sexta-feira, 31 de julho de 2020

A certeza da incerteza*

Arquivos reação à incerteza | Raciocínio Clínico


 


Na recessão anterior, que nasceu na bolha do sub-prime americano, passou pela crise do euro e das dívidas soberanas e rebentou com estrondo no resgate da troica, a economia portuguesa acabou por encontrar o caminho de saída nas exportações.


Com o mercado interno dizimado, com a quebra abrupta do consumo interno e o travão a fundo da despesa pública, as empresas portuguesas viram-se obrigadas a procurar lá fora o mercado que cá dentro viram fugir.


E, nos constrangimentos da economia portuguesa, fizeram-no com assinalável sucesso. Entre 2007 e 2019 as exportações cresceram perto de 60%, e saltaram de uns modestos 28% para 45% do PIB. No ano passado, em 2019, bateram-se todos os recordes, e tudo apontava para que essa notável trajetória de crescimento se mantivesse, com a perspetiva que atingissem metade do PIB já no próximo ano.


De repente surge um vírus para que nada nem ninguém estava preparado, a empurrar bruscamente a humanidade para uma crise como já não havia memória.


A anterior começara com um colapso imobiliário nos Estados Unidos, em 2007, e foi-se espalhando sob diversas formas e ao longo de alguns anos por outras zonas do planeta. Não aconteceu tudo ao mesmo tempo, nem da mesma maneira, e deu até para que a recessão chegasse a algumas economias quando outras já dela tinham saído.


Desta vez não vai ser assim.


Na atual crise pandémica a recessão é universal, em dois meses o mundo inteiro parou, sem válvula de escape para ninguém. Para combater a pandemia os países fecharam fronteiras e remeteram-se a um confinamento interno que paralisou as suas economias, de repente limitadas ao teletrabalho e ao comércio digital.


Com o país, e a maior parte do mundo (consciente) a entrar em confinamento apenas no início de Março, a quebra das exportações no primeiro trimestre não foi dramática. Não chegou aos 5%. Mas logo em Abril afundaram 40%, e não há melhorias para esperar nos meses que se seguem.


Atingindo um peso pouco recomendável na economia portuguesa, cerca de 15% do PIB, de 7% do emprego, e de 32% das exportações – cerca de 19 mil milhões de euros, 150% do que são, por exemplo, as exportações do sector automóvel – o turismo é suficiente para, por melhor que seja o lastro dos sectores verdadeiramente exportadores, demonstrar a impossibilidade de reverter as expectativas negativas das exportações portuguesas no curto prazo.


*Publicado ontem na Revista "Leiria Global"

Perplexidades*

Orientações Ministeriais e Perplexidades …


 


 


Uma investigação do jornal “Público” revelou, no início desta semana, mais uma perplexidade do negócio da venda – melhor será chamar-lhe entrega - do Novo Banco a um fundo americano, a Lonestar.


Revelava-nos essa investigação jornalística que o Novo Banco tinha vendido uma carteira imobiliária por 364 milhões de euros, praticamente metade do valor com que figurava no seu Balanço, com os consequentes prejuízos de umas centenas de milhões de euros, sobre os quais vem, depois, exigir o reembolso com que o Estado se comprometeu no contrato de venda que continua escondido, num total de 3,9 mil milhões de euros.


E revelava que essa venda tinha sido efectuada a umas sociedades, todas com a mesma sede, no Campo Pequeno, em Lisboa, detidas por uma sociedade luxemburguesa, por sua vez detida por um fundo escondido numa offshore nas Ilhas Caimão. A quem o Novo Banco emprestou o dinheiro para a compra.


A perplexidade não pode ser maior: o Novo Banco perde dinheiro, muito dinheiro, numa altura de pico imobiliário, em que toda a gente ganhava muito. A operação envolve uma teia de compradores, acabando numa inevitável offshore associada, mas evidentemente sem possibilidade de prova, à própria Lonestar. Que, por último, pede emprestado ao banco o dinheiro com que lhe vai pagar.


Como sempre, nada de ilegal. Tudo está de acordo com a lei. E mais, como veio o Novo Banco explicar em comunicado, de acordo com “as boas práticas do mercado”.


E aqui nasce a perplexidade final: esta gente do Novo Banco, com o seu presidente à cabeça, continua a achar-se coberta pela impunidade. Ainda não percebeu que o banco nasceu do BES, e do maior escândalo financeiro da História de Portugal. E que todas estas habilidades “legais” e correntes no mercado já não são politica e socialmente toleráveis.


A classe política, e em particular o primeiro-ministro, já percebeu isso muito bem. É por isso, e só por isso, que a coisa foi parar ao Ministério Público…    


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Nesta altura do ano nada melhor que um mergulho. É tempo de calor, de muito calor mesmo, de férias, de praia. De mergulhos que nos refresquem os corpos já queimados pelo sol e os neurónios de uma mente já cansada de um ano de trabalho.


É também por isso que, em vésperas de umas refrescantes e desejadas férias, o futebolês de hoje se lembrou de se socorrer de uma das suas expressões mais correntes: o mergulho!


futebolês utiliza a expressão com bastante propriedade. Todos sabemos que mergulhar na praia e na piscina – sendo sempre mergulhar – são mergulhos diferentes. Na praia mergulha-se nas ondas, na sua fase de rebentação, como forma de as contornar. É quase uma forma de enganar a onda: se ela vem toda lampeira para nos dar a volta – e às vezes arranca-nos do chão e faz-nos dar a volta completa – mergulhando, perfurando-a de um lado ao outro, saímos do outro lado incólumes e direitinhos, livres daquele vexame de ficarmos enrolados na areia, descompostos. Sem jeito nem compostura!


É um mergulho pouco elegante. Diria mesmo que, na maior parte das vezes, muito deselegante. Mesmo que não esteja a lembrar-me daquela imagem que as televisões têm em arquivo para colocar no ar sempre que a notícia tem a ver com obesidade – um fulano, gordo a valer, a correr areia fora em direcção à água, onde se estatela antes de qualquer mergulho – há ainda aquelas cavalgadas colectivas pela água dentro que, em vez dos também colectivos mergulhos, dão em monumentais chapanços que incomodam que se farta.


O mergulho para a piscina é diferente. Claro que as pranchas ajudam: dão a altura e a impulsão ao mergulho que lhe confere outra elegância.


futebolês encontra também dois tipos de mergulho, sendo um deles precisamente o mergulho para a piscina. O outro é tão-somente o mergulho do guarda-redes, que aqui faz, por assim dizer, a figura do mergulho de praia.


Não é um mergulho elegante. O guarda-redes mergulha aos pés do adversário. Não tem graça nenhuma. Já quando o guarda-redes se lança à bola num salto de felino tem bem mais graça. É bem mais espectacular!


Tal como no mergulho da praia, onde nem sempre se consegue enganar a onda e atravessá-la, algumas vezes a onda sai a ganhar – normalmente por inépcia do mergulhador – o guarda-redes nem sempre sai a ganhar. Muitas das vezes, em vez de enganar o adversário, sucede o contrário. É ele o enganado. Depois acaba naquela que é a chamada jogada clássica do avançado perante o guarda-redes: quando o avançado, esperto, faz aquela maldade de lhe desviar a bola in extremis. Quando o guarda-redes lá chega já só encontra as pernas do outro. A bola, essa já lá vai! E então lá sai o tal penalty bem arrancado pelo avançado! Se o árbitro não quiser enganar ninguém, evidentemente!


É que este é o que levanta a eterna questão do jogar a bola. Que não seria uma questão chata e complicada se não houvesse árbitros. Mas há! O guarda-redes tocou na bola e depois no adversário, que se estatelou no relvado: não há problema. Tudo legal, o guarda-redes enganou o adversário! Mas se árbitro estiver virado para outro lado temos o caldo entornado! É o árbitro que nos engana a todos.


Por isso é que eu prefiro o mergulho para a piscina. É mais elegante, tem mais estilo e é bem mais simples: apenas pretende enganar o árbitro. E depois tem outra vantagem: é que nos permite facilmente ver se o árbitro é dos que se querem deixar enganar!


Os melhores mergulhadores são sempre os avançados. Também nos médios se encontram bons mergulhadores. Nos defesas são mais raros.


Mas há-os e de grande nível: vejam lá o Fucile. Apesar de defesa é um dos que até poderia integrar o corpo especial de mergulhadores da GNR. O melhor especialista é, sem dúvida o CR 7 (agora, que o Raul já saiu, abre-se-lhe uma janela para voltar ao 7) mas já está tão marcado pelos árbitros nestes mergulhos como pelos adversários no resto do jogo. Mas a verdade é que não há ninguém que não goste do seu mergulho para a piscina. Não há ninguém que não faça a sua perninha!


Para a época que se vai iniciar o Benfica parte desfalcado do seu melhor mergulhador: Di Maria. O Sporting perdeu o Moutinho mas ainda preserva o Liedson, se bem que, pelo que se vai vendo, cada vez com menos hipóteses de mergulhar – sentado no banco não dá muito jeito! O FCP não só manteve como reforçou o seu corpo de mergulhadores que tanto jeito lhe dá: para além do já referido Fucile, mantém o Hulk, o Falcao e o Ruben Micael e ainda se reforçou com o já referido Moutinho.


Quem está mergulhado num mar de problemas, e este é outro tipo de mergulho, é Carlos Queiroz. Que grande mergulhador! O fôlego que é preciso para se aguentar tanto tempo debaixo de água!


 

Verdades e mentiras

Expresso | Caso Floyd. Milhares de pessoas nas ruas de Londres e ...


"Sempre que a esquerda sair à rua para dizer que Portugal é um país racista, nós sairemos à rua com o dobro da força para mostrar que Portugal não é racista". Foi com estas palavras que André Ventura justificou uma contra-manifestação de reacção aos protestos contra o assassínio de Bruno Candé, no passado sábado em Moscavide, agendados para sexta e sábado em várias cidades do país. 


É capaz de ter razão. Até aqui, em cada vez que tentou, deixou a ideia que Portugal não é um país racista. Com tão poucos apoiantes na rua, é verdade que deixou a ideia que nesta causa do racismo não tem muitos seguidores. A coisa já lhe corre menos bem quando garante que o fará com o dobro da força. Nas redes sociais, com anónimos e perfis falsos, onde facilmente cada um vale por mil, é fácil.  Na rua é um bocado mais difícil. Mas também já se sabe que declaração do Ventura sem mentira, não vale.


Não. Portugal não é um país racista porque o racismo é tabu em Portugal. Mas é um país onde há racismo. E onde há um racismo latente, de que se alimentam os Venturas desta vida. Essa é que é verdade!


 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Hà 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O rei Midas é uma personagem da mitologia grega que focou conhecida pelo seu extraordinário dom de transformar em ouro tudo o que tocava. Ainda hoje há gente assim: não que transforme literalmente em ouro, mas com grande capacidade de acrescentar valor às coisas em que se envolve.


Mas também há as pessoas do pólo oposto: aquelas que têm o maldito condão de estragar tudo em que mexam. E há ainda fases da vida das pessoas em que é tiro e queda! Às vezes acontece também aos melhores.


O primeiro-ministro José Sócrates há muito que anda numa fase dessas: estraga tudo o que toca. O que é uma enorme desgraça porque, de há muito tempo a esta parte, é ele que toca em tudo…


Começou por ter uma semana em cheio, como há muito se não via. Eu, que há muito me apercebi deste seu maldito dom, se bem se lembram, bem avisei: não estrague, não diga nada!


É certo que já não ia bem a tempo de o prevenir sobre o Freeport – aí já ele pusera a boca no trombone – mas, caramba, ainda havia a história da PT para preservar…


Não resultou. Ignorou a minha recomendação e, claro, estragou tudo.


É que ninguém ligaria nenhuma ao pequeno pormenor de não ter sido ouvido pela Justiça no âmbito do caso Freeport. Ninguém queria saber se os investigadores tinham preparadas perguntas para lhe colocar. Se eram 27 ou apenas uma ou duas. E muito menos se apenas ficaram na gaveta por falta de tempo para o ouvir.


Não passariam de meros detalhes sem importância se ele não tem resolvido mexer no assunto. Mas pronto. Mexeu e agora já ninguém consegue deixar de achar bizarro que Sócrates não tenha sido ouvido num processo em que o seu nome e os dos seus familiares foram os que mais chegaram à opinião pública. Mexeu e agora, quando tudo poderia e deveria estar arrumado, ai está a suspeita de volta. Se calhar mais forte que nunca!


O caso da golden share da PT estava perfeito. Era óbvio que só tinha que estar quietinho e caladinho para colher os resultados de uma campanha que tinha corrido bem melhor do que alguém poderia imaginar. Era a perfeição absoluta!


Qual quê? Desatou a lançar foguetes sem se lembrar que nesta época de incêndios isso é coisa que não se faz. É mesmo proibido! E nem sequer teve ninguém que lhe lembrasse a velha lei de Murphy :“se pode correr mal então vai mesmo correr mal”.


E pronto: transformou a perfeição absoluta num negócio de espertos que vendem o interesse nacional por 350 milhões de euros … em suaves prestações!


Assim é difícil! Não há razão atendível que valha nem estado social que safe a coisa!

Era uma vez na América...

EUA. Manifestantes de Portland processam Departamento de Segurança Interna


 


Portland é a maior cidade do Oregon, no noroeste dos Estados Unidos. Mas uma pequena cidade à escala americana, com cerca de 650 mil habitantes. É uma cidade de parques verdes e ciclovias, aberta às causas da cultura e do ambiente.


Mereceria viver em paz mas Trump, a três meses das eleições, e perante as piores expectativas, escolheu-a para palco do seu limitado argumento eleitoral. Os protestos na sequência da morte de George Floyd, que também lá tinham chegado, já estavam em fase de desmobilização.Trump entendeu enviar para lá a polícia federal, não porque fosse necessária para ajudar a polícia estadual a conter um movimento que já estava em desmobilização, mas precisamente pelo contrário. Para gerar revolta. E para depois lhe responder em nome da ordem e da autoridade, o único argumento eleitoral de Trump.


O resto não lhe interessa para nada. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Acho que um dos piores defeitos dos portugueses é a inveja. Como se ser invejoso já não fosse atributo suficientemente deplorável, a inveja arrasta ainda uma vasta série dos piores defeitos: a preguiça, a maledicência, a cobardia…


Isto bastaria para que eu me declarasse não invejoso e, mais, com raiva dos invejosos!


Portanto não tenho inveja nenhuma do Dr António Mexia, pessoa cujo currículo profissional admiro sem qualquer reserva. O que, ao contrário do que ele diz, não me impede de criticar o absurdo do abuso do tão badalado prémio de 3,1 milhões de euros que recebeu da EDP relativo ao exercício económico de 2009.


Não é por achar absurdo, particularmente inoportuno e mesmo ostensivamente ofensivo um prémio daquela dimensão que passo a ser invejoso. E não aceito que venha o Sr Mexia, que deveria ter pudor, recato e respeito pelos compatriotas que passam sérias dificuldades, chamar-me invejoso!


Também não sou dos que acham que é fácil gerir as empresas monopolistas e que se mantêm à sombra do Estado (ou será o Estado à sombra delas?) depois da privatização. E que sendo tão fácil não faz sentido procurar os melhores para a sua gestão.


Não, acho precisamente o contrário: é nestas empresas fáceis de gerir – EDP, Galp, PT, etc., onde recursos não faltam e a concorrência não aperta – que as grandes asneiras mais facilmente são tapadas. Maus gestores à frente destas empresas conseguem fazer mandatos sucessivos de decisões desastradas sem que os resultados os denunciem. Porque dão para tudo!


É aqui que são necessários os melhores gestores, naturalmente pagos em conformidade. Mas não em obscenidade! Para tirar resultados do potencial destas empresas, afinal das poucas que o país tem com dimensão internacional.


Não é também por aqui que me apanham. Isto é, ao criticar o prémio do Sr Mexia, não só não estou a ser invejoso, como não estou a ser populista nem a apanhar aquela onda da facilidade desprevenida. Estou, apenas e mais uma vez, a denunciar um abuso socialmente inaceitável e a utilizar a minha obrigação cívica de o condenar!


Sendo esta uma polémica que já não é nova, acredito que os meus mais fiéis leitores (se é que os tenho, mas presunção e água benta …) se estejam a interrogar sobre a oportunidade do tema: “mas por que é que este tipo foi agora pegar nisto, quando já quase toda a gente se tinha esquecido?” - admito que perguntem.


Por uma simples razão: é que o próprio Mexia, sentiu necessidade de, um pouco à maneira das estrelas nas revistas cor-de-rosa, vir limpar a imagem. Então encomendou – se não foi encomenda pelo menos parece – uma entrevista à Revista Única onde foi colocado numa posição super star doutra galáxia. Que tudo legitima e a quem tudo se perdoa!


Como fica sempre bem dar um ar de subida a pulso – esta é mais uma das especificidades do ser português, não perdoamos a quem salte directamente para o topo – a entrevista mostra-nos um Mexia deveras peculiar. Que foi estudar para Suíça porque, note-se, não tinha dinheiro. Mas porque tinha lá amigos. Que teve de trabalhar como modelo, mas também a vender roupa e até de carteiro. Bem ... era a meias com um amigo, e se calhar não era bem carteiro. Mas cujo avô era embaixador e negociador de tudo o que de importante foi negociado no seu tempo. E a família tem um título de nobreza: Conde de Arganil. Mas não nascera num berço de ouro: ia de boleia para o norte da Suíça, fazer esqui…


Não Sr António Mexia, não é preciso fazer estas piruetas. Não é com papas e bolos… Sabe bem que outra das coisas que caracterizam os portugueses é a memória. Curta!


Já todos se tinham esquecido… Não havia necessidade de nos vir chamar invejosos!

Higienização

Programas televisivos são o grande inimigo do desporto


 


A SIC parece ter dado um bom contributo para alguma higienização do futebol. Diz-se que a TVI vai seguir-lhe o exemplo, e acabar também com esses programas mal frequentados, onde gente que se diz gente chafurda durante horas a fio.


Não é no entanto o fim da linha para os amantes da chafurdice. A imundice continuará a jorrar num esgoto a céu aberto que se diz ser uma televisão. E a televisão pública também continuará a dar para o peditório, com o pretexto que lá não se chafurda, que são águas tratadas. Não são. São águas inquindadas do mesmo e ao serviço do mesmo. E dos mesmos.  


 

À espera de justiça

Ramalho espera que o Novo Banco deixe de ter prejuízos até 2025 ...


 


As vendas de créditos e de activos imobiliários, onde o Novo Banco apurava vultuosas menos valias que depois ia reclamar ao Estado português, eram suspeitas. Há muito que muita gente, incluindo nós aqui, vem falando disto.


E ainda bem. Não fosse isso e não teria havido investigação jornalística - e agora tiro o chapéu ao "Público" - e, não tivesse havido investigação jornalística, nada se passaria. Ou passava: passávamos todos por imbecis. Assim parace que já seguiu queixa para a Procuradoria Geral da República.


O "Público" investigou uma operação realizada em Outubro de 2018 e concluiu que o Novo Banco vendeu por 364 milhões de euros um vasto conjunto de mais de 13 mil imóveis que estava registado nas contas por 631 mihões. E vendeu a quem?   


Não se sabe. Vendeu a umas sociedades em Lisboa, detidas por uma soiedade luxemburguesa, detida por um fundo de investidores anónimos sedeado na Ilhas Caimão. A quem o próprio Novo Banco financiou a operação.


António Ramalho, que aparece sempre com asas e todo vestidinho de branco, emprestou dinheiro a não se sabe quem, para comprar uma fortuna em património imobiliário que vendeu por metade do valor contabilístico (não é do valor de mercado). E a seguir, com toda a arrogância do mundo, veio-nos buscar ao bolso a outra metade.


 Esperemos que lhe seja feita justiça.


A venda dos créditos é de investigação mais difícil. Mas o "chairman" do Novo Banco até veio directamente do comprador desses créditos...











 

 

 










 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Praticamente um mês depois da assembleia-geral (AG) da PT que recusou, por via da golden share, a oferta da Telefónica para a compra da sua participação na Vivo, aí está o ponto final numa complicada caldeirada que meteu de tudo: negócios e política, como já vem sendo hábito, relações internacionais, política doméstica, união europeia e … muito bluff.


Vendido: 7,5 mil milhões!


É uma história com final feliz. Ou assim parece. Espanhóis satisfeitos porque lograram os seus intentos. Accionistas da PT mais do que satisfeitos, afinal o negócio ainda rendeu mais 350 milhões do que o valor que tinham aceite na AG. Administração satisfeita porque ficou muito bem na fotografia, por todas as razões e mais uma. Ou três: não se deixou enrolar pelo bluff, pôs a Telefónica a negociar, coisa com que a arrogância inicial se não vislumbrava, e consegue ainda uma alternativa no mercado brasileiro por apenas metade do valor encaixado. E o governo, que é como quem diz, José Sócrates, satisfeito porque – quando depois da decisão do Tribunal da Comunidade já só se viam desgraças, desde indemnizações aos espanhóis à suprema desonra de meter o rabo entre as pernas e enterrar a golden share, passando pelo fardo do peso da responsabilidade por um casamento (PT/Telefónica) que já não tinha as condições mínimas para funcionar – consegue manter içada a bandeira do interesse nacional através da manutenção da presença no Brasil, agora pela via da OI.


Um final feliz e surpreendentemente rápido. Ainda na semana passada a Telefónica ameaçava com uma série de expedientes, entre os quais o da dissolução da holding brasileira, a Brasilcel, sedeada na Holanda. Ameaças de processos judiciais em fila à entrada do tribunal de Haia eram mais que muitas… No dia 16, data limite para a proposta dos 7,15 mil milhões aprovada em AG e chumbada pela golden share, a telefónica anunciava, precisamente à meia-noite, a retirada da oferta…


Afinal os escritórios de advogados desta vez não tiveram sorte!


Às vezes as coisas correm desta maneira. Repare-se que até Ricardo Salgado, de todos os accionistas o que mais batera na golden share, dela dizendo na altura o que Maomé não ousaria dizer do toucinho, referia já, numa conferencia do Jornal de Negócios da semana passada, que afinal a posição do governo não tinha sido tão negativa como inicialmente lhe parecera. Dizia então que já admitia que o valor da oferta ainda viesse a ser corrigido e que se poderia conseguir alguma coisa no Brasil, e que, se assim fosse, o mérito era todo do primeiro-ministro.


É quase como o regresso do filho pródigo. E uma semana em cheio para Sócrates: ontem o Freeport e hoje a PT!


Uma recomendação, sr Engenheiro: já agora não estrague, não faça como ontem. Faça um esforço e não diga nada!

Fatalidades

Mais de 800 operacionais no grande incêndio de Oleiros. Fogo já ...


Os incêndios voltaram em força, e de novo com mortes. É o nosso fado. Incontornável: no Verão há incêndios e neles morre gente. 


Há fogos pelas razões de sempre. Os anos passam e elas ficam. Permanecem como uma fatalidade. A floresta, o eucalipto, a desertificação... E a incúria, e o crime... Mas sempre com uma desculpa.


Morrem bombeiros. Se são dos mais velhos é porque já não estavam em idade de por lá andar. Quando são os mais jovens, é porque não têm experiência...


Este ano é a pandemia. Quando, na transição da Primavera para o Verão, se devia estar a trabalhar na prevenção dos fogos dos dias quentes que aí viriam, andávamos todos às voltas com a pandemia. Sem mãos a medir a fazer não se sabe bem o quê.


Mas deve ter sido isso. Pelo menos é isso que nos diz o Presidente Marcelo... 


 

sábado, 25 de julho de 2020

Derbi ao cair do pano

Benfica 2-1 Sporting: Águia vence dérbi e empurra leão para fora do pódio


Desceu o pano sobre este atípico campeonato 2019/2020. Não correu ainda todo até abaixo porque fica para amanhã a última decisão sobre a descida à segunda liga. Mas tapou-se já a parte cimeira da classificação, naquilo que ficara para definir na última jornada, do terceiro ao sexto lugar.


O Rio Ave, num ombro a ombro final levou a melhor sobre o sensacional Famalicão, que num jogo dramático e espectacular, com o Marítimo, no Funchal, perdeu o quinto lugar nos segundos finais, depois de parecer tê-lo assegurado com uma reviravolta fantástica já no período de compensação. E o Braga, ganhando ao Porto, com a vitória do Benfica no derbi, roubou o terceiro lugar ao Sporting.


Mas vamos ao derbi da Luz, onde o Sporting, mesmo que o Bruno Amorim - perder é mesmo lixado, e muda mesmo as pessoas - tenha achado que a sua equipa foi melhor, escapou a mais uma goleada.


O Sporting entrou bem no jogo, no estilo Bruno Amorim, a pressionar alto. O jogo estava aberto, e aos poucos o Benfica foi respondendo até se começar a superiorizar definitivamente a partir dos dez minutos iniciais. Começou então a desenhar-se aquele que seria o melhor jogo da equipa na segunda volta deste maldito campeonato.


O futebol era agradável, e as oportunidades de golo começaram a suceder-se. Aos vinte e sete minutos surgiu o golo, de Seferovic. Que parecia já apenas o primeiro de muitos. Não foi, foi apenas o único em seis claras oportunidades para marcar.


A segunda parte iniciou-se sob os mesmos auspícios, com duas oportunidades flagrantes logo nos dois primerios minutos. Só que voltou a acontecer o que já é habitual: aos poucos o Benfica deixou adormecer o jogo, e adormeceu com ele. Quando deu por ela estava no meio de um segundo quarto de hora que remetia para tudo o que de mau tinha feito no pior período de Bruno Lage. Nesse período o Sporting construiu as suas duas únicas oportunidades para marcar. Aproveitou uma para fazer o golo do empate, o resultado que afinal procurava e que lhe permitiria assegurar o terceiro lugar na classificação.


Por aquilo que foi o Benfica da segunda volta, e em especial depois do regresso da competição, não se esperava que a equipa reagisse e regressasse ao domínio do jogo. Não aconteceu assim porque, seja lá pelo que for, a saída de Bruno Lage fez bem à equipa. Vê-se que tem mais tranquilidade e que está mais forte. E vê-se até que há situações de jogo que vêm trabalhadas do treino, como se viu na forma como defende, e como se viu claramente nas bolas paradas, que já são variadas, e não acabam  todas bombeadas sem nexo para a área.


E à entrada do último quarto de hora, com a entrada de Rafa, o Benfica voltou a mandar claramente no jogo e a criar novas oportunidades para marcar. O golo - de Vinícius, que entrara para substituir Seferovic, e que lhe valeu o título de mehor marcador da liga - surgiria a dois minutos dos 90, a garantir uma vitória demasiado curta para aquilo que foi o jogo. Onde a goleada só não aconteceu porque este Benfica de Veríssimo recuperou muita coisa, mas não recuperou ainda a eficácia.


Chegou ao fim este campeonato verdadeiramente medonho, que ainda há poucas semanas parecia poder acabar num pesadelo capaz de se projectar para a final da Taça, daqui a uma semana. Que é muito importante ganhar, e que hoje pode ser encarada com renovadas expectativas. 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Suprema ironia: Contador ganhou o Tour com 39 segundos de vantagem sobre Schleck!


Os mesmíssimos 39 segundos ganhos na tal etapa. Naquelas circunstâncias!


Mas hoje já não houve assobios. A encenação do Tourmalet resultou!


 

Debates, democracia e populismo

Bloco central” aprova fim dos debates quinzenais. Primeiro ...


 


Hoje debate-se o estado da nação. No Parlamento, onde se vai passar a debater menos.


António Costa e Rui Rio acordaram (de acordo, mas também de acordar, com espreguiçadela e tudo) em acabar com os debates quinzenais, propostos pelos próprios social-democratas há treze anos, governava um tal de José Sócrates. Tanto quanto se conhece a proposta partiu mesmo de Rui Rio, com o argumento que o chefe do governo tem de trabalhar. Primeiro ministro é para trabalhar, não é para debater, entende o presidente do PSD. Não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo!


A António Costa dá jeito. E dá especialmente jeito que tenha partido do seu principal adversário, transformado em aliado principal.


O parlamento é o centro do debate democrático. É assim em todas as democracias. Os cidadãos já têm a sensação que a democracia lhes é limitada ao exercício do direito de voto de quatro em quatro anos. E quantos sentirem isso, mais crescerá a abstenção. Desvalorizar o Parlamento é desvalorizar ainda mais a democracia, e é acelerar a dinâmica viciosa da abstenção. 


O populismo gosta disto, evidentemente. Não é preciso chamar-se André Ventura para ser populista. E já tínhamos percebido no desprezo de Rui Rio por muitos dos rituais da democracia a sua própria maneira de ser populista. E se é inaceitável que tenha imposto a disciplina de voto aos deputados do seu partido numa matéria como esta, é simplesmente chocante que, no fim, tenha declarado que o Parlamento saiu dignificado.


 

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Amália eterna

Centenário de Amália Rodrigues 1920-2020 - YouTube


Ela dizia que nascera no tempo das cerejas, no primeiro dia de Julho do primeiro daqueles anos loucos. Mas é o dia 23 de Julho que consta dos registos oficiais, e por isso, oficialmente, comemora-se hoje o centenário do nascimento de Amália Rodrigues.


A nossa eterna Amália!


Cem anos são apenas 100 anos, não são a eternidade. Amália é demasiado grande para caber nos limites do tempo, e é por isso eterna. Antes de o ser, já o era. Mesmo que ninguém o soubesse.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 Se há expressões do futebolês com algum grau de dificuldade, como a atitude da passada semana, aqui está uma expressão que não apresenta qualquer dificuldade: toda a gente sabe o que é um frango!


Daí que nem valha a pena especular o que quer que seja à volta do frango. Mas sempre adiantaria alguma coisa sobre a essência do frango. Há quem a vislumbre numa certa semelhança entre a forma como a bola foge das mãos do guarda-redes e a agilidade como o propriamente dito foge dos seus perseguidores. Pela minha parte, não negando essa analogia e reconhecendo-lhe mesmo algum mérito, sugeriria algo semelhante que passa precisamente pela analogia com aquela posição de alguém que, de rabo para o ar e procurando apanhar o frango à saída da capoeira, o deixa passar entre as mãos e as pernas ficando, quanto muito, com as mão cheias de penas. Não quero puxar a brasa ao meu frango mas esta analogia parece-me bem que faz mais sentido!


Os frangos fazem parte de uma história à parte na história do futebol. E constituem, muitas vezes, um espectáculo á parte dentro do espectáculo do futebol. Basta procurar no youtube


Ainda agora, no mundial da África do Sul, foi uma verdadeira festa de capoeira. Então aquele do keeper inglês, Green de seu nome, frente aos Estados Unidos…


Todos guardamos na nossa memória frangos monumentais. Eu nunca mais me esqueço – era ainda muito miúdo – daquele frango do saudoso Costa Pereira que, em 1965, tirou ao Benfica a terceira Taça dos Campeões Europeus para oferecer ao Inter a sua primeira … e única até há pouco! Curiosamente seria outro português – Mourinho – a oferecer-lhes a segunda, 45 anos depois!


Este é, todavia, um frango já pouco apoquenta a memória dos benfiquistas. Já foi há tanto tempo e, afinal, a história do glorioso também é feita destas coisas!


Hoje, para os benfiquistas, frango traz-lhe outras recordações e … outras preocupações. Frango é … Roberto! É 8,5 milhões! E é até, vejam bem, Jorge Jesus!


O Quim tinha feito uma grande época – parece que só Carlos Queiroz é que não deu por isso – mas, para Jesus, não era guarda-redes que desse pontos. Daí que se tivesse apressado a despedi-lo, mesmo pela televisão. O titular da selecção – Eduardo, que Jesus bem conhece por tê-lo treinado na penúltima época – não era opção, também não dava pontos!


O guarda-redes que vinha dar pontos estava em Espanha. Era o terceiro guarda-redes (!) do Atlético de Madrid e fora emprestado ao Saragoça na segunda metade da época passada: 24 anos e 1,94 metros de altura. Alto, como Jesus gosta!


Um problema logo à partida: tinha custado 8,5 milhões de euros. Um valor inimaginável para um guarda-redes e para o mercado português. A mais cara contratação da época!


Nada que a imprensa não tratasse logo de resolver: o Benfica tinha-se antecipado à armada britânica. Um clube inglês oferecia 12,5 milhões. Logo outro oferecia 14 milhões. O Roberto só podia ser muito bom. Só podia dar mesmo muitos pontos!


Começam os jogos e as coisas não correm nada bem. Pior, já nenhum benfiquista consegue ver como é que poderão correr bem! Um frango é um frango, ninguém está livre. Calha aos melhores! Mas só frangos?


Está lançado o pânico nas hostes benfiquistas. A imprensa, que quisera ajudar, só desajudou. Afinal apenas fizera subir a fasquia!


Por muito que Jorge Jesus resista ao pânico e não se canse de tentar pôr água na fervura, aos benfiquistas apenas resta uma dúvida: se o Roberto pode vir a ser um guarda-redes sofrível, se é apenas um equívoco incompreensível ou se é um negócio estranho.


Ontem à noite, sem paciência para continuar a ouvir disparates sobre a revisão da Constituição, ao fazer um zapping pela tv, dei comigo no canal Q, num programa com um nome sugestivo: “Sacanas sem lei: ponta de lança em África”. Lá estavam a Leonor Pinhão – a pivot e, como se sabe, benfiquista empedernida – o José Fialho Gouveia (o filho, por quem eu tenho um carinho especial e que já trouxe aos meus escritos em algumas ocasiões), igualmente benfiquista e César Mourão, um humorista da nova geração e sportinguista. A missão do programa estava anunciada: reabilitar Roberto. Uma missão impossível, reconheciam os próprios!


Entre os diversos instrumentos de reabilitação surgiu um vídeo (terá sido o mesmo que venderam ao Rui Costa e ao Jesus?) com as famosas defesas do Roberto no Saragoça. Defesas atrás de defesas. Impressionante! Na maior parte das vezes a bola ia-lhe direitinha ao corpo…


Veio-me logo à cabeça um nome: Moreto!. É isso. Aí temos outro vez o Moreto. Só que desta vez chegou sem cenas no aeroporto! E o FCP deve andar distraído, o que também ajuda!


 

O plano e os milhões

Costa Silva sai em defesa do TGV: “Não quero saber se é alta ...


Coincidência, ou não, a apresentação da “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030” de António Costa Silva - que vai estar em discussão pública durante um mês -aconteceu pouco depois de se ver o fumo branco que saía  da reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.


Sem os milhões de Bruxelas, sejam lá eles o que forem - na verdade toda a gente festeja aqueles números cheios de zeros, mas ninguém sabe ainda muito bem o que aquele fumo branco anunciou - não haveria "recuperação económica". E não havia "visão estratégia" que nos valesse.


Sabe-se  como tem sido frequente em Portugal gastar por gastar. Há dinheiro, tem que ser gasto, não importa como. Tem sido assim, com pouco rigor e nenhum proveito. A não ser para os mesmos de sempre que, invariavelmente com grande visão estratégica e maior capacidade empreendedora, esgotam os seus talentos em projectos de caça aos fundos.


Esperemos que o dinheiro continue a correr, e cá chegue todo o que está anunciado. Que o Plano Estratégico de Costa Silva reúna consenso alargado para a sua aplicação.  E que milhões e Plano casem por interesse para nos fazerem felizes para sempre.


Não estamos nada habituados a finais felizes, mas gostamos sempre de acreditar neles.


 

terça-feira, 21 de julho de 2020

Histórias de um jogo sem história

Goal | Golo Gonçalo Ramos: Desp. Aves 0-(4) Benfica (Liga 19/20 ...


 


Quis o calendário que o último jogo em casa do Desportivo das Aves desta Liga fosse com o Benfica. Quis gente de poucos escrúpulos que, em vez de um simples e normal jogo de despedida, fosse mais uma triste e lamentável página na história do futebol português.


Esteve para não se realizar, porque depois de acumular incompetência, incumprimentos e provavelmente crimes de toda a ordem, a administração da SAD inviabilizou todas as condições para que este jogo se não realizasse. Este e o que a agora fica a faltar, em Portimão.


O jogo acabou por se realizar porque o presidente do clube, eleito há vinte dias, tudo fez para isso. E iniciou-se por isso com uma manifestação de protesto dos jogadores do Aves que, sem salário há meses, ainda se dispõem a honrar aquela camisola. Com um minuto de paragem, de inacção, com que naturalmente os jogadores do Benfica se solidarizaram.


Esgotado esse minuto, em que os jogadores do Benfica trocaram entre si a bola no seu meio campo, o jogo iniciou-se como se fosse uma corrida de automóveis depois da entrada do safety car. E o Benfica marcou logo, num belo lançamento de Pizzi a que Rafa respondeu com velocidade e categoria. Fez lembrar coisas que se passavam há uns meses largos. 


Pensou-se então que, conjugando-se o regresso da qualidade de jogo com as naturais fragilidades da equipa avense, o Benfica partisse para uma boa exibição, para uma goleada das antigas e ... para garantir para Pizzi, ou para Vinícius, o título de melhor marcador do campeonato. Coisa de resto há muito anunciada, quando os dois levavam grande avanço para toda a concorrência.


Nada disso se confirmou. Nem a exibição de luxo, nem os golos que assegurassem o feito a qualquer deles. Pizzi ainda fez por isso, e acabou até por marcar. De penalti, já na segunda parte, o que seria o segundo golo da equipa. Vinícius nem por isso fez. Fez apenas por parecer até justo que o Nelson Veríssimo tivesse decidido cortar-lhe mais possibilidades de o fazer, substituindo-o bem cedo, logo no início da segunda parte, e lançando Seferovic e a nulidade chamada Dyego Souza. Mais tarde, nos últimos dez minutos, fez o mesmo com Pizzi, estreando o miúdo Gonçalo Ramos.


Que entrou e marcou. E voltou a marcar, já mesmo sobre o apito final, no último dos três minutos de compensação com que o árbitro não quis, e bem, castigar os briosos jogadores do Aves. Uma estreia histórica: seis minutos em campo, e dois golos, a explicar a Vinícius e a Dyego Souza como se faz, e a assinar a goleada que teria de fazer parte da história de um jogo com tantas histórias, mas com pouca história.


Para a História fica Gonçalo Ramos. E o segundo jogo consecutivo sem sofrer golos - desta vez com a surpresa de Svilar na baliza - que é coisa a que já não estávamos habituados, num campeonato que, como o vento, tudo levou. Desde os muitos pontos de vantagem, aos números que garantiram durante largos meses a melhor defesa e o melhor ataque do campeonato.


 

Já há acordo. Haverá?

Conselho Europeu - Consilium


 


Como ontem aqui escrevi iria chegar-se a um acordo: "Mais hora, menos hora, mais milhão menos milhão".


As horas foram ainda muitas, foi até às 5 da manhã. De hoje. E os milhões concertaram-se, com os cinco a permitirem que, no pacote dos 750 MM, as subvenções a fundo perdido cheguem aos 390 MM de euros, quando a posição inicial da Comissão Europeia, e da Alemanha, França e países do sul estava em 500 em subvenções e 250 MM em crédito.


Sem grandes surpresas, portanto. 


Surpresa é que não se fale de condições, e se dê tudo por arrumado e definitivo. Talvez não seja bem assim, mas vamos ver...


 


 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Nunca me parece bem que, quando alguém toma a iniciativa de apresentar uma proposta, seja qual for o enquadramento, venha outro alguém dizer que não é o timing certo. Normalmente quando não há capacidade crítica para contrapor vai-se por aí: que não é oportuno! Sugere-se que a coisa até nem está mal pensada mas não é para agora! Está fora de tempo e estar fora de tempo é estar mal sem que se diga que está mal. É estar errado!


A verdade é que é mesmo o que me parece acontecer com a proposta de revisão constitucional que o PSD lançou no país.


E aqui abriria um parêntese para referir que também tenho alguma dificuldade em aceitá-la como proposta do PSD. Na verdade tenho alguma dificuldade em percepcioná-la assim no meio da enorme confusão que foi a sua divulgação. À revelia da direcção do partido, que mais não tem feito que correr atrás do prejuízo, também ela meio surpreendida com a proposta e com o seu timing e a ter que explicar, muitas vezes, uma coisa e o seu contrário. E com claras e sucessivas manifestações de divisão partidária vindas de todos os lados, incluído a sagrada Madeira. Portanto: proposta do PSD mas com as devidas reservas!


Mesmo não gostando de invocar essa razão, como atrás manifestei, tenho imensa dificuldade em encontrar uma razão atendível – para utilizar aquela que, seguramente, será a mais discutível expressão utilizada na proposta – para, quando o país vive o drama da ingovernabilidade e da incompetência governativa, transformar a revisão constitucional na grande questão nacional do momento.


Não faz qualquer sentido e parece-me mesmo que foi a maior maldade que alguém do PSD poderia fazer ao seu presidente. Não é apenas por o ter obrigado a canalizar todas as energias para uma questão que, na actual conjuntura, é absolutamente extemporânea para a generalidade dos portugueses. É que foi uma boa tábua lançada ao governo – e é ver como saltou todo o governo, à excepção do ministro das Obras Públicas, que anda mesmo desaparecido – que pôde dedicar-se em exclusivo à defesa do Estado Social e apresentar-se como o único arauto da defesa dos direitos dos trabalhadores, do Serviço Nacional de Saúde e do Ensino Público como grande promotor da igualdade de oportunidades.


Quando a notícia absolutamente incontornável é a do agravamento do défice na execução orçamental do primeiro semestre. Quando esse agravamento persiste apesar da receita fiscal ter superado a orçamentada. Quando esse agravamento mostra que o monstro continua a crescer desmedidamente, apesar de sabermos que continuam os processos de desorçamentação. Quando aos portugueses todos os sacrifícios são impostos e o Estado continua alegremente a esbanjar, como o episódio dos carros que aqui referi há uns dias ilustra, não se encontra uma razão atendível para transformar a revisão da constituição na grande questão nacional deste tempo!

A miragem europeia

Conselho Europeu. Reunião bloqueia com finca-pé holandês — segundo ...


 


A reunião extraordinária do conselho europeu para aprovar a resposta da União à crise da pandemia, em Bruxelas, atravessou todo o fim de semana e entrou, sem fim à vista, por esta segunda-feira. 


Demos a bazuca por certa, e parecia que já faltava definir o modo de uso, o seu manuseamento. Afinal não era bem assim, e o que há três meses se viu não foi uma luz, mas uma miragem. Fenómeno frequente no deserto, que é mais ou menos aquilo em que a União Europeia se transformou.


Vai chegar-se a um acordo, não tenho muitas dúvidas disso. Mais hora, menos hora, mais milhão menos milhão. Na altura em que escrevo, aquele ponto de encontro em quem pede e quem oferece, que sempre existe algures em qualquer feira, até nem estará muito longe. Os ditos frugais, os cinco, já aceitam que a contribuição a fundo perdido possa subir aos 350 MM de euros; e a Alemanha, a França e os países do sul já aceitam que desça até aos 400 MM de euros. Só que depois surgirão novos pontos de clivagem à volta das condições de utilização, e novos bloqueios. E quando finalmente se tiver chegado a novo ponto de encontro já a resposta terá perdido toda a oportunidade.


Não é as razões de cada uma das partes que está em causa. Nem a legitimidade em exigir rigor na utilização que cada país faça dos recursos que a União ponha à sua disposição. Com objectivos e controlo desses objectivos, e não com penas ou ajustes de contas. O que está em causa é o processo de decisão que bloqueia o funcionamento da União. E, pior, que subverta os seus princípios fundadores. 


Não é grave que haja países com visões diferentes sobre a União Europeia. Grave é a cedência em princípios do Estado de Direito que têm de ser inegociáveis e, como se já não bastasse o próprio paradigma do processo de decisão, que até a violação dos princípios democráticos sirva de moeda de troca negocial.


Mais que deplorável, é a morte moral da União. A História da Humanidade diz-nos que é normalmente por aí que tudo começa.


 


 

domingo, 19 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O ciclismo atinge, nesta altura do ano, com a Volta a França – a maior prova do mundo, ao nível dos grandes acontecimentos noutras modalidades – o estatuto de rei das modalidades desportivas, concentrando a atenção mediática mundial.


Se há modalidade que se alimente dos seus ídolos, os heróis que arrastam multidões e que incendeiam paixões que explodem em rivalidades muitas vezes levadas aos extremos, essa é o ciclismo. Parece-me que apenas o automobilismo, e a fórmula 1 em particular, lhe poderá disputar essa condição.


O ciclismo vive, e é essa a sua história, de duelos. De duelos individuais onde se projectam as paixões que dividem os adeptos. Tudo é visto à luz desta tão simples realidade!


Depois de dois anos de afastamento, por decisão precipitada de pôr fim a uma carreira inigualável de sete vitórias consecutivas na Volta a França, o americano Lance Amstrong regressaria no ano passado. Marcado estava já o duelo com o espanhol Alberto Contador. A idade, também a interrupção da carreira e, por que não, os incidentes próprios da corrida, afastariam este enormíssimo campeão do duelo com o espanhol. Intrometer-se-ia um jovem luxemburguês que puxaria para si o papel de principal desafiador do espanhol: Andy Schleck.


A corrida deste ano transformou-se num extraordinário duelo entre Contador e Schleck que, entretanto, surgiria com alguns handicaps. O maior foi mesmo o abandono, por sucessão de quedas, do seu irmão Frank que, para além de excelente ciclista, seria o esteio do seu apoio de equipa.


Um duelo de gigantes que se vinha desenrolando diariamente, montanha atrás de montanha, com o jovem luxemburguês, apesar de um evidente menor apoio da sua equipa, a ganhar ligeira vantagem e a tomar a maior parte das iniciativas de ataque. Tinha a camisola amarela com uma ligeira vantagem de 31 segundos que, segundo os entendidos, era muito curta para o último assalto: o contra relógio de sábado, onde Contador será teoricamente mais forte.


Ontem, em plenos Pirinéus, Andy Schleck continuava a ser o dono da iniciativa. De repente desencadeia um ataque. Fortíssimo, ao que parecia. Contador não reagiu de imediato e parecia ficar para trás. Era um seu colega de equipa quem respondia quando se solta a corrente da bicicleta do luxemburguês. Não tem alternativa, tem que parar e tentar remediar a avaria. Enquanto isto Contador contra ataca, apoiado no seu colega de equipa e em mais dois interessados: o terceiro e o quarto da classificação geral.


Andy Schleck, apesar de uma corrida épica, em especial aquele resto da subida onde, completamente sozinho, ia passando por tudo e por todos, perde 39 segundos. Os 31 que tinha de vantagem passavam para 8 de desvantagem. A camisola amarela passa para Alberto Contador que, ao vesti-la, vê os aplausos substituírem-se por assobios e apupos.


A atitude de Contador, que não respondera ao ataque frontal e corajoso do seu o adversário mas que logo o soube atacar quando o viu impedido de reagir, recebia a reprovação do público. Perante esta reacção defendeu-se da pior forma: não tinha visto! Vendo que tinha escolhido a pior das formas de se defender, acabaria a pedir desculpa e a penalizar-se pela deslealdade.


Independentemente das opiniões de facção – claro que “Contadoristas” e “Schleckistas”têm opiniões contrárias – mais que a questão do desportivismo e do fair play, levanta-se claramente a questão da deslealdade. É que, ao contrário das respeitáveis opiniões de muitos especialistas, entre os quais Marco Chagas (não quero acusá-lo de “Contadorista” mas é estranho que ache que o público apupa Contador e aplaude Schleck só porque um é espanhol e outro luxemburguês), defender que há aqui um problema de deslealdade não significa dizer que Contador tinha alguma obrigação de parar e ficar à espera de Schleck. Não tinha nem me parece defensável que a tivesse. A alternativa não era essa. Seria sim a de manter as condições da corrida, ficando o adversário com a obrigação de recuperar de um incidente de corrida. O que Contador fez foi bem diferente: aproveitou-se da infelicidade do adversário e atacou. E fê-lo em condições de dinamizar e gerir apoios de que tirou vantagens!


E isto é desleal. Goste-se mais de Contador ou de Schleck! E é por isto que cada vez que o Contador vestir a camisola amarela o público há-de assobiar! Até Paris!


A lealdade é um dos mais rarefeitos valores das sociedades actuais. Os fins justificam os meios. Os interesses pessoais sobrepõem-se a tudo, já só resta a lealdade dos interesses: aquela deplorável lealdade canina (não confundir com a lealdade dos cães, a mais nobre das lealdades) e subserviente. A outra, a da honra e da coragem, essa desapareceu!


 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

À política o que é da política*

Ricardo Salgado acusado de 65 crimes incluindo associação ...


O país ficou esta semana a conhecer a acusação a Ricardo Salgado, e com ela a saber mais um pouco das linhas com que durante tantos anos se coseu.


Na semana passada a EDP mostrou outro tanto. Em curso, e à espera que a sua hora chegue, estão outros tantos, com a Operação Marquês à cabeça. Irão mostrar mais dessas linhas e mais das teias que o regime teceu, com a certeza que os nomes são os mesmos. O país não é assim tão grande, e Ricardo Salgado era afinal “o dono disto tudo”.


Quando, nas raras vezes em que são confrontados com alguma coisa, os políticos se sentem incomodados com questões judiciais, logo respondem, como que a sacudir a água do capote, que “à Justiça o que é da Justiça, e à política o que é da política”.


Mesmo que tarde – e mais vale tarde que nunca, como recordou o Presidente da República – a Justiça está a responder. E se olharmos bem para a dimensão da acusação, para o nível de sofisticação e de complexidade do que está em causa, talvez aceitemos que, para descobrir aquilo tudo, cinco ou seis anos não seja tempo de mais.


Se o trabalho dos procuradores e de toda a investigação foi bem feito, acusação estiver solidamente sustentada em factos cabalmente provados, e o trabalho dos juízes vier a ser igualmente bem feito, a Justiça terá feito a sua parte.


Mas para que o país mude, e deixe definitivamente de ser o que a Justiça nos está a mostrar que é, não basta uma acusação, um julgamento e uma punição. Falta o resto. E o resto é limpar as teias, é fechar as portas giratórias e é introduzir ar fresco no sistema. O resto é … da política.


Justamente: “à política o que é da política”. Pena que daí não venham grandes sinais…


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Não precisar deles

Marcelo e Cavaco já não escondem tensão


 


A acusação a Ricardo Salgado - de de mais dezassete outras pessoas singulares e e sete pessoas colectivas - chegou seis anos depois do colapso do BES. Vai ser julgado por sessenta e cinco crimes, entre eles os de associação criminosa e corrupção activa, que terão causado perdas de 12 mil milhões de euros. 


No epicentro da acusação está uma offshore criada nas Ilhas Virgens Britânicas para titular uma conta bancária na Suíça, um gigantesco saco azul de onde saiam as largas centenas de milhões de euros com que Ricardo Salgado comprava o que havia a comprar.


Sabe-se o que comprou, até ficar dono disto tudo. 


Dei conta de duas, apenas duas, reacções políticas à acusação de Ricardo Salgado. Uma foi de Rui Rio, que não teve mais nada a dizer se não que demorou muito tempo. Nem se esperava que tivesse outra coisa para dizer... Mas não tem razão. Apurar em seis anos o que resulta da acusação, em matérias desta natureza, é um grande trabalho. E Rui Rio deveria saber isso.


Outra foi do Presidente Marcelo, dando a acusação como uma boa notícia. Marcelo, que era amigo pessoal de Ricardo Salgado e com quem até passava férias...


Uma das coisas que se soube é que esse milionário saco azul serviu também para Ricardo Salgado financiar as campanhas presidenciais de Cavaco Silva. Que, Presidente da República, incentivaria a compra de acções no aumento de capital do BES, a quinze dias da falência do Banco.


Cavaco não se pronuncia, não tem nada a dizer. E enquanto alguma comunicação social reduz a notícia a simples nota de rodapé, outra apressa-se a querer fazer-nos crer que Cavaco não tinha conhecimento de estar a ser financiado por Ricardo Salgado.


Não é preciso nascer duas vezes para ser mais sério do que quem quer que seja. Como bem explicava Marcelo na sua própria campanha para as presidenciais de 2015, basta não precisar deles.


Não precisar deles. Isso mesmo. De outra forma tudo se resume sempre a uma questão de preço...


 


 

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Confesso que a atitude é, entre todas as expressões do futebolês já aqui trazidas, a que mais me impressiona. Serve para tudo, tudo resolve. Anda na boca de toda a gente!


A equipa perdeu? Faltou-lhe atitude! Ganhou? Que grande atitude!


Tudo se perdoa menos a falta de atitude. Tudo se exalta, mas nada o é mais que a atitude.


Então mas o que é realmente essa coisa tão virtuosa? O que é afinal a atitude?


Não sei! Confesso humildemente que não sei.


Alguma vez haveria de acontecer… pois é desta! Aviso já que ainda há outra – a mística – mas essa fica para outra altura.


Admito, mas apenas isso, que a atitude se refira à entrega dos jogadores. À forma como lutam, correm… À forma como disputam cada lance. À raça, que seria, assim e em futebolês, o rigoroso sinónimo de atitude.


Àquilo que também se chama comer a relva, uma expressão do mais puro futebolês que nada tem a ver com qualquer condição herbívora dos jogadores. Apenas mais uma metáfora que pode ajudar a perceber a atitude. Ou deixar a pele em campo, outra das bem eloquentes expressões do futebolês!


Quem é capaz de deixar a pele em campo é quem come a relva. Quem dá tudo o que tem. Quem não se poupa nem se esconde! É o jogador que dá garantias. Que faz a felicidade de qualquer treinador, que deixa tudo em campo! Dos que “saltam comigo para a selva” como disse Carlos Queiroz, ainda atordoado quando acabara de levar seis do Brasil. Uma expressão que não pegou, até porque, com tanto medo como revelou, nem ele próprio nunca chagaria a saltar.


Em Portugal, nos últimos anos e, creio eu, que pela simples razão de ganhar muitas vezes, foi-se construindo a ideia de que a atitude estava toda concentrada no FCP. Era lá que estava a fonte da eterna e inesgotável atitude. Quem lá chegasse bebia daquela fonte e pronto: ficava com atitude para dar e vender.


Esta ideia fez de tal forma percurso que viria a desembocar no mito da encarnação da atitude: o jogador à Porto!


jogador à Porto é a própria atitude em carne e osso. Há jogadores com atitude mas há mais do que isso – há o jogador à Porto!


Há dois tipos de jogador à Porto: o autóctone, que lá se fez, naquela escola de virtudes a beber daquela fonte inesgotável de atitude, e o tipo pescada – antes de ser já o era! Que já é jogador à Porto antes de chegar ao Porto.


Quando Pinto da Costa descobre um destes jogadores á Porto, do tipo pescada, já se sabe que vai dar caldinhoCaldinho à Pinto da Costa, como o Sporting bem sabe!


Conhecemos muitos destes jogadores á Porto. Assim de repente lembro-me de Cristian Rodriguez, de Ruben Micael e, claro, de João Moutinho, que a meio da época passada Pinto da Costa declarara jogador à Porto, com as consequências conhecidas.


Do primeiro lembro-me do seu enorme carácter: já tinha assinado contrato com Pinto da Costa mas em Portugal só jogaria no Benfica. E depois foi o que se viu, sempre um modelo de elevação a referir-se ao clube que o havia libertado das trevas do banco do PSG e projectado para o futebol nacional e para a selecção do Uruguai (sol de pouca dura: uma expulsão - a que no Porto não estava habituado –, correspondente castigo e … adeus África do Sul)!


Para o Ruben Micael nem há palavras. Foi a narrativa da sua própria experiência pessoal em matéria de túneis, foi a brutal agressão do Jorge Jesus e sei lá mais o quê. A sua atitude e o seu carácter apenas não se confirmaram com mais veemência porque uma lesão o afastou dos jogos … e dos microfones. Mas já regressou, e em grande forma. Agora a manifestar os seus encantos com o novo treinador (ou treinador novo, muito novo?), coisa que não sabe fazer sem ser desagradável com o anterior, o velho, muito velho. “Fazemos exercícios que nunca fizemos” ou “treinamos com uma grande intensidade, que é uma coisa a que não estávamos habituados”, são expressões de grande atitude. De grande elevação e de grande respeito por Jesualdo Ferreira. De grande carácter mesmo!


Já o João Moutinho é um caso flagrantemente diferente. Inverso mesmo. Se no Sporting havia alguém que pudesse simbolizar a atitude era mesmo ele. Deixava a pele em campocomia a relva, era o capitão e o símbolo. Mas assim que Pinto da Costa o leva (e, ao contrário dos outros dois, com uma espécie de aviso prévio) transformou-se por completo. E não se transformou apenas num crápula empedernido, transformou-se numa maçã podre!


Obviamente

Iniciativa Liberal anuncia providência cautelar contra nomeação de ...


 


Uma semana depois do deputado da Iniciativa Liberal a ter anunciado, o Supremo Tribunal Administrativo  recusou a providência cautelar à nomeação de Máio Centeno para a governação do Banco de Portugal, dizendo o que só poderia dizer:


“Ainda que se pudesse censurar eticamente toda a situação de facto invocado pelo requerente, na realidade não deixa de estar em causa, perante a lei, um ato político, sem que esteja em causa a censurabilidade de qualquer questão de legalidade relativa ao mesmo".
Obviamente!


Tão óbvio que deixa a iniciativa da Iniciativa ao nível da brincadeira. Para não dizer má-fé!


 


 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Uma aspirina para a despedida


 


As despedidas são sempre difíceis, e muitas vezes tristes. A despedida do Benfica ao título de campeão não foi diferente: difícil, e muitas vezes  triste. 

 

Triste de mais, em muitas fases da primeira parte do jogo desta noite, na Luz, quando os jogadores do Vitória de Guimarães chegaram a parecer todos melhores que os do Benfica. E alguns mesmo muito melhores. como foi o caso do britânico Edwards. E, pasme-se, até Ola John.

 

O inicio do jogo ficou marcado por muitas falhas individuais dos jogadores, de ambos os lados. Os de Guimarães rapidamente serenaram, talvez até por perceberem que os adversários não atemorizavam ninguém, e passaram a mandar no jogo, e a criar oportunidades para golo. Nos do Benfica tudo falhava, e falhavam no básico da técnica individual, como a recepção e o passe. Chegou a ser aflitiva a sucessão com que perdiam a bola, justamente por maus passes e péssimas recepções.

 

Valeu ao Benfica nesta fase aquela pontinha de sorte que tão arredada andou durante jogos a fio, e que fez com que o Vitória não marcasse em três ocasiões claras que criou para o fazer. Numa delas a bola rematada pelo endiabrado e categorizado Edwards foi bater em tudo o que era ferro da baliza de Vlachodimos. E valeu que o Nelson Veríssimo viu o que todos estávamos a ver: que Weigl estava perdido em campo e em claro risco de ser contemplado com o segundo amarelo, e deixar a equipa a jogar com dez.

 

Ao substituir o alemão pelo desaparecido Florentino, aos trinta minutos Veríssimo mudou o jogo. O miúdo que há meses tinha partido para parte incerta entrou e mostrou que é muito melhor solução para aquela posição chave. A capacidade para recuperar e segurar a bola subiu a olhos vistos depois da entrado do Florentino. O golo de Chiquinho, aos 37 minutos, fez o resto. E o jogo não voltou a ser o mesmo. A gritante superioridade do Vitória esfumou-se, e o espectro de mais um resultado negativo em cima de mais uma exibição confrangedora foi substituído por uma janela de oportunidade para ganhar o jogo, e evitar festejos de terceiros já esta noite.

 

A segunda parte, com mais duas substituições acertadas, confirmaria os melhores cenários abertos com aquela substituição fulcral. As entradas de Seferovic e Rafa para os lugares do ineficaz Vinícius e do desinspirado e acomodado Pizzi trouxeram estabilidade à equipa. 

 

Se na primeira parte a única jogada de futebol aceitável para uma equipa do Benfica foi a do golo, na segunda, mesmo sem dar para muitos entusiasmos, a equipa construiu alguns belos lances de futebol. Sempre com Rafa e Seferovic como intérpretes, de que o segundo golo, já aos 86 minutos, cinco minutos depois de um espectacular chapéu do meio campo do suíço. que o Douglas defendeu de forma soberba,  é o melhor exemplo.   

 

Mas não foi só a ter bola e a atacar que a equipa melhorou com Florentino. Foi também a defender. 

 

Com a inevitabilidade instalada de sofrer golos, quando o Guimarães voltou a crescer naqueles 10 minutos que mediaram entre os 70 e os 80, temeu-se pela repetição do que sucedera no último jogo, em Famalicão. Não aconteceu justamente porque a equipa estava a defender melhor e conseguiu, por isso, a proeza - nesta altura não tem outra classificação - de, muitos jogos depois, chegar ao fim com a baliza a zeros. 

 

É no entanto evidente que a equipa continua doente. Nenhum dos males de que sofre foi debelado. Mas pode que esta aspirina de hoje lhe permita acabar a época com um mínimo de dignidade.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Mais um debate parlamentar, desta vez o tradicional debate anual sobre o Estado da Nação, supostamente para tomar o pulso à dita. Ou á desdita, como é claramente o caso!  


O governo afinal fez marcha-atrás e voltou à fase de negação da realidade. Ao completo disparate de estórias de encantar de um país que não existe. Pensávamos todos que isto já tinha passado mas afinal lá estamos de novo. Não sei se é o efeito da tal oportunidade dourada ou se é um caso de demência pura!


O Parlamento voltou a dar ao país uma imagem de irresponsabilidade infantil, enredando-se num estilo de debate de mero entretenimento que já nada diz à nação. Chegou ao ridículo de andar horas a discutir centésimas de uma taxa de risco de pobreza, de 2008 e publicada pelo INE em 2009. Só porque o INE a voltou a pôr hoje nos jornais, a pretexto de corrigir umas centésimas, e alguém do gabinete do primeiro-ministro viu ali uma oportunidade de mandar com areia para os olhos de alguém.


Do lado da oposição, sempre disponível para alimentar o triste espectáculo, diria nada veio que mereça importância. Mas desta vez isso não é verdade!


Se bem que à revelia do politicamente correcto, ao arrepio do sentido formal da proposta política e, por tudo isso e mais alguma coisa, caída em saco roto, Paulo Portas apresentou uma proposta que faz todo o sentido: a constituição de um governo de coligação entre o PS, PSD e o CDS, para terminar a legislatura, no quadro da actual representação parlamentar chefiado por alguém a designar pelo partido mais votado, que não, naturalmente, Sócrates.


Esta é evidentemente a solução que, nesta altura, faz sentido. É a resposta à paralisia da governação que, como ontem aqui referia, atravessa o país durante três anos. É o botão que desliga o lume brando que vai cozendo Sócrates e o PS. É a fórmula para inverter um ciclo de desgraça onde, queimando mais três anos, hipotecamos mais dez anos do futuro das novas gerações!


Mas não serve de nada. Se calhar já foi apresentada para isso mesmo, para não servir de nada. A não ser para a fotografia!


É este o estado da nação!

Coisas extraordinárias

EDP sobre salário base de admissão para mínimo de 1.000 euros ...


 


Continuam a somar-se arguidos e a revelarem-se novos actos de corrupção na esfera da EDP, já ela própria também constituída arguida, como não poderia deixar de ser. 


Alguns verdadeiramente surpreendentes, e perfeita contra-mão com aquilo a que estamos habituados. O mais extraordinário é o que envolve o Secretário de Estado da Energia do governo de Passos Coelho, Artur Trindade - acusado, e constituído arguido, por corrupção a troco de um emprego para o pai.


Não. Ele não se deixou corromper por uns milhares de euros todos os meses na conta. Por um apartamento em Nova Iorque. Ou por uma vaga numa universidade americana. Aceitou engrossar a fila dos que não queriam que nada faltasse à EDP por um simples emprego para o pai. Lá mesmo, na EDP.


Ora, isto não é só bonito, e comovente. É o mundo ao contrário, mesmo que sempre a girar no mesmo sentido. O que dávamos por conhecido, e amplamente comprovado e documentado, era políticos a arranjar empregos para os filhos. Isso é que estava no guião. Filhos, políticos, a ajudarem a arrumar um emprego para os pais, nunca tínhamos visto. 


Por isso ... nem devia valer. Isso nem devia contar para a corrupção. Ou, se tiver que contar, então façam lá como nos bancos, e dividam a corrupção entre boa e má. E pronto, esta ficava na boa...

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


É esta a nossa sina. Passamos pelo último ano desgovernados porque vinham lá três eleições: um país adiado à espera das eleições, que eram muitas, um fartote! Passamos este exactamente na mesma, sentados à espera que o tempo passe. A adiar, a nossa verdadeira especialidade! Porque o governo é minoritário e a oposição precisa de tempo para se organizar. Quando, finalmente, está organizada – quer dizer, quando as sondagens começam a dizer que chegou o momento – entra-se no tempo em que nada pode acontecer: os últimos seis meses do mandato presidencial. E lá ficamos outra vez à espera de eleições, agora de presidenciais. E de mais seis meses, os primeiros do mandato, em que nada continua a poder acontecer…


E assim passamos 2009, estamos a passar 2010 e passaremos 2011. Três anos, no coração da maior das crises da nossa história recente, apenas a deixar passar o tempo, sem nada fazer.


Nada? Bom, não é bem assim! Sempre se vai fazendo alguma coisa: continua a aumentar-se uns impostos e renova-se a frota automóvel do Estado, conforme noticiava o Correio da Manhã de anteontem.


O que nos vale é o Presidente da República. É certo que não faz nada para alterar este estado de coisas. Mas vai-nos dando umas lições de economia, porque disso sabe ele. Mal amanhadas mas não deixam de ser umas liçõesitas, sempre acompanhadas por um atestado de competência (“…eu sou professor de economia…”) e por um certificado de desresponsabilização com que sacode de água do capote: “eu ando há muitos anos a avisar “!

Great

Trump usa máscara em público pela primeira vez durante visita a ...


 


Finalmente, como se tivesse a vergonha que não tem, Trump surge em público de máscara. A máscara, símbolo da capitulação ao medo, próprio dos fracos, é agora uma grande coisa. como se para trás nada tivesse existido. Great !


Como se a América e não tivesse tornado no espaço com mais infectados covid. Líder desta classificação,  seguida da Rússia, Índia e Brasil... 


Great em indecência. Inacreditavelmente indecente a forma como decretou um indulto presidencial a um seu antigo conselheiro condenado a uma pena de três anos e quatro meses de prisão, por ter mentido no Congresso, justamente para defender Trump no tal provado conluio com a Rússia. Digno de uma série da Mafia: "nada há-de correr mal, mas se correr eu vou sacar-te da prisão" - só que, em vez de dito por um qualquer padrinho de uma família mafiosa, dito pelo Presidente da América. 


 


 

domingo, 12 de julho de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


1. Caiu o pano sobre o mundial!


Precisamente um mês depois – o que quer dizer que o Quinta Emenda cumpre hoje o seu primeiro mês – o primeiro mundial africano chega ao fim.


O primeiro sentimento é de regozijo pelo sucesso organizativo de um acontecimento desta dimensão num continente sempre adiado. É certo que falamos do mais desenvolvido dos seus países, mas representa todo um continente e todo um povo. Que merece e tem de ter crédito!


O segundo é de tributo. De um tributo a Nelson Mandela e ao país que inventou!


Se com o mundial de rugby, em 1995, Nelson Mandela ganhou um país, o seu país mais livre e mais justo, com este mundial de futebol, de que foi o primeiro impulsionador, reforçou a sua identidade nacional. Hoje também brancos jogam futebol e negros também jogam rugby. E não era assim!


Foi com emoção que, depois de impedido pelo destino, tantas vezes cruel, de abrir o campeonato, testemunhamos a tremenda ovação com que Mandela foi brindado no seu encerramento.


2. O sentimento que fica é que desportivamente o mundial foi um êxito. Com grandes espectáculos de futebol e, para nós que o vimos através da televisão, com grandes espectáculos televisivos.


Normalmente retemos as últimas impressões e tendemos a esquecer as primeiras. Mas a verdade é que, salvo poucas excepções, os espectáculos de bom futebol começaram apenas na terceira e última ronda da fase de grupos.


Já vem sendo habitual que a fase inicial de grupos seja enfadonha e desinteressante, o que poderá levar a questionar o modelo. Compreendo, face aos interesses em jogo, que seja difícil encontrar alguma alternativa. Claro que a FIFA, com os meios de que dispõe para a promoção do negócio, consegue contornar este handicap transformando, apesar de tudo, este evento num fenómeno cada vez mais inclusivo, mais abrangente e mais transversal.


Mesmo assim parece-me que haverá que velar pelo espectáculo. Para isso, e para além de eventuais modificações no modelo competitivo da primeira fase, também o timming, no final de uma época desgastante, é inimigo da qualidade do espectáculo. Sei da complexidade que é mexer nos calendários competitivos, mas realizar estas provas em Setembro/Outubro daria certamente outras garantias.


Este foi, ainda, o campeonato do mundo que, depois daquele domingo negro, pode ter levado a FIFA a abrir as portas ao uso das tecnologias na arbitragem.


3. Fica ainda um sentimento de justiça competitiva. As três selecções que ocupam o pódio, exactamente nos lugares que ocupam, são as melhores deste campeonato do mundo. O futebol, como a economia, frequentemente premeia os especuladores. Neste mundial isso não aconteceu, os especuladores foram normalmente penalizados. A excepção, que confirma a regra, foi a Argentina, afastada pelo romantismo e pela ideia de que a Maradona tudo se perdoa!


A Espanha ganhou porque foi a melhor equipa mas também foi sempre fiel aos seus princípios, nunca de descaracterizou para de adaptar ao adversário. Ao contrário de todos os outros …


O Brasil, o grande favorito, foi para casa sem honra nem glória precisamente por isso. Não lhe faltaram jogadores. Tinha lá dos melhores. Quis ser uma equipa europeia, faltaram-lhe os seus princípios, faltou-lhe samba! A Alemanha talvez tenha falhado a final por achar que, contra a Espanha, poderia especular como fizera com a Inglaterra e a Argentina.


4. A final foi um grande jogo de futebol entre as duas equipas melhores equipas da prova. Holanda e Espanha assentam o seu jogo numa mesma matriz com um denominador comum: Johan Cruiff!


É fantástico como uma personagem, mesmo sendo uma das maiores de sempre do futebol consegue, depois de tantos anos de afastamento dos campos, marcar tão fortemente o melhor futebol do mundo na actualidade. Há mais de 30 anos transportou para os relvados uma concepção de jogo nascida no Ajax de Amsterdão. Terminada a carreira de jogador, já em Barcelona, semeou-a cuidadosamente. Deixaram-na crescer, conheceu os melhores tratadores e está hoje melhor que no seu habitat natural!


Uma cópia melhor que o original: esta Espanha é melhor que esta Holanda porque tem muito bons jogadores em maior quantidade, porque é uma equipa muito mais equilibrada (a defesa holandesa tem alguma dificuldade em suportar o resto da equipa, em empurrá-la sustentadamente para a frente) e muito mais trabalhada. Porque assenta num grande bloco (70% da equipa) de um clube – o Barcelona – e porque trabalham juntos nas selecções desde os 16 anos.


5. O novo campeão do mundo é portador do futebol mais apelativo e mais entusiasmante da actualidade. Um futebol nado e criado em Barcelona que a selecção espanhola em boa hora adoptou.


Hoje nuestros hermanos estão em fiesta. É, mais uma vez, um feito extraordinário do futebol: une o que tanta coisa separa!


No meio de tudo isto há um português que, apesar de ir receber três campeões do mundo, poderá não ficar com o trabalho facilitado: sabe-se como o Real Madrid e Mourinho não são muito adeptos do futebol do Barcelona. O futebol que a Espanha e o mundo hoje não se cansam de aclamar como o melhor!

quinta-feira, 9 de julho de 2020

O vírus*

O que aprendi sobre os Portugueses | Geral


 


Pôde ler-se ontem no Diário de Notícias que, com a pandemia, e os exames à distância, um número crescente de estudantes universitários está a abordar centros de explicações para contratar professores que os substituam nesse acto de avaliação. Surgem com ofertas irrecusáveis com um simples propósito: que um professor lhe faça o exame.


A reportagem não arrisca números. Mas os diversos entrevistados que dão testemunho do modus operandi dizem invariavelmente que, se tomarem por amostra estatística representativa o que é do seu conhecimento pessoal, este é um fenómeno de grande escala. E quer dizer aquilo que todos nós há muito conhecemos da sociedade portuguesa: uma sociedade que convive bem com a fraude, a corrupção, e o chico-espertismo. Onde viver do expediente fácil é sempre mais compensador que viver do trabalho.


Num país onde os dirigentes políticos falsificam habilitações e currículos, fazem exames ao domingo, pagam a quem lhe escreva livros, que depois compram até esgotar edições, não é de estranhar que a elite de amanhã procure comprar resultados de exames, para que mais facilmente lhes sejam franqueadas as portas para o lado de lá da impunidade.  


É este o grande vírus há muito instalado em Portugal e para o qual não parece haver antídoto, nem vacina, nem cura. Uma sociedade tão aberta à viciação só pode ser uma sociedade infectada, sem presente e sem futuro, e cada vez mais fechada ao desenvolvimento e à decência.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Contas feitas


 


O Benfica chegou hoje a Famalicão condenado pela comunicação social a carimbar a festa do Porto. Durante a semana os títulos dos jornais não faziam mais que antecipar a vitória, certa, do Porto em Tondela, a derrota, mais que certa, do Benfica em Famalicão, e a festa certa dos portistas. Com alertas a propósito, porque o vírus não aprecia festas. O próprio presidente da Câmara Municipal, e não sei do quê no clube, avisara que não iria abrir as portas.


Esperava-se que a equipa encarnada, que já dera melhor conta de si no jogo do passado sábado, com o Boavista, não estivesse pelos ajustes, e tudo fizesse para ganhar o jogo, e adiar o inevitável. É inevitável, mas tenham calma.


Durante 75 dos 90 minutos o Benfica mostrou vontade, e até qualidade para afirmar isso mesmo. Logo aos três minutos o super dragão que arbitrou o jogo transformou um penalti sobre Cervi num cartão amarelo - um dos muitos com que brindou os jogadores do Benfica - para o pequeno argentino, que foi um dos melhores da equipa. Que logo a seguir viu o guarda-redes Defendi - regressado à baliza, provavelmente pela sua história em jogos contra o Benfica - negar-lhe o primeiro golo. 


Golo que só surgiria aos 37 minutos, depois da habitual série de desperdícios. Mas também depois de se perceber que alguma coisa tinha mudado: pela primeira vez desde há muito tempo o Benfica não sofria um golo na primeira vez que o adversário chegasse à sua baliza. Circunstância que, não sendo a razão por que  perdeu este campeonato, porque são muitas, como se sabe, é também a razão por que o Porto, a quem nunca isso aconteceu, o vai ganhar.   


Durante toda a primeira parte o Benfica mandou no jogo, foi sempre superior, e poderia ter alcançado um resultado que o pusesse a coberto das muitas incidências em que o futebol da equipa é fértil. Na primeira meia hora da segunda parte, se bem que com menos continuidade, teve sempre o jogo na mão. Golos é que não.


Depois começaram as mexidas dos treinadores. Primeiro o do Famalicão, com substituições que logo deixaram perceber que iriam mudar aquele jogo. Depois, e parecia que já tarde, o do Benfica. Percebia-se que era necessário mexer em algumas peças, fosse pela carga de amarelos que pesava sobre os jogadores do meio campo, fosse pelo esgotamento físico de outros, como Cervi, Chiquinho ou Pizzi. Mas percebeu-se logo que o melhor teria sido não mexer em nada.


Vinícius não marca. E não marcando pouco contribui para o jogo. Seferovic também não, mas dá neste momento muito mais à equipa. Samaris pode querer muito, mas pode muito pouco.E atrapalha muito. Rafa está uma lástima, uma sombra do que era há uns meses. E Jota não pode, não parece que queira, nem nunca tem tempo para demonstrar outra coisa. 


E a coisa ficou assim, com os que lá estavam já sem poder dar mais, e com os que entraram a não serem capazes de fazer melhor. Ficando assim, e sabendo-se que não há jogo em que o Benfica não sofra golos, à entrada dos últimos quinze minutos, ficou claro que, não tendo marcado quando teve tanto tempo e tantas oportunidades para fazer mais dois ou três golos, o Benfica não ganharia este jogo. E só acabou por não o perder  porque não calhou. Porque, ao contrário do que costumava acontecer, o adversário não fez de cada oportunidade um golo.  


Acabou por impedir a anunciada festa portista. Mas, ao deixar o rival a um único ponto da conquista do campeonato, permitiu uma mini-festa que pouca diferença faz. E à vergonha que é perder um campeonato que esteve ganho, vai somar-se a vergonha de o perder com a absurda diferença pontual que se adivinha.  

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...