sábado, 31 de agosto de 2019

Fim de férias

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Deitada ao sol, linhas bem torneadas, biquini a condizer e bronze no ponto, captava os olhares de quem passava. De repente virou-se e ouviu-se, bem ouvido: "enchetes-me chea de area"!


Lembrei-me daquele jargão: "calado, és um poeta". Mas não batia certo no género. Então veio-me à cabeça: "calada poderias ser uma musa"... 


Se são as últimas imagens as que ficam, nem sei bem com qual ficar deste último dia de férias...

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Novo mundo*

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 O mundo novo que se abriu há quatro anos com o brexit, e com a eleição de Trump, está aí. À vista de todos, e com tudo à mostra.


Os últimos dias foram ricos em manifestações deste mundo novo. Como se não bastasse o que se passou na reunião do G7, e o que se está a passar na Amazónia, ou o apoio declarado e expresso de Trump à política e à personalidade de Bolsonaro, e ao brexit e a Boris Johnson, assistimos em Itália e no Reino Unido, a dois autênticos golpes de Estado. O primeiro, em Itália, à primeira vista, fracassado. O segundo, à primeira vista, bem-sucedido! 


 Em Itália, Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e representante deste novo mundo na paisagem política italiana, derrubou o seu próprio governo para seguir para eleições, atrás das sondagens que lhe prometem o reforço da sua expressão eleitoral e a possibilidade de conquistar o poder neste novo mundo.  Saiu-lhe furado. As instituições italianas funcionaram e, em vez das eleições ambicionadas por Salvini, saiu um novo governo do actual quadro parlamentar, pronto a concluir a legislatura.


No Reino Unido, Boris Johnson fez diferente, mas com a mente no mesmo objectivo. Para concluir o brexit até à data de 31 de Outubro, o novo primeiro-ministro britânico e parceiro de Trump, decidiu fechar o Parlamento. Fechado, sem deputados a discutir e a votar, Boris Johnson decide sozinho como e quando abandona a União Europeia. Sendo que o quando é já, e o como é sem acordo. Custe isso o que custar, incluindo a própria integralidade do Reino Unido, porque do outro lado do Atlântico há um tio Sam a acenar com “tremendous” acordos comerciais. Fechado o brexit, parte para eleições. E, com as receitas conhecidas, ganhá-las-á – espera ele. Ele e os seus parceiros deste novo mundo!


Até aqui as coisas parecem correr-lhe bem. Mas ainda não são favas contadas. Há ainda muita coisa que lhe poderá correr mal. E pode até ser que nem corra tudo mal sempre aos mesmos…


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Pedimos desculpa por esta interrupção. A democracia segue dentro de momentos!

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A ideia já tinha passado cá por Portugal, aqui há 10 anos, lançada por uma senhora então candidata a primeira-ministra. Era um pouco mais ambiciosa, é verdade: propunha na altura a suspensão da democracia por seis meses. Foi agora recuperada por Boris Johnson, o homem certo para conduzir com êxito o brexit, que está a fazer tudo bem, como diz o presidente americano, para quem também Bolsonaro está a fazer tudo o que deve ser feito. Netanyahu, também, mas esse já nem precisa que Trump ande a dizê-lo...


Pois, o novo primeiro-ministro britânico, que não foi eleito porque a mais velha democracia da Europa também tem destas coisas, não foi tão longe como Manuela Ferreira Leite preconizava na altura, mas chegou lá. Como tem de tratar da saída sem acordo até 31de Outubro, e está visto que o parlamento, eleito democraticamente, só atrapalha primeiros-ministros não eleitos, requereu à rainha a suspensão do parlamento britânico por cinco semanas. Menos que 6 meses, é certo, e apenas o estritamente necessário para que esteja fechado sem incomodar o sócio de Trump na tramitação do brexit. Mas conseguiu, enquanto a experiência portuguesa ficou por terra... A rainha aceitou!


Dizem que não tinha outra forma... 


 

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Primeiras páginas

Capa Correio da Manhã


 


Marcelo faz tudo, está em todo lado, e é ainda responsável pela segurança dos hoteis. Pelo menos para o jornal de maior circulação nas mesas dos cafés ... 

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Às vezes as coisas...

Beijo de Trump a Merkel está a dar que falar. Melania também não escapa


 


... Têm um certo ar de ordem natural...


Dizem os jornais que na reunião do G7 - em Biarritz, pois claro - se falou da guerra comercial de Trump com a China, da tentativa de ainda salvar o acordo nuclear com o Irão e, acima de tudo, de salvar a Amazónia.


Mas do que se fala é de beijos e trocas de olhares "flirteiros". Do beijo, que Guterres parce achar atrevido, de Trump a Merkel. E de Justin Trudeau e Melania...


Nada como uma reunião entre os mais poderosos do planeta para mostrar que, no fim de contas, o mundo tende a procurar a ordem natural das coisas, mesmo que isso possa escapar ao anfitrião Macron! 


Notícias ao Minuto

sábado, 24 de agosto de 2019

O calor era muito ... Mas não era preciso um banho gelado!

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O Benfica recebia o Porto na Luz, à terceira jornada, na condição de favorito, condição que lhe era atribuída pela história recente das duas equipas, e especialmente pela sua consistência exibicional no consulado de Bruno  Lage. Nunca nos últimos  largos anos o Benfica chegara a um jogo com o seu principal adversário com tanto favoritismo.


A vitória cavaria uma vantagem de seis pontos, que numa fase tão precoce da competição nunca seria decisiva, mas seria certamente muito determinante para as contas do título. Pelos seis pontos à maior, mas principalmente pelo élan que daria à equipa, uma jornada antes da sempre difícil deslocação a Braga.


A Luz era o espelho de tudo isto, cheia que nem um ovo, como vem sendo habitual, e vibrante de expectativa. O jogo, no entanto, destruiria toda a história que esse favoritismo anunciava. 


No início parecia amarrado, mas depressa se começou a perceber que não era o jogo que estava amarrado, mas a equipa. Passado que foi o primeiro quarto de hora, sempre com a equipa do Porto muito pressionante sobre a bola e o sobre os epaços por onde ela poderia circular, ainda se mantinha a ideia de um jogo amarrado, que mais cedo ou mais tarde se haveria de soltar. Ao início do segundo quarto de hora essa promessa pareceu ganhar forma, com o Benfica a conseguir sair daquele colete de forças que Sérgio Conceição tinha montado, a começar a conseguir fazer circular a bola e a começar a empurrar o jogo para perto da área portista.


Só que uma perda de bola de Nuno Tavares - que voltou a estar infeliz, como já sucedera no último jogo, justificando-se a entrada de André Almeida, já recuperado e no banco - acabou no primeiro canto para o Porto. E do canto, numa carambola, com o corte de Ferro a levar a bola a bater em Rúbem Dias e a ressaltar para Zé Luís fazer um golo daqueles que se chamam de sorte.


Ia a primeira parte a meio, e equipa do Benfica nunca mais se econtrou.


Esperava-se que o intervalo pudesse mudar o rumo do jogo, mas cedo se percebeu que isso não iria acontecer. Taarabt surgiu no lugar de Samaris - também pouco feliz e fisicamente debelitado depois de um choque na cabeça que o deixou no chão por alguns minutos, sem que o árbitro Jorge de Sousa interrompesse o jogo para lhe ser prestada assistência - mas não se notaram melhorias.


Até porque no primeiro quarto de hora praticamente não se jogou, quase se podendo dizer que a segunda parte começou ao minuto 60. Os jogadores do  Porto jogavam claramente com o relógio e com o resultado, coisa com que Jorge de Sousa, mesmo parecendo que se importava, mostrando por exemplo o amarelo ao guarda-redes portista por queimar tempo, não se importava nada. De cada vez que um jogador do Porto se mandava para o chão era falta. Já Rafa era ceifado, atropelado e empurrado mas, quase sempre ...nada.


Não se pode dizer que foi pelo árbitro que o Benfica não jogou mais, e muito menos que não ganhou. Mas que foi mais uma arbitragem habilidosa, foi!


O Porto ganhou bem, e Sérgio Conceição ganhou claramente a Bruno Lage. Anulou bem o jogo interior do Benfica, que vinha sendo o ponto mais forte do futebol do Benfica, e soube aproveitar bem as circunstâncias do jogo. O Benfica nunca conseguiu mostrar capacidade de dar a volta ao jogo, até porque Bruno Lage não foi também feliz nas alterações que foi introduzindo, e que o obrigaram a desiquilibrar a equipa. 


Quando fez entrar Taarabt, o Porto parou o jogo. E Chiquinho acabou por se lesionar - e ao que parece com gravidade - já quando o Benfica tinha esgotado as substituições, pela entrada de Vinícius, já na fase de desespero. O segundo golo do Porto, por Marega - que minutos antes tinha falhado uma oportunidade idêntica - a 3 minutos dos 90, acabou por ser consequência do do desiquilíbrio da equipa, no seu forcing final, já com a jogar com dez.  


O Benfica ainda chegaria ao golo, no entanto anulado por Jorge de Sousa. Por fora de jogo, que não se percebeu, mas que o VAR confirmou. Como no último jogo tinha feito Carlos Xistra, á revelia de toda a legalidade. Está difícil que Seferovic marque. A contar!


E pronto. De um hipotético cenário com 6 pontos de vantagem, com muitos golos marcados e nehum sofrido, passamos para a realidade de uma igualdade classificativa com o Porto. Com os mesmos 6 pontos, e os mesmos 7 golos marcados e 2 sofridos. 


A tarde estava quente, mas a Luz não precisava um banho de água tão gelada.


 


 


 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Não é que se sinta a falta ...

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... Mas não sei se têm dado pela ausência de Assunção Cristas. Se calhar não. Mas a verdade é que desapareceu, não foi só à casa de banho... Provavelmente à espera que as sondagens se esqueçam dela... Ou que a Amazónia deixe de arder...


O que já se percebeu é que não deve ter deixado a casa lá muito bem entregue ... Deve ter sido de propósito. Pelo que se vai vendo, quando voltar sempre vai poder dizer que, sem ela, as coisas ficam ainda pior...

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Gente séria*

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A greve dos motoristas, o assunto do dia nas duas últimas semanas, acabou. Mas pelos vistos para dar lugar a outra, já a 7 de Setembro.


Dois dias foram o suficiente para mostrar que nada ficou resolvido, que tudo ficou na mesma. Ou talvez pior, depois de toda agente ter gasto tudo o que tinha para gastar. Ou ainda mais, como aconteceu ao governo, que ficou sem fôlego para intermediar o que pudesse ter sobrado para intermediar.


Vem aí outra greve... ou talvez não. Porque a cara da greve já é outra. A que tinha ficado conhecida, aproveitando isso mesmo, vai dedicar-se à política.


Como já se desconfiava. E vai ser cara de candidato às legislativas de Outubro, respondendo a um convite que se adivinhava.


Saído da onda de populismo, vai mergulhar nas águas profundas da política que está na moda. E que, para além de lhe estar na pele, é o que está a dar… Mesmo que para o convidante já não tenha muito para dar. Também ele já gastou tudo o que tinha para gastar. E depressa. E por isso precisa de reforços …


Não temos, felizmente em Portugal, nesta área política em expansão por todo o mundo, grandes histórias de sucesso para contar. Mas sabemos que as modas chegam sempre atrasadas ao nosso país, e sabemos que sempre começa assim. Com gente desta!


Sem que ninguém percebesse por quê, começou logo por ser apresentado como um herói do combate contra a corrupção. Porque é por aí que esta gente começa. Gente séria e atinada, como se percebe… Dessa que faz tanta falta à política e ao país…


 


*  Da minha crónica de hoje na Cister FM


 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Trumpalhadas

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Trump poderá não considerar absurda a proposta de comprar a Gronelândia à Dinamarca. Afinal já outros antes o tinham feito. E também não seria a primeira vez que os Estados Unidos comprariam território no estrangeiro ...


Não pode é considerar absurda a recusa dinamarquesa em lha vender. Já a retaliação, com o cancelamento da visita programada para dentro de duas semanas, nao deverá deixar grande mágoa nos dinamarqueses...


Quando se fala também numa visita de Trump a Portugal, é pena que não lhe passe pela cabeça comprar ... sei lá ... as Berlengas ... Não sei é se não lhas venderiam, e ele vinha mesmo ... Para assinar a escritura!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Relatório e contas de uma greve

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Acabou a greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas, como há muito estava escrito nas estrelas. O que virá a seguir não se sabe, mas sabe-se o que ficou.


E o que ficou é uma história que não acabou, e que deixa muito para ser reflectido. 


A actividade destes trabalhadores integra a fileira do negócio da energia, e dos combustíveis em particular, um dos mais rentáveis da economia nacional, onde muitos ganham muito, incluindo o Estado. Até há não muito tempo o transporte de combustíveis, fazendo jus à fileira que integra, estava a cargo das próprias refinadoras. Os motoristas que faziam esses transportes eram trabalhadores da Petrogal, ou da Galp, como agora se chama, e dispunham de condições de trabalho e de remuneração enquadradas nos padrões da maior empresa nacional.


Com a chegada da economia de subcontratação esses postos de trabalho foram transferidos para pequenas e médias empresas (PME) transportadoras, prontas a prestar esse serviço a preços muito inferiores aos custos da operação nos gigantes da refinação, num negócio interessante para ambas as partes, como convém que sejam os negócios. As petrolíferas cortavam custos e alargavam margens, e as transportadoras ganhavam negócio certo e sem risco, com uma carteira de clientes robustecida pelas empresas que mandan no país, imunes às oscilações da economia.


Com a consolidação da economia de subcontratação, e instaladas no novo negócio, as PME do transporte foram fortalecendo o M e abandonando o P e, com a propaganda do empreendedorismo e da doutrina do "crie o seu próprio posto de trabalho", passaram também elas a recrutar por subcontração no novo exército de mão-de-obra que desaguava da onda de empreendedorismo que desabava sobre o país. Empreendedores que adquiriam os seus tractores importados velhos da Europa e assinavam os contratos de leasing, que rapidamente se transformavam em corda na garganta. 


Este estado de coisas arrastou as remunerações para um sistema de salarial baseado no salário mínimo nacional complementado por um conjunto de remunerações variáveis. Que no conjunto poderia até ultrapassar a média de remunerações do país, baixa como se sabe, porque o país tem um problema de salários - como agora reconhece o primeiro-ministro - mas que, na hora do infortúnio (doença, acidente, etc.) e na da reforma, não passava do salário mínimo.


Patrões e sindicatos das centrais sindicais pareciam viver bem com estas coisas. E assim passaram vinte anos... E assim surgiu a oportunidade para novas coisas surgirem.


Não sei se "a ocasião faz o ladrão", mas a oportunidade cria o oportunista. E ele surgiu. Primeiro, há quatro meses, de surpresa. E agora, já sem o efeito surpresa, com tudo premeditado. Mas também com tudo bem preparado, do outro lado.


Ouvimos agora dizer, no anúncio das negociações para amanhã, que não há vencidos nem vencedores. Que venceu o diálogo.


Não me parece. Parece-me que só há vencidos. Nem mesmo o governo, por todos dado por grande vencedor, e em cuja actuação grande parte dos analistas políticos vê um grande passo do PS para a maioria absoluta. Não tenho dúvidas que no curto prazo o governo sai a ganhar, mas tenho ainda menos que tudo o que fez vai ter fortes repercussões futuras.


Abriu precedentes que poderão abrir portas que a democracia tem a obrigação de manter sob vigilância, quebrou barreiras que não mais se reerguerão, e destruiu regras de que iremos sentir falta no futuro.


Sabemos que o país aprecia o exercício da autoridade. E sabemos que António Costa aprecia que a chancela da autoridade se junte à das "contas certas", os dois rótulos que faltavam ao seu partido, e que considera fulcrais para consolidar o poder.


Estas contas podem ter acabado certas. As outras, as que o primeiro-ministro diz que vai agora fazer aos custos da greve, poderão também não dar grande preocupação. Mas ficam muitas outras por fazer. E essas dificlmente virão a bater certas! 

sábado, 17 de agosto de 2019

Besta azul

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À segunda jornada o Benfica encontrou a sua mais recente besta negra, a equipa a que continuam a chamar Belenenses, mesmo sem morar em Belém, e sem usar a cruz de Cristo, substituída por um simples B, que não será de "besta".


Uma besta negra que o Benfica teima em alimentar eficazmente... com ineficácia. Especialmente com ineficácia ofensiva, se bem que, como se viu há menos de 6 meses na Luz, também lhe ofereça alguma defensiva.


Há já alguns jogos que o campeão não ganhava a esta equipa. O treinador Jorge Silas, a quem não falta competência mesmo que, pelos vistos, continue a faltar credenciação, ainda não tinha perdido com o Benfica. Sempre em jogos em que, depois de desperdiçar muitas portunidades de golo - é até clássico falhar penaltis -  o Benfica acabava por não ganhar. Na última época perdeu mesmo, e por 0-2. De resto no último campeonato, em seis pontos, o Benfica apenas somou um. 


Hoje, no péssimo relvado do Jamor, o Benfica continou a alimentar a besta, que ao intervalo parecia bem grande, gorda e luzidia. 


Mesmo com aquela relva o Benfica fez então uma bela exibição, com o seu futebol habitual, feito de dinâmica em movimento com belos pedaços de grande espectáculo. Só que, a cada oportunidade construída e desperdiçada - e foram seis ou sete, daquelas claras, mesmo que a Sport TV tenha registado apenas quatro - a besta crescia. E cresceu tanto que á chegada do intervalo era verdadeiramente assustadora, quando o Rúben Dias escorregou e deixou o Kikas sozinho frente ao Odysseas. Que se redimiu daquele frango de Março, na Luz.


Foi embora o Muriel, o mano do guarda-redes do Liverpool - que até podia dar "umas casas" aqui e ali, mas contra o Benfica ... era intransponível - mas veio o Koffi para continuar a fazer o mesmo. E Seferovic e Raul de Tomás iam servindo a besta em badeja de prata. Ou mais um passo, ou mais um toque, ou mais um segundo, ou a bola a sair mais uns centímetros para cima, ou mais uns milímetros ao lado, ou contra mais um pé do adversário...


É certo que a equipa de Silas defendeu muito bem. Não defendeu apenas com muitos. Defendeu bem, teve sempre os seus jogadores muito bem posicionados, e a desdobrarem-se com todo o propósito. Mas, na finalização, os dois avançados do Benfica estiveram francamente mal, a aprofundarem-nos as saudades de João Félix. Que falta faz quem não precise de tempo nem de espaço para rematar... Quem já sabe o que vai fazer com a bola antes de a receber...


A segunda parte não teve a mesma qualidade com a mesma frequência. Foi mais de espaços, o futebol do Benfica foi menos consistente e as oportunidades de golo não se sucederam como na primeira. Mesmo assim voltaram a ser suficientes, e a equipa só não manteve o ritmo de goleada que trazia porque a eficácia finalizadora foi muito inferior àquilo que são os seus padrões habituais.


Já o ponteiro pisava a hora de jogo quando Rafa - o homem do match, que os adversários só conseguiram parar com faltas, e feias - fez finalmente o golo, num tiro destinado mesmo a matar a besta. Vinte minutos depois, quando o Nuno Tavares trocou os pés e quase provocou o golo do empate, viu-se que que a besta ainda continuava preta. 


A partir daí, desse minuto 79, sim. A besta passou de negra a azul, que sempre é cor mais simpática. Logo a seguir o Benfica voltou a marcar, numa espectacular jogada de futebol que teria reabilitado Seferovic de uma das suas mais fracas exibições depois da sua reabilitação, há um ano. Um fora de jogo detectado pelo VAR no início da jogada que viria a terminar de forma espectacular, anulou-o.


Mas, depois dos largos minutos de avaliação desse lance, logo que o jogo foi reatado Pizzi, o melhor a seguir a Rafa, marcou a concluir mais uma bela jogada de ataque, deixando no resultado uma marca mínima de justiça.


 

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Vá lá... Ide de férias!*


 


 


Aí está a greve de que tanto se falou, e que tanto continua a dar que falar. E a animar as férias...


Depois de inundados por reportagens em postos de gasolina, a lembrar-nos que há mais lixo na informação televisiva para além dos incêndios - que fizeram uma pausa, felizmente - vieram os serviços mínimos e a requisição civil. E muita informação e mais ainda contrainformação. E reuniões pedidas e rejeitadas. E acordos com uns de fazer inveja a outros. E ameaças de prisão, pela boca de todos os ministros, um de cada vez. Porque o país gosta disso.


O país gosta de autoridade, e o governo sabe disso.


Por enquanto vai-se sentindo uma certa normalidade dentro da anormalidade de fardas ao volante dos camiões cisternas. A GNR e os militares vão-se saindo bem na condição de motoristas de matérias perigosas, e a gasolina e o gasóleo lá vão chegando onde é preciso que cheguem, e a greve, que sempre esteve condenada, está cada vez mais circunscrita, como se diz dos incêndios. Mais morta que viva.


Também aqui, incendiários é coisa que não falta.


Um deles, que não o único, é o principal rosto da greve, que chegou de trotinete ao palco do teatro de operações, como se estivesse a abrir um espectáculo. De circo. Ou simples palhaçada, terminologia cara ao próprio.


Dele se falou já para a política. Houve até quem o desse como putativo cabeça de lista por Lisboa às eleições que aí estão à espreita. E que têm muito a ver com tudo o que se está a passar. De um e de outro lado. Como se na política precisássemos de mais palhaçada. Como se disso não tivéssemos já que “chega”. Ou que “basta”!


Vá lá…já é tempo de irem também de férias. Começa a fazer-se tarde …


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

Woodstock - 50 anos

Woodstock 1969: Jimi Hendrix


(Foto retirada do Blitz)


Não terá sido o primeiro dos festivais de música. Mas foi único e irrepetível!


"Peace, love & music", ou "sex,  drugs & music", mas sempre "music" no centro do maior marco da contracultura que revolucionou o mundo do século XX.


Durou três dias. E começou faz hoje precisamente 50 anos. A muitos dos que por lá andaram, como Jimi Hendrix (na foto) ou Jenis Joplin, não sobraria muito mais tempo...


 


 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Barrigada de futebol. Do bom!

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Uma barrigada de futebol, este jogo da Supertaça Europeia. Foi um jogo histórico, em Istambul, com um grande futebol, mesmo quando as pernas começaram a faltar aos jogadores.


Não fica para a História apenas por ter tido tudo o que se exige de um jogo de futebol, fica também por ter sido o primeiro, a este nível de topo de competições de futebol (masculino) dirigido por uma equipa de arbitragem feminina (a francesa Stéphanie Frappart, assistida pela compatriota Manuela Nicolosi e pela irlandesa Michelle O'Neill). E que bonito que foi!


Não esteve provavelmente isenta de erros, mas foi uma grande arbitragem, com um toque feminino que não passou despercebido. Sem qualquer tipo de paternalismo. 


O Chelsea marcou primeiro, aos 36 minutos. Saiu para o intervalo a ganhar, com justiça. Foi bem melhor que o Liverpool, e até marcou por mais uma vez, mas em fora de jogo, daqueles milimétricos, circunstância que se repetiria na segunda parte. Surpreendente esta superioridade dos londrinos, que partiam sem qualquer tipo de favoritivismo. Porque o Liverpool é o campeão europeu, e tem uma equipa mais experiente e mais rotinada, e porque o Chelsea, com uma equipa mais jovem e com um treinador - Frank Lampard, uma lenda  dos londrinos - em estreia nestas altas andanças, vinha de uma goleada, sofrida no passado domingo em Old Traford.


O Liverpool empatou logo no arranque da segunda parte, e passou bem para cima do jogo durante todo o primeiro quarto de hora, muito por influência da troca, ao intervalo, de Chamberlain por Firmino. A partir daí o jogo voltou a estar equilibrado, à medida que as forças iam faltando, e a indicar que o prolongamento seria de grande sacrifício para todos os jogadores. Que mesmo sem pernas jogam que se fartam, como acabou por se ver... 


O prolongamento deu mais um golo para cada lado, ambos na primeira parte. E poderia até ter dado mais, com o Chelsea a acabar por ter as melhores oportunidades para isso, mesmo que este fosse um daqueles jogos que ninguém merecia perder.


Mas a Supertaça tinha de ser entregue e, quando assim é as coisas resolvem-se nos penaltis. E aí o Liverpool foi mais feliz. Porque converteu todos os cinco penaltis, mesmo aqueles a que o guarda-redes Kepa chegou - num deles defendeu , mas a bola foi para o poste e acabou dentro da baliza. E porque Adrian, o seu guarda-redes, também espanhol, todo lançado para o lado contrário, defendeu com a ponta da bota o quinto penalti que coube ao Chelsea, cobrado pelo miúdo Abraham, visivelmente perturbado com a responsabilidade que lhe foi atribuída.


O que justifica dois reparos à imprudência a Frank Lampard, que também não esteve tão bem nas substituições quanto o consagrado Yurguen Klopp. Foi imprudente quando fez duas substituições em simultâneo na altura em que o adversário cobrava um pontapé de canto. É dos livros que não é essa a oportunidade certa para fazer substituições. Correu mesmo mal, e só não deu em golo porque o guarda-redes teve a felicidade de o evitar por duas vezes. E voltou a ser imprudente quando escalou para o último penalti da série, o decisivo, o seu jogador mais jovem e inexperiente. Klopp destinou essa tarefa a ... Salah! 


 

As contas furadas de Salvini... E de André Ventura!

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Matteo Salvini, essa "lufada de ar fresco" que enche os pulmões desse vulto da extrema-direita apadrinhado por Passos Coelho, que responde (quando responde, quando o cheque da CMTV para os incendiários da bola não fala mais alto) pelo nome de André Ventura, está a tentar fazer o que a História mostra que fazem sempre os populistas com aspiração a ditadores: apanhar uma boleia para o poder e, uma vez lá, apear quem o levou e instalar-se sozinho. 


Para já as coisas não lhe estão a sair exactamente como esperava. Não estão a ser favas contadase o desejo expresso do líder do Chega (ou será que é Basta?) de que "Salvini se torne primeiro-ministro e corra com esta corja de mariquinhas da União Europeia", não parece fácil de concretizar. Pelo menos de imediato. Vai ter de esperar mais uns dias, ou uns meses... Ou pode até ser adiado sine die!


PS: A foto, de autor não identificado, é apenas para ilustrar o bronze que o separa de Richard Gere.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Coisas extraordinárias


 


Amanhã começa o festival de Paredes de Coura. Mas hoje o cabeça de cartaz foi o José Alberto Carvalho, que lá chegou teletransportado pela Vodafone e pela TVI.


É isso: Vodafone e a TVI realizaram hoje a primeira transmissão holográfica 5G em tempo real, através da rede 5G.


Se as televisões passam a utilizar isto para teletransportar os seus repórteres para as bombas de gasolina, estamos lixados. Chegam num instante a todas as bombas de gasolina do país...


 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Não há coincidências

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Começou a greve, e com ela um tsunami de informação e contra-informação, a precipitar tudo o que era dado por inevitável pela sua ligação ao momento eleitoral. Se o que estamos a assistir fosse um incêndio diríamos que a definição dos serviços mínimos tinha apenas sido a ignição.


O país gosta de autoridade - sabe-o Marques Mendes, como ontem anunciou, e sabe-o António Costa. Em mercado eleitoral a autoridade vende. E bem! Daí que estejamos à distância de um clique para um Conselho de Ministros electrónico que declare a requisição civil. Ou que um desproporcionado dispositivo de segurança esteja fortemente mobilizado, e prontinho para a festa... 


É certo que o cenário eleitoral que foi colocado no centro desta greve tornou quase tudo isto inevitável. Mas não é menos visível que nunca, em conflitos desta natureza, um governo esteve tão declaradamente ao lado dos patrões. Se calhar, tão provocatoriamente ao lado dos patrões... A ligação do seu porta-voz ao PS e ao governo poderia ser mera coincidência ... se em política houvesse coincidências.


Mas não há!


 

sábado, 10 de agosto de 2019

Nem parecia que era a começar. Mas começou bem!

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O Benfica arrancou hoje para o campeonato 2019-2020, à procura do 38. Mas nem pareceu. Mais parecia que não tinha mudado a época, que não tinham passado quase três meses sobre o último jogo do último campeonato, de boa memória.


A mesma dinâmica de vitória, o mesma dinâmica de festa nas bancadas, a Luz cheia que nem um ovo, com mais de 60 mil - 63 mil, mais precisamente. A mesma dinâmica de jogo, e a mesma dinâmica de goleada. Já quase não nos lembramos de um jogo sem goleada. Até o relvado lembrava o da época passada, depois daquele estado deplorável em que o víramos no jogo de apresentação, com o Anderlecht, há um mês.


O Paços de Ferreira entrou na Luz como quase todos os adversários entram, com uma estratégia de contenção para reduzir os danos, e com o objectivo  de retardar o golo do Benfica. Duas linhas muito juntas, uma primeira de cinco, e outra de quatro logo atrás, com a ideia de reduzir o espaço de acesso à sua área, e tapar as linhas de passe no último terço do terreno. E a coisa funcionou durante largos minutos, basicamente durante toda a primeira metade da primeira parte.


Não se pode dizer que o Benfica não tenha criado oportunidades de finalização durante todo esse período. Não foram muitas, mas por duas ou três vezes criou situações de finalização que poderiam ter acabado em golo. Logo aos 7 minutos Seferovic falhou por pouco, logo a seguir Marco Baixinho, o defesa pacense, teve uma entrada dura, por trás, a travar Seferovic, que seguia isolado para a baliza, e deveria ter visto o cartão vermelho e, aos 19 minutos, o remate de Grimaldo na sequência de um canto, só por centímetros não acabou dentro das redes. A verdade, no entanto, é que o golo do miúdo Nuno Tavares - e que golo! - que mudou ao jogo, aos 26 minutos, surgiu no primeiro remate enquadrado com a baliza.


Já se sabe que neste tipo de jogos o mais difícil é marcar o primeiro golo. Esta noite na Luz não foi excepção, e a partir daí o Paços abriu o seu jogo. Subiu no terreno e tentou fazer pressão alta, com os jogadores mais distribuídos pelo terreno. E sabe-se também como isso favorece o desenvolvimento do futebol do Benfica, e a sua dinâmica de transição ofensiva.


O segundo golo (Pizzi, de penalti),logo a seguir, apenas acabou o que o primeiro tinha feito, quando ainda faltava mais de um quarto de hora para o intervalo.


Na segunda parte o Benfica refinou ainda mais a exibição, e as oportunidades de golo iam-se sucedendo. A partir do minuto 65, quando o pacense Bernardo Martins foi expulso, num segunda amarelo por carga dura sobre Nuno Tavares (mais uma grande exibição, com um golo e duas assistências), a travar mais uma saída rápida para o ataque, a resistência do Paços terminou. E os três golos que se seguiram (Pizzi - quatro golos em dois jogos -, Seferovic e Carlos Vinícius, na estreia) acabaram por ser fraco pecúlio para tanto domínio.


Não se pode dizer que tenha sido mais uma excelente exibição do Benfica, mas foi claramente mais um bom jogo, numa linha exibicional que é já uma marca da equipa. Que, acima de tudo, confirma e consolida o futebol que Bruno Lage trouxe ao Benfica.


E confirmou que Raúl de Tomás, mesmo sem marcar, é jogador a pegar de estaca na equipa (excepcional o seu trabalho no campo todo), que Florentino é um craque e que o Nuno Tavares, que na esquerda é simplesmente soberbo, já faz o corredor direito como se sempre ali tivesse jogado. Só de Pizzi não confirmou nada, por que esse já não tem nada pra confirmar. Está mais que confirmado que é um extraordinário jogador.


Começou bem, muito bem mesmo, esta Liga 2019/20. Que assim continue!


 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Quem com ferros mata...*

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O país está à beira da anunciada greve dos motoristas dos transportes de mercadorias, que deveria replicar, com mais impacto ainda, a do passado mês de Abril. Pelo que se vai percebendo é muito baixa a probabilidade de ser evitada...


As greves são sempre impopulares, mas esta é-o ainda mais, como toda a gente percebe. Destinam-se a fazer valer reivindicações e, como tal, quanto mais impacto tiverem maior é o seu poder reivindicativo. Quando uma greve não provocar danos, ou não produzir desconforto, deixa de fazer sentido.


Acresce que, formalmente, ninguém questiona o direito à greve. É tido por direito fundamental dos trabalhadores, e a greve a principal arma de que dispõem quando os conflitos esgotaram as vias do diálogo e da negociação. O seu uso, como o de qualquer arma, poderá ser desproporcional.


É o que se diz desta que aí vem, convocada por sindicatos que saem fora do sindicalismo clássico, dito orgânico, de aqui falei há bem pouco tempo.


Como se esta greve não fosse já suficientemente impopular, o poder político tratou de lhe agravar a escala, fazendo-a passar de impopular a intolerável. Tratou, de resto, de fazer o mesmo do que foram acusados os promotores da greve: usar a proximidade das eleições.


Fazer frente a uma greve impopular é, obviamente - até por definição - popular. Em cima das eleições tudo o que seja popular é ouro. É oportunidade imperdível.


Por isso o governo deitou fora qualquer tipo de pudor e, em jeito de início de conversa, tratou de transformar serviços mínimos em praticamente serviços máximos, abafando por completo um direito que continua a dar por fundamental e sagrado. E vamos ver o que ainda falta ver…


Por cima de toda esta hipocrisia lá vem o velho ditado: “quem com ferros mata, com ferros morre”. Uma greve que quis matar com a proximidade das eleições, acabará morta pela proximidade das eleições.


As condições de trabalho e os salários destes trabalhadores, parte integrante da fileira de um dos mais produtivos e rentáveis sectores da economia nacional, que gera e distribui milhões por todo o lado, e em especial pelo Estado, e a forma como aqui se chegou, é outra coisa. E fica para a próxima.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Cumprir e fazer cumprir a Constituição

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A Constituição da República Portuguesa, no capítulo que dedica aos direitos, liberdades e garantias pessoais dispõe, no seu artigo 46ª  (liberdade de associação), que "os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal" e que (número 4) "não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista".


Está anunciada para o próximo sábado, em Lisboa, uma reunião internacional de extrema-direita que, pelos nomes divulgados, incluindo o do português Mário Machado, dado por organizador, junta organizações inequivocamente racistas que, inequivocamente perfilham a ideologia fascista. 


A sociedade civil tem vindo a alertar para o fenómeno, e está até preparada uma manifestação de protesto para o Rossio, em Lisboa. Do governo e do Presidente da República (bom, já disse alguma coisa, sem que tivesse dito coisa alguma, como também não é novidade), nem uma palavra. O que não quer dizer que estejam a andar mal, ou que não esteja a ser feito o que tem de ser feito. Ninguém esperaria palavra nenhuma, e provavelmente o melhor será mesmo ficarem calados. A única atitude que se espera, e que se exige, é que façam cumprir a Constituição da República. Que prometeram cumprir e fazer cumprir, num juramento que não pode ser simples ritual!


Tão simples quanto isso. Ninguém espera palavras de condenação do Presidente da República, nem ver o primeiro-ministro a rasgar as vestes. Espera-se apenas que façam cumprir a lei, impedindo a realização desse evento, e deixando ao mundo um apontamento de dignidade.


Tudo o que não seja isto é apenas imperdoável. E vergonhoso!


 

A mesma América

Polícias a cavalo transportam negro com uma corda


 


Mais uma imagem que nos envergonha. Vem de Galvestone, no Texas. Por acaso - ou talvez não - no mesmo Estado em que, dois dias antes, em nome da supremacia branca, um rapaz de 21 anos desatou aos tiros num supermercado, matando mais de 20 pessoas e ferindo outras trinta.


Donald Neely - assim se chama o homem negro - atado por uma corda a dois polícias montados em cavalos, é conduzido sob prisão à esquadra da polícia local...


Mais uma vez, isto pode nem ser Trump, já vimos imagens destas noutras presidências. Mas com Trump é mais fácil...


Sempre se minimizou a perigosidade de Trump justamente por ser na América. Das instituições. Da maior e mais avançada democracia. Dos "checks & balances". Mas, depois... temos imagens destas ... E o que temos para dizer é: "só nos Estados Unidos". Ou: "tinha de ser nos Estados Unidos". Na mesma América!


 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O meio copo


(Foto: Autor não identificado)


Chega-nos da Suécia mais uma ilustração do copo meio cheio ou meio vazio. Numa pequena cidade, Eskilstuna, a pouco mais de 100 quilómetros de Estocolmo, na metade sul do país, que dá nome a algumas peças de mobiliário do Ikea, foi introduzida uma lei que obriga quem andar a pedir dinheiro nas ruas a requerer uma licença e pagar uma taxa trimestral de 250 coroas (cerca de 23 euros) para exercer a actividade.


Enquanto a maioria das cidades suecas proibia a mendicidade, em Eskilstuna entendeu-se enquadrá-la, obrigando desde logo ao registo dos seus agentes. Quem não tiver esta licença e for apanhado a pedir dinheiro na rua sujeita-se a uma multa - quase 372 euros - que lhe leva o pecúlio de muitos dias de actividade.


A medida, como o copo meio, divide as opiniões. Há quem ache uma medida dissuasora da mendicidade, que aproxima os marginalizados do Estado e das respostas que tem para o problema, que na Suécia, como se sabe, não são poucas. Mas há também quem ache que, pelo contrário, ao licenciar a  actividade, o Estado está a reconhecer e a institucionalizar a pobreza mais exposta e socialmente mais marginalizada.


É assim, e é sempre assim. Mesmo na Suécia...


 


 


 


 

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Tiroteios?

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A América voltou a ser palco de terrorismo, do seu terrorismo interno, alimentado a ódio e racismo, e servido pelo livre acesso a armas. Com um intervalo de escassas horas, no Texas e no Ohio, pelo menos 30 pessoas foram assassinadas. Mais de 50 ficaram feridas e há ainda um número indefinido de desaparecidos. 


Trump poderá não ser o responsável directo por estes actos de loucura criminosa que, na verdade, sempre aconteceram na América, sob qualquer presidência. Mas a forma como alimenta tensões sociais e espalha ódio, e como continua a defender o livre acesso a armas, a todo o tipo de armamento, alinhado com o lóbi da National Riffle Association, tornam difícil dissociá-lo por completo destes actos terroristas. Que, para Trump, nunca passarão de efeitos colaterais da sua purga rácica e, para a imprensa, de meros tiroteios à velha maneira do Far West.

domingo, 4 de agosto de 2019

Súper... Supertaça


(Foto A Bola)


Um 5-0 num dérbi é sempre um resultado extraordinário. Num jogo decisivo, como é este que decide a Supertaça, o primeiro troféu da época, é ainda mais marcante.


Não foi uma exibição fulgurante do Benfica, mesmo que a fulgurância do futebol do campeão nacional tenha aparecido em diversos momentos do jogo, especialmente na segunda parte, aquela que deu expressão à vitória da equipa de Bruno Lage. Mas foi sempre uma exibição segura e categórica.


O Sporting entrou em campo com a ideia de dar prioridade a defender, com uma linha defensiva de cinco unidades, num atípico 5-4-1(não, não foi 3-4-3!). E a primeira parte foi mexida e relativamente interessante, com o Benfica mais afirmativo, e mais colectivo e o Sporting mais reactivo, o que não impediu que fossem suas as primeiras oportunidades desse período. Logo aos 2 minutos, num desvio desastrado de Ferro, a obrigar Odysseas a trabalho de qualidade, e a dizer presente. E depois, por duas vezes, a opor-se a Bruno Fernandes, primeiro num grande voo a desviar um remate de longe e, depois, a sair-lhe aos pés.


Nada que alguma vez tenha desequilibrado a equipa do Benfica, que acabou por chegar ao golo a cinco minutos do intervalo, quando deixava já a ideia de mandar no jogo. No Sporting sobressaíram então alguns jogadores, e a verdade é que, a nível individual houve mesmo mais jogadores a distinguirem-se que propriamente do Benfica. Lembro Thierry Correia, o jovem lateral direito que deu nas vistas, Wendel e Raphinha. Mais que o inevitável Bruno Fernandes, inevitavelmente de despedida.


Na segunda parte foi diferente, e a superioridade benfiquista foi simplesmente esmagadora. E a goleada poderia até ter subido para números ainda mais penalizadores para o Sporting, tantas as oportunidades de golo construídas pela equipa do Benfica. Que teve fases de puro brilhantismo, com todos os jogadores num nível exibicional muito elevado, mesmo que Pizzi e Rafa, pelos golos, pelas assistências e pelo que jogaram, tenham de merecer particular destaque, enquanto os jogadores do Sporting iam perdendo a cabeça.


Claro que este é um excelente arranque de época para o Benfica. Já o vinha sendo com os resultados (o Benfica ganhou a International Champions Cup, um troféu que apenas os maiores clubes do actual futebol mundial lograram conquistar, com três vitórias) e as exibições nos jogos de preparação, mas esta goleada frente ao velho rival é a cereja no topo do bolo.


Com tudo o que fez o ano passado, nas condições que se conhecem, agora que Bruno Lage preparou a equipa desde o início, e com este arranque, abrem-se as melhores expectativas para a  caminhada para o 38.


 

sábado, 3 de agosto de 2019

Cinco anos!

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Foi há cinco anos - cinco - que Carlos Costa premiu o botão que implodiu o BES, menos de um mês depois do então presidente Cavaco incentivar à subscrição do aumento de capital no Banco de Ricardo Salgado, garantindo que estava de boa saúde, com "folgas de capital" para responder a qualquer contingência.


De aí para cá, em cinco anos, apenas se passou que milhares de milhões de euros passaram dos bolsos dos portugueses para o buraco sem fundo do "banco bom" que então nasceu. Novo. De resto, mais nada. Só Cavaco foi embora. De responsabilidades ... nada. Parece até que ninguém teve nada a ver com nada, e que tudo foi bem resolvido!


Para assinalar a data da resolução nada melhor que a notícia que, à conta do primeiro semestre, já há que preparar mais 2,5 mil milhões de euros. 


 


 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Maquiavélico*

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Começo por dizer que os problemas da promiscuidade entre políticos e negócios não se resolvem com leis. Resolvem-se com a escolha de pessoas sérias!


Mas isso não significa que não seja preciso leis para tratar desses problemas. Quer apenas dizer que, com pessoas sérias, nem é preciso utilizá-las e, sem pessoas sérias, não são suficientes.


Vem isto a propósito de uma lei que saltou esta semana para a ribalta à boleia das famosas golas, da não menos famosa campanha do programa “aldeia segura”, por causa de uns negócios entre o filho do Secretário de Estado da Protecção Civil e o Estado, mesmo que posteriormente mais uns tantos casos tivessem vindo também a público. Que torna nulos, logo à cabeça, para início de conversa, todos os negócios entre familiares de titulares de cargos públicos e o Estado e obriga, depois, à exoneração do familiar titular do cargo.


O primeiro-ministro protegeu-se à sua maneira, como sempre sabe fazer, e correu a pedir parecer à Procuradoria-Geral da República sobre a aplicação da lei à circunstância do Secretário de Estado. Já o Ministro dos Negócios Estrangeiros, entretanto a substituí-lo por uns dias de férias, achou por bem antecipar-se e declarar absurda, para a mesma circunstância, a interpretação literal da lei.  


Ora, a lei tem já quase 25 anos - e está até para ser substituída - e não temos memória de alguma vez ter sido utilizada. E não terá sido certamente por falta de oportunidades, o que menos terá faltado neste país nos últimos 25 anos é negócios desses. Mas, quando ao fim de 25 anos é evocada a sua aplicação, nada… No mundo calculista do primeiro-ministro é preciso um parecer. No de Augusto Santos Silva, com um calculismo mais trauliteiro, declara-se simplesmente absurda.


É isto. Portugal não é um país sem lei, porque leis tem muitas. Mas nunca para aplicar aos amigos. Já vem de Maquiavel: “aos amigos os favores, aos inimigos, a lei”!  


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

De volta à agenda

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Como que do nada, a regionalização regressou com estrondo de novo à agenda política. Regressou em cima do relatório da "Comissão Independente para a Descentralização", criada pelo PS e pelo PSD e presidida por João Cravinho e, ao surgir nesta altura, a dois meses das eleições, teria de entrar directamente e em força na campanha eleitoral.


Suspeito que não seja assim. Desconfio que a campanha eleitoral vai encontrar um desvio para passar ao lado. Mesmo com a ideia em cima da mesa de alterar a Constituição para facilitar a vitória do "SIM" no novo referendo...


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...