

Consegue perceber-se o alinhamento acrítico do PCP com o regime cubano, com o da Nicarágua ou com o da Venezuela. Consegue até perceber-se que encontre, agora, fortes afinidades com o regime chinês, quando ainda há pouco tempo - tempo histórico, naturalmente - não se podiam ver.
Nada é absolutamente é líquido, mas conhecendo-se a história do PCP, consegue perceber-se. Consegue perceber-se o alinhamento e a fidelidade de sempre com a então União Soviética, que fez dele o único Partido Comunista ocidental a obedecer caninamente ao PCUS até ao fim. Percebe-se o fascínio pela mãe Rússia. Já não se consegue perceber, de todo, o seguidismo e o fascínio pelo regime de Putin. Que contraria toda a sua doutrina e apoia, promove e financia a extrema direita pelo mundo fora, que o PCP garante combater. Não se consegue perceber como, no concerto internacional, possa surgir ao lado de Marine Le Pen, de Salvini, de Trump ou de Bolsonaro no apoio a Putin.
Mas estar do lado da guerra de Putin como se colocou, como manifesta no Avante, e como ontem expressou na Assembleia da República, o ainda líder parlamentar do PCP, João Oliveira, ultrapassa as fronteiras da racionalidade com a mesma violência com que Putin ultrapassa as da Ucrânia!
Isso não foi antes de a invasão ter começado? É que meio mundo também achava que não ia haver guerra nenhuma, do mesmo modo que ninguém achava que o PS ia ter maioria absoluta.
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