O que aconteceu na sala de concertos de um complexo comercial (Crocus City Mall) em Moscovo, que provocou 137 mortos já confirmados - o número final ultrapassará provavelmente a centena e meia - é um atentado terrorista, tenham sido quem foram os seus autores. Mas é também um festival de desinformação e de manipulação.
Notou-se desde as primeiras notícias, e em pequenos detalhes. Por exemplo: para uns, o atentado ocorreu em Moscovo; para outros, nos arredores. Não é um pormenor, percebe-se bem a diferença.
Desde o primeiro momento, Putin quis integrá-lo na guerra - sim, agora já é guerra, e não a "operação especial" que não podia continuar a ser - acusando a Ucrânia. Foi reivindicado pelo chamado "Estado Islâmico", mas não é evidente que "as peças encaixem". Ao não encaixarem, abrem a porta a teorias da conspiração. Já, com Putin a retirar óbvio proveito do acto terrorista e, sabendo-se como é capaz de tudo o que o beneficie, admitir o dedo dos serviços secretos do Kremlin, não pode ser reduzido a uma simples teoria da conspiração.
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