É frequente referir-me aqui a questões de ética e deontologia na imprensa, nas televisões e na comunicação social em geral.
Como já o tenho referido nessas outras ocasiões, este é um problema que os últimos anos agravaram. Não sei se os jornais, as rádios e as televisões são hoje mais parciais porque é maior a crispação política, porque são mais visíveis as feridas abertas na sociedade portuguesa ou se, pelo contrário, o confronto e a radicalização são hoje maiores pela forma como principalmente os jornais, e as televisões os alimentam. O que eu sei é que nunca na democracia portuguesa o enviesamento, a distorção e a manipulação estiveram tão instalados na comunicação social. Que nunca foi assim tão descaradamente parcial.
O problema é claro, e está á vista de todos. E é grave. Já é grave que as televisões estejam permanentemente ocupadas por juízes em causa própria a agir como se estivessem a fazer opinião. É inaceitável que gente que decidiu e decide o rumo do país seja paga – e muito bem paga – para não fazer outra coisa que defender as agendas escondidas que servem. Mais grave ainda é que sejam jornalistas a fazê-lo a coberto de um estatuto e de uma carteira profissional.
São hoje inúmeros os exemplos de jornalistas que são mais conhecidos pela controvérsia que provocam do que propriamente pelo seu mérito profissional. Dispensam-se nomes. São muitos, e conhecidos.
Às vezes, há quem se passe. Esta semana houve quem se tivesse passado. Houve quem arrancasse um microfone suspeito de uma mão insuspeita, com uma pergunta tão estúpida quanto suspeita, e o atirasse ao fundo de um lago. E houve quem se irritasse nas redes sociais, chamando-lhes mentirosos e perguntando por que não são despedidos.
A afirmação faz sentido: são mentirosos, não têm outo nome. Já a pergunta é um pouco, se não mesmo totalmente estúpida: toda a gente sabe que é mesmo por isso e para isso que são contratados. Como despedidos?
Longe vão os tempos em que tudo se tornava irrefutável com um simples “vem no jornal”. Os tempos em que mediante a exibição de uma página de um jornal se acabava com as dúvidas. E com a discussão!
E são os jornalistas os principais culpados disto. Os outros, dos outros. Do outro lado. Como alguns reconhecem. Se calhar só porque também passaram por elas...
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