... Queremos um novinho, a estrear. E que não chateie...
Com o ano a chegar ao fim – está mesmo a ficar-se – é tempo de olhar para trás, de fazer balanços, de distinguir factos, acontecimentos e personalidades. E de sobre eles fazer escolhas: o facto do ano, o acontecimento do ano, a personalidade do ano … Cá e lá fora…
Não é isso que vou fazer, mesmo que passe completamente ao lado do exercício mais próprio deste tempo. Para dizer que este foi um ano que correu mal ao mundo e correu bem – vá lá: menos-mal – a Portugal. Por todo o mundo se sucederam tragédias, umas mais naturais que outras. De sismos, a tsunamis, de furacões a vulcões… De quedas de aviões a atentados terroristas… E, the last not the least, como dizem os ingleses, Trump foi feito presidente americano.
Por cá, nada disso, felizmente. Elegemos Marcelo – veja-se bem a diferença –, a geringonça funcionou, Guterres foi designado secretário-geral da ONU, e a selecção nacional de futebol foi campeã europeia. Até o défice deixou de nos atormentar…
O que não quer dizer, nem mesmo à luz de um certo cinismo luso, que o que é mau para o mundo é bom para Portugal. Mesmo quando parece que é, como sucede com o empurrão que o terrorismo islâmico deu ao turismo nacional.
Mas é um mero efeito colateral. O efeito central do terrorismo islâmico, que parece incontrolável, esse é devastador. A partir da onda de terrorismo que todos os dias mata gente por todo o mundo, mesmo que só contemos os do pé da porta, e da indissociável avalanche de refugiados, o mundo mudou radicalmente, mesmo que disso não estejamos a tomar devida conta.
Veja-se como Merkel é hoje um anjo, e a esperança da Europa quando, há apenas dois anos, era o puro demónio. Veja-se como os valores da democracia, da liberdade e da tolerância são confrontados com os sentimentos de medo e de insegurança. E veja-se como esses sentimentos prevalecem sobre os valores das mais sólidas democracias, franqueando as portas à extrema-direita xenófoba e totalitária.
Como já se viu em muitas partes do mundo. Viu-se nos Estados Unidos. Já se vê na Europa. E provavelmente, já no ano que aí está a chegar, irá ver-se no próprio coração da União Europeia.
É este o maior legado de 2016. Justamente o objectivo principal do terrorismo islâmico!
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
A tradicional acalmia política desta época de natal, uma espécie de mini-silly season, foi quebrada pela "feira de gado" de Augusto Santos Silva. Tínhamos dele uma imagem de truculento, a lembrar aquela de "quem se mete com o PS leva". Se calhar era mais "quem se mete com o Sócrates leva"... Se calhar porque esse foi chão que já deu uvas, e quem passou a levar foi quem não se meteu com ele, na sua reincarnação neste governo tem deixado uma imagem de um homem pacato, cordato, e nada dado traquinices.
É certo que a pasta ajuda: a um ministro dos negócios estrangeiros pede-se diplomacia, evidentemente. E não é muito exigente - especialmente num país como o nosso - passando sempre ao lado das coisas que mais queimam.
Quero com isto dizer que a pacatez e a cordialidade deste peso pesado do PS, de que nenhum líder quer largar mão, é mais fruto das circunstâncias que do homem. Daí que ter comparado a Concertação Social a uma feira de gado não tenha nada de surpreendente. O que surpreende é que se tenha deixado apanhar. E logo pela TVI, onde não se consegue deixar de ver muito mais que uma simples pontinha de vingança.
Não me surpreende muito que o tenham obrigado a pedir a desculpa, e não me surpreende nada que a tenha pedido. O que a mim me surpreende mais é que tenha razão: aquilo é mesmo como uma feira de gado. Só que bem diferente daquelas de antigamente, feitas de muita arte e engenho. A arte de ver os dentes dos burros e o engenho para lhe aldrabar a idade!
Vivemos num mundo rankings, obcecados pelo número 1, pelo primeiro, pelo melhor... O mundo do futebol não é mais que o outro mundo, aquele mundo. O que conta é o melhor do mundo: mesmo que o melhor do mundo não seja o melhor do mundo. Mesmo que isso não exista, não passe de uma criação. Ainda que indispensável ao funcionamento do dito: o mundo já não funciona sem o melhor do mundo!
E quando o melhor do mundo é português, o melhor do mundo é ainda mais melhor do mundo. Cristiano Ronaldo é mais CR7 que Cristiano Ronaldo. Mas é ainda mais melhor do mundo que CR7. Por isso não nos admira que seja sempre o melhor do mundo, mesmo quando, nessa criação, o não é.
José Mourinho era outra criatura da criação. Sem se saber como nem porquê, foi durante anos a fio o melhor do mundo. O mundo virou-se(-lhe) ao contrário e não se ouviu mais falar de melhor treinador do mundo.
Mas como o mundo não é coisa para estar virada ao contrário lá temos, nos treinadores, não um, mas dois melhores do mundo: o melhor treinador do mundo de equipas de clubes, e o melhor treinador do mundo das selecções nacionais.
O melhor do mundo, na primeira dessas categorias, é Diego Simeone, o treinador do Atlético de Madrid. Não sendo Mourinho, nem Guardiola - digamos que os pop stars, mesmo com as respectivas stars, particularmente a lusa, a empalidecer - integra-se bem no perfil daquele estrelato particular. A surpresa é o bem português Fernando Santos (que me desculpem, mas a personagem Mourinho tem pouco de tuga) ser agora, também ele, o melhor do mundo.
É verdade que, criadas agora as duas categorias, dificilmente poderia ser outro o melhor dos treinadores de selecção da Europa. E sendo a Europa - no futebol, bem entendido - o centro do mundo, não havia como não ser, também ele, o melhor do mundo.
Não me parece que se ajuste à criação. Mas se calhar é por isso que eu acho que lhe fica a matar essa coisa de melhor do mundo. Parabéns Fernando Santos!
Mais por isso, pela simplicidade do anti-herói, que propriamente pela pompa.
A morte de George Michael, a poucos dias da despedida de 2016, confirma o raro apetite deste ano pelos grandes nomes da música, e em especial do rock e do pop. Nunca nenhum outro tinha sido tão voraz...
Levá-lo no próprio dia de Natal é particularmente cruel ... Last Christmas...
A notícia é desta semana de Natal: uma senhora, funcionária de um lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, viu decretada a penhora do subsídio de alimentação para liquidação de uma dívida de 8500 euros, como tanta outra gente vê penhorados os seus rendimentos pelas mesmas razões. Até aqui, nada de novo. Todos sabemos que circunstâncias destas são infelizmente cada vez mais frequentes. Sabemos que o endividamento é um dos maiores problemas do país. E das pessoas que o fazem… E sabemos que os credores têm direito a receber os seus créditos, mesmo que também saibamos que, muitas das vezes, a sua responsabilidade no crédito não é menor que a do devedor.
O que é novidade, insólito e mesmo surreal, é que, não recebendo a senhora subsídio de alimentação porque toma as refeições no lar de idosos onde trabalha, o agente de execução penhorou a refeição em espécie.
Não se sabe se o zeloso agente de execução tenciona ir diariamente à instituição de marmita na mão a tempo de retirar da boca da executada a sopa, o pão, o arroz, as batatas, o naco de carne ou a posta de peixe. Nem se tenciona depois ir a correr entregá-la ao credor, para que não arrefeça. Porque, requentada, perderá certamente valor, tornando mais difícil a recuperação da dívida.
Nesta semana de Natal já tínhamos imagens de fome, dor, terror e morte a cruzarem-se com imagens de felicidade, beleza e sonho, que nos impingem tudo e o crédito para o comprar. Faltava mesmo era qualquer coisa que cruzasse a mais alta imbecilidade com o mas baixo sentido de dignidade humana. É este o nosso mundo hipócrita, que nem uma pausa para Natal tem!
Feliz Natal para todos!
* Baseado na minha crónica de hoje na Cister FM
Enquanto, com o resgate do mais velho banco do mundo, os italianos começam agora a saber o que a vida (dos banqueiros) custa - coisa em que nós vamos muito à frente -, parecendo que têm ainda muito para aprender, o banco que dá emprego a Durão Barroso continua a mostrar que a sabe toda. E a explicar por que dá emprego aos Barrosos deste mundo: é simples, é fácil e dá milhões. Muito mais que os euromilhões: ganham centenas de milhares de milhões com as vigarices - manipulação com transações falsas e relatórios forjados - que todos nós pagamos. Por conta deles ficam os trocos que pagam em multas...
O Benfica abriu a jornada 15 do campeonato – se bem que o Porto tivesse antecipado o seu jogo numa semana, talvez com o objectivo de, em algum momento, cheirar mais de perto o perfume do primeiro lugar - recebendo, ao colinho de 52 mil na Luz, a uma quarta-feira às seis da tarde, um Rio Ave a atravessar um óptimo momento, vindo de quatro vitórias consecutivas.
Esse bom momento, e a nomeação de mais um árbitro do Porto, na circunstância Rui Costa – mais de 60% dos jogos do Benfica foram dirigidos por árbitros do Porto, certamente uma simples coincidência – abriam boas expectativas à concorrência, em especial àqueles que se especializaram numa curiosa estatística de penaltis. Não de penaltis falhados, essa sim com números imbatíveis, mas numa nova categoria a que poderíamos chamar de whisfull penaltys.
Comecemos por aí, pelo árbitro Rui Costa – que bem tentou fazer o seu papel, tentando até tirar Pizzi do Jogo de Guimarães: primeiro com um amarelo absurdo e, depois, a jogar ao gato e ao rato com o jogador, para não lhe dar o segundo, e o consequente vermelho que lhe permite trocar Vizela por Guimarães, ali tão perto - e pelos penaltis por marcar. Foram mais dois, desta vez. E mais um golo anulado. E não vale a pena dizer muito mais, mesmo que se pudesse dizer que nem que arrancassem a cabeça ao Gonçalo Guedes o irmão do patrão da arbitragem marcaria penalti. Ou outra coisa qualquer…
Dito isto, o Benfica entrou com o seu quarto de hora à Benfica. Sem dar qualquer hipótese ao Rio Ave, marcou aos 14 minutos, por Mitroglou, já na quarta oportunidade de golo, e já depois de ter ficado por assinalar o primeiro penalti sobre o Gonçalo, seis minutos antes.
A asfixia durou até aos 20 minutos. A partir daí o Rio Ave começou a dividir o campo, que não ainda a dividir o jogo – apenas faria o primeiro remate à baliza aos 61 minutos. Jogava já no campo todo, sem que isso abrisse brechas para o Benfica criar oportunidades para marcar. O segundo golo, que acabaria por fixar o resultado final, surgiria a 5 minutos do intervalo, mas em resultado de um desequilíbrio provocado pela superior categoria de Rafa e Pizzi, que concluiria a mais brilhante jogada de futebol de todo o jogo.
Na segunda parte, e em especial na última meia hora, então sim: para além de dividir o campo, o Rio Ave dividiu também o jogo. Que, no entanto, o Benfica nunca deixou de controlar. Mesmo que por vezes à distância… De um voo de Ederson, a negar, com classe, a única oportunidade da equipa de Vila do Conde. Que sabe jogar à bola!
E foi assim o último jogo do campeonato do ano. Podia ter acabado melhor, não fosse aquela coisa estranha na Madeira. Mesmo assim são 4 pontos de vantagem para o segundo, o Porto, com alguma surpresa. Para o quarto, com não menos surpresa o Sporting, poderão até ser 11.
E faltam dois jogos para fechar a primeira volta. Complicados, como todos…
Este perigoso governo da esquerda radical vai mesmo levar para a frente a sua proposta de aumentar o salário mínimo para 557 euros. As organizações patronais acham isso um exagero, muito acima dos 540 que estavam dispostas a aceitar: são 17 euros a mais por mês, qualquer coisa que até quase chega para um café por dia. Não é bem, mas já não falta muito. Uma exorbitância!
A não ser que... Isso mesmo: a TSU... Lembram-se?
Pois, aí está ela de volta. É a solução para tudo. A sustentabilidade do sistema até está em causa. Por isso a idade da reforma sobe todos os dias. As pessoas têm que trabalhar cada vez até mais tarde, mesmo que não tenham emprego. Aos 65 anos estão em muito boa idade para continuar a trabalhar, se tiverem emprego. Já não estão é em idade para conduzir o carro, ao que parece... A TSU é que não tem nada a ver com isso. Está sempre à mão...
Ah... E já não há indignados!
Em Ancara, na Turquia de Erdogan, um polícia supostamente em folga mata e exibe a morte do embaixador russo numa pacata exposição de fotografia. Em Zurique, um indivíduo ainda não identificado entrou numa mesquita, onde gente rezava, e disparou a matar. Em Berlim, um terrorista que também é jovem refugiado - a ordem é arbitária - tomou de assalto um camion, matando o camionista, para o usar como arma de terror e morte por um espaço comercial dentro. Matou doze pessoas, e deixou largas dezenas feridas, muitas ainda em perigo de vida.
Há mesma hora, em Alepo, gente, muita gente, continua a morrer enquanto foge sem saber donde e muito menos para onde. Apenas perdidos no meios de escombros e bolas de fogo em que ditadores, assassinos, e diplomatas transformaram a outrora maior e mais cosmopolita cidade Síria.
No mesmo dia, mais hora menos hora de todas estas horas, em Paris, um tribunal provava que a conduta negligente de Christine Lagarde, enquanto ministra das finanças de Sarkozy, num processo com essa figura acima de toda a suspeita chamada Bernard Tapie, custara aos cofres franceses 404 milhões de euros. Mas que isso não tinha importãncia nenhuma... Já não tinha grande importância para a lei, que previa uma moldura penal de um ano de prisão, e uma multa simbólica de 15 mil euros. Teve ainda menos para o Tribunal que a aplica, que entendeu que tão destinta personagem, mesmo que culpada, não poderia sujeitar-se a qualquer tipo de sanção.
Pode ser que nada tenha nada a ver com coisa nenhuma. Mas a mim parece-me que tudo tem um bom bocado a ver com tudo...
Não tem é nada a ver com o Natal!
PS: O jovem refugiado paquistanês suspeito de ter tomado o volante do camion, e nessa qualidade detido, foi já posto em liberdade por não ter sido provada essa suspeita. As minhas desculpas pela imprudência de ter assumido por notícia o que não passava de uma suspeita.
Mês e meio depois depois das eleições, desta vez na segunda terça-feira de Novembro porque na primeira era feriado - e para os americanos os feriados são para descansar e "curtir", não são para votar - cumpre-se hoje, e só hoje, a verdadeira e decisiva eleição do presidente dos Estado Unidos da América.
É verdade: é hoje que Trump será eleito presidente, porque é hoje que os grandes eleitores eleitos há mês e meio vão cumprir a constituição, votando eles agora directamente nos candidatos que então se apresentaram ao voto popular. Que, como bem se sabe, foi em maior parte para a candidatura de Clinton: mais de 2,5 milhões de votos a mais!
Em tese, os resultados da voltação de hoje deste colégio eleitoral podem impedir a eleição de Trump. Não faltaram de resto manifestações e processos com esse objectivo, e o espírito da lei constituicional é esse mesmo: que uns cidadãos mais esclarecidos possam corrigir a vulnerabilidade popular à demagogia e ao populismo.
Ironia máxima: a lei que a Trump aproveita foi exactamente feita para evitar que Trump fosse eleito. Como o feitiço se virou contra o feiticeiro...
No fundo sempre achamos que haveria de aparecer a barreira que travaria Trump, o crivo por onde não poderia passar. Como todos falharam, ainda há quem queira pensar que seja este, no último, "in extremis" que tudo acabe por se resolver. Como quando acordamos de um pesadelo. Mas isso é continuar a dormir...
O homem que faz do governo da maior potência mundial um clube de milionários - para reunir tanto dinheiro como Trump junta na sua administração, numa pequena sala. era preciso encontrar um local onde coubesse um terço dos americanos! -, que já distribuiu todas as raposas por todos os galinheiros, e que já começou a brincar com o fogo, vai mesmo ser hoje confirmado com o 45º presidente dos Estados Unidos da América. E daqui por um mês, como sempre a 20 de Janeiro, passará mesmo a ocupar a Casa Branca de pleno direito.
O jogo desta noite, na deslocação ao Estoril para cumprimento da 14ª jornada desta liga, começou praticamente com a primeira das cinco oportunidades claras de golo que o Benfica criou nos primeiros quinze minutos, o que deixa a ideia da forma como entrou. Fortíssimo, como vem sendo hábito neste tipo de jogos, com adversários que sempre se empolgam por jogar com o Benfica, que correm como poucas outras vezes e que colocam o jogo no quarto do campo onde a sua baliza está instalada.
Só que este hábito, até há duas ou três semanas atrás, dava golos. E deixou de dar. Até então, nessas entradas fortes, o Benfica aproveitava em golos um ou dois terços dessas oportunidades, e os jogos ficavam logo ali resolvidos. A equipa ganhava confiança, o bom futebol fluía, e novos golos iam aparecendo. Mesmo que os índices de aproveitamento fossem caindo, e mesmo que os árbitros fossem deixando por assinalar um ou outro penalti, ninguém dava por isso.
Deixou de ser assim, como hoje se voltou a ver. E as coisas complicam-se, mesmo que não se possa dizer que a equipa joga mal. Porque não joga, não sabe jogar mal. Fica é mais exposta às incidências do jogo. Que todos os jogos têm, como se viu na Madeira, há duas semanas atrás.
Repare-se que o Estoril, que passou o jogo todo lá atrás, teve duas oportunidades claras de marcar: uma na primeira parte, em que a bola até foi ao poste, e outra mesmo no final do jogo. Ambas em situações claras de fora de jogo, que a equipa de arbitragem deixou passar. Se tivessem resultado em golo não havia nada a fazer; não era por terem sido irregulares que deixavam de contar. Como não deixou de contar o golo que deu o empate com o Vitória de Setúbal. Nem o que deu a derrota com o Marítimo…
Este jogo do Estoril foi, assim, bastante preocupante. Até porque desta vez o Benfica, mesmo criando muitas oportunidades, rematou muito menos do que é habitual. E acertou muito poucas vezes com a baliza: cinco ou seis, apenas. O que diz bem da forma com o Benfica desperdiçou o caudal e a qualidade de jogo que criou, capítulo em que sobressaem Gonçalo Guedes e Rafa. Que quando tiver uma relação com a baliza, e até com o último passe, como aquela que tem com a bola, será um jogador fabuloso.
Perante esta má relação da equipa do Benfica com a baliza, Rui Vitória pôs em campo a dupla maravilha que na época passada fez mais de 60 golos. Primeiro Mitroglou, e logo depois Jonas. Finalmente, e esperemos que desta seja a valer. Já o Benfica tinha chegado ao golo, de penalti – na primeira parte tinha ficado por marcar outro, se não exactamente igual, lá muito perto – por Raul Gimenez, ao minuto 61.
Mas nem assim as coisas melhoraram: Jonas esteve lá, no sítio certo, mas nas duas oportunidades a bola ficou a centímetros do lado de dentro da baliza. Não voltaria a entrar, os ponteiros caminhavam para o minuto 90 e os corações benfiquistas apertavam-se. Nessa altura, nesse minuto 90, com a última substituição de Rui Vitória, o ritmo cardíaco disparou: tirou Gonçalo Guedes, e entrou Samaris. A história dos últimos quatro jogos mostrava que o Benfica sofria um golo logo que o miúdo saíra!
A história não se repetiu. Mas lá que esteve perto, esteve…
Quando foi notiicada a Operação O Negativo ficou claro que há gente que está em todas. Disso dei aqui conta, acrescentando-lhe quanto estranhava (aqui, como noutros espaços em que tenho oportunidade de expressar opinião) que, sendo Paulo Lalanda de Castro uma dessas pesoas - é uma das mais destacadas figuras à volta de Sócrates, volta a ser referência nos vistos gold, à volta de Miguel Macedo, fala-se de off-shores, e lá está ele, e é agora figura central neste escândalo de corrupção do plasma sanguíneo - nada se passasse. Era como se continuasse a passar por entre os pingos de uma chuva bem grossa...
Mais estranho me pareceu que no final do dia seguinte (quarta-feira) surgisse a notícia que se teria demitido de todas as suas funções na multinacional Octapharma, de que era presidente para Portugal. Não era bota que jogasse com a perdigota, quer dizer: os pingos grossos da chuva estavam mesmo a molhar. Poderiam era não vir tocados pelo vento certo...
Afinal, sabe-se agora - vá lá saber-se por quê - que o cavalheiro tinha sido detido na quarta-feira na Alemanha, no meio de uma reunião nas instalações da empresa, em Heidelberg. E que só depois de detido, naquelas cicunstâncias, apresentou (ou foi obrigado a apresentar) a demissão dos cargos que ocupava na empresa. Agora sim, as coisas fazem sentido. O que continua sem fazer sentido é que a comunicação social tenha noticiado o posterior acontecimento secundário e ignorado o anterior acontecimento principal. É como não noticiar uma catástrofe para fazer notícia dos efeitos marginais que tenha provocado.
A verdade é que finalmente um desses nomes que está em todas foi detido. Já terá sido presente a um juiz alemão, que terá agora de decidir sobre o processo de extradição para Portugal. Vamos lá ver se esse juiz se não lembra que nestas coisas da corrupção, por cá, às vezes há corruptores mas não há corrompidos. Ou vice-versa.
É que pode ter ouvido dizer que há por lá uns alemães presos porque, num negócio de submarinos com Portugal, corromperam alguém que não foi corrompido...
A conhecida deputada socialista, Isabel Moreira, filha de Adriano Moreira, curiosamente antigo ministro do Ultramar de Salazar - que não impediu um estatuto ímpar de respeito e admiração, e de ser hoje a mais lúcida das vozes que o país ouve - protaganizou ontem na Assembleia da República uma firme intervenção sobre o regime de poder em Angola, que honrou o país e dignificou o Parlamento, mesmo deixando a nu os interesses dominantes.
O pretexto foi homenagear a coragem e a heróica determinação de Luaty Beirão, presente nas galerias, e a intervenção foi verdadeiramente notável. No fim, o discurso foi apaludido de pé pelo grupo parlamentar do Bloco, por cerca de metade dos deputados do seu partido, e por duas deputadas do PSD (consta que outras duas, do CDS, aplaudiram mas não se levantaram). Todos os outros, a imensa maioria constituída por metade da bancada solcialista, por praticamente todos os deputados da direita, e pela totalidade da bancada comunista (verdes incluídos) ficaram do outro lado. Uns, porque o negócio não tem cor. Outros, porque a cor é o negócio. Mesmo que em mau estado...
À medida que vamos conhecendo novas investigações e novas operações policiais - sempre com aqueles nomes patuscos que só a Polícia Judiciária consegue encontrar - vamos percebendo duas coisas. A primeira é "que isto anda tudo ligado": vai sempre dar tudo aos mesmos. Eles estão em todas, chamem-se Operação Furacão, Marquês, Labirinto (Vistos Gold) ou, ainda ontem, O Negativo.
É verdadeiramente impressionante como os nomes se repetem nos mais escandalosos casos de corrupção. Mais impressionante ainda é como saltam de operação em operação sem que nada dê em nada. Primeiro, até que as tímidas medidas de coacção, quando chegam a existir, se esgotem. Depois, quando a acusação tarda, tarda, tarda... Até que, por fim, tudo prescreva!
Entretanto, pelo meio, um ou outro lá vai passando uns meses pela cadeia. Ainda ontem, nesta Operação O Negativo, para lá entrou Luís Cunha Ribeiro, médico, ex-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa. E do INEM.
Mas - e esta é a segunda - com os nomes que são transversais a todas as investigações de corrupção e suborno, que estão em todas - da Operação Furacão à Labirinto, da Operação Marquês à O Negativo, na lavagem de dinheiro, nos vistos gold, ou nos negócios mafiosos com o Estado, na Saúde ou onde quer que seja, envolva altos funcionários, dirigentes ou chefe do governo -, como o homem da Octapharma, Paulo Lalanda de Castro, nunca se passa nada...
Sabe-se que Rui Rio é tido por reserva moral do PSD. Ele próprio tudo tem feio para alimentar de si mesmo uma ideia sebastiânica que faça dele o desejado, sempre à espera da vaga de fundo.
Como não lhe conheço uma ideia para o país, nada que verdeiramente dê substância a esse estatuto de salvador da pátria que lhe pretendem atribuir - apenas lhe conheço a ideia que faz de si próprio: um poço de virtudes desconhecidas que paira acima de todos os defeitos da classe política - tenho alguma dificuldade em afastar da sua testa o invisível rótulo de populista.
Desde que há semanas se deixou de tretas e disse finalmente que estava ali para assumir a liderança do partido - assumir é completamente diferente de conquistar, os sebastiânicos não conquistam nada, aceitam, no limite, no fim de tudo, esgotadas todas as alternativas, e com grande espírito de missão o seu próprio destino - era preciso que dissesse alguma coisa. Alguma ideia, por mais elementar que fosse.
Pois acabou de acontecer esse momento histórico em que o desejado apresenta a sua primeira ideia para o país. E a sua primeira ideia é, imaginem, criar um novo imposto. Exactamente, nem mais, nem menos: um novo imposto!
Ficamos esclarecidos. Tão esclarecidos que nem valia a pena ouvir mais nada...E não valia, de facto. Porque, se ouvi-lo dizer que esse novo imposto não aumentaria os impostos, é ouvir o que há dezenas de anos ouvimos, ouvir a explicação que deu é absolutamente assustador. Dizer que o novo imposto teria correspondência na descida dos impostos sobre o rendimento e no IVA, que se destinaria exclusivamente a pagar os juros da dívida (reforço: os juros, apenas os juros da dívida, e não a dívida, como titulam os jornais), é dizer que corta na educação, na saúde e nas funções sociais do Estado. Sem diferença nenhuma do que tem sido feito. Mas dizer que seria bem recebido pelos portugueses, porque prefeririam pagar dívida - em clara manipulação seriam levados a pensar que estariam a pagar dívida, uma impossibilidade, mas estariam apenas a pagar juros da dívida - a pagar a educação, a saúde e as outras funções do Estado Social, é todo um vasto e completo manifesto político.
Tardou a lançar uma ideia, mas quando a lançou, e mesmo parecendo falar pouco, Rui Rio disse tudo. Disse que vai fazer o que todos antes de si fizeram: lançar impostos. Disse que sobre os juros e a dívida não há nada a discutir, apenas tudo a pagar. Disse o que pensa das funções do Estado. Disse o que pensa do financiamento da saúde e da educação. E disse o que pensa dos portugueses...
Disse tanto, e em tudo o que disse, nada o distingue de Passos Coelho. E se nada o distingue, alternativa não é certamente!
António Guterres, ou Tony Guterres, espécie de nome artístico que o mundo do showbiz da política internacional lhe quer atribuir, vai hoje ser empossado como Secretário Geral da ONU, uma das mais prestigiantes funções do mundo, mesmo que a sua importância real pouco tenha a ver com isso.
Em New York, para assistir ao acto de posse, quando forem três da tarde em Portugal, estará o mundo inteiro. De cá, partiram o presidente Marcelo, o primeiro-ministro António Costa... e o Padre Milícias, para dar um ar de inner circle do homem que o país hoje venera e há pouco anos crucificava.
Com os olhos e o coração em Nova Iorque ninguém vai sequer notar que são hoje conhecidos mais uns capítulos do despudor da governação, e do caracter, de Passos Coelho. Sabia-se o que tinha feito em última hora com a TAP e com os transportes públicos. O que não se sabia é que, nos quatro ou cinco dias do seu segundo governo, saído do último fôlego de Cavaco, teve ainda tempo de entregar aos angolanos a participação do Estado Português na Empresa Nacional de Diamantes de Angola. Nem que Passos Coelho, que ainda no fim de semana se manifestava surpreendido com a forma como subitamente tinha disparado o volume do mal parado da Caixa, tinha afinal mantido escondidos dois pareceres da Inspecção-Geral de Finanças que relatavam justamente o agravamento das imparidades no banco público.
Não admira que, já com a careca toda a descoberto, todos o queiram ver pelas costas. E que os candidados à sucessão comecem a sair da toca, todos ao mesmo tempo.
O derbi eterno não foi nada do que se perspectivava: nenhuma das equipas se mostrou afectada pelo passado recente. Nem o Benfica deu qualquer sinal de desestabilização pelas duas derrotas consecutivas, e em especial pela derrota e pela exibição no último jogo, com o Nápoles, nem o Sporting se mostrou afectado pela derrota na Polónia e pela eliminação das competições europeias. Nem deixou perceber qualquer desgaste físico, nem se percebeu que houvesse ninguém engripado. Talvez por isso se não perspectivasse um jogo de tão alto nível.
A primeira parte foi mesmo do que melhor se tem visto num jogo de futebol. E nesse período o Benfica foi melhor. Saiu para o intervalo por cima no marcador - com um golo que nasce em Gonçalo Guedes (mesmo que carregado por um adversário que o deixou no chão, a torcer-se com dores), e acaba num passe fabuloso do Rafa (a novidade na equipa) para uma entrada fantástica de Sálvio - porque também tinha estado por cima no jogo. Com melhor futebol, mas acima de tudo muito mais limpo: nesse período os jogadores do Sporting paravam sistematicamente os do Benfica em falta. Muitas delas, o árbitro – Jorge de Sousa – deixava por assinalar. E as que assinalava deixava por punir disciplinarmente, quer pela sequência (William Carvalho e Zieglar, pelo menos), quer pela natureza (Ziegler, ainda).
E já que se fala do árbitro – que Jorge Jesus, como é habitual responsabilizou pela derrota, voltando a um filão que não quer abandonar, e de que outros tão bons dividendos estão já a tirar – não se pode deixar de referir aquela jogada que anulou, com lançamento de bola ao solo, quando o Gonçalo Guedes seguia isolado para a baliza do Rui Patrício, por haver uns papeis no campo. Coisa que não faria, na segunda parte, quando o mesmo sucedeu num ataque do Sporting. E porque o Sporting fala de dois penaltis a seu favor terá de dizer-se que, um, uma bola cortada com o ombro pelo Nelson Semedo, é rigorosamente igual a outro, na área do Sporting, praticado pelo Coates. Ambos na primeira parte e legais, evidentemente. O outro no início da jogada do primeiro golo do Benfica, quando o Lindelof corta a bola contra o braço de Pizzi, em movimento de saída da área, faz parte da construção do filão que o Sporting quer explorar.
Fechado este parêntesis sobre a arbitragem, que nos erros que cometeu prejudicou o Benfica, voltemos ao futebol, que continuou a bom nível. Com o Sporting a entrar para a segunda parte com Campbel, no lugar do fraquinho Bruno César, a desequilibrar mais que o Gelson, do outro lado. A uma bola do Sporting no poste, respondeu o Benfica, com mais uma grande jogada de futebol, a dar no segundo golo, pelo Raul Gimenez.
A reacção do Sporting só deu um golo, ia ainda a segunda parte a meio.
No fim fica um bom jogo, a reposição dos 5 pontos de vantagem, e a vitória moral de Jorge Jesus. As ususal… Fica a convicção de Rui Vitória que, contra tudo e contra todos, manteve Luisão na equipa. E Sálvio. E o meio campo. E fica, esperemos, o regresso do Benfica à sua normalidade competitiva: o regresso da confiança, das boas exibições e das vitórias.
O filme foi rodado em 1972 e passou em Portugal logo a seguir ao 25 de Abril – antes era impossível. Foi classificado de drama erótico, mas também poderia ter sido classificado de outra forma. Passou por todo o mundo, e por onde passou, não passou despercebido. Refiro-me ao “Último tango em Paris”, de Bertolluci, que provavelmente pouco dirá aos mais jovens. Já os das gerações mais próximas da minha guardam certamente na memória todos os pormenores.
E em especial as cenas que o trouxeram de novo para o topo da polémica, 44 anos depois: as de uma penetração anal, em ambiente de violação, interpretada por Marlon Brando, então com 48 anos, e a bela Maria Schneider, com apenas 19, em que a personagem masculina recorre a um pacote de manteiga como lubrificante.
Os tempos eram outros, e a humilhação feminina que objectivamente integrava não provocou na altura grande polémica. A própria actriz, falecida em 2011, só muitos anos depois, em 2007, já com 55 anos, se manifestaria humilhada pela cena e revelaria que ela não constava do guião e que ninguém, nem o realizador nem o actor, lhe teriam falado de nada daquilo.
A verdade é que nem essa revelação da actriz, em 2007, saltou para as primeiras páginas dos jornais. Meia dúzia de anos mais tarde, em 2013, e já com ambos os actores desaparecidos (Marlon Brando falecera em 2004), Bertolluci, numa entrevista curiosamente só agora conhecida, confirmaria expressamente a canalhice: "Eu não queria que Maria interpretasse a raiva e a humilhação. Queria que ela as sentisse". Palavras que hoje chocam o mundo, e que trazem o filme de volta para a boca de cena da polémica. Só que agora por razões substancialmente diferentes, o que, para os mais distraídos, mostra bem a distância que as mentalidades percorreram nestes 40 anos. Mesmo que a questão deva ser se 40 anos não terá sido tempo de mais para cumprir essa distância...
* Da minha crónica de hoje na Cister FM
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Morreu hoje, aos 95 anos, John Glenn - o primeiro americano a entrar na órbitra da terra, em 1962. Piloto e instrutor da força aérea, astronauta e senador, foi um dos heróis americanos o século XX. Pelos seus feitos militares, mas especialmente pelo astronauta que foi - chegou a integrar uma missão espacial, de regresso à órbitra da terra, aos 77 anos - no auge da guerra fria, também feita de heróis do espaço.
Já sabíamos que importávamos lixo. O que não sabíamos era que exportávamos esqueletos. Agora é que vai ser... Ora, aí está o modelo: exportar esqueletos... e importar lixo.
Juntamos-lhe o lítio e ... adeus crise. O ouro do Brasil e a pimenta da Índia estão de volta!
O Benfica apurou-se para os oitavos de final da Champions. Sem brilho, não há outra forma de o dizer.
Sem brilho porque o fez com apenas 8 pontos. E isso nunca é brilhante. E sem brilho porque perdeu o jogo, na Luz, com o Nápoles, repetindo o 1-2 da Madeira. E desta vez, ao contrário da última, perdeu bem: sem espinhas. A equipa italiana foi melhor. Na segunda parte foi mesmo muito melhor. E sem brilho porque fê-lo à custa de terceiros: o surpreendente Dínamo de Kiev, que despachou o Besiktas com um resultado improvável na Champions: 6-0!
O apuramento é importante. Muito importante, mesmo, mas o jogo não deixa razões para festejar. Deixa é preocupações. Porque é a segunda derrota consecutiva, porque o rendimento da equipa baixou assustadoramente, e porque há jogadores - e não são poucos - que, de repente, deixaram fugir a grande forma que exibiam. E porque deixa vir ao de cima aquela ideia terrível que, nos grandes jogos, nos mais exigentes, a equipa encolhe-se. Não se consegue impôr.
Vai agora ter de desmentir tudo isso, já no domingo, onde a liderança do campeonato ficou subitamente em jogo. Não é normal o Benfica perder dois jogos consecutivos. Três é impensável!
O primeiro-ministro foi á RTP para ser entrevistado por dois jornalistas - o António José Teixeira e o André Macedo - que, pelos vistos, integram agora a estação pública. Se não for assim, não se percebe.
A entrevista correu-lhe bem, pareceu-me. É, como se sabe, suficientemente tarimbado para que não lhe corresse bem. E também já não há por aí jornalistas suficientemente capazes para o atrapalhar... E deve ter abandonado os estúdios satisfeito, convencido que tudo tinha corrido bem.
O que não lhe deve ter passado pela cabeça é que a RTP da Ana Lourenço (ok. Eu mudo: a Ana Lourenço da RTP) chamaria a brigada "pafista" do Observador, ainda com um reforço cedido pelo Dr Balsemão, para durante uma hora lhe darem cabo da entrevista. Escolhidos a dedo: José Manuel Fernandes, Helena Garrido, David Dinis e João Garcia!
Em contraste com o tempo frio e chuvoso do inverno que começa a apertar, este era um fim de semana de alta temperatura política aqui pela Europa.
Na Àustria, que antecipou em quase duas décadas o esgotamento do centrão que serviu de forma de governo à Europa do pós-guerra, e o reforço da extrema-direita, votava-se para as presidenciais. E temia-se pela eleição de Norbert Hofler, o candidato da expressiva extrema-direita austríaca, naquilo que vinha sendo prognosticado como a primeira presidência engolida pelo tsunami nacionalista e xenófobo que está previsto assolar a Europa neste ciclo eleitoral que se está a iniciar. Para já, e pela Áustria, não se confirmaram essas premonições: o novo presidente austríaco é Alexender Van der Bellen - que já havia sido o mais votado na primeira volta, em Maio -, um ecologista e um progressista.
Em Itália votava-se num referendo (mal estruturado) para uma complexa revisão constitucional (não deve ser fácil conceber um modelo simples e eficaz de referendar alterações que mexem com mais de 40 artigos da Constituição) que o primeiro-ministro italiano resolveu simplificar transformando-o num simples plebiscito ao seu governo. Quando Renzi, há mais de quatro meses, anunciou que se demitiria se o "não" ganhasse, deixou tudo mais simples: afinal os italianos já não tinham que se preocupar muito se faz sentido (que não faz) que o Senado e a Câmara dos Deputados tenham o mesmo poder e façam a mesma coisa; ou se o sistema eleitoral deve facilitar a constituição de governos, favorecendo os grandes partidos (que, com 40% dos votos garantiam 54% dos lugares) para reduzir o incómodo dos pequenos - só tinham que dizer se queriam ou não aquele governo.
E não quiseram... Tão claramente que Renzi nem precisou de muito tempo para declarar finito o seu governo.
Também aqui estamos perante o copo meio cheio. Está meio cheio se entendermos que os italianos simplesmente disseram que querem outro governo, e que acham que vivem bem com o sistema político com que sempre viveram. Isso é normal em Itália, habituada a mudar de governo como quem muda de camisa, sem que daí venha mal ao mundo. E a eles próprios, a oitava economia do mundo...
Mas o copo já poderá estar meio vazio se a este se seguir outro, já colocado na agenda política pela maior parte da forças agora vitoriosas, para decidir a continuidade na União Europeia.
A Europa está de cabelos em pé. Será bom que respire fundo, reflita e corrija o rumo. Mesmo que se saiba que em Itália tudo é diferente. Que a Itália é diferente, tão diferente que nenhum outro país sobreviveria às condições em que tem crescido. E afirmado!
O Benfica perdeu, hoje na Madeira. Com o Maítimo, à décima segunda jornada e à entrada de um ciclo de elevado grau de dificuldade que faz deste Dezembro um mês complicado.
Já não perdia há muito tempo e, embora muitos o desejassem, ninguém pensaria que acontecesse hoje. Porque ainda há duas apenas semanas cilindrara esta equipa do Marítimo, no jogo da Luz, para a Taça, com uma enorme exibição e uma gorda goleada de 6-0. E porque a equipa atravessa - sim, no presente do indicativo - um período de grande consistência, em grande forma, com um futebol demolidor, com soluções para todos os problemas...
Mas aconteceu, e o Benfica perdeu hoje a invencibilidade no campeonato. E deixou de integrar o restrito grupo de três equipas invictas em toda a Europa: sobram agora o sensacional Leipzig, na Alemanha, e o Real Madrid.
A equipa não entrou bem, é certo. Entrou a perder, com um golo aos 5 minutos, num erro colectivo a que Luisão emprestou a cara. O Benfica reagiu de imediato, e pouco tempo depois já lá estava o seu futebol habitual. Em cima do adversário, asfixiando-o, com o carrossel a funcionar em pleno. Uma única excepção, ali pelo minuto 20, quando o Ederson, com duas defesas consecutivas de grande qualidade, evitou o segundo golo. Foi claramente uma excepção, as oportunidades sucediam-se, como se sucediam as faltas dos impunes jogadores do Marítimo, e era praticamente garantido que o golo do empate chegaria depressa. E que os outros viriam a seguir...
Tardou, mas não muito. O empate chegou à passagem da meia hora, com um remate de Nelson Semedo a sofrer um desvio, sem o qual não daria em golo, na única gota de felicidade que hoje estava reservada para os tri-campeões. Que sairia bem cara!
Ainda se não tinha percebido isso, e apesar de o guarda-redes Gotardi começar a parecer instransponível, a ilimitada confiança na equipa deixava os adeptos convencidos que ao intervalo já o marcador teria dado a cambalhota. Não foi assim, o golo não aparecia mesmo. Mas havia ainda toda a segunda parte...
Logo no arranque a bola saiu da cabeça de Salvio para bater na barra, e não entrar. A partir daí, ou o guarda-redes do Marítimo fazia milagres, ou a bola saía centímetros ao lado. Ou por cima. E pronto, lá se voltou a cumprir a eterna profecia do futebolês: quem não marca, sofre. Na únca vez em que o Marítimo saiu lá de trás, foi a vez do erro ganhar a cara do André Almeida. Por três vezes, o que, convenhamos, é demais: primeiro foi anjinho, e permitiu que um adversário lhe roubasse uma falta (os jogadores do Marítimo mandavam-se permanentemente para o chão, e o árbitro fazia-lhes sempre a vontade); do livre, a bola chegou-lhe, na esquerda e, com uma rosca, devolveu-a para a área, à mercê do remate de um adversário, que resultaria num canto; por fim, no canto, deixou o adversário saltar à vontade para marcar o golo que ditaria a derrota.
Faltavam 20 minutos, mas nem cinco sobraram para jogar. A partir daí os jogadores do Marítimo não permitiram mais que se jogasse à bola. Sempre no chão, um de cada vez e o guarda-redes nas vezes todas.
A Pátria tem um novo salvador: Paulo Macedo. Começou há uns anos com algumas reticências... Algumas hesitações e depois algumas exigências, mas depois vestiu-lhe a pele e não a larga mais...
Agora acreditamos mesmo que salva a Pátria. Dentro da Caixa!
Esta semana, rica em acontecimentos, nacionais e internacionais, fica inevitavelmente marcada pela tragédia da passada terça-feira, na Colômbia: um avião despenhou-se, ao que se sabe por falta de combustível, a poucos minutos de aterrar no aeroporto de Medellin, com 81 pessoas a bordo, entre tripulantes e passageiros, estes jogadores, técnicos e dirigentes de uma equipa brasileira de futebol, e jornalistas que iam fazer a cobertura do jogo – uma final de uma competição sul americana. Sobreviveram cinco pessoas: duas da tripulação, dois jogadores e um jornalista.
A causa próxima, falta de combustível, ficou de imediato evidente pela circunstância de o avião se não ter incendiado. As causas dessa causa são agora conhecidas, e voltam a ter outra causa próxima: violação das regras básicas de segurança. Com causa na inaceitável quebra do que deveria ser a obrigatória segregação de funções de pilotagem e de propriedade da aeronave. As dificuldades financeiras da empresa fizeram o resto, em dois tempos. Primeiro, em prováveis dificuldades no abastecimento de combustível e, depois, na ocultação da falta de combustível á torre de controlo do aeroporto, pela penalização financeira que tal circunstância comporta.
Não era nenhuma das mais sonantes equipas de futebol do Brasil. A Chapecoense é o clube da pequena cidade de Chapecó, no município de Santa Catarina, a sul de S. Paulo, com uma história curta mas de grande sucesso, um verdadeiro case study do futebol brasileiro. Em menos de dez anos passou da quarta divisão à primeira, e a final que ia disputar com o histórico Atlético Nacional era o conto de fadas que aqueles jogadores, técnicos e dirigentes estavam a viver. Que acabou ali, de forma dramática e brutal, no meio de chapas e ferros retorcidos.
A tragédia abriu a porta a uma onda de solidariedade a todos os títulos notável. Do futebol, tantas vezes mal tratado, especialmente pelos seus próprios agentes, não pararam de chegar demonstrações de que ainda tem espaço para a virtude. Que tem muito mais para dar do que aquilo que nos querem mostrar todos os dias.
Começou logo com o adversário nesta final a declarar que o troféu já só poderia ter como destino o clube de Chapecó. E com a homenagem dos adeptos no estádio, à hora em que o jogo se deveria realizar. Seguiram-se dezenas de clubes a oferecer jogadores para o clube reconstruir o plantel. Donativos de receitas inteiras, como a do próximo Barcelona – Real Madrid. Fala-se ainda de uma generosíssima contribuição de Cristiano Ronaldo.
Interesses mesquinhos de gente sem escrúpulos deixaram o futebol de luto. A dimensão desta resposta solidária deixa-o de parabéns!
* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Importar lixo é coisa estranha. Cheira mal!
Com tantos problemas de balança comercial, a última coisa que se imaginaria importar era justamente lixo.
Importar lixo impreganado de resíduos perigosos piora ainda o cheiro. É nauseabundo. Quando essa importação é efectuada por uma empresa de um Secretário de Estado do Ambiente do último governo, o cheiro é insuportável, e o ar torna-se irrespirável.
É verdade, o responsável por esta estranha importação chama-se Pedro Afonso Paulo, e foi Secretário de Estado do Ambiente no governo de Pedro Passos Coelho. Muito lixo, cheio de gente tóxica!

Importar lixo é coisa estranha. Cheira mal!
Com tantos problemas de balança comercial, a última coisa que se imaginaria importar era justamente lixo.
Importar lixo impreganado de resíduos perigosos piora ainda o cheiro. É nauseabundo. Quando essa importação é efectuada por uma empresa de um Secretário de Estado do Ambiente do último governo, o cheiro é insuportável, e o ar torna-se irrespirável.
É verdade, o responsável por esta estranha importação chama-se Pedro Afonso Paulo, e foi Secretário de Estado do Ambiente no governo de Pedro Passos Coelho. Muito lixo, cheio de gente tóxica!
Hoje é o dia da Restauração. Da restauração da indepedência, há 376 anos. E da restauração do feriado, que uns fundamentalistas troikistas achavam que fazia mal ao país.
Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...