domingo, 31 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A revolução iniciada na Tunísia alastrou ao Egipto? É o que se diz!


Até pode ser que seja assim, que tenha alastrado… mas, não é a mesma coisa. Nem mais ou menos!


O Egipto não é o Magreb. Em comum pouco mais têm que o facto de serem governados pelos nossos filhos da puta (a expressão não é minha; é de Kissinger quando, referindo-se a Pinochet, dizia: é um filho da puta, mas é dos nossos)!


O papel do Egipto nos equilíbrios da mais instável região do mundo dos últimos 50 anos é único e decisivo. Como único e decisivo é o papel do Egipto no futuro do radicalismo Islão. No seu incontrolável avanço ou na sua contenção…


O Egipto é o único aliado árabe de Israel e um forte parceiro nos acordos de paz. O Egipto é dos maiores países árabes e a biblioteca do mundo árabe, o seu maior centro cultural. E o principal berço da Al Qaeda…


Joga-se neste momento no Egipto mais que o seu futuro. Mais do que o futuro do Médio Oriente: o futuro do mundo e de uma certa forma de olhar para ele a que chamamos civilização!

sábado, 30 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A questão à volta do ensino privado agitou o país durante toda a semana passada – havia já invadido a campanha eleitoral, mais com o objectivo de apanhar a boleia mediática do que qualquer outro –, com acções de rua que colocariam o assunto no topo da agenda mediática.


Não é, no entanto, sobre a justeza das posições em confronto, nem sequer sobre as formas de protesto encontradas, que me vou pronunciar. Tudo isso é, evidentemente, importante. Como importante será o debate em torno da que é talvez a mais antiga parceria público-privada (PPP) do regime!


O que me surpreende e cativa neste tema é a falta de objectividade na abordagem. Não vejo qualquer abordagem que não esteja ferida de enquadramento ideológico.


Reconhecendo a forma como a esquerda e a direita se entrincheiram neste conflito – numa altura em que se saúda a recuperação do debate ideológico, que durante algum tempo parecia esbatido – é a direita que, nesta questão, me surge mais claramente no papel de refém. Refém de uma ideologia ou refém de interesses? Pois, essa é a minha dúvida!


A esquerda entende que o Estado se deve limitar a financiar o ensino privado nas circunstâncias em que não esteja em condições de assegurar o ensino público: ou seja, quando existam populações que não estejam cobertas pela rede pública de ensino. Parece-me uma ideia razoável! Não sei se tem grande carga ideológica e é alheia a interesses!


Entende que o Estado não pode cortar no financiamento da escola pública para financiar escolas privadas que promovem a distinção social e um conjunto de actividades extra curriculares normalmente tidas por elitistas. Pois, aí já vejo pura demagogia: essas actividades têm outro financiamento, não é o que está em causa. Não é nem poderia ser o Estado a pagar isso…


A direita entende que o Estado, ao reduzir o financiamento ao ensino privado, está a limitar a liberdade de escolha. Não tem nada a ver uma coisa com a outra! Nem parece argumento muito sério. Quem pode escolher escolhe na mesma. Quem não pode … não tem escolha. É a vida… É como na saúde: pode-se escolher o médico no sistema privado – pagando, é claro!


Entende que empurra os pobres para fora do ensino privado que, assim, fica exclusivamente ao alcance dos mais ricos. E daí? Mas também todos os pobres têm acesso a este tipo de ensino?


São preocupações de fraca sustentação ideológica: desde logo porque representam um inequívoco apelo ao Estado. Quem reclama menos Estado não pode agora pedir mais Estado. 


E chama a este ensino privado uma forma de ensino público, ou a forma mais eficaz do ensino público. Até poderá ser que sim. Mas ao Estado compete é fazer na escola pública um ensino público eficaz… Não é fazer isso no ensino privado!


Se não encontro aqui uma sustentação ideológica tão óbvia terei que admitir que esta seja a posição da direita em razão dos interesses. Que a direita esteja refém de interesses nesta matéria!


Matéria em que a religião – leia-se Igreja Católica – consegue como ninguém traçar a bissectriz entre ideologia e interesses!


 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O CDS apresentou esta semana uma proposta dita de regulação dos vencimentos no sector público.


O princípio, se bem percebi, resumia-se em dois pontos:


i) O vencimento de qualquer cargo do sector público estaria limitado ao do titular do órgão nomeador;


ii) Nenhum cargo poderia ter um vencimento acima do do Presidente da República.


Parecia claro e simples: quem nomeia sabe qual o seu vencimento, logo… Sem nenhuma dúvida, ninguém poderia ganhar mais que Presidente do República!


Logo no dia seguinte surgia uma notícia a que não foi atribuída importância nenhuma: Cavaco Silva optou por manter as suas duas reformas e recusar o vencimento de Presidente da República!


Não é o que está em causa mas, evidentemente, o novo/velho Presidente apenas exerceu esta opção porque, só agora – depois de todos os pacotes de austeridade –, os titulares de cargos públicos são obrigados a abdicar da acumulação dos múltiplos vencimentos que açambarcavam. Agora já só podem acumular pensões: pensões como as do Banco de Portugal – uma das que agora ajudam Cavaco a sustentar a sua pobre mulher – com pensões como as do exercício das múltiplas funções políticas – deputado, autarca, coordenador de uma coisa qualquer – cujo direito, como todos sabemos, foi adquirido após toda uma vida de trabalho, como a da senhora que agora, coitada, vive à custa do marido. Depois de uma vida inteira a trabalhar aquém e além-mar!


Às vezes bastou ser nomeado para, automaticamente, se adquirir o direito a uma pensão, mas não é disso que estamos a falar. Como diria a outra, isso agora não interessa para nada!


Voltando ao ponto: Cavaco estilhaçou a proposta do CDS!


Como é que o vencimento do Presidente da República pode servir de tecto se é logo o próprio a ganhar mais que ele?


É que Cavaco, e com toda a naturalidade – está mais que provado que sabe fazer contas, ou não fosse ele Professor de Economia – escolheu a fatia maior. Já que a tanto foi obrigado, escolheu ganhar mais que o Presidente da República!


Agora estão a ver: como é que a proposta do CDS pode chegar a algum lado quando é logo o Presidente da República a ganhar mais que o Presidente da República?


Não resisto a citar Medeiros Ferreira: “Há algo de errado nisto. Mas o quê?”

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Corte de cabelo. Corte e costura. O corte do fato, que não é a mesma coisa do corte na casaca. Se não somos grandes cabeleireiros, por muito que isso custe à imprensa cor-de-rosa, já no corte e costura é diferente: vão surgindo alguns estilistas que começam a dar nas vistas nesse dito exigente mundo da moda. Não é que eu perceba alguma coisa da matéria, mas é o que vou ouvindo! Mas bons, bons a sério, somo-lo nessa outra especialidade do corte na casaca. Raramente cortamos a direito mas, quando se trata de corte na casaca, cortamos a torto e a direito…. Sem dó nem piedade!


corte que hoje temos pela frente é no entanto outro. É o do futebolês, também conhecido por intercepção. Que, embora parecido, não é a mesma coisa de desarme que, por sua vez, nada tem a ver com despojar de arma. Desarmar o adversário não é retirar-lhe a arma: apenas retirar-lhe a bola que, ao contrário da cantiga, nunca conseguiu ser uma arma. Esteve quase: numa famosa final da Taça de Portugal, em 1969, entre o Benfica e a Académica!


Pode retirar-se a bola ao adversário através do desarme – quando um opositor a leva bem coladinha ao pé, quando a transporta, sabe-se lá com que intenções – ou quando se interrompe a sua trajectória de uma viagem com ponto de partida num qualquer jogador do adversário. Apesar de o resultado ser o mesmo, o desarme, também conhecido por roubo de bola, nunca será um corte!


Há jogadores especializados nestas tarefas tidas como destruidoras. Já aqui falamos deles e do peso com que têm que arcar toda a vida – até houve quem lhes chamasse carregadores de piano, numa metáfora que contrapõe estas tarefas menos nobres à arte superior do pianista – sempre na sombra das luzes da ribalta projectadas sobre os artistas, aqueles a quem os deuses (e os treinadores…) destinam o brilho próprio das verdadeiras estrelas.


Mas há outros que conseguem dar a volta às ingratas funções que lhes são destinadas. Há os que investidos de funções destruidoras logo encontram artes (e quantas vezes manhas) de fugir ao destino da penumbra. Destroem, sim senhor! Mas tanto são autênticas armas de destruição massiva como logo a seguir se viram para o piano e executam, logo ali, o mais belo improviso ("o futebol, se fosse música, seria jazz"- já o diz Luís de Freitas Lobo, citando não sei quem) capaz de deslumbrar o mais adormecido dos nossos sentimentos!


Lembramo-nos de alguns destes seres raros. Lembramo-nos, os mais velhos, de Beckenbauer! E lembramo-nos, quando pensamos nesta metamorfose súbita do destruidor no mais fantástico construtor, de David Luiz. Sim, desse que está para ir embora! Ou pensavam que, se não fosse para falar disso, me tinha dado a todo este trabalho?


Perdeu uns anos com a estapafúrdia ideia de fazer de um central de elite um vulgar lateral esquerdo. Foi Quique Flores quem usou e abusou desse crime/pecado! Mas também Jorge Jesus, com quem se apresentaria ao mundo, teve algumas tentações. Sempre mal sucedidas porque, agora, o menino tinha já decidido não dar mais para aquele peditório.


Atingiu o Olimpo com a estreia na maior montra do futebol mundial. Que, ao contrário do que muito boa gente possa pensar, não é a Champions mas a selecção do Brasil! E o seu destino ficou traçado para bem longe da Luz…


Recusaram-se as ofertas do defeso passado: era a cláusula de rescisão! A aposta era evidente, mas o equívoco também: uma boa campanha na Champions ajudaria a que as ofertas se aproximassem da dita!


A campanha europeia foi uma lástima, o arranque interno ainda pior, e a única coisa que aumentou foi a diferença para a dita cláusula de rescisão. Também aqui vale a lógica do momento: vão-se os anéis e fiquemos com os dedos!


Despediu-se anteontem de nós, no jogo dos quartos de final da taça de Portugal com o Rio Ave. Uma despedida a deixar-nos já cheios de saudades, com deliciosos solos de piano. Quis transformar um dos muitos penalties num encore, para se despedir com um golo: falhou, como mais outros dois haviam falhado. Mas aquele penalti da glória falhado assim, daquela maneira, com o corpo todo inclinado para trás enquanto a bola seguia para as nuvens, deixa-nos a imagem de um David Luiz há muito no Chelsea.


Dizem que as negociações com o Chelsea falharam. Nada muda. Se falharam essas outras serão retomadas. E concluídas até ao fim da próxima segunda-feira. Com quem quer que seja, mesmo com o mesmíssimo Chelsea!

Como seria bom crer

Conceito de Crer, definição e o que é


É nestas alturas, quando ela nos cheira de perto, quando se nos morrem, que sentimos a necessidade de acreditar que a morte não é um fim. Nesta altura, como em nenhuma outra antes, sinto-me penalizado por não ser crente. Gostava de poder acreditar que nada acabou, apenas aconteceu uma mudança de estadio, um upgrade da vida para a eternidade.


Que a minha mãe lá estava, a recebê-lo num abraço de doze anos de saudade, e a enchê-lo de beijinhos. Os beijinhos que incessantemente pedia nos últimos dias, e que nós lhe não podíamos dar, estava agora a recebê-los de quem mais importava que lhos desse.


Como seria bom crer nisso. Como seria reconfortante...


Há doze anos, quando a minha mãe partiu, não senti isto. Tinham sido longos meses de sofrimento atroz. Para ela, mas também para nós, a seu lado. Na altura aquele fim era o fim definitivo daquele sofrimento, que ela tanto pedia.


"Que Deus me leve, filho, eu não suporto mais". Também o meu pai o pedia frequentemente nos últimos tempos. Que já tinha vivido o suficiente, e que queria partir. Mas eu sempre senti que esse não seria esse o seu sentimento, que era apenas o seu modo de ser. Poderia estar errado, mas sempre senti que, pelo contrário, ele queria viver e temia a morte em vez de a desejar. E brincava com ele com isso. Às vezes ria-se...


Tinha boas condições de saúde, apesar dos seus 90 anos. Apesar de agarrado a uma cadeira de rodas há já uns bons pares de anos, e das dores na coluna e na anca. As sucessivas vagas da pandemia iam-lhe passando ao lado. Até chegar a altura de ser vacinado.  Ia ser vacinado na semana em que acusou positivo!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Um reles burocrata que se diz médico

Ontem, ao fim da tarde, recebi uma chamada do médico de família do meu pai.


- Como está o Sr Albino? - perguntou.


- Não está bem, está infectado com Covid - respondi. 


- Pois eu sei. Por isso é que lhe estou a perguntar como está.


- Vi-o ontem pela janela da enfermaria, estava com oxigénio, mas pareceu-me estável e relativamente tranquilo. Falou comigo e com a minha irmã, nós falamos com ele, ouviu-nos perfeitamente e no fim despedimo-nos.


- Quando é que fez o teste?


- Fez ontem duas semanas!


- 15 dias, então - concluiu. Está curado, 90% das pessoas estão curadas depois desse tempo.


Achei isto estranho. Um indivíduo que não é tido por dever muito à simpatia, e que não é exactamente reconhecido por grande ligação aos doentes, estava a ligar-me para saber do estado de saúde do meu pai. Mas quis pensar que as pessoas nem sempre são o que delas se diz, e que o facto de sermos conhecidos poderia ter pesado na deferência. Que lhe agradeci, surpreendido, mas sem lhe dar grande crédito.


Esta manhã, pelas 9 horas, recebi uma chamada da Unidade de Saúde Pública do Oeste (não sei se a designação é mesmo esta, se não for é qualquer coisa do género):


- É familiar do Sr Albino Louro?


- Sim, sou filho!


- É para lhe dizer que o seu pai está curado!


Era a notícia que eu mais queria ouvir. Feliz, desliguei o telefone e liguei à minha irmã e às minhas filhas para lhes dar a boa nova, enquanto o meu pensamento voava para a chamada do final do dia de ontem. Afinal a opinião a que não tinha dado grande crédito estava certa, o tipo sabia o que estava a dizer.


Ao final da manhã recebi uma nova chamada, agora da Unidade de Saúde Pública de Alcobaça, a perguntarem pelo meu pai. Respondi: o meu pai está curado!


- Pois, é isso que temos aqui nos sistema, mas isso sobrepõe-se à informação que temos que está positivo - respondeu-me a senhora com a maior simpatia, e com evidente preocupação.


Trocamos mais algumas palavras, percebemos ambos que o registo "curado" não tinha qualquer sustentação. E a senhora enfermeira prometeu-me que iria investigar e que, tão rapidamente quanto lhe fosse possível, me daria conta do que teria passado. 


Entretanto vinham-me chegando notícias do meu pai. Que estava mal, muito mal. Que poderia ser uma questão de horas, dificilmente de dias. Ao fim da tarde a senhora enfermeira, como prometido, ligou-me: 


- O registo foi feito pelo médico de família do seu pai!


Disse-lhe que o meu pai estava a morrer. Deu-me os sentimentos, e pediu desculpa por tamanha monstruosidade. De que não tinha culpa nenhuma.


Desliguei o telefone, que voltou a tocar de imediato -  o meu pai tinha acabado de falecer!


À dor e à angústia de perder o meu pai, juntou-se uma revolta como nunca tinha sentido. Quando médicos sofrem e lutam até à exaustão, para salvar vidas ou simplesmente para ajudar na morte, há um deles, indigno de ser um deles, que veste uma bata branca e coloca um estetoscópio ao pescoço para se limitar a ser um burocrata que coloca carimbos num papel qualquer, ou faz registos numa qualquer plataforma.


Sem o mínimo de humanidade, sem ponta de pudor, sem sombra de respeito pelo outro, e com irresponsabilidade máxima. Afinal este energúmeno que se diz médico não teve comigo qualquer acto de deferência. Limitou-se a usar-me para facilmente encontrar uma pista para a informação que ele devia profissionalmente procurar para fazer um palpite e cumprir assim a sua tarefa de reles burocrata.


Há gente que não se sabe como foi aproveitada para gente. Já nem digo para médico. Isso é com a Ordem dos Médicos. Ou com todos nós...


Assim, esta dor dói ainda mais.


 


 

A vacinação e a espiral de demagogia e populismo

Elemento do projeto espiral pontos | Desenho de tatuagem geométrica,  Modelos de tatuagens, Resumo


 


A demagogia e o populismo são os mais perigosos vírus para a democracia, sabemos disso e estamos hoje confrontados as evidências disso mesmo.

 

São vírus poderosos e sempre em mutação, adoptando novas variantes. Há estirpes que muitas vezes até se confundem com o antídoto. Não há vacina contra este vírus e, se houvesse, desconfio muito que a classe política se disponibilizasse para a inoculação.

 

As prioridades da vacinação contra a covid são um bom exemplo da forma como essas estirpes afectam os nossos decisores políticos. Numa democracia sã e madura, segura, não envergonhada e sem fantasmas, o Presidente da República seria naturalmente a primeira pessoa a ser vacinada, mesmo simbolicamente. E depois o primeiro-ministro, e depois os restantes ministros, estamos a falar de duas dezenas de pessoas, não muito mais.

 

Por cedência à demagogia e ao populismo os mais altos cargos dos órgãos de soberania em Portugal ficaram fora da lista inicial de prioridades da vacinação. Um mês depois, com o governo com quase tantos infectados como o Benfica, e com o Presidente da República a protagonizar uma história de falso positivo como no Sporting, o governo decide dar prioridade a todos os titulares de órgãos de soberania. 

 

Ou todos, ou ninguém. Ou há moralidade, ou comem todos. Não há uns mais iguais que outros. 

 

Isto não é evidentemente bom senso. É tão só uma nova cedência à demagogia e ao populismo que em si mesma é demagógica e populista, e que, evidentemente, vem aumentar em espiral novas estirpes do vírus cada vez mais difíceis de identificar. 

 

É o que se passa com os deputados que se apressaram a recusar a vacina. Já não sabemos que estão simplesmente a usar o seu bom senso, e a evidenciar a insensatez da decisão, ou se estão a entrar com os dois pés na espiral de demagogia que têm à frente.

 

E assim fica mais difícil...

 

 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Por questões de fundos Sócrates anda aí pelo mundo fora a oferecer tudo e mais uma botas. Esperemos que seja contido - coisa que, como bem sabemos, não lhe é fácil!


Pensávamos que as bolsas dos nossos credores não tinham fundo. Que aquilo eram verdadeiros poços (de dinheiro) sem fundo! E, ainda por cima, barato! Daí que gastássemos cada vez mais, cavando buracos cada vez mais fundo.


Até eles começarem a perceber que dificilmente voltariam a ver a cor do dinheiro. Desse dinheiro sumido nesses buracos sem fundo! E deixaram de querer continuar a emprestar-nos, pelo menos com boa-vontade.


Deixaram-nos à beira de um ataque de nervos, desesperadamente à procura de fundos para um novo buraco sem fundo: agora a própria dívida! Fundos que – não, obrigado! – recusamos aceitar de dois Fundos: do Monetário Internacional e do de Estabilização Europeu!


À espera de uma luz no fundo do túnel – que é como quem diz, à espera das eleições na Alemanha e que, depois delas, a Srª Merkel (sem tarefa fácil, agora que os alemães começam a perceber que já se podem voltar a virar para a sua História, de que tiveram de andar décadas a fugir, e, quem sabe, vingar a subalternidade que lhe quiseram destinar no concerto europeu) possa então pensar em resolver algumas coisas da União – ao governo, agora, pouco mais restaria que esperar. Esperar que os mercados financeiros parem um bocadinho para respirar fundo. E para olhar para outro lado!


O problema é que não dá para esperar: nem pela luz lá ao fundo! Tem que se arranjar fundos praticamente todos os dias. E a única forma de fugir ao pedido de ajuda àqueles dois Fundos indesejados é procurar fundos noutros Fundos: os Fundos Soberanos de gente menos recomendável. Porque – à excepção da Noruega – são os únicos que têm fundos!


Percebemos que a China já deu uma mão. E que estará interessada no porto de Sines e num ou noutro banco. Pelo menos para já: para as primeiras impressões!


E percebemos que, na viagem da passada semana ao Golfo, supostamente destinada a desenvolver oportunidades de negócio para aquela região, a questão de fundo não foi essa. A questão de fundo foi captar os fundos dos Fundos Soberanos do Qatar e do Abu Dhabi. E deu ainda para perceber que as contrapartidas entram a fundo nas próximas privatizações: EDP, TAP, GALP, CTT…


Mais uma questão de fundo levantada por esta questão dos Fundos: a economia portuguesa precisa de crescer e só o pode fazer através das exportações; o governo parte mundo fora para dar uma mãozinha. Mas, logo que pisa terra, ainda no aeroporto, troca os objectivos. E em vez de lhes vender produtos e serviços, os tais bens transaccionáveis que alguns portugueses ainda vão conseguindo produzir com muita qualidade e capacidade competitiva, vende-lhe empresas. Não dessas empresas que, à custa do empenho e capacidade de empresários e trabalhadores, produzem bens que competem no mercado mundial. Mas das outras, das que operam em regime de absurda protecção, em autêntico monopólio, que vivem de bens e serviços essenciais à comunidade. Que nós cidadãos, sem alternativa, pagamos aos preços que eles que se limitam a impor. E que, por isso, dão os lucros que quiserem…


Sem ir ao fundo da questão, esta é a questão de fundo nestas questões dos fundos!


 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Sem condescendência


Foto: EPA/Manuel de Almeida


Estávamos preparados para uma certa condescendência para com a exibição do Benfica nesta recepção ao Nacional, que não aceitara adiar o jogo, ao contrário do que, em condições que nada tinham a ver com as que o Benfica atravessa, com mais de uma equipa de jogadores impedidos por covid, tinha já aceitado, como fora o caso do jogo com o Guimarães, na altura com seis jogadores do plantel  impedidos pelas mesmas razões. Condescendência com a equipa, que não com a estrutura, que pura e simplesmente assiste, impávida, a tudo o que se está a passar neste momento do futebol nacional.


Mas até essa condescendência com a equipa desapareceu de repente. A equipa entrou no jogo a dizer-nos que não era preciso, que não havia razões para termos pena. Nem receios.


Atacou o jogo como se nada se estivesse a passar. Como se não tivesse que estar a jogar com o terceiro guarda-redes, nem sem qualquer titular na defesa. A equipa movimentava-se e jogava bem. Jogadores antes apagados, como Chiquinho, brilhavam nas alturas. Logo aos sete minutos chegou ao golo, numa fantástica jogada de futebol, concluído com classe justamente por Chiquinho.  


Seria anulado. Por 17 centímetros de fora de jogo do João Ferreira, no início da jogada, disseram eles. Nada que abalasse a equipa, e cinco ou seis minutos depois, lá estava Chiquinho de novo, agora de cabeça. E agora a valer. 


O futebol que a equipa apresentava era de boa qualidade, e grande movimentação, competitivo e pressionante. Trazia até à memória aqueles 10-0 da última visita da equipa madeirense. Saltava no entanto à vista um problema: em toda aquela avalanche de futebol não havia avançados. Eram os médios e os laterais que alimentavam aquele turbilhão. Seferovic e Darwin andavam lá, mas não estavam lá. Nada daquilo passava por eles.


Ora, com aquela equipa de recurso, jogar com nove, era impossível. Percebia-se isso já quando as coisas ainda estavam a correr bem. Confirmou-se logo que se esgotou o primeiro quarto de hora. Com uma excepção ou outra, esta época o Benfica tem jogado apenas uma parte do jogo. A primeira, numas vezes, a segunda noutras. Hoje também jogou apenas uma, só que foi a primeira terça parte da primeira.


O descalabro começou mesmo quando foi preciso chamar os avançados ao jogo. Não seguraram uma bola, perdiam-na de imediato. Um problema técnico básico - recepção. Logo a seguir, veio o do passe. Recepção e passe, as chaves mestras do futebol, começaram a falhar e nunca mais foram reparadas.


Foi assim até ao fim do jogo. Logo no arranque da segunda parte o Nacional empatou, na sequência de ... um canto. Pois claro. O costume. 


Faltava jogar quase toda a segunda parte, mas percebia-se que só mais um milagre evitaria nova escorregadela. Esteve para acontecer por duas vezes, mas não aconteceu. Primeiro, pouco depois do golo do empate, num penalti, mais um, que árbitro e VAR não quiseram assinalar. Sim, um penalti a favor do Benfica neste campeonato é um verdadeiro milagre. Em quinze jogos ainda não aconteceu nenhum. E depois, já na parte final do jogo, quando Taarabt furou por ali dentro e deu o golo a Seferovic. Mas aí eram precisos dois milagres. O internacional marroquino conseguiu o de bater a defesa do Nacional. Era preciso ainda outro para que Seferovic, que mais pareceu sempre um defesa adversário que um avançado, hoje, no dia em que passam 17 anos sobre a morte de Feher, e 79 sobre o nascimento de Eusébio,  fizesse um golo. E dois era de mais! 


É certo que o árbitro Rui Costa usou sempre de critérios diferentes para assinalar e punir as faltas, e que de penaltis estamos conversados. Isso conta. Pesa, mas não justifica a forma como a equipa entregou o jogo e o resultado. Nem o desaparecimento da famosa estrutura quando a equipa mais precisa dela.


 

domingo, 24 de janeiro de 2021

Ponto final com reticências

Presidenciais: Marcelo venceu no círculo de Faro com 57,33% - Postal do  Algarve


 




O país votou, contra tudo - pandemia, condições climatéricas - mas não contra todos. Não votou em massa, e a abstenção atingiu até um novo recorde, agora nos 60.5%, mesmo assim aquém do que seria de esperar. Não vale a pena especular com a abstenção técnica, mesmo que não se possa deixar de ter em atenção que o considerável aumento da mortalidade no último ano a deva ter feito subir. Vale a pena lembrar que havia mais milhão e meio de inscritos fora do país e, acima de tudo, e que com a pandemia, com mau tempo, com uma vitória antecipadamente garantida, e numa reeleição, poderia ter sido pior.



Marcelo Rebelo de Sousa ganhou, como se sabia que ganharia. Mas ganhou mais claramente do que se admitia que ganhasse. Aumentou a sua votação, teve mais volos que na eleição para o primeiro mandato e, se não atingiu o recorde que se dizia que perseguia, também não ficou lá muito longe.



Ganhou de tal maneira que houve derrotas para todos os gostos. Só que, é histórico, nas noites eleitorais em Portugal ninguém perde. Ganham todos. E desta vez até ganhou quem não foi a eleições. Como Rui Rio e Francisco Rodrigo dos Santos, que não percebem o que lhes está a acontecer.



Na tão aguardada disputa do segundo lugar Ana Gomes ganhou a Ventura. Se o que o homem diz fosse para levar a sério, hoje abandonaria a liderança do seu partido. Como todos sabemos qual é o valor da sua palavra, e das linhas com que se coze, tirou da cartola o coelho que se sabia que tiraria. Não tem outro, e já está gasto, mesmo com tão pouco tempo.



É insubstituível. Afinal é um enviado de Deus ...



Inegável é que chegou ao dois dígitos, com quase 12% dos votos, e alterou profundamente o espaço eleitoral da direita Pouco importa donde vêm esses votos, virão de diversas origens. Umas supostamente identificáveis na expressão eleitoral em distritos como Setúbal, Évora ou Beja. Outras nas de Bragança, Vila Real ou Guarda. Importa é que existem, que estão aí.



E não são um problema para o PSD, cada vez mais emagrecido, e para o CDS, que já desapareceu. São um problema para o país. E para o regime, que PS e PSD, em vez de cuidar, foram deixando esgotar.



Percebeu-se isso nos discursos que encerraram a noite eleitoral. No discurso oportunista e grosseiro, mas apoteótico, de Ventura; e no discurso de Estado, mas preocupado e até resignado, do presidente reeleito.



O ponto final nas presidenciais veio cheio de reticências...



 

 

 

sábado, 23 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 A maioria de uma parte, de menos de metade, dos portugueses reelegeu, como se sabia e conforme sempre aconteceu com os seus antecessores em democracia, Cavaco Silva.


A maioria, uma maioria cada vez mais clara, dos portugueses deixou de se interessar por estas coisas. Não é exactamente uma novidade, mas é uma realidade cada vez mais preocupante!


O resultado de Cavaco nem é a vitória esmagadora que alguns esperavam – nunca o poderia ser, mesmo que fosse bastante mais expressiva, face aos números da abstenção que não surpreendem ninguém – nem exactamente um flop que lhe belisque qualquer legitimidade!


O resultado de Manuel Alegre também não é surpreendente: o seu passado mais recente, os mixed feelings da anacrónica coligação partidária de suporte da candidatura e o seu desempenho em campanha não legitimavam aspirações mais ambiciosas.


Surpreendentes, ou pelo menos de surpresa relativa, são os resultados mais identificáveis com o voto de protesto – as candidaturas de José Manuel Coelho e de Fernando Nobre!


O atípico candidato madeirense, com um resultado nacional acima dos 4%, mas com mais de 37% na Madeira (ai se isto fosse transponível para as eleições regionais…), representa não o anedotário com que facilmente se poderia rotular, mas o puro protesto. Parece-me que nas próximas legislativas poderá até chegar ao parlamento. O que, a suceder e ao contrário do que se possa esperar, não é lisonjeiro para o sistema!


O resultado de Fernando Nobre, acima dos 14%, tem, na minha modesta opinião, um significado muito importante. Manifestei-me aqui como um dos muitos decepcionados com a sua candidatura, uma decepção que provinha do cruzamento da enorme esperança numa candidatura vinda de fora do sistema, da mais despretensiosa e genuína cidadania, com o desencanto de uma campanha absolutamente frustrante.


Não acredito que a maioria dos portugueses que decide não ir votar o faça apenas por comodismo e por desinteresse. Acredito que isso se aplique a uma boa parte deles, em resultado da vil tristeza em que a nossa democracia caiu. Mas não tenho grandes dúvidas que a outra boa parte o faz porque não se reconhece em qualquer projecto político do cardápio que lhe é apresentado e, mais ainda, porque não reconhece credibilidade a nenhum dos protagonistas que lhe aparecem à frente!


Este resultado de Fernando Nobre abre uma janela de esperança: se com uma campanha já de si fraca e ainda escandalosamente "esquecida" pelos media, e com um candidato que, ao contrário do que muitos esperavam, não soube (ou não pôde) fazer o melhor para potenciar as raízes de uma candidatura civil desta natureza, se chegou até aqui, onde é que não chegaria noutras condições?


Pois é! Este resultado de Fernando Nobre pode levar-nos a admitir que é possível recuperar muita dessa gente que já desistiu de acreditar e, com eles, começar mudar a face deste país. Começando logo por demonstrar que não há fatalidades. Que não é fatal que tenhamos de nos resignar àquilo que, sem alternativa, nos impingem!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Os funcionários públicos já começaram a receber os seus novos vencimentos. Bem, o vencimento é o velho, está lá é uma taxa nova!


Já percebem o que a crise dói! E logo no fim-de-semana das eleições…


À medida que vão começando a saber quantificar o sacrifício, quanto é que lhes toca em rifa, vão também sabendo que há quem fique de fora. Uns porque foram aumentados no último mês do ano passado. E com retroactivos desde o início do ano: passou-se com os quadros superiores da Segurança Social e veio ao conhecimento público há duas ou três semanas!


Outros porque foram aumentados ao abrigo de um acordo de empresa: veio hoje a público e passa-se na EPAL!


Dos primeiros, na Segurança Social, não tivemos mais notícias. O assunto morreu! Os aumentos é que não. Esses mantêm-se bem vivos!


Já os revelados hoje, na EPAL, morreram mesmo. Porque, ao contrário da Segurança Social, apenas tocavam a trabalhadores? Não. Nada disso…


Apenas porque hoje conhecemos um novo ministro, na circunstância ministra, e logo daquelas que não brinca em serviço: “mandei regredir essa medida”! Alto e para o baile!


Vejam bem: foi preciso aumentar o vencimento de uma ou duas dúzias de trabalhadores da EPAL para ficarmos a saber que o governo tem uma Ministra do Ambiente. Chama-se Dulce Pássaro e deu-se finalmente a conhecer: tem 57 anos, é casada e mãe de dois filhos!


Bem vinda Senhora Ministra!


 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Embora às vezes possa parecer, isto não tem nada a ver com tortura. Nem com nada de psicológico!


Não significa isto que, para o chicoteado, a coisa não represente um castigo sério. Mas nada que se compare com coisas que ainda se vêem por esse mundo fora, ainda cheio de chicotes e de chicoteadas. Ou mesmo com o que se passa para aí com uns jogos meio esquisitos ligados a um tal Marquês de Sade!


Chicotada psicológica é a expressão que o futebolês encontrou e consagrou para se referir ao despedimento – que, curiosamente, também prefere chamar de afastamento: no futebol as pessoas não são despedidas, são afastadas como se sofressem de um mal altamente contagioso – do treinador. Quando os resultados não aparecem, seja lá pelo que for, quem paga é o treinador. Torna-se rapidamente numa figura peçonhenta que há que afastar quanto antes, na esperança de que chegue outro que vire tudo de pernas para o ar. Que ponha os jogadores a correr, que transforme jogadores medíocres em grandes craques e derrotas em vitórias. Como se fosse o rei Midas!


Às vezes até resulta. Mas só raras vezes!   


Tratando-se de um despedimento, mesmo que tratado por afastamento, e sendo o treinador o sujeito passivo, evidentemente que quem despede – o sujeito activo – é o patrão. Seja lá quem for!


É o presidente – não o que se vai agora eleger – o do clube! Mas também pode ser o patrão da equipa. Quantas vezes são os jogadores – este ou aquele – a afastar o treinador. Ou os adeptos que, apesar de se limitarem a pagar uma quota que não dá nem para pagar a água do duche dos jogadores no fim de cada jogo, se acham sempre os donos do clube. E, portanto, o patrão que pode despedir.


Tem-se visto de tudo: quando o Luís Filipe Vieira afastou Fernando Santos, não foi ele. Foram os adeptos do Benfica que, apesar de benfiquista, nunca lhe perdoaram que antes tivesse andado pelo inimigo. Pelo Porto, onde atingiria o cognome de engenheiro do penta, e pelo Sporting, onde teve a sorte de quase todos os outros. Achavam que o Camacho era o D. Sebastião e deu no que deu…


Aprendeu o presidente do Benfica. Ao ponto deste ano ter sabido segurar o Jesus!


No Porto … bem, no Porto manda Pinto da Costa e pronto! Manda e manda-os embora quando lhe apetece. Aqui há uns anitos foram três numa só época. Depois veio o Jesualdo e, por muito que o pessoal não gostasse dele, lá o aguentou uns 4 anos. Enquanto ganhou, claro. Logo que, pela primeira vez, não ganhou…


Mas onde a chicotada psicológica atinge o rubro – ironia das ironias: atinge o rubro atingindo o verde – é no Sporting. E aí não há dúvidas: desde Sousa Sintra que, esse sim, não deixava os seus créditos por mãos alheias (foi Robson, Carlos Queirós, então ainda dentro do prazo de validade, e sei lá mais quem), que quem manda são os adeptos. É um clube diferente, como bem sabemos!


Bem diferente: umas vezes é a malta mais nova da Juve Leo a fazer o trabalho. Outras é o pessoal mais maduro! Por isso é que as coisas dão para o torto: às vezes uns afastam o que outros querem manter para sempre: forever!


Mas a provar que diferente mais diferente não há, aí está a chicotada no próprio presidente. Pois é, agora afastaram o José Eduardo Bettencourt. Que não só não resistiu à sua falta de jeito para estas coisas da bola – três treinadores e cinco responsáveis pelo futebol em apenas ano e meio, transformou o melhor jogador dos últimos (largos) anos numa maçã podre e, depois, num profissional muito competente e multiplicou os tiros no pé – mas, principalmente, não resistiu à vocação de presidente adepto.


Muito adepto e pouco presidente!

Violência e hostilidade

A propaganda ideológica da Guerra Fria - Ensinar História - Joelza Ester  Domingues


Foto daqui: https://saalmeida.wordpress.com/tag/comunicacao-social/


 


A violência gera violência. É sempre assim!


É condenável, a violência. Tudo deveria acontecer, apenas e só, no domínio do combate das ideias. O problema é quando elas não comparecem a jogo, e são substituídas pela mentira organizada, pela provocação e pelo insulto. O problema é quando o espaço que deveria ser o do combate de ideias, é substituído pelo da chafurdice imunda. Aí o combate não tem regras. Aí mandam os porcos.


O que ontem aconteceu em Setúbal é condenável. Foi condenado por todos os candidatos, à excepção, ao que se disse, de Marcelo. E foi amplamente divulgado pela comunicação social. Arremesso de pedras, dizem uns. De objectos, dizem outros. A diferença poderá não importar muito, mas é diferente.


Como diferente foi o eco dado pela mesma comunicação social à violência intimidatória sobre os próprios jornalistas, que aconteceu em Guimarães. Houve carros amassados e com vidros partidos. Mas não houve violência, apenas hostilização a jornalistas. A própria reportagem da RTP no local limitou-se à imperceptível nota final que, à chegada ao carro, não tinham pára-brisas. Sem uma imagem, se calhar porque também já não tinham câmara.


O Chega, a campanha, os capangas e os portugueses de bem de Ventura que se movimentam nas malhas do crime não geram violência. Apenas hostilidade!


A comunicação social sempre lhe achou graça. Deu-lhe palco e colo, e trouxe-o até aqui.


 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Há 60 anos

22 Janeiro de 1961. Santa Liberdade


 


Lembro-me como se fosse hoje do assalto ao Santa Maria. Foi há 60 anos!


Lembro-me de todos lá em casa colados ao rádio a ouvir as notícias que nos queriam dar. Que o paquete tinha sido tomado por piratas. Tinha cinco anos, e não percebia que não era um acto de pirataria, mas apenas o primeiro grande acto de revolta contra o regime fascista de Salazar e do Estado Novo com projecção internacional. A primeira vez que, sob o comando de ex-capitão Henrique Galvão, pequeno de corpo mas gigante de coragem, portugueses diziam ao mundo que não estavam conformados com a ditadura que os oprimia há já longos 34 anos.


O que então não percebia mesmo era como era possível tomar de assalto um barco. Imaginava uma enorme passadeira estendia sobre o mar, e achava de uma grande coragem atravessá-la para chegar ao barco e trepar depois aquela altura toda até entrarem no navio. E não me imaginava, sessenta anos depois, a evocar um acontecimento que seria um dos maiores golpes desferidos contra o regime.


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Há um ano atrás, em Fevereiro de 2010, por altura da apresentação da candidatura de Fernando Nobre, escrevi isto e isto!


Para quem não leu, nem esteja disposto a perder tempo a fazê-lo agora, direi apenas classifiquei então a notícia da candidatura de Fernando Nobre de uma excelente notícia. Excelente notícia por duas razões fundamentais: pela esperança na regeneração da política, ou na forma de fazer política, e pela contribuição para o exercício da cidadania!


Numa vida política excessivamente partidarizada, diria mesmo que sufocada pelos partidos que vivem de e para clientelas, surgir um homem com o prestígio pessoal de Fernando Nobre à margem dos partidos e mesmo contra eles, disponível para mostrar que ainda há cidadãos dispostos a dedicar-se à causa pública por exclusiva responsabilidade de cidadania, não podia deixar de ser uma excelente notícia.


Passado todo este tempo, e passada esta campanha eleitoral, tenho que declarar o meu desencanto. Sou dos que ficaram absolutamente desapontados com o desempenho do candidato Fernando Nobre, como se tem podido nas Frases de Campanha que por aqui tenho trazido.


Não está em causa a sua seriedade, evidentemente. Nem o seu empenho. Apenas juntou à falta de capacidade (e de um mínimo jeito que seja) para a intervenção política os piores tiques dos políticos profissionais. À falta de clarividência e de clareza política os equívocos do jogo político convencional. À confusão nas ideias a intermitência no discurso. E à falta de naturalidade e de presença um quixotismo muitas vezes bacoco!


Foi mau de mais para que fosse possível confirmar aquela excelente notícia. Afinal há sempre notícias que não se confirmam. Mas quando isso acontece com as boas … temos mais pena!


 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Sorte a azar

A BOLA - SC Braga – Benfica DIRETO (Taça da Liga)


Foi em condições muito difíceis que o Benfica chegou a Leiria para disputar esta meia final da Taça da Liga, como é igualmente difícil o cenário que se avizinha para os próximos jogos, no campeonato e na Taça de Portugal. A pandemia, que aterroriza o mundo, e em particular o nosso país, e que no futebol, como, bem, disse ontem o presidente do Sporting, se transformou numa questão de azar, atingiu fortemente toda a equipa, roubando-lhe sete jogadores dos habituais titulares, e espalhando-se por todo o staf técnico.

 

Tem razão o presidente do Sporting. A pandemia, no futebol nacional, é uma questão de azar. E como o azar de uns é a sorte de outros... A do Porto, por exemplo, que na sexta-feira passada jogou com jogadores livres de covid que, no dia seguinte, estavam infectados. E, por sorte, os que mais precisavam de descansar. Por azar, os sete jogadores do Benfica e os elementos da equipa técnica que participaram nesse jogo, ficaram depois infectados. Por sorte e azar os laboratório que a Liga seleccionou para efectuar os testes é o que é, e dirigido por quem é. 

 

Às dificuldades de uma semana sem treinar, de ter que se apresentar sem sete titulares, com uma defesa toda remendada, com jogadores que nunca tinham jogado juntos, e com uma equipa técnica reduzida ao treinador principal, somavam-se as de defrontar a equipa que melhor futebol tem apresentado em Portugal, a mais mecanizada de todas, e a de processos de jogo mais consolidados.

 

Tarefa complicada, pois. Para minimizar os problemas da defesa, Jorge Jesus, que prefere Todibo (vá lá perceber-se por quê, até porque esteve o tempo todo a tentar corrigi-lo) a Ferro, que até já jogou muitas vezes com  o capitão Jardel, acrescentou-lhe Weigl. E a coisa até parecia funcionar, porque o alemão está a atravessar um bom momento, e a confirmar finalmente que tem condições para ser, no Benfica, o grande jogador que promete ser.

 

No arranque da partida o Braga quis confirmar as suas próprias qualidades e as dificuldades do Benfica. Entrou a querer mandar no jogo, e nos primeiros (sete) minutos fez parecer que o conseguia. Foi sol de pouca dura, como é próprio da altura. A partir daí o Benfica tomou conta do jogo, e virou o feitiço contra o feiticeiro. 

 

Era o Benfica que jogava e que criava oportunidades. O Braga resignava-se a espreitar o contra-ataque, em que por duas vezes criou situações de perigo para a baliza de Helton Leite. Só que, na sequência de um livre curto, à beira da meia hora, chegou ao golo. Ricardo Horta recebeu a bola sem marcação e cruzou-a para a área e... primeira falha da defesa do Benfica. Falha no posicionamento e falha na marcação. O Braga colocou três jogadores no sítio onde a bola iria cair, sem nenhum defesa a marcá-los. Dois em posição de fora de jogo, e o terceiro, Abel Ruiz, colocado em jogo por Todibo, que ficou para trás.

 

O Benfica reagiu bem, e o Braga continuou a defender bem, o que não impedia no entanto que as oportunidades de golo continuassem a surgir. A mais clara acabou num excelente remate de Darwin, devolvido pelo poste. As outras iam sendo resolvidas por São Matheus, que em vez de se dedicar aos evangelhos dedicou-se aos milagres. O empate acabaria por surgir já muito perto do final da primeira parte, num penalti (aleluia!) claro, convertido com classe por Pizzi.

 

Do mal, o menos. 

 

A segunda parte foi de nível bem inferior. Logo de entrada Matheus fez mais um milagre, ao evitar novo golo de Pizzi. E pouco depois, mais do mesmo. Quase a papel químico do primeiro, o Braga voltou a marcar. Canto da esquerda, Helton Leite desfaz o cruzamento com uma palmada e a bola foi parar direitinha aos melhores pés do Braga. Esses, de Ricardo Horta que, sem parecer, é dos melhores entre os melhores jogadores do nosso futebol. E claro, novo erro de marcação e de posicionamento. com os mesmos autores. É novamente Todibo que coloca em jogo David Carmo, adiantado a Jardel, que bem se esforçou, ainda raspou com a cabeça na bola, mas não consegui evitar que o defesa bracarense lhe acertasse em cheio. 

 

Estava-se em cima do primeiro quarto de hora, com muito tempo ainda para que o Benfica reagisse. Jorge jesus deu então início às substituições. Três de uma vez. Uma para trocar o infeliz (ou incompetente, saber jogar a bola é muito curto para um central, confirmou-se hoje) Todibo por Ferro. Outra para tirar Rafa (por Pedrinho) que estava a ser, como é geralmente, o maior desequilibrado. E outra para trocar Seferovic por Everton, deixando Darwin sozinho na frente de ataque. Taarabt, esse, continuou lá. A fazer o que sempre faz. Nada. À espera de ser trocado por Chiquinho, de igual rendimento.

 

E o muito tempo que faltava foi passando, com a defesa do Braga a chegar perfeitamente para as encomendas. 

 

E assim acabou um jogo em que não ganhou quem jogou mais. Não ganhou quem mais oportunidades de golo criou. Nem talvez tenha ganho quem mais quis ganhar, porque não se viu falta de vontade nos jogadores do Benfica. Nem ganhou quem mais atacou. Ganhou quem melhor defendeu!

 

Foi a defesa do Braga que ganhou e a do Benfica que perdeu. A defesa bracarense ganhou todas as bolas altas na sua área. A defesa remendada do Benfica não ganhou nenhuma. O guarda-redes do Braga fez quatro ou cinco defesas de golo. O do Benfica fez uma, e já em cima dos noventa minutos.

 

Por isso se percebe que o título não tem nada a ver com o jogo. Nem com o Benfica ter perdido o hábito de ganhar a  Taça da Liga. Tem a ver com o resto!

 

 

Um início que pode não suceder a um fim

Já há uma playlist para a tomada de posse de Joe Biden e Kamala Harris


 


Joe Biden toma hoje posse como 46º presidente dos Estados Unidos da América, colocando finalmente termo à mais negra presidência da ainda maior potência mundial. 


Trump, o primeiro presidente americano a não comparecer na tomada de posse do seu sucessor, vai embora. Provavelmente não regressará. Porque não mais conseguirá voltar a recolher votos para isso, e porque  o impeachmente em curso, que já não foi a tempo de lhe retirar esta presidência, fará provavelmente o seu curso e impedi-lo-á de voltar a candidatar-se. Poderá até estar polticamente morto, mas o que fez e o que representa, o que designa de trumpismo, não morreu e não será hoje enterrado.


Podemos ser levados a pensar que a América inicia hoje uma nova era. Que o que se inicia hoje, como qualquer início, é sempre o fim do que antecedeu. Temo que não seja!


“I want you to know that the movement we started is only just beginning"  - disse Trump na despedida. Não quer que este seja o fim, mas o princípio. Como dissera aos assaltantes do Capitólio, há duas semanas: "we love you". 


São muitos os sinais preocupantes. Entre eles está o afastamento de 12 membros da Guarda Nacional da gigantesca operação de segurança para a tomada de posse de hoje, depois de investigação do FBI, identificados como membros de organizações de extrema direita apostadas em manter o trumpismo vivo e activo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A campanha eleitoral está a chegar ao fim. Ou ao intervalo, quem sabe?


Pela minha parte creio mesmo que está a chegar ao fim… Não há volta a dar-lhe!


É um destino há muito traçado!


Traçado pela História e traçado por todos nós, que fazemos a História. Ou que a não sabemos desfazer…


Esta, como de resto vem sendo comum a todas as campanhas eleitorais – provando, também elas, que a nossa democracia se afunda mais depressa que o submarino do Coelho Tiririca – uma campanha em que toda a gente bateu. Porque grande é o deserto de ideias. E pequeno o respeito pela sanidade mental dos cidadãos eleitores, sempre vistos (se calhar com alguma razão!!!) como atrasados mentais. Porque muita é a demagogia e pouca a importância dada a tudo o que importa. E por mais uma catrefada de coisas sem jeito nenhum e uma ninharia de coisas com pouco jeito, como as Frases da Campanha, por exemplo, ilustram.


Tenho por isso que reduzir o balanço da campanha ao seu único mérito: conseguiu explicar-me uma coisa que eu – deficiência minha, reconheço – por mais voltas que desse, não conseguia entender.


Eu não conseguia perceber o que é que o Presidente Cavaco tinha andado a fazer estes anos todos do seu primeiro mandato. Tinha dado por ele duas vezes: sempre no início do Verão – não, não foi quando ele “carregava o jipe” com os diplomas todos que levava para férias! Foi quando se lhe deparou um grande problema nos Açores, verdadeiramente o maior problema nacional destes últimos cinco anos; e, logo no Verão seguinte, quando teve de enfrentar a mais vil campanha de espionagem de que há memória, desencadeada pelo governo inimigo da sua República, que pôs em causa a segurança do seu computador e a própria independência nacional.


Agora, que estou a avivar a memória, a relembrar estes dois mega acontecimentos históricos que marcarão para sempre o legado de Cavaco, acabo por me ver obrigado a reconhecer que dei por ele poucas vezes – é certo – mas, caramba, o que importa é a qualidade. Não é a quantidade!


Mas mesmo assim, e até admitindo que pudesse haver aqui um pouco de má vontade da minha parte, eu continuava com grande dificuldade em perceber muito bem o que ele tinha andado a fazer. As poucas, mesmo que boas, a mim não me chegavam! Não fosse esta campanha eleitoral e aí ficaria eu para sempre devedor (de reconhecimento, claro) do nosso Presidente. Sentir-me-ia um ingrato para o resto da vida!


Mas também não há nisto nada de surpreendente. Afinal uma campanha para uma reeleição serve mesmo para isso! Para avaliar o desempenho e, depois nas eleições, premiá-lo ou penalizá-lo. Básico em democracia, mesmo em Portugal!


Como Cavaco não se tem cansado de nos avisar, o país está á beira da explosão. Portugal é hoje um autêntico barril de pólvora que se não pode dar ao luxo de dispensar a experiência, o conhecimento, a credibilidade, o equilíbrio e o bom senso de que é ele o único fiel depositário. Numa situação destas não se pode arriscar no desconhecido. Não é tempo para fazer experiências. Belém não pode ser um laboratório cheio de tubos de ensaio mas um banco de conhecimento maduro e testado. Onde ninguém se engane e onde não hajam dúvidas!


E foi aí que percebi que Cavaco, afinal, não se limitou no seu mandato àqueles dois fogachos. Não. Foi todo um trabalho diário incansavelmente desenvolvido ao longo de todos estes cinco anos para, precisamente, chegarmos a este ponto.


Pois é! Cavaco empenhou-se em permitir que o governo conduzisse o país até aqui, à beira da explosão – nas suas próprias palavras – para que, agora e aqui chegados, não nos baste elegê-lo. Seja necessário aclamá-lo para aí com 70% dos votos!


Enfim… mas eu que tenho cá esta irreprimível má vontade, fico a pensar que ainda bem que só há dois mandatos… Mas por que é que não há apenas um?


 

Hoje

Eu, Psicóloga | O que aprendi com a morte da minha mãe – LITORAL CENTRO –  COMUNICAÇÃO E IMAGEM


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


É sempre assim este dia. Há 12 anos!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Gente que não é gente

Covid-19: filas de ambulâncias à espera no Hospital de Torres Vedras e em  Santa Maria


Percebeu-se desde que foi anunciado que o actual confinamento era a brincar. Talvez pelas mesmas razões que a abertura dada para o Natal, que todos os partidos, e não só o governo, promoveram, mesmo que dias depois reclamassem contra a decisão. Mas não seria de esperar que os portugueses brincassem tanto com ele.


O que aconteceu no fim de semana, com os paredões das praias apinhados de gente, e as esplanadas cheias que nem um ovo com serviço ao postigo, como se não tivessem visto filas de ambulâncias à entrada dos hospitais, como se o país com mais infecções diárias da Europa, e o segundo do mundo, não fosse o nosso e fosse outro qualquer num outro recanto do planeta, é, no entanto e infelizmente, mais que de gente a brincar com o fogo.  É mais que de gente ignorante e irresponsável, é de gente feita apenas de umbigo, indiferente a tudo o que se passa à volta e a qualquer noção de comunidade. É gente desprezível que despreza toda a gente!


E quando assim é, quando assim somos, bem podemos culpar governos e instituições... Podemos até culpá-los por sermos assim... 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Tudo na mesma? Não!


Este foi um clássico diferente dos anteriores, e especialmente muito diferente do último, há menos de um mês. O Benfica está a melhorar, está a melhorar a sua qualidade de jogo, como se vinha tenuemente percebendo nos últimos dois jogos, melhorou a sua consistência e melhorou muito a atitude.


O Benfica hoje surgiu no Dragão sem medo, com vontade de lutar pelo jogo, com a agressividade que ainda se não tinha visto e, a espaços, com bom futebol. Igualando o Porto na competitividade e e na capacidade de disputar a bola e os espaços. E quando assim acontece, porque globalmente, em grande parte das posições tem melhores jogadores, é melhor que o Porto. E em grande parte do jogo foi muito melhor.


O Porto entrou à Porto, mas rapidamente o Benfica mostrou que é melhor. Logo aos 8 minutos, na primeira vez que contrariou a entrada à Porto do adversário, e chegou à baliza adversária, criou a primeira e clara oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic.


Perceberam-se então as surpresas de Jorge Jesus na constituição da equipa. A entrada de Nuno Tavares,  para o lado esquerdo em simultâneo com Grimaldo, e a própria inclusão de Seferovic. Ambos tinham sido titulares, e jogado praticamente o tempo todo, no jogo da Taça, com o Estrela. E, diziam os entendidos, quem tinha feito esse jogo, não seria hoje titular.


Percebeu-se que o poder físico de Nuno Tavares era importante para enfrentar Marega. Que a capacidade técnica de Grimaldo era importante para jogar em zonas mais interiores, como se viu no golo. E que a profundidade que Seferovic pode dar ao jogo era também importante para esta partida.


Desta vez Jesus não inventou. Acertou.


A partir desse minuto 8 a superioridade do Benfica foi sempre clara, e poderia ter-lhe permitido chegar ao intervalo claramente na frente do marcador. Para além do golo de Grimaldo, muito bem construído, e logo aos 17 minutos, o Benfica dispôs ainda de mais três claras ocasiões de golo. Uma delas numa jogada extraordinária, com a bola a sair de Vlachodimos, a passar por vários jogadores e pelo campo todo, sem que os jogadores do Porto a cheirassem, e a acabar, rematada pelo Darwin, no poste da baliza de Marchesin, já depois do golo do empate do Porto.


Que tardou apenas 8 minutos relativamente ao golo do Benfica. Um daqueles golos que não se podem sofrer, numa das raras oportunidades do Porto, num erro colectivo, de total desconcentração - resultou de um lançamento da linha lateral - mas também individual. De Gilberto que, primeiro, é passarinho dentro da área face a Corona e, depois, fica deitado no chão, colocando Marega em jogo, o que lhe permitiu desviar para o poste, e  daí para a baliza, o remate de Taremi que ia para fora. 


Nem se percebe como é que o golo foi atribuído ao iraniano.


O Porto atrasou o regresso para a segunda parte, deixando a equipa do Benfica à espera no relvado. E percebeu-se que, face ao que se tinha passado na primeira parte, trazia ideias de empurrar o jogo para a quezília, variante em que se sente como peixe na água. O primeiro quarto de hora foi passado assim, no meio do lamaçal da quezília. E da fita, tão cara aos seus jogadores.


Começou a poder-se jogar futebol, e mesmo assim a espaços, aos 60 minutos. E o Benfica jogou-o sempre que pôde, sempre melhor. O jogo pedia então Waldshmidt, mas Jorge Jesus achou melhor fazer entrar Chiquinho, deixando o avançado alemão apenas para os últimos minutos. Talvez o seu maior erro neste jogo.


Pouco mais de dez minutos depois, o árbitro Luís Godinho, que assinalava faltas e faltinhas aos jgadores do Benfica, mas sempre mais condescendente com os do Porto, não viu (o que toda gente viu) que Taremi teve uma entrada sobre Otamendi para vermelho directo. Era tão evidente que não podia passar despercebida ao VAR, e o jogador do Porto lá foi para a rua. E o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, com Sérgio Conceição a reforçar a defesa e, acantonado lá atrás, a refinar o seu futebol de pontapé para a frente e a estratégia de queimar tempo.


O árbitro deu 8 minutos de compensação, que não compensou nem com um segundo, nem com as substituições que o treinador do Porto efectuou nesse período. E assim acabou num empate um jogo que o Benfica poderia ter ganho por larga margem.


O mesmo resultado que o Sporting alcançou com o Rio Ave, em Alvalade. Pelo que, para os três primeiros, ficou tudo na mesma. Mesmo que a exibição personalizada e competitiva do Benfica deixe entender que nada está na mesma. 

O mundo de Ventura

Verdades são verdades, não encare como insultos - Home | Facebook


Conhecemos a receita do discurso político do André Ventura: mentir, mentir permanente e sucessivamente,  desdizer-se, é capaz de meter na mesma frase uma coisa e o seu contrário, e fazer do insulto forma de expressão, tudo isto bem misturado em muita e imunda chafurdice.


É uma receita que dispensa o ingrediente principal - as ideias. Não há um pensamento, não há uma ideia, não há um fio condutor... É capaz de dizer coisas em que nem ele próprio acredita, e está já convencido que aquilo resulta, que com essa receita consegue fazer "as papas e os bolos" com que "se enganam os tolos".


A reportagem do Pedro Coelho, da SIC, emitida na terça-feira da semana passada e na passada segunda-feira, mostra mais. Mostra como está rodeado de criminosos, enquanto divide os portugueses entre portugueses bem e criminosos, que só podem estar na prisão, em perpétua. Ou executados pela aplicação da pena de morte.


 Ficou ontem a saber-se ainda que, para Ventura, não há só portugueses de bem e criminosos. Também há avôs bêbados. O Portugal de Ventura, educado como Salazar no seminário, de quem parece contemporâneo, como se o tempo tivesse parado, é composto de portugueses de bem, criminosos e avôs bêbados.  Ao mundo de Ventura acrescenta-se Trump, Bolsonaro e Marine Le Pen, tudo gente de bem, com provas dadas...


 


 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


futebolês de hoje não poderia passar ao lado do acontecimento da semana: a aclamação de Mourinho como melhor treinador do Mundo em 2010!


Por isso, e porque o futebolês, ao contrário do que é regra, também tem expressões estapafúrdias, verdadeiramente ininteligíveis, escolhi precisamente para hoje uma delas: a troca por troca!


É utilizada para uma substituição de um jogador por outro que ocupe precisamente a mesma posição. Como se percebe não faz sentido nenhum, por isso vamos ao que interessa!


A FIFA, que até aqui premiava apenas jogadores, instituiu pela primeira vez um troféu destinado a distinguir um treinador. Logo no primeiro ano em que a candidatura de José Mourinho assumia aspectos arrasadores. Em 2010 Mourinho arrasou!


Ganhou tudo o que havia para ganhar e com uma autoridade inquestionável. Que lhe advém de o fazer à frente de uma equipa – o Inter de Milão – que, indiscutivelmente, não integrava o primeiro lote das grandes equipas europeias como, de resto, a sua campanha na presente época demonstra. Mas também porque ganhou o principal e mais decisivo título – a Champions League, perseguido há 45 anos – à custa da melhor equipa (Barcelona) e do melhor plantel (Chelsea) da Europa e, no caso por inerência, do mundo. Não foi um percurso feito entre alas abertas mas sim enfrentando directamente os adversários mais poderosos.


Um prémio indiscutivelmente atribuído com toda a justiça! E recebido em Portugal com grande euforia, a provar que a sua personalidade irremediavelmente polémica não divide já os portugueses. É hoje uma figura consensual no nosso país. Pela sua enorme qualidade profissional – que naturalmente se impõe –, acredito que também pelo recente episódio em torno da selecção mas, sem qualquer dúvida – porque a clubite faz parte da idiossincrasia portuguesa – porque está já há muito tempo afastado de Portugal.


Pelas mesmas razões Mourinho nunca será consensual em mais nenhuma parte do mundo e em especial no espaço geográfico onde trabalhe. Porque tem uma vocação irreprimível para a confrontação, porque precisa de manter permanentemente abertas várias frentes de guerra. Porque, mais do que de adversários, ele precisa de inimigos para manter os altíssimos padrões de competitividade que imprime à sua actividade!


Mourinho é um autêntico predador de títulos. Alimenta-se de vitórias. De resultados. De ultrapassar objectivos e derrubar recordes!


Não é um eminente estratega do futebol. Não tem um modelo de jogo e raramente as suas equipas se preocupam em encantar a plateia. Nunca iremos provavelmente lembrar qualquer equipa de Mourinho como lembraremos o actual Barcelona, ou lembramos o Ajax dos anos 70, ou as selecções da Holanda do mesmo período, da Hungria dos anos 50, do Brasil do México 70 ou da Espanha 82, ou a Espanha da actualidade – campeã europeia e mundial!


Mas iremos sempre lembrar as vitórias de Mourinho. Que constrói as equipas à luz de ritmos competitivos inigualáveis, à custa de uma capacidade única de retirar de cada jogador o máximo que ele tem para dar. Que, pragmático como ninguém, ajusta o modelo de jogo a cada nova realidade e, em particular, às características dos jogadores.


Creio que esteja precisamente aqui o factor crítico do êxito de Mourinho. É que, desta forma, valoriza como poucos os seus jogadores. Mas, mais do que isso: conquista os jogadores como ninguém e transforma-se no mais poderoso gestor de recursos humanos.


É por isso que jogadores desconhecidos passam, nas suas mãos, a estrelas de primeira grandeza. Que não há um único jogador que não o defenda, mesmo os que não conseguiram vingar. E é por isso que, apesar de o ser, foi votado como o melhor do mundo: é que foi a votação reservada aos jogadores que o determinou. Pelos votos de treinadores e jornalistas não seria ele o eleito!


São muitos os que nunca lhe perdoam o carácter conflituoso, o clima de guerrilha que permanentemente alimenta e arrogância que cultiva como poucos. Será persona non grata para muitos, que nunca lhe reconhecerão o estatuto que destinam a treinadores que não fazem da controvérsia um modo de vida.


Será que o seu talento implica esta, chamemos-lhe assim e apenas para simplificar, sua arrogância? Será que num outro registo – mais cordato, simpático e cavalheiro – conseguiria manter a mesma competitividade e a mesma eficácia? Ou será que esta é uma imagem de marca solidamente implantada de que a marca Mourinho, sob pena de desvalorizar, se não pode afastar?


Parece-me que aqui não haveria troca por troca!

Teoria do insuportável

Confinamento não fecha escolas mas obriga ao recolhimento domiciliário e  tele-trabalho - Actualidade - Figueira na Hora


 


O primeiro-ministro, António Costa, veio sempre dizendo e repetindo que um novo confinamento seria insuportável. Entendeu-se sempre insuportável para as pessoas mas, acima de tudo, economicamente insuportável.


Entretanto, e já com a vacina descoberta, certificada e em início de aplicação, quando se julgava que o pior já tinha passado, vimos que o pior afinal estava aí. E que o pior vai ainda ser pior. Nos últimos dias os números de  infectados e mortes tornaram-se insuportáveis. Insuportável para o Serviço Nacional de Saúde, sem capacidade para receber e tratar mais doentes, e até de armazenar mais mortos. Insuportável por esgotamento de recursos, mas também politicamente insuportável.


E aí está uma verdadeira teoria do insuportável que torna insuportável resolver o insuportável.Talvez por isso o confinamento se tenha ficado por uma espécie de meias tintas. Confina-se, mas miúdos e graúdos, alunos, professores e restante corpo auxiliar, vão às escolas, e só aí está 25% da mobilidade total do país...


Também podem ir à missa. Que seja para pedir a Deus que nos ajude, porque os homens já não sã capazes.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Nos quartos, com a história dos oitavos

Benfica derrota Estrela da Amadora e passa aos quartos da Taça de Portugal  - O Jogo


Neste jogo dos oitavos de  final da Taça de Portugal, na Amadora, no velho José Gomes, com o restaurado Estrela, meio filho, meio irmão, do Sintra Futebol Club, mas herdeiro do velho Estrela da Amadora, o Benfica apresentou uma equipa alternativa. Dos mais frequentes titulares, apenas Tarabt surgiu no onze. De resto tudo gente que habitualmente não calça


Na primeira parte as coisas não resultaram. O onze em campo imitou bem o que de pior tem feito o onze habitual, com alguma exibições individuais ao nível do deplorável. Nuno Tavares, Samaris, Chiquinho, para não dizer mais, estiveram a um nível intolerável. Mas nenhum dos restantes esteve perto do que deveria ser aceitável para quem veste aquela camisola.


Daí que rapidamente os jogadores do Estrela, do terceiro escalão do futebol nacional, tivessem percebido que aquelas camisolas não assustavam ninguém e, passados os primeiros dez minutos, passaram a dividir o jogo. 


Aproximava-se já o final da primeira parte quando o Benfica chegou ao golo. Ironicamente por Chiquinho, numa recarga depois de uma grande defesa do guarda-redes adversário a remate de Seferovic. Antes disso praticamente só uma grande perdida de Pedrinho, o que a melhor nível se exibiu até à sua substituição, pouco depois da hora de jogo.


A segunda parte foi diferente. Com os mesmos jogadores, a equipa surgiu completamente transformada, francamente para melhor. Samaris subiu particularmente de rendimento e Pedrinho chegou a momentos de brilhantismo. O resultado começou a engordar e só acabou nos quatro golos porque o desperdício foi grande.


Nos últimos vinte minutos Jorge Jesus começou a lançar no jogo alguns dos jogadores mais utilizados na equipa principal (Waldchmidt, Weigel, Rafa e Grimaldo) provavelmente com a ideia lhes dar ritmo, sem cansar, para o clássico de sexta-feira, no Dragão.


No fim ficam na retina algumas boas movimentações, daquelas que não enganam, de Gonçalo Ramos - retirado muito cedo do jogo, foi o primeiro a sair para entrar... Ferreyra -, e muita qualidade de Pedrinho. Mas também Todibo, na estreia, revelou grande qualidade no trato da bola. Provavelmente com um adversário superior não poderá dar largas à sua exuberância nesse capitulo, e poderão ser-lhe exigidas outras competências que hoje não lhe foram requeridas. Mas jogar bem à bola é sempre bom indicador.


E fica o apuraamento para os quartos de  final. Onde o Sporting já não está, eliminado na Madeira, pelo Marítimo. E onde está também o Porto, porque, também na Madeira, mas contra o Nacional, se apurou à custa de mais uma arbitragem escandalosa. Que expulsou (segundo amarelo) um defesa do Nacional quando acabara de virar o resultado para 2-1, a meia hora do fim, que nem falta fez. Que evitou o segundo amarelo a dois jogadores do Porto (Zaidu e Taremi) em situações claras de punição disciplinar e, que, não fosse isto pouco, validou o golo do empate, em cima do minuto 90, iniciado num lance de mão de Taremi, lançando o Porto, com 11 em vez de 9, para o prolongamento de 30 minutos contra uma equipa que jogou mais de uma hora com um jogador a menos, e mal expulso.


Mas não se passa nada. Nunca se passa nada nestas coisas...


 

Acrescentar tragédia à tragédia

Presidenciais: investigador alerta que campanha pouco mobilizadora aumenta  risco de abstenção | TVI24


 


Os números (infectados, internados e mortes) da pandemia não param de crescer, atingindo a cada dia níveis nunca antes imagináveis. Para já só num deles vemos limite - no dos internados. Esse não irá continuar a subir, porque já bateu no tecto. 


A opinião pública começa a ficar a sensibilizada para a tragédia, não que tenha mudado muita coisa na comunicação, mas porque praticamente toda a gente sente já doença no seu espaço de relação mais próximo. Mas não são ainda muitos os que têm uma verdadeira noção da tragédia que se está a viver nos nossos hospitais. Já não havia espaço para receber mais ninguém, nem para depositar cadáveres. Agora já nem há morfina para aliviar o sofrimento de uma das mais violentas mortes. Face aos escassos meios disponíveis é cada vez mais baixa a linha etária que marca a decisão de investir ou desinvestir no salvamento de uma vida.  


É assim que as coisas estão. Sim, e é por causa do Natal. Hoje já não restam dúvidas. Enfermarias cheias com pessoas que, todas sem excepção, contam uma "história de Natal". 


Entretanto também o Presidente da República está infectado. Ou não. Num teste não está, noutro já está, noutro volta a estar, e noutro volta a não estar. Esperemos que não esteja, e que, se estiver, recupere rapidamente. 


A campanha eleitoral está praticamente suspensa. As eleições é que não. Lá continuam marcadas para o próximo dia 24, quando os especialistas apontam para 20 mil novas infecções por dia, um número inimaginável há poucos dias. 


Não sei o que é preciso fazer para adiar as eleições. Não tenho dúvidas é que não se deviam realizar nesta altura, e que alguma coisa tem ser possível fazer. Realizá-las é certamente um atentado à saúde pública, à democracia ou a ambas. Os cidadãos responsáveis são confrontados entre o dever de ficar em casa e o de votar. E a responsabilidade de ficar em casa, nas condições actuais, sobrepôe-se à de votar.


A abstenção, que já seria elevadíssima pelo rumo que as coisas eleitorais por cá tomaram há muito tempo,  é agora de todo incontrolável. A probabilidade de ter um Presidente da República eleito por menos de um quarto dos portugueses é enorme. E o risco de ser produzido um resultado eleitoral completamente desfasado do sentimento da maioria dos cidadãos é hoje perigosamente alto.


Não consigo perceber que ninguém perceba que está a acrescentar tragédia à tragédia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Ainda sob o efeito Mourinho fomos ao mercado. E correu bem, dizem…


Bom, dizem alguns. Se calhar não correu assim tão bem!


É o tal copo meio cheio ou meio vazio, pensaria alguém que acabasse de aqui cair, vindo de um qualquer planeta longínquo.


Não. Não é nada disso. Até porque o copo está vazio, completamente vazio!


Vamos por partes. Correu bem, tão bem que trouxe de volta um Sócrates pateticamente exuberante. Que vê o que mais ninguém consegue sequer imaginar: “… um sucesso sob todos os parâmetros – procura e preço”! E “os mercados a recompensar o nosso país”!


Basta isto para que tenha corrido mal. Bastou isto para nos reavivar a memória de um primeiro-ministro descomprometido com o sentido de responsabilidade, habilidoso e de costas voltadas para a realidade. Bastou isto para que, se dúvidas houvessem, ficássemos com a certeza que não é possível sairmos deste buraco com este governo!


Ninguém acha que haveria condições para que a operação de hoje pudesse ser outra. Que fosse legítimo esperar melhores taxas de juro, ou mais procura – apesar de ser um “parâmetro” que vale o que vale. Pouco! Ninguém tem dúvidas que, nas actuais circunstâncias e apesar de tudo, há na operação de hoje mais motivos de regozijo que de consternação. E que Sócrates não pode nem deve fazer outra coisa que não seja puxar a moral para cima!


Mas … francamente! Assim não! Assim vira as coisas ao contrário… não é credível. E perde a confiança: a nossa e a dos mercados!


 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O Banco de Portugal apresentou hoje o Boletim de Inverno, onde prevê uma contracção da economia portuguesa em 1,3% para este ano. Para o próximo prevê que cresça 0,6%!


Curiosamente revê o crescimento de 2010 e aponta agora para 1,3%. Se não há aqui nenhuma simpatia especial pelo 1,3 ficamos a saber que a nossa riqueza no final deste ano ficará ao nível de 2009. O que não deixará de ser surpreendente, poderia ser bem pior!


Não fosse o habitual discurso do primeiro-ministro, e do ministro das finanças – já não há como separá-los –, e diríamos que, na actual conjuntura – que nos obriga a todos a correr para a porta para não deixar entra o FMI –, fez muito bem em salientar o crescimento de 2010 e em virar a cara para o lado com a retracção da economia para este ano. Uma recessão que toda a gente sabia inevitável mas que o governo preferiu fantasiar e que põe já em causa a execução orçamental – essa sim, a verdadeira barricada à entrada do FMI. As exportações iriam safar o crescimento, diziam!


E aproveitou ainda para encostar mais uma tranca (pequenina mas enfim!) à porta ao afirmar que o défice de 2010 será inferior aos já proclamados 7,3%. Vindo daquela boca nunca sabemos, mas amanhã é dia de voltar ao mercado e, pelo menos, resolve aquele pequeno problema aritmético aqui notado num destes dias: ganhos na receita fiscal, ganhos na despesa e ainda o fundo de pensões da PT, tudo isto a somar e mantinha-se o défice? Não batia mesmo certo!


Uma coisa é certa: a sessão da Bolsa de hoje já fechou positiva! Ah! E a taxa de juro a 10 anos também já está um bocadinho abaixo dos 7%!


Se Cavaco Silva nem passou cartão à desabrida proposta de Alegre isto só pode ser … Mourinho! Bastou que nos puxasse o ego um bocadinho para cima: virou logo a Bolsa, baixaram os juros e as contas até já parece que começam a bater certas.


Por isso é que já vi hoje uma recomendação: imitar o Gilberto Madaíl e pedir ao Florentino Perez que o empreste por dois ou três meses para governar o país!

sábado, 9 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


De repente dei por mim envolvido numa teia de pensamentos à volta do tema central da campanha eleitoral em curso. Não direi que me tirou o sono ou que acordava a meio da noite às voltas na cama …. Mas lá que me custava a sair da cabeça custava!


Por que é que um homem inteligente e o mais experiente político em funções – é curioso como Cavaco Silva renega a sua condição de político mas, em simultâneo, gosta de ser o político mais experiente (e mais sério e mais tudo…) – se deixa envolver no incontornável caso chamado BPN?


Passei o fim-de-semana sem que isto me saísse da cabeça. E sem resposta!


Quando se predispôs ao negócio das acções da SLN não percebeu que os seus amigos Oliveira e Costa e Dias Loureiro pretendiam apenas temperar a caldeirada accionista com um pouco de credibilidade? Assim como quem pede um bocadinho de salsa emprestada à vizinha para acabar os pastéis de bacalhau: Do tipo: “Ó vizinho, empreste-me aí o seu nome para acabar a caldeirada que estou ali a preparar!”


Acredito que nessa altura não tenha percebido. Mas acredito mesmo, a sério. Só depois, já quando o cheirinho da caldeirada andava por aí a entrar por todos os narizes é que se apercebeu. Se foi antes ou depois de a salsa lhe ser devolvida, não sei. Mas também não é importante: ninguém lhe levava a mal ter emprestado a salsa, nem ninguém o condenaria por, afinal, ter saído caldeirada em vez de pastéis de bacalhau!


Então por que é não percebeu isto e, quando lho perguntaram, não explicou? E por que é não percebeu que, fechando-se em copas, a coisa mais tarde ou mais cedo rebentaria?


Dei voltas e voltas: Porque é tão sério que não deve explicações a ninguém? Por mera falta de visão? Porque que acreditaria na fraca memória dos portugueses? Porque acharia que lhe bastaria dizer que fossem ao site da Presidência – é curioso como é possível misturar uma matéria tão pessoal quanto esta com a mais alta função de Estado, não era o Presidente da República a estar em causa, apenas o cidadão – para encerrar o caso? Porque acharia que lhe bastaria a sua postura de superioridade e de arrogância ética para reduzir tudo aquilo a uma simples campanha suja?


Estava eu nisto quando se me fez luz: tinha encontrado a resposta e não quis deixar de a partilhar convosco!


Cavaco percebera tudo logo que lhe chegou o cheiro da caldeirada. E disse para os seus botões: Enganaste-te Aníbal!


Aqui está a chave do mistério: o Aníbal que se enganara era o mesmo que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Era o fim do mito da infalibilidade de Cavaco. E, isso é que nunca! Antes fazer as mais tristes figuras. Antes pôr todos os apoiantes a desfiar os mais ridículos disparates. Admitir o erro, o engano, o equívoco ou a dúvida é que não! Isso são fraquezas dos simples mortais. Nunca de um homem providencial!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Enigma


As coisas não mudam de um dia para o outro. Às vezes no futebol mudam, mas para isso é necessário que algo de estrutural mude. As vezes acontece...


Não se podia por isso esperar muito do Benfica para este jogo de hoje com o Tondela, e o jogo acabou por confirmar as (baixas) expectativas. A primeira parte foi exactamente o costume. Muita bola sem saber o que fazer com ela. Pouca ou nenhuma agressividade, devagar e devagarinho, e incapacidade absoluta de criar condições para chegar ao golo.


A segunda parte começou um bocadinho melhor, com mais um bocadinho de dinâmica, e com os jogadores a parecer que queriam ganhar o jogo. E cedo, aos 10 minutos, aconteceu o que também começa a ser costume: numa jogada com jeito, daquelas que deveriam ser a regra mas são a excepção, apareceu o golo. Naturalmente. Um lance daquelas - um belo passe de Pizzi, a rasgar a defesa beirã, desmarcação de Darwin na profundidade e cruzamento de primeira com Seferovic, de frente para a bola e para a baliza - ou dão golo ou lá próximo. Muitos lances daqueles ao longo do jogo dão golos para ganhar jogos.


É sempre assim. E só tem sido assim que o Benfica tem conseguido marcar os poucos golos que vai fazendo. Poucos porque são esporádicas essas jogadas. Foi assim que fez os outros dois golos. O que foi anulado a Darwin por fora de jogo. Claro, tão claro como tinha sido, no sentido inverso, o primeiro, que o árbitro também anulou, e que o VAR levou uma eternidade para validar, e tão claro como foi o penalti (a mão do defesa do Tondela na bola) no momento anterior ao remate de Darwin, que o  árbitro, Manuel Oliveira, e o VAR não quiseram ver.


A seguir a esse primeiro golo, e ao contrário do que vem sendo hábito, pareceu que a equipa ia prolongar aquele futebol já aceitável, e continuava a procurar o golo. Só que isso não durou mais de 10 minutos. A meio da segunda parte já o Tondela já jogava no campo todo e, com um só golo de vantagem e com a quase certeza que não há jogo sem que Vlachodimos tenha de ir buscar a bola ao fundo da baliza, lá estava outra vez a tremideira. E a incapacidade de segurar o jogo, com a equipa a perder a bola por dá cá aquela palha.


E o costume esteve quase a acontecer. Aos 86 minutos o Tondela teve a sua única oportunidade para marcar, e isso normalmente dá mesmo golo. Valeu a única, e grande, defesa de Vlachodimos. Valeu Vertonghen a afastar depois a bola, e valeu, depois, que a equipa percebeu que não podia correr mais riscos. E que foi capaz disso.


Não tivesse sido isso e aqueles 7 minutos de compensação teriam sido um susto. Não foram, e deram até para chegar ao 2-0. Noutra boa jogada de futebol, em tudo idêntica à do primeiro, com o mesmo Darwin a dar para Waldschmidt (o que Jorge Jesus está a fazer a este jogador... é bem capaz de o destruir) fazer de Seferovic, que substituíra.


Já que não se resolvem todos os problemas que envolvem o Benfica, do topo à base, ao menos que se resolva este enigma: se o treinador e os jogadores vêm como é que marcam golos, porque é não insistem em jogar assim? Já não digo o jogo todo, porque há tempo para tudo, para atacar, para defender e para controlar. Mas ao menos sempre que possam atacar. É que se o fizerem percebem que isso é muito mais interessante que andar ali com a bola de um lado para o outro, para  trás e para a frente, para depois voltar a trás.


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...