O Campeonato chegou pela primeira vez à Luz, com público nas bancadas. Muito mais de 60 mil. E em comunhão com a equipa. Sempre. Todos os 90 minutos.
O Benfica apresentou o onze inicial habitual, mas cedo teve que o desfazer. A lesão de Barrenechea - num jogo em que as faltas eram todas praticadas pelos jogadores benfiquistas, na visão do árbitro, como é habitual no Hélder Carvalho - facilitou a estreia de Palhinha.
E diga-se que deve ter pegado de estaca, foi até considerado o melhor em campo. Mesmo que me pareça que deveria ter sido o Robles, o guarda redes do Estoril, que tirou quatro ou cinco golos da sua baliza.
O jogo estava complicado. O Benfica jogava bem, com paciência, mas não havia meio de desmobilizar a equipa estorilista, muito organizada, muito fechada, e com muita sorte. Uma bola aliviada, um corte atabalhoado, tudo resultava em passes precisos. Até ao primeiro golo, aos 40 minutos, o Benfica produzia muito jogo ofensivo, mas poucas oportunidades de golo.
Claro que, comparando com os rivais, o Benfica não tem jogos fáceis. Que lhe corram de feição. Os rivais, invariavelmente, conseguem golo em todos os primeiros remates que fazem. Ao intervalo já ganham por três ou quatro, em três ou quatro remates.
Antes de fazer o primeiro, primeiro o Benfica tem que rematar à barra. Como hoje, aos 13 minutos, por Sudakov. Mas vá lá ... hoje marcou à segunda oportunidade. Num remate à ponta de lança, de Pavlidis. Faltavam 8 minutos para o intervalo, e aí mudou. O Benfica criou cinco oportunidades de golo claras, a maioria delas grandes defesas de Robles.
Também no comportamento dos árbitros teremos que recorrer à comparação com os rivais. Qualquer encosto na área é pênalti. Para o Benfica, não. O Barreiro foi duas vezes placado dentro da área, mas para Hélder Carvalho - que nunca vê os pênaltis do Benfica, precisa sempre do VAR; mas esse, hoje, era Tiago Martins - não houve nada. Qualquer encosto dos jogadores do Benfica, é falta. Nos rivais, não. Fazem o que lhes apetece, e dá até para marcarem golos. Sem que ninguém os anule. Ao contrário, tudo é assinalado.
O Benfica teve - tem sempre! - mais faltas assinaladas que o adversário. A jogar ao ataque. Hoje, ao intervalo, tinha cinco faltas assinaladas. E apenas quatro sofridas. No final do jogo esses números subiram para 14 praticadas, e 12 sofridas. De cartões nem se fala. Apenas um amarelo. Com inúmeros ataques cortados, em faltas grosseiras.
Na segunda parte o Benfica acrescentou mais quatro, perfazendo 10, e um golaço, de Lenglet. De levantar a Luz. E tem que se voltar a comparar com os rivais. Onde as oportunidades de golo consentidas vão esbarrar na barra, no poste ou, em último caso, em grandes defesas dos seus guarda redes. No Benfica, não. Ao primeiro remate à baliza, é golo. Por muito bem marcado que seja, por Begraoui. Praticamente igual ao de Pavlidis. No único remate que fez!
E assim, um jogo de enorme superioridade, com quase 70 % de posse de bola, 22 remates, e nove cantos (contra nenhum), chega ao fim com as bancadas a suspirar pelo apito final. Mas o Benfica é assim!