sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Lições lá de fora*

Resultado de imagem para hulot france


 


Ficamos todos muito impressionados com aquele ministro francês que se demitiu do governo de Macron numa entrevista, em directo, surpreendendo tudo e todos. Desde logo o próprio entrevistador, atónito.


Mas também o chefe do governo e o presidente Macron. Que o tinha convidado, percebe-se agora como se teria percebido na altura, para o papel de jarra decorativa. Ou daquela peça que fica sempre bem na parede, na mesa, na estante, ou até num governo…


NIcolas Hulot, o ministro que teve esta ousadia, é um conhecido ambientalista, um dos mais reputados activistas europeus da causa ecológica, jornalista e produtor de televisão. Uma daquelas personalidades mediáticas, com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, frequentemente até franjas activas de contra-poder.


Aceitou o convite de Macron, provavelmente convencido que o jovem acabado de eleger presidente francês era a pedrada no charco que decididamente agitaria as águas poluídas da política francesa. Se não de deixou seduzir pelo poder, pelo menos deixou-se seduzir por Macron.


Depois de mais de um ano à espera de dar tempo ao tempo, percebeu que não passava de figura decorativa, e que as convicções ambientalistas de Macron e do seu governo se ficavam pelo discurso. Bateu com a porta e disse basta! Com todas as letras de uma frase que tem tudo para ficar histórica: “Não quero continuar a mentir a mim próprio”!


Pode não ficar na História, mas fica a lição. Uma lição que vem lá de fora, mesmo que não sirva de nada cá dentro…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Objectivo inegociável: done.

Resultado de imagem para paok benfica


 


É por isto que o futebol é apaixonante, e resiste a todo o mal que lhe fazem.


O ambiente em Salonica, no campo (aquilo não é um estádio) do PAOK, era mais um adversário, em cima do resultado adverso levado de Lisboa. Na constituição da equipa, mais uma acha para a fogueira que se esperava - Seferovic. Que, mal sai a bola de jogo, a entrega a um adversário, obrigando André Almeida a fazer falta. E amarelo, aos 40 segundos!


Nos primeiros 4 minutos o Benfica não tocou na bola. Corria atrás dela, bem tratada pelos jogadores da equipa grega que, para além de atropelarem literalmente os adversários, ainda tinham tempo para jogar um futebol fluido e bem trabalhado. A partir daí, escapando ileso a esse início terrível, o Benfica equilibrou. Passou a ter bola, e a acercar-se com  frequência da baliza adversária mas, ainda antes de fechado o primeiro quarto de hora, mais um mau passe, e mais uma falta, um livre de treinador, quase científico, e golo!


Ao quarto de hora de jogo, o pior cenário estava montado. Só que, cinco minutos depois, num canto de Pizzi, Jardel empatou. O jogo e a eliminatória. 


Foi importante, mas não seria ainda aí que as coisas mudariam radicalmente. Seria cinco minutos depois, quando uma sucessão de três erros (dois deles do guarda-redes) da linha defensiva da equipa grega, acabou num penalti sobre Cervi, que Salvio converteria na reviravolta no marcador. Pouco passva de meio da primeira parte, e percebia-se que tudo tinha mudado e que deficilmente o Benfica falharia o objectivo inegociável.


Aos 39 minutos, numa jogada de futebol sensacional, produto acabado da sociedade Cervi & Grimaldo, Pizzi marcou o terceiro e acabou com os gregos, com as dúvidas e com o jogo. Por esta ordem.


A entrada na segunda parte só confirmou isso mesmo, a abrir logo com uma jogada de golo. Não deu golo, acabou em canto. E o canto em penalti - grande arbitragem do alemão que nos estava atravessado na garganta desde a final de Turim, com o Sevilha - com que Salvio, bisando, selava tudo o que havia para confirmar.


A partir daí, do jogo só se poderia esperar mais golos do Benfica. É certo que não os deu, mas oportunidades não faltaram. Só nos últimos 10 minutos o PAOK, e quando já jogava com menos um, criaria algum perigo. Ou melhor: alguma oportunidade para o Odysseas brilhar. Antes tivera uma bola na barra, mas até essa estava controlada pelo guarda-redes do Benfica.


Foi preciso muito tempo, tempo de mais, para a superioridade do Benfica vir ao de cima. Há nisso certamente mérito da equipa grega, e em particular do seu treinador. Mas, sem qualquer dúvida, foram as oportunidades falhadas há uma semana, na Luz, que criaram a ilusão que o segundo classificado do campeonato grego poderia afastar o Benfica da Champions. A alguns de nós, mas acima de tudo a eles!


No fim, tudo está bem quando acaba bem. Até mesmo a opção por Seferovic. Para quem diz que Rui Vitória não arrisca...


 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Bater com a porta, mas com um murro na mesa!

Resultado de imagem para hulot france


 


Na crista da onda que o levou ao poder, e fazendo dos grandes temas da actualidade bandeira e alavanca, Macron convidou para a pasta do ambiente um conhecido ambientalista - NIcolas Hulot - activista da causa, jornalista e apresentador de televisão. 


Até aqui, tudo normal. É frequente que os políticos se socorram de personalidades mediáticas, e/ou com prestígio em nichos de modernidade normalmente descurados pelo poder, ou mesmo próprios de franjas de contra-poder. Da mesma forma que também não é raro que activistas de certas áreas se deixem seduzir pelo poder, por puro deslumbramento, umas vezes, por convicção nos resultados da sua contribuição, noutras.


Quando isso acontece por deslumbramento, como quase sempre sucede por cá, não há grande volta a dar. Acomodam-se, esquecem rapidamente as causas que lhe deram notoriedade e, mandando os princípios às malvas, não incomodam nem afrontam o poder que integram. Quando isso é suportado na convicção e na crença em mudar o poder, se os resultados falham, resta apenas a frustração e o incontornável bater com a porta. Com mais ou menos estrondo...


Nicolas Hulot escolheu bater com a porta com uma força nunca vista. Em directo, numa entrevista numa televisão, apresentou a sua demissão. Publicamente, dando conta de toda a sua frustração pela sistemática irrelevância a que o governo e o presidente condenaram a sua acção e as suas propostas: “Não quero continuar a mentir a mim próprio. Não quero dar a ilusão de que a minha presença no Governo significa que estamos a avançar”!


A isto, não estamos habituados. Disto nunca vimos por cá. 


Quando é de questões ambientais que se trata, quando vemos e sentimos tudo o que já está a acontecer, bater com a porta desta maneira é um murro na mesa que tem de se ouvir muito para além das fronteiras francesas.

Quando a estrela se apaga

Resultado de imagem para a estrela que nos guia


 


Todos temos a nossa estrela, cada um à sua dimensão. Todas empalidecem, mesmo as (dos) maiores, mais cedo ou mais tarde, mesmo que todos achem cedo de mais. Vão perdendo brilho, o brilho que nos emprestam, mas que julgamos nosso, e deixam-nos desamparados num caminho antes largo e aberto, despido de obstáculos, e agora turvo e de destino incerto.


Quanto mais alto se sobe, maior é o trambolhão. Quanto maior e mais brilhante for a estrela, quanto mais alto nos tiver levado, mais perdidos ficamos à sua partida.


Poderia estar a pensar em Mourinho. Mas estou mesmo a pensar no Papa Francisco. 


A estrela de Jorge Bergoglio começou a empalidecer, porventura quando menos se esperaria, ao contrário da de Mourinho. Também ao contrário do que se poderia esperar, são a pedofilia e os escândalos sexuais na Igreja que lançam o primeiro e decisivo ataque à estrelinha papal.


Parecia um tema fácil de abordar. Pensar-se-ia até que seria matéria de reforço da sua imagem e das suas posições. Parece que não é, parece que se trata de terreno altamente escorregadio, onde Francisco revela dificuldade em manter o equilíbrio.


Em dois dias, tantos quanto durou a sua visita à Irlanda, no fim de semana, tudo isso veio ao de cima. Quando o Papa pediu perdão pelos inqualificáveis  e vergonhosos abusos sexuais dos membros da sua Igreja neste país, levantou um pedregulho que escondia muito mais do que se esperava. 


É que, ao contrário do que esperaria, e perante as monstruosidades conhecidas, ao Papa não basta pedir perdão. Isso não faz a diferença, nem faz diferença nenhuma. Fica curto, tão mais curto quanto, ao mesmo tempo, era acusado (pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo núncio apostólico nos Estados Unidos) por encobrir graves suspeitas que lhe teriam sido denunciadas e agora já confirmadas por conhecidas acusações públicas. 


Já no avião de regresso, aquele conselho para que os pais levem os filhos ao psiquiatra logo que lhes percebam tendências homosexuais, apenas confirma a dificuldade de Francisco em manter o equilíbrio!


 


 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Tesourinhos deprimentes

Resultado de imagem para tesourinhos deprimentes marques mendes


 


 


"Sejamos francos, António Costa já começou a pedir a maioria absoluta. Está a pedir, sem pedir, de forma implícita e indireta. Mas para bom entendedor - e os portugueses são bons entendedores - meia palavra basta.”


 


Marques Mendes, SIC 26-08-2018

This is América

Resultado de imagem para this is america


 


Mais um tiroteio nos Estados Unidos. Do nada, só porque sim. Um participante num torneio de videojogos, em Jacksonville, na Florida, desatou aos tiros, matou dois colegas e feriu onze, antes de se matar a si próprio. 


Porque sim. Porque tinha mau perder. E porque ... sim, isto é a América. A América dos lobies, onde o das armas é o maior de todos. Onde é demasiado fácil ter acesso a armas...


E onde se prepara o funeral do senador John McCain, a reserva moral do Partido Republicano, e da América. Sem Trump, conforme expressa e publicamente manifestou em vida. 


Espera-se agora que o inquilino da Casa Branca, que nunca o respeitou em vida, o respeite na morte. E que se abstenha de aparecer... É o mínimo que se lhe exige!


 

sábado, 25 de agosto de 2018

Superstição e peditório

 Benfica 1-1 Sporting: Estreia feliz de João Félix 'estragou' noite (quase) perfeita de Salin


 


Confesso uma superstição, ao que julgo, comum a muitos benfiquistas: se a àguia Vitória não faz o seu voo direitinho ao seu poleiro de suporte, a coisa não vai correr bem. É sempre assim, e quando assim não é... é a excepção, a tal que confirma a regra!


Hoje a Vitória - tenho uma cadela com o mesmo nome, que também se porta mal com frequência - não quis brindar-nos com aquele voo rectilíneo e seguro, andou por ali às voltas e acabou, eventualmente já cansada, por aterrar na relva, ali no centro do terreno de jogo, mas a 15 ou 20 metros da gloriosa base da gloriosa águia, para desilusão dos mais de 60 mil que enchiam as bancadas, que pouco despois haveriam da dar uma nota de festa na bonita coreografia da reconquista.


Tinha de correr mal, só podia...


Todos os dérbis são especiais. Mas este talvez fosse ainda mais especial. Surgia no meio de uma eliminatória de apuramento para a Champions, a sugerir que a Federação e a Liga não dão muito atenção a essas coisas - pelo menos se for Benfica a estar em causa, porque lembramo-nos bem do que aconteceu o ano passado nos sorteio do campeonato em relação ao Sporting, então a discutir esse apuramento -, e surgia em pleno período do que convencionou chamar convalescença do Sporting.


O dérbi de hoje foi inequivocamente marcado por estas duas circunstâncias. Primeiro porque o Benfica jogou a pensar nos jogos com o PAOK. A pensar - e a jogar - como pensou no jogo de terça-feira passada, mas também a pensar no que aí vem, na próxima quarta-feira. E, depois, porque não quis ser desmancha-prazeres, e não deixou de se associar a este pungente movimento nacional de reabilitação do Sporting, coitadinho, que Bruno de Carvalho deixou dilacerado, às portas da morte.


Durante toda a primeira parte o Benfica preocupou-se em não fazer mal. Não fazer mal ao Sporting, evidentemente. E por isso o jogo não teve então história. Nem mesmo aquela entrada do mal agradecido Ristovski sobre Cervi, a meio da primeira parte, que deixou o argentino a sangrar e de cabeça atada para o resto do jogo, demoveu o Benfica desse incumbimento nacional.


Na segunda parte, parece que o Benfica percebeu finalmente que não lhe competia dar a mão ao mais fraco Sporting que me lembro de ver na Luz. Que não tinha nada a ver com o facto de o Sporting só ter aquilo para dar. Mas, aí, já tinha perdido 45 minutos. E tinha ainda que se ver com as suas próprias debilidades, a maior das quais, como se sabe, tem a ver como Ferreyra não encaixa na equipa, ou como a equipa não encaixa Ferreyra... Vai dar no mesmo. E, como se tudo isso não bastasse, tinha ainda que se ver com a confiança que já tinha dado a Salin, por quem antes ninguém dava um avo.


Como se na primeira parte o Benfica não tivesse já dado tudo para o peditório, quando atravessava o seu melhor período e nos convencia a todos que agora é que é, resolve dar ainda mais um bónus: uma brincadeira de Fejsa acabou numa precipitação de Rúben Dias, oferecendo um penalti ao Sporting. Que o Nani naturalmente não falhou.


Faltava cerca de meia hora para o fim do jogo, e o Benfica atirou-se finalmente para cima do Sporting. As oportunidades sucediam-se, como as defesas de Salin, a lembrar os melhores dias de Rui Patrício. Ia dizer que as substituições de Rui Vitória foram bem feitas, porque o menino João Felix voltou a entrar muito bem e marcou o golo do empate, aos 86 minutos. Mas nem isso se pode dizer, porque a primeira opção foi tirar o Cervi, exactamente quando era o principal dinamizador do jogo do Benfica. E porque Seferovic ... Francamente...


Assim, e com as defesas do Salin, e com um inesgotável cardápio na arte de bem queimar muito tempo (neste particular o Sporting fez bem pior que a grande maioria das equipas pequenas que vêm à Luz) acabou empatado mais um jogo que o Benfica tinha de ganhar. E que, mais uma vez, não soube. Como a águia Vitória tinha anunciado!


 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Tema da semana*

Resultado de imagem para zeca afonso panteão


 


De repente, instalou-se no país a febre do Panteão Nacional, como altar emérito de reconhecimento. Ou, se calhar, como palco maior da parolice nacional.


Bem nos lembramos como passou há poucas semanas pelo centrão político do país, com Mário Soares, Sá Carneiro e um Parlamento em choque frontal com a lei, que tinha aprovada há menos de um ano… Coisas da política, coisas do centrão ...


Parece que a febre se espalhou, e esta semana fomos surpreendidos com o propósito da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) de para lá transferir Zeca Afonso, achando que “é este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania”.


Evidentemente que Zeca Afonso é “panteonável” (perdoem-me o abuso linguístico). No mínimo, tanto quanto muitos dos que lá estão. A surpresa vem da certeza que temos todos os que conhecemos Zeca Afonso que ele nunca aceitaria uma coisa dessas. Quem o conheceu sabe que ele recusou todas as condecorações que lhe quiseram atribuir, e sabe que a sua autenticidade é incomportável com esse estatuto. Naturalmente, a viúva, Zélia Afonso, manifestou a sua (e confirmou a nossa) surpresa - “Não sabemos por que razão nem qual o conceito subjacente” – referiu, ao mesmo tempo que deixava claro qua a família rejeitava liminarmente tal proposta, recordando que o Zeca estava sepultado em Setúbal, em campa rasa, exactamente como fora seu desejo.


Recorde-se que em 1994, o então Presidente da República, Mário Soares, tentou condecorar postumamente José Afonso com a Ordem da Liberdade, o que Zélia Afonso recusou, alegando que se o músico não aceitou a condecoração em vida, não poderia ela aceitá-la após a sua morte.


Nada de estranho, portanto.


O que se estranha é que a SPA não conheça Zeca Afonso. O que se estranha – ou talvez não – é que a SPA não passe de um agente burocrático indiferente à dimensão humana dos autores que lhe compete defender.


O que não se estranha é a enxurrada de disparates que logo tomaram conta das redes sociais, a provar que já não passam de sítios mal frequentados onde se destila ódio e ignorância.     


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Brunismo sem Bruno

Resultado de imagem para sondagem eleições sporting


 


Começam a ser divulgados os primeiros resultados das sondagens às eleições no Sporting. E Pedro Madeira Rodrigues - o único que enfrentou Bruno de Carvalho, denunciando-o e opondo-se-lhe em eleições -, fica-se por 1% das intenções de voto, ao nível do desconhecido Fernando Tavares Pereira.


Todos os outros candidatos, que representam no conjunto mais de 98% das intenções de voto dos sportingustas, apoiaram o desastrado presidente destituído, e alguns deles defenderam-no até com unhas e dentes. Poderia dizer-se que há aqui qualquer coisa que não bate certo, e que Madeira Rodrigues nem se enxerga. Mas o que parece certo concluir é que os sportinguistas querem de volta o brunismo. Mas sem Bruno... Por enquanto, dirá o próprio...


 

Transferências

Resultado de imagem para sic tvi


 


À falta da grande transferência por que Luís Filipe Vieira anunciara perder cabeça, a grande bomba da silly season é a mudança de camisola de uma apresentadora de televisão.


A Cristina Ferreira passou-se da TVI para a SIC, e dizem que vai ganhar mais do triplo do patrão, como as grandes estrelas do futebol. Não tenho nada contra o que vai ganhar, mas sinto alguma preocupação com aquilo que hoje se valoriza. 


Bem sei que são as audiências. É isso mesmo que me preocupa...

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Objectivo inegociável em risco

Pizzi


 


O Benfica acrescentou hoje mais dificuldades à tarefa de chegar à Champions, ao empatar a um golo com o PAOK, na Luz. A verdade objectiva é que o Benfica parte para Salonica em desvantagem, exactamente ao contrário daquilo que deveria ser.


Tinha aqui dito, há uma semana, quando o Benfica acabara de eliminar o Fenerbace, que o adversário que se seguia era teoricamente mais fácil. Mau grado a folha de serviço que apresenta - eliminar o Basileia e o Spartak de Moscovo, é obra! - o jogo de hoje confirmou essa ideia. Nenhum jogador da equipa grega tinha lugar no onze do Benfica.


No entanto ninguém terá ficado muito surpreendido com este resultado. Negativo, e a transformar o jogo de Salonica num desafio de alto risco para o inegociável acesso à Champions. O Benfica mostrou que é muito superior, que tem melhores jogadores, e que joga muito mais. Mas, à medida que se sucediam e se desperdiçavam oportunidades de golo, começava-se a instalar-se na cabeça de toda a gente aquela ideia batida, velha e gasta - quem não marca, sofre.


Desperdiçar 20 ou 30% das oportunidades criadas poderá aceitar-se. A sorte e o azar pesam nestas coisas e o Benfica teve, sem dúvida nenhuma, muito azar, bem expresso nas quatro oportunidades de Pizzi, todas de excelente execução. E, naturalmente, a equipa grega muita sorte. Mas desperdiçar todas as oportunidades criadas - e foram bem perto de uma dezena - não é aceitável, nem pode ser explicada apenas por azar. 


Nunca, nos quatro jogos oficiais anteriores, o Benfica tinha criado tantas oportunidades de golo. Creio que nem mesmo neles todos juntos. E por isso se tem de falar de avançados, até porque, golos, só com Pizzi e Gedson. E tem de se falar em Ferreyra, e na desilusão em que a sua utilização se transformou. Ferreyra não é aquilo mas, acima de tudo, não é para aquilo. Não percebo como é que Rui Vitória não o percebe!


Mas também tem de se falar da equipa. O PAOK só deu sinal de vida, e chegou ao empate, quando a equipa se desligou do jogo, a 20 minutos do fim. Nenhuma equipa consegue estar 90 minutos a pressionar, em regime de alta rotação. Mas uma coisa é gerir os intervalos, é descansar com bola, sem perder o controlo do jogo. Outra é desligar. E não foi a primeira vez que isto aconteceu!

Cinquentenário - Invasão da Checoslováquia

Resultado de imagem para invasão da checoslovaquia


 


Na madrugada de 21 de Agosto de 1968, tanques e aviões soviéticos entraram na Checoslováquia, na então República Socialista da Checoslováquia, para esmagar o processo de democratização conduzido por Dubcek, que ficou conhecido por Primavera de Praga.


Em Janeiro de 1968 Dubcek, que fizera toda a sua formação política na URSS, substituiu o estalinista Novotni na liderança do Partido Comunista Checoslovaco e iniciou de imediato, com o apoio esmagador das  massas populares, um conjunto de reformas políticas com vista a orientar o regime para o que chamava socialismo de rosto humano. Que rapidamente Brejnev tratou de travar, à custa de muito sangue. 


Algumas semanas depois tudo ficava na mesma. Mesmo que o movimento comunista internacional nunca mais tenha sido o mesmo... Estava aberta a primeira fenda, a mãe de todas as brechas que tudo fariam colapsar vinte anos depois!


 


 

Poderosa ambiguidade

Resultado de imagem para mario centeno saida limpa da troika


 


As declarações de Mário Centeno sobre, finalmente, a saída da Grécia do(s) programa(s) da troika gerou grande polémica no quadrante político que suporta (nunca uma palavra conseguiu ser tão poderosamente ambígua!) o governo. Na verdade, o paternalismo de Mário Centena não é nem mais, nem menos, que a hipocrisia do presidente do eurogrupo.


Sempre foi assim. E sempre assim será, com nomes mais ou menos fáceis de pronunciar... E já se sabia que teria de ser assim quando Centeno ficou com a guarda da capoeira... 


É como estas saídas... são sempre limpas. Ou a poderosa ambiguidade em todo o seu esplendor!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

VIVA O MAR

Resultado de imagem para var


 


A segunda jornada da Liga de futebol manteve as suas pecularidades, e desta vez criou o paradigma do último minuto. No último minuto do jogo de Alvalade, nem o árbitro nem o VAR viram o que todos vimos: um penalti a favor do Vitória de Setúbal, que daria de novo, e por fim, o empate. No útimo minuto do jogo do Jamor, o VAR e o árbitro viram o que mais ninguém viu: um penalti a favor do Porto, que lhe deu os três pontos.


Percebem-se as preocupações com a convalescença do Sporting, e o desígnio de o levar direitinho, bem amparado, sem o deixar cair e inteirinho até à Luz. Já quanto ao Porto, que mesmo sem estar doente está a jogar tanto como o Sporting, não é preocupação. É obcessão. Que também é doença...


E, neste Agosto quente, viva o MAR - Medical Assistence Results!


 

sábado, 18 de agosto de 2018

Maior. E vacinado!

Resultado de imagem para boavista benfica


 


À segunda jornada, o Benfica hoje tinha no Bessa, à luz da História, um dos jogos mais difíceis do campeonato. É sempre difícil para o Benfica ganhar ao Boavista, no Estádio do Bessa, é ainda mais. O Boavista agiganta-se sempre frente ao Benfica, que tem sempre muita dificuldade em lidar com aquela entrega dos jogadores axadrezados que os transforma em autênticas carraças, naquele estilo de canela até ao pescoço.


Dado o pontapé de saída, percebeu-se logo que, do lado boavisteiro, a tradição ainda é o que era. Rapidamente os jogadores do Boavista puseram em campo todos esses conhecidos atributos. O Benfica não mostrou de imediato que trazia o antídoto, deixando que por momentos tenham passado pela cabeça dos adeptos algumas imagens  que lhes ficaram de alguns destes jogos.


Aos 4 minutos o Boavista até poderia ter marcado, na primeira oportunidade de golo do jogo, e única da equipa da casa em todo o jogo. Mas a partir daí começou a perceber-se que o Benfica vinha vacinado para o jogo boavisteiro. E percebeu-se que era mesmo vacina, não era um mero antídoto. É que o Benfica pegou nos vírus do adversário e, já com os anti-corpos, partiu para a luta. No mesmo terreno e com as mesmas armas.


Não virou a cara à luta, não poupou na intensidade em cada disputa, e pressionou. Pressionou sempre, e logo a partir do guarda-redes adversário. E quando assim é, quando lutam e correm tanto como os adversários, os melhores jogadores fazem melhor. E são insofismavelmente superiores!


E, isso, o jogo começou muito cedo amostrar. À meia hora mostrava já um Benfica dominador, com o Boavista encostado à sua área, raramente conseguindo chegar ao meio campo. Safando-se como podiam, afastando a bola de qualquer maneira... 


Só que aquele volume de jogo, e aquele domínio muitas vezes sufocante, não tinham correspondência em oportunidades de golo. Tudo porque o pecado maior do futebol do Benfica neste início de época continua(va) lá: a bola não chega ao ponta de lança. E quando o ponta de lança é Ferreyra, este também não a procura.


Estava o jogo nisto quando, o Ferreyra que não procura a bola, ganha a bola que nunca lhe chega, e depois faz o resto: o golo, com a qualidade que todos sabemos que tem, mas que teimava em esconder-nos. Faltavam 10 minutos para o intervalo, e o jogo passava a fazer sentido.


A segunda parte arrancou com o Benfica ainda mais pressionante, com a lição do jogo da época passada bem metida na cabeça. E então sim, as oportunidades de golo passaram a suceder-se, umas atrás das outras. Ao Boavista, que já apenas se limitava a tentar partir qualquer coisa - o quer que fosse - ao endiabrado Gedson, valia-lhe  o seu guarda-redes, Helton. 


Pouco passava da hora de jogo quando Pizzi - o líder dos marcadores, por esta altura - fez o segundo, depois de mais um roubo de bola, agora de Salvio, que disparou até à linha final para centrar atrasado, como deve ser.


Foi fundamental, este golo. Porque matou o jogo mas, acima de tudo, porque pôs água na fervura do jogo, com os jogadores do Boavista a bater em tudo o que mexia. E, claro, como o Gedson não parava de mexer... Pelo menos por uma vez ficou o vermelho por mostrar, numa entrada verdadeiramente assassina do lateral esquerdo do Boavista, e Rui Vitória teve mesmo de o tirar do jogo, para não correr o risco do miúdo sair de lá com uma perna partida.


O jogo . o mais sólido e consistente do Benfica, e a melhor exibição deste início de época - deu ainda para a estreia do João Felix, outro dos miúdos fantásticos do Seixal. Quase tinha dado para um golo e uma assistência, e para uma estreia de sonho. Não deu. Foi pena... 

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Tema da semana*

           Imagem relacionadaImagem relacionada


 


Em tempos de silly season, mais que os 60 anos da Madona – mas não parece; de todo, está muito bem conservada – notícia foi o convite a Marine Le Pen para a próxima edição da Web Summit.


Não se percebe qual seria o inovador contributo do discurso da senhora para esta feira de vaidades – perdão: de tecnologias e empreendedorismo – mas algum apport traria certamente. Desconfio bem que acabou por trazer, à mesma…


O anúncio da presença de Marine Le Pen na lista de oradores do evento, como não podia deixar de ser, provocou de imediato as mais diversas reacções. Nem sei mesmo se, no Panteão, não houve, desta vez, gente às voltas no túmulo.


O Sr Paddy Cosgrave, fundador e presidente executivo da Web Summit, não explicou a razão do interesse nos contributos da senhora da extrema-direita francesa mas, afável e muito respeitador dos sentimentos portugueses, como sempre, apressou-se de imediato a mostrar a sua disponibilidade para apagar o nome da senhora. Bastaria que o governo português lho solicitasse.


Não foi preciso. O governo português não escorregou na casca da banana – recusou de imediato, precisando que não intervém na selecção dos oradores – e o Sr Cosgrave, que desde a polémica do jantar no Panteão sabemos que não quer polémicas, tomou ele próprio a iniciativa de cancelar o convite.


E tudo acabou em bem, como sempre nestas histórias. O governo não fez figura de urso, e Cosgrave continua um gentleman. Não quer que nada nos falte. Nem a ele!


E durante uns dias não se falou de outra coisa. Afinal, o que mais importava…


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Aretha Franklin (1942-2018)

Resultado de imagem para aretha franklin


 


Esperava-se já há alguns dias, aconteceu hoje, em Detroit. The Queen, a rainha do Soul, morreu. Fica uma história rica. De êxito e de desgraça. Ficam 18 prémios Grammy. E fica o melhor de si - a sua música. Que nos enche a alma! 


 

O grito da América

Resultado de imagem para jornais americanos


 


 


A imprensa norte-americana junta-se hoje em uníssono contra os ataques de Trump e a sua miserável campanha de propaganda, que não tem outro fim que não seja eliminar quem a escrutine e denuncie.


Ao fazer dos jornalistas o inimigo, Trump quer esvaziar a capacidade de escrutínio, eliminar a crítica e deixar o populismo à solta, a salvo da denúnica. Quer fazer das redes sociais palcos de gigantescos comícios à escala global, enquanto convence as pessoas que são os mais limpos veículos de informação, numa comunicação sem filtros nem intermediação. 


Os editoriais de hoje de mais de 350 jornais por todos os Estados Unidos são o grito da América que grita. Um gigantesco grito de protesto contra o populismo e a autrocracia, mas também a afirmação de um compromisso de defesa do jornalismo e da liberdade de imprensa, e um alerta para a importância da independência dos jornais. Que no chamado mundo livre nunca esteve tanto em causa como hoje.


A democracia precisa de uma imprensa forte, livre e independente. Hoje, como diz o título do editorial do New York Times, "A free press needs you"...


 


 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Com Gedson, a caminho da Champions...


 


O Benfica ainda não está na Champions, mas deu hoje, em Istambul, um passo indispensável para lá chegar. Agora falta o PAOK, na minha opinião, menos forte que esta equipa do Fenerbace.


O empate (a um golo) desta noite foi suficiente, tal como a exibição. O Benfica controlou boa parte do jogo, foi quem na maior do tempo mandou no jogo. Faltou então aquele bocadinho extra de qualidade que resolve os jogos, e que faz toda a diferença na Champions.


Em muitas circunstâncias, faltou a alguns jogadores aquele bocadinho mais para que  resultasse aquela variação de jogo, aquele último passe, mais ainda que a própria finalização. Não fosse isso, e o Benfica tinha ganho este jogo com grande à vontade.


Mesmo assim, sem esse toque extra de qualidade, poderia tê-lo ganho. Teve mais oportunidades para isso que o adversário, num jogo em que o miúdo Gedson voltou a ser a figura maior. Grande jogo, onde o golo foi apenas a cereja. 


Quando afinar o momento para soltar a bola, e o último passe, ficará um jogador fabuloso. Do melhor que se vê aí pelo mundo fora!


 


 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A caminho do Sol...

Resultado de imagem para sonda parker


 


Está já no ar a sonda Parker (designação em homenagem ao astrofísico Eugene Parker), o mais rápido objecto voador de todos os tempos, a caminho do Sol, a 700 mil quilómetros por hora.


Daqui a sete anos, depois de uma viagem de mais de 2500 dias, na mais complexa missão espacial se sempre, que resulta de seis décadas de investigação, a Parker terá feito 24 órbitras em torno do Sol, e ficar-se-á a saber alguma coisa da sua coroa, onde as temperaturas são superiores a 1 milhão de graus centígrados.


Daqui a sete anos, Iker Casillas não acreditará em nada disso...


 


 

domingo, 12 de agosto de 2018

Volta a Portugal 2018 II

 


 


Resultado de imagem para volta a portugal 2018


 


Está concluída a 80ª Volta a Portugal em bicicleta, com o bis do espanhol Raúl Alarcón, que repetiu o triunfo do ano passado. E deve começar já por dizer-se que justo, e verdadeiramente inquestionável à luz do que é o ciclismo actual.


Em 10 etapas - tantas quantas a Volta tem (e pode ter) actualmente - Alárcon venceu três. E logo as três mais importantes. A primeira logo na terceira etapa, entre a Sertã e Olveira do Hospital, na primeira oportunidade para causar uma primeira boa impressão que, como se sabe, é única. E decisiva para se refestelar no poleiro, para onde havia muitos galos, como se viria a ver. Claramente visto!


A segunda, logo na etapa imediata, a da Serra da Estrela. Que mesmo sem Torre nunca deixa de ser a mais importante. E a última, ontem mesmo, na não menos mítica Senhora da Graça. Em todas ganhou de forma categórica, sem espinhas. Porque isto de ter a melhor equipa, de transformar os mais fortes adversários nos mais fortes aliados, não são espinhas. É assim, e daí a importãncia das "primárias" para decidir quem é o candidato, que Raúl Alarcón resolveu quando tinha que resolver - primeiro que qualquer colega de equipa, logo na tal primeira oportunidade, à terceira etapa.


Raúl Alarcón ganhou na Serra da Estrela e na Senhora da Graça a legitimidade para vencer a Volta pela segunda vez. Hoje, nos 17 quilómetros do contra-relógio final, em Fafe, confirmou-a com uma excelente prova, que lhe deu o terceiro lugar na etapa, logo atrás do excelente João Rodrigues, seu colega de equipa, apenas batido pelo sensacional contra-relógio do espanhol Vicente de Mateos, do Louletano, que quase lhe dava para chegar ao segundo lugar da geral.  Já não havia muita coisa para decidir, apenas coisas a confirmar, em particular a superioridade da W52 FCP que, com três ciclistas no top five e cinco no top ten, ultrapassou o Sporting/Tavira e ganhou também, naturalmente, a Volta por equipas.


O pódio acabou no desenho que começara na quarta etapa, a da Serra. Joni Brandão, quarto no contra-relógio de hoje, ficou em segundo, posição que ocupava desde então, quando foi batido pela primeria vez, e com a qual sempre se conformou. E Vicente de Mateos, o mais incoformado e o que mais fez por incomodar a liderança de Alárcon, em terceiro.


Vicente de Mateos ganhou três etapas (2ª, 8ª, e 10ª), tantas quantas Raúl Alarcón, que ganhou também e ainda a montanha, os dois protagonistas maiores da Volta. Ambos ficaram com 60% das vitórias em etapas. E, para além deles, só mais três ciclistas ganharam etapas - Stacchiotti, da Mstina Focus, por duas vezes (o que quer dizer que 3 ciclistas, menos de 2% dos que disputaram a Volta, ganharam 80% das etapas, o que não abona muito a competitividade da prova), Domingos Gonçalves (Rádio Popular/Boavista, a 6ª) e Enrique Senz (Euskadi, a 7ª).


Isto é, apenas um ciclista português ganhou uma etapa!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

O credo em vez da "abada"

Resultado de imagem para benfica guimaraes


 


Testemunhei pela primeira vez o pontapé de saída do campeonato, o primeiro golo e o primeiro hat-trik. É verdade, nunca me tinha acontecido. Não me lembro de alguma vez ter assistido ao primeiro jogo do campeonato, calhou desta vez.


Com honras de abrir a competição, o Benfica fez questão de entrar bem. E entrou!


Tão bem que aos 10 minutos já ganhava. À primeira oportunidade fez o primeiro golo. O tal primeiro golo do campeonato, a que eu nunca tinha assistido ao vivo. Melhor não poderia começar. Ainda mais por ter nascido num miúdo que já nasceu dez vezes, no Gedson, a nova coqueluche benfiquista. E por ter tido Pizzi por autor, um mal amado.


Não tardou muito, o segundo. Mas entre um e outro, o Vitória Sport Clube, como os de Guimarães gostam que lhe chamem (mesmo que aquelas dezenas de adeptos que se deslocaram à Luz se tenham portado deveras mal, e não mereçam qualquer aceno de simpatia) poderia ter marcado, num acidente de Fejsa, que perdeu uma bola que acabou no poste direito do Odysseas Vlachodimos (temos que arranjar um nome mais popular ao rapaz; desde que não seja Roberto qualquer coisa serve), na recarga a uma boa defesa do alemão que se viu grego, logo a seguir a Facundo Ferreyra ter falhado o penalti que deveria ter feito chegar o segundo bem mais cedo.


Para falhar penaltis já cá tínhamos muita gente, pensou-se na Luz, com mais de 55 mil nas bancadas. Porque foi mesmo falhado, não foi nenhuma grande defesa do brasileiro Douglas. Grandes foram depois as duas defesas às duas recargas.


À meia hora de jogo lá chegou então o segundo, numa boa jogada pela direita, com um passe de classe (de vez em quando o André Almeida também sabe fazer isso) para o bis de Pizzi fazer esquecer o Ferreyra. E oito minutos depois, agora numa jogada pela esquerda, Grimaldo centrou rasteiro, o ponta de lança argentino fez o melhor que conseguiu em todo o jogo, mesmo que isso tenha sido apenas abrir as pernas e deixar passar bola, e lá voltou Pizzi a metê-a na baliza. Fazendo esquecer Jonas. Ou não!


Sem Jonas, nem qualquer explicação para o que se está a passar (se o jogador tem contrato, não se percebe por que não joga, nem por que não renovou, quando é ele o mais interessado na renovação, nem por que não sai, nem coisa nenhuma), sem Ferreyra, a quem a bola nunca chega (mas também ele nunca chega onde ela está), valha-nos o Pizzi a marcar golos. Marcou mais hoje, no jogo de abertura, que em todo o campeonato anterior!


Os jogadores do Vitória estavam então perdidos. Não faziam a mínima ideia do que lhes estava a acontecer, e estavam á mercê do golpe de mericórdia que o Benfica não soube dar. Percebia-se que ansiavam pelo intervalo como um condenado por um último desejo.


A bola voltou ainda a entrar na baliza vimaranense, numa recarga em fora de jogo a mais um golo negado pelo guarda-redes Douglas. A Luz festejou o quarto, mas não contou. E o intervalo salvador lá chegou, quando o Benfica poderia estar a repetir a goleada de há duas épocas, na jornada da festa do tetra, mesmo que longe, bem longe mesmo, da qualidade de então. 


O Vitória, já sem Ola John - continua sem nos desiludir - não entrou bem para a segunda parte, e o Benfica continuou a dominar o jogo sem quaisquer dificuldades. Mas naquela maneira muito à Rui Vitória de adormecer o jogo. Aquele jogo muito pausado, de passe para o lado e para trás e, de vem em quando, um safanãozinho.


E aconteceu aquilo que muitas vezes me acontece a adormecer o meu neto: adormeço eu primeiro. O adversário estava quase a adormecer, e os adeptos também. Mas quem acabou por adormecer primeiro foi mesmo o Benfica. A saída do Fejsa acabou com o resto.


E em cinco minutos, à entrada do último quarto de hora, com tudo a dormir e sem Fejsa, os vimaranenses fizeram dois golos, deixando a Luz em pânico, já bem acordada ao som de todas as sirenes.


Faltavam 10 minutos - foram 13 - e temeu-se o pior. Valha que durante todo esse tempo o adversário não incomodou muito, não criando sequer qualquer calafrio. Mas que a Luz suspirou de alívio quando o árbitro (não falei dele, pois não?) apitou pela última vez, lá isso suspirou.


E pronto. Foi assim que o Benfica começou o campeonato que se deseja do 37, com um ano de atraso. Assim, com um jogo que em vez de ter acabado com uma abada das antigas, acabou com a Luz de credo na boca. E com muitos fantasmas!

Generosidade especial

Capa Público


 


Como se vê tem destaque de capa no Público, mas a notícia está a passar despercebida: o Estado, depois de já ter enterrado 4 mil milhões de euros no Novo Banco, e de se prontificar para o que mais for preciso, deixou para os americanos da Lone Star uma colecção de arte e antiguidades avaliada em 50 milhões de euros.


Assim como quem deixa uma gorjeta, o Estado deixou em cima da mesa da Lone Star 50 milhões de euros em moedas raras, fotografias contemporâneas, pintura, mapas portulanos e livros quinhentistas. É muito generoso o nosso Estado. Especialmente com donos de bancos!


 


 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Tema da semana*

Resultado de imagem para sucesso monchique


 


O Algarve arde há quase uma semana a fio, sob uma chuva – que nada apaga – de críticas e acusações à forma como está a ser combatido. Críticas e acusações às prioridades, aos meios, à estratégia, à desorganização…


No início da semana, logo na segunda-feira, o fogo chegou a ser dado por controlado. Chegou a dizer-se que 95% do incêndio estava circunscrito e dominado. Em poucas horas, da manhã para a tarde, passou a incontrolado e incontrolável. Sem qualquer explicação, sem que ninguém ainda perceba porquê. Foi neste quadro trágico, em que todos os dias pessoas perdiam casas sem que ninguém lhas defendesse, e sem sequer lhes permitir que as defendessem elas próprias, com o fogo a avançar sobre aldeias, vilas e cidades, indiferente aos meios de combate que lhe despejavam para cima, que António Costa chegou de férias e resolveu chocar o país, incendiá-lo mesmo, afirmando que Monchique não era mais que uma ilha de excepção no oceano imenso do sucesso no combate aos fogos.


Não. Monchique não é a excepção ao sucesso no combate aos incêndios. É a prova de que, ao primeiro teste realmente difícil, o combate aos fogos falhou. Não. Por mais que queira, o chefe do governo não consegue convencer ninguém de sucesso nenhum, num Verão de frio e chuva que, esse sim, teve em Monchique a excepção.


Mas, se calhar nem é este lado mais objectivo, ou operacional, o que mais releva da tresloucada declaração do chefe do governo. O que mais conta, e o que mais ficará a contar, é que o primeiro-ministro quis mais uma vez lastimar-se da falta de sorte. Que teve êxito em todos os combates, menos num. Azar, diz ele…


O que mais choca é que voltou a deixar exactamente a mesma impressão de há um ano. Que, para António Costa, catástrofe é que a catástrofe lhe estrague tudo o que estava a correr tão bem.


Isto é de uma insensibilidade atroz. E provavelmente imperdoável!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Síndrome do disparate

Resultado de imagem para antónio costa monchique é a prova


 


António Costa tem um problema sério com os incêndios. Não é que não sobrem sinais que tem problemas com muitas outras coisas, mas com os incêndios é mesmo coisa séria.


Basta-lhe pensar em incêndios para a sair disparate. É tiro e queda!


Mas, francamente, dizer que Monchique "foi a exceção que confirmou a regra do sucesso da operação ao longo destes dias" ultrapassa a dimensão do disparate. É que aqui não há contexto nem circunstâncias que lhe valham. A palavra "sucesso" é simplesmente assassina quando o fogo galga quilómetros e hectares dias a fio, sem que nada nem ninguém o detenha. Mesmo para invocar a excepção!


Tratando-se António Costa de um político afamado pela tarimba, só pode mesmo sofrer de um forte distúrbio psicossomático, provocado por um estranho síndrome de uma mistura explosiva de férias e incêndios.

Diálogos curtos

Resultado de imagem para diálogo 


 


A cena passa(-se) numa das televisões, em reportagem numa aldeia de Trás-os-Montes. Na rua, à porta do café da aldeia, um BMW cabriolet, branco, de matrícula francesa. Lá dentro, joga-se às cartas, em conversa animada para as câmaras.


A reporter pergunta: "então quando é que chegou"?


A resposta, rápida: "au jour d`hui même"!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

As diferenças

 Resultado de imagem para monchique


 


Monchique continua a arder. Depois das altas temperaturas, agora é o vento... Dado por controlado ontem, ao fim da manhã, ressurgiu ainda mais pujante e ameaçador a meio da tarde.


Arderam já perto de 20 mil hectares, e dezenas de casas de habitação e outras estruturas. Há pessoas queimadas com gravidade mas, felizmente, ainda não há mortes. E aqui está a grande diferença para o ano passado.


A outra está na meterologia, que fez destes primeiros dois meses de Verão os mais frios e húmidos de que há memória.


Nunca se tinha visto tanto investimento na prevenção e combate aos fogos. O próprio e insuspeito Presidente Marcelo, em férias que não são férias pelas zonas que arderam no ano passado, era (ainda é?) a cara do optimismo. Hoje, a convicção que começa a generalizar-se é que pouco mais se fez que propaganda.


As instituições que superintendem nestas matérias, da floresta e da natureza, à protecção civil e às operacionais, mantêm-se paquidérmicas. Feitas de gente instalada, irreformáveis... Só a metereologia nos valeu!  


A metereologia e um empenho, esse sim como nunca se tinha visto, em salvar vidas. Que nos traz também um flagrante choque de prioridades, onde a inegociável prioridade da defesa da vida humana choca, muitas vezes violentamente, com a prioridade das populações à defesa dos seus haveres: as pessoas procuram defender os seus bens, sem olhar a riscos; as autoridades públicas procuram impedi-las de correr riscos, sem olhar aos seus bens... 

domingo, 5 de agosto de 2018

Tudo a arder

As imagens em directo do incêndio em Monchique


 


O país volta a arder. Desta vez mais a Sul, porque o resto ainda não dá... As televisões voltam aos intermináveis e indigeríveis directos. Em estúdio sucedem-se os especialistas. Cada vez mais, há sempre mais um, que ainda não conhecíamos. 


Vemos as chamas a dançarem a dança da morte à volta de Monchique - desta vez é que lá se vai o resto do medronho, o melhor destilado que se faz em Portugal - e interrogamo-nos: como é que possível, com tanto especialista? O que é que toda esta gente gente fará quando país não está a arder? Onde é que aplicam tanto conhecimento?


A arder está também o PSD. Depois do fogo de artifício Santana Lopes, que bem deveria saber que a arte da pirotecnia deveria estar interdita nesta altura, é Pedro Duarte, mais um ex-líder da Jota, a puxar do fósforo. E Rui Rio já parece Monchique. Sem medronho, que nunca teve...

Volta Portugal 2018 I


 


 


A 80ª Volta a Portugal em bicicleta está na estrada. E já praticamente resolvida, mas já lá vamos...


Começou em Setúbal, foi direita ao Algarve, subiu para Alentejo, passou pela região martirizada pelos incêndios do ano passado - este ano, como se está a ver, o país arde mais a sul -, e chegou à Serra da Estrela. Com polémica!


As três primeiras etapas foram corridas debaixo das temperaturas recorde destes dias, exactamente nas regiões onde esses recordes têm sido estabelecidos. Acresce que foram das mais longas, em particular as duas primeiras, que atravessaram o Alentejo nos dois sentidos, sempre na ordem dos 200 quilómetros. Isto é, em condições muitos difícieis para os ciclistas, que são pessoas de carne e osso.


Daí que, chegada à Serra da Estrela, logo ao quarto dia e com este histórico, a direcção da prova decidiu abolir da etapa a subida à Torre, e encurtar a etapa em cerca de 30 quilómetros. A intenção terá sido a melhor, mas não deixa de causar polémica, havendo logo quem dissesse que beneficiou uns e prejudicou outros.


Ontem, na etapa solidária que ligou a Sertã a Oliveira do Hospital, o vencedor do ano passado, o espanhol Raul Alarcon, provavelmente para marcar posição na equipa - a W52 FC Porto, cheia de "chefes de fila" - desferiu um ataque surpresa nos metros finais. Que resultou na vitória na etapa e na conquista da camisola amarela, até aí e desde o prólogo de Setúbal, no corpo do setubalense Rafael Reis, que fez parte da formação aqui em Alcobaça. Estabeleceu também as primeiras diferenças entre os da frente, algumas até já significativas.


Se ontem Alarcon provocou o primeiro abanão nas classifcação geral, hoje praticamente arrumou-a. 


Dos ditos favoritos, o primeiro a atacar depois da Covilhã, a caminho da meta nas Penhas da Saúde, foi Joni Brandão, do Sporting/Tavira. Era o terceiro da geral, um dos mais revoltados com a falta de resposta ao ataque do espanhol na véspera (como se não fosse competência sua responder-lhe), mas também com a supressão da subida à Torre, e fez questão de puxar dos galões. No grupo dos favoritos, ainda compacto, ninguém reagiu.


Depois de começar a ver ficarem pelo caminho, um a um, os seus colegas de equipa, mas também candidatos, Alarcon saltou à procura do Joni Brandão, que rapidamente alcançou. Quase tão rapidamente como, depois, o deixou para trás, numa demonstração de superioridade que não deixa muitas dúvidas para tudo o que ainda falta da Volta.


Ganhou pela segunda vez, e consecutiva, e acrescentou mais 12 segundos aos 40 que já tinha sobre o português, agora segundo. O anterior segundo, o também espanhol (nos 10 primeiros, 6 são portugueses e 4 são espanhois) Vicente de Mateos, do Louletano, é agora terceiro, já a perto de 2 minutos. Mas, acima de tudo, arrumou com a concorrência interna: Gustavo Veloso, perdeu 16 minutos, e é agora o 45º da classificação, e o colega de equipa mais próximo é Ricardo Mestre, na 12ª posição, a quase 5 minutos.


O que quer dizer que, com o exército agora totalmente ao seu dispor, e com a superioridade de que deu mostras, se nada de anormal acontecer, o vencedor da Volta está encontrado. À quarta etapa!


 


 


 


 

sábado, 4 de agosto de 2018

O que há de novo? Abriu a época!

Resultado de imagem para supertaça candido oliveira


 


Com a Supertaça, a tal competição de um só jogo que, quando chega a altura de fazer contas aos títulos, entra no mesmo saco do campeonato e da Taça, abriu a época de futebol.


E logo a abrir deu para perceber que está tudo na mesma. Nas bancadas canta-se para provocar um rival que não está presente, nem tem nada a ver com o jogo. No relvado pressiona-se o árbitro, no banco pressiona-se tudo. No fim, ganha o Porto. E no fim continua a pressionar tudo... 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Tema da semana*

Imagem relacionada


 


Durante toda a semana Ricardo Robles, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa em representação do Bloco de Esquerda, tomou conta do espaço mediático. Ninguém mais lhe roubou a ribalta, nenhuma outra estrela brilhou tão alto.


mainstream reservou-lhe esse espaço. Nele convergiram duas linhas de fogo que, parecendo paralelas, se cruzam nalgumas circunstâncias. Foi o caso, agora.


De um lado, a linha do status quo dominante, que não podia perder a oportunidade de ricochetear tudo aquilo que nunca lhes atinge mais que a carapaça da indiferença. Que quis dar as boas vindas ao seu território de más práticas, mas sem poupar na hipocrisia, e sem dó nem piedade na hora de cobrir tudo com o mesmo manto. Do outro, a linha do “justiceirismo“ quixotesco que se atira à corrupção como a moinhos de vento, e que por de trás de tudo o que mexa não vê outra coisa que não poderosas e tenebrosas máquinas de corrompimento, sem perceberem que, metendo tudo no mesmo saco, tornam igual o que é diferente. Perdem o foco e até a credibilidade e o respeito, e matam à nascença o que de melhor lhe poderia assistir às intenções.


No meio do que uns e outros escreveram, disseram ou mandaram dizer pouco sobrou para a verdade do que realmente aconteceu. E, a meu ver, o que realmente aconteceu, foi que alguém, fazendo da campanha contra a especulação imobiliária uma bandeira, nela se enrolou para esconder um especulador de faca em punho, que acabou espetada nas costas do partido que o acolhera e que, ainda a quente e sem dar pelos golpes, se apressou a defendê-lo, como uma mãe defende um filho.


Tinha já perdido muito sangue quando reconheceu a facada. Afastou a faca, e a mão que ainda a segurava, e partiu para um longo período de convalescença.


Talvez as férias ajudem!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Eusébio Cup

Resultado de imagem para benfica eusebio cup


 


 


Hoje regresso ao futebol, mais propriamente ao Benfica, que por aqui não aparecia há mais de dois meses. A pré-época está a chegar ao fim - as contratações e as vendas provavelmente ainda não - e as competições oficiais estão à porta. Dentro de dias, já na próxima terça-feira, aí estão os turcos do Fenerbace para disputar o acesso à cada vez mais milionária Liga dos Campeões.


Ontem o Benfica perdeu - pela primeira vez nesta pré-época - com o Lyon (2-3), no Algarve. Nunca é boa altura para perder, mas é sempre pior na véspera dos grandes jogos. E pior ainda na dos decisivos. Não é para falar da derrota, nem das suas eventuais consequências - até porque há sempre atenuantes, e três bolas nos ferros não é coisa que aconteça em todos os jogos -, nem sequer dos equívocos de Rui Vitória (parece que quantos mais - e melhores - jogadores tiver mais baralhado fica) que hoje volto ao Benfica. Mas é para falar do jogo, sem falar do jogo.


É que este jogo com o Lyon, no Estádio do Algarve, sendo o último dos três da participação do Benfica na International Cup (nos outros dois tinha empatado com o Borussia Dortmund e com a Juventus, nos Estados Unidos, e totalizado 3 pontos, em resultado da vitória e da derrota nos penaltis, respectivamente), foi vendido como Eusébio Cup. 


Eusébio e a sua memória não merecem isto. Os benfiquistas, não merecem que se brinque com um troféu concebido para honrar o maior símbolo do Benfica. Depois de, em 2015, ter sido enfiada no meio de uma digressão pela América e disputada em Monetrrey, no México (vitória da equipa local, por 3-0) e de, no ano passado, nem sequer se ter realizado, este ano foi enfiada à martelada na International Cup. Insólito: um mesmo jogo, duas competições!


É um insulto à memória de Eusébio e é um insulto aos benfiquistas. A Eusébio Cup só pode ser disputada no Estádio da Luz, na apresentação oficial da equipa aos sócios, com casa cheia. E cheia de benfiquismo, de entusiasmo e de fé na nova época. Com adversários á dimensão da dimensão do homenageado, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e figura única e ímpar da História do Benfica. E com os jogadores orgulhosos de vestirem a camisola que Eusébio tornou conhecida e admirada em todo o mundo, e empenhados ao máximo em oferecer a vitória aos céus, onde se verá o King a agradecer, de lágrima no olho.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...