terça-feira, 31 de agosto de 2021

Cumpriu-se a debandada

Tropas dos Estados Unidos já abandonaram Afeganistão após 20 anos no país -  Mundo - Correio da Manhã


Anunciada para hoje, data que nem os últimos acontecimentos em Cabul, designadamente o atentado bombista que vitimou 13 militares americanos e mais de centena e meia de demais pessoas, fizeram alterar, os Estados Unidos anteciparam para ontem a retirada oficial do Afeganistão, sob disparos de celebração dos talibãs.


Vinte anos depois de lá terem entrado com o fim de vingar o 11 de Setembro, liquidando a Al-Qaeda, e o seu líder, Bin Laden, e de libertar o país dos talibãs - que o escondiam e proteguiam - para lhe dar um rumo de paz, na prosperidade e nos trilhos da civilização ocidental. E mais de 40 depois da invasão da então União Soviética, que tinha levado os americanos a apoiar e armar os mesmos talibãs, e a criar o "monstro" que se tornaria na sua maior ameaça.


Dos objectivos de há 20 anos, apenas um tem o visto de cumprido - a liquidação física de Osama Bin Laden. Todos os restantes falharam. À Al-Qaeda sucedeu o Daesh, que espalhou terror por todo o mundo, e dizimou grande parte do médio oriente. No Afeganistão ficam os talibãs com o poder, uma nação sem presente nem futuro, e o mais abjecto dos regimes, dos que mais atentam à dignidade humana, da qual pura e simplesmente suprimem as mulhers. E ainda um novo movimento terrorista, o ISIS-K. Que, não se sabendo ainda exactamente o que é, já deixou o cartão de visita no ataque suicida ao aeroporto de Cabul de há dias. E no mundo fica a panela de pressão de refugiados mais perto de explodir.


Nesta desbandada nem se sabe se deu para o último fechar a luz. Sabe-se apenas da escuridão e das trevas que por lá ficam!


 

A "entrevista"

Equipa TVI24 - Os vídeos de Miguel Sousa Tavares | TVI24


Segunda feira é dia de Miguel Sousa Tavares (MST) na TVI. Comenta no telejornal e, depois, entrevista uma personalidade que por qualquer motivo esteja no centro da actualidade, já no canal de notícias daquela televisão. À boa maneira da TVI ( e não só), de forma a prender o espectador, a entrevista é sucessiva e amplamente anunciada durante a emissão do telejornal.


Ontem voltou a ser assim, e a entrevista de MST a Inês Sousa Real, a nova líder do PAN, foi anunciada ao longo de mais de uma hora. Num zaping caí exactamente num desses momentos e ... claro, funcionou - deixei-me esperar pela entrevista. Não por qualquer entusiasmo especial pelas personagens; apenas, conhecendo-se as posições do entrevistador, pela curiosiade de ver até que ponto aquilo poderia ser uma entrevista.


MST é um opinador, um profissional pago mais que, para "vender" comentário, para defender as suas próprias opiniões. É assim sobre tudo o que são as suas opções pessoais, do clubismo ao estilo de vida: jornais e televisões pagam-lhe para as defender. 


Mas, uma coisa é um texto publicado num jornal ou opinião prestada numa televisão. Outra é, jornalisticamente, uma entrevista. Era por isso duvidoso que MST fosse capaz de conduzir uma entrevista contra um dos seus maiores ódios de estimação, e daí a minha curiosidade.


Não foi. E, em vez da anunciada entrevista, foi-nos servido um debate. Aceso, como poucos, e pouco sério como quase todos. Uma fraude televisiva com o ponto alto na última intervenção do entrevistador, quando calou a entrevistada com "essa não é a minha pergunta", como se aquilo tivesse sido uma entrevista.


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não há volta a dar: já chegamos à MadeiraOs impostos vão aumentando mas não chegam para tapar todos os buracos.


Parece uma corrida, onde os impostos vão sempre atrás! Uma corrida que a pouca vergonha ganha sempre!


Será que continuará também a ganhar eleições?

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boashttps://quintaemenda.blogs.sapo.pt/105040.html


Os novos passes sociais estarão apenas disponíveis para cidadãos cujo rendimento mensal não ultrapasse 1,3 vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS). Feitas as contas, têm acesso ao passe social as pessoas com rendimento bruto inferior a 545 euros por mês.


Postas as coisas assim segue-se o inevitável: fazer prova desse rendimento! Apresentar a declaração de IRS!


Tenho uma sugestão melhor. Deixo-a aqui de borla, sem cobrar nada a ninguém. A administração fiscal que, a acompanhar a nota de liquidação de IRS, passe a enviar para os contribuintes um autocolante para aplicar na testa!


 

domingo, 29 de agosto de 2021

Liderança isolada, mas muita coisa decepcionante!


Em circunstâncias como as do jogo de hoje na Luz, diz-se muitas vezes que a equipa deu uma parte do jogo de avanço ao adversário. Foi mais que isso o que o Benfica (não) fez na primeira parte. Não a deu de avanço, limitou-se a ser uma enorme decepção!


O treinador do Benfica falara (demais) sobre a possibilidade de, depois do sucesso no play-off de apuramento para a Champions, a equipa relaxar. Com o jeito que tem para tratar destas coisas pareceu mais um convite a esse relaxamento que propriamente uma acção preventiva para esse problema. É que essas coisas tratam-se no trabalho com a equipa, não é nas conferências de imprensa.


A primeira parte foi isso, e nem a perspectiva da liderança isolada do campeonato serviu de motivação para a equipa que entrou em campo. As seis ou sete alterações na equipa relativamente ao jogo com o PSV deveriam ter promovido uma dose de ambição aos jogadores que entraram, na perspectiva de afirmarem o seu valor e, assim, ultrapassar não só os problemas de fadiga que naturalmente o jogo de Eindoven provocou, mas também os do tal relaxamento. Mas nada disso. E foi uma equipa apática, sem rasgo, e sem ambição, com jogadores não fizeram por merecer vestir aquela camisola.


E muitos não merecem mesmo. Uns porque não têm claramente categoria para jogar no Benfica - Meité é, decididamente , uma contratação que não se entende, como não se entende a de Gil Dias, que não jogou mas também não precisava, nem a de Rodrigo Pinho, que entrou no melhor período do Benfica, e nem assim mostrou argumentos que a justifiquem. Outros, como Pizzi e André Almeida, que já deram o que tinham a dar. Ou talvez o que queriam dar.


O Tondela fez apenas um remate na primeira parte. O suficiente para marcar, e sair na frente. Um golo muito consentido, no eterno problema do espaço entre o central e o lateral, na esquerda, como é realmente mais frequente, em que o próprio Vlachodimos - sempre muito apoiado pelo público, o que quererá dizer muita coisa na patética polémica criada por Jorge Jesus - também não terá feito tudo o que poderia. Ou deveria.


Mas foi sempre claramente mais equipa, o que também não era difícil com aquela prestação dos jogadores do Benfica.


Ao intervalo Jorge Jesus tirou precisamente aqueles três jogadores acima referidos, trocando-os por Gilberto, Wiegl e Rafa. E de imediato a equipa surgiu transformada, colocando em jogo mais velocidade e mais intensidade. E as ocasiões de golo que na primeira parte se não tinham visto começaram a surgir.


Só que o jogo já estava complicado. E bastaria que o guarda-redes do Tondela começasse a engatar, que os seus colegas começassem a a usar das artimanhas para quebrar o ritmo do jogo e queimar tempo, e que o árbitro -Tiago Martins, um especialista na arte de complicar as coisas ao Benfica, e com mais um penalti (sobre Rafa, aos 56 minutos) por assinalar - entrasse no seu registo provocador habitual para que se tornasse muito difícil dar a volta ao jogo.


Tudo isto aconteceu, e complicou mais um jogo complicado por aquela primeira parte. Mas também aconteceu que o Benfica não conseguiu manter o ritmo, a intensidade e a qualidade do primeiro quarto de hora. Valeu o apoio do público a empurrar a equipa para a reviravolta. Porque, na verdade, os golos da reviravolta já nem surgiram envolvidos em jogadas de futebol envolvente. O do empate, aos 71 minutos, por Rafa, surgiu num canto cobrado por João Mário, depois de um desvio de Weigl ao primeiro poste. E o da vitória, de novo a partir de João Mário, já aos 88 minutos, por Gilberto já resultou muito do esgotamento da defesa do Tondela.


Salvou-se a vitória, e a liderança isolada do campeonato. E em termos exibicionais salvaram-se João Mário - o melhor em campo - e Rafa. Mesmo que Gilberto, e Weigl, tenham sido determinantes. E nada mais!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não resisto, na praia, a uma bola de Berlim, com creme; de preferência muito, a sair daquela abertura e a escorrer por entre o açúcar. Bola de Berlim, para mim, rima com praia; não me imagino de volta de uma coisa daquelas à mesa do café, da pastelaria ou da esplanada. Nem pouco mais ou menos!


Da mesma forma que, sendo eu um fanático dos pastéis de nata, nunca me imaginaria a comer um pastel de nata na praia. É assim mesmo, há coisas que têm destinos marcados. Nasceram para aquilo e não resultam noutras circunstâncias!


Se há coisas que são só minhas – as minhas manias (e são tantas…) – não me parece que seja o caso desta. Sem que, para o efeito, tenha efectuado qualquer estudo, não tenho dúvidas em afirmar que a maior parte do consumo de bolas de Berlim ocorre na praia: há dados empíricos que são como o algodão; não enganam!


Admito que qualquer estrangeiro, que provavelmente conhece muitas outras – a Berliner, a alemã donde lhe vem o nome, a da Polónia, a da Áustria, a de look mais semelhante à nossa, a da Ucrânia ou a de Israel -, ache isto a coisa mais estranha do mundo e que vendo a malta, de dentada na bola e com a boca cheia de açúcar, a torrar ao sol, pense com os seus botões que não há quem entenda estes portugueses. Se a bola de Berlim tem tudo – frito, óleo, creme, açúcar – o que as boas práticas alimentares condenam, tem também tudo o que, à partida, faria dela um bolo de inverno. Nunca de Verão e menos ainda de praia!


Mas é assim e eu diria que é cada vez mais assim. A bola de Berlim é hoje a rainha das praias, dando uma autêntica banhada aos gelados, à razão de um para cinco: por cada vendedor a anunciar o velhinho “olhó gelado…rajá fresquinho” (Rajá confundia-se com o produto – o gelado era um rajá, como uma máquina de barbear é uma Gillette - e o pregão permaneceu mesmo após o desaparecimento da marca) há cinco a apregoar – nos mais variados sotaques, do português com açúcar dos brasileiros ao português frio do leste europeu) – “bola de Berlim, olha à bolinha”!


A bola de Berlim e a praia há muito que casaram. É, ao contrário dos outros, um casamento duradouro e, com já referi, cada vez mais sólido. Tempos houve em que as bolas de Berlim nos eram servidas por umas mãos claramente divorciadas da higiene. Depois veio a tenaz e, mais tarde, a verdadeira perseguição da ASAE. Creio que terá mesmo sido o fundamentalismo inquisitorial da ASAE que criou a autêntica instituição que é hoje a bola de Berlim. O povo saiu à ruaa reacção não passou, e a bola de Berlim aí está, mais forte que nunca! E mais higiénica, é bom que se diga!


Há sempre coisas boas que ficam das guerras. Desta guerra ficou um cartuchinho e um lenço de papel!


Foi neste cartuchinho branco e neste lenço de papel que este Verão descobri os resquícios de uma invulgar campanha de marketing: a Optimus (será que com o acordo ortográfico terá de mudar?) resolveu aproveitar aqueles espaços, alvos e virgens do cartuchinho e do guardanapo, para a sua publicidade. Não para transmitir uma qualquer mensagem publicitária, das mais estapafúrdias às mais inteligentes que saem da cabeça dos criativos, mas para, pura e simplesmente, se apresentar como patrocinador oficial da bola Berlim!


Ora aí está o que faltava: uma marca de telecomunicações arvora-se em patrocinador de uma instituição como a bola de Berlim. Qualquer dia teremos a Vodafone a patrocinar a Torre de Belém, a TMN o pastel de Belém, a ZON o cozido à portuguesa, a MEO as ondas da Ericeira ou a PT a neve da Serra da Estrela!


Por curiosidade e porque acho que esta gente da comunicação e do marketing sabe o que faz, fui tentar saber mais sobre esta campanha. Vai já no segundo ano e percebi que a ideia é que o público, que associa o Verão à bola de Berlim, passe também a associá-lo á Optimus.


Bem me parecia que Verão é praia e praia é bola de Berlim… Que é óptima! Mas ... Optimus?

sábado, 28 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Acabei de assistir a um dos principais clássicos do futebol inglês: Manchester United vs Arsenal.


Um jogo fantástico com 48 remates às balizas e 10 golos – quase todos verdadeiramente fantásticos - com o United a humilhar os londrinos, ganhando por 8 a 2. No fim, os adeptos do Arsenal aplaudiram os seus jogadores, que não fugiram a correr para os balneários e agradeceram aos seus adeptos, aplaudindo-os de volta!


Como eu gostava que fosse assim em Portugal!

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Até parece que o futebol ainda é o que era

How Manchester United will line up with Cristiano Ronaldo |  FootballTransfers.com


 


Ontem falava-se de Manchester. Que Cristiano Ronaldo estava a caminho do City. A explicação parecia simples - CR 7 não queria arrumar as botas sem voltar a ser campeão europeu, mais a mais depois de dois anos de tentativa falhada em Turim - e o City, de Guardiola, que ainda persegue o mais importante troféu do futebol mundial de clubes, apresentaria boas possibilidades de servir esse desejo. Mas não convencia os históricos do histórico United. 


Para eles Cristiano é red devil, e nunca poderia ser anjo com as cores do rival, que libras das arábias resgataram à subalternidade. Seria inaceitável traição, e CR7 não é para isso - garantiam-no Rooney, Rio Ferdinand e tantos outros, do seu tempo, ou de tempos mais remotos. 


E assim foi. O jacto privado que descolou de Turim aterrou em Manchester, mas desviou depois o destino para Old Traford, o Teatro dos Sonhos. Acredito que terá sido com isto que Cristiano Ronaldo sonhou - quando as luzes se começam a querer apagar, voltar a vestir a camisola vermelha que o projectou como estrela maior da galáxia do futebol! 


Torço para que corra bem. Se não correr, ainda assim é bonito. Mais bonito do que ganhar mais uma Champions, e na condição inédita de o fazer por um terceiro clube.


O futebol já não é o que era, nem nunca mais será. Até pareceu que é, e sabe muito bem mesmo quando só parece.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Gesto técnico é uma das principais expressões do futebolês. Tem tudo o que faz do futebolês uma subcultura com expressão própria!


É pretensiosa, mesmo a roçar o pedante, e é redonda, completamente abaulada! Porque poderia muito bem ser apenas gesto. Ou movimento. Ou acção. Ou, mais simples ainda, o que de facto é em cada caso: uma finta, ou um drible, que é a mesma coisa. Um toque de calcanhar, um domínio da bola, com paragem da dita no peito ou na coxa, uma recepção, um passe, a bicicleta, ou o pontapé da dita, enfim…


Quando alguém diz que o Xavi num gesto técnico perfeito colocou a bola nos pés do Messi que, com outro gesto técnico ainda mais perfeito passou por cinco adversários. Ou que o Cristiano Ronaldo num gesto técnico irrepreensível colocou a bola fora do alcance do guarda-redes, ninguém fica a perceber muito bem o que se passou, tanto mais que já todos sabemos que isso é o que cada um desses faz. Sempre e bem! Já quando se ouve que o Helder Postiga, com um gesto técnico desastrado, sozinho à frente da baliza atira a bola para a bancada, todos percebemos o que se passou. E já nem é por estarmos habituados à cena, é porque a bola para a bancada diz tudo!


Os gestos técnicos estão, como tudo ou quase, sujeitos às tendências da moda. E, como se sabe, não faz moda quem quer. Apenas quem pode!


Vejamos estes dois gestos: a trivela e o passe de letraDo primeiro já falamos aqui há uns tempos, nada a acrescentar. Para a letra – passe, mas também remate, que ainda cá não tinha sido trazida – há que dar uma ajuda.


Diz-se que o passe é de letra – ou o remate, porque o gesto é também já utilizado para rematar à baliza – quando é efectuado a partir de um movimento em que o pé que toca a bola está por trás – e não ao lado - do outro, o de apoio, num movimento em que as pernas se cruzam num movimento contrário ao habitual, da frente para trás. Nunca percebi por que lhe chamam de letra - até porque o futebol não é muito dado a estas coisas das letras – mas admito que alguém veja ali o desenho de um L…


Ao evocar estes dois gestos técnicos alguns lembrar-se-ão de um ciganito que por aí andou há uns tempos: Ricardo Quaresma. Bem poderia ter sido ele o criador da moda, mas não fica assim na história. Quando era Nuno Gama no Porto quis ser Roberto Cavalli em Milão! Não resultou (terá sido dos anéis?) e lá vai ele parar à Turquia, que não é exactamente um grande centro mundial da moda. E hoje, trivela passe de letra, são vulgares, massificados e estão disponíveis em qualquer pronto-a-vestir. Até nos chineses…


Já a bicicleta tem a grife de Cristiano Ronaldo e está tudo dito: sucesso garantido! É o gesto mais estúpido que existe, mas é do CR7, nada a fazer… Ah! Uma ajudinha, também: a bicicleta é aquele movimento em que, simulando o pedalar da bicicleta, se passam uns segundos que parecem uma eternidade sem que nem o jogador que o executa, nem a bola, nem o adversário - que é suposto enganar - saiam do mesmo sítio. Nunca dá em nada, mas pegou moda e é vê-lo por aí repetido por esses campos fora, como se de grande gesto artístico se trate! É o gesto preferido de Hulk, e nem os grandes jogadores do Barcelona o dispensam, como ainda agora se viu no Mónaco!


Já o pontapé de bicicleta não tem nada a ver com isto. É um gesto de elevado grau de dificuldade e de grande espectacularidade. Vale por si mesmo e não entra em modas. Se é moda é intemporal! Precisamente porque é um recurso último, quando só resta rematar com o pé que está mais à mão, como vimos esta semana Witsel (que grande jogador!) exemplificar no primeiro dos seus dois golos e dos três com que o  Benfica despachou a equipa de Co Adrianse.


O que já se vê muito pouco é o chamado pontapé de moinho. É um pontapé em que o movimento circular do corpo, todo estendido no ar paralelo ao solo, sugere o de um moinho. Ou o pontapé de tesoura, uma designação sinónima, que associa o movimento das pernas no momento do remate ao de uma tesoura. Artur Jorge, há 40 anos, no Benfica, foi quem em Portugal mais contribuiu para a fama deste gesto, mais difícil de executar e mais espectacular ainda que o pontapé de bicicleta. Executava de forma brilhante, e com muita frequência, este movimento que ficará para sempre ligado ao seu nome: um pontapé à Artur Jorge!


Como ao seu nome ficará também ligado o toque de calcanhar. Porque era ele o treinador do FC Porto que ganharia a Taça dos Campeões Europeus, em 1987 em Viena, com o tal golo de calcanhar de Madjer. A partir daí, e por muitos e bem mais espectaculares golos de calcanhar que tenham acontecido – e muitos foram, incluindo os do agora madrileno Falcao, que me lembre é o único jogador que apresenta no seu cardápio de golos toda esta gama de gestos técnicos – calcanhar e Madjer passaram a ser a mesma coisa.


E, curiosamente, o mais banal de todos os gestos técnicos, continua com a cotação em alta!

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Os ricos querem pagar impostos para ajudar os seus países nesta crise que não tem fim. Os ricos querem pagar a crise, respondendo a um célebre repto dos tempos do PREC em Portugal. O movimento começou na Alemanha, há perto de dois anos, como aqui então dei nota. Passou para os Estados Unidos e por Warren Buffett para a França, já com uma longa lista de personalidades – algumas, mas apenas algumas, mesmo muito ricas – a assumirem o dever patriótico de pagar impostos.


Há aqui qualquer coisa que não bate certo!


O normal seria que os ricos, tal como todos nós, protestassem contra os impostos que têm de pagar. E normal ainda seria que o Estado lhes cobrasse os impostos que a sua condição ditaria!


Nada disto é normal, e sugere que afinal o Estado, como todos nós já desconfiávamos, não tem tido a preocupação de ir procurar dinheiro onde ele está. Tem preferido ir tirá-lo a quem o não tem, ou a quem tem pouco. O que, como é bom de ver, não bate certo!


Mesmo sem que nada disto bata certo a moda também chegou a Portugal. Onde logo o primeiro da lista dos mais ricos se apressou a dizer que não. Que não é rico, mas um simples trabalhador! Faltou-lhe dizer que, na sua qualidade de trabalhador, já paga impostos de mais. Como todos nós! E aí começaríamos a descortinar alguma normalidade no país sobre a matéria…


Mas não tardou que começassem a surgir mais sinais da normalidade portuguesa. Começou logo pelo governo anunciar que iria estudar o assunto, como vem sendo normal. Uma certeza: o que aí vier surgirá em sede de IRS. Com muito cuidado, para evitar que os ricos – que são já tão poucos em Portugal – fujam todos!


E logo surgiu um exército de fazedores de opinião a explicar que não vale a pena ir por aí: são tão poucos os ricos em Portugal que, tribute-se o que se tributar, a receita nunca passará de peanuts. Nem vale a pena incomodar essa gente, deixem-nos em paz – era esta, ao fim e ao cabo, a mensagem que teria de passar!


E logo houve quem surgisse a simplificar as coisas: tributem-se os rendimentos sujeitos a IRS a partir de 100 mil euros anuais – Miguel Beleza dixit! Está resolvido o problema: rico, mesmo rico em Portugal, é quem ganha 7 mil euros brutos por mês, que hoje leva para casa perto de 3 mil! Não se preocupem com os outros!


Não bate certo: mas esses não são os mesmos? Mas esses não são a classe média? Os que têm estado a pagar tudo?


Afinal a importação do tema, para consumo interno, serviu apenas para nos levar a concluir que não há ricos em Portugal e que, ao contrário do que parece possível noutras paragens, terão de ser sempre os mesmos a pagar a crise.


Estavam bem enganados aqueles que há trinta e tal anos escreveram por essas paredes fora: os ricos que paguem a crise!

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Foi bom. Foi heroico. O resto, é o resto ...

Benfica empata com PSV e está na fase de grupos da Champions. Encarnados jogaram uma hora com menos um


Não foi bonito, mas foi heroico. E o Benfica está, agora sim, na Champions!


Foi um jogo de grande sofrimento, este de Eindhoven. De grande concentração e enorme sofrimento dos jogadores do Benfica, autênticos heróis. Bem sei que haverá quem atribua o mérito maior ao mestre da táctica, mas é aos jogadores que cabe. A Vlachodimos, que o treinador - apenas porque é mesmo assim, teimoso, sem noções de liderança nem de gestão de recursos humanos - continua a desvalorizar (lamentável que, depois das declarações do treinador a propósito do seu guarda-redes, o Benfica tenha retirado do Twitter enaltecimento inicial a Vlachodimos), e a todos os restantes 15 que estiveram em campo, incluindo Lucas Veríssimo que imprudentemente deixou a equipa a jogar com 10, durante mais de uma hora.


A expulsão do central brasileiro, à meia hora de jogo, foi naturalmente decisiva naquilo que foi o jogo a partir daí. Até então o jogo, longe de estar a ser bem jogado, estava equilibrado, com uma oportunidade de golo para cada lado, ambas - curiosamente - seguidas (primeiro a do Benfica, por Rafa) e em cima dessa primeira meia hora. 


Há equipas, e muitas, que conseguem jogar à bola e discutir o jogo em inferioridade numérica. Por exemplo, ainda no passado domingo se viu a Fiorentina, no Olímpico de Roma, fazer isso e superiorizar-se à equipa de Mourinho. Que até só conseguiu inverter essa tendência do jogo quando ficou também reduzida a 10 jogadores. Mas no Benfica, e de uma forma geral no futebol português, não acontece assim, como temos visto. 


E o Benfica passou a ter pela frente mais de uma hora de jogo em que mais não faria que resistir. Resistir lá atrás, a tapar todos os caminhos para a sua baliza. Era tempo de mais, e temia-se - e temeu-se sempre - que, de tantas vezes "o cântaro ir à fonte, alguma vez haveria de lá deixar a asa".


No demérito da estratégia unicamente de resistência de Jorge Jesus, o seu único mérito - as substituições. Primeiro as não substituições e, depois, as propriamente ditas. Surpreendentemente - até porque Vertonghen e André Almeida saltaram de imediato para aquecimento - o treinador manteve os mesmos 10 jogadores em campo. Fez bem, acertou, porque o esforço que iria ser pedido aos jogadores seria muito, e todos, sem desperdício, teriam que dar o seu máximo em favor da sua estratégia. Talvez tenha estado aí a base do sucesso!


Depois, quando já muitos jogadores não podiam dar mais, e os que teriam de entrar teriam ainda tempo para se esgotar, fê-las então. Primeiro aqueles dois que haviam começado a aquecer meia hora antes, para os lugares de Gilberto e Taarabt (opção estranha para o onze inicial) e, depois, Gonçalo Ramos (para o lugar do ineficaz Yaremchuc), e Meité e Everton para os dos esgotados Rafa (altamente sacrificado) e João Mário.


E assim Jorge Jesus levou a sua água ao seu moínho. Com enorme sacrifício dos jogadores e a sorte naquele remate de Zahavi que foi parar à barra, quando todos víamos a bola a caminho da rede. Mas, acima de tudo, porque a equipa, e o futebol, do PSV não teve nada a ver com o que fizera, e apresentara, na Luz, na última quarta-feira. 


Foi bom, muito bom. Mas não foi bonito. Bonito, mesmo, só a solidariedade dos jogadores em campo. E a festa que fizeram no relvado quando o árbitro esloveno apitou pela última vez. Não muito diferente, certamente, da que fizeram os benfiquistas por todos os cantos do mundo.

Charlie Watts (1941-2021)

Baterista Charlie Watts dos Rolling Stones morre aos 80 anos – Notícias de  Coimbra


Não há imortais, os "bateristas perfeitos" também morrem. E agora? Como é que os Rolling Stones podem continuar a fazer-nos acreditar que são eternos?

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Com a melhor exibição deste início de época o Benfica chega, finalmente, à Champions. Pelo caminho, desta vez, ficaram os holandeses do Twente que, depois de lisonjeiro empate a dois golos na Holanda, perdeu hoje na Luz por 3-1.


Com uma exibição empolgante, o Benfica não só justificou a presença entre os grandes da Europa como confirmou ser o dono do melhor futebol que, nesta altura da época, se pratica em Portugal!  

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A selecção nacional de sub 20 conquistou um brilhante segundo lugar no campeonato do mundo, na Colômbia, quebrando, assim, um longo jejum de êxitos desportivos das nossas selecções de futebol, e em particular das mais jovens, escalões onde especialmente ao longo da década de 90 - o primeiro título mundial tinha surgido em 1989, em Riade - nos habituamos ao sucesso.


O sucesso da prestação da equipa portuguesa na Colômbia, inquestionável e que, de repente, pôs toda a gente a olhar para esta selecção - muitos nem sabiam que existia – voltando a unir os portugueses à volta do seu futebol, levanta a velha questão dos objectivos das selecções jovens. Tão simplesmente isto: deverão as selecções jovens, ditas de formação, estruturar-se para ganhar títulos ou, pelo contrário, deverão antes estruturar-se e vocacionar-se para assegurar o futuro competitivo da selecção principal, esta sim, ganhadora e porta-estandarte da verdadeira competitividade na mais globalizada das indústrias que é o futebol?  


Este é uma questão antiga. Mas também curiosa: é que só vem à tona quando uma qualquer selecção de jovens atinge o sucesso desportivo. Quando estas selecções não ganham nada – nem se percebe que estejam a construir coisa alguma – não há qualquer questão. Ninguém se lembra que nada está a ser feito em prole do desenvolvimento e do futuro do futebol português. É verdade, é assim. Porque nós somos mesmo assim: se não temos nada, está tudo bem; mas se temos alguma coisa decidimos minimizá-la para enfatizar o que não temos!


E no entanto a questão existe, é séria e deve colocar-se: o que mais importa? Vencer campeonatos da Europa e do Mundo de sub 17, sub 19 ou sub 20 ou preparar o futuro? O que não me parece bem é que apenas seja lembrada quando ganhamos alguma coisa…


Excepção feita ao Brasil e à Argentina – que, por razões demográficas, sociológicas, de desenvolvimento e até de natureza - têm um campo de recrutamento praticamente inesgotável, as grandes potências do futebol mundial não eram as mais bem sucedidas nas competições do futebol jovem. E isto pareceria apontar num sentido claro: as grandes potências encaram a competição no futebol jovem como mero espaço de crescimento. De formação e maturação de futuros craques!


Ora, parece-me que o que se passa em Espanha vem esclarecer muitas destas coisas. Não há dúvidas, pelo menos da minha parte, que nuestros hermanos detêm, de há década e meia a esta parte, a melhor escola de formação do mundo. Neste período obteve assinalável sucesso competitivo nos escalões mais baixos e foi, por uma única vez – Nigéria, 1999 – campeão mundial de sub 20, onde não conta com mais qualquer presença na final. Mas foi essa selecção que se fez campeã da Europa em 2008 e do Mundo em 2010. E que vem encantando o planeta com um futebol do outro mundo, que deixa argentinos e brasileiros rojos de vergonha! Uma selecção que já vem muito de trás e sempre ganhando!


Quem seguiu com alguma atenção este campeonato realizado na Colômbia pôde perceber que a selecção espanhola foi a que melhor futebol apresentou, igualzinho ao da selecção A - campeã europeia e mundial, repito – e que só não ganhou por circunstâncias próprias do jogo, onde nem sempre ganha a melhor equipa. Ficaram pelos quartos de final, eliminados pelo Brasil - depois de um jogo fabuloso que dominaram por completo - através dos pontapés da marca de grande penalidade, mas pôde perceber que ali, naquela equipa e naquele campeonato do mundo, se estava a tratar do futuro do futebol espanhol! E concluir que esse futuro está assegurado.


Pois bem: a selecção portuguesa foi brilhante – não retiro uma vírgula ao que aqui deixei logo depois da final perdida – mas percebeu-se que tocava a solo. Onde havia coisas que não batiam certo. Que nada daquilo tinha a ver com uma ideia para o futebol nacional, que era mesmo, como então salientei, a antítese daquilo que o caracteriza, virado exclusivamente para o resultado naquela competição.


Não direi que esta nossa selecção, agora recebida em apoteose, tenha morrido em Bagotá, logo que o árbitro deu o apito final – como poderiam sugerir os últimos minutos daquele dramático prolongamento – mas ninguém consegue ver ali o futuro que se vê aqui ao lado.


A FPF, que há muito se desligou da formação e que vive à grande à custa do tempo em que a fez, terá de perceber que há estratégia e acaso. Enquanto há dinheiro…

domingo, 22 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Este, já era… Mesmo com todas as hesitações, mesmo deixando o povo líbio entregue a si próprio!


42 anos de tirania, perseguindo, torturando e matando, dentro e fora de fronteiras, têm que ir a julgamento! Isto não pode ficar tudo bem embrulhado num exílio dourado à beira do Mediterrâneo!


E lembrarmo-nos que ainda há tão pouco tempo ele esteve por aqui, acampado com as suas excentricidades e os seu delírios. Com todas as honras! E que, ainda há menos de um ano, era o nosso governo que lá estava, de mão estendida


É apenas menos um louco que anda por aí!

sábado, 21 de agosto de 2021

No desperdício os dois da praxe


A deslocação a Barcelos para defrontar o Gil Vicente, também ainda com o pleno de vitórias no campeonato e orientado por um treinador habitualmente complicado para o Benfica, cujo treinador aponta como seu discípulo, comportava alguns riscos e apontava para algumas dificuldades, mais a mais caindo no meio da decisiva eliminatória com o PSV.


O Benfica apresentou-se com seis alterações relativamente ao jogo da primeira mão com os holandeses, com a entrada de Gilberto, Taarabt, Meité, Gil Dias, Everton e Gonçalo Ramos para os lugares de Diogo Gonçalves, João Mário, Weigl, Grimaldo, Pizzi e Rafa, e os primeiros minutos, com os jogadores do Gil Vicente subidos e muito pressionantes, pareciam confirmar as esperadas dificuldades. Cedo, logo a partir dos primeiros sete ou oito minutos, se percebeu que, no entanto, as dificuldades do jogo não viriam tanto nem da estratégia e da argúcia do treinador gilista, nem da qualidade dos seus jogadores. Vinham da falta de velocidade no jogo benfiquista, de algumas deficiências no passe e na recepção de alguns dos seus jogadores - particularmente Taarabt, Gil Dias (como é que o Benfica foi buscar este jogador para lateral esquerdo ao Famalicão quando lá estava Rúben Vinagre, e até escolheu primeiro?) e Gilberto - e da falta de eficácia no aproveitamento das ocasiões de golo que iam surgindo.


Mesmo sem jogar bem, na primeira parte o Benfica dispôs de quatro oportunidades claras para marcar, uma série que se iniciou logo aos 8 minutos com o remate de Taarabt ao poste, e acabou no desperdício Yaremchuk, isolado por um grande passe de calcanhar de Everton, o melhor da primeira parte. E teve ainda um golo anulado por fora de jogo de Gilberto. Teria outro, aos 10 minutos da segunda parte, desta vez a Yaremchuk, tornando-se já no líder dos golos anulados. E das bolas nos ferros!


A segunda parte arrancou com mais uma oportunidade de golo, numa grande jogada individual do Gonçalo Ramos, a que se seguiu a única dificuldade que o Gil Vicente colocou a Vlachodimos em todo o jogo, ao travar com os pés um remate de um adversário isolado. E foi toda ela de sentido único, o da baliza de Kritciuk, que ia defendendo tudo o que havia para defender.


Atravessava o Benfica a sua fase de domínio mais intenso, com o adversário encostado à sua baliza, sem de lá conseguir sair, quando Jorge Jesus, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora,  fez as primeiras substituições - três, João Mário, Pizzi e André Almeida entraram para os lugares de Taarabt, Yaremchuk e Gilberto. Fizeram sentido, só não faziam sentido nenhum porque iam interromper o melhor período do Benfica, o sufoco do adversário que ainda não tinha conseguido. 


Mas a verdade é que João Mário e Pizzi melhoraram a dinâmica de jogo da equipa, e as oportunidades de golo continuaram a surgir, e a ser desperdiçadas. A pouco mais de um quarto de hora do fim o treinador do Benfica esgotou as substituições, trocando o equívoco Gil Dias por Grimaldo, e o entretanto desaparecido Everton pelo regressado Darwin, três meses depois. O golo tardava, ao contrário dos minutos finais, que pareciam cheios de pressa, ao contrário dos jogadores da equipa de Barcelos.


Acabaram por chegar os dois da praxe (sempre dois golos em todos os seis jogos da época), separados por quatro minutos. E que golos. O primeiro, aos 84 minutos, em que Lucas Veríssimo intercepta (sim, isso mesmo!) um remate de Pizzi deixando desde logo Kritciuk, que defendia tudo, irremediavelmente batido. Para, depois, lhe colocar a bola no lado contrário. Inteligência notável, do único jogador das últimas contratações que se tem valorizado (veja-se o que se anuncia de Valdchmidt e Carlos Vinícius, a saírem por valores bem abaixo do seu custo). E o segundo, o do alívio final, em mais uma obra prima de Grimaldo. Que grande golo!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Não há vitórias morais. A jovem selecção portuguesa acaba derrotada pela do Brasil por 3-2. Mas também não se deverá dizer, desta vez, que o segundo lugar é o primeiro dos últimos.


 Nem uma arbitragem que chegou a ter momentos deploráveis, designadamente ao distribuir injustificadamente amarelos pelos portugueses enquanto permitia todo o tipo de entradas violentas aos brasileiros, que condicionaram claramente o jogo, e de que a lesão de Cedric é apenas um exemplo, nem o facto de perdermos com um golo resultante de um cruzamento falhado, já na parte final do prolongamento, aliviam o amargo desta derrota.


Mas esta selecção merece que não lhe poupemos nos aplausos.


É uma selecção nacional atípica. Como vi escrito algures “há coisas que não batem certo nesta selecção”!


De facto assim é. A começar pelo seleccionador que, trabalhando jovens, não é um treinador jovem. Como os que estão na moda e como os que tradicionalmente trabalham as selecções jovens: treinadores em início de carreira e/ou acomodados na estrutura federativa. Se não me engano, desde Peres Bandeira, no longínquo ano de 1979 e no longínquo Japão, que nesta selecção de sub 20 se não via um treinador, não direi veterano, mas sénior. E que também não é um treinador mediático, daqueles que gostam das grandes exibições nas conferências de imprensa e de grandes parangonas nos jornais. Pelo contrário, é um treinador de low profile, com toda a carreira feita nos escalões de formação, no caso ao serviço do Porto, e com grande competência.


Competência que se começa logo a notar no próprio estilo de jogo que a equipa apresentou neste campeonato do mundo. E aqui está mais uma coisa que não bate certo: o estilo de jogo desta equipa não tem nada a ver com o estilo português. Não é um futebol rendilhado e curto, sustentado por extremos rápidos e habilidosos. Mas é um futebol rápido e vertical, muitas vezes de passes longos. Que usa para estender o jogo e o campo e que são mesmo passes e não pontapés para a frente, nada do kick and rush britânico. Passes difíceis de executar que nada têm a ver com aquele passe curtinho, sem risco, que tanto vemos no tradicional futebol português.


Também não tem um 10, o jogador que joga de cabeça levantada e pensador do jogo. Não, tem jogadores humildes e operários que tapam espaços mas que também os sabem ocupar. E, the last not the least, tem um ponta de lança corpulento – Nelson Oliveira, de 1,86 metros e 83 quilos – mas muito rápido e que sabe jogar à bola. E a sério, de alto nível técnico!


Não será uma geração de ouro mas, como lhe chama o seu timoneiro – Ilídio Vale – a geração de coragem. Uma equipa solidária, com grande força mental e adulta, coisas que, como se sabe, são raras no nosso futebol!

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Cantera é uma incursão do futebolês pela língua de Cervantes. Em português corresponderá a centro de formação: de jogadores de futebol, no caso. Ou, em futebolês português, a escolas de formação, agora pomposamente chamadas de academias, designação de que o Sporting se apropriou, como que reclamando a primazia da sua escola no panorama da formação de jogadores de futebol em Portugal. Ou fazendo igualmente jus ao pioneirismo das suas infra-estruturas desportivas, a que chamou justamente Academia de Alcochete.


É provavelmente por toda esta amálgama de conceitos e de sensibilidades que o futebolês acabou por privilegiar a expressão castelhana. É que cantera é muito mais que tudo isso, é uma maternidade de talentos para a prática do futebol. É um forno donde sucessivamente saem fornadas, umas atrás das outras, de jogadores talentosos, identificados com uma determinada cultura e com certa filosofia de jogo.


Era isto que nós gostaríamos que fossem as nossas escolas - chamem-lhes academias, campus ou lá o que quiserem – mas não são. E é porque o não são que também o futebolês preferiu consagrar a cantera.


Antigamente, antes destas expressões surgirem, referíamo-nos aos jogadores formados no clube de uma forma muito simples, que vi recordada um destes dias por um dos nossos habituais leitores, o Adérito Martins: eram os que vinham dos juniores!


Se existem escolas de formação de jogadores um pouco por todo o mundo – de que o Sporting, em Portugal, e o Auxerre, em França, são dois bons exemplos – a verdade é que, canteras a sério, encontramos em Amsterdão, no Ajax, apesar de aparentar já um certo declínio, e em Barcelona, aí sim, em todo o seu esplendor. Basta olhar para a constituição da equipa que vem encantando o mundo de há quatro anos a esta parte, e reparar que lá estão sempre nove ou dez jogadores formados na suas escolas, com a sua cultura e a sua filosofia. Uma cultura e uma filosofia que transportam Messi para patamares extraterrestres, que não confirma ao serviço da seleção argentina, e que alimentam a fantasia da eterna comparação com Cristiano Ronaldo.


Em Portugal abandonou-se a formação, com os clubes a preferirem ir procurar jogadores – uns já formados, outros nem por isso, por esse mundo fora. Agora até já o Sporting! Até as equipas de juniores estão já cheias de jogadores estrangeiros. Daí a enorme bofetada de luva branca que a seleção nacional de sub 20, que discute hoje com o Brasil o título de campeã mundial. Vença ou não esta final já provou aos principais clubes nacionais que estão errados quando todos os anos lhes tapam o acesso às suas equipas! Provavelmente ninguém aprenderá nada com esta brilhante demonstração de capacidade destes jovens e tudo ficará na mesma!


Como na mesma parece estar o campeonato nacional que agora arrancou. Com o Benfica e o Sporting a falharem o arranque – desta feita com o Sporting a ser a vítima da arbitragem – e o Porto, tal como no ano passado, a ganhar com um penalti daqueles que só são assinalados a seu favor. Dizem as estatísticas que, nesta primeira jornada, foram cobrados 96 pontapés de canto e, apenas num único, o defesa agarrou o avançado! E, para que tudo continue na mesma, o Rolando mantém-se como o único defesa com autorização para jogar a bola com a mão na sua grande área!


Para que nem tudo fique na mesma Falcao deixou o Porto, depois de ter renovado o contrato e subido a cláusula de rescisão para 45 milhões de euros. Como de lá ninguém sai sem que seja batido o valor da dita cláusula, lá foi ele para o Atlético de Madrid precisamente por esse valor: o Ruben Micael acompanhou-o como dama de honor, acreditem!


Mas esses já não são milhões da treta! Ou serão? É que o Atlético de Madrid, como ainda há dias dizia Pinto da Costa, não tinha dinheiro para comprar o Falcao e os outros, os que tinham, se o quisessem já se teriam manifestado… Afinal o homem não é infalível! E há mesmo milhões da treta…

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Paradoxo

Benfica vence PSV pela margem mínima e está em vantagem no playoff da  Champions - Liga dos Campeões - SAPO Desporto


Tinha terminado o texto sobre o jogo da segunda mão na pré-eliminatória com o Spartak com a nota que o entusiasmo criado na primeira mão teria que aguardar por este jogo com o PSV, esse sim, a entusiasmar.


O jogo desta noite, na Luz, deu a resposta. E essa é clara, este Benfica está longe de entusiasmar e, pelo contrário, mais perto de repetir as desilusões das últimas épocas. O melhor que deixou foi o resultado - ganhar é ganhar. Mesmo que esta pareça ser uma vitória insuficiente para garantir a desejada presença na fase de grupos da Champions, o maior objectivo desta fase da época, e evidentemente decisivo para o futuro próximo da equipa, e até do clube.


O resultado foi, pois, feliz. A exibição, longe disso!


O PSV foi sempre – ou quase sempre – melhor. Teve mais bola, e jogou mais. E comecemos pela posse de bola da equipa holandesa, porque é esse o dado fundamental para a avaliação deste Benfica. Este foi o único jogo fora, neste trajecto de apuramento para a Champions, em que os holandeses tiveram mais bola que o adversário. Não o tinham conseguido na segunda pré-eliminatória, com o Galatasaray, nem na terceira com os adversários dinamarqueses. E, no entanto, é, para o treinador do Benfica, uma equipa fortíssima em posse.


E por isso decidiu, por estratégia, dar-lhe a bola. Foi o pecado, só por acaso e por contingência de jogo, não mortal. Mas foi o pecado capital!


Jorge Jesus decidiu dar a bola e a iniciativa ao adversário, mas montou uma equipa com jogadores para a terem. O jogo acabou por ser marcado por este paradoxo.


É certo que ganhou o jogo, e chegou ao intervalo com um resultado que até apontava para garantir a eliminatória. Mas, falso como Judas e absolutamente enganador, aquele 2-0 ao intervalo não revelava qualquer superioridade em qualquer outro capítulo de jogo que não o da eficácia. Se o primeiro golo, por Rafa, logo aos 10 minutos, ainda poderia significar alguma coisa, o segundo já foi simplesmente fortuito.


Na segunda parte a superioridade do PSV seria ainda mais flagrante, muito por força da aparente quebra física da equipa do Benfica, evidente desde muito cedo. Foi quebra física, mas foi muito mais que isso, e teve tudo a ver com o paradoxo da estratégia do treinador do Benfica.


Obrigar jogadores talhados para jogar com bola – e eram quase todos – a correr atrás dela, é desgastá-los física e mentalmente e é, por fim, desmotivá-los. Deixá-los fora do jogo, ou dele desinteressados. Se alguém perguntar, por exemplo, por que é que João Mário fez, de longe, o pior jogo desde que chegou ao Benfica, está aqui a resposta.


Está aqui, nesta estratégia, a explicação para a superioridade do PSV. Não é na qualidade individual dos jogadores. Pelo que conhecemos da qualidade dos nossos jogadores, e pelo que vimos do desempenho individual dos jogadores da equipa holandesa, à excepção do alemão Mario Goetz, os jogadores do Benfica não saem individualmente a perder. Pelo contrário e, no entanto, como equipa foram claramente inferiores.


Já no que toca a treinador …. É isso, mas isso há muito que está provado. E nem é preciso falarmos em ambiente Champions, basta o doméstico para vermos como tantos, com tão menos, fazem tanto mais!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Acabamos de conhecer a segunda medida da ministra da agricultura, ambiente e afins. Menos mediática que a primeira – a das gravatas, se ainda se lembram – mas mais surpreendente: a extinção da Parque Expo, a sociedade criada para “construir, explorar e desmantelar a Expo 98”!


A Expo 98 foi desmantelada há 13 anos! Surpreendente, não?


O que é que terá andado a fazer neste 13 anos? Ninguém sabe exactamente! Sabe-se que se andou a endividar e sabe-se que os encargos financeiros com esse endividamento eram a alavanca que sustentava a espiral do mesmo endividamento. Confuso? Não, apenas o costume!


Ah! E sabe-se que o anterior ministro das finanças, o inesquecível Teixeira dos Santos, a distinguiu, há apenas um ano, com nota máxima no relatório “Princípios de Bom Governo”. Premiava então o ministério das finanças, segundo o Público, o rigor da gestão e as melhores práticas do sector empresarial do estado “ao nível da transparência nas respectivas actividades e disponibilização de informações aos accionistas, agentes económicos e público em geral”. Ao mesmo tempo aumentava-lhe o capital social! Sim, a uma sociedade que há muito havia esgotado o seu objecto social!


Ao menos que, agora, as exéquias sejam rápidas. E contidas!

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Sarkozy e Merkl anunciaram ontem, depois da cimeira franco-alemã de emergência, a constituição de um governo económico europeu, para a zona euro.


A cimeira, que apenas serviu para dar a entender aos franceses e aos alemães que eles é que mandam nisto - deixando-os porventura muito felizes - não serviu para nada. Nada de novo, nadinha mesmo!


Nem o novo governo económico? Não! Nem o governo económico, nem o chefe desse governo – Van Rampuy (sabem quem é? Sim, é esse, o dito presidente do conselho europeu, parido pelo tratado de Lisboa!) – nem o atestado de incapacidade permanente passado à Comissão Europeia e ao seu presidente, o nosso Durão Barroso! Nem a taxa Tobin. Nem a morte da esperança nos eurobonds, nem os atentados à democracia nos processos de decisão. Nem a hegemonia alemã servida em bandeja francesa. Nem sequer a sensação de que isto tudo chegou ao fim!


Foi bonito enquanto durou!

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Tenho manifestado aqui em diversas oportunidades a minha oposição à ideia de reduzir a Taxa Social Única (TSU) como medida de compensação da competitividade perdida pela possibilidade de lançar mão da desvalorização cambial. Esta medida de desvalorização fiscal rapidamente evoluiu de uma simples ideia, lançada à pressa e sem que se soubesse bem do que estava a falar, para um dogma irrefutável. Mais dogmática e mais irrefutável a partir do momento em que passou a integrar o memorando da troika!


Muita gente continua a defendê-la: pelos méritos próprios e intrínsecos – redução dos custos do factor trabalho como apport de competitividade externa, nas exportações e na substituição de importações – e pelos efeitos colaterais da sua compensação na receita fiscal – o aumento das taxas de IVA que, garantem eles, produz um efeito dissuasor de consumo e, consequentemente, de redução das importações.


Não vou repetir os argumentos que aqui tenho apresentado para contrariar esses méritos, próprios e alheios. Vou apenas chamar a atenção para um artigo de Daniel Bessa publicado suplemento de Economia do Expresso deste fim-de-semana, precisamente uma das vozes que sempre defendeu, desde a primeira hora, esta ideia, hoje dogma. Demonstra que as ideias não podem ser lançadas para o ar e deixá-las seguir como um balão ao sabor do vento. Que têm de ser pensadas e validadas! E prova que a honestidade intelectual nos impede de ficarmos agarrados a uma ideia apenas porque, à partida, ela nos soou bem.


Convido-vos a ler!

domingo, 15 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Inesperadamente, e sem que ninguém tenha percebido, Falcao, em plena Copa América, prolongou o seu contrato com o Porto, fazendo disparar a cláusula de rescisão de 30 para 45 milhões de euros. E, naturalmente, os seus proventos!


Como então aqui tive oportunidade de salientar isto era surreal e com o propósito evidente de surgir como mais uma jogada de mestre de Pinto da Costa, na linha da da substituição de André Vilas-Boas. Não havia quem pudesse compreender que um jogador que sabe estar a ser cobiçado por meio mundo – ou mesmo pelo mundo todo dos grandes clubes europeus – aceitasse aumentar as dificuldades, ou mesmo inviabilizar, de uma expectável transferência!


Mais difícil de perceber é no entanto que menos de dois meses depois, e no final do primeiro jogo do campeonato, venha o jogador dizer alto e em bom som que quer sair. Que é agora tempo de sair, quando há dois meses atrás era de ficar!


Ninguém entende. Tanto mais que referiu mesmo o Atlético de Madrid como provável destino. O mesmo Atlético de Madrid de que, ainda há poucos dias Pinto da Costa, à sua maneira desrespeitosa e no seu tom predilecto, dizia que nem tinha dinheiro nem era clube para Falcao. E que, evidentemente, não pertence ao mesmo campeonato dos emblemas que, há um ou dois meses, manifestavam interesse na sua contratação: Chelsea, Real Madrid e Barcelona!


Ou muito me engano ou chegou o momento de Pinto da Costa engolir muitas das suas palavras. Ou de pagar caro por elas!


 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Temporização: atraso calculado de uma ação, geralmente à espera de momento mais propício. No futebol também há disto, palavra por palavra, letra por letra!. No futebolês, no entanto, a temporização tem um sentido bem mais lato e menos objetivo. Tem a ver com controlo de jogo e posse de bola e, em última instância, com mais um neologismo do futebolêsdescansar com bola!


Saber temporizar o jogo é mais do que meio caminho para o seu controlo. É saber gerir os ritmos baixos do jogo, a começar logo pelo seu lançamento. É saber mandar no jogo! Para mandar no jogo há que estar por cima dos seus diferentes momentos: acelerar o jogo e lançá-lo para ritmos elevados e baixar-lhe o ritmo para adormecê-lo e adormecer o adversário, gerindo o esforço da equipa sem perda de concentração e com o controlo da bola, obrigando o adversário a desgastar-se atrás dela enquanto, tranquilamente, descansa. O tal descansar com bola, que as grandes equipas têm de saber fazer. E que os grandes treinadores têm de saber colocar em prática!


É, ao fim e ao cabo, a vertente estratégica do jogo. Não é uma questão táctica, essa joga-se noutro tabuleiro. Uma equipa não muda de táctica quando assegura a gestão dos ritmos de jogo, mantém a táctica dentro de uma determinada estratégia de jogo!


Em Portugal é a equipa do Porto quem, sem qualquer dúvida, melhor joga com a temporização do jogo. Praticamente nas antípodas está o Benfica de Jesus, uma equipa que apenas conhece a variante acelerada do jogo. Apenas sabe jogar em ritmo elevado o que, evidentemente, é impossível de fazer durante todos e cada um dos noventa minutos do jogo. Na maior parte do jogo a equipa está exposta às vicissitudes do próprio jogo – que não controla – e às acções do adversário.


Tem sido sempre assim. Foi assim na primeira época – a tal dita de fantástica mas que foi exactamente assim – quando, ainda assim, resultou. Pelo efeito surpresa e porque encontrou uma concorrência subdimensionada (o adversário foi o Braga, o que diz tudo). Foi assim, com os resultados conhecidos, na segunda e é assim na terceira, que acaba de se iniciar. Não custa muito adivinhar com que resultados: o primeiro não foi famoso!


O Benfica acaba de abrir o campeonato com um empate em Barcelos (2-2) num jogo que aos 18 minutos ganhava por dois a zero! Num jogo em que, mesmo quando empolgava, com jogadas de grande ritmo e velocidade, como as que resultaram nos dois golos marcados, a equipa não deixava de estar exposta ao adversário e às vicissitudes em que jogo é fértil, como um pontapé inspirado de um tal Laionel que, ironia do destino, tinha feito precisamente o mesmo no jogo de abertura da época passada. Só que então na Luz e, na baliza, Roberto!


É uma frase feita mas não deixa de ser verdadeira: uma equipa que quer ser campeã não pode deixar de ganhar um jogo depois de estar a vencer por dois a zero! E, sem saber jogar com os tempos do jogo, situações como esta irão repetir-se muitas vezes ao longo da época, não havendo plantel que resista…

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Messi - o símbolo

Messi: ″PSG tem grande plantel e equipa técnica. Quero conquistar muitos  títulos″


 


Messi não é hoje apenas, para muitos, o melhor jogador de futebol de sempre. É, ao transitar de Barcelona para Paris, o maior símbolo do que é o futebol de hoje. 


Hoje o Paris Saint Germain deu um passo gigante rumo à sua afirmação mundial. Entrou na dimensão galáctica. Pelo contrário, e quando estamos ainda longe de conseguir avaliar todo o impacto da perda de Messi, o Barcelona deixou à vista muito mais do que gostaria de mostrar.


O resto só os resultados dirão.

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A montanha pariu um rato!


Já não surpreende, afinal este governo está a revelar-se especialista na criação de montanhas … que parem ratos. Estará – quem sabe – a dar um forte contributo para o desenvolvimento económico, em especial da indústria química. Com esta taxa de natalidade, se há actividade com boas perspectivas de crescimento, é mesmo a dos raticidas.


Anunciar o anúncio de medidas de corte de despesa e depois apenas comunicar mais do mesmo já não é problema de comunicação. É algo bem mais grave que apenas justifica a colagem do anúncio das decisões do conselho de ministros à conferência de imprensa da troika. Assim percebemos o que ontem não se percebia!


Mais uma vez o governo escondeu do país as famigeradas medidas de corte na despesa. As tais que sucessivamente reclamou no passado. As tais que são a chave de saída desta maldita situação e que garantem 2/3 da solução. Anunciou mais um brutal aumento de impostos – agravamento do IVA da electricidade do gás e da electricidade em cerca de 400% - e, de despesa, falou no congelamento das progressões das carreiras no âmbito dos ministérios da administração interna e da defesa: ou seja, dos militares e afins! Mas isso nem é corte de despesa nem novidade. É poeira!


É certo que o aumento do IVA naqueles dois bens essenciais estava previsto no memorando da troika. Mas era para o próximo ano. Ao antecipar esta medida o governo apenas fez mais do mesmo: ir ao bolso dos contribuintes. E isto não deixa de ser assim pelo simples facto de, em grande parte dos países europeus, esses bens já estarem sujeitos a tributação pela taxa máxima.


Mais uma vez o ministro das finanças, no seu tom pausado e pseudo-professoral, e agora sem direito a perguntas, fugiu da objectividade e do esclarecimento como diabo da cruz, insistindo numa linguagem opaca que apenas contribui para a confusão. Depois do desvio colossal insiste agora num desvio previsível que se cifrará em 1,1% do PIB. Se o desvio colossal, que serviu de sustentação do novo imposto, não foi explicado, também não será este, agora previsível, a sê-lo. O que é mau, porque nós sabemos que o défice do orçamento para este ano tinha sido fixado em 4,6%. E que a troika o fixou, no memorando que estamos obrigados a cumprir, em 5,9%. Isto é, 1,3% acima, qualquer coisa como os 2 mil milhões de euros que o primeiro-ministro, colossal ou não, já por várias vezes referiu.


É mais do que tempo de tornar estas coisas claras, porque com tanta poeira a ser-nos lançada para os olhos, corremos o risco de cegar de vez.


Apenas uma referência final à conferência de imprensa da troika - de que o governo aproveitou a boleia – para notar que, sobre esta questão da despesa, eles sabem mais do que nós. Para falarem como falam não têm poeira a tapar-lhes a visibilidade! E para notar que a troika transformou mesmo a redução da TSU num dogma. E no dobro (redução em 7 pontos percentuais) do que o governo vinha adiantando, o que irá provocar mais um desastre porque, com mais um aumento das taxas IVA, quem sai a ganhar é a economia paralela!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Mais exigência


 


O Benfica regressou à Luz, como o público, mesmo que apenas com um terço da lotação, para concluir, com sucesso, a passagem ao play-off de apuramento para a Champions.


Vinha de Moscovo com um confortável resultado de 2-0, que permitia alguma tranquilidade, mais suportada ainda pelas fragilidades do adversário evidenciadas no primeiro jogo, e confirmadas hoje. A equipa de Rui Vitória mostrou sempre menos do que se esperava, o que talvez explique as dificuldades que o antigo treinador do Benfica está visivelmente a atravessar.


A superioridade que a equipa do Benfica patenteara já em Moscovo, e que hoje, mesmo sem uma exibição completamente afirmativa, confirmou, não é por isso nada que galvanize. Foi uma superioridade que tem de ser encarada com bastante relativismo. Até porque o desempenho da equipa, mesmo perante um adversário de evidente fragilidade, não é de todo convincente, como hoje voltou a poder constatar-se.


A posse de bola, a níveis de 70%, não se traduz em finalização. É uma posse estéril, como já vinha da época passada, aquela que hoje pudemos presenciar. Na primeira parte, nem um remate à baliza, e na verdade, e ao contrário dos dois últimos jogos, incluindo por isso o de Moscovo, nem sequer houve problemas de eficácia, de desperdício de oportunidades. Os dois golos de hoje nem foram apenas mais que as oportunidades, foram até mais que os remates à baliza!


É um futebol sem presença na área, e sem gente na grande área é difícil marcar golos. Há sempre a hipótese do remate de meia distância, mas também isso não é um ponto forte do futebol da equipa. No jogo de hoje apenas por uma ocasião concentrou dois ou mais jogadores naquela zona de definição; só que nessa ocasião ela estava cheia de jogadores adversários, que não deixavam espaço por onde a bola passar.


Os golos, de João Mário (o primeiro ao serviço do Benfica), já à beira do fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, e o auto-golo que saiu de um remate de Yaremchuk (que substituiu Gonçalo Ramos na parte final do jogo), já no período de compensação, são, de resto, ilustrativos de tudo isso. Falta intensidade, a defender e a atacar. Apenas em Rafa, de novo o melhor, seguido de João Mário, é possível identificá-la. E faltam variações de ritmo e de soluções de abordagem ao jogo, acabando por se tornar num futebol repetitivo e estereotipado.


Ao contrário do que possa parecer, o entusiasmo que nasceu em Moscovo não encontrou hoje razões para crescer. Tudo fica agora adiado para o paly-off, com o PSV que, esse sim, está a entusiasmar. Os seus adeptos, e não só!


As dificuldades agora aumentam, e com elas a expectativa sobre a capacidade de resposta da equipa à maior exigência a que vai ser sujeita. E, provavelmente sem Vertonghen - mais um lesão neste início de época -, com o regresso à defesa a quatro, depois de, pela primeira vez, se ter visto a equipa jogar realmente com três defesas

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O primeiro-ministro interrompeu as férias - Manta Rota ficou agora sob a mira das televisões, como há um mês esteve Massamá – para se deslocar a Lisboa para uma reunião do Conselho de Ministros de anunciadas colossais medidas.


É estranho, mas é assim: no final da reunião a notícia não foram as decisões tomadas; a notícia foi o anúncio do anúncio das medidas decididas. As medidas, ao que se diz de cortes colossais na despesa, serão anunciadas amanhã, logo pela manhã!


Esta é mais uma particularidade deste governo. Se calhar, como o governo começava a ser acusado de sucessivamente adiar as medidas de corte da despesa, este adiamento de um dia na sua comunicação é estratégico.


Receio que estes cortes colossais sejam mais umas colossais desgraças… A despesa pública é rígida e preenchida, fundamentalmente, por salários e prestações sociais. Como em salários é muito difícil mexer não será muito difícil de acertar nos cortes que aí vêm. Que sejam bem feitos, objectivos e direitinhos a muitas das situações que têm vindo a ser denunciadas. Se não for assim, e não é fácil que o seja, virão aí mais desgraças!


O resto … bem o resto serão medidas moralizadoras: extinção de um outro serviço e fusão de mais uns tantos serviços e institutos. Que têm significado político, que poderão até moralizar a distribuição dos sacrifícios e que, nesse sentido, serão de aplaudir. Mas com pouco impacto, quando o anunciado objectivo é de encontrar aí a solução para 2/3 do problema.


E já que estou em tempo de especulação, espero bem que tenham aproveitado para abandonar a ideia da redução ta TSU. Já toda a gente percebeu que isso não resolve coisa nenhuma; vai, pelo contrário, trazer novos problemas. Há ideias que rapidamente se evoluem para dogmas. Mas os dogmas também se abatem!

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Sofrimento a mais. Não havia necessidade!

Moreirense 1-2 Benfica: Sofrimento desnecessário


 


O Benfica arrancou para o campeonato em Moreira e Cónegos, com um onze de alguma forma surpreendente. Seis alterações relativamente ao jogo de Moscovo, onde a equipa tinha deixado boas sensações, praticamente assegurando a passagem ao play-off de acesso à Champions.

 

Jorge Jesus justificou as alterações com as "condições fisiológicas" dos jogadores - e com a falta de tempo para a sua recuperação - e mexeu em tudo o que podia mexer. Manteve o guarda-redes Vlochodimos, porque Helton Leite estava castigado, e porque não há como tirar o grego da baliza, Diogo Gonçalves e os três centrais. Que não tem nada a ver com a ideia da defesa a três, como já aqui tinha referido no jogo com o Spartak de Moscovo. Tem exclusivamente a ver com a qualidade de Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen, e com as complicações de deixar qualquer um destes indiscutíveis de fora, mas também com segurança defensiva. A partir desses quatro foi tudo diferente, mesmo que Gonçalo Ramos, que fez um jogo enorme, tivesse jogado grande parte da partida de Moscovo, depois da lesão de Seferovic, aos 38 minutos.

 

Com Seferovic, Rodrigo Pinho e Darwin lesionados, Yaremschuk ainda por integrar na equipa, e Carlos Vinícius (estranhamente) fora dos convocados, também não havia alternativa ao Gonçalo.

 

Com João Mário também impedido por castigo estreou-se Meité, que deixou boas indicações, muito embora também dúvidas – a esclarecer nos próximos jogos – sobre se será o exactamente o médio que acrescente algo de significativo ao meio-campo. E voltou à titularidade o sempre inconsequente Tarabt, esse sim, que não acrescenta.

 

Com tantas mexidas era de recear pela resposta da equipa num jogo sempre difícil, como têm ultimamente sido os jogos com o Moreirense - em Moreira de Cónegos, mas mesmo na Luz -, agora treinado por João Henriques, também ele a colocar grandes dificuldades ao Benfica nos últimos tempos. No entanto a equipa respondeu bem, e a primeira parte foi de amplo e confortável domínio encarnado. Marcou cedo, logo aos 9 minutos, por Lucas Veríssimo, praticamente atropelou o adversário e, cedo também, dez minutos depois, chegou ao segundo golo, por Luca Waldschmidt. Teve mais três ou quatro oportunidades claras de jogo, entre as quais duas bolas nos ferros, mas permitiu o golo do Moreirense, na única vez em que se aproximou da baliza de Vlachodimos, num erro de Vertonghen, já próximo do intervalo. Que, diz a história, poderia tornar complicado um jogo que estava fácil.

 

Não se complicou aí, mas complicar-se-ia logo no início da segunda parte, quando Diogo Gonçalves cometeu uma falta indesculpável, que lesionou um adversário, e que o árbitro - Vítor Ferreira, do Porto, claro - depois de chamado pelo VAR a ver as imagens, expulsou. Exactamente ao contrário do que sucedera logo a seguir ao primeiro golo, quando expulsou Artur Jorge, num lance em que Waldschmidt seguia isolado, e reverteu depois para amarelo. Poderá até não ter estado mal nestas decisões cruciais, mas esteve mal em muitas outras ocasiões, em especial no atropelamento a Gonçalo Ramos, pelas costas. quando seguia isolado para a baliza adversária, e deixou o cartão vermelho no bolso.

 

A partir da expulsão de Diogo Gonçalves, com dez, o Benfica passou por dificuldades. Não que o Moreirense tenha massacrado, nada disso, nem que tenha criado oportunidades de golo. Uma apenas, bem contrariada por Vlachodimos, menos qua as duas que o Benfica criou nesse período. Mas porque a equipa não mais teve o jogo verdadeiramente controlado, ficando à mercê das contingências de um jogo de futebol.

 

Jorge Jesus fez as substituições que se impunham, mas nunca conseguiu mais que minimizar os estragos, à medida que o jogo se ia complicando e ficando cada vez mais quezilento, com muitas faltas de parte a parte, e com os jogadores do Moreirense a abusarem da falta, da teatralização e da simulação. E com sucessivos amarelos para ambos os lados. Para o do Benfica, por tudo e por nada, para o do Moreirense por faltas que muitas vezes justificavam outra cor. Por isso o último apito do árbitro foi longamente esperado e, por fim, recebido com grande alívio.

 

Não era preciso tanto sofrimento. Que só foi possível por tanto desperdício, o que começa a ser preocupante, e pela asneira, grossa, do Diogo Gonçalves. 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Olho de relance para o televisor e, num frente a frente do Mário Crespo, reconheço a Helena Roseta e a Teresa Caeiro. Já ontem, num idêntico relance, dera conta que o Alfredo Barroso contracenava com o Diogo Feio.


Pronto, já percebi como acabou a guerra entre aqueles dois, com Mário Crespo, salomónico ou não, a premiá-los a ambos. Em vez de os sancionar, como seria normal: quem não se sabe comportar não deve ser premiado por isso!


Mas na verdade, e em tão pouco tempo, não percebi apenas como acabou esse incidente na SIC. Acabei também por perceber como começaram os de Londres e que já alastram à maior parte das grandes cidades inglesas. Explicou-mo a Helena Roseta: É que agora não há guerras e os jovens não têm onde descarregar os seus excessos de energia!


Não consegui - nem estava para aí virado - acompanhar o resto da narrativa. Bastou-me ouvir aquela explicação. Que deve ser boa porque a outra senhora não reagiu, como fazia com o Alfredo Barroso…


Agosto é mesmo assim: feito de coisas parvas!

domingo, 8 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Enquanto Londres está a ferro e fogo, Obama se resigna ao nosso romantismo – este país será sempre AAA e não se submete a agências de rating –, as bolsas mundiais “crasham” e o Quim e o Nuno Gomes regressam à selecção, nós estamos em Agosto. E, a gosto, de férias!


Dizia-se que este ano não haveria férias. Ninguém iria de férias: os deputados porque a Assembleia da República nem fecharia; os ministros porque não teriam tempo para isso mas ... francamente, quem começa a trabalhar em final de Junho não tem direito a férias, e os portugueses em geral porque não teriam dinheiro.


A verdade é que Agosto é irresistível! E lá estamos quase todos de férias. Incluindo o primeiro-ministro, lá para Manta Rota… Aquilo do facebook é que não saiu lá muito bem: sacrifícios não rima com férias. E, no fim, desejar “continuação de bom Verão” poderá parecer irónico.


O Presidente da República também está de férias e também nos dá conta disso pela mesma via, pelo facebook. Mas aí, ao contrário do primeiro-ministro, já estávamos habituados. Não nos surpreendeu…


Pois, eu não utilizo o facebook… Boas férias!

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


O balneário é sagrado, como já tivemos oportunidade de ver. De um local sagrado o mínimo que se espera é … limpeza. Num local que pode concentrar mais valor que os cofres-fortes de qualquer banco de primeira linha espera-se limpeza máxima, um esmero de asseio onde tudo brilhe…


E no entanto, em futebolês, a limpeza de balneário não tem nada a ver com isto. Não tem nada a ver com limpeza e com asseio, mas tem muito a ver com expurgar, expulsar ou mesmo empurrar – nem que seja para baixo do tapete – lixo. Podendo o lixo ser mesmo porcaria ou simplesmente o que já não presta, como uma maçã podre, por exemplo.


Pois é, limpeza de balneário não é mais do que correr com uma série de jogadores que alguém entende serem lixo, já não prestarem e, pior, que representam altíssimo risco de contágio. Neste sentido a limpeza de balneário chega mesmo a assemelhar-se a um profundo processo de desinfestação. Limpa-se mas vai-se mais longe, eliminando-se todos os riscos de contágio por infecção!


É certo que, às vezes, esta operação de desinfestação é do tipo cirúrgico, com pinça e bisturi. Nada melhor que o Sporting para percebermos melhor cada uma destas distintas formas de limpeza. No ano passado – há um ano atrás – no Sporting tudo corria bem: um bom presidente - o José Eduardo Bettencourt, como todos estarão recordados -, um grande treinador, Paulo Sérgio – de créditos firmados no panorama desportivo nacional através de uma sólida carreira no Paços de Ferreira e de um curto, mas espectacular trajecto de dois ou três meses no Guimarães –, um director desportivo experimentado e de currículo invejável, o Costinha, e um excepcional grupo de jogadores como Hildebrand, Torsiglieri, Evaldo, Grimi, Zapater, ou Saleiro, para não ser muito exaustivo. Mas havia um pequeno-grande problema: o João Moutinho, um jogador sem categoria para jogar naquela equipa mas, pior ainda, um tipo sem brio profissional, sempre indisponível para jogar, fosse por lesões, resultantes de permanente deficiência de condição física, fosse por punições disciplinares, resultantes de uma gritante falta de sentido de responsabilidade. Um péssimo exemplo para os colegas e, azar dos azares, capitão de equipa!


Uma maçã podre – como muito bem definiria o presidente – que representava sérios riscos de contaminar grandes e lindas maçãs verdes como Maniche, Vukcevic ou Tales Souza, por exemplo. Impunha-se e muito bem uma desinfestação do tipo cirúrgico: pegar no João Moutinho e mandá-lo para bem longe! Alguma coisa correu menos bem e acabou por ficar bem por perto. Perto de mais!


Não correu lá muito bem. E começou a perceber-se que, afinal, nem o presidente, nem o director desportivo, nem o treinador, nem os jogadores eram bem o que se dizia. E, de rabinho entre as pernas, acabaram todos por, um a um, ir abandonando o cesto: primeiro o director desportivo, depois o presidente e, finalmente e a muito custo, o treinador. Ficaram os jogadores, foram ficando. Antes da partida do presidente ainda chegaria outro director desportivo que, já com o novo presidente mas sempre com os mesmos jogadores, ainda viraria treinador. Como se percebe só os jogadores é que permaneceram, inamovíveis!


Inevitável pois a limpeza de balneário marcada para o início deste Verão. Árdua tarefa, a exigir uma vassoura das grandes e cheques, coisa que por ali vinha rareando nos últimos tempos. Muitos cheques! Cheques para os que partem e cheques para os que chegam. Que foram muitos: catorze, até agora!


Pode ser que corra bem: melhor do que no ano passado não é difícil! É que às vezes estas limpezas de balneário correm mal. Lembro-me que, há 17 anos, depois do título de 1994, um senhor dado como especialista na matéria – Artur Jorge, lembram-se? - chegou à Luz e fez uma limpeza daquelas em que vai tudo a eito. Em que, ao deitar fora a àgua, vai também o bebé: deu num jejum de 11 anos! E na descolagem do Porto que, a parir daí, abriu e foi embora


Este ano chegou a parecer que também Jorge Jesus andava de vassoura na mão. Nuno Gomes e Moreira pareciam apontar para sinais de limpeza mas, vá lá… parece que não. Chegaram 20 caras novas mas, pelo que se tem visto, mantém na equipa 5 ou 6 jogadores da época passada. Portugueses é que já não há. Nem Roberto, esse guarda-redes de grande futuro …

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

De ouro!

Pedro Pablo Pichardo é campeão olímpico do triplo salto. Primeira medalha de ouro para Portugal em Tóquio


 


O melhor estava guardado para o fim. O ouro, e finalmente a bandeira portuguesa no lugar mais alto do mastro, depois do bronze de Jorge Fonseca (judo) e de Fernando Pimenta (canoagem) e da prata de Patrícia Mamona (triplo salto) foi obra de Pedro Pichardo, o atleta do Benfica que voou para a vitória, também no triplo, fazendo de Tóquio a melhor participação olímpica portuguesa de sempre.


Era a esperança portuguesa para o ouro olímpico, por muito que a imprensa nacional o parecesse ignorar, e não desiludiu. Parabéns, Pedro. Parabéns campeão!

Há 10 anos

 


O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Voltei a uma consulta ao hospital – não, descansem que nem estou a ficar doente nem as salas de espera dos hospitais passaram a fazer parte dos meus fetiches – e, dada a minha experiência anterior, voltei a não levar nada para ler.


A verdade é que nem sempre tudo corre bem. Às vezes há imponderáveis que são capazes de fazer correr mal - ou mesmo muito mal – aquilo que tinha tudo para correr bem. Foi o caso: mais de três horas de espera!


A sala desta vez era outra. Maior e com uma configuração em L, estranha e, pareceu-me, pouco dada ao exercício preferido dos portugueses nestas circunstâncias: a conversa, em especial a conversa sobre doenças. As que têm e as que imaginam ter. Fui passando os olhos por toda aquela fauna bem própria deste habitat. Algumas personagens destoam: mulheres altas e louras, bem encorpadas e de olhos claros. Invariavelmente com crianças! Mulheres e crianças, a deixar a ideia que naqueles imigrantes do leste europeu os homens não têm tempo para adoecer. Apenas para trabalhar e garantir o sustento da família!


O ritmo de chamadas é grande: “serviço M - senha 123 – gabinete 214”! A voz é agradável e repete a chamada enquanto um monitor se esforça por captar a atenção da sala com o piscar sucessivo e rápido da mesma informação. Sem qualquer ordem! A sequência, conforme também explica o mesmo monitor, é por ordem de marcação da consulta, e não de chegada, ou qualquer outra! À senha 123 não se seguirá a 124!


É como se toda aquela gente estivesse de olhos vendados, a jogar à cabra-cega o que, começo então a perceber, explica - mais que a configuração da sala – a desmobilização geral. É isso, as pessoas estão tão suspensas da cadência daquela voz e da do piscar daquele ecrã que nem lhes dá para conversar.


Mesmo assim sinto o assédio: um olhar, um desabafo ou uma tirada mais ou menos provocatória. Porque não é só para dançar o tango que, como descobriu alguém que bem conhecemos (e aqui cumpro uma pausa de silêncio em respeito pela dor de alguém que, em pouco mais de duas semanas, perdeu o pai e um irmão), são precisos dois. Para a conversa também!


Resisti – confesso que entre desconhecidos não é nada fácil arrancarem-me uma palavra – mas, como sempre acontece, o que uns rejeitam outros desejam. “Venho para a consulta de diabetes; o que me vale é que é só de 6 em 6 meses” – lançou a rapariga de 34 anos, como ela própria se intitularia pouco depois:”sou uma rapariga nova – sim, só tenho 34 anos – e já tenho tantas doenças”, sem contudo adiantar mais nenhuma.


“Eu tenho açúcar a menos, vim com o meu pai, que tem açúcar a mais, porque eu, ao médico, só vou ao do seguro”, reponde, formando-se finalmente o par, um homem de 39 anos, confirmados da mesma forma:”eu tenho 39 anos e no fim do ano vou para a reforma; até aos 65 estou safo”! Trabalha numa serração de madeiras onde, pelo que foi dado perceber, teve a sorte de sofrer um acidente de trabalho de que, à vista, não sobram sequelas: “se não tivessem desligado a máquina todo eu tinha sido feito em salsichas”!


Ela está desempregada há mais de dois anos. E sem qualquer subsídio. “Não fosse o marido…” Tem portanto marido. E duas filhas pequenas que não lhe permitem regressar à sua antiga actividade: motorista de camion, nos transportes internacionais. “Se lá fosse pedir emprego voltavam a aceitar-me. É disso que eu gosto. Saía-me do corpo mas ganhava muito bem. Depois casei…”


“Pois, agora há muitas mulheres nessa vida. Não a queria para mim! Mas olhe que isso agora não está bom, eu conheço uns imigrantes do leste que andam nisso e dizem que está mau”- respondeu-lhe ele!


A conversa passara já pelo custo de vida, pelos combustíveis e, daí, por carros. Ele tinha um carro de alta cilindrada: um Xantia, 1600, que apenas conseguia manter porque não precisava de o usar. “Trabalho portão com portão e, ao fim-de-semana, só saio no Verão. No inverno não saio de casa”. O Xantia - para quem ligue pouco a automóveis – é o modelo topo de gama (a indústria automóvel alemã provocou nos últimos 20 anos um downgradind generalizado dos modelos de topo dos restantes construtores) da Citroen dos anos 90, o antecessor do actual C5. Ela tinha um pequeno velho utilitário, a gás: “como anda pouco não lhe compensa meter a gás, mas a mim compensa, que ando muito”!


“Serviço A - senha 105 – gabinete 202” – ouviu-se. Ela levantou-se e dirigiu-se apressadamente para a porta em frente. A conversa acabou ali mesmo, sincopada, sem uma despedida. Nem um último olhar!


A conversa é descartável. Como as pessoas!


Acho que é por isso que ninguém me consegue arrancar uma palavra, por maior que seja o assédio!


 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Entusiasmo


 


Belo jogo do Benfica nesta estreia da nova época, ao contrário das camisolas, também em estreia. Aquelas camisolas não lembrariam a ninguém!

 

Mas não são as camisolas que importam, mesmo que não gostemos. É secundário, ao contrário da qualidade de jogo, essa sim, é que importa. E o Benfica apresentou em Moscovo um futebol que o que tínhamos vistos na pré-época não permitia, nem aos mais optimistas, perspetivar.

 

É sabido que em futebol uma equipa joga o que a outra deixa. A questão que se poderá levantar é se foi o Spartak de Rui Vitória a deixar muito, ou o Benfica a não deixar nada. Terá sido um pouco de cada, ficando a ideia que a equipa russa foi bem menos do que se poderia esperar; e a certeza que o Benfica foi bem mais do que tinha deixado adivinhar.

 

O Benfica entrou com três centrais, ao contrário do Jesus tinha proclamado, ao anunciar que jogaria com quatro defesas. Talvez seja isso, o treinador coloca três defesas centrais em jogo, mas não joga como normalmente se joga com três centrais, apesar dos laterias - Diogo Gonçalves, desta vez, e o habitual Grimaldo - jogarem subidos. Mas como jogam sempre. E o início de construção é também o mesmo, de sempre.

 

Daí que me pareça que a presença dos três centrais não tem nada a ver com o modelo de jogo do treinador. Tem, antes, tudo a ver com a qualidade de Otamendi, Lucas e Vertonghen. E com a dificuldade de deixar algum de fora. Até aí, tudo bem. O problema é que só podem jogar 11, e esse um a mais no centro da defesa, implica um a menos na frente.

 

Independentemente desta questão a verdade é que o Benfica fez um jogo muito bom, com uma excelente exibição colectiva e grandes exibições individuais, onde há que destacar Rafa e João Mário. E, se não deixou já a eliminatória resolvida - há sempre imponderáveis - bem poderia tê-lo feito, tão clara foi a sua superioridade sobre o adversário, e tantas foram as oportunidades para chegar a um resultado que deixasse já tudo resolvido. 

 

Na primeira parte foram quatro as ocasiões claras de golo - é certo que, nesse período, também permitiu uma ou duas ao adversário - criadas. E no fim do jogo puderam contar-se nove ou dez, sem que o adversário tenha somado mais qualquer outra. E ainda terão possivelmente ficado por assinalar três ou quatro penaltis, sem que se perceba por que é que estes jogos de apuramento para a Champions não têm VAR.

 

O 2-0 final (Rafa, aos 50 minutos; e Gilberto aos 74) abre boas perspectivas para o apuramento para o play off, mas é escasso para traduzir a realidade do jogo e a superioridade do Benfica, circunstâncias que certamente entusiasmam as hostes benfiquistas. E sabemos como o entusiasmo conta!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...