domingo, 31 de março de 2024

Há 10 anos

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A entrevista deste fim-de-semana de Durão Barroso à SIC e ao Expresso traz-nos de volta a Porca da Política, de Rafael Bordalo Pinheiro.


Durão Barroso diz que, presidenciais, nem pensar. Fora de causa. Os barrosistas, que pé ante pé passaram de simples apoiantes de Passos a posições dominantes em boa parte do aparelho do partido, fazem coro: Durão Barroso deixou claro que não é nem quer ser candidato a Belém!


Quem parece não acreditar muito nisso é Marcelo. Ficou nervoso, e logo veio dizer que a entrevista era inoportuna e estranha. Que Durão Barroso deveria ter esperado pelo menos um ano, para dar uma entrevista como esta. Que estranhou, sobretudo, a avaliação que o presidente da Comissão Europeia faz de si próprio, e que se tinha alguma coisa a ver com a candidatura à Presidência da República, correu muito mal.


E faz muito bem, porque aquela linguagem não engana. Dizer agora que está farto de avisar o Pedro que há limites (lembra o outro, o avisador, quando também dizia que havia limites) quando ainda há dias dizia que agora é que se não podia abrandar, é gato escondido com rabo de fora. Se bem repararam nem o BPN escapou: quando era primeiro-ministro bem perguntou o Constâncio…


E se dúvidas ainda sobrassem lá está o apelo a um governo do bloco central, e ainda com o CDS, naturalmente liderado pelo PS, de Seguro. E, the last not the least, aquela ideia de que o presidente deveria ser eleito com o apoio daqueles três partidos!


Nem mais. Não dá ponto sem nó, como há muito se sabe. A partir das posições que já ocupa no aparelho partidário, e com Passos despachado pelos resultados eleitorais, Durão Barroso tem tudo para garantir o apoio ao PS para formar o próximo governo do bloco central. Claro que em troca só quer o apoio à sua candidatura... Então a única com condições de garantir o tal apoio dos três partidos do arco da governação…


Elementar, meu caro Marcelo. É a porca da política!

sábado, 30 de março de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Fantástico. Ninguém mais falou do corte nas pensões que o Secretário de Estado José Leite Martins anunciou. Ninguém mais se preocupou com o que vai acontecer com as pensões, nem com a forma como a CES (Contribuição Extraordinária de Solidariedade) passa a CDS (Contribuição Definitiva de Solidariedade - mantenho o eufemismo solidariedade para facilitar a sigla). O que importa ao país é que o tal Secretário de Estado que ninguém conhecia pôs a pata na poça.


Portas resolveu isto de uma penada - "foi um erro, não devia ter acontecido..." E pronto. Não se fala mais nisso!


É o costume...

sexta-feira, 29 de março de 2024

In-com-pe-tên-ci-a


Às vezes o Benfica joga mal. Uma vez por outra. Normalmente joga ... "benzinho". O problema não é sequer jogar apenas "benzinho". Poucochinho. O problema é que não consegue surpreender ninguém. Nem os adeptos, nem - e é isso que é determinante - os adversários. 


Esta noite, na Luz, perante o Chaves, com o "onze" do costume - apenas com Tomás Araújo no lugar de António Silva (a confirmar que o preenche com absoluta competência), e com Kokçu, aparentemente com o problema resolvido, no banco - aconteceu o que é normal acontecer: sem jogar propriamente mal, o Benfica jogou "benzinho"... mas poucochinho. Ainda assim o suficiente para ganhar, por muitos, ao último classificado. Tem sido frequentemente assim: jogar "benzinho", mesmo que poucochinho, tem sido suficiente para ganhar maioria dos jogos. Umas vezes por pouco, outras por muitos, conforme a eficácia.


Só que, no jogo desta noite, àquilo a que normalmente chamamos eficácia, temos de chamar competência. Nem sempre é assim, nem sempre a falta de eficácia é incompetência, mas hoje foi-o. Hoje, na Luz, não foi eficácia que faltou especialmente a Di Maria e Arthur Cabral. Eficácia faltou a Rafa, Otamendi, Tomás Araújo, Bah ou  Florentino. 


Di Maria foi infeliz, mas também incompetente, ao permitir ao guarda-redes do Chaves que defendesse o penálti, ainda antes da meia hora, e que mudaria o jogo. Acontece. Arthur Cabral foi infeliz, mas também incompetente, ao imitá-lo, à hora de jogo. Não faço ideia donde tenha partido a decisão de trocar o marcador, mas não tenho dúvida que foi incompetente - um jogador como Di Maria não pode ficar afectado por ter falhado um penálti. Toda a gente sabe que não. Como toda a gente sabe que uma troca dessas pesa na cabeça de um jogador permanentemente desconfiado, como é Cabral. Fez exactamente como Di Maria fizera, e o guarda-redes voltou a defender.


O VAR - que tivera de intervir para que Hélder Malheiro assinalasse os dois óbvios penáltis - mandou repetir. Inicialmente ficara a ideia que Hugo Souza, o guarda-redes do Chaves, dera um passo antes de a bola partir. Deu, na realidade, mas manteve um pé na linha de baliza. E a repetição deveu-se, afinal, à entrada na grande área de jogadores do Chaves antes do remate, que já tinha também acontecido no penálti da primeira parte, de Di Maria, mas passado em claro.


Na repetição, Arthur Cabral já não foi infeliz, nem apenas incompetente. Foi qualquer outra coisa inimaginável, ao repetir, pela terceira vez, exactamente  o mesmo. A mesma preparação, o mesmo remate fraco, para o mesmo lado direito do guarda-redes, no mais flagrante exemplo da incompetência que nesta altura grassa no futebol do Benfica!


A mesma que faz com que apenas consiga marcar ou em contra-ataque, ou de bola parada. Foi assim, num livre cobrado por Di Maria e concluído de cabeça por João Neves que, aos 68 minutos, marcou o golo que assegurou mais uma vitória. Curtinha, justa pelas oportunidades criadas, mas à justa e com muito pouco encanto.


 Só depois do golo Roger Schmidt começou a mexer na equipa. A tempo de duas agradáveis surpresas: a primeira nos aplausos a Arthur Cabral, quando foi substituído por Marcos Leonardo; a segunda, pouco depois, pela pacífica entrada de Kokçu que, com João Mário, substituíram Di María e o irreconhecível David Neres.  


Mas é isso: boas surpresas só dos adeptos!

Há 10 anos

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Paulo Portas é capaz de tudo. Até de dizer que o rendimento social de inserção só foi retirado às pessoas que tinham depósitos acima dos 100 mil euros


Se tivesse o mínimo sentido de responsabilidade, Portas já teria a esta hora publicado a lista das pessoas nessas circunstâncias. Já sabemos que nem tem esse sentido nem faz ideia do que seja. E por isso se está nas tintas que pensemos que somos governados por perigosos loucos e criminosos, que impunemente atribuiram subsídios sociais a gente rica, de riqueza bem à vista, que não estava escondida debaixo de colchão nenhum. Mas também por isso, e em alternativa, se está igualmente borrifando que pensemos que é ele próprio um irresponsável, um aldrabão que mente e engana sem olhar a meios, nem que sejam disparates destes…


Não respeita os outros, mas também não se respeita a si próprio. O que também não é exactamente uma grande novidade!

quinta-feira, 28 de março de 2024

Fatalidade (não) rima com maturidade

Montenegro indigitado primeiro-ministro. Novo governo apresenta-se a 28 e  toma posse a 2 de abril | Euronews


Luís Montenegro vai hoje apresentar ao Presidente da República a lista de nomes para o novo governo. Dessa, pouco ainda se sabe neste momento, correndo-se até o risco de, o que se sabe, vir a não a confirmar-se. Sabe-se, depois dos resultados das últimas eleições, e mais ainda depois daquelas 30 horas que marcaram o início da nova legislatura só para escolher a Presidência da Assembleia da República que, só por milagre, não será um governo de curta duração.


No ano em que comemoramos 50 anos do 25 de Abril enfrentamos óbvias ameaças à nossa convivência democrática. E, em vez de celebrarmos a maturidade (de 50 anos) democrática e os valores da liberdade, da fraternidade ("em cada esquina um amigo") e da justiça social ("em cada rosto igualdade"), vemo-nos reduzidos à obrigação de defender o fundamental de um regime que não conseguiu evitar a fatalidade deste destino!


 

Há 10 anos

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Chamam a isto processo de ajustamento. É preciso ter lata…


Um processo de ajustamento deveria ser justo. Vá lá: tendencialmente justo. Não deveria promover apenas justeza. Deveria juntar justiça à justeza!


Este processo de ajustamento ajusta apenas o que alguns têm andado a ajustar entre si. Para tramar os outros!


A distribuição de riqueza é cada vez menos justa. Menos justa e mais larga a diferença entre ricos e pobres. Ajusta-se aí cada vez menos, por muito que os mais ricos se ajustem cada vez mais ao ajustamento, e os mais pobres se ajustem cada vez mais à miséria.


E que bem ajustados ficaram: uns bem ajustados para cima e outros bem ajustados para baixo, sem nada no meio. Ou quase-nada, já com um quarto da população abaixo do limiar da pobreza…


Ah e tal… é o défice… Então não lhe chamem ajustamento da economia, chamem-lhe ajustamento do défice. Ajustamento de contas, que só tem a ver com justeza, não com justiça. Ajustamento de contas é isso mesmo, não precisa da justiça para nada. E é isso que se percebe, que o que importa é ajustar contas. Com uns, com outros, e até com a História… A pretexto de um défice suficientemente ajustado, bem apertadinho no Tratado Orçamental, que em tempos ajustaram juntos aprovar à pressa!

quarta-feira, 27 de março de 2024

A saída da entrada (em falso)

Aguiar-Branco e Francisco Assis vão ser presidentes da Assembleia da  República de forma rotativa


O "escândalo" criado pela "inventona" de Ventura - criou ele próprio (inventou) um acordo que reclama e mendiga há três semanas -, e pela imprudência de Montenegro, acabou com, não um, mas dois Presidentes da Assembleia da República - Aguiar Branco, desde já e para os próximos dois anos; e Francisco Assis para os restantes dois. 


Está bem. PSD e PS têm a obrigação de defender o regime que, não sendo o melhor é, como acaba de mais uma vez ficar demonstrado, o melhor a que podemos aspirar. É tanto assim que nem a improbabilidade de chegar a vez de Francisco Assis - ninguém acredita hoje que a legislatura consiga sobreviver dois anos - impediu esta saída. Afinal a única possível, depois de três votações inconsequentes: a primeira com a candidatura única de Aguiar Branco, a que se juntaram, na segunda, a de Francisco Assis, promovida pelo PS, e a de Manuela Tender, apresentada pelo Chega, logo que se deu conta da do PS, donde partiram os dois primeiros para a terceira.


 

Há 10 anos

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O costume… Fugas de informação, umas bocas daqui e dali, deste e daquele


Nem sempre tudo corre bem. Ás vezes as fugas, por mais cirúrgicas que sejam, fogem antes de tempo. Ou correm mais depressa ... E depois obrigam a uns malabarismos, nada que uns golpes de rins não resolvam. Porque afinal o que importa é que a coisa faça o seu caminho

terça-feira, 26 de março de 2024

Começa bem

Aguiar-Branco falha eleição para presidente da Assembleia da República


Depois de anunciada aos sete ventos a eleição de Aguiar Branco para a Presidência da Assembleia da República, com o declarado apoio do Chega ... saiu bronca.


Luís Montenegro, do "não, é não", acreditou na palavra de Ventura e, sobranceiramente, nem uma palavra sobre o assunto com o PS. Logo à primeira, no primeiro dia, e no primeiro acto da legislatura, viu-se o que aí está, e o que aí vem. 


Aguiar Branco precisava de 116 votos para garantir a eleição. Ficou-se pelos 89. As contas são fáceis da fazer: 80 votos da AD, 8 da IL e ... mais um. André Ventura, como é costume, mete os pés pelas mãos. Começou por dizer que o voto é secreto, e que até poderiam ter sido os deputados do PSD a não votar no candidato para, no momento seguinte, justificar por que não viabilizou a eleição do candidato que anunciara apoiar, voltando à narrativa do "espezinhar" um milhão de portugueses. 


Ficamos todos a saber, se é que já o não o sabíamos, que, qualquer golpe, qualquer habilidade, qualquer chantagem de Ventura que não resulte, são impiedosos pés esmagadores em cima de um milhão de portugueses. E ficamos também desde já a perceber a habilidade de Luís Montenegro para governar nas condições que resultaram destas eleições... 


O resto é "uma vergonha". Como dizia o outro. Que não a tem, nem por onde ela passe.


 


 

Há 10 anos

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Em tempo de recordar Abril, Adelino Gomes – provavelmente o português que mais memórias de Abril soube procurar e guardar para transmitir às gerações futuras – e Alfredo Cunha (fotografia) apresentaram ontem em livro mais umas quantas estórias daquele dia redentor, guardadas por todos estes quarenta anos.


Os rapazes dos tanques” – assim se chama o livro – vem contar-nos histórias que ficaram do outro lado da História para nos revelar um novo herói, um herói improvável e escondido durante 40 anos, sem que se soubesse onde nem como.


Herói? "Não quero ser herói. Cumpri a missão que tinha como português" – disse quando percebeu que tinha finalmente sido encontrado pela única pessoa que o poderia encontrar.


 No dia aprazado para a revolução, José Alves Costa – assim se chama o novo herói que o não quer ser – chegava ao Terreiro do Paço, num blindado M47 para defender o regime. Quando lhe deram ordem para abrir fogo contra a coluna de Salgueiro Maia, recusou. Não com um não rotundo e definitivo, que isso correria certamente mal. Mas contornando a ordem e ignorando a ameaça de um tiro na cabeça... Com astúcia, ou simplesmente com a inocência do rapaz da aldeia minhota, que nunca mais voltaria a Lisboa…


Só uma revolução feita de cravos poderia ter histórias destas. E novos heróis, quarenta anos depois...

segunda-feira, 25 de março de 2024

Excedente ... de veneno

Conselho de Ministros. Costa e Marcelo destacam "cooperação e solidariedade  institucional"


A última reunião do Conselho de Ministros, presidida pela segunda vez pelo Presidente Marcelo, foi a primeira nas suas novas instalações. Mas não é esta, mesmo com os beijos e abraços de Costa e Marcelo, a lembrar os bons velhos tempos, como se nada se tivesse passado, a notícia do dia: essa é a do maior excedente orçamental da História do País.


Poderia dizer-se que é a picada final de António Costa no presente que deixa a Montenegro. O cheiro a veneno já anda no ar - mesmo com" os cofres cheios", como para aí se diz, não vai dar para o novo governo cumprir muito do que foi prometido!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A ideia não é nova. Já há umas semanas atrás Vítor Bento a tinha lançado e começa a perceber-se que a estratégia é a do costume. Já passou pelas cirúrgicas fugas de informação, e agora passa por umas bocas cirurgicamente repetidas por figuras gradas do regime tidas por independentes e conceituadas.


Ontem foi a vez de Teodora Cardoso e sabe-se lá quem se seguirá. A coisa fica no ar, quanto mais nebulosa melhor. Quanto mais estúpida parecer, melhor. O governo lá a haverá de agarrar, lá a sacará das nuvens e tratará de lhe dar forma…


Quando Vítor Bento abriu o caminho - então como medida de combate à fuga e vasão fiscal - ninguém deu muito por isso. Ninguém ligou nada. Só quando - agora como medida de incentivo à poupança - chegou a vez de Teodora Cardoso pegar no testemunho se começou a perceber que a ideia está aí, já a correr em velocidade de cruzeiro, e em estafeta. Não há aqui nada de grande novidade!


Nem adianta muito puxar pelo absurdo. Um imposto sobre o levantamento de dinheiro das contas bancárias para onde foram transferidos os salários ou as pensões, apresentado como incentivo à poupança, não é apenas absurdo. É o cúmulo da hipocrisia!


Ninguém se lembra de tributar nenhum outro movimento financeiro. Ninguém se lembra de tributar transferências para off-shores, nem outras operações financeiras mais ou menos especulativas. Mas lembram-se de voltar a tributar aquilo que já foi cortado e tributado com a hipócrita justificação que esse seria um imposto que teria a vantagem de não incidir sobre salários e pensões…


As pessoas recebem os cada vez mais curtos salários ou pensões por transferência para as contas bancárias que, em boa parte dos casos, foram obrigadas a abrir. Chega-lhes cada vez para menos. Pagam as contas mensais, muitas vezes já atrasadas, o supermercado – cada vez com menos carne e peixe –, o passe, a escola dos filhos… Pagam o que mais for, até onde chegar o vencimento que sobrou dos impostos.


E por isso esta gente acha que os portugueses são uns depravados gastadores, gastam até mais não ter, obstinados em viver acima das possibilidades. Há evidentemente que castigá-los. E se o castigo os obriga a poupar, tanto melhor…


A regeneração passa por aí, pelo regresso aos bons costumes: pobrezinhos, mas poupadinhos!

domingo, 24 de março de 2024

Atentado de Moscovo

Atentado em Moscovo: número de mortos sobe para 182 | Rússia | PÚBLICO


O que aconteceu na sala de concertos de um complexo comercial (Crocus City Mall) em Moscovo, que provocou 137 mortos já confirmados - o número final ultrapassará provavelmente a centena e meia - é um atentado terrorista, tenham sido quem foram os seus autores. Mas é também um festival de desinformação e de manipulação.


Notou-se desde as primeiras notícias, e em pequenos detalhes. Por exemplo: para uns, o atentado ocorreu em Moscovo; para outros, nos arredores. Não é um pormenor, percebe-se bem a diferença. 


Desde o primeiro momento, Putin quis integrá-lo na guerra - sim, agora já é guerra, e não a "operação especial" que não podia continuar a ser - acusando a Ucrânia.  Foi reivindicado pelo chamado "Estado Islâmico", mas não é evidente que "as peças encaixem". Ao não encaixarem, abrem a porta a teorias da conspiração. Já, com Putin a retirar óbvio proveito do acto terrorista e, sabendo-se como é capaz de tudo o que o beneficie, admitir o dedo dos serviços secretos do Kremlin, não pode ser reduzido a uma simples teoria da conspiração.


 

Há 10 anos

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Criamos e desenvolvemos determinados cultos ao longo da vida. Uns ficam para toda a vida, outros vão ficando pelo caminho. Quase sempre com dor, com algum sentimento de perda...


Fui, durante muitos anos, frequentador habitual da Trindade – da Cervejaria Trindade, há dois séculos instalada no convento da Trindade, ali a meio caminho entre o Chiado e o Bairro Alto. Tudo começou na minha juventude e, como muitos outros portugueses – lisboetas ou não – rapidamente transformei aquele belo espaço num local de culto e de tertúlia. E, naturalmente, o bife e a cerveja, únicos e irrepetíveis no meio daquela fantástica azulejaria, no motivo de culto.


Mais longe ou mais perto, nunca ao longo de 40 anos estive muito mais de um mês sem por lá aparecer. Se, como aconteceu durante alguns anos, trabalhava por ali por perto, não havia semana que lá não pusesse os pés…


Nos últimos três ou quatro anos, à medida que as minhas visitas iam ficando cada vez mais espaçadas, com o aumento do fluxo turístico à capital, a Trindade entrou nos roteiros e foi acentuando a sua internacionalização. E, ao contrário do que deveria ser, mas que infelizmente em Portugal nunca é, a qualidade do seu serviço e dos seus produtos começou a degradar-se e os preços a subir!


Durante algum tempo resisti à realidade. As memórias de uma vida e a profundeza de um culto insistiam em sobrepor-se-lhe, e lá voltava eu, sempre acompanhado de discípulos ou de gente pronta a deixar-se evangelizar. Tinha lá estado pela última vez no final do ano passado, num jantar junto ao Natal com mais sete ou oito. Duns e doutros!


Voltei no passado sábado, ao almoço. Com mais doze, duns e doutros…


Não sou capaz de dizer que foi pela última vez. É sempre difícil encarar a última vez, mais ainda perante um monumento da nossa memória.


Pela primeira vez mandei o bife para trás, sem livro de reclamações e sem resinguices. Discretamente, para que nem na mesa todos se apercebessem. Porque um local de culto merece respeito, mesmo que já não respeite os seus fiéis


O bife da vazia já mais não é mais que a imagem de uma sola de um sapato velho e roto. Seco, e fino, só para que se possa mastigar, na vã esperança que, por 25 euros, o molho e a cerveja lhe emprestem uma vaga lembrança do sabor de outros tempos…


Saí sem vontade de lá voltar, triste e calado e com pena daqueles que ficaram a pensar que o bife do meu culto era aquilo … E já cheio de saudades dos tempos da minha velha Trindade, de mais um mito em fim de linha!

sábado, 23 de março de 2024

Há 10 anos

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Um pouco por memória passada e outro pouco por pressão de quem, apesar da distância de sete pontos, ainda gostaria de contar com uma ou outra escorregadela, os jogos do Benfica, estão todos, uns atrás dos outros, rodeados de grande expectativa.


Na última jornada é que era. Porque era na Madeira, onde o Benfica tinha perdido o único jogo deste campeonato, porque era o Nacional, que jogava muito bem e até tinha empatado no Dragão e em Alvalade… Não foi. Categoricamente!


Não foi na passada segunda-feira, seria hoje. Porque foi em casa, no ano passado, depois da vitória na Madeira, que as coisas começaram a correr mal. Porque a Académica também tinha ganhado ao Porto e empatado em Alvalade…. Porque o Sérgio Conceição não fazia a coisa por menos: tinha a equipa preparada para ganhar…


Também não foi. Vitória categórica e indiscutível, com o Sérgio Conceição a meter a viola no saco e a dizer que a culpa foi dos jogadores. Que, coitados, correram como se não houvesse amanhã. E como raramente se vê correr. Três a zero, mais três nos ferros, mais três tirados pelo excelente guarda-redes da Académica, e um penalti por marcar, num jogo onde já se não viu aquela opção por gerir jogo antes de o matar!


Esta foi, curiosamente, a mais robusta vitória do Benfica em casa. Como já fora em Coimbra, por igual registo, a mais gorda fora de portas. Quer isto dizer que a equipa com o melhor ataque do campeonato – e já agora, também com a melhor defesa – tem em dois resultados de três a zero as suas mais desniveladas vitórias. E apenas por uma vez marcou quatro golos, justamente na vitória por 4-2 no jogo anterior, com o Nacional… Marca é em todos jogos, marca sempre, seja contra quem for!


Também por isso o melhor é esperar pelo próximo jogo. É em Braga, e vem a seguir ao jogo da próxima quarta-feira, das meias-finais da Taça de Portugal, no Dragão. E antes do jogo, também das meias-finais mas agora da Liga Europa, com os holandeses.


Pois. É assim… 

sexta-feira, 22 de março de 2024

São assim mesmo, e é assim que vendem

Veja íntegra da mensagem em que Kate Middleton revela estar com câncer |  Metrópoles


Os tablóides têm andado empolgadíssimos a especular sobre a ausência de Kate Middleton do espaço público desde o final do ano passado. A especulação foi crescendo até chegar a uma grave crise conjugal: o Príncipe William tinha uma amante. Uma semana bastou para lhe darem cara e nome - Rose Hanbury, e era até amiga de kate -  e passarem a dar o divórcio real como inevitável.


Hoje, há pouco, Kate revelou publicamente que tem cancro, e que está a fazer quimioterapia. Os tablóides, os mesmos, começarão certamente por lamentar, lamentar muito. A seguir, mandam-se ao cancro, que se multiplicará em formas e variantes. 


Porque é de Kate, e da família real britânica, que se trata? Não. Porque os tablóides são assim mesmo. E são assim mesmo porque é assim que vendem...

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


O sucesso dos vistos gold não pára. Como se esperava...  Não importa quem é, importa que tenha dinheiro. Que não importa nada donde venha!

quinta-feira, 21 de março de 2024

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Ayrton Senna da Silva faria hoje 54 anos, e morreu há vinte. Foi para muitos, entre os quais me incluo, o maior piloto de sempre da fórmula um. Sem ele, a disciplina máxima do desporto automóvel nunca mais foi o mesmo. Com ele, morreu a paixão da fórmula um, que não, evidentemente, o negócio. Esse permaneceu em mãos que o souberam e sabem fazer prosperar...


Foi sobre a sua morte que se ergueu o maior sucesso da história da fórmula um, o heptacampeão Michael Schumacher, agora também atingido pela tragédia, que nunca conseguiu mobilizar as ondas de paixão que o brasileiro suscitou. Com Senna, dificilmente Schumacher teria ganho tanto… E com Senna, por muito injusto que possa parecer, e por muito politicamente incorrecto que agora possa parecer, dificilmente largaria o papel de vilão que lhe parecia reservado…


Houve Schumacher, há Vettel... Mas como Ayrton Senna não há ninguém!

quarta-feira, 20 de março de 2024

Ironias eleitorais

Augusto Santos Silva confiante em “ótimo resultado” do PS nas eleições -  Atualidade - SAPO 24


Ainda se não conhecem oficialmente os resultados das eleições de há semana e meia - só lá mais para o fim da tarde - mas já se sabe o suficiente para afirmar que não houve "escândalo". O cenário,  improvável mas possível, de ganhar hoje quem perdera no passado dia 10, e de perder hoje quem já fizera a festa, não se confirmou. Já basta o que basta, não é preciso mais confusões.


Não houve "escândalo", mas houve "golpe de teatro": Augusto Santos Silva, o anterior Presidente da Assembleia da República, candidato pelo círculo de fora da Europa, não foi eleito. É a primeira vez que uma coisa destas acontece, e é uma pesada derrota pessoal. De um homem que era uma espécie de "sempre em pé" do PS, de governante eterno, e que aspirava ser Presidente da República.


Já não tem por onde continuar a aspirá-lo. Ironicamente "morreu" às mãos do Chega - que elegeu dois dos quatro deputados disponíveis, um deles, no círculo fora da Europa, que ficou precisamente com o lugar que Santos Silva tinha por garantido - que utilizou na Assembleia da República como lançamento daquela aspiração. Não se pode dizer que não tenha tido mérito nas polémicas parlamentares travadas com André Ventura, mas também não se poderá deixar de dizer que as utilizou para suscitar a oportunidade (e sabe-se como é importante "chegar-se à frente" nestas coisas das candidaturas presidenciais) e promover à sua volta a auréola de candidato da esquerda antifascista.


Não é, no entanto, menos irónico que esta derrota seja uma importante vitória para o PS. Para este, de Pedro Nuno Santos. A "reforma compulsiva" de Augusto Santos Silva vai dar-lhe muito jeito. E não é só na escolha do candidato presidencial!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Agora são estrangeiros. Aí está mais um grupo, também de 74, mas agora personalidades estrangeiras, reputados economistas de vários quadrantes profissionais, a apoiar o manifesto sobre a reestruturação da dívida. E a pôr os cabelos em pé ao governo! 


Curiosa a reacção do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes:"A única questão que pode ter relevo aqui é se alguma dessas entidades é credora. Se não forem credores internacionais, a opinião internacional para uma matéria como esta não parece que seja de muito relevo para o nosso país. Se forem credores com certeza que seria importante"...


Pois... Não interessa nada...

terça-feira, 19 de março de 2024

O lodo de Marcelo

Ventura diz que Marcelo não é contra presença do Chega no Governo -  Economia - Jornal de Negócios


Na na véspera das eleições, como sempre achando que tudo pode e que tudo lhe fica bem, Marcelo tinha mandado dizer  que, não só "o não, é não", como, por ele próprio, o Chega não entraria nunca, em circunstância alguma, no Governo.


Continuando convencido "tudo pode e que tudo lhe fica bem", começou a receber os partidos para, nos termos da Constituição, os ouvir para depois indigitar o líder do mais votado para constituir governo, ainda antes de conhecidos os votos dos portugueses emigrados. Por acaso, e como é sabido desde a noite de 10 de Março, decisivos para apurar os resultados eleitorais. Os tais que darão a conhecer o partido mais votado.


Ontem foi a vez de receber em Belém precisamente o Chega. À saída, André Ventura proclamou de imediato que Marcelo lhe "negou categoricamente" colocar algum obstáculo à sua entrada para o governo.


Ainda André Ventura não tinha acabado de dar a notícia ao país, e de voltar a mandar Montenegro meter "o não, é não" no cu, já Marcelo mandava dizer que "como tem repetidamente afirmado, o Presidente da República não comenta declarações de partidos políticos nem notícias de jornais."


Não confirma ter dito o que Ventura diz que lhe disse. Mas também não desmente. Também não confirma que tenha mandado dizer que não queria o Chega no governo. Mas também não desmente. Refugia-se no "não comenta", logo ele que nada deixa de comentar. Sejam declarações, notícias, hipóteses, suposições, ou efabulações... 


É Marcelo cada vez mais enterrado no lodo em que transformou este seu último mandato.  


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


A Alemanha apoiará qualquer decisão que o governo português tome – disse hoje Ângela Merkel, na visita que Passos Coelho lhe fez, em Berlim, com o pretexto da saída do programa da troika.


Quer dizer, Merkel decide como é, como tem que ser, mas a decisão é do governo português, que ela apoiará sem reservas… Como vai bonito este jogo de faz de conta!

segunda-feira, 18 de março de 2024

Putin bate recorde de Estaline

Putin sem oposição em eleições consideradas as "menos transparentes de  sempre" por grupo independente


Eliminados fisicamente todos os adversários, Putin foi a votos. Voltou a ganhar com os habituais 90%!


Longe vão os tempos em que tinha de alternar com o fantoche Medvedev... Isso foi até dar a volta à Constituição, agora já nem precisa de entreposta pessoa para se eternizar no poder ... "por vontade do povo". Que no entanto protesta... Na Rússia, sendo preso. E um pouco por todo o mundo, sem esse risco imediato, à porta das embaixadas russas...


Neste mandato Putin baterá o recorde de Estaline - que governou 29 anos -  e tornar-se-á no líder russo que mais tempo permaneceu no poder. Provavelmente também o mais temível. E o menos escrupuloso!

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Segundo um Estudo de Opinião promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa e realizado pela Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica, a bandeira nacional, com 43% das referências, e Fátima, com 37% são, para os portugueses, os principais símbolos nacionais.


A bandeira é um símbolo por excelência e a mais universal das referências nacionais. Mas Fátima?


Por amor de Deus! Mas não deixa de ser simbólico...


  

domingo, 17 de março de 2024

Na forma do costume


O Benfica surgiu hoje em Rio Maior no seu jeito, com o seu futebol que não entusiasma os adeptos, nem massacra o adversário. O efeito Kokçu notou-se logo na constituição do onze inicial, com Neres a pagar a factura. Saiu da equipa, daquela que vinha sendo dada como, finalmente, o onze base de Schmidt, para lá entrar - evidentemente - João Mário. A mensagem é simples, e fácil de perceber!


Com João Mário na ala esquerda - ainda por cima onde rende menos -, e Di Maria com lugar cativo na direita, e ambos com tendência a vir para dentro, o jogo do Benfica afunilou sempre, como é habitual. Se a tarefa do Casa Pia era defender, assim, tornava-se mais fácil. Com essa tarefa facilitada, e como o Benfica resolveu dar a primeira parte de avanço, o Casa Pia teve até oportunidade de querer mais qualquer coisa do jogo.


O Benfica acumulava posse de bola e pontapés de canto. Pouco mais. O mais perto que esteve do golo foi quando João Neves cabeceou a bola para dentro da baliza, que o árbitro anulou, por fora de jogo.


O intervalo não mudou nada. O Benfica voltou com os mesmos 11 jogadores, como quem acredita que fazendo as mesmas coisas, e da mesma maneira, seja possível atingir resultados diferentes. Foi preciso mais um quarto de hora para mudar alguma coisa, com a entrada de Arthur Cabral para o lugar Marcos Leonardo (é cada vez mais difícil encontrar-lhe atributos para ponta de lança fixo: não consegue jogar de costas para a baliza, nem tem o que se chama de faro de golo) e de Neres para o  de ... Florentino. Que não foi muito apreciada pelas bancadas, maioritariamente benfiquistas, como sempre. Mas que nas circunstâncias do efeito Kokçu se compreende: Florentino tinha sido amarelado no final da primeira parte, e João Mário passaria a formar a dupla do meio campo com João Neves, para o que está mais talhado. E na verdade não correu mal.


Neres dinamizou o ataque, mas também ele vinha muito frequentemente para o meio. Uma espécie de "pecado original" da equipa. E Arthur Cabral dava o desconforto à defesa do Casa Pia que o seu compatriota nunca dera. Os cantos sucediam-se, mas agora também oportunidades claras de golo. 


O problema é que, golos - já se sabe - apenas em transição. O Casa Pia também o sabe.Tomou todos os cuidados quando subiu no terreno e tentou evitar todas as oportunidades de transição rápida ao Benfica. Não o conseguiu por duas vezes: na primeira, ainda antes das substituições, Rafa não conseguiu marcar (um toque do defesa empurrou-o para um toque a mais na bola); na segunda, Arthur Cabral fez de Rafa e marcou um grande golo. Ainda antes da entrada no último quarto de hora.


A partir daí foi controlar o jogo, e levá-lo até ao fim. No registo do costume. Que não entusiasma, mas mantém a chama acesa. 


António Silva viu o quinto amarelo, deixando-o já de fora, e arrumando com qualquer probabilidade de ficar de fora do dérbi. Nesse aspecto até poderia ter sido "encomenda". Mas não foi, foi apenas ridículo. E uma bizarria. Como bizarra foi aquela "cena" do Aursenes. É no que dá tanta mudança de posição. Já se estava a ver a guarda-redes!

Há 10 anos

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Ao fim 36 anos de poder – cumpridos exactamente hoje, e a menos de três meses de bater o record de Salazar –, quando finalmente vê o seu poder absoluto contestado na Região, e no próprio PSD Madeira, Alberto João Jardim acha que é tempo de novos desafios. Por exemplo: de constitiuir um novo partido!


É verdade, Jardim diz que com são precisos novos partidos. E começa por criar um para si. E como não acredito que pense garantir com ele o poder vitalício, com um novo partido Jardim pretende reservar desde já a tribuna no espaço de oposição - mesmo que ao seu partido de sempre (?) - ao novo poder que se avizinha. Ele sabe, afinal melhor que ninguém, o que é governar sem oposição!


Talvez assim se perceba por que não quis nada com Bruxelas...

sexta-feira, 15 de março de 2024

Há 10 anos

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Não sei se ou há moralidade ou comem todos. Ou se, quando não há moralidade, comem todos.


Sei que são sempre os mesmos que comem, e sei que não fazem ideia do que é a moral... E que a vergonha há muito que também fez as malas e desapareceu deste país!

quinta-feira, 14 de março de 2024

Primeiro e único


O Benfica deixara demonstrado, há uma semana, na Luz, que era muito melhor que o Rangers. Melhor dito - que os jogadores do Benfica são muito melhores que os do Rangers. Poderia então ter praticamente deixado resolvido o apuramento para os quartos de final da Liga Europa mas, ter os melhores jogadores, não foi suficiente (falhou no ataque, ao falhar golos feitos, e falhou na defesa, ao oferecer os dois golos ao adversário, nas suas duas únicas oportunidades), e deixou tudo para decidir hoje, no temível e lendário Ibrox Stadium.


Cedo o Benfica voltou a mostrar que é muito melhor que o Rangers. Via-se claramente. Tão claramente quanto se via que muita coisa faltava para que essa superioridade se materializasse no jogo. E tudo o que se via que faltava, percebia-se com igual clareza, era "trabalho de casa". Era treino e preparação do jogo.


Raramente os jogadores do Benfica faziam bem duas coisas seguidas. Porque lhes faltava confiança, e porque lhes faltavam rotinas de jogo. Depois, e mais relevante ainda, era aflitivo ver como o Benfica "embarcava" no jogo que convinha à equipa escocesa. Um jogo de grande intensidade física, de duelos, "partido", de ataque e resposta. 


Com "armas" bem mais sofisticadas, o Benfica fazia a guerra do corpo a corpo. 


Foi assim toda a primeira parte em Ibrox. Numa toada de parada e resposta, num ritmo elevado, num relvado cada vez mais massacrado pela chuva, que nunca deu tréguas. Mesmo deixando-se cair no jogo do adversário, o Benfica teve mais bola,  e as duas únicas ocasiões (um frango de Trubin quase dava em golo, mas foi só isso) para marcar: uma num cruzamento de Di Maria, em que Marcos Leonardo (hoje a rifa calhou-lhe a ele)  não fez o necessário para estar no sítio certo; e outra num excelente passe de João Neves, em que Rafa e Marcos se atrapalharam um ao outro.


Com uma primeira parte altamente desgastante, temia-se que, na segunda, na mesma toada, e com o relvado cada vez mais pesado, o jogo pudesse cair para o lado britânico. Schmidt trocou Marcos, que pareceu sempre "peixe fora de água" por Tengstedt, e os primeiros minutos quiseram mostrar isso mesmo, com o Ranger a dispor de duas oportunidades - a primeira com Dessers a rematar junto ao poste direito de Trubin, batido; e logo a seguir um quase auto-golo de António Silva. 


Mas com o golo de Rafa, a meio da segunda parte, tudo mudou. Quando o Rangers queimava os últimos cartuchos - é notável que o Benfica tenha resistido fisicamente bem melhor que os escoceses -, finalmente numa transição rápida, Di Maria assistiu Rafa, ainda dentro do seu meio campo, que cavalgou para a baliza e bateu, com a classe habitual nestas circunstâncias, o guarda-redes do Rangers. O árbitro assistente assinalou fora de jogo, mas era evidente que o VAR haveria de confirmar o golo. Tanto que se tornou incompreensível o tempo que demorou.


O Benfica, melhor fisicamente, e com jogadores muito melhores, passou então a dominar o jogo. Não atingiu um nível por aí além mas, nem os tempos são para isso, nem o estado do relvado permitia muito mais. Poderia ter voltado a marcar pelo menos por mais duas vezes (no remate de Bah, com grande defesa do guarda-redes, para canto, do qual resultou um desperdício incrível de António Silva), e evitado a ansiedade que um resultado tangencial sempre provoca. E que aumentava à medida que se via Di Maria esgotado continuar em campo, com Tengstedt desviado para a ala que ele já não conseguia cobrir. E Tiago Gouveia, cheio de força - e talento - sentado no banco... Até ao minuto 90+2!


E lá vamos para os quartos de final. E lá somos a única equipa portuguesa presente na Europa. E lá fomos a primeira equipa portuguesa a ganhar na Escócia... 


 

Há 10 anos

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Por que será que há gente que, para falar de produtividade e salários, vai buscar exemplos à Alemanha, mas que, quando se trata de recursos atrás de recursos, até à prescrição final, ninguém se não lembra dos exemplos que de lá vêm?


Que fique o exemplo deste senhor alemão, que foi um grande jogador de futebol de um dos maiores clubes do mundo, a que até hoje presidia. Porque foi condenado por fuga ao fisco, Hoeness abandonou os cargos que ocupava no Bayern de Munique e  simplesmente escreveu em comunicado: «Dei instruções aos meus advogados para não recorrerem. Isto corresponde à minha ideia de decência, conduta e responsabilidade pessoal. A fuga aos impostos foi o erro da minha vida».


Por, cá recorre-se à procura da prescrição. Por cá, usam-se os clubes como escudo de protecção, sabem que ninguém ousa tocar-lhes enquanto por lá estiverem... Pois, não é tanto a produtividade que nos sepra da Alemanha!

quarta-feira, 13 de março de 2024

A esquerda no divã

Alternativa governamental ou oposição. Esquerda discute futuro - Portugal -  SÁBADO


Talvez porque a esquerda ainda esteja à espera de perceber o que aconteceu no passado domingo, Mariana Mortágua lançou o desafio para, em conjunto, analisarem os resultados das eleições. Todos o aceitaram, pelo que irão todos juntos proceder a essa análise. Não sei se todos estarão dispostos "a deitar-se no divã", ficando ainda a faltar saber quem faria de psicanalista (por mim sugeriria Rui Tavares), e tenho muitas dúvidas sobre as conclusões a que cheguem. 


O PCP há muito que finge não perceber nada de tudo o que há muito está a acontecer, pelo que não será agora que deixará cair o fingimento. E... o poeta é um fingidor - já ele o dizia!


O Bloco não percebe que as causas de que se alimentou já deixaram de o ser. Estão assimiladas e são hoje, ou património comum da civilidade, ou fermento de ódio do reaccionarismo mais básico. E que as outras, velhas de sempre, requerem hoje menos dogmas e mais pragmatismo. E outra comunicação.


O Livre, o mais unipessoal destes partidos, terá percebido essa parte. Talvez por isso tenha sido o único a sair-se bem, e também quadruplicou a sua representação parlamentar, exactamente como o unipessoal do outro lado.


O PS poderá não ter percebido o que lhe aconteceu, mas o Pedro Nuno Santos percebeu. E bem. "Acabaram-se os tacticismos" - disse, logo na primeira oportunidade. Disse tudo nessa frase, e mais ainda na forma de expressão. E será o que, no divã, mais terá para dizer.


Noutro tom, noutro registo. Porque aquele a que se sujeitou na campanha foi enterrado com os "tacticismos". 


 

Há 10 anos

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Com mais um grande jogo, o Benfica deu hoje em Londres – 3-1 ao Tottenham - um passo importante para o apuramento para os quartos-de-final de Liga Europa.


Um jogo perfeito, com um resultado que poderia ter sido ainda mais dilatado. Que começou logo na equipa que Jorge Jesus escalou para entrar hoje em White Hart Lane, calado, a escutar os cânticos do Benfica e, porque os ingleses são assim, a apreciar o futebol de uma grande equipa de futebol. Um excelente compromisso entre a gestão do plantel – onde apenas se confirmou que Cardozo é neste momento um corpo estranho na equipa - e a ambição que o Benfica tem evidentemente que ter numa competição europeia. Porque foi na Europa que o Benfica se fez grande, e é na Europa que se mantém grande. Por isso, Jorge, toda a gente sabe que a prioridade é o campeonato, não é preciso estar sempre a dizê-lo. Nem a trocar o número ao Luisão – com uma exibição de sonho, coroada com dois golos - que é o 4, e não o 3. O que é preciso é chegar a estes jogos e mostrar, como hoje fez, que o Benfica tem um plantel de enorme qualidade e, ao contrário de anos anteriores, muito bem gerido. E uma ideia de jogo perfeitamente assimilada!


Excelente também Jorge Jesus nas substituições, a responder como se exigia ao golo do Tottenham, que já acontecera contra a corrente do jogo, retirando-lhe todas as posssibilidades de reacção. A partir daí sucederam-se as oportunidades de golo. Só deu mais um, mas deixou a equipa inglesa de rastos!

Há 10 anos

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Como aqui referi na altura, o chamado manifesto dos 70, tinha o grande mérito de trazer para a discussão pública a questão da reestruturação da dívida. De, como então dizia, tirar o tema da clandestinidade, ou do gueto em que o tinham enfiado.


Constato agora que teve ainda outros méritos. Teve o mérito – que não é grande, diga-se – de mostrar que António José Seguro não existe. O que não sendo novidade nenhuma - já toda a gente o sabia - não deixa de ser relevante, porque revela a forte limitação estrutural do regime. Quando numa matéria destas, em que até um tal José Gomes Ferreira faz figura de (parvo) gente grande, e não se ouve o líder do maior partido da oposição, percebe-se o bloqueamento do regime!


Mas teve, acima de tudo, o mérito de desmontar o grande trunfo deste governo e de toda a sua vasta entourage: a tese da inevitabilidade. O governo e todo o seu regimento mediático introduziram e exploraram até ao tutano a tese da inevitabilidade. Tudo o que fazia era inevitável, nunca havia alternativa, era assim e só assim podia ser… Viesse quem viesse, não havia volta a dar… Tudo estava escrito (no programa) nas estrelas, nada a fazer…


Pedro Passos Coelho, sendo ou não o mentor da tese, era o seu maior intérprete. Todos os dias, em todas as circunstâncias, lá estava ele com a bandeira da inevitabilidade bem erguida. Daí que tenha acusado o toque. E reagiu mal, se bem que depressa, na tentativa desesperada de salvar aquele que era o seu maior, se não único, trunfo. A seu cargo, e a cargo das principais figuras do seu governo, com Pires de Lima à cabeça, ficou o ataque à credibilidade da ideia. Reestruturar a dívida já não era exactamente uma coisa de perigosos e irresponsáveis radicais de esquerda, mas era um enorme disparate, especialmente nesta altura, a dois meses do fim do programa de resgate… A cargo do seu exército mediático ficou, mais uma vez, o trabalho sujo. Simples: para descredibilizar a ideia, e como o memorando era subscrito por gente de todos os quadrantes políticos, incluindo os próximos do poder, uns mais respeitados que outros, mas tudo gente de peso, era preciso começar selectivamente a descredibilizar os subscritores.


A malta pôs mãos à obra e tem sido um ver se te avias, um fartar de vilanagem, com o já referido José Gomes Ferreira a salientar-se pelo esforço e dedicação!


A força deste memorando reside, em primeira análise, na forma como deixa claro de que há na sociedade portuguesa o entendimento que há alternativas a esta política de destruição económica e social. Que há opções a fazer, e que podem ser feitas. E que é esta a melhor altura para as fazer!


É evidente que ninguém de bom senso poderia esperar que o governo, este ou qualquer outro, viesse aplaudir o manifesto. É evidente que aquilo que o manifesto propõe não é matéria para, à partida, ser tratada na praça pública. Só que, como também é evidente, vem para a praça pública, e pelas mãos de quem vem, pela simples razão de, contra todas as evidências, não ser opção (recatada) do governo.


E não o é por razões ideológicas e por objectivos de agenda. O governo não desconhece, como de resto a União Europeia também não, que a dívida não é pagável nestas condições. Que a economia não só nunca crescerá em termos de responder ao seu pagamento como nunca resistirá à asfixia dos juros, que são já a primeira despesa do Estado. O governo não desconhece que a manutenção ilimitada de políticas de austeridade, durante décadas e décadas, destrói todo o tecido social.


O governo e esta direita no poder sabem tudo isso. Mas também sabem que foi tudo isso que permitiu baixar salários de forma generalizada, degradar serviços públicos para abrir espaço para interesses privados, destruir a classe média e engrossar as camadas mais frágeis e mais dependentes da sociedade… Resumindo: subverter a política distribuição de rendimentos. Afinal, com o PIB a cair todos estes anos, os mais ricos ficaram mais ricos. O país produziu menos riqueza, mas isso não impediu que os mais ricos ficassem ainda com mais…


É isto que está em causa!

terça-feira, 12 de março de 2024

Há 10 anos

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Poderia não ter havido nexo causal, mas afinal sempre havia alguma relação entre o presidente e o manifesto para a reestruturação da dívida. Se não havia, há!


Dois dos subscritores eram colaboradores de Cavaco. Eram, já não são: Sevinate Pinto e Vítor Martins, consultores de Cavaco para a Agricultura e para os Assuntos Europeus, foram já hoje exonerados... Já não têm qualquer relação com Belém. Mas mantêm-na com o manifesto, como cada vez mais gente!

segunda-feira, 11 de março de 2024

O "Tuga" e "o politicamente correcto"

PR indigita primeiro-ministro depois de conhecidos resultados da emigração


 


Estes são os resultados conhecidos das eleições de ontem. Para conhecer os definitivos faltam os dois círculos da emigração - com quatro deputados para eleger - e haverá que esperar mais de uma semana. Se tudo correr bem, o que não aconteceu da última vez...


Olhando para os resultados, vemos que o PS foi o partido mais votado - e o que mais deputados elegeu -, e isso não bate certo com o que vimos e ouvimos na televisão. Sosseguem, a televisão não subverteu os resultados. Subverte muita coisa, formata ainda mais, mas não "chega" a tanto. Acontece apenas que o PPM não integrou a coligação na Madeira, e por isso aí não houve AD. São esses votos da Madeira - menos de 53 mil, e que valem três deputados -, que permitem a Montenegro reclamar o direito a constituir governo. 


Vemos que as sondagens já nem à boca das urnas acertam. E, das duas uma: ou essa gente que vive disso passou a ser uma cambada de incompetentes; ou esta gente já só não se deixa governar como não deixa que eles se governem.


Acredito mais na segunda: "chegou a altura de lixar a vida a esses tipos". Era o que faltava era a malta continuar a dizer-lhes onde ia votar. Vão-se lixar: "estou indeciso". "Ainda nem pensei nisso". E se for apanhado com a boca na botija, mesma a acabar de deixar o papelinho na urna, digo-lhes que só lá fui para ver as modas. Parece-me que isto faz parte da evolução do "tuga". É o tuga.2, que é "tuga", mas não é parvo. 


Vemos que mais de um milhão votou no Chega. E ouvimos o "politicamente correcto" - figura que o tuga.2 abomina - dizer que não há um milhão de neo-fascistas, racistas, xenófobos, homofóbicos , etc., etc., em Portugal. Mas, se calhar, se lhe acrescentarmos outros adjectivos eventualmente menos fracturantes, ainda passamos um bocado para lá do milhão. 


O "politicamente correcto" quer mitigar esses adjectivos todos - os expressos e os omissos - com a simplicidade da insatisfação e do protesto. Não está apenas a ser parvo. Está, ainda, a repetir por negligência tudo o que fez para criar insatisfação. 


Está a ignorar o crescimento da agressividade e da desinformação nas redes sociais. Que os novos actores políticos - o Chega maioritariamente, mas também a Iniciativa Liberal - tomaram conta delas com dezenas de milhares de contas, reais e fictícias, a difundir - e alimentar com "gostos", "comentários" e "partilhas" - desinformação. Seja pela mentira, pura e dura, seja pela manipulação da informação, utilizando dados parciais, ou fora de contexto.


Está ainda a ignorar que há gente interessada, e com cada vez com maior capacidade, em converter dinheiro em poder político. E que por isso não faltam apoios financeiros a estes novos actores políticos, como se tem visto com a ocultação das listas de donativos no Chega.


Chegamos aqui, aos 50 anos do 25 de Abril. O Presidente Marcelo - com enorme responsabilidade neste estado de coisas, e já a ultrapassar Cavaco como o pior Presidente da nossa democracia -, na mensagem que quis deixar anteontem, na véspera do dia eleitoral, falava destes 50 anos como um fim de ciclo: «fecha-se um ciclo de meio século da nossa história, e abre-se outro».


Não sei se ele ainda sabe o que diz...  Nem sequer o que ele quis dizer. Mas é verdade que se abriu outro ciclo. Este, para já, vai ser curto!


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Não sei se existe algum nexo causal entre as recentes intervenções do Presidente Cavaco e este novo Manifesto hoje divulgado, que junta 70 personalidades dos diferentes quadrantes políticos e das mais diversas actividades a favor da reestruturação da dívida.


Na verdade, designadamente neste novo Prefácio aos Roteiros, Cavaco, sem dizer tudo o que deveria ter dito, disse coisas importantes. Sem dizer que a dívida é impagável, disse que, se a economia crescesse como nunca cresceu nos últimos quarenta anos, andaríamos até 2035 para a colocar nos níveis exigidos nos tratados europeus que assinamos. Sem o dizer, disse portanto a mesma coisa…Sem dizer que o foguetório que por aí têm andado a propósito da saída do programa da troika não passa de circo, disse que nada acabava no próximo dia 17 de Maio. Que, quanto a autonomia, tudo continuava na mesma. Sem dizer que Portas é um pateta, que não há relógios nem 1640 nenhum, disse que até que paguemos 75% dos 78 mil milhões de euros que a troika cá meteu, quer dizer, nas próximas três décadas, não nos veremos livres de coisa nenhuma.


Na verdade, talvez mesmo sem querer, Cavaco só não deitou mais um balde de água gelada na euforia que o governo tem andado a alimentar à volta da saída do programa de resgate e do regresso aos mercados porque já não tem balde. Nem balde nem qualquer outro instrumento que lhe valha. Desbaratou tudo…


Mas, mesmo assim, contribuiu para que se visse bem o circo de palhaços que o governo montou. Permitiu que toda a gente, sem excepções, pudesse alcançar a dimensão do faz de conta em que o país caiu.


Não sei, como comecei por escrever, se tudo isto que Cavaco disse sem dizer, aliado aos seus já patéticos apelos à convergência dos partidos do arco da governação, de algum modo serviu como uma mola para este movimento que junta gente de direita e de esquerda, gente que há muito diz ser esta a única saída para o país com gente que chegou à mesma conclusão pela via da exaustão, quando bateu com a cabeça na parede.


Sei que esta é que é a convergência possível. Sei que é possível estabelecer consensos na sociedade portuguesa, mesmo que impossíveis nos viciados jogos de poder a que se dedicam, em regime de exclusividade, os partidos do tal arco da governação. Sei que, ao logos últimos três anos, quem defendia a reestruturação da dívida como condição sine qua non para a viabilidade do país, era acusado de radical. E embrulhado no rótulo do não pagamos. E que ao longo destes três anos não só não foi atingido nenhum dos objectivos do programa, como o país foi económica e socialmente destruído. Que em apenas três anos o país caiu a níveis de que demorará pelo menos vinte a sair. E que é simplesmente impossível continuar a cortar nas prestações que o Estado deve aos cidadãos sem tocar naquela que é a maior fatia da sua despesa: precisamente os juros!


Seja como for esta iniciativa tem para já o mérito de tirar da clandestinidade a ideia fundamental de renegociar e reestruturar a dívida e os seus juros, que a ideologia dominante empurrara para o gueto do protesto. Passos Coelho já se apressou a virar-lhe as costas, como se esperava. Mas já não pôde dizer que é coisa de radicais, dos que não honram os compromissos, dos que simplesmente acham que as dívidas não se pagam. Reviu o tom e simplesmente disse que isso colocaria em causa o financiamento do país. Que, sendo mentira, já é coisa normal!

domingo, 10 de março de 2024

Muitos problemas para resolver


Em noite eleitoral a Luz voltou a ficar abaixo dos 50 mil, no jogo com o Estoril. Ainda assim esteve lá gente a mais. Que não deveria ter entrado.


Com a sanção da UEFA suspensa por dois anos, os energúmenos das tochas quiseram a fazer uma demonstração de estupidez. O jogo esteve parado uns minutos, precisamente quando a equipa precisava de todos os segundos para desfazer o empate, já no fim da primeira parte. Mas nem é isto que mais choca, quem quer prejudicar o próprio clube está disposto a tudo, e nas tintas para o que prejudica a equipa. O que mais choca é que não haja no Benfica quem acabe com esta impunidade!


Rui Costa tem mais um problema para resolver. Seria bom que começasse a dar nota de que os começa a resolver.


Schmidt deu descanso a Rafa, Di Maria e João Neves. A acumulação de amarelos deu-o a Otamendi. Com quatro baixas, as novidades foram Tomás Araújo (no lugar de António Silva, que jogou no de Otamendi), Tiago Gouveia e Marcos Leonardo, o ponta de lança que desta vez saiu na rifa. E o sistema foi o 4X3X3 clássico, que com Rafa nunca se vê. 


Poderia mudar o sistema, mas não mudava o futebol tipo do Benfica. O primeiro golo - um grande golo de Kokçu, hoje liberto de fantasmas, no lugar certo, foi um verdadeiro distribuidor de jogo - chegou no segundo remate (o primeiro tinha sido do mesmo Kokçu, na cobrança de um livre) ao quarto de hora de jogo. Logo a seguir poderia chegado ao segundo, numa bela tabela entre Aursnes e Gouveia, concluída com um grande remate de João Mário e uma boa defesa de Dani Figueira. O Benfica não estabilizou à volta do golo e dessa boa jogada, e foi o Estoril a crescer, a chegar ao empate na primeira vez que chegou à baliza de Trubin e, depois, a quase fazer o que quis do jogo. 


Das bancadas começaram a chover assobios e, a seguir, as tochas. Valeu que, em cima do intervalo,  David Neres foi à linha de fundo e cruzou para o segundo poste, donde Tiago Gouveia assistiu, de cabeça, Marcos Leonardo, para o segundo. Foi quase como se não tivesse havido intervalo. Logo no arranque da segunda parte, Tiago Gouveia marcou o terceiro, e arrumou com o resultado.


Mas poderia não ter arrumado. Porque o Benfica continuou a oscilar ao longo do jogo, e o Estoril continuou a jogar à bola. Tanto que o Trubin acabou com mais defesas que o Dani Figueira. E porque o árbitro Manuel Oliveira é o "verdadeiro artista". Como agora têm de comunicar ao público as decisões tomadas através do recurso às imagens do VAR, este "artista" teve a distinta lata de não confirmar o penálti que todos tinham visto, declarando simplesmente "que o jogador 22 não cometeu falta".


E pronto... temos que continuar à espera... Que isto passe, ou que se resolvam os problemas para acabar com isto.


 


 

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Na última e recente visita da troika, na décima primeira avaliação ao programa de resgate, fomos surpreendidos com a notícia que, das chamadas reformas estruturais, das grandes reformas do programa, a da Justiça tinha sido precisamente a primeira a ficar concluída. E a única,até agora...


Se ainda houvesse alguém em Portugal a acreditar no que estes senhores da União Europeia e do FMI aqui andam a fazer há três anos, depois de ouvir isto não restaria certamente ninguém para lhes dar crédito. Mas, se por algum mistério insondável gente houvesse que, por tanta distracção ou por tanta crença, achasse mesmo que as reformas de que o país precisa e as que a troika impõe são a mesma coisa, e que a da Justiça até já estava feita, logo há um Jardim Gonçalves pronto a esclarecer tudo.


Um verdadeiro desmancha-prazeres apostado em provar que isso da igualdade perante a lei não é nada que tenha a ver com a Justiça em Portugal. Que aquela venda que a Justiça tem nos olhos está mal posta, e que não há reforma que a coloque a fazer a sua função…


O Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, quando, por prescrição dos factos, declarou sem efeito todas as nove contraordenações que haviam sido imputadas pelo Banco de Portugal a Jardim Gonçalves, deixou claro para toda agente que o sistema -  uma justiça para ricos, branda e lenta à procura das prescrições, e de outra para pobres, tão implacável quanto inacessível - continua intocável. Que reformar a Justiça não é mais que fechar tribunais mo interior do país, para que em Lisboa processos como este entrem  numa corrida louca de oito ou nove anos até à prescrição. Para que pessoas como Jardim Gonçalves nem paguem uns milhões de euros em coimas, mesmo que não passe de uns trocos, nem fiquem inibidos do exercer actividade na Banca. Onde tanta falta fazem!

sexta-feira, 8 de março de 2024

Fim de festa

ECO da Campanha: nem o mau tempo arrefece a caça ao voto (in)útil – ECO


 


Foto do ECO


Chegou ao fim a campanha eleitoral, com a chuva a estragar o fim de festa. Agora ... é reflectir, coisa que muita gente acha estúpida. 


Reflectir não só não é estúpido, como faz falta. Não sei se funciona. Se calhar não, se não seria como o outro dizia do liberalismo: "funciona e faz falta".


Já o dia de reflexão, é outra coisa. Esse sim, é meio estúpido. Só meio, não mais que isso. É que, depois de semanas de barulheira, sabe a descanso. E sem descanso podemos não conseguir reflectir, coisa que "funciona e faz falta".


Para trás ficaram semanas - na realidade meses, desde 7 de Novembro que o país está em campanha eleitoral - de debates, comícios e arruadas. De promessas e juras que deixam de contar logo que os votos sejam contados, mas  fazem parte ... Que nem correram nada mal, pelo menos em comparação com o que seria possível esperar.


O lamaçal esteve sempre lá, mas não houve porco para lutar. O pé fugiu-lhes muitas vezes para a chinela, mas só isso. O de Manuela Ferreira Leite fugiu-lhe um bocado de mais. Tanto que perdeu o pé ...


Quem não quis deixar a campanha chegar ao fim sem lá meter a colher foi Marcelo. O Presidente Marcelo é assim. Pensa que pode tudo. E que tudo lhe fica bem. Mas ... "olhe que não". "Olhe que não", Sr Presidente!


 

Pietra (1954-2024)

Óbito/Jordão: Pietra lembra «um grande companheiro e um grande amigo» -  Futebol 365


 


Talvez tenha sido o melhor lateral direito do Benfica, a par de Veloso, o seu sucessor. Mas também o curador da mística em anos e anos de banco. 

Esperar que passe ...


Com menos de 50 mil nas bancadas da Luz, pela primeira vez nesta época – claro que isto faz mossa -, o Benfica tentava a reconciliação com os adeptos, começar a apagar os efeitos do desastre do Dragão e, ainda, um resultado que, para além condizente com isso tudo, desse garantias para a visita a Glasgow, daqui a uma semana.


O anúncio da constituição da equipa, que se vem tornando num momento alto das bancadas da Luz, não gerou controvérsia. Os assobios foram todos para Schmidt. O onze parecia finalmente à medida de uma equipa equilibrada, mesmo com o insolúvel problema dos laterais, mas esse é crónico. Florentino e João Neves constituíam o meio campo mais reclamado pelos adeptos, os três desequilibradores Di Maria, Rafa e Neres mantinham-se, mas desta vez com um ponta de lança - Arthur Cabral. 


A equipa parecia bem montada e cedo começou a querer mostrar serviço, dentro, naturalmente, do seu registo habitual. Só que, logo aos 7 minutos, na primeira vez que chegou à área de Trubin, o Rangers marcou. Acontece muitas vezes, e mais ainda ao Benfica. O que punha em causa todo o programa da noite era o desposicionamento defensivo, a completa desorganização defensiva na abordagem ao lance. E isso, como se sabe, não é novo.


A equipa sentiu o golo – não havia como o sentir – mas foi-se gradualmente reerguendo. Sem deslumbrar, mas com a exibição a ir atingindo um mínimo de consistência, logo deu para confirmar que o Rangers é uma das mais fracas equipas em competição, comportando-se exactamente como as equipas pequenas no nosso campeonato. Depois de mais de meia hora em cima do adversário, mas com os mesmos problemas de sempre na decisão final, a que acresciam duas ou três defesas miraculosas do experiente Butland, o Benfica lá conseguiu marcar um golito e empatar. De penálti!


Não havia outra forma. Já teria havido razões para assinalar dois, antes. Por faltas sobre Di Maria e Neres. Mas só este foi assinalado, por intervenção do VAR, por corte da bola com a mão num canto de Di Maria, num lance que o árbitro deixou prosseguir, a que se seguiria um novo corte com a mão, que também deixou passar. O VAR, claro, só teve de convencer o árbitro pelo primeiro.


Com tudo isto, quando Di Maria converteu o penálti com a habitual classe (Butland foi admoestado com amarelo, por manobras de diversão), já o relógio ia no segundo dos 5 minutos de compensação. 


Inacreditavelmente, logo a seguir, na segunda vez que se acerca da área do Benfica, o Rangers volta a marcar. De novo com a defesa benfiquista aos papéis, completamente desposicionada, e sem saber o que tinha para fazer. Depois de a bola ter andado ali a saltar de um lado para o outro sem ninguém a tirar dali, acabou em Fábio Silva (lembram-se da réplica do João Félix?) que "despachou" o Bah e devolveu a bola para dentro da área, rasteira, por entre quatro ou cinco jogadores do Benfica, a marcarem-se uns aos outros, que a deixaram passar para, ao segundo poste, e a ganhar posição a Aursnes, Sterling (sim, é apenas o mesmo nome) marcar.


Bastaram poucos segundos para destruir o que demorara 40 minutos a conseguir. E a primeira parte bem se pode resumir a 45 minutos a falhar: a falhar no tempo todo no ataque, e a falhar nas únicas duas vezes em que teve de defender. A última quando tinha acabado de empatar, e em cima do apito para o intervalo. Inadmissível a este nível de profissionalismo!


Nestas circunstâncias não era de prever grande coisa para a segunda parte. Mas não foi bem assim. Sem alterações a equipa surgiu mais forte para a segunda parte, com as linhas mais subidas, a fazer funcionar a pressão alta, e a meter a equipa escocesa num colete de forças donde não a deixava sair. 


A exibição não era brilhante - brilhante, mesmo, só João Neves, mas para ele já não há adjectivos - porque falhavam aquelas pequenas coisas que só a confiança dá. O toque, a finta, o remate, tudo o que sai facilmente quando a equipa está confiante, não acontece nesta altura. O Benfica dominava por completo, sucediam-se os cantos (14) e remates (25), mas não assim tantas oportunidades de golo. E as que eram criadas eram desperdiçadas, algumas de forma gritante, como aquela de Di Maria.


O empate acabaria por chegar relativamente cedo, a meio da segunda parte. Mas ... num auto-golo. A tempo de tudo, mas também de nada. 


O Rangers, bem longe daquele Steven Gerrard aqui trouxe há três ou quatro anos, defendeu o empate com tudo o que tinha ao alcance. O Benfica procurou por todos os meios, pelo menos, ganhar o jogo. Mas não conseguiu, perdido no meio dos fantasmas que o atormentam. Golos, só de penálti. Ou então que os marquem os outros... 


Às vezes isto é como as tempestades. Só temos que esperar que passem. Mas os espaços de espera também dão para aproveitar para pensar! 


 

quarta-feira, 6 de março de 2024

Há 10 anos

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O Presidente da República sugeriu hoje aos jovens que, em vez de emigrar, investissem na agricultura, aproveitando os fundos comunitários que aí vêm. Para Belmiro de Azevedo os portugueses só terão legitimidade para reivindicar aumentos de salários quando atingirem a produtividade dos alemães, acrescentando que trabalham quatro ou cinco vezes mais que nós. Ou dos ingleses.  E o Vítor Bento, um dos economistas do regime, veio sugerir o lançamento de imposto de selo sobre os levantamentos de dinheiro, aos balcões dos bancos ou no multibanco. É - garante – a melhor maneira de combater a fuga ao fisco, a economia paralela e até a corrupção!


Tudo isto tem tanto mais graça quanto menos vergonha tem esta gente. Como se Cavaco Silva nada tivesse a ver com a destruição da agricultura portuguesa, nem com os desmandos dos fundos europeus utilizados para acabar com ela.


Ou  não fosse Belmiro um dos maiores, se não o maior, empregador português. Que, repare-se, não disse que os portugueses só poderiam aspirar aos salários dos alemães quando tivessem a mesma produtividade. Isso era evidentemente normal. Não, falou de simples aumentos dos salários, que são dos mais baixos da Europa e em escandalosa erosão de há pelo menos três anos para cá.


Ou Vítor Bento não fosse um homem da banca – e já se está a ver, a banca cobraria imposto de selo e não se importaria nada com mais umas comissões – e o presidente da SIBS…


Extraordinária …esta gente extraordinária. E sem vergonha…

António Pedro Vasconcelos (1939-2024)

Benfica lamenta morte de António-Pedro Vasconcelos: "Homem de benfiquismo  devotado"


 


Cineasta, escritor, homem de cultura ... Homem de causas. E de benfiquismo!


 

terça-feira, 5 de março de 2024

Há 10 anos

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Depois de três anos a dizer, inclusive ao Tribunal Constitucional, que os cortes nos salários e pensões eram provisórios, e medida temporária para fazer face a uma situação de excepção, Pedro Passos Coelho, que se tornou primeiro-ministro igualmente depois de prometer que cortar salários e pensões era coisa que nunca faria, completamente fora de causa, declarou ontem na Assembleia da República, nessa excrescência da democracia que são os debates parlamentares quinzenais, que esses cortes são mesmo definitivos. Que nenhum português pense que voltará ao seu salário ou à sua pensão de 2011!


É claro que não havia praticamente um português que não soubesse disso. Já toda gente tinha percebido que o obejctivo era justamente esse: baixar salários o mais generalizadamente possível, cortar a economia, empobrecer o país e os portugueses. O governo desmentia sistematicamente essa a sua estratégia mas, ao mesmo tempo, dava já por adquirido que os portugueses já a tinham incorporado. E explorava essa resignação sem qualquer pudor…


Terá sido por isso mesmo, por excesso de confiança, que Passos Coelho deu ontem um passo que qualquer analista político considerará de tiro no pé. Não tinha, aparentemente, qualquer necessidade de se expor e fragilizar dessa maneira!


Mas fê-lo, e ao fazê-lo em plena Assembleia da República, num debate quinzenal do governo, nunca poderia passar em claro. Pelo que percebi, a deputada Catarina Martins não deixou que isso acontecesse. E disse que a palavra do primeiro-ministro não valia nada…


Rapidamente Passos Coelho armou um dos seus números. Fez-se vítima e invocou a sua honra e mesmo a do Parlamento para não dar nem mais uma resposta àquela deputada, o que provocaria mesmo o abandono do plenário por parte da bancada do Bloco de Esquerda.


Não faltou quem embarcasse no número do primeiro-ministro. E, uns por alguma inocência e outros por dever de ofício, muitos foram os que enfileiraram em sua defesa, dando por inaceitável a linguagem usada pela deputada.


Sejamos razoáveis. E mesmo honestos. Que adjectivos há para um tipo que em campanha eleitoral diz que salários, pensões, subsídios de natal e de férias são sagrados e, chegado ao poder, desata a cortar neles a torto e a direito? Que vai dizendo que é apenas uma emergência, que logo serão repostos, mas que depois diz que nada disso, que nunca mais os verão de volta?


Será que alguém encontra algum menos excessivo que a expressão usada pela deputada?


O mínimo que se poderá dizer de um tipo desses é que não tem palavra. Ou que a que tem não vale nada!


Então um chefe do governo diz no Parlamento, a que deve resposta, exactamente o contrário do que tem andado a dizer, isto é, confirma ele próprio que andou sempre a mentir, e ninguém tem nada a dizer. Ninguém lhe diz que é mentiroso. Que não tem palavra?


Dizer-lhe Isso é desrespeitoso? Mas mentir, enganar, ludibriar é certamente altamente respeitoso!


Como se pode dar ao respeito quem nada respeita? Francamente…

A estrebuchar

ELEICAO DA ASSEMBLEIA DA REPUBLICA 2024 CIRCULO ELEITORAL DE SETUBAL AGENDA  DE CAMPANHA - Rostos On-line


À medida que o dia 10 se apressa, Ventura, a ver o chão a fugir-lhe debaixo dos pés, estrebucha. Dava-lhe jeito que a lata de tinta lhe tivesse calhado. Não era a mesma coisa que uns tiros sobre a caravana, estragados pela motorizada de escape livre, mas servia... Só que, nem isso... E a brincadeira daquele imbecil, que o Bloco de Esquerda resolveu de imediato, que quis aproveitar para replicar Trump e Bolsonaro, também morreu logo à nascença. E então lá volta à garantia a 99% que formará governo. Para garantir essa certeza de 99% lança nomes. Nomes de que se vai lembrando, mas que não se lembram sequer de alguma vez terem falado com ele, depois de ter abandonado a casa mãe e fundado a sua própria "tasca".


Dos nomes de que não se lembra mesmo é dos que lhe financiam a "tasca". Não se lembra dos nomes que (não) aparecem a lista de donativos, logo em 2019, logo no seu primeiro ano de actividade. Mas lembrou-se que seria melhor deixar de apresentar listas de donativos nos anos seguintes...


 

segunda-feira, 4 de março de 2024

Há 10 anos

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O Paulo Fonseca já há muito que havia deixado o Porto. Não sabia muito bem para onde tinha ido, mas já tinha saído há para aí uns dois meses... A administração da SAD é que tem andado muito entretida com o trânsito lá no Dragão e só agora reparou, quando ia entregar-lhe a prenda de aniversário e não o encontrou em lado nenhum. Lembrou-se então de comunicar isso à CMVM!

Há 10 anos

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Miguel Relvas regressou, porque “quando os ventos sopram fortes, alguns abrigam-se, outros constroem moinhos”. E ele “escolheu sempre construir moinhos”… Nenhum mistério, portanto!


O “único mistério que existe é estar ao serviço do PSD”. Ao serviço do PSD, como há muito anos está essa figura incontornável que se dá pelo nome de Zeca Mendonça que, quando alguns se abrigam, não se encolhe nem se esconde. Desata ao pontapé e … assunto arrumado!


Porque importante é arrumar com os assuntos… Até porque estar ao serviço do PSD – e do PS, aí não há linha que os separe – é construir moinhos. E de moinhos, e da maneira de para lá levar a água, sabem eles. Ocupam funções em cerca de 90% das vinte maiores empresas nacionais (PSI 20). Em 31 das 50 empresas cotadas na Bolsa encontramos 51 políticos em cargos de gestão, administração e fiscalização, e ainda mais 70 com outros e diferentes graus de envolvimento. Metade deles são ou foram ministros!


Estes são dados analisados e revelados por um estudo de Maria Teresa Bianchi, doutorada em Ciências Empresariais pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, que conclui que 60% das empresas cotadas estão repletas de políticos bem distribuídos pelo PS e pelo PSD.


Tanta gente a construir moinhos... A pontapé!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...