segunda-feira, 30 de abril de 2012

FINALMENTE A RESPOSTA. E NADA DE CONFUSÕES!

Por Eduardo Louro


 


A pergunta que há muito andava no ar e sem resposta, com não respostas atabalhoadas ou com lapsos, está agora finalmente respondida: os subsídios de Natal e férias retirados aos funcionários públicos e aos pensionistas estarão repostos em … 2018!


Até poderá não ser assim, já sabemos bem que estas respostas nunca são definitivas. Sabemos até que, muitas vezes, são objecto de lapsos. Mas pelo menos aí temos a resposta, pausada e firme: serão repostos gradualmente a partir de 2015 à razão de 25% ao ano. O que dá 2018!


O corte, que representa uma poupança de 1.065 milhões de euros neste ano, foi apresentado pelo ministro das finanças na altura da apresentação do Orçamento para este ano acompanhada da sua garantia de que se trataria de um corte “temporário, durante a vigência do programa de ajustamento, e esse período acaba em 2013”. O tal lapso. Um lapso colossal!


A resposta veio, claro, de Vítor Gaspar, quando apresentava hoje o Documento de Execução Orçamental aprovado em conselho de ministros. Que, como também esclareceu, não é um PEC: tem tudo o que tem o PEC, tem as mesmas funções do PEC, parece-se mesmo como o PEC, mas não é um PEC… E como não é um PEC não precisa de ser comunicado a ninguém!


Porque quem está sob intervenção externa não tem PEC. Nada de confusões, portanto, com aquela história do PEC IV…


 

domingo, 29 de abril de 2012

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS

 


Por Eduardo Louro


 


 


A equipa da União de Leiria que hoje jogou com o Feirense... Oito!


 


U. Leiria vs Feirense (Paulo Cunha/Lusa)


 


Foto de Paulo Cunha (Lusa) tirada daqui

PONTO FINAL

O Benfica não ganhou este jogo que pôs ponto final na questão do título, e que permitiu a antecipação dos festejos que neste momento inundam a invicta, mui nobre e sempre leal cidade do Porto, também porque entrou mal e reentrou pior no jogo.


Sublinhei também porque, infelizmente, voltou a suceder o costume. Se foi assim até aqui, assim teria de ser até ao fim…


A nota curiosa deste jogo residiu no regresso de Olegário Benquerença à arbitragem dos jogos do Benfica, vinte meses, quase dois anos depois. Igual a ele próprio, como costuma dizer-se!


De mão leve, puxando de amarelos a torto e a direito, mas assinalando um penalti a favor do Benfica. Inédito, creio!


Mas, porque a tradição ainda é o que era, mais dois – claríssimos e cometidos mesmo à sua frente – deixaria por assinalar. A não ter sido assim o Porto festejaria o título que o Benfica lhe ofereceu no relvado do Dragão ou no da vizinha Vila do Conde, ainda antes de o festejar na Avenida dos Aliados.


Mas nem o facto de considerar que este Porto os não terá merecido, me impede de deixar de aqui os meus parabéns aos portistas. Em primeiro lugar, e em especial, aos meus colegas dragões do Dia de Clássico e ao meu amigo Nuno, o Portomaravilha. E ao Paulo, Mr Cosmos...


Parabéns a todos vós!

sábado, 28 de abril de 2012

O PENALTI DO COSTUME

Por Eduardo Louro


 


E tudo se resolveu com penalti do costume. Não, desta vez não foi o árbitro. Que nem o viu – e não viu mesmo porque, como já era notório, ele tinha pressa em resolver as coisas – quem o viu foi o árbitro assistente. O árbitro assistente e toda a gente!


E ainda bem, porque só mesmo visto. Contado ninguém acredita: a bola, de um canto, vem pelo ar e dois jogadores do Marítimo resolvem discutir uma bola que não tinha sequer discussão. Sobem ambos, sozinhos, sem nenhum adversário por perto – nem ao lado, nem à frente, nem atrás – e um deles sobe tanto que até leva a mão à bola. Aí estava o penalti do costume…


Depois! Bem, depois o jogo pouco mais teve para contar que os cartões amarelos para os jogadores da equipa da Madeira. Um deles para um jogador que caiu na área do Porto, depois de um ligeiro empurrão de Hulk – a tal famosa questão da intensidade. Que ali, na área do Porto, nunca é a suficiente…


E já no fim, com o Porto a defender lá atrás o que conquistara com o penalti do costume, o Djalma cai na área do Marítimo. O árbitro Paulo Batista apita e vê-se um cartão amarelo na sua mão. Para pagar com a mesma moeda, poderia pensar-se. Não, estava lá também um vermelho. E a outra mão apontaria para a marca de penalti: agora sim, era este afinal o penalti do costume!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

FUTEBOLÊS#124 PROLONGAMENTO

Por Eduardo Louro


 


Prolongamento parece um vocábulo de expressão comum. Parece e é, mas a verdade é que, no futebolês, tem … um sabor especial. É certo que também significa acrescento, que acrescenta jogo ao jogo. Mas é mesmo especial. Onde é que se vai para prolongamento se não no futebolês?


Na expressão comum prolonga-se qualquer coisa. Prolongavam-se as férias e até os fins-de-semana, mas nem isso já se prolonga. Mas mesmo quando se prolongava, nunca ninguém dizia que o fim-de-semana ia a prolongamento. O mês prolonga-se cada vez mais, para um ordenado cada vez mais encurtado. Mas ninguém diz que o mês vai a prolongamento


Pronto. Já estamos todos de acordo que prolongamento é mesmo futebolês. Se ainda subsistir alguma dúvida lembro que é tanto assim que até serve para nome de um programa de televisão da especialidade...


O jogo da passada quarta-feira em Madrid foi a prolongamento. E sabe-se que se isso só servir para prolongar o resultado, vai a penaltis! Ir a penaltis também é futebolês, tão digno como qualquer outro e mais digno que resolver a coisa doutra maneira! Ainda chegou a haver a morte súbita, mas, só pelo nome, nunca poderia ser forma digna de resolver o que quer que fosse. A selecção portuguesa até passou uma vez pelo dois em um. Foi no Europeu de 2000, quando fomos afastados da final pela França com aquele penalti de morte súbita, quando passou mais uma coisa esquisita pela cabeça do Abel Xavier. Sabemos que é um rapaz atreito a muitas coisas esquisitas, mas aquela de meter a mão à bola em cima da linha final, quando até tinha os joelhos à mão, foi a mais esquisita de todas as coisas esquisitas da vida dele!


O prolongamento do jogo de Madrid não levou a nada – porque o Real não podia e o Bayern parecia que não queria – lá se foi para penaltis. Que, ao contrário do que é corrente, serviram para prolongar a permanência de Mourinho em Madrid. Corrente é que treinador que perde, sai. Mas até nisso ele é diferente: sairia se ganhasse e ficou por ter perdido!


Já Guardiola, que também perdeu mas sem ter ido a prolongamento, cumpriu a regra. E não se prolongou no comando blau grana, saiu! O que não deixa de mostrar como ainda está longe do seu rival… Mourinho raramente vai em prolongamentos nas suas equipas, sai sempre pelo seu pé e bem por cima. Remetendo-as para baixo logo que sai. Até mesmo na equipa de Abramovich: não saiu pelo seu pé, é certo, mas saiu por cima. E com as contas bancárias a abarrotar…


Pepe Guardiola saiu mas deixou lá o prolongamento, o que até poderá querer dizer que fica por perto e que até poderá regressar em breve, para outras funções. Nunca outras que não a presidência! Certo é que não estarão para breve novos duelos com Mourinho, que na próxima época lá terá que se debater com o tipo a quem enfiou o dedo no nariz. Se já lhe meteu o dedo no nariz…


À beira do prolongamento esteve o Sporting. Faltaram-lhe dois minutos, os mesmo que sobraram ao jogo, mas nem isso impede o prolongamento do estado de graça de Sá Pinto – um novo herói verde. Incrível!


Em Leiria – bem, agora é mais na Marinha Grande - onde Sá Pinto iniciou a sua carreira de treinador (adjunto, mas treinador) no início da época, também há questões de prolongamento. Bartolomeu – não farto do prolongamento da sua liderança – insistiu no prolongamento da vergonha a que conduziu a União de Leiria. Com o prolongamento dos meses sem salário os jogadores decidiram rescindir os contratos, não se deixando prolongar pelas três últimas jornadas. Já se vê esta Liga com encurtamento nos jogos e com prolongamento nos problemas!

UM ESCÂNDALO QUE É MAIS QUE UM ESCÂNDALO

Por Eduardo Louro


 




Não sei se esta notícia que faz a manchete do Correio da Manhã é verdadeira. Se não o for, o jornal está a prestar um mau serviço ao país: nesta altura, notícias destas são explosivas. Se forem falsas são autenticamente terroristas.


São conhecidas muitas outras notícias destas, de verdeira excentricidade. É bem provável que também esta seja verdadeira e sendo-o, é mais que apenas mais um escândalo!


É a prova provada de que o país foi saqueado e continua a saque. E de que não há quem ponha mão nisto…


É bom saber que há por aí gente cheia de acções do BCP, que comprou – porque o Sr Jardim pôs os gestores de conta a impingi-las a pobres coitados - por 7 ou 8 euros que valem agora 10 ou 11 cêntimos. E que o BCP sobrevive hoje pela mão do Estado. E que, nessa medida, o governo impôs a redução dos vencimentos dos administradores para metade. E que isso direitos adquiridos já não passa de pieguice…


Quem está à espera de quê?


 


 


PS: Este post continha um link que com vírus que impossibilitou o aceso ao blogue durante dois dias, até ser retirado. Era um link para a fotografia de capa do Correio da Manhã com a manchete da reforma de 167 mil euros por mês de Jardim Gonçalves. Republica-se agora com nova fotografia.


 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

JOVENS DEPUTADOS: TEMOS FUTURO?

Por Eduardo Louro


 


“A ignorância da juventude é um espanto”. Esta era frase de um programa de humor do Jô Soares, há já muitos anos. A ignorância da juventude feita deputados da nação é um escândalo que não espanta!


Se não fossem estas cenas dignas de um qualquer programa de apanhados, nem sequer saberíamos que eles existiam. Sabíamos que eram ignorantes, porque nos apercebemos disso a todo o momento, não sabíamos é que também eram deputados…


Se, com os políticos que temos, são estes os que iremos ter, o melhor é mesmo fugir daqui. Depressa!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A FINAL IMPROVÁVEL *

Por Eduardo Louro


 


Aí está a final improvável. A pedra na engrenagem!


E, no apuramento do Bayern para a final, nem sequer entra aquela coisa estranha a que se convencionou chamar sorte. A sorte que acompanhou o adversário - que receberá no seu estádio - da final ao longo de toda a prova. Basta lembrar que, quando perdeu em Nápoles por 3 a 1, ainda com Vilas Boas, poderia ter perdido por seis ou sete. Ou a sorte (e não só) que, a seguir, teve nos dois jogos com o Benfica. E a que teve com o Barcelona, em ambos os jogos.


Se o Bayern entrou no Barnabéu com um pequeno saldo credor de sorte – a de ter marcado o golo da vitória em Munique já mesmo no final – a verdade é que aos seis minutos de jogo os pratos dessa balança já estavam equilibrados.


A partir daí desequilibraram definitivamente a favor do Real Madrid. Que aos catorze minutos, e sem que o Neuer tivesse efectuado uma única defesa, já ganhava por dois a zero e tinha o apuramento no bolso. Apenas oito minutos mediaram entre o primeiro e o segundo golo de Cristiano Ronaldo e do Real. Nesse espaço de tempo o Bayern criou três oportunidades claras de golo…


A partir do minuto seis, e até ao fim do minuto noventa, o Bayern foi sempre superior. Apenas no prolongamento, em que o medo de sofrer um golo se sobrepôs a tudo e a todos, haveria algum equilíbrio. Dito isto, parece-me que a justiça do apuramento do Bayern é inquestionável. Se antes do jogo Mourinho dissera que o Real Madrid merecia estar na final, agora, no fim, não o poderá repetir. Sob pena de cair na mentira, ou mesmo no ridículo!


O Bayern não é só uma grande equipa. Foi uma grande equipa, com um meio campo que não engoliu apenas o meio campo madrileno. Engoliutoda a equipa de Mourinho!


O Bayern é uma equipa fortíssima fisicamente. E depois, quem tem Neuer (que nem precisou de se mostrar, quem precisou disso foi Casillas), Lham, Schweinsteiger, Luís Cláudio, Ribery, Roben, Mário Gomez ou Muller, tem que ser mesmo uma grande equipa.


O resto é o jogo, é jogar à bola, coisa que a equipa bávara fez muito mais que … os jogadores do Real Madrid. Que foram muito menos equipa (terão chegado a sê-lo?) e que estiveram, praticamente todos (excepção de Casillas - que defendeu tudo o que havia para defender e ainda dois penaltis, tantos quanto o seu colega do outro lado – e, de alguma forma, Cristiano Ronaldo), abaixo do que podem e do que devem.


Estranho é que Mourinho tenha também apostado nos penáltis. Ou talvez não, talvez tenha percebido que não tinha argumentos para aquele Bayern. Mas, tendo apostado – agora é fácil, claro, mas eu senti-o e manifestei-o na altura -, deveria ter tido outro critério na escolha dos jogadores. Cristiano estaria sempre entre os eleitos, evidentemente (mas nunca deveria ser o primeiro a marcar), mas…o Sérgio Ramos?


Foi um rude golpe nas aspirações de Mourinho. E de Cristiano Ronaldo. Para o primeiro, a consequência imediata deverá ser a sua continuidade em Madrid por mais um ano. Com o campeonato e a Champions (a terceira, por três clubes diferentes, o seu grande objectivo pessoal) no bolso Mourinho abandonaria os merengues: tão claro como água. Para o segundo, a consequência vai mesmo ter quer ser um grande europeu. A vantagem da Champions em relação a Messi, já foi. Queda la copa de Europa, por supuesto!


 


* Também aqui

DISCURSO FALHADO

Por Eduardo Louro


 


Nas comemorações oficiais do 25 de Abril, na Assembleia da República, salientaram-se os discursos do deputado do CDS – de quem nem sei o nome – e o do Presidente da República. Lamentável o primeiro, tão lamentável que não merece mais palavras. Pouco menos que isso, o segundo!


Foi um presidente ausente, como tem sido. Que, constantemente, assobia para o lado. Que passa pelos problemas como cão por vinha vindimada


Se há oportunidade para o Presidente da República se revelar vigilante e activo no discurso é esta. É no 25 de Abril!


Para Cavaco Silva já não importam os limites dos sacrifícios há muito ultrapassados, nem a falta de equidade na sua distribuição. Não importam as desigualdades instaladas na sociedade portuguesa, nem importa se o governo brinca com a concertação social, temas que não estão só na ordem do dia. Estiveram também, num passado recente, no centro das suas preocupações, ou do que delas dava conta!


É importante que os portugueses passem para fora imagens positivas? Claro que sim! Mas é apenas isso que, numa altura destas, tem para dizer aos portugueses?


Parece que sim. O que Cavaco teve para nos dizer foi que sofrêssemos calados e que esse sofrimento não tem importância nenhuma. Importante é que mostremos boa cara para o exterior!


 


 


PS: Este foi o cravo que caiu da lapela de Cavaco. Era o único sem cravo: governo, presidente da AR, todos com cravo. Está explicado: caiu. É este o momento preciso em que ia a caminho do chão!  

25 DE ABRIL

Por Eduardo Louro


 




terça-feira, 24 de abril de 2012

OS DEUSES JÁ ESCOLHERAM*

Por Eduardo Louro


 


Os deuses já escolheram. Independentemente do que se passe amanhã na outra meia-final, no Real Madrid – Bayern, os deuses já escolheram o campeão europeu: o Chelsea!


Depois da forma como afastaram o Benfica, e acabam agora de eliminar o Barcelona, não há volta a dar. Nem o facto de irem jogar a final desfalcados de Ramires, Terry e Raúl Meireles constituirá obstáculo a essa vontade dos deuses. Quem, depois de reduzida a dez jogadores (expulsão de Terry) ainda na primeira parte, depois de, logo no início do jogo ter perdido por lesão o outro defesa central (Cahill), a perder por dois a zero e eliminada, consegue no último dos minutos de compensação da primeira parte marcar e inverter a sorte da eliminatória está, abençoado pelos deuses. Quem aguenta toda a segunda parte a defender em frente à baliza, tem a sorte de duas bolas nos ferros e a rara felicidade de ver Messi falhar um penalti, está abençoado pelos deuses. Já o golo do empate, obra do mesmo Fernando Torres que não marca há não sei quantos meses, é apenas … futebol. Como o do Raúl Meireles ao Benfica. Mas abençoado pelos deuses!


O que já não será tanto obra dos deuses é a forma como o futebol que há poucos meses apaixonava o mundo, arrebatava corações e arrasava, um a um, todos os adversários, perdendo velocidade e espontaneidade, se transforma no futebol mais entediante, previsível, aborrecido e, pior que tudo, pouco mais que inofensivo. De repente o Barça perdeu o encanto e até Messi parece resignado ao regresso do título de melhor do mundo às mãos de Cristiano Ronaldo. Que agora tem tudo para se desforrar deste dois últimos anos: uma final da champions e um campeonato da Europa. Tudo o que Messi não tem!


 


*Também aqui

MIGUEL PORTAS (1958-2012)

Por Eduardo Louro


 


Acaba de partir, sem tempo para comemorar mais um 25 de Abril. Talvez tenha achado melhor assim, não esperar para comemorar quando já nada há para festejar!


Ainda fomos colegas no ISEG - numa altura em que mais se preocupava com a UEC que com a Estatística ou a Econometria - ele a entrar e eu nos últimos anos. Só o voltaria a ver em 2006, no SOL!


Parecia estar a dar a volta à doença mas, nas duas últimas sextas-feiras, aquele espaço vazio no Conselho Superior, da Antena 1, deixava prever o pior…


Descansa em paz, Miguel!


 

COMEMORAÇÃO DO 25 DE ABRIL

Por Eduardo Louro


 


Os militares de Abril, através da sua Associação representativa, anunciaram que não participariam nas comemorações oficiais, a terem lugar na Assembleia da República. Mário Soares e Manuel Alegre – às vezes juntam-se – juntaram-se-lhes em solidariedade, presumo.


Os militares de Abril têm toda a legitimidade para decidirem o que decidiram. Já o poderiam ter feito no passado, porque já muitas foram as comemorações que ocorreram em ambiente hostil a Abril, embora também se possa dizer que nunca tal foi tão flagrante e que há sempre uma primeira vez. De Manuel Alegre, com mais ou menos legitimidade, também se compreende a atitude, consentânea com as suas posições habituais. Já a de Mário Soares é, no meu entendimento, menos compreensível e porventura menos legítima.


O 25 de Abril é comemorado na rua, pelo povo e com o povo. Mesmo que com essa inovação absurda e incompreensível da tolerância zero - seja lá o que isso for - anunciada pela polícia. A sua comemoração é popular, não é oficial, na Assembleia da República, cada vez mais bafienta e entediante. Mas o que aconteceria se o poder institucional deixasse de assinalar oficialmente esta data?


Não seria Mário Soares o primeiro a levantar a voz? Certamente que sim. E certamente com razão!


Não se percebe, por isso, que Mário Soares tenha tomado esta posição, em vez de, também lá, na Casa da Democracia, fazer ouvir a sua voz de protesto, denúncia e lamento pelo estado a que deixaram chegar Abril. E de, lá, se manifestar então solidário e enfatizar a posição da Associação 25 de Abril!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ELEIÇÕES FRANCESAS

Por Eduardo Louro


 


Tudo em conformidade com as sondagens, nas eleições presidenciais francesas: Hollande à frente de Sarkozi e a extrema-direita de Marine Le Pen a continuar a engordar, com mais de 18% dos votos. Se assim continuar na segunda volta, o mordomo da Senhora Merkel falhará a reeleição e François Hollande - com 54% nas sondagens - será le nouveau President!


O que irá mudar?


Pela forma como, na campanha eleitoral, Hollande passou ao lado dos problemas – grandes, bem grandes – e pelas promessas irrealistas, mesmo demagógicas, que apresentou, diria que as expectativas não podem estar muito altas. Mas acredito que a Senhora Merkel tenha que pôr um anúncio à procura de novo mordomo…

domingo, 22 de abril de 2012

REGRESSOS

 


Por Eduardo Louro



Parece que a competitividade está de volta à fórmula 1. Pode parecer irónico afirmá-lo precisamente quando Vettel e a Redbull sobem ao primeiro lugar da tabela classificativa do Mundial – de pilotos e de construtores – mas não passa disso: quatro grandes prémios, quatro vencedores diferentes, pilotos e carros, quatro líderes diferentes, e apenas dez pontos a separar os primeiros cinco pilotos!


E, se já foi bonito assistir no ano passado ao regresso da mítica Lotus, mais bonito foi vê-la regressar este ano ao preto e dourado. E, mais bonito ainda, foi ver a Lotus na frente, a discutir a corrida, e a colocar os dois carros no pódio – há quantos anos se não via uma coisa destas? – com Kimi Raikkonen - também ele de regresso depois de uma experiência falhada nos ralis, a mostrar que a fórmula 1, a disciplina máxima, é que é mesmo a sua praia – a fazer segundo e Grosjean terceiro.


 

sábado, 21 de abril de 2012

EXPLICAÇÃO, COM PEDIDO DE DESCULPAS

Por Eduardo Louro


 


Em dia de clássico em Espanha – que Mourinho ganhou, quebrando o enguiço e fechando a estória da La Liga, e com Cristiano Ronaldo a marcar e a ultrapassar, em pleno Nou Camp, o rival Messi no pichichi – Jorge Jesus explicou, bem explicado a toda a gente, como ofereceu o campeonato ao Porto.


Defrontando uma das melhores equipas da Liga – porventura uma das duas melhores do ponto de vista táctico – Jesus apresentou uma equipa com quatro (40% dos chamados jogadores de campo) dos ostracizados do plantel: Capdevilla, Matic, Nolito e Saviola. Com isso explicou, tintim por tintim, como geriu mal o plantel e como conseguiu chegar à fase decisiva do campeonato com o seu onze esgotado, a ponto de oferecer de bandeja treze pontos aos seus adversários. Não que os quatro tenha realizado exibições espantosas – todos jogaram bem mas, dos quatro, apenas Nolito foi soberbo durante a primeira parte – mas porque ficou provado que tinha opções para gerir a equipa, mantendo-a a praticar o melhor futebol que se vê nos relvados nacionais. E demonstrou que, ao contrário do dizem muitos entendidos – a maioria dos quais benfiquistas -, Saviola e Aimar são compatíveis em campo!


Com tudo isto e com uma exibição de luxo – o Benfica poderia ter saído para o intervalo com seis golos no bornal – Jesus pediu desculpa aos benfiquistas. Por mim, aceito-as. Mas nem assim o desculpo. Não perdoo nem esqueço!


Nada mais interessa, nem aquele cartão amarelo a Sapanaru que o árbitro transformou em penalti para, por volta do famoso minuto 30 do jogo do Dragão, desbloquear um jogo complicado que, até aí, tinha dado apenas três oportunidades de golo para … o Beira Mar!

DIA DE CLASSICO

Por Eduardo Louro


 


A partir de hoje também estou aqui, neste saco de gatos, como lhe chamei.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

FUTEBOLÊS#123 TOMAR CONTA DO JOGO

Por Eduardo Louro


 


Tomar conta do jogo não é bem como tomar conta de qualquer outra coisa. Embora seja mandar no jogo, como se manda noutra qualquer circunstância!


É pegar no jogo e impor a sua lei, a lei mais universal e mais antiga que existe: a do mais forte! Tomar conta do jogo é muito mais que controlá-lo. Muitas vezes há equipas que conseguem manter o jogo controlado sem que tenha tomado conta dele. Para controlar o jogo basta saber defender, marcar territórios. Normalmente muito recuados.


Por exemplo, o Sporting de Sá Pinto tem sabido controlar os jogos sem que consiga tomar conta deles. Lá bem atrás, vai segurando as pontas enquanto vê os adversários jogar à bola. E segurando os resultados, o um a zero da praxe! Há excepções, claro. Se não também não haveria regra. O último quarto de hora do jogo desta quinta-feira com o Atlético de Bilbau é essa excepção: sem nada para controlar - estava a perder – teve que mudar de agulha. E, para surpresa de toda a gente, acabou por tomar conta do jogo e dar a volta ao resultado (para 2 a 1). Uma volta que até poderia bem ter sido maior!


O Barcelona é a equipa que melhor sabe tomar conta dos jogos. É viciada nisso, não sabe jogar de outra maneira. O árbitro – muitos deles são tão ou mais viciados nisso que o próprio Barcelona, mas já lá vamos – apita para dar início ao jogo e lá estão eles, mandões, a tomar conta do jogo. De tal forma que ficam a bola só para eles, os adversários andam por ali atarantados a correr atrás deles e dela – da bola. Nem por isso conseguem evitar dissabores, como aconteceu esta quarta-feira com o Chelsea.


Mas há equipas que não precisam de tomar conta dos jogos para os ganhar. Arranjam quem tome conta por eles: assim uma espécie de outsourcing! Ou um anjo da guarda, sempre pronto a velar para que nada corra mal: sempre tudo sob controlo!


Já se percebeu que se está a sair do relvado, das quatro linhas. Pois! Também há quem tome conta do jogo sem sequer pisar o relvado.


É verdade. Há por aqui quem o faça com muito maior eficácia que o Barcelona!


Começou por tomar conta de uns sujeitos que, cabendo-lhes apenas velar pelo  jogo, sabem bem como exceder-se nos cuidadostomar conta dele. Depois viciou-os nisso para passar a mandar neles e, a partir deles, no jogo. Até acabar por tomar conta dele. Já lá vão trinta anos – foram assinalados num dos dias desta semana - e não se sabe por quantos mais continuará a tomar conta do jogo.


O êxito é tanto que não falta quem procure desvendar o segredo de uma receita de tamanha eficácia e longevidade. Ou mesmo fazer alguns ensaios laboratoriais – desastrados, como se está a ver - na expectativa de descobrir a fórmula mágica.


Falham os pequenos detalhes, mas é nos detalhes que está o segredo. Por exemplo, o original, o verdadeiro, tinha falado em Lisboa a arder, mas sem nunca sequer chegar a lançar um fósforo. Foi o suficiente para que aparecesse um sujeito a experimentar em laboratório mandar incendiar um bocadinho de Lisboa. Pagava umas viagens, e os bilhetes de avião eram emitidos nuns nomes que, correspondendo à pessoa do passageiro, eram estranhos, careciam de descodificação. No seu ensaio de laboratório o que o sujeito faz é um depósito bancário depois de uma viagem de avião. Não é a mesma coisa, e depois há ainda o detalhe de umas câmaras de vídeo nada indiscretas. As escutas telefónicas, no original, no verdadeiro, no mestre, não servem para nada. Até acabariam por se perder e deixar de existir, não fosse o pequeno detalhe ter aparecido uma coisa chamada YouTube. No ensaio no laboratório deste challenger ainda não se sabe o que lhes irá acontecer. Pode ser que nesse detalhe tenha corrido bem!


Mas – francamente – quem não se consegue tomar conta de detalhes deste tipo, nunca conseguirá tomar conta do jogo!


 

A CATÁSTROFE

Por Eduardo Louro


 


Já basta de trapalhadas com a reposição dos subsídios de Natal e de Férias. São trapalhadas a mais, mesmo quando lhe chamam lapsos!


Agora, que o chefe do governo e o ministro das finanças já se esgotaram em contradições, veio a ministra da Justiça – por encomenda, certamente – dizer que nem em 2015 os funcionários públicos verão repostos os dois salários que lhe foram subtraídos. Numa matéria que tem sido tratada – e tão mal tratada – por aqueles dois rostos do governo, como por dever de ofício lhes cabe, ninguém percebe que, de repente, tenha mudado para o pelouro da ministra da Justiça. 


Pior no entanto é que, na mesma entrevista à Antena 1, a ministra ter declarado que a declaração de inconstitucionalidade da medida pelo Tribunal Constitucional “seria uma catástrofe”. Como se sabe a medida é inconstitucional, e apenas poderá deixar de o ser se tiver carácter excepcional, para fazer face a uma situação de emergência. Evidentemente que uma medida que se prolonga por tempo indeterminado – porque o governo já não o fixa – ou que hipoteticamente se estenda por mais quatro anos - conforme referiu hoje a ministra – não é excepcional, nem para fazer face a uma conjuntura de emergência. Inconstitucional, portanto e claramente!


Precisamente quando na ordem do dia estão os lamentáveis episódios de substituição de três membros do Tribunal Constitucional – onde os partidos, todos, dão aos portugueses mais não sei quantas provas de irresponsabilidade e de falta de ética, de seriedade, de respeito, e de credibilidade – que nos ajudam a lembrar que ali, na cúpula mais alta do nosso sistema de Justiça, as coisas afinal se decidem de acordo com os interesses dos partidos que ou representam ou de quem são devedores da nomeação, a ministra vem com uma declaração destas.


Seria uma catástrofe se o Tribunal Constitucional decidisse de acordo com a única decisão que pode tomar. Já ouvi muita gente dizer que isto é uma pressão inaceitável sobre o Tribunal Constitucional. Não é essa a minha opinião!


É mais, e bem mais grave, do que isso. Não é pressionar o Tribunal Constitucional, é ultrapassá-lo e dar já a justificação política para isso! É dizer que o Tribunal Constitucional vai decidir assim por razões patrióticas, para evitar uma catástrofe.


É trágico o que se está a passar diariamente neste nosso país. Esta é que é a catástrofe!


 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

NÃO PRECISAMOS DE MAIS DINHEIRO...

Por Eduardo Louro


 


“Não precisamos de mais dinheiro nem de mais tempo”: dizem e repetem o primeiro-ministro e o ministro das finanças. Uma, duas…cem vezes!


Os tipos da troika dizem que Portugal precisa de mais 16 mil milhões. Imagina-se facilmente o que iremos ouvir destas duas figuras: “cumprimos à risca o programa da troika, e se a troika diz que é preciso, só temos de aceitar. Mas não precisamos, que fique bem claro que, desta vez, não houve lapso algum”!

A GOZAR CONNOSCO

Por Eduardo Louro


 


O primeiro-ministro ontem gozou com a UGT. Em inglês (mau, mau mas em inglês) mas gozou!


Face às sucessivas violações do governo do acordo de concertação social – que não deveria apenas respeitar, deveria respeitar escrupulosamente, não só para segurar o mínimo denominador comum da paz social mas, acima de tudo, para segurar o seu valor inestimável na credibilidade interna e externa do governo – João Proença ameaçou denunciar o acordo que havia assinado. De Londres, Passos Coelho, disse que não se passa nada, que é apenas o aproximar do 1º de Maio (“the first of May date”, disse ele)!


Isto não é gozar apenas com a UGT. É gozar com todos nós!


Mais ou menos na mesma altura, em Madrid, o rei Juan Carlos abandonava o hospital onde estivera internado enquanto a Espanha se indignava com a sua caçada no Botswana e, sem ninguém lhe colocar a questão, visivelmente mais preocupado em fazer aquela declaração do que em qualquer outra coisa, tomou a iniciativa de pedir desculpa ao povo espanhol e de garantir que não mais repetiria um erro daqueles.


Nunca vimos isto em Portugal! Perante todos os erros, muitos deles bem mais graves (não é Senhor Presidente da República?), em Portugal fogem, escondem-se e chutam para canto. Fazem de nós parvos. Gozam connosco!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...