Ontem apareceu-nos um senhor a dizer que uma comissão estudou as contas da Segurança Social e chegou à conclusão que estavam erradas, que em vez de positivas, estavam negativas. Hoje enche as primeiras páginas dos jornais.
A comissão era constituída por "especialistas independentes". O relatório estritamente técnico.
A comissão de "especialistas independentes" é coordenada por Jorge Bravo, professor, economista, actuário e especialista em pensões, o senhor que veio às televisões todas, na mesma noite. É de facto um especialista. Tanto que exerce actividade de consultoria científica para seguradoras, sociedades gestoras de fundos de pensões e fundos de investimento, e participa no Fórum de Especialistas do Instituto de Pensões do BBVA. E participou na Comissão Interministerial da Reforma da Segurança Social, do governo de Passos Coelho, em 2014, que previa um déficit superior a 2,4 mil milhões de euros em 2025, se não fossem aplicadas as "reformas estruturais profundas".
Depois há ainda Carla Castro, economista, antiga deputada da Iniciativa Liberal, criadora e antiga responsável pelo Gabinete de Estudos da IL, com percurso profissional no sector segurador. Pedro Serrasqueiro, antigo vice-presidente do IGFSS e professor universitário, com passagem pela assessoria parlamentar do CDS e da Iniciativa Liberal. Os restantes nove membros da comissão vêm de gabinetes governamentais e de organismos públicos ligados ao Trabalho, às Finanças e à Segurança Social.
De independente, estamos entendidos.
Do resto, é simples. Um relatório importante - de 600 páginas -, sobre a matéria mais importante para o futuro da população, é de repente apresentado no pico das férias.
Se este governo não é uma fraude, por favor, digam-me o que é uma fraude em política.
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