sábado, 13 de março de 2021

Aconteceu História, e muitas estórias


Aos cinco minutos do jogo da recepção ao Boavista - onde há quatro meses e onze dias começou o descalabro desta equipa de Jorge Jesus nesta Liga - aconteceu História: um árbitro assinalou, pela primeira vez neste campeonato, um penalti a favor do Benfica.


É certo que o VAR logo se encarregou de cumprir a lei. A da Liga, que proíbe penaltis a favor do Benfica, porque da outra, que faz parte das leis do jogo, e que diz textualmente que "se um defensor começa a agarrar um atacante fora da área de grande penalidade e prossegue a sua acção para o interior da área, o árbitro deve conceder um pontapé de grande penalidade", fez letra morta. Deve ser uma questão de hierarquia jurídica, com a Lei da Liga a sobrepor-se às do jogo.


O árbitro Manuel Mota, que mesmo assim ficará na História desta Liga, reverteu a decisão e acabou por assinalar a falta fora da área, onde na realidade começara. E trocou o cartão amarelo ao defesa do Boavista pelo vermelho, como se não devesse ter sido essa a cor a mostrar da mesma forma com o penalti. Enfim...


Por isso o Benfica começou praticamente o jogo a jogar contra dez. Mas não a ganhar, como aconteceria se o primeiro penalti a favor tivesse surgido - ao 26º jogo do campeonato, um recorde mundial - e tivesse sido convertido. 


Um jogador a menos, e logo a partir do início, é evidentemente condicionante decisiva para qualquer equipa discutir um jogo. Mas não tem importância de maior quando uma equipa não decide discutir o jogo mas apenas defender. Aí não faz grande diferença, dez jogadores atrás da bola e à frente da baliza chegam para defender e evitar golos. Como se tem visto em tantos e tantos jogos.


Foi isso que o Boavista fez, sob o comando do ainda grande Javi Garcia, e provavelmente mais se lhe não poderia pedir. E fazer isso perante este futebolzinho de Jorge Jesus nem sequer é muito difícil. Ao Benfica, sim, podia exigir-se mais que aquele futebol estereotipado de Jesus onde, como já aqui referi algumas vezes, a linha final pica e a área adversária queima.


Com aquele futebol era difícil criar condições para marcar golos. Mas lá surgiu um, já à beira dos 40 minutos, de um remate de Taarabt de fora da área, outra das coisas que faltam a este futebol de Jesus. Mas lá estava o árbitro para entender que o jogador marroquino, como o velho brandy Constantino com uma fama que vem de longe, deu uma chapada no adversário quando abriu os braços. Mas nem tocou em ninguém.


Mais uma vez o árbitro Manuel Mota mandou a lei às ortigas. E quando a bola se encaminhava a grande velocidade irreversivelmente para o golo, apitou. Ao apitar um milésimo de segundo antes da bola entrar, invalidou a hipótese de intervenção do VAR. O que lhe deve ter dado um jeitão!


Três minutos depois a bola entrou, finalmente. Na primeira vez que a bola chegou à linha de fundo, Diogo Gonçalves - finalmente a afirmar-se, e hoje o melhor jogador em campo - cruzou para Seferovic atacar a bola de frente, com os defesas contrários com ela por trás. É para isso que é importante chegar com a bola à linha final, a tal que parece picar.


Quem viu percebeu, no entanto, que não foi uma jogada trabalhada. Quem viu, viu claramente que Diogo Gonçalves só chegou à linha final porque, para fugir de doois adversários, ela foi lá parar. E ele correu atrás dela. Foi sem querer, não faz parte do plano de jogo. Simplesmente aconteceu.


Logo a seguir, dois minutos depois, a bola volta de novo a chegar à linha final, agora do outro lado, e Grimaldo cruza nas mesmas condições. E, claro, nova oportunidade de golo. Que desta vez o guarda-redes defendeu como pôde.


Depois acabou-se. A bola não mais voltou a chegar à linha final, a não ser para marcar cantos. Que foram muitos e nunca deram em nada.


O segundo golo não tardou muito na segunda parte. Aos sete minutos, com os mesmos protagonistas. Diogo Gonçalves não chegou à linha, mas na circunstância também isso não necessário, porque já tinha transportado a bola para além da linha defensiva do Boavista. O que dá no mesmo: Seferovic de frente para a baliza, e adversários com a bola por trás.


Depois do segundo golo, mesmo sem jogar bem - houve períodos francamente maus, sucedendo-se os passes errados, outra das imagens de marca da equipa - o Benfica criou mais umas quantas oportunidades de golo. E Seferovic chegou até ao hat trick, mas as linhas manhosas disseram que estava em fora de jogo por 7 centímetros. O resultado ficou curto. E nisso também a arbitragem teve culpa. Influenciou-o, e muito. 


São três vitórias consecutivas, e sem sofrer golos. É pouco para festejar, mas já há quem faça disto uma festa. Há jogadores a subir de forma - Diogo Gonçalves, Rafa, Otamendi e Lucas Veríssimo - mas não se vê uma subida de forma generalizada e consistente. 


O próximo jogo vai ser a prova  de fogo. A deslocação a Braga vai ser o algodão. Esse não engana!

2 comentários:

  1. Semana a semana a equipa tem vindo a evoluir ,. diz Jorge Jesus? esperamos que vença o braga e mais tarde o porto para que atinja o 2 lugar
    empate nesses dois jogos nao serve porque o Benfica vai ficar onde está na tabela. pena que não têm público nas bancadas para se ouvir uma assobiadelas para o inventor e para alguns jogadores que andem a passear no campo?? na Arbitragem é o costume não tem um árbitro que preste., saudações benfiquistas..

    ResponderEliminar
  2. Um futeboleiro tão culto que nem as regras do jogo conhece. Mas comenta com tanta propriedade!, como é típico nos ignorantes. Um jogador que comete uma grande penalidade só deve ser expulso se agredir o adversário. No caso de cometer uma grande penalidade perante um adversário isolado, deve ser penalizado com um amarelo, uma vez que se aplica a regra da não aplicação da dupla penalização ( penalti e expulsão ). Mas se for fora da área, deve ver cartão vermelho (expulsao e respectivo livre directo ).
    Quanto ao resto, os penaltis não se marcam quando não existem. Não é por uma equipa não ter penaltis que é prejudicada. Lá por haver um défice de dois ou três penaltis, não é caso para tanto birra. Todas as equipas se podem queixar do mesmo. Assim como em relação aos sofridos.
    Rais parta o homem, sempre a queixar-se... Queixe-se dos seus, pá!

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...