segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Quatro dias para matar uma ideia de décadas

Putin admite posicionar armas nucleares na Belarus contra a Otan -  20/12/2021 - Mundo - Folha


Não há dúvida que, nos últimos quatro dias, o mundo mudou apagando 80 anos de História, como se de repetente tivesse ficado subterrada por uma avalanche de lama levantada por um tsunami que não veio do mar, mas do Kremlin.


A ameaça de Putin em recorrer a armas nucleares vai muito para além da dimensão retórica. Nunca o mundo esteve tão perto da ameaça nuclear!


A velha ideia - que foi fazendo caminho de décadas - que as armas nucleares não serviam para ser usadas, mas para evitar que fossem usadas, está a morrer. Era uma ideia sustentada no princípio do bom senso e do equilíbrio psíquico de quem tinha a capacidade de premir no botão.


Aconteça o que acontecer hoje, ao quinto dia, no encontro entre delegações russa e ucraniana na fronteira com a Bielorrússia, perto de Chernobyl, a velha ideia já foi devorada pela realidade - para que sejam usadas basta que existam. Porque Putin não se confirma apenas como um louco e imprevisível que tem o poder de premir o botão. Ele personifica um padrão de gente louca e imprevisível à procura de chegar ao poder nos mais diferentes pontos do globo.


Esta guerra teve já o condão de unir a Europa como nunca antes. Veremos se será também capaz de mostrar o perigo que é o populismo que esse padrão vem espalhando. Pelo mundo e pela Europa. E por Espanha. E por Portugal!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Estes últimos dias, e em particular o de ontem, foram varridos por uma autêntica Krugmania. Três Universidades de Lisboa atribuiram-lhe o Doutoramento Honoris Causa e falou-se de Krugman a torto e a direito. E Krugman falou a torto e a direito, dando umas no cravo e outras na ferradura!


Disse que a Grécia iria sair do Euro e que Portugal tinha 75% de lá permanecer. Bom, se a primeira não é novidade nenhuma, a segunda, por muito bem que tenha sabido ao governo – que hoje, pela voz pausada (e pelos vistos bem vista) do ministro das finanças, já veio rectificar a queda do Produto para os 3,3% que a UE anunciara a semana passada, e o aumento do desemprego até aos 14,5% - também não. Há 25% onde tudo cabe, incluindo os erros de previsão do professor.


Reafirmou as suas posições de feroz adversário das políticas de austeridade, o que é simpático para os portugueses e nem tanto assim para o governo; mas reafirmou também que os salários deveriam descer entre 20 e 30%, o que inverte a ordem da simpatia. O que vale – e o que ele provavelmente não sabe - é que já não deve faltar muito para atingir esse desiderato. Valha-nos (mas pouco, porque dentro de poucos anos iremos querer muito de ter salários como os deles) que também afirmou que Portugal não tem que reduzir os salários para os níveis chineses


Ficava no ar um certo tom de contradição: como é que se pode ser contra as políticas de austeridade e defender reduções de salários?


Então esclareceu que o ideal seria que essa redução salarial em Portugal fosse acompanhada por aumentos nos salários dos alemães. Quer dizer, produzir barato em Portugal para que os alemães, com muito dinheiro nos bolsos, comprem.


Mas isso é fado: o nosso fado! Não é preciso ser um Nobel…

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Que grande momento!


Na passada quarta-feira, com o Ajax, o Benfica tinha deixado, mais uma vez, uma perspectiva de mudança de rumo. A regra tem sido não confirmar essas expectativas, e por isso este jogo de hoje com o Vitória, de Guimarães, só não era de tudo ou nada, porque o tudo já não existe.


Mas não podia ser de nada.


E não foi. Não que o Benfica tenha feito uma grande exibição, que não fez. Fez o qb para ganhar, e ganhar é mesmo o mais importante nesta altura. Mas deve dizer-se também que fez o quanta bastasse para ganhar porque o jogo acabou por correr bem, ao contrário do que tantas vezes tem acontecido. Bastou que o Vitória, ao contrário do que tantas vezes tem acontecido, não tivesse feito golo na primeira vez que chegou à baliza de Vlachodimos. Nem à segunda, nem à terceira... Nem em nenhum dos 17 remates (!) que efectuou, quase o dobro dos do Benfica. Bastou que Vlachodimos tenha podido evitar o golo nas duas primeiras oportunidades do jogo, e bastou concretizar, com grande eficácia as duas primeiras oportunidades criadas.


Quer isto dizer que a clara vitória desta noite é meramente circunstancial? Não. Aquelas circunstâncias foram decisivas, mas depois delas houve o jogo. E neste jogo já se viram ideias. Sim, num jogo de futebol as ideias vêm-se. 


O Benfica não entrou com a mesma equipa que jogara com o Ajax - Otamendi e Weigl estavam disciplinarmente impedidos, e foram bem substituídos por Morato e Meité, este finalmente a mostrar-se e a fazer um bom jogo - mas entrou com o mesmo dispositivo táctico, o 4x4x2, com Darwin e Gonçalo Ramos na frente de ataque. E com ideias. 


Entre elas, e provavelmente a mais decisiva, uma ideia de espaço. E depois a ideia de o atacar, mais vincada que a do defender. E dentro dessa ideia de atacar o espaço, a de que a mudança rápida de flanco é a melhor forma de a concretizar. Não é por acaso que os dois primeiros golos, ambos de excelente execução, nasceram assim - mudanças rápidas da bola para a direita, e cruzamentos de grande qualidade de Gilberto. A qualidade que a liberdade de espaço, que noutras condições não tem, lhe permitiu mostrar. Depois bastou a qualidade de Gonçalo Ramos, no primeiro, num fantástico remate de pé direito, de primeira. E de Darwin, num grande remate de cabeça.


E por isso não foi nada circunstancial a circunstância do Benfica ter resolvido o jogo nas duas primeiras oportunidades de golo que criou. Foi qualidade e... ideias. De tal forma que, ao intervalo, já era indiscutível a vantagem do Benfica, e já ninguém se lembrava do primeiro quarto de hora do jogo.


Do que provavelmente muita gente se lembraria era do último jogo, no Bessa. Ao intervalo também era aquele o resultado, e também era aquela a imagem de superioridade. 


Com o arranque da segunda parte também isso foi esquecido. Até porque o terceiro golo, o tal que tem sido excepção, surgiu logo aos 5 minutos, num penálti - é verdade! - cometido dobre Gonçalo Ramos, e convertido por Darwin, mais uma vez com classe. E porque o Vitória foi sempre disputando bem o jogo mas sem lhe acrescentar a intensidade e a agressividade que tornassem o jogo desconfortável para o adversário.


O jogo apontava para o quarto golo do Benfica. Que acabou até por surgir logo a seguir ao terceiro, no que seria também o bis de Gonçalo Ramos, depois anulado por fora de jogo assinalado a Taarabt, que fizera a assistência. E pouco depois desperdiçado por Rafa, numa das duas ocasiões por concretizar. Até se chegar ao  momento do jogo.


O minuto 62. O primeiro momento das substituições. E não foi pela habitual inépcia de Nelson Veríssimo, mesmo que tenham produzido o habitual efeito. Foi o momento da entrada em campo de Yaremchuk, com Vertonghen a entregar-lhe a braçadeira de capitão e com a Luz a explodir numa emocionante onda de apoio à sua Ucrânia. Simplesmente fantástico, com o jogador ucraniano reconhecido, sensibilizado e fortemente emocionado. Valeu mais, muito mais, que qualquer golo. E valeu pelo jogo!


Os colegas ainda tentaram oferecer o golo ao ucraniano, que seria certamente o segundo grande momento do jogo. Mas já não dava para mais, e na parte final foi até, de novo, o Vitória a estar mais perto do golo que o Benfica, e Yaremchuk. Voltou a valer Vlachodimos para, pela primeira vez na era Veríssimo, chegar ao fim com a folha em branco.


No fim fica um jogo que valeu pelo resultado, pelo que pode contribuir para a estabilidade da equipa, e por aquele momento de manifestação contra a guerra, à volta de Yaremchuk. E a confirmação que as substituições são uma dor de cabeça para Nelson Veríssimo. Que Gonçalo Ramos é definitivamente jogador, bastava-lhe a aposta mais continuada. Que João Mário perdeu, provavelmente em termos definitivos, o seu espaço na equipa. E que também Diogo Gonçalves não tem muito para dar. Ao contrário de Meité, de quem já não se esperava nada!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Meryl Streep ganhou, nesta noite da 84ª edição dos Oscars, o seu terceiro galardão deste que é o mais importante certame de prémios da sétima arte. Depois dos Oscars para melhor actriz em “Kramer contra Kramer” e “A decisão de Sofia”, curiosamente no início da era Thatcher (1979 e 1982, respectivamente)  – e de muitas outras notáveis interpretações não premiadas, como, por exemplo, em “África Minha” ou "Mamma Mia"– Meryl Streep, agora na pele (quase que apetece dizer no sentido literal do termo) de Margaret Thatcher, atingiu a marca que tinge os grandes actores de Hollywood. Um tri apenas conquistado por Ingrid Bergman, Jack Nocholson e Walter Brennan, e exclusivamente superado por Katharine Hepburn, com quatro!


“A dama de ferro” não é um grande filme – longe disso, cruza-se com os grandes acontecimentos da História das últimas duas décadas do século XX sem lhes passar cartão – é, antes, um retrato de Thatcher, onde é Meryl Streep que fica sempre bem na fotografia!

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


É de ouro! Compra-se e vende-se, como uma mercadoria. Por vezes é ensurdecedor… outras é sepulcral. É aterrador, mas também tranquilidade, paz, e ordem!


Bucólico e assustador. É cúmplice e delator. O silêncio é arma de defesa e de ataque, é direito e dever…


Silêncio é mistério. O mistério do que se não diz, do que fica por dizer e entregue à livre especulação de tudo e de todos. Ao livre e discricionário arbítrio de quem o escuta sem nada conseguir ouvir. Quem cala consente, diz o povo e toda a gente acredita!


Quem cala permite tudo: permite concluir do que não foi dito, aceitar o que se não aceita, validar o que não vale, consentir o que se não consente, concordar com o que se não concorda…


É a porta fechada ao mais insondável de cada um. É o último reduto da intimidade, daquilo que pretendemos preservar só em nós, fechado a todos os outros. É o segredo para sempre guardado, inviolável!


Silêncio é respeito e falta dele. Respeitamo-nos no silêncio e ofendemo-nos no silêncio… Solidarizamo-nos e desprezamo-nos no silêncio! No silêncio tomamos de partilha o pesar e a dor, mas também a mais absoluta das indiferenças…


Faz-se silêncio para ouvir: Silêncio que se vai cantar o fado! E faz-se silêncio para calar, e impedir de ser ouvido.


Silenciam-se vozes para calar consciências. É a liberdade tomada de assalto pelo poder, por qualquer poder. É a verdade inconveniente - ou simplesmente incómoda - calada, silenciada. Onde tudo vale. Não há limites nem fronteiras. Nem pudor em atropelar os mais indiscutíveis valores que marcam a condição humana nos actuais patamares da civilização. Nem a própria vida é uma linha intransponível…


Há o silêncio dos inocentes. E o dos culpados! O dos inocentes é sepulcral. O dos culpados chega a ser ensurdecedor!


Cada um tem a sua relação própria com o silêncio. A forma de o administrar, seja na sua relação consigo próprio seja na sua relação com os outros, constitui o principal eixo da matriz comportamental de cada um. E um dos seus mais notáveis traços de personalidade!


Há quem lide bem e quem lide mal com o silêncio. Quem precise absolutamente dele para se concentrar e quem nele o não consiga fazer. Quem o use para a reflexão e quem o use para a alienação, para fugir do mundo e quantas vezes de si próprio. Da própria vida. Quem nele se deprima e quem nele se revigore. Quem nele se esconda ao longo de toda uma vida, como quem se esconde atrás de uma máscara que lhe permita passar pela vida como quem passa por entre os pingos da chuva …


Há estratégias de silêncio. E não apenas as dos réus, em tribunal. Há quem faça da estratégia de silêncio uma estratégia de orientação, de sobrevivência. Quem estabeleça autênticos pactos de silêncio com a vida. Gente que se não compromete com nada nem com ninguém, indiferente a tudo e a todos. Gente sem causa e sem causas!


Só não são indiferentes a si próprios, com o centro do mundo no seu próprio umbigo.


Há votos de silêncio! Quando em busca do sobrenatural ou do divino se esquecem as pessoas. Quando a aproximação ao divino é o afastamento das pessoas, quando se procuram respostas a perguntas que se não sabem fazer, quando se procuram certezas onde apenas há dúvidas.


E pactos de silêncio, carcereiros da liberdade e anfitriões do subjugo, que fazem do medo forma de vida e das pessoas marionetas. São dispositivos de comando á distância, exactamente como os que as tecnologias nos disponibilizaram e que nos dão, também eles, uma estranha sensação de poder. O poder na ponta do polegar que nos permite silenciar uns para dar voz a outros, afastar o que nos desagrada para procurar o que julgamos querer encontrar.


O silêncio rompe-se, como se rompem umas meias ou umas calças. E quebra-se, como se quebra um prato ou um copo. Romper com o silêncio, contudo, é, e haverá de ser sempre, um acto de coragem. Consistente e, acima de tudo, consequente. Quebrá-lo pode ser apenas um atrevimento. Simplesmente esporádico, quando não inoportuno.


Romper com o silêncio é soltar amarras, rebentar algemas e gritar liberdade. É dizer não e nunca mais. Quebrá-lo é apenas interrompê-lo por breves momentos, para que tudo permaneça exactamente como está.


Há amor no silêncio: “as mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar “ (Leonardo da Vinci). E há silêncio no amor, um silêncio que nem a voz muda de corpos nus quebra!


Como há quem ame em silêncio toda a vida, como se o destino se encarregasse de cruzar amor e sofrimento na esquina de um fado de amores proibidos.


Mas o silêncio também é ódio e raiva. Prazer e dor. E traição!


Não é verdade que, como atribuído a Confúcio, o silêncio seja “um amigo que nunca trai”. Tantas vezes o silêncio trai… O silêncio trai e é traído. Trai-se muitas vezes o silêncio, traindo-se sempre muito mais do que isso!


 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Coisas que não se percebem

PCP considera “um erro” pedido do Governo de fiscalização dos apoios  sociais – O Jornal Económico



Consegue perceber-se o alinhamento acrítico do PCP com o regime cubano, com o da Nicarágua ou com o da Venezuela. Consegue até perceber-se que encontre, agora, fortes afinidades com o regime chinês, quando ainda há pouco tempo - tempo histórico, naturalmente - não se podiam ver.


Nada é absolutamente é líquido, mas conhecendo-se a história do PCP, consegue perceber-se. Consegue perceber-se o alinhamento e a fidelidade de sempre com a então União Soviética, que fez dele o único Partido Comunista ocidental a obedecer caninamente ao PCUS até ao fim. Percebe-se o fascínio pela mãe Rússia. Já não se consegue perceber, de todo, o seguidismo e o fascínio pelo regime de Putin. Que contraria toda a sua doutrina e apoia, promove e financia a extrema direita pelo mundo fora, que o PCP garante combater. Não se consegue perceber como, no concerto internacional, possa surgir ao lado de Marine Le Pen, de Salvini, de Trump ou de Bolsonaro no apoio a Putin.


Mas estar do lado da guerra de Putin como se colocou, como manifesta no Avante, e como ontem expressou na Assembleia da República, o ainda líder parlamentar do PCP, João Oliveira, ultrapassa as fronteiras da racionalidade com a mesma violência com que Putin ultrapassa as da Ucrânia!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Tudo tem a sua metade. Tudo se pode dividir em dois. O golo é que não!


Não há metade do golo, não se pode dividir um golo ao meio. Quanto muito há golos a meias, mas são golos, não são meios golos!


Lembram-se daquele golo do Petit ao Vítor Baía - acima recordado - aqui há uns anos na Luz? Pois, nem sequer esse foi meio golo. Simplesmente não foi golo, Olegário Benquerença não quis que fosse… Como há outros que são sem que o tenham sido. Meio golo é que não!


Mas lá tinha de vir o futebolês negar estas evidências, e garantir que há meio golo sim senhor. E mais que um, há pelo menos três. Há meio golo - ou pode haver – num passe. Ou num cruzamento. Na assistência. E há ainda meio golo da vitória!


Um passe que contorna todos os obstáculos que o adversário que coloca, e deixa a bola nos pés do avançado na cara do golo, é meio golo. O passe fez o mais difícil, deixando o mais fácil para o marcador, que se limita a empurrar para o golo. A fazer a outra metade do golo.


O que, no entanto, nem sempre acontece. E lá se fica o meio golo da assistência a não valer de nada, exactamente como o tal golo do Petit. Ainda há bem pouco tempo o Cardozo fez uma dessas: começou a festejar o meio golo da assistência e, quando deu por ela tinha deitado fora a sua metade. Ainda agora andam por aí a correr umas imagens semelhantes de um tal Deivid, um rapaz que pass(e)ou por Alvalade há uns anitos sem grande honra nem glória, como vem sendo habitual com tantos outros…


O cruzamento que é meio golo é aquele que vai direitinho e tenso – convém sempre que seja tenso – para um espaço, aéreo ou terrestre - só o marítimo não vale – onde apenas possa aparecer o avançado a finalizar, com mais ou menos espectáculo.


E finalmente há a vitória por meio golo. O que importa é ganhar, nem que seja por meio a zero!


Era, por exemplo, o caso do Benfica na passada segunda-feira em Guimarães. Depois da derrota na Rússia, com o Zenit para a Champions no início de um ciclo decisivo da época – apenas a segunda da época, depois do amargo afastamento da Taça de Portugal, pelo Marítimo – era fundamental ganhar em Guimarães. Nem que fosse por meio golo. Porque era a segunda derrota consecutiva, o que destabiliza quem quer que seja. Porque estava em causa a invencibilidade no campeonato, e a possibilidade de igualar o feito do Porto na época passada e o do próprio Benfica de Hagan, em 1973 (conta no seu historial com outro campeonato sem derrotas, mas perdido em igualdade pontual para o Porto, por circunstâncias de desvantagem na diferença entre golos marcados e sofridos). Porque perder a invencibilidade pode comparar-se à perda da virgindade: sabe-se como acontece, mas não se sabe o que acontece depois. Porque falhar logo no início de um ciclo difícil e decisivo cria muito mais pressão para enfrentar o que dele fica a faltar. E, finalmente, porque voltou a colocar o Porto na condição de depender apenas dos seus resultados, acrescentando-lhe crença e motivação para a deslocação à Luz que aí vem. O que, não obstante a pesada e humilhante derrota desta semana com o City – que a comunidade portista resolveu desvalorizar, chamando mentiroso ao resultado e não sei o quê ao árbitro, depois de um banho de bola dos citizens, com quatro golos, duas bolas nos ferros e mais uma mão cheia de outras oportunidades - pela história recente destas coisas, não é muito confortável.


Por tudo isto aquele jogo não podia ser perdido. Há jogos que não se podem perder, que têm de ser ganhos nem que seja pelo tal meio golo. Como jogo inaugural da época passada, o daquela supertaça; que embalou um Porto titubeante para uma época triunfante e empurrou o Benfica campeão, mas também algo arrogante e descuidado, para um arranque lastimável de que nunca viria a recuperar. Jorge Jesus já tinha que ter percebido isso. E tinha de montar a equipa e preparar mentalmente os jogadores para ganhar aquele jogo. Nem que fosse por meio golo, nem que houvesse que comer a relva.


Hoje, em Coimbra, há mais. Mas já não pode ser do mesmo! 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Tempos de pouca esperança

Rússia bombardeia a Ucrânia com mísseis; Kiev diz que invasão é total


 


A guerra não começou esta madrugada, com a invasão generalizada da Ucrânia pelas tropas de Putin. Tinha sido formalmente declarada há três dias, estava há muito programada e tinha recebido luz verde no Verão passado, com o sinal dado pelos Estados Unidos na debandada do Afeganistão - o sinal da fraqueza em que Putin apostou, e que aguardava para garantir que o seu projecto totalitário se transformaria num passeio. Para já pela Ucrânia dentro...


Resta-nos a esperança que se repita a história de passeios que, por mais bem encaminhados que pareçam, acabam mal. Não nos restam muitas outras!


Aos ucranianos resta-lhes sofrer e resistir. E ensinar essa lição aos restantes europeus!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Na mesa à minha esquerda almoçavam duas mulheres. Uma na casa dos trinta e outra, um pouco mais velha, talvez já quarentona. Falavam de futebol, falaram de futebol durante todo o almoço, e eram sportinguistas. Comentavam o jogo de ontem, que passava em repetição na Sport TV, e percebia-se que não tinham nada de bom para dizer dele.


Retive uma frase: “… não estão a jogar nada, o Sá Pinto não me convence. O trabalho dele nos juniores até estava a ser bom, mas treinar homens feitos não é a mesma coisa. E está sempre a dar bicadas no Domingos. Não lhe fica bem!”


Na mesa da direita almoçavam três homens e uma mulher. E falavam de … futebol. Melhor, ela falava de futebol, não deixava que mais ninguém falasse. Era também sportinguista, e percebia-se que tinha estado ontem em Alvalade. Também não deve ter gostado muito do que viu, pelo que se percebia de uma expressão que registei: “… o melhor mesmo foi a polícia ter aproveitado para treinar um bocado…” Na próxima eliminatória com o Manchester City só queria “não perder por mais de 6 a 1: desde que não façam pior que o Porto já está bem”!


Um dos acompanhantes aproveitou a deixa momentânea: “vocês são assim, as vossas vitórias são as derrotas dos outros. E desde que fiquem à frente do Benfica…”


A resposta da senhora foi fulminante:” Eu por mim o que queria era que, sempre que o Benfica e o Porto saíssem, o avião caísse!”


Aí, desviei completamente a atenção e levei o olhar a passear pela sala. Estranho: mas de dois terços eram mulheres! Muitas das mesas eram exclusivamente ocupadas por mulheres. Numa Portugália, tamanha maioria feminina era-me muito estranha. Tanto ou mais que ver-me ladeado por mulheres a falar de futebol. E logo do Sporting!


E andava eu convencido que não tinha perdido pitada destas mudanças todas…


Enquanto metia à boca o último pedaço do pão encharcado nos restos do molho onde ainda há pouco o bife da vazia quase flutuava, lembrei-me que talvez estivesse a observar mais um sucesso do marketing do que propriamente uma tão grande revolução. E quanto a mulheres fanáticas a discutir futebol, talvez a minha amostra não fosse de todo significativa...


Aquele conceito do Balcão que a Portugália lançou há uns anos é isso mesmo: um grande sucesso de marketing!


 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

O que ficará desta grande noite na Luz?


Grande noite na Luz!


Um grande jogo de futebol num grande ambiente, como há muito se não vivia na Catedral. E no entanto nada disto seria expectável, à luz do que tem sido o desempenho da equipa do Benfica. Sabia-se que o Ajax tem selo de garantia, e que viria à Luz exibir a qualidade do seu futebol. Isso era praticamente dado por adquirido.


Mas isso não era garantia de um grande noite. Era, pelo contrário, mais um motivo para recear uma noite de pesadelo. Para que fosse uma grande noite era preciso Benfica. Só com um grande Benfica poderia haver uma grande noite na Luz. E esse não estava anunciado. Não era na teoria dos 50/50 de Nelson Veríssimo que se via esse anúncio. Ninguém acreditava naquilo, era coisa para levar tão a sério como a outra de continuar com o objectivo de ser campeão nacional.


Mas a verdade é que houve Benfica. O Benfica compareceu, disse presente e, juntou o querer e a qualidade dos seus jogadores à qualidade dos jogadores e do futebol do Ajax, para que a Luz voltasse a viver uma grande noite. De que só ficam dois amargos - o resultado, o empate fica aquém do que a equipa fez por merecer, e fica a dever-se à menor eficácia na finalização, e ainda á influência da arbitragem, ao negar o penálti claro sobre o Gonçalo Ramos; e confirmação que o Benfica está na situação em que está porque os jogadores não têm querido fazer mais.


Hoje quiseram, e aceitaram o desafio de se bater de igual para igual com a melhor equipa da Europa, a seguir aos três grandes de Inglaterra e ao Bayern. E quiseram durante o jogo inteiro, e não só a espaços, como tem vindo a acontecer.


O jogo até nem começou da melhor maneira para o Benfica. O Ajax começou a pressionar muito alto, condicionando muito a saída de bola, que Nelson Veríssimo decidiu desta vez fazer através dos laterais, em vez do eixo central através de Weigl. Com essa pressão ganhava muitas bolas que, depois, a qualidade dos seus jogadores e as dinâmicas mais que consolidadas da equipa, cedo começou a criar problemas. Foi assim que chegou ao golo, logo aos 18 minutos: saída de bola pela esquerda, com Grimaldo a dominar mal a bola, que já não vinha fácil de receber pela pressão sobre o guarda-redes, e a perdê-la. Depois foi o craque Antony a colocar a bola na esquerda, onde não estava Gilberto, que ia a sair, mas Tadic, sozinho, para marcar.


Poderia pensar-se que a equipa afundaria, como sempre tem acontecido à primeira contrariedade. Mas não. A Luz não deixou, e os jogadores quiseram responder ao apoio que o golo simplesmente intensificou. E responderam, e à segunda oportunidade chegaram ao empate, num auto-golo de Haller, o melhor goleador desta edição da Champions, mas perfeitamente justificado pela reacção ao golo sofrido, apenas 7 minutos antes. 


Mas era notória a diferença da qualidade do futebol praticado pela equipa de Amesterdão. O futebol do Ajax fluía naturalmente, altamente mecanizado e com dinâmicas de posicionamento verdadeiramente espectaculares, que não se esgotam nos movimentos daquele notável trio atacante.  Os laterais aparecem em todo o lado, até a finalizar. Como surgem os próprios centrais a finalizar lances de construção. E o empate não chegou a durar 5 minutos, com Haller a marcar, agora na baliza certa, e a fazer o que tem feito em todos os jogos. Numa recarga, a uma defesa para a frente de Vlachodimos.


Faltava mais de um quarto de hora para o intervalo, e pensar-se-ia que o descalabro teria apenas sido adiado. Mais uma vez as bancadas disseram para dentro do campo que não. Que havia que resistir. E foi praticamente isso que a equipa fez, com a alma e crença que não tem tido, até ao intervalo.


Para a segunda parte estaria guardado o melhor bocado da grande noite da Luz, com o Benfica a mandar no jogo, e a impor uma superioridade no jogo que não se julgaria possível perante um adversário tão qualificado. Foi mesmo uma grande exibição do Benfica, a superiorizar-se em todos os capítulos do jogo, com todos os jogadores em grande ritmo e num elevado nível exibicional, mas em especial Grimaldo, Darwin, Taarabt, Gonçalo Ramos e Rafa. E até Yaremchuk, que entretanto entrara a substituir Everton - outra bela exibição -, que marcaria o golo do empate, numa recarga a um grande remate de Gonçalo Ramos, depois de espectacular defesa do guarda-redes adversário. Que não se quis dissociar deste momento difícil para o seu povo, tirando a camisola para mostrar o símbolo das forças armadas do seu país, numa manifestação que a UEFA não deixará de penalizar. Bem mais que o inevitável amarelo que viu de imediato. Gonçalo Ramos - em mais um exemplo da maturidade que ainda teve tempo de deixar em campo - tentou impedi-lo de tirar a camisola, mas a determinação do ucraniano era inabalável.


E o Benfica só não juntou a vitória à exibição porque desperdiçou três ou quatro flagrantes ocasiões de golo. E porque, como já referido, o árbitro esloveno - sempre muito mais permissivo, quer em faltas quer no plano disciplinar, para os jogadores do Ajax do que para os do Benfica - fez vista grossa ao tal penálti sobre Gonçalo Ramos.


Veremos o que fica desta exibição, e desta grande noite da Luz. Se vai dar razão aos 50/50 de Nelson Veríssimo, em que ninguém acreditava. Se vai servir para finalmente acabar com a intermitência da equipa, e estabilizá-la para o que falta de uma época em que, já nada tendo para ganhar, poderá ainda lutar pelo segundo lugar no campeonato que garante o apuramento para a Champions. Ou se não vai servir para nada!


Nem para ajudar o Rui Costa na escolha das companhias. Depois de há dois dias ter sido visto a cumprimentar afavelmente Pinto da Costa, hoje também não ficou bem visto entre Fernando Gomes e Pedro Proença. Como as coisas estão, e com a centralização dos direitos televisivos a avançar a alta velocidade, aconselhar-se-ia algum cuidado com as companhias.


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, o nosso Zeca Afonso, partiu há 25 anos. Cedo de mais, como sempre acontece com os que ficam mitos…


O Zeca deixou-nos um legado de determinação cívica, de luta e de resistência. Foi perseguido e resistiu, foi preso e escreveu canções, foi impedido de trabalhar e de ganhar o seu sustento e construiu a música portuguesa do futuro.


Tirando-se das Suas Tamanquinhas,  enquanto Houve Força,  Furou, Furou pelos dias deste país como Galinhas do Mato,  A Ser Como a Toupeira. Começou por cantar Coimbra,  em Baladas e Canções, Como se Fora seu Filho, que não era. Cantou Cantigas de Maio em Coro dos Tribunais e Cantares de Andarilho no Natal dos Simples! Chamaram-lhe Cigano Resineiro Engraçado, para que não fosse levado a sério. Mas Vieram mais Cinco, cada um Trouxe Outro Amigo Também, e, às ordens da batida de Grândola, Vila Morena, como Índios da Meia Praia, chegaram Os Filhos da Madrugada que fizeram uma manhã clara depois de toda uma vida na noite inteira.


Ah... Se encontrássemos em cada esquina um amigo...

Sempre a Europa a pagar as favas

Rússia x Ucrânia: quais sanções podem ser impostas contra governo de Putin?  - BBC News Brasil


 


A não ser que o cheiro a pólvora comece a entrar fortemente pelas narinas da poderosa indústria de armamento americana, e a despertar-lhe o irresistível apetite pela oportunidade, não me parece que se confirmem, neste momento, as mais dramáticas perspectativas de guerra generalizada a partir da Ucrânia.

 

À excepção dos militares russos, e naturalmente dos cidadãos ucranianos, não há ninguém disposto a morrer na Ucrânia. E aquilo que se pode neste momento prever também já será suficiente para aconchegar as barrigas do negócio das armas, por insaciáveis que saibamos que são. Tudo indica, pois, que os ucranianos vão ficar entregues a si próprios, e que os russos se vão começando a enterrar num atoleiro bem mais fundo do que aquele em que se enterraram em 1979, no Afeganistão. do qual pode até bem ser que já nem seja Putin a sair.

 

Para já não me parece perspectivável que o Ocidente vá para além das sanções económicas, de que a Europa é evidentemente quem mais vai sair a perder. Mas isso é o inevitável curso da História da Europa que, sem política externa e resignada ao conforto  de um ténue abrigo no chapéu americano, se deixou chegar aqui. 

 

A eficácia das sanções é praticamente nula, e vão fazer ricochete para acabarem a atingir que está mais próximo do destino previsto - a Europa. Que, no actual contexto inflacionista e de dependência energética da Rússia, vai pagar cara esta factura.

 

Quem mais generalizadamente sofre com as sanções são as populações. A doutrina das sanções é que o agravamento das suas condições de vida promova a sua revolta e, a partir dela, a desagregação do poder político que as dirige. Só que isso não funciona em regimes autocráticos, com máquinas de repressão capazes de esmagar toda e qualquer sublevação popular. Menos ainda num país com a História da Rússia, e menos ainda na forma de Putin exercer o poder.

 

Daí que estas sanções venham rotuladas de inteligentes - smart sanctions -, supostamente direccionadas às elites da oligarquia de Putin. Mas também aí a eficácia tem perna curta. Porque os grandes oligarcas russos já têm almofada para tudo, e alguns até já têm outras nacionalidades - veja-se Abramovic, o novo cidadão português -; e porque a própria economia russa, mesmo que débil, e até por isso, tem mecanismos próprios de sobrevivência.

 

O poder pessoal de Putin, a única coisa que verdadeiramente lhe interessa, continuará intocável na sua redefinição da História, com a máquina militar focada na Ucrãnia enquanto a da intelligentsia continuará a sua tarefa pelo mundo, e em particular na Europa, em cuja destruição concentra o seu objectivo de defesa pessoal. Na espionagem, nos ciber-ataques, e na promoção do desenvolvimento da extrema direita.

 

Isto é, sempre a Europa a pagar as favas…

 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Depois dos ministros que abandonam o governo para se passarem para as administrações das empresas, muitas com negócios nas áreas que tutelavam. E de deputados que transitam do parlamento para empresas bem chegadas a matérias tratadas nas comissões parlamentares por onde passaram. E de responsáveis pelos serviços secretos do Estado que trocam a excitante actividade da espionagem pela confortável vida da gestão em empresas privadas, surgem agora os magistrados do Ministério Púbico a fazer o mesmo.


Dizia-se hoje por aí que o Procurador Orlando Figueiredo, que teve a seu cargo a investigação do caso BES Angola, teria trocado o Ministério Público pelo BIC. Um banco, o tal que ficou com aquele bocadinho pequenino de lombo que deixaram esquecido no BPN! E um banco de capitais angolanos. Luso-angolanos, corrigir-me-ia agora Mira Amaral…


Que já negou tudo. Tanta gente mal informada... É difícil ter mão neste país!


Por este andar desconfio bem que, dentro de pouco tempo, veremos uma boa parte dos deputados a transferirem-se para as administrações de empresas de águas de mesa. A informação - seguramente privilegiada - que guardam, agora  que a Assembleia da República concluiu que a água da torneira que lhes queriam impingir fica 30 vezes mais cara que a engarrafada, abre-lhes seguramente as portas dos conselhos de administração das melhores empresas do negócio. 


Tudo tão transparente como a água. Dentro da garrafa, do jarro ou do copo!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

O princípio, ou o fim?

International recognition of the Donetsk People's Republic and the Luhansk  People's Republic - Wikipedia


Está finalmente a acontecer qualquer coisa decisiva no teatro do conflito leste-oeste em cena na Ucrânia, com Putin a anunciar ao mundo o reconhecimento da independência - auto-proclamada já em 2014,  paralelamente à anexação da Crimeia por parte da Rússia - das províncias separatistas de Donetsk e Lugansk.


Este reconhecimento é, evidentemente, o eufemismo de anexação. E, como todos os eufemismos, só serve para dourar a pílula. A dúvida neste momento é se a pílula fica dourada. Se o ficar, este poderá ser o fim da guerra há muito anunciada. Em caso contrário, é finalmente a declaração da guerra!


Se a Ucrânia - e o Ocidente - entenderem que isto não é mais que o reconhecimento de uma situação de facto, e que, na realidade, sendo doloroso, é também uma solução para o grande problema político da Ucrânia, ao estancar uma ferida aberta de difícil resolução, e Putin se ficar por aí, poderá ser o fim da guerra anunciada. E por muitos desejada.


Se estas duas circunstâncias não convergirem, é o início da guerra. Basta uma - a Rússia avançar para a ocupação militar das duas províncias; ou o Ocidente não se conformar com a confirmação do que já era uma situação de facto - para que a guerra que certamente marcará a História deste século XXI tenha acabado de começar!

Um segredo (não) bem guardado

Suisse Secrets: fuga de informação revela como o Credit Suisse aceitou  muitos milhões de euros em dinheiro sujo - Expresso


As revelações deste fim de semana da investigação do chamado Suisse Secrets, com epicentro no Credit Suisse - o segundo maior banco suíço e um dos maiores do mundo, até há poucas semanas liderado por António Horta Osório - confirmam o sistema financeiro helvético como o paraíso do dinheiro sujo e criminoso.


Lá constam os nomes de Álvaro Sobrinho e Helder Bataglia, ao lado de outros grandes nomes da corrupção instalada em governos e administrações das mais diferentes latitudes, da Venezuela ao Egipto, da Jordânica ao Paquistão, passando por toda a África.


É para que esse paraíso se mantenha que os pedidos da Justiça por parte de países que se proponham a investigar crimes financeiros caem sistematicamente em saco roto. Que as cartas rogatórias ficam sem resposta, até que os processos prescrevam. Ou que estas revelações não sejam sequer notícia na Suíça por, desde 2015, os jornalistas estarem legalmente impedidos (pena até três anos de prisão) de tratar fugas de informação de dados bancários.


O segredo do segredo bancário suíço não é um segredo assim tão bem guardado!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


A Grécia , depois da noite de carnaval de Bruxelas, cheia de mascarados mas sem samba, ficou a saber que vai receber os 130 mil milhões por que esperava.


Foi evitada a eminência de banca rota do próximo mês. Adiada por mais uns meses!


Os credores privados foram obrigados a aceitar mais bocadinho de corte no cabelo (hair cut, como se diz), passando dos anteriores 50% para 53,5% do valor nominal da dívida e ficarão já com a grande fatia destes 130 mil milhões no bolso. Sobrarão apenas 23 mil milhões, destinados à capitalização da banca.


O anterior programa tinha como objectivo fixar a dívida grega, actualmente em 160% do PIB, em 120% em 2020. Este novo programa aumenta-o em meio ponto percentual: para 120,5%!


Tudo muito diferente, como se percebe…


Mas pronto, desta vez irá tudo correr bem: a troika terá agora uma presença permanente no país, e até será criada uma conta bloqueada para garantir que o dinheiro não é desviado para outros fins que não o pagamento da dívida.


Soberania? O que é isso?  


Aposta-se que os gregos acabarão por se habituar. Mas há apostas que se perdem!

sábado, 19 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Cá para mim isto não passa de mais um episódio na guerra surda entre S. Bento e Belém. Passos Coelho não perdeu tempo. E não quis apenas mostrar a Cavaco como se faz; quis marcar a diferença e ajudar a enterrá-lo ainda mais!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Estúpida forma de suicídio


Mais um jogo, mais uma demonstração de uma equipa sem carácter e sem sombra de personalidade. Uma equipa que não é equipa!

 

É uma máxima do futebolês que uma equipa joga o que a outra deixa jogar. É um clássico que o Boavista deixa pouco que o adversário jogue, mas nem sempre é assim. Provavelmente com o jogo da meia-final da Taça da Liga, em Leiria há menos de um mês na cabeça, o Boavista, que então jogou mais e melhor, entrou convencido que há dois jogos iguais. O que vai exactamente contra outra das máximas do futebolês.

 

E por isso a equipa de Petit entrou disposta a jogar o jogo de igual para igual. Disposta, por isso, a jogar e a deixar jogar. E deu-se mal. Ou melhor, passou a dar-se mal.

 

A primeira parte dividiu-se em duas metades. Na primeira, dividiu o jogo. Foi então um jogo quase sem balizas, mas entretido. O Benfica, já com os problemas do passe e da recepção aparentemente resolvidos, e com boa dinâmica de jogo ia cimentando uma superioridade clara no jogo, culminada no primeiro golo, praticamente no fim dessa primeira metade. Um golo que, até pelo seu ineditismo, era de bom pronúncio - um remate de fora da área, de Taarabt. Duas coisas raras, mais raro ainda um golo de Taarabt, que já se julgava uma impossibilidade histórica.

 

Taarabt, a novidade na equipa que evitou o mesmo onze pela terceira vez consecutiva foi, de resto, a figura da equipa. Até pelo que o jogo acabou por ser.

 

Na segunda metade da primeira parte a exibição do Benfica chegou a ser exuberante. Marcou o segundo golo, desta vez por Grimaldo, fez mais dois, anulados por fora de jogo, em jogadas de bom futebol, e poderia ter chegado à goleada.

 

Não chegou, e depois veio o costume. Em vez de continuar com a embalagem que trazia da primeira parte, o Benfica entrou para a segunda parte para o gerir. O primeiro quarto de hora foi isso que mostrou, que a equipa trazia na cabeça a ideia de controlar o jogo no alto do 2-0, porventura com a sugestão daquele rodapé da SIC, ontem, que assinalava que o Porto goleara a Lazio por 2-1.

 

Todos sabemos que este Benfica não tem qualidade de posse de bola para controlar um jogo. Ou o assume, ou não o consegue controlar. Acresce que este Benfica de Nelson Veríssimo sofre sempre golos. E nunca marca mais de dois golos (a excepção foi aquele jogo de Tondela, onde marcou três, abdicando também da goleada). Entrar para gerir o jogo e o resultado é portanto apenas a mais estúpida forma de suicídio.

 

O que aconteceu nesse primeiro quarto de hora foi que o Boavista aproveitou essa estupidez para se colocar por cima do jogo. O Boavista destabilizou o jogo, e introduziu-lhe rapidamente a agitação na disputa da bola, nos duelos e até, aqui e ali,  na quezília. E quando uma inversão destas acontece já não há volta a dar.

 

Mais ainda para Nelson Veríssimo, que só acertará nas substituições quando for proibido de as fazer. A única que merece algumas palavras é a de Taarabt por João Mário. O marroquino tinha sido dos melhores, e é também o que melhor se adapta às condições em que o jogo já estava lançado. Não seria ele a conseguir inverter aquelas condições, evidentemente. Mas era o que mais confortável nele poderia permanecer. Pelo contrário, João Mário teria condições para inverter o rumo do jogo, mas era também, e ainda mais na fase que atravessa, o que mais facilmente poderia sair atropelado.

 

E saiu. Nem na única substituição onde poderíamos procurar alguma racionalidade, Nelson Veríssimo acertou. E o Benfica foi-se afundando a pique. O segundo quarto de hora foi um terror, e não fechou, nem poderia ter fechado, sem o  golo do Boavista que inevitavelmente seria apenas o primeiro. O segundo não tardaria muito, menos de 10 minutos. E só não veio o terceiro porque não calhou, e também porque o Boavista ficou satisfeito com o empate. Porque, em meia hora, num terço do jogo, o Boavista fez o suficiente para, pela segunda vez em menos de um mês, ter merecido ganhar o jogo.

 

Este Benfica suicida já não tem por onde se pegar. É sempre a cair, sem que se saiba onde vai parar. Nem com que estrondo. Nem em quantos cacos se vai desfazer.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


 


Toda a gente sabe que toda agente corre atrás do lucro. Não há volta a dar, nem sequer obstáculos ideológicos a colocar em dúvida este axioma. Ninguém corre atrás do prejuízo, esse está garantido ao menor descuido, não é preciso nenhum esforço para o atingir.


Mas tinha de ser. Lá tinha que vir o futebolês dar a volta a isto… Fazer das suas!


Em futebolês corre-se atrás do prejuízo. Ninguém gosta, é certo. Mas corre-se, ou é-se muitas vezes obrigado a isso, mesmo que em muitas delas simplesmente se faça de conta que se corre.


Ainda nesta semana europeia aconteceu a todos os nossos quatro representantes nas competições da UEFA. Todos correram atrás do prejuízo e quase todos continuam obrigados a isso na próxima ronda. Quase todos, porque o Sporting não está obrigado a isso. Já lhe basta os outros que por lá tem acumulados, à espera do tal investidor estrangeiro…


Começou por ser o Braga. Bem correu mas nada alcançou. E lá se ficou com um prejuízo turco bem difícil – se não impossível – de anular. Depois foi a vez do Benfica, que começou por ver os russos a correr – e como correram - atrás do prejuízo, teve depois de fazer o mesmo e, quando o agarrou, deixou-o escapar mesmo no final. Para agora ter de voltar a fazê-lo, com a diferença de o poder fazer num relvado a sério e dos bons, se bem que sem alguns dos seus melhores estafetas, cirurgicamente afastados. Um pelo árbitro, que entendeu que o Aimar deveria ser punido - por algo que ninguém descortinou - da mesma forma que Bruno Alves, por ter brutalmente arrumado com o outro, Rodrigo.


O Porto - agora reforçado com Paulinho Santos, e com as bancadas, reforçadas com o mesmo Bruno Alves, acusadas de manifestações racistas que a UEFA está a investigar - que também viu como o City soube correr atrás do prejuízo, acabou apeado. Percebeu-se que não ficaram muito preocupados e não se vê que partam para Manchester com grande vontade de fazer agora a sua parte de correr atrás do prejuízo: sentem que de pouco lhes valerá, e sempre ficam mais libertos para, na liga nacional, correr atrás do Benfica.


Também o Sporting, agora de Sá Pinto, na Polónia e por duas vezes correu com êxito atrás do prejuízo, coisa a que, se bem que sem tanto sucesso, está muito habituado.


Da mesma forma que parece que o Porto não irá a Manchester com grande vontade de correr atrás do prejuízo, também o Sporting desistiu de correr atrás dos seus. Cada vez maiores, agora que se lhes junta a indemnização a Domingos, ao que se diz despedido por Luís Duque, e não pela Juve Leo, como todos julgávamos saber. Para quem não sabia o que Luís Duque andava a fazer no Sporting ficam agora duas hipóteses: ou andou a fazer a cama ao Domingos ou a cobrir as costas do Godinho Lopes!


Pelo menos assim parece – que desistiu de correr atrás dos prejuízos – quando aposta num único cavalo: um investidor estrangeiro, que há-de aparecer à boleia no cavalo de D. Sebastião. É que o tal terceiro lugar – que daria eventual acesso à milionária montra da Champions – já só se vê por um canudo.


Mas também não se percebe de que lhes serviria a montra. Mesmo que algum jogador por lá brilhasse, não seria por aí que resolveriam o que quer que fosse: parece que já não detêm mais de 5% do valor financeiro do passe de cada jogador!


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Os jovens (e os outros) não têm emprego. Diz o governo: mudem-se, mudem-se lá para fora, emigrem. Os professores não têm emprego, e o governo diz-lhes: mudem-se, vão para Angola, para Moçambique, para o Brasil…


Os militares não estão bem. O governo diz: quem está mal mude-se! Os funcionários públicos torcem o nariz à mobilidade: mudem-se, vão embora!


Ao Presidente da República cheirou a contestação numa escola… e mudou-se. Deu meia volta e regressou a Belém! O Presidente mudou-se de Belém para Cascais para participar uma conferência sobre natalidade, na abertura do Roteiro do Futuro (???), e levou um séquito de segurança para se defender de … jornalistas!


Um ex-presidente – Mário Soares – gaba-se de ter feito mudar Sócrates. Não fosse ele a convencer Sócrates a chamar a troika e eles ainda hoje cá não estariam!


Digam lá que isto não é um país em mudança…


Até está em liquidação total, por mudança … de ramo! E com tudo doido..

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

É a democracia a funcionar?

Tribunal Constitucional manda repetir votação dos emigrantes - SIC Notícias


O Tribunal Constitucional recusou-se a validar a pantominice dos partidos, e mandou repetir a votação no círculo da Europa, em que mais de 157 mil votos acabaram considerados nulos pela mistura dos votos legalmente expressos (bem ou mal, mas é a lei que é, e essa obriga à cópia do cartão de cidadão para validar o voto) com os outros, a que faltava o cartão de cidadão. 


Marcelo, que tinha abençoado a pantominice, saltou logo fora da carroça - "é uma lição aos partidos". Uma afirmação que casa mal com outra - "Parti do princípio que não decidiam anular as eleições", rematada com "É a democracia a funcionar".


Não é. Se, pelo contrário, não for a democracia a não funcionar é, pelo menos, a democracia a funcionar mal.


Depois desta enorme falta de respeito pelos que vivem e trabalham lá fora, para onde na maioria dos casos foram empurrados, quantos emigrantes irão agora votar?

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Presidente da República não compareceu à visita à Escola António Arroio programada para esta manhã, deixando os alunos – em protesto – pendurados. Isto é: Cavaco Silva fugiu!


Fugiu desta visita - eventualmente incómoda, como se pode facilmente admitir, mas não mais do que isso – como tantas vezes tem fugido das suas responsabilidades. Este Presidente está a tornar-se especialista em fugas: foge dos problemas - dos portugueses e dos que ele próprio cria – como o diabo foge da cruz. E foge de muitas mais coisas…


E refugia-se. Como se refugiou no mais honesto quantas vezes que qualquer um para fugir aos esclarecimentos que devia ao país. Desta vez refugiou-se no medo. Não no medo de poucas dezenas de miúdos de uma escola que, evidentemente, não metem medo se não à segurança da Presidência da República. Que invocou precisamente razões de segurança para o cancelamento da visita, desmentidas e substituídas pouco depois – ainda e na mesma a partir de Belém – por simples impedimento. Mas medo de tudo: medo da contestação, medo dos 14% do desemprego e medo dos muitos fantasmas que carrega!


Medo como se nota aqui. E aqui!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

É sempre assim


Ontem foi assim. Já ia ali, e avisamos logo que hoje iria mais longe... Não nos enganamos ... porque é sempre assim!


A TVI deu o passo seguinte para que o tempo faça o seu caminho, ao serviço dos poderes instalados. Pegou num caso há muito conhecido e em investigação - que, evidentemente, não nos orgulha, mesmo estando por provar, como não nos orgulhamos da História de Vieira no Benfica - para fazer desaparecer a vergonha do que se passou na sexta-feira, no Dragão, e a vergonha maior que é o silêncio de Fernando Gomes e de Pedro Proença.


É sempre assim. Sempre que é preciso esconder algo grave no FC Porto surgem suspeitas do Ministério Público sobre o Benfica. Se não houver novas, servem-se requentadas.


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Benfica perdeu em S. Petersburgo, com o Zénite, por 3 a 2, num jogo disputado num campo impróprio para o que quer que seja, quanto mais para um jogo da milionária Liga dos Campeões, a uma temperatura de ultra-congelação.


Não gostei do jogo que, naquelas condições, dificilmente poderia ser outra coisa. Não gostei nada da derrota, sem jeito, disparatada e perfeitamente evitável. Não gostei mesmo nada, achei deplorável, vergonhosa e indigna de um profissional, aquela entrada criminosa do Bruno Alves sobre o Rodrigo, afastando-o do jogo e sabe-se lá de mais quê.


Há jogadores que não têm emenda, e o Bruno Alves é um deles. Seja onde for, num batatal gelado na Rússia ou no mais fino tapete verde, com os pés ou com os cotovelos, com os joelhos ou com a cabeça, ele, como o escorpião da estória, não resiste ao que lhe está na massa do sangue. Sempre com a cumplicidade dos árbitros, onde quer que seja…


 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

É assim


Três dias depois dos intoleráveis acontecimentos da passada sexta-feira no Estádio do Dragão, que mostraram ao mundo o ground zero do futebol em Portugal, os responsáveis pelo mundo da bola cá do burgo - Fernando Gomes, da Federação Portuguesa de Futebol, e Pedro Proença, da Liga de Futebol Profissional, continuam a fingir que nada aconteceu. Calados e mudos, como se nada tenham a ver com nada e tudo possa continuar como se nada tivesse acontecido, empurrando para o tempo a responsabilidade de tudo apagar.


Esse, o tempo, vai cumprindo com as responsabilidades que lhe são atribuídas. É o único que não as endossa, e lá vai fazendo o seu caminho. Sem perder tempo, porque de tempo sabe ele ... Hoje, ao terceiro dia, já vai aqui, nesta primeira página. Amanhã irá mais além.... 


É assim!


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Era suposto os tipos da troika chegarem hoje, mas o Passos Coelho pediu-lhes que adiassem para amanhã. Teve receio que não encontrassem restaurante para jantar, todos cheios de namorados à luz da vela…


 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Domingos sem paciência. Sporting sem paciência. Sporting sem Domingos…


Estava à vista de todos... Para as bandas de Alvalade nada muda, o poder continua na rua… Esteja quem estiver sentado na cadeira, no Sporting quem manda é a rua. Não deixa de ser estranho que, numa casa que gosta de afirmar a sua aristocracia, seja o povo a quem mais ordena!


O povo jovem, não é Sá Pinto?

sábado, 12 de fevereiro de 2022

A recuperação pode esperar


 


Começo por onde comecei a análise ao último jogo, em Tondela. Que tinha tudo o jogo da reviravolta, mas não deixou a certeza de o ter sido. Explicava depois que, ao não aproveitar a superioridade numérica durante meia hora de jogo para ir para cima do Tondela à procura da goleada, o Benfica abdicou da construir um jogo e um resultado que robustecesse a saúde psicológica da equipa.


Ao desaproveitar essa oportunidade a equipa mostrou que não estava muito interessada em sair da crise. Essa é que é essa!


Hoje, de volta à Luz, um inferno mas para os jogadores do Benfica, com o mesmo onze e a mesma fórmula de Tondela, confirmou--se que dar a volta à crise não é coisa que esteja nos horizontes do Benfica. A equipa até entrou relativamente bem, como tem acontecido com alguma frequência. Logo aos  minutos criou uma boa jogada de ataque, mesmo que tivesse deixado a ideia que tinha sido tudo mais circunstancial que trabalhado.


Pouco depois, Darwin, isolado, falhou a baliza. E minutos mais tarde, Vertonghen atirou ao poste - mais uma vez nos ferro. Na resposta o Santa Clara chegou pela primeira vez à área do Benfica. No primeiro remate ... grande defesa de Vlachodimos. E na recarga, golo!


O árbitro assistente assinalou fora de jogo, mas o VAR encontrou linhas, e 14 centímetros, para reverter a decisão.


O relógio marcava 20 minutos, e vinha à memória uma expressão popular - "quando um homem está com a azar até a mulher tem filhos dos outros". Os jogadores do Benfica sentiram o golo, e a equipa afundou-se, perdida nos seus medos e na sua incapacidade. E, em vez ideia de azar, ganhava corpo a ideia que as orte dá muito trabalho.


Os 10 a 15 minutos que se seguiram ao golo foram de todo lastimáveis,. E os 10 minutos finais pouco menos que isso, e no fim da primeira parte o Benfica não tinha um único remate à baliza do Santa Clara. Apenas quatro remates, todos para fora!


A segunda parte não começou diferente, o intervalo não deverá ter servido se não para descansar, mesmo que não houvesse grandes razões para que os jogadores estivessem muito cansados. E foi o Santa Clara, mesmo desfalcado de algumas das suas principais unidades, a estar por cima do jogo no primeiro quarto de hora. Aos 58 minutos Nelson Veríssimo fez as primeiras substituições, com a entrada de Yaremchuk e Taarabt, por troca com Everton - a voltar à sua habitual intermitência -e com Paulo Bernardo que, percebe-se, sabe jogar à bola, mas não passa daquilo. Desta vez, ao contrário do que é costume, as substituições funcionaram. Mesmo que, em boa verdade, tenha ficado a ideia que, mais que as substituições, foi o penalti, completamente desnecessário, sobre Rafa, que até já ia a sair da área, no mesmo minuto, que mudou o jogo. Quando duas coisas acontecem ao mesmo tempo é difícil saber qual é que influenciou o quê.


Com o golo do empate, na superior conversão do penalti por Darwin, e com a movimentação e a capacidade física de Yaremchuk e de Taarabt, o Benfica mudou o jogo. O Santa Clara reagiu de imediato ao golo, e vá lá saber-se se não foi essa reacção a abrir os espaços para o segundo golo, de novo de Darwin, logo a seguir, dois minutos depois. 


Em dois minutos o Benfica dava a volta ao resultado, e partiu então para o domínio completo do jogo. Sol de pouca dura, não durou mais de 10 minutos o único período de futebol aceitável que a equipa apresentou hoje,. Depois tentou controlar o jogo com bola, mas acabou com o credo na boca. Dos jogadores e dos adeptos. Qual deles os mais desconfiados. E descrentes!


O jogo de ontem, no Dragão, foi uma vergonha. Foi vergonhoso o comportamento dos jogadores durante o jogo, em especial os do costume - Pepe, Otávio e agora também Evanilson. E inqualificável o que aconteceu depois do apito final. Ficamos agora à espera das consequências disciplinares dessas vergonhas, mesmo sabendo o que a casa gasta. Nada vai dar em nada, tudo vai ficar na mesma. É assim há 40 anos. 


Mas, no pouco tempo em que os jogadores quiseram jogar à bola, vimos uma intensidade - e até qualidade - que não vimos no Benfica. E isso explica porque este Benfica não consegue ganhar um jogo a estes adversários. E porque tem tantas dificuldades com os Morerirenses, os Gil Vicentes e os Santas Clara deste campeonato.


 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Uma fraude em breaking news

É horrendo o que uma pessoa isolada pode fazer a partir de casa": Bacelar  Gouveia e as lições que temos de tirar do ataque terrorista travado na  Universidade de Lisboa - CNN


 


A Polícia Judiciária impediu um atentado terrorista na Faculdade de Ciências, em Lisboa. Ou um ataque em massa a estudantes, professores e funcionários da Faculdade. Ou - mais parece - uma experiência criminosa, mesmo carregada de terror, a um rapaz tresloucado.

 

Na verdade a PJ, alertada pelo BBI, deteve um rapaz de 18 anos, pouco sociabilizado e fascinado pelos frequentes ataques a escolas nos Estados Unidos, que teria a acção aprontada para amanhã. Sabemos que todos os dias, se calhar não tantos por cá, mas seguramente pelo mundo fora, são evitados dezenas ou centenas de actos terroristas. Sabemo-lo porque isso é noticiado. Exactamente assim, como a notícia de uma estatística.

 

Provavelmente a própria Polícia Judiciária forneceu a notícia nessa perspectiva. Mais em cima do acontecimento, é certo. Mas isso até poderá dever-se à menor frequência de notícias deste tipo que tem para dar. Como são poucas, deteve o rapaz de manhã e revelou-o ao fim da tarde.

 

E, claro, foi um filão para as televisões, todas "CMTVizadas". Umas mais que outras, mas todas na mesma onda.

 

A  CNN Portugal surgiu ainda não há três meses, prometendo revolucionar o panorama da televisão, e reclamando um estatuto único - ninguém nunca fizera nada igual e era verdade a acabar de chegar pela primeira vez a Portugal. Afinal ... limita-se a copiar a CMTV. E como copiar é fácil, é hoje uma cópia tão fiel que chega a ser difícil distinguir o original.

 

Ao final da tarde deu a noticia. Em primeira mão, como por toda a noite e a todos os minutos reivindicou. Nessa primeira notícia dava conta de um ataque terrorista - claro - que estava planeado para amanhã no Instituto Superior Técnico, e abriu logo ali o filão, começando a surgir comentadores de todo o lado com as banalidades do costume. Dez ou quinze minutos depois, o primeiro directo. Lá está, o directo - a alfa e o ómega desta forma de fazer televisão. 

 

Dois directos, logo a abrir, e anunciar novos dados. O novo dado era, então, e de fonte que não poderiam naturalmente revelar, que o atentado teria lugar no ... Instituto Superior Técnico. Que a repórter começaria por identificar por Instituto Técnico Superior. O segundo repórter não acrescentava nada, limitou-se a babar-se com a grande revelação da colega a revelar o que o pivot em estúdio, agora também ele próprio a babar-se com a nova revelação, tinha revelado na notícia inicial. Cinco minutos depois, talvez nem tanto, o Instituto Superior Técnico passou a Faculdade de Ciências, como se nunca tivessem existido nem fontes nem Instituto Superior Técnico. Ou mesmo Instituto Técnico Superior. Em fundo passavam imagens do FBI, e muitas bandeiras americanas...

 

Este foi apenas o início do festival da CNN/CMTV. Repórteres por todo o lado em directos durante toda a noite ... sempre a dizer exactamente a mesma coisa. Especialistas de tudo a perorar sobre tudo. E comentadores tudólogos a debitar generalidades. Horas e horas a fio, durante toda a noite. E certamente a repetir amanhã durante todo o dia. Em breaking news, obviamente. 

 

Esta CNN é . of course - uma fraude!

 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Como é natural nestas coisas o rótulo de piegas que Passos Coelho quis colar aos portugueses não é lido da mesma forma por toda a gente. Os mais indefectíveis da costela  liberal não pouparam esforços na lavagem, numa competição de fazer inveja aos publicitários do branco mais branco não há. Um gigantesco estendal onde se disputava o título do mais branco entre aquela brancura toda…


Só que tudo aquilo está muito amarelecido. Todos utilizaram detergentes de marca branca!


Os mais despachados na tarefa do branqueamento baseavam-se no local, no ambiente. Aquilo era dito numa escola, perante crianças – dadas por natureza, e cada vez mais, á pieguice – a quem se deve incutir um espírito proactivo, incentivar os valores do trabalho e da determinação e, ao invés, denunciar a passividade e a preguiça.


Amarelo. Amarelo bem escuro! Visto e revisto o vídeo, fica claro que aquela incursão pela pieguice está fora daquele contexto, que aquela mensagem não é dirigida àquela plateia que tem pela frente mas um recado ao país. Não se destina àquelas crianças, mas aos lamechas dos portugueses que se andam por aí a queixar sem nenhuma razão de queixa!


Essas peças, tão amarelecidas que estavam, foram sendo retiradas do estendal. Já poucas se vêm por lá…


Outros, porventura menos apressados, recorreram a uma técnica mais rebuscada e resolveram utilizar a própria pieguice como detergente. Piegas e lamechas, como Pedro Lomba hoje no Público (na impossibilidade de link para o jornal, fica o link para uma reprodução no Corta Fitas), dizem que outros, noutras alturas, disseram exactamente o mesmo sem que ninguém lhes saltasse em cima. Que não sei quando Jorge Sampaio disse exactamente o mesmo. Que até Sócrates, elogiara os agricultores do Oeste que não se tinham ficado pelas lamúrias quando as suas estufas foram destruídas por aquele mini-tornado de há uns dois anos.


Só que a esses tudo é perdoado! O pobre do primeiro-ministro é atacado quando se limita a fazer constatações que, feitas pelos outros a quem tudo se perdoa, são elogiadas e exaltadas.


Amarelo, de novo. E essa nunca branqueará!


Jorge Sampaio – numa altura em que, como hoje, é simplesmente ex-presidente da república - disse que Portugal precisava "uma iniciativa privada que não esteja sempre com lamúrias". E, noutra circunstância, terá repetido La Palisse, ao dizer que "não é com lamúrias e braços caídos que se resolvem os problemas". Sócrates elogiou os agricultores por não ficarem na lamúria”, nada que, como é óbvio e evidente, se compare, quer na forma quer na substância, com o discurso piegas do actual primeiro-ministro. Para além do pequeno pormenor do contexto!


Vamos a ver se há mais tentativas. Com estas não vão lá…

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Benefício da dúvida

Executivo do PS toma posse - Política - Correio da Manhã


 


“"Não farei convites antes da proximidade antes de 23”, disse, referindo-se à data marcada por Marcelo para dar posse ao Governo - lê-se no Expresso, sob o título "" Costa sem pressa para o novo governo".


Olhamos e não bate certo. Lemos, e o que está escrito é que António Costa disse que não faria convites para a constituição do governo antes da "data marcada por Marcelo para dar posse ao Governo". Isto é, a crer no rigor da Expresso, Costa apenas irá convidar os ministros para o seu governo depois de terem sido empossados como ministros no seu governo.


Não há dúvida que o Presidente marcou mesmo a tomada de posse do governo para o próximo dia 23. A dúvida é se o "antes" a mais que baralha isto tudo terá de ser creditado à maneira meio trapalhona como o primeiro-ministro geralmente se expressa; ou se à maneira meio trapalhona de dar notícias a que o Expresso nos vai habituando.


Não sei bem mas, desta vez, acho que dou o benefício da dúvida a António Costa,. Até porque acaba de sair do Covid, o que se saúda. Mas se o o Expresso vier a noticiar que um ministro qualquer não aceitou o convite lá se vai o benefício da dúvida...


 


 

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Estão apurados os finalistas da Taça de Portugal, uma final inédita entre o Sporting e a Académica. E no entanto parece que não há taça. Porque não houve taça! Não aconteceu taça que, em futebolês, é a mesma coisa!


Há taça, ou acontece taça, quando há surpresa. Quando ganha quem não seria suposto ganhar, quando David ganha a Golias!


Houve taça lá mais para trás, quando a Académica ganhou ao Porto, afastando-o da prova. Bem cedo, diga-se a propósito. E quando o Marítimo fez qualquer coisa semelhante ao Benfica, logo nos oitavos de final.


Houve taça para a Académica e para o Marítimo. Só que para o Marítimo a taça que houve foi sol de pouca dura. Apanhou de seguida Sporting em Alvalade e deixou de haver taça… Perdeu-se a taça aí e não voltou mais a aparecer. Esteve quase, mas estas coisas não se fazem de quases. O Nacional, que era quem então poderia resgatar a taça, esteve a ganhar em Alvalade até à última jogada, quando no forcing final da equipa de arbitragem chegou o empate. Na segunda-mão, no Funchal na última quarta-feira, a mesma coisa: o senhor que vai representar a arbitragem nacional no próximo europeu da Polónia e da Ucrânia não gostou que houvesse taça!


Estranha tendência, esta! Parece que, nos últimos anos, estes senhores que vão arbitrar nas fases finais das provas da FIFA ou da UEFA são mordidos por um bicho qualquer…


Mas estávamos a falar de não ter havido taça. E não houve mesmo taça no Funchal. Nem poderia haver, tal o estado de necessidade a que o Sporting tinha chegado, depois da eliminação da Taça da Liga. Sem conseguir sequer ganhar um jogo: uma derrota e dois empates. E que empates…


Ah! Mas não houve taça, era aí que íamos. Não há taça, logo quando o grande objectivo da época para o Sporting, como foi dito e redito por estes dias pelos seus responsáveis, - eu pensava que seria uma classificação nos três primeiros lugares do campeonato, que dão acesso à aos milhões da Champions League, que tanto jeito devem dar – é a conquista da Taça de Portugal!


Dir-se-á que poderiam deitar a mão à taça que a Académica traz. O problema é que também a Académica lá chega sem que tenha havido taça porque, a haver taça, seria a Oliveirense a estar no Jamor. Houve taça na tal eliminatória com o Porto, mas já foi há tanto tempo que a Académica não leva para o Estádio Nacional mais que um ligeiro cheiro a taça. É a isso, a um ligeiro cheiro a taça, que o Sporting pode neste momento aspirar. Porque, se houver taça, será a Académica a ganhá-la… Só assim haverá taça!


O que é pena, porque será certamente mais uma grande tristeza lá para Alvalade. E, como se sabe, tristezas não pagam dívidas. Isso só os tais investidores…

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A guerra que já começou

Grupo ″hacker″ português reivindica ataque a 61 sites do Brasil


 


Há poucas semanas foi um grupo de comunicação social a sofrer um ataque cibernético. A SIC, o Expresso e a Visão foram gravemente atingidos, e foi visto como um ataque à democracia e à liberdade, em particular à liberdade de expressão.


Agora foi a Vodafone, e as consequências foram ainda mais graves. Foi grande parte do país que foi gravemente atingido, com parte significativa das suas mais diversas instituições paralisadas. 


A vulnerabilidade do país a estes ataques criminosos ficou desta vez bem mais exposta. E os portugueses tiveram agora a percepção da  guerra instalada no ciber-espaço, e do problema central da ciber-segurança. 


Enquanto se fala da iminência da guerra na Europa, a partir do conflito russo-ucraniano, parece que se esquece que esta guerra sem tiros nem bombas já começou há muito. Sem que se fale em cimeiras de paz!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O Manchester City, que na próxima quinta-feira visita o Porto para disputar o jogo da primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa, publicou no seu site um aviso aos adeptos para que se tomassem dos devidos cuidados com os carteiristas do Estádio do Dragão.


Evidentemente que este aviso choca os portistas, choca os portuenses e choca todos os outros portugueses. Até porque, se já estamos a ficar habituados a ser abusados e insultados pelos alemães e outra gente do norte da Europa, não esperávamos ser agora também achincalhados pelos nossos mais velhos aliados. Logo eles que tanto e há tanto tempo gostam de Porto. Do vinho, of course!


Pois bem. Estou em condições de adiantar que tudo isto não passa de uma mera e infeliz confusão, que não belisca minimamente a nossa mais antiga aliança nem põe em causa as exportações do precioso néctar.


É certo que há aqui um pouco de má vontade. Como se sabe o Manchester City é propriedade de uns senhores árabes muito ricos. Mouros, dos puros: coisa que, como é sabida, não é muito apreciada para os lados do Dragão. Eles sabem disso… E isso explica a parte da má vontade!


Falta a outra. Eles não sabem apenas que por ali os mouros não são muito apreciados. Eles sabem que muita gente se queixa de ali ser indecentemente roubada. Ouviram falar em autênticos roubos de igreja no Dragão e, como sabem que os seus adeptos não irão levar para lá igrejas mas apenas as suas carteiras, felizmente - para eles - bem mais recheadas que as nossas, aconselham-lhes os devidos cuidados.


Apenas isso. Espero que, depois desta explicação, portistas, portuenses e portugueses em geral, deixem os adeptos dos citizens esvaziar tranquilamente as carteiras para encher o bucho de cerveja...

Despropósitos

Marcelo recebe bicampeões europeus: "Tinha a certeza de que íamos virar o  jogo na meia-final e na final" - Futsal - SAPO Desporto


 


Foi só a mim que pareceu que, falar dos fundos europeus na homenagem aos campeões europeus de futsal, foi como falar das contas da campanha na noite das eleições?


No despropósito é tudo igual. A única diferença é que o presidente Marcelo aproveitou a vitória que tinha à frente para falar de uma derrota que (ainda) não aconteceu; enquanto Rui Rio teve que inventar uma vitória para não falar da derrota que tinha à frente!

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


Restam cada vez menos dúvidas que este governo, e Pedro Passos Coelho em particular, entendem que estão investidos da nobre missão de punir os portugueses, essa cambada de preguiçosos e malandros que não gosta de trabalhar e que nada mais vê que feriados e pontes, folia e carnaval. Que vive há anos no dolce fare niente de sol e praia, entre festas e copos, à custa do dinheiro que foi pedindo emprestado até não poder mais!


Pedro Passos Coelho não se sente na pele do capataz da União Europeia e do FMI, que tem por missão exclusiva velar pela execução das suas ordens: sente-se na pele do carrasco que executa a pena com sádico prazer.


Sente que está incumbido da missão histórica de livrar o universo de uma espécie humana que não tem cabimento na sua visão do mundo, por acaso a mesma dos pobres coitados que, enganados e vigarizados por essa cambada, despejaram generosamente o seu dinheiro pelo pequeno rectângulo da ponta ocidental da Europa onde, ao longo de anos, se foi concentrando a última casta da humanidade que acreditou poder viver do que caía do céu. Por isso os enxota do conforto do rectângulo, pouco lhe importando o destino que tomam. Manda emigrar uns enquanto vai exterminando os outros!


É assim que se percebe o discurso piegas. É assim que se percebe a estória do carnaval. É assim que se entende a extinção de feriados, mesmo que marcantes da construção da identidade nacional. E é assim que se compreende que um primeiro-ministro possa mandar dividir o PIB por 365 para saber quanto custa cada feriado!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Ao ritmo do puxão de orelhas


Tinha tudo para ser o jogo da revolta - e da reviravolta - este de hoje, em Tondela. No fim, não fica a certeza que o tenha sido.


Mesmo com uma boa triangulação logo aos 3 minutos, que Darwin não conseguiu concluir em golo por mérito da saída do guarda-redes adversário, o Benfica não entrou assim tão bem no jogo, e as maleitas não pareciam de todo curadas. Muitos passes falhados e muitas bolas perdidas, em especial no primeiro quarto de hora, tiravam fluidez ao jogo  e permitiam ao Tondela levar com facilidade o jogo para o meio campo do Benfica. E até introduzir a bola na baliza de Vlachodimos, num lance logo anulado pelo árbitro assistente, e confirmado pelo VAR, por 24 centímetros, em que também pareceu que a bola já teria saído quando foi cruzada.


Era no entanto notório que os jogadores se entregavam ao jogo de forma diferente da dos jogos anteriores. A equipa estava mais organizada e, acima de tudo, mais intensa e a reagir melhor à perda da bola. Foi assentando o seu jogo, desta feita num 4-4-2, com Darwin e Gonçalo Ramos,  e passou a mostrar que já havia ideias, que os jogadores sabiam o que tinham para fazer, a exibição começou a ganhar tons bonitos e as oportunidades de golo começaram a surgir com grande frequência.


O primeiro golo saiu dos pés de Everton, a concluir com classe uma bela jogada de ataque, a ainda a primeira parte não tinha chegado a meio, logo na resposta ao tal lance do fora de jogo do Tondela. Logo a seguir, Everton - de longe o melhor pelo que fez na a primeira parte - só não mar ou o segundo porque a bola foi devolvida pela barra. Dez minutos depois Darwin fez do segundo golo uma obra prima. E outros tantos depois foi o poste  - o Benfica é o campeão das bolas nos ferros, já são quase tantas como os golos marcados - a negar-lhe também o golo.


Acabou assim a primeira parte, com dois golos, duas bolas nos ferros, e mais um punhado de ocasiões de golo criadas, numa exibição com espaços de bom futebol e .... tranquila. Finalmente um jogo tranquilo. Que bom que é!


A segunda parte arrancou no mesmo tom, e o terceiro golo chegou logo ao 8 minutos. Mais uma bela jogada, com assistência perfeita de Everton e conclusão de Gonçalo Ramos. A partir daqui só se poderia esperar mais golos, até mais uma goleada, de que tantas saudades tínhamos. A equipa jogava bem, só poderia estar cheia de fome de golos, e o Tondela, sempre muito vivo e resistente, teria finalmente de se entregar ao destino que o jogo lhe traçara. Para mais, logo a seguir, ficaria reduzido a dez, com a expulsão por segunda amarelo ao seu lateral esquerdo.


Só que - e agora é altura de voltar ao início - a partir daí os jogadores do Benfica decidiram voltar ao conforto  do dolce fare niente. E, em vez de mostrarem revolta e fome de sucesso, e de mostrarem aos adeptos que este era mesmo o jogo da reviravolta, regressaram à displicência. No banco, o treinador mostrava que estava de acordo. E desatou a tirar os melhores para fazer as substituições a que já estamos habituados. Entraram todos, os do costume.


E contra dez, o Benfica perdeu esse novo jogo de ... meia hora. Lá se foi a goleada, e lá se foi essa hipótese que parece cada vez mais remota de um jogo sem sofrer golos. E a oportunidade de um resultado e de um jogo convincente, que não deixasse reticências. Que até a forma como sofreu o golo - mais uma vez de um canto, que já nasceu com a defesa aos papéis, para acabar com a defesa a dormir, com Otamendi fora de campo, depois de assistido pelo atropelamento de Vlachodimos, que dra no canto.


Parece que este jogadores só trabalham com puxões de orelhas. Jogaram como o fizeram uma hora depois do puxão de orelhas de Rui Costa. E só voltaram ao jogo depois do puxão de orelhas que foi o golo sofrido. Não se lhes pode dar folga, como se faz às crianças mais mal comportadas. E não me parece que tenham lá paizinhos para não lhe dar folga. Nelson Veríssimo não é paizinho para puxar orelhas É mais para desculpar sempre os meninos: "o golo não pode apagar a exibição que a equipa fez". Pode, pode, Nelson. Pode apagar isso e muito mais! 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...