terça-feira, 30 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


...Neste day after de todas as desilusões pudemos ver que a questão do seleccionador Carlos Queiroz está a dividir o país em duas partes: uma imensa maioria que vê no seleccionador a origem de todos os males e o responsável único por toda a enorme frustração deste adeus ao mundial e uma ténue minoria, associada a alguma elite que pretende intelectualizar o futebol, que o defende de uma forma militante.


Claro que as questões que se levantam ao futebol da selecção nacional não se esgotam, nem de perto nem de longe, no seleccionador. Mas é para aí que todas as atenções estão viradas!


Antes disso haveria, neste depois do adeus, que desmistificar as muitas mentiras que se instalaram no reino deste futebol. Ontem falava da maior: a classificação da FIFA, ao atribuir-lhe o terceiro lugar do ranking mundial. Mas há mais: temos o melhor jogador do mundo; dos melhores jogadores a jogarem nas melhores equipas do mundo; e até dos melhores treinadores do mundo.


Depois destas mentiras importaria reflectir na realidade da escassez de valores, consequência do abandono de uma política de formação em que a Federação, embalada por Scolari, se deixou cair. Ou na política dos clubes que em vez de investirem, também eles e de mote próprio, em formação, optam por importar jogadores em massa da América do Sul, que tapam a progressão dos poucos valores jovens que, apesar de tudo, vão surgindo. Apesar dos escalões jovens estarem inundados de estrangeiros: basta olhar para a constituição das equipas dos três grandes que disputam o campeonato nacional de juniores.


...A história de Queiroz mostra que quando assume a máxima responsabilidade em projectos de responsabilidade máxima, falha. As coisas correm-lhe bem quando assume a máxima responsabilidade em projectos que não são de responsabilidade máxima ou quando não assume a máxima responsabilidade em projectos de responsabilidade máxima...


 

Tristes jornais

APCT: Jornais continuam a perder expressão em banca - Meios ...


 


Numa viagem pelos jornais do dia encontramos o Benfica e Luís Filipe Vieira em praticamente todas as primeiras páginas. Com duas únicas excepções: o Jornal de Negócios, e o jornal i, este particularmente interessado em continuar a bater no Costa e a promover o Ventura.


Nos generalistas, o "CM" diz que "Vieira admite demitir-se da presidência". O "JN" que "Vieira assume  responsabilidade e admite sair". E para  o "DN" a "crise faz cair Bruno Lage e deixa Vieira a pensar no futuro".


Nos diários desportivos apenas o "Jogo" não vai no jogo de Vieira. "A Bola" diz que "o presidente vai pensar sobre o seu próprio futuro" e o "Record" diz que "Presidente assume a responsabilidade e vai conversar com a família


É impressionante. Sobre a inconsistência e a propaganda das declarações de Vieira, nada. Sobre a sessão de campanha eleitoral para as eleições que vai antecipar, para retirar tempo a quaisquer novas iniciativas, e fixar a concorrência na que já é conhecida, coisa nenhuma. Nem uma palavra.


E no entanto tudo está tão à vista... Tristes jornais, triste jornalismo!


 


 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


A assembleia-geral da PT recusou a oferta da Telefónica para a compra da sua participação na brasileira Vivo.


Esta é a boa notícia: ... afinal sempre é uma vitória sobre os espanhóis, no dia da ressaca da derrota da nossa selecção.


A má notícia é que esta vitória portuguesa, afinal como a de ontem dos espanhóis, resulta, em certa maneira, de dedo alheio ao próprio jogo. Não é exactamente uma vitória limpa! E se no jogo de ontem acabou por nem se salientar muito a irregularidade do golo da vitória espanhola, tão convincente ela fora, na nossa vitória de hoje parece-me que não será bem assim.


...Como se esperava, a imensa maioria dos accionistas – perto dos dois terços – aceitou a oferta espanhola, uma oferta já quase irrecusável e que, poucas horas antes, subiria ainda generosamente para os 7,15 mil milhões de euros. Para se ter uma ideia do valor desta oferta – por 30% da Vivo, é bom não esquecer – basta dizer que é praticamente o valor da PT, com Vivo e tudo!


É aí que surge a tão famosa golden share do Estado, que para tanta trapalhada tem servido. ...O accionista Estado, fazendo uso da prerrogativa dourada, inviabilizou a venda e terá salvado uma PT de verdadeira dimensão internacional, com tudo o que isso representa para a economia nacional. Que é muito!


...Pela primeira vez tivemos oportunidade de observar a verdadeira dimensão de uma golden share: a defesa do interesse nacional. Até aqui apenas tínhamos assistido à sua manipulação a partir dos interesses particulares de tutelas e clientelas...


 

Tourada


Noutras circunstâncias, noutro quadro que não o do actual Benfica, poderia dizer-se que é futebol. Que o futebol é mesmo isto, a velha frase feita do futebolês. Uma equipa joga, ataca, cria oportunidades para marcar, remata, mas a bola não entra. Há sempre mais uma perna a tapar o caminho para a baliza e, quando se consegue desbravar essa floresta de pernas, há um guarda-redes pela frente que defende tudo. E do seu lado há um guarda-redes que não defende nada, que nem toca na bola, Mas que em quatro vezes que vê adversários por perto, é obrigado a ir buscar a bola ao fundo da baliza. Aconteceu isso hoje no joga da Madeira. E o Benfica, que jogou, atacou e construiu mais de meia dúzia de oportunidades claras para marcar, não marcou e só não perdeu por quatro porque dois dos golos do Marítimo acabaram por ser obtidos em fora de jogo.


Mas, nas actuais circunstâncias do futebol do Benfica, não se pode dizer que é futebol. É mais tourada. O futebol do Benfica virou tourada. 


Uma tourada com aquelas pegas em que o forcado da cara se farta de levar tareia do touro. Uma primeira vez, e sai mal tratado. Volta a insistir, e leva mais forte ainda. Está todo partido, a sangrar por todo o lado, mas vai lá outra vez. Volta a levar mais, mas a cambalear e sem se aguentar em pé volta mais uma vez, com o cabo do grupo impávido a assistir ao massacre, de braços cruzados.


Foi neste estado que Bruno Lage hoje entrou nos Barreiros, no Funchal. Estranhamente a equipa até entrou bem no jogo, com vontade de resolver as coisas, como se nada se passasse com o homem da cara. Só que a sorte não ajudou - sabe-se que nestas situações raramente ajuda - , e bastaram pouco mais de 20 minutos para que o fulgor, e alguma qualidade, começassem a desaparecer. 


E lá voltou o homem da cara já não a cambalear mas de rastos. Mexeu na equipa e foi um desastre. E a cada vez que mexia maior era ainda o desastre.


No fim saiu em maca, directamente para ... o cemitério. O verdadeiro destino que o cabo lhe traçara. E que anunciou com o seu habitual discernimento: "no fim do jogo o nosso treinador veio-me dizer que punha o cargo à disposição do presidente ... e que já não treinaria a equipa amanhã".


Que tourada! 

Pólvora seca


 


A apregoada manifestação da extrema direita, essa maioria silenciosa sempre adiada, não passou de um mini-comício de André Ventura, aliviado por não ter descido a Avenida da Liberdade sozinho.


Encher as redes sociais de perfis falsos a replicar boatos e palavras de ordem é fácil. Difícil é transformá-los em gente e levá-los para a rua. Mas, para quem foi projectado no PSD, e moldado por Passos Coelho, dá sempre jeito citar Sá Carneiro para esconder o fracasso: “Hoje já somos muitos, amanhã seremos milhões”. Perfis de facebook, claro!

domingo, 28 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Como estava escrito nos astros, a selecção nacional está de regresso a casa. Cumpridos os serviços mínimos mas sem conseguir evitar uma certa frustração…


... Íamos ficando com a ideia que, enquanto toda a gente – Brasil incluído – queria evitar a Espanha, o seleccionador nacional queria mesmo encontrá-la, para nela encontrar a redenção. Claro que ninguém lhe poderia, como não pode, cobrar-lhe a derrota aos pés do campeão europeu, que chegava à África do Sul na pele de favorito-mor à conquista do título mundial.


... E pronto. Um ponto final que parece de encomenda: eliminação pela Espanha, com um só golo e, ainda por cima, acabando a jogar com 10!


Um ponto final que permitirá continuar a alimentar muitas mentiras. Apenas desmente a maior de todas: o ranking da FIFA.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

O que os benfiquistas disseram a Vieira

Assembleia Geral do Benfica: Votação decorre


 


Em Assembleia Geral os sócios do Benfica chumbaram a proposta de Orçamento. A proposta encerrava muitos motivos para ser chumbada, mas não terá sido por isso que o foi.


Foi-o porque os benfiquistas quiseram dizer a Vieira que basta. Que é o responsável pela grave situação a que conduziu o clube, e em especial a sua maior forma de expressão - o futebol. Que é o responsável pela falta de rumo do futebol do Benfica, pelos ziguezagues, pela falta de coerência estratégica, pela incapacidade de decidir, que está mais uma vez a ser gritante neste dossier de Bruno Lage. Que é o responsável pela negligência de deixar fugir o penta. Que é o responsável por o Porto, falido, ganhar dois dos três últimos campeonatos. Que a sua gestão financeira não é transparente, e que, das centenas de milhões de euros de receitas das transferências de jogadores, só conhecem os das comissões pagas. Ou que há dois meses tinha dinheiro para uma OPA manhosa, que deixou claro a quem serviria, mas agora precisa de lançar um empréstimo obrigacionista, curiosamente no mesmo montante. E antes precisou de antecipar as receitas das transmissões televisivas de mandatos que não sabe se lhe pertencem.


Quiseram dizer-lhe que não é o dono do Benfica, de que passou a dispor à exclusiva medida dos seus interesses, e dos dos seus parceiros de negócios pessoais. 


Nada que Vieira que não soubesse que os sócios lhe queriam dizer, mas que julgava ter condições para evitar que lho dissessem. Espalhando os seus porta-vozes pelos miseráveis programas que enchem as televisões, e fazendo da BTV um instrumento ao seu serviço. Evitando que cada sócio votante tivesse que exibir cartão de cidadão e de sócio em simultâneo, e permitindo que um votante pudesse votar com vários cartões de sócio. Ou atribuindo aos dirigentes das Casas do Benfica, que manipula a seu belo prazer, independente da sua antiguidade como associado, os 50 votos que, achava, tudo decidiriam. E decidirão em Outubro.


Mesmo assim, os benfiquistas disseram o que tinham a dizer. Espera-se que não tenham aguçado a arte e o engenho para artimanhas que os impeçam de o voltar a dizer em Outubro.


 

 

Narrativas*

Vale de Chícharos: um bairro feito de precariedade | AbrilAbril


 


Não é muito frequente, mas numa ou noutra ocasião já todos demos com um belíssimo automóvel, daqueles que custam verdadeiras fortunas e nos deixam de queixo caído e vista turva, desfeitos contra um muro que um certo dia decidiu estorvar-lhe o caminho.


Acontece o mesmo, mas com muito mais frequência, com certas narrativas. É cada vez mais frequente encontrarmos excelentes narrativas espaparradas contra o duro muro da realidade. Para assistir em directo a mais um desses choques brutais entre a realidade, dura e inamovível, e o brilho incandescente de narrativas de última geração, basta-nos espreitar por trás dos números da pandemia que não desarmam na área metropolitana de Lisboa. E ver o que se passa com a habitação e com as miseráveis condições de vida de largos milhares de pessoas, maioritariamente imigrantes oriundos das ex-colónias, nos concelhos do Seixal, Almada, Loures ou Amadora.


Convencidos que os bairros de lata faziam parte da História, e que essa chaga social era há muito definitivamente um problema resolvido, olhamos incrédulos para o Jamaica, para Santa Marta de Corroios, para o Segundo Torrão ou para a Urbanização Vale do Chicharro, a mais recente revelação. E vemos lá despedaçada num montão de lata, já não a sedutora e glamorosa Lisboa cheia de turistas, que essa já lá vai e nunca nos deixou ver nada, mas a não menos insinuante Lisboa da fase final da Liga dos Campeões que aí vem. Ou talvez não, sabe-se lá!


Sem a pandemia não chegaríamos lá. Continuariam a contar-nos que os bairros de lata há muitos tinham desaparecido, que somos um país de sucesso na primeira linha do desenvolvimento, que a todos garante as mesmas oportunidades. Que somos os melhores do mundo, que até passamos como referência mundial ao choque com a pandemia. E que não há segunda vaga nenhuma, o que estamos a fazer é mais testes. Como país de primeira que somos…



* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Mas o balneário também tem os seus bufos, aqueles que profanam o seu sacrário. Quando se descobrem os bufos de balneário é que tudo tudo se complica. Acreditem que há jogadores que são contratados para isso mesmo, e não para jogar à bola.

Passos atrás

SIC Notícias | Região de Lisboa dá um passo atrás no desconfinamento


 


Do Conselho de Ministros de hoje irão sair as orientações para o tal passo atrás dado por possível no anúncio do desconfinamento, há cerca de um mês. Os surtos que diariamente surgem por todo o lado, e mais insistentemente em Lisboa, onde as coisas estão longe de estar controladas, não deixam outra alternativa que não seja recuar.


Não será difícil de prever que o governo divulgue medidas de retoque na moldura penal para o crime de desobediência, particularmente em foco na alarmante onda de festas que se tem espalhado pelo país. E será fácil prever a conflitualidade aberta com a Constituição que vai encontrar. É que o "estado de emergência", que tudo permite, já passou.


E aí já não há como voltar atrás. Há, mas implicaria reconhecer a segunda vaga da pandemia, que todos negam. Todos, menos quem sabe: os epidemiologistas, que já o começaram a dizer.


 

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Final infeliz de uma boa história

Casa Aleixo, Campanhã, Porto


 


Não sei se a Casa Aleixo é apenas mais uma vítima da pandemia, mas é certamente mais uma vítima da pandemia. Quero dizer que poderá haver outras razões para o desaparecimento deste ícone da restauração da cidade do Porto. Que poderá haver razões para que não tenha conseguido resistir às provações que o vírus nos trouxe a todos, e em particular ao sector da restauração.


Diz-se que a Casa Aleixo era o restaurante do Porto preferido dos lisboetas, mas isso parece-me redutor. A excelência daqueles filetes não dá para isso. Nunca permitem que se resuma o Aleixo a uma questão de moda ou de clube.


Na primeira vez que lá entrei, há 30 anos, tive relutância em experimentar os filetes. Ia com um amigo (de Lisboa) que fora colega de armas do Ramiro, na Guiné, e que não o via desde esses tempos, pelo que se pode imaginar a festa. Sendo um apreciador de peixe, não tinha boas experiências com filetes. Era daquelas coisas que decidimos que não gostamos e pronto...


Então o Ramiro disse-me que, ali, ou comia filetes... ou comia filetes. Comi - de pescada e de polvo - e nunca tinha comido nada assim... Voltei lá dezenas de vezes. Talvez mais de uma centena, desde então. Cada vez que ia ao Porto, sozinho, com a família, ou com amigos, por mais voltas que desse, a hora de almoço encaminhava-me para Campanhã. E invariavelmente lá encontrava outros amigos. De Lisboa, é certo.


Desconfio que me vai voltar a acontecer. Que lá voltarei a bater com o nariz na porta, como tantas vezes me aconteceu nos encerramentos para férias... Só que já sem poder contar voltar para a próxima.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Os dois maiores partidos portugueses, que invariavelmente nos têm governado desde que há eleições livres em Portugal, vivem uma relação inimaginável há bem pouco tempo. Não se pode falar em casamento (até porque seria entre entidades do mesmo género, o que levantaria sérios problemas ao Presidente da República) porque não há papéis assinados, mas poderá falar-se de união de facto. De conveniência, bem entendido.


Mas o mais significativo dos sinais exteriores harmonia conjugal, de fazer inveja a qualquer casal que já dobrou as bodas de prata, vem da Comissão de Inquérito Parlamentar ao chamado negócio PT/TVI. Que não servia para nada (como não serviu), como eu referia aqui pouco depois do seu nascimento.


O PSD de Manuela Ferreira Leite, que arrancou com a comissão, pretendia que dela resultasse uma espécie de impeachment ao primeiro-ministro: a conclusão de que mentira ao parlamento, que sustentaria uma moção de censura. O PSD de Pedro Passos Coelho, que nem queria ouvir falar em mentir, tratou de usar Mota Amaral para deixar Pacheco Pereira a falar sozinho em mentiras e verdades inconvenientes.


Apenas Pacheco Pereira concluiu que o primeiro-ministro mentiu ao parlamento. O relatório oficial conclui que o primeiro-ministro sabia do negócio quando disse no parlamento que o desconhecia. Mas não conclui que mentiu, o que é extraordinário.

Fim de linha



Já não há palavras para o que se está a passar com o Benfica. É um pesadelo, sem que haja forma de acordar.


Hoje não foi apenas mais do mesmo em que se tornou a equipa de Bruno Lage. Foi ainda pior. A equipa voltou a surgir sem futebol, sem ideias, sem força, e sem alma.


Na primeira parte foi igual ao que tem vindo a ser de há cerca de seis meses para cá. A deixar passar o tempo, como se não tivesse um jogo para ganhar.


Saiu para o descanso a perder, com um golo sofrido em cima do intervalo. Oferecido, infantilmente oferecido por Nuno Tavares, que não mais recuperou desse erro.


Regressou para a segunda parte como há muito se não via. Parecia que finalmente com vontade de dar a volta às coisas e ao jogo. Pressionando o adversário, correndo, metendo velocidade no jogo e com algum acerto. Por obra de uma subida de rendimento dos jogadores, mas também da trocas que Bruno Lage promoveu ao intervalo, com as entradas de Vinícius e Zivkovic (finalmente!) para os lugares dos ineficazes Seferovic e Gabriel.


Valeu-lhe, essa entrada, o empate. Só que, pouco depois, mais um canto - o sexto, todos concedidos em evidente tremideira - e ... costume: golo entre os centrais. Inesperadamente a equipa reagiu e deu a volta ao marcador. Em dois minutos, Vinícius fez dois golos. O mais difícil estava feito!


Só que com esta equipa nunca nada está feito. A tremideira continuava lá atrás, e Rúben Dias, desequilibrado (em falta?) numa disputa no ar com um adversário no seguimento de um lançamento lateral, levanta a mão para as alturas. E para a bola - penalti e empate, de novo. Faltavam oito minutos para os 90, a que haveriam de acrescer mais seis. Mas percebeu-se que a equipa já não tinha alma para mais. Em vez de procurar reagir, entregou o jogo ao Santa Clara. Que, já no período de compensação, à beira do fim, no mais inacreditável dos lances do jogo em que os dois centrais chutaram sucessivamente a bola um contra o outro, marcou o quarto (!!!) e ganhou o jogo.


Como se tudo o que acabara de acontecer não fosse suficiente mau, na conferência de imprensa Bruno Lage fez o resto. E fez o seu haraquiri em directo, acusando os jornalistas de se andarem a vender por uns almoços, uns jantares e umas viagens a todos os treinadores que estão interessados no seu lugar.


É o fim de linha. Para Lage, mas também para alguns jogadores. E para o presidente Vieira que, para além de ser responsável por esta desgraça, tinha dinheiro para a OPA, mas já precisa de um novo empréstimo obrigacionista. E com custos muito acima do que é a realidade actual dos mercados financeiros. E de antecipar receitas das transmissões televisivas. Que deveriam caber a exercícios de mandatos futuros, que deveriam pertencer a futuros presidentes! 


E o fim da ilusão do campeonato, que apenas durou até agora por ter vindo a ser alimentada pelo rival. Que hoje, embalado por mais dois penaltis que desta vez não falhou chega, nesta altura, com três pontos à maior, a uma vantagem que ainda nunca alcançara neste campeonato.

Retratos

Portugal atento a processos de nacionalidade, em Goa foram 3 mil ...


 


As coisas não estão a correr nada bem. Cá dentro, em Lisboa o governo teve mesmo que forçar um passo atrás, com as medidas ontem anuciadas para entrarem em vigor na próxima quinta-feira. E, lá fora, apesar da "confiança" da UEFA no país, vários governos europeus fecham as suas fronteiras a viajantes oriundos de Portugal.


Esta medida, excepcional e pouco abonatória para um país ainda há poucas semanas apontado como exemplo de sucesso no combate à pandemia, desencadeou uma série de curiosas reacções.


A primeira chegou naturalmente do ministro dos negócios estrangeiros. Mas pouco diplomática. Pelo contrário, mais primária não poderia ser: vamos aplicar o princípio da reciprocidade. À Augusto Santos Silva, um ministro dos negócios estrangeiros com a sensibilidade diplomática do trauliteiro que não consegue deixar de ser. 


A segunda não tem menores traços de personalidade, e veio do Presidente Marcelo. Que diz que o fecho de fronteiras a quem vem de Portugal não é mais que uma guerra para conquistar turistas. À Marcelo, a deixar-nos de boca aberta: mas então quem quer conquistar turistas impede-os de entrar no país?  Mas deixa cá ver: é com a Dinamarca, a Áustria, a Lituânia e a Letónia que especialmente concorremos no turismo?


Não parece. Mas sabe-se que o que importa para Marcelo é a tese conspirativa. Se nada se lhe ajustar a culpa já não é dele!


Já António Costa simplesmente não entende como lhe estão a fazer uma coisa destas. Como é que eles não vêm que estamos a fazer mais testes, que somos nós que, ao contrário de todos os outros países, em vez de os esconder, estamos à procura de encontrar novos infectados. É simples má-fé. A mesma com que ninguém entendeu o prémio que tão genuinamente deu aos profissionais de saúde!


Há declarações que em vez de palavras têm imagens. São retratos!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Há 10 anos

 


10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


[A França] regressa a casa sem honra nem glória. Pior, vergada ao peso de uma participação verdadeiramente vergonhosa, no plano desportivo mas também no plano social.


Uma participação amaldiçoada, uma maldição lançada pela Irlanda, injusta e batoteiramente afastada deste mundial pela escandalosa mão de Henry e pelo peso institucional da França (n`est ce pas Monsieur Michel Platini?) apadrinhado pelos superiores interesses da FIFA. Mas também amaldiçoada por um treinador arrogante, antipático e deselegante, capaz de resumir uma das maiores potências do futebol mundial  a um grupo de jogadores incapazes, contestatários e indisciplinados.


Como disse Zidane, este mundial será lembrado pelo vencedor e pela selecção francesa que se recusou a treinar!

Antes e depois

Costa diz que Champions em Portugal é um "prémio merecido aos ...


 


Se antes daquele anúncio, daquela forma e naquelas condições, da final a oito da Champions League deste ano em Lisboa, que deveria fazer corar de vergonha os seus intérpretes - mas não faz, porque Marcelo não tem vergonha de nada, e Costa terá prováveis problemas de ruborização de rosto - se percebia que muita coisa estava a mudar na relação dos portugueses com a pandemia, depois, essa mudança ficou ainda mais clara.


O ponto de viragem nem será exactamente o daquele acontecimento idiota, mas nunca deixará de ser esse o momento mais simbólico da viragem assinalada pelo ponteiro do medo. Antes, para os portugueses, mais importante que a doença era o medo.


O medo tinha sido o alfa e o ómega do chamado sucesso português, supostamente reconhecido na decisão da UEFA celebrada naquela patética sessão de propaganda. Fora por medo que os portugueses tinham até antecipado muitas das regras do confinamento. Fora por medo que tinham cumprido todas as indicações de protecção, e todas restrições que lhes tinham sido impostas. 


Depois perdeu-se o medo. E, perdido o medo, acabaram-se as preocupações de protecção, acabou-se o civismo, acabaram-se os bons exemplos, as lições de humanidade que todos os dias por aí  corriam e, por fim, todo o s tipo de restrições. 


O fim de semana encarregou-se de mostrar isso, com festas e mais festas de jovens inconscientes por todo o país. E com hospitais a serem inundados por adolescentes e jovens infectados. 


Antes, profissionais de saúde comoviam-se com os idosos infectados que lhes chegavam, mobilizavam-se para os salvar, com o que tinham e o que não tinham e, no fim, emocionavam-se e emocionavam-nos nas vitórias e nas derrotas que connosco partilhavam. Hoje, ao verem chegar estes jovens infectados, porventura ainda a tresandar a álcool, terão vontade é de lhes dar uns pares de estalos ou - vá lá - meter-lhes qualquer coisa pelo rabo acima. Ou pela garganta abaixo. 


 


 

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Parolice e irresponsabilidade*

Expresso | Marcelo não quer público nos jogos da Champions


Não sei, ainda não consegui perceber, se estamos cada vez mais perto de uma segunda vaga da covid, ou se, simplesmente, o vírus continua apenas a fazer o seu percurso, nunca interrompido.


Depois de semanas a crescer na grande Lisboa, em ambientes de degradação e precariedade, surgiram novos surtos noutras zonas do país, mas também com outro enquadramento. No Algarve, em Lagos, com origem numa festa clandestina. No IPO, em Lisboa. E em novos estabelecimentos para idosos, noutras zonas do país, entre as quais a nossa, aqui em Aljubarrota.  


Há países onde isso se distingue claramente, e outros onde nem sequer se pode falar de segunda vaga no ressurgimento do vírus. Na China, por exemplo, tudo parece apontar para o surgimento de uma segunda vaga, desta vez e ao que parece, prontamente enfrentada. Na Alemanha o recrudescimento em curso está identificado em unidades de tratamento industrial de carnes, em trabalhadores do leste europeu de manifesta precariedade socioeconómica. Já na Nova Zelândia, semanas depois da irradicação do vírus, a fantástica primeira-ministra Jacinda Ardem teve de voltar a fechar o país, perante o surgimento de umas centenas de novos casos. Mas não é uma segunda vaga, decorre apenas uma falha, de uma quebra nas regras e procedimentos em vigor quando, por razões humanitárias (vinham despedir-se de um familiar às portas da morte), os serviços do aeroporto permitiram a duas cidadãs britânicas, acabadas de chegar, que acedessem ao país antes de conhecidos os resultados dos testes. Estavam infectadas, e espalharam o vírus por onde passaram, atingindo três ou quatro centenas de pessoas.


É por isto, por tudo isto, que tenho alguma dificuldade em compreender a festa pimba e parola que anteontem aconteceu no Palácio de Belém, e que juntou o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa e o da Federação Portuguesa de Futebol, não para beberem uns copos mas para, entre entre bacocas trocas de elogios e presunçosas exaltações de méritos, anunciarem a realização dos jogos da Liga dos Campeões em Lisboa. 


A parolice ainda percebo. A irresponsabilidade é que não. De todo!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Morreu José Saramago! Já se pode dizer bem dele...

Finalmente!

Rio Ave 1-2 Benfica: Weigl estreia-se a marcar e 'empurra' encarnados para a igualdade com o FC Porto


Finalmente uma vitória. Sofrida, mas consoladora.


E esperemos que libertadora, que seja o ponto final no caminho desastroso que o Benfica vinha a trilhar há quase seis meses, onde se incluem os três do defeso forçado que nada mudaram. Antes pelo contrário, o regresso foi ainda mais penoso.


Na verdade este jogo de hoje com o Rio Ave, em Vila do Conde, não foi - nem ninguém esperava que fosse - de retoma, nem sublimou grande coisa do que de mau o Benfica tem vindo a fazer. Os pecadilhos continuaram lá todos, mesmo que haja que assinalar que os jogadores se bateram, correram e lutaram como já haviam feito na primeira parte do último jogo, em Portimão. Desta vez o jogo todo, talvez porque nunca tivesse estado ganho.


Bruno Lage voltou a mexer no onze inicial. Teria sempre que o fazer face às lesões de Grimaldo e Jardel, e ao impedimento, por amarelos, do André Almeida. As estas três trocas, juntou ainda o regresso de Gabriel e a incompreensível estreia a titular de Dyego Sousa.


Nenhum dos que entraram esteve especialmente bem e o avançado esteve até especialmente mal. Esteve no golo do Rio Ave, provocou a anulação do que seria o golo do empate, ainda na primeira parte, e não fez rigorosamente nada mais. Os outros tiveram altos e baixos, com mais altos de Nuno Tavares, mas também com alguns baixos. E mais baixos do Ferro. 


O Benfica até entrou bem no jogo. Escolheu começar a favor do vento - que no campo do Rio Ave é sempre factor importante - a demonstrar que queria desde logo tomar conta do jogo e ganhá-lo.


Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas pressionou, jogou e impediu o Rio Ave de fazer o que sabe e faz bem - jogar à bola. Estava o jogo nisto, submetido ao domínio do Benfica quando, pouco depois de a primeira parte chegar a meio, na primeira vez que o Rio Ave chegou à frente, marcou.


O costume. E também na forma do costume. Um lançamento da linha lateral, Ferro aborda mal o duelo com o Taremi e comete falta. Livre lateral, defesa aos papéis, e Dyego Sousa assiste o mesmo Taremi, para fazer o golo, sozinho em frente a Vlachdymos.


E mais uma vez o costume. A equipa caiu, e foi o Rio Ave que passou a mandar no jogo. Naqueles vinte minutos finais apenas aquela arrancada de Taarabt, concluída no bom golo do Rafa, anulado pelo árbitro (!!!) em consulta ao monitor por fora de jogo do Dyego Sousa, que não tocou na bola. Mas tentou disputá-la.


O Benfica voltou a entrar melhor na segunda parte, com Seferovic no lugar do Dyego, que nunca deveria ter entrado. Pressionante, mais rápido e a encostar o Rio Ave, que agora desfrutava dos favores do vento, lá atrás.


O melhor marcador da última época mexeu com o jogo, e começou a fazer a diferença. A diferença no jogo, e nas decisões de Bruno Lage. Que esteve quase a lançar a Zivkovic, o que só não aconteceu porque o golo da vitória chegou primeiro. E valeu o regresso de Samaris.


Logo de entrada cabeceou para golo, mas bola bateu com estrondo na trave. Não entrou aí, e tardou a entrar. Tardou um quarto de hora, em simultâneo com a primeira expulsão, por segundo amarelo indiscutível, de um jogador do Rio Ave. Marcado por Seferovic, pois claro. Apenas o terceiro neste campeonato do melhor marcador do anterior.


Dispôs ainda de mais duas grandes oportunidades para aumentar o seu score, mas ficou-se por um golo apenas, e muita influência no jogo que a equipa fazia por ganhar.


Pouco mais de dez minutos depois, e ainda com cerca de vinte para o apito final, por vermelho directo claro, mas que o árbitro só mostrou por indicação do VAR, o Rio Ave ficou reduzido a nove. E ficou-lhe ainda mais difícil evitar a derrota.


O golo da vitória surgiria apenas a três minutos dos 90, e a sete do fim do jogo. O primeiro de Weigl. Num canto. Dir-se-ia improvável, tal a ineficácia da equipa nas bolas paradas. Mas já tinha sido também de canto que Seferovic rematara à trave!


Agora, que pela primeira vez aproveitou os também sucessivos deslizes do Porto, que nem os penaltis que lhe continuam a oferecer aproveita, só é preciso aproveitar esta vitória para não voltar a falhar. E esperar que o concorrente continue a jogar o que não está a jogar.

Pedrógão Grande

Pedrógão, uma tragédia portuguesa - Portugal - SÁBADO


 


Pedrógão foi há três anos. De repente, o país eufórico, aos pulos e meio embriagado de tanto sucesso, foi surpreendido por uma das maiores tragédias de sempre. 


Foi o regresso à realidade de um país que andava nas nuvens. Que já achava que era sempre a ganhar... No futebol, nas cantigas, no défice, nas agências de rating, nos mercados, em Bruxelas...


Mas o país do sucesso, na moda e a abarrotar de turistas, era afinal o país que desertificou o seu interior. Que virou costas ao campo e fugiu para as cidades, e para o mar. Que se urbanizou e esqueceu as origens. Que se deixou seduzir pelo eucalipto. Que vê passar anos e governos que deixam tudo na mesma, quando tudo na mesma é cada vez pior. Um país que não cumpre as leis que cria. Um país que deixa morrer pessoas que não tinham que morrer. Um país sempre de dedo espetado, mas nunca apontado para o futuro…


Não vai muito diferente hoje, três anos depois. Soma pouco mais que mais promessas por cumprir e responsabilidades por apurar.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Coisa que, cegos pelo medo, governantes e elites não vêem. Ou fingem não ver, por falta de coragem para enfrentar a realidade. E preferem continuar a pensar e agir exclusivamente na lógica de alimentar o tal monstro voraz – oferecer-lhe em sacrifício cada vez mais inocentes – ignorando uma realidade circular em que se é preso por ter cão e por não o ter: se não são duros nas medidas não estão a enfrentar eficazmente os problemas; mas se o são estão a liquidar a economia e, com isso, sem qualquer possibilidade de resolver os mesmíssimos problemas.

Estupefactos

Lone Star já é dono do Novo Banco. Acordo de venda assinado em ...


 


Não foi apenas o Presidente Marcelo a declarar-se estupefacto com a notícia que o Novo Banco iria exigir - não é pedir - mais dinheiro ao Estado. Todos nós ficamos surpreendidos, não estávamos à espera de tamanha desfaçatez.


Só António Ramalho, Carlos Costa e Sérgio Monteiro - lembram-se dele? O Secretário de Estado do governo Passos/Portas que tratou da privatização da TAP e que, depois, saiu do governo para, a troco de uma pipa de massa no final da cada mês, vender o Novo Banco à Lone Star - não foram apanhados de surpresa. Afinal, o Contrato que Sérgio Monteiro acordou com o Fundo americano, que a equipa de Centeno depois assinou, e que António Costa insiste em desconhecer,  e que continua estranhamente secreto, não prevê apenas que o Estado cubra a depreciação dos activos do banco. Prevê ainda que o Estado responda por imponderáveis. Por calamidades e "cenários de extrema gravidade", como o agora invocado a pretexto da pandemia.


Sérgio Monteiro, com o aval de Carlos Costa, o pai da criança, não se limitou a garantir ao seu cliente que os portugueses lhe pagariam toda e qualquer perca de valor que, sobre que forma fosse, viesse a afectar os activos do banco. Fossem créditos que os devedores não tomassem a iniciativa de pagar no vencimento, que poderiam ser cedidos a terceiros, eventualmente até na esfera do próprio Fundo americano (abutre, não esqueçamos) pelo valor que entendessem. Fosse património imobiliário, que poderia ser vendido ao desbarato, mais uma vez eventualmente até em negócios do Fundo consigo próprio, que também, e tão bem, se mexe nessa área. Para isto tratou de salvaguardar 3,9 mil milhões de euros. Já lá vai quase tudo...


Com o contrato a manter-se estranhamente secreto, é já legítimo concluir que Sérgio Monteiro entregou o banco e uma larga carteira de negócios onde o comprador, a seu bel-prazer, ganhava dos dois lados. Não satisfeito ainda, introduz-lhe uma cláusula de salvaguarda de todas as contingências a que todos estamos sujeitos, sem qualquer cabimento. Sempre à custa do mesmo. Dos mesmos, nós todos!


Para isto não há valor determinado. É tudo o que puder ser. Tanto quanto a lata o permita, sabendo-se que a de António Ramalho aumenta ao ritmo exponencial a que lhe aumentarem o ordenado.


Se isto não é gestão danosa, não sei o que o será. Mas a avaliar pelo sorriso com que António Ramalho vai soltando estas novidades ao ritmo a que é aumentado é capaz de não ser. É só o jeito especial de nos tomarem por parvos. Ou de nos deixarem estupefactos?

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


A primeira jornada acaba de terminar com a surpreendente derrota da Espanha frente à Suiça (0-1) e com um bom jogo de futebol.


Esta é uma surpresa que nem de encomenda para selecção portuguesa! Parece-me bem que, a partir de agora, o Brasil não vai querer ganhar o grupo…

Há racismo na sociedade portuguesa, sim senhor!

Racismo nas redes sociais portuguesas é sintoma social? | NOTÍCIAS ...


 


Não há dúvida que as manifestações de ódio racista se voltaram a instalar no nosso mundo ocidental, onde volta não volta se põem à vista coisas que não gostamos de ver. Mas que existem.


Não é por Rui Rio afirmar que não há racismo na sociedade portuguesa, que não constatamos todos os dias evidências que a descriminação étnica está enraizada em Portugal.  No último Eurobarómetro sobre racismo, 67% dos portugueses inquiridos indicavam isso mesmo, que a discriminação com base na origem étnica estava profundamente difundida na sociedade portuguesa.


Quando ouvimos responsáveis políticos, como Rui Rio, dizerem que não há racismo na sociedade portuguesa podemos sempre admitir que estão mesmo convencidos disso, ou que estão deliberadamente a desvalorizar o tema. na expectativa que, não lhe dando importância, se mantenha mais ou menos adormecido, e limitado a ocorrências mais mediáticas, que de vez em quando o tragam para o topo da actualidade.


Nenhuma das razões é boa. E se uma declaração não está suportada por boas razões, não vale para grande coisa. Se numa determinada declaração política o seu autor nega a existência problema, nunca poderá ter a solução. Ninguém procura soluções para o que não é problema. Se o quer manter adormecido, vai dar no mesmo: o problema existe, mas como se quer esconder, é como se não exista.


Há coisas que têm de ser enfrentadas com coragem. Esta, do racismo na sociedade portuguesa, é uma delas. Porque a Constituição, se não se fizer cumprir, não basta. E nem sempre se consegue escapar por entre os pingos da chuva...


 

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Para as novas gerações soará a estranho enfatizar-se uma coisa [o direito à opinião e à sua livre expressão]  que, para elas, é básica e tão natural como o ar que respiram. É fantástico que assim seja, mas não é de mais recordar-lhes que nem sempre assim foi.

A febre das estátuas

Expresso | Estátua do Padre António Vieira vandalizada em Lisboa ...


"E se houver
uma praça de gente madura
e uma estátua
e uma estátua de febre a arder"


Há estátuas de febre a arder. Mas nem sempre há gente madura nas praças onde se erguem os seus pedestais.


É fácil atacar estátuas, não se defendem, nem fogem. Só saem dali se as derrubarem. Não pedem ajuda. Falam apenas caladas... e são alvo fácil das mãos de quem quer ajustar contas com a História que, caladas, contam.


É sempre assim. Sabe-se como começam estes ajustes com a História, nunca se sabe como acabam. Rapidamente os exageros, a ignorância e o non sense acabam por tomar conta dos acontecimentos.


A vandalização da do Padre António Vieira, em Lisboa, sem os exageros que se vão vendo pelo mundo fora, é o exagero da ignorância e do non sense . Foi também na onda, logo ele, um dos maiores humanistas da nossa História. E um dos maiores amigos que os nativos do Brasil alguma vez conheceram...


Uma estátua de febre a arder nas chamas da ignorância. "E não há quem lhe queira valer"...


 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Ao atingir os dez anos de vida, o Quinta Emenda ganha o direito a ter memória. Memórias com uma década serão a partir de agora aqui trazidas diariamente, recordando factos e histórias com dez anos, e permitindo aos leitores revisitá-los intactos, à luz de juízos, opiniões ou sentimentos em cima do acontecimento. E às vezes avaliar o que distanciamento histórico, o que o passar dos dias, dos meses e dos anos, lhes possa ter feito... 


Começa já amanhã.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Dez anos!

10 anos - Odeio Vacas de 2 Pernas


 


Foi assim, quando uns se calam, que há dez anos surgiu o Quinta Emenda. 


Nasceu com um toque americano-anglo-saxónico, entre a evocação da quinta emenda à constituição americana, a tal do direito a ficar calado, e a recusa em ficá-lo, na evocação do Speakers' Corner do Hyde Park, que lhe emprestou a primeira imagem gráfica, completamente diferente da actual. Há dez anos!


"Dez anos, é muito tempo"... cantava Paulo de Carvalho, há quarenta. Afinal não é assim tanto como isso...

Calvário sem fim à vista


 


Continua o calvário do Benfica, sem fim à vista. Uma única vitória nos últimos dez jogos!


Hoje, em Portimão, foi apenas mais um passo no pesadelo em que conseguiu tornar um campeonato que teve no bolso, com mais uma exibição inadjectivável. Hoje não faltou aquela pontinha de sorte com que tantas vezes se procura justificar o que não tem justificação. Nem o golo que foge, e que intranquiliza a equipa, como noutras vezes. Não, hoje o Benfica fez do jogo o que fez deste campeonato.


Teve-o ganho, e não o conseguiu ganhar.


Sem uma exibição por aí além, loge disso, fez uma primeira parte competitivamente aceitável. Não rematou muito, nem criou muitas oportunidades de golo. Mas a equipa correu, esforçou-se, foi competitiva, e aproveitou as oportunidades que teve, ao contrário, por exemplo, do último jogo, de má memória, com o Tondela.


Os jgadores pressionaram e reagiram sempre à perda da bola, e o golo que poderia desbloquear mentalmente a equipa chegou pouco depois do primeiro quarto de hora de jgo. E à meia hora já ganhava por dois a zero.


Esperava-se - e exigia-se - que tais circunstâncias devolvessem a confiança e a qualidade de jogo à equipa. E um resultado robusto que afundasse de vez todos os fantasmas que a têm aprisionado. Inexplicavelmente, em vez de afundar os fantasmas, a segunda parte afundou a equipa. Notou-se isso logo que soou o apito para retomar a partida, e cedo se começou a perceber o que aí viria.


Porque o Portimonense partiu para cima do Benfica e coemçou a criar oportunidades umas atrás das outras?


Não. Nem isso foi preciso. Apenas porque a equipa desistiu do jogo, como se já estivesse ganho. Como fez com o campeonato.


Não foi falta de sorte, se há falta sorte para lamentar é apenas nas lesões, de Jardel, primeiro, e de Grimaldo, já na segunda parte, quando o desacerto era já por demais evidente. Foi falta de mentalidade competitiva, foi falta de vontade, e foi falta de classe. Parece que os jogadores têm medo de ganhar!


Foi de tal forma assim que, mesmo sem que o Portimonense criasse uma única oportunidade de golo, desde cedo se sentiu que o Benfica não iria ganhar este jogo. E não foi surpresa nenhuma que o Portimonense marcasse na primeira ocasião que o Benfica lhe ofereceu, vinte minutos depois do reinício, na sequência de um livre em jeito de canto mais curto, a punir uma inexistente falta de Tarabt, em que a defesa deixou saltar à vontade e sozinho na pequena área um jogador adversário. 


O desacerto e a falta de competitividade continuaram e, dez minutos depois, num canto, repetiu-se a cena. Vlachodimos ainda defendeu o remate de cabeça. Para a entrada da área, onde surgiu um jogador do Portimonense, para num grande remate, indefensável, fazer o esperado empate, empurrando definitivamente o Benfica para o abismo.


Faltavam 14 minutos para os noventa, e 21 para o fim do jogo. Muito tempo para uma equipa que o quisesse ganhar o fizesse. Só que voltou a acontecer o que sempre tem acontecido.


Com duas substituições efectuadas pelas lesões de Jardel e  Grimaldo, com as cinco agora permitidas, Bruno Lage recorreu aos habituais e ineficazes Seferovic e Dyego Sousa, e ainda a Gabriel, que ficara no banco com a entrada de Cervi no onze inicial, a única alteração que o ainda treinador do Benfica entendeu necessária em relação á equipa que jogara o último jogo.


Com isso apenas conseguiu confirmar o que há muito se sabe. Que não treina as situações de jogo que requerem presença na área, para o sufoco final. Sem isso treinado, e com a confrangedora falta de capacidade daqueles dois avançados, em linha de resto com a nulidade de Vinícius durante todo o tempo em que esteve em campo, o resultado não poderia ser diferente dos que têm acontecido.


E, assim, continua a ser impossível acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos


 

terça-feira, 9 de junho de 2020

Despedida à portuguesa

Mário Centeno recusou convite para administração do BEI – O Jornal ...


 


Não se poderá exactamente dizer que o país foi apanhado de surpresa com a saída de Mário Centeno do governo. Não era necessário ser-se excepcionalmente informado para dar como certa a sua saída, tanto e tão insistentemente ela vinha sendo anunciada.


O que verdadeiramente surpreende é que tenha ocorrido assim tão de repente. É que não é um ministro qualquer que sai do governo, nem sequer a de um ministro das finanças qualquer. É – coisa rara e verdadeiramente excepcional para um ministro das finanças - a do ministro mais popular do governo. E o mais indiscutível dos ministros.


Sabia-se que Mário Centeno queria sair. E que também António Costa, sejamos francos, queria que saísse. E até o Presidente da República, que depois de o alcandorar a peça sine qua non do governo passou a achá-lo peça descartável, que só atrapalha.


Mas sabia-se também que estaria acordado entre todos que apresentaria – e defenderia - o orçamento suplementar e que terminaria com dignidade, e sem sobressaltos, as suas funções de presidente do euro-grupo.   


Não aconteceu nada assim, e a exoneração – e sublinho o termo: exoneração – aconteceu à saída do conselho de ministros que aprovou o orçamento suplementar acabado de concluir. Bem antes de chegar sequer ao Parlamento. E a praticamente um mês de concluir o mandato europeu no euro-grupo.


Ninguém acreditará que foi Mário Centeno que forçou a saída nestas condições. Como também ninguém acha que haja alguma razão de interesse nacional na precipitação desta saída anunciada. E por isso, pouca gente – ou ninguém mesmo – acredita que isto não seja mais que mais um episódio de tricas e traições, infelizmente tão frequentes na manobra política.


Pelos resultados que alcançou ao comando das finanças públicas do país, Mário Centeno não merecia isto. Por outras razões … também acho que não!

Quando a irracionalidade atropela o futuro

Ministra explica que a regra de uma entrada por cada saída é ...


 


Leio e ouço por aí que, nas medidas do novo Plano de Estabilização Económica e Social, e no Orçamento Suplementar que hoje Centeno vai apresentar - o seu primeiro suplementar, mas também o seu último orçamento -, cabe a regra do um por um na contratação para a função pública.


Quer dizer que neste abrir de cordões à bolsa que nos há-de levar à recuperação da economia perdida com a pandemia, o Estado vai contratar mais. Pelos vistos, o dobro. Ao substituir a anterior regra de uma entrada por cada duas saídas pela nova, de uma entrada por cada saída, o Estado passará a duplicar a contratação de funcionários.


Não é preciso reflectir muito aprofundadamente para perceber que isto é um disparate. Que estas regras cegas não têm a mínima racionalidade, e se limitam a transmitir a irracionalidade instalada em toda a máquina da administração pública. E que ninguém aprendeu nada com tudo por que estamos a passar.


Por exemplo: este período mostrou, como já se sabia, que faltam profissionais nos serviços de saúde. Muitos, e em todas as áreas. Mas mostrou também que a necessidade aguçou o engenho e que a digitalização nos serviços públicos avançou mais nestes três meses que nos últimos três anos. Ou mais!


Eu próprio fiquei impressionado quando renovei a minha carta de condução em cinco minutos, sem sair de casa. Sem contactar com ninguém, e com a nova carta em casa uma semana depois. Na última vez que o tinha feito tinha passado horas numa fila no IMTT, ainda antes do horário de abertura. Quando as portas se abriram começaram a distribuir as senhas de acesso, que acabaram mesmo quando ia chegar a minha vez. E lá teve de ficar para outro dia, e mais não sei quantas horas numa fila...


É por isso natural, e mesmo imperioso, que o Estado precise de cada vez menos - muito menos - pessoas nos sectores administrativos. Mas, como se viu, precisa de mais - muito mais - na Saúde. Ou na Segurança. Como precisará mais de técnicos superiores que de pessoas  de baixas qualificações.


Só por mero acaso o número das pessoas desnecessárias num lado é o mesmo das necessárias nos outros. Mas, mesmo que por incrível coincidência assim fosse, o impacto orçamental - que no fundo seria o que importaria controlar - seria sempre completamente distinto. 


Em tempo de projecto de recuperação e de mobilização para as tarefas da retoma, falar em regras destas soa a qualquer coisa de medieval. Atropela o futuro e mata a esperança! 


 


 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Causas e coisas

Portugal juntou-se ao resto do mundo nas manifestações contra o ...


 


As manifestações pela morte de George Floyd, asfixiado aos joelhos de um polícia de Minneapolis, no Minnesota, espalharam-se pelas cidades de todos os estados americanos, voaram sobre o Atlântico e chegaram à Europa. E a Portugal, a Lisboa e ao Porto.


Lá, foi mais uma acha para a fogueira em que Trump transformou a América. Por cá foi, como não poderia deixar de ser, mais um foco de polémica à nossa maneira. Aquela maneira que sempre temos de tapar o fundamental com o circunstancial. 


Conciliar uma manifestação com as regras de distanciamento que a pandemia continua a requerer, mais a mais em Lisboa, onde ocorrem mais de 90% das contaminações, seria difícil. Isso só o PCP sabe fazer. Mas, ssperar de uma manifestação contra o racismo e a violência policial, outra coisa que não fosse gestos e palavras de animosidade para a polícia, nunca seria mais fácil.


 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Os números. Ou para além deles…*

Os contactos sociais devem ser reduzidos ao mínimo mais que nunca"


 


O país vai-se abrindo e as quarentenas fechando-se. Entramos já na terceira fase de desconfinamento, e são residuais as actividades ainda canceladas. Já há espectáculos culturais, e até o futebol já regressou, para gáudio de uns – muitos, imagino - e desassossego de outros. Menos, talvez.


E no entanto os números com que se escreve a história desta pandemia não melhoram. O número dos mortalmente atingidos pela doença mantém-se estável há algumas semanas, mas o de novos infectados não. Esse tem vindo a subir. E a concentrar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, aqui à porta.


Nos últimos dias mais de 90% das novas infecções acontecem nesta região do país.


É um novo paradigma nas transmissões do vírus. Agora já não atinge idosos em lares, como maioritariamente acontecia. Agora atinge pessoas mais novas e em idade activa. E pessoas com condições sócio-económicas mais débeis e vulneráveis, em ambientes sociais mais degradados e com condições profissionais mais precárias. É sempre assim que se fecham os ciclos de miséria…


Muitos são imigrantes ilegais, no topo da precariedade laboral. Fugiram das obras encerradas por surtos da pandemia, e partiram de Lisboa à procura do único trabalho que podem procurar: o informal, o precário... Que, por cá, encontram na construção civil, mas também na campanha da fruta, que começa a iniciar-se.


Vêm entregues ao seu destino. Sem papéis e sem suporte familiar. Sozinhos. Entregues a si próprios e ao medo que os aprisiona. Muitos fogem, de medo. Não do medo, que esse nunca os larga.


Não é uma segunda vaga. É um novo problema, que não é sequer um problema novo, e que vai muito para além dos números das conferências de imprensa das autoridades de saúde.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Desconsolo

SL Benfica 0-0 CD Tondela: “Águias” sem asas para voar falham voo ...


 


Regressou a bola, três meses depois. Pelo que se passou nem parece que entretanto passou tanto tempo, tão iguais as coisas estão. Parece até que ninguém quer ganhar este campeonato. Mas se calhar apenas se poderá dizer que ninguém merece ganhá-lo.


Hoje, na Luz, ao desconsolo daquele vazio, ao desconsolo do voo da águia sozinha, como que perdida num deserto, juntou-se o desconsolo da oportunidade perdida de regressar á frente do campeonato, e à condição de não depender se não dos próprios resultados para o ganhar pela segunda vez consecutiva, e pela 38ª da história.


E o desconsolo do Benfica continuar em queda livre. Pegando na imagem que o Toni deixou há uns dias, parece que estes três meses não deram para comprar um pára-quedas. 


O Benfica continua sem jogar bem. Consegue-se ver, como hoje aconteceu, uma ou outra jogada bem pensada e bem executada. Um - hoje não foi mesmo mais que um - ou outro lance de bola parada bem trabalhado. Mas nada disso tem continuidade. Nem variedade!


Mesmo assim a equipa teria de ganhar este jogo com o Tondela, que acabou por se transformar num festival de oportunidades perdidas. A maior foi a oportunidade de passar para a frente. As outras foram a dezena de oportunidades de golo falhadas, que começou logo no primeiro minuto do jogo, quando Rafa não teve arte nem engenho para fazer melhor que acertar no guarda-redes Cláudio Ramos.


Foi premonitório, esse lance do primeiro minuto. Foram 25 ou 26 remates, foram muitas as vezes em que a bola passou perto da baliza. Por duas vezes bateu nos ferros,  por mais três ou quatro ficou nas mãos do guarda-redes adversário. E por uma vez foi tirada por um defesa quando parecia que iria finalmente entrar. Mas, no fim, não deverão ter sido muitos os benfiquistas a achar que tudo foi apenas falta de uma pontinha de sorte. Serão provavelmente muitos mais a admitir que falta muita coisa ao futebol da equipa.


Alguma coisa apesar de tudo melhorou. Melhorou a transição defensiva, e aquela buraco da meia esquerda pareceu ter sido tapado, com a chamada de Jardel. Se o Tondela não assustou se não por uma vez, no segundo dos quatro remates da equipa, foi porque o Benfica esteve francamente melhor que nos últimos jogos antes da paragem a proteger o seu meio campo.


De resto, sempre mais do mesmo. Desta vez Bruno Lage não recorreu aos três pontas de lança. Porque tirou o Vinícius quando fez entrar Seferovic, depois de já ter feito entrar Dyego Sousa, retirando Weigl. Mas o resultado foi o mesmo. Pela simples razão, que entra pelos olhos dentro, que não trabalha isso nos treinos. Que não trabalha nos treinos as situações a que depois, nos jogos, acaba em desespero por lançar mão. E por isso tudo acaba sempre com Seferovic a fugir da área para as alas, e Dyego Sousa a fugir para trás, com os centrais adversários de cadeirinha, a cortar bolas onde só eles estão.


Depois de um longo período para arrefecer a cabeça, quando dispunha de uma oportunidade única para recuperar uma liderança que já foi de sete pontos de vantagem, e ninguém já se lembra da última vez que o Benfica ganhou um jogo, o problema já não é acreditar que seja possível ganhar os nove jogos que faltam. É acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos! 

De novo Maddie

Expresso | McCann acusam documentário da Netflix sobre Maddie de ...


 


Treze anos depois, o desaparecimento da pequena Maddie voltou a abrir telejornais e regressou às primeiras páginas dos jornais.


Poderá dizer-se que é normal. Que os casos que as polícias não conseguem resolver, volta não volta... voltam. Na verdade não volta com dados novos, volta com mais uma pista. E é essa a maior novidade: tantos anos depois, não são novos dados que surgem - é uma nova pista!


Outra novidade é a entrada em cena das polícias alemãs. Por força da nacionalidade da nova pista, mas acima de tudo da sua condição de preso nas cadeias alemãs, em cumprimento de pena por crimes de natureza sexual. 


Em tudo o resto nada de novo. Não se percebe bem o papel da Polícia Judiciária portuguesa nesta ressureição,  e menos ainda o da comunicação social nacional mais dada ao tratamento destas matérias. Enquanto alguns especialistas desta comunicação social especializada colocam a PJ no centro da investigação que levou a esta nova pista, outros dão-na por completamente marginalizada, e citam até antigos inspectores que continuam agarrados à tese da acusação dos pais da criança. E como se isto, que não se percebe, não fosse suficiente, atribuem à polícia britânica exactamente o papel inverso: absolutamente passiva e simplesmente informada, para os primeiros, mas activa e determinante, para os segundos. 


A verdade é que, depois de tanto dinheiro gasto na investigação do caso, a polícia britânica se atirou logo para a frente da fotografia, e veio até dizer que já seguia esta nova pista há três anos, desde o décimo aniversário do desaparecimento. Também não é novidade. Novidade é que, ao contrário das outras - a polícia alemã sustenta que a menina tenha sido morta num assalto que correu mal, enquanto a  portuguesa a deu sempre por morta por volta da altura dos acontecimentos - alimenta a expectativa que a menina, agora uma jovem de 17 anos, esteja viva!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desemprego: 6,3%

Desempregados nos centros de emprego sobem em 25% | MaisTecnologia


 


Soubemos ontem que a taxa de desemprego tinha subido em Abril para 6,3%. Que tinha subido em Abril, todos tínhamos essa percepção. Não era surpresa. Surpresa era um crescimento tão baixo. Aos 6,2 de Março - que até baixara relativamente a Fevereiro - acrescia apenas 0,1%. Insignificante em qualquer circunstância, mais ainda no ponto mais alto da paralisação da actividade económica na crise em curso.


À primeira vista poderia pensar-se que em Abril as pessoas estavam todas em casa mas que ninguém estaria ainda despedido. Que, entre layoff e tele-trabalho, toda a gente estaria a manter os seus vínculos laborais. E que as insolvências geradoras de grandes fluxos de desemprego ainda estariam em banho-maria.


É certo que, das falências que esta crise ditar, muito poucas - se é que alguma - ocorreram ainda. As poucas que tenham já acontecido vêm de trás, e nem sequer terão sido aceleradas neste período. 


Mesmo assim, 6,3% de taxa de desemprego nesta altura... não é fácil de acreditar. A não ser que o INE tenha uma boa explicação ...


E não é que tem? 


Um desempregado, para que tecnicamente o seja - e não é um definição do INE, é da OIT e de utilização universal - não basta estar desempregado, sem trabalho. Para o ser tem ainda que estar activamente à procura de emprego. Se não o estiver, passa de desempregado a inactivo. Mesmo que esteja a receber subsídio de desemprego...


Temos então esta coisa curiosa, mas verdadeira: um desempregado para o IEFP não é um desempregado para o INE. E por isso, para as suas estatísticas de desemprego, o INE recorre a instrumentos de consulta onde, naturalmente, uma das perguntas que coloca é se, no mês, o inquirido desenvolveu iniciativas de procura de trabalho. Em Abril, com as pessoas em confinamento e as empresas fechadas, seria difícil às pessoas responderem afirmativamente. Por isso ficaram inactivas, e não desempregadas.


Até parece que é para rir. Mas não é. É sério. É mesmo assim: 6,3% de desemprego!


 

terça-feira, 2 de junho de 2020

Diário do regresso à vida

Registados 27 novos casos suspeitos de coronavírus nas últimas 24 ...


 


O país vai-se abrindo. Entramos ontem na terceira fase de desconfinamento, e a malha vai esticando. Já não há praticamente sectores fechados - os centros comerciais na área da grande Lisboa são a excepção, que não sei se faz a regra se a ponta do icebergue.


Os voos começam a aterrar nos aeroportos e, ao que se diz, sem grandes constrangimentos restritivos. À vontade, à vontadinha... Mas também a levantar voo e, ao contrário de tudo o resto, sem quaisquer restrições de lotação, sem distâncias entre os passageiros. Distâncias indispensáveis ao ar livre, nas praias e parques, mas desnecessárias dentro de um avião. Os espectáculos já recomeçaram, e até o futebol já não quer regressar sem público. Ontem, com o primeiro-ministro na plateia, Bruno Nogueira abriu a temporada no Campo Pequeno, com um espectáculo esgotado em 11 minutos. Hoje repete a dose, desta vez com a presença garantida do Presidente da República.


Entretanto nos hospitais as coisas vão-se complicando, sem que ninguém fale muito disso. As transmissões do vírus não baixam, estão mesmo claramente a subir. Na grande Lisboa, mas não só. Testa-se mais, muito mais agora que anteriormente, é certo. E sempre se soube que quantos mais se testassem mais positivos surgiriam. Como quanto maior for a abertura maior é o contágio, porque a "estória do civismo dos portugueses" está mal contada. O bom comportamento dos portugueses durou enquanto durou o medo. E esse acabou!


Acresce que, ao contrário do que se andou durante  muito tempo a dizer, o vírus não é democrático. Não toca a todos da mesma maneira. Bate muito mais nos mais desfavorecidos, e instala-se e circula com muito mais à vontade entre a pobreza e a miséria. Nos bairros mais degradados, nas casas mais insalubres, nos trabalhos mais precários... Entre aqueles que se deslocam para o trabalho em transportes públicos sobre-lotados, como sardinha em lata...


As urgências dos hospitais, até aqui vazias e a permitirem inteira afectação de recursos aos covidários, voltaram a encher-se. Injustificadamente, na maioria dos casos. E as mesmas estruturas têm agora, em vez de uma, duas frentes activas. Porque na propagação do vírus o planalto mantém-se, a altitude é que não. Essa é cada vez maior! 


 


 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Uma boa notícia

Professor Doutor António Costa e Silva | JORTEC'13 de Engenharia ...


 


No fim-de-semana em que, numa América a ferro e fogo em protesto contra a barbárie policial de incidência racista, mais uma vez repetida no assassinato de Geoge Floyd, morto como dantes se matavam os porcos, astronautas da NASA, a bordo da Dragon, da SpaceX, de Elon Musk,  fizeram a história do primeiro voo privado para o espaço, em Portugal a notícia foi a do homem que irá procurar dar sentido aos milhares de milhões que virão da Europa. O comboio de zeros que, como ainda ontem dizia o RAP, por enquanto não passa de zero mil milhões de euros. 


É uma boa notícia, mesmo que a forma encontrada para a dar possa não ter sido a melhor. Escarrapachada na primeira página do Expresso poderá não ter sido a melhor maneira de se apresentar. E não é por ser à maneira antiga, que parece já ultrapassada. É porque assim, em letras garrafais na capa de um jornal de referência de grande circulação, a notícia ficou ali, meio despida, sem saber como se defender dos galifões prontos a atirarem-se-lhe.


É, antes de tudo, uma boa notícia porque revela a preocupação em "lidar com a bazuca". A preocupação de procurar saber muito bem o que fazer com esse dinheiro, que é uma das nossas crónicas dificuldades. A preocupação em aproveitar esta oportunidade para definir uma missão e um conjunto de ideias estratégicas portadoras de futuro para o país.


É uma boa notícia porque revela que se entrega a tarefa de encontrar a missão a uma pessoa da sociedade civil, politicamente independente, e fora do saturado jogo político. António Costa e Silva é um homem de indiscutível competência, que integrará sempre a menos discutível das short lists dos portugueses com capacidade de visão estratégica para o país.


E é ainda uma boa notícia porque mostra que há cidadãos desse quilate disponíveis a ajudar o país sem pedir nada em troca. E esta é uma grande notícia!


É tão boa notícia que rapidamente engoliu o "para-ministro", o neologismo que imediatamente lhe saltou à frente. A missão de António Costa e Silva não tem nada a ver com tutelas políticas e administrativas. Nem com negociações, nem com diálogo político. Trata-se simplesmente - o que não tem nada de simples - de traçar um plano estratégico para a utilização eficaz dos recursos que aí virão, e projectar um rumo para o país.


Que depois será obviamente objecto de discussão política. E depois de aprovação, e ainda depois de implementação. Onde conviria não estragar muito!


A notícia, é boa. O resto veremos...


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...