quinta-feira, 31 de julho de 2014

A solidariedade compensa. Sempre!

Por Eduardo Louro


 


Não sei se, por esta altura, há benfiquistas muito felizes. Não serei um deles, mas tenho de confessar que compenso muita da tristeza, e até da angústia que me invade, com a enorme onda de solidariedade que, mais que simplesmente notar-se, se sente na equipa.


Aquilo a que assistimos, e pudemos voltar hoje a ver na Suíça, no jogo com o Athletic de Bilbau, é a extraordinária solidariedade de todos jogadores com um colega que invariavelmente os visita em cada Verão, com quem partilham todos os anos os meses de Julho e Agosto. Não querem mais bulling, como aqui lhe chamei, sobre o pobre do Jara e, num gesto de solidariedade nunca visto, decidiram ser onze Jaras em campo!


Claro que, se como já lá diz o Jorge Jesus só trabalho não basta, é também preciso qualidade, também para tamanha campanha de solidariedade só os jogadores não bastam, é também precisa a administração. E é também preciso o próprio treinador!


E a grande verdade é que não fugiram, não viraram a cara à missão… Foram também de uma solidariedade fantástica e trataram de arranjar mais e mais jogadores, cada um pior que o outro e todos ainda piores que o próprio Jara…   


Digam lá se não é bonito?


Confesso-me tocado, bem lá no fundo do meu coração benfiquista. Com este tão bonito e tocante acto de solidariedade, e com os apelos que os comentadores da BTV - sim, encurtou o nome, já não é Benfica, é apenas B - lançam ao meu melhor espírito de compreensão, e com as explicações que encontram para tudo isto, já me sinto outro. Qual angústia, qual carapuça...

Gente Extraordinária XLVIII

Por Eduardo Louro


 


 


... É uma pipa de massa... Porreiro, pá...


Gente extraordinária!

Já não há assim tanto para contar... (VII)

Por Eduardo Louro


 


Os prejuízos foram além das piores expectativas: perto de 4 mil milhões de euros! O BES não pára de perder valor no mercado, com as acções a cairem todos os dias num buraco onde se não encontra o fundo… Contagia toda a Bolsa, enterra toda a banca e enterra a PT, e contagia os juros da dívida pública …


Já se percebe que, com os mercados a reagirem desta maneira, não aparecerão investidores privados para o aumento de capital do banco. Resta o recurso ao fundo de capitalização, agora inequívoco, sem qualquer dúvida. Mais uma machadada no Banco de Portugal… Que, como temos visto, já disse de tudo. Tudo sempre de imediato desmentido pela obstinada realidade!


Havia almofadas – não há! Havia investidores – não há!


Bem pode agora inibir administradores e impedir direitos de voto… Chegou tarde, chega sempre tarde!


 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Coisas que nos contam

Por Eduardo Louro


 


 


Temos a noção que é o sector exportador que tem vindo a segurar a economia nacional nos últimos anos. O mercado interno, se não morreu, não anda muito longe disso…


Contam-nos maravilhas desse sector. É sucesso em cima de sucesso, êxitos atrás de êxitos… A coisa só fica mais estranha quando as exportações caem, e nos vêm dizer que foi assim porque uma parte da refinaria de Sines teve que parar para manutenção. Fica tão mais estranho quanto, por enquanto, ainda não foi descoberto petróleo em Portugal. Nem aqui em Alcobaça, onde há tanto tempo andam à procura dele…


Sabemos que as exportações portuguesas estão extraordinariamente dependentes dos combustíveis e do sector automóvel. Deste, sabemos que é Auto Europa, o resto são aquelas fábricas que todos os dias vão fechando ou encerrando turnos, como ainda agora voltou a suceder na PSA de Mangualde, lançando novas centenas de trabalhadores no desemprego. E da Auto Europa sabe-se como é: sempre de coração nas mãos à espera de um novo modelo. E da boa vontade dos alemães…


Mas pronto, essa é a nossa sina. Valha-nos que operamos autênticos milagres nos sectores tradicionais, em especial nos têxteis e ainda mais em especial no calçado. Que mudou por completo de paradigma, passando da tradicional mão-de-obra intensiva e da vergonha da exploração de mão-de-obra infantil para unidades de alta tecnologia e, antes e depois de tudo, de design e marca. De alto valor acrescentado, levando o calçado português ao topo dos mercados, em pé de igualdade com o italiano…


É isto que nos contam, não é?


Já estive bem por dentro da indústria, em empresas nacionais e internacionais. Estou afastado desta actividade há mais de vinte anos, mas confesso que me faz alguma confusão articular todo este sucesso da indústria nacional do calçado com o preço médio unitário de exportação, e mesmo com a sua evolução. O preço médio do par de calçado exportado foi de 23,12 euros em 2013, pouco mais de 3% acima dos 22,29 do ano anterior...


Tenho alguma dificuldade em associar a estes preços um grande impacto de factores de prestígio, como marca e design. E ainda mais em descortinar ali uma grande expressão de criação de valor… Posso estar enganado, mas parece-me que se andam a contar demasiadas histórias acerca das exportações.


Não se pode negar o sucesso de marcas como Luís Onofre, ou mesmo Fly London ou Pablo Fuster, por exemplo. Mas muito menos se pode afirmar que são o padrão das nossas exportações!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Já não há assim tanto para contar... (VI)

Por Eduardo Louro


 


Dantes era a almofada. O BES tinha almofada financeira para tudo... Eram mais de dois mil milhões de euros!


Gente supostamente responsável - como o governador do Banco de Portugal, e o próprio Presidente da República - mas também os papagaios todos que por aí andam disfarçados de jornalistas económicos, garantiam urbi et orbi que o Banco tinha almofada financeira para a exposição ao GES.


Ainda na semana passada, na excursão da CPLP a Dili em homenagem a Obiang, o Presidente da República garantia que os portugueses podem confiar no BES "dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa"...


Afinal não há almofada, nem folgas. Os prejuízos chegam aos três mil milhões de euros, e por isso a apresentação das contas do primeiro semestre tem vindo a ser adiada... E precisa mesmo de novo aumento de capital. Haja interessados, porque, se não, lá vai agora o fundo de capitalização... Os tais 6 mil mulhões que, diz-se, ainda estarão guardados. E a custar muito dinheiro em juros, os tais que apertam com o défice. Que, no entanto, para os nossos jornais económicos, os mesmos da almofada, apenas aumenta pelos salários!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Tour 2014 VIII

Por Eduardo Louro



 


Chegou ontem ao fim, em plenos Campos Elíseos, a centésima primeira edição da maior e mais extraodinária competição do ciclismo mundial. 


Os Pirinéus tinham, à décima oitava etapa, deixado quase tudo definido. Ficara para o contra-relógio do penúltimo dia a arrumação final do pódio, porque sobrava apenas a etapa de sexta-feira, tranquíla, para os sprinters voltarem a ter a sua vez...


E assim foi. Ou quase, já que o lituano Navardauskas consegui adiantar-se um bocadinho - sete segundos apenas - ao pelotão e ganhar, deixando os especialistas do sprint, onde voltava a faltar Kittel, mas também Greipel, a discutir o segundo lugar. Até se chegar ao contra-relógio onde, como se esperava, Tony Martin voltou a não ter rival. Ganhou categoricamente, com Nibali - que, sem qualquer pressão e totalmente à vontade na classificação, não terá naturalmente sentido necessidade de dar o seu melhor - a fazer o quarto tempo, com mais 1´e 58"!


Na disputa pelo segundo lugar Péraud, sétimo no contra-relógio com mais 2´e 27" que Martin, levou a melhor sobre Thibaut Pinot. Que ficou com o último lugar de um pódio com dois franceses, que há muitos, muitos anos se não via.


Quem voltou a ficar fora do pódio, naquela que terá certamente sido a sua última oportunidade, foi o espanhol Alejandro Valverde, atirado nos Pirinéus do segundo para o quarto lugar mas, ainda assim, com apenas quinze segundos para recuperar. Voltou a falhar, e os quinze segundos que tinha para o segundo lugar de Pinot, transformaram-se em 2´e 3" para o mesmo segundo lugar depois de Péraud.


Com tudo decidido correu-se ontem a etapa do champagne, com Kittel finalmente de regresso às vitórias, repetindo com o Arco do Triunfo à vista o mais apetitoso dos sprints vitoriosos. Foi por pouco, menos de meia roda sobre Kristoff, mas o suficiente para, depois daquelas três vitórias nas quatro primeiras etapas, e de mais de duas semanas como que desaparecido em combate, igualar as quatro de Nibali.


Este foi o Tour das quedas. Não sei se teve mais quedas que os anteriores, mas teve mais quedas com mais consequências. Só candidatos foram dois - e que dois: Froome e Contador. Mas também e ainda o papa-etapas Cavendish, o melhor sprinter mundial dos últimos anos!


Mas foi, acima de tudo, o Tour de Nibali. Ganhou com uma autoridade raramente vista, só ao alcance dos grandes campeões. Ganhou quatro etapas, e sempre as de maior grau de dificuldade. Nunca se deixou atacar. Para nunca ter de se defender, foi sempre ele a atacar. Impressionante!


Percebeu-se que se preparou para ganhar este Tour, e ganhou com mérito indiscutível, deixando a ideia bem clara que ganharia mesmo com Froome e Contador. Nunca ninguém o poderá provar, evidentemente. Deu para perceber, nas 10 etapas que Contador disputou, que o espanhol não estaria à sua altura. Froome ficou de fora logo na terceira etapa, mas mesmo aí já Nibali tinha ganho, na segunda. A verdade é que a superioridade que Nibali evidenciou deixa definitivamente uma pedra sobre este tipo de especulações!


Integra hoje o restrito grupo de seis corredores que ganharam as três grandes competições dociclismo mundial: Vuelta, Giro e Tour. E isso diz tudo!


A merecerem também referência neste Tour: desde logo os dois franceses do pódio, com Pinot ainda a ganhar o prémio da juventude. Também Tony Martin, um grande corredor. E mais dois jóvens de grande potencial - o francês Bardet, que o contra-relógio atirou para o sexto lugar, e o polaco Mayka, o rei dos trepadores.


Pela negativa referiria Joaquim Rodriguez, que se expôs e perdeu sempre. Mas também Peter Sagan, de quem muito se esperava em função da sua participação na edição anterior. Ganhou - e cedo, ficou bem cedo definida a camisola verde - a classificação por pontos, mas sem ganhar uma única etapa. E perdeu todos os sprints que disputou. Na mesma linha, se bem que num registo completamente diferente, Kwiatowski. O jovem polaco foi uma desilusão completa. Falhou naquela aqui tão referida etapa épica do Tony Martin, depois aproveitou uma boleia numa fuga bem sucedida na primeira etapa dos Pirinéus, e regressou ao top ten, para se afundar logo de seguida nos confins da classificação. E Richie Porte, que depois de no ano passado ter até deixado a ideia de poder contestar a liderança de Froome, este ano, com o líder a ficar logo de fora, falhou em toda a linha. E sempre!


Não há muito a dizer sobre os portugueses. Rui Costa teve de abandonar ainda antes dos Pirinéus. O Tiago Machado chegou a ser terceiro, por um único dia, o também dia único em que Nibali não teve a amarela vestida. Ironicamente teve na queda o seu dia de glória. O Sérgio Paulinho fez o seu papel, mas ficou também aquém do que parece que poderia ter feito, especialmente depois do abandono de Contador. É de resto o desempenho de muitos dos seus colegas de equipa, depois de libertos pela ausência do líder, que deixa a ideia de que também ele poderia ter tido o seu momento de glória.


Nelson Oliveira, também ele acidentado, e José Mendes reservaram para o contra-relógio as suas melhores prestações, ficando ambos nos vinte primeiros, com tempos que até tinham dado jeito, por exemplo, a Valverde.


 

28 de Julho de 1914

Por Eduardo Louro           


       


 


Faz hoje precisamente 100 anos que teve início a Primeira Guerra Mundial. Que mudou o mapa do mundo, que matou mais de 9 milhões de pessoas e deixou outros 20 milhões de extropiados, numa carnificina nunca vista... Que devastou cidades, regiões e países e marcou a queda de quatro grandes impérios - alemão, austro-húngaro, turco e russo. Que resultou num genocídio, na Arménia. Que desembocou na revolução russa, em Lenine e na União Soviética. E em Estalinie. E, pelo Tratado de Versalhes que supostamente a enterraria, em Hitler... No nazismo, no fascismo, na guerra civil de Espanha, na Segunda Guerra Mundial... No holocausto e na guerra no médio oriente...


Hoje, neste mesmo dia, olhamos à volta e temos dificuldade em fugir destas recordações. E desta meada que nos faz crer que nunca acabou. Teve apenas intervalos, alguns bem curtos... 


 


 


 

A nudez das elites e a banalidade do mal

Convidado: Luís Fialho de Almeida 


A economia, pelos fluxos financeiros que gera e enquanto actividade humana, não está desligada de regras de comportamento e, como tal, de considerações morais.


Os impactos da queda do Grupo Espirito Santo (GES), suas ramificações e ligações ao Banco Espirito Santo (BES), estão ainda por avaliar, nomeadamente para a economia de particulares e de empresas que neles confiaram. Mas este caso vem renovar o sentimento que se tem do poder financeiro dominado por alguma banca incompetente na gestão, cega na ambição e mesmo fraudulenta e criminosa como no caso BPN.


Nesta convivência vale tudo: irregularidades, ocultação de rendimentos ao fisco, falsificação de contas, paraísos fiscais, cumplicidades com o poder político, ou seja: promiscuidades fortalecidas pela sistemática impunidade. Fica abalada a credibilidade do sistema bancário nas praças financeiras internacionais, mas também fica o descrédito moral e a humilhação do governo português na aceitação da integração da corrupta e tirânica Guiné-Equatorial na CPLP, a troco da entrada de capital daquele país no Banif. Os cheques petrolíferos falam mais alto e negócios são negócios...


Estes, entre muitos outros, são os ingredientes da desesperança dos portugueses obrigados a pagar a incúria e vilania das elites, considerando como elite a minoria que tem a má reputação associada ao privilégio injusto e injustificado de alguns, e não – adopto aqui o conceito - “ aquilo que há de melhor numa sociedade ou grupo, partindo de uma posição de privilégio (por berço, educação, fortuna ou qualquer outra razão), usa essa vantagem para ser um referente dos melhores valores que uma sociedade justa reconhece como tal”.


A actual crise e a intervenção externa nas nossas contas ajudaram a desnudar estas elites nas suas piores referências, e esse é um aspecto positivo, caso se aprenda a lição e as entidades reguladores, fiscalizadoras e judiciais não sejam passivas e cúmplices. Mas a esperança na depuração destes sistemas é reduzida, porque os monstros renascem rapidamente das cinzas como Fênix.


Algumas destas elites destronadas no processo revolucionário após 1974, despojadas de património e emigradas, renasceram e voltaram com a fúria acrescida de domínio do poder e o desígnio do seu insubstituível lugar na sociedade, usando o “bem” nas virtudes dialogais e a “banalidade do mal” nas acções. Como quis dizer Hannah Arendt: a monstruosidade não está na pessoa, mas no sistema e há sistemas que banalizam o mal. O perigo e o mal maior estão na violência sistemática que é exercida por pessoas banais, ou como diz Miguel Real, “…homens bons, no governo, na direcção de grandes empresas, de grandes instituições, praticando o mal com o à-vontade próprio de quem está praticando o bem”, ” …homens situados em centros de poder, humilhando outros, extorquindo-lhes direitos – o mal”.


Tem havido a obsessão que todo o mal da crise reside na despesa do Estado: com funcionários públicos, pensionistas, prestações sociais com desempregados, saúde, e não na dívida privada, e esta revela-se muito mais perigosa e tóxica. A dívida privada é responsabilidade dos privilegiados que dominam a banca, as PPP e sectores estratégicos e monopolistas, por onde passam ex-ministros e ex-secretários de estado a fim de receberam a compensação dos favores prestados quando foram governo.


Esta teia de cumplicidades e interesses gera uma nebulosidade e uma vivência em sombra, onde as supervisões têm dificuldade de encontrar luz, e as recomendações da troika passam ao lado. Assim, é mais fácil para qualquer governo impor a austeridade opressiva sobre os indefesos excluídos destas elites, culpando-os da vida acima das possibilidades, actuando sobre eles como a necessidade legítima de fazer o mal para atingir o bem, salvaguardando o poder senhorial. Escravizando os infiéis ou extinguindo os hereges como na Santa Inquisição - interpretando na esteira da teoria do mal em S. Tomás de Aquino.


Com Ricardo Salgado a contas com a justiça iremos assistir a uma cruzada dirigida por destacados gabinetes de advogados que pretendem provar o equívoco que a opinião pública tem do mal.   


Afastada destas elites menores, a figura maior, que justamente mereceu lugar no Panteão Nacional, Sophia de Mello Breyner Andresen, em entrevista, manifestou o seu maior desejo para o presente século: “Gostaria que se realizasse a justiça social, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres. Mais justiça para os pobres menos ambições para os ricos. O resto é-me indiferente”.


Sophia, tem o mérito de ficar para eternidade pelas boas razões e o seu desejo deve ser lembrado como luta de todos os tempos e sociedades. A luta de muitos e bons portugueses é o enorme amor a uma pátria que se deixa governar por tão má gente.


 


 


 

sábado, 26 de julho de 2014

Bulling é mais que sadismo, não é?

Por Eduardo Louro



 


Já se tinha percebido que Jorge Jesus tinha uma certa propensão para o sadismo. Às vezes também é masoquista, mas não é isso que agora importa... Mas hoje deu à Luz o seu lado mais sádico, e o mínimo que se pode dizer é que ... não havia necessidade...


Já se sabe que, apesar de o ter contratado, gosta tanto do Jara como gostava dantes do Manuel Machado, ou agora do Marco Silva. Mas... pô-lo a jogar todos os jogos, de todas as pré-épocas, ainda vá que não vá. Agora... pô-lo ainda a marcar penaltis?


Era mesmo preciso fazer-lhe isso tudo antes de o voltar a mandar embora? Francamente... isso é bulling!


Valha que o argentino já topou tudo... E não faz a coisa por menos: se o Jesus insiste em gozar com ele e o põe a jogar, faz-se expulsar de imediato. Se, para o castigar ainda mais, o manda apontar o penalti decisivo, mesmo no fim do jogo, passa a bola ao guarda-redes adversário. Bem feito!


 


 

O enigma dos ministros das finanças de Passos Coelho

Por Eduardo Louro



 


Os ministros das finanças de Passos Coelho são muito requisitados.


Primeiro foi Vítor Gaspar, que até se foi embora porque, nas sua próprias palavras escritas, tudo dava errado. Não havia uma que batesse certo...


Mas foi para o FMI!


Seguiu-se Maria Luís Albuquerque, a sua Secretária de Estado transformada em maga das finanças. E lá vai ela para a Comissão Europeia, para ser substituída por outro Secretário de Estado, o igualmente mago Carlos Moedas, num destes dias a seguir também de malas aviadas sabe-se lá para onde...


O  estranho é que os jornais, há três ou quatro dias, diziam que Passos Coelho iria indicá-la para ocupar o lugar de comissário que cabe a Portugal. Hoje dizem que é quase uma exigência de Juncker. Engraçado, não é?


E pronto. Lá ficamos nós sem saber se Passos Coelho é muito bom a escolher ministros das finanças, ou se apenas quer que nos convençamos que é. Ou se simplesmente os ministros das finanças escolhidos por Passos Coelho fazem tão bem o seu papel que, depois, só têm que ser recompensados...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Já não há assim tanto para contar...(VI)

Por Eduardo Louro


 


Ricardo Salgado enche as primeiras páginas de todos os jornais de hoje, incluindo as do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, que num primeiro momento ignoraram o que foi o acontecimento do dia. Da semana, do mês ou do ano...


Mais curioso que isso é reparar como os jornalistas económicos dão ao acontecimento uma dimensão revolucionária. Para eles, foi um velho regime que caiu e entramos numa nova ordem. Económica, mas também política... Logo eles, que só agora vêm e qualificam o velho regime com que, mais que conviver nas paz dos anjos e dos espíritos santos, promoveram e defenderam com unhas e dentes.


É realmente muito estranho ver as mesmas caras nas televisões, e os mesmos nomes nos jornais,  a desfiar pecados que há bem pouco eram virtudes! 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Tour 2014 VII

Por Eduardo Louro


 


 


O Tour disse hoje adeus aos Pirinéus, que arrumaram muitas das contas. Se não definitivamente, lá muito perto… O contra-relógio de sábado fará o resto, arrumará o pódio, o que já não é pouco…


Tínhamos, na última vez, ficado na 16ª e primeira destas três etapas dos Pirinéus.


Ontem, na décima sétima, correu-se a etapa mais curta, com apenas 124,5km, entre Saint-Gaudens e Saint-Lary Pla d’Adet. Mas com quatro montanhas – três de primeira categoria e a última coincidente com a linha de chegada, de categoria especial. Própria, por isso, para o polaco Mayka e o espanhol Rodriguez, ajustarem as contas da montanha.


Definiram, para acertar essas contas, estratégias diferentes. Opostas mesmo. Joaquim Rodriguez apostou logo de início da corrida tudo nas contagens de primeira categoria. O miúdo (24 anos) Mayka apostou tudo para vencer a etapa, dobrando assim a pontuação da montanha de categoria especial.


E assim foi, e com uma extraordinária corrida do seu colega de equipa Nicolas Roche, que se encarregou de impor o ritmo durante toda a parte final da etapa e de o trazer por ali acima, o polaco ganhou pela segunda vez. E só não arrumou logo ali com a classificação da montanha porque há Nibali. Que foi terceiro, arrumando mais uma vez com a concorrência, e ficou também em condições de disputar essa classificação.


À parte dessas contas à volta da camisola às bolinhas, a corrida voltou a ser espectacular. Mayka deu espectáculo – teve um desplante, com um gesto de ganhar impulso numa mota, que lhe valeu uma penalizaçãozita de 10 segundos e uma multazita de 50 euros – e confirmou-se como um dos grandes deste Tour. Para Nibali já não há palavras, simplesmente não dá qualquer oportunidade à concorrência, e voltou a ganhar tempo a toda a gente.


A etapa de hoje, a 18ª, na distância de 145 quilómetros entre Pau e Hautacam, tinha na ementa o Tourmalet, a mais mítica das montanhas dos Pirinéus, ao nível do Alpe D´Huez, nos Alpes, mas ainda de maior grau de dificuldade. Só que, depois de atingido o cole do Tourmalet, de categoria especial, sucedia-se uma grande descida até à subida final do Hautacam, onde a meta coincidia de novo com a contagem de montanha de categoria especial.


Talvez por isso a montanha – Tourmalet – tenha parido um rato. A subida iniciou-se com um grupo de vinte corredores em fuga com uma vantagem de cerca de 3,5 minutos, que incluía o português Tiago Machado, de resto o primeiro a ceder. E o que se passou, não passou do processo de selecção natural de uma subida destas: tudo o que era grupo se esfrangalhou. Do esfrangalhamento no grupo em fuga resultou na frente um duo – o espanhol Nieve, da Sky e o francês Kadri, da AG2R – que chegou lá acima com cerca de 4 minutos de vantagem. Do esfrangalhamento no pelotão resultou na frente o grupo do costume, de Nibali, Valverde, Péraud, Pinot, Bardet, Van Garderen…


A prova de que nada se passava é que, numa subida daquelas, os dois da frente ainda ganharam alguns segundos à nata do pelotão. Seguiu-se a descida, com a Movistar e Valverde a ensaiarem mais uma das suas, pretendendo ganhar na descida o que não conseguem nas subidas. Nunca dá em nada. E depois a subida final ao cole de Hautacam, onde finalmente tudo acontecia. Primeiro foi Nieve a deixar para trás Kadri, o seu companheiro de aventura que, sem discussão, tinha sido primeiro no Tourmalet. Depois, ainda a 11 quilómetros do alto, o americano da Lampre – o veterano Horner – atacou e Nibali achou que, mais que uma boa boleia, era uma boa ideia. Andou com ele cerca de 2 quilómetros e, ainda muito longe da meta, foi embora. Sozinho, montanha acima, passando por tudo o que por lá andava, até chegar a Nieve e passar, sem dizer água vai.


Cá atrás, Mayka pensou na sua camisola das bolinhas. E, fosse para a defender, fosse para deixar claro que a merecia, foi também embora, parecendo imitar o camisola amarela, que chegou a sentir perto. Mera ilusão, só veria Nibali na meta, bem depois de ter chegado, e veria ainda chegar um grupinho onde estavam os franceses Pinault e Péraud. Na meta, Pinault foi segundo e Mayka terceiro, trocando com Nibali a classificação da véspera.


Valverde voltou a provar que são sempre exageradas as notícias da sua morte. Foi derrotado em toda a linha por todos os adversários, ficou para trás. Mas nunca fica irremediavelmente para trás, encontra sempre forma de ressurgir. Acabou ainda por ser décimo na etapa, a 2 minutos de Nibali e perdeu o seu segundo lugar, mas nem isso é irremediável. Pinault é agora segundo – e primeiro da juventude – e Pérault terceiro. Só que os três cabem em apenas 15 segundos!


Quer dizer: tudo decidido, menos os dois lugares do pódio. Que Valverde, Péraud e Pinault irão decidir entre si no contra-relógio. Para que não fossem os Pirinéus a decidir tudo!

Já não há assim tanto para contar... (V)

Por Eduardo Louro


 


 


Não se sabe – provavelmente nunca se saberá – se a detenção de Ricardo Salgado aconteceu hoje por ser fácil prender ex-poderosos e difícil prender os poderosos, ou em resultado de uma medida de bom senso que raramente é apanágio da Justiça portuguesa.


Não se sabe se com Ricardo Salgado aconteceu o que acontece com os dirigentes dos clubes de futebol, que só são incomodados pela Justiça depois de empurrados da cadeira do poder. Ou se a Justiça soube apenas esperar que ele cessasse funções para evitar consequências ainda mais graves para o BES.


Não se sabe, embora isso já seja coisa para se vir a saber, o que é que, do já apurado ou ainda em investigação no âmbito da operação Monte Branco, tem a ver com aquela que é certamente a maior falência de sempre em Portugal!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

CPLP: Consórcio do Petróleo e de Líderes Podres

Por Eduardo Louro


 


 


Não é só pelo choque de ver Xanana Gusmão entrar de mãos dadas com Obiang. Nem só por ter sido dada posse antes da adesão ter sido ter sido votada. Não é por Cavaco Silva ter recusado aplaudir essa adesão, e ter reservado os aplausos para o regresso da Guiné-Bissau, com toda a carga de cinismo que isso até possa ter. Nem é pelo mesmo Cavaco, como de resto outras cabeças pensantes que provavelmente existem para lhe dar cobertura, achar que as ditaduras não devem ser isoladas. Que essa é a forma de as perpetuar, e integrá-las na comunidade internacional, de pleno direito mesmo que continuem a negar o direito, a melhor forma de as combater. Nem sequer pela ausência – não sei se hipócrita se estratégica – de Dilma Roussef e José Eduardo dos Santos. Nem por outras tantas razões que já aqui tinham sido adiantadas


A adesão da Guiné Equatorial à CPLP, hoje formalizada na cimeira de Dili, é acima de tudo chocante por, logo ali, sem Dilma Roussef e José Eduardo dos Santos mas também sem meias tintas, terem avançado para a constituição de um consórcio do petróleo


Portugal não tem petróleo, mas tem líderes...

terça-feira, 22 de julho de 2014

Tour 2014 VI

Por Eduardo Louro


 


 


Depois deixar os Alpes, da etapa de transição (15ª) para os Pirinéus – com o australiano Jack Bawer e o suíço Martin Elmiger a morrerem na praia, engolidos pelo pelotão a 10 metros da meta, e nova vitória do norueguês Kristoff, da Katusha que, com Greipel a não corresponder e Kittel desaparecido em combate, passou a dominar as escassas oportunidades que o Tour tem agora para dar aos sprinters – e do segundo e último dia de descanso, correu-se hoje a primeira das três etapas pirenaicas que arrumarão a classificação final.


A notícia do dia é, no entanto, anterior e exterior à etapa. É, evidentemente, o abandono de Rui Costa, vencido pela bronquite que, conta o próprio na sua presença diária nas redes sociais, evoluiu para pneumonia. É o culminar de um Tour de que tanto se esperava, mas que tinha tudo para correr mal… A começar pela equipa!


A 16ª etapa, e primeira dos Pirinéus era, com perto de 240 quilómetros, a mais longa deste Tour, com quatro contagens de montanha de segunda, terceira e quarta categorias, e uma, a última, de grande dificuldade - a escalada de Port de Balès, com quase 12 quilómetros de alta montanha, de categoria especial, a escassos vinte quilómetros da meta. Que foi abordada por um grupo de vinte e um corredores, entre os quais o polaco Kwiatowski, o terceiro classificado da juventude, com mais de doze minutos de vantagem sobre o pelotão.


Pela montanha acima o grupo desfez-se por completo, com o jovem polaco a ser um dos primeiros a ceder, como vem sendo habitual – não se esquece como traiu aquele esforço épico e inglório de Tony Martin, na décima etapa –, sobrando na frente apenas o colombiano José Serpa, da Lampre, colega de Rui Costa de que já aqui falamos, o francês Thomas Voeckler e o australiano Michael Rogers, por esta ordem na contagem de montanha.


Lá atrás sucedeu o mesmo, e o pelotão esfrangalhou-se completamente, não resistindo ao inevitável Nibali, que desta vez se limitou a responder aos poucos ataques dos adversários. Um ou dois de Valverde, sempre bem acolitado por três colegas de equipa, e uns esticões de Pinault, que não se destinavam directamente ao líder da corrida mas, antes, ao seu compatriota Bardet, portador da camisola branca da juventude, e terceiro classificado. Tudo – e não é pouco – o que lhe interessava. O também francês Péraud, limitou-se a segui-los, completando o grupo do camisola amarela.


A louca descida de vinte quilómetros até à meta fez autênticos milagres. Por exemplo, Kwiatkowski recuperou do imenso tempo perdido na subida e chegou à meta em sétimo lugar, a apenas 36 segundos do vencedor, o australiano Rogers que também aproveitara bem a descida para ganhar a etapa, com perto de 9 minutos sobre NIbali. Ou o bielorusso Kiryenka, que depois de fraquejar na subida seria terceiro, atrás de Voeckler. Ou o americano Van Garderen, que não resistira no grupo de Nibali, ficando muito para trás para, no fim, chegar praticamente com eles.


Quem tirou grandes dividendos de tudo isto foi Kwiatkowski que, com os 9 minutos recuperados, regressou ao top ten, no nono lugar. E Péraud, que trocou tudo com o seu compatriota Bardet. Mas tudo isso está preso por apenas 36 segundos!


 


 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sempre à boleia

Por Eduardo Louro


 


 


Santana Lopes quer muito ser Presidente da República. Como quis muito ser presidente da Câmara de Lisboa, como quis muito ser líder do PSD, muito antes de, ao contrário do outro que tinha a certeza que o viria a ser, querer muito ser primeiro-ministro. Mesmo à boleia...


Há muito que fez saber isso. Lá no fundo sempre acreditou que o Passos, tão depressa quanto soubesse disso, lhe daria a mão. Havia um problemazito: Durão Barroso…


Mas o nosso – lagarto… lagarto…lagarto – homem de Bruxelas depressa percebeu que a maré não era a melhor. Pôs-se a jeito, insistiu até mais do que o seu apregoado aguçado faro político deixaria prever, mas, mesmo a contra gosto e muito contrariado, para grande gáudio de Santana, que voltou a apanhar boleia, pôs-se fora.


Marcelo Rebelo de Sousa não é problema. Há muito que Passos tratara de desenhar um perfil de presidenciável à medida para o deixar de fora…


Caminho aberto por isso. Passos disse-lhe isso mesmo, e Santana lá teve o Expresso de páginas (e pernas) abertas. Com destaque de primeira página e tudo, a dizer que seria estimulante defrontar Guterres.


O problema não é Santana Lopes não conhecer o princípio de Peter. Para ele, isso nunca foi problema... Nem que esteja sempre à boleia, nem que todas lhe sirvam... O problema é a teimosia cega de Passos. Mesmo que daqui não venha mal maior, o eleitorado tratará certamente do assunto… 

domingo, 20 de julho de 2014

Gente Extraordinária XLVII

Por Eduardo Louro


 


 


António José Seguro não pára de surpreender. Vejam lá que agora acabou por descobrir que António Costa não será candidato nas próximas presidenciais…


Quem diria?


Só gente extraordinária como este Tó Zé conseguiria nesta altura perceber que o António Costa não está, por agora, para aí virado. De resto, numa dedução só ao alcance de uma mente brilhante: se apoia Guterres para as presidenciais, provavelmente não estará ele próprio interessado nessa corrida…

sábado, 19 de julho de 2014

Tour 2014 V

Por Eduardo Louro


 


 


Na despedida da curta passagem pelos Alpes, correu-se hoje aquela que terá sem dúvida sido uma das mais exigentes etapas deste Tour. Anunciava-se uma grande jornada de ciclismo e não desiludiu!


Nibaldi voltou a confirmar que não tem par. Desta vez não ganhou, mas foi por mero acaso!


Foi segundo, atrás de Rafal Majka. O inverso de ontem, o que diz bem do extraordinário desempenho deste jovem polaco de 24 anos, companheiro de equipa de Sérgio Paulinho e estreante, quase forçado, porque participara no Giro de Itália e não era suposto participar no Tour. Continua fora do top ten, mas se nos Pirinéus confirmar o que fez nos Alpes ficará, logo no seu primeiro ano, como uma das figuras da competição. Lidera já o prémio da montanha, em igualdade pontual com Joaquim Rodriguez, que amealhou nas contagens intermédias e falhou sempre na alta montanha. Que ontem desiludiu, e hoje, andando sempre na frente à procura de pontos, foi simplesmente penoso na última e decisiva montanha.


Também o colega de fuga de ontem (terceiro) do polaco, o checo Leopold Konig, voltou a estar hoje muito bem. Foi nono na etapa e do décimo lugar, atrás de Rui Costa, subiu para oitavo da geral.


Rui Costa teve um dia bastante mau. Bem pior que ontem, mesmo que a classificação na etapa – 24º lugar a 4´46´´ do vencedor – possa não sugerir todas as dificuldades por que passou, tendo mesmo chegado a pensar em desistir, como referiu no seu Diário. Ontem ainda contou com o apoio de Chris Horner, e depois com a companhia do francês Pierre Rolland na fase decisiva da subida. Hoje ficou sozinho naquela subida tenebrosa, a contas com a bronquite por curar…


E no entanto teve um colega de equipa, o colombiano José Serpa sempre na frente, como documenta a imagem, onde puxa o grupo em fuga que apenas serviu Rodriguez (à esquerda) Não se consegue entender o funcionamento da equipa. Que é fraca, uma das mais fracas em prova, mas não precisava de ser uma anarquia. À excepção de uma ou outra prestação pontual do americano Horner, apenas o Nelson Oliveira, enquanto pôde, foi neste Tour verdadeiramente posto ao serviço do líder. Hoje, sem o americano e sem o português para dar uma ajuda, viu-se o colombiano andar todo o tempo na frente, inclusivamente com fogachos de ataque. Se tinha disponibilidade física para aquelas palhaçadas, é de todo inaceitável que a não tenha utilizado ao serviço dos interesses da equipa e do seu líder.


Poderia até aceitar-se se, perante o fraquejar do líder, o colombiano tivesse condições de seguir por ali acima e ganhar a etapa. Ou se estivesse em circunstâncias de atingir um lugar na geral a que o líder da equipa já não pudesse aspirar. Mas não, nada disso. Esgotadas as forças em autênticas palhaçadas, o colombiano entrou em queda livre e acabou ultrapassado por tudo e por todos, sem uma única pedalada de apoio ao português ….


Provavelmente Rui Costa não terá acesso a uma equipa mais forte na condição de chefe de fila. O que se passa na sua anterior equipa, na Movistar, aponta nesse sentido. Mas caramba, uma coisa é uma equipa fraquinha, outra é uma equipa desorganizada e sem rei nem roque. À Lampre não faltam apenas corredores!


Não vai ser fácil a Rui Costa regressar a um lugar entre os dez primeiros, que era evidentemente o mínimo que poderia esperar!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Tour 2014 IV

Por Eduardo Louro


 Vincenzo Nibali - Tour de France 2014, stage 13: live


 


O Tour chegou, de fim-de-semana, aos Alpes. Chegou hoje e parte no domingo, em direcção aos Pirinéus e à última semana.


Tínhamos ficado no final da décima etapa, na véspera do primeiro dia de descanso, ma terça-feira. Daí até à entrada, hoje, na alta montanha dos Alpes – este ano subalternizados relativamente aos Pirinéus, com apenas duas etapas – foram dois dias de grandes dificuldades, e com mais quedas, de novo sem explicação aparente e, também de novo, com o azar a tocar os corredores portugueses. Desta vez foi Nelson Oliveira, o colega de equipa e principal apoio de Rui Costa.


Terminaram ambas com chegadas em grupo, já que nunca o pelotão resistiu ao fraccionamento em vários grupos. Na primeira, a décima primeira etapa, ganhou o francês Gallopin – o tal que na etapa anterior tinha transportado a amarela, no único dia em que Nibali a despiu, certamente para lavar… Isolara-se uns quilómetros antes e conseguiu resistir até ao último metro, cortando a meta à frente mas como se tivesse ganho ao sprint por meia roda. Rui Costa, a contas com uma bronquite aguda, não resistiu no primeiro grupo, perdeu algum tempo (1´:36´´) e alguns lugares na classificação, caindo para a 14ª posição.


A etapa de ontem não foi muito diferente, com a mesma fragmentação do pelotão, com muitas fugas, sempre anuladas e vitória discutida ao sprint, mas sem os grandes sprinters que, depois do sobe e desce constante deste tipo de etapas – especialmente do sobe – não conseguem chegar no grupo da frente. Kittel já há muito que nem se vê, mas Greipel ontem até resistiu e chegaria em condições de discutir a etapa – a equipa, Lotto Belisol, bem trabalhou para isso – mas um encosto no meio do pelotão desequilibrou-o, teve de levar o pé ao chão e no meio daquela aceleração final ficou irremediavelmente para trás.


Foi, por isso, a vez dos eternos segundos. Ganhou Alexander Kristoff, já farto de ser segundo, e foi segundo Peter Sagan, o camisola verde dos pontos, que provavelmente ganhará sem vencer uma única etapa.


A etapa de hoje, a 13ª, foi corrida nas altas montanhas alpinas e terminou com uma montanha de categoria especial. E com mais um recital de Nibali, que ganhou lá no alto, pela terceira vez neste Tour, fazendo até ao momento o pleno nas etapas de maior grau de dificuldade.


Na última subida, a tal de categoria especial, atacou Valverde. Atacou Pinaud… Nibaldi respondeu e foi com eles – para trás ficara já Richie Porte, o segunda da geral, que viria a perder perto de 10 minutos e a desaparecer do top ten – para pouco depois se despedir e seguir sozinho até à meta, passando pelo caminho pelos dois últimos fugitivos, Majka e Konig, segundo e terceiro na etapa.


Rui Costa, ainda afectado pela bronquite, resistiu no grupo da frente até onde pôde. Deixou de poder quando surgiram os sucessivos esticões, o último dos quais do francês Bardet, líder da juventude, e do americano Van Gaderen, que fizeram também uma excelente corrida, respectivamente sétimo e sexto na etapa, com o mesmo tempo. Perdeu mais três minutos para o líder e vencedor da etapa, mas regressou, no nono lugar, ao top ten.


O grande derrotado da etapa foi sem dúvida Richie Porte, mas também o purito Joaquim Rodriguez, depois de parecer ter ressuscitado para o Tour com espectaculares exibições de montanha à procura da camisola das bolinhas, hoje falhou. Quando se esperava que fosse o principal animador da corrida, confirmando a liderança da classificação da montanha, ficou bem cedo para trás, aindas antes da entrada na última subida e muito antes da corrida se começar a decidir. Não ficará como um dos derrotados do dia, mas é certamente uma das maiores desiluões desta etapa.


O italiano da Astana não se cansa de provar que é o melhor deste Tour, não tendo culpa nenhuma que lá não esteja quem lá não está. Não terá a vitória assegurada... Falta a etapa rainha de amanhã, última dos Alpes. E faltam os Pirinéus, este ano ainda mais decisivos... Mas se nada de anormal acontecer, pelo que se tem visto, não há quem o possa desafiar. E desconfio que rapidamente deixarão de o fazer!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Já vale tudo

Por Eduardo Louro


 


 


Poderia ter sido um acaso qualquer. Ou uma estranha conjugação de coincidências. Há três meses desapareceu um avião igual a este, desta mesma companhia, e com as mesmas três centenas de pessoas. Mas que esta parte do mundo está a ficar demasiado perigosa, está…  


Não é novidade nehuma. Adivinhava-se que rapidamente ali começaria a valer tudo!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...