domingo, 31 de março de 2019

Não foi bonita a festa, pá


 


Bolsonaro quer que hoje seja dia de festa no Brasil. Bolsonaro quer os brasileiros em festa para comemorar o dia 31de Março de 1964, o dia em que foi instaurada a ditadura militar, que durou até 1985.


Não houve festa certamente. Mas, se houve, não foi bonita, pá...

sábado, 30 de março de 2019

Cada jogo são dois

Benfica-Tondela, 1-0 (crónica)


 


À 24ª quarta jornada do campeonato, a dez do fim, o Benfica foi ganhar ao Dragão e passou para a frente do campeonato, com uma almofada de dois pontos, que lhe garantia uma pequena margem de erro. A manutenção dessa pequena vantagem dava-lhe um pequeno conforto. Sabia que podia errar uma vez, e o rival sabia que não podia errar mais.


Quando o Benfica esgotou essa margem logo no jogo seguinte, com o Belenenses, ficou claro que os nove jogos que faltava disputar não eram mais os nove jogos de cada um. Ao Benfica e ao Porto não faltavam 18 jogos, nove a cada um. Faltavam nove jogos, os dois jogos que ambos tinham de disputar iriam fundir-se num único.


Os dois que já passaram confirmaram isso mesmo. O Moreirense-Benfica e o Porto-Marítimo foram um só jogo, que deixou a (falsa) ideia que ambos passaram com igual clareza e igual mérito. Só que se viu como tudo foi facilitado na parte do jogo disputada no Dragão, e como tudo foi complicado na parte disputada em Moreira de Cónegos.


Depois da paragem para as selecções hoje voltou-se ao campeonato, como bem se percebeu ao longo da semana, e ao tal jogo dos dois jogos: um em Braga, onde o Porto se deslocava, e o outro na Luz, que recebia o Tondela. E voltou a ver-se como tudo foi diferente: em Braga, quando o Porto estava a perder, o árbitro que foi membro dos Súper Dragões, não teve dúvidas em assinalar dois penaltis estranhos que viraram o resultado, e deram a vitória aos do Porto. Na Luz, aos 10 minutos de jogo, dentro de um quarto de hora inicial ao nível do Benfica de Bruno Lage, com sucessivas oportunidades claras de golo, com o resultado em branco, o árbitro leonino Carlos Xistra, que já afastara o Benfica da final da Taça da Liga, não assinalou um penalti claro cometido sobre Samaris.


E, enquanto o Porto não precisou de jogar nada para passar aquele que era o obstáculo mais difícil que tinha no calendário, o Benfica teve de dar tudo, e até de perder a cabeça, para ganhar a um dos últimos do campeonato, em posição de descida.


E foi isto o jogo dos dois candidatos ao título, confirmando-se que ao Porto basta comparecer nos jogos para os ganhar. 


Na parte deste oitavo jogo a contar do fim que se jogou na Luz, tem de dizer-se que, tendo em contas todas as vicissitudes de um jogo de futebol, que aparecem sempre todas em todas estas partes destes jogos, o Benfica acabou por ser ser feliz.


Depois de um quarto de hora inicial de grande nível, com três oportunidades claríssimas de golo, com um penalti negado e com um golo anulado por fora de jogo milimétrico de Jonas na assistência para André Almeida, isto é, com tudo para resolver o jogo, a qualidade do futebol começou a cair à medida que os alimentadores do jogo do Benfica, especialmente Gabriel,  começavam a falhar nos passes.


O Tondela defendia lá atrás, sem dar espaços. Cada minuto que passava era um tónico suplementar para os seus jogadores correrem ainda mais, disputarem com mais vigor as bolas divididas, e ganharem a maioria dos ressaltos.


No final da primeira parte o domínio do Benfica era avassalador, com seis grandes oportunidades de golo, mas só isso... 


No arranque da segunda parte Bruno Lage começou logo a arriscar - não tinha como não o fazer - fazendo entrar Seferovic para o lugar de Samaris. Os primeiros 10 minutos da equipa voltaram a ser de bom nível, com o Benfica a voltar a marcar, por Jonas. E num golo à Jonas, daqueles que só ele consegue fazer. O VAR chamou a atenção de Carlos Xistra, que - por quem sois! - evidentemente anulou. O André Almeida não tentou proteger a cara com as mãos, num alívio à queima roupa de um defesa adversário. Nada disso, jogou deliberadamente a bola com as mãos, concluiu e mostrou Xistra.


Esta decisão enervou claramente os jogadores do Benfica (pudera, vêem bem o que se passa do outro lado) e a equipa passou mesmo a jogar mal, sobre brasas. Bruno Lage apostava tudo.  Até na sorte, ao apostar no milagre Taarabt... Talvez por isso a sorte lhe não tenha virado as costas, nas duas ou três oportunidades de golo que o Tondela, já a jogar no campo todo, foi criando. Mais aí, que no golo da vitória aos 84 minutos, que aconteceu justamente porque o Tondela já jogava no campo todo.


E pronto, nestas coisas das dificuldades do calendário, com que tanta gente gosta de se entereter, agora é o Benfica que está em maiores dificuldades. Na verdade está agora, como tem estado até agora. Já ninguém tem dúvidas que o Benfica apenas será campeão se ganhar todos os jogos!


 

sexta-feira, 29 de março de 2019

Brexit: o dia D

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No dia em que era suposto os britânicos estarem de malas aviadas da União Europeia, num exuberante bye-bye europe, o seu parlamento está apenas a chumbar pela terceira vez o acordo de saída.


Desta vez Theresa May estava por tudo e, veja-se ao que chegou, prometeu demitir-se em troca da aprovação. Entregou ela a sua própria cabeça. Nem assim, nem já sem cabeça May consegue sair do buraco em que se meteu. 

Mistérios de vida*

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Numa semana em que a morte levou traiçoeiramente o João Vasconcelos, aos 43 anos, um dos melhores de nós, atirando-nos brutalmente contra a realidade da vida a que não podemos deixar de chamar injusta, num não menos insondável mistério, a mesma morte deixa-nos um milagre de vida.


A mesma morte que levou o João tão cedo levara, mais cedo ainda, Catarina, uma jovem canoísta com apenas 26 anos. Estava grávida de 12 semanas do seu primeiro filho quando, na sequência de uma crise de asma, no Natal passado, lhe foi declarada a morte cerebral, já Hospital S. João, no Porto. Entendeu a equipa médica que havia condições para prolongar a gestação, mantendo o corpo da jovem em suporte artificial de vida até à melhor oportunidade para o nascimento do filho, decisão que teve o acordo da família materna e do pai.


Já há três anos, em Lisboa, tinha ocorrido um bem-sucedido caso de gestação em morte cerebral, depois de 107 dias de desenvolvimento intra-uterino com a mãe em suporte de vida.


O Salvador, assim se chama o filho a que, morta, Catarina conseguiu dar vida, nasceu às primeiras horas de ontem, um dia antes do previsto, por complicações na assistência respiratória. Desligada a máquina, a mãe vai hoje a enterrar, 91 dias depois de, a 26 de Dezembro do ano passado, ter sido chorada pela primeira vez a sua morte.


Também de morte se faz vida. Bastava isto para fazer da vida o mais extraordinário dos mistérios. Mas também a mais interminável das discussões…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Mandatos na Assembleia da República

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Hoje, aqui ao ladofala-se do número de deputados, e de como os votos se transformam em mandatos. Mas também de despedida...

quinta-feira, 28 de março de 2019

Do que esta gente (não) se lembra

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Depois de ontem terem ouvido o actual governador do Banco de Portugal, com grande falta de memória, diga-se de passagem, os deputados da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos vão finalmente hoje ouvir Vítor Constâncio, o anterior governador, entre 2000 e 2010.  Que sempre se escondeu atrás da sua condição de vice presidente do BCE para não dar explicações sobre nada, de tudo que tem para explicar.


Depois de tanta coisa se ter varrido das lembranças de Carlos Costa, é grande a expectativa sobre o estado da memória de Vítor Constâncio, a dois meses do fim do mandato que, garantiu sempre, o impedia de prestar declarações aos deputados. Terá certamente muito para contar, se a memória o não trair. Não deixaria de ser dramático se, agora que já pode falar, não se lembrasse de grande coisa.

quarta-feira, 27 de março de 2019

O défice

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Mais que 0,5% - défice mais baixo da democracia -  é definitivamente a sublimação do défice. Acredito mesmo que este défice recordista tenha sido tão martelado como tantos outros, no passado. Só que em sentido inverso, enquanto estávamos habituados a números de ginástica encontrar números mais curtos, estou convencido que, agora, a ginástica foi para aquilo que deve servir - para fazer crescer!


Não tivesse o governo que pensar nos aliados da esquerda que o viabilizam e o défice seria até nulo, ou muito mais perto disso. 


Que quer isto dizer? Quer dizer que o défice, goste-se ou não, concorde-se ou não, é ainda a questão central da governação. Governou-se para o défice durante a troika e continua a governar-se para o défice depois dela.


Há vida para além do défice? Há, mas não é a nossa!

O poder de fazer leis

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Aqui ao lado, hoje fala-se de fazer leis.


 

terça-feira, 26 de março de 2019

Gaza, mais uma vez!


 


Sabe-se que Netanyahu massacra a Faixa de Gaza apenas por duas razões: por tudo, e por nada. Desta vez bastou-lhe que Trump reconhecesse, contra o consenso internacional há muito estabelecido, a soberania israelita sobre os Montes Golã. E a campanha eleitoral em curso em Israel, onde as coisas lhe não estão a correr de feição.


 


 

segunda-feira, 25 de março de 2019

De derrota em derrota até à humilhação final

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A três dias da data fixada para o Brexit, o Parlamento Britânico afastou Theresa May e o seu governo da condução do processo.


A Theresa May não bastou perder dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano... Teve mesmo que chegar à humilhação final.

O desgosto mata

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Já pouca gente se lembrará do Sr Schauble, mas dou uma ajuda: era aquele senhor alemão, em cadeira de rodas, que fazia as delícias de Maria Luís Albuqerque que, por sua vez, fazia as delícias de Pedro Passos Coelho. 


Ai aquele ar embevecido com que olhavam uns para os outros... Nem os olhares apaixonados de marido e mulher neste governo lá chegam...


Bom. Mas estava a falar era mesmo do Sr Schauble, o ministro das finanças da Srª Merkel, quando ela era bruxa má. Tão má que até tinha aquele ministro das finanças para assustar os mais pequenos. Pois o Sr Schauble vem agora pedir desculpa, e mostrar arrependimento pelas maldades que fez. E diz-se triste.


É de partir o coração: “Bem… sinto-me triste, porque tive um papel em tudo isso. E penso como podíamos ter feito as coisas de forma diferente“.


Vá, Maria Luís... Vá lá dar um conforto ao senhor. Bem sabemos como o desgosto mata!

domingo, 24 de março de 2019

Trapalhices

capa Jornal A Bola


 


 


Olha-se para esta primeira página deste jornal e, cá em baixo, a letras mais pequenas, ficamos a saber que Luís Filipe Vieira pretende subir a cláusula (de rescisão do contrato) de João Félix (já fixada em 120 milhões de euros) para 200 milhões. No entanto já tínhamos visto, porque está lá em cima, a letras muito maiores, que 100 milhões, é o valor mínimo que Benfica admite encaixar.


Jorge Mendes e milhões à parte, quem tiver acabado de chegar de Marte pode achar que Luís Filipe Vieira, o tal que quer subir o valor por que será obrigado a ceder os direitos desportivos do jogador, não tem nada a ver com o Benfica, a quem basta metade desse valor. E achar que é uma primeira página aceitável para capa de jornal.


Como não consta que andem por aí marcianos, é bem provável que haja quem ache que Luís Filipe Vieira não anda bem da cabeça. Ou, sei lá, até que a eurodeputada Ana Gomes é bem capaz de dizer umas coisas acertadas... E que Luís Filipe Vieira é um intrujão e um trapaceiro... 


Pode ser. Mas eu não descartaria a hipótese de, intrujão e trapaceiro, ser mesmo o jornalismo que é capaz de fazer uma primeira página destas, a chamar estúpido a toda a gente. Não é apenas a Luís Filipe Vieira que está a chamar estúpido. É mesmo mais aos leitores.


 


 


 

sexta-feira, 22 de março de 2019

quinta-feira, 21 de março de 2019

A tragédia de Moçambique*

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Não ficamos, nem poderíamos ficar, indiferentes à tragédia que o ciclone tropical Idai provocou, especialmente em Moçambique, mas também no Maláui e no Zimbabué.


Pela dimensão do fenómeno, apontado já como um dos piores, se não o pior desastre climático no hemisfério sul, mas acima de tudo pela estreita relação que mantemos com aquela terra e aquela gente.


Mais de milhão e meio de pessoas afectadas, centenas de mortes e de desaparecidos, e a mártir cidade da Beira totalmente destruída, num cenário apocalíptico a que é difícil sobreviver. Depois de 16 anos de destruição em guerra civil, e das cheias de 2000…


As contas da dimensão da estratégia estão por fechar. Estão mesmo longe de ser fechadas, e isso, não conhecer a sua verdadeira dimensão, é a outra tragédia deste momento trágico.


A emergência é total, e não dá tréguas. É preciso resgatar e alimentar pessoas desesperadas, dar-lhes comida, água, abrigo, segurança. E à vista está já uma gigantesca emergência médica para enfrentar dificuldades que, às necessidades dos cuidados imediatos, acrescenta as dos riscos de doenças provocadas pela proliferação de infecções ou pelo consumo de água imprópria.


Moçambique é um país com enormes fragilidades institucionais, e dos mais pobres do mundo, que não tem sido poupado às mais diversas calamidades. E não tem como as enfrentar. Por agora abriram-se múltiplas vias de ajuda e, como sempre, a solidariedade dos portugueses está a responder. O pior virá certamente depois, quando voltar a sair das primeiras páginas dos jornais e dos noticiários das televisões…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

As dúvidas

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Afinal o Partido Popular Europeu (PPE) não expulsou o Fidesz, o partido de extrema-direita húngaro, do primeiro-ministro Viktor Orbán. Suspendeu-o, ao que diz muita boa gente, num acto de cobardia.


É possível que a expulsão venha a seguir, dizem os deputados europeus do PPE. Mas para isso é preciso esperar por um relatório, ainda em curso, que confirme que aquele partido não respeita o Estado de Direito. Pelos vistos, o PPE tem as dúvidas que mais ninguém tem. E na dúvida suspende, não expulsa.


Não é grande novidade. Todos sabemos que em política os mecanismos de decisão funcionam assim. Estão aí as eleições para o Parlamento Europeu e era preciso qualquer coisa...


O Partido Socialista Europeu também deveria ter dúvidas sobre o compromisso do Partido Socialista Romeno com o Estado de Direito. E na dúvida, por enquanto, não diz nada. Não é ainda preciso... 


 

quarta-feira, 20 de março de 2019

Idílico

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Nada de mais idílico que a visita de Bolsonaro a Trump. Mais apaixonado e embevecido que Bolsonaro a declarar que a grande maioria dos imigrantes não tem boas intenções , que "não deseja fazer o bem para o povo americano”, só Bolsonaro a declarar a sua "satisfação de estar nos EUA depois de algumas décadas de presidentes anti-americanos”.   


E no fim, ele deu-lhe o número de telefone ... para que ligasse sempre. Um final apoteótico, a levar Bolsonaro às nuvens.


Que ternura! 

Sentido de Estado

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Sentido de Estado, essa coisa que faz a diferença... Aqui ao lado.

terça-feira, 19 de março de 2019

Sempre a tropeçar no mesmo sítio

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De tempos a tempos o PCP tropeça nos conceitos da liberdade e da democracia, e lá cai com grande atrapalhação nas suas dificuldades de identidade. Não é surpresa para ninguém, e parece que toda a gente sabe lidar com isto: o PCP vai tentando que os intervalos entre esses tempos sejam cada vez maiores, tentando fintar a comunicação social para que não aproveite exactamente todas as oportunidades para o fustigar com a matéria.


Ontem voltou a ser dia de o PCP, mais que simplesmente tropeçar, chocar de frente com o tema e estatelar-se ao comprido.


Primeiro foi Jerónimo de Sousa, em entrevista ao Observador (pois... devia saber que cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém), atrapalhadíssimo com a democracia da Coreia do Norte (é verdade, é um clássico, mas o PCP não consegue resolver a questão!). Se não era uma democracia, era porque isso não passava de uma opinião. Ou não, o que era mesmo preciso discutir era o que é isso de democracia...


Depois, à noite, foi a vez de António Filipe ser completamente trucidado na RTP, no Prós & Contras, a insistir, mais uma vez atrapalhadíssimo, na defesa da indefensável legitimidade democrática do regime de Maduro na Venezuela.


Uma coisa é a fidelidade a princípios e valores que sustentam uma matriz ideológica. Outra, completamente diferente, é cristalizar na sua projecção, deixando de ver tudo à volta. Que é o que o PCP, indiferente ao tempo que passa e às gerações que mudam, continua a fazer.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Linguagem do terrorismo

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Para além do terror, da brutalidade e do ódio, o ataque terrorista de há dias a duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, impressiona pela capacidade do seu autor no uso da internet e pela competência no domínio das técnicas de comunicação nas redes sociais.


Este é de resto um traço comum ao terrorismo actual. Onde quer que seja, independentemente dos fins que prossiga, o terrorismo faz da internet e da comunicação a sua mais potente e destrutiva arma. Tudo é pensado, todos os movimentos e todos os gestos são estudados para mais longe e mais fundo levarem a mensagem do ódio e o ritual de terror. E para fazerem do extermínio impiedoso um espectáculo de dimensão planetária, passível de ser replicado onde quer que seja,  por quem quer que seja. 


Como acaba de acontecer em Utrecht, na Holanda... 


 


 


 


 

domingo, 17 de março de 2019

Assim vai o campeonato dos desígnios


 


Esta jornada do campeonato, que levou o Benfica a Moreira de Cónegos, confirmou que, para ser campeão, a equipa de Bruno Lage terá de ganhar todos os jogos que faltam, já que, como víramos ontem, com o mesmo árbitro do jogo da passada segunda-feira, na Luz, ao Porto basta-lhe comparecer em campo para assegurar a vitória. Árbitros e VAR tratam do resto!


Hoje, o jogo com o Moreirense confirmou que, para ganhar, ao Benfica exige-se muito mais. Exige-se que ganhe a muito mais adversários que aqueles onze jogadores  (nunca dez, como ontem o Porto jogou durante mais de 90 minutos) que, em cada momento, tem em campo pela frente. 


O treinador e os jogadores do Benfica sabem disso. E por isso a equipa entrou no jogo com vontade de não dar hipóteses à equipa adversária, já que contra os outros não pode fazer nada que não "comer e calar". O início do jogo mostrou um Benfica à procura do golo, logo falhado por Pizzi ao terceiro minuto, isolado na cara do guarda-redes, e um Moreirense à procura das pernas dos jogadores do Benfica, onde iam acertando com grande frequência e maior violência.


Foi esta a toada do jogo nos primeiros doze minutos, com Rafa, aos nove, a falhar a segunda oportunidade de golo, quando Gabriel, depois de Grimaldo, aos quatro minutos (momento em que João Aurélio teria que ter sido expulso, mas não foi porque o Benfica não pode jogar contra 10), ficou também ele perto de ser mandado para o estaleiro.


Esgotado o quarto de hora inicial, pareceu que o Moreirense quis finalmente começar a jogar e a disputar a bola. E começou então a perceber-se a estratégia do seu treinador para o jogo, sem qualquer ponta de lança, para dispor de jogadores móveis que condicionassem a saída de bola do Benfica - o início da construção, como dizem os entendidos. Nada que incomodasse muito a determinação e a qualidade com que os jogadores do Benfica prosseguiam na procura do golo, que acabaria por surgir aos 29 minutos, numa desmarcação de Pizzi, a assistir Jonas para uma finalização de grande classe.


Não podia ser. Um golo daqueles não poderia valer e, inacreditavelmente, o VAR anulou-o. O árbitro não foi confirmar a informação que terá recebido do fora de jogo de Pizzi que, mais uma vez, ninguém consegue ver. Sendo que, na lei, diz-se que, em caso de dúvida, não se decide contra quem ataca. A própria equipa de arbitragem no campo cortou por mais duas vezes jogadas de golo do Benfica com foras de jogo inexistentes.


Teve que se esperar mais oito minutos para o primeiro golo, a valer. De João Félix. E mais cinco para o segundo, de Samaris, a marcar pelo segundo jogo consecutivo.


A fechar a primeira parte, já no período de compensação, uma fantástica execução de João Félix (na foto) que, a ter dado golo, seria o do campeonato. E uma soberba defesa de Odysseas, na única oportunidade do Moreirense.


A segunda parte arrancou praticamente com o terceiro golo do Benfica, de Rafa, em mais uma boa jogada de futebol dos novos movimentos preparados para este jogo. É isso, mesmo com apenas um dia para preparar o jogo, Bruno Lage introduziu-lhe movimentos novos trabalhados a preceito.


A partir daí o Benfica, sem nunca desligar, nem nunca perder de vista a baliza do Moreirense, preocupou-se em dominar e controlar o jogo. O Moreirense limitou-se a voltar a obrigar Odysseas a uma segunda grande intervenção, na cobrança de um livre. Enquanto isso, a arbitragem negava ao Benfica mais um penalti, cometido sobre André Almeida (aos 20 minutos), cortava mais umas jogadas de ataque por foras de jogo imaginários, e Jonas deixava o quarto adiado, à espera de Florentino, a 10 minutos do fim. Desse fim que mostraria jogadores do Moreirense no chão, com cãibras. Como se viessem eles de um jogo europeu com prolongamento, três dias antes...


Depois de todas as peripécias lá acabou em goleada com assinatura o jogo em que tanta gente apostava todas as fichas. E assim vai o campeonato dos desígnios: do desígnio nacional de salvar o Sporting, do desígnio de fazer do Braga candidato ao título e do desígnio de fazer do Porto bi-campeão. São desígnios a mais para uma bola só!

sábado, 16 de março de 2019

Jornalismo e "fake news"*

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Sabemos como as notícias falsas, agora conhecidas por “fake news”, têm marcado a ascensão do populismo e como se têm constituído em arma eleitoral decisiva.


Foi assim com o Brexit, com a eleição de Trump na América, ou com a de Bolsonaro no Brasil.


Na Europa teme-se o que possa acontecer nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, tendo as diversas instituições europeias dado já sinal do sério risco destas eleições serem contaminadas por “fake news”. E os gigantes digitais, particularmente Facebook, Google e Whatsapp, têm prometido todos os esforços para as expulsar das suas plataformas.


Antes da vaga digital ter tomado conta do mundo chamavam-se simplesmente boatos. Se já eram difíceis de controlar e de contrariar na altura, agora, com a velocidade e o alcance das redes sociais é de todo impossível.


Por mais centros de controlo que estes gigantes digitais anunciem, ou por mais modelos de validação de notícias que sejam testados, não é fácil acabar, ou sequer limitar os danos, dos boatos. O maior obstáculo ao seu desenvolvimento tem obviamente de vir do jornalismo, na sua nobre e insubstituível função de intermediar no circuito da informação que leva a notícia até ao público.


Cumpra o jornalismo a sua função, e mais curta será a perna do boato e da mentira.


O problema maior está aqui. O que o jornalismo tem vindo a mostrar é que, em vez de obedecer aos princípios por que tem de se reger, e assim se opor às “fake news”, obedece a lógicas insondáveis e replica-as.


Temos quase todos os dias exemplos disso. Ainda ontem, na simples notícia da morte do actor Amadeo Caronho, menos conhecido do grande público, um qualquer jornalista limitou-se a “googlar”. Foi enganado pelo Dr Google, que lhe deu fotografias e a biografia de um outro actor, mais conhecido e falecido há dois anos. E todos os jornais e televisões, mesmo aquelas em que os dois diferentes actores tinham trabalhado, foram atrás.


Pois é. Para que jornalismo seja o maior obstáculo ao boato, tem mesmo de se fazer jornalismo!  


 


* A minha crónica de ontem na Cister FM


 

O exercício da presidência

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Continua a falar-se da Presidência da República, aqui ao lado. E hoje fala-se do que não poderia deixar de se falar...

sexta-feira, 15 de março de 2019

Hoje é dia de luta e do mais justo e urgente de todos os protestos

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Hoje é dia de protesto dos jovens. Hoje é dia de greve às aulas... pelo clima. Não é contra os professores, nem contra o ministro. É contra todos nós. É um protesto pelo estado em que lhes estamos a entregar o planeta. Pela indiferença com que temos encarado e continuamos a encarar as alterações climáticas que  dramaticamente lhes acabam com o futuro. Que é deles, mas cada vez menos lhes pertence.


Tudo começou há pouco mais de seis meses, com uma miúda sueca de 16 anos, Greta Thunberg e com a mais inquietante das suas interrogações: “porque hei de preparar-me para um futuro que pode não existir?”


A partir daí não parou de inquietar o mundo, e é hoje uma das mais fortes candidatas ao Prémio Nobel da Paz (sim, Mr Donald Trump). Que o seu exemplo seja hoje replicado. Em Portugal e por todo o mundo!

quinta-feira, 14 de março de 2019

O jogo das dúvidas

Liga Europa: Jonas falha primeira mão dos quartos de final


 


Em tempo de dúvidas, o Benfica deixou sem dúvidas que é muito superior ao Dínamo de Zagreb, e selou a passagem aos quartos de final da Liga Europa.


Mas não foi fácil tirar essas dúvidas. A equipa que Bruno Lage apresentou adensou mais as dúvidas que já existiam. A precisar de marcar, a equipa entrou sem pontas de lança, deixando as bancadas da Luz cheias de dúvidas. Dúvidas que rapidamente cresceram com a primeira metade da primeira parte a ser francamente medíocre. A partir daí a produção da equipa começou a crescer mas sem nunca atingir um nível aceitável para aquilo a que nos tem habituado.


Bruno Lage quis poupar os jogadores mais sobrecarregados. De jogos e de outras coisas, como é o caso de Jonas. Mas não correu bem, e teve de emendar a mão. Logo ao intervalo tirou Zivkovic, estranhamente cada vez mais um poço de dúvidas, e Yuri, cada vez com menos dúvidas que é demasiado pouco para o Benfica, e fez entrar Jonas e Grimaldo. A equipa melhorou muito e, pelo inevitável Jonas, aos 71 minutos chegou ao golo e empatou a eliminatória.


A melhoria da qualidade do jogo justificava o segundo o golo, e arrumar com a eliminatória nos 90 minutos de jogo.  Mas nem com recurso a João Félix, por troca com Jota, o segundo golo apareceria. E o pior cenário que se poderia perspectivar passou a realidade. O prolongamento era tudo o que o Benfica não queria nesta fase da temporada, mas não havia nada a fazer se não disputá-lo.


Ainda bem que assim foi, porque o jogo da equipa continuou a crescer, mas agora para patamares já muito próximos daqueles em que tem andado. O futebol do Benfica no  prolongamento foi de grande nível,  com dois grandes golos, de Ferro e de Grimaldo, este último verdadeiramente soberbo, ainda na primeira parte. 


Não se sabe quais serão as consequências deste esforço no próximo jogo, já no domingo, com o Moreirense. Sabe-se que os jogadores que Bruno Lage quis poupar acabaram por fazer praticamente o tempo de todo um jogo; e que os outros ficaram  com mais 120 minutos em cima. Mas também se diz que quando se ganha não há cansaço, perder é que cansa. E se calhar é melhor chegar cansado a Moreira de Cónegos mas com a alma cheia, que um pouco mais folgado mas com a cabeça cheia de dúvidas.

quarta-feira, 13 de março de 2019

A força da Premier League

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Era praticamente dado por axiomático que, porque a Premier League é a mais fantástica, forte e disputada competição de futebol do planeta, os clubes ingleses tinham reduzidas condições de sucesso na mais importante prova do futebol mundial, a Champions Legue, of course


Pois... Aí está a edição deste ano a desmentir isso mesmo, com o futebol inglês a ocupar metade das vagas nos quartos de final da prova. Mais significativo ainda, com todas as quatro equipas inglesas apuradas nesta adiantada fase da competição, situação que só por uma vez, há precisamente 10 anos, tinha acontecido na história da Champions.


Com o Manchester United e o Totteham como elos mais fracos da armada inglesa, e Ajax e Porto como outsiders, Liverpool, Manchester City, Barcelona e Juventus são claramente os mais favoritos para a final de Madrid. Isto, claro, se as bolas estiverem bem aquecidas no sorteio da próxima sexta-feira...

terça-feira, 12 de março de 2019

Porta sem saída

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No labirinto do Brexit, Theresa May chegou à porta sem saída. Ou melhor, está lá o "exit", a porta é que já lá não está! 


E sem porta para sair, só se sai pela janela. O que nunca dá bom resultado!


Mas também nunca foi isso - um bom resultado - que se esperou que saísse dali...

Não vale tudo. Pois não!

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O PS ficou muito zangado, a Ana Catarina Mendes disse até "que não valia tudo",  que é o que os políticos dizem sempre que se fazem de zangados, porque a Catarina Martins disse que António Costa foi igual a Passos Coelho. Que sobre o sistema financeiro fez exactamente o mesmo que Passos Coelho..."


Não sei se fez exactamente o mesmo, sou até capaz de conceder que não tenha feito exactamente o mesmo. Mas não fez nada de substancialmente diferente, e como disse exactamente o mesmo, não ficam quaisquer diferenças para reivindicar. Pode, por isso, ficar muito zangado com a Catarina e o Bloco, mas não tem, por isso, ponta de razão. Pode ter razão noutras zangas. Nesta, não!


Evidentemente que António Costa, e  o seu governo, não têm as mesmas culpas no "cartório" do sistema financeiro português que Passos Coelho, Portas e  Maria Luís, com larguíssimas responsabilidades na forma como quiseram ser a cobaia da resolução bancária na União Europeia, com o BES, como deixaram arder o Banif, como assobiaram para o lado na Caixa Geral de Depósitos, que queriam privatizar, como entregaram a um dos seus boys ( e que boy saiu este Sérgio Monteiro) a venda do Novo Banco, ou até como reconduziram Carlos Costa no Banco de Portugal em cima das eleições, há quatro anos. Mas quando, ele como Centeno, repetem como Passos, Portas ou Maria Luís, que a tragédia do Novo Banco não custa um euro aos portugueses, ninguém mais pode dizer que não sejam exactamente iguais.


É que, neste caso, não é sequer preciso ser. Basta parecer!


Não dizer que os milhares de milhões de euros que o país tem de entregar ao fundo de resolução são milhares de milhões que são desviados das funções que o Estado não vai realizar, penalizando todos os portugueses. Não dizer que os bancos, ao longo dos 30 anos que têm para os pagar, não irão pagar - eles sim - um euro que não repercutam no custo dos serviços que nos prestam, e que, para além do que deixamos de receber de serviços do Estado, vamos ainda pagar tudo, até ao último cêntimo. Dizer que pediram uma auditoria, mas que não pode ser à gestão recente, porque isso seria até deselegante para o Banco de Portugal, e não dizer que isso quer exactamente dizer que o Novo Banco foi negociado sem que se saber bem o que se estava a negociar. E não dizer que o valor fixado para a garantia do Estado, a que preferem chamar mecanismo contingente, não foi estabelecido com transparência e que ficou exactamente para gastar à vontade do freguês. E não dizer que é essa garantia que faz com que o banco se não preocupe nada em valorizar activos de que se está a desfazer ao preço da uva mijona. E não dizer que muitos destes milhares de milhões que estão a ser sugados da nossa economia estão a ser transferidos para os negócios que vivem da carteira de crédito malparado dos bancos... é, para além de dizer, fazer exactamente como Passos Coelho.


Goste-se, ou não! 

segunda-feira, 11 de março de 2019

As presidências na I e na II República

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Aqui ao lado continua a falar-se de Presidência da República. Desta vez, na I e na II República.

Inglório

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Provavelmente chegou mesmo o momento que todos os benfiquistas temiam. O momento em que tudo poderia deixar de correr bem porque, todos o sabíamos, esse momento haveria inevitavelmente de chegar.


O jogo da passada quinta-feira, na Croácia, já tinha deixado perceber que esse momento poderia ter acabado de chegar.


O Belenenses é uma equipa difícil de bater, já se sabia. E isso era mais um dado a ter em conta no contexto desse momento. Desde o apito inicial dessa espécie de árbitro que é João Capela se percebeu que o Belenenses iria colocar muitas dificuldades ao Benfica. Que também mostrou que não estaria em grandes condições para as enfrentar, jogando com menos velocidade que a necessária, mostrando pouca eficácia no remate e no passe e acabando sempre a esbarrar na dupla barreira de cinco jogadores que o Belenenses encostava à sua área. Defendendo com todos os jogadores em cima da sua área, era no entanto com grande facilidade que saía para o ataque, deixando sempre no ar um tom de ameaça que não passava despercebido a ninguém.


Na primeira parte o Benfica não acertou com um único remate na baliza de Muriel. E sabendo da propensão do guarda-redes do Belenenses para, frente ao Benfica, defender tudo o que há para defender, não era garantido que, mesmo melhorando substancialmente a qualidade e a eficácia do seu jogo, fosse fácil marcar golos.


A boa entrada na segunda parte abriria no entanto outras expectativas. O golo apareceria logo aos 10 minutos, por Jonas. Um golo que só ele poderia marcar, numa nesga de relva. O Benfica prosseguiu essa boa reentrada no jogo, e oito minutos depois chegou ao segundo, num remate de Samaris, na ressaca de um canto. E em menos de 20 minutos, um jogo que estava muito difícil parecia resolvido.


Só que logo a seguir, e em apenas dois minutos, o Benfica ofereceu dois golos ao adversário de forma incrível. Primeiro, num livre inofensivo, Odysseas viu a bola a sair ao lado da sua baliza. Mas não ia, e acabou lá dentro. No minuto seguinte foi Rúben Dias que pensou que ia passar a bola ao guarda-redes, mas apenas a entregou a um adversário frente à baliza escancarada, que fez o empate.


E de repente, o Belenenses que tinha de finalmente sair lá de trás, sujeitando-se a ser goleado, via-se se novo empatado. E portanto, de novo na sua praia.


E o Benfica deixou fugir os dois pontos de vantagem que tanto tinham custado a conquistar. E esgotou a margem de erro que tinha...


De João Capela, nem vale a pena falar. Foi ele mesmo, alguém que não se percebe porque continua a arbitrar. E como o VAR é uma encomenda de alguns, não funciona para os outros. Hoje valeu tudo: penaltis por marcar, amarelos e vermelhos por mostrar. Tudo, que também explica os dois pontos perdidos, fazendo do Belenenses a bête noir do Benfica nesta época. Cinco pontos, em seis, roubados pelos azuis que já não usam a Cruz de Cristo ao peito.

Uma mãozinha...

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Os jornais dão hoje conta de um pacote, pronto a aprovar no Parlamento que, não só agrava as sanções, como alarga os titulares de cargos públicos que não declarem todo o seu património e rendimentos. Já não são apenas os "políticos" (ministros, deputados, autarcas, candidatos à presidência da República, chefes de gabinete, executivos das direcções dos partidos, etc.) abrangidos por estas obrigações declarativas. São também os magistrados, Judiciais e do Ministério Público, ou quaisquer consultores que sejam mandatados pelo governo para negociar quaisquer activos públicos.


Mais que uma mão na decência do tratamento da coisa pública, é bem capaz de ser uma mãozinha no negócio dos notários e conservatórias. E ... tantas escrituras que aí vêm...


 


 

 

quinta-feira, 7 de março de 2019

Não há coincidências*

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Hoje é Dia da Mulher. E ontem o governo assinalou um dia de luto contra a violência doméstica, incontornavelmente uma violência especialmente contra a mulher.


Estes dias podem não servir para nada, mas servem certamente para se falar deles e, nessa medida, a sequência entre as duas datas não será simples coincidência. Não terá sido por acaso que a ministra da Presidência e da Modernização administrativa propôs para a véspera do Dia da Mulher um dia de luto nacional, para chamar a atenção para este drama social que é a violência em ambiente familiar.


Admito que não. Admito que possa ter a ver com a ideia de dar um safanão nas consciências, ou até que a intenção passe por uma pedrada no charco de um certo folclore que tomou conta do Dia da Mulher.


 Admito também que nenhuma destas datas tenha tido alguma coisa a ver com o afastamento do juiz Neto de Moura do julgamento dos crimes de violência doméstica. Que tenha sido por mero acaso que ontem se tenha ficado a saber que o presidente da Relação do Porto, por “conveniência de serviço”, o tenha transferido para as secções cíveis do Tribunal.


Mas que não tenho dúvida nenhuma que esta “conveniência de serviço” foi determinada pela reacção da opinião pública aos abjectos acórdãos da criatura, lá isso não tenho… Vale sempre a pena levantar a voz contra o despudor. Por mais processos que Neto de Moura faça anunciar pelo seu advogado, abusando do absurdo privilégio de nada disso lhe custar nada…   


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Se tinha de acontecer, que fosse hoje...

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A máquina de Bruno Lage não terá propriamente gripado, mas emperrou. Alguma coisa perturbou a engrenagem que tão bem vinha a funcionar, e o Benfica perdeu um jogo que ninguém contava perder.


Nada saiu bem hoje em Zagreb, mas o pior mesmo, pior ainda que o resultado, foi perder Seferovic, vá lá saber-se por quanto tempo e com que consequências. As coisas até pareciam ter começado bem, com o Benfica a impor o seu futebol, e criar logo aos sete minutos uma grande oportunidade de golo, com Grimaldo no toque final a permitir a defesa ao guarda-redes croata.


Só que não se repetiu, e acabou por ficar única. O Benfica não criaria mais qualquer oportunidade para marcar, ao contrário da equipa croata que, sem jogar nada de especial, e com muito menos bola, criou duas ou três ao longo do jogo. Se as coisas já não estavam a correr bem pior ficaram ao minuto 30, quando os músculos de Seferovic cederam. E logo a seguir, do nada, Rúben Dias teve uma daquelas paragens que já não lhe reconhecíamos e fez um disparate, oferecendo o penalti que daria no golo que fez o resultado. Que, sem Seferovic nem qualquer outro ponta de lança, nunca mais o Benfica mostrou ser capaz de alterar.


Não se pode dizer - era só o que faltava! - que o Benfica tenha a eliminatória perdida. Mas lá que colocou dificuldades onde elas não existiam, disso não sobram dúvidas. O Dinamo de Zagreb é um adversário acessível, como de resto hoje mostrou. Mas se marcar um golo na Luz, de hoje a uma semana, pode complicar as contas. O 1-0 tem essas coisas, como se sabe.


Resta-nos esperar que isso não aconteça.  Que Seferovic regresse depressa e que nada de mal possa também ter acontecido a Grimaldo. Mas, acima de tudo, esperar que o que aconteceu hoje não volte a acontecer. Que a equipa não volte a desligar!


Se tinha de acontecer, que acontecesse hoje. É esse o único sentimento positivo que fica deste primeiro jogo dos oitavos de final desta Liga Europa, em que também já tínhamos grande fé.


 

Dia de luto nacional

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Hoje é dia de luto nacional contra a violência doméstica, que não pára assustadoramente de crescer em Portugal. Nos primeiros dois meses deste ano, os números aterrorizam: 30 denúncias por dia, só na GNR, que deteve 137 pessoas suspeitas deste crime. Treze mulheres foram assassinadas em contexto de violência doméstica desde o início do ano: a décima terceira ontem à noite, em Vieira do Minho!


E hoje ficou a saber-se que o juiz Neto de Moura já não julgará mais qualquer destes crimes. O presidente da Relação do Porto transferiu-o para as secções cíveis argumentando "conveniência de serviço". Fica bem, esta notícia, no dia de luto nacional contra a violência doméstica!


 

quarta-feira, 6 de março de 2019

"Agora estão me levando"...

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O primeiro-ministro  húngaro, o fascistoide Viktor Orbán, tem feito tudo o que lhe dá na real gana sem provocar grandes incómodos na UE. 


Orbán, e o Fidesz, o partido de extrema-direita que lidera e integra o Partido Popular Europeu, tem podido fazer dos fascismo uma bandeira. Aboliu a separação de poderes, e permitiu-se abater o Estado de Direito num país membro da UE,  levantou muros num espaço livre de fronteiras, perseguiu imigrantes (mas também emigrantes) e declarou o racismo e a xenofobia pilares dos seus princípios políticos. 


Nada que incomodasse ninguém na Comissão Europeia. Nada que fizesse esboçar o mais leve protesto a qualquer partido da direita europeia, incluindo naturalmente  os nossos PSD e CDS, reunidos no Partido Popular Europeu (PPE).


 De repente, tudo mudou. O PPE não se conforma, avisa Orbán que assim não pode continuar e ameaça mesmo expulsar o Fidesz. Paulo Rangel afinal há muito que em silêncio não tolerava o fascistoide, e até o CDS acha Orbán intolerável. Bastou que Orbán espalhasse por toda a Hungria uns cartazes a atacar pessoalmente Jean Claude Juncker, o Presidente da Comissão Europeia que é também o líder do Partido Popular Europeu!


Ainda se se lembrassem de Bertolt Brecht... 


"Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso. Não era negro..."


 

terça-feira, 5 de março de 2019

Uma aresta por limar?

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A (excelente) entrevista do Presidente Angolano à RTP, na véspera do seu aniversário, que festejará com o Presidente Marcelo na véspera do início da sua visita oficial a Angola, demonstrou a boa onda que as relações luso-angolanas atravessam. Que se saúda, e que se deseja duradoura.


Para classificar essa relação, o próprio Presidente João Lourenço declarou-a  "no pico da montanha". E para mesmo nenhuma dúvida ficasse a esse respeito, Vítor Gonçalves, o entrevistador da RTP, lembrando que, em Setembro de 2017, no seu discurso de tomada de posse ignorara Portugal, perguntou ao presidente angolano se, hoje, faria o mesmo.


A resposta foi politicamente correcta, como não poderia deixar de ser, e mesmo dizendo que essa omissão não tinha sido intencional, não hesitou em deixar claro que a resposta seria "não". Mas foi a forma como complementou a resposta que particularmente me prendeu a atenção, quando referiu que, sem adiantar o que irá "dizer sobre Portugal", da próxima, haveria "uma boa surpresa". Passo a transcrever: "Numa ocasião futura, digamos daqui a três anos sensivelmente, quando se realizarem novas eleições, não devo adiantar o que direi sobre Portugal, mas será uma surpresa para todos, angolanos e portugueses, e será com certeza uma boa surpresa". 


João Lourenço confirma-se nesta entrevista como um líder moderno, hábil e ponderado que sabe muito que palavras utilizar em cada momento. Que nada fica a dever aos mais experimentados políticos internacionais. E no entanto não hesitou em dar por adquirido que daqui a três anos estará de novo a tomar posse como presidente da República. Não esperou sequer que o entrevistador lhe perguntasse - como viria a fazer mais tarde, então já com as voltas trocadas e completamente fora de tempo - se se recandiataria a novo mandato. Não referiu nem a hipotética condição da recandidatura, nem os hipotéticos resultados eleitorais... 


Meros apêndices do dispensável politicamente correcto no actual quadro político angolano? Ou ainda uma aresta por limar?

O Presidente e o regime

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Na conversa aqui ao lado, hoje chegou a vez de falar da Presidência da República. E de como se lá tem chegado...

segunda-feira, 4 de março de 2019

É Carnaval, ninguém leva a mal


 


O juiz Neto é um incompreendido. Coitado, nada lhe sai bem. Veja-se bem como uma simples partida de Carnaval o transformou num alvo de todas as partidas de Carnaval. O homem só queria também ele brincar ao Carnaval. Ainda pensou em comprar uma daquelas bisnagas de plástico para atirar água às pernas das mulheres mais descuidadas... Que se põem a jeito, de perna ao léu... Depois achou que não, que processar a malta toda tinha muito mais piada... e não constipava ninguém.


Mas nem assim... Até um jogo de computador inventaram a atirar merda para cima da criatura. O que vale é que ... "é Carnaval, ninguém leva a mal"!


 

sábado, 2 de março de 2019

O clássico confirmou um Benfica enorme

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Como se esperava - esta equipa é como o algodão, não engana - o Benfica foi ao Dragão confirmar que está, e que é, melhor que o Porto. 


Num grande jogo, intenso, muito disputado e na maior parte do tempo muito bem jogado, o Benfica foi enorme. A grande a expectativa para este jogo era a de saber como o Porto iria entrar. Se, aproveitando o ambiente do Dragão, iria entrar pressionante, a roubar todos os espaços ao Benfica e a disputar todas as bolas, e isso quereria dizer que acreditava que era melhor e que não temia o adversário. Não entrou assim, tentou apenas dividir o jogo, parecendo entender que isso seria correr riscos. E com isso mostrou receio do Benfica!


O Benfica entrou como tem entrado em todos os jogos, instalando logo no relvado do Dragão o seu futebol. E com isso apropriou-se  do melhor futebol que o jogo tinha para dar, e foi sempre superior. 


Nem o golo do Porto, logo aos 18 minutos e irregular - o Pepe, em fora de jogo, baixou-se para a bola seguir para dentro da baliza - , alterou os dados em que o jogo estava lançado. O Benfica já era superior, Casillas já tinha negado dois golos, e o árbitro Jorge de Sousa já tinha perdoado um penalti ao Porto, por falta clara sobre Pizzi, na área.


O empate, por João Félix, surgiu com toda a naturalidade apenas oito minutos depois do golo mentiroso do Porto. E os vinte minutos que tardaram até ao intervalo continuaram  a ser de clara superioridade técnica e táctica da equipa de Bruno Lage. Do Porto pouco mais se viu que pequenos detalhes, entre os quais o de Pepe fazer de Felipe um santinho...


A segunda parte não abriu em moldes muito diferentes, mesmo que o Porto começasse a mostrar que pretendia equilibrar a contenda. Aconteceu que a primeira oportunidade da segunda parte pertenceu ao Benfica, numa jogada de grande qualidade concluída por Rafa, já a imagem de marca desta equipa. Estavam jogados apenas sete minutos neste período complementar.


O Porto reagiu à desvantagem, é certo, mas sem nunca assegurar o domínio do jogo. Só verdadeiramente incomodou, e criou uma ou duas oportunidades, nos últimos 15 dos 94 minutos do jogo, quando Jorge de Sousa expulsou o melhor jogador em campo. Gabriel nunca tinha jogado com o Porto, e provavelmente não sabia que neste jogos a mínima distracção é a morte do artista. Reagiu à provocação do Octávio - quem havia de ser? - e foi para a rua. Coisa que não aconteceu, nme nunca aconteceria, a Alex Telles, a Pepe ou a Brahimi...


Bruno Lage ("agradeço aos jogadores que estão a fazer de mim treinador" - é a frase que vai marcar este campeonato) tratou bem do assunto: trocou Pizzi por Gedson, Rafa por Corchia, para dispôr de André Almeida no meio, e João Félix por Cervi para ajudar a fechar nas alas  Em inferiorodade numérica nos de 15 minutos, o Benfica mostrou que, com 10 ou com 11, é sempre uma verdadeira equipa.


Em nove jogos, o Benfica de Bruno Lage e dos seus miúdos, ganhou 9 pontos ao súper Porto do súper Sérgio Conceição. De 7 de atraso, a 2 de vantagem. À média de 1 ponto por jogo. Notável e fora de todas as cogitações há dois meses atrás!


 

Listas de Grupos de Cidadãos Eleitores

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Hoje fala-se de Listas de Independentes. De Grupos de Cidadãos Eleitores, em bom rigor.


 


 

sexta-feira, 1 de março de 2019

INSUPORTÁVEL

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O Novo Banco apresentou hoje os resultados de 2018: prejuízos de 1.412 milhões de euros!


Já estamos habituados. Há sempre sempre mais 200 ou 300 milhões de euros a acrescentar aos últimos números dados a conhecer. É assim... Quem paga 800 milhões, também paga mil milhões. Quem paga mil, também paga mil e duzentos milhões. Já que aqui chegamos... vá lá... 1.412 milhões. Vale tudo!


O que passou com o BES, com a sua resolução, e com a gestão e a entrega do Novo Banco à Lone Star, é o maior assalto alguma vez feito a um povo na História da Humanidade.


Insuportável!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...