segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Adeus 2018

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Despedimo-nos hoje de 2018. A esta hora já milhões de terráqueos lhe deram o adeus definitivo!


Não deixa grandes saudades, mas a verdade é que os seus antecessores também não. Já nem nos lembramos de um que as tenha deixado... Diz o povo que "atrás de mim virá quem bom de mim fará". Tem sido muito assim e, se pensarmos no que o novo nos trará logo à nascença, poderá a assim voltar a ser. Estou a pensar no que vai acontecer em Brasília, daqui a umas horas, onde o presidente Marcelo não vai faltar. Será o único representante de um país da União Europeia presente, a abraçar Bolsonaro. Se calhar não poderia ser de outra forma, mas não estou absolutamente certo disso...


Cá estaremos - se as contas não nos sairem furadas - para ir contando como se irá portar 2019. Que terá muito que contar... Até porque tem muitas eleições, que deixam sempre muito para dizer. E muitas contas para fazer...


Um bom ano para todos!

sábado, 29 de dezembro de 2018

Perder até a vergonha

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Nos útimos anos o Benfica tem vindo a perder a olhos vistos capacidade de contratação de jogadores no mercado de transferências. Houve um período em que o scouting funcionava, mas mais parecia levantar lebres para Pinto da Costa caçar. Foi assim, entre muitos outros, com Danilo, Falcão e James Rodriguez. Quando, mais tarde, até parecia que a mira tinha sido acertada, percebemos que, afinal, o que aconteceu foi que o Porto caiu em dificuldades financeiras, e deixou de poder dar tiros.


Depois, já mais recentemente, percebemos que o Benfica já nem scouting tinha. Não precisava, tinha Jorge Mendes... E deu no que deu, na desgraça das contratações do último mercado de Verão, que não renderam um único jogador para a equipa, para amostra que fosse.


Às portas de nova abertura do mercado, Luís Filipe Vieira não quis esperar mais para mostrar aos benfiqusitas como tudo pode ser ainda pior. Nunca se tinha visto, e era de todo inimaginável, que um jogador de tostões, do Santa Clara, entrasse no Estádio da Luz para assinar o contrato e de lá saísse para ir assinar pelo Porto. 


Nestes últimos anos de decadência da gestão de Luís Filipe Vieira, o Benfica, tendo scouting, perdeu a capacidade de fechar os negócios. Depois, perdeu o scouting, e deixou fugir as melhores oportunidades de negócio. Acabou ,agora, a perder até a vergonha!


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Marcha-atrás?

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O Benfica assegurou a presença na final four da Taça da Liga, com um empate na Vila  das Aves, interromendo a série de vitórias iniciada com a abortada chicotada psicológica, que já ia em sete.


Num jogo que teve muito de regresso ao passado recente, que julgávamos ultrapassado, em que o Desportivo das Aves foi quase sempre melhor. Rematou mais - muito mais - e criou muito mais oportunidades de golo, mesmo que o Benfica tenha tido mais bola e tenha atacado mais. 


Ao intervalo parecia que o Benfica tinha o jogo controlado, mas logo no arranque da segunda parte a equipa da Vila das Aves chegou ao golo, e tudo mudou. Nunca mais o Benfica conseguiu controlar o jogo, entrando numa espiral de instabilidade emocional que deixava a equipa muito vulnerável às inicidências do jogo. 


O jogadores do Aves começavam a cair a torto e a direito, por tudo e por nada. Só que, quando se levantavam, davam sucessivos esticões no jogo, quase sempre levando o perigo à baliza do intranquílo Svilar, e criando sempre mais oportunidades de golo que o Benfica, que o procurava. Foram vinte minutos assim!


Até Sferovic ter feito o golo do empate, numa jogada em que, à vista desarmada, parte em posição legal mas que, com VAR, teria provavelmente sido invalidado. Haveria ali uma unha qualquer adiantada... Já não teria sido necessário VAR para assinalar dois penaltis a favor do Benfica, especialmente aquele na primeira parte, sobre o André Almeida.


Não foram melhores os restantes vinte e quatro minutos. Antes pelo contrário, fazendo levantar muitas dúvidas... Uma das quais é se isto hoje foi uma manobra de interrupção de marcha ou se foi mesmo uma de marcha-atrás. Que em muitas situações é proibida!


 

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Ora aí está... Por que é que o Serviço Nacional de Saúde tem de contratar médicos a empresas de trabalho temporário, ou lá o que forem?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Previsões para 2019*

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Estamos naquela altura do ano, despedindo-nos do velho para abrirmos os braços ao novo, em que se fazem balanços e apresentam previsões. Ligamos normalmente menos aos primeiros que às segundas – o que lá vai, lá vai… queremos é saber o que aí vem!


Saber se o acontecimento do ano foi isto ou aquilo, ou que a personalidade do ano é esta ou aquela, já não interessa muito. Já passou, e cada um tem o seu. Ou não, se calhar até não ligou nada a nada do que se passou. Ah… mas saber o que é que se vai passar, isso ninguém dispensa. Tem muito de espreitar pelo buraco da fechadura, e não há coisa que a malta mais aprecie que ver o que não dá para ver.


Daí que tenha procurado o que de mais credível haja no mercado das previsões para 2019. Não pensem que me socorri do primeiro charlatão que encontrei, da cartomante mais espampanante que se me atravessou à frente, ou do primeiro folheto de astrólogo que me deixaram no para-brisas do carro. Não, fui procurar a mais sólida vidente dos últimos anos. Tão sólida que, mesmo cega desde os 13 anos, previa tudo o que iria acontecer. Mais ainda, continua a acertar em todas as previsões, ano após ano, mesmo que já tenha morrido em 1996. O seu poder e a sua fama eram tais que, diz-se, foi até contratada pelo governo.


Dela – Baba Vanga de nome artístico, mas na realidade Vangelia Pandeva Dimitrova, nome que lhe não trai a nacionalidade búlgara – se diz que previu a data exacta da morte de Estaline (e sobreviveu!), o acidente nuclear de Chernobil, ou a queda da União Soviética. Para que não se possa dizer que só previa a leste, para o ocidente fez mais difícil ainda: previu acontecimentos posteriores à sua morte, alguns mesmo muitos anos depois, como os ataques de 11 de Setembro de 2001, a eleição de um presidente negro nos Estados Unidos, e até o Brexit.


Posso por isso partilhar sem qualquer receio que, para 2019, a “Nostradamus dos Balcãs”, como também ficou conhecida, previu o colapso económico da Europa, uma tentativa de assassinato a Vladimir Putin, a queda de um meteorito na Rússia, um tsunami na Ásia como o de 2004 e, ainda, que uma doença misteriosa tomará conta de Donald Trump, provocando-lhe um trauma cerebral.


Podem até estar já a dizer que “essas até eu adivinhava”. Que o tsunami se calhar até se adiantou um bocadinho, e já aconteceu na Indonésia. Que o colapso económico da Europa está à vista de toda agente. Que tentativas de arrancar a pele a Putin devem acontecer todos os dias, ou que de trauma cerebral sofre Trump há muito.


Mas... eu fiz o que pude. A senhora, morta há mais de vinte anos, fez muito mais que isso...


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Faltou o puxão de orelhas

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Não sei se o veto do Presidente da República ao decreto-lei do governo sobre a recuperação do tempo para efeitos de carreira dos professores, vai agitar a última semana política do ano, normalmente tranquíla e pacata, entre as mensagens de Natal do primeiro-ministro e de Ano Novo do Presidente da República. Mas devia! 


É apenas o terceiro veto do presidente Marcelo a diplomas do governo, o que diz bem da estreita colaboração - chamam-lhe cooperação institucional - entre Marcelo e António Costa. Mas, desta vez, teria de vir acompanhado de "puxão de orelhas".


Sim, um puxão de orelhas por mais uma traquinice do governo. Tratou deste problema dos professores - e dos portugueses, porque sobrará sempre todos nós - como tem tratado tantos outros: procurando agradar a gregos e troianos, prometendo sol na eira e chuva no nabal ao mesmo  tempo. Depois, quando repara que a quadratura do círculo é imposssível, procura umas habilidades para ir empurrando a coisa.


O último empurrão a esta coisa foi verdadeiramente insólito, com a inscrição no Orçamento do propósito de prosseguir as negociações com os sindicatos. Por mais voltas que dê não percebo que cabimento tem um compromisso desses no Orçamento. O insólito passa a desavergonhado quando, primeiro e de imediato, ensaia uma habilidade a que quis dar forma de reunião falhada com os sindicatos e, depois, logo que o Orçamento foi promulgado, escarrapacha num decreto-lei o que era a sua proposta de partida negocial.


Evidentemente que o Presidente Marcelo, por mais boa-vontade que tenha, não poderia promulgar como facto consumado uma coisa que, dias antes, no Orçamento promulgado, era para negociar na sua vigência. Poderia era dar um valente e público puxão de orelhas ao governo como se faz(ia) aos meninos traquinas que passam a vida a atazanar-nos a cabeça.


 

domingo, 23 de dezembro de 2018

Um Senhor!

Keizer: «Temos de agradecer ao Renan ter ficado só 1-0»


 


Marcel Keizer depois da derrota do Sporting, em Guimarães:


«O Vitória foi melhor, mereceu o triunfo. Não tomámos as melhores decisões. Sabemos que o tipo de futebol que jogamos é difícil, e tudo tem de funcionar bem. Quando assim não é os espaços são muitos, e isso é um problema. Temos de agradecer ao Renan ter ficado só 1-0.»


Não se desculpou com coisa nenhuma. Reconheceu que o adversário foi melhor, e que o resultado bem podia ter sido pior, como todos vimos. E ainda conseguiu explicar o que, quem gosta e aprecia futebol, já tinha percebido: o seu tipo de jogo é espectacular mas, para resultar, é preciso que tudo funcione bem.


Um senhor. Gente desta faz falta ao futebol em Portugal. Benvindo Sr Keiser. Só não lhe desejo felicidades ... porque... Não posso! Sabe...


Mas desejo-lhe bom Natal! 


Já agora só mais uma palavrinha sobre isso de "tudo tem de funcionar bem". Para que tudo funcione bem é preciso que os jogadores tenham muita qualidade e que disponham da plenitude das suas disponibilidades físicas e mentais, o que, na condição humana, nunca é um estado permanente.


Percebeu-se que o segredo do futebol de Keizer era o espaço. E que para o conseguir "aumentava" o campo, enquanto a estratégia da generalidade dos treinadores é "encurtá-lo". Com mais espaço, e com melhores executantes que a maioria dos adversários, ele teria maiores probabilidades de jogar bem e de ganhar. 


O Sporting tem bons executantes, mas não tem grande quantidade de grandes executantes, e quando lhe faltou Nani, a coisa ficou mais difícil. Mas complicou-se definitivamente quando perdeu Bruno Fernandes. Sem Nani, a barra ficou pesada para o oito do Sporting. E logo que lhe sentiu o peso perdeu a condição mental, voltou a ser o tipo que, em vez de jogar, discute com toda a gente, e desapareceu em campo.


E sem os seus dois melhores executantes o futebol de Keiser é traído. E, traído o seu futebol, fica ele próprio muito exposto à traição. Até porque, por cá, gosta-se pouco de Senhores no futebol!


 

Natal de retoma

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Catedral cheia, de novo. Como se nada se estivesse a passar, como se a equipa estivesse a fazer os adeptos acreditarem, como se viesse de grandes jogos, de exibições mobilizadoras...


Os jogadores do Benfica parece que sentiram isso, entenderam que não podiam defraudar aquela imensa mole humana, e partiram para um jogo simplesmente memorável. 


Que até nem começou de forma muito entusiasmante. Nos primeiros 20 minutos era um jogo sem balizas: as equipas jogavam, especialmente o Benfica, com o Braga mais na expectativa, mas ... remates... Nada!


O primeiro foi do Benfica, exactamente à passagem do minuto 20. O excelente remate de Pizi, que deu num grande golo. Logo a seguir a oportunidade para o segundo e, depois, foi a vez do Braga. De cinco minutos de Braga, porque o que se seguiu foi um verdadeiro assalto do Benfica à baliza de Tiago Sá. Deu para o segundo, de Jardel, finalmente a tirar proveito de um canto. Pela primeira vez no campeonato, a primeira, mesmo, tinha acontecido na passada quarta-feira, naquele triste 1-0 em Montalegre, para a Taça.


O Braga estava encostado às cordas, sem saber o que fazer da vida, esperando ansiosamente o intervalo. Mal imaginariam que não lhes valeria de nada, que aquilo era apenas o prenúncio do que estava para vir...


Logo na bola de saída da segunda parte o Benfica podia ter chegado ao terceiro. Não tardou muito, apenas mais dois minutos, num golo todinho de Grimaldo ... de pé direito. O Braga ainda reagiu, chegando ao golo logo três minutos depois. Tanto quanto demorou o quarto, de Jonas.


E o Benfica não levantou o pé, com um grande futebol e com mais dois golos (Cervi e André Almeida) no quarto de hora seguinte. Ainda antes do jogo entrar no quarto de hora final - esse já em ritmo mais pousado - o Braga fechou o resultado num inimaginável 6-2.


O futebol tem esta magia. De um momento para o outro tudo muda. Depois de uma sucessão de fraquíssimas exibições, e de vitórias por 1-0, sempre com uma enorme dificuldade em meter a bola na baliza adversária, o Benfica arranca a melhor exibição da época, atinge o mais volumoso score, num dos jogos com maior grau de dificuldade do campeonato, e faz renascer a esperança dos adeptos e o espírito da reconquista.


Não deixa de ser curioso que isto aconteça nesta quadra natalícia, e na chamada jornada gorda. Perante um adversário directo, que hoje deixou para trás, e quando os restantes abanaram. O Porto sem cair (2-1 no Dragão, perante um Rio Ave que jogou bem melhor) mas em claro défice de produção de jogo, que só não tem consequências na classificação porque os deuses da arbitragem não querem. Nem deixam. E o Sporting a deixar finalmente cair a máscara, feita de estrelinha. Perdeu em Guimarães perante um adversário que desta vez foi sempre melhor (os anteriores já tinham sido melhores, mas apenas em metade do jogo) e que merecia bem mais que o curto 1-0.


E pronto, aí está o Benfica. Saltou de quarto para segundo, e já com o melhor ataque!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Foi toupeira

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O e-toupeira já foi. Já não é toupeira, foi!


Para julgamento seguem Paulo Gonçalves e um funcionário judicial. Vamos esperar pelo julgamento e pela sentença. E que se faça justiça, como agora se fez na fase de instrução, que acabou por ilibar a SAD do Benfica das acusações mal amanhadas pelo procurador Valter Alves, como todos os epecialistas manifestaram logo que foi conhecida a acusação do Ministério Público. É certamente raro, se não mesmo caso único, que nem uma, em trinta acusações de crime, tenha tido pernas para andar


Sempre aqui disse, nas múltiplas ocasiões em que abordei o tema que, enquanto benfiquista, e mesmo que não visse ponta por onde se pegasse na tentativa de estabelecer qualquer relação causa-efeito de natureza desportiva, não via com bons olhos a presença de Paulo Gonçalves, formado nas escolas do Porto de Pinto da Costa, com passagem pelo Boavista de Valentim Loureiro, na estrutura do Benfica. 


Volto a reafirmá-lo, continua a fazer-me impressão. Como volto a reafirmar que, com o e-toupeira, se pretendeu branquear o velhinho apito dourado. E o novíssimo cashball que, apesar de novinho, já caiu no esquecimento.


Mas...do apito dourado, sabe-se tudo. Sabe-se o que foi, e no que deu. Porque as provas, abundantes, claras e inequívocas, não foram aceites pelo tribunal. Mas existiam, estavam e estão aí. E do cashball ainda não se sabe nada, e até parece que já se duvida da sua existência!

21 de Dezembro ...

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É o dia do segundo solstício do ano, quando o Sol mais afastado está da Terra, contas feitas em distância angular em relação à linha do Equador. E é o dia mais pequeno do ano. E a noite mais longa ... Cá, pelo hemisfério norte. Do outro lado é tudo ao contrário...


Por cá começa hoje o inverno, mesmo que nem se dê muito por isso. Nem por mais nada... 21 de Dezembro é, este ano,  apenas e só, dia de solstício!


"O povo é sereno". "É só fumaça"!


O tio do outro tinha umas acertadas...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O país vai parar?

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Não faço a mínima ideia do que irá acontecer amanhã na anunciada acção de mobilização para parar o país, embora tenda a convencer-me que não vai acontecer nada. Mas não tenho dúvidas que, se alguma coisa acontecer - e refiro-me a alguma coisa parar no país, não em parar o país - isso se ficará a dever à promoção que foi dada à iniciativa.


Começou a ser anunciada nas redes sociais, e com grande dificuldade em sair daí. De tal forma que, segundo parece, a extrema direita organizada - refiro-me ao PNR, evidentemente - saltou fora, receando o fracasso. Só que nos últimos dias a comunicação social deu-lhe gás. E, pior, credibilidade.


Pois é. É difícil credibilizar qualquer coisa que nem sequer se sabe o que é, mas é fácil dar expressão ao medo. Parece-me que que foi isso que foi feito nos últimos dias... 


Não acredito que tenham andado a ajudar a criar um monstro. Mas pode ter-se corrido esse risco, como o presidente Marcelo percebeu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Greves boas e greves más

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Pensávamos que as greves eram sempre justas para uns e injustas, inoportunas e más, para outros. Agora percebemos que já não é assim. Os que antes as achavam justas, incondicionadas e incondicionáveis, dizem agora que ... afinal, não. E os que achavam que só os malandros que não querem trabalhar é que faziam greve, sacralizam agora esse direito inalienável dos trabalhadores. 


Malandros e bons rapazes, ou galdérias e boas raparigas, ao ritmo não se sabe muito bem de quê. Ou sabe... Pode não ser assim tão simples. Mas não deixa de ser assim tão engraçado ...

Educador sem educação

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Já poucos se lembravam dele. Vivera os seus tempos de glória e há muito que tinha desaparecido, pese uma bicada aqui e ali. Regressou agora para nos encher de saudades do António Garcia Pereira, e para nos lembrar da esquizofrenia política que faz de um partido uma seita apocalíptica. Fala-se de Arnaldo Matos, evidentemente.


O grande educador da classe operária nunca teve educação para dar nem vender. Pelos vistos ficou pior. Parece até que a educação é o único dos luxos burgueses que despreza...


 


 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Que Begonha...

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Com a confirmação de Maria Begonha, os jotinhas socialistas deram mais um forte contributo para a descredibilização dos partidos, para a convicção de que são irreformáveis, e para a ideia que as organizações das juventudes partidárias não são mais que escolas dos vícios dos mais velhos.


É pena que nos partidos políticos ninguém perceba isto.


 

domingo, 16 de dezembro de 2018

Novidade, mesmo sem nada de novo...

Marítimo 0-1 Benfica: Jonas foi o 'druida' anti-crise no 'caldeirão' dos Barreiros


 


Mais uma exibição sofrível, mais uma vitória por 1-0, daquelas que valem os mesmos pontos mas que não dão saúde a ninguém, perante um adversário muito fraco e praticamente inofensivo. Inofensivo no sentido futebolístico, na incapacidade para atacar a baliza adversária porque, no campo e no jogo, o Marítimo foi tudo menos inofensivo. Pelo contrário, capacidade para ofender as pernas dos jogadores do Benfica não lhe faltou. Sabe-se que nessas coisas Petit não é muito diferente de Lito Vidigal.


De resto o jogo nem foi muito diferente do de Setúbal, na semana passada, mesmo que os jogadores do Marítimo não tenham batido tanto, nem o árbitro tenha sido tão mau. Teve no entanto uma novidade no golo do Jonas, porque aí não há novidade - se há golo, só pode ser de Jonas.  À 13ª jornada, o Benfica chega ao primeiro golo de bola parada no campeonato. E de penalti - às três foi de vez. Isso mesmo, este foi apenas o terceiro penalti assinalado a favor do Benfica...


E não tem muito mais que contar, este jogo da Madeira. Outra vez muitos cantos e livres, tudo a continuar a dar em nada. Com Cervi - no lugar do lesionado Rafa -, Pizi, e Fejsa completamente fora de forma, vão valendo Grimaldo, Zivkovic, e Gedson, já que Jonas hoje só não passou ao lado do jogo porque esteve no penalti. E os mesmos equívocos de Rui Vitória nas substituições, onde só muda os jogadores. 

A história das montras... ou as montras da História ...

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Há não muitos anos as pessoas saíam para ver as montras. À tarde, os menos ocupados, ou à noite, mais generalizadamente, para ajudar à digestão do jantar.


Não há assim tantos anos, era frequente, depois do jantar, especialmente o casal mas muitas vezes a família toda, dar a sua voltinha pelas redondezas a apreciar o que as montras tinham para mostrar.


Foi a televisão que começou a acabar com este hábito, quase um ritual das nossas cidades. À medida que os aparelhos de televisão começaram a entrar nas casas – é difícil para os mais novos, que hoje vêm nas suas casas três, quatro, e às vezes mais, televisores, e computadores e smart phones que os tornam obsoletos, perceber que durante muitos anos a grande maioria das pessoas não tinha televisão em casa – as pessoas começaram a deixar de sair. Nunca há só uma causa para este tipo de roturas sociais, mas a televisão é a principal. E, lá dentro, o aparecimento das telenovelas, lá pelo fim dos anos 70 do século passado.


As montras das lojas cumpriam, como continuam a cumprir, a função de promoção da venda na forma de apelo à compra, mas também uma função lúdica e social. Se alguma coisa ficasse no olho, lá ficaria à espera de notícias do fim do mês…


Depois chegaram os centros comerciais, e depois os modernos shoppings. As montras fugiram das ruas para esses espaços gigantescos, onde tudo se concentrava. As pessoas passaram a visitar esses espaços ainda em passeio lúdico, e ainda para ver montras. Alguns para passar o tempo, e comprar o que o cartão de crédito deixasse; a maioria aos fins-de-semana porque o tempo foge, e as compras não podem deixar de ser feitas.


As dinâmicas sociais não param e, da mesma forma que acabaram com as passeios pelas montras, ameaçam já as visitas de fim-de semana pelos shoppings. As novas gerações acham que há coisas muito mais interessantes para fazer do tempo que simplesmente desbaratá-lo dessa forma. E a revolução digital em curso, o processo de digitalização das sociedades e da economia, fez o resto.


Hoje encontramos os centros comerciais à distância de um clique. Em sítios como este, sem sair de casa ou sem abandonar a cadeira do escritório, sem filas de trânsito e sem discussões por um lugar de estacionamento, encontramos tudo. Escolhemos tranquilamente em montras transparentes que são todo o armazém. Pagamos sem filas para a caixa, e pouco depois estamos a receber as compras em casa.


Não admira que pertençam já a esta nova área da economia as maiores empresas mundiais. Como vai longe o tempo de rua acima, rua abaixo, de olhos fixos nas montras iluminadas…

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Centenário

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Assinalam-se hoje 100 anos sobre a morte de Sidónio Pais, o quarto Presidente da República, assassinado a tiro na estação do Rossio, no segundo de dois atentados no espaço de poucos dias.


Tinha então 46 anos e, não sendo o de hoje o conceito de juventude era, ainda assim, o mais jovem presidente da I República, e é o segundo mais jovem presidente da República da nossa História, logo atrás de Ramalho Eanes, eleito aos 41 anos.


Se fosse hoje não seria apenas um presidente jovem. Seria também, como o actual, o presidente dos afectos. Gostava da rua, do contacto e da proximidade com as pessoas ... Popular, mas acima de tudo populista, quando ainda se não falava de populismo. E, mais que autoritário, autocrático. 


Fernando Pessoa chamou-lhe o "Presidente - Rei". A História chamou ditadura à (pouco mais de) meia dúzia de meses do seu "reinado" - a ditadura sidonista!


 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Realidade desfocada*

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Temos todos a impressão que o país está a atravessar uma maré alta de agitação social, com uma onda de greves a níveis nunca antes atingidos.


Esta é a percepção que temos, e que temos por indiscutível. Antes de percebermos se esta percepção sensorial tem ou não correspondência com a realidade, convém que percebamos por que é que a temos, e com tamanha convicção.


Temo-la, em primeiro lugar, porque raramente as greves tiveram uma concentração temporal como agora. As greves existem para causar problemas, para introduzir disfunções nos sistemas, para provocar incómodo social, se não o fizerem não têm eficácia. A percepção que delas temos é tanto maior quanto mais perturbação conseguirem introduzir. E tanto maior ainda quanto mais concentradas no mais pequeno espaço de tempo. Como está a acontecer.


Quanto mais perturbadoras e mais concentradas, maior impacto têm na comunicação social, que mais amplifica ainda essa percepção, num inquebrável ciclo vicioso.


A verdade é que, nem de perto nem de longe, esta percepção encontra correspondência na realidade. Nos últimos 14 anos, de 2005 até agora, houve em média 876 pré-avisos de greve por ano. O recorde foi atingido em 2012, com 1895 pré-avisos de greve, mais do dobro da média, seguido de 1534, no ano seguinte, em 2013, em pleno período da troika, e no auge do governo anterior. No sentido inverso, os três anos com os mais baixos pré-avisos de greve são 2009, com 376, 2016 com 488 e, veja-se bem, 2018. Nem mais, neste ano que nos querem apresentar como surpreendente, terrível e nunca antes visto, até Novembro, foram apresentados 518 pré-avisos de greve. Pouco mais de metade da média dos últimos 14 anos!


Então, se as coisas são assim, por que é que continua a fazer caminho uma ideia tão distante da realidade?


Pela mesma razão porque são lançadas todos os dias notícias falsas, ou manipulados oportunisticamente determinados factos. Porque simplesmente há quem tenha interesse nisso…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Lstimável. Não há como dizer de outra forma!

Benfica despede-se da Champions com uma obra de arte de Grimaldo


 


O Benfica despediu-se da Champions da mesma forma lastimável como por lá passou. Sem honra nem glória. E só não foi também sem dinheiro porque, apesar de tudo, a Champions é generosa.


Perante um adversário que não é mais que um acidente da Champions, o Benfica repetiu, na primeira parte, tudo o que de mau tem feito nos últimos meses. Um Benfica deprimente, perante um adversário não menos deprimente, só poderia dar num jogo deprimente.


Como deprimente é ver como se está a destruir jogadores, uns atrás dos outros. Como jogadores de inegável qualidade se arrastam em campo, a passo, sem alegria, nem chama, nem alma... Como deprimente é ver dezenas de cantos e livres sucessivamente desperdiçados, sem que a bola chegue sequer à baliza do adversário. 


A primeira parte foi isto. Para que fosse ainda pior, aconteceu a lesão de Rafa que, a par de Jonas, hoje poupado, é actualmente o jogador em melhor forma e o melhor marcador.


A segunda foi, a espaços, um pouco menos má. Nada de grande consistência. Porque não se vê trabalho na equipa, Seferovic tem de fazer de Jonas. É evidente que o internacional suíço nunca pode fazer o que faz Jonas, por muito que tente, como hoje se viu. E por melhor que jogue, como hoje fez. João Félix tem de fazer de Cervi ou de Zivkovic, bem encostado à linha, e bem longe do lugar onde se realiza e mais rende. E até quando, no desespero, se lança Castillo, não é para reforçar a presença na área, mas para o encostar à linha donde saiu o ala que substituiu. 


Nos espaços dessa segunda parte em que a equipa conseguiu ser menos que deprimente ainda deu para criar quatro ou cinco grandes ocasiões de golo. Umas desperdiçadas por evidente falta de confiança, outras por excesso de azar, como aconteceu com as duas bolas de Seferovic nos ferros.


O golo, e a vitória que disfarça a deprimente participação do Benfica na Champions, acabaria por chegar já em cima do minuto 90. Na cobrança de um livre - finalmente - por falta (com expulsão, por segundo amarelo) sobre Gedson, há muito de rastos. Que não resultou de mais nada que da grande, e tantas vezes subaproveitada, capacidade de execução de Grimaldo.


Seguiram-se 4 minutos de compensação, que deram para ver um grande remate de Seferovic na barra, com a bola a cair sobre a linha de golo e, depois, para voltar a ver uma equipa assustada, insegura e sem categoria. A jogar contra 10!


É pena. Mas não há como dizer de outra forma...

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tudo assustadoramente igual

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Em França, outra vez. O terrorismo voltou à rua, desta feita espalhando sangue e morte num mercado de Natal, em Estrasburgo. 


Tudo igual a tantas das anteriores ocorrências. Um cidadão francês de origem marroquina, nascido e criado em França. Um criminoso comum que acaba por migrar para o campo do terrorismo islâmico. Um terrorista já referenciado pelas autoridades francesas, que mais uma vez chegaram tarde: ou porque se atrasaram, ou porque permitiram que o terrorista se antecipasse. Que mata e foge por entre os dedos da polícia...


Sempre tudo assustadoramente igual! 

Notícias e linguagens

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Hoje é um dia cheio de notícias, das grandes e pesadas...


Em França, Macron finalmente falou. E, sem dizer, disse que estava encurralado, sem rumo e sem saber o que fazer. Como tinha que fazer alguma coisa, aumentou o salário mínimo nacional em 100 euros, deixando-o agora nos 1598 euros. Quase o triplo - 2,7 vezes, para ser rigoroso - do de Portugal, o que dá uma boa ideia donde estamos nestas coisas dos salários. Mas nem por isso que a anunciada revolução dos coletes amarelos à portuguesa, prevista já para o próximo dia 21, tem pernas para andar. E ainda bem...


Em Inglaterra, Theresa May, sabendo que o Parlamento não teria contemplações, adiou a votação do acordo do Brexit que negociara com a União Europeia, e saiu a correr Europa fora, que nem uma barata tonta, à procura não se sabe bem de quê. Ainda se fosse de asilo político...


E, por cá, transitou finalmente em julgado a condenação de Armando Vara, um dos mais loquazes espécimes da fauna política portuguesa. Depois de esgotar todos os recursos ao longo de mais de quatro anos, vai hoje entrar na prisão de Évora para cumprir a pena de cinco anos de prisão.


No entanto, nenhuma destas notícias me tocou tanto como a do pagamento ao FMI. A notícia do pagamento dos últimos 4,7 mil milhões de euros do empréstimo concedido pelo FMI no chamado resgate da troika, foi a que mais me chocou. Bem, não terá sido exactamente a notícia. Aqui a forma ultrapassa vertiginosamente a substância...


Pagar ao FMI nem sequer deveria ser notícia. É simplesmente uma medida normal de gestão corrente, que qualquer pessoa ou empresa toma, e que o Estado não pode deixar de tomar. Quando as circunstâncias - conjunturais, estruturais, internas ou externas, whatever - permitem negociar condições mais favoráveis, é da mais elementar exigência que se usem. O que o Estado fez, como não poderia deixar de fazer, e como deveria ter feito há mais tempo e com maior intensidade, foi financiar-se a taxas de juro mais baixas para pagar financiamentos com juros bem mais caros.


Não é, portanto, a notícia que nem notícia deveria ser que choca. O que choca é o ministro das finanças a anunciá-la. Porque, se nem deveria ser notícia, muito menos deveria ser anunciada com pompa e circunstância pelo  ministro das finanças?


Sim. Também. Mas acima de tudo porque Mário Centeno é o rosto que se vislumbra por trás deste pico de contestação social por que passa o país, e é a cara das cativações no esgotamento dos serviços públicos. E porque, a falar, não pode limitar-se a referir friamente que esta antecipação representa uma poupança de 100 milhões de euros. Bastar-lhe-ia adiantar um destino para essa poupança para tudo mudar de figura... "Poupamos 100 milhões de euros em juros que reforçarão directamente o orçamento da saúde" - por exemplo, faria toda a diferença.


Mas, se esta é uma linguagem difícil para o ministro das finanças, passa a absolutamente inacessível ao chefe do eurogrupo! 


 


 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Hoje é dia de festa...

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Faz hoje 20 anos que José Saramago recebeu, em Estocolmo, o prémio Nobel. O segundo a distinguir um português, e o primeiro a premiar a literatura portuguesa...


Mas hoje assinala-se outro aniversário importante. Faz hoje 70 anos a já velhinha Declaração Universal de Direitos Humanos. Em 10 de Dezembro de 1948 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Declaração Universal de Direitos Humanos, um marco civilizacional único na História do desenvolvimento humano.


É hoje ainda letra morta em muitas partes do mundo, e objecto de traição noutras. Queremos todos crer que seja cada vez menos assim. Há ainda muito caminho a percorrer, mas ninguém tem dúvidas que é por aí. Que o caminho é esse, iniciado há 70 anos, e onde, também Portugal, demorou quase 30 anos a chegar.


 


 


 

sábado, 8 de dezembro de 2018

Crime de Xistra: matou o melhor golo do campeonato!


 


Tarefa complicada para o Benfica, esta noite em Setúbal. O Porto, somando a enésima vitória consecutiva, inVARiavelmente com ajudas das forças de desbloqueio, já tinha ganho e fixado a diferença em 7 pontos. Tal como o Braga que, com a estrelinha que lhe faltara no Dragão, acabara de sair de Tondela já com 4 pontos de avanço. Neste cenário, e com este Vitória cheio de moral na sequência dos bons resultados que atravessa, e cheio de força e querer, como sempre acontece nas equipas de Lito Vidigal (que hoje esteve no Bonfim, mas não viu o jogo, viu outro completamente diferente) as dificuldades só podiam ser muitas.


O inicio do jogo confirmou isso de imediato. A equipa de Vidigal entrou pronta a bater em tudo o que mexesse e vestisse de vermelho. Quando assim é, e o árbitro é Carlos Xistra ... 


Na primeira vez que foi possível jogar futebol o Benfica marcou. Por Jonas, Who else?


Ia o ponteiro já perto dos 20 minutos. Até ao intervalo não foram possíveis muitas mais jogadas de futebol. Antes, o guarda-redes do Vitória - já é outro, não é aquele do golo do Porto - defendeu com a mão fora da área. Não deu em nada, porque o Benfica continua a não saber o que fazer das bolas paradas que, de resto, são já mais perigosas para a equipa que para o adversário, como se viu naquele contra-ataque do Vitória que só foi anulado já dentro da área, por ... Jonas e Zivkovic. Refiro esse lance do guarda-redes do Vitória simplesmente porque, não tendo dado em nada, deu para Carlos Xistra mostrar o primeiro amarelo (e único da primeira parte) a um jogador de Setúbal. Pelo arraial de pancadaria que distribuiram, nem um!


Mesmo assim o Benfica poderia ter chegado ao intervalo com o jogo fechado, em termos de resultado. Zivkovic, com um grande remate ao poste, e Rafa, desperdiçaram ocasiões suficientes para isso.


No regresso para a segunda parte Lito Vidigal reforçou a brigada de choque com um velho conhecido - Rúben Micael. A coisa prometia... Com Carlos Xistra a passar todos os limites, e a cair no domínio do verdadeiramente escandaloso.


A propósito, e já que o Sérgio Conceição ontem voltou a falar do jogo do Bessa, e se lembrou de o comparar com o que o Benfica lá disputara, é agora oportuno lembrar o que foi o jogo do Porto em Setúbal. Lembro-me que o Vitória jogou à bola - e bem melhor que o Porto - e não deu "porrada". Deu foi o golo que decidiu o jogo, num frango indesculpável do seu guarda-redes... Do outro.


Mas a segunda parte não foi só faltas e agressões dos jogadores de Vidigal e provocações de Carlos Xistra. Foi ainda mais uma série de oportunidades de golo desperdiçadas, no que Rafa foi rei. E foi o golo do campeonato, que Xistra decidiu matar, assinalando fora de jogo a Zivkovic no seu próprio meio campo!


Um crime de lesa futebol, apagar deste campeonato um chapéu do meio-campo. Um golo simplesmente irrepetível!


Fecho com uma referência a Rui Vitória. Não tem culpa nenhuma dos golos falhados, nem no que adversários e árbitro tornaram o jogo. Mas o estado emocional dos jogadores continua frágil e é confrangedora a falta de soluções nas bolas paradas. 


Valha-lhe o fato novo. Aquele fatinho cinzento, com aquela gravata de malha às listas grenat, já enjoava...


 


 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Ilusões de óptica*

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Nos últimos anos temos conquistado uma série de novos direitos. Ou novas regras e novas roupagens em velhos direitos. Novos direitos, ou simplesmente novas formulações de velhos direitos, - a diferença não tem qualquer relevância para o caso – a verdade é que têm sido implementadas novidades no nosso quotidiano que nos deixam uma sensação de protecção. De, enquanto cidadãos e consumidores, enquanto elo mais fraco das diversas cadeias que integramos na nossa pacata vida comum do dia-a-dia, nos sentirmos mais protegidos no confronto sempre desigual com as grandes organizações com que temos todos os dias de lidar.


Aqui há uns anos a legislação obrigou os bancos, e de um modo geral as empresas do negócio financeiro, a especificarem tudo nos contratos – taxa de juro, despesas, valor total do desembolso… Tudinho, supostamente para que o cidadão/consumidor tomasse consciência de tudo o que iria pagar.


Toda a gente sabe que nada disso altera nada nessa relação desigual entre quem tem o dinheiro para satisfazer o consumo e o consumidor sem dinheiro que não resiste ao ímpeto de consumir. Mesmo assim, logo bancos e sociedades financeiras lhe deram a forma de letra miudinha, daquelas que ninguém lê, que já conhecíamos das seguradoras, porventura os mais antigos malfeitores. Engraçada foi a maneira encontrada para a comunicação oral, na publicidade na rádio e na televisão, onde a letra miudinha foi convertida na leitura dessa parte do conteúdo a uma velocidade estonteante, que torna completamente imperceptível o que está a ser lido.


Engraçada também é a legitimação da coisa manhosa: o tempo em publicidade é demasiado caro para ser gasto com mensagens laterais, e ainda apor cima obrigatórias.


Também já percebemos como funciona a legislação sobre a protecção de dados, em vigor desde Junho passado. Melhor, como não funciona. Porque, lá está outra vez, a desigualdade em confronto.


Nos contratos escritos, lá regressa a velha fórmula das letras pequeninas em páginas e páginas que ninguém consegue ler. Mas com que tem de se concordar. Nas plataformas, ou nas diferentes apps que agora há para tudo e para nada, é a mesma coisa. Mas pior - enquanto não concordar não sai do mesmo sítio. A cada click na internet temos invariavelmente que autorizar tudo o que nos põem à frente, e ceder em toda a nossa privacidade a troco de coisa nenhuma … É simples: ou desistimos do que procuramos, ou fintamos as barreiras todas que nos põem à frente para lá chegar. Não há terceira via, ler aquilo tudo para decidirmos se aceitamos ou não, nunca é alternativa. Simplesmente ninguém tem tempo para isso e, se tiver, quando acabar já nem se lembra exactamente do que estava à procura.


Pois é. Alegremente convencidos que estamos cada vez mais protegidos, estamos afinal cada vez mais entregues à bicharada!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Notícias do parlamento

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Sabemos que são 230 os deputados na Assembleia da República. E sabemos que nada sabemos da maioria deles. Não sabemos o que lá estão a fazer, nem para que servem. 


Acabamos de ter notícias, o que revela que esses deputados se preocupam com as nossas preocupações. A notícia é a confirmação que servem para assinar as presenças dos que lá não estão.


Não é uma grande notícia, mas é o que se pode arranjar!


 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Macron e os "gilets jaunes"

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Os movimentos populares de protesto, caracterizadamente inorgânicos, estão a espalhar-se por todo mundo, em resultado da progressiva falência dos mecanismos políticos de representação e da crescente influência das redes sociais no papel da comunicação.


A França tem, no entanto, bastante tradição em movimentos sociais inorgânicos. Do nada, surgem frequentemente grandes fenómenos de contestação, movimentos de massas espontâneos à margem de mecanismos de organização, que acabam normalmente em grandes expressões de violência.


Os chamados "gilets jaunes" que, ao que parece, acabam de obter ganhos de causa perante Macron, não são por isso grande novidade. Mas não deixa de ser surpreendente que um movimento desta natureza e dimensão tenha surgido tão cedo no mandato de Macron, cuja eleição não é, ela própria, alheia ao último suspiro dos mais convencionais mecanismos de representação da sociedade e da democracia francesas.


Recorde-se que Macron foi eleito há apenas ano e meio, depois de um terramoto político que reduziu a pó os partidos políticos convencionais, e de poder. Que veio de fora do sistema, e que é, também ele, uma emanação do esgotamento dos velhos instrumentos de representação, que entregou o eleitorado a Marine Le Pen. Que, em última instância, acabou em factor crítico de sucesso da sua eleição.


O que me parece que isto quer dizer é que desengane-se quem achar que o sistema é reconvertível através de uma nova geração de políticos mais ou menos assépticos, pragmáticos e ideologicamente virgens. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Negócios da China


 


Depois de, nos tempos da troika e de Passos Coelho, ter entrado com tudo na economia portuguesa, a China,  com visita oficial do presidente Xi Jinping que hoje se inicia, arranca para o aprofundamento da sua relação de domínio sobre este jardim à beira mar plantado.


Portugal é, a seguir à Finlândia, o país europeu onde a China mais investiu, na circunstância um eufemismo de comprou. No entanto, tendo comprado mais na Finlândia, é em Portugal que o Estado Chinês maior domínio exerce sobre a economia, ao nível do que faz na Grécia e na Hungria, onde nem comprou tanto.


Em Portugal o Estado Chinês tem já na mão sectores fundamentais da economia, dominando na produção e distribuição de electricidade, na banca, nos seguros e até na saúde.  Isto é, a China, que não é nem nunca foi um aliado estratégico mas, antes, a grande potência global  das próximas décadas, detém já uma grande fatia da soberania nacional. 


Com a visita de hoje fala-se, mesmo que baixinho, da velha Rota da Sede. Ou das rotas, da terrestre e da marítima. Ou da ligação de ambas. Ou seja, fala-se de Sines. E da sua ligação ferroviária à Europa. Não temos mais nada que interesse para lhe vender, mas o Sr Xi Jinping também não vai mal servido com portos e transportes ferroviários... Mais um negócio da China à vista!


 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Viagem pelo fim-de-semana

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Não foi um fim-de-semana sem História, este que acabamos de largar. Mesmo que o calendário lhe tenha roubado um dia com muita História, ao encavalitar o 1º de Dezembro no sábado...


Em Buenos Aires, sem condições de segurança para organizar um jogo de futebol, teve condições para reunir o G20. Onde Trump não pôde dar muita confiança a Putin, que acabou por ter que se entreter com o jovem Mohammed bin Salman, mas pôde fazer um intervalo no braço de ferro com Xi Jinping, já a caminho deste nosso cantinho, onde coisa que não tem é problemas de comércio. Cá já manda ele...


Para que Putin não ficasse chateado, Trump não se podia esticar com o chinês. E aproveitou a morte de George H W Bush para dar a conversa por acabada. Não dá para continuar, tenho que ir tratar do funeral ...


Também Macron teve que se despachar porque Paris já estava a arder. Nada escapou aos protestos dos gilets jaunes, infiltrados de activistas do terror e do vandalismo... Nem mesmo o sagrado Arco do Triunfo, lá no alto dos Campos Elísios.


Em Bruxelas marchou-se pelo clima, como que a fazer a ponte de Buenos Aires para Katowice, onde o palco já está montado para a 24.ª Conferência da Partes (COP24), da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, às voltas com as metas para a limitação do aumento da temperatura.


Por cá? Bom, por cá foi fim-de-semana gordo para os supermercados. E para o Estado... 

sábado, 1 de dezembro de 2018

Viragem

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A extraordinária paixão que o futebol desperta resulta de muita coisa que está mais que explicada. Mas resulta acima de tudo da sua extraordinária capacidade de surpreender. "O que hoje é verdade, amanhã é mentira", como Pimenta Machado eternizou há muitos anos, tornando o cromo que foi, quase num filósofo.


Depois de uma viragem de 360 graus a meio da semana, a Luz esperava hoje pelos efeitos da chicotada psicológica.  Os cinquenta mil que nunca desistem começaram por ver as anunciadas palmas de Rui Vitória para a entrada dos jogadores em campo, representasse isso a viragem que representasse. 


Duvidava-se que representasse alguma coisa, até porque o jogo cedo começou a mostrar que o futebol apresentado representava, também ele, uma viragem de 360 graus relativamente aos jogos anteriores. Estava no mesmo sítio, o mesmo futebolzinho previsível, para o lado e para trás. Notava-se no entanto uma pequena diferença na entrega dos jogadores. A forma como discutiam cada bola, já era outra. Condição necessária, mas não suficiente para melhorar a fraca qualidade de jogo, que se mantinha. 


Percebia-se que os jogadores (já) queriam, mas não podiam. Faltava-lhes confiança para fazer melhor, e velocidade para surpreender o adversário. Os minutos passavam e os jogadores do Feirense mantinham-se confortáveis a dar conta do recado. Do Benfica, nem remates quanto mais oportunidades de golo... Nada, de nada. 


No estádio, mudo e calado - as claques, melhor, os grupos organizados de adeptos, fizeram greve durante os primeiros 30 minutos - já só se esperava que, como nos últimos jogos, o Feirense chegasse ao golo na primeira vez que atingisse a baliza de Vlachodimos. Até porque Tiago Silva, o 10 do Feirense e o melhor em campo nesse período, tinha tempo espaço para mostrar a sua qualidade. Que, sendo muita, nos parecia ainda maior!


A saída para o intervalo deixava a Luz longe das boas sensações.


Só que, sem que nada o fizesse esperar, o Benfica regressou ao campo com uma viragem - agora sim - de 180 graus no seu futebol. E, como que por magia, vimos de volta o melhor futebol que por cá se vê. Com tudo o que tem de ter: futebol corrido, de toque, desmarcação e recepção, velocidade, variação de lances, pressão sobre o adversário e sobre a bola.


Um autêntico vendaval de futebol. O golo surgiu de imediato, como nunca deixa de acontecer quando assim se joga. Apenas 4 minutos depois do apito para o reinício e quando, 7 minutos depois, surgiu o segundo (que um defesa do Feirense roubou ao Jonas), já o Benfica tinha criado mais três ou quatro claríssimas oportunidades de golo.


A avalanche de bom futebol não abrandava, e as oportunidades sucediam-se em perdidas para todos os gostos. Ora em falhanços clamorosos, ora em puro azar, ora ainda em simples acidentes de jogo, como no golo anulado a Jonas, num fora de jogo indiscutível à luz da letra da lei, mas inaceitável à luz da própria jogada.


Esta segunda parte de luxo não rendeu mais que quatro golos, como na Madeira, com o Nacional. Justificou pelo menos o dobro mas, acima de tudo, justificou os aplausos com que a Luz se despediu dos jogadores. 


Não sei onde cairam as palmas de Rui Vitória à entrada. Mas estas, do Estádio inteiro à saída, não podem ter caído em saco roto. Estas imagens da Luz em festa, esta comunhão imensa, como a chama, entre adeptos e equipa, terão de ficar como a imagem da reviravolta.


Quando tudo ficara como dantes, agora, nada pode ficar como dantes!

1º de Dezembro de 1640

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"Antes rainha por um dia, que duquesa toda a vida" - D. Luísa de Gusmão, espanhola (que nome tão pouco espanhol) e rainha de Portugal!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...