sábado, 31 de dezembro de 2022

Vão-se os dedos, ficam os anéis ...


Ainda antes de abrir o mercado de contratações de inverno, Cristiano Ronaldo, em "falência" competitiva, assinou o contrato mais valioso da história do desporto mundial, na ordem dos 200 milhões de euros por ano, num total de 500 milhões em dois anos e meio.


Antes, dizia que não procurava recordes, que eram eles que o perseguiam. Agora, que já não dá para procurar recordes, e que prestígio lhe vai fugindo das mãos, mas que também não precisa de dinheiro, melhor pode dizer que não o procura. Que é o dinheiro que não larga!


Ao contrário do adágio popular, "vão-se os dedos, ficam os anéis"!

Joseph Ratzinger (1927-2022)

O grande silêncio de Joseph Ratzinger | Internacional | EL PAÍS Brasil


... E o ano termina com a morte de mais uma figura mundial - o Papa Bento XVI, o Papa Emérito, que resignara em 2013. Por isso, mas não só, fez História!


Morreu esta manhã, aos 95 anos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Procissão de equívocos


Era muito importante para o Benfica ganhar este jogo em Braga. Todos os percebíamos, e percebeu-o também Rui Costa que, a acreditar nas notícias vindas a público, se decidira por um prémio de jogo mais que generoso, falando-se de 2 milhões de euros.


Era muito importante manter a invencibilidade. É sempre importante, nesta fase da época - e mais a mais desta época atípica - já dentro das quatro últimas jornadas da primeira volta, e na antevéspera do jogo com o Sporting, mais importante era ainda. Não seria razoável, embora pudesse ser um desejo secreto, exigir um campeonato sem derrotas. Mas seria exigível que, aqui chegados sem derrotas, ela não surgisse nesta altura. Com o Porto embalado nos carris habituais - veja-se o último jogo, com um golo irregular logo aos 20 segundos (curiosamente, nos três jogos dos primeiros classificados, os da casa marcaram nos primeiros dois minutos, e começaram o jogo já a ganhar) e mais um penálti perdoado - e o Sporting a aproveitar o interregno para acertar agulhas e ganhar embalagem e confiança, era importante que o Benfica não cedesse.


O universo benfiquista estava receoso deste interregno de mais de mês e meio. Quando tudo está afinado, como estava o Benfica, desligar o interruptor é sempre arriscado. Quando tudo está mal, ao voltar a ligá-lo, pode sempre correr melhor. Quando tudo está no ponto, melhorar é impossível, e piorar é provável.


Acresce que tudo o que se tem passado com Enzo Fernandez também não ajudava. Nada!


Roger Schemidt tranquilizou-nos, dizendo que todos tinham trabalhado bem e que tudo estava preparado para o arranque. Mas não estava!


O Benfica não entrou na Pedreira para este jogo fundamental com uma equipa, mas com um equívoco. Com 11 jogadores equivocados, não com 11 jogadores preparados para ganhar o jogo, como o treinador tinha garantido. Com trabalho bem feito, e contra um adversário que vinha de um jogo em que tinha sido trucidado, uma equipa preparada nunca poderia ter entrado com equívocos. Esses teriam de estar do outro lado.


E não é o golo aos 63 segundos que serve de desculpa. Porque bastaram esses segundos para se perceber que estava tudo errado. E que era o Braga que entrava com tudo. Na disputa da bola, na pressão, e  na velocidade. Esse golo só aconteceu porque a equipa não estava preparada. O golo começou logo na falta displicente de Bah, passou pela passividade na disputa de segunda bola - na primeira parte os jogadores do Benfica perderam todas a segundas bolas e todos os duelos - e acabou com o Abel Ruiz sozinho, na zona onde tinha de estar o mesmo Bah, a rematar para Odysseas defender ... para dentro da baliza.


A partir daí foi o descalabro. Apenas Rafa tentava reagir. Gonçalo Ramos também tentou, mas desse encarregou-se a equipa de arbitragem do João Pinheiro, ao fazer vista grossa às entradas de Niakaté, sempre nas barbas do árbitro assistente. O resto era com o meio campo do Braga ... 


E quando, à meia hora, o Ricardo Horta marcou, novamente com Odysseas defender para dentro da baliza, mas agora com ar de frango inteiro, com penas e tudo, depois dos jogadores do Braga terem feito tudo o que quiseram dentro da área, o segundo golo do Braga era uma inevitabilidade, depois de dois ou três minutos de sufoco consecutivo.


Três remates, e só dois - um de Rafa, ao poste, mas sem grande possibilidade de golo e, no último minuto, um de cabeça de Otamendi, por cima da barra - dignos de registo, foi tudo o que o Benfica fez no pesadelo que foi a primeira parte.


A entrada para segunda parte, com Musa a substituir o desastrado (mas quem o não foi, à excepção de Rafa?) Florentino, com Aursenes no meio do campo, em vez do equívoco que foi na ala esquerda, prometeu mudar o jogo. Mas foi sol de pouca dura. Bastaram dois ou três minutos para se voltar a ver um Braga confiante, e a empurrar o jogo para o que melhor lhe convinha. 


O Benfica teve ainda mais bola - acabou com perto de dois terços de posse de bola - e rematou mais, acabando até com mais remates (14) que o Braga (11), mas nunca deixou a ideia de poder virar o resultado, e evitar a primeira derrota. Que se tornaria ainda mais pesada, e penosa, com terceiro golo, e segundo de Ricardo Horta. Mais um golo que uma equipa preparada nunca poderia sofrer. Golos em contra-ataque, quando se perde por 2-0, qualquer equipa pode sofrer. Aquele não foi um golo desses - foi um lançamento do guarda-redes Matheus, com o lateral dinamarquês - mais uma vez - a deixar fugir a bola para o Yuri Medeiros se isolar e ficar, com Ricardo Horta, na cara de Vlachodimos. 


Faltavam 20 minutos para o fim, e ficava escrita a história da primeira derrota do Benfica da época. Roger Schemidt entendeu finalmente tirar o desastrado (apenas mais um) dinamarquês. E o ineficaz João Mário. Entraram Gilberto e Draxler. É o que há. E se calhar nem seria má ideia que deixasse de haver Draxler. Era de aproveitar para o devolver nesta janela de Janeiro.


Mais tarde, em cima dos 90 minutos, sairiam Gonçalo Ramos e Enzo, para entrarem Chiquinho e João Neves. Chiquinho ... pronto. Não aquecia nem arrefecia. Mas, lançar o miúdo aos 90 minutos num jogo para esquecer, foi o último dos equívocos do hoje equivocado Roger Schemidt.


Que os tenha esgotado hoje todos, é o que se deseja.


 

Cumplicidades

Campus de Justiça de Lisboa foi inagurado pelo primeiro-ministro José  Sócrates em 2009? - Polígrafo


José Sócrates já está no Brasil, para a tomada de posse do Presidente Lula. Para o mesmo efeito, o Presidente Marcelo parte hoje, pelo que lá se encontrarão.


Marcelo - que em Julho, quando lá esteve a fazer umas tristes figuras, já tinha avisado que lá estaria, na posse de quem quer que fosse - faz parte de uma lista de chefes de Estado que confirmou a presença na cerimónia; Sócrates, como se sabe, faz parte dos amigos pessoais de Lula. Que faz parte da lista de cumplicidades de Sócrates...


Chocando mais, menos, ou nada, não é a presença de Sócrates no Palácio do Planalto, em Brasília, para a tomada de posse de Lula que é notícia. Nem que, tendo, quer o Ministério Público quer a juíza Margarida Alves, do Tribunal Criminal de Lisboa, entendido haver perigo de fuga - entendimento reforçado durante  as diversas viagens de Sócrates ao Brasil, sem delas ter informado as autoridades judiciais portuguesas - a única medida de prevenir esse risco tenha sido obrigá-lo a apresentações quinzenais num quartel da GNR. Notícia mesmo é que, para esta Justiça, quinze dias não é tempo suficiente para quem quer que seja desaparecer do seu radar.


Não faço ideia se Sócrates comunicou, ou não, à Justiça que ia sair do país. Creio até que, não ultrapassando os cinco dias de ausência do país, nem a isso estava obrigado. E como, se tudo correr bem, Sócrates estará de volta para se apresentar na GNR no próximo décimo quinto dia - a 8 de Janeiro -, fica demonstrado que, em 15 dias, ninguém foge à Justiça portuguesa!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Edson Arantes de Nascimento (1940-2022)

Herdeiros: Pelé tem 7 filhos, mas Sandra nunca foi reconhecida


Morreu, aos 82 anos, o Senhor Edson Arantes de Nascimento.


Pelé, a instituição, a lenda do futebol mundial, não morreu. Apenas partiu para se juntar, algures, a Cruyft, Eusébio e Maradona. Lá, onde quer que seja, estarão neste momento os quatro a rir dessa coisa do GOAT, e dessa  discussão entre gente que não sabe o que é ser verdadeiramente grande, e apenas gosta de se entreter com patetices.

Tempo e resultado

Medina nas Finanças e Costa Silva na Economia. Estes são os 17 ministros de  Costa – ECO


Nas emissões desportivas da rádio era - creio que ainda é - comum a chamada ronda pelos estádios onde estavam a decorrer os jogos de futebol, com o pivot ao comando da emissão a lançar aos repórteres no terreno a sacramental pergunta: "tempo e resultado"?


Nesta altura a resposta seria: Medina 10 - Pedro Nuno 0. Estamos no intervalo!


Em tempo de intervalo, havia - creio que ainda haja - um breve comentário à primeira parte e ao resultado. E de perspectivas para a segunda parte.


Nesta altura, no comentário, poder-se-ia ouvir que a primeira correu nas bases lançadas pela teoria da conspiração e que o resultado corresponde ao que se passou em campo. Mas com um alerta para o jogo estar apenas no intervalo. E que se espera um jogo completamente diferente para a segunda parte.


Pedro Nuno Santos tem no banco jogadores que podem alterar ainda o resultado final, que já estão em exercícios de aquecimento. Estamos a ouvi-los dizer que Medina fez batota com aquela escolha da Secretária de Estado, que aquilo não foi jogo limpo, que o jogo ainda não acabou e que, agora, há que ir para cima dele.


É isso. O jogo ainda não acabou, mas já não tem como acabar bem. 


Outra coisa são as "trapalhadas". E já são "trapalhadas" a mais!


Mas há "trapalhadas" e "trapalhadas". As de Santana Lopes, e as de António Costa, em comum só têm a trapalhada.


Há já por aí muita gente a reclamar de Marcelo a receita de Sampaio para as "trapalhadas". Só que isso é mais uma trapalhada. Não é que Marcelo não gostasse de a usar. Bem gostaria. Corressem outros ventos ali para a São Caetano à Lapa e outro galo cantaria. Mas não pode. Não pode porque a oposição que existe, e a que verdadeiramente sairia a ganhar, lançaria o país na ingovernabilidade que abriria a caixa de pandora.


 Marcelo pode até ser umas vezes imprudente, e outras até leviano, mas não é irresponsável. E, de António Costa, não serei eu o primeiro a dizer que nasceu com o dito cujo virado para a lua. De tal forma que, por mais asneiras  que faça, qualquer ameaça se transforma logo em oportunidade.


Já sobre Fernando Medina o melhor é esperar pelos próximos capítulos. Ou pela segunda parte, que aí vem ...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Há um ano deixava aqui uma curiosa mensagem para o ano novo, este que agora está velho e acabado. Escrevia que, “tendo como certo e adquirido que 2012 vai ser o nosso annus horrbilis, é de admitir que, bom mesmo, seria … que passássemos para 1 de Janeiro de 2013. Ou de 2014. Ou de 2015! … Se não conseguimos trocar as voltas este ano novo, se ele vai ser o que se anuncia - e já que, contra crenças, profecias e mitos, o mundo não irá acabar em 2012 - então que seja mesmo o pior. Que não voltemos a ter mais nenhum como este, que seja o da remissão definitiva dos nossos pecados, para que possamos voltar a ter a esperança de anos melhores para todos!”


É triste a nossa sina! Poderia voltar a escrever tudo de novo, com o mesmo a propósito… Foi aqui que chegamos, desesperadamente encurralados: sem esperança e sem futuro. Apenas com medo!


Olhamos para 2013 e distinguimos dois vultos. Um algures ali por Abril, tenebroso. Chama-se execução orçamental do primeiro trimestre, e todo ele é desgraça. Outro lá mais para frente, em Setembro, e chamam-lhe – vejam bem - eleições na Alemanha!


Do primeiro só temos razões para ter medo. Muito medo. Do segundo… medonho é pensar do que nos deixamos reféns!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Assunto resolvido. Venha outro!

CM de hoje (28/12/2022)


Pronto!  A Secretária de Estado foi-se embora, aceitou o pedido de Medina para que pedisse a demissão, que Medina aceitou, enaltecendo-lhe o currículo, agradecendo-lhe "todo o trabalho desenvolvido" e reconhecendo-lhe "a integridade e correção".


Assunto resolvido! Diz o Presidente, já a chamar pelo freguês que segue, até porque dia 30 (vai para o Brasil) é já depois de amanhã, e ele tem que se despachar ...


O assunto era político, não tinha mais nenhum problema. Não havia qualquer problema de legalidade, como logo de início havia proclamado, ou não tivesse esse ficado desde logo resolvido pelo mano. Só falta mesmo dar posse à/ao senhora/senhor que segue. E por isso despachem-se, se não ainda perde o avião.


Se, com a pressa, alguém tropeçar numa pedra donde saia já mais outra coisa qualquer do género, logo se vê... Convém é não estragar os sapatos. Esses é que nunca escapam...

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Teoria da conspiração

Fernando Medina e Pedro Nuno Santos querem que TAP esclareça indemnização  paga a Alexandra Reis


E se tudo isto - o caso da Secretária de Estado do Tesouro - fosse apenas mais um episódio da guerra de delfins há muito aberta no PS, com o governo como teatro de operações?


E se Fernando Medina, conhecedor de toda a história da senhora Alexandra Reis através da sua própria mulher - directora jurídica da TAP até Março, donde saiu no mês que seguiu ao da senhora de lá ter saído com meio milhão de euros no bolso, por quem todo o processo naturalmente teria de passar -, a tivesse nomeado apenas para que viesse a ser conhecido um caso que, de outra forma, nunca chegaria ao conhecimento público?


E se Fernando Medina tivesse escolhido Alexandra Reis para sua Secretária de Estado para liquidar de vez Pedro Nuno Santos?


Não. Isto não cabe no domínio das teorias da conspiração. É apenas ficção mal amanhada de quem já viu um porco a andar de bicicleta na política portuguesa...


 

Já estamos habituados

O português "que vive com determinado salário, esses valores fazem-lhe  muita impressão": PR sobre indemnização da TAP a Alexandra Reis - Política  - Correio da Manhã


Nas vésperas do Natal ficamos a saber o que há muito sabemos - que, faça o que fizer e diga o que disser, o Presidente Marcelo, tem a aprovação da grande maioria dos portugueses. Tão grande como a que o elegeu e reelegeu.  


A sondagem do ICS/ISCTE para o Expresso e para a SIC, dada a conhecer no final da semana passada, mostra como uma larga maioria dos inquiridos (71%) dá suporte à criticada - e criticável - "incontinência verbal" de Marcelo. Àquilo que, há anos, Passos Coelho não queria na Presidência da República e designava de"catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Sufrágio que, de resto, Marcelo exibia triunfalmente na sua expressão facial nos banhos de multidão com que antecedeu a noite da consoada, no Barreiro, para a ginginha, ou em Odemira, para os imigrantes.


Num e noutro lado, sem dizer, Marcelo dizia: " estão a ver? Critiquem-me à vontade, digam que estou xé-xé, que não digo coisa com coisa, que falo de mais, que deveria falar menos e pensar mais..."


Se o outro diz "habituem-se", Marcelo diz "já estão habituados"... 


Por isso, o que, em três dias seguidos, Marcelo disse sobre o caso da nova Secretária de Estado do Tesouro, é tudo a que estamos mais que habituados. No sábado à noite (21:59) dizia que não comentava; no domingo, dia de Natal dizia, às 16:37, que a indemnização podia chocar, mas que não havia incompatibilidade e, menos de uma hora depois, já pensava que "há quem pense" que seria "bonito" prescindir da indemnização da TAP, ainda que a lei permita receber os 500 mil euros e exercer funções governativas; para, ontem, achar que o esclarecimento sobre a indemnização é importante para todos.


Simplesmente mais uma passagem do atestado de inimputabilidade renovado pelos portugueses...


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Por esta altura é costume puxar a memória atrás, a 1 de Janeiro, deixá-la correr ao longo do ano e escolher. Escolher os mais do ano. Em qualquer coisa, ou em tudo e mais alguma coisa…


Vou também aqui fazer esse exercício. Mas numa versão minimalista, apenas numa única categoria: acontecimento nacional do ano!


Para mim o acontecimento nacional do ano é um não acontecimento. É o que acabou por acontecer por não ter acontecido o que era suposto acontecer!


Refiro-me ao facto de o governo ter resistido - intacto – todo o ano. O governo não caiu, nem sequer foi remodelado. E isso, há uns meses, era impensável!


Ninguém admitiria que o governo resistisse aos sucessivos casos Relvas: secretas, Público, RTP, ERC…. licenciatura, mentir no Parlamento… Aos pequenos e sucessivos episódios de abuso de poder. Mas também à quarentena a que se sujeitou - tipo hibernação, à espera que o mau tempo passasse – mantendo-se afastado (protegido) do governo, como se não existisse!


Sabia-se – ou foi se sabendo - que Relvas era apenas uma face da moeda que do outro lado tem Passos Coelho. O que não se adivinharia era que o primeiro-ministro conseguisse convencer o seu chefe - Vítor Gaspar – que Relvas era indispensável para as suas privatizações!


Ninguém admitiria que o Álvaro resistisse à sua estratégia do pastel de nata. Ele que até foi o primeiro a sentir os apertões da rua… Mas, pé ante pé, lá se foi aguentando e ganhando imprensa. Ao ponto de já nem a sua estratégia terceiro-mundista de desenvolvimento industrial, provavelmente encorajada pela política ambiental do seu Canadá - que acabara de mandar às ortigas o protocolo de Quioto - e que lhe valeria uma pequena guerra com a colega Assunção Cristas, lhe ter afectado a cotação. Em alta!


Poucos admitiriam que falhadas todas as previsões económicas, e com todos os objectivos orçamentais rapidamente transformados nas mais extravagantes miragens, o governo se pudesse aguentar. Que, batidos todos os recordes de desemprego, com o país entregue a um dos mais violentos ritmos de empobrecimento de que há memória, um governo que não podia sair à rua, suportado por uma coligação em permanente rotura e sempre em rota colisão, pudesse resistir.


Poucos admitiriam que depois daquele dia 7 de Setembro, depois do que o país inteiro disse ao mundo em 15 de Setembro, o governo chegasse ao fim do ano.


E no entanto resistiu. Sem uma baixa!


A situação do país e dos portugueses continuou a agravar-se todos os dias. Mas a do governo não. Relvas voltou a fazer negócios – mesmo que o último lhe não tenha corrido bem – e à sua condição de picareta falante, sem o mínimo de reserva, decoro e vergonha. E até Passos Coelho, em vez de fugir pelas traseiras como vinha sendo hábito, já atravessa a rua para se dirigir aos que protestam (bem sei que até pode ser encenação, mas o resultado é o mesmo)!


Todos os acontecimentos têm protagonistas. Este tem dois: Cavaco Silva, o senhor que ocupa o Palácio de Belém sem que se saiba exactamente para quê, e Seguro, o senhor de quem se diz que é líder da oposição. Foram eles que fizeram este acontecimento...


O drama, deste e dos próximos anos, é que não há coincidências. Não é mera coincidência que a maior crise, o pior governo, o pior presidente e a pior oposição se tenham encontrado ao mesmo tempo, no mesmo local!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

António Mega Ferreira (1949-2022)

António Mega Ferreira gostaria de ficar conhecido como “um tipo que fez  essas coisas todas” na Cultura – Notícias de Coimbra


Partiu uma figura incontornável da cultura portuguesa - "um tipo que fez essas coisas todas" ...

O país imaginário

Mensagem de Natal do Primeiro-Ministro - YouTube


A mensagem de Natal do primeiro-ministro foi mais um exercício de optimismo. Do já conhecido irritante. 


Mesmo irritante, diria que optimismo é eufemismo para afastamento da realidade. Irritante e duro. 


Dir-se-á que o Natal é aquele período de dias em que tudo se pinta de cor de rosa, mesmo que o vermelho seja a cor dominante. E que as mensagens da quadra devem esquecer a dura realidade para dar espaço à utopia. Ainda há pouco, ao publicar o "Há 10 anos",  confirmava que Passos Coelho fazia o mesmo. Que Sócrates fizera o mesmo, e por aí diante. Ou por aí atrás, vendendo-nos sempre um "país imaginário", em vez da realidade, sempre dura. Cavaco chegou até a chamar-lhe "oásis".


Nesse sentido para os governantes deste "país imaginário" Natal é todos dias. E António Costa nem é assim tão inovador...


Porém, para este governo, não é só Natal todos os dias. Todos os dias são também dias de mais casos e casinhos. Até no Natal. Desta vez é o da secretária de Estado do Tesouro, Alexandra Reis que, soube-se agora, recebeu uma indemnização de 500 mil euros para abandonar o cargo de administradora executiva da TAP antes do final do mandato para, quatro meses depois, ser nomeada para a presidência da Navegação Aérea de Portugal (NAV).


Num "país imaginário" é bem possível que isto se ache normal. Foi destituída, e por isso indemnizada, da administração da TAP porque lá representava o então accionista Humberto Pedrosa, e por isso não podia representar o Estado. Que passou a poder representar na presidência da NAV, por acaso exactamente com a mesma tutela, a do Ministério das Infraestruturas. E até, mais apenas uns poucos meses depois, a integrar o governo.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A mensagem de Natal do primeiro-ministro (alguém me sabe dizer qual foi o efeito do apagão?) não surpreende pela novidade. Ainda há bem pouco tempo Sócrates fazia exactamente o mesmo, vendia-nos um país imaginário, que não existia em lado nenhum.


Mas francamente, o que isto me traz mesmo à memória é aquele ministro iraquiano, aqui há uns anos, em 2003: já a estátua do Sadam era arrastada pelas ruas e continuava a dizer que o inimigo estava a ser repelido e que a vitória era certa…


Uma mensagem fatal!

sábado, 24 de dezembro de 2022

Dez meses de guerra

Expresso | Guerra na Ucrânia: Rússia disparou Zircon, o míssil de cruzeiro  hipersónico que Putin diz ser “invencível”


Dez meses depois Putin refere-se pela primeira vez à guerra como guerra. A palavra proibida, que dava até pena de prisão, é agora palavra apropriada ao que continua a passar-se na Ucrânia, 10 meses depois do dia da invasão..


O que mudou?


Nada. Simplesmente uma "operação militar especial" não pode durar 10 meses, um ano, dois, três... Sabe-se lá quantos...


Não. Não é "lapsus linguae" de Putin. É apenas a confirmação de boca própria que a estratégia falhou em toda a linha. E a forma que encontrou de o continuar a negar!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Não. Não é uma história de Natal, é uma história de todos os dias!


De repente, vindo do nada, surge em conferências, rádios, jornais e televisões. Tem a lição bem estudada, evita obstáculos e contorna as curvas, num discurso bem embrulhado e que soa bem ao ouvido.


Usa o plural majestático, nunca fala por apenas si: "nós na ONU"!


Vi-o, como provavelmente muitos dos leitores, ainda na última sexta-feira no Expresso da Meia Noite, da SIC Notícias. Respondia pelo nome de Artur Batista da Silva, e dizia coisas que quase encantavam. Confesso que achei “fruta a mais”: tinha alguma dificuldade em ver a ONU por trás daquelas posições!


O Nicolau Santos foi um dos que se deixaram encantar. Deu-lhe palco ns SIC Notícias, no Expresso da Meia Noite, e deu-lhe corda no Expresso, na sua coluna do caderno de Economia: espalhou-se ao comprido. Vai passar o Natal estatelado, sem se conseguir levantar!


É um impostor, com acusações de burlas e desfalques. A ONU não faz ideia do que seja esse nome, nem do observatório que ele diz dirigir. Nem tem nada a ver com que ele diz... 


Como é possível?


É possível como sempre foi. Talvez mais possível do que alguma vez tenha sido. A informação corre tão depressa que toda a gente a quer agarrar antes que fuja. Mesmo que se agarre o gato, se deixe fugir a lebre e se faça figura de anjinho!


 


PS: Rádios (TSF) e Jornais (Jornal de Negócios) retiraram já as notícias que estavam "linkadas"!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Visita bem sucedida

Zelensky de visita a Washington. Acompanhe em direto


Em vésperas de 10 meses de guerra, e às portas do Natal, Zelensky foi a Washington, na sua primeira saída do país depois da invasão russa. Foi uma visita de "charme", para conquistar corações americanos. Democratas, e acima de tudo republicanos, bem mais frios... 


De lá, trouxe promessas de mais apoio militar, incluindo os mísseis Patriot. Promessas de amor para toda a vida e avisos para Putin... 


Mas foi acima de tudo uma visita para voltar a "dar gás" à causa ucraniana. Para voltar a colocá-la no topo da actualidade mundial. Zelensky sabe que deixar cair a guerra das primeiras páginas dos jornais, e do "prime time" noticioso das televisões, é o primeiro passo para o esquecimento. 


Isso vai muito para além de todas as promessas. E conseguiu-o!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Portugal está em guerra: a guerra da crise. É preciso que em cada português haja um soldado para a vencer – disse, ao fim da tarde, Passos Coelho na Associação dos Deficientes das Forças Armadas.


Há muito que deveria ter declarado guerra à crise. Mas alimentou-a, em vez de a combater. Agora até poderá ter soldados, mas não tem exército. Ou tem, mas faminto, abatido, roto e esfarrapado…


De manhã já dissera que 2012 tinha sido o pior ano desde 1974. Talvez nessa altura ainda acreditasse que o mundo acabaria mesmo… Já todos pudemos confirmar que não acabou, que vamos mesmo ter que enfrentar 2013. E 2014… E a Comissão Europeia a dizer que o corte dos 4 mil milhões na despesa não é suficiente…


Ainda nos vamos lembrar deste dia em que o mundo acabava. E se calhar perguntar por que é que não acabou!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

É isto!

Rui Calafate aconselha Essugo e todos os jogadores: «É preciso bom senso  nas redes sociais» - Sporting - Jornal Record


Dário Essugo, um miúdo de 16 ou 17 anos, que já joga na equipa principal do Sporting, e promete - não é ele, o próprio, que promete, porque, isso sim, não seria "bom senso" - ser grande no futebol, entusiasmado com a final do mundial de futebol, e com Messi, "postou" no seu Instagram "Messi goat".


Foi trucidado por um arrastão de energúmenos, e obrigado a apagar o que escrevera. Sabe-se como estes arrastões são o "pão nosso de cada dia" das redes sociais. Trate-se do que se tratar. Sabe-se como a clubite tomou conta do assunto. E como nem quem tem responsabilidades na comunicação lhe escapa. Não se imaginaria era que chegasse ao ponto de se colocarem ao lado da estupidez e da intolerância da turba das redes sociais. Que, perante a brutalidade, escolhessem acusar a vítima de falta de "bom senso"!


É (ainda) isto! 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Conselho de Ministros decidiu não vender a TAP ao plurinacional Senhor Efromovich. Vale a pena uma opinião pública crítica. Vale a pena protestar e agitar consciências…


Ou alguém acredita que um negócio destes pudesse abortar por falta de uma garantia bancária de 25 milhões de euros?


Finalmente uma pontinha de asseio!

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Sporting apresentou Jesualdo Ferreira: o novo treinador, apresentado como manager!


No meio de tanta incongruência dificilmente poderia ser apresentado como outra coisa, mas é do novo treinador que se trata.


Apesar da excitação não passa de mais um novo treinador e de mais um coelho que Godinho Lopes tira da cartola… Certamente o último!


Os mais crentes – sim, o clubismo é mais que uma religião – acham que Jesualdo é Jesus, o Messias, por que há tanto suspiram. E deixam-se invadir por uma onda de excitação que os ventos que correm em Alvalade, paradoxalmente, até podem justificar.


Não me agrada nada o papel de desmancha-prazeres. Mas não posso deixar de avivar a memória dos mais entusiasmados, referindo que Jesualdo teve sucesso no Porto, onde chegou em circunstâncias invulgares, se bem estamos lembrados. Neste Porto das últimas duas décadas onde, como há muitos anos Mário Wilson (já não há gente desta humildade) disse do Benfica, qualquer um se arrisca a ser campeão. Ali, não importa agora como nem porquê, todos os treinadores são bem sucedidos. Até o Vítor Pereira!


Antes, fora um desastre no Benfica – o treinador das duas piores classificações: o sexto lugar que nos envergonha, de 2000-2001, ano do título do Boavista, e o quarto da época seguinte, no último título do Sporting – e, no Braga, um dos treinadores de menor performance da nova era de Salvador, onde Jesus, Domingos e Leonardo Jardim se encarregaram de reduzir os seus resultados à simples dimensão de suficiente. Depois … bem, depois foi o desastre no Málaga, onde se não aguentou mais de três meses. Uma equipa que o seu substituto – Manuel Pellegrini – levou à Champions, onde acaba de se apurar em primeiro lugar no seu grupo, sem qualquer derrota, mesmo depois da sangria – o sheik do dinheiro deu à sola - do último Verão. E viu-se grego no Panathinaikos, de onde acabou de ser despedido, para se oferecer ao Sporting, ao mesmo tempo que desenterrava o velho tema dos túneis. Um tema que, para ele, era dois em um: mitigava o seu último inêxito nacional, e com ele todos os que lhe sucederam, e entrava directamente por uma das portas de afronta ao Benfica. Sabendo qualquer uma é a porta 10 A para entrar em Alvalade!


No seu discurso de apresentação começou por exaltar o Sporting como um clube diferente. Exactamente como eles gostam de dizer. E mais ainda de ouvir! E quase ia dizendo que era sportinguista desde pequenino. Vá lá, segurou-se a tempo…


Ouviu-se da boca de um dos portistas residentes num desses múltiplos programas que as televisões dedicam ao confronto clubístico que, no meio da tertúlia azul e branca, alguém terá perguntado ao Jesualdo o que é que ia fazer para o Sporting. E que a sua resposta terá sido: “pagam-me; enquanto me pagarem estou lá”…


Confesso que a última coisa que me apetecia agora era atirar com água gelada para cima dos sportinguistas. Juro que não quero mais nada que pôr alguma água na fervura. Que alguma ordem chegue ao circo que Godinho Lopes armou ali à entrada do Lumiar!


Mas desconfio que o tipo que está ligado à pior classificação de sempre do Benfica (e à pior do Porto neste século, a par de Octávio, também de boa memória em Alvalade) não deixará de fazer menos no Sporting… 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

O mundial (da despedida) de Ronaldo & Messi

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi juntos em campanha de marca de luxo


Cristiano Ronaldo e Lionel Messi têm pouco em comum. Só que é muito, o pouco que têm em comum - o génio que os colocou no topo do futebol mundial durante década e meia, somando 12 bolas de ouro nesse período, com vantagem (7-5) para o génio argentino. Entre 2008 e a actualidade, só por três vezes um deles não foi "o melhor do mundo": em 2018 (Modric, em ano de mundial), em 2020 (Lewandowsky, no tributo ao golo) e neste ano (Benzema, no tributo à persistência). Durante 11 anos consecutivos ninguém se intrometeu entre eles!


Tinham, até ontem, também o insucesso comum de, ambos com o recorde de cinco presenças em fases finais, nunca terem sido campeões do mundo. O título que faz a diferença entre os melhores de sempre. Faltando o título de campeão do mundo falta sempre qualquer coisa a uma grande carreira. Faltando uma presença marcante numa fase final de um mundial, fica ainda mais a faltar. Messi já tinha sido o melhor do mundial do Brasil, em 2014. Mas não era suficiente. A Cristiano Ronaldo até isso faltava. Ambos contavam apenas com um título continental de selecções.


  Este Campeonato do Mundo do Catar era a última oportunidade para ambos.O argentino já tinha avisado que seria o seu último. Ronaldo, sem tal pronúncio, terá 41 anos no próximo...


Nada mais têm em comum. São personagens e personalidades completamente diferentes, fisicamente diametralmente opostos, e jogadores totalmente distintos na sua relação com a bola e com o jogo. Messi levita no campo, Ronaldo é tracção total. Ronaldo é um atleta que ataca o espaço e a bola, Messi é um artista no espaço que pisa com uma bola colada aos pés. Ronaldo é explosão a atacar o espaço, e rapidez e potência a atacar a bola. E isso exige condições físicas e atléticas no máximo. Messi, inventa espaço onde ele não existe através do drible e do passe. Para isso Messi não precisa, nem nunca precisou, até porque nunca teve, condição atlética de topo.


Os anos pesam de forma completamente diferente nos atributos de um, e de outro. E, depois, na confiança. Como se viu. Messi continua a fazer o que sempre fez. E a marcar golos que só ele consegue. Ronaldo já não marca os golos que só ele conseguia. E, sem confiança, nem os que qualquer um marca. Para Messi, o parágrafo anterior continua a conjugar-se no presente do indicativo. Para Ronaldo tem que utilizar o pretérito perfeito.


Só por isso, dificilmente Cristiano Ronaldo poderia chegar a este Mundial em condições para fazer o que não fez nos anteriores, no apogeu do seu ciclo bio-desportivo. Não é por acaso que já passaram cinco anos sobre a sua última bola de ouro, a quinta. Então, tantas quanto Messi, que depois disso venceu mais duas e, pelo que se viu, poderá ainda voltar a ganhar a próxima.


Ao natural ciclo da vida. e às características do desempenho desportivo acrescem, depois, os traços de personalidade de cada um. Ambos terão à sua volta uma estrutura de gestão das suas carreiras pessoais e desportivas. Pouco se sabe da do discreto Messi - apenas mais um distinto traço de personalidade. Da de Ronaldo sabe-se que funcionou na perfeição durante anos, mas que não funciona mais. Tudo o que constitui a desastrosa gestão de carreira dos últimos meses, que liquidou qualquer possibilidade de sucesso na participação neste mundial,  mostra que não já não funciona.


Não é nada de inédito. É da dinâmica das organizações que equipas de sucesso acabem esgotadas. Mas, e mais uma vez por traços de personalidade, não será de excluir que o "ego" de Ronaldo tenha transformado a sua estrutura, na sua corte. Que, em vez de aconselhamento lúcido e sensato, passar a dizer ao soberano apenas o que ele quer ouvir. E garantir as mordomias cortesãs.


Daqui sai a última peça do puzzle que fecha a história de dois génios da bola que chegaram ao Catar à procura do título que lhes faltava. Messi com toda a equipa ao seu lado, e com 46 milhões de argentinos atrás de si. E a encher estádios. Da Argentina saíram 45 mil. De outros pontos do mundo terão chegado mais de uma dezena de milhar. E Ronaldo a dividir a equipa, dentro e fora de campo. E a dividir o país!


Entre quem acha que Ronaldo está a arruinar uma carreira brilhante, e quem acha que quem acha isso é ingrato. E invejoso. Entre quem gostaria que Ronaldo soubesse sair dignamente de cena, e quem quer reduzi-lo à simples expressão da clubite. Entre quem lamenta que um grande jogador de futebol de expressão mundial se recuse a aceitar a lei da vida, e quem lhe exalta o ego à dimensão do fanatismo religioso. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Ontem, no Parlamento, Vítor Gaspar teve mais uma das suas habituais prestações. Para além de voltar a falar dos impostos como se neles não tivesse qualquer responsabilidade, e de se transformar os falhanços rotundos e grosseiros das suas previsões em acertos raramente vistos em tempo de recessão, salientou os verdadeiros mas escassos aspectos positivos: a descida dos juros da dívida pública, a redução do défice primário e … o aumento da credibilidade do país.


Se a descida das taxas de juro da dívida pública nos mercados secundários e a redução do défice primário são dados objectivos e factos provados, o aumento da credibilidade externa do país já o não é. Não há nada que a meça, apenas se poderá concluir a partir de dados e indicadores que possam apontar nesse sentido. O comportamento das taxas de juro até poderá ser um deles, mas só isso!


Mas quando um jornal como o El País diz que o governo está a vender Portugal e se refere, da forma que o faz, aos processos das privatizações recentes, como a da EDP, ou em curso, como as da TAP e da RTP, não há razão nenhuma para avaliar em alta a credibilidade do governo. Que é quem precisamente faz a do país!


 

domingo, 18 de dezembro de 2022

A expressão máxima do futebol numa final do campeonato do mundo


Depois de, ontem, a Croácia ter conquistado o terceiro lugar frente à surpreendente selecção de Marrocos, num jogo típico dessa disputa, hoje foi o dia da final. Inédita, num jogo épico que foi futebol na sua expressão máxima.


Uma final de duas por três. Em que houve duas sem três e, às três, foi de vez.


França e Argentina procuravam o seu terceiro título mundial. Os sul americanos à terceira, depois de duas finais perdidas (1990 e 2014) após o último título, em 1986. O de Maradona,de quem deveria também ter sido o de 90, em Itália.


Hoje, por duas vezes, a Argentina teve a mão na Taça dourada, e por duas vezes a França lha retirou. À terceira, foi de vez, e não a largou mais.


O jogo começou dentro das expectativas, com os franceses expectantes, dentro do seu registo calculista, e os argentinos com mais iniciativa. A Argentina dava mais nas vistas com o seu futebol sólido, mas também mais entusiasmante, com Messi, Enzo Fernandez e Mac Allister (sim, é escocês de origem) a mexerem os cordelinhos, e Di Maria a partir a loiça toda. Do lado francês não se via Mbappé, nem Grizmann. Via-se Dembelé, mas no pior.


Estava o jogo nisto, com Di Maria - precisamente - a dar cabo da cabeça a Koundé e a Dembelé quando, depois de levar mais um nó do ainda mágico argentino, o extremo do Barcelona cometeu infantilmente um penálti. Messi bateu naturalmente Lloris e, na altura, pensou-se que, com a primeira parte a meio, isso era o que melhor podia acontecer ao jogo.


A França teria que abandonar a sua convencionada - e convencida - atitude expectante e começar a jogar a bola. E, com aqueles jogadores todos de enorme qualidade, era o que todos queríamos ver.


Pura ilusão. O que aconteceu foi exactamente o contrário, e foi a Argentina que, em vantagem, partiu para o domínio do jogo, e para o seu melhor período em toda a partida. E pouco mais de 10 minutos depois, numa saída rápida de compêndio, com tudo bem feito e ao primeiro toque, do primeiro passe de Messi à assistência de Mac Allister e ao remate final de Di Maria, chegou ao 2-0. E tudo parecia resolvido.


Deschamps mexeu de imediato na equipa, sem esperar sequer pelo intervalo, tirando Giroud e Dembelé. Mas o jogo não mudava de sentido. À entrada do segundo quarto de hora da segunda parte Scaloni trocou o desiquilibrador mor, Di Maria, então já esgotado, por Acuña, convencido que o jogo estava ganho e que bastaria controlá-lo. 


Tinha as duas mãos na Taça do Campeonato do Mundo!


Tudo parecia dar-lhe razão, até porque os franceses nem sequer um remate à baliza tinham feito. O primeiro só surgiu aos 70 minutos, de Mbappé, e totalmente desenquadrado da baliza de Emiliano Martinez, apenas mais um espectador da final, quando Deschamps tirava do campo Grizmann, trocando o organizador e pensador de jogo por mais uma "moto" - Coman, o ala do Bayern.


Mas nada mudava. Até que, às duas por três, já o ponteiro ia nos 80 minutos, Otamendi teve um dos seus deslizes. Não tem muitos, mas como já cá anda há muitos anos, às vezes até parece. Deixou a bola bater, e acabou antecipado por Kolo Muani - a primeira das "motos" a entrar -, com o polaco Szymon Marciniako a assinalar penálti.  


Mbappé converteu o penálti e nem deu tempo para imaginar o que aí vinha porque, no minuto seguinte, ao terceiro remate do jogo, num golo de efeito estético digno de uma final de um campeonato do mundo, empatou o jogo. 


Pensou-se então que a germanização da França, que Pétain não conseguira há 80 anos sob Vichy, era agora consumada pelo futebol. E que Gary Lineker teria que alterar o seu axioma para ... "e no fim ganha a França"!


Dificilmente a Argentina resistiria a um golpe destes. Oitenta minutos por cima do jogo para, em dois minutos, ver desaparecer uma vantagem de dois golos. À França só podia sobrar motivação para o vitorioso ataque final a um título que há bem pouco parecia completamente irrecuperável.


Nos quase 20 minutos que o jogo ainda durou nem a Argentina afundou, nem a França avassalou. E o jogo foi para prolongamento, acrescentando mais trinta e tal minutos aos 105 que já tinha tido. E a Argentina volta pôr a mão na Taça, com novo golo de Messi, logo no arranque da segunda parte do prolongamento. Para ter que a tirar de novo, a dois minutos do fim, com novo penálti convertido por Mbappé, com a notável marca de três golos na final do campeonato do mundo - provavelmente a melhor de todas as finais - e sagrar-se melhor marcador, com 8 golos, mais um que Messi.


Chegou então a vez de Emiliano Martinez se tornar no melhor guarda-redes do mundial. Primeiro com uma defesa notável, a negar o golo a  Kolo Muani, no último minuto do prolongamento - ainda assim, antes da última oportunidade da Argentina, desperdiçada por Lautaro Martínez - e, depois, no desempate nos penáltis, ao defender o remate de Coman, o segundo da série, que lançaria os franceses para novo falhanço (Tchouaméni rematou ao lado). 


Pela terceira vez os argentinos tinham a mão na taça. Às três foi de vez, e os argentinos nem precisaram do quinto penálti para segurar definitivamente o terceiro título mundial. Este de Messi (melhor jogador), de Martinez (melhor guarda-redes) e de Enzo Fernandez (melhor jovem)!


Dois dos campeões do mundo são do Benfica, tantos quanto o Atlético de Madrid. Nenhum outro clube tem mais!


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Miguel Relvas já está reformado: certamente uma das tais que Passos Coelho denunciava. Parece que é suspeito de marosca neste mal explicado processo de privatização da TAP, envolvendo-se com gente grande do Brasil.


TAP que, entretanto e mau grado não ter se não um único interessado nesse processo, não pára de receber prémios internacionais: desta vez foram os americanos a considerá-la a melhor da Europa.


Que relação há entre todas estas notícias?


São todas más! Más notícias para Relvas, claro. Mas ele não se importa. E Passos Coelho também não…

sábado, 17 de dezembro de 2022

Perder sem perder


Há jogos que, sem se jogar muito bem, também não se joga mal. Em que a superioridade sobre o adversário é clara. Em que, sem se criarem inúmeras oportunidades de golo, se criam as suficientes para, com uma taxa de aproveitamento simplesmente razoável, golear.  


O jogo do Benfica esta noite em Moreira de Cónegos, foi um desses. 


O Benfica não fez uma exibição ao nível dos que nos tem habituado. Nem isso seria de esperar de uma equipa com Draxler - tardou tanto em afirmar-se que já não tem tempo para ganhar espaço - e Chiquinho, e com apenas dois jogadores  dos jogadores decisivos - Grimaldo e Rafa - a manterem o estado de forma ao nível anterior à interrupção para o Mundial. Mas jogou o suficiente para ganhar o jogo, condição necessária para seguir para os quartos de final - a novidade deste ano - da Taça da Liga.


O empate deixava Benfica e Moreirense empatados com os mesmos 7 pontos e a mesma diferença favorável de 3 golos, com o desempate a favorecer o líder da segunda liga por ter mais um golo marcado (e sofrido). Por culpa do próprio Benfica, porque não se aceita lá muito bem que perante os mesmos adversários, e todos da segunda liga, não tenha conseguido fazer melhor que o Moreirense. Os minhotos apostaram tudo nesse desfecho, e contaram com a inspiração de Passinato, um velho conhecido. Defendeu tudo o que havia para defender, incluindo o golo. Até esse remate de Gonçalo Ramos defendeu, mesmo que sem evitar que a bola acabasse dentro da sua baliza, já perto do intervalo.


Antes, aí pelo meio da primeira parte, depois de 20 minutos a sufocar o adversário, num daqueles penáltis da nova vaga, em que a bola vinda de um lançamento lateral foi bater no braço de Florentino, já o Moreirense tinha marcado. Mas também já demonstrava que, sempre que pudesse, isto é, sempre que não fosse obrigado a estar lá acantonado lá atrás, conseguia sair em contra-ataque.


Se se quisesse uma fotografia do jogo seria esta. O Benfica em cima da área contrária, mas com limitador de velocidade, tipo "cruize control", e o Moreirense, quando podia. a sair em contra-ataque em aceleração. No "passeio" do Benfica faltava aos jogadores a inspiração sobrava a Passinato. E nem essa coisa da sorte e do azar das bolas nos ferros pode ser invocada. Se o Benfica teve três remates nos ferros da baliza de Passinato, o Moreirense teve dois na de Odysseas. Que em todo o jogo fez uma única defesa.


Também Roger Schemidt poderia ter estado mais inspirado. Mexeu muito tarde na equipa esperando, também ele, que em algum momento a bola acabasse por entrar. Poderia ter entrado, até ao último minuto, ocasiões não faltaram. Mas não entrou e, mesmo continuando sem perder em competições oficiais, empatar foi perder. 


E dizer adeus a uma competição, que é sempre um título, no confronto com equipas da segunda liga, não agrada a ninguém. Evidentemente. 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Passos Coelho deu ontem, nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, uma canelada a Cavaco. Referindo-se às pensões, dizendo que não correspondiam às contribuições efectuadas para concluir que não pode ser inconstitucional que sejam mais tributadas que os salários, Passos bateu duas vezes em Cavaco com uma só cacetada: atingiu-o directamente na(s) sua(s) própria(s)  reforma(s) – para as quais não descontou – e na sua decisão de remeter o Orçamento para fiscalização sucessiva do Tribunal Constitucional.


Cavaco merece isto e muito mais, mas esta é uma leitura suave das palavras de Passos Coelho, uma leitura própria de Marcelo, também ele interessado em dar-lhe umas bicadas. Porque, podendo ter atingido Cavaco, o que Passos fez - e quis fazer – foi, a partir de uma matéria que sabia tornar-se popular, desvalorizar a Constituição e os limites constitucionais às suas ideias. O que fez foi manipular uma realidade para meter no mesmo saco coisas que não se podem misturar.


Para ser sério Passos não pode tratar da mesma forma o que é diferente. E é diferente, completamente diferente, uma pensão de reforma que resulta directamente de uma vida de contribuição – e essa é a condição normal dos cidadãos normais – e uma pensão de reforma abusiva, como todas as que decorrem do exercício de funções políticas directas e indirectas, sendo estas ainda mais escandalosas, como as do Banco de Portugal e de outras instituições públicas.


Pensões verdadeiramente escandalosas e ilegítimas – venham de entidades públicas ou mesmo de privadas, como é o exemplo de Jardim Gonçalves – só têm que ser tratadas à luz do abuso que representam. Não podem nunca ser abusivamente usadas para justificar o autêntico assalto ao pensionista comum que Passos Coelho e Vítor Gaspar perpetram neste orçamento.


Não param de meter os pés pelas mãos. Mas sempre com má-fé!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O programa Trio de Ataque, na RTP Informação, onde decorria uma entrevista ao presidente do Sporting, foi subitamente interrompido e saiu para intervalo. Um intervalo que ultrapassou a meia hora, com uma série de buchas pelo meio que meteu pássaros, livros e até Croácia.


No regresso, o apresentador - Hugo Gilberto – disse que o intervalo se tinha alongado por motivos de força maior e retomou a entrevista a Godinho Lopes.


Que se terá passado?


Um trio de (ataque) de hipóteses:


a)     O Luís Filipe Vieira entrou por ali dentro a chamar-lhe aldrabão;


b)    O Vercauteren entrou por ali dentro a pedir explicações sobre o Jesualdo;


c)     O Ismailov entrou por ali dentro a exigir que lhe não chamassem maçã podre.


Nas três hipóteses uma coisa é certa: alguém entrou por ali dentro, ao ataque!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Perder o respeito

Advogado acusa Ministério Público de “quebrar a dignidade de Manuel Pinho”  - Renascença


Foi ontem conhecida a acusação de Manuel Pinho. Os traços gerais dessa acusação já eram do conhecimento público, e os factos já conhecidos que, aos olhos da opinião pública, transformam o ministro da Economia de José Sócrates num dos mais corruptos governantes da História recente de Portugal, lá estão. Incontornáveis, e indesmentidos.


Entre eles, que, durante 18 anos, entre 1994 e 2012, Manuel Pinho recebeu - ele e a mulher, que por isso é também acusada - do "saco azul" do BES 15 mil euros por mês, e ainda meio milhão de euros de uma só vez em Maio de 2005, numa conta "off shore", que nunca declarou à entidade fiscal. Desses, cerca de cinco milhões de euros, recebidos quando já era ministro da Economia do primeiro Governo de José Sócrates. 


Manuel Pinho, como qualquer cidadão num Estado de Direito, tem direito a defesa. Que compete a um advogado. Aos indigentes são disponibilizados os serviços de um advogado oficioso; os outros contratam-nos nas medidas das suas capacidades financeiras. Os poderosos contratam advogados famosos, numa lógica de espiral mediática.


A todos compete exercer a defesa dos seus constituintes, sendo normalmente a eficácia desse exercício directamente proporcional aos respectivos honorários. E à respectiva relevância mediática. Acreditando ou não na inocência do seu constituinte, defendem-na. Quando isso se torna de forma mais óbvia impossível, focam-se nos atenuantes que permitam reduzir ao mínimo os crimes provados e as penas previsíveis.


É este o trabalho dos advogados, procurando todos os argumentos, e na lei todas as vias para, em Tribunal, o exercer com total legitimidade. No entanto, sempre que dispõem de tribunas mediáticas, e os seus clientes de grande exposição pública, não o fazem apenas nos Tribunais. Fazem-no no espaço público mediático.


São as regras do jogo, podemos não concordar, mas é assim. Quando os advogados actuam no espaço mediático a jogar esse jogo, estão dentro do jogo. Já se actuam nesse espaço a jogar outros jogos, designadamente o jogo do comentário político, ou o da cidadania, dando a cara por causas, o caso muda de figura. 


Ricardo Sá Fernandes, o advogado de Manuel Pinho, é um destes casos. É um advogado mediático, mas a sua exposição mediática é muito associada a causas da cidadania. Tanto que lhe cobre até a rectaguarda sempre que cruza a porta política, circunstância de resto frequente. Para além das causas da cidadania em geral, Ricardo Sá Fernandes, é particularmente interventivo na causa da luta contra a corrupção.


Quando ontem o vimos nas televisões a defender o seu cliente percebemos como o caso muda de figura. Poderá até não ter de Manuel Pinho a visão que, neste caso, a opinião pública dele tem. Poderá não comungar da ideia instalada que se trata de um dos governantes mais corruptos da nossa História recente. Não pode é dizer nas televisões que o único "erro" - nem crime lhe chamou - de Manuel Pinho é de natureza fiscal. Que apenas falhou por não ter declarado aqueles dinheiros à Administração Fiscal. E não pode, de maneira nenhuma, dizer que esses dinheiros recebidos através de  "off shores", sem qualquer ligação contratual conhecida, e já enquanto ministro, eram simples pagamentos de valores em dívida por serviços prestados antes da cessação da antiga ligação contratual ao BES.


Porque, nisso, nem ele, nem ninguém pode acreditar. Nem ele, nem ninguém, pode acreditar que, terminado o contrato de trabalho de Manuel Pinho, e feitas as respectivas contas, Ricardo Salgado lhe tenha dito que não lhe dava muito jeito pagar-lhe o que lhe devia, e negociar com ele o pagamento em "N" prestações mensais durante meia dúzia de anos, através de uma "off shore", para a sua conta e para a da mulher.


Ricardo Sá Fernandes poderia até defender isso no Tribunal. Não o fará, estou certo. Saberá naturalmente que será difícil fazer prova dos indícios de corrupção, mas também sabe que não há um único juiz que consiga convencer dessa tese de pagamento diferido.


Por isso, ainda porque o próprio Manuel Pinho não dá qualquer explicação para os factos de que é acusado, se limita dizer que "é uma mentira pegada", e que "investigar durante onze anos é perseguir, o que não se admite numa democracia”; e ainda porque, por ser o que é no espaço mediático, Ricardo Sá Fernandes não pode deixar de saber que deve respostas ao país, não pode fazer o que ontem fez no espaço público. 


Poder, pode. Não pode é continuar a merecer o respeito que provavelmente julga que lhe é devido. O meu, perdeu-o definitivamente!


 


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


AutoMATICamente na frente. AutoMATICamente a jogar bem. AutoMATICamente a marcar golos. E marcar golos é, AutoMATICamente, Cardozo: dois hattricks consecutivos!


AutoMATICamente, o Ola John a partir os rins àquela gente toda. AutoMATICamente, André Gomes confirma-se, jogo após jogo, como um belíssimo jogador. AutoMATICamente, a equipa defende bem: Garay é simplesmente imperial, e  até o Jardel é já um central a sério!


De Matic nem vale a pena falar. AutoMATICamente está tudo dito: que grande jogador ele está!


Ainda bem que o Javi e o Witsel partiram. Matic não concentra apenas o melhor dos dois: é mesmo melhor que ambos juntos!


É mais que dois em um. É três em um: ele é 6, ele é 8 e ele é até 10… Que abre, que rompe, que faz o último passe… Como se acabou de ver, à procura do golo para o Lima!


AutoMATICamente 4 a 1...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Presidente, segundo anuncia hoje o Expresso, vai promulgar o Orçamento e enviá-lo depois para o Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva.


É Cavaco no seu melhor: o Presidente que concorda e discorda ao mesmo tempo da mesma coisa, que decide não decidir coisa nenhuma, pretendendo deixar a ideia que decidiu. Que adia os problemas em vez de os enfrentar, pensando que escolhe sempre o caminho que lhe permita passar entre os pingos da chuva…


Assim, os problemas virão lá para meados do ano. E pela mão do Tribunal Constitucional… Nessa altura a execução orçamental estará em tal estado que as inconstitucionalidades já não contam para nada… Ninguém lhes liga nenhuma e o Tribunal Constitucional é a força de bloqueio que não bloqueia coisa nenhuma!


É esta a aposta de Cavaco.


O país?


Que importa?


É assim há 30 anos e ainda não se deu mal com isso!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

A verdadeira surpresa


À luz do que hoje se viu nesta surpreendente meia-final entre as selecções de França e de Marrocos, a surpresa não esteve não esteve no extraordinário percurso dos marroquinos até aqui, neste mundial do Catar.


Não esteve no apuramento no primeiro lugar do seu grupo, à frente da Croácia, e da Bélgica e do Canadá. Não esteve na surpreendente eliminação da favorita Espanha. Nem esteve na então já menos surpreendente forma como mandaram a selecção portuguesa para casa, já nos quartos de final do nosso descontentamento.


A surpresa, a grande surpresa, esteve na forma como os marroquinos disputaram esta semi-final. Desde logo porque tiveram que a disputar em condições completamente diferentes daquelas com que tinham lidado ao longo de todo o percurso. Com três baixas importantes na equipa, duas logo na dupla de centrais, e com um golo - o primeiro marcado por um adversário - sofrido logo nos primeiros cinco minutos a equipa marroquina teve de se virar do avesso. 


E, virada do avesso, vimos uma equipa que tinha provado que sabia defender, saber atacar. Que tinha em média pouco mais de 20% de posse de bola, passar a ser a dona da bola. Surpresa foi que não ser o seu extraordinário guarda redes a figura do jogo, que não fez uma única defesa, mas ser Lloris a ter que brilhar. Surpresa foi ser quase sempre melhor que a melhor, e a mais qualificada, selecção da competição. Que a campeã do mundo em título, e favorita à revalidação.


Não há surpresa na vitória feliz da França - em três oportunidades, marcou dois golos felizes, a abrir e a fechar o jogo; enquanto, na sua baliza, não havia forma da bola entrar. Porque é isso - é melhor! Não há injustiça, porque no futebol a justiça faz-se de resultados. Mas a grande surpresa desta selecção de Marrocos aconteceu neste jogo!


Começou a desenhar-se logo no início do jogo, e durou até mesmo ao fim. Quando, aos cinco minutos de jogo, olhamos para o desenho do jogo e vimos três jogadores franceses no meio da linha de defesa marroquina, e mais três entre linhas, percebemos que estava ali a chave do jogo. Quando Griezmann escapou e conseguiu entregar a bola atrasada para Mbappé rematar contra Hakimi, levando-a a sobrar para Theo Hernandez, sozinho no espaço que pertencia o lateral direito do PSG, acrobaticamente a enfiar na baliza, o destino parecia traçado. E não era outro que, a ganhar, a melhor equipa, passaria a mandar no jogo. E, a perder, a equipa que só defendia, sem nada já para defender, afundar-se-ia.


Não aconteceu nada disso. Aconteceu tudo ao contrário. Quem era suposta mandar, passou a ter que obedecer. Quem tinha como destino afundar-se, levantou a cabeça e passou a mandar. Não ganhou o jogo, acabando até por voltar a sofrer novo golo a dez minutos do fim, de novo com um remate de Mbappé a ser desviado por um adversário, com a bola sobrar para Kolo Muani, o avançado do Eintracht que acabara de entrar, empurrar, junto ao poste, a bola para a baliza na primeira vez que lhe tocou. Mas ganhou o respeito que todas as surpresas anteriores não tinham sido suficientes para ganhar.


É costume dizer-se nessas surpresas, que a equipa tida por mais fraca ganhou o único jogo que ganharia em dez. Admito que muitos o tenham dito da vitória de Marrocos sobre a selecção portuguesa, no passado sábado. Mas, a jogar como então jogou a nossa selecção, e a fazê-lo como hoje fez a marroquina, fico com a ideia que, ao contrário, em dez jogos, seria a portuguesa a ganhar um.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


As privatizações, neste último acto que rapa o que do pote sobrou para rapar, estão a revelar-se autênticos negócios da China. E não é porque as primeiras, quando o negócio foi energia, o tenham sido em sentido literal. Em sentido literal e no outro!


O modelo da negociação directa, a que o governo agora lançou mão, é também propício a isso. E a falta de transparência na negociação directa apenas faz crescer a suspeição!


Vem isto a propósito da privatização da TAP, onde, ao que parece, o Estado se apresta a entregar a transportadora aérea nacional ao milionário multinacional - tem, pelo menos, nacionalidade polaca, brasileira e colombiana - Germán Efromovich, por 20 milhões de euros. É a única proposta, mais ninguém se mostrou interessado!


A opção de abrir mão de uma companhia de bandeira como a TAP é tudo menos pacífica. Haverá certamente um milhão de argumentos para defender a privatização. Tantos quantos os que podem ser usados em sentido contrário!


Vamos por isso deixar de lado esse pormenor (ou pormaior?) do sentido - e da própria qualidade - da decisão de privatizar a nossa transportadora aérea, e foquemo-nos apenas nos dois factores mais decisivos da operação: precisamente o valor (20 milhões de euros) e a falta de propostas alternativas.


Vinte milhões de euros será sempre um valor ridículo. Mais do que ridículo: de fazer rir. Um valor que nem por símbolo pode ser tomado!


Argumenta Efromovich que a proposta é de 320 milhões de euros (argumenta até mais, que ainda assume o todo o passivo, como se não assumisse também o activo…): 300 milhões para injectar no capital da sociedade e os tais 20 milhões para os cofres do Estado. Não é verdade, tal como não é legítimo referir-se ao passivo. Propõe-se a adquirir a TAP por uns míseros 20 milhões de euros – dá vontade de dizer que até o trágico BPN, em circunstâncias não muito diferentes, foi nominalmente entregue pelo dobro – e, depois, investe 300 milhões na empresa!


O valor de uma empresa depende de uma série de variáveis. Que não só financeiras e muitas mais que as que decorrem do seu balanço. A TAP foi evidentemente avaliada. Não se poderá entender que alguém se prepare para vender um bem, seja ele qual for, sem ter uma ideia do seu valor de mercado. O governo tem evidentemente esses dados. É discutível se os deveria tornar públicos, se bem que a sua divulgação fosse um contributo decisivo para a transparência que reconhecidamente está afastada deste processo. O que já é indiscutível é que, agora, tenha que o ser!


Outros dos pecados destas privatizações é o timing. Vender, nas actuais condições de mercado, é desastroso e só o faz quem está com a corda na garganta. A opção de avançar com operações de privatização é, nesta altura, uma opção de vender em saldos. É essa a opção que o governo fez!


Mas uma coisa é saldar a TAP, outra é vendê-la por um preço meramente simbólico apenas porque é a oferta do único cliente que bateu à porta. Se apenas há um cliente, e se esse único cliente está longe de oferecer o preço justo, só resta a opção de não vender.


Se não for esta a opção, e o governo não explicar tudo muito bem explicadinho... 

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Do escândalo à final

Argentina na final do Mundial com exibição 'iMessionante'


Depois de uma entrada a raiar o escândalo, coma derrota perante a Arábia Saudita, a selecção da Argentina é a primeira a garantir lugar na final deste mundial do Catar.


Da decepção à partida, ao sucesso à chegada, foi um curto caminho de cinco jogos com uma história em três etapas. E quatro nomes. Primeiro o do treinador, Lionel Scaloni, que soube fazer fácil - emendar a mão - o que para grande parte dos treinadores é difícil. Depois os de dois jovens - Enzo Fernandez, primeiro; e Julien Alvarez, logo a seguir. O quarto é incontornavelmente o de Lionel Messi.


Ao estrear o benfiquista Enzo a titular logo no segundo jogo, Sacaloni mudou o rumo do futebol da equipa. Quando, ao terceiro, lhe acrescentou Alvarez, consolidou-o. O resto está em Messi, o génio que se solta da lâmpada para iluminar aquele futebol, e emprestar-lhe o brilho que sem essa luz se não consegue ver.


Foi este futebol consolidado, iluminado pelo brilho de Messi, que hoje foi suficiente para afastar a Croácia da sua segunda final consecutiva. Numa vitória clara, mas ainda mais expressiva!


Não há golos de primeira e de segunda. Mas a verdade é que, num jogo que seguia sem balizas, o resultado se decidiu já perto do intervalo, em apenas cinco minutos, em dois lances atípicos, estranhos mesmo.  No primeiro, dois toques verticais, o primeiro de Otamendi e o segundo de Enzo, deixaram Alvarez sozinho na cara - e no corpo todo - do guarda redes Livakovic (uma das maiores revelações da competição) donde seria difícil sair sem penálti. 


Que Messi converteu de forma a não poder ser defendido.


No segundo, não foi muito diferente o comportamento defensivo dos croatas, apanhados em contra-pé num canto a favor. Diferente foi que, em vez dos passes, foi com ressaltos sucessivos que o jovem do City chegou, e passou, pelo guarda-redes adversário. 


Foram dois lances de KO para os croatas. Depois chegou Messi, e aquele espectáculo da criação do terceiro golo, que entregou em bandeja para Alvarez bisar. E acabar, com a segunda parte ainda a meio, por trazer ao jogo, e à própria exibição, a luz que os golos "sujos" não deixava brilhar.


Vai ser a segunda final de Messi. E a última - já anunciou ser este o seu último mundial - oportunidade para se juntar a Maradona. 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Era, com Relvas, dado como o primeiro a remodelar. Não se aguentava, era um desastre: cada tiro cada melro!


De repente, e curiosamente de novo a par de Relvas, o homem desata a aparecer. E a ganhar pontos, ao ponto de ninguém mais se lembrar de remodelação. Mais: ao ponto de começara a surgir como um dos elos mais fortes deste fraco governo!


Ainda ontem à noite apresentava o seu ar triunfal na entrevista ao José Gomes Ferreira, no “Negócios da Semana”, da SIC Notícias. Tudo não tinha passado de ataques de inimigos, a quem ele incomodaria!


De repente cai tudo. Bastou a Álvaro Santos Pereira – é dele que se fala - pensar que era mesmo assim, que o problema estava nos inimigos, e passar a dar conta das suas mais profundas convicções, para voltar a cair em desgraça!


Logo agora, que tudo corria tão bem… É gente extraordinária, este nosso Álvaro.

A política em caso de polícia


O caso de corrupção que envolve a eurodeputada grega, eleita pelo PASOK, a até agora desconhecida vice-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, transporta-nos para a mais famosa expressão da nossa política caseira - "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça".


Na Europa, "à política o que é da política", materializou-se, entre outras, na reacção de "fúria, raiva e tristeza" da presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Metsola, inequivocamente expressa nesta declaração curta, mas profunda: "Não se enganem, o Parlamento Europeu, a democracia europeia e as nossas sociedades abertas, livres e democráticas estão sob ataque"! 


A deputada corrupta foi imediatamente suspensa, e a imunidade parlamentar de imediato levantada. A política a ser política, para que a justiça fosse de imediato justiça, e a senhora detida - "à justiça o que é da justiça"!


Por cá, sabemos que não é assim, e que "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça" nunca é mais que o biombo que esconde o que é a política. 


Quis o destino que, nesta segunda-feira, em que em Bruxelas se não falava de outra coisa, por lá estivesse o nosso ministro dos negócios estrangeiros, João Gomes Cravinho. Precisamente no olho do furacão de mais um caso de corrupção (ou "de participação em negócio", ou  "peculato" ou de tantos outros eufemismos que por cá gostamos de usar para esta palavra "proibida") no Ministério (da Defesa) em que então estava ministro, que acabara igualmente de rebentar.


Instado por cá a pronunciar-se sobre o que cá se passara, João Gomes Cravinho - curiosamente filho de um histórico da causa anti-corrupção -,  cá se escondeu atrás do biombo "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça". Lá, em Bruxelas, já teve no entanto oportunidade de manifestar grande "grande preocupação" com as alegações de corrupção que envolvem membros do Parlamento Europeu, que "põem em causa as instituições".


Por cá, que uma obra (para reforçar a capacidade de resposta no pique da pandemia) num hospital militar, ajustada por 750 mil euros, tenha acabado a custar 3,2 milhões, através de ajustes directos de um quadro superior do ministério (já com "currículo" na matéria, e posteriormente premiado pelo ministro com uma transferência para uma empresa da tutela)  com empresas constituídas de véspera, nem preocupa nem põe em causa as instituições.


É apenas um caso de Justiça?


Não. Não é. É a política a virar caso de polícia!


PS: A foto da Srª (ou menina?) Eva kaili é só por coisas...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O Eurostat revelou hoje que o poder de compra em Portugal caiu quase 3% em relação à média europeia. O país ocupa, como já ocupava desde 2010, o décimo quinto lugar entre os 17 da união monetária – atrás apenas a Estónia e a Eslováquia – mas cada vez mais longe dos outros. O 19º lugar entre os 27 da EU e o 21º entre os 37 da Europa onde o indicador é aplicado!


O poder de compra cai quase o dobro da queda do PIB. Quer dizer, não ficamos apenas cada vez mais pobres pelo que, ano após ano, produzimos a menos. Produzimos menos, e mesmo esse menos vale-nos ainda menos!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

E agora?

Marcelo entre o "otimismo" de António Costa e a "preocupação" de Fernando  Santos - Euro - SAPO Desporto


Creio que se poderá dizer que nunca uma selecção nacional de futebol saiu tão arrasada de um campeonato do mundo como esta. Nem no México, de Saltillo, em 1986. A Direcção da Federação, então presidida por Silva Resende, saiu vergada ao total descrédito, com a incompetência estampada na cara que deveria estar coberta de vergonha. Os jogadores não saíram bem mas, carregados de atenuantes, acabaram protegidos atrás deles. E acabou por sobrar para o seleccionador - o bom gigante José Torres, vítima, não responsável - a cruz que carregou para toda a vida . 


Desta vez os jogadores também não saíram bem - as cenas de Cristiano Ronaldo são um caso à parte, aí não entram jogadores - quando metade deles não regressou com a outra metade. Mas nem aí lhes cabe a responsabilidade maior. Essa pertence a quem lhes permitiu isso!


O seleccionador sai "refém da sua incapacidade táctica, do medo, da incoerência, mas sobretudo da sua pequenez", como referiu o embaixador no Japão. Para além das exibições e dos resultados - e não apenas nesta competição, porque se repetem há anos de mais - a que condenou um lote de jogadores como nunca outra selecção tinha encontrado, acabou trucidado à boca da(s) cena(s) de Ronaldo, onde conseguiu o "all in" - incapacidade, medo, incoerência e pequenez.


Fernando Gomes sai como o líder que nunca existiu. A personificação da inacção, que assistiu a tudo quieto e mudo, certo que essa é a posição certa para quem está à porta do elevador da sede da FIFA. Conivente, quieto,  mudo e inimputável, são as senhas de acesso ao confortável gabinete de Zurique por que espera. E onde se espera por pessoas exactamente assim. 


É por isso provável que, agora, quando há responsabilidades a assumir, tudo fique exactamente na mesma. Que não se passe nada. 


Outra coisa não seria de esperar de quem, presidindo a uma associação a que o Estado atribui o estatuto de utilidade pública desportiva, celebrou contratos com uma sociedade para preencher um cargo pessoal de relevante representação nacional com o fim único de burlar esse mesmo Estado.


Nem outra coisa será de esperar dos representantes máximos desse mesmo burlado Estado - cujos Tribunais declararam "artificiosa na contratação e realização de prestação de serviços de uma sociedade comercial, que é desprovida de substância económica ou de razões comerciais válidas e que serviu proeminentemente para a obtenção no período tributário de uma tributação mais favorável em sede de IRC em face daquela que resultaria da tributação dos mesmos rendimentos em sede de IRS" - que fizeram as figuras que vimos fazer a voar para o Catar.


Nem outra coisa será de esperar quando o Presidente é o comentador mor da bola - esteja onde estiver, não falhando sequer as "flash interviews", e só lhe faltando, como dizia o Ricardo Araújo Pereira, narrar nas televisões os jogos em directo - e sempre pronto a pegar no telefone para dar parabéns aos signatários da "artificiosa contratação" mas,  sobre o assunto, não tem uma só palavra a dizer àqueles que que levam uma vida inteira a pagar impostos, e que pagam com língua de palmo uma simples falha de um prazo.


Portanto ... agora, nada!

sábado, 10 de dezembro de 2022

Então ... boas férias


Se, em ambos os jogos de ontem, as coisas só se resolveram no desempate por penáltis, nos hoje tudo se decidiu nos 90 minutos, sem sequer necessidade de prolongamento.


No França - Inglaterra, um grande, grande jogo de futebol, porque Harry Kane falhou o penálti. Que foi o segundo a favor dos ingleses - assinalado porque, naquela que foi uma das piores arbitragem deste mundial, houve mais dois por assinalar, e ainda outro a favor dos franceses -, e restabeleceria a igualdade a dois golos, se tivesse sido convertido. Não foi assim, e a França acabou por ganhar um jogo em que não foi superior, e prosseguir a caminho para a revalidação do título mundial. 


No jogo de Portugal porque Marrocos marcou um golo e não sofreu nenhum. Ainda ninguém lhe conseguiu marcar um golo, e percebeu-se que também não seria hoje a selecção portuguesa a consegui-lo.


A equipa marroquina não fez nada que não se esperasse. E nem o facto de vir de um jogo com prolongamento, nem de ter perdido para este jogo dois dos defesas titulares, alteraram o que quer que fosse. Por isso a selecção portuguesa não teve motivos para qualquer surpresa, e teria que saber o que tinha a fazer.


Não sabia, e esse é o problema. Que não é de agora, mas de sempre. Não tendo feito o trabalho de casa, começou por copiar o que a Espanha tinha feito. Se não tinha resultado para a Espanha, que até o faz melhor, era garantido que não resultaria!


Entusiasmei-me, como creio que toda a gente, com aquela exibição e aquela goleada do jogo com a Suíça. Mas comecei por dizer que os problemas da selecção não se esgotavam nos de Ronaldo. Que, antes, depois e durante, havia os que vinham da ideia de jogo do seleccionador.


Nesse jogo - aparentemente com o problema Ronaldo mitigado - o primeiro golo surgiu, mais que na primeira oportunidade, na primeira chegada à baliza. O adversário precisou de procurar o resultado e abriu espaços. Com espaço os jogadores portugueses jogam como na rua. É o tal futebol de rua, que não precisa de treinador. 


No futebol de alta competição, e num campeonato do mundo, isso não existe. Aconteceu com a Suíça, e sabe-se lá se não poderia até ter voltado a acontecer hoje com Marrocos se, no arranque do jogo, aos 4 minutos, Bounou, a abrir logo com uma enorme defesa, não tivesse negado o golo a João Félix. Mas isso era se os milagres não habitassem também território de Alá!


Não falta à selecção portuguesa apenas ritmo, ideias de jogo trabalhadas e consolidadas, e mentalidade para enfrentar a adversidade. Falta tudo de que se faz uma equipa. Falta liderança. E falta estratégia. Para cada jogo, mas mais ainda para todo o edifício da selecção nacional, uma teia de interesses sempre em conflito com o objectivo desportivo. Que deveria ser o seu único e inegociável interesse.


Por isso esta eliminação aos pés de Marrocos só surpreende, e choca, porque se seguiu àquele jogo com a Suíça. Se olharmos bem para os outros três jogos - Gana, Uruguai e Coreia -, ou até mais para trás, nas derrotas, quando bastava o empate, com a Sérvia, para a fase se apuramento, ou com a Espanha, no afastamento da Liga das Nações, não há muito por onde surpreender.


E basta olharmos para três dados estatísticos do jogo para ser maior o choque pela exibição que pelo resultado: com 73% de posse bola, a selecção portuguesa rematou 12 vezes, apenas em 3 delas acertou na baliza; com apenas 27% de bola, os marroquinos remataram 9 vezes - pouco menos - e as mesmas 3 na baliza. O guarda-redes Bounou defendeu os três que lhe apareceram pela baliza, com três grandes defesas. O Diogo Costa sofreu o golo  logo no primeiro remate. 


Numa falha grave, a segunda, depois da do jogo com o Gana, porventura a deixar a nu a "verdura" escondida. Faltou-lhe determinação na saída ao cruzamento, mas acima de tudo avaliou mal toda a situação. Optou por tentar agarrar a bola com as duas mãos, em vez de a interceptar a punho e, o avançado marroquino En - Nesyri - a saltar sem oposição de Rúben Dias, que terá entendido que a sua intervenção na disputa da bola iria obstaculizar a acção do Diogo Costa, em condições de chegar primeiro à bola - chegou com a cabeça bem primeiro, e bem mais alto, que o guarda-redes com as mãos. 


Mas apenas mais um incidente de jogo. Que pouca importância tem no meio de tudo o que envolve esta participação portuguesa. Do contrato com o seleccionador, que é uma empresa, lá por coisas de impostos, onde a FPF, que até tem "utilidade pública", se mete; às novelas da entourage de Cristiano Ronaldo. Da estrutura de comunicação da FPF, do que brifa e não brifa ao treinador, ou do que deixa ou não dizer; aos jogadores que não regressam todos a Lisboa, porque por lá ficam uns tantos de férias...


  

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...