser crianças. E choca ainda mais que, não podendo ser crianças, não possam elas próprias dispor para si mesmas das suas superiores capacidades. Choca uma ideia larvar de escravatura, que torna estas crianças em escravas dos seus superpoderes.


Na verdade, em nenhuma parte desta história entra a vontade da criança.  Não entra porque não conta para nada E não é possível que uma criança de 9 anos não tenha vontade…


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Get brexit done

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Boris Johnson ganhou as eleições no Reino Unido, numa vitória esmagadora, com maioria absoluta. Tudo normal, e nada que  estivesse por completo fora das previsões.


O que já não parece tão normal é o que se vai ouvindo por aí a respeito do senhor. Que o homem é brilhante e que não tem nada a ver com Trumps e Bolsonaros. De comum só tem a mentira. Mente, mas não é ignorante e é mesmo uma mente brilhante. E é muito culto.


Apenas mente, mente compulsivamente. Ser mentiroso já não é nada de criticável num político, nem mesmo no chefe do governo da mais antiga democracia do planeta.


Ao que chegamos...

"Big Four"

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Concluída a chamada fase de grupos da Champions League, pela primeira vez, apenas estão apurados para a fase a eliminar, que se inicia com os oitavos de final da competição, clubes das cinco principais ligas europeias.


Acontece pela primeira vez aquilo que se sabia que acabaria por acabar assim. Inglaterra e Espanha, sede das duas mais importantes competições nacionais, fizeram o pleno, com o apuramento dos quatro clubes participantes. Alemanha e Itália, as restantes ligas que têm garantida a participação de quatro equipas na prova rainha do futebol de clubes, perderam apenas uma e seguem com três cada.   


As quatro grandes ligas, com direito a quatro participações na competição, garantem 14 das dezasseis vagas da próxima fase da competição. As duas restantes são ocupadas por duas equipas da liga francesa, a quinta do ranking da UEFA.


Do sexto lugar desse ranking, que voltará a ser ocupado por Portugal - tudo o indica que a ultrapassagem à Rússia feita esta época é já irreversível - o melhor que dá para esperar é mesmo a Liga Europa. Tudo indica, e há muito, que a tendência é para este fosso se aprofundar. E os oitavos de final da Champions dos próximos anos só não serão exclusivamente disputados entre as equipas dos big four enquanto subsistir o fenómeno financeiro do Paris Saint Germain.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Insólitos

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Esta obra de arte - sim, uma banana madura colada à parede com fita adesiva - exposta na Art Basel, uma feira de arte contemporânea que se realiza anualmente em Miami, tinha sido vendida por 120 mil dólares. 


Como se a criação artística do italiano Maurizio Cattelan não fosse ela própria um monumento ao insólito, um tipo passou pelo local e, perante dezenas de câmaras, levantou a fita, retirou a banana, desceu-lhe a casca e, perante estupefacção mundial, devolveu-a à sua condição natural.


Dizem que se chama David Datuna, um artista performativo nova-iorquino, nascido na Geórgia, e é agora o herói da banana!


 


 

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Como tudo poderia ter sido diferente...

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O Benfica saiu da Champions de cabeça erguida, ao contrário do que em certa altura chegou a parecer. Fez um grande jogo na despedida, com uma bela exibição coroada com uma vitória expressiva sobre o Zenit, que saiu da Luz sem nada, quando entrara com a possibilidade de sair com tudo. Ou até com alguma coisa, com a única coisa a que o Benfica podia aspirar.


 Os primeiros momentos do jogo pareciam querer mostrar um Benfica com o tal bloqueio mental da Champions. Foi no entanto coisa passageira, aos poucos a equipa foi-se libertando desse espartilho mental e começou a soltar o seu futebol, claramente de volta, depois de tanto tempo desaparecido. 


Na primeira parte, sem criar grandes situações de golo, é certo, o Benfica esteve sempre por cima do jogo, mesmo que por duas ou três vezes a equipa do Zenit tenha conseguido ameaçar a baliza de Odysseas, que nunca teve grande trabalho. Fez apenas uma defesa, e logo das grandes, mas já a segunda parte ia alta, e o resultado em 2-0.


Na segunda parte tudo foi ainda melhor, e o Benfica voltou aos  momentos de grande brilhantismo. Logo ao segundo minuto chegou ao golo, por Cervi, com assistência do suspeito do costume, numa brilhante jogada de futebol que partiu por completo uma defesa que até aí parecia intransponível. 


A equipa continuou com o seu futebol corrido, variado e alegre não permitindo aos jogadores da equipa russa muito mais que fazer faltas, e acumular amarelos. Quinze minutos depois do primeiro golo, e de mais três claras oportunidades de golo, o Benfica chegou ao segundo. De penalti (corte da bola com a mão, a evitar a finalização de Chiquinho), com o suspeito do costume a marcar. E com expulsão, por segundo amarelo, do defesa brasileiro do Zenit.


Com 2-0, com mais um jogador em campo, e com cerca de meia hora para jogar, o Benfica tinha tudo para consolidar uma exibição notável e reduzir a equipa russa à banalidade. E foi o que fez!


O resultado atingiria a marca final de 3-0 num auto-golo (a retribuição do que, lá, tinha feito Rúben Dias) que escreveu direito. É que surgiu do canto que resultou de um golo cantado de Vinícius, que ainda está por saber como lhe tiraram aquela bola de dentro da baliza.


Entretanto em Lyon, onde se faziam as outras contas do grupo, a equipa francesa, a perder com o Leipzig desde muito cedo, estivera fora das competições europeias durante muito tempo. O mesmo tempo em que, mesmo a perder, o Zenit estivera apurado para os oitavos da Champions. Como o empate o Lyon acabou nos oitavos da prova rainha, atirando com os russos para fora da Europa, mesmo que tivesse sido o Benfica a fazê-lo.


É certo que fica um certo amargo na doce vitória de hoje, que garantiu a passagem para a Liga Europa. Como poderia ter sido diferente esta participação na Champions... 

O preço da escapadela está pela hora da morte...

 


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A uma semana da apresentação do Orçamento na Assembleia da República fazem-se contas. Não as do Orçamento, que essas aparentemente estarão feitas, mas as que lhe garantam a imprescindível aprovação.


Deitada fora a geringonça, António Costa tem que se voltar para as pequenas franjas do Parlamento à procura dos oito votos que lhe faltam. Tudo indica que terá lançado um olhar de flirt para o PAN (4 deputados) e para o Livre (se a Joacine estiver pelos ajustes...) que terá sido correspondido, pelo que lhe ficariam a faltar três. 


Continuando a olhar à volta os olhos caíram nos deputados do PSD Madeira, ali bem à vista e, por ordem do chefe (apetecia dizer do chulo, mas fica chefe), em modo casa de alterne. Das finas. Ali não há flirts, nem cumplicidade no olhar. Apenas negócio, puro e duro: casa, carro e cartão de crédito de plafond ilimitado. Nada de mais!


Toda a gente sabe que as aventuras não ficam baratas... Nem uma simples escapadela!


 


 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Dia internacional contra a corrupção

Capa Jornal de Notícias


Assinala-se hoje o dia internacional contra a corrupção, instituído pela ONU em 2003, para sensibilizar a opinião pública para uma chaga que custa 5% do PIB mundial.


Acabar com a corrupção representaria acabar com os grandes problemas que o mundo tem por resolver. Mas sabe-se que nem uma coisa nem a outra acaba.


Em Portugal, a data é assinalada com o anúncio que os principais intérpretes da Justiças estão a participar na definição de uma estratégia nacional de combate à corrupção. Dessa estratégia ficaram hoje conhecidas algumas medidas: facilitar a denúncia premiada e alargar os prazos para o efeito, permitir a negociação de sentenças em fase de julgamento, isto é, introduzir a possibilidade de existir um acordo na fase de investigação entre arguido e Ministério Público sobre a pena reduzida a aplicar a quem confessa um caso de corrupção, evitar os mega-processos e criar juízos especializados nos tribunais para o efeito. Uma especialização que já acontecera na fase de investigação do Ministério Público, e que poderá fazer todo o sentido. Mas também poderá apenas dizer que, até aqui, e em processos com esta gravidade, não haveria grande preocupação em assegurar que os juízes que apreciassem estes processos tivessem a experiência requerida para o fazer. 


E com diversas celebrações por todo o país, com as oficiais a decorrerem em Guimarães, é notícia de jornal (capa acima) que um cidadão lesou o Estado em 60 milhões de euros, foi condenado a sete anos de prisão, mas não tem que pagar nem um cêntimo... E vamos entretanto continuando a esperar pelos resultados do julgamento de José Sócrates, de Ricardo Salgado e de mais uns tantos...

sábado, 7 de dezembro de 2019

Linhas manhosas

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Aos primeiros minutos do jogo de ontem, no Bessa, o Benfica marcou um golo, por Pizzi, com o assistente de Jorge Sousa a assinalar prontamente fora de jogo ao marcador, confirmado pelo VAR. Das imagens televisivas, mostradas de vários ângulos e captadas por várias câmaras, não havia uma única que confirmasse o fora de jogo. Passados largos minutos lá surgiram as famosas linhas, com umas setas a indicarem 50 centímetros. Pizzi, dizia a tecnologia, estava adiantado em 50 centímetros relativamente ao penúltimo adversário. Poderiam ter apresentado dois, três ou cinco centímetros, e esconderem-se atrás de uma unha do pé que Pizzi se teria esquecido de cortar. Mas não. Não fizeram a coisa por menos de meio de metro, deixando que a decisão atingisse a dimensão do escândalo.


Hoje, no jogo entre o Aves e o Braga, foi anulado, também por fora de jogo, do avançado bracarense Paulinho, claramente adiantado, sem qualquer tipo de dúvida, como as imagens claramente comprovavam. E também prontamente assinalado pelo árbitro assistente, e confirmado pelo VAR. E lá vieram as linhas ... com a indicação de ... 47 centímetros.


Ficamos todos esclarecidos sobre a tecnologia. Já tínhamos algumas provas que havia marosca na tecnologia ao serviço do VAR. A partir de hoje não temos dúvidas que é tão manhosa como as linhas que apresenta. 


Como Pinto da Costa bem sabe. Sabe-a toda e, se vergonha nunca teve, por que haveria de a ter agora?


 


      

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Competência e valentia

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O Benfica passou com distinção este difícil desafio do Bessa, na abertura da jornada treze deste campeonato. Difícil porque são sempre grandes as dificuldades que o Boavista coloca aos adversários, e em especial ao Benfica, com um tipo de jogo sempre feito de muita agressividade e pouco futebol. E difícil ainda porque Jorge de Sousa assume normalmente o papel de mais um adversário. E hoje voltou a fazê-lo.


Logo de entrada o Benfica mostrou ao que vinha. Mostrou que estava ali para ser competente, jogar bem, e ser valente. Porque só com muita valentia foi possível enfrentar este Boavista que levou o jogo para a dimensão do combate, a bater como ninguém, e com faltas consecutivas que não só massacravam os jogadores do Benfica como lhes quebravam o ritmo de jogo.


Percebeu-se que equipa estava preparada para isto, para ser intensa, competente e valente. Entrou forte, e fez um golo logo no arranque do jogo. Invalidado, por fora de jogo. Um fora de jogo que no jogo corrido ninguém percebeu, mas que, no entanto, o auxiliar de Jorge de Sousa não teve nem dificuldade nem dúvida em assinalar. Depois, o VAR deu-lhe razão com uma linha que dava off side por uns inacreditáveis 50 centímetros.


Nada que abalasse a equipa, que continuou a fazer o seu futebol atractivo, sério e competente. E a dominar completamente o jogo, sempre sob forte apoio da massa adepta e indiferente às peripécias do jogo. Ao amarelo a Cervi, por ter levado um toque dentro da área adversária e caído. Ou ao amarelo a um defesa do Boavista que carregou por trás o Chiquinho, completamente isolado à entrada da área e só com Bracali pela frente. 


Mesmo que a qualidade de jogo fosse grande, como era, as oportunidades de golo não abundavam. Daí a importância da competência também na finalização, e isso, como se vai vendo, é atributo do Carlos Vinícius. Que aos 34 minutos não falhou, e fez o primeiro golo da partida. Foi um alívio!


Um alívio que a equipa sentiu, levando-a crer que o mais difícil estava feito, que em vez de mandar no jogo podia controlá-lo. E relaxar um bocadinho... Correu mal, e o Boavista chegou ao empate na primeira vez que chegou à baliza do Odysseas, já em cima do intervalo.


Ao contrário do Boavista, que nunca mais chegava para o reatamento, o Benfica mostrou pressa em arrancar para a segunda parte. E logo que os jogadores axadrezados resolveram aparecer foi para cima deles, no mesmo ritmo que tinha mantido na primeira parte, até ao golo. E o segundo, por Cervi, apareceu meia dúzia de minutos depois. 


Avisado que tinha ficado, o Benfica continuou sem tirar o pé. Forte reacção à perda da bola, versatilidade, intensidade, dinâmica... Nada faltava. E o terceiro, bis de Vinícius, não demorou mais que 10 minutos. E nem aí a equipa abrandou. 


O quarto golo, por Gabriel, que acabaria por chegar já nos minutos finais, serviu apenas para deixar um colorido no pacard ajustado à categórica exibição do Benfica. À campeão!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Mimetismo*

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Esta semana fica assinalada pela presença entre nós da pequena Greta Thunberg, marcada por grande agitação e espectáculo à chegada, e por invulgar descrição nos dias seguintes. Mais do que os inicialmente previstos. De passagem para Madrid, para participar numa manifestação à margem de mais uma cimeira do clima, a COP 25, iniciada na passada segunda-feira e a decorrer até ao fim da próxima semana, a jovem activista sueca acabou por ficar mais uns dias em Portugal. E acabou por apenas partir na noite de ontem, momento que inevitavelmente voltaria a merecer grande destaque mediático.


Mas não foi por nada disso que as redes sociais se voltaram a agitar. Foi mesmo por ela, e pelo que representa.


O palco de eleição do escárnio e do mal dizer voltou a erguer-se para bater na pequena Greta. Não acolheu no entanto todos os que, com mais ódio do que o que lhe apontam, saem à rua para lhe atirar pedras. Outros, que dizem abominar as redes sociais e tudo o que por lá se passa, subiram a palcos mais exclusivos para, dai, fazerem exactamente o mesmo. Quiçá com mais violência ainda.


Já não é grande a imaginação, pelo que se limitam a repetir-se uns aos outros. Que” devia era estar na escola”. Que só por isso que a juventude a segue, que tudo o que seja faltar às aulas tem adesão e popularidade garantidas entre os jovens. Que vive do espectáculo. Que é instrumentalizada. Que destila ódio, como se eles próprios fizessem outra coisa. Que é doente. Que precisa de ser internada numa unidade de psiquiatria…


Ouvimos e lemos tudo isto e perguntamo-nos: porquê?


Por acaso é falso o que ela denuncia?


Não é verdade que não há planeta B?


Não está em causa o futuro das gerações, e designadamente daquela a que pertence?


Não é mesmo imperioso repensar e reformular todo um modo de vida que se esgota no horizonte dos que o vivem?


Não me parece muito difícil encontrar uma resposta afirmativa para todas estas interrogações.


Se assim é, por que reage assim tanta gente?


Porque a pequena Greta se tornou numa celebridade?


Porque se tornou numa referência para as novas gerações?


Talvez também por isso. Mas isso é o mensageiro que se quer matar para acabar com a mensagem. O que, acima de tudo, está em causa é a mensagem. Essa é que está a colocar em causa os mais poderosos interesses instalados no planeta. Que uns, poucos, têm por missão defender, e outros, muitos, se limitam simplesmente a imitar. Porventura por mimetismo!


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sol, praia, segurança e ... hospitalidade

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Durante muito tempo a estratégia do país para o Turismo, sempre uma das mais fortes componentes da nossa economia, a par das remessas dos emigrantes, assentava no "Sol e Praia". Muitos entendidos da matéria alertavam para os perigos de uma espécie de mono-produto, e avisavam que era preciso alargar a oferta.


Não sei se foi feita muita coisa para atingir esse desiderato, mas sei o que o terrorismo, e principalmente a instabilidade que se seguiu à Primavera Árabe, de há meia dúzia de anos a esta parte, fizeram por isso. Hoje o turismo português faz gala de apresentar mais um produto - a "Segurança", a acrescentar ao  "Sol e Praia". Hoje Portugal é "Sol, Praia e Segurança". Que não é bem a mesma coisa que "sol e praia em segurança", como se sol e praia fosse sexo. Que às vezes também é!


Não. Segurança é, hoje, o mais determinante produto do pacote turístico que temos para oferecer. E valeu-nos mesmo dois dos mais disputados turistas da actualidade. Temos desde ontem em Lisboa dois turistas à procura do que de melhor temos para oferecer - "segurança"! 


Os senhores Pompeo e Nethanyahu precisavam de conversar um bocadinho - talvez até uma partidinha de xadrez, quem sabe?  (dominó? - não acredito!) - e escolheram Portugal. Claro que, sendo quem são, precisam mais de segurança que de sol. Que também aí está, de mãos dadas com a tradicional hospitalidade portuguesa, também central no rótulo do nosso pacote turístico. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"O melhor SNS do mundo"

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Hoje poderia vir aqui escrever sobre as alarvidades que se disseram e escreveram a propósito da presença entre nós da pequena Greta. E talvez a elaborar uma tese que procurasse explicar por que é que a direita é tão grosseiramente impiedosa com a pequena activista e - quem sabe? - a concluir que não será tanto por serem broncos e ignorantes, mas mais por preconceito ideológico. A ideia que os recursos do planeta são finitos, estando já alguns à beira do esgotamento, pelo que a sua utilização terá que, inapelavelmente, ser sujeita a limites estabelecidos pelo Estado, choca violentamente com as suas mais profundas crenças.


Ou sobre a rara notícia do afastamento dos Tribunais de dois conhecidos juízes por suspeita de corrupção, um por expulsão - Rui Rangel - e outro - outra, Fátima Galante, uma das suas ex-mulheres - por reforma compulsiva. Para eventualmente concluir que esta é uma decisão com algumas décadas de atraso, mas talvez só agora possa ter sido possível. 


Mas acabei por escolher escrever sobre um Relatório - a apresentar publicamente amanhã mas já hoje dado a conhecer - da OCDE e da Comissão Europeia que conclui que o nosso Serviço Nacional de Saúde é o mais eficaz a salvar doentes. “O Estado da Saúde na União Europeia (UE) 2019” - assim se chama o Relatório - conclui que em Portugal morre-se menos por causas evitáveis e tratáveis do que na média europeia. 


 Porque é a melhor notícia de hoje. E nem que seja apenas para dizer que, se é assim com todas as dificuldades por que passa e tem passado, imagine-se o que seria, aos 40 anos, o nosso SNS adequadamente financiado, e bem gerido... Se calhar, e na terminologia do Presidente Marcelo, seria aquilo que já foi: o melhor Serviço Nacional de Saúde do Mundo!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Decoro, Sr Presidente... Decoro....

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Hoje recebemos a visita da criança/jovem de quem se fala. Greta Thunberg atravessou o Atlântico de veleiro, vinda dos Estados Unidos, chega hoje a Lisboa e segue amanhã, de comboio, para Madrid, onde ontem arrancou mais uma cimeira, que se prolongará até ao fim da próxima semana à procura, se não de respostas, pelo menos de manter vivo o debate sobre a emergência climática em que nos deixamos cair.


A recebê-la, na doca de Santo Amaro, no porto de Lisboa, estará  muita gente. Estará o Presidente da Câmara, estarão deputados ... Só não estará o Presidente Marcelo...


Não precisaria de estar. Muito menos precisaria de se prestar ao mais ridículo exercício de cinismo e hipocrisia política. Não está, e todos sabemos por que não está!


Mas, quem está em todo o lado, sem qualquer reserva e tantas vezes até sem pudor, não pode dizer que, para não estar presente, teve de reprimir os seus desejos para evitar "aproveitamento político". Essa é que não, Sr Presidente. Um bocadinho de decoro, se faz favor!


 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A martelo

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Haverá muitas razões para que os autarcas do país se encontrem, e pontos de interesse comum das autarquias não faltarão. Por isso mesmo é mais difícil de perceber que se tenham encontrado em Congresso para debater a Regionalização - um tema que não está em cima da mesa e que está actualmente a léguas do espaço de influência autárquico.


É verdade. Sem que percebesse porquê, e para quê, a cúpula dos autarcas do país decidiu levar a Regionalização para o Congresso dos Municípios, que realiza de dois em dois anos, e que aconteceu neste fim-de-semana em Vila Real. Foi assim como que introduzir  a Regionalização a martelo na agenda política. 


O Presidente Marcelo passou por lá e disse-lhes qualquer coisa como: "mas o que é que vos passou pela cabeça? Regionalização?  Pode ser que lá para o meu segundo mandato se possa pensar em falar disso. Agora?  Amanhem-se com a descentralização e ganhem juízo"... . Não terão sido estas as palavras, mas bem poderiam ter sido. 


Até o primeiro-ministro António Costa, que foi encerrar o Congresso e que, como se sabe, sonha com a regionalização todas as noites, lhes lembrou que há ainda muita coisa a limpar da cabeça dos portugueses antes de se poder começar a voltar a falar disso.


Até porque, como se sabe, o assunto não poderá fugir a um segundo referendo. E por isso mesmo António Costa aproveitou para confirmar que se está a preparar a eleição directa dos líderes das comissões de coordenação regional. O que, dado como ponto intermédio da Regionalização, menos não é que a divisão do país nas correspondentes cinco regiões administrativas. Ou a Regionalização sem referendo...


Não sei se eram estas marteladas que os autarcas pretendiam quando decidiram fazer da Regionalização o tema do Congresso. Se calhar até seria...


 


 


 

domingo, 1 de dezembro de 2019

CAMPEÕES

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A selecção nacional de futebol de praia acaba de conquistar, em Assunção, no Paraguai, o seu terceiro título mundial. Depois de 2001 e 2015, Portugal volta a ser campeão do mundo!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...