quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CORRIDA ESTRAGADA?

Por Eduardo Louro


 


Marcelo Rebelo de Sousa e Durão Barroso estavam a ensaiar uma corrida que estava a despertar grande entusiasmo. Os apostadores estavam já esfregavam as mãos, mas parece-me que vão sair frustrados.


É que o Presidente da Comissão Europeia acaba de se estatelar e sair disparado da pista. Num país com um mínimo de decência não teria a mínima hipótese de regressar à pista, mas por cá nunca se sabe!


Ao dizer assim, que Portugal é o único culpado pela crise e que a União Europeia nada tem a ver com isso, Durão Barroso não revela apenas falta de vergonha. Revela também falta de inteligência política. E essa é que é a novidade!

SEM NOTÍCIAS!

Por Eduardo Louro


 


Ninguém nos diz nada do que a Troika por aí anda a fazer. E a curiosidade é muita, até porque desta vez não vem para assinar o cheque.


O governo não diz coisa nenhuma. Anda calado. O primeiro-ministro vai aqui e ali, todos os dias sai e todos dias é vaiado, entre pela porta da frente ou pela dos fundos. Mas não diz mais nada que generalidades. “Que compreende os protestos, mas que não resolvem problema nenhum” – e não sai daqui!


Percebe-se que está simplesmente à espera que o 2 de Março passe. Até sábado nada se saberá: não se saberá o que anda a Troika a fazer, não se saberá nada das conclusões há muito cozinhadas e, acima de tudo, não se saberá nada do tal programa de cortes, que tinha de estar concluído em Fevereiro. Que já está em posse da Troika, destes que aqui andam ou doutros quaisquer. Se, como bem sabemos - e toda a gente quis que soubéssemos – foram até eles que o fizeram…


Hoje, que a Troika tirou o dia para os parceiros sociais, pensamos que, de patrões a sindicatos, alguém nos daria notícias. E deram. Só que foi como se não dessem…


A UGT diz que a Troika vai flexibilizar. A CGTP diz que se mantém inflexível.


A CIP diz que a Troika vai aliviar a austeridade e que se mostrou aberta ao investimento e ao desagravamento da carga fiscal. A CCP confirma-lhe a inflexibilidade, e diz-se mesmo convencida que, pelo contrário, a Troika se prepara para agravar a austeridade.


Sem ponta por onde se lhe pegue...

NOTÍCIA INOPORTUNA

Por Eduardo Louro


 


Em dia de aniversário – faz hoje 109 anos – o Benfica anuncia que o seu canal televisivo contratou os jogos de futebol da Liga Inglesa.


Luís Filipe Vieira tinha anunciado para hoje, não exactamente uma prenda, mas uma notícia relevante para o universo benfiquista. Aí está!


À partida esta será uma notícia que poderá revolucionar o paradigma do futebol em Portugal. Poderá quer dizer à Olivedesportos, sem deixar espaço a quaisquer dúvidas, que não andou a fazer bluf. Que o contrato chegou ao fim. Que acabou mesmo. Que não há renovação e que o Benfica vai mesmo para a frente com o seu futebol no seu próprio canal.


Poderá… Mas se assim for é inoportuna!


Não faço ideia se seria possível mantê-la em segredo. Não faço ideia se seria possível escondê-la da empresa de Joaquim Oliveira. O que sei é que a Olivedesportos, a partir do momento em que tenha por certo e garantido que o Benfica lhe fugiu, não mais deixará a equipa em paz. O que é certo é que, se assim for, nesta parte final do campeonato irá valer tudo!


Mas também poderá não querer dizer nada disto. E que, sendo a Liga Inglesa é um grande produto de televisão, sirva apenas para juntar ao pacote Benfica e baralhar as contas do negócio com a Olivedesportos. É que este verdadeiro patrão do futebol português tem todos os contratos indexados ao do Benfica…


Também pode servir para deixar tudo na mesma. Apenas com Joaquim Oliveira a abrir tanto os cordões à bolsa quanto obrigue Luís Filipe Vieira a aceitar. Com a devida valorização da Liga Inglesa: business as usual!


Mas se assim for é igualmente inoportuna: não se faz isto em dia de aniversário!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

DESCARAMENTO

Por Eduardo Louro


 


Percebeu-se. E…pronto, compreende-se!


Percebeu-se que Jorge Jesus queria deitar fora a Taça da Liga, mas sem perder. Era importante manter a invencibilidade nas provas nacionais. Tanto quanto fugir a mais um jogo no sobrecarregado calendário que está pela frente.


Só assim se explica que tenham sido escolhidos Roderik e Luisão para marcar as grandes penalidades. E o Artur até começou por complicar, ao defender logo o primeiro penalti…


Para trás ficara a mudança de discurso de Jorge Jesus, introduzindo-lhe o qb de ambição que se saúda: “queríamos jogar todos os dias”… Assim, está bem!


Ficara a apresentação de uma equipa que não hipotecava coisa nenhuma. Nem os jogos que aí vêm nem aquele mesmo. A equipa, por mais estranha que possa ter parecido, era suficiente para ganhar a este Braga e revelou, sempre e em todos os pormenores, uma superioridade técnico-táctica evidente. Mas não era para ganhar. Não queria ganhar, mas também não podia perder. Para isso nada melhor que aquele futebol da segunda parte: o futebol  sem balizas de Aimar e Gaitan, o futebol exibição em passes de tango.


No primeiro remate, logo no início do jogo, a bola foi bater na trave. Era arriscado rematar, e por o Benfica não o fez por mais que cinco ou seis vezes. O árbitro, que noutras condições teria feito um trabalho verdadeiramente vergonhoso, desta vez ajudou. E fez vista grossa a dois penaltis sobre o Gaitan, da última vez já mesmo nos últimos minutos.


Imaginem que os tinha assinalado. O que é que se não diria da escolha do Roderik para os marcar?


Compreende-se, mas foi grande o descaramento!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

COISAS DE HOJE X

Por Eduardo Louro


 


Assistimos hoje a um acontecimento inédito: a despedida do Papa!


Roma não tem agora nem Papa nem governo. E há quem queira que as coisas assim se mantenham… Sem Papa e sem governo!

O SUPER CLÁSSICO

Por Eduardo Louro


 


O jogo que de há uns anos a esta parte se transformou num clássico planetário, mobilizando paixões por todo o mundo, teve hoje mais uma edição. Desta vez em Barcelona, e servia para apurar um dos finalistas da Taça de Espanha, por lá chamada de copa do Rei. Mas isso é sempre o que menos importa!


Importa o jogo e as emoções que desperta, importa o resultado e …importam Cristiano Ronaldo e Messi!


O Real Madrid ganhou por 3-1, e porque tinha empatado em Madrid (1-1), há cerca de um mês, irá disputar a final. O Barcelona continua sem conseguir ganhar ao rival de Madrid, nesta que é claramente a pior do Real de Mourinho: não deixa de ser curioso que é na sua pior época que a equipa de Mourinho se superioriza claramente ao Barcelona.


E se o jogo acabou em 3-1, o duelo especial entre C. Ronaldo e Messi acabou em goleada. Das antigas: dez a zero para o CR7!


O Cristiano Ronaldo, o único jogador a marcar sempre em Camp Nou, marcou dois golos – os decisivos primeiros dois (Varane, o francês de 19 anos que é já um dos melhores centrais do mundo, e que já fora decisivo no jogo de Madrid, marcou o terceiro) –, manteve sempre a defesa catalã em pânico, atacou, defendeu, construiu e marcou… Messi, não fez nada. Rigorosamente!


E sábado há mais. Dizer que será um jogo diferente não é mais que um lugar-comum. Dizer que será um jogo sem história, é blasfémia. É um jogo para o campeonato, que o Barça tem no bolso e que para o Real já não conta. Surge na véspera de dois jogos decisivos para ambos na Champions – se o Real se desloca a Manchester com necessidade absoluta de ganhar, parte com um empate a um golo, tal e qual como no jogo de hoje, o Barcelona recebe o Milan obrigado a recuperar de uma derrota de 0-2 – mas pensar  que as duas equipas o abordem em regime de poupança, é desconhecer o que é este super clássico.


São jogos que cansam só de ver. Não há volta a dar-lhe!

UMA QUESTÃO DE SUSTO

Por Eduardo Louro


 


Os mercados estão à beira de um ataque de nervos com os resultados eleitorais em Itália. A Europa não está mais tranquila, e a Alemanha, essa, já arranca cabelos!


Mas o que mais marcadamente caracteriza estes resultados das eleições em Itália é a normalidade. E a previsibilidade.


É o resultado normal porque, em boa verdade, a instabilidade política, e até a ingovernabilidade, é a principal característica do sistema político italiano. Foi sempre assim no pós guerra, e só deixou de o ser nos últimos anos, com os governos do Il Cavaliere, essa figura única nascida das cinzas do sistema, depois do ciclone que no final do século arrasou o edifício político do país.


E é um resultado previsível depois desta pouco original ingerência da União Europeia (UE) na política italiana. Na verdade Bruxelas resolveu suspender a democracia em Itália e impor aos italianos um governo de comissariado próprio em substituição do governo que tinham elegido. Impndo aos italianos, não só - como aos portugueses e aos gregos - uma política de austeridade, mas também um governo para a executar, nem a UE, nem ninguém, poderia esperar que os italianos votassem de outra maneira.


Aconteceu em Itália, como já tinha acontecido na Grécia – onde a solução acabaria por passar por novas eleições, onde os eleitores foram sujeitos à humilhação máxima de votar sob a ameaça de uma arma alemã apontada à cabeça. Não aconteceu em Portugal porque não houve eleições, tudo aconteceu em plena primavera do ciclo político. Mas lá virá!


Não se sabe bem quem ganhou as eleições. Acontece o que é costume: todos ganham, e ganham todos à medida de quem faz a avaliação. Bersani e Berlusconi dividiram 70% dos votos, mas para a direita, Berlusconi ganhou sem qualquer sombra de dúvida. E para o centro esquerda foi Bersani o vencedor. Para a esquerda, o Movimento 5 Estrelas do humorista Beppe Grillo – um movimento de cidadania, em terceiro lugar na contagem dos votos, com 25% - foi o grande vencedor destas eleições.


Mas sabe-se quem perdeu: Monti, o homem da Goldam Sachs, o comissário de Merkel. O homem dos mercados - que não o dos italianos – serviu para fantoche. Agora não fica a servir para nada. Nem certamente para muleta de Bersani!


Não sei se estas eleições italianas resultam no caos. Mas sei que estes resultados assustam mais os mercados e a nomenklatura europeia que os italianos. E como o que mais por cá falta é mesmo quem possa assustar os actuais senhores da Europa, esta é uma boa notícia!


 

LER OS OUTROS

Por Eduardo Louro


 


A propósito de dinossauros e deste meu escrito (meio sarcástico) recomendo a leitura deste outro (em tom sério), do Luís Meneses Leitão no Delito de Opinião. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DAR PAI À CRIANÇA

Por Eduardo Louro


 


Aí está a sétima avaliação da troika. A do princípio do fim!


A do princípio do fim da intervenção externa, disse – ironicamente, digo eu - o ministro Gaspar. Não é! Esta só poderia ser uma avaliação fatal: os objectivos impostos pela troika estão cada vez mais longe, inatingíveis mesmo. Falhados. O orçamento que o governo - e a troika - pretendeu, contra tudo e contra todos e especialmente contra os factos e a realidade, que fosse levado a sério, implodiu: não resistiu sequer ao primeiro mês de execução. O governo já deitou a toalha ao chão, e fez o que sempre disse que nunca faria: pediu mais tempo. E mais tempo é sempre mais dinheiro!


Tudo razões mais que suficientes para Vítor Gaspar estar de coração nas mãos. Mas não está! Nota-se claramente que não está, e teve até o desplante de anunciar aquele princípio do fim…


Não sobrando grande suspense sobre os resultados desta avaliação – esta é, mais que qualquer outra, uma auto-avaliação – crescem no entanto as expectativas sobre a forma como serão comunicados. Sobre o que será dito e como será dito…


É que, como se costuma dizer, chegou a altura de dar pai à criança!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

COM TRANQUILIDADE...

Por Eduardo Louro


 


Jogo tranquilo como se pretendia - nesta altura não se pode pedir mais – com uma vitória clara sobre aqueles que são, também nesta altura, os melhores dos outros. E que sabem jogar à bola!


No ombro a ombro com o Porto, nesta jornada à esquina da semana europeia, o Benfica, com muito menos tempo de recuperação (menos dois dias), até se saiu melhor: com um jogo mais conseguido, com uma exibição bem mais tranquila - deu até para rodar alguns jogadores -, com melhor qualidade de jogo e com um resultado, também ele, melhor.


Nesta ronda o Benfica sai por cima. Não conta para nada mas, quando todos os pormenores contam, também não é negligenciável!


 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MISTÉRIO DESVENDADO

Por Eduardo Louro


 


Está finalmente descoberto o grande enigma da lei da redução dos mandatos autárquicos. A descoberta aconteceu em Belém, e é de lá que acaba de sair a boa nova: é um problema de contracção da preposição. Haver ou não haver contracção – eis a questão!


Descobriu Cavaco que houve “um erro na publicação da Lei de Limitação dos Mandatos Autárquicos com a troca de um "da" por um "de" (onde está escrito "de" devia estar "da")”. E se descobriu isso, descobriu ainda uma coisa mais interessante: o espírito da lei, o verdadeiro Graal deste mistério que vem apaixonando a política nacional.


Há um erro: está escrito “de”, quando devia estar “da”!


A lei publicada em 29 de Agosto de 2005, impede um presidente de (Câmara ou Junta) de se candidatar após três mandatos sucessivos. Mas o decreto que o presidente recebera e promulgara impede o presidente da (Câmara ou Junta) nessas condições. Afinal o espírito (da lei) andou todos estes anos a penar por Belém (ou terá sido pela Travessa do Possolo?).


Pronto: já só há que mandar republicar a lei. Já agora, poderiam aproveitar para, por via das dúvidas, escrever que o presidente da Câmara de Gaia pode recandidatar-se à do Porto, o de Sintra à de Lisboa (o Futre agradece), o de Caldas à de Loures, o de Santarém à de Oeiras… Mas atenção: lá para o Alentejo também deverá haver umas quantas…


E ainda há por aí quem diga que este Presidente da República – aqui não há dúvida – não serve para nada…


 


 

CUMPLICIDADES

Por Eduardo Louro


 


Não sei o que ache mais normal. Se a solidariedade dos socialistas mais socratizados com o ainda ministro Relvas, se a deste governo com os socialistas mais socratizados, ao dizer agora que a culpa disto tudo é do exterior…


Tão cúmplices que eles são!


Um a um, os mais proeminentes socratistas (já outra coisa é o que faz Fernanda Câncio, não que seja menos socratista, mas porque não usa uma mão para lavar a outra) saltam em defesa de Relvas. Ninguém quer ficar para trás, vá lá saber-se porquê. E já não é de agora que, para Passos Coelho, a recessão em que o país mergulhou é culpa dos outros. Há um ano, como agora, o mal vem de fora. Como já Sócrates dizia, e como os seus discípulos ainda agora obrigavam Seguro a reconhecer. Por escrito!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

UMA QUESTÃO DE DISCURSO

Por Eduardo Louro


 


O Benfica apurou-se para os oitavos da Liga Europa, depois de nova vitória, agora na Catedral, sobre os alemães das aspirinas, deixando o Jorge Jesus como que em estado bipolar.


A coisa chegou a estar feia, especialmente na primeira parte. E os primeiros minutos da segunda parte não auguravam nada de melhor… Às duas bolas no poste da primeira parte seguiu-se, na parte inicial da segunda, um golo que não viria a valer, anulado por um fora de jogo bem menos evidente que o do João Moutinho, que deu o golo que valeu… a vitória sobre o Málaga. Sendo em fora de jogo, o golo da equipa alemã não podia valer, porque, como os homens, os foras de jogo não se medem aos palmos. Assinalam-se. Mas nem todos, como se sabe!


Quer isto dizer que o Benfica teve alguma sorte? Sim, teve. Mas seria um crime de lesa futebol que uma equipa que marca dois golos como o do Cardozo, na Alemanha, e o do Ola John, há pouco, fosse eliminada. E – francamente – o Benfica demonstrou ser melhor que o Bayer Leverkussen. Grande parte dos jogadores do Benfica é melhor que os que trazem a marca da aspirina ao peito. E quando a equipa deixou de estar atada ao discurso do seu treinador soltou o seu futebol e mostrou claramente a sua superioridade. E no fim de contas acabou com mais oportunidades de golo que o adversário...


Não bato mais no ceguinho, mas o discurso de Jorge Jesus é simplesmente lamentável. O que é que interessa o que interessa mais? Como é que se pode desvalorizar uma competição e, ao mesmo tempo, injectar ambição - o dínamo das vitórias – nos jogadores? Como é que se pode reclamar de favorito a uma prova de que sempre diz não ser prioritária, que só estorva? Como é que se pode motivar uma equipa para uma competição quando se diz que ela inviabiliza o objectivo principal? O objectivo principal é isso mesmo, o mais importante entre vários, se não seria único!


Dizer que quem primeiro sair das competições europeias é que ganha o campeonato é tão disparatado como estar neste momento a enviar mensagens de motivação para os jogadores do Paços de Ferreira. Para apelar à presença do público no próximo jogo com o Paços seria preciso  dizer que é tão importante como os jogadores? Que vai ser preciso o seu apoio porque a equipa vai passar por dificuldades? Os adeptos conhecem bem as dificuldades por que a equipa passa, não precisam de alertas públicos que motivem os adversários!


Definitivamente: não há ninguém que ensine o básico, os mínimos da comunicação a este homem?


Ai se ele não soubesse só de futebol…

PASSAR AO LADO

Por Eduardo Louro


 


Decidi passar ao lado do tema do dia – o assédio sexual de que é acusado o bispo D. Carlos Azevedo que, remontando a acontecimentos com 30 anos, prova que o passado não prescreve e que, servindo os interesses de alguém, estará sempre pronto a saltar para a actualidade – para regressar a Relvas e à indignação que por aí anda por parte daqueles que acham que a democracia está em riso.


Vejam bem ao que isto chegou: a democracia está em risco porque há muita gente que não está disposta a tolerar o que um ministro que está envolvido em tudo o que se sabe e que, noutro sítio qualquer minimamente democrático e de vergonha, há muito que não era ministro. Nunca sequer teria chegado a ser!


A democracia e a liberdade não estão em risco quando Relvas pressiona e condiciona a imprensa, quando ludibria e engana tudo e todos, seja nas suas supostas qualificações seja nas suas actividades públicas e privadas. Quando insiste em permanecer no poder à revelia de sentimentos tão básicos e estimáveis como a vergonha, a decência e o respeito pelos outros, já para não falar do sentido do ridículo.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida uma personagem como o ministro Relvas, de quem se não conhece um pensamento estruturado, de quem se não conhece uma linha escrita sobre o que quer que seja, para uma conferência de pensadores.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida - serão estes convites inocentes? - uma personagem como o ministro Relvas para encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando o primeiro-ministro segura este ministro Relvas sem perceber que é um problema de higiene pública. Sem perceber que destrói a autoridade do governo para manter a política que prossegue e que mina o moral que ainda resta ao país para a tolerar.


A democracia e a liberdade não estão em risco quando uma se restringe a, de quatro em quatro anos, depositar um voto iludido por promessas nunca cumpridas, e a outra à de aceitar isso como uma inevitabilidade.


Não. Isso é para passar ao lado! A democracia e a liberdade estão em risco quando, fartos e cansados de tudo isto, fartos e cansados de serem enganados, fartos de desilusões e cansados da mentira, fartos de aturar gente que já não se pode aturar e cansados de sacrifícios que só a eles tocam, há gente que canta e grita para tão simplesmente dizer: nós sabemos quem és e por onde tens andado. Nós sabemos onde e com quem estiveste na passagem de ano. Vai-te embora, tem vergonha, sai daqui que já não te queremos ouvir…


Haja decência. Quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

DESASSOSSEGOS

Por Eduardo Louro


 


Como há poucos dizia a verdade começa a passar por aí. Os dogmas indiscutíveis de ontem vão caindo, um após outro.


A descoberta da verdade e o abandono de dogmas são, normalmente, boas notícias. Será que o são aqui e agora?


É sempre melhor conhecer a verdade que viver na mentira. É sempre melhor saber que já não há dogmas, e que é possível escolher outros caminhos.


Mas por que é que em vez disto aumentar a nossa tranquilidade aumenta o nosso desassossego?


Porque percebemos que isso é apenas a consequência de bater na parede. Na parede que sempre ali esteve, que sempre se disse que ali estava…


Porque vamos finalmente percebendo que tudo é muito mais complexo e difícil do que nos quiseram fazer crer. Que nada é tão simples como termos vivido acima das possibilidades. Que devíamos ter feito coisas que deixamos por fazer, e que continuamos a deixar de lado, como se não fossem os verdadeiros nós górdios que prendem o país…


Porque vamos percebendo que na Europa a coisa está também preta. Que a UE não é mais uma União, mas um safe-se quem puder. E que cada uma esta á fazer pela sua vida, sem que nós façamos nada pela nossa. Que o Ocidente precisa urgentemente de respostas novas e que é preciso estar à altura de as procurar…


Porque, à medida que vamos percebendo estas coisas, olhamos para quem nos comanda, a quem entregamos o leme nesta tempestade, e vemos Passos Coelho, Relvas, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira…


Porque, percebendo que com gente desta não temos qualquer hipótese, olhamos para as alternativas e vemos… António José Seguro… Porque percebemos que estamos condenados a não sair daqui…


Dramático!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

UM CERCO QUE SE APERTA

Por Eduardo Louro


 


Pois! Se não tem vergonha...que tenha medo. Ou outra coisa parecida...

GENTE EXTRAORDINÁRIA XXXIV

Por Eduardo Louro


 


Gente extraordinária, estes advogados que nem sabem em que tribunais devem dar entrada as acções que preparam…


Gente extraordinária, esta que, por mais voltas que se dêem, nunca é agarrada… Não lhe bastou desgraçar milhares de pequenos accionistas…

COISAS QUE IRRITAM

Por Eduardo Louro


 


Passos Coelho e Miguel Relvas foram ontem, uma vez mais, objecto de apupos e de manifestações hostis. O primeiro-ministro, em Aveiro, onde se deslocou para participar numa conferência da “Global Compact Network”,  e o seu ministro mais que tudo, em Gaia, onde o objecto da deslocação era a participação num encontro de um Clube dos Pensadores.


Acredito que a participação destes dois principais responsáveis do PSD e do governo seja importante para os organizadores daquelas conferências. Se não o fosse não os convidariam. Já para os próprios, não vejo, nesta altura do campeonato, qualquer ponta de interesse. Antes pelo contrário!


Mas, se vão, é porque certamente vêm algum interesse. E é isso que é preocupante, porque confirma o seu total afastamento da realidade do país. De Relvas já sabíamos que simplesmente não se enxerga. Acha que bastou passar três ou quatro meses em hibernação para regressar ao seu papel de eminência parda como se nada se tivesse passado. Depois, ambos - um e outro – estão-se nas tintas para o país, no conforto da presunção de que não têm que prestar contas a ninguém. Que se lixem as eleições!


Ninguém sabe – nem quer saber – o que é que Passos Coelho foi fazer a Aveiro. Ninguém sabe de que é que a conferência tratou, nem sequer o que é isso da “Global Compact Network”. A notícia são os protestos… A notícia é que Passos Coelho fugiu dos manifestantes!


Ninguém sabe o que é que Miguel Relvas foi fazer a Gaia. Nem o que é o Clube dos Pensadores. O que se sabe é que se cantou Grândola Vila Morena. O que se sabe é que ele, sem sentido de ridículo, tentou acompanhar o cântico. O que se sabe é que foi chamado de fascista, e que o pensador moderador da mesa se irritou profundamente… Provavelmente por não ter pensado que o pensamento de Relvas é a coisa que hoje mais irrita o pensamento dos portugueses!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...