segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


E lá foram eles… Já lá estão, contentes e confiantes!


E nós cá ficamos, presos a um olhar distante fixado nos mercados. Percebemos que riem. Que riem perdidamente!


Não percebemos o que dizem … Mas lemos-lhes os lábios: “ … loucos e contagiados, o que é que lhes havemos de fazer?”


A mim inquieta-me apenas uma dúvida: em que candidatura votará a Alemanha?


E o que pensará a Srª Merkel disto tudo? Nunca o iremos saber... Vão fechar o Wikileaks!

Melhorzinho, mas...

A BOLA - Benfica passa por susto mas regressa às vitórias na Madeira (Liga)


 


Foi dia de regressos aos Barreiros, no Funchal. Regressou o Benfica, seis meses depois de lá ter deixado as últimas esperanças de revalidar o título, na época passada. E de lá ter deixado Bruno Lage. E regressou Jorge Jesus, um pouco mais de dois anos depois de lá ter sido traçado o seu futuro no Sporting. E desenhado o ataque a Alcochete.


Más memórias, portanto para o que é hoje o futebol do Benfica. Que se juntavam a outras más memórias recentes: duas derrotas consecutivas no campeonato, e uma longa série de péssimas exibições.


O Benfica entrou com vontade de, se não apagar estas más memórias, pelo menos reverter as últimas tristes imagens que tem deixado. E, falando de imagens, se são as últimas que ficam, como se diz, as últimas deste jogo não apagam o que a equipa, antes, fez.


O jogo não pode ser visto à luz dos últimos dez ou quinze minutos. Antes, durante 75 minutos - curiosamente exactamente o contrário do que acontecera na quinta-feira passada em Glagow - o Benfica, sem fazer uma grande exibição, e nem isso era de todo possível, fez um jogo um pouco diferente, para melhor, dos que tem feito nestes últimos dois meses.


Entrou bem, pressionante, com os jogadores a agarrarem o jogo desde o início, e a criar oportunidades de golo, que era coisa que andava arredada das últimas prestações da equipa. Perante um adversário que foi o que costuma ser - completamente defensivo e, em vez de jogar, a "anti-jogar".


Nos primeira dúzia de minutos o Benfica dominou por completo o jogo e criou três oportunidades claras de jogo, fruto de uma pressão enorme sobre o adversário. Só que num alívio de bola para o meio campo do Benfica, onde Otamendi estava tranquilamente sozinho, o central decidiu efectuar um passe a isolar Rodrigo Pinho, que correra a desmarcar-se como que à espera do passe do adversário, como se fosse um colega de equipa. Que só teve fazer uma chapelada a Vlachodimos para fazer o golo.


Custa a crer. Custa a ver. Mas é assim, Otamendi, a quem entregaram a braçadeira de capitão, mais parece um agente infiltrado.


A equipa sentiu o golo, e mais ainda porque nos quinze minutos que se seguiram o Marítimo não permitiu que houvesse jogo. Aos poucos, e sempre que era possível jogar à bola - e era cada vez mais difícil porque também o estado do relvado era cada vez pior - o Benfica ia retomando o seu domínio inicial, e apresentando alguma qualidade, com Everton Cebolinha e Grimaldo em bom nível. E mesmo que com Valdschmidt desaparecido, e Seferovic inoperante, acreditava-se que era possível fintar a fatalidade. E aos 32 minutos do relógio, mas para aí aos quinze de jogo, Pizzi fez o golo do empate, a culminar mais uma bela jogada pela esquerda.


O segundo, e o da imprescindível vitória, em mais uma boa jogada concluída com um notável trabalho de Everton, surgiria só aos seis minutos da segunda parte, iniciada também a bom ritmo. Mas a partir daí a qualidade foi caindo, até bater bem lá em baixo nos últimos minutos. Por evidente falta de confiança, porque a equipa continua desequilibrada e sobre brasas.


Salvou-se a vitória, pela diferença mínima, afinal como as dos restantes três candidatos. E boa parte da exibição, mesmo que o número de passes errados, e de bolas perdidas em transição, seja ainda inaceitável. Para esta defesa suicida é que já não há palavras. Quando o adversário não cria problemas, como foi hoje o caso do Marítimo, logo aparece quem trata disso.

Gasto e agastado

Costa garantiu a Lagarde que vai cumprir compromissos com Novo Banco


 


É por demais evidente o desgaste de António Costa nesta sua primeira, mas já relativamente longa, experiência governativa. 


António Costa era apresentado como um político arguto, mas sensato; pragmático, mas intransigente nos valores. Eram atributos que o distinguiam de outros políticos, e que lhe garantiam à partida um substancial prazo de validade política, capaz de lhe garantir dois governos de legislatura e uma candidatura presidencial bem sucedida, logo que Marcelo Rebelo de Sousa fechasse os seus mandatos.


Os  principais traços desse quadro começaram a desfazer-se, e hoje pouca gente acreditará que esta legislatura chegue ao fim, e que António Costa possa sair incólume dessa queda, e em condições de entrar na fila para Belém em 2025. 


Acontece muitas vezes as contas saírem furadas. Há em tudo uma certa dose de imprevisibilidade, e muitas vezes basta um incidente, um acontecimento fortuito, qualquer coisa de incontrolável, para fazer ruir todos os projectos, por mais bem construídos que estejam. Há sorte e azar!


Não terá sido o que aconteceu com António Costa. Não lhe aconteceram grandes imponderáveis. Nem aconteceu nada como em 2017. E também não foi a pandemia. Foram as escolhas de António Costa a partir das legislativas de 2019. Foi uma certa soberba.


E hoje está sozinho e esgotado. Gasto e agastado. E com pouco rumo, a dizer e a desdizer-se. Trocando a argúcia e pelo chico-espertismo, e a sensatez pelo taticismo errático. 


 A "estória" do telefonema a Cristine Lagarde é uma boa imagem de tudo isso!

domingo, 29 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Por culpa das eleições de ontem na Catalunha (também por lá, os socialistas levaram uma grande banhada:"votar foi um prazer"... mas nos outros) disputou-se hoje o grande clássico do futebol espanhol – um Braça v/s Real Madrid – de enorme expectativa. Lá, onde os bilhetes chegaram a atingir os 3 mil euros no mercado negro, e cá! Também por cá se seguiu o clássico espanhol a par e passo, com os portugueses divididos entre um Barcelona que encanta e fixa as maiores fatias das nossas simpatias – os clubes de fãs culés já vêm dos anos 90, do Barcelona de Robson (e Mourinho), Ronaldo e Rivaldo, – e um Real Madrid, agora transformado no maior fornecedor do onze titular da selecção nacional, onde três portugueses e meio (que me perdoe o Pepe) activam indisfarçáveis sentimentos nacionalistas.


Bastou ver a imprensa do fim-de-semana para nos apercebermos desses corações divididos. Pelo menos dos corações mais mediáticos! Os outros também não interessam…


Em confronto estavam duas coisas antagónicas. Sim, duas coisas e múltiplos sentimentos contrários: duas representações distintas – uma representação de uma comunidade e de uma região em oposição a uma representação de um estado que, em vão, se procura projectar numa nação; duas ideias distintas de construção de uma equipa – uma que o faz a partir das suas escolas de formação, da sua cantera (no onze do Barça apenas dois jogadores haviam sido adquiridos no mercado – Abidal e David Villa) e outra que o faz através de investimentos multimilionários na aquisição de jogadores por esse mundo fora (apenas um jogador da cantera no onze, o guarda-redes Casillas); duas ideias de jogo completamente diferentes – um que privilegia a posse de bola, o jogo rendilhado que encanta o espectador, com quinze a vinte passes antes de chegar à finalização e outro que o faz através de apenas dois ou três, um que encurta o campo e outro que o alonga. E até duas imagens opostas. Duas imagens que as principais figuras de cada lado bem personificam: um Mourinho superstar, arrogante (porque não dizê-lo com frontalidade! como diz o outro) e exuberante a par de um Pepe Guardiola que transpira humildade e recato. Ou um Cristiano Ronaldo de porte altivo e atlético, figura de grande inspiração mediática à custa das mais variadas extravagâncias, de namoradas e até de um filho e um Leonel Messi, atarracado e pacato, que limita o seu protagonismo ao rectângulo verde de jogo.


O jogo rendilhado do Barça, feito de uma interminável cadeia de passes e de uma obscena posse de bola, asfixiou por completo o Real Madrid de Mourinho. Um banho de bola, foi o que foi! Um banho que deixou em êxtase todos os que gostam de futebol, desse espectáculo fabuloso que Messi, Iniesta, Xavi, Pedro e Villa conseguem produzir com uma simples bola. Não sei se o Mourinho já percebeu bem o banho que o Guardiola lhe ofereceu: banho de bola, de humildade ou ambos?


Claro que esperávamos um grande jogo entre as tais duas ideias de jogo: as mesmas duas ideias de jogo que tão bem sucedidas vinham sendo até aqui. Era aí que residia a grande expectativa que rodeava o jogo.


Deu apenas Barcelona! É na frustração dessa expectativa que também está a humilhação de Mourinho!

Milagre no Bahrain


Na fórmula 1, este ano tem acontecido de tudo. Só não tinha ainda acontecido um milagre.


Aconteceu hoje, no Grande Prémio do Bahrain. Decorria ainda a primeira volta quando o carro do francês Romain Grosjean se despistou, embateu num dos rails de protecção, partiu-se em dois e incendiou-se. As chamas tomaram de imediato conta do carro da Haas, e durante 30 segundos nada mais se via que uma imensa bola de fogo a crescer a um ritmo alucinante. 


É então que se vê sair das chamas o piloto francês, a encaminhar-se para o rail e a saltá-lo, já com a ajuda dos primeiros socorristas. Um milagre, mesmo para quem não acredita neles.


Não se ficaria por aqui, este Grande Prémio do Bahrain. Quando quase duas horas depois se reiniciou a corrida, uma tentativa de ultrapassagem do russo Daniil Kvyat acaba com o Racing Point do canadiano Lance Stroll capotado na pista, e com o piloto a sair a rastejar-


No fim,  Hamilton voltou a ganhar, e a dedicar a vitória ao infeliz felizardo Grosjean. Mas nem "esse tudo como dantes", foi como dantes: Hamilton viu a bandeira de xadrez atrás do safety car, mais uma vez em pista. A quatro voltas do fim. o motor do Racing Point de Sergio Perez, que seguia na terceira posição, "entregou a alma ao criador" e deixou muito óleo na pista, obrigando a entrada do safety car, para evitar males maiores. 

sábado, 28 de novembro de 2020

Vítor Oliveira (1953-2020)

Morreu o treinador Vitor Oliveira - Jornal do Luxemburgo


 


A morte anda a rondar o futebol. Hoje levou um grande campeão, um grande treinador, um grande homem do futebol e, tudo o indicou, uma grande pessoa.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Único*

Globo terá especial de Maradona hoje; TVs mudam programação após morte


 


Morreu Maradona, El Pibe, e a Argentina chora de novo. Não chora sozinha, com ela chora todo o mundo.


Sendo argentino e constituindo, com Carlos Gardel e Evita, a tríade sagrada da Argentina, Diego Armando Maradona era, como nenhum outro, do mundo inteiro que gosta de futebol. Nunca tinha par, era sempre único. Só no tango precisava de par.


Sozinho fez aquele golo único e irrepetível, ao minuto 54, o segundo daquele Argentina-Inglaterra, disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, a 22 de Junho 1986, no México 86. Chamam-lhe o golo do século, como se fosse possível haver melhor nos séculos que aí virão. Não é!


Um golo como nunca tinha havido, e nunca mais haverá. Não é um golo de vingança – a Inglaterra acabara de infligir a derrota das Malvinas, uma semana antes – mas é um golo de redenção. Antes, tinha marcado com a mão – “a mão de Deus” -, com batota. Só aquele golo apagaria aquela mão batoteira, evitando um dos maiores escândalos na História dos campeonatos do mundo de futebol. Só aquele golo transformaria um escândalo num simples acontecimento pitoresco.


Sozinho avançava com a bola para a baliza, desviando-a e desviando-se dos adversários. Escondendo-lhe a bola e até as pernas. Sozinho ganhou um campeonato do mundo. Sozinho fez do Nápoles campeão italiano e vencedor na Europa. Nápoles que lhe retribuiu, ficando argentina naquela meia-final com a Itália, no mundial de 90.


Partiu cedo. Depressa. E provavelmente também sozinho…


Perfeito, perfeito, só com a bola nos pés, no relvado verde!


 


*A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Resultado poeira

Vídeo: Veja os quatro golos do Rangers vs Benfica - Futebol - SAPO Desporto


 


Mais uma miserável exibição do Benfica. E vão... Não sei, já lhe perdi a conta. Desta vez em Glasgow, no jogo de volta com o Rangers, depois do 3-3 da Luz, há três semanas.


Salvou-se o resultado. Não que o 2-2 final seja um bom resultado, mas à vista do que foi a pobreza do futebol que esta equipa de Jorge Jesus voltou a apresentar, e do que foi o jogo, tornou-se num bom resultado. E não só surpreendente, como absolutamente imprevisível, a vinte minutos do fim.


Durante 70 minutos a equipa do Benfica foi deprimente, como vem sendo há mais de um mês, e foi completamente dominado por um Rangers muito abaixo daquilo que fizera na Luz.  


A equipa escocesa chegou cedo ao golo, logo aos 7 minutos, em mais uma clamorosa falha colectiva, a acabar com os jogadores do Rangers a ganharem três disputas de bola em plena pequena área. Na primeira, Helton - mais uma surpresa na equipa - defendeu; na segunda, a bola foi à barra, e na terceira entrou na baliza.


A partir daí a equipa de Steven Gerrard controlou o jogo como quis. Tirou todos os espaços ao Benfica, e aproveitou todos os (muitos) que lhe foram concedidos. Como vêm fazendo, afinal, todos os adversários que o Benfica tem defrontado. Chegou ao segundo golo, de bela execução, de resto, mas em mais do mesmo - perda de bola no meio campo, falta de reacção â perda, e toda a gente a assistir às trocas de bola dos escoceses. No fim, em vez de atacar a bola, Vertonghen encolheu-se.


Estavam jogados 70 minutos e o Benfica não tinha um único remate à baliza adversária, Fez depois dois, e dois golos. Era penoso o desempenho de todos os jogadores, mas era chocante o do "craque" Everton. E deprimente o do defesa internacional belga, que culminou no segundo golo do Rangers. Arrepiante a forma como cometeu um penalti, que por sorte o árbitro não assinalou - nem um juvenil mete a mão na bola daquela forma, dentro da área.


A perder por dois, Jesus fez entrar Pizzi, Gonçalo Ramos e Diogo Gonçalves. Todos mexeram com o jogo, mas o miúdo revolucionou-o. Nem de propósito, depois daquelas palavras em Paredes. Em três minutos, e a 10 do fim, o Benfica voltou a anular a vantagem de dois golos ao Rangers. E ficou até a ideia que, se quisesse, ou estivesse em condições de acreditar, o Benfica poderia ter ganhado o jogo.


Nada disso faz esquecer mais uma deplorável exibição. Nem nos faz acreditar que melhores tempos estejam próximos. Se nem tudo está bem quando acaba bem, menos ainda quando acaba assim-assim!


 

Orçamento aprovado. Mas...

O que muda na saúde com o novo Orçamento do Estado 2021 | HealthNews


 


O Orçamento ficará hoje aprovado, como seria de esperar. Com o anúncio da previsível abstenção do PCP, depois da feira da discussão na especialidade,  a aprovação do Orçamento não está em causa. 


Não significa no entanto que um cenário de crise política esteja ultrapassado. A forma como este Orçamento foi construído não é politicamente sustentável. Mas, para além disso, e a complicar ainda mais as coisas, surgiu um problema de última hora que não entrava nas contas do governo.


Já noite dentro, com o PSD surpreendentemente a votar a favor, o Parlamento aprovou a proposta do Bloco de Esquerda que trava a entrega de mais dinheiro ao Novo Banco.


Acabar com as entregas de dinheiro ao Novo Banco, sem antes se saber exactamente o que por lá tem andado a acontecer em matéria de alienação de activos era, como se sabe, um velho e conhecido anseio do Bloco. Que, ora dando uma no cravo, outra na ferradura, ou seja, com algum sofisma, era mais ou menos acompanhado por toda a gente. Daí que o governo tenha dado uma voltinha ao assunto e transferido formalmente as entregas para o Fundo de Resolução.  Que, como se sabe, não tem dinheiro e precisa que o Estado lho "empreste". 


O Bloco percebeu a finta, e percebeu que nem assim as entregas ao Novo Banco deixam de entrar nas contas do défice. E por isso avançou com a proposta de o impedir expressamente, e sem espaço para sofismas.


O que o governo não contava é que, nesta matéria, o PSD lhe virasse as costas. Só que para o PSD este é este já tempo de guerra. E em tempo de guerra não se limpam armas!


Em Maio há mais. É que, com este impedimento, quando chegarmos a Maio e o dinheiro tiver que seguir para o Novo Banco, terá de haver um orçamento rectificativo. E aí, quatro meses depois das presidenciais, e com o novo (velho) presidente empossado há um mês ou dois, a música é outra! 


 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Folha seca é a expressão que o futebolês criou para identificar um gesto técnico de remate: um remate desferido com a parte interior do pé que leva a bola a descrever uma curva no sentido do pé contrário. A bola parte de um ponto e descreve a curva que a leva a fugir … fugir… Vai fugindo do guarda-redes como se de uma folha seca se tratasse: leve, levemente levada pelo vento, que nos foge a cada vez que a tentamos agarrar!


Daí que, a exemplo de todas as que por aqui têm passado, a expressão faça todo o sentido, o que só abona em favor do próprio dialecto.


Mas falar da folha seca sem falar da sua irmã gémea – a trivela – seria deixar de fora uma parte de si própria. É conhecida a fortíssima ligação dos gémeos: num, há sempre um pouco do outro, ou não estivéssemos perante um dos mais interessantes mistérios de partilha e de cumplicidade!


trivela pode nascer do mesmo pé – gémea verdadeira – ou do pé contrário – falsa gémea, mas igualmente irmã gémea. Mas, ao contrário da folha seca, é impulsionada com a parte exterior do pé: chama-se-lhe também pontapé dos três dedos, o que permitiria chamar à folha seca pontapé do joanete. A partir daí faz a sua vida, que é como quem diz, faz a sua curva – agora no sentido do próprio pé que remata. Depois tudo continua igual: a bola sempre a fugir do guarda-redes que, por mais que se estire, nunca a conseguirá encontrar.


Como duas belas jovens gémeas, também a folha seca e a trivela cultivam uma certa rivalidade. Afinal uma quer sempre ser a mais bela das duas…


Não sei se é a trivela a mais bonita, mas talvez seja a que mais deu nas vistas! Por ter dado umas voltas com um ciganito que por aí andava? Acredito que sim!


Por isso hoje dei a ribalta à folha seca!


Por isso e porque me faz lembrar esta equipa do Benfica. Porque, sabendo-se de onde partiu, não se sabe onde irá acabar por cair. Sabe-se que anda por aí, à toa, ao sabor do vento, sem destino certo e afastando-se de todos os objectivos, um a um, como a bola em folha seca se afasta de quem a possa deter. Porque, como as folhas secas, também começou a cair no Outono. E, também como elas, não demonstra capacidade para alterar o rumo que os ventos lhe traçam nem fugir ao terrível destino de estatelar ao comprido e, quem sabe, acabar pisada, esmagada e triturada. Reduzida a pouco menos que nada!


Desde o início de Agosto que aqui se tem falado no que falhou. Não vale a pena repeti-lo.


Agora, se nada for rapidamente feito, se ninguém puser ordem na casa e assumir as responsabilidades que não podem ser negligenciadas, o Benfica corre o risco de nada ganhar e de voltar a recuar no difícil percurso da recuperação do prestígio perdido. Corre sérios riscos de, como o país, continuar a divergir.


Em circunstâncias normais, no final desta e a exemplo da última época, teria de vender os passes dos jogadores mais valorizados. Na calha estavam, vindos já da última época, David Luiz, Fábio Coentrão e Cardozo! Afastado dos milhões da champions tem agora, em compensação, de vender mais e mais cedo. O problema é que o acelerado processo de desvalorização em curso não transforma apenas as cláusulas de rescisão em miragens. Vai obrigar mesmo a vender em saldos!


É o resultado de evidente falta de competências na gestão dos recursos que fazem hoje o negócio do futebol. É difícil de entender como é que ninguém foi capaz de pôr mão no David Luiz, deixando transformar um grande jogador de futebol numa pseudosuperstar displicente e irresponsável. Como se está a matar o melhor jogador da equipa – Fábio Coentrão – transformando um dos melhores laterais esquerdos do mundo num jogador esforçado mas pouco mais que vulgar.


É evidente que as responsabilidades principais não podem ser imputadas a Jorge Jesus. Terão que o ser a quem permitiu que ele se blindasse da forma que o fez e que se auto barricasse transformando-se em refém de si próprio.


Recordam-se dos deprimentes últimos jogos de Camacho, quando ele surgia invariavelmente incapaz de encontrar explicação para aquilo? Quando se ficava por “um não sei explicar, não encontro explicação”? Jorge Jesus, como se vê, já está nessa fase …

Os génios não morrem ...

Diego Maradona, legendary Argentina superstar, global soccer icon, dies at  age 60 - CBSSports.com


... Ou será os deuses?


 


 

O mercado do Orçamento

Famosos mercados de pulgas ao ar livre em İstanbul


 


Assiste-se no Parlamento a duas corridas com vista à aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano: uma corre contra o tempo, outra contra a descredibilização do próprio orçamento. E da política em geral, mesmo que essa seja há muito uma corrida perdida.


Discute-se horas sem fim o IVA do frutos vermelhos congelados, e depois o tempo foge. Imagine-se o que foge a discutir centenas, ou milhares, de propostas idênticas, nas mais de quatro mil propostas de alteração ao orçamento, que é o que por lá se vai fazendo. 


Não se consome apenas tempo nesse irracional processo. Consome-se a credibilidadade do Orçamento, e consome-se a respeitabilidade da polítca.


Um orçamento é um todo, onde para além dos números, terá de haver uma lógica interna. É difícil acreditar que a lógica e a coerência de uma coisa como um orçamento seja a mesma depois de quatro mil alterações. Nem faz sentido um Orçamento aprovado com quatro mil alterações introduzidas na discussão na especialidade; nem faz sentido discutir e aprovar à última hora, só para garantir a sua aprovação final, tanta alteração.


É o que há, dir-me-ão. É verdade que sim. Quando os governos não estão sustentados em maiorias claras, sejam de um só partido - e sabe-se que disso já não há -, ou resultantes de alianças de coligação, ou ainda de acordos de base parlamentar, vai acabar nisto. Num navegar à vista num mercado ao ar livre, onde tudo se regateia com toda a gente.


Foi isto que o PS e António Costa escolheram. É hoje claro que foi uma escolha errada. Errou nos cálculos, e logo a seguir às eleições descartou os parceiros de geringonça. E voltou a errar quando, mais a mais no quadro da pandemia, empurrou o PSD para fora de qualquer quadro de entendimento. 


Acabou sozinho no meio confusão, e à mercê de quem grita mais alto. Se se chamar a isto irresponsabilidade eu assino por baixo.


 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

"Condescendente"

Trump admite retirar apoio a juiz nomeado para o Supremo Tribunal


 


Três semanas depois, Donald Trump percebeu que tinha perdido as eleições, e que era necessário iniciar os protocolos de transição de poder. Não reconheceu que perdeu as eleições, condescendeu apenas. Porque continua a garantir que continua  na luta contra os resultados, e que acredita que a vai ganhar.


"No melhor interesse do nosso país, recomendei a Emily e à sua equipa para fazerem o que tem de ser feito em relação aos protocolos inicias [de transição de administrações], e disse à minha equipa para fazer o mesmo"  - escreveu no twitter.


A Emily é Emily Murphy, responsável da Administração dos Serviços Gerais dos EUA. Que só depois daquela publicação deu nota que Biden é o "aparente vencedor" das eleições presidenciais, e que por isso 'abriu caminho' para o processo de transição de poder.


Daqui dá para perceber como é curta a distância que separa as apregoadas instituições americanas da Casa Branca. E de como personagens como Trump as conseguem rapidamente resumir à simples forma de verbo de encher.


 


 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Hoje tivemos greve geral… Pareceu-me pouco geral, mas pode ser só uma impressão. Para esclarecer isso aí estarão, mais logo nos telejornais, as centrais sindicais a reivindicar uma adesão … vá lá, de 90% e o governo a dizer que não deu por nada. 10%, se tanto!


Pronto, está bem, ficamos nos 80-20 e não se fala mais nisso!


Apesar do que já ouvi hoje por aí, a propósito da vox populi que nos chega através desses autênticos tesourinhos deprimentes que são as antenas abertas das rádios e até das televisões, estou convencido que, entre todos os outros portugueses que não entram nesses comboios, os portugueses bem pensantes, chamemos-lhe assim, nunca houve uma greve geral que recolhesse tanto apoio como esta. Mais uma vez pode ser apenas uma impressão, mas cheira-me que, desta vez, a greve geral não produziu qualquer clivagem na sociedade portuguesa. Foi pacífica, não obstante ter aparecido por aí um artista a atropelar uns empregados. Mas deve ter sido por terem atravessado fora da passadeira!


Mas a verdade é que também me parece que a greve geral mais consensual de sempre corresponde à greve geral mais inútil de sempre. É só mais outra impressão, mas parece-me mesmo que esta greve geral não serviu para nada. Amanhã estará tudo na mesma, quer dizer, pior, como todos os nossos amanhãs!


A greve, esse direito dos trabalhadores que, é bom não esquecer, apenas as democracias garantem, é um instrumento vocacionado para o espaço laboral. Quando passa essa fronteira e invade o espaço da política dá mau resultado. Fico com a impressão que perde a eficácia. É assim como utilizar um garfo para comer a sopa! Também serve para comer, mas não dá muito jeito para a sopa...


Pode ser apenas mais uma impressão, mas a greve geral, á nossa maneira – pacata, cívica ou mansa, como muitos dizem – para estas coisas, para as coisas que realmente estão agora em causa, não passa de folclore. Não é como os franceses e até mesmo os gregos. Aí não é só folclore. Aquilo assusta! E se assusta mete medo...

Obstinações e obsessões

PCP não fará testes nem medição de temperatura no congresso | Covid-19 |  PÚBLICO


 


A obstinação do PCP em realizações que produzam ondas de choque na sociedade portuguesa só é comparável à obsessão pelo vírus e pelo contágio em gente para quem nunca há problema nenhum, o uso obrigatório de máscara é uma palhaçada e para quem o vírus não passa até de uma invenção, de um "esfriamento",  ou de uma "gripezinha".


A não ser no 1º de Maio, na festa do Avante, ou no congresso do PCP ...  Aí é que não há dúvida que há mesmo vírus. E altamente contagioso!


Custa-me a perceber uma coisa e a outra. Custa-me a perceber que o PCP não perceba que essa obstinação só cria dificuldades - ao próprio partido, e aos outros - sem resolver nada de essencial. Que é um custo sem proveito. E custa-me a perceber que, à custa dessa obstinação, desse braço de ferro com a realidade, tenha reduzido para metade (a seiscentos) os delegados ao Congresso, colocando provavelmente em causa a eficácia do acontecimento. E certamente a representatividade democrática dos militantes. Mesmo que possamos desconfiar que isso não constitua ali motivo de preocupação maior...


Também me custa a perceber o "milagre" da conversão dos negacionistas que provoca. Como é que gente descrente passa tão depressa a tão fanáticos praticantes...  Mas para isso deve haver explicação.


 

domingo, 22 de novembro de 2020

Miguel Oliveira - um campeão!

VÍDEO - Quedas assustadoras, lágrimas, tristeza e um histórico Miguel Oliveira. Eis o resumo da época de MotoGP


 


Barba e cabelo de Miguel Oliveira (KTM) no Grande Prémio de Portugal de MotoGP, no autódromo internacional de Portimão, na décima quarta e última corrida do campeonato do mundo. Pole position e domínio completo da corrida, sempre na frente, do arranque à bandeira de xadrez final. Sempre de retrovisor limpo, na sua segunda vitória nesta disciplina maior do motociclismo, bem diferente da primeira, há três meses, no Grande Prémio da Estíria, na Áustria. 


Se a primeira fora espectacular, na última curva, esta foi espectacular desde os reinos.


Foi o nono classificado do campeonato do mundo, ganho pelo espanhol Joan Mir (Suzuki), que ganhou apenas uma corrida. Metade de Miguel Oliveira!


Não nasceu hoje um campeão, porque Miguel Oliveira já demonstrara que o é. E o título mundial está anunciado. É uma questão de tempo. E de mais um bocadinho de equipa!


 

sábado, 21 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Finalmente de regresso a mais uma semana. Uma semana mais calma, esperemos – só temos que ir pedir mais umas massas para, agora, dar uma ajuda à Irlanda –, depois de um fim-de-semana agitado. Tudo menos calmo! Até o Papa … vejam bem!


Mas pronto. Já toda a gente regressou casa: o Obama, com Air Force One cheio de mimos para o Bo, e aqueles manifestantes anti-Nato, vindos dos quatro cantos da Europa, com mais umas nódoas negras. Os que conseguiram entrar, evidentemente! Porque muitos já tinham ido sem sequer chegar a vir…


Não há qualquer dúvida sobre a necessidade de se filtrar a entrada dessa rapaziada perigosa e de proveniência mais que duvidosa: até de Helsínquia, essa conhecida capital do terrorismo internacional! Nós bem gostávamos de receber toda essa gente, de os receber a todos, sem deixar ninguém de fora. Os americanos é que são uns desmancha-prazeres e os culpados disto tudo. Tivessem eles correspondido a toda a nossa boa-vontade e entregue os carritos blindados que lhe compramos à pressa e à nossa boa maneira – com as nossas celebérrimas boas práticas, sem concurso e nem sequer contrato (não é possível imaginar um contrato sem cláusulas de incumprimento, se as não é porque não há mesmo contrato) – e toda a gente poderia entrar. Agora assim, sem os blindados, não havia condições… É certo que havia uns da GNR, mas não eram esses. Tinham que ser novinhos em folha, feitos de propósito para a PSP. Para a PSP e para esta cimeira!


Para receber sem condições, mais vale não receber!


E foi assim que os americanos nos tramaram. Não fosse aquela nossa grande arma que nos torna únicos - a nossa celebrada capacidade de desenrascanço - e ficaríamos bem mal na fotografia. Coisa que, como se sabe, detestamos!


Na fotografia é que temos de ficar bem. Se recebemos tão bem, e somos tão distintos organizadores de eventos, não podíamos, de repente e apenas porque os americanos nos tinham deixado de calças na mão, deixar ir tudo por água abaixo.


Vamos lá fixar um numerus clausus e estabelecer critérios: mãos à obra! Se, ao contrário do que bem gostaríamos, não os podemos receber a todos, vamos ao crivo que nos permita fazer boa figura e receber bem aqueles que forem recebidos.


Parece que a coisa se ficou pela indumentária preta. Dizia-se por aí que bastava que trouxessem na bagagem umas T shirts pretas para ficarem do lado de lá da fronteira.


Confesso que gostei do critério: a mim pareceu-me bem essa da roupa preta. É uma coisa tristonha, escura… Tristes já nós somos! Macambúzios já nós andamos, não precisamos de mais gente que nos venha pôr tudo ainda mais negro!


Não sei se o crivo chegou ao underware, onde, como se sabe, o preto é eterna moda. Talvez não tenha chegado. Afinal aquela raparigada tem a fama de não ser muito dada a esses usos. Pelo menos tinha, no meu tempo!

"Vira o disco e toca o mesmo"

Taça: Paredes-Benfica, 0-1 (crónica) | TVI24


 


O lado B igual ao lado A. Ou, como se dizia antigamente, "vira o disco e toca o mesmo".


Foi isto o Benfica de hoje, em Paredes, no jogo que lhe valeu o apuramento nesta quarta eliminatória da Taça 2020/21, a primeira com as equipas do escalão principal do nosso futebol, com um pobre resultado - um escassíssimo 1-0 - e uma não menos pobre exibição deste lado B da equipa. Como as últimas, do lado A.


Na realidade a música é a mesma. E bem fraquinha. Por esta altura é o que Jorge Jesus tem para oferecer.


Perante uma equipa do terceiro escalão do futebol nacional, que só defendeu, o lado B do Benfica apenas conseguiu marcar um golo, e de bola parada. Quem não viu o jogo poderá pensar que às vezes há jogos assim, em que a equipa ataca durante 90 minutos e o golo não aparece. E que às vezes até se perdem jogos assim. Mas não foi nada disso. Não teve nada a ver, por exemplo, com aquele jogo com o Moreirense, há dois ou três meses, que o Benfica ganhou apenas por dois a zero, quando poderia ter ganho por nove ou dez.


Não. O Benfica não só não criou mais oportunidades de golo, como não conseguiu muitas mais finalizações dignas desse nome.



O treinador do Benfica pareceu satisfeito no final do jogo. Tinha razões para isso. O seu objectivo, como ficou claro, era validar as suas opções. Era carimbar o seu desprezo pela formação do Seixal.



 



Foi para isso que disse que só se podem lançar jovens de 19 ou 20 anos quando têm qualidade, sentenciando já aqui o destino de todos aqueles jogadores. Foi por isso que bateu expressamente no Gonçalo Ramos!



 



Com Jorge Jesus é assim: vira o disco e toca o mesmo!


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Comunicar

Comunicar e humanizar: quase sinônimos | by Leonardo Fouchard | NEW ORDER |  Medium


 


Voltaram ontem as famosas reuniões do Infarmed, concluídas com o desfile  de todos os representantes dos partidos políticos e dos parceiros sociais na passadeira das televisões, com tradução gestual e tudo.


No fim de tudo isso passar, ficamos a saber que, em contradição com as medidas que o governo tem tomado e continua a prolongar,  os restaurantes e centros comerciais não são uma fonte grave de contágio. Que essas, no dizer do estudo apresentado por Henrique de Barros, presidente do Conselho Nacional de Saúde, estão nos ginásios e nos locais de trabalho. Nos locais de trabalho que não sejam em restaurantes e centros comerciais, teremos nós de concluir...


Quando se fala em problemas de comunicação não se está apenas a referir ao governo e à Directora Geral da Saúde. Nem ao primeiro-ministro que, talvez por comer as palavras e pelo abuso da moleta do "vamos lá a ver", assumiu a culpa toda para si.


Como fica à vista...


 


 

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Rio de contradições

André Ventura vê Rui Rio em aproximação ao Chega - Política - Correio da  Manhã


De suposta lufada de ar fresco na vida política nacional, de suposto modelo ético, sério e rigoroso, Rui Rio transformou-se, em muito pouco tempo, no pior da política. E nem foi preciso chegar ao poder, bastou-lhe cheirá-lo!


A sua completa ausência neste período crítico que atravessamos, sem nada a dizer e muito menos a propor, e as contradições em que se enrolou na justificação do acordo com o Chega, a dizer uma coisa e o seu contrário, a negar hoje o que garantia há pouco e, acima de tudo, a mandar às urtigas a ética e os princípios, deitou por terra a imagem de um político sério, rigoroso e credível.


Que era afinal o seu único capital político. Resta-lhe agora o caminho do populismo, já não tem outro para a sua sobrevivência política.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


O verbo queimar é seguramente um dos mais ricos do futebolês. No futebolês, como numa incineradora, tudo se queima!


Não muito longe do que também acontece no futebol: muito se queima e muita coisa arde. Incendeia-se! Por tudo e por nada, ou mesmo por dá cá aquela palha, coisa altamente inflamável, como se sabe!


Incendiários são coisa que não falta no futebol. Sempre prontos a incendiar os ânimos, em quaisquer circunstâncias. São os meninos das claques, que vivem obcecados por chamas e que queimam que se fartam: já não são só as verdadeiras queimadas que fazem nas bancadas, chegam até a queimar autocarros. São os dirigentes, sempre prontos a atear fogo com declarações incendiárias. E são os jornalistas (?), que na maioria das vezes são autênticos pirómanos. Não têm apenas intervenções provocatórias. São verdadeiramente incendiárias. Cirurgicamente!


Então os das televisões constituem autênticos case studies. Se um jogo até nem correu mal de todo –  foram lançados para o campo um ou dois telemóveis, duzentas ou trezentas bolas de golfe e o árbitro expulsou dois ou três jogadores, assinalou ou deixou de assinalar, mal, três ou quatro foras de jogo e dois ou três penaltis – está tudo bem. Quer dizer, está tudo devidamente incendiado, e eles limitam-se a manter a chama acesa, não vá o diabo tecê-las e aquilo entrar rapidamente em fase de rescaldo. Mas se o jogo correu mesmo mal – os adeptos portaram-se todos bem e da arbitragem não há nada dizer –, o que é raro mas às vezes acontece, então é vê-los desenfreadamente à procura de um problema, um pequenino problema, o suficiente para libertar uma pequena labareda que seja. 


Para garantir a arte de bem foguear convidam ainda uns comentadores, os chamados paineleiros – atenção que escrevi paineleiro –, membros de um painel, constituído por representantes dos chamados três grandes, dispostos a mandar as suas achas para a fogueira. Não estão lá para outra coisa, apesar de uns mais passarinhos e outros mais passarões!


Não admira pois que, no jogo a sério, no jogo jogado, hajam jogadores a queimar tempo: apanham-se com o resultado que lhes dá jeito e pronto. Tudo serve para fazer com que o relógio ande e o jogo pare: rebolam-se no chão por tudo e por nada, o guarda-redes nunca mais repõe a bola, fogem com a bola para a sombra da bandeirola de canto … Enfim, mais umas coisas capazes de incendiar … as bancadas!


Enquanto isto, do outro lado, queimam-se os últimos cartuchos. Lança-se mão, com inevitável dramatismo, de todos os meios que permitam, à última da hora ou já mesmo fora-de-horas, inverter o tal resultado que, ao contrário, não lhes dá jeito nenhum. Nesta fase tudo é altamente inflamável.


Ao mínimo rastilho tudo se incendeia!


Se a bola queima a linha está lançada a confusão – saiu ou não saiu? Entrou ou não entrou? Se é uma falta a queimar a linha da grande área, a fogueira ateia-se mesmo: foi dentro, para uns. Fora, para outros. Queimar a linha é coisa de incendiário, está visto!


E quando o fumo, de tanto incêndio, deixa tudo negro, no campo a bola passa a queimar. A bola queima, os jogadores não a querem nos pés, querem ver-se livre dela como quem se quer livrar da batata quente. Era o que se via na selecção nacional ainda há bem pouco tempo. A mesma selecção, que não a mesma equipa, que tão mal estivera na África do Sul, que empatava com a selecção do Chipre e perdia com a Noruega, com a bola a queimar tudo e todos, dá um banho de bola e goleia a selecção espanhola, campeã da Europa e do Mundo.


Só porque se mudou o treinador. Um treinador que queima jogadores (queimou os que levou para o Mundial mas também os que por cá deixou) torna-se rapidamente num treinador queimado pelos jogadores! Claro que um treinador pode queimar um jogador. Para queimar um treinador não basta um só um jogador. Mas uma equipa tem muitos!


Claro que há outras formas de queimar treinadores, os dirigentes também sabem da coisa. Há mesmo cemitérios de treinadores, com crematórios e tudo!

Confinar, ou não confinar, já não é a questão

Covid-19: Confinamento evitou 3,1 milhões de mortes em 11 países europeus,  estudo


 


 


A Europa é neste momento a área mais afectada do mundo pela pandemia, com mais de 15 milhões de infectados, bem acima da América Latina e Caribe (12,1 milhões de casos) e da Ásia (11,5 milhões de casos).


Portugal ainda não entra nesta lista dos dez primeiros, mas é já o décimo país da Europa com mais novos casos. Relativamente, bem entendido.  E no caso por 100 mil habitantes.


Dos dez primeiros, oito já estão em confinamento, total ou parcial. Escapam Croácia e Polónia.


Quando a fadiga e o desgaste tornam as medidas de confinamento cada vez mais difíceis de aceitar e cumprir, a ponto de questionar o seu efeito, olhamos para os números dos países que nesta segunda vaga mais rapidamente decidiram confinar, mesmo que parcialmente, e percebemos que, neste momento, para controlar os danos não há alternativa. 


Procurem-se todos os equilíbrios, tente-se por todos os meios minimizar os seus efeitos na economia. Mas para controlar a galopante transmissão do vírus em Portugal, e minimamente permitir respostas de um sistema de Saúde já feito em cacos, não é possível evitar o confinamento. 


Até porque as vacinas estão aí. Cada vez mais vacinas testadas. E cada vez mais prontas para chegar ao mercado. Mas nem assim chegarão à grande maioria da população, à percentagem de cobertura que assegura a imunidade, antes de 2022.


Confinar, ou não confinar, já nem é uma questão shakespeariana


 


 

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Mau de mais

Portugal vence '10' da Croácia na despedida - Jornal Açores 9


 


A selecção nacional despediu-se hoje da Liga das Nações, em Split, com uma vitória dobre a Croácia. Uma vitória que é a única coisa positiva que sai deste jogo, disputado num péssimo relvado, impróprio para um jogo deste nível, entre os campeões europeus e os vice-campeões do mundo. 


A exibição esteve ao nível do estado relvado, imprópria para uma selecção como esta. Poderíamos pensar que uma coisa teve algo a ver com a outra, só que temos ainda bem fresca a exibição de sábado, com a França. E aí o relvado era de excelência!


O seleccionador hoje não poupou na crítica aos jogadores. Teve razão para isso, mas também com isso quis dizer que não tinha nada a ver com o que se passou no sábado passado. E se calhar teve...


Para a História fica a vitória. Fica 3-2 no resultado final. E ninguém se vai lembrar que a equipa sofreu tantos golos quantos tinha sofrido em todos os cinco jogos anteriores. Nem que dos três golos marcados, dois foram oferecidos: um pelo árbitro, o segundo, e outro pelo guarda-redes adversário, o da vitória, mesmo no fim do jogo. Nem ainda que a selecção jogou contra dez quase toda a segunda parte.


Dos jogadores utilizados salvou-se Rúben Dias, sólido a defender e goleador, a marcar dois golos, os seus primeiros na selecção nacional. E também Trincão, que entrou ao intervalo, a substituir Rúben Fernandes, uma das maiores desilusões. Já que Rui Patrício, sem qualquer tipo de trabalho, mas também muitas vezes mal a repor a bola em jogo, não é para aqui chamado. Todos os restantes, incluindo, para não dizer sobretudo, Cristiano Ronaldo, estiveram simplesmente deploráveis.


Não é um jogo para esquecer. É para lembrar como jogadores desta craveira podem facilmente constituir uma equipa confrangedora.

Mais uma machadada na União

Covid-19: Hungria e Polónia bloqueiam aprovação do pacote de recuperação


Sem qualquer surpresa, a Polónia e a Hungria anunciaram que não viabilizariam os fundos europeus com que a União Europeia tenta fazer face aos dramáticos efeitos da pandemia.  Que irão bloquear o Quadro Financeiro Plurianual (2021-2027) e o Fundo de Recuperação, que acrescenta 750 mil milhões de euros aos 1,1 biliões do primeiro.


Estando o acesso a esses fundos europeus condicionados ao respeito pelo Estado de direito, que os regimes de  Viktor Orbán e de Rafal Trzaskowski desprezam despudoradamente, e a sua aprovação dependente da unanimidade, este desfecho era inevitável. 


É certo que depois de amanhã toda a gente vai tentar desatar o nó, e que o mais provável é que seja encontrada uma forma qualquer de mitigar o respeito pelos princípios democráticos e pelo Estado de direito, seja na fórmula da obrigação, seja na medida do incumprimento. No fim, nem o respeito pelas regras do Estado de direito será assim tão sine qua non, nem Orbán e Trzaskowski as violam assim tanto.


E acaba, evidentemente, em mais uma machadada na União. Por mais um equívoco demolidor: o respeito pela democracia e pelo Estado de direito não é uma condição de acesso a fundos; é a condição primeira de integração na União desde as sua fundação. E sendo condição de acesso tem, evidentemente, de ser condição de permanência.


Há muito, há pelo menos dez anos, que a União Europeia aceita, tolera e pactua com a Hungria de Orbán. Essa tolerância permitiu que a Polónia seguisse o mesmo percurso. Não resolveu um problema e já tem dois. E não resolvendo estes dois, terá a curto prazo um terceiro, um quarto, um quinto ... 


É também disto que se faz o suicídio da mais bonita ideia que um dia surgiu na Europa, e do mais decisivo exemplo que tinha para dar ao mundo.


 


 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Correr em pista própria

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É comum que no PSD toda a gente desafie o poder. À excepção do (longo) consulado cavaquista, foi sempre assim. Há sempre gente em movimento, a correr.


A absurda e estrategicamente estúpida decisão de Rui Rio estabelecer acordos com André Ventura, veio acabar com o mais longo período de tréguas da sua atribulada liderança. E lá voltamos a ver mais gente a correr. 


Uns em pista própria, outros em pista alheia. Hoje vem mais um. Mas, ao contrário dos que já se tinham visto, um dos que reclama pista própria para correr: Jorge Moreira da Silva, um ministro de Passos Coelho, que no "Público" exige a marcação de um congresso extraordinário, e fala de “traição” aos “valores e princípios” do partido, e de uma “alteração radical do posicionamento ideológico e programático".


Não deixa de ser curioso que este grito de revolta venha de um ministro de Passos Coelho, a quem é atribuído o apadrinhamento de André Ventura. E o D. Sebastião da federação da direita. Mas o PSD é como o futebol: "é isto mesmo"!


 


 

domingo, 15 de novembro de 2020

Heptacampeão

Hamilton comemora o sétimo título mundial de Fórmula 1 — Foto: Getty Images


Foto: Getty Images


 


Lewis Hamilton venceu o Grande Prémio da Turquia, a décima quarta etapa do campeonato, e sagrou-se desde já campeão do mundo, pela sétima vez. Foi a décima vitória da temporada. Só não ganhou quatro corridas, todas elas por razões de circunstância em que a fórmula 1 é fértil.


Hoje ganhou com grande autoridade - 32 segundos, uma eternidade em fórmula 1, sobre os companheiros no pódio, o mexicano Perez e o alemão Vettel, da desilusão Ferrari, o primeiro da temporada para ambos - e com espectáculo. Saiu do sexto lugar de uma grelha de partida atípica, consequência da instabilidade meteorológica em que se decorreu a qualificação, que nas duas primeiras filas tinha apenas um cliente habitual: Vestappen, no segundo lugar que, com uma má partida caiu de imediato para a quinta posição. Da pole position, a primeira da carreira, largou Stroll, da Racing Point, à frente do seu companheiro de equipa Sergio Perez, que estava atrás, na terceira posição da grelha.


Ganhando duas posições na largada, que viria a perder ainda na primeira volta, Hamilton chegou à liderança à trigésima sétima volta, quando ultrapassou Perez. A partir daí a corrida só lhe serviu para ir ganhando avanço sobre os adversários, acabando por dar uma volta de avanço a Bottas, o seu colega da Mercedes, e único que o poderia impedir de se sagrar já campeão. Heptacampeão!


Depois de bater todos os recordes de Michael Schumacher, igualou-o agora nos sete títulos de campeão mundial de fórmula 1. Aos 35 anos, Lewis Hamilton é agora recordista de pódios (162), de ‘pole positions’ (97), de vitórias (94). E o nome maior da História da competição automóvel!




 




 


sábado, 14 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Na passada sexta-feira o Diário de Notícias anunciava que as empresas cotadas que integram o PSI 20 da bolsa nacional aumentaram os seus lucros nos primeiros nove meses deste ano em 40%, atingindo os 3.477 milhões de euros.


Haverá quem veja aqui uma boa notícia: afinal, num ano de crise como este ainda há empresas que conseguem excelentes desempenhos. Aumentar em 40% os lucros em tempos como os que vão correndo é obra! Serão certamente empresas muito bem geridas e com planos estratégicos de excelência. Serão as mesmas que contribuíram para uma outra boa notícia desta sexta-feira: as exportações aumentaram 15% e permitiram que a nossa economia tenha crescido 0,4% no terceiro trimestre, fugindo assim ao início da recessão anunciada. As mesmas que alimentam a esperança do ministro das finanças no milagre de cumprir os objectivos de crescimento do Orçamento de Estado!


Tenho que lhes dar uma má notícia: é que não é nada disso!


Das empresas que constituem o PSI 20 – o cabaz que constitui o índice bolsista nacional (PSI – Portuguese Stock Índex) – muito poucas são industriais e exportadoras. As que o são não apresentam lucros, mas prejuízos.


Pois é. Estes lucros fabulosos não têm nada que ver com a produção de bens e serviços transaccionáveis, esse jargão do economês que classifica a produção económica que faz a verdadeira riqueza das nações. Estes lucros que crescem desta maneira são realizados no sector bancário – BPI, BCP e BES –, na distribuição – Jerónimo Martins e Sonae –, nas telecomunicações – PT, Sonae e ZON, no sector energético – EDP, EDP Renováveis, REN e Galp – e, como não podia deixar de ser, dois dos melhores exemplares das PPP (Parcerias Público Privadas) – Brisa e Mota Engil.


Nestes sectores altamente protegidos, e que em boa verdade sugam o resto da economia, concentram-se 14 das 20. 70% do PSI 20!


Apenas as restantes 6, das quais quatro operam na fileira do papel, são empresas industriais e exportadoras: Cimpor, Altri, INAPA, Portucel, Semapa e Soane Indústria. Mas, como é público, parte destas está no vermelho!


Como está bom de ver estes lucros fabulosos, que continuam a crescer independentemente do que se passe na economia e na sociedade, são construídos à custa da economia. São transferências dos sectores produtivos, dos que criam efectivamente riqueza, para outros que vivem de rendas em vez de viver de negócios. São autênticos regimes de rendas que o Estado colocou nas mãos de uns poucos à custa da imensa maioria dos outros, limando-lhes todos os factores de risco: autênticos monopólios de serviços de primeira necessidade, garantias de preços e até indemnizações!


Os bancos são ainda um caso à parte. Ao Estado vão buscar o favorecimento fiscal que lhes tributa lucros de elefante com impostos de pulga. Ao comportamento cartelizado vão buscar o resto, usando e abusando dos clientes sem qualquer alternativa em mais um serviço de primeira necessidade. Repare-se: o cliente não tem condições para lhes comprar o que eles querem vender e obrigam-no a pagar as chamadas despesas de manutenção; fazem um pagamento com o nosso dinheiro, com o dinheiro que temos na conta, na mesma conta cuja manutenção pagamos para fazerem do nosso dinheiro tudo o que entendam, e fazem-nos pagar por isso: é a comissão de processamento; emitem um documento para nos debitar todas essas coisas e, naturalmente, fazem-nos pagar essas despesas: o papel, a tinta, o ordenado do funcionário, a amortização do computador, etc., etc.


Quer dizer, ganham o que querem na venda do seu produto – o dinheiro, que vão buscar ao BCE a 1% e a grande parte dos depositantes a 0% – e ganham ainda em tudo aquilo que, para qualquer outra empresa, são os seus custos operacionais (logísticos, administrativos, etc.)!


Pois aqui está um dos mais flagrantes desequilíbrios do sistema. Os bloqueamentos que vão marcando estes tempos e estas crises, feitas também destas coisas. A economia não tem só que sustentar um Estado monstro e uma classe política clientelar e incompetente. Tem ainda que sustentar todas estas empresas de sucesso

O "resultadismo" nem sempre resulta

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O novo confronto de campeões, do mundo e da Europa, desta vez em Lisboa, na Luz, foi um jogo em espelho relativamente ao de Paris, há dois meses, com os campeões do mundo a retribuírem o que então a selecção nacional lhes fizera.


Pareceu que Fernando Santos, com o seu ADN resultadista, procurou jogar para o mesmo resultado de Paris, que provavelmente daria para voltar a apurar a selecção portuguesa para a final four desta Liga das Nações. Só que a selecção francesa sabia evidentemente disso, e que, face ao critério de desempate (numa competição disputada em poule, de todos contra todos, é bizarro que o primeiro factor de desempate entre duas equipas com os mesmos pontos seja o dos golos marcados fora de casa nos jogos entre si) teria de marcar um golo.


E mesmo sem a sua estrela maior - Mbapé - procurou-o, enquanto a equipa portuguesa assistia. Dominou completamente o meio campo, com os seus centro-campistas, do melhor que há, a gozarem de toda a liberdade. A equipa francesa teve mais bola, jogou mais e só não marcou porque Rui Patrício, por duas vezes, e o ferro da sua baliza, noutra, o impediram. E o nulo ao intervalo era bastante lisonjeiro para a selecção portuguesa.


No arranque da segunda parte as coisas pareciam vir a ser diferentes. Não que se acreditasse que a equipa portuguesa tivesse deixado no balneário o chip do 0-0, apenas porque Fernando Santos e os jogadores perceberam que não podiam continuar a entregar o meio campo aos franceses. O meio campo da selecção nacional passou a marcar melhor os adversários, passou a ganhar bola, e a equipa passou a jogar mais em cima da área de Lloris.


Só que logo aos 10 minutos, na primeira vez que os franceses chegaram à baliza portuguesa, marcaram, numa das duas falhas de Rui Patrício, que não segurou uma bola que parecia fácil, soltando-a para Kanté fazer o golo que a França tanto procurara na primeira parte. E aí acabou o jogo. Os campeões do mundo tinham atingido o seu objectivo!


Fernando Santos foi introduzindo jogadores, uns atrás dos outros, e jogou até muito tempo com quatro avançados. Poderia até ter chegado ao empate, num remate de cabeça de José Fonte ao poste, ou noutro de João Moutinho, que entrara para o lugar do William Carvalho, evitado por uma grande defesa de Lloris. Pouco, se compararmos com tudo o que os franceses fizeram.


E muito pouco se olharmos para a qualidade dos jogadores portugueses. Que mais uma vez pareceram castrados pela estratégia do resultadismo, na saga do empate a empate até à vitória final.


É certo que a regra é perder com a França. Só por uma vez, e já há mais de 70 anos, a jogar em casa, Portugal marcou à França. Mas com estes jogadores a História tem que ser outra!

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A segunda vaga. E a terceira...*

Covid-19: «Uma segunda onda e, possivelmente, uma terceira e uma quarta são  inevitáveis», alertam especialistas – Executive Digest


Estamos em plena segunda vaga da pandemia, a tal que só surgiria na passagem do Outono para o Inverno, mas que se antecipou, e chegou na passagem do Verão para o Outono.


Está a revelar-se mais agressiva que a inicial, ao contrário do que durante algum tempo foi afirmado. Por todo o lado, e também por cá, os números de infectados e de óbitos crescem a ritmo acelerado. Impressionam os 100 mil novos caos diários nos Estado Unidos, os vinte mil de Espanha, ou os 30 mil de Itália, de França ou do Reino Unido, e no entanto os nossos cinco a seis mil casos diários são, proporcionalmente à população, bem mais graves. Muitas vezes mesmo o dobro.


Já se fala numa terceira vaga para a Primavera. E sabe-se que a vacina, mesmo que se confirmem as notícias desta semana que anunciam a validação de uma das cerca de trinta vacinas em desenvolvimento, capaz de entrar já em produção, não será solução efectiva para a pandemia antes do final do próximo ano. Há, primeiro, insuficiências da produção, de crescimento gradual, depois, de distribuição e, finalmente, de criação de imunidade.


Estamos pois ainda longe de ter a solução para a pandemia e para todos os males que arrasta. Mas não estamos já naquele contexto de incerteza, em que nada sabíamos sobre nada do que nos estaria para acontecer. Estaremos pela primeira vez desde o início da pandemia perante um cenário de alguma previsibilidade.


E isso faz toda a diferença. E tem de ser aproveitado para as respostas que, individual e colectivamente, temos que encontrar. Seja nos sacrifícios para resistir, seja na preparação da retoma.


 


* A minha crónica de hoje na CIster FM

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Hoje foi, de há 40 anos a esta parte, o primeiro sábado em que, estando no país, não comprei o “A Bola”. Por solidariedade com o Ricardo Araújo Pereira (RAP) que, por sua vez, se solidarizara com o Zé Diogo Quintela (ZDQ)!


Já aqui referi diversas vezes a minha forte ligação a este jornal e aos seus grandes mestres, com quem aprendi, não só a ler e a escrever, como a gostar de escrever. Por isso esta minha decisão de hoje não foi nada fácil. Pareceu-me estar a separar-me de muitos anos da minha vida, como que a deixar para trás uma boa parte de mim. E isto não é fácil!


O RAP escrevia em “A Bola” aos sábados. O ZDQ fazia-o aos domingos e, às terças, o Miguel Sousa Tavares (MST).


O MST não é exactamente uma personalidade pacífica no panorama mediático. Antes pelo contrário, é uma personagem dada à conflituosidade o que, obviamente e por si só, não é mal nenhum. A não ser quando se não consegue ser absolutamente coerente e quando se muda de posição ou de barricada. O MST é portista! Nada de mal, mais uma vez. Fanático! Bom, aceita-se. Afinal nestas coisas dos clubismos há sempre muito exacerbo, frequentemente próximo do fanatismo.


Perde a razão e fica com a vista turvada quando escreve sobre futebol. Bom, não é bonito! Nem sequer muito abonatório para a personagem que pretende interpretar neste jogo da vida, mas, se ainda por cima lhe pagam… E, claro, esquece-se da coerência, uma velha pecha. Daí que, se isso lhe interessar para o argumentário do seu clubismo cego, hoje diga o contrário do que disse ontem. Hoje defenda o que ontem atacou ou desminta a sua verdade de ontem…


Claro que as famosas escutas do Sr Pinto da Costa são palco privilegiado para esta peça!


O RAP, perante tão repetidos e grosseiros atentados à coerência, provavelmente porque teve meios para a necessária pesquisa, resolveu começar a revelar na sua coluna dos sábados as verdades/mentiras do MST: em tantos do tal escreveu isto para em tal dos tantos escrever exactamente o contrário…


O MST ia respondendo na sua coluna das terças-feiras. Como podia. Quase sempre mal, no estilo de pior a emenda que o soneto. E ia-se enterrando, dando o flanco e expondo-se. Até que começou a expor insuspeita ignorância, logo aproveitada pelo RAP para dar uma lição sobre a matéria.


Foi aqui que acabou a paciência do MST. Por falta de argumentos, porque contra factos não os há, passou ao ataque pessoal. Bem, até foi ao ataque colectivo – aos Gatos Fedorentos. Aí, entrou em cena o ZDQ, na sua coluna do domingo, expondo ainda mais as fragilidades do MST. Que não resistiu a ameaçar com o abandono!


No último domingo a crónica do ZDQ foi censurada. Sim. CENSURADA! “A Bola” cortou o que entendeu e, evidentemente, o ZDQ tomou a única atitude que os nobres de carácter podem tomar. E o RAP foi solidário e deixou também de escrever em “A Bola”.


O MST faz alarde em declarar-se feroz opositor das redes sociais e da blogosfera. Tenho a impressão que, se fosse ele a mandar, até a Internet proibiria. Até aqui eu não percebia porquê, só agora entendi: é que na blogosfera ele não pode ordenar a nenhum director, nem a ninguém, que corte e censure o que se escreve. A blogosfera não lhe garante a imunidade que os jornais e as televisões lhe asseguram, nem lhe protege o estatuto que o berço lhe deixou. Na blogosfera até os plágios se descobrem! Que chatice!


 


PS: Esta matéria traz a nação benfiquista em ebulição, como se pode ver aqui e ali.

Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020)

Gonçalo Ribeiro Telles morreu aos 98 anos


 


Esteve sempre à frente do seu tempo. Foi ecologista muito antes de surgirem os verdes. Propagandeou a natureza, e os seus equilíbrios, únicos e insubstituíveis, antes de surgirem os ambientalistas. Não se cansou de alertar para os atentados a esses equilíbrios que se espalhavam por todo o lado, ao sabor da ignorância, mas também dos interesses mais obscuros. Denunciou o urbanismo selvagem, e defendeu a ruralidade e a agricultura. Defendeu a paisagem como se de um direito se tratasse. O direito à paisagem...


Tudo o que de positivo se fez no ordenamento do território tem o seu dedo. 


O Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que ontem nos deixou aos 98 anos, foi tudo isto, e teve ainda tempo para se dedicar à actividade política e de, aí, ser também exemplo. Com a mesma higiene de princípios, e com a mesma verticalidade.


Sem ele, Portugal seria hoje um país bem pior!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


futebolês tem destas coisas: na anterior edição o tema era a goleada. Como, por estranho que pareça, depois da goleada se voltou a falar de túnel … o tema de hoje só poderia ser o túnel!


Porque logo se voltou a falar no túnel, nessa arma de arremesso que alguns criaram na época passada e que agora voltam a tentar ressuscitar. O Hulk está em grande forma, assustou (e de que maneira!) o Jorge Jesus, e lá se volta a falar em túneis, como se fosse possível trocar de culpados, inverter a realidade ou mesmo esquecer um túnel do terror que esteve á guarda de um famoso guarda da PSP, mais influente que o comandante geral.


Mas não é desse túnel que vou falar. Nem tão pouco do verdadeiro túnel do futebolês, aquele gesto técnico que não mata mas desmoraliza como nenhum outro. Desse já aqui falei como uma das maiores maldades que se podem praticar num jogo de futebol.


O túnel de aqui quero falar é outro.


Entre o muito que se escreveu sobre o desastre do Benfica no Dragão houve alguém que o comparou a um cataclismo numa mina, sugerindo-me o drama daqueles 33 mineiros chilenos.


Aquilo mais parecia uma equipa de mineiros abandonados por uma estrutura que não lhes criou as condições mínimas para que pudessem desenvolver o seu trabalho. E, ao contrário dos mineiros chilenos, sem sequer um chefe de turno que pudesse emergir e assumir a liderança que permitisse recuperar alguma da ordem perdida…


Agora há que começar a escavar o túnel que os há-de trazer de volta. E que proceder a uma avaliação séria do que falhou, do que os enterrou lá em baixo!


Começaria por aqui. Já aqui falei por demais no erro da supertaça, que desde logo mostrou a deficiente preparação da época, que se tentou esconder num discurso errático (saídas de Di Maria e Ramires, antes dados por convenientemente substituídos), inoportuno (o Hapoel como a surpresa da Champions ou a normalidade do Benfica ganhar em França) e desmobilizador (o insubstituível Cardozo), que culminou, agora, numa nota de culpa muito simples: Hulk e os jogadores que não o conseguiram parar!


Diz-se por aí que a estrutura do Benfica não soube gerir o sucesso. Não sei se não soube gerir o sucesso, sei que não soube gerir o que tinha que gerir. O topo – leia-se Luís Filipe Vieira (LFV) – não soube gerir nem o ego nem o espaço do Jorge Jesus, permitindo-lhe que extravasasse funções e entrasse em esferas de decisão que deveriam constar de outras competências. Que, por sua vez, ao arrepio do princípio de Peter e inchado pelo sucesso, se demitiu da gestão dos imensos recursos que tinha à disposição para, de mestre da táctica, passar a catedrático do futebol, matando a maior e a mais apreciada das virtudes: a humildade, o primeiro elo da cadeia do sucesso.


Já aqui me referi a Jesus à luz de um princípio do Prof. Manuel Sérgio: “Pode saber-se muito de futebol mas, quem só sabe de futebol, nem de futebol sabe”. A gestão de uma enormidade de factores que actualmente são determinantes para marcar a fronteira entre o sucesso e o insucesso no futebol, entre os quais recursos humanos tão especiais como são os jogadores de futebol de topo, dificilmente estará ao alcance de quem apenas saiba, mesmo que muito, de futebol.


Mais importante e decisivo que inventar na constituição e disposição da equipa no Dragão, foi a evidente demonstração do medo de jogar com o Porto. Jesus ressuscitou, não Lázaro, como há 2 mil anos, mas um fantasma de décadas que se julgava definitivamente morto e enterrado! Um medo que já vinha de trás e que aquele último quarto de hora do jogo com o Lyon, como aqui se previra a semana passada, transformou em terror. Terror que a goleada do Dragão transforma em pesadelo, numa escalada a que há que saber pôr fim de imediato: o tal túnel de resgate a que há que deitar mãos!

O abraço do urso

Vídeo mostra urso gigante abraçando o homem que salvou sua vida -  GreenMe.com.br


 


De tanto querer inventar, Rui Rio acabou enfiado numa camisa de sete varas. 


Começou por admitir que até daria para qualquer coisa de sério com o Chega, se abdicasse do radicalismo, para acabar três ou quatro meses depois em namoro descarado, já com o André Ventura a pedir-lhe que se radicalizasse com ele. Qual sereia, canta-lhe que abandone o politicamente correcto, e parta com ele a loiça toda na mais trepidante aventura radical. 


E Rio lá vai, enlevado, sem dar ouvidos a ninguém, entregue ao abraço do urso. Quando der por ele já não respira!

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Aí está a vacina

Dinamarca alerta mutação de coronavírus que coloca todas vacinas em risco |  Exame


 


Já há vacina. A Pfizer e a BioNTech anunciaram uma vacina, testada em 43.500 pessoas de diferentes países, que aponta para 90% de protecção conta a covid-19, que pretendem disponibilizar já no final deste mês, através de um processo de aprovação de emergência.


Não vamos, evidentemente, assistir ao início da vacinação antes da próxima Primavera. Nem provavelmente haverá capacidade de produção para responder a todas as necessidade antes do final do próximo ano. Mas as bolsas dispararam. E, mais importante, a comunidade científica exulta. 


Trump é que não. Continua em birra e amuado,  e diz que a  Pfizer e a BioNTech fizeram isto agora só para o lixar.


 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Hoje voltamos a estender a mão. Precisávamos de mais 1,2 mil milhões e lá fomos … aos mercados!


Pagamos caro. Muito caro: 6,83%, já roçar os tais 7%! 


Mas Teixeira dos Santos veio dizer que tinha corrido bem. “Correu bem” – disse, como na maioria das vezes a mentir, dizem os miúdos à saída de um teste no meio do período.


A nós, como aos pais daqueles miúdos que sabem que estão a mentir, pareceu-nos mal. Nem conseguimos perceber o que pudesse ter corrido bem!  


Este “correu bem” lembrou-me aquele ar de “desta já me safei” do primeiro-ministro quando da aprovação do orçamento na semana passada!  


Está estendida a passadeira para receber o FMI … Por culpa dos mercados, claro!


 

Porta aberta e vergonhas à mostra

FECHE A PORTA PARA O DIABO | Teatro Cristão


 


Ao negociar com a extrema-direita o apoio parlamentar ao seu governo, nos Açores, o PSD abriu uma porta que, pela democracia e pela decência, teria de ser mantida fachada. 


Por essa porta não entrou apenas o Chega, à procura da normalidade e da legitimização pelo poder. Entrou também a miserável, absurda e indecente argumentação de alguns dos dirigentes do PSD. De Paulo Rangel ao líder Rui Rio. Bastaria que pensassem em tudo aquilo que nos molda como sociedade, que a extrema-direita renega. E como foram construídos e votados, ao longo dos anos da nossa democracia, os diplomas que dão corpo à maioria do tecido legislativo do Estado de Direito.


Misturar tudo e agitar bem funciona nalgumas receitas de culinária. O problema é que, na política, ainda é preciso adicionar aldrabice qb e umas pitadas de descaramento. Sem vergonha, de preferência.


 


 


 

domingo, 8 de novembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Passaram no sábado, dia 6, 35 anos sobre o famoso frente a frente televisivo entre Mário Soares e Álvaro Cunhal e a RTP decidiu reproduzi-lo no seu canal Memória.


Tinha sido alertado para essa emissão na véspera, num programa da Antena 1, que há muito sigo (o seu horário, às 19 horas de sexta-feira, tornou-o companhia de viagem no meu regresso a casa das sextas-feiras): o Contraditório, moderado por João Barreiros e com a participação de Carlos Magno, Luís Delgado e Ana Sá Lopes.


O Carlos Magno e o Luís Delgado, rapazes da minha idade, tinham na altura deste debate 20-21 anos de idade, os restantes dois eram então ainda crianças. Os dois primeiros, pela idade e pela intensidade da vivência própria daquele período da nossa vida colectiva, tinham a “obrigação” de conhecer toda a envolvência e o contexto daquele que ficou como o marco do debate político televisivo. Aos outros dois, mais jovens, seria exigível um conhecimento documental mas igualmente rigoroso daquele acontecimento.


Fazer da análise e do comentário político profissão terá de ter algumas exigências. Não se podem ignorar acontecimentos políticos determinantes da nossa história recente e, em especial, daquela que também protagonizamos.


Tudo isto para dizer que achei lamentável que aquelas quatro personalidades tenham abordado aquele acontecimento, a propósito da emissão da RTP Memória, em regime de manifesta ignorância do seu enquadramento. Um deles – o Luís Delgado, de resto num registo que lhe é muito próprio – apressou-se a enquadrar o debate num período eleitoral, sem contudo o identificar. Logo seguido por todos os outros, como também é habitual.


Fora de causa estava, para ele, ter acontecido em Novembro de 1975 porque, acrescentava, “era o que faltava era nessa altura alguém estar preocupado com debates”. Também dizia que, ao contrário do Carlos Magno, não tinha então acompanhado o debate porque, nessa altura, tinha coisas mais interessantes com que se preocupar.


O mesmo Luís Delgado teria outra tirada digna de registo, quando comparou a influência do PCP nos jornais de 1975 ao que se passa hoje com o Bloco de Esquerda, comparando “alhos com bugalhos”. Então, a influência do PCP nos jornais, nos nacionalizados – entenda-se – decorria do “assalto” transversal ao aparelho de estado. A dita influência actual do BE é completamente diferente e decorre de uma certa “moda”, de um certo “politicamente correcto” à la page com os temas da actualidade, geralmente ditos de fracturantes, É uma questão de produto, um produto que hoje tem mercado, e não tem nada a ver com exercício de poder e com controlo da informação, como então sucedeu.


A verdade é que, até que da régie tivesse vindo o ponto de ordem para pôr ordem naquilo, aquilo foi um autêntico regabofe. E um triste espectáculo que nos mostrou como muitas destas pessoas entende que a sua omnipresença no espaço mediático lhes permite um compromisso leviano com a verdade e com o rigor!


Bom. Mas no sábado à noite lá me fixei em frente ao ecran para rever, pela primeira vez, o mais famoso dos frente a frente da política portuguesa que tornou famosa a expressão de Álvaro Cunhal: “olhe que não … olhe que não!”. Que eu recordava ter sido utilizada uma única vez quando, afinal, viria agora a confirmar, foi-o em duas ocasiões.


E recordei um tempo que, parecendo tão perto, está afinal tão longe. Um tempo em que se fumava ali, em frente às câmaras. Em que apenas o fumo que saía dos cigarros denunciava dois entrevistadores (e que jornalistas!) que se limitavam a não interromper aquelas duas figuras, lado a lado em simultâneo num duplo plano muito raro em televisão. Um tempo em que não havia tempo em televisão. Aquilo só acabaria quando toda a gente, telespectadores incluídos, estava cansada. Porque, como disse Álvaro Cunhal, “as pessoas trabalham e amanhã é dia de trabalho”…


E recordei o alto nível do debate político, com análise e sem demagogia. Com sagacidade e sem lugares comuns. E mesmo sem a famosa cassete: Álvaro Cunhal não usava cassete. Criou-a mas para uso de terceiros!


E recordei como se abriram naquele dia as portas do 25 de Novembro. E como a guerra civil esteve tão perto!


E como a descolonização era Angola, Moçambique e Guiné. Nada mais, numa altura em que Timor já estava ocupado pela Indonésia…


Pois é, aquele debate também nos ajuda a entender melhor muito do que se passou depois. Se calhar até muito do que se passa ainda hoje…

Já não há milagres

Jorge Jesus


 


Já vimos este filme. Oito meses, e cem milhões de euros depois, está em reposição na Luz. As cenas iniciais são de reposição pura: derrota no Porto, logo seguida de igual desaire na Luz, com o Braga. O resto, mesmo que o guião falasse de jogar o triplo, e de arrasar, já conhecemos, e sabemos que não tem final feliz.


Este foi o terceiro jogo consecutivo em que o Benfica sofreu três golos, em menos de uma semana. Que resultaram em duas derrotas, no campeonato. A terceira, na Liga Europa, foi evitada por um milagre. E milagres há poucos.


O Benfica tem melhores jogadores que os adversários. Mas nunca foi capaz de ter melhor equipa que qualquer deles. Pior, fez sempre parecer que os adversários tinham melhores jogadores. Quando assim é, quando os jogadores parecem piores do que são, jogam menos que aquilo de que são capazes, a culpa casa sempre com o treinador. Não morre solteira.


Na primeira parte do jogo desta noite na Luz a equipa voltou a ser arrasada. O Braga fez ao Benfica o que já todos os adversários já fazem: roubam-lhe os espaços à frente, e assaltam-lhe o espaço lá atrás. Exactamente como na segunda volta da época passada. Então, a equipa que jogava menos de um terço desta, não tinha plano B, e os jogadores ficavam perdidos em campo. Agora acontece precisamente o mesmo. Só que agora o homem do plano é o mestre da táctica, pago a peso de ouro.


O Braga só precisou de dois remates para marcar. Um foi para as nuvens, e só por isso não deu golo. E nem assim se pode dizer que o resultado ao intervalo fosse injustificado. Porque dominou tacticamente o jogo como quis.


O arranque da segunda parte, mesmo com duas substituições (a novidade Samaris por Grabriel, e o inexistente Everton, por Seferovic), mostrou que nada mudara. Até porque logo o Braga fez o segundo golo. O terceiro, numa falha que envergonharia qualquer miúdo a jogar à bola na rua - se é que anda há disso - chegou por volta da hora de jogo. Só a partir daí a equipa deu mostras de sobressalto. Mas só isso, os jogadores sobressaltaram-de e correram um pouco mais.


Fez dois golos, ambos por Seferovic - who else? Que ainda fez o terceiro, mas em fora de jogo, no último minuto - mas não voltou a haver milagre.


E começa a parecer que só um milagre salva este Benfica. Mas isso não é com este Jesus ... E o Outro é do tempo em que ainda não havia futebol.


 


 

sábado, 7 de novembro de 2020

Trump acabou. O "trumpismo" não!

Serei um presidente para todos os americanos', diz Biden após vitória |  Eleições nos EUA 2020 | G1


 


Finalmente. Agora sim, é definitivo. Se é que alguma coisa é hoje definitiva nos Estados Unidos da América. Com o encerramento das contagens da Pensilvânia, é certo que Joe Biden venceu as eleições.


Festeja-se na América - com sa ruas cheias de ... jovens - e festeja-se um pouco por todo o mundo. E Biden vai receber agora - "agora" é uma força de expressão, o que aí vem, pelo que se pode adivinhar, vai durar - uma América dividida. E perigosa.


Ainda assim, menos perigosa do que seria, se não tivesse virado a página negra que narra estes últimos quatro anos da sua História.


Trump acabou. "Trump nunca mais". O mesmo não se pode, infelizmente, dizer do "trumpismo".

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Negro

Expresso | O cenário do Apocalipse: como Trump abriu a porta a um golpe na  noite eleitoral


 


Da América, tudo na mesma. Sem fumo branco.


Apenas fumo negro, bem negro, de um troglodita que uma vez foi feito presidente da mais influente país do mundo. O sistema que Trump, irresponsavelmente e sem apresentar uma única prova, ou sequer indício, acusa de fraudulento, corrupto e ladrão é o sistema institucional de que ele deveria ser o garante e responsável máximo. É o mesmo que o fez Presidente, com menos votos que a adversária, e com dezenas de delegados conquistados por escassas diferenças de votos. E o mesmo que ainda agora está a eleger mais senadores republicanos que democratas.


Mesmo que aqueles 15 ou 20 minutos de ontem da conferência de imprensa de Trump, na Casa Branca - que usa como sede de campanha, como usa o AIr Force One como se fosse o seu avião particular - de conteúdo vazio e repetitivo, como sempre, tenham sido o discurso de derrota de Trump.


Preocupante e perigoso, evidentemente. Mas não se esperava outra coisa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Evolucionismo

Benfica Darwin Análise Jogo Rangers Liga Europa - SL Benfica


 


Salvou-se o resultado, em mais uma exibição deprimente, com mais três golos sofridos, que podiam bem ter sido mais. A expulsão de Otamendi pode servir de atenuante, mas não de desculpa.


A verdade é que esta equipa, que dizem que é para ganhar a Liga Europa, fez mais lembrar Basileia, há três anos, que Amsterdão, ou Turim, quando mais perto estivemos disso.


Valha-nos Darwin, o evolucionista. Só ele evolui, quando é preciso uma evolução enorme, e bem mais rápida que a outra, para que esta equipa possa ganhar o que quer que seja na Europa. 


E por cá, vamos a ver. Pode até ser que seja só cansaço extremo. O cansaço cura-se, mesmo o extremo. Mas é mais inteligente evitá-lo. Para isso é que os plantéis têm vinte e muitos jogadores.


 

A mítica democracia americana

Trump fala em votação viciada, Biden aposta em 'roubar' estados  republicanos — DNOTICIAS.PT


Tudo aquilo a que estamos a assistir nestes dias que se estão a seguir ao das eleições nos Estados Unidos leva-nos como nunca a questionar a democracia americana.


Desde logo, um país imenso, dividido em cinquenta estados, mais Washington DC, mas apenas dois partidos. Depois, num regime ultra-presidencialista, o presidente não é eleito por sufrágio directo, tornando frequente - tão frequente que aconteceu por duas vezes nas duas últimas décadas - que o presidente eleito não seja o que teve mais votos. Depois ainda, as diferentes diferenças nas votações que permitam a um candidato requerer judicialmente a recontagem dos votos: 1% nuns estados, menos ainda, noutros. E por último a cereja no topo do bolo: os delegados resultantes dos resultados eleitorais  em cada estado, que no colégio eleitoral vão finalmente eleger o presidente, poderão até nem votar no candidato para que estão mandados pelo voto popular que representam. O candidato mais votado de um estado assegura a totalidade dos delegados desse estado ao colégio eleitoral; mas cada um desses delegados poderá depois até votar no candidato adversário. Nalguns estados, o delegado que o fizer é obrigatoriamente substituído na votação. Mas noutros sujeita-se apenas a uma multa, e mantém o voto contrário ao mandato que recebeu.


No meio de tudo isto não surpreende o que Trump está fazer para se agarrar no poder. Está a fazer tudo o que um anquilosado processo velho de século e meio lhe permite. O que surpreende é a massiva participação dos americanos nestas eleições. A maior dos últimos 100 anos, que já fez de Biden o candidato mais votado da História da América.


Talvez seja isso que ainda alimenta a mítica democracia americana. Em tudo o resto é uma democracia cada vez menos democrática, como é timidamente cada vez mais reconhecido. Mas, à americana, os americanos acham-na perfeita!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...