O Portugal - Uzbequistão, de novo em Houstan, no Texas, mais que relançar a selecção nacional, levou-a do 8 ao 80. Hoje, Portugal é de novo candidato a campeão mundial, e voltou da depressão à euforia. Cristiano Ronaldo voltou a aparecer no fim do jogo, voltou a falar, e não foi o primeiro a abandonar o campo.
Tudo certo?
Não. Apenas ganhamos!
A selecção jogou melhor que contra o Congo. Não era possível jogar pior, pelo que tinha obrigatoriamente de jogar melhor. Com uma alteração obrigatória - duplamente obrigatória, porque com Rúben Dias, o patrão, recuperado o lugar é dele, e Tomás Araújo lesionou-se - Martinez só fez mesmo uma alteração na equipa: a entrada de João Félix, pela saída de Bernardo Silva.
Esta é uma das muitas decisões que Martinez não gosta de tomar. Manter os craques na equipa é muito mais fácil, mesmo quando se vê que não cabem todos.
Com esta contrariedade - sim, é uma contrariedade para Martinez, ter de abdicar da solução mais fácil que é sempre a de jogar com os consagrados -, mas também com outra disposição, a selecção foi mais rápida e, acima de tudo, mais ambiciosa.
Cristiano Ronaldo voltou a marcar. Dez jogos depois. De bola corrida, não sei bem quantos anos depois. Dois golos. O terceiro, na primeira parte, foi de Nuno Mendes, na cobrança de um livre directo. Duas novidades, em simultâneo: Cristiano Ronaldo deixou o Nuno Mendes marcar o livre; e lances estudados nas bolas paradas.
Como se voltaria a ver, mais tarde. Num canto, no quarto golo, por acaso um auto golo. E em mais um livre, com uma bola "picada", para o próprio Cristiano Ronaldo.
E, para não embandeirar com os eufóricos, os do oitenta, para quem tudo está bem se acaba bem - um cinco a zero é indiscutivelmente um grande resultado, seja lá com quem for - houve exibições de que não gostei.
Não gostei da exibição do Renato Veiga. Sei bem que não temos ninguém com classe para o lugar de quarto defesa, como se chamava antigamente, mas teve erros que, contra uma equipa de outro nível, tinham consequências. Não gostei da de Nuno Mendes, obviamente fora de forma. É mesmo a forma precária que está em causa, não é uma questão de confiança. Essa teria o golo que marcou resolvido. Também Trincão e Francisco Conceição, que jogaram toda a segunda parte, jogaram abaixo do esperado.
E ... Cristiano Ronaldo. Porque não consegue dar à equipa - é impossível - a competitividade de que ela necessita. Porque subtrai, em vez de somar. Porque não se respeita. E porque a gratidão não se demonstra assim.
E se há em Portugal quem não se possa queixar de falta de gratidão é precisamente ele. Tem o nome num aeroporto, estátuas e bustos. Tem o nome numa das maiores academias de futebol. E foi distinguido, e condecorado, por três presidentes da república. Se isto não é gratidão, não sei o que seja.
Mas sei o que é respeito. Pelo país, pelos colegas e por si próprio.
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