segunda-feira, 31 de março de 2014

A porca da política

Por Eduardo Louro


 


 


A entrevista deste fim-de-semana de Durão Barroso à SIC e ao Expresso traz-nos de volta a Porca da Política, de Rafael Bordalo Pinheiro.


Durão Barroso diz que, presidenciais, nem pensar. Fora de causa. Os barrosistas, que pé ante pé passaram de simples apoiantes de Passos a posições dominantes em boa parte do aparelho do partido, fazem coro: Durão Barroso deixou claro que não é nem quer ser candidato a Belém!


Quem parece não acreditar muito nisso é Marcelo. Ficou nervoso, e logo veio dizer que a entrevista era inoportuna e estranha. Que Durão Barroso deveria ter esperado pelo menos um ano, para dar uma entrevista como esta. Que estranhou, sobretudo, a avaliação que o presidente da Comissão Europeia faz de si próprio, e que se tinha alguma coisa a ver com a candidatura à Presidência da República, correu muito mal.


E faz muito bem, porque aquela linguagem não engana. Dizer agora que está farto de avisar o Pedro que há limites (lembra o outro, o avisador, quando também dizia que havia limites) quando ainda há dias dizia que agora é que se não podia abrandar, é gato escondido com rabo de fora. Se bem repararam nem o BPN escapou: quando era primeiro-ministro bem perguntou o Constâncio…


E se dúvidas ainda sobrassem lá está o apelo a um governo do bloco central, e ainda com o CDS, naturalmente liderado pelo PS, de Seguro. E, the last not the least, aquela ideia de que o presidente deveria ser eleito com o apoio daqueles três partidos!


Nem mais. Não dá ponto sem nó, como há muito se sabe. A partir das posições que já ocupa no aparelho partidário, e com Passos despachado pelos resultados eleitorais, Durão Barroso tem tudo para garantir o apoio ao PS para formar o próximo governo do bloco central. Claro que em troca só quer o apoio à sua candidatura... Então a única com condições de garantir o tal apoio dos três partidos do arco da governação…


Elementar, meu caro Marcelo. É a porca da política!

domingo, 30 de março de 2014

O jogo chave e os momentos de viragem

Por Eduardo Louro


 


Lima dá a vitória ao Benfica em Braga


 


E pronto, Braga já ficou para trás. Era uma das últimas esperanças, se não mesmo a última…


Dizia-se que este era o jogo chave, mas todos nos lembramos qual era o jogo chave no ano passado… Afinal não era esse, era o seguinte!


Está portanto claro. O jogo chave é o próximo, contra o Rio Ave!


Neste que era mas já não é (foi) o jogo chave do título o Benfica não fez uma exibição de encher o olho, mas também não caiu por aí além. Entrou forte e marcou, ainda dentro do primeiro quarto de hora. Depois, bem… Não se pode dizer que tenha voltado àquela atitude de gerir o jogo, que aqui se tem criticado. Mas também não o matou, como aqui se tem reclamado. Só que não foi por falta de oportunidades!


O Benfica nunca perdeu o controlo do jogo, nunca no ar pairou outra ameaça que não aquela velha máxima do futebolês de que quem não marca sofre. Apenas esse fantasma ensombrou de alguma forma o jogo de Braga, porque o Benfica ia sucessivamente desperdiçando oportunidades, umas mais claras que outras, até ao penalti que Rodrigo falhou à entrada do período de descontos.


Para além de mais um passo na direcção certa, e de mais um golpe em certas esperanças, este jogo fica marcado pelo regresso de Pedro Proença aos jogos do Benfica. A nomeação caiu muito mal no universo benfiquista, mas a maior pedra no sapato dos benfiquistas fez uma boa arbitragem, e desta vez até marcou um penalti – pela primeira vez, creio – a favor do que diz ser o seu clube do coração. Pode ter sido um momento de viragem, agora que se percebe que outros momentos de viragem vêm acontecendo!


Por exemplo, no Funchal não aconteceu nada. É o que dizem!


Aconteceu que o Porto perdeu pela sexta vez neste campeonato, a confirmar que alguma coisa mudou. Mas não aconteceu mais nada. E as palavras dos responsáveis portistas e as perguntas dos repórteres da Sport TV negam que alguma coisa tenha mudado. Se realmente se confirmar que nada se passou, que tudo o que se viu não passou de ilusão óptica, é porque ainda faltam afinal muitos momentos de viragem!

sábado, 29 de março de 2014

O dia mais pequeno!

Por Eduardo Louro


 



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O dia tem 24 horas. Para que um tenha 25, outro terá de ter 23. É hoje o dia mais pequeno do ano!


Entra em vigor o horário de Verão. É pois hora de adiantar a hora! 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Não saber respeitar os outros. Nem a si próprio...

Por Eduardo Louro


 


Paulo Portas é capaz de tudo. Até de dizer que o rendimento social de inserção só foi retirado às pessoas que tinham depósitos acima dos 100 mil euros


Se tivesse o mínimo sentido de responsabilidade, Portas já teria a esta hora publicado a lista das pessoas nessas circunstâncias. Já sabemos que nem o tem esse sentido nem faz ideia do que seja. E por isso se está nas tintas que pensemos que somos governados por perigosos loucos e criminosos, que impunemente atribuiram subsídios sociais a gente rica, de riqueza bem à vista, que não estava escondida debaixo de colchão nenhum. Mas também por isso, e em alternativa, se está igualmente borrifando que pensemos que é ele próprio um irresponsável, um aldrabão que mente e engana sem olhar a meios, nem que sejam disparates destes…


Não respeita os outros, mas também não se respeita a si próprio. O que também não é exactamente uma grande novidade!


 

O costume...(II)

Por Eduardo Louro


 


Fantástico. Ninguém mais falou do corte nas pensões que o Secretário de Estado José Leite Martins anunciou. Ninguém mais se preocupou com o que vai acontecer com as pensões, nem com a forma como a CES (Contribuição Extraordinária de Solidariedade) passa a CDS (Contribuição Definitiva de Solidariedade - mantenho o eufemismo solidariedade para facilitar a sigla). O que importa ao país é que o tal Secretário de Estado que ninguém conhecia pôs a pata na poça.


Portas resolveu isto de uma penada - "foi um erro, não devia ter acontecido..." E pronto. Não se fala mais nisso!


É o costume...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ajustamento

Por Eduardo Louro


 


Chamam a isto processo de ajustamento. É preciso ter lata…


Um processo de ajustamento deveria ser justo. Vá lá: tendencialmente justo. Não deveria promover apenas justeza. Deveria juntar justiça à justeza!


Este processo de ajustamento ajusta apenas o que alguns têm andado a ajustar entre si. Para tramar os outros!


A distribuição de riqueza é cada vez menos justa. Menos justa e mais larga a diferença entre ricos e pobres. Ajusta-se aí cada vez menos, por muito que os mais ricos se ajustem cada vez mais ao ajustamento, e os mais pobres se ajustem cada vez mais à miséria.


E que bem ajustados ficaram: uns bem ajustados para cima e outros bem ajustados para baixo, sem nada no meio. Ou quase-nada, já com um quarto da população abaixo do limiar da pobreza…


Ah e tal… é o défice… Então não lhe chamem ajustamento da economia, chamem-lhe ajustamento do défice. Ajustamento de contas, que só tem a ver com justeza, não com justiça. Ajustamento de contas é isso mesmo, não precisa da justiça para nada. E é isso que se percebe, que o que importa é ajustar contas. Com uns, com outros, e até com a História… A pretexto de um défice suficientemente ajustado, bem apertadinho no Tratado Orçamental, que em tempos ajustaram juntos aprovar à pressa!


 

O costume...

Por Eduardo Louro


 Diário de Notícias


 


O costume… Fugas de informação, umas bocas daqui e dali, deste e daquele


Nem sempre tudo corre bem. Ás vezes as fugas, por mais cirúrgicas que sejam, fogem antes de tempo. Ou correm mais depressa ... E depois obrigam a uns malabarismos, nada que uns golpes de rins não resolvam. Porque afinal o que importa é que a coisa faça o seu caminho

quarta-feira, 26 de março de 2014

Tempo de Taça

Por Eduardo Louro


 


 


O Porto hoje, enquanto pôde, jogou à Benfica: pressão alta, sempre muita pressão em todo o campo, e muita velocidade. E pôde durante quase toda a primeira parte, especialmente porque quis muito mais. E lá vem aquela velha estória do querer é poder. Quis mais, pôde mais!


Não sei se, querendo mais, pôde mais porque o anterior treinador da equipa B nada tem a ver com o anterior treinador da equipa A., e já pôs a equipa a querer, a crer e a jogar. Claro que a gestão que o Jesus está a fazer também ajudou, mas contra isso…batatas…


Nada a opor a essa gestão, nem mesmo a opção por Artur – justificada, em nome da coesão e estabilidade do grupo –, que esteve bem, a justificar toda a confiança. Já a insistência em Cardozo, é outra estória. Foi mais uma vez um jogador a menos!


Quando não pôde, o Porto abusou da complacência do árbitro – uma arbitragem muitas vezes manhosa, no mínimo – para parar os jogadores do Benfica. A fruta desta vez foi servida dentro de campo, e os amarelos foram tardios e bem distribuídos. Só Fernando, à sua conta, fez faltas – uma delas até deu numa das maiores oportunidades de golo do Porto – para ser expulso duas ou três vezes. O Herrera não lhe ficou muito atrás, e deveria ter sido mandado tomar banho logo no arranque da segunda parte, numa entrada assassina sobre Salvio. Mas não se ficaram por aí…


Claro que ninguém gosta de perder. Mas, para já, esta derrota não tem consequências. Esta não é uma derrota de consequências imediatas… 


Esperemos que a segunda mão, na Luz daqui a três semanas, confirme que isto hoje não passou de um acidente. Porque, para nós, a Taça de Portugal é mesmo muito importante! 

Um novo herói, quarenta anos depois...

Por Eduardo Louro


 


Em tempo de recordar Abril, Adelino Gomes – provavelmente o português que mais memórias de Abril soube procurar e guardar para transmitir às gerações futuras – e Alfredo Cunha (fotografia) apresentaram ontem em livro mais umas quantas estórias daquele dia redentor, guardadas por todos estes quarenta anos.


Os rapazes dos tanques” – assim se chama o livro – vem contar-nos histórias que ficaram do outro lado da História para nos revelar um novo herói, um herói improvável e escondido durante 40 anos, sem que se soubesse onde nem como.


Herói? "Não quero ser herói. Cumpri a missão que tinha como português" – disse quando percebeu que tinha finalmente sido encontrado pela única pessoa que o poderia encontrar.


 No dia aprazado para a revolução, José Alves Costa – assim se chama o novo herói que o não quer ser – chegava ao Terreiro do Paço, num blindado M47 para defender o regime. Quando lhe deram ordem para abrir fogo contra a coluna de Salgueiro Maia, recusou. Não com um não rotundo e definitivo, que isso correria certamente mal. Mas contornando a ordem e ignorando a ameaça de um tiro na cabeça... Com astúcia, ou simplesmente com a inocência do rapaz da aldeia minhota, que nunca mais voltaria a Lisboa…


Só uma revolução feita de cravos poderia ter histórias destas. E novos heróis, quarenta anos depois...

terça-feira, 25 de março de 2014

PRC - Processo de Regeneração em Curso

Por Eduardo Louro


 


A ideia não é nova. Já há umas semanas atrás Vítor Bento a tinha lançado e começa a perceber-se que a estratégia é a do costume. Já passou pelas cirúrgicas fugas de informação, e agora passa por umas bocas cirurgicamente repetidas por figuras gradas do regime tidas por independentes e conceituadas.


Ontem foi a vez de Teodora Cardoso e sabe-se lá quem se seguirá. A coisa fica no ar, quanto mais nebulosa melhor. Quanto mais estúpida parecer, melhor. O governo lá a haverá de agarrar, lá a sacará das nuvens e tratará de lhe dar forma…


Quando Vítor Bento abriu o caminho - então como medida de combate à fuga e vasão fiscal - ninguém deu muito por isso. Ninguém ligou nada. Só quando - agora como medida de incentivo à poupança - chegou a vez de Teodora Cardoso pegar no testemunho se começou a perceber que a ideia está aí, já a correr em velocidade de cruzeiro, e em estafeta. Não há aqui nada de grande novidade!


Nem adianta muito puxar pelo absurdo. Um imposto sobre o levantamento de dinheiro das contas bancárias para onde foram transferidos os salários ou as pensões, apresentado como incentivo à poupança, não é apenas absurdo. É o cúmulo da hipocrisia!


Ninguém se lembra de tributar nenhum outro movimento financeiro. Ninguém se lembra de tributar transferências para off-shores, nem outras operações financeiras mais ou menos especulativas. Mas lembram-se de voltar a tributar aquilo que já foi cortado e tributado com a hipócrita justificação que esse seria um imposto que teria a vantagem de não incidir sobre salários e pensões…


As pessoas recebem os cada vez mais curtos salários ou pensões por transferência para as contas bancárias que, em boa parte dos casos, foram obrigadas a abrir. Chega-lhes cada vez para menos. Pagam as contas mensais, muitas vezes já atrasadas, o supermercado – cada vez com menos carne e peixe –, o passe, a escola dos filhos… Pagam o que mais for, até onde chegar o vencimento que sobrou dos impostos.


E por isso esta gente acha que os portugueses são uns depravados gastadores, gastam até mais não ter, obstinados em viver acima das possibilidades. Há evidentemente que castigá-los. E se o castigo os obriga a poupar, tanto melhor…


A regeneração passa por aí, pelo regresso aos bons costumes: pobrezinhos, mas poupadinhos!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Um mito em fim de linha

Por Eduardo Louro


 


 


Criamos e desenvolvemos determinados cultos ao longo da vida. Uns ficam para toda a vida, outros vão ficando pelo caminho. Quase sempre com dor, com algum sentimento de perda...


Fui, durante muitos anos, frequentador habitual da Trindade – da Cervejaria Trindade, há dois séculos instalada no convento da Trindade, ali a meio caminho entre o Chiado e o Bairro Alto. Tudo começou na minha juventude e, como muitos outros portugueses – lisboetas ou não – rapidamente transformei aquele belo espaço num local de culto e de tertúlia. E, naturalmente, o bife e a cerveja, únicos e irrepetíveis no meio daquela fantástica azulejaria, no motivo de culto.


Mais longe ou mais perto, nunca ao longo de 40 anos estive muito mais de um mês sem por lá aparecer. Se, como aconteceu durante alguns anos, trabalhava por ali por perto, não havia semana que lá não pusesse os pés…


Nos últimos três ou quatro anos, à medida que as minhas visitas iam ficando cada vez mais espaçadas, com o aumento do fluxo turístico à capital, a Trindade entrou nos roteiros e foi acentuando a sua internacionalização. E, ao contrário do que deveria ser, mas que infelizmente em Portugal nunca é, a qualidade do seu serviço e dos seus produtos começou a degradar-se e os preços a subir!


Durante algum tempo resisti à realidade. As memórias de uma vida e a profundeza de um culto insistiam em sobrepor-se-lhe, e lá voltava eu, sempre acompanhado de discípulos ou de gente pronta a deixar-se evangelizar. Tinha lá estado pela última vez no final do ano passado, num jantar junto ao Natal com mais sete ou oito. Duns e doutros!


Voltei no passado sábado, ao almoço. Com mais doze, duns e doutros…


Não sou capaz de dizer que foi pela última vez. É sempre difícil encarar a última vez, mais ainda perante um monumento da nossa memória.


Pela primeira vez mandei o bife para trás, sem livro de reclamações e sem resinguices. Discretamente, para que nem na mesa todos se apercebessem. Porque um local de culto merece respeito, mesmo que já não respeite os seus fiéis


O bife da vazia já mais não é mais que a imagem de uma sola de um sapato velho e roto. Seco, e fino, só para que se possa mastigar, na vã esperança que, por 25 euros, o molho e a cerveja lhe emprestem uma vaga lembrança do sabor de outros tempos…


Saí sem vontade de lá voltar, triste e calado e com pena daqueles que ficaram a pensar que o bife do meu culto era aquilo … E já cheio de saudades dos tempos da minha velha Trindade, de mais um mito em fim de linha!


 

domingo, 23 de março de 2014

O melhor é esperar... Braga está já aí...

Por Eduardo Louro


 


 


Um pouco por memória passada e outro pouco por pressão de quem, apesar da distância de sete pontos, ainda gostaria de contar com uma ou outra escorregadela, os jogos do Benfica, estão todos, uns atrás dos outros, rodeados de grande expectativa.


Na última jornada é que era. Porque era na Madeira, onde o Benfica tinha perdido o único jogo deste campeonato, porque era o Nacional, que jogava muito bem e até tinha empatado no Dragão e em Alvalade… Não foi. Categoricamente!


Não foi na passada segunda-feira, seria hoje. Porque foi em casa, no ano passado, depois da vitória na Madeira, que as coisas começaram a correr mal. Porque a Académica também tinha ganho ao Porto e empatado em Alvalade…. Porque o Sérgio Conceição não fazia a coisa por menos: tinha a equipa preparada para ganhar…


Também não foi. Vitória categórica e indiscutível, com o Sérgio Conceição a meter a viola no saco e a dizer que a culpa foi dos jogadores. Que, coitados, correram como se não houvesse amanhã. E como raramente se vê correr. Três a zero, mais três nos ferros, mais três tirados pelo excelente guarda-redes da Académica, e um penalti por marcar, num jogo onde já se não viu aquela opção por gerir jogo antes de o matar!


Esta foi, curiosamente, a mais robusta vitória do Benfica em casa. Como já fora em Coimbra, por igual registo, a mais gorda fora de portas. Quer isto dizer que a equipa com o melhor ataque do campeonato – e já agora, também com a melhor defesa – tem em dois resultados de três a zero as suas mais desniveladas vitórias. E apenas por uma vez marcou quatro golos, justamente na vitória por 4-2 no jogo anterior, com o Nacional… Marca é em todos jogos, marca sempre, seja contra quem for!


Também por isso o melhor é esperar pelo próximo jogo. É em Braga, e vem a seguir ao jogo da próxima quarta-feira, das meias-finais da Taça de Portugal, no Dragão. E antes do jogo, também das meias-finais mas agora da Liga Europa, com os holandeses.


Pois. É assim… 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Vistos gold - um sucesso, pois claro...

Por Eduardo Louro


 


O sucesso dos vistos gold não pára. Como se esperava...  Não importa quem é, importa que tenha dinheiro. Que não importa nada donde venha!

Uma lenda

Por Eduardo Louro


 


 


Ayrton Senna da Silva faria hoje 54 anos, e morreu há vinte. Foi para muitos, entre os quais me incluo, o maior piloto de sempre da fórmula um. Sem ele, a disciplina máxima do desporto automóvel nunca mais foi o mesmo. Com ele, morreu a paixão da fórmula um, que não, evidentemente, o negócio. Esse permaneceu em mãos que o souberam e sabem fazer prosperar...


Foi sobre a sua morte que se ergueu o maior sucesso da história da fórmula um, o heptacampeão Michael Schumacher, agora também atingido pela tragédia, que nunca conseguiu mobilizar as ondas de paixão que o brasileiro suscitou. Com Senna, dificilmente Schumacher teria ganho tanto… E com Senna, por muito injusto que possa parecer, e por muito politicamente incorrecto que agora possa parecer, dificilmente largaria o papel de vilão que lhe parecia reservado…


Houve Schumacher, há Vettel... Mas como Ayrton Senna não há ninguém!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Estava tudo a correr tão bem..

Por Eduardo Louro


 


 


Estava tudo a correr tão bem… O Benfica rodava jogadores e quase não se notava quem era ou deixava de ser primeira opção. Mudava a equipa mas não mudava o bom futebol, o excelente futebol que o Benfica vinha apresentando. Havia apenas um pequeno se não: dominava os jogos e os adversários, mas muitas vezes dava-lhe para o que costumam chamar gerir o jogo, esquecendo-se que o jogo só se pode gerir depois de morto. E o Benfica andava a esquecer-se exactamente disso, de matar o jogo. O adversário nunca se mata, pode até parecer que está morto, mas nunca o está. Enquanto o jogo não estiver morto e enterrado, o adversário está sempre lá…


Hoje aconteceu isso. O Benfica tinha o Tottenham à mercê, toda gente a jogar benzinho – Cardozo, que continua a ser um corpo estranho na equipa, já tinha sido substituído por Lima – e de repente, num único minuto, os ingleses – por acaso um belga – fazem dois golos, mesmo que o segundo fosse em fora de jogo. E com perto de um quarto de hora para jogar, o Tottenham estava a um golo de empatar a eliminatória… De repente, o souplesse de André Gomes passa a exasperante falta de intensidade, a precisão de passe desaparece para parte incerta e os ressaltos passam a ser ganhos pelo adversário… Que, mesmo sem conseguir arrancar para um verdadeiro assalto à baliza de Oblak, poderia ter chegado ao terceiro golo que mandaria a eliminatória para prolongamento.


Valeu o jovem guarda-redes do Benfica, a evitá-lo em duas ocasiões. E valeu arrancada de Lima, já no último minuto, que deu o empate no penalti que o próprio converteu, com classe.


E valeu – esperamos nós – a lição. Os jogos matam-se, não se gerem!   

De cabelos em pé!

Por Eduardo Louro


 


Agora são estrangeiros. Aí está mais um grupo, também de 74, mas agora personalidades estrangeiras, reputados economistas de vários quadrantes profissionais, a apoiar o manifesto sobre a reestruturação da dívida. E a pôr os cabelos em pé ao governo! 


Curiosa a reacção do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes:"A única questão que pode ter relevo aqui é se alguma dessas entidades é credora. Se não forem credores internacionais, a opinião internacional para uma matéria como esta não parece que seja de muito relevo para o nosso país. Se forem credores com certeza que seria importante"...


Pois... Não interessa nada...

Palavras para quê?

Por Eduardo Louro


 


O Presidente da República veio ontem dar, mais uma vez, a sua contribuição para o já intolerável faz de conta em que nos obrigam a viver. Em vez de, como lhe competia se soubesse honrar o cargo que ocupa e as funções que deveria desempenhar, contribuir para impor a ética e a seriedade na política portuguesa, Cavaco mais não faz que promover a aldrabice e acentuar esta maneira torpe de enganar os portugueses. Não é, infelizmente, novidade, há muito que sabemos que fala, não para dizer o quer que seja, e nem sequer para que o ouçam, mas apenas para fazer prova de vida. Diz meia dúzia de lugares comuns que os comentadores do regime tratarão de projectar e amplificar até à exaustão neste maravilhoso mundo de faz de conta em que estamos enfiados.


Por isso recorre à encenação para dizer banalidades, enganando-nos sem ponta de respeito. Por nós e por ele próprio!


Disse-nos que as eleições para o Parlamento Europeu irão ser no único dia em que há quase um ano – desde que o Conselho Europeu, em Junho do ano passado, as marcou para este período que varia entre a quinta-feira, 22, e o domingo, 25 – sabíamos que teriam de ser. Apresentou como novidade o que nada tinha de novo. E como decisão sua – de marcar as eleições, depois de ouvir os partidos -  nada que tivesse decidido, nem nada que sequer tivesse para decidir!


Disse-nos que deveríamos votar. E que nos deveríamos portar bem, e discutir apenas as questões europeias. Porque estas eleições não são para deputados para a Assembleia da República, nem para as autarquias. Importante, como se percebe.


Disse-nos que nada de crispações, porque há consensos a estabelecer. Quer dizer, não entrem em confronto de ideais, façam lá as eleições mas não discutam nada do que nos está a acontecer. Porque para o ano há outra vez eleições e é preciso fazer uma grande coligação com os três partidos do costume. Não me estraguem o arranjinho…


Ah! E não nos podemos esquecer que o futuro da Europa é o futuro de Portugal!


Como num anúncio antigo à famosa pasta medicinal Couto: Palavras para quê? É um artista português!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ler os outros ...

Por Eduardo Louro


 


Hoje recomendo aqui dois textos muito distintos, mas com uma matriz comum. Infelizmente de pouca esperança, mas ... é a vida. Vale a pena ler a Sarah, no Aventar e a Teresa Ribeiro, no Delito de Opinião.


 

Pai, a vida é outra coisa...

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Pai, a vida é outra coisa!


A vida não é o que dizias


Quando te interrogava.


A vida não se faz de princípios,


Dogmas e muita fé.


 


Pai, a vida é outra coisa!


É pragmática, é a causa próxima,


Sem o enfeite dos espíritos.


Mas sei que logo dirias


Que a bondade sublime é avaliada Além...


Que a atitude dos homens é julgada pela Justiça Divina.


 


Pai, aqui a bondade não ajuda.


É a prestabilidade mercantil que ajuda os homens.


O valor do homem é um valor de mercado,


O mercado, aqui, é outra divindade


Que não se questiona nem se perturba.


 


Mas é profana, dirias...


E a sua justiça é parcial,


Feita de recursos e prescrições.


E acessível. É coisa de dinheiro,


E o dinheiro não salva as pessoas...


 


Pai, a vida é outra coisa


E o dinheiro salva e liberta. 


E como a salvação é previlégio só de alguns


Tudo se faz para tirar o dinheiro a muitos.


Aqui não há essa coisa etérea


Do julgamento moral.


 


Pai, os sonhos foram contigo.


Aqui, os sonhos são outra coisa,


Estão povoados de medo e incerteza.


O medo é outra realidade,


E a vida é outra coisa!


 


 

terça-feira, 18 de março de 2014

A carta branca de Merkel

Por Eduardo Louro


 


A Alemanha apoiará qualquer decisão que o governo português tome – disse hoje Ângela Merkel, na visita que Passos Coelho lhe fez, em Berlim, com o pretexto da saída do programa da troika.


Quer dizer, Merkel decide como é, como tem que ser, mas a decisão é do governo português, que ela apoiará sem reservas… Como vai bonito este jogo de faz de conta!

José Medeiros Ferreira (1942-2014)

Por Eduardo Louro


 


Morreu José Medeiros Ferreira, o historiador brilhante, o político inteligente e sério, o intelectual de acção, o homem livre, de pensamento e de humor fino e acutilante, o açoriano e o benfiquista.


Morreu prematuramente um dos melhores de nós. Pressentia-o. O seu Córtex Frontal tinha parado há pouco mais de um mês. Todos os dias lá ia espreitar, na expectativa de ver sinais de vida. Da sua vida. Mas lá estava sempre e só o seu último texto, de 9 de Fevereiro. Sobre o Benfica, e o mau tempo que o não deixaria ver o (seu) último derbi. 


No outro jogo, esse sim, de vida ou de morte, ganhou a doença. Essa besta maldita que ganha sempre! 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Mais um passo ... na direcção certa!

Por Eduardo Louro


 


Na senda das exibições categóricas que vem realizando o Benfica ganhou hoje um jogo que era aguardado com grande expectativa. Pela valia da equipa do Nacional da Madeira, que não sei se é ou não a quarta melhor equipa do campeonato, sei é a terceira com menos derrotas, e uma boa equipa. Pelo campo difícil, como se sabe. E até pelo árbitro nomeado, ao que se sabe, mais que condicionado, muito pressionado e mesmo ameaçado.


Fosse por isso ou não, assinalou um penalti inexistente logo aos cinco minutos contra o Benfica, e o Nacional, sem saber como, viu-se bem cedo a ganhar. Coisa que animou a equipa da Madeira e atrapalhou a do Benfica. Mas só isso. Aos poucos, tudo voltou ao normal, e a partir do meio da primeira parte já estava reposta a normalidade, e lá estavam os golos fantásticos a abrilhantar a festa. Desta vez foi, como em Londres, Rodrigo a assinar a obra-prima. E Garay a imitar o bis de Luisão!


Pelo caminho, de rastos, ficavam as esperanças dos que esperavam pela escorregadela…


Na segunda parte o Benfica geriu, como vem fazendo. Sofreu um golo fortuito que poderia ter atrapalhado, mas logo respondeu, repondo a tranquila diferença de dois golos. Tantos quantos sofreu hoje, tantos quantos tinha sofrido nos últimos 16 jogos, mas metade dos que hoje marcou, tornando-se na equipa com mais golos marcados no campeonato. E tendo agora o melhor ataque e a melhor defesa, como é próprio da melhor equipa do campeonato. O resto é conversa!


E foi mais um passo. Um passo seguro na direcção certa!

Símbolo simbólico

Por Eduardo Louro


 


 


Segundo um Estudo de Opinião promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e realizado pela Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, a bandeira nacional, com 43% das referências, e Fátima, com 37% são, para os portugueses, os principais símbolos nacionais.


A bandeira é um símbolo por excelência e a mais universal das referências nacionais. Mas Fátima?


Por amor de Deus! Mas não deixa de ser simbólico...


  

Novo partido para Jardim?

Por Eduardo Louro


 


Ao fim 36 anos de poder – cumpridos exactamente hoje, e a menos de três meses de bater o record de Salazar –, quando finalmente vê o seu poder absoluto contestado na Região, e no próprio PSD Madeira, Alberto João Jardim acha que é tempo de novos desafios. Por exemplo: de constitiuir um novo partido!


É verdade, Jardim diz que com são precisos novos partidos. E começa por criar um para si. E como não acredito que pense garantir com ele o poder vitalício, com um novo partido Jardim pretende reservar desde já a tribuna no espaço de oposição - mesmo que ao seu partido de sempre (?) - ao novo poder que se avizinha. Ele sabe, afinal melhor que ninguém, o que é governar sem oposição!


Talvez assim se perceba por que não quis nada com Bruxelas...

domingo, 16 de março de 2014

Ironia do destino

Por Eduardo Louro


 


No clássico de Alvalade o ramadão durou mais que (a) Quaresma, e o Sporting ganhou. Ironia do destino: ganhou com mais um golo em fora de jogo... Irónico, só isso!


Ah... Ao fim de três jogos já se pode dizer que o Paulo Fonseca, agora com tempo livre, pode e deve olhar para o discurso daquele que era o treinador da equipa B, agora no seu lugar. Vai certamente aprender alguma coisa, e talvez até perceber que vender a alma ao diabo nunca é bom negócio...


Uma palavra para a infelicidade do Helton. Foi provavelmente o adeus à baliza que tão bem defendeu durante tantos anos. Não merecia que fosse assim! 


 

16 de Março

Por Eduardo Louro



 


Faz hoje 40 anos que o 25 de Abril se enganou na data...


 

sábado, 15 de março de 2014

Não há moralidade...

Por Eduardo Louro


Expresso


 


Não sei se ou há moralidade ou comem todos. Ou se, quando não há moralidade, comem todos.


Sei que são sempre os mesmos que comem, e sei que não fazem ideia do que é a moral... E que a vergonha há muito que também fez as malas e desapareceu deste país!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Merecem-nos todo o respeito

Por Eduardo Louro


 


Sem dúvida que um Parlamento onde os deputados aprovam uma lei na generalidade, que depois chumbam na votação na especialidade, merece todo o crédito. E sem dúvida que os deputados que o integram nos merecem todo o respeito… Especialmente os que têm coragem de violentar a sua própria consciência!


 

Os exemplos alemães

Por Eduardo Louro


 


Por que será que há gente que, para falar de produtividade e salários, vai buscar exemplos à Alemanha, mas que, quando se trata de recursos atrás de recursos, até à prescrição final, ninguém se não lembra dos exemplos que de lá vêm?


Que fique o exemplo deste senhor alemão, que foi um grande jogador de futebol de um dos maiores clubes do mundo, a que até hoje presidia. Porque foi condenado por fuga ao fisco, Hoeness abandonou os cargos que ocupava no Bayern de Munique e  simplesmente escreveu em comunicado: «Dei instruções aos meus advogados para não recorrerem. Isto corresponde à minha ideia de decência, conduta e responsabilidade pessoal. A fuga aos impostos foi o erro da minha vida».


Por, cá recorre-se à procura da prescrição. Por cá, usam-se os clubes como escudo de protecção, sabem que ninguém ousa tocar-lhes enquanto por lá estiverem... Pois, não é tanto a produtividade que nos sepra da Alemanha!


 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um enorme Benfica. E um grande Luisão!

Por Eduardo Louro



 


Com mais um grande jogo, o Benfica deu hoje em Londres – 3-1 ao Tottenham - um passo importante para o apuramento para os quartos-de-final de Liga Europa.


Um jogo perfeito, com um resultado que poderia ter sido ainda mais dilatado. Que começou logo na equipa que Jorge Jesus escalou para entrar hoje em White Hart Lane, calado, a escutar os cânticos do Benfica e, porque os ingleses são assim, a apreciar o futebol de uma grande equipa de futebol. Um excelente compromisso entre a gestão do plantel – onde apenas se confirmou que Cardozo é neste momento um corpo estranho na equipa - e a ambição que o Benfica tem evidentemente que ter numa competição europeia. Porque foi na Europa que o Benfica se fez grande, e é na Europa que se mantém grande. Por isso, Jorge, toda a gente sabe que a prioridade é o campeonato, não é preciso estar sempre a dizê-lo. Nem a trocar o número ao Luisão – com uma exibição de sonho, coroada com dois golos - que é o 4, e não o 3. O que é preciso é chegar a estes jogos e mostrar, como hoje fez, que o Benfica tem um plantel de enorme qualidade e, ao contrário de anos anteriores, muito bem gerido. E uma ideia de jogo perfeitamente assimilada!


Excelente também Jorge Jesus nas substituições, a responder como se exigia ao golo do Tottenham, que já acontecera contra a corrente do jogo, retirando-lhe todas as posssibilidades de reacção. A partir daí sucederam-se as oportunidades de golo. Só deu mais um, mas deixou a equipa inglesa de rastos!


 

O que está em causa

Por Eduardo Louro


 


Como aqui referi na altura, o chamado manifesto dos 70, tinha o grande mérito de trazer para a discussão pública a questão da reestruturação da dívida. De, como então dizia, tirar o tema da clandestinidade, ou do gueto em que o tinham enfiado.


Constato agora que teve ainda outros méritos. Teve o mérito – que não é grande, diga-se – de mostrar que António José Seguro não existe. O que não sendo novidade nenhuma - já toda a gente o sabia - não deixa de ser relevante, porque revela a forte limitação estrutural do regime. Quando numa matéria destas, em que até um tal José Gomes Ferreira faz figura de (parvo) gente grande, e não se ouve o líder do maior partido da oposição, percebe-se o bloqueamento do regime!


Mas teve, acima de tudo, o mérito de desmontar o grande trunfo deste governo e de toda a sua vasta entourage: a tese da inevitabilidade. O governo e todo o seu regimento mediático introduziram e exploraram até ao tutano a tese da inevitabilidade. Tudo o que fazia era inevitável, nunca havia alternativa, era assim e só assim podia ser… Viesse quem viesse, não havia volta a dar… Tudo estava escrito (no programa) nas estrelas, nada a fazer…


Pedro Passos Coelho, sendo ou não o mentor da tese, era o seu maior intérprete. Todos os dias, em todas as circunstâncias, lá estava ele com a bandeira da inevitabilidade bem erguida. Daí que tenha acusado o toque. E reagiu mal, se bem que depressa, na tentativa desesperada de salvar aquele que era o seu maior, se não único, trunfo. A seu cargo, e a cargo das principais figuras do seu governo, com Pires de Lima à cabeça, ficou o ataque à credibilidade da ideia. Reestruturar a dívida já não era exactamente uma coisa de perigosos e irresponsáveis radicais de esquerda, mas era um enorme disparate, especialmente nesta altura, a dois meses do fim do programa de resgate… A cargo do seu exército mediático ficou, mais uma vez, o trabalho sujo. Simples: para descredibilizar a ideia, e como o memorando era subscrito por gente de todos os quadrantes políticos, incluindo os próximos do poder, uns mais respeitados que outros, mas tudo gente de peso, era preciso começar selectivamente a descredibilizar os subscritores.


A malta pôs mãos à obra e tem sido um ver se te avias, um fartar de vilanagem, com o já referido José Gomes Ferreira a salientar-se pelo esforço e dedicação!


A força deste memorando reside, em primeira análise, na forma como deixa claro de que há na sociedade portuguesa o entendimento que há alternativas a esta política de destruição económica e social. Que há opções a fazer, e que podem ser feitas. E que é esta a melhor altura para as fazer!


É evidente que ninguém de bom senso poderia esperar que o governo, este ou qualquer outro, viesse aplaudir o manifesto. É evidente que aquilo que o manifesto propõe não é matéria para, à partida, ser tratada na praça pública. Só que, como também é evidente, vem para a praça pública, e pelas mãos de quem vem, pela simples razão de, contra todas as evidências, não ser opção (recatada) do governo.


E não o é por razões ideológicas e por objectivos de agenda. O governo não desconhece, como de resto a União Europeia também não, que a dívida não é pagável nestas condições. Que a economia não só nunca crescerá em termos de responder ao seu pagamento como nunca resistirá à asfixia dos juros, que são já a primeira despesa do Estado. O governo não desconhece que a manutenção ilimitada de políticas de austeridade, durante décadas e décadas, destrói todo o tecido social.


O governo e esta direita no poder sabem tudo isso. Mas também sabem que foi tudo isso que permitiu baixar salários de forma generalizada, degradar serviços públicos para abrir espaço para interesses privados, destruir a classe média e engrossar as camadas mais frágeis e mais dependentes da sociedade… Resumindo: subverter a política distribuição de rendimentos. Afinal, com o PIB a cair todos estes anos, os mais ricos ficaram mais ricos. O país produziu menos riqueza, mas isso não impediu que os mais ricos ficassem ainda com mais…


É isto que está em causa!


 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Uma questão de relação

Por Eduardo Louro


 


Poderia não ter havido nexo causal, mas afinal sempre havia alguma relação entre o presidente e o manifesto para a reestruturação da dívida. Se não havia, há!


Dois dos subscritores eram colaboradores de Cavaco. Eram, já não são: Sevinate Pinto e Vítor Martins, consultores de Cavaco para a Agricultura e para os Assuntos Europeus, foram já hoje exonerados... Já não têm qualquer relação com Belém. Mas mantêm-na com o manifesto, como cada vez mais gente!


 

Não havia necessidade...

Por Eduardo Louro


 


O Sporting foi prejudicado pela arbitragem do último jogo, em Setúbal. Mais, bem mais, que uma arbitragem a prejudicar o Sporting, foi uma arbitragem desastrada: basta que, dos quatro golos que o jogo teve, nem um esteve de acordo com as leis. E que tenha sido anulado o único que deveria ter valido.


O Sporting reagiu como costuma reagir, reclamando até o primeiro lugar do campeonato, que não fossem as arbitragens e seria seu. Mas reagiu também para, evidentemente, marcar posição para o jogo do próximo domingo, com o Porto, em que está em causa o segundo lugar, o tal que dá acesso directo à Champions.


E para colocar pressão no árbitro desse jogo que, soubemo-lo ontem, seria Olegário Benquerença. Que não está apenas na fase descendente da sua carreira. Está a terminá-la numa forma que só permite um desejo: que seja depressa, que acabe depressa com este penoso e triste fim de festa.


Por isso, mas também pelo seu histórico nos jogos com o Porto, ninguém entendeu esta decisão de Vítor Pereira. Uma nomeação absurda, destituída de senso, sem pés nem cabeça, que mais não era que mandar mais achas para a fogueira!


De repente, por motivos de indisponibilidade física devidamente comprovada”, o Conselho de Arbitragem liderado por Vítor Pereira, trocou Olegário Benquerença por Pedro Proença. Sou dos que acham que nunca fica mal emendar a mão, mas... não havia necessidade...

terça-feira, 11 de março de 2014

Manifesto dos 70

Por Eduardo Louro


 


Não sei se existe algum nexo causal entre as recentes intervenções do Presidente Cavaco e este novo Manifesto hoje divulgado, que junta 70 personalidades dos diferentes quadrantes políticos e das mais diversas actividades a favor da reestruturação da dívida.


Na verdade, designadamente neste novo Prefácio aos Roteiros, Cavaco, sem dizer tudo o que deveria ter dito, disse coisas importantes. Sem dizer que a dívida é impagável, disse que, se a economia crescesse como nunca cresceu nos últimos quarenta anos, andaríamos até 2035 para a colocar nos níveis exigidos nos tratados europeus que assinamos. Sem o dizer, disse portanto a mesma coisa…Sem dizer que os foguetório que por aí têm andado a propósito da saída do programa da troika não passa de circo, disse que nada acabava no próximo dia 17 de Maio. Que, quanto a autonomia, tudo continuava na mesma. Sem dizer que Portas é um pateta, que não há relógios nem 1640 nenhum, disse que até que paguemos 75% dos 78 mil milhões de euros que a troika cá meteu, quer dizer, nas próximas três décadas, não nos veremos livres de coisa nenhuma.


Na verdade, talvez mesmo sem querer, Cavaco só não deitou mais um balde de água gelada na euforia que o governo tem andado a alimentar à volta da saída do programa de resgate e do regresso aos mercados porque já não tem balde. Nem balde nem qualquer outro instrumento que lhe valha. Desbaratou tudo…


Mas, mesmo assim, contribuiu para que se visse bem o circo de palhaços que o governo montou. Permitiu que toda a gente, sem excepções, pudesse alcançar a dimensão do faz de conta em que o país caiu.


Não sei, como comecei por escrever, se tudo isto que Cavaco disse sem dizer, aliado aos seus já patéticos apelos à convergência dos partidos do arco da governação, de algum modo serviu como uma mola para este movimento que junta gente de direita e de esquerda, gente que há muito diz ser esta a única saída para o país com gente que chegou à mesma conclusão pela via da exaustão, quando bateu com a cabeça na parede.


Sei que esta é que é a convergência possível. Sei que é possível estabelecer consensos na sociedade portuguesa, mesmo que impossíveis nos viciados jogos de poder a que se dedicam, em regime de exclusividade, os partidos do tal arco da governação. Sei que, ao logos últimos três anos, quem defendia a reestruturação da dívida como condição sine qua non para a viabilidade do país, era acusado de radical. E embrulhado no rótulo do não pagamos. E que ao longo destes três anos não só não foi atingido nenhum dos objectivos do programa, como o país foi económica e socialmente destruído. Que em apenas três anos o país caiu a níveis de que demorará pelo menos vinte a sair. E que é simplesmente impossível continuar a cortar nas prestações que o Estado deve aos cidadãos sem tocar naquela que é a maior fatia da sua despesa: precisamente os juros!


Seja como for esta iniciativa tem para já o mérito de tirar da clandestinidade a ideia fundamental de renegociar e reestruturar a dívida e os seus juros, que a ideologia dominante empurrara para o gueto do protesto. Passos Coelho já se apressou a virar-lhe as costas, como se esperava. Mas já não pôde dizer que é coisa de radicais, dos que não honram os compromissos, dos que simplesmente acham que as dívidas não se pagam. Reviu o tom e simplesmente disse que isso colocaria em causa o financiamento do país. Que, sendo mentira, já é coisa normal!

segunda-feira, 10 de março de 2014

Reforma da Justiça:" Done"

Por Eduardo Louro


 


Na última e recente visita da troika, na décima primeira avaliação ao programa de resgate, fomos surpreendidos com a notícia que, das chamadas reformas estruturais, das grandes reformas do programa, a da Justiça tinha sido precisamente a primeira a ficar concluída. E a única,até agora...


Se ainda houvesse alguém em Portugal a acreditar no que estes senhores da União Europeia e do FMI aqui andam a fazer há três anos, depois de ouvir isto não restaria certamente ninguém para lhes dar crédito. Mas, se por algum mistério insondável gente houvesse que, por tanta distracção ou por tanta crença, achasse mesmo que as reformas de que o país precisa e as que a troika impõe são a mesma coisa, e que a da Justiça até já estava feita, logo há um Jardim Gonçalves pronto a esclarecer tudo.


Um verdadeiro desmancha-prazeres apostado em provar que isso da igualdade perante a lei não é nada que tenha a ver com a Justiça em Portugal. Que aquela venda que a Justiça tem nos olhos está mal posta, e que não há reforma que a coloque a fazer a sua função…


O Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, quando, por prescrição dos factos, declarou sem efeito todas as nove contraordenações que haviam sido imputadas pelo Banco de Portugal a Jardim Gonçalves, deixou claro para toda agente que o sistema -  uma justiça para ricos, branda e lenta à procura das prescrições, e de outra para pobres, tão implacável quanto inacessível - continua intocável. Que reformar a Justiça não é mais que fechar tribunais mo interior do país, para que em Lisboa processos como este entrem  numa corrida louca de oito ou nove anos até à prescrição. Para que pessoas como Jardim Gonçalves nem paguem uns milhões de euros em coimas, mesmo que não passe de uns trocos, nem fiquem inibidos do exercer actividade na Banca. Onde tanta falta fazem!


 

domingo, 9 de março de 2014

A arte de bem receber e as coisas que nunca mudam

Por Eduardo Louro



 


Mais que um belo jogo, este que, provavelmente as duas equipas que actualmente melhor futebol estão a praticar, disputaram hoje na Luz, foi um jogo curioso. E cheio de curiosidades!


O Benfica jogou ao nível a que já nos habituou, mas com a curiosidade de, à sua condição de grande equipa de futebol, aliar a de grande anfitrião. Sabendo que o Estoril gosta de ter a bola, o Benfica entrou de rompante para resolver o jogo – o primeiro golo acontece logos aos cinco minutos, mas à terceira oportunidade – para rapidamente ofertar justamente a bola às visitas. E assim fez, não foi sovina e deixou o Estoril ficar com a bola.


E fez muito bem. Porque a equipa do próximo treinador do Porto - parece que não está fácil de convencer, e que o Porto já não tem capacidade de sedução - até sabe o que fazer com ela, pelo menos para os olhos dos espectadores. Mas acima de tudo porque não precisou dela para nada para fazer mais uma grande exibição, marcar três golos – a arbitragem, sabe-se lá por quê, anulou o terceiro - e desperdiçar mais três ou quatro. Nem precisou de a ter para impedir o Estoril de chegar á sua inviolável baliza – um golo sofrido, aquele charuto de má memória em Barcelos, nos últimos 16 jogos. Na primeira parte, nem um remate. E no fim, uma única defesa, e fácil, de Oblak!


O Benfica alargou hoje para 7 pontos a distância para o segundo – o Sporting. Que empatou em Setúbal, porventura sem ter merecido ganhar, mas claramente prejudicado por uma arbitragem de um velho conhecido, do Porto… E assim, na jornada que antecede a visita do Porto – que jogando o que tem vindo a jogar, lá conseguiu uma vitória tão gorda quanto enganosa – vê reduzida para metade a vantagem que já tinha. Mais do que isso, o Porto chega a Alvalade a poder discutir ali o segundo lugar. E como esse velho conhecido que hoje esteve em Setúbal sabe da importância desse segundo lugar… Há coisas que, mesmo que não pareça, nunca mudam!       

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...