domingo, 31 de janeiro de 2016

Máquina de alto rendimento

Moreirense-Benfica, 1-4 (destaques)


 


Não era fácil a tarefa do Benfica nesta sua segunda visita a Moreira de Cónegos, em cinco dias. Depois da fantástica exibição da última terça-feira, tudo o que hoje o Benfica fizesse estaria sempre prejudicado por uma bitola altíssima e difícil de atingir.


E não era imaginável que a exibição se repetisse. Porque cada jogo é um jogo? Porque não há dois jogos iguais? 


Nada disso, isso não passam de balelas do futebolês. Simplesmente porque não é fácil repetir uma exibição daquelas. 


O jogo de hoje foi na realidade outro jogo. O Moreirense fez tudo para que o Benfica não repetisse esse jogo, tentando sempre possível alongar o jogo, e mesmo parti-lo. E no entanto o desfecho final só não foi o mesmo por circunstâncias meramente acidentais. Entre as quais dois penaltis que ficaram por assinalar contra a equipa minhota.


O próprio golo do Moreirense, do mesmo Iuri Medeiros, na última jogada do desafio, com o Benfica já em descompressão, acabou por enfatizar os circunstancialismos que impediram a repetição do resultado.


E isto diz tudo sobre o momento que o Benfica atravessa. Pode não conseguir atingir sempre o brilhantismo de nota 20. Mas, com os mesmos ou com outros jogadores, mantem-se sempre num plano exibicional que poucos atingem e sempre em alto rendimento! 


No momento em que regressou Gaitan, a ditar o injusto regresso de Carela ao banco, teme-se pela lesão de Lizandro, ainda antes do regresso de Luisão. Que faria igualmente injusto o regresso ao banco do central argentino... 


 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Mangas de alpaca

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António Costa - e quase todos nós, afinal - estava convencido que, com tantos e tão graves problemas para resolver - refugiados, Schengen, crescimento económico, terrorismo, sei lá ... - a Europa não nos iria chatear muito. E era bem capaz de deixar passar uma incongruência aqui, um bicada num conceito ali, uma alínea do Tratado Orçamental acolá... Ou até mesmo um errozito qualquer numa ou outra conta de um orçamento cheio de contas difíceis. A tal quadratura do círculo, de que aqui se tem falado...


Afinal, não. Nada disso: a Europa não tem nenhum problema para resolver. O problema único é mesmo umas décimas no défice de um pequeno país que não conta para nada, que tem um quarto dos custos do trabalho da Dinamarca, Suécia ou Bélgica. E menos de metade dos da média europeia.


Poderia pensar-se que a Europa, esta Europa, se preocupa com pintelhos, como diria Catroga, uma autoridade na matéria. Até parece, mas se calhar não é bem assim: os burocratas e mangas de alpaca que, para mal dos nossos pecados, tomaram conta da Europa, estão lá para evitar que aos governos nacionais cheguem ideias que saem fora da cartilha que lhe entregaram para impôr. Nada os preocupa o que se passa na Hungria, e na Polónia, mas... alto lá: Um governo apoiado pela esquerda? Quem autorizou uma coisa dessas? Já não se lembram da Grécia?


É a cartilha a sua razão de ser, nada é mais importante. Nem que à sua volta tudo arda e tudo desapareça na destruição das chamas...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Nus. Ou sem cuecas...

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Não houve tempo a perder. Uma semana depois de terem sido levantadas as sanções o presidente iraniano fecha negócios de dezenas de milhares de milhões por Itália e França. Pelos milhões, e para que nada pudesse beliscar a obscura sensibilidade de Hassan Rouhani, os italianos mandaram tapar todas os nus das obras de arte espalhadas pela capital. Já em França, onde os milhões dos negócios eram ainda mais milhões, com muitos aviões e ainda mais petróleo, o vinho falou mais alto que os nus... E Hollande cancelou o almoço com o comprador de bolsos cheios: não há vinho, não há almoço.


Assim é que é. À italiana é que não: quando se baixa muito mostra-se o cu. Nem precisa de estar nu. Basta não ter cuecas... Mas disso o senhor gosta!

Atitudes


 


Ainda - e sempre - com os resultados eleitorais de Outubro atravessados na garganta, e esgotada a pausa para as presidenciais, a direita pafista - em especial o CDS, que agora precisa ainda de gritar mais alto para se ouvir a si próprio - volta a atacar a agenda informativa, socorrendo-se dos inestimáveis serviços das agências de rating e aproveitando a oportunidade da discussão do orçamento com Bruxelas, bem como a visita de inspecção dos técnicos da troika, para recriar o ambiente de há um ano atrás, então com a Grécia como centro.


É muito fácil de perceber o que está hoje e aqui em causa. Em causa estão duas opções de política económica: uma centrada na continuação do que ficou conhecido - e continuemos a chamar-lhe assim, para facilidade de expressão - por política de austeridade, apadrinhada pelas agências de rating e impostas pelos técnicos das diferentes instituições, mesmo da União Europeia, e outra que, atentos os resultados que essa gerou, entende que a solução não está na retracção mas no crescimento económico. 


Sabemos no que deu a primeira. E sabemos como foi acolhida nas instituições europeias, como sabemos qual foi a atitude submissa e reverencial do governo que a conduziu. Não sabemos no que dará a segunda, mas sabemos que os grandes problemas do país, o desemprego e a pobreza, não se resolvem sem crescimento económico e sem investimento. 


Por isso vai mal a direita mais ressabiada em invocar as agências de rating e chamar pelo papão europeu. E vai mal o CDS e a sua futura nova liderança - se não houver mais revogações - se não tem outros argumentos. E vai bem António Costa quando diz que são apenas técnicos os senhores da troika que estão em Lisboa. E quando não se ajoelha aos primeiros recados de Bruxelas. E quando estica a corda porque sabe esticá-la. E sabe que a pode esticar...


São outras opções políticas. E económicas. Mas é também outra atitude, mais corajosa e mais digna. E mais inteligente, por que não?


 


 


 


 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Uma mão lava a outra

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O meu amigo Jorge Tomé disse ontem que lhe parecia que o Banif, a que presidira, tinha sido usado como moeda de troca. Que parecia que há muito estaria prometido ao Santander...


Não disse mais - o  Jorge Tomé para além de extraordinariamente competente, é incondicionalmente institucional. Mas nós podemos especular. Ou nem tanto: apenas lembrar a velha estória dos Swaps da Maria Luís. E vem-nos à memória que a coisa com o Santander era um bocado complicada...


Moeda de troca, Jorge. Bem lembrado... Também há quem diga que uma mão lava a outra...


O Santander está a apresentar lucros de 5,9 mil milhões de euros. A prenda no sapatinho rendeu logo de imediato 4,7% disso: praticamente o dobro do valor simbólico que teve de pagar!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Regressos

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O campeão voltou!


O Nelson Semedo voltou. O Gaitan voltou. O Talisca voltou. Até o Gonçalo Guedes voltou...


A arte à volta de uma bola voltou. A magia do jogo voltou... Os golos de encantar voltaram. Tudo voltou. Partir, partir mesmo só os patinhos feios. Partiram todos, não ficou nenhum!


Gaitan voltou, mas não voltou sozinho. Voltou com a magia única que só ele transporta: aquele terceiro golo é uma coisa do outro mundo. Talisca, e ver aqueles golos - três, o último também para não esquecer - é ter a garantia que, ao contrário do que toda a gente pensava, ele não tinha mesmo desaparecido. Apenas foi mal tratado, e regressou logo que alguém soube cuidar dele...


 Agora que tudo - quase tudo - voltou, tem que ser para ficar...  


Ah... Já me esquecia: o jogo foi em Moreira de Cónegos, uma capelinha (uma miniatura da Catedral), e  ficou em 6-1. A máquina continua a fazer golos. Muitos e bonitos!


 

Ponto final

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É o ponto final na história de uma fraude. O reembolso de parte da sobretaxa, é agora oficial, foi um dos maiores e mais desavergonhados embustes eleitorais de Passos, Portas e Maria Luís.


Já se sabia. Há muito que se sabia da fraude, bem preparada desde cedo para ganhar as eleições. As tais que se lixassem... 


Agora é vê-los - não a eles, que fogem sempre de tudo o que cheira mal, mas aos seus paus mandados - jurar que nunca ninguém garantiu nada. Pois não: no final de agosto, Maria Luís disse "... que se o ano acabasse agora esse crédito fiscal de sobretaxa seria de 25%. Mas a minha expectativa neste momento é que possa até ser um resultado melhor do que esse". Com a aproximação do dia das eleições esse resultado chegaria aos 35%!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Cavaquices

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Cavaco voltou a fazer das suas. Provavelmente para assinalar a eleição do seu sucessor e associar-se, também ele, ao fim da longa noite cavaquista, com mais uma desnecessária afronta institucional e, mais uma vez, em flagrante violação da Constituição.


Pode simplesmente ter sido porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. Mas, ao vetar as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez e a lei da adopção por casais do mesmo sexo, depois de esgotado o prazo que a Constituição lhe concede para o efeito, no dia seguinte às eleições, não ficam muitas dúvidas que, não querendo deixar de afrontar a actual maioria parlamentar, não quis que isso atrapalhasse a campanha de ninguém.


Mais uma cavaquice. Não terá sido certamente a última...  Mas antes ainda vai ter que promulgar o que agora vetou!

Quando as (boas) ideias não valem nada

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Numa campanha propositadamente despolitizada, despida de conteúdo politico, em que Marcelo inovou transformando-a num case study, apenas Henrique Neto trouxe verdadeiro conteúdo para a discussão política. Mesmo pregando no deserto, e sem um discurso mobilizador e entusiasmente, apresentou ideias e fez propostas.


O eleitorado não valorizou nada disso, nem lhe reconheceu grandes méritos. Como não sou dos que entendem que a culpa está nos eleitores, teve que haver alguma coisa de errado na estratégia de comunicação de Henrique Neto. É o que sucede sempre que as ideias não passam... Outras vezes o problema está nas próprias ideias, que parecendo boas acabam sempre por ter qualquer coisa que as enrola


Curiosamente, o que me parece que falhou em Henrique Neto foi mesmo a substância política. O maior erro esteve em enfileirar no regime despolitizado da campanha, acabando, ao fugir dos partidos, por fugir da política. Estar acima dos partidos é uma coisa, como bem mostrou Marcelo. Eliminar a política, esbater a ideologia, é outra. Incompatível com o debate de ideias, como também - e tão bem - Marcelo explicou! 


Sem equadramento político e doutrinário as ideias, mesmo as melhores, perdem-se. Não valem de nada e acabam no esquecimento colectivo com o rótulo de populismo. O que é uma pena, especialmente quando há tão poucas!


 


 

Os que não perceberam nada disto

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Percebemos que há muito boa gente que não percebeu nada disto.


Maria de Belém, e boa parte do aparelho socialista, não percebeu nada disto. "Isto", no caso, é aquilo a muita gente chama "tempo novo". E, ao não perceberem nada disto, só mostraram como é fraca a poderosa ala direita do PS. E os equívocos do aparelhismo...


Para percebermos que também o PC, que costuma perceber tudo depressa, não percebeu nada disto, bastou uma frase. De Jerónimo de Sousa: "Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar". Pois não!


O PSD, não será o PSD profundo mas certamente o PSD mais papista que o Papa - que ainda é Pedro Passos Coelho - que se espalhou pelo comentário das televisões, também não percebeu nada disto. Não percebeu que não há vinganças, que a sociedade portuguesa já acomodou os resultados das legislativas, que Cavaco vai embora, e que Marcelo é outra coisa. Que não tem nada a ver...


Também não percebeu nada disto quem, onde voltam a estar este PSD e o seu permanente parceiro do lado, não percebeu ainda que António Costa nunca perde. O PS perdeu, mas o primeiro-ministro não. De maneira nenhuma, como se perceberia mesmo sem necessidade de o ouvir na noite de ontem.


 


 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Marcelo, já. Sem surpresas...


 Foto José Sena Goulão/Lusa


Sem surpresa, a abstenção continua a crescer e a confirmar o divórcio dos portugueses com a coisa política. Nunca foi tão elevada em eleições (que não em reeleições) presidenciais, e só não se pode dizer que mais de metade dos portugueses desistiu já de participar com o seu voto, porque nestes mais de 50% de abstenção, uma boa parte - à volta de 17 - não é pessoas. É falta de decência técnica!


Sem surpresa, Marcelo ganhou à primeira volta e, sem surpresa, é o próximo Presidente da República. Sem supresa o resultado eleitoral de Sampaio da Nóvoa que, não fosse Marcelo, lhe daria para disputar a eleição à segunda volta. Sem surpresa, a não ser no grau, a severa derrota de Maria de Belém e da ala e dos equívocos que representa no PS. E ainda sem grande surpresa, Marisa Matias confirmou o resultado eleitoral do espaço político que representa, que inquestionavelmente se confirma como terceira força política do desgastado xadrez partidário do país.


Afinal, surpresas apenas duas: o desastre eleitoral do candidato do PC e o êxito eleitoral de uma figura como Tino de Rãs. Surpreendente, o primeiro, porque os comunistas costumam segurar bem os seus voltos. E parece que já não o conseguem... O segundo porque, apesar de fenómenos desta natureza acontecerem com frequência em muitas democracias, tem a surpresa de uma expressão ao nível das candidaturas de Edgar Sllva e de Maria de Belém. De outro campeonato!


Desta noite eleitoral fica sobretudo o insólito de, na RTP, terem sido os próprios candidatos a anunciar a vitória absoluta de Marcelo. Às oito da noite, com a pompa do count down, José Rodrigues dos Santos anunciava o resultado exclusivo da sondagem da Católica à boca das urnas, que, apregoava ele, acertava sempre ... Que afinal, com o seu intervalo de 49 a 52% dos votos para Marcelo, não acrescentava nada às sondagens todas das últimas semanas...


Depois, claro, já todos os candidatos davam os parabéns ao presidente eleito e ainda a RTP estava presa pelo limite inferior da sondagem.  

sábado, 23 de janeiro de 2016

Espectáculo!

 


 


Nota artística, como dizia o outro. Já são raros os passes fahados, e com os jogadores - e o treinador - a transbordar confiança sucedem-se os adornos que abrilhantam o espectáculo. Até os patinhos feios são já belos cisnes, como Pizzi, há muito, e André Almeida, hoje, fazem questão de demonstrar. É do actual Benfica que estou a falar, e em particular da exibição de hoje frente ao Arouca: uma exibição de encher o olho, que só não deu em goleada de sete ou oito porque ... há dias assim: por isto ou por aquilo a bola não entra.


Jonas, que não tem nada a ver com a tempestade que está a varrer os Estados Unidos, e é apenas nome de um dos mais brilhantes jogadores do Benfica, foi a maior vítima de ... de um desses dias assim. De tal forma que, quando finalmente marcou, já o jogo tinha muito mais de uma hora, nem festejou o golo. Mas não foi de raiva, foi mesmo porque depois de ultrapassar a defesa do Arouca teve ainda que vencer a oposição de Mitroglou, que queria o golo para ele. O bis.


Foi isto o jogo: o Benfica a dar espectáculo e a falhar golos, e o Arouca - a dividir a posse de bola, tentando espalhar-se pelo campo todo, é certo -  a perguntar-se como é que se estava a safar de uma goleada das antigas. Estavam nisto quando, no primeiro dos tês minutos de compensação, num canto, marcam o golo. E assim acaba num vulgaríssimo 3-1 um jogo que podia ser de sete ou oito... Tão enganador que até enganou o Lito Vidigal.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O esboço dos esboços

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Não passa de um esboço o esboço que temos do esboço do Orçamento. Tudo em draft, nada de difinitivo porque isto de quadrar o círculo é sempre muito "não me comprometam".


Diz-se que hoje teremos mais notícias. Vamos aguardar.... Para já sabe-se que, para Bruxelas ver, o défice será de 2,6 e não dos 2,8% das contas do governo. E que também o crescimento económico se retraiu dos dificilmente imagináveis 2,4% para os pouco menos inimagináveis 2,1.


Temos portanto menos crescimento, e por isso menos receita e, ao mesmo tempo, menos cerca de 400 milhões de euros de défice  Só a despesa é a mesma!


Parece que o governo quer resolver esta equação de difícil solução com os combustíveis, e deve ser isto que Mário Centeno acabará ainda hoje por dizer. Se,  com o petróleo a 25 ou a 100 dólares, os preços dos combustíveis são os mesmos, ao menos que dê para baixar o défice.  Depois - naturalmente - das petrolíferas terem reposto as suas margens, como ficamos a saber quando, há dias, Mira Amaral nos explicou que os preços dos combustíveis não acompanham os do crude porque as petrolíferas têm que repôr as suas margens. Que nós nunca percebemos que alguma vez tivessem perdido... Mas isso é problema nosso... E o resto também!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A memória das coisas

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Não é fácil tirar as subvenções vitalícias e a decisão do Tribunal Constitucional da ordem do dia. Porque o assunto choca, e já não é de agora, e  pelo impacto político na campanha eleitoral em curso.


 Mas também por outras razões. Já certamente repararam na muita gente que está a chamar a atenção para o facto dos que agora contestam esta decisão do Tribunal Constitucional serem precisamente os que, antes, aplaudiam as outras. Não há, evidentemente, nenhuma contradição nisso: ninguém está obrigado a concordar sempre com as decisões do Trinunal Constitucional. Está, sim, obrigado a acatar e a cumprir essas determinações. Nada mais que isso. Tudo o que se pretender que vá para além disso não passa de uma tentativa de manipulação da opinião pública, com o objectivo de limpar a governação anterior de todas as inconstitucionalidades e demais desgraças da sua acção.


Não sobrarão grandes dúvidas que, no contexto das presidenciais, é Maria de Belém quem sai mais penalizada. Não sei se a divulgação da notícia no dia do debate geral na RTP é mais que uma coincidência. Nem se ela própria percebeu logo que era o alvo, e se por isso se refugiou no pesar pela morte de Almeida Santos para evitar a presença no debate. Sei é que, se é Maria de Belém quem mais perde, quem mais ganha é Sampaio da Nóvoa. Que, como se viu, aproveitou a oportunidade. Mesmo que mal, acabando até por chamuscar os apoios presidenciais de que tanto diz orgulhar-se.


Entre os apoiantes de Sampaio da Nóvoa, além do mais mandatária para os assuntos constituicionais, está a deputada da mil e uma causas e de opinião desenvolta, Isabel Moreira. Que foi na altura - já lá vai mais de uma ano - quem precisamente deu a cara por tão chocante coisa. Ao lado de Pedro Passos Coelho, Marques Guedes, José Lelo e Couto dos Santos, e que por isso agora está calada. Talvez os portugueses não se esqueçam...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Vem aí complicação

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O governo prepara-se para aprovar, amanhã em conselho de ministros, o draft do Orçamento de Estado para este ano, a enviar de seguida à consideração de Bruxelas.


E as coisas não estão fáceis, longe disso. A insistência de António Costa na quadratura do círculo já o o deixava prever, só que o Banif tornou tudo muito mais difícil. Arredondou muitos mais as curvas e acentuou ainda mais os ângulos rectos...


Não vão ser fáceis os tempos que aí vêm, para gáudio da direita que gosta de se olhar ao espelho. Que já vai fazendo a festa, na transversal lógica portuguesa do quanto pior, melhor. Anuncia a visita da troika (na próxima semana, como previsto e programado) como se de um regresso se tratasse. Prevê até com evidente deleite um novo resgate. E antecipa a quebra de confiança dos mercados - cria o lobo, e grita que ele vem aì ... - como quem quer acordar monstros adormecidos.


Vem aí complicação. Ai vem, vem...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Subvenções vitalícias

 


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Claro que é escandaloso que o Tribunal Constitucional tenha declarado inconstitucional a norma que suspendera as subvenções vitalícias, sem condição de recurso, aos titulares de cargos políticos. Porque não é de um direito que se trata, é de um previlégio!


Um previlégio que trinta deputados não quiseram perder: 21 do PS e 9 do PSD. A fina flor... Todos e cada um deles em boa companhia, cada um melhor que o outro. Entre eles, e sem surpresa, uma candidata a Presidente da República. Para unir os portugueses...

Coisas da vida

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Morreu Almeida Santos. Ontem, ao final do dia, já perto da meia-noite... 


Ainda na véspera o tínhamos visto, vigoroso, num comício de apoio a Maria de Belém. Na véspera tínhamo-nos - se não todos, a grande maioria de todos nós - emocionado com a participação de João Semedo, também num comício de campanha eleitoral, mas agora de apoio a Marisa Matias...


Coisas da vida: a morte é mesmo assim. Dissimulada!

Hoje*

Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


*Publicado todos os anos, neste dia. Hoje!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Pronto: o Porto já tem treinador!


 


Exactamente como aqui se previra, hoje, segunda-feira, o Porto já tem treinador. E que treinador: José Peseiro!


Apesar da imagem de perdedor, um grande treinador. Um grande benfiquista -coisa que costuma dar certo no Dragão -, um grande profissional e uma excelente pessoa. Só tenho pena de não lhe poder desejar a sorte que ele merece. Mas ele percebe... E não leva a mal.


 

O monstro autofágico

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Em 2013, há apenas dois anos, chocáva-nos que apenas trezentas e poucas pessoas, os trezentos e tal mais ricos, detivessem tanta riqueza quanto metade do mundo, a metade mais pobre. Um ano depois esse número baixava para menos de metade e em 2015, dois anos depois, para 62. Nem mais: hoje, os 62 mais ricos do mundo acumulam uma riqueza superior à de metade da população mundial. E, pelo vistos, isso já não choca ninguém. Pelos vistos, o mundo aceita que assim seja. Pelos vistos, o sistema transformou-se num monstro que conseguiu eliminar todos os obstáculos ao seu crescimento ilimitado e à ganância insaciável dos que o dominam. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor: a ganância tornou-o autofágico. É que a distribuição de riqueza  não é apenas um indicador de desenvolvimento. É também um factor central de crescimento económico. E o crescimento económico é o oxigénio do sistema...

Uma boa notícia


 


Não sei se, como Obama garante, os Estados Unidos terão por tão certo que o Irão em circunstância alguma venha a usar a bomba atómica. Mas sei, sem qualquer dúvida que, nos tempos que correm nas economias ocidentais, um mercado de 80 milhões de consumidores, ainda por cima alimentado a petróleo, não se pode desprezar. Por muito que sauditas e israelitas se irritem com isso...


Mas, por mera hipocrisia da política externa, por pragamatismo da economia política ou por absoluta convicção, esta é sempre uma boa notícia. A abertura de regimes como o do Irão nunca se fará sem espaço no concerto internacional. E quanto mais fechados sobre si próprios mais perigosos se tornam. E, com armas nucleares, mais ainda... 


 

sábado, 16 de janeiro de 2016

No centro da discussão

Estoril-Benfica, 1-2 (crónica)


O Benfica ganhou hoje na Amoreira, com o Estoril, um dos jogos mais importantes, mas também um dos mais curiosos, desta liga.


Em primeiro lugar há que dizer que poucos jogos terão tido resultados tão mentirosos quanto este. O Benfica ganhou por 2-1 um jogo que dominou por completo, mesmo quando jogou mal, como aconteceu durante mais de metade da primeira parte. Criou uma dezena de oportunidades claras de golo - uma pareceu mais que oportunidade, pareceu mesmo golo e não pode deixar de nos lembrar aquele penalti que o Jorge de Sousa assinalou no passado domingo, em Alvalade - sofreu o golo logo no no início do jogo, no primeiro ataque e no primeiro e único remate do Estoril. Mesmo assim, tem de se dizer que foi Júlio César a salvar a vitória, quando no último lance do jogo fez a sua única defesa, impedindo uma bola desviada de entrar na baliza.


O Benfica entrou bem no jogo, rápido e intenso, a criar logo oportunidades para marcar, incluindo uma bola no ferro. Mas o golo do Estoril quebrou essa dinâmica e a equipa, dominado por completo o jogo, só fazia isso mesmo: ter a bola, mas com pouca utilidade. Especialmente porque Raul Jimenez andava perdido, sem o que andava ali a fazer. Tentando fazer o que não sabe nem pode, e abdicando dos espaços onde pode fazer alguma coisa do que sabe, e pode.


De tal forma que se poderá dizer que bastou ao intervalo substituí-lo por Mitroglou para que a segunda parte fosse diferente, e o Benfica pudesse virar o resultado e criar sucessivas ocasiões de golo. E aqui começa o desfile de curiosidades deste jogo. Logo a seguir ao golo do empate, obra do grego, o Benfica estava obrigado a não abrandar, para chegar ao segundo. Ao invés, ao Estoril interessava lançar mão de tudo para quebrar aquele ritmo. O Benfica fez aquilo a que estava obrigado, e na jogada seguinte já estava em cima da baliza adversária, quando, da bancada onde estavam os seus adeptos, saiu uma tocha que quase atingia MItroglou, bem no meio da grande área, que provocou a primeira interrupção do jogo. Dir-se-ia que não faz sentido, mas um imbecil é um imbecil... Não é outra coisa.


Logo a seguir foram os jogadores do Estorill que começaram a provocar interrupções, e por alguns minutos chegou a pensar-se que o Benfica perderia o élan do golo do empate. Nada disso, a equipa voltou a encontrar o ritmo, e acabou por chegar bem cedo ainda ao golo da vitória. E nem sequer a quebra na iluminação, com mais uma interrupção prolongada, impediu o Benfica de voltar a mandar no jogo.  


E aí está o Benfica, bem no centro da discussão do título, a dois pontos da liderança,  já a jogar um futebol de muito boa qualidade, com os jogadores a demonstrarem confiança. E crença, que é fundamental!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Os amigos de Alex

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Afinal o Alex foi amigo. Deu um fim de semana prolongado aos açoreanos e não quis nada em troca... É danado para fazer amigos, este Alex...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Obviamente... demita-se!


 


Depois do que fez - e não fez - com o BES e com o Banif, e dos milhares de milhões que tudo isso custou, custa e vai continuar a custar aos portugueses, o governo de Passos Coelho, há poucos meses e em cima das eleições, reconduziu Carlos Costa na governação do Banco de Portugal. Desde então, falhou a venda do Novo Banco, fez explodir o Banif e, para capitalizar o Novo Banco, não hesitou em deitar a mão a dois mil milhões de obrigações seniores detidas por investidores institucionais, decisão estrategicamente muito arriscada, para não dizer completamente errada, e de duvidosa legalidade, para não dizer muito provavelmente ilegal, como aqui se deu conta no final do ano passado.


Claro que os atingidos não acharam graça nenhuma à brincadeira e, primeiro que tudo - quer dizer, primeiro que a inevitável litigância, ameaçam não financiar mais bancos portugueses, com sérios riscos de o mercado fechar as portas à banca nacional.


Admitia-se, e outra coisa não era de esperar, que tinha sido uma decisão concertada com o governo e respaldada no BCE. Nada disso: primeiro - mas mesmo assim tarde, apenas depois das reacções internacionais  - foi o governo a vir dizer que estava frontalmente contra a medida; e logo depois o BCE veio deixar claro que não apoiou aquela decisão, remetendo-a para a exclusiva responsabilidade do Banco de Portugal.


Como - a não ser em condições muito excepcionais, que nem a excepcional gravidade das asneiras de Carlos Costa contemplam - não se pode demitir o governador do Banco de Portugal, tem que ser o governador do Banco de Portugal a demitir-se. Obviamente... demita-se Sr Carlos Costa! Sabemos que se ganha muito bem, bem mais que o congénere americano, mas também sabemos que as reformas do Banco de Portugal não são nada más... 


 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sem pressa

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Mantêm-se altas as expectaivas sobre o novo treinador do Porto, que  demorou uma semana para fazer as contas com Lopetegui, que não perdoou um cêntimo. Uma coisa se percebe: o Porto não tem pressa!


Até domingo não há novidades. Nem pressa. É apenas tempo de ir alimentando a short list dos candidatos, cada vez mais short e cada vez mais com o nome de Sérgio Conceição. Cada dia mais favorito. Até domingo, como é fácil de entender...      

Há coisas que nunca mudam...

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O último discurso do Estado da União, de Obama, era aguardado com grande expectativa, muita dela alimentada pelo próprio, que o promoveu pessoalmente nas televisões como se de um espectáculo se tratasse. 


Falou de muita coisa: da superpotência mundial que o país é, de política interna, de política externa, do Daesh, de Cuba, de muçulmanos, de economia... E de Guantanamo, que prometeu fechar.


Exactamente o que estão a pensar: Obama entrou na Casa Branca a prometer fechar a prisão que envergonha o país e, dez anos depois, a dez meses de de lá sair, continua a prometer fechá-la.


A política tem coisas que nunca mudam. Onde quer que seja. Por quem quer que seja!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Padrinhos

Resultado de imagem para marcelo rebelo de sousa e marcelo caetano


 


 


É curioso que ainda ninguém se tivesse lembrado que Marcelo se baldou à tropa. Que só agora o tema seja assunto. Normal, à época.


Não que fosse normal, na altura, escapar à guerra colonial. E muito menos à tropa, que sendo a mesma coisa, mas não era bem a mesma coisa... Toda a gente lá ia bater com os costados, sem apelo nem agravo. A não ser que desertasse. Ou que tivesse padrinhos...


E aí está. O que não faltava - não falta, nem nunca faltou - a Marcelo foi padrinho. Nem percebo porque se fala tanto do pai, simples ministro do Ultramar...


Mas, como bem se sabe, isso aqui não interessa nada. Lá para a América é que têm a mania de levar estas coisas a peito...


 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Como o filho pródigo...


 


À segunda - e à segunda-feira, pela hora de almoço - lá foi. O jogo jogou-se, e muito bem, e o Benfica ganhou. E muito bem, mesmo com o golo oferecido daquela maneira a manchar um bocadinho uma grande exibição e mais um resultado gordo.


Foi uma boa decisão - pese embora as dificuldades que naturalmente trará ao Nacional para o jogo da Taça, na próxima quarta-feira, mas não podem ser prejudicados sempre os mesmos, que não têm nada a ver com o absurdo horário escolhido para o jogo  - a de continuar o jogo logo no dia seguinte, como já tinha sucedido com o Porto, exactamente nas mesmas condições. Com uma diferença: o árbitro não era Jorge de Sousa, o melhor árbitro português, que não vê os penaltis que todos vemos, mas vê outros, que mais ninguém vê. 


À margem disso, que não é nada marginal, porque apenas por esses problemas de visão do melhor árbitro português - por que é que o melhor àrbitro português é sempre assim? Porque se não for assim nunca será o melhor árbitro português ... - só nesses dois jogos, cada um dos adversários do Benfica na disputa do título arrecadou três pontos a mais, e das muitas incidências do jogo ficou, num terreno impraticável, mais uma promessa de que o melhor futebol de Portugal está a caminho de casa. Como o filho pródigo...


Se calhar é por isso que andam todos tão nervosos. Que a pressão sobre os árbitros, como ainda ontem se presenciou em Alvalade, com o sucesso que se viu, não abranda. E que a estratégia de bullying é para continuar sem ponta de dignidade nem espaço para a vergonha.


 


 


 

David Bowie (1947-2016)


 


Dois dias apenas depois de lançar "Blackstar" - o seu último album, extarordinário como sempre e mais surpreendente que nunca - justamente no dia que assinalava os seus 69 anos de vida David Bowie surpreendeu-nos com a morte. 


Não se esperava. Ninguém esperava... Depois da surpresa de sexta-feira - o Blackstar é, pelo jazz, mas também por uma voz mais aveludada que nunca, todo ele uma surpresa - ninguém esperaria esta outra, logo a seguir. 


Até na morte, Bowie foi camaleão. O homem das mil faces que o mundo não esquecerá.


 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Nevoeiro. Outra vez!

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Depois de já ter perdido os três pontos que, inacreditavelmente, o Braga deixou fugir em Alvalade, o Benfica tinha obrigatoriamente que assegurar os outros três que tinha para disputar na Madeira: na Choupana, onde o nevoeiro é quem mais ordena. 


Não pôde, porque lá esteve  de novo o nevoeiro, pela segunda vez em dois meses, a tornar de balde mais uma viagem do Benfica à pérola do Atlântico.  E lá volta o Benfica a ficar com um jogo a menos e pontos de atraso a mais... É tempo de dizer basta, os orgãos que dirigem o futebol nacional devem ter que fazer alguma coisa sobre a acreditação daquele campo para a competição profissional. Pelo menos durante o inverno...


 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Bullying

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É bullying, o que Jorge Jesus anda fazer com Rui Vitória. Sabe-se que para resolver o problema e acabar com o bullying só há duas formas: enfrentar o bad boy e agarrá-lo pelos colarinhos, mostrando que não tem medo do ilusório valentão; ou transportar a agressão para a dimensão intelectual, e superiorizar-se aí de forma a que o grandalhão vire pequenino, e que o bad boy fique a falar sozinho, até mesmo envergonhado pelo que está a dizer. 


Rui Vitória não faz nenhuma das duas, o que quer dizer que fica em maus lençóis. Por muito que corram em seu socorro, nunca estará a salvo.


Percebeu-se logo que não era tipo para agarrar o bad boy pelo pescoço, e ficou-se à espera que seguisse pela segunda via. Mas não se pode pôr o jogo num tabuleiro que não se domina, porque aí o tiro da vergonha pode sair pela culatra. Tem que se saber muito bem o que se quer dizer e, depois, dizê-lo ainda melhor. Na perfeição. Não saber o que se deve dizer, ou mesmo sabendo-o, não o saber dizer de forma clara, sem engasganços nem dúvidas, estraga tudo. E, francamente, quem não sabe que, em inglês, "one" é muito mais que um algarismo, e que ser "o especial" não tem nada ver com  ser " especial um" - ou dois, ou três - não tem sequer acesso a essa segunda via.


 


 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Generosidades

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No animado debate sobre a reposição dos feriados, mais uma trincheira sobrelotada, encontramos coisas engraçadas. Vemos, por exemplo, que certos analistas não ragatearam esforços para enquadrar a decisão do governo na generosidade do calendário de 2016, até descobrirem que, este ano, a sexta-feira santa calha até à sexta-feira. E pronto: lá vem mais um fim de semana prolongado...

À portuguesa

 


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O líder do PSOE, Pedro Sanchez, esteve ontem em Lisboa para - diz-se - aprender com António Costa como se faz esta coisa que os espenhóis já chamam de Pacto à portuguesa. Sabemos como nuestros hermanos, por muito que o escondam, nos invejam em muitas coisas: agora é com esta!


Mas, da mesma forma que desprezam a corrida de toiros á portuguesa, que se lhe não conhece especial apetência pelo cozido à portuguesa, o melhor mesmo é esquecerem esta poção política à portuguesa. Nunca lá conseguirão chegar...


E não é por isto nem por aquilo. É apenas por uma coisa que tem mais de 800 anos, que se chama Nação, e que tem um valor incálculável. Tão alto e tão difícil de calcular que é preciso este tipo de visitas para nos apercebermos dele!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Às vezes o diabo tece-as...

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O diabo tem destas coisas. Marcelo, que tem andado a fingir-se de morto, a passar entre os pingos da chuva - e como tem chovido! - convencido que nada incomodaria o passeio triunfal que o haverá de levar a Belém hoje, frente a Sampaio da Nóvoa, teve de fazer pela vida. 


Por ter entendido que este seria o seu principal adversário, ou porque simplesmente entendeu que não poderia continuar  escondido por muito mais tempo, Marcelo teve hoje que sair da toca, na expressão feliz do infeliz - arruaceiro, seria mais bem dito - Jorge Jesus. E, imagine-se, saiu-se mal. As coisas não lhe correram nada bem, foi uma chatice. Uma maçada, diabo...


Afinal, o comunicador não é bem o tal comunicador. A velha raposa, é afinal muito velha e pouco raposa... Nem a memória é bem memória, quanto mais de elefante. Afinal esta coisa de anos de púlpito a versar sobre tudo o que seja tema, dá notoriedade mas também tem custos. Que só não são mais caros porque, em matéria de participação política, nós somos assim: não somos muito de nos incomodar com a aldrabice e apreciamos a pantomínia. E quando alguém nos cai em graça, pouco nos importa que diga tudo e o seu contrário.


Sorte tem Marcelo em ter-nos assim. Não fosse essa sorte, e o diabo seria bem capaz de as vir a tecer...

Finalmente uma ideia

Jornal i


 


E quase ao fim de uma semana de debates televisivos conhece-se uma ideia de Maria de Belém: com Belém em Belém - que é como quem diz: com tudo no seu sítio - os chefes de Estado visitantes serão recebidos para jantar em lares de idosos.


A ideia - como diria o diácono Remédios - até é uma boa ideia. Mas é também de plástico...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

À meia dúzia


 


Chegou a assobiar-se na Luz. Ainda a primeira parte não ia a meio, e já a plateia benfiquista assobiava aquele jogo pastoso, sem velocidade e sem chama, que invariavelmente toma conta da equipa. De repente tudo mudou: três golos em apenas seis minutos, obra das duas mais caras contratações de sempre. Finalmente a renderem!


A partir daí o Benfica fez praticamente o que quis de um Marítimo atordoado, que não mais atinou com o jogo. Ficou-se pela meia dúzia, repetindo a maior goleada do campeonato, estabelecida no jogo com o Belenenses, e poderia ter ido muito mais além. Mas, mesmo assim, e ao fim e ao cabo, o resultado é ainda melhor que a exibição. Posso até estar a ser injusto mas, a mim, não me deslumbrou.


E não gostei mesmo nada do individualismo que na parte final do jogo se apossou dos jogadores. Com tudo a correr pelo melhor, o melhor seria mesmo que os jogadores conseguissem afinar a dinâmica colectiva da equipa, longe de navegar nas melhores águas.


Parece que em Setúbal também houve quem experimentasse a meia dúzia. Espero que não lhe tomem o gosto. Isso é mais andança de Ferrari!


 

Um sítio muito perigoso

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A terra tremeu esta madrugada, ali por voltas do paralelo 38: um terramoto de magnitude de 5,1, com epicentro a norte de Kilyou, onde se localizam as principais instalações nucleares da Coreia do Norte.


Nem sequer foi preciso entrar pelas portas da especulação. Duas horas depois, o regime norte coreano confirmava aquilo que já tinha anunciado há menos de um mês, e em que então ninguém quis acreditar: a Coreia do Norte desenvolveu, e já testou, a bomba de hidrogénio.


A bomba H tem um potencial destruidor superior em 4 mil vezes ao da bomba de Hiroshima. A Coreia do Norte dispõe de um míssil balístico capaz de a colocar a a 6700 quilómetros de distância e parece que já só falta - um pequeno, muito pequeno pormenor - a ogiva que a acomode ao míssil. 


Tudo isto como se fossem as velas para o pequeno e ridículo Kim Jong-Un soprar no seu aniversário, dentro de dois dias. O mundo é cada vez mais um sítio muito perigoso para se viver!


 


 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Refugiados: a palavra do ano ... passado.

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De novo, só o ano... Tudo o resto é velho. Quando nada muda se não o tempo, os problemas não ficam apenas mais velhos. Ficam ainda mais dramáticos!


Mais corpos de refugiados que já só são encontrados na praia, sem vida. E até já a Dinamarca e a Suécia fecham fronteiras... Havia certamente forma menos violenta de, neste início de ano, ilustrar a palavra do ano passado!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Maratona de debates presidencias


 


 


Não sei - não faço mesmo ideia - como o país real está a seguir esta maratona de debates presidenciais com que o novo ano abriu. Admito que com grande indiferença!  Provavelmente com a indiferença do costume, que nem o mau tempo que certamente prendeu mais as pessoas por casa, conseguiu contariar. Também, com alguma probabilidade, com a indiferença que o excesso provoca: uma tamanha dose diária de debates só não afasta quem, por dever, não possa afastar-se.


Viu-se de tudo o que se espera ver quando os candidatos são tantos. Dez, nunca houve tantos. Viu-se, logo a arrancar, um murro na mesa de Cândido Ferreira (na foto). Tão violento quanto justo. E justificável. E viu-se o inenarrável Tino a lançar foguetes e a fazer a festa, todo contente, com as canas. E a partir destes dois momentos altos viu-se claramente visto que Marcelo está ali para não ser incomodado - o que passa por não incomodar ninguém - neste seu passeio que pretende o mais descontraído possível. Nem que para isso tenha que se prestar a alguma figuras de que, de todo, se deverá orgulhar...


Se já se previa fácil e tranquílo esse passeio de Marcelo a caminho do plesbiscito do próximo dia 24, mais fácil se percebe pelo desempenho daqueles que supostamente seriam os seus principais adversários. Dos dois que, pelas sondagens, discutirão o segundo lugar, que numa forçada segunda volta lhes poderia abrir a janela da bipolarização, que na maior parte das vezes deixa entrar o ar da esquerda. Com maior - Maria de Belém - ou menor surpresa - Sampaio da Nóvoa - os dois maiores adversários de Marcelo não conseguiram fugir a prestações medíocres.


Ao contrário de Henrique Neto que, já com alguma experiência em televisão, e sabendo que o único caminho que tem pela frente é o do ataque, surge neste momento como vencedor do prémio da combatividade desta maratona, ainda com cheiro a S.Silvestre. Que Marcelo ganha sempre, sem precisar de fazer nada... 


Marisa Matias tem discutido com Henrique Neto a primazia pela substância do debate, e Edgar Silva está ali apenas para segurar o eleitorado do PC, para aproveitar este palco para os ataques ao PS, que noutros são agora mais complicados. 


Se alguém depositava altas expectativas em Paulo Morais, desiluda-se. Ao esgotar o seu espaço de intervenção no mono tema corrupção, numa abordagem muitas vezes demagógica, arrisca-se a banalizar um tema central da vida do país. E a pior maneira de enfrentar um grande problema é banalizá-lo!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Bem ganho

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Dentro dos padrões normais da época, que as coisas não estão para mais, o Benfica ganhou em Guimarães. E ganhou bem, dentro dos padrões normais nesta época, repito: jogou mais, criou mais oportunidades para marcar - coisa que nem sequer assistiu ao Vitória - comandou o jogo, ou esteve por cima, durante a maior parte do tempo. 


E quando chegou a hora, o menino, que já resolvia a maior parte das coisas, resolveu. Também o Pizzi tentou resolver, mas não conseguiu. Sabe-se lá se pelo peso de carregar às costas a contratação mais cara do Benfica. Temos que o traquilizar: apesar de tudo, ainda às vezes ajuda. Temos que lhe dizer que todos nós sabemos que a mais cara é a do Roberto, e que não tem culpa nenhuma que tenha ido parar à conta dele ... 


E pronto: mesmo que o jogo de Alvalade não tenha ajudado muito, - ajudou, e muito, o Sporting, e ajudou a passar a guia de marcha a Lopetegui - lá estamos de novo de esperanças renovadas. 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...