sexta-feira, 31 de julho de 2015

Portugal merece mais

Por Eduardo Louro


 


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Ontem, na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira referiu que o texto do Programa Eleitoral da coligação usava a linguagem das empresas, "o tecnoquês dos Relatórios de Gestão", feito por especialistas de comunicação com o propósito de dizer sem que nada seja dito. Leu algumas passagens deixando perceber que aquilo não passava de um inintelegível alinhamento de palavras sonantes, mas despidas de conteúdo. "Um insulto para todos nós"! 


Pacheco Pereira não esgotou, nem de perto nem de longe, tudo o que de absurdo e de hilariante faz "Agora Portugal pode(r) mais".


Apenas mais uma pequena contribuição. Por exemplo, na página 71 (link ali em cima, logo no início, façam o favor de ir lá confirmar), com a letra C, no topo direito da página, lê-se: 


"Caixa de correio eletrónico disponível 24h, destinada às comunicações dos agentes económicos, nas quais identifiquem constrangimentos na aplicação da legislação em vigor".


Ficamos assim a saber que esta maioria, se vier a ser governo e se, depois, cumprir as suas promessas - o que, como se sabe, é sempre muito difícil - terá uma caixa de correio electrónico (sim, como deve ser) disponível 24 horas.


Esfregamos os olhos, aquilo parece pouco de mais... Mas logo a seguir condescendemos: pronto, também não é assim tão grave. Esqueceram-se de escrever "por dia". Queriam dizer "24 horas por dia" ... E, logo aí chegados, percebemos o alcance único da medida, a verdadeira, a grande reforma da administração pública, coisa nunca antes vista ...


Um correio electrónico disponível 24 horas por dia? Mesmo assim? Sem hora de almoço, nem nada? Não fecha nem um bocadinho para descansar? Nem uma simples pausa para um café por trás de um "Volto Já"? Como é que vão conseguir?


Cá por mim tenho dúvidas. Mas isso sou eu, que tenho a mania de desconfiar de tudo o que vem desta gente...


Não sei se, "agora, Portugal pode mais". Mas tenho a certeza que Portugal merece mais!

A gente sabe o que é que o está a preocupar...

Por Eduardo Louro


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Acho que ninguém em Portugal tem dúvidas sobre o interesse do país em manter um grande banco público. Pode até haver quem se esteja a chegar à frente e a levantar o dedo, mas isso isso é apenas um impulso irreflectido de mentes liberais mais empedernidas. Depois de tudo por que temos passado, e com o BES bem fresquinho na memória - tão fresquinho que até já andamos todos a fazer contas a quanto é que desta vez nos vai tocar (agora sim, é que se justificaria o tal simulador, que há uma semana tiveram tanta pressa em disponibilizar no site das finanças) -, não há alminha que, por mais enraizada que estivesse a ideia na sua cabeça, ache que a Caixa Geral de Depósitos deva ser privada.


E no entanto, mesmo assim, o primeiro-ministro não pensa noutra coisa. Sabemos que é uma ideia antiga, e sabemos que é um sujeito teimoso.


Por isso anda preocupado com a Caixa


Argumenta - não argumenta, evidentemente, põe o seu exército de escribas e pensadores a intoxicar a opinião pública, porque é essa a receita de sempre - que os bancos privados, ao contrário do banco público, já devolveram, em parte ou na totalidade, os montantes da ajuda financeira que receberam através daquelas obrigações com aquele nome meio mal cheiroso, as CoCo bonds. Mas não diz, nem diz para dizerem, que o banco público não está em atraso com nenhum reembolso. Nem que a banca privada procedeu aumentos de capital para efectuar esses reembolsos, isto é, teve acesso a capital não remunerado para substituir capital altamente remunerado. Coisa para que o accionista da Caixa, que o sujeito precisamente representa, não está disponível. Nem diz que, assim, sem acesso a capital accionista, aqueles 900 milhões de euros das CoCo bonds são importantes para os rácios de capital da Caixa. E que, se calhar, é por isso e não por qualquer problema de liquidez, que a Caixa não procedeu ao reembolso antecipado, com fizeram ou estão a fazer os banco privados.


Esteja descansado senhor primeiro-ministro. Não tem mais motivos de preocupação com a Caixa do que com os outros bancos. Tem razões para se preocupar com o sistema financeiro, tem sim senhor. Mas isso é outra coisa. Disso o senhor não fala... 


O senhor quer apenas aproveitar todo e qualquer pretexto para chegar ao seu porto de abrigo. E neste caso é - ou era? - apenas a mais apetecida das privatizações!


A gente sabe do que é que está a falar...


 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Era só o que faltava...

Por Eduardo Louro


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A coligação no poder apresentou ontem o programa eleitoral. Com pompa, muita pompa... Dada a circunstância - em cima das férias, fora de tempo de discussão - nada mais prentendia que pompa.


Podia, mesmo assim, a coligação ser mais comedida na charlatanice


Recorro ao velho slogan publicitário: Poder, podia... Mas não era a mesma coisa!


No meio de tanta aldrabice, a sem vergonha tinha ainda de chegar à ameaça com as agências de rating


Tinha. Porque é aí, já em pleno território do absurdo, na fronteira com a loucura, que a charlatanice atinge o climax da conclusão no tal slogan publicitário.


Era o que faltava... Era o que faltava no discurso charlatão. Já não falta!


O que falta - e a falta que lhes faz - é que as agências de rating assinem por baixo o discurso dos milagres dos charlatães. Não assinam por baixo, não caucionam e mantêm o país no lixo, donde não não saiu como ainda se atascou mais...  


É tal a vertigem que ja nem conseguem parar, para pensar. E acabam por se espetar, com estrondo: para ameaçarem com o papão das agências de rating não conseguem esconder que afinal  o país é - continua - lixo, sem nada a ver com o que apregoam.


 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Agora Portugal pode mais...

Por Eduardo Louro


 


Agora Portugal pode mais... Os portugueses é que não. Não podem mais...


Nem podem com mais do mesmo!


 


 


 

Uma questão de dimensão

Por Eduardo Louro



 


 


Maior, muito maior, que as estruturais diferenças entre Portugal e os Estados unidos, é a conjuntural diferença entre os seus Chefes de Estado...


Ouvir o discurso de Obama em África - e a propósito de África - só dá outra dimensão á tormenta da nossa triste sina. Pôr o dedo na ferida, chamar as coisas pelos nomes, apontar sem ambiguidades, sem rodeios nem receios, com a autoridade de quem diz vir da mesma tribo, é de Homem grande. Que torna liliputiano quem perante Obiang mete o rabinho entre as pernas ... e sai de mansinho...


Não! Não é porque Obama é presidente dos Estados Unidos e Cavaco de Portugal. Não é pela dimensão de cada um dos países, é mesmo pela dimensão de cada uma das pessoas. Pela dimensão que uns têm e outros nunca terão!

terça-feira, 28 de julho de 2015

Cavalo de Tróia ou bombista suicida?

Por Eduardo Louro


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Toda a gente sabe que o acordo imposto à Grécia pelo Eurogrupo não resolve coisa nenhuma. Nem à Grécia nem à União Europeia, daqui por (poucos) meses tudo volta á mesma!


Tsipras disse-o desde logo: “assino, mas não concordo” – mais ou menos isso – e por todo o lado, gente de todos os quadrantes afirmou e reafirmou que nada tinha ficado resolvido, tudo tinha sido adiado, empurrado para a frente. Muitos salientaram ainda os riscos da humilhação. A História está farta de os mostrar, e se alguma coisa emerge deste acordo a que a Grécia foi forçada é justamente a humilhação a que foi sujeita.


Vem isto a propósito da onda de indignação que por aí anda por parte da mais cega ortodoxia da direita a propósito de um eventual plano secreto do governo grego para abandonar o euro, confirmado até num suposto vídeo de Varoufakis. A Grécia é – dizem – o cavalo de Tróia do euro!


Sendo evidente para toda a gente que se a União Europeia não mudar – e não só não se vê como possa mudar, como essa mesma ortodoxia de direita e germanófila não quer que mude – a Grécia não cabe no euro (nem, nessas condições, Portugal, mas isso eles não percebem), normal é que o governo grego esteja a trabalhar num plano de regresso à sua moeda. A não ser que fosse ainda mais incompetente e irresponsável do que o que o pintam. O governo grego só não saiu – nem teve condições de ameaçar fazê-lo, e daí ter de se sujeitar à humilhação – pelo seu próprio pé porque não estava em circunstâncias de o poder fazer. Por razões (menores, apesar de tudo) conjunturais de política interna – os gregos queriam manter-se no euro – mas acima de tudo – que não é pouco, é mesmo tudo – porque não teve apoio externo. Nem Rússia, nem Estados Unidos, nem China, e sem reservas de divisas para pagar importações, nunca podia adoptar uma moeda própria …


Antes de acusar o governo grego de cavalo de Tróia, haveria que acusar a União Europeia de fazer da Grécia um bombista suicida. Se o governo grego estiver a preparar a sua saída está apenas a fazer o que a realidade lhe impõe. O que lhe compete. O que a lucidez aconselha.


Que no meio disso tudo recuse apertar os explosivos à cintura é o que nós devemos ardentemente desejar!


 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Um teste ao respeito por nós próprios

Por Eduardo Louro


 


 


Passos Coelho é capaz de tudo. É até capaz de chegar à Madeira e bater todos os recordes de aldrabice de Alberto João Jardim... Capaz de fazer do primeiro Chão da Lagoa sem Jardim, o mais charlatão de todos os Chão da Lagoa. 


Podemos dizer que esta gente perdeu o último pingo de vergonha. Podemos dizer que nunca ninguém foi tão longe no descaramento. Podemos indignar-nos com a falta de respeito pela nossa inteligência. Podemos ficarmo-nos pelo simples "é preciso ter lata"...


Mas também podemos achar que isto é apenas um teste ao respeito que temos por nós próprios... Com resultados a conhecer lá para 4 de Outubro!


 


 


 


 

domingo, 26 de julho de 2015

Tour de France 2015: Ponto final.

Por Eduardo Louro


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E em Paris ganhou um alemão... Não é grande novidade. Nos Campos Elíseos ganhou Andre Greipel!


Ganhou pela quarta vez, como fizera o seu compatriota Kittel no ano passado, confirmando-se indiscutivelmente como o melhor sprinter doTour. Não se sabe se o melhor do  mundo, porque Kittel, não tendo podido - por doença - estar lá, está aí.


Desceu o pano sobre um dos maiores espectáculos do mundo, para o ano há mais. Porque este é, entre todos os grandes acontecimentos desportivos mundiais, o único que se repete todos os anos.


Ontem, quando tudo ficou resolvido, referi-me aqui à forma como este Tour se decidiu, ao erro de cálculo da Movistar, que ganhou colectivamente mas podia também ter ganho com Quintana, e aos protagonistas maiores da classificação geral. Falta referir outras figuras de uma competição fantástica, mas demasiado previsível.


Começo por aqui, pela previsibilidade. Que é o maior inimigo do espectáculo desportivo, da própria competição. Sem um verdadeiro contra-relógio individual - no mínimo um, é indispensável - e com inevitáveis estratégias de equipa a determinarem tudo o que se passa na corrida, este Tour tornou-se demasiado previsível. Repare-se como até os momentos mais espectaculares - os ataques de Quintana - eram previsíveis. Todos iguaizinhos... Primeiro Valverde, a ganhar uns metros. Sabia-se que depois viria o colombiano.


Há que referir Peter Sagan, o vencedor por pontos (camisola verde) pela quarta vez consecutiva. Ao contrário dos anos anteriores, o (ainda) jovem eslovaco não ganhou uma única etapa. Mas foi o rei dos segundos lugares... 


E os portugueses. Rui Costa foi forçado a abandonar muito cedo, nunca se recompondo da queda colectiva em que se viu envolvido logo na terceira etapa, mas também vítima de uma série de problemas gástricos. O Sérgio Paulinho não esteve presente, ficou-se pelo Giro, para ajudar o Contador a ganhar, e vai regressar na Vuelta, para ajudar o polaco Rafal Majka (27º, a mas de hora e meia). Os três restantes estiveram muito discretos, quase não ouvimos falar deles. O Nelson Oliveira (44º, a pouco mais de 2 horas, no meio de gente grande: logo atrás - mais 37 segundos - de Sagan, e à frente de Richie Porte) foi o melhor, e ainda apareceu uma ou outra vez. Como hoje, quando deu umas voltas aos Campos Elíseos na frente, que lhe valeu... muita televisão. O Tiago Machado (67º, a quase 3 horas), numa equipa de ponta - a Katusha, de José Azevedo - não teve qualquer protagonismo. E o José Mendes (134º, a mais de 4 horas) ainda conseguiu entrar numa fuga, no dia em que ganhou o Ruben Plaza, o colega do Rui e do Nelson que foi um dos animadores - entrou em todas as fugas - dos Alpes. 


Para o ano há mais. Para os portugueses, também...


 


 

sábado, 25 de julho de 2015

Estado de direito?

Por Eduardo Louro


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Ricardo Salgado saiu do tribunal sujeito prisão domiciliária, ficando em casa vigiado por dois polícias. Há exactamente uma ano também foi ouvido em tribunal. Então levado pela polícia, detido para apresentação em tribunal. Então, a medida de coação foi uma caução de 3 milhões de euros...


Desta vez a caução seria um grande embaraço. Donde viria o dinheiro, com as contas supostamente congeladas e todos os bens arrestados? 


Alguma coisa teria de ficar à mostra. Daí a prisão domiciliária, mas sem o estigma da pulseira electrónica...


Estranho? 


Mas estranho é que, há um ano, em pleno centro da crise BES/GES, Ricardo Salgado foi ouvido e sujeito à prestação da tal caução no âmbito do processo Montebranco. E que, num ano, não haja qualquer percepção de que alguma coisa tenha avançado...


Mais estranho é que um ano depois do colapso do BES, e seis meses depois de uma comissão parlamentar de inquérito ter tornado público o que tornou, a Justiça não tenha incomodado Ricardo Salgado. Estranho é que tenha acabado de ser interrogado pelo tribunal, não por iniciativa do Ministério Público, mas por processos movidos por terceiros, lesados evidentemente.


Mais estranho ainda é que, um ano depois, quando num país a sério os culpados estavam encontrados e condenados, do MInistério Público não se conheça sequer uma iniciativa. Estranho é que quando há milhares de portugueses lesados, roubados pelo BES e enganados pelo Banco de Portugal, o Ministério Público faça de conta que não ouve, não lê e não vê. Provavelmente para esconder a falta de meios para investigar... 


Mas ainda mais estranho é que se diga que vivemos num Estado de Direito!


 


 

Tour de France VI

Por Eduardo Louro



 


Chris Froom venceu - vai ganhar amanhã - pela segunda vez o Tour de France. Venceu, mas desta vez não convenceu...


Não convenceu porque o jovem colombiano Nairo Quintana deixou a ideia que era mais forte. Porque lhe ganhou por duas vezes, e apenas perdeu para o britânico por uma vez, logo naquela primeira abordagem aos Pirinéus, que decidiu - como então aqui se prevera - o vencedor deste ano. Porque o minuto e doze segundos que no cimo do Alpe d´Huez lhe faltou anular é bem menos que os mais de dois minutos que perdeu na primeira semana, naqueles cortes que o vento sempre provoca. E porque, no fim, ficou a ideia que Quintana atacou tarde de mais. Que, para recuperar os quase quatro minutos de atraso que resultaram dos tais cortes provocados pelo vento e da única vez que foi, de facto, derrotado por Froom, naquela décima etapa, teria de atacar mais cedo. Mais cedo, mesmo que já nos Alpes. Ou, em última análise, mais cedo mesmo na etapa de ontem.


Ontem atacou - a sério - apenas quando faltavam cinco quilómetros. Hoje corrigiu, mas já era tarde. Atacou na nova subida de hoje ao Croix de Fer, a mais de quarenta quilómetros da meta, para abdicar pouco depois. E lançou o ataque definitivo à entrada da subida final para o Alpe d´Huez, com a mesma estratégia de sempre: ataque inicial de Valverde - que grande Tour, o do campeão espanhol! -  para depois sair que nem uma flecha para se lhe juntar. Ganhou perto de minuto e meio - numa dúzia de quilómetros - em cima do meio minuto de ontem, em cinco. Seria difícil ganhar muito mais do que isso em cada etapa a um ciclista como Froome, com uma equipa como a Sky, que tem sempre três ou quatro corredores disponíveis para ajudar. Como hoje voltou a acontecer, com Porte - que, de saída da equipa e a fazer um fraquíssimo Tour, já tinha sido decisivo na tal décima etapa - a levá-lo montanha acima. 


Claro que nunca se saberá se Quintana poderia fazer mais. Sabe-se é que Froome, não!


Lá no alto foi Pinault - também ele a fazer uma parte final da prova em crescendo - que ganhou, resistindo por 18 segundos à subida demolidora do colombiano, com Valverde, em quarto, a chegar com Froome. E a confirmar, com inteiro mérito, o seu lugar no pódio. Este foi o melhor Tour de sempre de Valverde, que foi dos maiores animadores da competição.


Os quatro candidatos que aqui se perfilaram acabam por ocupar as primeiras cinco posições da classificação. Valverde, e logo no terceiro lugar, foi o intruso. Froome ganhou, como se esperava se bem que talvez como não se esperasse. E ganhou ainda o prémio da montanha. Quintana foi segundo, mas bem podia ter sido primeiro. Que seguramente será, dentro em breve... Nibali - que hoje foi francamente azarado, quando teve uma avaria no início da última subida que o afastou do centro de decisão da etapa, mas não o impediu de mais uma clara demosntração de categoria - acabou em grande, a honrar o número 1 que ostentava nas costas. Pode dizer-se que corrigiu os Pirinéus com os Alpes. Onde esteve ao nível do melhor dos melhores: basta ver que ficou a 8 minutos de Froome, quando logo na primeira etapa dos Pirinéus já estava a 7!


Contador foi o quinto, mas sem grande honra e não mais glória. Pode ter alimentado a ideia de que estaria ao seu alcance a proeza de ganhar o Giro e o Tour. Mas ficou apenas a ideia que o Giro foi a sua única hipótese de este ano ganhar alguma coisa!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Tour 2015 V

Por Eduardo Louro


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Está a chegar ao fim. Amanhã corre-se a penúltima etapa, e tudo ficará decidido no mítico Alpe d´Huez.  


Depois dos Pirinéus, donde tudo parecia vir decidido, e cumprido – na terça-feira – o dia de descanso o Tour entrou nas serpenteantes estradas dos Alpes, numa louca montanha russa de subidas e descidas que nunca mais acabam.


O dia seguinte ao descanso faz frequentemente vítimas. No primeiro foi Rui Costa, desta vez foi o americano Tejay Vergaderen a abandonar – era então terceiro classificado, depois de quase duas semanas logo atrás de Froome.  


Quem ganhou com isso foi Valverde, que herdou o último lugar do pódio, atrás de Quintana, seu colega de equipa. Ambos pareciam satisfeitos com isso. E a Froome bastava controlar a corrida, o que fazia sem grande dificuldade respondendo, ele ou alguém por ele, a pequenos fogachos de Contador – que um azar haveria ainda de atrasar mais um pouco –, de Nibali, que nos Alpes, ao contrário do que acontecera nos Pirinéus, esteve ao seu nível, ou mesmo de Valverde.


Raramente de Quintana, que à medida que as montanhas iam sendo dobradas se mantinha fria, e mesmo irritantemente, colado à roda de Froome.  Foi sempre assim. Mesmo na etapa de hoje – se ontem se correu a etapa com mais montanhas, sete, hoje correu-se a etapa com mais quilómetros a subir, sempre à volta do Glandon – mesmo na espectacular subida à Croix de Fer, onde era Nibali a dar espectáculo. Nem mesmo quando Froome teve um pequeno problema mecânico e ficou momentaneamente para trás, pouco depois de mais um ensaio de Valverde, o colombiano deu sinal de si.


Perceber-se-ia pouco depois que não era acomodação, que não reagira por estar amarrado a decisões superiores. A escassos cinco quilómetros da meta chegou finalmente a ordem para Quintana. Deixou toda a gente para trás, e só Froome conseguiu reagir em perseguição.


O espaço era curto para grandes conquistas. Mesmo assim, nesses últimos cinco quilómetros, ganhou mais de um minuto a Nibali, que seguia á sua frente para ganhar a etapa, e trinta segundos a Froome.


Coisa pouca. Ainda sobram a Froome dois minutos e meio… Tem a palavra sua alteza o Alpe d´Huez !

Um governo a governar...

Por Eduardo Louro


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Um governo a governar... Um governo a governar anunciou, voltou a anunciar e não parou de anunciar para hoje a divulgação da execução orçamental. Um governo a governar anunciou e voltou a anunciar que a oportunidade serviria para anunciar quanto é que iria devolver da sobretaxa de IRS. Um governo a governar abriu os telejornais a anunciar um crédito fiscal para o próximo ano, a prometer que, a continuar tudo assim, a actual sobretaxa de 3,5% cairá para 2,8% para o ano. Deputados da maioria que apoia o governo a governar encheram os telejornais a deitar foguetes para comemorar um acontecimento que poderá acontecer para o ano. A ministra das finanças do governo a governar encheu os telejornais a dizer que isto não é propaganda, que é apenas o governo a governar. Que não é por haver eleições que o governo deixa de governar...


O secretário de estado dos assuntos fiscais do governo a governar encheu os telejormais a dizer que é um corte de 19% na sobretaxa de IRS. E os mesmos telejornais convidaram-nos logo para uma simulação no site das Finanças, para que ficássemos já a conhecer quanto nos toca da generosidade do governo a governar...


E lá estava o simulador. A funcionar mesmo, e a dizer logo de quanto é que iremos ser reembolsados para o ano. Se tudo continuar assim, evidentemente... Com o governo a governar...


Isto é que é um governo a governar!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Nada a temer

Por Eduardo Louro


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Após dois anos de investigação, a Comissão Europeia apresentou uma participação ao Ministério Público sobre os fundos europeus atribuídos à empresa Tecnoforma


O inquérito aberto pelo Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), em 2013, revelou a prática de infrações penais e financeiras e concluiu que a Tecnoforma e os seus dirigentes cometeram crimes susceptíveis de serem sancionados do ponto de vista financeiro e criminal.


Recordo que tem a ver com a famosa burla do projecto de formação para aeródromos, que Relvas na altura ofereceu à empresa, ao que se dizia na altura, administrada por Passos Coelho. 


Não sabemos o que o DCIAP irá fazer com essa participação, esperamos todos que não fique esquecida numa gaveta qualquer. O que sabemos é que o actual primeiro-ministro não tem que temer. Nem por onde recear. Está ilibado pelo irrefutável testemunho público do seu patrão: "o Pedro abria as portas todas"!


Sossegai, pois. Não vamos ter mais problemas com ex-primeiros ministros. Passos não vai ter qualquer dificuldade - nem precisa de nenhum João Araújo - em provar que não tem nehuma responsabilidade, nem financeira nem criminal, na fraude. Era apenas o porteiro, só abria portas, não tem nada a ver com isso...


 


 


 

O apelo de Cavaco

Por Eduardo Louro


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O que Cavaco ontem fez, sem disso porventura se dar conta e provavelmente contra a sua vontade, foi um forte apelo à vitória do PS no dia 4 de Outubro. Ao fazer o apelo da extremamente desejável solução de governo estável e maioritária, quando sabe que, por mais apelos que faça, ninguém chega á maioria, Cavaco está a dizer aos portugueses que devem dar a vitória a António Costa. Por muito que não queira, dê-se ou não conta disso, é justamente isso que Cavaco está a dizer.


Por uma razão muito simples: se Costa perder fica obviamente sem espaço na liderança do partido, nem vale a pena explicar por quê. Abandonaria no minuto seguinte, e os partidos da coligação de direita ficariam a falar sozinhos, sem interlocutor no PS. E, evidentemente, sem qualquer condição para chegar á solução de governo que Cavaco extremamente deseja.


Se, pelo contrário, for a coligação a perder, mesmo que o PSD não perdoe a Passos e o obriga a saltar fora, ainda sobra Portas, o sempre em pé.


E nem é preciso fazer contas à esquerda, águas que o PS evidentemente nunca navegará. Para tranquilidade de Cavaco!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A meia verdade da mentira

Por Eduardo Louro



 


Juncker, que como se sabe é um desbocado, veio dizer que o primeiro-ministro de Portugal se opôs ao alívio da dívida da Grécia antes das eleições em Portugal.


Nada que nos surpreenda, não estivessemos fartos de saber que Passos não tem procurado outra coisa que não seja fazer a vida negra à Grécia. Nada que nos surpreenda, pela utilização eleitoralista que lhe temos visto fazer da Grécia. Nada que nos surpreenda, perante a repetida mentira do "que se lixem as eleições"...


O que nos surpreende é a reacção de Passos ao desbocado presidente da Comissão Europeia. O que surpreende é que alguém que dorme com a mentira venha dizer que o que Juncker disse é "meia verdade". E "meio mal entendido"!


De meias verdades - em boa verdade de menos do que isso - sabe ele. Por isso explicou: a meia verdade é que realmente é contra a discussão da reestruturação da dívida grega. A outra metade é que é uma mentira inteira: que não é por causa das eleições!


O "meio mal entendido" era só para a confusão. Para esconder a outra metade da verdade que não é mentira...

terça-feira, 21 de julho de 2015

Por acaso a ideia ... (não) foi dele

Por Eduardo Louro



 


Já pode dizer-se que é oficial: Passos Coelho é um mentiroso compulsivo!


Mente por tudo e por nada. Mente por um punhado de votos, sempre que cheire a eleições. Mente quando quer que as eleições se lixem. Mente para salvar a pele, quando as trapalhadas do seu passado lhe atrapalham o presente, e as trapalhadas do presente lhe não dão jeito nenhum para o futuro. 


Mente por isto e por aquilo, mas mente porque já não consegue viver sem mentir. Mente até por acaso... Por acaso um dia teve a ideia de mentir, e nunca mais a largou...


Teria sido por acaso que reivindicou a autoria da ideia do fundo de privatizações da Grécia: "até tivemos por acaso, a ideia que desbloqueou o impasse ... fui eu que sugeri..." Seria sempre certamente por acaso... Uma ideia que seja, só mesmo por acaso. Não foi no entanto por acaso que mais uma vez mentiu. Não teve ideia nenhuma, nunca tem ideia nenhuma e, se por insondável e inexplicável razão, alguma vez tivesse uma ideia qualquer, ela não valeria de nada. Não chegaria a lado nenhum, simplesmente porque a quem só sabe abanar com a cabeça nunca ninguém reconhece ideia nenhuma. Os cachorrinhos não têm ideias!


Nem ideias nem sentido do ridículo. Não foi apenas  o ridículo do "por acaso foi ideia minha" parodiado nas redes sociais que Passsos Coelho não percebeu. Não percebeu ainda que, mais que ridículo, é humilhante ser desmentido pelos seus próprios pares. 


Em entrevista a sete jornais europeus, entre os quais o Kathimerini, Financial Times e Le Monde, Donald Tusk, o presidente do conselho europeu, diz com todas as letras que a proposta tinha sido apresentada pelo primeiro-ministro holandês Mark Rutte.


Claro que, entre os sete jornais europeus, nenhum é português. Talvez por isso tenha sido dada tão pouca relevância á notícia de mais uma mentira... Ou simplesmente, para a imprensa nacional, as mentiras de Passos Coelho não são já notícia. Afinal é coisa que se aprende logo na primeira aula de jornalismo: notícia não é o cão que mordeu no homem; é o homem que mordeu no cão!

Cada um é para o que nasce

Por Eduardo Louro



 


O Ministério Público está a investigar o(s) negócio(s) da PT que a levaram à ruína. Tudo começou com a venda da VIVO à Telefonica, se bem se lembram. E depois veio a OI, e o descalabro. Pelo meio, tudo o que serviu para a classe política se prostituir nos negócios... Nesses e noutros, ainda sem investigação...


Mas nesses sabe-se que houve envolvimento pessoal de Sócrates - e nos outros também, Sócrates estava em todas - e de Lula da Silva. Por cá, Sócrates está preso. Por lá , sabe-se que Lula da Silva não está nos seus melhores dias, e que está presa gente que lhe é muito próxima, como  José Dirceu e Octávio Azevedo, já detidos  no âmbito do escândalo “Lava Jato”.


Quem está fora disto é Passos Coelho, que garante que Lula nunca lhe meteu cunha nenhuma. E que, da sua parte, se limitou a manifestar-lhe a estranheza por nenhuma empresa brasileira surgir interessada nas privatizações em Portugal.


Está visto que cada um é para o que nasce. E Passos nasceu para isto: o seu negócio é privatizações!


 


 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Um francês pequenino

Por Eduardo Louro


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Que a crise grega não deixaria nada na mesma, já se sabia. O que não se sabia é que Merkel e Schauble viessem tão depressa tornar pública tanta divergência. E o que nem se imaginaria é que embalasse definitivamente François Hollande a alta velocidade para liderança da Europa…


Uma Europa a duas velocidades – ou a três, ou até mesmo parada, como tem estado – é uma coisa. Velha, até… Outra é, para isso, recuperar estatutos ou invocar privilégios. De fundador ou de outra coisa qualquer… Esta não lembraria mesmo a mais ninguém que a um francês… pequenino!


A gente percebe, nem precisa de explicar muito...É a Senhora Le Pen, não é? Mas não é assim que as coisas se resolvem, pois não?


 

domingo, 19 de julho de 2015

Impunidade e complacência

Por Eduardo Louro


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Não admira que Pedro Passos Coelho continue a mentir desavergonhadamente a cada intervenção pública, a cada entrevista, em cada flash. Mentiroso é mesmo a principal característica que os portugueses lhe atribuem, como se ficou a saber numa sondagem recentemente divulgada. Não impressiona por isso que faça da mentira uma forma de vida. Ou uma forma de caçar votos...


O que impressiona é que na era do Google, do Twitter, do Facebook, ou do Instagram, com tudo o que é informação disponível ao segundo, com a possibilidade de tudo se confirmar ou desmentir à distância de um click, Pedro Passos Coelho continue impunemente a mentir, dia após dia, sem que um único entrevistador, um único repórter, o confronte de imediato com a mentira. Sem que ninguém lhe interrompa o chorrilho de aldrabices com um simples "olhe que não... olhe que não"... 


A última entrevista à SIC é simplesmente exemplar. O Jornal de Negócios até fez isso, até utilizou esses recursos. Mas não fez a entrevista...


 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

E agora?

Por Eduardo Louro


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Primeiro foi Mme Lagarde. E logo os do costume saltaram a dizer que a senhora só falava assim porque colocava o FMI de fora. A senhora continuou a insisitir que agora vê claramente visto o que antes não conseguia enxergar... E que até já vê os credores a aproximarem-se, e a verem como ela vê.


Depois, Mario Draghi. Esse mesmo... Até já manda calar Schauble, e não tem dúvida nenhuma que é necessário aliviar a dívida grega


Então, e agora? 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Que falta de imaginação!

Por Eduardo Louro


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Já tínhamos percebido que a maioria no governo iria fazer da Grécia o alfa e o ómega da campanha eleitoral. Vai fazê-lo até à exaustão: "olhem para a Grécia e vejam do que vos livramos"...


O que ainda não tínhamos percebido é que o PS vai fazer o mesmo. Já aí está à vista de todos: "olhem para o que o Syriza fez à Grécia e vejam lá onde vão votar"... 


Acredito que não  ouviremos isso da boca de António Costa. Não pode,  ficaria muito mal na fotografia se o fizesse, depois do entusiasmo que começou por manifestar. Mas também não precisa.


Não lhe falta gente para isso, e Francisco Assis, Jorge Coelho e Luís Amado já começaram a dizer como se faz. Assis, sem surpresa. Por convicção. Coelho, por pantominice. Mas também sem surpresa. Já Amado diz outra coisa, para dizer o mesmo... De outra forma, mas ainda sem surpresa.


Que falta de imaginação!

Paradoxo: com certeza uma palavra ... grega...

Por Eduardo Louro


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Há pouco mais de uma semana os gregos disseram "não" a mais austeridade. Ontem, uma sondagem inidicava que os gregos diziam "sim" a mais um programa de austeridade, aprovado pelo Parlamento já madrugada dentro, bem para além do limite da meia-noite imposto pelos credores (sim, não há outra designação). 


Tsipras não acredita no programa, e disse-o com todas as letras. Que assinou, que teve de assinar e defender no Parlamento grego. Que o aprovou com votos de oposição, com a maioria dos votos contra a partir do partido de Tsipras. 


É destes paradoxos que se faz hoje a história da Europa. Foi até aqui que o directório alemão que manda na Europa nos trouxe. Todos querem expulsar a Grécia, mas ninguém quer ficar com esse ónus. Queriam que fosse o Syriza a fazer-lhe o favor, mas Tsipras percebeu isso. E percebeu que nesta altura está tudo virado ao contrário. E que é justamente o seu eleitorado, os mais desfavorecidos dos gregos, os que mais sofrem, que mais ainda teria a perder. Ganhar, ganhavam os outros, os que tinham dinheiro e o tiraram todo do país... para depois, incólume e reforçado, se servir à vontade do espólio que sempre fica entre os destroços.  


E para que a história dos pardoxos não acabe aqui, os mercados acordaram esta manhã em euforia com o "sim" grego. Como se só eles não percebessem nada do que se está a passar... Como se só eles estivessem convencidos que aquilo que o Parlamento grego votou tem algum tipo de aplicabilidade, quanto mais alguma probabilidade de sucesso.


 


 


 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Tour 2015 IV

 


Por Eduardo Louro


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E ao segundo dia nos Pirinéus subiu-se o Tourmalet. Mítico, mas sem grande coisa para dar, o terramoto tinha sido ontem. Mesmo assim deu para continuar a empurrar Nibali pela classifcação abaixo, já fora dos dez primeiros. E para Joaquim Rodriguez, o eterno favorito da segunda vaga de candidatos, da Katusha, de José Azevedo, se afundar nas profundezas da classificação. E para o adeus de Rui Costa...


Ontem afinal não foi apenas um dia mau, ao contrário do que todos desejàvamos. Força Rui, força campeão. Ainda há muita coisa para ganhar. Este ano, e nos que aí vêm!


Hoje ganhou o polaco Rafal Majca, um jovem que é um grande trepador. Já brilhara no ano passado, quando foi até o vencedor da classificação da montanha, mas este ano está limitado pela condição de fiel escudeiro de Contador. Ganhou com mais de 5 minutos sobre o grupo dos favoritos, onde já não cabe Nibali mas donde não sai o americano Tejay Van Garderen, bem agarrado ao seu segundo lugar.

"A bem da Nação"

Por Eduardo Louro


Passos Coelho foi entrevistado por Clara de Sousa


Fotografia © Álvaro Isidoro / Global Imagens


 


Sim, sou mentiroso. Sim, menti. Sim, minto. Sim, irei continuar a mentir... 


A bem da Nação.


 

terça-feira, 14 de julho de 2015

Tour 2015 III

Por Eduardo Louro


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Depois do dia de descanso, à décima etapa, chegaram aos Pirinéus. É aqui, e para a semana nos Alpes, que o Tour se vai decidir. Não é novidade nehuma.


Novidade não é que se tenha começado a decidir tudo. Novidade é que já tudo tenha já ficado decidido!


Tudo... tudo não. Mas o mais importante, sim. O que a primeira abordagem à alta montanha disse foi que dificilmente a camisola amarela mudará de corpo até Paris. Froome confirmou o que se desconfiava, e mostrou, logo à primeira, que não tem rival à sua altura. Tem a melhor equipa, também isso já se sabia, e é - está? - melhor que qualquer outro.


Hoje, na subida ao alto de La Pierre-Saint Martin - a última da etapa, com mais de 15 quilómetros e com a inclinação média de7,5% - onde a meta coincidia com o prémio da montanha de categoria especial, o festival começou com Richie Porte a abrir as hostilidades para levar o líder Froome para a frente, para deixar logo ali  toda a concorrência. Nibali, primeiro. Contador, logo depois.


A confirmar aquilo que aqui deixara escrito anteontem, apenas Quintana conseguiu acompanhar os dois corredores da Sky. Mas foi sol de pouco dura: a mais de 6 quilómetros da meta, Froome saltou da roda do seu colega e partiu a solo até à meta. O colombiano não respondeu à aceleração mas, no seu ritmo, encetou a perseguição talvez à espera que o camisola amarela viesse a baixar o ritmo, lá mais para cima. 


Nada disso. Froome era imbatível, sempre a aumentar a vantagem, e o seria próprio Porte a alcançar, e logo a seguir a deixar para trás o jovem colombiano, e a dar a dobradinha à Sky. E pronto: Nibali caiu para o décimo lugar, e já está a 7 minutos, Contador a mais de 4, em sexto, e Nairo Quintana a mais de 3, em terceiro.


Ironia das ironias: no ano em que a organização quis levar a incerteza da classificação até mesmo ao fim, deixando o Alpe d`Huez para o penúltimo dia, o Tour tem o vencedor encontrado logo ao décimo dia!


Foi um dia muito difícil para Rui Costa, que depois do ataque da Sky mais parece que, em vez de subir montanha acima, caiu montanha abaixo. Foi 100ª na etapa, a mais de 17 minutos... E fica a ideia que só não foi pior porque o Nelson Oliveira (e até o José Mendes) não o largou, num dia em que até poderia ter aproveitado do bom desempenho do colega de equipa Rafael Valls, 12º na etapa. Caiu para 33º, a mais de 22 minutos de Froome.


Esperemos que tenha apenas sido um mau - muito mau - dia!

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Capaz de tudo

Por Eduardo Louro


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Uma fotografia de Passos Coelho ao lado da sua mulher, de cabeça descoberta, publicada no Correio da Manhã num dia qualquer da semana passada, provocou grande agitação nas redes sociais. De um lado gente que não se coibia de achar que o primeiro-ministro estava em modo de despudorado aproveitamento da doença da mulher, que já retirara do domínio privado no livro que encomendara e apresentara há umas semanas atrás, com os mesmos fins eleitorais. De outro, gente da máquina laranja que não se cansava de partilhar a fotografia, replicada como um virus, como que a querer dar razão aos primeiros. E por fim, de outro ainda, gente politicamente correcta que se insurgia violentamente contra os primeiros, sem porventura ter reparado nos segundos.


Era gente conhecida, gente de referência de direita e de esquerda, que manifestava a sua repugnância pela fauna das redes sociais, desprovida de valores e sentimentos e capaz das maiores atrocidades. Energúmenos que não medem as alarvidades a que dão corpo, como a de não conseguirem ver na imagem daquela cabeça descoberta uma prova de invulgar coragem da senhora, para verem apenas uma demonstração de canalhice do seu marido e chefe do governo do país.


Confesso que ao ver desfilar tudo isto à minha frente, e como somos sempre tentados a tomar partido em tudo o que seja polémica, me inclinava muito para o lado do politicamente correcto. E achava tão estúpidos os que ousaram pensar que Passos Coelho pretendia tirar partido da doença da mulher quanto a acéfala rapaziada do partido, que só por isso se prestava à triste figura de dar razão aos outros. 


Quando vi e ouvi o que foram as declarações de Passos Coelho no final do Conselho Europeu de ontem, um bolo de hipocrisia em que a reivindicação da paternidade da ideia que tudo desbloqueou era a cereja que faltava, veio-me logo à cabeça a polémica das redes sociais. E fiquei com a sensação que, se calhar, me tinha deixado enganar...


Cá para mim, quem faz aquilo... Para garantir votos é capaz de tudo. Até das coisas mais abomináveis!

Uma notícia a meio é uma meia notícia?

Por Eduardo Louro


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Já noticiaram que se chegou a um acordo, e que está aí o terceiro programa de resgate da Grécia. Mas alguém se esqueceu de avisar que a Europa acabou.


Há uma ligeira possibilidade de não ter sido esquecimento: é possível que quem ficou de o informar tenha simplesmente decidido não cumprir a missão. Resta saber se por cobardia ou se por vergonha. Mas vergonha não é coisa que abunde por aí...


 

domingo, 12 de julho de 2015

Tour 2015 II

Por Eduardo Louro


Tour de France 2015: Líder Tony Martin abandona devido a queda


 


Está concluída a sempre terrível primeira semana do Tour. Com a nona etapa, corrida hoje no regressado contra-relógio por equipas - 28 quilómetros, com a BMC de Van Garderen a ganhar, fazendo menos 1 segundo que a Sky, de Froome e menos 4 que a Movistar, de Quintana e Valverde -, chega-se ao primeiro dia de descanso e fecha-se a primeira fase da prova. A tal primeira semana de lotaria, onde tudo pode acontecer!


E aconteceu de tudo, mesmo que desta vez tudo se tenha feito mais de quedas que de outros imponderáveis. Mesmo com o mau tempo das primeiras etapas e mesmo que o pavé tenha arrumado de vez com as leves aspirações de Pinault Thibaut, e com os mais secretos sonhos franceses. Basta dizer que, por queda, Cancelara e Tony Martin (na foto) abandonaram de amarelo vestidos.


Nos primeiros cinco dias, cinco vencedores diferentes...e camisolas amarelas diferentes. Greipel foi o único a repetir vitória na etapa, à sexta. E Tony Martin o primeiro a conseguir manter a amarela por mais de um dia.


Seria obrigado a desistir no dia seguinte, com Froome a herdar-lhe a camisola amarela. Que já tinha vestido por um dia, precocemente, logo à terceira etapa, antes de justamente a ceder ao alemão. Tomou-lhe o gosto, e não vai ser fácil agora tirar-lha!


Já deu para perceber alguma coisa do que dizem os principais favoritos. E se não há bluf no que disseram nesta primeira semana - e, em regra geral, não há - os mais afirmativos são Froome, claro, e Quintana, discreto mas sem falhar no terreno que não é o seu. Alberto Contador não perdeu nada, ainda. E está até à frente dos outros dois candidatos, e apenas atrás de Froome, mas não transmite grande confiança. Nibali é que mais claramente tem demonstrado mais dificuldades, e não está ao nível do ano passado. Quando nesta altura já seguia na frente, mas também quando as quedas tinham mandado Froome para casa logo ao terceiro dia.


Rui Costa não tem feito uma grande prova, mas também não compromeu nada. Quando perdeu, perdeu sempre qualquer coisa e já está a mais de 5 minutos. No 23º lugar...


 

sábado, 11 de julho de 2015

Todo um programa...

Por Eduardo Louro


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Ontem, na sessão de encerramento do II Congresso das Empresas e das Actividades Económicas, organizado pela CIP, Passos Coelho afirmou "ser uma ilusão pensar-se que a reforma do Estado traz profundas poupanças orçamentais". Porque não pode cortar mais salários: "não vale a pena. A não ser que mudem a Constituição"!


Nesta aparente simples declaração está todo um programa. Em primeiro lugar porque é imperativo fazer a reforma do Estado, porque o Estado e a forma como é administrado é um dos principais factores responsáveis pela baixa produtividade da economia portuguesa, independentemente de igualmente  bloquear muitos aspectos do funcionamento sociedade e um bloqueio do próprio regime. Em segundo lugar porque, como se sabe, a reforma do Estado foi pedra de arremesso no seio da coligação no governo, com Passos a entregar a batata quente a Portas, com este a deixá-la cair atabalhoadamente, sem arte nem engenho, com o tal Relatório de meia dúzia de páginas em letra de tamanho 18.


Se estas duas razões são a evidência da conhecida incapacidade do governo - deste governo, mas também de todos os outros que o antecederam - para fazer a indispensável reforma do Estado, e da própria incapacidade do regime para se reformar, a terceira vai muito mais longe, e mostra de forma inquestionável que Passos Coelho não concebe qualquer reforma sem corte de salários.


Está nesta expressão todo um programa porque, em terceiro lugar, como se acaba de dizer, para este governo, reformar não é fazer reformas nas estruturas, nas regras e nos princípios de funcionamento, na organização e nos métodos. Reformar é cortar... Cortar acima de tudo salários. Mas também  cortar pensões, cortar serviços, cortar na qualidade dos serviços que não possa cortar, cortar nos deveres do Estado e cortar nos direitos dos cidadãos.


 


(Foto:economicofinanceiro.blogspot.com)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Concerto, há. Conserto é que não!

 


Por Eduardo Louro



 


Começa finalmente a perspectivar-se alguma solução para a crise grega, que não para o problema grego, esse permanece e continuará a crescer.


Depois das piruetas de toda a gente, de Tsipras pisar as linhas vermelhas e de Juncker, presidente da comissão, Lagarde, do FMI, e Donald Tusk, presidente do conselho europeu, terem pisado as do ridículo, juntando-se a Jack Lew, secretário do Tesouro norte-americano, para pedir um alívio (perdão) da dívida grega. E depois de Schauble lhe ter proposto trocar a Grécia por Porto Rico, e Merkel jurar que poderá fazer tudo à dívida grega menos cortá-la na forma clássica (há certamente formas neoclássicas), o governo grego passou a apresentar propostas sérias e credíveis (Hollande), em texto completo (Dijsselbloem, o holandês que preside ao eurogrupo), e tudo se encaminha para a concertação.


Que não para o conserto: o que se destruiu na Grécia já não tem conserto!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Bem me parecia...

Por Eduardo Louro


Capa do Diário de Notícias


 


Bem me parecia que nesta coisa dos ziguezagues Tsipras não andava sozinho. Se são precisos dois para dançar o tango, quantos são precisos para dançar zorba?


 


 

Pragas e pecados capitais

Por Eduardo Louro



 


Para os que governam, e para os que aspiram a governar, o debate do estado da nação resume-se a pragas e pecados capitais. 


Se foi isto que António Costa andou a treinar... Faz lembrar aqueles livres no futebol, a que chamam estudados que, depois de muita encenação, acabam numa sucessão de coisas disparatadas, que não dão para nada que não para a risada geral. 


Assim até dá para o primeiro-ministro que mais desigualdade criou em Portugal, que aniquilou a classe média e lançou na pobreza largos milhares de portugueses, "declarar guerra sem quartel às desigualdades de natureza económica e social". Sem que ninguém se ria, como se ri nos tais livres estudados que dão em disparate. 

Nada que não se soubesse

Por Eduardo Louro



Os estudos servem normalmente para isso mesmo, para nos dizerem aquilo que já sabemos. O estudo hoje - nem de propósito, em dia de debate do Estado da Nação - promovido pela Fundação Francisco  Manuel dos Santos e coordenado por Augusto Mateus, conclui que o nível de vida dos portugueses recuou 25 anos, que Portugal tem a taxa de população emigrada mais alta da União Europeia, ou que o emprego é hoje dos mais precários da Europa. 


Nestas "Três Décadas de Portugal Europeu" começamos por nos aproximar dos níveis de vida da média europeia, mas em 2013 já estávamos 25% abaixo dessa média. O mais grave é que, mesmo assim, isso foi à custa do endividamento das famílias que, com a adesão ao euro, passou de 35% para 118% do seu rendimento disponível, período em que o aumento do peso da dívida no rendimento das famílias portuguesas foi superior a 50 pontos percentuais, cerca de duas vezes mais intenso que o padrão europeu.


 Nada que não se soubesse, é certo. Mas que é bom que se saiba assim, desta forma. Preto no branco. Num estudo mesmo...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Reconhecimento

Por Eduardo Louro



 


É bom para o país, é bom para todos nós, que ainda haja pessoas consensuais na sociedade portuguesa. Que pela sua grandeza suscitam unanimidade no apreço, no carinho e no respeito. São poucas, o que não admira: ninguém agrada a todos, diz-se... Diz-se até que nem Deus, que é Deus!


Maria Barroso conseguiu-o. Sabemos que o reconhecimento é mais fácil na hora da morte... Mas mesmo assim...


Que descanse em paz!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Inércia, dizem eles...

Por Eduardo Louro



 


O Tribunal de Contas lá vai dizendo o que tem para dizer. Só que no meio de tanto barulho ninguém o ouve... Na semana passada disse qualquer coisa sobre as privatizações. Ninguém ouviu nada, como deu jeito. Nem mesmo ali para as bandas do Rato, que até nem fica assim tão longe...


Desta vez fala de PPP´s. Diz que o governo não fez nada... Que nem lhes tocou. Há inércia no governo, diz o Tribubal de Contas. Que surpresa! - digo eu...


 


 

"No More Minister"

Por Eduardo Louro



 


 "Varoufakis demitiu-se", era a surpreendente notícia desta manhã. "Mo More Minister", escreveu no twitter...


A notícia não era: "Depois da vitória no referendo, Tsipras demitiu Varoufakis". E no entanto foi isso que, evidentemente, aconteceu. Depois de surpreender com o anúncio do referendo, Tsipras não perdeu tempo para voltar a surpreender.


Com uma vitória estrondosa no bolso, com redobrada legitimação de poder e sem oposição, Tsipras voltou a mostrar que é um político sagaz, e pouco diferente dos outros, que usam gravata. Porventura mais esperto, e provavelmente mais desconcertante!

"Eles não desistiram de nós, nós é que estamos a desistir deles"

Por Eduardo Louro



 


Preparava-me para começar a escrever sobre o incontornável tema do dia (da semana, do mês, do ano...), sobre o claro e rotundo NÂO que é um SIM à honra de um povo, como ontem, em cima da hora, aqui expressei, quando me deparei com este texto do Pedro Santos Guerreiro. Li-o, e quando acabei percebi que não tinha nada a acrescentar: era aquilo!


O melhor é mesmo não escrever mais nada. Para não estragar... O título é o mesmo, como não poderia deixar de ser. A fotografia também de lá vem, e percebe-se por quê.


Sei que há gente que não gosta. Só tenho a acrescentar que... desses, tenho pena.

domingo, 5 de julho de 2015

O contributo de Schulz

Por Eduardo Louro



 


Para quem não percebia por que é que o PS não descolava com Seguro, e não descolou nem descola com Costa. Para quem não percebe por que é que não é seguro que o PS consiga ganhar as eleições ao mais incompetente governo da direita, e à direita mais incapaz que Portugal conheceu. Para quem não percebeu, nem percebe, o que aconteceu à esquerda social democrata europeia da Internacional Socialista, que explica o que está a acontecer ao PS, em Portugal e ao PSOE, em Espanha ... Martin Schulz, o social democrata alemão que preside ao Parlamento Europeu, explicou tudo muito bem explicadinho. Para quem ainda assim não consiga perceber, Hollande esclarece o resto. Em sessões práticas, todos os dias...

Parece que ... NÃO!

Por Eduardo Louro



 


Parece que, entre a espada e a parede, os gregos escolheram ... a espada. Parece(-me) que há honra nisso!


 


 


 

sábado, 4 de julho de 2015

Tour 2015 I

Por Eduardo Louro



 


Aí está de novo o maior espectáculo do mundo na estrada. Arrancou hoje, em terras holandesas, a 102ª edção do Tour de France, com o habitual prólogo, este ano um pouco mais longo que o habitual. Do contra-relógio individual de quase 14 quilómetros (13,8), corrido nas ruas de Utrecht, veio a primeira surpresa: um australiano desconhecido - Rohan Denis - estabeleceu a marca canhão de 14 minutos e 56 segundos (que faz deste contra-relógio apenas o mais rápido  de sempre do Tour) logo no início da prova. Ninguém mais a conseguiria bater. Nem os súper especialistas e ultra favoritos Tony Martin e Fabian Cancellara, respectivamente segundo e terceiro, a cinco e a seis segundos!


Dos principais candidatos à vitória final - Vincenzo Nibali, o vencedor do ano passado, Chris Froome, o anterior, Nairo Quintana e Alberto Contador, a tentar o raro feito de juntar o Tour ao Giro, que acabou de ganhar há pouco mais de um mês -  o melhor foi o italiano (Nibali), na 22ª segunda posição, e a 43 segundo do jovem australiano, a confirmar que o Tour é, sem dúvida, uma competição de muitas especialidades. E por isso de tantos encantos!


Amanhã, ainda nas estradas holandesas, começa a primeira das três semanas da competição. Por incrível que pareça a mais temida de todas. Porque não são as altas montanhas dos Alpes e dos Pirirnéus os maiores inimigos dos corredores. Aí decide-se a corrida entre quem está melhor preparado: frontalmente, na verdade da essência da competição. Nesta primeira semana decide-se - ninguém ganha o Tour na primeira semana, mas muitos perdem-no - na fatalidade de uma queda num pelotão superlotado, onde não cabe mais uma palha, ou no azar de um furo no terrível pavé, onde só passa uma bicicleta de cada vez. E é tão provável que, sorte, é escapar a estas incidências da primeira semana!


 


 


 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Adubos, soporíferos e ressurreições

Por Eduardo Louro


 


 


Miguel Relvas ressuscitou. Estamos de resto a atravessar um extraordinário período de Páscoa… Com a aproximação das eleições, e com o terreno bem adubado pelo efeito grego, o campo do governo tornou-se num espaço de alta fertilidade. De repente, o governo passou da Idade Média para o Renascimento. Mas sem nunca largar o obscurantismo!


Estas coisas agora fazem-se com livros. Até Relvas – “vai estudar malandro”, veja-se a ironia – ressuscita num livro. E à volta do livro – como se da gruta tumular se tratasse – reúnem-se as várias testemunhas da ressurreição, que hão-de partir mundo fora a anunciar a boa nova. Na circunstância: Relvas voltou. Está vivo e anda por aí!


O apóstolo principal não era Pedro. Nem Simão, nem Tomé. Chama-se José Manuel: José Manuel Durão Barroso, como se sabe um dos grandes responsáveis pelo inferno em que estamos metidos, mas que anda por aí como se nada tenha nada a ver com isso. Que não teve pejo em, também ele, meter as mãos – sujas, sujas até ao pescoço – no saco do adubo grego para alarvemente alimentar a revegetação do seco e árido campo do governo


E vai daí, o ex-presidente da Comissão Europeia, sem se perceber o que é que o cu tem a ver com as calças - que é como quem diz: o que o livro tem a ver com a coisa? - desata a aconselhar os portugueses a olharem para a Grécia, e a concluir que Portugal só não está na mesma situação graças à determinação do governo e de Pedro Passos Coelho. Ainda se fosse graças a Miguel Relvas… Ou ao "O outro lado da governação"…


Coitados dos gregos. Servem a esta gente para tudo. Até para que ninguém fale dos escândalos das privatizações que o Tribunal de Contas denunciou no início da semana. Até parece que não se passou nada… Até parece que em qualquer país a sério, um governo que tivesse sido acusado do que este foi, não estava já no olho da rua!


Ah! Afinal o efeito grego é mais soporífero que adubo...


 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A ignorância como aliado*

Convidada: Clarisse Louro


 


Em toda a Europa, e diria que em quase todo o mundo, é enorme a preocupação com a situação grega, consciente que está toda a gente dos enormíssimos riscos que se estão a correr, quer no puro domínio da economia e das finanças, onde se está diante do desconhecido – são mares nunca antes navegados, como por aí se tem ouvido dizer – quer, muito em particular, no que à paz respeita. Na Europa, e no mundo. Onde, infelizmente, não temos pela frente mares nunca antes navegados. Antes pelo contrário, são mares que já foram navegados. Mares revoltos e tenebrosos, que a cegueira e a irresponsabilidade de alguns já ousou enfrentar. Com os piores resultados, conforme nos mostra a História, que uma leva de ignorantes de como não há memória, de uma ignorância assustadora, desconhece.


Comecei por dizer “em toda a Europa e em quase todo o mundo”. Mas tenho de corrigir para em quase toda a Europa e quase todo o mundo. Porque neste cantinho do extremo ocidental há um país que tem mais com que se preocupar. Ou melhor – e lá volto eu a ter que me corrigir – um país governado por gente que tem outro tipo de preocupações. Gente ainda mais ignorante que os ignorantes de que comecei por falar, para quem umas eleições que aí vêm são a única coisa que conta. É certo que essas mesmas eleições, e mais umas outras aqui ao lado, foram também as coisas mais importantes para os outros ignorantes de que comecei por falar. É certo que foram esses ignorantes que convenceram os nossos que isso era mesmo a única coisa que importava. Só que esses, mesmo ignorantes, têm os cinco sentidos a funcionar, e começaram a preocupar-se e logo que lhes começou a cheirar a queimado. E a verdade é que não pararam…


Não sei se vão a tempo de evitar a catástrofe, mas têm tentado e estão a tentar.


Aos nossos ignorantes é que nada chega. Nada cheiram, nada enxergam… E continuam a esfregar as mãos de contentes, convencidos de que assim se mantêm inamovíveis, agarrados ao poder de que dependem como de oxigénio.


Gritam: vejam bem os gregos nas filas das caixas Multibanco, impedidos de tocar nas suas poupanças. Só têm direito a sessenta euros… Num programa de televisão houve até um jotinha que se deve ter achado o máximo, ao dizer que enquanto os portugueses andam a tirar selfies na praia, ao sol, os gregos fazem-no nas filas do Multibanco. E a própria figura mais alto do Estado não encontrou melhor maneira de manifestar a sua despreocupação do que recorrer à aritmética para dizer que ainda sobram dezoito.


Nunca a Europa esteve nas mãos de gente tão fraquinha. Mas nunca em Portugal tão fracos reis fizeram tão fraca a forte gente!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Ziguezagues

Por Eduardo Louro



 


O ziguezague nunca foi o melhor caminho para qualquer destino. 


Depois da saída para o referendo, não há mais saídas. Há apenas que percorrê-la com firmeza, direitinho, sem cambalear... A nova proposta do governo grego seria um passo em frente, determinado e convicto, se fosse precedida desta curta declaração: "se o não ganhar, adiantamos desde já esta proposta ".  


Sem esta eclaração prévia, a nova proposta de Tsipras não passa de um ziguezague que só torna sinuosa uma saída que tinha de ser direita. 


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...