terça-feira, 13 de dezembro de 2022

A política em caso de polícia


O caso de corrupção que envolve a eurodeputada grega, eleita pelo PASOK, a até agora desconhecida vice-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, transporta-nos para a mais famosa expressão da nossa política caseira - "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça".


Na Europa, "à política o que é da política", materializou-se, entre outras, na reacção de "fúria, raiva e tristeza" da presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Metsola, inequivocamente expressa nesta declaração curta, mas profunda: "Não se enganem, o Parlamento Europeu, a democracia europeia e as nossas sociedades abertas, livres e democráticas estão sob ataque"! 


A deputada corrupta foi imediatamente suspensa, e a imunidade parlamentar de imediato levantada. A política a ser política, para que a justiça fosse de imediato justiça, e a senhora detida - "à justiça o que é da justiça"!


Por cá, sabemos que não é assim, e que "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça" nunca é mais que o biombo que esconde o que é a política. 


Quis o destino que, nesta segunda-feira, em que em Bruxelas se não falava de outra coisa, por lá estivesse o nosso ministro dos negócios estrangeiros, João Gomes Cravinho. Precisamente no olho do furacão de mais um caso de corrupção (ou "de participação em negócio", ou  "peculato" ou de tantos outros eufemismos que por cá gostamos de usar para esta palavra "proibida") no Ministério (da Defesa) em que então estava ministro, que acabara igualmente de rebentar.


Instado por cá a pronunciar-se sobre o que cá se passara, João Gomes Cravinho - curiosamente filho de um histórico da causa anti-corrupção -,  cá se escondeu atrás do biombo "à política o que é da política; à justiça o que é da justiça". Lá, em Bruxelas, já teve no entanto oportunidade de manifestar grande "grande preocupação" com as alegações de corrupção que envolvem membros do Parlamento Europeu, que "põem em causa as instituições".


Por cá, que uma obra (para reforçar a capacidade de resposta no pique da pandemia) num hospital militar, ajustada por 750 mil euros, tenha acabado a custar 3,2 milhões, através de ajustes directos de um quadro superior do ministério (já com "currículo" na matéria, e posteriormente premiado pelo ministro com uma transferência para uma empresa da tutela)  com empresas constituídas de véspera, nem preocupa nem põe em causa as instituições.


É apenas um caso de Justiça?


Não. Não é. É a política a virar caso de polícia!


PS: A foto da Srª (ou menina?) Eva kaili é só por coisas...

6 comentários:

  1. Plenamente de acordo.
    Apenas gostaria de deixar uma pequena nota. Isto não terá sido uma forma de a Europa lavar a face, sobre o Mundial de Futebol do Catar?
    É que no caso das vacinas Covid, os contratos estão todos nos segredos do deuses e o valor negociado foi bem superior.
    Eu cá não sou de intrigas nem de teorias da conspiração, mas...!

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  2. Até que a seguinte investigação produza resultados
    https://www.dn.pt/internacional/procuradoria-europeia-investiga-aquisicao-de-vacinas-na-uniao-europeia-15254778.html
    Conhecidos os factos de que os contratos até para informação do Parlamento Europeu foram fortemente rasurados/censurados e a extensa comunicação directa da Sra Van Der Lier com o CEO da Pfizer foi negada,
    https://www.youtube.com/watch?v=2jTgDj7uiX8
    https://www.youtube.com/watch?v=HnSnQor8zDY
    https://www.youtube.com/watch?v=mnxlxzxoZx0
    vou pensar que se trata apenas de atazanar os Qataris por não estarem a "seguir a cartilha" dos auto-propostos Mestres do Universo da UE e Washington (gás e sanções a sabemos quem), com alguma esperança que isto desate numa zanga de comadres, se venham a saber as verdades de Bruxelas, desta e tantas outras situações.
    Já para não falar de
    https://www.thegatewaypundit.com/2022/12/german-data-analyst-reveals-data-health-insurance-shows-increase-sudden-deaths-following-covid-vaccine-rollouts/

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  3. A gaja deve ter estagiado num qualquer ministério tuga, só pode.

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  4. Vemos nos blogues alguns que parecem preocupados com o mundo, mas certos assuntos só têm interesse no seu blogue. Não os vemos a comentar e a apoiar o que outros escrevem. Se de facto estivessem preocupados com o mundo e em especial com o nosso país, deveriam fazer isso.

    Ou seja, falam em certos assuntos porque isso é do interesse deles. Afinal quase tudo é feito por interesse.

    E por cá, alguns controlam o que devemos saber manipulando assim a opinião pública.

    "Não se enganem, o Parlamento Europeu, a democracia europeia e as nossas sociedades abertas, livres e democráticas estão sob ataque"!
    Sim, mas também por outros motivos. E o Parlamento Europeu também terá alguma culpa pois devia confiar menos em alguns poderes.
    Um dos problema é que as nossas sociedades não são abertas e livres. Também a qualidade da democracia é questionável. A opacidade predomina em alguns poderes.

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  5. Achei essa afirmação da Sra Presidente do PE no mínimo pitoresca e que se presta a tantas interpretações,ou seja, o exercício da justiça e do dever de transparência é uma ameaça ao Parlamento Europeu? "Estamos sob ataque" ?
    Se eu fosse o comissãrio responsável da justiça belga era capaz de começar a pôr as barbas de molho... No mínimo, lá se foi a promoçao, e a próxima comissão vai ser destacado para uma qualquer zona remota comissariar as vacas e os pardais...

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  6. Já percebi que o "Anónimo" é um especialista da verdade, em especial no nosso País. Tem que divlgar o seu currículo, o seu blogue, os seus livros e os seus artigos sobre esta matéria, já para não falar das suas acções no progresso deste país.

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