terça-feira, 30 de abril de 2024

Reparo às reparações

Imprensa internacional destaca desfile e eventuais reparações coloniais |  50 anos do 25 de Abril | PÚBLICO


O Presidente Marcelo, no já famoso jantar de quatro horas com a imprensa estrangeira - pareceu que muito brasileira -, entre muitas coisas estranhas, falou da "reparação colonial", que deixou o país em alvoroço. Ninguém lhe perdoou, mesmo que tenha sido só a "direita mais direita" a "malhar-lhe" impiedosamente logo no dia seguinte, na sessão pública da comemoração do 25 de Abril, na Assembleia da República.


O tema está há muito na "ordem do dia" internacional. Mas, sabe-se, em Portugal é diferente. O colonialismo português foi diferente, e mesmo tendo sido o último "a fechar", e com uma guerra prolongada pelo meio, continua a ser diferente.


É curioso que as reacções de reclamação dos "ex-colonizados" tenham vindo, não dos países africanos, colonizados até "à última gota", mas do Brasil, a primeira ex-colónia "a saltar fora", há mais de dois séculos.


Foi-se o Brasil, mas ficou sempre o sonho brasileiro.


Grandes empresas e instituições portuguesas acabaram vítimas desse sonho nos últimos anos. A PT pagou com a vida esse sonho. Tal como a CIMPOR, se bem que aí mais vítima do sonho (do) brasileiro. O da TAP pagamo-lo nós. E nem a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa resistiu a espatifar-se toda nos encantos brasileiros. E nós a pagarmos. A Ana Jorge, que nisso até nem tivera responsabilidade nenhuma, não está a pagar nada disso. Está apenas a pagar com o emprego a, também muito portuguesa, actividade de distribuição de tachos.


Bem sei que, tudo isto somado - e para falar só do Brasil, porque em Angola também ficou a grande fatia do BES, que pagamos com língua de palmo -, não dá para pagar o ouro que de lá trouxemos há uns séculos. Mas é capaz de já não faltar assim tanto ... É capaz de bastar um "acerto de contas". E nisso normalmente somos bons!

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Quando (quase) toda agente contava com a marcação para Lisboa de mais um duelo entre Mourinho e Guardiola, acontecerá, antes, mais que uma final inédita, uma final entre duas equipas da mesma cidade. Um derbi. Isso mesmo, a Catedral da Luz será palco de mais importante derbi madrileno da história!


Ontem, a equipa de Guardiola foi goleada pela mesma equipa do Real Madrid, desfalcada de Ozil e Khedira, que há um ano, pela mão de Mourinho, era goleada pelo Dortmund. Hoje, em Londres, sucedeu quase o mesmo ao Chelsea, de Mourinho.


Que parecia estar a pedi-las. Depois de uma larga série de exibições verdadeiramente lastimáveis, com muitos autocarros à mistura, Mourinho apresentou uma equipa com seis defesas: dois laterais – Azpilicueta e Cole – e quatro defesas centrais – Terry, Cahill, Ivanovic e David Luís. Independentemente das posições onde foram colocados, são sempre seis defesas. Restavam-lhe apenas quatro jogadores para cumprir os restantes momentos do jogo que não se fiquem pela destruição. Não dava!


Não admira que o Atlético de Madrid tenha sido sempre claramente superior, e que ao Chelsea não tenha bastado a sorte de marcar primeiro. Aos 36 minutos da primeira parte, quando a equipa espanhola já era melhor e tinha até já enviado uma bola á trave (e ao poste).


E no entanto sabe-se que Mourinho tem os jogadores que quiser, basta pedir ao tio Abrahomovic que ele dá. E que até o melhor guarda-redes dos seus quadros estava a defender (e como defendeu) a baliza adversária!

domingo, 28 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não sei o que irá acontecer na próxima quinta-feira em Turim, onde o Benfica retribui a visita da passada quinta-feira da Juventus, num jogo com vista para a final da Liga Europa. Literalmente, porque é mesmo ali, em Turim, no Del Alpi, que se irá realizar. Mas sei que o que já está a acontecer …


A Juventus de Platini, la vechia signora, que em português se traduziria por puta sabida, com uma história tão salpicada de glória quanto de batota, queixou-se à UEFA de Platini de uma atitude de Enzo Perez no jogo de Lisboa. Não se queixou da provocação do Chielini, que induziu o argentino do Benfica àquela reacção. Nem da arbitragem do senhor que veio da Turquia para, às ordens do Sr Platini, começar, logo na Luz, a afastar o Benfica da final.


A UEFA de Platini, contra todas as rotinas, antecipando-se a tudo o que é a sua prática corrente, antecipando a reunião de avaliação da queixa e deixando apenas 24 horas para o Benfica apresentar a defesa, tudo está a fazer para dar provimento à queixa italiana, e impedir a utilização do fundamental Enzo Perez.


Não sei o que irá acontecer. Mas sei que Platini teve a lata e o descaramento de anunciar publicamente que gostava de ver a equipa italiana na final. Que, se o Benfica atingir e ganhar a final, Portugal garante o terceiro lugar no ranking europeu, justamente por troca com a Itália. Que Platini tem atrás de si, em impunidade total, um largo rasto de batota. Que nem sequer esconde que usa arbitrária e mafiosamente o poder. Que as cúpulas dirigentes do futebol europeu e mundial há muito trocaram a independência e a transparência pelos interesses obscuros, pelo negócio torpe e pela corrupção. Que Platini e Blatter, como antes Avelange, são tudo menos gente respeitável...


Gente que, atrás de campanhas de fair play, repect ou no to racism, conspira permanentemente contra todos os valores da verdade. Gente que come a bananamas que lança a casca para o chão...

Apito dourado nunca mais?


É normalmente assim. Logo que verdadeiramente desafiados, os regimes caducos e corruptos caem desamparados e com estrondo.


Voltou a ser assim no Porto. E o todo-poderoso Pinto da Costa, afinal, nao valia sequer 20% dos votos dos portistas. 


Com mais de 80% dos votos, André Villas Boas é o novo presidente do Porto. 42 anos depois ...


"Apito dourado" nunca mais!(?) 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Se o futebol é fantástico, o futebol inglês é ainda mais fantástico. O Liverpool vivia o sonho de, 24 anos depois, voltar a ser campeão. Tinha tudo a seu favor: jogava o melhor futebol da Premier League, gozava até de forma evidente dos favores da arbitragem e, a exemplo do Sporting por cá, e da Roma em Itália, ficara de fora das competições europeias, e por isso com bem menos desgaste que a principal concorrência.


Hoje recebia em Anfield Road o Chelsea, um dos principais concorrentes, que a inesperada derrota na última jornada, em casa com o último, o Sunderland, praticamente deixara sem hipótese… Que está no meio da meia-final da Champions, com o Atlético de Madrid e que por isso surgia bastante desfalcado. Bastaria ao Liverpool empatar, para se manter como favorito maior, com o título praticamente à mão!


Mas perdeu. Perdeu com o Chelsea do autocarro. Porque é assim mesmo: um autocarro é um autocarro, seja quem for que se meta lá dentro. É pena, mas é assim. Di Matteo começou a construir o terminal rodoviário – depois de ter visto que o Mourinho tirara a carta em Milão, com o Inter – a que Rafa Benitez deu seguimento. Mourinho, ao que se diz o melhor do mundo, limita-se a puxar dos galões que trouxe do Inter para, com toda a perícia, estacionar bem todos autocarros que lhe deixaram na garagem.


Porque o futebol é mesmo fantástico tudo começou com um erro enorme do já mítico Gerrard, lenda e capitão do Liverpool, que entregou a bola ao desengonçado Demba Ba, sozinho à frente da baliza. Foi o jogador que mais queria – e mais merecia – ser campeão que, no tempo de compensação da primeira parte, deitou tudo a perder. O golpe final, o segundo do Chelsea, aconteceu nos últimos instantes do jogo. Com os reds desesperadamente à procura do empate, é o ex-Chelsea Sturridge quem entrega a bola ao brasileiro Willian, que fica apenas com a companhia do espanhol e ex-Liverpool Fernando Torres e com todo o campo vazio à sua frente, até à baliza, onde chegam ambos sozinhos, lado a lado…


E assim, o City, que ganhou tranquilamente ao Crystal Palace, e tem larga vantagem no factor de desempate – diferença entre golos marcados e sofridos – não depende se não de si próprio para voltar, dois anos depois, a conquistar o título.


E aquela massa espectacular que nos deixa arrepiados a ouvir o “You´ll never walk alone” vai ter de esperar mais um ano. Passarão a ser 25 anos, mas nem por isso o entusiasmo arrefece naquelas bancadas!

sábado, 27 de abril de 2024

Nada de novo


O Benfica voltou à Luz, pela penúltima vez neste campeonato. Para defrontar o Braga, sempre um adversário complicado, envolvido na disputa do terceiro lugar, com o Porto - hoje em eleições - num jogo de grande expectativa. À volta do jogo, e do resultado, mas também nas bancadas. Com mais de 55 mil!


Sem João Neves, com o nariz partido em Faro, e surpreendentemente no banco, substituído por João Mário, Roger Schmidt regressou às suas opções habituais. E o Benfica não foi apenas a equipa tipo desta época, foi também a imagem do que tem sido.


A equipa entrou bem, (parte) das bancadas não. A tensão era alta. As claques entraram caladas, e seria bem melhor se assim tivessem continuado. Caladas e quietas.


Nos primeiros quinze a vinte minutos o Benfica dominou o jogo e criou duas claras oportunidades para marcar, entre elas aquela bola de Cabral à trave. Não há equipa que mais tenha rematado aos ferros da baliza, e a conta do Arthur Cabral já vai em cinco. A partir daí, fosse pelo que vinha das bancadas, fosse por crescimento "orgânico" do Braga, o jogo passou a ser mais repartido.


E, à beira da meia hora, o Braga aproveitou a primeira oportunidade, num contra-ataque em que o Djaló passou que nem um foguete por Otamendi, deixando-o batido logo na recepção da bola, foi à linha centrar a bola e atrasada para, à entrada da área, para Ricardo Horta marcar. Por entre as pernas do Trubin.


Era necessário e urgente que a equipa reagisse ao golo. O pessoal das claques achou que não. Que importante era levantar tarjas e arremessar tochas para o relvado, para que o jogo fosse interrompido. Uma vez, e outra vez!


E a equipa, em vez de poder reagir, passou até pela sua pior fase do jogo. Repetindo o afunilamento  do jogo, cruzamentos com os adversários de frente para a bola, passes para o lado e para trás, falta de ideias, que tem acontecido frequentemente ao longo da época. Ainda assim dispôs de mais uma clara oportunidade para empatar, com Aursenes "a conseguir", em cima da linha de golo, rematar por cima da barra.


O futebol que se vira em Faro, com os corredores laterais a serem bem ocupados,  a alargar o campo, desaparecera.


Regressou na segunda parte. Não logo ao intervalo, que aí nada mudou. Mas quando Bah teve que sair, lesionado, entrando Carreras, com Aursenes a passar para a direita.


O que mudou ao intervalo foi a postura do Braga, que entrou decidido a defender a vantagem daquele golinho. Passou à fase do "autocarro", e o jogo já só tinha apenas o sentido da baliza do Matheus. 


Faltavam 20 minutos para o fim quando Schmidt entendeu trocar Rafa por Kokçu - opção inatacável - e Arthur Cabral (discutível naquela altura) por Marcus Leonardo. E o joker voltou. Na primeira vez que tocou na bola, como tantas vezes no seu início, marcou. Um bom golo, pela execução e pela decisão e rapidez a chegar à bola, na ressaca de um livre cobrado por Di Maria. Exactamente um golo que Cabral dificilmente marcaria. 


Continuava a ser um resultado interessante para o Braga, pelo que decidiu manter-se lá atrás. E lá manteve o autocarro, à  espera de arriscar qualquer coisa nos últimos dez minutos, quando refrescou as alas com as entradas de Rony Lopes e Bruma.


Quando arriscou, num contra-ataque em que chegou à área de Trubin com quatro (avançados) para dois (defesas adversários),  Bruma decidiu fazer como se estivesse sozinho. Rematou, para defesa tranquila do guarda-redes do Benfica, que de imediato lançou a bola para Kokçu, que abriu na esquerda em Di Maria, que cruzou milimetricamente para Neres entrar de cabeça, no poste esquerdo.


Era a reviravolta, a cinco minutos dos 90, e o golo que fez explodir a Luz, que não as tochas.


Depois foi controlar o jogo. E tempo ainda para, nos sete minutos de compensação, Leonardo fechar com o seu segundo golo. No seguimento de um lançamento lateral, que se seguiu a um pontapé de canto. Um daqueles que só marca quem tem fome de golo, e moral cheia.


E, sim. O Benfica regressou à sua imagem desta época. Nada de novo. Nem nos golos. Que só de bola parada e em transição rápida. Nem na patetice dos (alguns, sempre os mesmos) adeptos. 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Jogar com 10 nem é grande problema. A equipa do Benfica até já está habituada, mas… com 9? Não será pedir de mais?


Acho até que o Cardozo deveria fazer uma daquelas declarações públicas que se vêem – ou viam – por aí, sobre dívidas. Se havia gente a declarar publicamente que não se responsabilizava pelas dívidas que um determinado fulano, ou fulana, fizesse, também deve haver coisa idêntica para se declarar que um sicrano qualquer não deve nada ao declarante. Do tipo: eu, Óscar Tacuara Cardozo declaro por minha honra que o Jorge Jesus não me deve nada!


Também pode ser na Benfica TV, não interessa. O que importa é que o Jesus fique a saber, de uma vez por todas, que não deve nada ao Cardozo. Que já está tudo pago, pronto!


Quando vi equipa inicial não estranhei. O Steven Vitória, pronto ... era o que se costuma dar de avanço, nada dizer. E o Cardozo, estava-se mesmo a ver. Era certo e sabido que à primeira oportunidade, por mais esfarrapada que fosse, aquele senhor Marco Ferreira, que nunca vê nada de mal nas entradas do Fernando, Mangala, Herrera, Jackson… encontraria uma razão para expulsar um jogador da defesa, e ele estava ali justamente para ser o substituído. Como na Luz, há pouco mais de uma semana…


Não foi assim. Só o árbitro fez a sua parte, expulsando o Steven Vitória; o Jesus preferiu jogar com nove, e com nove é mais difícil ganhar ao Porto. E como, infelizmente para o Porto, os narradores e comentadores da televisão não marcam golos, não havia muito a fazer. Ainda se esperou com grande expectativa pelo minuto 92, mas nada. Não passou nada!


E lá se foi para os penaltis, como no ano passado, em Braga. Só que desta vez foi ao contrário, e lá chega o Benfica à sua segunda final da época. Desta vez a Taça da Liga, que estava finalmente a ficar importante...

sexta-feira, 26 de abril de 2024

Foi bonita a festa, pá!

“Nunca vi nada assim”. Milhares encheram a Avenida para celebrar Abril


Eram muitas as nuvens que ensombravam estes 50 anos de Abril. Nunca, como nos dias que correm, pairou no ar a ameaça que o 25 de Abril sairia deste aniversário de meio século ainda mais amachucado. Que cinquenta anos é muito tempo. Tanto que levaria ao esquecimento do que foi, e mais ainda do que é. Que os jovens não sabem, nem querem saber, o que foi a ditadura, a PIDE, a censura, a guerra, as prisões ... E que a liberdade, que nunca lhes faltou, é o bem mais preciso da condição humana. 


De repente, as nuvens desapareceram, o sol brilhou, e o povo saiu à rua em festa. Como nunca se tinha visto. E disse que o 25 de Abril não morreu. Que está vivo, e não divide. Une. E uniu como há muito se não tinha visto!


Foi bonita - de novo - a festa. Nas ruas, e na Avenida da Liberdade, cheia como talvez nunca.


Foi digna, também na habitualmente cinzenta cerimónia oficial na Assembleia da República. Ainda dividida pelos cravos vermelhos, mas menos dividida. O cravo vermelho, que em anos anteriores víamos na mão do actual Presidente da República, naquela ambígua atitude de não o evitar, mas também de não o assumir, estava desta vez ao peito, onde pertence. Não foi o único que naquela cerimónia o usou pela primeira vez no sítio certo. Houve mais, e é bom sinal.


Os discursos foram maioritariamente dignos e apropriados. Muito bons os de Rui Tavares e o da jovem Ana Gabriela Cabilhas, do PSD, lamentavelmente sem cravo ao peito. Que bem lhe teria ficado!


 Também bons, e apropriados, os dos dois mais altos magistrados da Nação.


O Presidente da República deixando de lado as "patetices" dos últimos tempos, e ignorando - bem - as provocações que lhe tinham sido dirigidas, num registo evocativo ao jeito de uma lição de História, deu o mote de unidade que depois vimos nas ruas. Igualmente digno o do novo Presidente da Assembleia da República, com Aguiar Branco, de cravo ao peito, a lembrar e homenagear os quatro portugueses que tombaram naquele dia 25 de Abril de 1974. As últimas vítimas da PIDE, que manchou de sangue a Revolução sem sangue.


Pela negativa, o de Paulo Núncio, do CDS à boleia. Bafiento. E o de Rui Rocha,  que fez da "gaivota que voava" um drone para atingir Marcelo. 


André Ventura não entra nestas contas. Fez um comício, como se estivesse numa feira. Não estava ali para outra coisa que não o que sempre faz quando tem câmaras de televisão por perto. 


Esse não gostou da festa!


 

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Ao contrário do que se fez nesta vossa casa - que limitou a sua mensagem a uma, que foram duas, imagens - muito se escreveu na  blogosfera sobre o 25 de Abril. 


O Aventar foi, pelo que vi, quem mais tratou do tema. Convidou muita gente para escrever sobre o 25 de Abril, e o resultado foi excelente. Não faltaram textos interessantes, e foi Cavaco o tema dominante. Dentro do tema, o Milagre que a Teresa descreveu, e donde até os cravos da fotografia roubei,  é o meu preferido. Curto - e por isso aqui fica -, mas delicioso:


E depois de helicóptero ter passado pela Praça do Comércio e largado os cravos Cavaco vê Maria afastar-se de regaço cheio.
- Que levais aí, mulher?
- É pão, senhor, é pão. 


Imperdível é também o grande desfile do Rui Rocha, no Delito de Opinião...

25 de ABRIL- 50 ANOS. SEMPRE!

 


Visão | 25 de Abril, 50 anos

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Ficamos hoje a saber pelo jornal i que o Bernardo, o menino brasileiro de 11 anos, do Rio Grande do Sul, que na semana passada foi encontrado morto numa valeta, vinha sendo vítima de maus tratos e negligência por parte do pai, situação iniciada com o suicídio da sua mãe, em 2010, e agravada depois de ter arranjado nova namorada. Que a criança se tinha deslocado, em Janeiro, ao Ministério Público e que se queixava de tentativa de homicídio. E que o juiz decidira que o pai deveria manter a guarda da criança.


Nada a que infelizmente não estejamos habituados, em Portugal, no Brasil, ou em tantos outros países, mesmo dito desenvolvidos… Que já quase nem seja notícia.


Notícia é que o pai seja médico. Notícia é que estas bestas do mal habitem espaços que não os da miséria e da indigência. Notícia é que a miséria humana não escolha classes e que o ar mais respeitável possa esconder o rosto do monstro mais repugnante!  

terça-feira, 23 de abril de 2024

Uma passadeira para o Guiness

Sebastião Bugalho "é uma aposta arriscada de Luís Montenegro"


Não sei se a escolha - Sebastião Bugalho - de Montenegro para cabeça de listas às Europeias foi a primeira, a segunda ou a terceira. Mas sei que é a escolha de Montenegro para política-espectáculo e para o populismo mediático.


Sei também que o pequeno mundo do comentário político engajado a aplaude. Mas isso não surpreende, afinal é disso que se faz carreira política em Portugal. Aí há a coerência que falta a que escolheu e a quem foi escolhido.


Também não sei se o jovem mais velho que por aí anda, sabe alguma coisa de Europa, ou de outra coisa qualquer. Sei que disputou o título de jovem prodígio, de príncipe do comentário político televisivo, com o António Maria, o filho do nosso saudoso Pedro Rolo Duarte. E que saiu a ganhar. E, ao que dizem, e ao que tive oportunidade de constatar, a ganhar bem!


Daí até lhe reconhecer mérito para entrar na política pela porta grande vai uma distância muito grande. Tão grande que a passadeira vermelha estendida para a cobrir terá lugar certo no Guiness. 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Há muito que se anda a falar da saída do programa de assistência. Teve uma data, ainda antes das eleições – e até e um relógio em “count down” –, mas surgiu já outra data, lá para o fim dos festejos dos santos populares. Paulo Portas, o relojoeiro, já veio dizer que o relógio está certo: se é a 17 de Maio que se perfazem os três anos, e se o programa era para três anos, não há dúvida nenhuma. Há uma, mas insignificante, diz ele: 17 de Maio é sábado, as portas podem estar fechadas, e a saída poderá ter que passar para segunda-feira!


Não deixa de ter graça… Mas como se poderia achar muita graça a isto, nada melhor que arranjar umas coisas com mais graça ainda.


A saída era limpa, à irlandesa, como também se dizia mas se deixou de dizer. Saída directa para os mercados, sem programa cautelar, que ninguém sabe o que é mas que a gente, cá deste lado, começa a perceber o que seja. Não é nada de linhas de crédito à cautela, de almofada, que nisso os finlandeses nem querem ouvir falar. É apenas e só um programa que garanta a continuação da austeridade – nem mais, nem menos!


E é por isso que já entrou no discurso de Paulo Portas – é sempre ele que fica nos cornos do boi, vá lá saber-se porquê – uma outra coisa ainda com mais graça: a saída, seja lá como for, é sempre limpa. Só um segundo resgate – ideia agora recuperada pela negativa, para logo dizer que, dado por certo há poucos meses, está agora completamente fora de cenário – seria saída suja. Como se com um novo resgate houvesse sequer saída!


Uma saída cheia de graça, é o que é!

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Surpresas e estupidez

Farense 1-3 Benfica: Férias no Algarve? Sim, mas só no verão


Não diria que se esperasse, hoje, em Faro, um Benfica destroçado, de braços caídos. Nunca se poderia esperar, nem admitir, nada disso, mas esperava-se um Benfica abatido, em crise de identidade, e provavelmente com dificuldades em agarrar o jogo.


Nada disso. E por isso o Benfica que vimos em Faro - um campo difícil e um adversário sempre bem organizado e ultra-combativo - foi surpreendente. Surpresa logo na constituição da equipa, uma espécie de meio termo entre a revolução feita no jogo contra o Moreirense e o onze base de Shmidt.


Se na linha defensiva apenas Carreras era novidade, daí para a frente tudo era, se não novo, às avessas. No banco ficavam Aursenes, João Neves, Rafa e Neres - quatro insubstituíveis. Insubstituível mesmo apenas Di Maria. E, se já se dizia que o contrato que assinou teria uma cláusula que o obrigava a jogar todos os jogos, durassem lá o tempo que fosse hoje, em campo, demonstrou que, a existir, não precisa dessa cláusula para jogar. Di Maria foi o maestro de uma orquestra surpreendentemente afinada, em especial na primeira parte!


E isso não se esperava. Com João Mário e Florentino no centro do meio campo, Kokçu mais à frente e atrás de Arthur Cabral, e Tiago Gouveia e Di Maria a ocuparem outros espaços para deixarem as alas para Carreras e Bah, respectivamente, a equipa jogou muito bem. E com uma dinâmica muito diferente da que tem apresentado.


O Farense terá pensado que com aquela pressão pelo campo todo tiraria proveito das esperadas fragilidades do Benfica. Não tirou. Pelo contrário, deixou o espaço todo do campo para jogar, e o Benfica soube usá-lo justamente para isso. Jogar à bola, criar lances de espectáculo (Di Maria esteve à beira de um dos mais geniais golos da História do futebol), oportunidades de golo - muitas - e dois belos golos, curiosamente ambos em assistências de Bah. No primeiro, Kokçu respondeu com um toque de primeira. No segundo foi a arte de Cabral, de calcanhar. 


Pelo meio o Farense empatou - um grande golo, também - mas numa segunda bola, depois do único canto até então a seu favor. E a verdade é que se chegava ao intervalo com um escasso 2-1, completamente desajustado do que se passara no campo.


A segunda parte foi menos entusiasmante, mas nem assim com menos oportunidades de golo, ou menos espectaculares - como aquela bicicleta do Cabral - ou menos interessante o comportamento da equipa. Golos é só mais um, o da estreia de Carreras. Também a coroar uma belíssima jogada de futebol. Ao contrário do que tem sempre acontecido, nenhum dos três golos surgiu de transições rápidas, ou de lances de bola parada. Não foi por acaso!


É pena que já só tenhamos visto isto quando já foi perdido tudo o que havia ganhar. É pena que Schmidt só agora tenha entendido - se é que entendeu - que tem um plantel à disposição que o obrigava a outras decisões, que não as que tomou durante todo um ano. E é pena que alguns dos benfiquistas que hoje estiveram em Faro não tenham pecebido nada disto. Nem nada do jogo, nem nada do que os jogadores fizeram.  


O que fizeram no fim, depois daquela exibição, àqueles jogadores, não é benfiquismo. É estupidez. E grande!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Diz-se por aí que a troika iniciou hoje aquela que é a 12ª e última avaliação ao programa chamado de ajustamento. Não parece que seja exactamente assim, nem sequer parece que a troika ainda resista. Só há FMI, só o Sr Subir Lall fala, avisa, ameaça, incomoda… Só o Sr Subir quer descer. Salários e pensões! 


Para o lado europeu da troika já tudo acabou, e em bem, como há muito se percebe. Já está tudo mais que avaliado, e foi um sucesso. O sucesso que tinha de ser!


O sucesso anunciado e de data marcada, de Portas. Que responde ao Sr FMI, dizendo-nos que tem de encontrar maneira de o convencer que os salários já ajustaram. Que já não há anda mais para ajustar… e que ele tem de perceber isso!


Que chatice. Só o FMI é que não tem nada a ver com eleições. Que se lixem as eleições só vale mesmo para o FMI!

domingo, 21 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não fosse um senhor com um nome esquisito – Subir Lall é um nome esquisito, mas que vamos fixando – e este seria um dia marcado pela ressaca de dois acontecimentos que fazem seguramente bem à economia nacional: a Páscoa, que animou sector hoteleiro, em particular o do Algarve, e a conquista do título nacional pelo Benfica, que animou tudo em todo o lado. Nem é preciso explicar porquê!


Mas lá tinha de voltar esse senhor, para estragar a festa. Fica-se com a ideia que não gosta da nossa economia, e muito menos que ela cresça. E se calhar também não é do Benfica!


O Sr Subir Lall, o actual rosto do FMI na troika, veio hoje explicar a sua obsessão com a legislação laboral. Tem – explica ele - que se flexibilizar ainda mais a legislação laboral porque há um grande problema com a falta de mobilidade dos trabalhadores portugueses. Estão, coitados, muito agarrados ao seu posto de trabalho. São quase escravos, sem liberdade para se despedir e partir para outra!


É verdade. É isto que preocupa o FMI, e o Senhor Subir. Ou o senhor Lol, perdão Lall!


É preciso que os despedimentos sejam ainda mais facilitados porque isso liberta os portugueses para procurar trabalho onde o houver… Também dá uma ajudinha ao combate ao desemprego, se bem que a grande ajuda seja mesmo não mexer no salário mínimo, conforme aproveitou para esclarecer!


Esta é a cartilha do FMI, e não vale a pena que a realidade diga o contrário. Nem que o Benfica ganhe o campeonato!


 

sábado, 20 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não foi fácil. Nada é fácil para o Benfica, tudo tem de ser muito conquistado e assim é que é bonito.


O Olhanense dificultou, como lhe competia. Se jogasse sempre assim não ocuparia certamente a última posição e não estaria a caminho da II Liga. Mas dá vontade de dizer que, se todos jogassem sempre como sempre jogam contra o Benfica, ninguém descia de divisão. Teriam que se inventar novos regulamentos!


Para ganhar o Benfica teve de puxar do seu às de trunfo: as transições rápidas. Duas, praticamente seguidas, deram os dois golos. Antes – e também depois, se bem que menos – oportunidades de golo criadas de todas as maneiras e feitios, mas golos … Nada. A bola não entrava!


Entrou daquelas duas vezes, ainda nos primórdios da segunda parte, se bem que o jogo tenha terminado pouco depois. Depois dos golos só havia cabeça para a festa, olhos para a bancada e ouvidos para o apito do árbitro. Quando se ouviu pela última vez foi a explosão da festa. Na Luz e no resto do mundo!


É o 33º, que inexplicavelmente fugia há dois anos consecutivos, e a felicidade imensa. Como a chama, essa chama que nos envaidece e engrandece!

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Já se sabia que a ideia de acabar com os deputados que de manhã fazem leis no Parlamento, e à tarde ganham dinheiro com elas, ia direitinha para o caixote do lixo.


Adiantamos aqui esse destino logo que a proposta foi apresentada. É sem qualquer surpresa que sabemos que e a maioria PSD/CDS e o PS nem querem ouvir falar nisso. Coisas do arco da (velha) dos interesses da governação!

quinta-feira, 18 de abril de 2024

E agora, Rui Costa?

Roger Schmidt depois da queda europeia diante do Marselha:


O Benfica procurou o azar, e encontrou-o. Merecidamente!


Demonstrara em Lisboa que tem melhor equipa, que tem melhores jogadores que o Marselha, o 9º classificado da Liga francesa. Podia ter então arrumado com a eliminatória, mas falhou. Por falta de ambição e de competência. Voltou a mostrá-lo nos cinco ou seis minutos iniciais do jogo desta noite em Marselha. Depois, sem se perceber por quê, desistiu de jogar e preferiu esconder-se, com medo. E só reapareceu depois de já ter sofrido o golo que empatava a eliminatória, e durante o prolongamento. Mesmo que do banco apenas se visse um treinador paralisado, de mãos nos bolsos.


Schmidt fez tudo para que tudo acabasse assim, eliminado pelo adversário mais fraco que o sorteio tinha para dar nestes quartos de final da Liga Europa. Apostou em defender o 0-0. Apostou em deixar Di Maria a arrastar-se mais de duas longas horas pelo relvado porque, falhado o 0-0, passou a apostar nos penáltis. Como se não viesse de duas eliminações por essa via. 


O Benfica (António Silva) teve azar no golo sofrido em Lisboa. Voltou esta noite a ter azar no golo (Trubin). Como já tinha tido azar naquela bola que lhe saltou das mãos quando, na descida, encontrou a cabeça do António Silva. Teve azar de Di Maria mandar a bola ao poste, no primeiro dos penáltis. 


O Benfica teve azar. Mas só teve o que procurou. Procurar a sorte dá muito trabalho. O azar é muito mais fácil de encontrar. Por isso já nem há jogadores para marcar penáltis. E não é preciso sorte para marcar um penálti, basta a cabeça limpa.


E agora, Rui Costa? 


 

Marcelo a bater no fundo

Presidente da República inaugura mural de homenagem a Alberto Martins —  coimbra.pt


 


Em Novembro do ano passado, a Procuradora-Geral da República, depois de chamada a Belém pelo Presidente Marcelo para uma misteriosa reunião, decidiu incluir no comunicado sobre as buscas realizadas no âmbito da chamada "operação influencer" um parágrafo final, dando conta da existência de uma investigação criminal autónoma contra o primeiro-ministro, de que resultaria a sua demissão. Aproveitada por Marcelo para dissolver a Assembleia da República, e convocar eleições antecipadas, que resultaram num terramoto político. 


Cinco meses depois, no acórdão ontem conhecido, os desembargadores do Tribunal da Relação consideraram que os factos apresentados pelo Ministério Público (MP) não indiciam qualquer tipo de crimes por parte dos arguidos. Que o alegado “plano criminoso” defendido pelo MP, não passa de “um conjunto de meras proclamações assentes em deduções e especulações retiradas do que o MP ouviu arguidos e membros de governo falar ao telefone, proferindo afirmações vagas, genéricas e inconclusivas”.


Ou seja, 50 anos depois do golpe de Estado perpetrado pelos capitães de Abril, que abriu as portas da Revolução, o país foi alvo de outro, por acção do Ministério Público e bênção do Presidente Marcelo, que abriu outras portas, muitas das quais julgávamos fechadas para sempre.


Instado a comentar o acórdão (em Coimbra, na inauguração de um mural de homenagem a Alberto Martins e à Crise Académica de 1969 - um marco na História da luta contra a ditadura derrubada há 50 anos), Marcelo não poderia ser mais cínico: "Não vou comentar as decisões de justiça, mas repito de uma outra forma um comentário que já fiz que é mais político". "Tenho a sensação de que começa a ser mais provável haver um português no Conselho Europeu, neste próximo outono, em Bruxelas".


Cínico, Marcelo quis dizer "não se importem com isso". Que Costa até saiu a ganhar, e pode, agora que está limpo, ir descansado - já livre daquela espécie de bullying que durara desde a tomada de posse - para onde afinal queria ir. E que para o país não tem importância nenhuma que já só seja governável com a extrema direita. Importante é que tenha alguém em Bruxelas!


Não. Não é Marcelo a ser "Marcelo". Como já não fora Marcelo a ser "Marcelo" nas trapalhadas com o Dr Nuno, "maior e vacinado", no caso das gémeas brasileiras. É Marcelo a bater no fundo!


 


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Sorteiam-se carros – anda hoje à roda – para que cada contribuinte seja também um polícia. Tributam-nos, forte e feio, os vícios. Mesmo os mais pequenos, que nem vícios sejam. Beber um copo, dar uma passa…


Agora são os doces, o sal, a manteiga… Amanhã será a água. Depois o próprio ar que respiremos… Sempre pela nossa saúde…


Pela vossa saúde: deixem-nos em paz! 

Truques e transparência

O que há de novo no programa do Governo?


Na campanha eleitoral Luís Montenegro garantiu solenemente o fim dos truques na política. Sentado em S. Bento, ainda sem tempo para aquecer o lugar, o que tem para mostrar é ... truques. Bem sei que deixaram de lhe chamar truques, que se passaram a designar ambiguidades. E até equívocos.


Mas são truques, e nada mais que isso, por múltiplos significados que vão procurar aos dicionários.


O truque maior saltou à vista na anunciada descida do IRS em 1,5 mil milhões de euros. Que já estava, a quase 90%, assegurada pelo governo anterior, plasmada no Orçamento, e em vigor.  Não dá para disfarçar de ambiguidade, nem de equívoco. É um truque e mal feito, daqueles que só iludem os muito distraídos. Ou os que não conseguem ver. Porque estava no Orçamento, contra o qual o PSD tinha votado, e porque o Programa Eleitoral da AD foi apresentado aos eleitores quando essa descida já estava em vigor.


Quando Montenegro, em campanha eleitoral, prometeu inverter os maus resultados da governação socialista dos últimos oito anos com uma "agenda transformadora da economia" assente num modelo de crescimento económico baseado na descida de impostos, afinal não lhe mexe, mantém o Orçamento do governo socialista e mantém até o Programa de Estabilidade a enviar para Bruxelas, entregue há dois dias no Parlamento. Neste, mantém até a previsão que a economia cresça 1,5%, e a que a inflação se mantenha em 2,9%,  quando as organizações internacionais são bem mais optimistas: o FMI prevê, respectivamente, 1,7% e 2,2%.


Mas houve mais. Houve truques logo na eleição do Presidente da Assembleia da República, como volta a haver truque quando a adjunta do ministro de Estado e das Finanças, Patrícia Dantas, que enfrenta uma acusação de crime de fraude na obtenção de fundos europeus - que não foi impeditiva de exercer funções no Governo Regional da Madeira - não é a primeira baixa do governo ... porque não chegou a tomar posse


Pronto. Se não querem, não lhe chamamos truques. Mas vejam lá se acabam rapidamente com esses equívocos, ambiguidades, confusões, trapalhadas ou o querem que lhe chamemos. É que não nos prometeram apenas um país a crescer, com serviços a funcionar como nunca, e com toda a gente a ganhar bem e a pagar poucos impostos. Também nos prometeram transparência!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Benfica está na final da Taça de Portugal, como não podia deixar de ser. Com tanta naturalidade que até pareceria que o jogo não teve história. E no entanto teve. Teve história e muitas estórias. De tal forma que só campeões, como inequivocamente são estes jogadores do Benfica, o poderiam ganhar da forma como o ganharam!


O Benfica foi sempre superior ao Porto. Foi melhor no pouco tempo – 25 minutos – em que pôde jogar com tantos jogadores como o adversário, e continuou a ser melhor nos restantes 65 minutos em que jogou com menos um. Começa aqui a primeira das muitas estórias do jogo, com a incrível expulsão do Siqueira.


Incrível porque o Pedro Proença lhe mostra o primeiro amarelo quando nem falta cometeu. E o segundo claramente a pedido, já fora de tempo. Mas mais incrível ainda porque um jogador profissional desta dimensão não pode, em circunstância nenhuma e muito menos com este árbitro, cometer a falta que lhe valeu, dois minutos depois, o segundo amarelo e a consequente expulsão.


A partir daí o Benfica não perdeu apenas um jogador. Perdeu o único lateral que lhe restava, quando já tinha entrado sem o Luisão, sem o Fejsa, sem o Ruben Amorim… Foi por ali, por aquele espaço, que entrou o Varela para fazer o também incrível golo do Porto – que lhe dava então o conforto do empate, e ao Benfica o pesadelo de, com menos um, ter de marcar mais dois golos sem sofrer nenhum – na única oportunidade em todo o jogo.


De expulsões se fazem também outras estórias. A de Quaresma, que a pediu durante quase todo o jogo, sem que Pedro Proença estivesse para aí virado. De tal forma que, quando aos 88 minutos o árbitro lhe fez finalmente a vontade, se mostrou reconhecidamente agradecido. E as dos dois treinadores, uma singularidade…


O resto é uma história fantástica de uma fantástica equipa de futebol, feita de verdadeiros campeões. Porque só campeões não virariam a cara àquele jogo. Só campeões lutavam daquela maneira contra a adversidade e se superiorizavam tão claramente a um adversário que fazia deste o jogo da época. Entre os quais André Gomes, o herói improvável mas o grande herói desta história. Aquele golo não vale apenas o apuramento para a final do Jamor, é o momento mágico desta história!

terça-feira, 16 de abril de 2024

Fraude ... fiscal

Afinal descida do IRS não vai além dos 200 milhões de euros - CNN Portugal


Nesta "estória" da fraude fiscal - perdão, eleitoral - de Montenegro não é a aldrabice o que mais surpreende. A essa estamos há muito habituados, tanto que já não conseguimos viver sem ela. Somos do tipo "quanto mais me mentes mais gosto de ti". Por isso o André chegou aos 50 deputados e por isso, o Montenegro que ganhava a ninguém, ganhou as eleições, à pala dos 1.500 milhões de euros que prometeu baixar no IRS. Por 50 mil votos, mas ganhou. E é primeiro-ministro. E afinal não tira nada que o governo anterior não tivesse já tirado no Orçamento em curso. Nem vamos receber mais um euro do que já estamos a receber desde Janeiro.


O que mais surpreende é o PS tenha deixado Pedro Nuno Santos fazer a triste figura de quem só percebeu a marosca depois de o Iniciativa Liberal a mostrar. Já que Fernando Medina - evidentemente o primeiro a ver que aquilo era aldrabice - se tenha deixado ficar caladinho, sentado lá na última fila do Parlamento, sem dizer nada a ninguém, não admira nada!   

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O governo escolheu o dia de ontem para montar uma grande feira eleitoral. Como aqui foi ontem dito, começou pela propaganda do défice para este ano, passou pelo lançamento das expectativas sobre a reunião do conselho de ministros, e do foguetório que se lhe seguiu, e acabou naquela conversa de família (os mais velhos sabem o que é isto) – ou de amigos, como aqui também lhe chamei – do primeiro-ministro, à noite.


Ouvi ontem à noite alguém – a insuspeita Helena Garrido – dizer que de Passos Coelho está com estratégia de marketing mais sofisticada. Que já não é a de bacalhau a pataco, mas de leve dois e pague um


É verdade. E não é menos enganadora, é apenas mais eficaz!


E isso é que importa. O resto é conversa... Conversa para deixar passar os elefantes todos que aí andam, cheios de pressa!

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Foi criada e alimentada uma grande expectativa à volta do Conselho de Ministros de hoje. Os jornais anunciavam coisas mirabolantes, até que a meta para o défice deste ano iria ser reduzida para metade. Quer dizer, vejam lá como está tudo a correr tão bem que até o défice vai ser menos de metade dos 4% a que estávamos obrigados para este ano!


Já estamos habituados. Como já estamos habituados a estas conferências de imprensa que não dizem nada, em que nada fica claro e em que tudo é vago e nada é dito com o mínimo rigor. Mais um rato parido pela montanha!


O ministro Marques Guedes abriu com estrondo: "não vai haver aumentos de impostos"!


Ora aí está. A grande notícia é que não há mais aumentos de impostos... Era só o que faltava... Só faltava mesmo que achassem que ainda poderiam continuar a aumentar os impostos sobre o pagode!


Depois veio a ministra Albuquerque anunciar que algumas medidas de carácter extraordinário vão ser mantidas, mas “as medidas duradouras não se traduzem em sacrifícios adicionais para os contribuintes".  E por fim a notícia era um corte na despesa de 1.400 milhões de euros: 180 milhões na função pública, que acabou por confirmar incluir rescisões; 320 milhões com a redução de custos em consultorias, coisa que como se  sabe é simpática; 170 milhões no sector empresarial do Estado; e por fim os restantes 730 milhões em cortes na orgânica e funcionamento dos ministérios, sem que tenha levantado qualquer pontinha do véu. Sem avançar com uma única medida, sem um único exemplo... Nada, coisa nenhuma...


Só não é estranho porque nos lembramos do Guião do Paulo Portas. Que é a mesma coisa nenhuma. E se é assim naquela que é a maior fatia e a rubrica que o governo melhor domina, que - a par da dos cortes em consultores - depende só e apenas de si próprio, que é até a mais popular sem, portanto, nada a esconder... 


Se o governo fosse uma montanha era mesmo uma daquelas que só parem ratos. E não é porque, depois de tanto parir, já pare sem dor. Não, é que é mesmo assim: afinal isto são apenas as linhas gerais para a conclusão da décima primeira avaliação da troika. Que estava pendente, à espera disto, de mais um exercício de faz de conta!


 

Há jogadores e há substituições!


Os benfiquistas não andam exactamente felizes com o desempenho da equipa, e a Luz ficou abaixo dos 50 mil na recepção ao Moreirense, nesta 29ª jornada. Apenas 83 cima dos 49 mil.


O adversário é daqueles que mais complicam a vida ao Benfica. Seja lá por for - e a verdade é que não é fácil encontrar explicação - nos últimos anos o Moreirense tem sido sempre um adversário complicado. Os quatro empates, nos últimos quatro jogos, são prova disso mesmo. Roger Shmidt fez uma revolução na equipa, mantendo apenas três jogadores da equipa que iniciou o jogo com o Marselha, na passada quinta-feira. E fez outra ao intervalo, quando fez três substituições.


Talvez a aproximação do 25 de Abril, e os 50 anos da Revolução dos Cravos, estejam inspirar o treinador do Benfica. As revoluções são muitas vezes bem vindas mas, no futebol como no resto, se pudermos fazer as coisas pela evolução evitam-se alguns danos. Mas ... lá está - quando não há outra maneira de fazer as coisas é pela revolução que se tem que seguir.


Schmidt tem plantel para rodar a equipa, manter todos os jogadores motivados e rotinados no processo de jogo,  sem ter necessidade de levar ninguém ao esgotamento físico. E mental. Mas tem preferido jogar sempre com os mesmos, com os resultados que estão à vista. 


Do onze titular nos três jogos anteriores apenas Bah, João Neves e Neres se mantiveram. E até o último esteve a mais enquanto esteve. Não percebe por que o Trubin deu o lugar a Samuel Soares, mas nas revoluções nem tudo se percebe. Percebeu-se é que poderia ter corrido mal. O jogo até começou sem se dar por ele, mas em poucos minutos levou o pânico às bancadas. Que depois lho devolveram.


O primeiro quarto de hora teve pouca "estória", embora já desse para perceber que o Moreirense estava ali para honrar os seus pergaminhos. E que, inevitavelmente, o onze do Benfica não tinha rotinas. Os jogadores falhavam passes fáceis, curtos, não compreendiam os movimentos uns dos outros, e isso facilitava o trabalho dos "cónegos". Em vez de facilitar, o golo de Kokçu, aos 18 minutos - em transição rápida, claro - parece que dificultou ainda mais. E quem cresceu foi Moreirense, dando azo àquele período desconfortável para o guarda-redes do Benfica e para as bancadas, criando até uma clara oportunidade de marcar, naquela bola no poste que, depois, acabou num choque com Samuel Soares, que chegou a pôr Trubin a aquecer para entrar.


Para ajudar, depois foi Tomás Araújo, num corte precioso, a lesionar-se. E, pouco depois, foi Cabral a acordar a equipa, e as bancadas, com um grande remate à trave, desviada por uma enorme defesa do guarda-redes contrário. Só entãoque o jogo mudou. E Tomás Araújo, ainda em campo e lesionado (não regressaria, substituído por António Silva, numa das três substituições ao intervalo), marcaria o seu primeiro golo, e segundo do Benfica. Na sequência de um canto - pois, golos só em transições e bolas paradas - já no período de compensação da primeira parte.


Ao intervalo, o resultado era bem melhor que a exibição. 


A segunda parte foi diferente, para bem melhor. E corrigiu essa sensação. Com 45 minutos de adaptação, a equipa apareceu mais entrosada e passou a jogar e a dominar por completo o jogo. Só marcou mais um golo, também o primeiro de Rollheiser (como é possível que Shmidt não tenha dado mais oportunidades?), já à entrada do quarto de hora final. Um belo golo, numa bela jogada. E um dos poucos em ataque continuado nesta época, que colocaria justiça no resultado de um jogo em que dispôs de nove oportunidades claras de golo.


De um jogo que demonstrou que há jogadores para fazer muito melhor do que aquilo que o Benfica tem feito. Tiago Gouveia, Rollheiser, Tomás Araújo, Álvaro Carreras, Kokçu e até Morato - ambos nos seus lugares -, e mesmo Cabral, provaram que "só" precisam de jogar. Que Schmidt, que finalmente fez as cinco substituições de que dispõe, dando até oportunidade a Spencer (mesmo fora da sua posição), mais um miúdo, se estrear na equipa principal, tenha percebido, é o que deseja! 


Quando assim é, nem é preciso falar de arbitragens - um penálti claro num lance genial de Cabral, e um vermelho transformado em amarelo. Basta utilizar bem os recursos disponíveis, e todos saímos satisfeitos. Sem assobios!

sábado, 13 de abril de 2024

Há 10 anos

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Mas é aquela coisa mal amanhada, que Portas ficou de apresentar até Fevereiro do ano passado, e que apresentou em Outubro passado chamando-lhe Guião para Reforma do Estado, que hoje andou a discutir com o partidos da oposição?


E é essa mesma coisa que Portas quer agora fechar nos próximos dias?


Ai é? Então isto está tudo mais maluco do que se podia imaginar...

Há 10 anos

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Afinal a troika diz que só irá embora a 29 de Junho. Percebe-se – foliões como são, tudo rapaziada danada para a brincadeira, querem aproveitar bem os santos populares, e só vão embora no fim, quando tudo acabar lá pelo S. Pedro…


O Paulo Portas, mesmo que também dado à brincadeira, é que não está a achar graça nenhuma: isto de lhe dar a volta aos fusos horários não é partida que se faça. Já não lhe bastava ficar com o relógio baralhado como ainda lhe dão cabo do 1640… É que assim já vai passar para 1641!


E por falar em Portas: afinal aquela estória do corte permanente das pensões, daquele Secretário de Estado que só queria ser fonte do Ministério das Finanças, sempre é mesmo assim. O costume, como toda a gente sabia!

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Há 10 anos

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Da Luz não passa. Já brilha o fundo do túnel…


No jogo de hoje, em Aveiro – para onde o Arouca deslocou o jogo que lhe cabia em casa com o Benfica para realizar, num único jogo que é também um jogo único, uma receita superior a meio milhão de euros, um terço do orçamento da época –, o Benfica fez o que lhe competia: ganhou o jogo. Com brilho, com o brilho habitual, mais uma vez ofuscado por uma lesão.


Desta vez foi Oblak. Que não foi vítima de um choque, como por aí ouvi dizer. Foi vítima de uma entrada brutal e despropositada que passou impune!


Agora vamos lá à festa. Na Luz, que é onde deve ser. Sem pressas, tranquilamente, porque se não for na Páscoa será logo depois...

"Resolver os problemas da vida das pessoas"

Ideologia: o que é, tipos e exemplos - Toda Política


A expressão surgiu no espaço do comentário político, que alimenta uma larga casta de políticos, jornalistas e espécies  afins, e rapidamente se tornou "mainstreaming".  "Resolver os problemas das vidas das pessoas” entrou no léxico da política que está na moda. 


Foi usado e abusado na campanha eleitoral. Na tomada de posse do governo, ou na apresentação e discussão do seu programa. É moleta para tudo, e para todos, seja a que propósito for. E é a saída para a resposta a qualquer pergunta mais incómoda. São muito poucas, mas de vez em quando lá surge uma.


Ainda há pouco, questionado - nem sei bem a que propósito, mas tinha a ver com mais umas insistências do Ventura - sobre o “não é não”, Hugo Soares, já na qualidade de líder parlamentar do PSD, limitou-se a despejar que o que importa é "resolver os problemas das vidas das pessoas”. Não importa que problemas, nem de que vidas, nem de que pessoas.


Na verdade é apenas um novo "sound byte" que pretende fazer crer que há uma nova forma de "fazer política" que não precisa de ideias. Que o tempo das ideias já passou, esmagado pelo novo tempo do pragmatismo. 


Não é assim. Este "sound byte" nega as ideias mas afirma uma ideologia. "Resolver os problemas das vidas das pessoas” é todo um manual ideológico. E nem sequer é um novo paradoxo. É bem velho, por sinal.


Tão velho que há muita gente que já não se lembra dele!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Decorreu ontem na Gulbenkian, com a participação do ainda presidente Cavaco Silva, de todo o governo e de seis comissários europeus, o comício de lançamento oficial da campanha de Durão Barroso às presidenciais. Na imagem, o momento simbólico da passagem de testemunho, justamente quando Cavaco, depois do elogio ao candidato, lhe cede o seu lugar.


Bem pode ter sido um arranque em força. Mas bem pode também ter sido uma falsa partida... Bonito é que não foi, foi assim bem mais para o vergonhoso!

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Aplausos e assobios


Cinquenta e quatro mil na Luz, entre os quais os três mil adeptos do Marselha, "trocados" em última hora com as autoridades francesas (que tinham partido da proibição da presença de adeptos benfiquistas em Marselha) para assistir ao jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa e, simultaneamente, homenagear e aplaudir - infelizmente pela última vez - Sven-Goran Eriksson. 


Bonita, sentida e comovente homenagem, como aqui havia "reclamado" logo que se conheceu o seu estado de saúde. Abraçamo-lo, e ele abraçou-nos. "Eriksson de 1982 até ao fim" - como dizia uma das faixas na bancada.


Antes, na primeira parte, o Benfica, repetindo pela terceira vez o onze, depois dos dois jogos de má memória com o Sporting, não se afastou do patamar exibicional atingido naqueles dois últimos jogos. Não foi por acaso que todos tínhamos achado que o sorteio fora simpático, mas foi tão clara a superioridade do Benfica que ficou até a ideia que o Marselha era inferior ao que se esperava. O Benfica podia ter resolvido a eliminatória, até porque marcou ainda cedo, logo à passagem do primeiro quarto de hora, em mais uma bela jogada de ... transição, que Rafa concluiu como só ele (ou Di Maria) sabe fazer. Mas, na linha do que tem vindo a acontecer, voltou a falhar na última decisão. Fosse no passe, fosse na finalização. Tengstedt trabalha para a equipa, e por isso continua a convencer Schmidt, mas não tem (ainda?) capacidade técnica executar no espaço e no tempo que (não) há na grande área adversária. E o intervalo, para abraçar Eriksson, chegou com um magro 1-0.


A segunda parte abriu com o jogo no mesmo tom. O Benfica a jogar bem, a dominar em todas as dimensões do jogo. E a voltar a marcar cedo, apenas sete minutos depois do reinício. De novo - de outra forma só de bola parada - em mais uma bela jogada de ... transição, concluída com sucesso por Di Maria. 


Com o segundo golo, naquela altura, o Benfica passou a ter tudo para construir um resultado que deixasse a eliminatória resolvida. Nos cinco minutos seguintes construiu e desperdiçou mais duas oportunidades de aumentar o resultado. Que era já tranquilo, e que o domínio do jogo dava por seguro. 


A partir dos 65 minutos era natural que os jogadores começassem a acusar fadiga. Que começou a ser demasiado evidente no quarteto da frente. Quando Di Maria, Rafa e Neres já não têm condição para vir atrás e acompanhar adversários criam-se buracos. Quando Tengstedt já não consegue correr mais fica sem ter nada para fazer.


Foi assim, mesmo que se tenha tratado de um erro inadmissível de António Silva (nesta altura em deficiente estado de forma, técnica e mental) que, ao tentar cortar a bola e sair a jogar, permitiu que Aubameyang (ainda craque) se isolasse e, só com Trubin pela frente, marcasse como quis. Faltavam pouco mais de 20 minutos e, de repente, um potencial resultado de quatro ou cinco a zero passava a 2-1.


Shmidt demorou ainda uns "eternos" três minutos a fazer as duas substituições. E únicas. Tirou Tengstedt e Neres, mas deixou os outros dois. E - pior - se entrada de Marcos Leonardo é natural, a de João Mário transmitia aos que lá estavam dentro, no relvado, e nas bancadas, que o que importava era segurar o resultado. 


E foi por isso que as bancadas, que tão fortemente tinham aplaudido Eriksson, acabaram em assobios. Que Schmidt não percebe. Pode ser que, ouvindo o treinador do Marselha - "os últimos minutos e o golo dão-nos muitas esperanças para a segunda mão" - os perceba. 

Continuam a acontecer coisas...

Taças - Troféus - Medalhas - Brindes Publicitários - Lisboa


Enquanto no Parlamento se vai debatendo - debate-se pouco e "bate-se" muito, mas é assim que chama - o programa do governo, o "país político" não pára. Continuam a acontecer coisas...


A Polícia Judiciária fez buscas na C.M. Cascais por suspeitas de utilização de recursos públicos na campanha do agora ministro Miguel Pinto Luz à liderança do PSD. O presidente da Câmara, Carlos Carreiras, veio de imediato dizer que nada tinha a ver com o agora ministro, que era dele, e exclusivamente dele, toda a responsabilidade pelos contratos assinados. Tanto que, naquela altura - da pandemia - estava toda a gente em confinamento, excepto ele próprio. Porque alguém tinha de trabalhar... E assinar contratos... No caso, com uma agência de comunicação que precisamente assessorou Pinto Luz nessa campanha. Não é a assinatura do contrato que está em causa, em causa está a utilização de recursos públicos para campanhas partidárias.


Pode parecer estranho que o primeiro a levantar a voz, e a agitar a bandeira da corrupção, quando coisas destas vêm a público, esteja desta vez caladinho. Mas não é. Porque "sim, a aliança é possível"


Ontem, o jornal Público anunciou que Marcelo atribuíra, em Julho do ano passado, uma condecoração secreta a Spínola. Hoje, com a maior das canduras a que nos habituou, o Presidente Marcelo diz ter sido alertado pelo jornal que essa condecoração não tinha sido publicada na Página da Presidência da República.  


Também poderia parecer estranho que o Presidente Marcelo se tivesse esquecido de tornar pública uma condecoração. Até porque se uma condecoração não for tornada pública de pouco serve. Mesmo aos mortos. A não ser que haja condecorações que só possam ser feitas em segredo.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Há 10 anos

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A estratégia de manipulação e desinformação deste governo, e desta maioria que o sustenta, tornou-se verdadeiramente intolerável. Agora é Aguiar Branco, o ministro da defesa, a propósito e no aproveitamento de mais umas aberrantes declarações da senhora que ocupa o segundo lugar na hierarquia do Estado.


Dizendo que não comenta "em concreto as declarações da presidente da Assembleia da República", não hesitou em manipular a realidade para criar um novo facto, inventando uma ameaça dos militares de Abril à Assembleia da República. Foi isso que fez, dizendo que "não é aceitável" fazer "ameaças" à Assembleia da República!


Na realidade as coisas são bem mais simples. A inconseguida senhora convidou os militares de Abril para a sessão oficial no Parlamento. Há já dois anos que, por entenderem que o poder instituído comemora o dia 25 de Abril sem que minimamente o respeite, decidiram deixar de participar na face oficial (e cinzenta, acrescento eu) das comemorações. Entenderam agora, e por isso, que não havia razão nenhuma, antes pelo contrário, para alterar essa posição. Que não havia qualquer justificação para retomarem o papel decorativo nestas comemorações oficiais. Coisa diferente, entenderam, seria se pudessem expressar-se, circunstância em que deixariam de ser mera peça decorativa.


Foi isso, e só isso, que disseram em resposta ao convite da senhora que ocupa o segundo lugar na hierarquia do Estado Português. Esta cada vez mais bizarra figura fez o convite mas não deu resposta à resposta que lhe foi dada. Entretanto os grupos parlamentares do PSD e CDS opuseram-se a qualquer intervenção dos militares na sessão oficial, e depois disso ser público, a senhora que nunca deu resposta à resposta ao convite que fizera diz, em registo barata tonta, que o problema é deles.


Na realidade o ministro Aguar Branco quis branquear o veto do PSD e do CDS e mais um disparate, de absoluta falta de sentido de Estado, da senhora presidente da AR. Como não tem escrúpulos, não se preocupou nada que tivesse sujado ainda mais!


terça-feira, 9 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Benfica está de novo, e como se esperava, nas meias-finais da Liga Europa. Jogando suficientemente bem para ir ultrapassando os seus adversários com facilidade, gerindo a utilização dos jogadores e gerindo os jogos, e em especial o desgaste físico e mental durante os jogos.


O que infelizmente não é possível gerir é o infortúnio das lesões. No último jogo na Holanda o Benfica perdeu Ruben Amorim, numa lesão preocupante mas felizmente menos grave do que na altura se chegou a esperar. Hoje foi o Sílvio, outro jogador para quem a sorte é madrasta… O azar foi tanto que fracturou a perna a pontapear o joelho de um colega, Luisão. E vai ficar de fora do Mundial, ele que pelas mesmas razões já ficara de fora do último europeu. Ele que é a par de Cristiano Ronaldo – também em risco, ao que se diz – o mais indiscutível dos convocáveis para o Brasil!


A tristeza por Sílvio sobrepôs-se à alegria da vitória e da passagem às meias. Mas há sempre espaço para a esperança, como o Sálvio hoje confirmou. No dia da grave lesão do Sílvio, nada melhor que a primeira grande exibição do argentino, também ele regressado da grave lesão do início da época, que o afastara por seis meses. Digam isso ao Sílvio...


E pronto. Agora que venha a Juve. Ou o Sevilha… Ou o Valência, para quem dava preferência ao Basileia... Tanto faz! 

Sebastianismo, quixotismo e oportunismo

Passos Coelho pede “sinal forte” e entendimentos para responder aos que  votaram desiludidos | Contacto


O papel de actor principal de Passos Coelho na apresentação daquela coisa menor que não passa de uma colectânea de aberrações a que deram o banal nome de “Identidade e Família”, não tem relação com qualquer espécie de coerência ideológica entre o protagonista e as aberrações. Há uns anos - décadas - Passos Coelho liderou a JSD que, no Parlamento, promoveu e fez avançar, alguma vezes em confronto com a linha oficial do partido, boa parte das iniciativas de progresso civilizacional que agora são objecto das aberrações por que dá a cara.


Tem apenas a ver com oportunismo. O oportunismo a que ontem aqui se referia o último parágrafo, mas ainda o seu oportunismo pessoal. Passos Coelho não é a figura que dele alguns querem fazer, é simplesmente um oportunista. Que o momento do país seja difícil, que as dificuldades do que ainda diz ser o seu partido sejam grandes para assegurar a governação, ou que o foco político devesse estar na apresentação do programa do governo, não lhe interessa nada. Interessa-lhe apenas o que tem a retirar em proveito próprio deste momento. E isso, entende ele, é muito, e serve-lhe de qualquer forma: serve-lhe para o imediato, se o governo cair, na oportunidade de encabeçar uma frente a federar a extrema direita num novo governo; e serve-lhe a curto prazo, na oportunidade da candidatura à Presidência da República.


Não foi por acaso que ele próprio formulou a primeira, e André Ventura a segunda.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A presidente da Assembleia da República convidou os militares para a sessão comemorativa dos 40 anos do 25 de Abril, no Parlamento. Os militares de Abril aceitaram o convite na condição de não serem uma mera jarra decorativa, mesmo que cheia de cravos, para dar um ar pitoresco à festa. Sim, mas com direito à palavra… A intervir … A dizer das suas, sem mordaças… Porque dessas trataram eles há 40 anos atrás!


Mas democracia é democracia, mesmo com mordaça. E nesta democracia logo a maioria do PSD e do CDS tratou de explicar que… era só o que faltava. Então mas nós, democratas da mais alta estirpe, voz do povo porque o povo assim quis, somos lá gente para estar aqui a ouvir desaforo?


Não falam, e não se fala mais nisso… Se querem vir que venham, mas caladinhos. Se não, mandamos evacuar as galerias e vai tudo corrido a bastão e pontapé!

De peito feito

Expresso on X: "📖 Ex-primeiro-ministro apresenta “Identidade e Família”,  um livro que reúne 22 contributos da direita mais conservadora, contra a  “destruição da família” tradicional. Saiba sobre que falam os textos:  https://t.co/vFoXCsrMey


Com a bênção do Cardeal Manuel Clemente, assim como de outros membros do clero, será hoje apresentado por Passos Coelho, ao fim da tarde, o livro “Identidade e Família”, um manifesto anti-progressista, que reúne contributos de um conjunto de pessoas da direita mais conservadora, praticamente todas com passagens pelos últimos governos do PSD, ou pelas respectivas bancadas parlamentares de apoio. 


Entre os alvos a abater estão a igualdade e a autodeterminação de género, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a procriação medicamente assistida, ou até a legislação que facilita o divórcio; ou mesmo escola pública que, "sequestrada por conteúdos programáticos", "retira o direito de os pais impedirem que os seus filhos sejam submetidos a essa doutrinação”. Tudo na defesa "do humanismo cristão contra o totalitarismo democrático”, e da família como a “única sociedade natural, universal e intemporal”.


Tudo isto poderia não passar de mais uma cena patusca, com ares de folclore. Os subscritores são conhecidos, a Igreja que temos também sabemos o que é, e Passos Coelho é apenas cada vez mais aquilo a que se pode "dar ao luxo" de ser. As teses são frequentemente abstrusas, como se já não fossem famílias - a mesma "sociedade natural" - todas as que vivem e sentem questões de género e de sexualidade. Como se democracia e totalitarismo fossem a mesma coisa, ou o "humanismo cristão" não seja nem humanista nem cristão. 


Nesta altura, nesta precisa altura, é muito mais que isso. É o radicalismo ultra-conservador de peito feito, cheio de si. 


 

domingo, 7 de abril de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O Bloco de Esquerda apresentou no Parlamento uma proposta com vista a estabelecer um regime de exclusividade para os deputados. Quem for, e enquanto for, deputado terá de ser apenas deputado. Não poderá ser deputado e ao mesmo tempo advogado, consultor, administrador, empresário, ou banqueiro…


Parece-me que faz sentido. Que eventualmente passarão também por aí algumas das reformas indispensáveis à sobrevivência do regime, ferido de falta de transparência e credibilidade. Mas desconfio bem que vá parar ao cesto dos papéis, directamente atirada pelo arco dos interesses que é dono do regime...


Provavelmente com o velho argumento que isso afastará os melhores do Parlamento!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Por mim, acabaram-se as dúvidas. Com matemática ou sem matemática… o título já não foge!


Tive esta certeza quando hoje o Benfica fez o terceiro golo.


Não que esse golo tenha sido decisivo para um jogo que era dado por decisivo. Foi apenas o terceiro dos quatro com que ganhou este jogo ao Rio Ave, que era a ficha em que muita gente apostava. Era a equipa dos jogos fora, com registos até superiores aos dos grandes. Até com menos golos sofridos fora que o próprio Benfica…


Não porque tenha sido um golo fantástico, ou resultado de uma jogada brilhante. Isso tinha acontecido no primeiro, do Rodrigo – mais uma grande exibição – e fantástico fora o segundo, do extraordinário Gaitan, um fora de série em grande forma.


Foi simplesmente um golo de penalti. Um penalti cometido sobre o Maxi, no seguimento de mais uma grande jogada de futebol. Não porque tenha sido o golo de Cardozo, que há cinco meses lhe fugia...


Apenas e tão só pela forma como foi comemorado. Pelo Cardozo e pela equipa toda, incluindo suplentes. Um grupo que festeja assim um golo destes só pode ser campeão!


Podem pois encomendar-se as faixas, ou reservar o Marquês. Uma equipa que joga como hoje jogou, sem dar a mínima chance ao adversário, com uma qualidade só ao alcance das grandes equipas de futebol e com um mágico como Gaitan (com a criatividade habitual da imprensa desportiva já estou a ver os títulos de amanhã: “Eu show Nico”!) tem que ser campeã.


Mas isso já tinha que ser no ano passado. E no anterior… E só não foi porque lhe faltou aquilo que este golo mostrou!


A festa à volta de Cardozo – porque é o Cardozo, com tudo o que nesta época é e representa, e porque era, vinha sendo, o corpo estranho dentro da equipa que aqui tanta vez referi – mostra o espírito de grupo e a união de que se fazem os campeões. Um espírito a que Jorge Jesus, surpreendentemente na sua quinta – e eventualmente última – época no Benfica, conseguiu dar corpo. De repente, vindo não se sabe de onde, nasceu um novo Jesus que já não é o centro do mundo. Bastou-lhe isso, esse pequeno pormenor de passar a reconhecer o mérito dos jogadores, para acrescentar dinâmica relacional e qualidade mental à sua enorme capacidade de criar qualidade de jogo! 

Há 10 anos

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Foi ministro das finanças de Cavaco, onde deixou obra. Pena que a marca da passagem de tão iminente figura pela mais mítica pasta da governação em Portugal se tenha ficado pela retrete. Por uma retrete!


É figura proeminente do centrão dos privilégios, não havendo conselho que lhe escape. De administração ou geral, tanto faz. Muitos, têm é de ser muitos e bem pagos!


As reformas têm que ser cortadas, porque o país não as suporta. E a demografia, é uma chatice... As suas, é que não. Uma miséria dez mil de euros por mês, do Banco de Portugal, pois claro, e da sua actividade política... Não fossem os mais de 35 mil euros que os chineses da EDP lhe dão todos os meses, e estaria muito preocupado, como ainda há dias se queixava. Agora, em entrevista à TSF, a propósito dos 3 anos da assinatura do memorando, diz que não teve nada a ver com aquilo. "Que só esteve numa reunião com a "troika", antes de ser assinado o memorando e que gostava de ter tido mais, mas o programa foi o possível e estava em linha com as ideias fundamentais do PSD". Como se ninguém se lembrasse de nada. Como se a gente se pudesse esquecer...


Já disse tudo e o seu contrário. É costume dizer-se que é preciso lata... E lata, ao contrário de vergonha, é coisa que não falta a esta gente extraordinária. De que Eduardo Catroga é expoente máximo!

sábado, 6 de abril de 2024

O dérbi resolveu o campeonato


No dérbi em Alvalade o Benfica não repetiu a exibição da Luz, na passada terça-feira. Por isso, ainda que tenha feito suficiente para ganhar o jogo, perdeu-o. Inglória e imerecidamente, mas perdeu-o. E perdeu hoje o campeonato.


Ao intervalo o jogo estava empatado, com o Sporting a marcar nos primeiros segundos, e o Benfica nos últimos. Começa por aí a história do jogo: ninguém, nos primeiros segundos do jogo, pode ter feito o que quer que seja para justificar um golo; nos últimos segundos já tudo pode ter sido feito para o justificar.


O Sporting apanhou-se simplesmente a ganhar. Tudo começou num erro de António Silva, com um passe à queima para Bah, que o Pote aproveitou. Depois foi a premonição que a sorte estava toda virada para os de Alvalade: um ressalto que podia ter tido um destino qualquer acabou por levar Trubin, em rota de colisão com Otamendi, a desviar a bola para a frente (como na Luz) para Catamo fazer o golo.


Começando o jogo a perder o Benfica teve de se fazer à vida. E fez - repito, sem repetir a exibição da há dias na Luz - mas assegurando o domínio do jogo, e sendo melhor. Muita bola, muitos remates, muitos cantos, mas apenas um golo, e já nos últimos segundos. O Sporting pouco mais fez que limitar-se a esperar. A esperar erros do adversário, a esperar que o Gyokeres resolvesse e à espera que o tempo passasse. 


A segunda parte foi novamente diferente. Rúben Amorim voltou a cedo mudar as peças, e o Sporting passou a equilibrar o jogo e a geri-lo, satisfeito com o empate. Nas pequenas coisas, nos incidentes do jogo, a sorte sorria-lhe sempre. A bola sobrava sempre para os seus jogadores (o lance do remate de Gyokeres ao ferro é paradigmático: num "despacho" da defesa do Benfica a bola vai bater violentamente na cara do Hjulmand e teve de  ressaltar precisamente para o sueco, sozinho, com a baliza à frente). E, no que podia, o Artur Soares Dias, dava uma ajuda. Como fez, a mais de 25 minutos do fim do jogo, ao perdoar o segundo amarelo ao Hjulmand. Ao contrário do que, mais tarde, fez com Aursenes, hoje o melhor jogador do Benfica.


O Benfica ia criando algumas oportunidades. Golos é que não. A bola ou batia em Coates ou no ferro. Rúben Amorim esgotava as substituições (o Morita e o Gonçalo Inácio não atinavam, o Pote esgotou, e depois o Trincão, e o Hjulmand, tinha de sair, já tinha escapado por duas vezes à expulsão, e seria difícil continuar a escapar) à entrada do quarto de hora final. Schemidt fizera pouco antes a primeira (Tengstedt por Cabral). E ficou-se por aí. Já nos descontos, e já depois de o Sporting ter marcado, fez então duas. 


No fim, no primeiro dos seis minutos de compensação, Sporting marcou, e ganhou o jogo e o campeonato. Foi num canto, e a bola interceptada pela defesa do Benfica foi novamente direitinha para o pé do Catamo. O Benfica ainda voltou a ter oportunidade de evitar a derrota. Mas a sorte esteve sempre do outro lado ...

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Há 10 anos

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Faz precisamente hoje três anos que a troika foi chamada. Chegou logo, pouco depois. E apesar do relógio em contagem decrescente, mais uma criação do populismo de Paulo Portas para, trocando as voltas ao calendário, trocar as voltas à realidade e dar a volta aos portugueses, não vai embora tão cedo. Podem bem dizer que vai a 17 de Maio, pode até Portas dizer Maio é Dezembro, de que 17 é o primeiro, e que 1640 é em 2014. Mas mesmo que  vá embora, a troika vai por cá ficar... E por mais limpa que digam, a saída é bem suja. De mãos e pés bem sujos, a deixarem marcas e rasto para muitos anos!

Não eram dois. Eram quatro ou cinco!

Marcelo garante que "não houve nenhuma objeção" aos secretários de Estado  apresentados por Montenegro - TVI Notícias


Agora sim. O governo está completo. Custou, mas foi!


A tomada de posse dos secretários de Estado estava prevista para o fim da tarde de hoje, e assim será. Tudo dentro do normal.


O que não foi normal foi os nomes dos secretários de Estado terem chegado ontem a Belém ao fim da tarde e só de lá terem saído já não muito longe da meia noite. Faltavam dois, dizia-se pelas televisões ao longo da noite. Quando finalmente se viu "fumo branco"  tudo se resumia a dificuldades em finalizar a lista, e a necessidade de o Presidente avaliar todos os nomes. 


É normal que o primeiro-ministro quisesse chegar a Belém a tempo e horas. Não é normal é que lá chegasse sem a lista completa do que ia entregar. Um primeiro-ministro a entregar uma lista de nomes dos secretários de Estado do seu governo ao Presidente da República não é exactamente a mesma coisa que um miúdo a entregar os trabalhos de casa ao professor. ""Olhe "Stor"não tive tempo de fazer tudo""... 


Isso é que era normal que pensássemos. Mas não, explicou-nos o Presidente Marcelo, dizendo aos microfones das televisões que "faltavam quatro ou cinco nomes" (claro, não poderiam ser dois) que demoraram mais umas horas a responder ao convite.


Já não dá para levar o Presidente Marcelo a sério (como voltou a fazer questão de demonstrar, quando questionado sobre o Relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde ao caso das gémeas brasileiras). Se desse, ficaríamos todos convencidos que, depois de "cabular" na matéria da presidência da Assembleia da República, Luís Montenegro tinha ainda lata para não fazer os trabalhos de casa ...


Com amigos destes, Montenegro não precisa de inimigos. Bastam-lhe adversários!


 


 

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Há 10 anos

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Pires de Lima anunciou a fusão da Estradas de Portugal e da Refer porque "a racionalidade do projecto é óbvia".
Óptimo. Ficamos esclarecidos. Não sei se é assim tão obviamente racional misturar caminhos de alcatrão e de ferro. A racionalidade de juntar numa só as duas empresas mais endividadas do sector público, essa, é  óbvia: reduz a metade duas empresas super endividadas!


Óbvio é que, fundir estes dois poços sem fundo do sector público assim, sem mais nem menos, sem discussão pública nenhuma, não é muito avisado. Óbvio é que, podendo até haver muitas razões para a justificar, o ministro acha que não precisa de apresentar nenhuma...


Mas, se calhar, andar com ministros ao colo é nisto que dá!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...