
O XXV governo constitucional é um lifting do XXIV, com um toque de mais Montenegro.
Pedro Reis quis mais poder, mas viu Montenegro tirar-lhe o tapete, dando-o a Castro Almeida, que passou a acumular a Economia com a Coesão. Tudo uma questão de fundos. Mal vista.
Com isso Montenegro poupou um ministério. Quem também ficou sem chão foi Dalila Rodrigues, que saltou fora. Com estrondo, ao que se disse. Também aí Montenegro aproveitou para acentuar o toque, juntando a Cultura à Juventude e Desportos, numa grande caldeirada em fórmula Jota, ao comando da Margarida Balseiro Lopes. E lá poupou Montenegro em mais um ministério.
Para gastar no da Reforma do Estado, entregue sob aplauso geral a Gonçalo Saraiva Matias, que veio da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Houve até quem dissesse que seria o Elon Musk cá do sítio. Mas não, essa experiência correu mal. Continua a correr mal, e ainda está a tempo de piorar.
E Montenegro poupou em dois ministérios para gastar num, passando de 17 para 16 ministros.
Sem surpresa - estava escrito nas estrelas - também Margarida Blasco foi apeada da pasta da Administração Interna. Substituída, também sob fortes aplausos, por Maria Lúcia Amaral, também magistrada, até aqui Provedora da Justiça.
Pois é. Apenas três ministros novos. O terceiro é o pouco recomendável Carlos Abreu Amorim - mais um acentuado toque Montenegro - que subiu de secretário de Estado a ministro, em substituição de Pedro Duarte, lançado à conquista do Porto.
Na posse, como não podia deixar de ser, Marcelo lá foi deixando cair uma ou outra bicada. Que não havia cheque em branco - "Foi uma vitória, mas não foi um cheque em branco". Que as eleições não traduzem a ilibação judicial do primeiro-ministro no caso que as provocou. Que traduzem apenas um "juízo político", porque os juízos "jurídicos e do foro judicial não estavam em apreciação".
Sem ser tão enfático como fora na maioria absoluta de António Costa, voltou a personalizar a vitória eleitoral em Luís Montenegro. No entanto, e ao contrário de então, não fez questão de o agarrar ao governo. Pode ir para onde bem entender. Ou até ser constituído arguido, se for o caso.
É que então já lá estará outro!