sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lagarde anuncia contratação de Gaspar para o FMI

Por Eduardo Louro


 


 


Ora aí está. Nao é exactamente novidade. Nem este novo emprego do quarto elemento da troika, nem a confirmação de que a melhor qualificação que há em Portugal é a de ex-ministro! 


E para que a coisa parecesse mais limpa nem faltou trabalho de lavandaria...


 


 


 


 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A chama ... imensa

Por Eduardo Louro



 


Sem as facilidades que os números (3-0) sugerem o Benfica garantiu o apuramento para os oitavos da Liga Europa. Até porque foi sempre ficando a sensação que a equipa estava brincar com o fogo, deixando correr o jogo sem se aperceber que, assim, equipa grega ia mantendo acesa uma chama que não ateava apenas o fogo com que os jogadores do Benfica brincavam.


Não deixa de ser curioso que essa chama, que os jogadores do PAOK procuravam segurar como quem segura uma vela milagreira, tenha partido nas mãos de um jogador que o público da Luz não esquece. Katsouranis saiu sob forte aplauso da bancada, mas levou com ele essa chama, deixando que no relvado ficasse apenas a chama imensa. E com essa não se brinca, essa queima mesmo o adversário!


Na sequência da falta que lhe valeu a expulsão – indiscutível – Gaitan abriu o marcador com um golo soberbo, na marcação do respectivo livre. Depois, contra dez, vieram mais dois golos - o último mais uma obra-prima do Markovic – e poderiam ter surgido muitos mais. Que a equipa há muito devia ao jogo!


E a rotação de jogadores continua. Desta vez a equipa inicial repetiu apenas dois jogadores (Luisão e Sílvio) da equipa que iniciou o último jogo com o Guimarães. Sálvio continua o seu processo de recuperação, e hoje teve mais que minutos. Teve uma hora. Como Cardozo, que apenas hoje regressou…


A baliza continua imaculada – mesmo que o Artur quase tenha comprometido, perdoando-se-lhe a falha pela eficácia com que a remediou - e, como muito boa gente diz, os jogos começam a ganhar-se na defesa.


O Porto, algures na Alemanha, eliminou uma equipa alemã qualquer com o improvável resultado de 3-3. Os serviços mínimos, o primeiro resultado que, sem ganhar, lhe servia. Mesmo assim notável para este actual Porto que, reproduzindo e vingando o que aqueles mesmos alemães lhe haviam feito na semana passada no Dragão, ergueu-se do buraco fundo e negro onde bem cedo caíra.

Exportações

Convidada: Clarisse Louro *


 


Por força das minhas funções profissionais, mas também pelo relacionamento de proximidade que cultivo com os meus alunos, acabei de participar nas cerimónias de encerramento de mais um curso de Enfermagem.


Há muitos anos que a minha escola vem abrindo dois cursos por ano, um com início em Setembro e outro em Março. Por isso, há muitos anos também que encerra dois cursos em cada ano. Este é um desses, que se iniciaram em Março. De 2010, há quatro anos atrás!


É sempre um momento de grandes emoções, para alunos, familiares e professores. Quatro anos é muito tempo, mas também pouco, passam depressa. É esse um dos sortilégios do tempo, que sendo sempre o mesmo nunca é o mesmo… Em quatro anos vivemos uma vida que tem muito de comum. Acompanhamos sonhos, venturas e desventuras. Partilhamos alegrias e tristezas e sentimos que, da mesma forma que cada um deles leva no fim um pouco de nós, também nós ficamos com um bocadinho de cada um deles.


É sempre assim, curso após curso. Ano após ano, década após década… Por isso, e mesmo sendo assim há tantos anos, cada encerramento de curso é um sempre momento de grande intensidade emocional que une professores, alunos e familiares. Os professores porque também sentem sua a vitória deles, dos alunos e dos pais que, na maioria das vezes, sabe Deus com que sacrifícios, realizaram um sonho de vida!


Quando estes alunos iniciaram este percurso, há quatro anos atrás, o país era outro, bem diferente do que agora é. Era acima de tudo outra a imagem que dele tínhamos, diferente, mas muito diferente, da que dele hoje temos. Por isso o sonho de cada um deles foi sendo certamente retocado, ajustado à revisão das expectativas em baixa, como se diz na esotérica linguagem dos mercados.


Desta fornada de cinquenta novos licenciados poucos, muito poucos, ficam no país. Mas os que ficam – melhor dizendo, os que por enquanto ficam – não ficam por terem encontrado saídas profissionais. Não, ficam porque querem resistir à emigração, porque ainda não conseguem lidar com a ideia de deixar o país. Porque, como dirá quem manda, não são suficientemente empreendedores e não estão dispostos a abandonar a sua zona de conforto… Os que ficam, ficam porque, a deixar família e amigos e partir atrás do desconhecido, preferem procurar emprego numa caixa de supermercado, engrossar o portfólio das empresas de trabalho temporário, ou mesmo as dos seus colegas mais velhos e de poucos escrúpulos, que vendem os seus serviços ao Estado e aos privados a três euros à hora, e em condições de trabalho e de dignidade inaceitáveis. Todos os outros têm já contratos assinados para a Inglaterra, Suíça e Alemanha…Para, em condições de trabalho e de remuneração dignas, venderem as competências que em condições de excelência o país lhes forneceu!


Tenho muita dificuldade em perceber tanto desperdício. O país investe em profissionais altamente especializados e depois desperdiça todo esse investimento. Percebo, claro que sei por que outros países europeus os vêm cá buscar. É muito remotamente aí que, como professora e formadora, vou encontrar uma parte do meu sentido de dever cumprido. A outra, felizmente que bem maior e a que mais conta, encontra-a nos olhos de cada um deles. Todos os dias!


E amanhã vou iniciar um novo curso, arrancar com uma nova fornada para entregar a esses mesmos países. Quiçá a outros que venham a descobrir este filão!


Pelo crescimento que apregoa, deve ser destas exportações que Paulo Portas fala …


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O que Anceloti anda para aí a dizer... Baixinho!

Por Eduardo Louro


 


Parece-me que o Carlo Anceloti anda a querer dizer qualquer coisa ao José Mourinho. Baixinho, sem ondas, sem se dar por nada ...


O Special One faz-se de desentendido, e lá vai dizendo que este Barcelona é o mais fraco dos últimos anos... 


Até pode ser. Mas este Real Madrid ... Caramba, isto é que é jogar à bola!


E logo quando parecia que não havia adversário para o Bayern do ano passado, quanto mais para o Bayern de Guardiola...

Mau, mau… Também tu, bica?

Por Eduardo Louro



 


Já não nos bastava terque pagar pelas transferências no home banking. Diz-se por aí que vamos ter que pagar mais 50% pela bica. Não se fiquem a rir, aí por cima, porque o cimbalino também não escapa... 


Diz que a culpa é da chuva. Da falta dela, no Brasil. E nós aqui tão fartinhos dela... Sem nos valer de nada. Nem na bica!


Se calhar é também pela chuva que temos de pagar pelas transferências bancárias on line. Que deve ter a ver com tanta água que a banca tem metido ...


 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A pescadinha de rabo a jeito

Por Eduardo Louro


 


A Alemanha anunciou hoje défice orçamental zero em 2013. Tecnicamente zero, porque na realidade foi um superavit de 300 milhões de euros!


Muita gente virá dizer que sim senhor, que os alemães são assim, gente de rigor, que só gasta aquilo que pode… Como deve ser… Dirão mesmo que é por isso que têm todo o direito de impor regras aos outros. Que, sendo disciplinados, têm legitimidade para impor a sua disciplina!


Pois. Mas para eles não quiseram austeridade, e por isso tiveram crescimento económico, e com ele maiores receitas. E com crescimento, e mais receitas, tiveram taxas de juros baixíssimas, quando não nulas ou negativas. Menos despesa  e menor défice…


A pescadinha de rabo na boca. Que impõem aos outros, mas às avessas, com muito menos boca e muito mais rabo… Que se lhes deixa sempre a jeito, para que dele disponham como muito bem lhes apeteça!


 

Mário Coluna (1935 - 2014)

Por Eduardo Louro



 


Morreu Mário Coluna, o monstro sagrado do futebol português e histórico capitão do Benfica. Conhecido como tutor de Eusébio, a pedido da mãe, Coluna nem agora quis perdê-lo de vista e apressou-se a partir para continuar olhar por ele.


O Benfica perdeu, em pouco mais de um mês, os seus dois maiores símbolos. Está mais pobre!


Valha-nos que o Eusébio está agora em boa companhia.


Descansa em paz, e ... obrigado, capitão!


 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Duas partes distintas

Por Eduardo Louro


Vitória tangencial com magia de Markovic


 


É costume ouvir-se dizer em futebolês que um jogo teve duas partes distintas. Pois nunca vi um jogo com duas partes tão distintas como este de hoje, na Luz.


Na primeira parte foi um Benfica demolidor, de futebol ao primeiro toque que deixava os jogadores do Vitória de olhos esbugalhados, sem saber o que fazer. Uma oportunidade de golo claríssima, anulada a meias por Rodrigo - exigia-se mais força no remate – e pelo guarda-redes Douglas, logo no primeiro minuto. E outra logo de seguida, sempre com uma imaculada circulação de bola pelo meio.


A particularidade é que essa primeira parte teve apenas quatro minutos, e em vez do apito final do árbitro foi um choque de cabeças a separá-las. Um choque entre dois colegas de equipa – Enzo e Jardel – logo na madrugada do jogo!


Depois, na longa segunda parte de 86 minutos, foi outro jogo, mesmo um dos piores desta fase do Benfica. Os passes já não eram os mesmos, o jogo perdeu fluidez, e só Markovic - enormíssimo, este miúdo de apenas 19 aninhos - esteve ao alto nível do que a partida prometera na tal primeira parte. Criou oportunidades, umas atrás das outras, que os seus colegas iam sucessivamente desperdiçando. Até perceber que, para ganhar o jogo, tinha de ser ele próprio a marcar. Puxou dos galões e fez um golo fantástico, mais um.


Nos segundos 45 minutos – que não na segunda parte, essa foi maior – o jogo foi apenas perdendo qualidade, à medida que Markovic – é humano – foi perdendo fulgor. O Benfica continuou a criar oportunidades de golo, coisa que o Guimarães nunca conseguiu fazer, apesar de, à medida que o jogo se aproximava do fim, conseguir criar alguma instabilidade no jogo. Que acabaria de forma pouco condizente com o brilhantismo que o Benfica vinha apresentando!


O futebol não é certamente uma ciência oculta. Por isso percebe-se o que aconteceu. Começou por acontecer que, pelo acidente das cabeças ou não, Enzo Perez não esteve hoje em campo. Esteve lá com a camisola 35, mas não esteve lá aquele que vem sendo o jogador mais influente da equipa. E aconteceu que também o Jorge Jesus de hoje não foi o novo Jorge Jesus, e frente à sua besta negra esteve mal. Não percebeu que quando não há Enzo tem de haver Rúben Amorim, nem que aquele jogo não estava nada a jeito do actual Sálvio.


Mexeu mal e fora de tempo na equipa.


Também a arbitragem tem alguma coisa a ver com o caminho que o jogo tomou, permitindo todo o tipo de faltas aos jogadores vitorianos, chegando ao cúmulo de, para não os sancionar disciplinarmente, pura e simplesmente as ignorar.


Ficam poucas saudades deste jogo. Mas fica a magia que Markovic por lá espalhou, e o alargamento para cinco pontos da distância para o segundo classificado… E o jogo 400 de um senhor que responde pelo nome de Luisão. Parabéns, capitão!

Erro de casting

Por Eduardo Louro



 


Não consegui perceber bem se o Tó Zé estará Seguro que um mau resultado nas europeias lhe veda o sonho – para ele, para nós pesadelo - de vir a ser primeiro-ministro. Se percebeu que tinha de jogar tudo nestas eleições, e isto é o que tem para ir a jogo... então já era!


Escolher Francisco Assis para cabeça de lista para as europeias é descartar à partida todo o eleitorado de esquerda. É entregar de mão beijada algumas centenas de milhares de votos, que lhe virão a fazer muita falta, ao João Ferreira e à Marisa Matias.


Não lhe podia ter corrido pior. Já não lhe bastava ter ido a correr atrás do Rangel…


 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

E lá ficou a asa...

Por Eduardo Louro


 


O Sporting - por pouco, é certo – ganhou e o Porto perdeu, coisa que é(ra) rara. Mas perder em casa, no Dragão, como foi o caso, é ainda mais raro. Para o campeonato já não acontecia há mais de cinco anos!


Quer isto dizer que, para além do Paulo Fonseca poder ir de viola, pode também ficar a ver o Benfica a sete pontos - um verdadeiro drama. Benfica que jogará amanhã com a bête noir de Jorge Jesus – o Guimarães que lhe roubou a taça e lhe deu a revolta do Cardozo, treinado por alguém que é muitas vezes dado como a roer-lhe os calcanhares.


Por isso, ou também por isso, o jogo de amanhã é muito importante. O novo Jorge Jesus sabe-o bem – acredito que o outro Jesus não o soubesse – e não irá certamente permitir que surja nenhum fantasma amanhã na Luz!


 


PS: Nunca o Paulo Fonseca teve uma conferência de imprensa tão fácil: duas perguntas apenas. Ninguém teve nada a questionar ao treinador do Porto. Provavelmente porque hoje foi apenas o dia em que o cântaro lá deixou ficar a asa! 

Voltar à realidade

Por Eduardo Louro


 


 


O fim-de-semana está a chegar ao fim e o Congresso do PSD já lá chegou. Acabou a festa, acabou o espectáculo, acabaram os números de ilusão e magia... É tempo de voltar à realidade!


Amanhã é segunda-feira e tudo vai estar como deixamos na sexta. Nada mudou, mesmo que Marcelo tenha mudado alguma coisa, e Cristo volte, como Relvas. E que Seguro se tenha deixado ir a reboque de Rangel, e que Assis tenha deixado de se importar de ser a terceira ou quarta escolha ...


Não há meio desta gente se entender com a realidade!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Eu é que sou a vedeta

Por Eduardo Louro



 


O mega espetáculo em que as televisões transformam a super-produção que é o Congresso do PSD contou com a participação de uma vedeta surpresa. O artista convidado, mesmo que, ao que disse, auto-convidado, fez jus ao seu estatuto de vedeta de primeira grandeza e tomou conta do espectáculo. Mas deu um jeitão!


Deu jeito ao Passos mas, como não há almoços grátis, deixou-o encostado à parede. Só falta o Congresso - que resolveu a contra gosto (Menezes desbocou, mais uma vez) o problema das europeias -  resolver também já o problema das presidenciais e decidir o apoio à candidatura da vedeta. Provavelmente não têm lata para tanto. Mas já não há volta a dar, já não há cata-vento nenhum. E, como se viu, essa coisa de ser comentador político, em vez de ameaça é oportunidade. E que oportunidade!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"As pessoas estão pior, mas o país está muito melhor"

Por Eduardo Louro



 


Às portas do congresso do PSD Luís Montenegro, mais um cromo da actual nomenkclatura do partido, e líder parlamentar, deu uma entrevista ao JN em que, por entre outras alarvidades, diz que os portugueses estão pior, mas que o país está melhor.


Não há dúvida que esta gente, por ignorância ou por arrogância – ou talvez mesmo por ambas – não faz sequer o mínimo esforço para se desviar dos maiores buracos da sua esburacada estrada ideológica. As pessoas não existem, existem números e um conjunto de institutos a que se chama país. Que as pessoas, que os portugueses estejam pior, não tem qualquer relevância. Não importa!


As pessoas apenas servem para atrapalhar o caminho brilhante que eles pretendem trilhar para o país. O país está melhor, dizem eles. Uma, duas, cem, mil vezes. As vezes que forem necessárias, em qualquer sítio e circunstância.


Ninguém – ou muito pouca gente - acredita. Não é isso que se percebe na cara das pessoas. A bota não joga com a perdigota, eles dizem que o país está melhor mas as pessoas sentem que estão cada vez pior.


O chefe da banda parlamentar do PSD veio agora resolver esta discrepância e pôr a bota a jogar com a perdigota. Tudo claro: afinal o país está mesmo melhor, e as pessoas estão mesmo pior. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, o país simplesmente não tem nada a ver com as pessoas!


 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Mudança

Por Eduardo Louro



 


Dizia aqui no passado domingo que era difícil o Benfica, agora, não jogar bem. Dizia então que não importavam as circunstâncias, o adversário ou estado do relvado. Ficou para hoje dizer que nem importam os jogadores: actualmente o Benfica joga bem independentemente dos jogadores que joguem!


Hoje, na Grécia, nem o adversário, nem o ambiente do estádio, nem os adeptos, nem nada impediu que, repetindo apenas três jogadores da equipa do último jogo em Paços de Ferreira, o Benfica jogasse bem. E ganhasse!


O que não quer apenas dizer que o Benfica tem um excelente plantel - nos dois ou três últimos anos também tinha. Quer dizer que Jorge Jesus percebeu isso. Mas também que mudou, e muito!


O Benfica hoje não geriu apenas o plantel, não se apresentou apenas com outros jogadores sem perda de rendimento. O Benfica hoje dominou verdadeiramente o jogo!


Já não é aquela equipa excitante, eléctrica, que partia vertiginosamente para cima da defesa adversária, sempre no mesmo ritmo, até se acabarem as pilhas. Não, Jorge Jesus mudou. E a equipa controla a bola, controla o jogo e domina o adversário, retirando-lhe toda a iniciativa. E dá gosto ver jogar! 

Ameaça séria

Por Eduardo Louro


 


Há bem pouco tempo tínhamos a paz como dado adquirido na Europa. A União Europeia tinha nascido para isso, para que a Europa não voltasse a ser destruída pela guerra…


Assistimos, no início da última década do século passado, na Península Balcânica, à primeira grande ameaça a essa paz dada por garantida. Aí rompeu o primeiro e o mais sangrento conflito europeu do pós guerra. E, curiosamente, aí se percebeu também pela primeira vez quão longe estava a União Europeia de ser capaz de garantir sequer a sua mais básica missão. Aí percebemos – ou percebeu quem quis, porque há sempre quem não queira perceber o que não quer perceber – que a União Europeia nunca seria uma União. Que nunca as potências europeias renunciariam aos seus interesses particulares a favor de um interesse geral e colectivo, mesmo que em causa estivesse o seu maior e principal desígnio: a paz!


O que se passa hoje na Ucrânia, mais de vinte anos depois, é uma segunda, e de novo séria, ameaça à paz na Europa.


O que se está a passar na Ucrânia passa-se no coração da Europa. Não é lá longe, no extremo leste, às portas da Rússia. É às portas da Rússia, mas também às portas de Viena, de Varsóvia ou de Berlim. O que se está a passar na Ucrânia não é tão linear quanto possa parecer, com bons (pró-europeus) de um lado e maus (pró-russos) de outro. Lá estão o poder corrupto e autoritário e a oposição híbrida e informal, vazia de liderança. Mas também o radicalismo de extrema-direita interessado na violência acima e antes de tudo. O mesmo radicalismo que os sucessivos falhanços da União Europeia fizeram renascer e crescer por toda a Europa, como ameaçadoramente se vê já na Grécia e em França…

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O balde de água fria

Por Eduardo Louro


 


Em plena festança, no meio do foguetório contratado para abrilhantar as festividades que se presumiam durar até Maio, com um segundo fôlego já preparado para o próximo ano, começaram a cair alguns pingos grossos para arrefecer os ânimos. Nada a que não estejamos habituados, tanta tem sido a chuva, tanta tem sido a àgua...


Quando ontem ouvimos o ministro Pires de Lima retratar-se do seu milagre económico, reconhecendo que se excedera e que não há milagre nenhum, lembrá-mo-nos logo do soldado fiel e obediente. Afinal o chefe máximo tinha-se demarcado da expressão na sexta-feira passada, no debate quinzenal... Não nos lembramos - nem poderíamos - que o FMI tivesse reservado para hoje a divulgação do Relatório da X avaliação que viria despejar um enorme balde de água gelada na festa que por aí corre. Percebemos agora que Pires de Lima não é apenas um soldado obediente, é também um soldado informado!


Mais informado que o seu chefe de partido que ainda hoje continuava a deitar fogo de artifício com as exportações quando, com o mesmo relatório, o FMI as tinha deixado completamente enxarcadas de água bem fria. A verdade é que poderá nem ter sido por falta de informação, Paulo Portas é bem rapazinho para pensar que ninguém dará por isso. Sabemos que é bem capaz de estar convencido que consegue falar por cima da realidade, fazendo-se ouvir ao mesmo tempo que a abafa!


Uma coisa é certa. Por  muitos nomes que agora venham a chamar ao FMI, por muito que agora digam que eles não percebem nada do país, que nunca aprendem e outras coisas semelhantes, é muito difícil que a festa não fique estragada. Porque eles podem não preceber nada de receitas - e acho mesmo que não acertam uma única - mas vêm o que todos vemos, e que esta gente, para continuar a festa, não queria que ninguém visse. Vêm, e dizem-no com todas as letras - como aqui se anda a dizer há não sei quanto tempo - que o grosso das exportações vem do petróleo, que nenhuma reforma foi feita, que tudo o que o governo conseguiu foi com impostos colossais e insuportáveis e que o equilíbrio das contas externas se deve excusivamente à quebra conjuntural do consumo interno.


Já todos tínhamos percebido que a Comissão Europeia não estava para aí virada, que estava mais interessada em participar também  na festa, impeturbável. Também o BCE estava mais interessado em manobras de diversão, arranjando até uma terceira via de saída do programa. Chamou-lhe monitorização reforçada, e bem poderá ser a bissectriz entre o ar de festa estampado na cara da Comissão Europeia e o ar carregado do FMI, a reclamar mais cortes e mais liberalização nos salários, menos Tribunal Constituicional (que acaba de inviabilizar, como se esperava, o referendo à co-adopção) e mais, muito mais austeridade!


 


 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Foguetório

Por Eduardo Louro


 


A lavagem de Vítor Gaspar lá continua com pompa e circunstância. Procura agora afincadamente a melhor posição na fotografia de que quis sair, mesmo que tenha que dar uns empurrões e um ou outro chega para lá. Não admira. Afinal ainda em Maio passado o governo não tinha liderança, e agora não tem apenas um líder; tem um líder mais reformador que Portugal alguma vez conheceu.


Afinal nestes oito ou nove meses tudo mudou. Ele próprio, que então tinha falhado todas as metas, agora tudo acertou. A sua política, que falhara em toda a linha, é agora a mãe de todo este sucesso. A carta que então escreveu rasga-se agora! 


Enfim, tudo serve para a festa. Uma festa cheia de foguetório!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Traquinices

Por Eduardo Louro


 


Aí está Fernando Ulrich de regresso ao seu melhor.  


Nem em 75 houve uma política tão redistributiva”, ou “não se pode é dizer que a política não tem tido uma preocupação redistributiva enorme” são as novas preciosidades do senhor ai aguenta, aguenta!


Que a desigualdade tenha disparado em Portugal, que o número dos mais ricos tenha aumentado, e que tenham aumentado as respectivas fortunas, é outra coisa. Não tem nada a ver com política. Nem com distribuição de riqueza!


Muito traquina e muito dado à brincadeira, este senhor. Que temos de aguentar, pois claro!

Ei-los que partem

Por Eduardo Louro


 


Não sei o que se anda a passar na bloga, mas coisa boa não é. Assim de repente começam a desaparecer blogues como se coisa má lhes estivesse a dar. Em poucos dias foi-se o Arrastãoo nosso 2711 e, agora, o Declínio & Queda


Sabe-se como os blogues são parecidos com o mar – são de levas, de ondas. De mar e mar, de ir e voltar…


Mesmo assim, mesmo que uns caiam aqui para se levantar ali, não é bem a mesma coisa. Acabamos sempre por sentir falta dos que se ficam… Que é como quem diz, dos que partem!


 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Chapeau

Por Eduardo Louro


 


 


Num dos telejornais de uma das televisões, vi este fim-de-semana uma curiosa reportagem sobre o estado - de pré-falência, diz-se - das finanças da Câmara Municipal de Gaia. Que não é novidade, há muito se sabia que se trata da segunda Câmara mais endividada do país, que Luís Filipe Menezes, ao longo dos dezasseis anos que por lá passou, ao que se diz, gastou dinheiro como se não houvesse amanhã.


Enquanto o texto da reportagem ia dando conta disso mesmo, e das condenações que diariamente, à medida que caem as sentenças judiciais dos diversos processos em Tribunal, estão a inundar a autarquia, iam passando imagens do foguetório de inaugurações onde Luís Filipe Menezes ia cortando fitas, invariavelmente acompanhado de Marco António Costa, sempre de sorriso largo e aberto.


A reportagem fechava com a notícia de que Luís Filipe Menezes esteve sempre incontactável e com palavras de Eduardo Vítor Rodrigues, socialista e actual presidente. Que, para além de manifestar a sua convicção em resolver todos esses problemas, teve tempo para dizer que não tinha nada que se desculpar com o passado, que não tinha sido eleito para se desculpar com o seu antecessor, que lhe deixou muita dívida mas também muitas e excelentes infra-estruturas.


Que Luís Filipe Meneses esteja incontactável não me surpreende nada. É o normal… Também não me surpreende sorriso largo e aberto do então delfim de Menezes, o que me surpreende é o que anda agora por aí a dizer. Mas, francamente, que numa situação daquelas, um político recuse desculpar-se com a pesada herança e elogie a obra herdada, é que me deixa mais que surpreendido: espantado!


Não sendo – que não sou, antes pelo contrário – especial admirador de Luís Filipe Menezes, tenho de tirar o chapéu ao actual presidente da Câmara de Gaia: Chapeau Eduardo Vítor Rodrigues!


 

Ler os outros ..

Por Eduardo Louro


 


Este texto de Susana Toscano, no Quarta República reforça, recorrendo a uma belíssima fábula, o que por aqui se tem andado a dizer. Vale a pena ler!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Uma primeira página que diz tudo, o resto é conversa...

Por Eduardo Louro


 



 


A UE quer é ver-se livre disto rapidamente. Por isso tudo correu bem. E tudo está bem quando acaba bem...


Só que não acabou ... e muito menos acabou bem!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Fora de pé

Por Eduardo Louro


 


 


Já se percebeu que, mesmo que o PS venha a ganhar as europeias que estão aí à porta, Seguro já as perdeu.


As eleições de Maio para o Parlamento Europeu eram, para Seguro, uma espécie de primárias internas. Não estará em palco nas legislativas do próximo ano… Resta saber quando é que António Costa terá que se chegar à frente…


Há muito que Seguro perdera o pé. Agora afundou-se!

Vamos por partes... mesmo debaixo de água!

Por Eduardo Louro


 


 


Vamos então por partes: o tribunal absolveu todos os dez arguídos, com o argurmento que o Estado português  “dispunha de meios de controlo” do contrato de contrapartidas assinado com um consórcio alemão pela venda dos dois submarinos a Portugal e “podia renunciar à transacção”. Quer isto dizer que não há criminosos naquela gente, que há é negligentes, se não criminosos, no Estado português. Há, portanto, que passar à parte dois, que dar o passo seguinte.


Fiquemos então à espera que tenha sido tirada a correpondente certidão!  

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Devastador

Por Eduardo Louro


 


Diz o povo que o poder é afrodisíaco. Diz a Ciência Política que o poder é o melhor cimento dos partidos políticos. O afrodisíaco não só consegue dar a este PSD qualquer capacidade atractiva como nem sequer lhe permite agarrar o que o cimento não segura. Mesmo no poder, mesmo utilizando-o até ao limite na distribuição de lugares, benesses, adjudicações directas e demais contratações manhosas, o PSD de Passos Coelho perdeu 40% dos militantes!


Ao contrário do que alguns ainda pensam, Passos não está só a destruir o país. Destrói tudo por onde passa... Devastador, mais, muito mais que a Ruth e a Stephanie juntas!

Redundâncias

Por Eduardo Louro


 


Provavelmente por razões de inconseguimento, a senhora que personaliza a segunda figura do Estado tornou-se na primeira figura do ridículo. Depois de, sem pés nem cabeça, no próprio dia da sua morte, sugerir o recurso ao mecenato para trasladar os restos mortais do Eusébio para o Panteão Nacional, ei-la a recomendar idêntica receita para as comemorações do 25 de Abril.


Na ocasião da morte do Eusébio foram os próprios serviços do órgão a que preside a vir a público corrigir-lhe os números disparatados, transformando-lhe a ideia patética em mais um inconseguimento. Desta vez foram os próprios grupos parlamentares a ditar-lhe novo e traumático inconseguimento!


Foi-se o chamite, foram-se os cravos da nova coqueluche do regime, foi-se o mecenato, mas ficou o inconseguimento. Mais um. E mais uma pérola redentora na bissectriz dos afectos!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

De acordo com as possibilidades

Por Eduardo Louro


 


Enquanto na Fundação Champalimaud, chefes de Estado (do nosso, do italiano e do espanhol) e ministros do governo português (curiosamente todos do CDS), no encerramento do IX Encontro da COTEC Europa, falavam de inovação e desenvolvimento, de educação e formação, e de reindustrialização e mão de obra qualificada, no Tramagal, em visita à unidade onde dantes se fabricavam as famosas Berliet - Tramagal e agora se produzem camions da Mitsubishi, Passos Coelho agradecia à troika, à União Europeia e ao FMI por term trazido o país até aqui, a este momento brilhante da vida dos portugueses: os portugueses vivem hoje mais de acordo com as possibilidades do país - rematou, diria que eufórico!


Não deixa de ser curioso que Passos Coelho, perante um grande investidor estrangeiro, tenha optado por esta que é a linha - diria que oficial - do seu discurso.  Confirma que é este o seu registo, que é neste papel salazarento que se sente mais confortável, não se importando nada de deixar para os ministros do CDS o palco e os temas da COTEC. Afinal de acordo com as suas possibilidades...


 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os desequilíbrios do dérbi

Por Eduardo Louro


 


 


Começo por dizer que só tenho motivos de congratulação. Congratulo-me pelo impedimento da realização do jogo, no domingo. Uma grande decisão, tomada exactamente na hora certa. Congratulo-me pela realização do jogo, do grande derbi do país, do grande derbi do povo, mas acima de tudo pela forma como foram superadas algumas tentações, muito alimentadas por muita gente, mesmo por quem não deveria ter nada a ver com isso. Congratulo-me pelo grande jogo a que assistimos. Por não se ter dado pela arbitragem, nem ninguém a ir buscar para ensombrar a crónica superioridade do Benfica. E, evidentemente, pela grande, clara, mas escassa vitória do Benfica!


E saliento exactamente isso. Quem tivesse chegado de Marte e tivesse visto o jogo não acreditaria que aquelas duas equipas estavam a disputar o primeiro lugar do campeonato nacional. O resultado acabou mesmo por ser a melhor coisa que aconteceu ao Sporting!


Podem dizer que o Leonardo Jardim se estendeu ao comprido, e que é até capaz de ter perdido hoje o estado de graça. Mas a verdade é que, não tivessem os jogadores do Benfica privilegiado a nota artística, e talvez tivessem atingido uma marca histórica. Que, pelo fair play manifestado hoje pelo presidente e pelo treinador do Sporting, seria quase injusto.


Para a história ficará o fantástico golo e mais uma enormíssima exibição de Enzo Perez. Não se vê em nenhuma das grandes equipas da Europa um jogador como este. Espero que continuem sem reparar nele porque, esse sim, é insubstituível!


 

Lavados, lavados sim

Por Eduardo Louro


 


É impressionante a facilidade com que se lava em Portugal, tanto mais que não é exactamente um exemplo de país lavadinho. Lava-se dinheiro de toda a maneira e feitio, até com vistos gold, e lava-se gente como e nenhuma outra parte do mundo.


Hoje, já se percebeu, é dia de lavar Vítor Gaspar… Talvez porque fomos ao mercado aumentar a dívida, mas dar mais um passo para a saída do dito. Limpa, também ela. Lavadinha como as irlandesas...

Alguém viu por aí o Sol?

Por Eduardo Louro


 


Será que, enquanto andávamos todos entretidos com as praxes e com os quadros de Miró, Passos e Portas não aproveitaram para vender o nosso Sol aos chineses?


Estou mesmo a ver: saiu em mala diplomática, foi leiloado em segredo em Espanha – onde, ora em castelhano ora em francês, Portas tem andado numa roda-viva – e, no fim, foram os chineses quem deu mais…

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Com é que isto se chama?

Por Eduardo Louro


 


Primeiro manda-se as pessoas embora, diz-se aos mais jovens e qualificados que emigrem. Depois despedem-se os que cá ficam. Aos que não são despedidos baixam-se-lhes os rendimentos, sejam salários ou pensões.


Depois de mandados emigrar, de cortados os salários, de despedidos e contratados por metade do salário, cortam-se as bolsas de investigação. E diz-se que isso da investigação é só para empresas…


Empobrece-se a população e despovoa-se o país para depois, com os vistos gold, o repovoar de gente rica, mesmo que má. Mais de quinhentos milhões de gente rica, já para este ano, diz Portas. Mesmo que má!


Acaba-se com a investigação nacional, com trapalhadas atrás de trapalhadas, mas depois surge a estratégia Lomba de aliciamento  de cérebros internacionais,  através de bons vencimentos e de isenções fiscais.


E ainda há por aí outro maduro que acha que compõe o ramalhete com uma Justiça para estrangeiros...


Isto tem um nome, não tem? Ajudem-me lá: como é que isto se chama?


 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Oposição séria e à séria: abrir cada tribunal que agora for fechado

Por Eduardo Louro


 


 “Este é um compromisso que nós assumimos com os portugueses: quando formos Governo os tribunais que o actual Governo encerrar serão abertos para que se faça justiça e haja um acesso à justiça por parte de todas e todos os portugueses, independentemente dos seus rendimentos ou dos locais onde estão a residir”.

A bola de neve da propaganda

Por Eduardo Louro


 


Passos Coelho foi hoje à Maia encerrar uma conferência qualquer, ao que se anunciava em rodapé, promovida por autarcas. Por autarcas do seu partido, embora isso não constasse no rodapé informativo...


O seu palco preferido. O espaço priveligiado para quem, exactamente como o seu antecessor, vive em negação da realidade e numa narrativa sem quaisquer pontos de contacto com a verdade. Que, cantando, espalhará por toda a parte se a tanto o ajudarem o engenho e a arte!


E assim vai fazendo, espalando propaganda por plateias escolhidas a dedo, sempre disponíveis para aplaudir. Depois, as televisões fazem o resto. Como hoje, com a SIC Notícias e a RTP Informação a transmitirem em directo um discurso de não sei quantas horas (não sei porque não resisti a mais de 25 minutos). E, claro, os aplausos encomendados…


Surreal! Surreal o discurso, mais ainda o frete destas televisões. A SIC por opção – opção clara, militante - e a televisão pública por… obrigação!


E assim, em escalada, como se de uma bola de neve se tratasse, se vai impondo ao país um discurso que já chega ao limite, nas palavras dessa eminência parda que responde pelo nome de Marco António Costa, de chamar antipatriota a quem lhe não bata palmas…


 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E tudo a Alemanha vai levar... Ou quase!

Por Eduardo Louro


 


E lá está a Alemanha a preparar-se para dar cabo da credibilidade que Passos devolveu ao país, da confiança com que a Albuquerque e o próprio Portas inundaram os mercados e do milagre económico de Pires de Lima…


Lá se irão todos os sucessos desta governação. Todos, não. Porque o estrondoso êxito no combate ao desemprego é um valor seguro. E irreversível. Esse nem este regresso da Alemanha ao epicentro da destruição da Europa conseguirá pôr em causa. Porque os jovens não deixarão de continuar a emigrar como, ao contrário do que Pires de Lima anunciava, os que emigraram não regressarão. Nem os inactivos voltarão ao activo do desemprego, pelo contrário, cada vez mais desempregados passarão a inactivos. E grande parte dos que continuarão a ser despedidos não deixará de ser substituída por outros tantos por metade do salário…


 

Tiro no porta-aviões

Por Eduardo Louro


 


Quando parecia que a crise do euro estaria ultrapassada, e que a União Europeia já dourava a pílula dos países do sul – já nem a própria Grécia é problema – da Alemanha sai mais um tiro no porta-aviões.


O Tribunal Constitucional alemão (sim, eles também têm Tribunal Constitucional) admitiu que aquilo que pôs ordem nos mercados e segurou o euro – o programa ilimitado de compra de dívida pelo BCE, que nem sequer foi preciso utilizar, bastou ser enunciado – poderá não estar em conformidade com os tratados europeus. Para já, remeteu o assunto para o Tribunal de Justiça da União Europeia, mas sem se esquecer de deixar claro que não aceita essa actuação do BCE. Que a acha ilegal e que excede mesmo o seu mandato…


Quer dizer, que viola a Constituição alemã!


Será que assim o euro sobrevive?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mais que uma linha de sucessão

Por Eduardo Louro


 


 


A propósito do novo mapa judiciário ouvi hoje, na Antena 1, Elina Fraga, a nova bastonária da Ordem dos Advogados (OA), dizer que fechar tribunais é afastar os cidadãos da Justiça e convidá-los à Justiça pelas próprias mãos.


Achei essa declaração deplorável e altamente demagógica. Tão demagógica que me lembrou logo o seu antecessor, numa afinidade que me remeteu inevitavelmente para uma ideia de sucessão dinástica. Marinho Pinto abriu uma dinastia na OA a que esta senhora simplesmente dá continuidade, pensei eu, sem deixar de lhe reconhecer alguma desenvoltura no discurso.


Desenvoltura, que não originalidade. É que, afinal, o sound byte que feriu a minha sensibilidade e me fez disparar o alarme da demagogia não é sequer original. Nem novo, já tem pelo menos dois anos!


Pois, há ali mais que uma simples linha de sucessão... Não é uma dinastia, é a mesma coisa por entreposta pessoa!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Jogos Olímpicos de Inverno

Por Eduardo Louro


 Arthur Hanse e Camille Dias (foto ASF)


 


(Foto: A Bola)


 


A comitiva da Federação de Desportos de Inverno de Portugal partiu hoje para os Jogos Olímpicos de Inverno. Com dois atletas, Camille Dias e Arthur Hanse que irão disputar em Sochi as provas de esqui alpino (slalom e slalom gigante).


Gostei de os ouvir à partida, apesar da modéstia dos seus objectivos - aprender, ao que disseram. Em inglês porque, ela suíça e ele francês, não falam português!


Valha-nos que não é preciso cantar o hino nacional. Que isso é só no futebol!


 

Milagre no desemprego

Por Eduardo Louro


 


A perspectiva do desemprego é hoje muito melhor do que há um ano… O desemprego não desce por magia, só porque a economia está a crescer…”


Pois não. Não é por magia, mas parece. É porque a emigração sobe, mas é porque foi criada uma nova categoria de portugueses: os inactivos!


Muitos portugueses deixaram de estar desempregados. Diz o INE que 300 mil passaram a inactivos. Não faltará muito que o governo venha dizer que é gente que não quer trabalhar, e a chamar-lhes mandriões!


Já ouvimos falar em milagre económico. Em breve ouviremos falar no milagre do emprego, que o desemprego está a baixar a um ritmo nunca visto em nenhum outro país do mundo. E que há é cada vez mais mandriões!


Pode não haver milagres. Mas há muita lata...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quando ninguém sabe onde se mete...

Por Eduardo Louro


 


 


Depois de saírem do país, sem que pudessem ter saído, por ordem de um Secretário de Estado sem ordem nem a mínima ideia no que se estava a meter. Depois dos tribunais terem proibido, e depois desproibido, a sua venda, mesmo que garantindo que o seu lugar é cá dentro, a já mais célebre colecção de pintura de MIró não sabe onde se meter. Nem onde se meteu...


É que, depois de tanta confusão, e já à beira do início do leilão, a Christie's optou pelo seu cancelamento, e num ápice as 85 obras de Joan Miró desapareceram das paredes onde estavam expostas. Imagino que cheias de vergonha! 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Trocas e trocos

Por Eduardo Louro


 



 


Vasco Graça Moura, visivelmente debilitado pela doença, foi publicamente homenageado no final da semana passada, e de novo condecorado, desta vez com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, pelo Presidente da República.


Foi uma justa homenagem. A um vulto da cultura portuguesa como Vasco Graça Moura faltarão sempre, sem que nunca sobrem, homenagens. É um dos maiores intelectuais portugueses vivos, de uma inteligência fora do comum, um virtuoso das letras, ensaísta de méritos imensos, seguramente o maior tradutor literário do país e um dos maiores do mundo. Ímpar na tradução de poesia!


Tive sempre uma enorme admiração por este intelectual. Maior mesmo só a desilusão provocada pela sua intervenção política. Muitas foram as vezes em que me interrogava como poderia um homem intelectualmente tão superior ser politicamente tão limitado.


Não estranhei por isso que Cavaco tenha ido procurar na dimensão política de Vasco Graça Moura a justificação para a homenagem e o motivo da condecoração. Que Cavaco tenha distinguido a “figura do intelectual, do cidadão empenhado, que ao longo das últimas décadas tanto contribuiu para a valorização da nossa vida democrática, que tem representado um papel da maior importância para a consolidação, entre nós, de uma sociedade que preza os valores da liberdade e da cultura”!


Porque, na verdade, de Cavaco não se esperam outras coisas. Perde-se em trocas. E com trocos. É mesmo o homem dos trocos! 

Já aí vem o derbi

Por Eduardo Louro


 


Não sei se os árbitros são nomeados a pedido, sei que já foram. Mas sei - já se precebe bem - que há gente a mais a pedir o Pedro Proença para o derbi. É curioso como o Sporting - onde o presidente se propõe regenerar o futebol português justamente a partir do regresso ao sorteio dos árbitros - alega que para o jogo mais importante, o melhor árbitro. E que o melhor árbitro português é, não têm dúvidas, Pedro Proença!


É ainda curioso que também os portistas estejam de acordo. Mesmo de candeias às avessas, portistas e sportinguistas acham que o árbitro que se diz benfiquista é o melhor. E o melhor também para este jogo... Pois!


Não menos engraçada é a segunda escolha: Jorge Sousa. O dito súper dragão que na Luz suscita quase tanta animosidade como o autoproclamado benfiquista. Menos um bocadinho!


Mais, muitas mais que sobre a escolha do árbitro, serão as dúvidas sobre qual será o jogador do Benfica atirado desta vez para o estaleiro, até ao final da época. Da primeira vez foi o Sálvio, que seis meses depois ainda não regressou. Da segunda foi o Rúben Amorim, que levou que contar para 4 ou 5 semanas. E o Cardozo, agora a regressar,  3 meses depois! 


Claro que gostaria de uma boa arbitragem ... e que ninguém se aleijasse. Mas já deu para perceber que não se pode ter tudo... 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Concentração competitiva?

Por Eduardo Louro


 


Quando o tema é ganhar o campeonato, e o foco está precisamente aí, este é um daqueles jogos que só tem que ser ganho. Seja lá de que forma for… E isso de, no último minuto, falhar o penalti que garante esse objectivo é coisa que não existe. Nem sequer pode passar pela cabeça de ninguém!


Chamam-lhe concentração competitiva. É capaz de ser isso!


Começa a falhar-se os momentos decisivos falhando nos momentos importantes...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mercado e mercados

Por Eduardo Louro


 


No dia-a-dia temos os mercados, que tanto nos chatearam, dando-nos mesmo cabo da vida. No futebol temos o mercado!


Nunca percebi se a utilização do singular serviria para distinguir o mercado da bola - coisa que o povo percebe bem, que trata mesmo por tu, nada lhes escapando - do financeiro, que não entende de todo, que dele só sabe que serve de desculpa para os que lhes lixam a vida. Ou se, quando se trata de nos lixar a vida, há mesmo muitos e, quando o negócio é comprar e vender jogadores, basta um. À primeira vista dir-se-ia que há dois: o de Verão e o de Inverno, pelo que o uso do singular só pretende mesmo separar o trigo do joio. Mas logo podemos entender que Verão e inverno são apenas as duas faces da mesma moeda, duas épocas de um mesmo e único mercado. Assim como se fossem a época normal e a de saldos!


Seja lá como for as transferências de jogadores de um lado para o outro acontecem no mercado, e não nos mercados. E o mercado, ao contrário dos mercados - que só fecham ao fim de semana - fechou à pouco, há meia noite de ontem, e já só voltará a abrir de novo no Verão. Em boa verdade não fechou completamente, ficaram duas engras por onde ainda alguma coisa vai passar: a Rússia e a Turquia, onde não costuma faltar dinheiro!


E se não se pode dizer que a montanha pariu um rato, também não se pode exactamente dizer que não tenha ficado muita gente a chuchar no dedo…


Fica a ideia que, no Porto, Pinto da Costa vai ter de comprar algumas chupetas, se não quiser que o Fernando, o Otamendi e o Mangala estraguem os dedos. Que bem falta lhes fazem, é tudo gente que usa muito as mãos para jogar à bola. Os dois primeiros nem sequer tinham seguido com a equipa para a Madeira, veja-se bem o melão


Da mesma forma que fica a ideia que o mercado foi generoso para o Benfica. Ou para Luís Filipe Vieira, sabe-se lá!


Como fica a ideia que continuam por lá toupeiras… Só isso explica a notícia antecipada do negócio do André Gomes. Que é afinal idêntico ao do Rodrigo, e onde Jorge Mendes não é Jorge Mendes, mas um fundo do Jorge de Mendes. Porque, aí, o mercado é igual aos mercados, onde os fundos são quem mais ordena.


O Benfica encaixou 70 milhões de euros e, para já, perde apenas um jogador: Matic, como há muito se sabia e já havia sido assimilado pela massa adepta. O Rodrigo fica a jogar até ao fim da época, tal como o André Gomes, no banco. É quase certo que o Garay ainda vai sair pela engra russa que ainda ficou aberta, no que será certamente o pior negócio de todos. Mas inevitável. De uma incompreensível inevitabilidade!


O mais excitante fecho de mercado aconteceu no entanto em Alvalade. Este Sporting não pára de surpreender!


Investindo como pequeno está a fazer o campeonato de grande. E bastam-lhe 500 mil euros para ser a estrela maior da noite de fecho do mercado. A Lisboa já tinha chegado uma estrela faraónica, com nome de jogador, sem dúvida, mas de mau presságio: Shikabala. Shik, abala!


Bastou isso para que, entre Shik abala e Shik fica, ficasse provado que nem só de milhões se faz a excitação dos grandes negócios. Para se ter uma ideia do suspense hitchcockiano, às cinco para a meia-noite, Shik abalava. E à meia-noite, em ponto, Shik ficou!


Mas mais. O Sporting foi ainda o rei da noite porque, mesmo assim, foi quem mais se reforçou. Ao egípcio juntou ainda o cabo-verdiano Heldon, contratado ao Marítimo por 1,5 milhões. Que festa, com dois milhões!


Nem tudo correu bem, mas disso não há imprensa que fale. Não conseguiu livrar-se do Elias. Mas livrou-se do Jeffren, que também não era pêra doce!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...