O Benfica arrancou para o campeonato em Moreira e Cónegos, com um onze de alguma forma surpreendente. Seis alterações relativamente ao jogo de Moscovo, onde a equipa tinha deixado boas sensações, praticamente assegurando a passagem ao play-off de acesso à Champions.
Jorge Jesus justificou as alterações com as "condições fisiológicas" dos jogadores - e com a falta de tempo para a sua recuperação - e mexeu em tudo o que podia mexer. Manteve o guarda-redes Vlochodimos, porque Helton Leite estava castigado, e porque não há como tirar o grego da baliza, Diogo Gonçalves e os três centrais. Que não tem nada a ver com a ideia da defesa a três, como já aqui tinha referido no jogo com o Spartak de Moscovo. Tem exclusivamente a ver com a qualidade de Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen, e com as complicações de deixar qualquer um destes indiscutíveis de fora, mas também com segurança defensiva. A partir desses quatro foi tudo diferente, mesmo que Gonçalo Ramos, que fez um jogo enorme, tivesse jogado grande parte da partida de Moscovo, depois da lesão de Seferovic, aos 38 minutos.
Com Seferovic, Rodrigo Pinho e Darwin lesionados, Yaremschuk ainda por integrar na equipa, e Carlos Vinícius (estranhamente) fora dos convocados, também não havia alternativa ao Gonçalo.
Com João Mário também impedido por castigo estreou-se Meité, que deixou boas indicações, muito embora também dúvidas – a esclarecer nos próximos jogos – sobre se será o exactamente o médio que acrescente algo de significativo ao meio-campo. E voltou à titularidade o sempre inconsequente Tarabt, esse sim, que não acrescenta.
Com tantas mexidas era de recear pela resposta da equipa num jogo sempre difícil, como têm ultimamente sido os jogos com o Moreirense - em Moreira de Cónegos, mas mesmo na Luz -, agora treinado por João Henriques, também ele a colocar grandes dificuldades ao Benfica nos últimos tempos. No entanto a equipa respondeu bem, e a primeira parte foi de amplo e confortável domínio encarnado. Marcou cedo, logo aos 9 minutos, por Lucas Veríssimo, praticamente atropelou o adversário e, cedo também, dez minutos depois, chegou ao segundo golo, por Luca Waldschmidt. Teve mais três ou quatro oportunidades claras de jogo, entre as quais duas bolas nos ferros, mas permitiu o golo do Moreirense, na única vez em que se aproximou da baliza de Vlachodimos, num erro de Vertonghen, já próximo do intervalo. Que, diz a história, poderia tornar complicado um jogo que estava fácil.
Não se complicou aí, mas complicar-se-ia logo no início da segunda parte, quando Diogo Gonçalves cometeu uma falta indesculpável, que lesionou um adversário, e que o árbitro - Vítor Ferreira, do Porto, claro - depois de chamado pelo VAR a ver as imagens, expulsou. Exactamente ao contrário do que sucedera logo a seguir ao primeiro golo, quando expulsou Artur Jorge, num lance em que Waldschmidt seguia isolado, e reverteu depois para amarelo. Poderá até não ter estado mal nestas decisões cruciais, mas esteve mal em muitas outras ocasiões, em especial no atropelamento a Gonçalo Ramos, pelas costas. quando seguia isolado para a baliza adversária, e deixou o cartão vermelho no bolso.
A partir da expulsão de Diogo Gonçalves, com dez, o Benfica passou por dificuldades. Não que o Moreirense tenha massacrado, nada disso, nem que tenha criado oportunidades de golo. Uma apenas, bem contrariada por Vlachodimos, menos qua as duas que o Benfica criou nesse período. Mas porque a equipa não mais teve o jogo verdadeiramente controlado, ficando à mercê das contingências de um jogo de futebol.
Jorge Jesus fez as substituições que se impunham, mas nunca conseguiu mais que minimizar os estragos, à medida que o jogo se ia complicando e ficando cada vez mais quezilento, com muitas faltas de parte a parte, e com os jogadores do Moreirense a abusarem da falta, da teatralização e da simulação. E com sucessivos amarelos para ambos os lados. Para o do Benfica, por tudo e por nada, para o do Moreirense por faltas que muitas vezes justificavam outra cor. Por isso o último apito do árbitro foi longamente esperado e, por fim, recebido com grande alívio.
Não era preciso tanto sofrimento. Que só foi possível por tanto desperdício, o que começa a ser preocupante, e pela asneira, grossa, do Diogo Gonçalves.
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