quarta-feira, 31 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Assim a jeito do que se passou com o problema da revisão constitucional no Verão passado, Pedro Passos Coelho (PPC) fala agora da privatização da Caixa Geral de Depósitos. Parece-me bem que o resultado irá ser o mesmo: não vai correr bem!


Claro que esta altura é bem diferente da de então. Agora estamos em pleno período pré-eleitoral e faz sentido falar destas coisas. Acresce que é preciso inventar dinheiro e, quando assim é, fala-se de privatizações e de aumento dos impostos. Por pouco tempo, é certo, mas ainda é possível falar destas duas coisas! Já não está longe o dia em que não há que privatizar. E em que, havendo impostos para aumentar - e isso há sempre - não há quem os pague!


Pertenço à velha escola que entende que há posições que o Estado deveria manter sempre que se trate de sectores da actividade que mexam com serviço público, entendendo o serviço público em sentido lato, isto é, alargado a tudo o que sejam serviços essenciais. Em tese, e apenas aí, permitiria ao Estado exercer a verdadeira regulação. E servir de referência de benchmarking!


Mas isto é escola. São teses que, infelizmente, nunca passaram na validação!


Porque nunca veio do Estado qualquer exemplo e, as coisas só não correram mesmo mal na gestão pública quando copiaram as empresas privadas congéneres. O modelo para o benchmarking esteve sempre do outro lado. O Estado apenas serviu para alimentar clientelas, criar e fazer crescer gerações que, de cartão na mão e influências nas costas, estabeleceram redes de interesses em vez de redes de competência.


Daí, e só por isso, que quando se fala de privatizar, ao mata-se eu responda com esfola-se!


E no entanto, se digo sim com palmas e tudo à RTP (há quantos anos deveria ter sido privatizada?) e à TAP, já sou completamente contra privatização da CGD. E especialmente nesta altura. Noutro tempo, noutra conjuntura, discuta-se. Agora, não!


Porque a CGD é precisamente um daqueles casos em que as coisas não têm corrido mal, que o benchmarking com o sector privado ajudou até correr bem. Porque acolhendo clientelas – como todos os outros e aqui até com regras tordesilheanas – os resultados não se têm ressentido disso, talvez porque, neste caso, a boa moeda – que também a há nas clientelas - tenha expulso a má moeda. E porque, como estamos fartos de ver, na hora do aperto (e não só) quando se trata da banca, é à porta do Estado que toda a gente vai bater.


Foi assim com a crise financeira internacional – a verdadeira, não a do Sócrates -, foi assim com o famigerado BPN e foi assim com as trapalhadas do BCP, que acabaram por levar a rapaziada da CGD, com Vara e tudo, para a sua administração. De resto, o episódio que esteve na origem da transferência da administração da CGD para o BCP – e as agora conhecidas vergonhosas e despudoradas condições da saída de Armando Vara – mostram que, no que toca a clientelismo, esta forte ligação entre a banca e o Estado não permite grande desfasamento entre público e privado!


Quero com isto dizer que, ao contrário do que se poderia esperar, hoje em dia não faz assim tanta diferença, e a privatização apenas teria a vantagem de produzir umas massasMassas que, para reduzir a dívida, seriam pouco mais que uma gota de água. E que, nesta altura, seriam bem curtas!


Vender CGD agora seria um péssimo negócio. A actual conjuntura nacional não só desvaloriza as nossas empresas, e em especial os bancos, como desmobiliza os investidores. Com o banco, a quem a Fitch baixou hoje a notação em dois níveis, para BBB+, desvalorizado, e com os investidores virados para outro lado, a privatização seria ruinosa.


Há sempre aquela história dos pequenos aforradores, mas essa é uma daquelas que se contam para adormecer os meninos…

terça-feira, 30 de março de 2021

Fernando Santos tem um problema, ou é ele o problema?


A selecção nacional concluiu este ciclo de três jogos, em 6 dias, para o apuramento para o mundial do Qatar do próximo ano com uma vitória no Luxemburgo, mas continuando sem convencer. Sem conseguir fazer um único jogo ao nível da qualidade dos seus jogadores,  conseguindo a espaços superiorizar-se aos adversários, mas sempre sem conseguir ter os jogos controlados, oscilando entre partes do jogo deprimentes e outras relativamente aceitáveis.


Hoje, contra o Luxemburgo, que vinha de uma vitória na República da Irlanda e que já não é o bombo da festa que era até há alguns anos, confirmou todas essas oscilações, e o que de mau tinha feito nos dois jogos anteriores.


A primeira meia hora foi tão má quanto tinham sido todo o jogo com o Azerbaijão e a segunda parte com a Sérvia, e foi a equipa luxemburguesa a mandar por completo no jogo. Só à beira dos 30 minutos a equipa nacional conseguiu construir uma jogada de ataque e chegar à baliza adversária,  com João Cancelo a cruzar para o remate de Renato Sanches - novidade entre os titulares, o único jogador português da remar contra a maré da mediocridade geral da equipa, e o melhor jogador em campo - que poderia ter dado golo. Na resposta, imediata, o Luxemburgo abriu o marcador. E a equipa portuguesa abanou, ainda mais. 


Só nos últimos 10 minutos reagiu, depois da troca do desenquadrado João Felix, lesionado, por Pedro Neto, e acabou por chegar ao empate, por Diogo Jota, já no período de compensação, dois minutos depois dos 45.


No início da segunda parte manteve-se por cima do jogo, dando sequência àqueles 10 minutos finais da primeira, e cedo passou para a frente do marcador, com - finalmente - um golo do apagadíssimo Cristiano Ronaldo, invariavelmente a concluir mal. Pouco antes tinha falhado, de forma inacreditável, isolado perante o guarda-redes adversário, depois de um erro defensivo da equipa do Luxemburgo.


Pensou-se então que a vantagem daria à equipa a tranquilidade necessária para afirmar a incomparável superioridade técnica dos seus jogadores. Mas, nada disso, e esgotado o primeiro quarto de hora, já  os luxemburgueses estavam de novo por cima do jogo. O segundo quarto de hora foi todo luxemburguês, e Fernando Santos foi obrigado a reforçar o meio campo, com a entrada de Palhinha (por troca com Bernardo Silva). Em simultâneo fez também entrar Rafa para o lugar de Jota, na expectativa de aproveitar a sua velocidade nos espaços que o adiantamento do adversário libertaria.


Só no último quarto de hora a selecção nacional se libertaria da pressão luxemburguesa, acabando por chegar ao terceiro golo, por Palhinda, na sequência de um canto, assinando com um resultado aceitável uma exibição que o não foi.


Há certamente a desculpa do calendário, com três jogos muito concentrados, mais a mais nesta altura da época. E sem tempo para treinar. Mas os problemas que a selecção evidencia têm outra profundidade. E duas ordens de razões claras: falta uma ideia de jogo e faltam rotinas, mas, acima de tudo, falta uma ideia de jogo ajustada à superior valia destes jogadores, que os deixe confortáveis com o jogo; e  falta fazer da selecção uma equipa, em vez da corte de Cristiano Ronaldo, em que Fernando Santos a transformou.


O problema não é a baixa intensidade nem a lentidão que os jogadores pôem nos jogos. Isso é a consequência dos dois problemas anteriores. E não é problema dos jogadores. É do treinador!


Sim, Fernando Santos tem um problema. Ou o resolve, ou é ele o problema!


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Um jornal irlandês – Sunday Independent – endereça, em carta a Portugal, um conselho amigo: Um conselho de amigo para Portugal, chama-lhe! Nada mais sintomático numa altura em que atingimos as taxas de juro que obrigaram a Irlanda a pedir ajuda: à capitulação!


O original da carta está aqui. Uma tradução dirá mais ou menos isto:


 


Querido Portugal, daqui escreve a Irlanda. Sei que não nos conhecemos muito bem, embora tenha ouvido dizer que alguns dos nossos investidores estão por aí a cavalgar a recessão. Podem ficar por aí um tempinho. Não quero parecer intrometido mas tenho lido umas coisas sobre ti nos jornais e acho que posso dar-te um ou outro conselho sobre o que se passa contigo e que vem aí.


A piada que corre é: sabem qual a diferença entre Portugal e Ireland? Cinco letras e seis meses.
Adiante; reparo que estás sob pressão para aceitar um resgate exterior mas os teus políticos afirmam estar determinados a não aceitar. Só, dizem eles, por cima dos seus cadáveres. Na minha experiência, isso significa que está para breve, provavelmente a um Domingo.
Primeiro deixa-me explicar-te um pouco as nuances da língua Inglesa. Devido ao facto de o inglês ser a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras “bailout” e “aid” implicam que irás contar com a ajuda dos nossos parceiros comunitários para sair das tuas actuais dificuldades.
O Inglês é a nossa primeira língua e isso foi o que pensámos que “bailout” e “aid” significavam.
Permite que te avise: não só este “bailout”, quando te for inevitavelmente imposto, não te livrará dos teus problemas actuais, como irá prolongá-los por gerações e gerações.
E ainda esperam que fiques grato. Se quiseres procurar a tradução correcta de “bailout”, sugiro que pegues no dicionário de Inglês-Português e procures palavras como: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-of (empréstimo, usura, hipoteca, roubo). Assim terás uma tradução correcta do que te vai suceder. Vejo também que vais mudar de governo nos próximos meses. Desculpa ter de sorrir. Sim, coloca uma demão fresquinha de tinta por cima das rachas da vossa economia, e aprecia o perfume enquanto dura. Nós também tivemos um governo novo, aliás até é divertido ao princípio. O novo governo chegará envolto numa leve euforia. Terá prometido todo o tipo de coisas durante a campanha sobre deitar fogo aos capitalistas e assim enquanto a UE sorri benevolamente ante a converseta. Mal tome posse, o novo governo irá à Europa tentar fazer boa figura. Poderás até ganhar umas partidas contra o teu velho inimigo, seja ele quem for, ou atrair visitas de alguns dignitários estrangeiros como o Papa ou isso. Vai haver boas vibrações no ar e toda a gente vai refugiar-se nessa ilusão por um tempo.
Aproveita enquanto puderes, Portugal. Porque assim que a diversão acabar a realidade vai intrometer-se no teu caminho. A única coisa boa disto tudo é que jogar golfe se tornou muito atractivo aqui. Espero que o mesmo suceda por aí e poderemos então combinar um jogo.


 Com amor,·



Irlanda”


 


Obrigado Irlanda, já não nos vens ajudar em nada mas sempre é melhor sabermos com o que podemos contar!

segunda-feira, 29 de março de 2021

Confrontos inevitáveis I

Marcelo e Costa reuniram no Algarve – Reportagem TVI


Com a promulgação, pelo Presidente da República, dos três diplomas de reforço dos apoios sociais e profissionais - aos médicos - aprovados por todo o Parlamento, com a única excepção do PS, contra as ameaças do governo, está aberto o primeiro confronto entre Marcelo e António Costa deste segundo mandato presidencial. 


O Presidente não tinha como fugir deste confronto. Como Costa não tinha, nem tem, como ganhá-lo, mesmo que recorra ao Tribunal Constitucional, como ameaçou, e que o Presidente expressamente desaconselhou.


Com todo o Parlamento a favor destes apoios, não seria fácil para o Presidente tomar o partido do governo. Mesmo que tenha desencorajado a oposição a fazer desta prática um caso reiterado. Isto é, mesmo que tenha avisado a oposição que não estava a abrir qualquer precedente para viabilizar práticas parlamentares de de sistemática desconfiguração do Orçamento de Estado. Que, fez notar, tem, em seu entendimento, capacidade para acomodar as medidas em causa.


O Governo fica mal - muito mal - nesta fotografia. Quando na ordem do dia está a alteração à legislação fiscal permitiu a fuga da EDP ao pagamento de 110 milhões de euros em impostos, a isenção de  impostos a cidadãos estrangeiros, com especial ênfase nas declarações da ministra das finanças da Suécia, acabar com as moratórias no crédito à habitação e travar estes reforços aos apoios sociais, é deixar claro o lado que o governo escolhe, sempre que tem de fazer escolhas.


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A entrevista de Miguel Sousa Tavares (MST) à Presidenta – é assim que gosta de ser tratada – Dilma Roussef, passada na SIC na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal e à Europa, teve, para mim, um ponto alto. O entrevistador – personagem que não é conhecido exactamente pelo seu bom feitio – a determinada altura da entrevista, focado na estratégia de combate ao crime organizado no Brasil, referiu o suposto mau feitio da entrevistada. A referência ao seu mau feitio era, na circunstância, aquilo que nós portugueses entendemos como um atributo decisivo para aquele combate: duro - no caso dura, ou mesmo durona –, determinada e implacável!


Dilma fez um silêncio (mais ou menos) prolongado e não conseguiu disfarçar o desconforto. O Miguel Sousa Tavares, afinal como todos os que assistíamos à entrevista deste lado de cá, percebeu que alguma coisa não tinha corrido bem, quando a entrevista até corria solta e na melhor das cordialidades – ele não tinha levado para ali o seu próprio mau feitio –, rapidamente compreendeu que a bronca estaria no mau feitio.


E estava!


Explicaria a Presidenta do país irmão que, no português de lá, mau feitio queria dizer que algo de errado se passava com a sua roupa. Mau feitio tem a ver com problema de costura!


Percebemos, evidentemente, o desconforto. Mesmo sendo uma ex-revolucionária, Dilma é mulher! E é presidenta da república!


Nem sequer coloco a remota hipótese da fama do mau feitio do MST ter chegado ao palácio do Planalto – ao que se diz ele até morre facilmente de amores lá pelas terras de Vera Cruz – e de, prevenida, Dilma Roussef ter reagido já condicionada. Não era necessário tanto para se justificar uma afronta digna de um grave problema diplomático!


O mal entendido seria entretanto e rapidamente esclarecido, acabando afinal por não provocar mais que uma boa rizada, na qual haveria também eu de participar. Mas fiquei a pensar como, afinal, eu entendia aquela interpretação. Como ela me remetia para velhos usos que deste lado de cá demos, em tempos, a esta nossa língua!


Há muito, muito tempo, antes de cá chegar o prête à porter, também era esse o sentido que dávamos ao feitio. Talvez porque então nem sequer tivéssemos direito ao mau feitio ou, quem sabe, porque pobretes mas alegretes!


Pois era. Nesse tempo as mulheres iam às modistas e os homens aos alfaiates, mandar fazer as suas roupas. Levavam-lhes os tecidos – as sedas, os linhos, a fazenda – e pagavam-lhes o feitio!


E aí está como, também por cá, o feitio era o trabalho de confecção da costureira, da modista, como se lhe chamava, e do alfaiate. E, naturalmente, um mau feitio seria mesmo o mau trabalho na confecção do vestuário. Como continua por lá, apesar do pronto-a-vestir!


Enfim, coisas que o mau feitio do acordo ortográfico nunca resolverá!

domingo, 28 de março de 2021

Um país fascinante

Suécia quer revogar acordo fiscal com Portugal. "Esperámos dois anos e a  nossa paciência terminou" - Economia - SAPO 24


 



A semana que agora termina, com mudança de hora e tudo, mostrou a quem andasse mais distraído o país que somos. Os governos que temos e o povo que somos.



Como sempre, é preciso que venha alguém de fora mostrar-nos mais claramente isso, porque, nós, cá vamos andando… Coube desta vez a tarefa à ministra das finanças da Suécia, desesperada com o incumprimento do(s) governo(s) português(es) do acordo de tributação aos cidadãos suecos residentes no país.



Mais 3 mil pensionistas suecos, de altos rendimentos, vivem em Portugal. Não tem mal nenhum, e só se lhe pode gabar o gosto. Viver em Portugal, com uma pensão catita, e sem pagar impostos, é das melhores coisas que se pode reclamar para a velhice. O governo sueco pretende que estes pensionistas paguem impostos. Lá ou cá. Mas que paguem impostos sobre os seus rendimentos de pensões. E assinou um protocolo com o governo português, que não o cumpre.



O que obrigou a ministra das finanças a perder a paciência e a dizer que "é fascinante" que os portugueses não se revoltem por ver os suecos viverem aqui com as suas ricas pensões de reforma sem pagarem um euro de IRS. E que, lado a lado com um sueco numa cama de um hospital, um português não se importe de estar a pagar para os dois, sabendo ainda que o sueco vive com um rendimento três, quatro ou cinco vezes superior ao seu.



É de facto fascinante. Já é fascinante que o governo português seja tão generoso com os cidadãos estrangeiros - e, já agora, com as empresas detidas por estrangeiros, como se voltou a ver com a EDP, e como se está a voltar a ver com o Novo Banco - e tão impiedoso com os nacionais. Ou, noutra escala, mas que também serve de exemplo, enquanto não permite aos portugueses nesta altura passar a fronteira do seu concelho, permite que turistas estrangeiros possam passear à vontade pelo país. Mas é ainda mais fascinante que os portugueses se não importem nada com isso!



É este o país que somos, que muitas vezes nos passa ao lado, e que a ministra das finanças sueca tratou de nos mostrar em todo o seu esplendor. Um país governado por quem trata os seus cidadãos abaixo de cão, com um povo que aprecia ser assim tratado.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Sempre achei deveras bizarra esta institucionalização de um dia das mentiras em Portugal. Sempre embirrei com aquelas notícias parvas com que jornais e televisões ilustravam a mentira do primeiro de Abril. Porque era apenas a sua própria parvoíce que as distinguia das outras. Das outras notícias e das outras mentiras!


É que isto de haver um dia para mentir poderá até fazer sentido num sítio qualquer – estou absolutamente convencido que não há sítio nenhum onde se não minta todos os dias – mas em Portugal é que não faz qualquer tipo de sentido. Um dia das mentiras em Portugal? Só para rir!


O dia das mentiras, também conhecido por dia dos bobos, terá nascido em França que, com a adopção do calendário gregoriano, em 1564, passou as festividades de ano novo – que até aí se iniciavam com a Primavera e se prolongavam até àquele que, de acordo com o novo calendário, era o primeiro dia de Abril – para 1 de Janeiro. Parece que as pessoas não terão gostado muito disso e, chegados a 1 de Abril, passaram a enviar presentes estranhos e a fazer convites para festas falsas. Porque já não havia nada para festejar!


Desconfio que seja precisamente por este pequeno pormenor que o dia das mentiras pegou desta maneira em Portugal. Esta coisa de trocar as festas é muito portuguesa: mais, é muito da mentira portuguesa!


É hoje claro para a maioria de todos nós – creio eu, mas às vezes engano-me – que o nosso calendário está cheio de primeiros de Abril. Arriscar-me-ia a dizer que para aí nos últimos 20 ou 30 anos cada um deles teve 365 dias 1 de Abril. Nos bissextos 366! E que a mentira mais comum tem sempre a ver com festas!


Nos últimos três anos tem sido mesmo um festival. A mentira permanente, a negação da realidade!


A festa há muito que acabara mas todos os dias nos diziam que não. Qual quê? Há festa sim senhor! E, uns mais desconfiados que outros, lá íamos todos acreditando que estávamos em festa. É que, para além de mais fácil, também é muito mais bonito aceitar estar em festa do que em ressaca! E, ou muito me engano, ou nós gostamos mesmo que nos mintam: arranjamos uns narizes de Pinóquio para umas fotomontagens mas, depois, somos dados ao esquecimento e voltamos a votar neles. Nos mesmos que antes espalhamos por aí com nariz de Pinóquio!


Não sei quais serão as mentiras de hoje, deste 1 de Abril. Mas sei que, por exclusiva responsabilidade do Presidente da República – que ao aceitar ontem o pedido de demissão do primeiro-ministro transformou o governo em governo de gestão – amanhã ver-nos-emos privados da mentira repetida em cada um dos últimos 300 dias: “Portugal não precisa e não vai pedir ajuda externa”!

sábado, 27 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Já aqui referi a personalidade política de Sócrates e a forma como, fazendo-o confundir com o governo e com o partido, foi determinante para o actual estado do país. No estado em que o governo deixou o país e no estado em que o partido o pode vir a deixar, face à forma como hoje condiciona a conjuntura política. Uma personalidade que, se tudo corre bem, funciona como alavanca de sinergias. Mas, se algo corre mal, potencia e sustenta a famosa lei de Murphy!


Com a sua personalidade a secar governo e partido, Sócrates, envolvido em tantos e tão sucessivos escândalos e problemas pessoais – de que os casos Freeport e TVI e a adjacente e colateral operação face oculta são apenas os exemplos mais flagrantes – agravados por essa mesma personalidade – a tal lei de Murphy – facilmente percebemos estes últimos dois anos de governação. E mais facilmente percebemos ainda como ele é apenas parte do problema, sem que possa alguma vez vir a ser parte da solução!


Sócrates - quer dizer: o governo e o partido que o suporta – concentrou todas as energias na defesa da sua pele. Não lhe sobrou, nem poderia sobrar, tempo para o país!


Como para além dele era o deserto, não houve quem pensasse o país, que ficou em piloto automático… E foi assim que, sem capacidade para pensar o país e de antecipar os problemas, eles se foram acumulando, uns atrás dos outros, como uma bola de neve. Aqui chegados, Sócrates utilizou a receita que já seguira perante os seus próprios problemas. Com os mesmos resultados: agravando-os. A lei de Murphy, mais uma vez!


Negando-os sucessivamente, enrolando e distorcendo a realidade na ilusão, e não sei se na convicção, de que a sua imensa capacidade de manipular factos, dados e circunstâncias o levaria, incólume, ao encontro do que esperava ser o seu grande aliado: o tempo! Ele já só queria ganhar tempo, mesmo que não soubesse o que fazer com ele. Sem perceber que o tempo já não estava do seu lado. Que o tempo já só podia agravar os problemas, lançados num galope incontrolado!


A personalidade de Sócrates não lhe permitia delegar a responsabilidade de pensar o país enquanto ele se entregava aos seus múltiplos problemas. Mas também não vemos em quem a poderia delegar.


Em Pedro Silva Pereira? Seria difícil: para ele reservara apenas o papel de fiel escudeiro, um papel que personagens como Sócrates não conseguem dispensar. Sobrava-lhe Teixeira dos Santos. Não era do partido e teria muitas dificuldades, como se percebeu na última e lamentável sessão parlamentar, quando perante a insólita retirada de Sócrates ficou sozinho e isolado. Mas percebeu-se também que não tinha dimensão política para a tarefa. Nem mesmo de carácter e de personalidade, como estes últimos tempos se encarregaram de mostrar à evidência.


Por isso chegamos aqui. E, ainda por isso, não sabemos onde estaremos para chegar. Por isso e por haver tanta gente a não perceber isso!


Porque é por haver tanta gente a não perceber tudo isso que o PS manteve as eleições internas. E que Sócrates foi reeleito por uns obscenos 93,3%, para continuar a ser o grande problema do país.


Oxalá eu esteja enganado!

Imagens

Polémica: Veja o último lance do Sérvia 2-2 Portugal que tirou os três pontos às Quinas


 

A segunda partida do torneio de apuramento para o Mundial do Qatar não limpou a má imagem que a selecção nacional deixara na última quarta-feira, em Turim.

 

A primeira parte foi enganadora, e enganou toda a gente, incluindo - o que é grave - o seleccionador, e os jogadores. A equipa nacional não fez mais que um jogo sofrível, que só poderá ter parecido bom pela fragilidade do adversário, uma equipa perdida numa anarquia táctica que já não se usa. E pelo resultado, pelos dois golos de Jota, nos dois único remates à baliza da selecção nacional em todo o jogo. 

 

A selecção não precisou de jogar bem para dominar completamente a selecção da Sérvia, que durante a primeira parte foi uma equipa perdida no campo, muito à imagem do que é o seu historial. E mesmo a jogar com dez - estavam 11 em campo, mas só dez jogavam - foi claramente superior.

 

Bastou que, ao intervalo, o seleccionador sérvio tivesse dado alguma sentido táctico à equipa - bastou-lhe tirar um dos dois avançados para entrar um trinco, e meter um lateral direito que antes não tinha - para que a segunda parte fosse completamente diferente, e para a equipa da Sérvia deixasse à mostra a fraquíssima exibição da selecção nacional. Se não levou um banho de bola, andou lá perto.

 

A Sérvia marcou logo no primeiro minuto, e a partir daí tomou conta do jogo, chegando ao empate ao quarto de hora, e desperdiçando mais um bom par de oportunidades, com o seleccionador nacional firme e hirto a assistir a tudo isto. Não mexeu na equipa, e quando o fez ficou curto, com Nuno Mendes a entrar pelas dificuldades por que João Cancelo estava a passar, e Renato Sanches a dar o músculo que já faltava a Sérgio Oliveira. Deixou em campo Danilo, há muito em sub-rendimento. E guardou a entrada de João Félix para quando já só faltavam 5 minutos para o jogo acabar. 

 

Ia dizer que não se entende que tenha continuado a jogar com dez. Mas isso é pecado. Não se pode dizer. Até porque agora só se fala do golo na última jogada do encontro que o árbitro não sancionou. Um golo caído do céu, mas como a bola entrou pela baliza dentro, devia ter valido. 

 

E por isso digo que não se entende por que não há VAR nestes jogos de apuramento. Como é que para a UEFA há VAR nuns jogos e não há noutros? Nada disto altera nada do que foi o jogo, mas já o primeiro golo da Sérvia, no primeiro minuto da segunda parte, havia sido precedido de claro fora de jogo.

 

No fim, ao contrário de Portugal, a Sérvia limpou a imagem, Cristiano Ronaldo atirou com a braçadeira ao chão e o árbitro pediu desculpa.

 

 

sexta-feira, 26 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Convém começar por esclarecer que calções são calções, não são cuecas. Por muito que os sportinguistas digam que calções brancos são cuecas - não gostam dos calções brancos com a sua camisola verde e branca, à Celtic de Glasgow – calções, mesmo que brancos, não são cuecas. Por isso sujar os calções nunca terá nada a ver com sujar as cuecas! Uns sujam-se por fora. As outras, por dentro!


Sujar os calções é a expressão que o futebolês consagrou para se referir ao comportamento em campo de um determinado tipo de jogador. Como se percebe os calções sujam-se no chão. Ou porque se cai ou porque se vai à luta no chão pela disputa da bola. Na briga!


Há jogadores brigões e há os que fogem da briga, como na vida, afinal. Há pessoas que brigam por tudo e por nada e há outras que nunca se querem meter em confusões. Todos nós conhecemos os tipos que, invariavelmente, estão onde houver confusão. Onde quer que seja, nasceram para aquilo! E há outro tipo de pessoas que, ao verem sinais de confusão, passam de imediato para o outro lado da rua. Maricas medricas acabam por ser os epítetos menos acintosos que lhes são dirigidos! Quando não são mesmo acusados de, tal é o medo, sujarem não os calções, mas as cuecas…


Os jogadores que não sujam os calções também não fogem a estes e outros tipos de mimos. Os adeptos gostam sempre mais do jogador brigão, do que corre atrás da bola mesmo quando ela há muito saiu do campo. Mesmo que depois não saiba o que fazer com ela. Daqueles de quem se diz serem capazes de deixar a pele em campo!


E não gostam mesmo nada dos que se poupam de correr atrás de uma bola claramente inalcançável. Dos que não metem o pé onde não é preciso, simplesmente porque acham que não devem meter o nariz onde não são chamados.


Em Portugal o mais famoso, e inevitavelmente o mais odiado, jogador que não sujava os calções dá-se pelo nome de Nené. Um jogador que passeou calções impecavelmente brancos pelos relvados de futebol durante toda a década de 70 e metade da de 80. Que, com a elegância de um modelo na passerelle, começou por se notabilizar na primeira equipa do Benfica, de uma equipa onde ainda brilhava Eusébio – que ainda marcava golos como ninguém - mas onde também marcavam (e muito) jogadores fantásticos como Artur Jorge - também ele pouco dado a sujar os calções – e o malogrado Vítor Batista, como um dos melhores extremos direito da Europa. Depois, evoluindo para um dos melhores pontas de lança do futebol nacional (e europeu) do seu tempo, ao lado de Jordão, Manuel Fernandes e Gomes, passaria a ser brindado com as maiores assobiadelas que alguma vez cruzaram o velhinho Estádio da Luz. E ficou o mito!


Onde é que hoje - que, ao contrário de então, somos uma potência mundial do futebol – temos quatro pontas de lança daquele calibre? Nem um!


O que hoje temos no futebol é gente capaz de sujar tudo. Que se suja e que não se importa com o que esteja sujo.


Basta olhar para esta semana. Que começou, logo na segunda-feira - sujo mais sujo não há - com uns marginais a atingirem à pedrada o autocarro e o carro do presidente do Benfica, quando regressavam de Paços de Ferreira, onde a equipa acabara de realizar uma partida fantástica marcada pela melhor meia hora de futebol da época e pelos dois golos de Nuno Gomes – outro extraordinário jogador, que não precisa de sujar os calções para atingir o melhor rácio imaginável entre golos e tempo de utilização em jogo.


Que passou pela amplificação de umas inoportunas declarações de Pepe – desconheço a pergunta que suscitou aquela resposta, coisa que é habitual na imprensa desportiva (e não só!): lançam perguntas incendiárias (que logo desaparecem de todos os registos) apenas à procura de respostas mortais (como diria Emídeo Rangel) – a dar umas bicadas em Carlos Queirós. Que, mais sujo ainda - muito mais sujo mesmo – protagonizaria uma reacção lamentável que mais não fez que menorizá-lo ainda mais. E definitivamente sujar-se, sem que nada já o possa lavar.


E que termina com as eleições no Sporting, onde não houve apenas muito jogo sujo. Onde Eduardo Barroso se esqueceu que não era um simples adepto anónimo de rua – ele esquece-se com frequência disto – e, para defender a candidatura que apoia, se declarou nada preocupado se o dinheiro dos russos é sujo. Ele - cirurgião de renome, membro do clã Barroso Soares e candidato a presidente da mesa da assembleia-geral do Sporting Club de Portugal - não se importa que o Sporting se torne num centro de lavagem de dinheiro desde que esse dinheiro lhe permita alimentar o seu cego fervor clubista! E onde um deprimente Paulo Futre, em poucos minutos, transformou um ídolo num monte de uma coisa suja …

quinta-feira, 25 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Nestes dois dias que levamos de crise política vamo-nos apercebendo de um fosso abissal entre a capacidade de comunicação da máquina Sócrates – insisto: que é o governo e que é o PS – e a da oposição, em particular a de Passos Coelho e do PSD.


Não sei, neste momento, medir as consequências desta realidade. Mas não tenho dúvidas que terá consequências nas próximas eleições! Não tenho grandes dúvidas que, em pouco tempo, esta eficácia na comunicação irá levar muita gente a esquecer-se do que realmente nos aconteceu nestes últimos tempos!


É sintomática a incapacidade de resposta de Passos Coelho. A confrangedora falta de eficácia de comunicação – não pega no que deve pegar e muito menos da forma que deveria pegar - permite que Sócrates passeie livre e impunemente a sua tese de gloriosa vitimização assente numa descarada manipulação dos factos e da realidade. E é grave!


É grave porque é mais que um detalhe. É grave porque confirma que Passos Coelho descurou o trabalho de casa. E é grave porque começamos a perceber que este PSD apenas se tem limitado a esperar pela fatalidade do poder. Já começávamos a desconfiar que ideias e programas eram coisa que não abundava por ali. E como sabemos que nada disso surge de geração espontânea…


O cenário é este: Passos Coelho fala pouco e mal! Depois dele apenas Miguel Relvas, cada vez mais a parecer uma picareta falante, e um rapazinho que apareceu na televisão a defender aquela do aumento do IVA que não lembraria a ninguém…

quarta-feira, 24 de março de 2021

Selecção cinzenta


A selecção nacional entrou a ganhar nesta competição de apuramento para o Mundial do Qatar. Esta é a única nota positiva deste jogo com o Arzebaijão, que conta como jogo em casa, mas que se disputou em Turim, no Estádio da Juventus, de Ronaldo (o que talvez explique alguma coisa...) por força das coisas estranhas desta pandemia.


A exibição da equipa portuguesa foi simplesmente decepcionante, com uma primeira parte muito fraca, e uma segunda genericamente muito má. Valeu um auto-golo, para ganhar o jogo. E era mesmo a única forma de o ganhar, tinha de ser um jogador azeri a marcar, na equipa nacional não havia quem o pudesse fazer. Porque simplesmente não conseguiu criar oportunidades de golo.


É certo que o guarda-redes da selecção do Arzebaijão -108ª do ranking  da FIFA, onde a portuguesa é a quinta -fartou-se de defender. Mas não passou por qualquer dificuldade, as bolas foram todas direitinhas às suas mãos, aos pés ou às pernas.


Foi uma exibição paupérrima da selecção nacional, sem velocidade, sem intensidade, e sem ideias. Mas também sem estratégia. A constiuição da equipa inicial pareceu logo estranha, mesmo que se tivesse de dar o benefício da dúvida a Fernando Santos, pela fragilidade do adversário e pela densidade do calendário competitivo, com três jogos em 6 dias. Se foi assim, foi uma ilusão do seleccionador nacional, que provavelmente passou para os jogadores.


Quando na segunda parte quis emendar a mão, já era tarde. Os dados do jogo estavam lançados, e sabe-se que nem sempre é fácil alterar a dinâmica de um jogo lançado em ritmo baixo e displicente. Das três substituições para alterar o rumo do jogo (as duas últimas, já no fim do jogo foram para queimar tempo) - primeiro, logo ao intervalo, Bruno Fernandes para o lugar de Moutinho, depois Rafa, para o de Pedro Neto (!!!) e, já muito tarde, de João Félix para o de André Silva - apenas a última trouxe algumas melhorias ao jogo da equipa portuguesa.


No próximo sábado, em Belgrado, a equipa terá de jogar muito mais para os dissabores não chegarem ao resultado.


 


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A sessão parlamentar de ontem, que desembocou na demissão do governo, sugere-me três reflexões sobre o futuro próximo. A primeira vai logo direitinha para a dignidade da Assembleia da Republica (AR) e, como casa da democracia que é, para a própria dignidade da actividade política!


Uma tarde inteira – pelo menos cinco horas – para chegar onde chegou não dignifica a AR nem a maneira como se faz política em Portugal. Muito menos, evidentemente, os políticos! O tom do(s) discurso(s) - as mesmas coisas repetidas por toda a gente sem uma única novidade -arrastou-se penosamente durante horas a fio num evidente sinal de ineficiência e de desperdício. Porque o resultado estava à vista. Tão à vista que nem sei se será assim tão condenável que Sócrates – bem sei que o comandante é o último a abandonar e que são os ratos os primeiros a fugir – tenha abandonado os trabalhos logo no início! Abandono que, obviamente, em nada dignificou a instituição parlamentar e a democracia. Que também não o dignificou a ele próprio, mas isso já nem sequer tem importância nenhuma!


Quanto maior é a crise maior é a importância das instituições. Quanto mais fortes e prestigiadas forem as instituições maiores são as possibilidades de êxito no combate às crises e, naturalmente, maior é a confiança no sucesso. Ontem, mais uma vez, a AR não nos deu razões de confiança!


A segunda vai direitinha para Sócrates.


Mercê de uma personalidade política invulgar, Sócrates foi o governo e o governo foi Sócrates – perdoe-me Doutor Fernando Teixeira dos Santos, mas o senhor não passou, nuns momentos do cordeiro pascal a sacrificar e, noutros, do bobo da corte, papeis que, infelizmente, acabou por fazer por merecer – e, nessa qualidade, o responsável pela desgraça em que o país se encontra.


Mas, mercê dessa mesma personalidade, Sócrates fez do PS o Partido de Sócrates. Secou tudo à volta e condenou o partido – que vai renovar-lhe a liderança por números dignos do seu amigo Chavez ou dos manos Castro – a levá-lo a uma derrota eleitoral seguramente histórica. Não é a dimensão dessa derrota que acho preocupante. Deveras preocupantes são as suas consequências na composição do próximo parlamento e na correspondente capacidade para gerar efectivas soluções governativas!


Sócrates personalizou a liderança do PS como nenhum outro líder antes. Basta lembrar que foi com Mário Soares – indiscutivelmente o seu mais carismático líder – que o partido teve os seus mais fortes períodos de debate interno, com sucessivas dissidências: à esquerda e à direita. Lembrarmo-nos do PS de Mário Soares - contestado pelas mais variadas tendências (renovadores, ex-secretariado e até Francisco Salgado Zenha) e olharmos para este PS acrítico e acéfalo, cegamente enfileirado atrás de um líder perdido e sem rumo, ajuda-nos a perceber que não é menos preocupante o estado a que Sócrates conduziu também o partido.


E isto leva-me à terceira reflexão. Temo que seja este o perfil das lideranças moldadas nas jotas. Temo que, já com sucessivas gerações afastadas da política, não nos restem alternativas que não gente nascida, criada e educada nas estruturas das juventudes partidárias. Gente experimentada na intriga e nos jogos de interesse mas sem cultura de trabalho e de responsabilidade e sem experiência de vida. Gente que cresceu a colar cartazes em vez de crescer na escola e que, chegada a altura, obtém um canudo num domingo qualquer de uma qualquer universidade manhosa!

terça-feira, 23 de março de 2021

Quem o viu e quem o vê

Rui Rio não entra - FC Porto - Jornal Record


 


Rui Rio lá mandou mais um dos princípios às malvas. Um a um lá se vão indo todos, que valores mais altos se levantam. A primeiro anunciada, depois escondida e finalmente confirmada escolha de António Oliveira para candidato à Câmara de Gaia, é a negação do princípio da separação entre a política e o futebol, outrora tão caro ao desorientado líder do PSD.


António Oliveira, ex-jogador, ex-treinador, maior accionista privado da SAD, e candidato a futuro presidente do FC Porto não é só uma candidatura com a muleta do futebol. É Rio a responder com mais promiscuidade à promiscuidade que grassa entre o executivo PS da Câmara de Gaia e o FC Porto.


Quem o viu e quem o vê.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O governo está a cair e a crise política a erguer-se. No parlamento – sem Sócrates – vai caindo aos pedaços!


Entretanto, e como se tudo o que já se conhecia não bastasse, veio hoje a saber-se que afinal o défice de 2010 não tem nada a ver com o que foi propagandeado. Que o Eurostat diz que não. Que vai para além dos 8%!


A Grécia já passou por este filme. Todos nos lembramos que a desgraça grega começou pela falsificação das contas. Só nos faltava mais esta, passarmos também por aldrabões das contas. Já estavam aldrabadas com o fundo de pensões da PT e com as receitas de vendas dos imóveis depois arrendados, mas nem isso foi suficiente. Afinal percebemos agora por que é que o governo queria chutar os números do BPN - os tais que não custariam nada ao país - para as contas de 2008. Não percebemos, nem nós nem ninguém, por que raio é que haviam de andar dois anos para trás. Mas percebemos todos que é aldrabice!


Se isto é assim quando o governo ainda não caiu, o que é que aí virá?


Por mim já não tenho dúvidas: só quando este governo estiver morto e enterrado é que nos iremos aperceber da verdadeira dimensão da desgraça! Vamos ter ainda muitas mais surpresas…

segunda-feira, 22 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A opinião que ontem aqui deixei – que estamos todos bem mais preocupados em nos vermos livres de Sócrates e sus muchachos do que com a crise política – não pega nas hostes socialistas, repentinamente transformadas nos mais altos arautos da salvação nacional.


É estranho que, enquanto Sócrates e os seus governos foram construindo o percurso que nos trouxe até aqui, ninguém os tenha ouvido. Agora falam todos, e todos com a suprema preocupação de poupar o país a uma crise política: de António Costa já aqui se falou por mais do que uma vez, e em particular daquela tirada sobre a incompetência política de Teixeira dos Santos, saída da cartola que nem uma bóia de salvação atirada ao náufrago Sócrates. Mário Soares faz hoje um “apelo angustiado” ao Presidente da República e até Ferro Rodrigues, que julgávamos esquecido – confortavelmente esquecido, deve adiantar-se - lá para a embaixada da OCDE, diz “que ainda há tempo para evitar uma crise política que seria desastrosa”!


Vamos admitir que têm razão! Vamos tentar admitir que a pior coisa que nos pode acontecer é a demissão deste governo…


Já tentei! Não fui capaz, confesso. Não me consegue entrar na cabeça que o pior cenário que temos pela frente seja a demissão deste governo. Eu tenho é dificuldade em dissociar os cenários de catástrofe deste governo!


Acresce que admitir essa hipótese levar-me-ia a uma outra conclusão muito difícil de aceitar. Seria esta: os verdadeiros patriotas, as únicas pessoas que se preocupam com a país neste momento, os únicos portugueses que querem verdadeiramente salvar Portugal desta crise são os socialistas, com Mário Soares à cabeça!


Tento aceitar esta conclusão e também não consigo…


Por isso, posso estar enganado mas continuo a achar, conforme ontem aqui escrevi, que não há motivo nenhum para segurar Sócrates mais tempo. Apesar de, para surpresa minha, ele não ser assim tão aldrabão como se diz por aí. Explico porquê:


Depois de apanhado na curva Sócrates viera dizer que o PEC que apresentara em Bruxelas, e que Bruxelas aplaudira em comunicado, não era para levar muito a sério. Insinuou-o na entrevista à SIC Notícias, disse-o pela boca de António Costa e repetiu-o sucessivamente a partir daí, anunciando a disponibilidade para o negociar. Ainda hoje, as Instituições Europeias – e designadamente Jean Claude Juncker – vinham dizer claramente que os compromissos assumidos por Portugal eram mesmo para cumprir. Mas também já hoje, sabe-se lá por que carga de água, as mesmas Instituições contrariam o mesmo Juncker e dizem que o PEC entregue na semana passada, e que eles tanto elogiaram, é afinal negociável! Precisamente como Sócrates vinha dizendo…


Há coisas extraordinárias neste país e neste governo! Mas também nesta Europa, não acham?

domingo, 21 de março de 2021

Em estado de recuperação


 


Era a jornada de manifestação contra o racismo, uma luta que infelizmente continua a justificar-se. Em vez do nome, os jogadores ostentavam nas costas "racismo não". Não os de todas as equipas, a equipa do desordeiro - espero sentado pelas reacções da Liga à pouca vergonha de Portimão - não participou nesta manifestação. Dali não dá para esperar manifestações de desportivismo, fair play e outras coisas da educação e do civismo, como se tem visto. Apenas grosseria, deselegância e faltas de respeito!

 

Mas era também a jornada decisiva para o Benfica, com esta deslocação a Braga de grande expectativa. Desde logo porque era decisiva, não ganhando este jogo o Benfica ficaria decisivamente arredado da luta por um lugar de acesso à Champions, com tudo o que isso representa. Mas também para aquilatar se a equipa está realmente em recuperação. Era a prova do algodão, como aqui dissera a semana passada.

 

Este jogo de Braga disse que  - o algodão não engana - o Benfica está em recuperação. Não se pode dizer que esteja recuperado, porque esta época já não tem recuperação possível. Este estado de "em recuperação" já só dá para acalentar esperanças para o segundo lugar e para a Taça.

 

O Benfica entrou bem no jogo, de novo com três centrais e com os jogadores confiantes, a jogar bem. E sempre por cima do Braga. A princípio chegou a parecer que seria um jogo sem balizas, com ambas as equipas a trocarem bem bola, e com boas dinâmicas de jogo, mas sem remates. Ideia que só a partir de meio da primeira parte começou a ser contrariada, mesmo que o primeiro remate tenha surgido aos 7 minutos, e com ele a primeira oportunidade de golo. Para o Benfica, claro. Grimaldi, isolado, permitiu a defesa a Matheus. Porque não rematou de primeira, como devia, e como Rafa, a assistência de Seferovic, fez a fechar a primeira parte, no primeiro golo. 

 

O meio da primeira parte não trouxe apenas os remates. Trouxe também o remake de um facto histórico, com o árbitro Luís Pinheiro a assinalar um penalti a favor do Benfica, infringindo a lei, e com o VAR a voltar a impedir essa infracção. Exactamente como há uma semana. Então o VAR inventou que a falta se marca onde se inicia, e não onde acaba. Agora, com a ajuda das linhas manhosas, inventou um fora de jogo de 10 centímetros a Seferovic, que nem as imagens nem as linhas confirmam. Portanto, tudo normal - não há penaltis a favor do Benfica!

 

Com a expulsão de Fransérgio, com segundo amarelo, a cinco minutos do fim da primeira parte, a superioridade que o Benfica vinha demonstrando acentuou-se ainda mais. Naturalmente, mesmo que o Braga se tenha sempre batido bem.

 

Na segunda parte o tom do jogo manteve-se, e cedo, logo aos 56 minutos o Benfica chegou ao segundo golo, por Seferovic, agora com troca de papéis com Rafa. E fechou o resultado, porque o guarda-redes bracarense negou mais dois ou três golos (a  defesa ao espectacular remate de cabeça de Sefeverovic, aos 67 minutos é de outro mundo). Porque Waldschmidt, Seferovic, Rafa, Taarabt e Pizzi desperdiçaram excelentes ocasiões. Mas também porque num livre de João Novais a bola bateu na barra, sem que Helton Leite pudesse fazer grande coisa para evitar o golo, na segunda e última oportunidade do Braga em todo o jogo.

 

De resto, do jogo, para além da vitória e da subida ao terceiro lugar, ficam três notas. Duas positivas, e uma negativa. A segurança defensiva - o quinto jogo consecutivo sem sofrer golos - e a forma como a equipa controlou o jogo - e o resultado - com bola (contra 10 é mais fácil, bem sei!) contra uma das equipas que melhor sabe estar em campo. Pela negativa, o velho problema da linha de fundo. A equipa continua sem chegar à linha final para cruzar. Neste jogo só lá chegou por uma vez, por Grimaldi. Mas, la chegado, logo a bola voltou para trás. Porque a equipa não está mecanizada para este tipo de lances, fundamentais e decisivos num jogo de futebol.

 

Não está a arrasar, nem lá chegará. Mas está a correr bem. Defender bem impede que o adversário marque na primeira vez que chega à baliza, como acontecia há uns meses, e isso ajuda muito. Vamos a ver se esta paragem para os compromissos das selecções não vai estragar…

Primavera

Primavera começa amanhã e temperaturas vão subir | TVI24


 


É oficial - está aberta a Primavera 2021!


Desfrutem dela, da mais espectacular estação do ano. Mas, dadas as circunstâncias, com as devidas distâncias. E com todas as precauções. E preocupações... 


Ou seja, desfrutem ... mas não dá para desfrutar.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Foi você que pediu uma crise política?


Esta pergunta, lembrando um eficaz slogan publicitário – tão eficaz que, como se demonstra, não se esquece – é adequada ao actual momento político.  


Foi o primeiro-ministro que desencadeou esta crise política, afirma o PSD sem sombra de dúvida! Não – respondem o governo e o PS – o PSD é o responsável pela crise política!


Ninguém quer acusar a sua paternidade. Se já tínhamos em Portugal uma culpa solteira, agora temos uma crise política filha de pais incógnitos.


A verdade é que o primeiro-ministro tem imensa dificuldade em negá-la. Nem são necessários testes de paternidade. E nem sequer lhe será fácil invocar um qualquer acidente - ao contrário do PSD, que estava a usar todos os métodos de planeamento familiar - porque esta não é uma paternidade acidental. Parece mesmo muito bem planeada, como se tem visto: não é possível adiar mais a intervenção (ainda mais) directa do FFEE e do FMI - o mês de Abril (e o de Junho) é dramático, com sérios riscos de não haver quem nos empreste dinheiro para responder às dívidas que então se vencem – pelo que, para quem apostara tudo nesse cavalo, não restava outra alternativa que provocar uma rotura que lhe permitisse pôr-se ao fresco e tentar deixar para trás a solteirona mais famosa do país. A pensar num volto já´, sem a companhia da tal solteirona!


Para atingir esse desiderato Sócrates e a sua rapaziada – de que Luís Amado faz hoje mais uma tentativa de descolagem (começa já a cheirar à estória do Pedro e do lobo, e acredito que já ninguém acredita nessas sucessivas mas inconsequentes descolagens) – têm-se encarregado de dramatizar a cena.


Uma crise política, mais a mais nas actuais circunstâncias do país, não é, evidentemente, a melhor coisa que nos possa suceder. Mas também não me parece que os portugueses estejam assim tão preocupados com isso. Quer dizer, os lancinantes gritos chegados da boca de cena, venham eles da garganta de Teixeira dos Santos, gritados a partir de Bruxelas, da de António Costa – surpreendentemente com o papel principal nesta dramatização, como aqui temos visto – ou da de Jorge Lacão, não atingem o coração dos portugueses!


E isto quer simplesmente dizer que estamos todos tão fartinhos de Sócrates que mais nada nos importa que vermo-nos livres dele, sejam quais forem as consequências. Que já estamos por tudo e que, venha o que vier, nada será pior que manter este governo!


Desconfio que a resposta à pergunta inicial seria mesmo um imenso e uníssono siiiiiiimmmmm!

sexta-feira, 19 de março de 2021

"Make America great again"

Why Trump's Make America Great Again hat makes a dangerous souvenir for  foreign politicians


 


Apesar da sua provecta idade Joe Biden vem dando mostras que não chegou à presidência da América para passar uma velhice tranquila (nunca o seria), mas para exercer o poder no ainda mais poderoso país do globo, afirmando-lhe essa condição. 


Chamar Putin de assassino é provavelmente a mais veemente afirmação do poder da América que Biden está a recuperar. Podem colocar-se reservas do ponto de vista diplomático, e podem até levantar-se questões de substância jurídica. Mas, do ponto de vista político, esta acusação estrondosa não é só inatacável como é a todos os títulos saudável.


É preciso que alguém diga a Putin que é um assassino. Que tem matado na Rússia, na Bielorrúsia, ou na Ucrânia. Que matou barbaramente na Síria. E que tudo faz para sabotar as democracias por todo o mundo, procurando sistematicamente minar e manipular os mais decisivos processos eleitorais do ocidente. É preciso alguém que diga que não tem medo de Putin. E é preciso alguém que lhe diga sem meias palavras que está de olho nele.


E só Biden disse isso.  "Make America great again" é isto. Não é uma mera expressão panfletária estampada nos bonés com que Trump cobria a cabeça curvada e reconhecida a Putin.




 



Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Pegar no jogo é mais uma expressão do futebolês que parece jogar com as palavras.


Se tudo se pega - e os brasileiros pegam ainda muito mais que nós - pega-se a sarna e pega-se em tudo, até touros se pegam - de caras e de cernelha – por que é que se não há-de poder pegar no jogo?


Pega-se no jogo, como se agarra o jogo e até como se segura o jogo! Nas cartas como no futebol!


Pegar no jogo quer apenas transmitir uma ideia de ascendência sobre o adversário, mexer os cordelinhos do jogo e ditar as regras.


Quer dizer, criar as condições para mandar no jogo, como já aqui vimos. Impor os ritmos de jogo e atingir uma ascendência sobre o adversário que lhe permita exercer o controlo e desfrutar de uma posição dominante. De assegurar o domínio sobre o adversário.


Pega-se e deixa-se cair, pega-se e larga-se. Num jogo de futebol também assim acontece. Para pegar no jogo é fundamental entrar bem. Que é como o futebol: é isso mesmoEntrar bem no jogo, deitar mãos á obra desde o apito inicial do árbitro, sem estar à espera do que o jogo dá ou mandando às malvas o período de estudo, é mais que meio caminho para pegar no jogo.


Ouve-se cada vez menos mas era habitual em Portugal ouvir os comentadores fixarem o tal período de estudo. Normalmente de estudo mútuo! Era assim como que umas tréguas, só que no caso eram tréguas antes do início das hostilidades – expressão também muito utilizada para determinar o fim do período de estudo. Normalmente é uma iniciativa de um determinado jogador, não necessariamente do jogador que pega no jogo mas do que dá uma sapatada no jogo, que solta o grito de revolta.


Em Portugal o período de estudo era sagrado. Não havia jogo que não começasse com o estudo do adversário, o que tem um nome: cábula! Já não era estudar na véspera do exame, era não estudar de todo e começar apenas quando já estava no exame!


Hoje não é assim. Hoje fazem-se os trabalhos de casa, como em todo o lado, e já se chega ao exame pronto a deitar mãos á obra!


Por isso é que, das oito equipas apuradas para os quartos de final da Liga Europa (na Champions é que não temos cabimento!), três são portuguesas: Benfica, Braga e Porto. Prova disso é o Porto, que ontem começou a garantir o apuramento com um golo aos 40 segundos! Caído do céu, como frequentemente lhe acontece, mas golo. Que vale tanto como qualquer outro! Que vale tanto como o outro que o guarda-redes russo lhe ofereceu e que lhe garantiu a vitória e o apuramento!


Se o futebol português deixou de ser cábula e já consegue pegar no jogo antes que ele esteja bem agarrado pelo adversário, o italiano continua pouco interessado nisso. As equipas italianas estão-se nas tintas para o domínio do jogo: o que querem é especular com o jogo. Cínicos, como lhe chamam. Incapazes de olhar os adversários nos olhos…


As coisas, que lhe correram bem durante décadas, estão agora a mudar. Safa-se o Inter, campeão europeu em título por obra e graça de Mourinho!


Se, em Portugal, quisermos encontrar uma equipa que entra bem, que pega no jogomexe os cordelinhosmanda no jogo e dita as regras essa é, sem dúvida, o Porto. Esse é um mérito que se lhe não pode negar!


Este campeonato em curso é disso a melhor prova: entrou bem – sempre a ganhar –, pegou no jogo a seu belo prazer – pôs e dispôs como muito bem entendeu –, mexeu os cordelinhos para afastar a concorrência e mandou no jogo e nos adversários para manter a concorrência afastada, sempre ditando as regras, novas ou velhas. Uma, por exemplo, diz assim: marcam-se penaltis a favor sempre que tal se mostre necessário; contra só em última análise e, se marcado e convertido, mandar-se-á repetir até que o adversário o falhe! Outra diz que se podem agredir os adversários a partir das bancadas com bolas de golfe.


Esta acaba até de receber, já esta semana, um forte impulso do governo (afinal o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, é do Porto) com a redução da taxa de IVA do golfe – a tal que a RTP confundiu com o modelo Golf, da Volkswagen – de 23 para 6%! Aí, no governo, é que ninguém consegue pegar no jogo...


Mas hoje é Dia do Pai. Para todos os pais, independentemente da cor e do credo, um feliz Dia do Pai. Junto dos filhos. E dos pais, para quem tenha esse privilégio... 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Tiro no pé

 


COVID-19: EMA assegura que vacina da AstraZeneca é


 


A Agência Europeia do Medicamento (EMA) tinha prometido pronunciar-se hoje sobre a vacina da AstraZeneca, e a comunicação social quis fazer disso um acontecimento. Aí está o veredicto: “é segura e eficaz”! 

Nada de novo, já o vinha dizendo desde segunda-feira passada, quando grande parte dos países da União Europeia já tinha decidido suspender o uso da vacina.

E disse mais a EMA - disse que a vacina não está associada aos casos de coágulos sanguíneos detetados. O que não disse é por que não conseguiu evitar este tiro no pé da generalidade dos países membros, e da própria União Europeia.  

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


António Costa, como ontem aqui se referiu, surgiu em grande actividade no suposto sentido de evitar a crise política. "As crises são sempre evitáveis, só as catástrofes e a morte é que não": não se cansa de repetir.


Esta é uma manobra que, evidentemente, mais não visa que ratificar a estratégia de vitimização de Sócrates. Estratégia que ele – Sócrates – sabe explorar como ninguém e com a qual conta para voltar a enrolar os portugueses!


A chave desta manobra está na teoria - agora posta a circular pelo aparelho do PS - segundo a qual tudo não passou de um lamentável equívoco seguido de um deplorável erro de comunicação de Teixeira dos Santos. A situação política actual não passa de uma tempestade num copo de água: a estória do PEC 4 foi mal contada pelo incompetente do Teixeira dos Santos, que foi absolutamente desastroso na comunicação que fez ao país, faz hoje precisamente oito dias.


Esta extraordinária tese começou a ser construída a partir da entrevista de Sócrates à Ana Lourenço na SIC, onde ele se esforçou por deixar a ideia que aquelas medidas não eram medidas nenhumas. Apenas uma coisa para entreter lá em Bruxelas…


Não deixa de ser extraordinário que seja gente extraordinária como António Costa a empunhar esta bandeira. Alguém que, como se sabe, para além de muita influência e de grande proximidade a Sócrates, tem boa imprensa. Alguém que ainda há uma semana, numa entrevista a Clara Ferreira Alves, publicada na Revista única do Expresso, confessava que ele e Sócrates, em tempos, tinham estabelecido um acordo para assumir a liderança do partido. Não se digladiariam e avançaria aquele que na altura estivesse em melhores condições.


O que a comunicação social deixou passar em claro, sem um reparo ou sequer um comentário... Alguém tem dúvidas de que tem mesmo boa imprensa?


Há portanto que aproveitá-la…

quarta-feira, 17 de março de 2021

Ciência vs política

Difícil equilíbrio entre ciência, economia e política em tempos de pandemia  - SBMT


A ciência encontrou a vacina para o covid-19 em menos de um ano. Nunca antes tinha sido descoberta e testada uma vacina em tão pouco tempo.


A vacinação, a correr muito bem nuns países, e não tão bem noutros, tornou-se "apenas" no mais rápido processo de vacinação de sempre. Nunca em tão pouco tempo se vacinou tanto, já foram administradas mais de 300 milhões de vacinas.


Os efeitos secundários, que sempre acontecem com todas as vacinas, são confirmadamente marginais. Mais marginais que em qualquer outra vacina.


E no entanto, na Europa, numa decisão exclusivamente política, por medo de uma opinião pública muito permeável ao negacionismo, suspendeu-se a utilização de uma vacina, atrasando um processo em que já estava atrasada relativamente às outras regiões desenvolvidas do mundo. E acrescentando ameaça à economia mais ameaçada pela pandemia em todo o mundo desenvolvido.


A Europa, que nada participou em tudo o que correu bem na ciência, participa activamente em tudo o que correu mal na política. 


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


“O governo ainda pode emendar a mão”: quem o afirma é Pedro Passos Coelho, à saída de Belém!


“Estamos abertos ao diálogo e a introduzir contributos externos”: esta vem de Francisco Assis.


Entretanto, Pedro Silva Pereira … blá, blá, blá … e diálogo. E mais diálogo, até “porque o PEC só tem de ser entregue em Abril” – há mais que tempo para dialogar…


E o António Costa também tem alguma coisa para dizer. Diz que só não se podem evitar as crises naturais, que as políticas podem ser evitadas. Que esta pode muito bem ser evitada!


Pois é! Tudo gente extraordinária…

terça-feira, 16 de março de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A coisa, como temos visto, aqueceu e Cavaco, quem sabe se para a arrefecer, resolveu falar-nos da guerra colonial e de combatentes. De brancos e negros e até das suas memórias!


Parece-me evidente que a última coisa que nos interessaria nesta altura do campeonato era essa. E quando a coisa vem acompanhada de verdadeiros tesourinhos deprimentes, até parece que estão a brincar connosco.


Mas podem não estar! Cavaco pode apenas estar a dizer aquilo que já todos há muito sabemos. Tão simplesmente isto: “Não contem comigo para estas coisas, se querem correr com o homem é lá convosco. E se querem soluções para a crise procurem-nas. A mim, não me chateiem, que eu não tenho nada a ver com isto! Já fiz o que tinha a fazer: está tudo no meu discurso de tomada de posse. E no site da Presidência!"


Muito obrigado. Nós já sabíamos, não precisávamos era que nos estivesse sempre a lembrar. Nem de mais tesourinhos deprimentes. Já estamos no limite da depressão! 

segunda-feira, 15 de março de 2021

O retrato da União Europeia na pandemia

Agência europeia precisa de mais informações sobre vacina da AstraZeneca |  HealthNews


A pandemia tem-nos mostrado várias caras da União Europeia, e nem todas bonitas. Começou por mostrar uma União Europeia ágil a responder-lhe, para logo depois mostrar que a agilidade tinha pouco de ágil. Agilizar a resposta ágil começou, e está ainda, a ser um problema. 


Depois veio a vacina, e nova cara bonita da União, a centralizar, como se fosse um grande país do mundo desenvolvido, a negociação da compra das vacinas. Pouco depois veio a cara feia, e viu-se como fora ultrapassada nessa negociação por todo o mundo desenvolvido, dos grandes, como os Estados Unidos da América ou a Inglaterra, aos pequenos, como Israel.


Uma cara ainda mais feia acaba de se nos mostrar com a suspensão da vacina da Astrazeneca. A instituição da União Europeia que superintende na matéria - a EMA - garante, como de resto a Organização Mundial de Saúde, que não há qualquer problema com essa vacina. Que os casos de coágulos sanguíneos detectados, e que lançaram o alarme geral, não têm ligação com a vacinação, que são casos correntes, perfeitamente dentro das estatísticas do fenómeno.


Que "os eventos envolvendo coágulos de sangue, alguns com características invulgares como o baixo número de plaquetas, ocorreram num número muito reduzido de pessoas que receberam a vacina" e que "o número de eventos tromboembólicos em geral nas pessoas vacinadas não parece ser superior ao verificado na população em geral", sendo que "muitos milhares de pessoas desenvolvem anualmente coágulos de sangue na UE, por diferentes razões".


E no entanto praticamente todos os países, cada um de per si, e com efeito dominó, decidiram interromper a aplicação da vacina, generalizando o pânico entre quem a tinha tomado, e atrasando gravemente o processo de vacinação, que já por si não estava a correr nada bem. Exactamente por escassez de vacinas por, afinal, a negociação centralizada não ter corrido nada bem.


No final da semana passada tinham sido a Áustria, a Noruega, a Dinamarca, o Luxemburgo, a Estónia, a Letónia e a Lituânia a suspendê-la. Durante o dia de ontem seguiram-se os pesos pesados Alemanha, França, Itália e Espanha. E, ao fim do dia, Portugal. Como não podia deixar de ser.


A União Europeia é isto. E por mais que nos custe a todos os que somos europeístas, e que fomos acreditando na construção da nação europeia, nunca deixará de o ser.


 

Os 60 anos do início da guerra colonial

I Grande Guerra - PÚBLICO


O dia 4 de Fevereiro de 1961 é frequentemente indicado como a data do início da guerra colonial, com o início da guerra em Angola. É inclusivamente lá comemorado como o data de início da luta pela libertação.


O que aconteceu em Luanda a 4 de Fevereiro de 1961 não é actualmente visto como o início da guerra por boa parte dos historiadores e especialistas. Então, um grupo um grupo de cerca de 200 angolanos, sem grande grau de organização, atacou uma cadeia em Luanda. Primeiro, o MPLA demarcou-se dessa iniciativa, mesmo que mais tarde dela se tivesse apropriado e feito da sua data um símbolo para o país.


A resposta a este acontecimento não envolveu o exército colonial, que na altura não tinha praticamente expressão nas então Províncias Ultramarinas, mesmo que violenta, foi apenas obra da polícia. E Salazar não lhe deu sequer grande importância.


Diferente foi o ataque a dezenas de fazendas no norte de Angola, na manhã de 15 de Março, faz hoje precisamente 60 anos, dirigido pela UPNA (União dos Povos do Norte de Angola), depois UPA (União do Povo de Angola, e mais tarde FNLA (frente Nacional de Libertação de Angola), de Holden Roberto, um nacionalista sempre ausente, a dezenas de fazendas no norte de Angola, que causou milhares de mortos, entre europeus e africanos - sete mil africanos e mil portugueses, diz-se - num massacre de extrema violência.


 Então sim, Salazar reagiu com a célebre "Para Angola, rapidamente e em força", dando início à maior mobilização militar da História contemporânea do país, e a uma guerra de 13 anos, que se espalharia às restantes colónias portuguesas e acabaria, ela própria, com o regime, já sem Salazar.


A História das guerras é sempre feita pelos vencedores. A de Angola, depois prolongada por mais de outro tanto tempo em guerra civil, não é excepção. E, pela mão do MPLA, vencedor da guerra civil, Angola assinala o 4 de Fevereiro. Que poderá para sempre ficar a assinalar a data do início da luta armada pela independência, mesmo que, na realidade, tenha sido o dia 15 de Março de 1961 aditar o início da guerra colonial.


Há 60 anos!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


José Sócrates surgiu-nos ontem à noite em plena campanha eleitoral. E confesso que me deixou baralhado: fiquei por momentos sem perceber se aquilo a que tinha assistido era o momento zero da campanha para as próximas eleições, se era mais um número do mestre do bluf ou ainda se não passaria de mais um episódio da esquizofrenia acelerada que tomou conta destes últimos dias do governo.


As palavras de Teixeira dos Santos, hoje em Bruxelas, apontam para dar mais crédito a esta última hipótese. Vêm-nos à memória aquelas imagens daquele ministro de Saddam quando os americanos ocupavam Bagdad…


Mas também não me custa muito admitir o três em um: o completo desfasamento da realidade, aliado à irreprimível tentação do jogo, sem descurar a possibilidade de ser o primeiro a reagir ao tiro de partida da campanha!


Anunciando bem cedo a comunicação ao país para a hora dos telejornais Sócrates, como tanto gosta, criou o suspense! Houve até quem pensasse – ou até quem receasse, sabe-se lá – que iria apresentar a demissão do governo. Santa ingenuidade: como se isso fosse alguma vez possível, como se Sócrates não estivesse mais agarrado ao poder que as lapas agarradas às rochas, resistindo às sucessivas, cadenciadas e violentas batidas das ondas.


Depois foi a comunicação – que era sem perguntas e passou a ser com perguntas - melhor - com respostas. Com as respostas que quis dar, independentemente das perguntas – ao melhor jeito do que será o argumentário de campanha e o desafio: vá derrubem-me! Um desafio com ar fanfarrão: vejam lá se têm coragem! E com encontro marcado para a Assembleia da República, na discussão do PEC. Deste novo PEC!


E houve logo quem se assustasse: “agora quem quer eleições é o PS” disse, por exemplo, Pacheco Pereira!


Como ontem aqui escrevia agora cada um tem que pedalar a sua bicicleta. Já não há nada a esperar: nem esperar que Sócrates se demita, nem esperar que seja Cavaco a ter as dores do parto, nem esperar por melhores momentos. Não há tempo para mais calculismos – utilizando a linguagem do futebolêso jogo partiu!


Ainda bem, digo eu! Isto já não dá para mais…


O diabo é se Mário Soares estiver enganado quando diz (hoje no DN) que “Sócrates cometeu erros graves … que lhe vão sair caros”. O diabo é mesmo se, depois de nos terem saído caros a todos, ainda vão acabar por não lhe sair a ele!


Mas esse é um risco que agora não podemos deixar de correr! 

domingo, 14 de março de 2021

Um feito

Fez-se história. Seleção portuguesa de andebol vence França e garante  presença nos Jogos Olímpicos - Desporto - SAPO 24


A seleção nacional de andebol garantiu, em Montpellier, e pela primeira vez, o apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, onde só cabem 12 selecções, depois se derrotar a França (29-28), com o golo da vitória chegar a 10 segundos de um final de jogo épico.


É também o primeiro apuramento olímpico de uma modalidade colectiva de pavilhão. E, indubitavelmente, um dos maiores feitos do desporto nacional.


 


 


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


José Sócrates conseguiu, com a prestimosa ajuda do Presidente, enrolar o PSD e tomar Pedro Passos Coelho (PPC) como refém.


Ao transformar o PSD num avalista dos sucessivos PEC´s Sócrates aprisionou Pedro Passos Coelho e retirou-lhe toda a capacidade de iniciativa. A moção de censura do Bloco de Esquerda (BE), e a forma como o PSD (e o CDS) não soube lidar com ela – caindo na esparrela do BE, ou da parte que a protagonizou – fizeram o resto. E o resto foi o fortalecimento de uma posição dominante que Sócrates, como poucos, sabe construir. Ou, às vezes, apenas inventar!


A forma como surgiu este último PEC – como foi construído, com ou sob o BCE e a UE, e como foi apresentado ao país em Bruxelas – ignorando completamente o parlamento e em total desprezo pelos acordos anteriormente estabelecidos com o PSD, quer no âmbito do Orçamento quer no dos anteriores PEC´s, revela-nos Sócrates, governo e PS em abuso de posição dominante. À maneira das EDP´s, das PT´s e das GALP`S…


É visível nas palavras de Sócrates e de Teixeira dos Santos, hoje de novo em Bruxelas. Mas também nas de Francisco Assis ou nas de Lacão!


Diz-se que crise política rebentou, que está decididamente aberta. Já o está há muito, e há muito que PPC deveria estar preparado para o dia em que teria obrigatoriamente de se livrar das amarras que deixou que Sócrates lhe atasse.


É por isso muito estranho que PPC não tenha feito o trabalho de casa ao longo deste último ano. Cheira a cábula!


É muito estranho que não conheçamos ainda um programa eleitoral do PSD. Que nem sequer vejamos alinhavadas quatro ou cinco ideias mobilizadoras. Pior, e mais angustiante, que percebamos que PPC ainda não passou da fase dos balões de ensaio. Que, traumatizado com aquela entrada da revisão constitucional de que não mais pareceu recuperar, se limite a, com todas as cautelas, deixar que um ou outro lance uma ou outra ideia para o ar. A ver no que dá!


Já não dá para cabular mais. Como já não dá para especular mais com o jogo


A hora é de acção. E não vale a pena ficar à espera do Presidente… Como se dizia por aí, agora cada um vai ter de pedalar a sua bicicleta!

sábado, 13 de março de 2021

Aconteceu História, e muitas estórias


Aos cinco minutos do jogo da recepção ao Boavista - onde há quatro meses e onze dias começou o descalabro desta equipa de Jorge Jesus nesta Liga - aconteceu História: um árbitro assinalou, pela primeira vez neste campeonato, um penalti a favor do Benfica.


É certo que o VAR logo se encarregou de cumprir a lei. A da Liga, que proíbe penaltis a favor do Benfica, porque da outra, que faz parte das leis do jogo, e que diz textualmente que "se um defensor começa a agarrar um atacante fora da área de grande penalidade e prossegue a sua acção para o interior da área, o árbitro deve conceder um pontapé de grande penalidade", fez letra morta. Deve ser uma questão de hierarquia jurídica, com a Lei da Liga a sobrepor-se às do jogo.


O árbitro Manuel Mota, que mesmo assim ficará na História desta Liga, reverteu a decisão e acabou por assinalar a falta fora da área, onde na realidade começara. E trocou o cartão amarelo ao defesa do Boavista pelo vermelho, como se não devesse ter sido essa a cor a mostrar da mesma forma com o penalti. Enfim...


Por isso o Benfica começou praticamente o jogo a jogar contra dez. Mas não a ganhar, como aconteceria se o primeiro penalti a favor tivesse surgido - ao 26º jogo do campeonato, um recorde mundial - e tivesse sido convertido. 


Um jogador a menos, e logo a partir do início, é evidentemente condicionante decisiva para qualquer equipa discutir um jogo. Mas não tem importância de maior quando uma equipa não decide discutir o jogo mas apenas defender. Aí não faz grande diferença, dez jogadores atrás da bola e à frente da baliza chegam para defender e evitar golos. Como se tem visto em tantos e tantos jogos.


Foi isso que o Boavista fez, sob o comando do ainda grande Javi Garcia, e provavelmente mais se lhe não poderia pedir. E fazer isso perante este futebolzinho de Jorge Jesus nem sequer é muito difícil. Ao Benfica, sim, podia exigir-se mais que aquele futebol estereotipado de Jesus onde, como já aqui referi algumas vezes, a linha final pica e a área adversária queima.


Com aquele futebol era difícil criar condições para marcar golos. Mas lá surgiu um, já à beira dos 40 minutos, de um remate de Taarabt de fora da área, outra das coisas que faltam a este futebol de Jesus. Mas lá estava o árbitro para entender que o jogador marroquino, como o velho brandy Constantino com uma fama que vem de longe, deu uma chapada no adversário quando abriu os braços. Mas nem tocou em ninguém.


Mais uma vez o árbitro Manuel Mota mandou a lei às ortigas. E quando a bola se encaminhava a grande velocidade irreversivelmente para o golo, apitou. Ao apitar um milésimo de segundo antes da bola entrar, invalidou a hipótese de intervenção do VAR. O que lhe deve ter dado um jeitão!


Três minutos depois a bola entrou, finalmente. Na primeira vez que a bola chegou à linha de fundo, Diogo Gonçalves - finalmente a afirmar-se, e hoje o melhor jogador em campo - cruzou para Seferovic atacar a bola de frente, com os defesas contrários com ela por trás. É para isso que é importante chegar com a bola à linha final, a tal que parece picar.


Quem viu percebeu, no entanto, que não foi uma jogada trabalhada. Quem viu, viu claramente que Diogo Gonçalves só chegou à linha final porque, para fugir de doois adversários, ela foi lá parar. E ele correu atrás dela. Foi sem querer, não faz parte do plano de jogo. Simplesmente aconteceu.


Logo a seguir, dois minutos depois, a bola volta de novo a chegar à linha final, agora do outro lado, e Grimaldo cruza nas mesmas condições. E, claro, nova oportunidade de golo. Que desta vez o guarda-redes defendeu como pôde.


Depois acabou-se. A bola não mais voltou a chegar à linha final, a não ser para marcar cantos. Que foram muitos e nunca deram em nada.


O segundo golo não tardou muito na segunda parte. Aos sete minutos, com os mesmos protagonistas. Diogo Gonçalves não chegou à linha, mas na circunstância também isso não necessário, porque já tinha transportado a bola para além da linha defensiva do Boavista. O que dá no mesmo: Seferovic de frente para a baliza, e adversários com a bola por trás.


Depois do segundo golo, mesmo sem jogar bem - houve períodos francamente maus, sucedendo-se os passes errados, outra das imagens de marca da equipa - o Benfica criou mais umas quantas oportunidades de golo. E Seferovic chegou até ao hat trick, mas as linhas manhosas disseram que estava em fora de jogo por 7 centímetros. O resultado ficou curto. E nisso também a arbitragem teve culpa. Influenciou-o, e muito. 


São três vitórias consecutivas, e sem sofrer golos. É pouco para festejar, mas já há quem faça disto uma festa. Há jogadores a subir de forma - Diogo Gonçalves, Rafa, Otamendi e Lucas Veríssimo - mas não se vê uma subida de forma generalizada e consistente. 


O próximo jogo vai ser a prova  de fogo. A deslocação a Braga vai ser o algodão. Esse não engana!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...